é o título da crónica assinada por Nicolau Santos esta semana no Expresso. Crítica da venda das boas empresas potuguesas a empresários espanhóis. Ao arrepio daqueles que considera como "as puras vestais do neoliberalismo" Nicolau Santos identifica uma aposta forte dos espanhóis no controle da economia portuguesa em cinco áreas: telecomunicações, energia, água, banca e média.
Na mesma crónica aproveita ainda para criticar a "onda" que identifica todos os males do país com o investimento público.
Depois de Pacheco Pereira ter estabelecido a irrelevância de uma discussão sobre as Presidenciais baseada na idade dos candidatos são às dezenas os comentadores que afirmam, com a frescura de uma primeira vez: "O problema não é a idade. O problema são as ideias."
No Público de hoje, dois dos seus cronistas mais conservadores ou neoconservadores, voltam ao tema. No caso de Helena Matos trata-se de uma oportunidade para atacar de uma forma violenta Mário Soares e sobretudo as suas "velhissímas" ideias. Como termo de comparação refere os casos de Bernardino Machado e de Américo Thomaz. Se no caso do Presidente da República deposto pelo golpe de 28 de Maio de 1926, a comparação não choca no caso de Américo Thomaz a comparação é grotesca.
Grotesco é aliás o tom geral do artigo e a simplificação grosseira que é feita quer do que pensa Soares quer do seu percurso de vida. Resumir tudo a uma simples "alternativa ao capitalismo feita na companhia dos líderes corruptos do PT e de Hugo Chavez." ou afirmar que "as ideias nunca atrapalharam Mário Soares" é um descarado exercício da mais acabada falta de honestidade intelectual.
Alguma direita ainda não acertou as contas com o 25 de Abril e sobretudo não perdoa áqueles que contribuiram para o fim do velho regime. Essa é a questão que se esconde, mal, atrás do ódio que resume das palavras de Helena Matos.
A escolha recai no jovem Bernardino "Cem Anos" Soares. A sua justificação para o facto de o PCP ter votado contra a limitação de mandatos é de antologia. Disse o "camarada" Bernardino: "Perante o direito de eleger e ser eleito a proposta em cima da mesa não resolvia o problema da promiscuidade e apresentava os autarcas como príncipais suspeitos." Importa-se de repetir?
Para ler aqui. Uma boa explicação para as posições do PCP sobre esta questão e afinal sobre todas as que se relacionem com mudanças no Sistema Político.
... do sistema político. Nas suas próprias palavras, hoje no Algarve, o líder do PSD tem dado contribuições claras para moralizar o sistema. Aponta como exemplo a lei de limitação de mandatos ontem aprovada. Mas o homem está a gozar com as pessoas ou está politicamente perturbado? Então resolve gabar-se de ter feito depender a aprovação de uma lei de um conjunto de alterações que a tornaram quase inútil e de ter adiado por mais oito anos a eficácia práctica da mesma?
Contrariando as expectativas pessimistas de analistas nacionais e internacionais, os últimos dados revelam que as recém-criadas medidas governamentais, como o ‘PIIP’ e o ‘Empresa na Hora’, podem estar a surtir efeito e a provocar um novo impulso na economia portuguesa, transmitindo confiança aos mercados e atraindo novos investidores.
Com efeito, e apesar do fantasma da recessão e das condições adversas, os últimos indicadores apontam Portugal como o país da zona Euromilhões onde o investimento mais cresceu durante as duas últimas semanas, ao mesmo tempo que se registaram um grande número de novas sociedades. A desburocratização e simplificação de registos tem facilitado a vida aos investidores, o que faz com que não haja família, aldeia, empresa, repartição ou paróquia sem as suas sociedades. A tendência até é a de cada português estar envolvido em mais do que uma sociedade, cumprindo assim um dos princípios básicos de diversificação de carteiras.
Renegando os seus hábitos seculares, prova-se assim que o empreendorismo tomou conta dos portugueses, que se desmultiplicam em apostas arriscadas na nova economia e através do canais habituais. Recuperou-se o entusiasmo e o optimismo e o país parece abraçar, finalmente, os desafios da modernidade, da inovação e do desenvolvimento da sua economia.
é o tempo que separa 1993, data do primeiro projecto de limitação de mandatos de iniciativa do PS, de 2013 data na qual recolherão a casa muitos dos dinossauros mais ou menos fossilizados.
Vinte anos passa a ser uma medida da imobilidade do "sistema político" quando o que está em causa são as mudanças que implicam renovação do pessoal político. Uma eternidade. Pobre País.
A Assembleia da República aprovou "uma" lei de limitação de mandatos. Esta lei não tem qualquer semelhança com a lei posta à discussão pelo Partido Socialista. Senão vejamos:
- o PS propunha que a lei de limitação de mandatos incluisse, além dos autarcas, o primeiro-ministro e os presidentes dos governos regionais. A lei aprovada só se aplica aos autarcas.
- O PS propunha que os autarcas que já tivessem exercido doze ou mais anos de mandatos ou que completassem doze anos no próximo mandato, pudessem, unicamente, candidatar-se pela última vez em Outubro de 2005. Pela lei aprovada vão poder-se candidatar pela última vez em Outubro de 2009(!!!).
