Fotografias que Dizem as Palavras que as Pessoas querem
Posted by MJB at 5/31/2006 09:15:00 da manhã

Fotografia de Gillian Wearing (nascida em 1963)
Tate Collection
© the artist and Maureen Paley/ Interim Art, London
Apesar destes trabalhos terem mais do que uma década, continuarão a comunicar tanto o imediato como o abstracto, basta clic, num olhar, mesmo vago que seja.
Nesta exposição " Signs that Say What You Want Them to Say and Not Signs that Say What Someone Else Wants You to Say" (1992-3) Gillian Wearing pediu a pessoas que passavam que pousassem para a fotografia e segurassem um placar com uma frase que elas próprias escreviam.
Embora com atraso, inaceitável para quem é vitíma das emissões, a verdade é que o facto de os trabalhos para a instalação de uma unidade de dessulfuração na Central Termoeléctica de Sines, que tem associado um investimento de 225 milhões de euros, terem começado este mês são boas notícias. Boas notícias para a população de Sines e para o ambiente.
Não deveria ser preciso tanta divergência, tantos equívocos
Posted by MJB at 5/30/2006 10:57:00 da tardeA Associação de Defesa do Ambiente -Marés, recebeu uma resposta do Ministério do Ambiente, via CCDRA, sobre o "Estado do Ambiente" em Sines.
Para além do facto de em 2005 as concentrações de Ozono terem excedido os limites máximos nalguns dos dias o que mais se destaca é o facto de as emissões de benzeno - ao que parece os Compostos Orgânicos Voláteis medidos - terem ultrapassado "o limiar superior de avaliação".
Quer na Estação de Monte-CHãos, quer em Sines.
A CCDRA informa que "face aos resultados das avaliações das concentrações de benzeno, a CCDR Alentenjo irá novamente desenvolver campanhas de monitrização destes parâmetros, com tubos difusores, de modo a definir o tipo de monitorização a implementar na zona futuramente."
Relativamente ao Benzeno refira-se que "é um líquido inflamável incolor com um aroma doce e agradável. É um hidrocarboneto classificado como Hidrocarboneto aromático. É um composto tóxico, cujos vapores, se inalados, causam tontura, dores de cabeça e até mesmo inconsciência (se inalados em pequenas quantidades por longos períodos causam sérios problemas sangüíneos). Também é conhecido como cancerígeno. É uma substância usada como solvente (de iodo, enxofre, graxas, ceras, etc.) e matéria-prima básica na produção de muitos compostos orgânicos importantes como fenol, trinitrotolueno, plásticos, gasolina, borracha sintéctica e tintas . A benzina é um hidrocarboneto aromático gerada pelo benzeno mas é sintetizada de outros compostos, também presente no petróleo."(in Wikipédia.)
e ainda que "O benzeno afecta o material genético das células através de uma acção genotóxica e é hoje aceite pela comunidade científica que pode causar doenças malignas mesmo com níveis baixos de concentração. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o risco de alguém desenvolver leucemia mielóide, em virtude de uma exposição ao benzeno, é de 3,8 a 7,5 casos por um milhão de pessoas. A redução do risco individual de cada um só é possível através da redução das fontes emissoras."
Ontem o programa "Prós e Contra" permitiu ficar a saber algumas coisas:
- A OPA lançada pela SONAE sobre a PT não significa que o Engº Belmiro esteja particularmente confiante na economia portuguesa. Quem evidenciou esta aparente contradição foi o jornalista Paulo Camacho da Visão. Belmiro não acusou o toque esclarecendo que o problema da SONAE e do País são diferentes e que a ele o que lhe interessa é a capacidade da sua empresa para concorrer e ser competitiva no mercado global. É bom saber estas coisas pela voz dos próprios tantos e tão disparatados foram os discursos, dos apóstolos, a associar OPA's a dinâmicas económicas e retomas da economia do país.
- Os números de Medina Carreira são dificeis de combater. Levam ao pessimismo e ao desespero já que não se adivinha que possam servir de base a um programa de ajustamento da economia. Medina Carreira tem uma receita: o Estado gastar menos. O problema é que o Estado gasta de formas muito diferentes e diminuir nos gastos sociais e no apoio aos mais desfavorecidos numa situação em que a pobreza já se instatalou na nossa sociedade pode ser dramático.
- Ás perspectivas de Silva Lopes, a confirmarem-se, permitem gerir a crise mas dificilmente permitirão tirar o país do buraco. Parece evidente que o Estado tem uma estrutura de gastos que foi desenhada para o crescimento dos anos 60-70, quando a economia subia 6 a 7% ao ano. Tempos idos e que não voltarão nos próximos anos.
Do debate percebeu-se que Silva Lopes e Medina Carreira - um não economista - estão num plano de discussão muito acima dos interlocutores. Recordei uma discussão entre Belmiro e o falecido Sousa Franco em que o antigo ministro das finanças lembrava ao empresário que o Estado era incomparavelemnte mais complexo do que a sua empresa.
Das declarações de Ferreira de Oliveira o gestor da Unicer e da GALP fica uma palavra de esperança: O futuro não pode ser uma simples projecção do passado. Quem nos dera.
é a de serem os pais a avaliarem o desempenho dos professores. É o tipo de medidas que nos coloca de acordo, uma vez sem exemplo, com os sindicatos tradicionalmente mais corporativos e mais retrógados que são os sindicatos dos professores.
Imagine-se o que seria se os juízes para progredirem nas carreiras fossem avaliados pelas famílias dos condenados ou se os médicos fossem avaliados pelos familiares dos doentes que tratam e que muitas vezes não conseguem curar.
Um disparate sem trambelho.
a selecção portuguesa foi eliminada. Passaram as duas equipas que mereciam: a França - uma mistura explosiva de talento com organização e espírito colectivo - e a Croácia -uma equipa sem grandes estrelas mas com gente crescida e solidária.
De certo modo foi melhor assim. Alguns dos rapazes estavam a ficar insuportáveis com tantas manias de estrelas cadentes. Talvez Scolari tenha tido razão.
Desta o país já se livrou. A perspectiva de ver Sócrates, quem sabe ao lado de Durão, que não deve ter nada para fazer em Bruxelas, a cantar o hino na final e a discursar depois de uma hipotética vitória dos sub-21, realçando, pela milésima vez, a confiança que todos devemos ter no país é pior do que o pior dos pesadelos.
Jardim lançou a questão pedindo aos militantes do PSD-Madeira para pensarem no assunto até 2008. presume-se que em 2008 os "madeirenses" podem tomar umas decisão. Um momento de fino humor à "lá Jardim".
Proponho, desde já, que seja concedida aos madeirenses a possibilidade práctica de experimentarem com a condição de a experiência decorrer sob a liderança do grande líder Alberto João Kim Il Sung Jardim, o inamovível.
Claro que o senhor não está nada interessado nisso. Foi ele que lembrou que “Com a qualidade de vida que nós atingimos, quer dentro do Estado português, quer dentro da União Europeia, obviamente que não íamos para aventuras como os cidadãos de Cabo Verde ou de Timor-Leste”. (Repare-se na ideologia separatista que a utilização da palavra "dentro"encerra)
Faltou-lhe acrescentar que essa qualidade de vida foi conseguida à custa das contribuições dos cubanos e dos comunas do continente, para usar o seu léxico mais corrente.
Bom, o homem não quer a independência mas quer um sistema jurídico independente do sistema geral português. Por outras palavras, quer instituir na lei aquilo que já instituiu na práctica: a regra do quero posso e mando.
A intervenção de Marques Mendes no congresso, com as loas que teceu a Jardim, não foi pior nem melhor do que fizeram antes dele todos os líderes do PSD, talvez com excepção de Cavaco. Foi má, foi fracota. Serviu para diminuir o líder do PSD em termos nacionais, para gáudio de Jardim.
Afinal o Governo de Sócrates celebrou um acordo com o inimigo de alguns meses atrás: a ANF de João Cordeiro.
Analisado o acordo podemos constatar que o Governo ficou muito aquém daquilo que prometera e que a ANF sai deste combate com uma significativa vitória. Consegue:
-manter a limitação à abertura de novas farmácias em função de critérios de distância e de rácios de população servida;
- vê criada a possibilidade de cada farmaceutico poder ser proprietário de quatro farmácias quando actualmente só pode ser de uma;
- vê os seus associados adquirirem primazia na concessão das farmácias hospitalares.
A ANF perde apenas no facto de o Governo liberalizar a propriedade das farmácias.
Mas no conjunto pode cantar vitória. Do Governo de Sócrates poder-se-à dizer o inverso. entradas de leão, saídas de sendeiro.
O presidente da República inicia a sua primeira "presidência aberta" - chamo-lhe assim para simplificar - a chamar a atenção para as regiões periféricas, o envelhecimento e a exclusão.
Começa bem sobretudo se desse périplo pelo país resultarem medidas que ataquem o verdadeiro cancro que corroi a sociedade portuguesa: uma distribuição tão desigual dos rendimentos que não encontra paralelo na União Europeía.
Em Portugal os 20% mais ricos têm sete vezes mais rendimentos do que os 20% mais pobres. A média na UE é 4,6 vezes. Mais de 15% da população vive em situação de pobreza permanente, quase o dobro da média europeia. Se a isto juntarmos o facto de o Estado providência em Portugal não passar de uma mesquinha caricatura do que sepassa na generalidade dos países europeus estamos entendidos sobre a situação em que vivem, neste país, quase dois milhões de portugueses.