Uma vergonha. Uma cedência em toda a linha à chantagem do PSD, apoiada pelo PCP e pelo PP.
Para que serve as pessoas votarem e elegerem até maiorias absolutas? Não seria desejável o PS levar a votos o seu pojecto assumindo os restantes a consequência dos seus actos? Eu penso que sim até porque neste caso fica sempre a suspeição de que aquilo que o PS de facto queria era que a sua lei não fosse aprovada.
Se há uma coisa estável e segura neste País é o "Sistema Político" entendido como um modo de vida. Diga Sampaio o que disser.
O PSD pediu mais um dia para decidir se aprova ou não a limitação de mandatos proposta pelo PS. Esta dúvida de última hora aparece depois de o PS ter dividido o seu projecto em dois separando a limitação de mandatos dos autrcas da do primeiro-ministro e dos presidentes dos governos regionais. Tratou-se de uma iniciativa dos socialistas para possibilitar o apoio dos sociais-democratas. No PSD ninguém apareceu para explicar a razão do adiamento, mas sempre foi possível aos jornalistas escutarem uma vaga justificação relacionada com a rectroactividade da lei. Desculpas esfarrapadas. É sempre assim quando se quer fazer mudanças políticas de fundo capazes de interromperem este ciclo funesto de caciquismo e de corrupção. Aparece sempre um partido ávido de capitalizar a corporação autárquica e o seu enorme cortejo de interesses. Neste caso é o PSD que tem sido, aliás, o partido de bloqueio nesta questão. A necessidade de uma maioria de 2/3 nesta matéria torna as alterações objecivamente impossíveis.
A classe política, em Portugal, não se tem na melhor das opiniões. Triste é que pretenda fazer os cidadãos passarem por parvos. Marques Mendes perde nesta questão o que andou a conquistar com os processos Isaltino, Valentim e Jardim.
«Mr Barroso's last 12 months have been a political horror show.»
in edição on-line do Finacial Times
O plano está ganho. Se não conseguimos a convergência com a Europa, enviamos alguém que faça a Europa convergir até nós.
P.S.: A hiperligação da citação leva para o artigo escrito pelo jornalista George Parker, citado hoje no Público.pt.
Está sempre tudo bem enquanto andam disponíveis e não dão chatice. Depois acontece um azar e já não servem para nada.
Então, toca de as substituir por alguém com mais produtividade e sem apêndices indesejáveis. Já era tempo de as mães deste país se unirem e tomarem uma atitude contra este patronato insensível. Pobre Fernanda Serrano... Onde é que anda o Garcia Pereira?
P.S.: Imagem obtida no Seringa das Farturas.
Mesquita Machado(M.M.), o "jovem" Presidente da Câmara de Braga e dos autarcas socialistas, comentou a demissão do ministro Campos e Cunha manifestando a sua "imensa satisfação e alegria" (Público de 22-07-05) com o facto. Aproveitou para salientar, pedagógico, que "ele não tinha sensibilidade para o problema das pessoas, o que muitas vezes acontece com os tecnocratas".
O que é triste nesta história é que M.M. seja o candidato do PS pela milésima vez à Câmara de Braga e que, para cúmulo, seja o presidente dos autarcas socialistas. Mais tarde quando de Sócrates não restar mais do que uma vaga lembrança M.M. continuará a ditar as suas regras. O caciquismo no seu esplendor.
Sócrates não acredita na vitória de Mário Soares. No caso de derrota do líder histórico na disputa com Cavaco será sobretudo uma derrota de Soares. Soares é, aliás, o único candidato cuja escolha é em primeiro lugar uma escolha pessoal o que não acontece nem com Alegre e muito menos com Freitas. No caso da escolha recair em qualquer um destes dificilmente o primeiro-ministro escaparia incólume a uma eventual derrota.
Não me parece que Sócrates conviva mal com uma vitória de Cavaco. E que tema muito a eventual dissolução do Parlamento. Cavaco e Sócrates podem ter condições para uma frutuosa coabitação.
Nicolau Santos, na sua coluna no Expresso, classifica desta maneira o ex-patrão da TVI. Razão para esta anti-patriótica classificação: a venda, aos espanhóis da PRISA, de 30% da TVI, o que equivale à entrega do controlo da empresa ao grupo espanhol.
Estes empresários portugueses em primeiro lugar pensam no seu bolso, em segundo lugar no seu bolso e assim, sem mudanças, até ao infinito. Isso torna particularmente grotesco ouvi-los falar dos interesses do País. Deviam, eventualmente, criar uma Associação Miguel de Vasconcelos para reunir todos aqueles que desta forma se comprometem com Portugal. Já tinham um grupo de ilustres e abastadas figuras para formar os “corpos sociais”.
Nicolau Santos é um dos raros jornalistas capaz de escrever sobre assuntos económicos de uma forma inteligente e corajosa, sem se submeter aos códigos do “economicamente correcto”.
JCG
No dia 28 de Julho a questão da limitação de mandatos vai a votos na Assembleia da República. Compromisso assumido pelo PS questionado, ontem, pelo Bloco de Esquerda.
Adivinha-se uma maioria de blqueio liderada pelo PSD com o apoio do PCP e do PP. Esta pequena, mas eficaz, minoria começa a ganhar alguma consistência nas sucessivas votações na Assembleia da República. Será com estes parceiros que Jerónimo de Sousa quer concretizar uma nova política?
Narciso Miranda, magnânimo, ajudou a direcção do PS a resolver a contento o "caso de Matosinhos". Criou condições para que o Secretário Geral pudesse escolher para candidato socialista o homem que ele já tinha designado. A luta Narciso- Seabra resolve-se assim, no puro plano das escolhas autárquicas, com uma vitória esmagadora de Narciso. Não haverá muitas dúvidas de que em Outubro Narciso ganhará de novo a câmara de Matosinhos.
O PSD não quer que a limitação dos mandatos inclua o seu Alberto João. Como diz Vital Moreira aceitemos, contrariados, esta condição. Mas impor a não aplicação de qualquer cláusula de retroactividade na lei, na limitação dos mandatos autárquicos é uma clara confissão de que para o PSD, e para Marques Mendes, as reformas do sistema político são para serem adiadas para as calendas. Uma vergonha.
Eu sei quem é que deve estar preocupado. Se acreditasse em coincidências, até seria capaz de pensar que Campos e Cunha não estava à espera de uma recomendação positiva da Comissão para, com o sentido de dever cumprido, apresentar o seu pedido de demissão.
Agora, feito o trabalho sujo, resta saber o que nos espera.
"PCP considera demissão de Campos e Cunha a primeira derrota do Governo". No Público - Última Hora desta noite.
A notícia do Expresso do fim de semana não constitui qualquer surpresa. Na GALP o dinheiro para pagar aos amigos e àqueles que podem "servir" a empresa nunca falta. Seria interessante saber quem recebeu indemnizações na empresa, nos últimos anos, e que lugares iam ocupar no momento em que as receberam.
Duzentos e noventa mil euros nem sequer é, certamente, a indemnização mais elevada já paga. Quanto aos familiares dos Ministros e de outras "pessoas importantes" também não há nenhuma novidade na coisa. Podemos ir por aí fora e falar de familiares de autarcas de dirigentes partidários etc. Tal como podemos falar da apetência da classe dirigente para comprar anos de serviço. Exactamente os mesmos que, quando ascendem ao poder político, logo recorrem ao adiamento da idade da reforma, dos outros, para tirar o país da crise. A famosa questão da dupla moral da classe política e empresarial. As tais elites sempre agarradas às grandes empresas e à teta do Estado.
O antropólogo Paulo Granjo num excelente livro, que tem como base a sua tese de doutoramento, cujo título é "Trabalhamos sobre um barril de pólvora" - Homens e perigo na refinaria de Sines" no capítulo 4 sob o título "Emprego e Dependência" analisa o "sistema de patrocinato" existente na empresa e a sua relação com o perigo laboral. Não resisto a citar " É verdade que, circulando na fábrica (...) rapidamente nos apercebemos de que os relacionamentos internos e, sobretudo, a admissão de pessoal são marcados por um sistema operante de nepotismo e outras formas de favorecimento e dependência." (página 111 e seguintes). A profunda ignorância instalada nos média fez esta obra passar relativamente ignorada. Parece valer mais uma primeira página do Expresso do que alguns anos de trabalho sério.
"Não seria estranho se saísse do Governo para ser candidato"
Posted by JCG at 7/20/2005 10:35:00 da tardeSabe-se desde o primeiro minuto que a entrada de Freitas do Amaral para o Governo visava chegar mais longe. Um ministro de um Governo eleito com maioria absoluta numa vitória da esquerda, que foi simultaneamente a maior derrota da direita, adquire uma legitimidade que pode compensar bem todo o seu passado e a sua origem política. Por outro lado à direita Freitas tem os seus créditos firmados e já aproveitou estes meses para "fortalecer" as relações com a senhora Rise. Morre assim um foco de contestação centrado na hostilidade do "tio da América". Não se confirmam as análises , como a de António Barreto, que davam o homem como tendo renunciado ao seu "velho" sonho presidencial.
O problema agora é o candidato poeta que acha que "não faz qualquer sentido" a candidatura de um homem de direita em nome da esquerda. Se conseguir evitar a candidatura presidencial de Freitas, que deverá ter tido, desde o primeiro minuto, o sólido consentimento e empenho de Sócrates, e de Guterres, Manuel Alegre merece uma estátua e desta vez não pelos seus méritos poéticos. Mas falta a posição de Mário Soares, o senador dos senadores.
Acabo de saber aqui que o ministro das Finanças vai ser exonerado. Bom, o senhor estava com muitas dificuldades na gestão política do cargo. Um claro caso de inadaptação. Depois do artigo que não dizia nada de novo, mas que dizia coisas que não podia dizer, veio a posição sobre os processos do TGV e da OTA desmentidas, de seguida, pelo Ministro das Obras Públicas. O senhor não estava de "alma e coração" com as soluções de José Sócrates. Definitivamente Campos e Cunha não acreditava nesta receita e temia o pior.
Com a notícia da notícia, o DN arranjou uma excelente maneira de escoar todo o papel de hoje. Resta saber se, com a exposição que a entrevista mereceu ontem e as reflectidas conclusões a priori que mereceu, alguém ainda terá paciência e interesse em ler. Afinal de contas, o «caso Miguel» é muito mais interessante.
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Escultura de Auguste Rodin de 1888/1889. Imagem retirada do website do Musée Rodin - Paris.
Tocamos o rasto verde sobre a pedra
o fresco segredo que a liga à chuva
Também nós no amor, impossíveis
ilesos de um crime maior, etéreos
com o fio de ouro que nos liga à luz
Freitas do Amaral também resolveu meter a pata na poça. Um claro tropeção na sua corrida, mais ou menos irreversível, para Belém, via PS. Admito que o Ministro tenha razão na crítica que faz à forma como foram tratadas as suas declarações. Amanhã tiramos as dúvidas. Mas qual a justificação para fazer estas declarações neste exacto momento, alguns dias depois do pequeno incêndio ateado pelo Ministro das Finanças? Estamos perante gente muito experiente. Mas não parece. Começa a instalar-se a sensação de que falta liderança política ao Governo. Chamem o Jorge Coelho.
A entrevista do Ministro Campos e Cunha originou uma pequena tempestade. A oposição, do PSD ao Bloco de Esquerda, cavalgou, cada um a seu modo, a aparente crítica ao investimento público que a dita entrevista continha. Na realidade o Ministro entende que nem todo o investimento público é bom, o que o coloca no exacto local em que situa o Governo: longe daqueles que acham que todo o investimento público é mau, a menos que os beneficiários sejam as "elites empresariais do costume", e longe dos que acham que a solução de todos os males é sempre mais investimento público. O problema está na qualificação do investimento. Todos percebemos que o Ministro não concorda, por exemplo, com o investimento público associado ao Euro-2004. Longe do que defende o Primeiro-Ministro, José Sócrates, um dos grandes obreiros dessa "saga" que, mais uma vez, causou "admiração" no mundo inteiro. E concordará com o TGV e com a OTA? Outra questão é a oportunidade política da entrevista. Para dizer estas coisas não podia o Ministro ter ficado calado. Lembrei-me outra vez daquela economista que recomendava um Ministro das Finanças com peso político para esta fase difícil do País. Teodora Cardoso de seu nome.
Parece que está a ser executada uma estátua de Manuel Alegre para ser oferecida à cidade de Coimbra. Imagino que o poeta da Praça da Canção irá desautorizar esta iniciativa.
Duas mil torres de suporte de aerogeradores? São muitas, não são? Como ficará a paisagem?
As energias renováveis são uma aposta sensata, urgente e necessária. Vamos depender menos do exterior, importando menos energia. Vamos poluir menos consumindo menos energias fósseis.
Parece que esta energia éolica vai permitir satisfazer todos (!!!) os consumos domésticos.
Qual é a parte destinada ao solar?
Como sou um rapaz antiquado gostava de saber quem verdadeiramente ganha com este negócio? Será o País? Será esta uma oportunidade para aproveitando os nossos recursos naturais - vento e sol - ficarmos mais ricos e menos dependentes? Ou este negócio, de muitos biliões, irá sobretudo cair na mão de investidores estrangeiros?
É que se algumas das respostas forem as piores poderá ser menos aceitável a presença das duas mil torres. Para lá da questão, não dispicienda, da paisagem. Da nossa paisagem.
Neste período de pré-eleições autárquicas sugiro a leitura do livro " Onde Falham as Cidades", edição da Temas e Debates. Um conjunto de entrevistas, conduzidas por Vítor Andrade, jornalista do Expresso, com um conjunto de personalidades com diferentes ligações às questões do urbanismo. Se não tiver paciência para ler tudo, ou o tempo não for muito, vá directamente à entrevista com o Professor Jorge Gaspar cujo título, politicamente incorrecto, é "Nunca tivemos uma política séria de cidades". Para ler e saborear, isto é, reflectir.
Por voltas e mais voltas que dê não consigo compreender a leitura feita pelos diferentes orgãos de informação - com excepção da Antena I - sobre os resultados da sondagem para Lisboa. Para mim Carmona Rodrigues conseguiu 24% dos resultados expressos e Carrilho apenas 22%. Este resultado merece uma leitura política que penso ser a seguinte: Entre os resultados do PS em 20 de Fevereiro de 2005 e os que Carrilho pode obter em Outubro não deverá haver qualquer semelhança. Em simultâneo Carmona Rodrigues é um adversário muito mais duro de roer do que Santana Lopes e capaz de suplantar em muito o resultado de 20 de Fevereiro do PSD. Claro que tudo pode mudar entretanto, falta saber em que sentido.
Pequena nota: O BE está à frente da CDU. Não chega a ser uma novidade.
PS - Uma distribuição dos indecisos - que parece serem mais Carrilho do que Carmona - deu depois um resultado de 41% ao candidato do PS e não mais de 36% ao independente que o PSD candidata. Mas no que respeita aos votos expressos...
A revisão em baixa do crescimento do PIB pelo Banco de Portugal e a avaliação das Grandes Opções do Plano para 2006-2009 pelo Conselho Ecomnómico e Social foram as más notícias da semana.
Sobre esta última saliento um aspecto quase sempre desvalorizado pelo economês liberal dominante nos média. O relatório elaborado pelo Prof. Simões Lopes e por João Ferreira do Amaral salienta que o problema não está só na competitividade e na produtividade da economia, passa também pela situação social e pelo desemprego, pelo acentuar das desigualdades económicas e sociais, pelo aumento da exclusão social e da pobreza.
Pois é.
Bernardino Soares na apresentação dos candidatos do PCP aos diferentes orgãos autárquicos do concelho de Sines afirmou pedagógico: " sendo a obra positiva, um mandato cheio de coisas boas e importantes importa não descansar, não tenhamos a ilusão de que basta a obra estar feita para a eleição estar ganha. A obra é indispensável, mas agora é preciso divulgá-la, mostrar às pessoas, chamar a atenção para a qualidade do trabalho feito. Já tivemos outras situações onde a obra era muito boa e as pessoas não a viam com a devida atenção."
Uma clara sub-avaliação do trabalho feito, desde há vários meses, pelos seus camaradas que não param de divulgar "a obra". Aliás, Bernardino, ainda há lugares na excursão das 14 horas para a próxima inauguração. Onde é que estás?
Na Comissão Parlamentar das Finanças, Vitor Constâncio em resposta à questão, em parte pessoal, colocada pelo deputado Agostinho Lopes, do PCP, sobre os seus vencimentos e sobre os lucros e os impostos da Banca, abordou esta última questão. Do que disse importa salientar a sua afirmação de que a Banca "alivia a sua carga fiscal" através de "mecanismos perfeitamente legais". E sobretudo a conclusão de que esses mecanismos "não deviam existir".
A generalidade dos cidadãos têm a mesma opinião que o senhor governador. Será que pode falar com o senhor primeiro ministro e com o senhor ministro das finanças para acabar com os tais mecanismos? O País e os contribuintes agradecem.
Alegre "é um democrata" afirma Jerónimo de Sousa na entrevista concedida ao Público de ontem. São fundamentais estes "esclarecimentos" não vá alguêm pensar que estamos perante um mero serventuário do poder do capital, aliado da contra-revolução imperialista.
Rui Rio provavelmente irá obter uma maioria absoluta. É a primeira consequência de uma candidatura socialista liderada (?) por Francisco Assis, um candidato condenado desde o primeiro minuto à derrota. Escrevemos aqui, no dia em que foi anunciada com pompa e circunstância a aposta pessoal de José Sócrates para a segunda autarquia do País, que a aposta dificilmente teria sucesso. A realidade ultrapassou as nossas previsões. Mais de 26 pontos percentuais separam Rui Rio de Assis. Com a pequena subtileza de as previsões, caso se confirmem, tornarem irrelevante o apoio da CDU ao PSD. Rui Sá torna-se dispensável.
Mas que ideia terá sido a de escolher o "cinzentão" Assis para candidato ao Porto quando o homem estava tão bem instalado em Bruxelas. Tão bem instalado que por lá tem continuado durante a pré-camapanha parecendo ter deixado a Ministra da Educação a tratar da "coisa", o que não terá agradado mesmo nada aos portuenses.

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Afinal o Arrastão foi um Inventão, como terá dito para espanto geral, e indignação de algumas almas bem pensantes, a deputada Ana Drago. Inventão com manifestos intuitos racistas e xenófobos. Destaque para o papel da imprensa "livre" na produção da "coisa". Ela está cada vez mais orgulhosa das palas que lhe colocam sobre os olhos.
Parabéns à jornalista Diana Andriga. É outra vez, e sempre, a velha questão do "capital humano".
A polémica entre o BES e o grupo Impresa, que publica o Expresso, é uma boa oportunidade para se reflectir sobre o condicionamento da liberdade de informação.Desagradado com o teor de algumas notícias e artigos de opinião o "muito poderoso" GES retalia com o corte da publicidade no Expresso e noutros orgãos de comunicação da Impresa. Imagine-se o que não acontece com a arraia miúda da imprensa regional e local. Com raras, e potencialmente falidas excepções, entramos no puro domínio da voz do dono.
PS - Mas o Expresso resistiu à retaliação. É uma longa história de combate pela democracia desde os tempos difíceis da ditadura que não se apaga com retaliações.
no Público de hoje um trabalho de Filomena Fontes sobre a candidatura socialista à autarquia de Matosinhos. Aí fica claro que Narciso, presidente durante uns "breves" 25 anos, tentou até ao último momento ser ele o candidato. Recorrendo mesmo à ameaça de uma candidatura independente. Para rematar a escolha deverá recair num candidato com a aprovação prévia do "grande líder".
O caciquismo no seu esplendor.
Há ainda quem tenha coragem de fazer uma viagem de 14.000 kilómetros por África, a pé.
Foi a melhor leitura de fim de semana, essa onde se contava a aventura dos franceses Alexandre e Sonia Poussin desde a Cidade do Cabo, na África do Sul, até ao Lago Tiberíades em Israel. Uma travessia que demorou três anos a três meses a fazer-se e que dará origem a uma livro: Africa Treck.
"Na mochila (...) só o mínimo vital. Quando temos tudo o que é necessário, não precisamos dos outros e não encontramos ninguém", explica Alexandre".
"Um momento marcante passou-se em Moçambique. "Tínhamos muita sede. Estávamos numa zona fronteiriça minada - e onde há minas não há populações. Estávamos muito desidratados. Ao fim de três dias sem beber água, à beira da morte, uma mulher salvou-nos. Era muito pobre, e chamava-se Lucy. Foi um piscar de olhos extraordinário, já que a nossa viagem tinha como 'tema' seguir os passos dos nossos antepassados hominídeos, dos quais "Lucy", a australopiteco descoberta em 1974 na Etiópia por Yves Coppens, faz parte" ".
E vendo-os numa fotografia no Campo Arrow, Monte Quilimanjaro (Quénia), a mais de 4.000 m de altitude, é caso para se dizer: Têm o mundo a seus pés.
De facto, só para alguns!
* sobre uma reportagem da revista Única do Expresso de 9/7/05
Hiperligações para esta mensagem
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Mas foi actualizada a hiperligação para o Barnabé à vossa direita.
[riso abafado]
PCP, PP e PSD foram derrotados e não conseguiram evitar a aprovação da proposta do PS para permitir realizar, ainda este ano, o referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez.
Compare-se a actuação do BE com a actuação dos comunistas aparentemente cegos com a necessidade de serem oposição sistemática ao Governo.
Marques Mendes foi "desconvidado" pelo Jardim, que não se consegue esquecer de Tianamem, e já não vai à Festa do PSD da Madeira. Há convites que ficam mal a quem os aceita e há desconvites que só podem ser motivos de orgulho para os desconvidados. Como neste caso.
Marques Mendes tem tomado muitas medidas corajosas pouco comuns nos líderes dos partidos do "centrão". Merece respeito por isso independentemente da posição política de cada um.
Narciso Miranda anunciou hoje que não será candidato independente à Câmara de Matosinhos acrescentando que há cerca de ano e meio tinha transmitido à direcção do partido que entendia ser a hora de mudar. Muito bem. Narciso quer dar a ideia de que a escolha do candidato "nem Narciso nem Seabra" teve na origem uma opção sua. Todos sabemos que é objectivamente falso. Narciso tentou até ao último dia ser outra vez o escolhido. Ainda ontem declarava que "Cada vez percebo mais que os matosinhenses se identificam profundamente com o projecto de desenvolvimento estratégico da maioria socialista, do qual me orgulho de ser o rosto mais visível".
A saída de cena de Narciso é boa para a democracia. Aliás, a saída de todos os que como ele permanecem há dezenas de anos no poder é boa para a democracia. Aplauda-se.
«Tenho conhecimento que [Alberto João Jardim] mandou uma pessoa à feira de Cantão para comprar coisas e poder ganhar as eleições.»
Y Ping Chow, presidente da Liga dos Chineses em Portugal, citado pelo Público.
Finalmente uma coisa sensata no meio do deserto. O engenheiro Jorge Jacob, director geral dos Transportes Terrestres, contestou a peregrina ideia da candidatura de Carrilho de reduzir a metade o número de carros que entram em Lisboa. Não por ser uma ideia errada mas por ser inviável recorrendo a soluções de pura engenharia de transportes. Do estilo alargar esta ou aquela via, taxar a entrada de veículos etc.
O problema como referiu o engenheiro Jacob é do puro e simples domínio do urbanismo. É necessário acabar com a despesa brutal em acessibilidades e transportes. Feita à custa dos recursos de todos os contribuintes do país inteiro. Que muitos milhões de euros depois nada resolveu. É necessário melhorar a gestão dos recursos existentes domínio no qual está muito por fazer. Aqui sim vale a pena investir. Conseguem-se ganhos com custos reduzidos. Mas a grande mudança, que não pode ser adiada, diz respeito à devolução à cidade de Lisboa daqueles que ao longo dos últimos 20 anos dela foram expulsos. Cerca de trezentos mil segundo o Censo de 2001. Como é que se pode afirmar que Lisboa não tem um problema de povoamento?
É necessário combater a segregação espacial das populações de menores rendimentos. Combater a Lisboa elitista, para os "happy fews" capazes de aceder ao monoproduto imobiliário disponível na cidade. Caraterizado pela proximidade do rio, em zonas históricas recuperadas, com assinatura de grandes arquitectos exclusivamente para os mais favorecidos. Os outros corridos para os subúrbios, com a pequena "chatice" de serem todos os dias necessários para trabalharem.
A solução está no Urbanismo. Mas não neste urbanismo de exclusão. Esta é a discussão que faz falta. E que ninguem quer fazer.
A AlQaeda atacou no coração de Londres. O terrorismo de inspiração islâmica continua a vitimar inocentes. E a apontar os novos alvos com antecedência e impunidade. Como tinha acontecido com o Reino Unido e com Tony Blair há dois meses.
Como se combate esta ameaça global? Já pouca gente é capaz de defender o modelo americano. A violência arrasta a violência e as vitimas são sempre os inocentes.
O Governo de Angola está chocado com o FMI. Esta instituição internacional divulgou um estudo realizado por um académico americano sobre a corrupção no País. O estudo revela entre outras coisas que "dez angolanos têm fortunas que ultrapassam os cem milhões de dólares, enquanto outros 49 têm mais de 50 milhões de dólares. À cabeça da lista dos mais ricos está o Presidente José Eduardo dos Santos, seguido de um deputado parlamentar, dois oficiais do seu gabinete, um embaixador, um antigo chefe militar, um ministro das obras públicas. Os sete angolanos mais ricos estavam todos no Governo" . Neste relatório divulgado pelo DN afirma-se ainda que "em países ricos em petróleo, mas pobres em instituições, como Angola, é no Governo que está o dinheiro". Estas coisas são chocantes num país no qual 70 % da população vive com menos de um dólar por dia. Os governantes consideram-se de esquerda e a maioria ainda devem intitular-se comunistas. Fica-lhes bem.
Esta gente fez pior a Angola do que todo o colonialismo. Em trinta anos destruíram tudo aquilo que ao longo de décadas aí foi construído em vez de terem aproveitado a independência para promoverem o desenvolvimento e o acesso de todos os angolanos às riquezas do país. A guerra foi só uma desculpa fácil. A mesma guerra que não impediu que diversos membros do aparelho de Estado sejam dos homens mais ricos do mundo.
Razão tem Pacheco Pereira acerca da denúncia das responsabilidades das cliques no poder no atraso e no subdesenvolvimento africano. A atribuição ao G8, que é como quem diz aos países mais ricos, da exclusiva responsabilidade nesse atraso é uma falcatrua política e uma desonestidade intelectual.

- Com esta consigo os mínimos para os Jogos Olímpicos!
Apesar de, aparentemente, o ser retratado na imagem que encima esta entrada parecer um selvagem perfeitamente descontrolado, estamos perante um activista em plena acção durante a cimeira do G8.
O gesto simboliza a sua contribuição para que assuntos como o aquecimento global, a pobreza, a proliferação de armas nucleares e as guerras no Iraque e no Afeganistão sejam trazidos à discussão durante a cimeira.
Percebe-se perfeitamente, não?
P.S.: Imagem obtida aqui.

- Gonzalez, Lucho Gonzalez. É L-U-C-H-O.
A questão de Louçã sobre a fuga "consentida" dos Bancos ao fisco não mereceu resposta do senhor Ministro das Finanças. O facto de o banco Totta ter mudado de paraíso fiscal foi a causa próxima.
O ministro não parece ter tempo para "miudezas". Mas vai ter que arranjar. Mais tarde ou mais cedo. O povo tem cada vez menos paciência para iniquidades.
O deputado do PSD que responde pelo nome que titula este post acabou de discursar a fechar as intervenções do PSD no debate. Quem o escutava poderia admitir estar perante um deputado da oposição, desde sempre afastado do poder, que combate um governo desde há vários anos em funções.
Mas não é assim pois não?
Quatrocentos milhões de Euros pagamos, todos nós, este ano ao City Bank. É um resultado da titularização das dívidas fiscais negociada entre Manuel Ferreira Leite e uns rapazes abonados dos emiratos. Para garantir o défice de 2003.
Quatrocentos e setenta milhões de Euros pagamos, todos nós, este ano. Consequência da passagem dos fundos das pensões dos trabalhadores da CGD para a Caixa Geral de Aposentações. Autor: Bagão Felix, para garantir o défice de 2004. Ele sabia o que queria dizer com aquela do "cuidado com o Bagão." Se o povo não tivesse tomada a medida radical de 20 de Fevereiro o que seria deste país?
Deslocação a Portel por motivos profissionais. Trabalho de campo. Um sol capaz de derreter tudo o que aparecer pela frente. Cerca de 40 º . De regresso paramos no primeiro café de beira-de-estrada. Uma construção foleira com uma arquitectura abominável. Lá dentro uma frescura paradisíaca do belo ar condicionado sempre a "combater" contra a canícula.
A construção é um chorrilho de disparates. Uma miserável inércia térmica. Paredes exteriores de uma espessura ínfima. Vãos exteriores "tipo montra". O Alentejo começa a ser invadido pela "modernidade". Os padrões arquitectónicos e culturais passam um mau bocado. É a ignorância que se impõe.
Trinta anos de Independência comemora hoje Cabo-Verde. Um pequeno conjunto de ilhas no meio do Atlântico que teima em percorrer o caminho do desenvolvimento. Desenvolvimento improvável face às condições dolorosas impostas por uma natureza madrasta. Mas que a coragem, a persistência e o amor à sua terra que caracterizam o povo de Cabo-Verde tornam possível contra ventos e marés.
Cabo Verde é um país exemplar no conjunto da descolonização portuguesa do pós 25 de Abril. Mas é igualmente um país exemplar no continente Africano com a sua taxa de alfabetização, a baixa taxa de mortalidade infantil e o rigorosos aproveitamento das ajudas externas ao seu desenvolvimento.
E depois existe a música com a Cesária e o Chico Serra, no seu piano, mais a saudade do Ildo Lobo, a belíssima cidade do Mindelo, com o seu urbanismo e a sua arquitectura, com o seu Carnaval, a ilha da Boavista, o Sal com as suas belas praias, a praia do Tarrafal e o povo. Que trabalha, que luta, que sofre mas que canta e dança sempre. O povo afável e caloroso de Cabo Verde.
Amílcar Cabral deve estar orgulhoso desta gente.
O Jardim da Madeira não pára. Agora lembrou-se dos chineses e dos indianos. Negócios na madeira só "made in Jardim". O mais descarado racismo e a mais descarada xenofobia. Isto depois de na passada semana o Tribunal de Contas ter revelado que a dívida pública da região tinha duplicado entre 2001 e 2003. Passou de 690 para 1134 milhões de euros. Marques Mendes, distraído a acusar o Governo de despesista, não deu por nada.
As intervenções de Sampaio sobre este senhor deixam sempre muito a desejar. Deve ser assim por razões incompreensíveis para os simples mortais.
Eu por mim alinho na proposta de dar a independência ao barão. Os madeirenses rapidamente restabeleciam a normalidade.
Rui Baleiras, secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, dá hoje uma importante entrevista ao DN sobre os desafios que se colocam às finanças municipais. Impossível resumir. O melhor é ler a entrevista aqui ou, ainda melhor, ler o trabalho feito para a Presidência da República e publicado pela "Casa das Letras". Sob o título "Desafios para Portugal" são publicados cinco Seminários dedicados a diversos temas. O último abordou as Finanças Municipais e foi coordenado por Rui Baleiras. Para ler e reflectir.
Uma nova abordagem do endividamento municipal. Uma reflexão séria sobre a necessidade de o lançamento de impostos municipais, pelos autarcas, poder ser avaliado pelos cidadãos. Que hoje fazem as suas escolhas em função quase esclusivamente da realização de despesa pública. A necessidade de acabar com a dependência - 68% era o peso da Sisa e da CA , segundo Rui Baleiras, em 2001 no conjunto dos impostos municipais - dos impostos ligados às actividades de construção. Entre outros diagnósticos e excelentes propostas. Um projecto para uma boa mudança.
O ínicio da "silly season" deu-nos um fim-de-semana cheio de notícias desinteressantes. Pelo meio o trabalho de José António Cerejo, no Público, sobre a "suspeita de tráfico de influências e administração danosa na Câmara do Montijo." Porque será que este homem só escreve sobre autarcas e políticos socialistas? Será porque só eles cometem ilegalidades? Ou estarei a ser injusto para com o jornalista?
Na edição de hoje, do mesmo jornal, um trabalho sobre "O desafio do Turismo na Costa Alentejana." A mesma lengalenga desde os tempos do PROTALI. Qual turismo? Qual desafio?
Dois trabalhos que justificam um regresso ao(s) assunto(s) durante a semana.
O Grupo Pelicano, diz o Público de sábado, ofereceu uma capela mortuária à freguesia de Melides como contrapartida pelo empreendimento do Pinheirinho em Melides.
A inauguração contou com a presença do Bispo de Beja. De acordo com a autarquia de Grândola a casa mortuária foi "contruída dentro de modernos parâmetros arquitectónicos e prestações de serviços" . Por um lapso imperdoável foi omitido o nome do Arquitecto autor.
Há qualquer coisa de fúnebre e de funesto nestes negócios e nestas contrapartidas. O que será?

Wim Van Linden e Wouter Wuilmus partiram ontem da Bélgica para uma viagem de bicicleta em que percorrerão 3.000 quilómetros e cujo final está marcado para 31 de Julho próximo em Sines, Portugal.
A iniciativa, denominada "Ride2WalkAgain", destina-se a apoiar a fundação "To Walk Again - The Marc Herremans Foundation", fundada por um ex-campeão belga de triatlo - Marc Herremans - que viu a sua vida transformada quando, em Janeiro de 2002, um acidente durante os treinos o tornou paraplégico. Desde essa data, Marc Herremans tem dedicado a vida à causa da sua fundação, auxiliando pessoas na mesma condição e promovendo e recolhendo fundos para a investigação de lesões na espinal medula.
Estas foram as razões que levaram Wim e Wouter a empreenderem a sua jornada. Através da angariação de patrocínios, pagos por quilómetro percorrido, estes dois praticantes de triatlo e de BTT e admiradores confessos de Marc Herremans esperam conseguir reunir fundos para a fundação "To Walk Again" e terminar o seu desafio junto de alguns amigos que os esperam em Portugal.
Boa sorte, rapazes!
P.S.: Informação via Sardinheiras.
Miguel Veiga, histórico militante do PSD, mandatário da (re)candidatura de Rui Rio à autarquia do Porto, afirmou no lançamento da dita: " com o triunfo autárquico no país e à cabeça na praça de Lisboa (...) e se depois ganharmos as presidenciais, o segundo grande passo estará dado para que este Governo não termine a legislatura e o PSD possa retomar a governação ingloriamente perdida"
Interessante esta visão instrumental do lugar de Presidente da República, como instrumento de assalto e eliminação de maiorias absolutas. Seria por isto que o senhor não podia sequer ouvir falar da candidatura presidencial de Santana Lopes? E que alguma esquerda aplaudia, à época, o homem a mãos ambas?
E o prof. Cavaco o que dirá de tudo isto?