O enunciado que Cavaco faz do problema parece-me, pois, justo. Associar pobreza a desigualdade na distribuiçao do rendimento faz sentido. Afasta-se pelo menos daquela perspectiva beata que não dispensa a possibilidade de um ainda maior aumento na desigualdade da distribuição do rendimento gerar um significativo aumento das esmolas que os bons coracções dos bafejados pela fortuna canalizam para iludir momentaneamente a dor dos pobres.
Vamos ver se depois chegamos à fase em que se ataca o problema na raíz em vez de se persistir na análise e no diagnóstico nunca concretizando medidas e políticas corectoras.
Afinal a autarquia de Lisboa, pela voz da vereadora do urbanismo, veio admitir que o jardim do Largo Barão de Quintela já não será substituído pela "arrogância do paisagismo moderno" nas palavras de Raquel Henriques da Silva.
O que é extraordinário é que tudo o resto se mantêm, isto é o parque substerrâneo e o autor do projecto que deverá continuar a ser Byrne. Um momeno de fino humor.
A Vereadora não percebeu, ainda, que o parque é, em si mesmo, um atentado urbanístico já que acrescenta congestionamento ao congestionamento já existente que faz da circulação na Rua do Alecrim - uma das mais belas, senão a mais bela, vias urbanas do mundo - um verdadeiro pesadelo. Por outro lado aguarda-se com grande expectativa que o arquitecto Byrne reveja o projecto de acordo com esta nova orientação.
Não poderiam prestar um pouco de atenção à vereadora Maria J. Nogueira Pinto?
A corrupção tem em Portugal o País por excelência para desenvolver a sua actividade. São os relatórios internacionais que o dizem em particular o relatório do Grupo de Estados contra a Corrupção que faz, hoje, a manchete do Público. Nada de novo no cantinho mais ocidental, e mais corrupto, da Europa. Novas seriam as medidas para acabar com esta situação.
Enquanto os diferentes governos puderem continuar a sacar dinheiro aos do costume não haverá combate sério à corrupção. É que estamos perante um negócio de milhões e em Portugal eles só são possíveis com a interferência do Estado. Por força das decisões que toma ou por força das omissões em que incorre.
Isabel Castro saiu dos Verdes desencantada com a vida partidária. É caso para dizer que tal como ela a generalidade dos portugueses estão igualmente desencantados com os Verdes. O problema dela é que levou mais anos a desencantar-se. Os portugueses nunca reconheceram ao partido melancia - verde por fora, vermelho por dentro - mais do que o estatuto de partido satélite do PCP.

Li recentemente uma entrevista onde o publicitário António Bentes de Oliveira relatava uma viagem que fez ao Nepal e Tibete. Partiu com um grupo de aventureiros, entre os quais o conhecido alpinista João Garcia.
Esta viagem mudou o seu modo de olhar o mundo:
" o contacto com o povo sherpa, que habita aquela região dos Himalaias, é abosultamente inesquecível, como também é inesquecível o budismo, que naquelas montanhas faz todo o sentido"
(...) "entre outras coisas, tenho hoje a noção clara de que a maior parte da humanidade vive de uma forma completamente diferente do que aquela a que estamos habituados no Ocidente. Esqueça o que as televisões mostram sobre o miserabilismo do terceiro ou do quarto mundo, em que parece que o único objectivo de vida das pessoas é poder sobreviver. Não é verdade. Vivem com dignidade perante a adversidade."
a Assembleia Municipal de ontem, já aqui referida neste blogue, onde os responsáveis políticos de Sines e a população discutia e reflectia sobre a temática da poluição no concelho, fiquei muito surpreendida quando o Presidente da Assembleia Municipal questionou o Partido Ecologista os Verdes se queria proferir algumas ideias sobre a matéria e este respondeu que não tinha nada a dizer. Os ecologistas não têm nada a dizer sobre a poluição e os assuntos com este relacionados? Então terão a dizer o quê sobre o quê?
Ousar olhar o futuro com esperança é fazer o que estiver ao nosso alcance para o melhorar
Posted by MJB at 5/23/2006 10:49:00 da tarde
Todos temos consciência que é graças aos poderosos e inimagináveis interesses económicos que o mundo está tão perigosamente dependente do petróleo e que talvez somente quando outros interesses de igual proporção se levantarem consigamos o real impulso nas energias renováveis.
Portugal, ainda a medo, vai pouco a pouco apostando nas energias alternativas e com isso melhorando o futuro próximo e preparando o mais longínquo. Gostaría de partilhar convosco algumas respostas e questões sobre uma das energias renováveis, o Biodiesel, que também pude conhecer há pouco tempo.
(no site da Carris)
"O QUE É O BIODIESEL ?
É um combustível obtido a partir de óleos vegetais principalmente de girassol e de colza.
PORQUÊ O USO DE BIODIESEL ?
Porque o Biodiesel é uma energia renovável e portanto uma alternativa aos combustíveis tradicionais, como o gasóleo, que não são renováveis.
Porque reduz determinadas emissões poluentes.
Porque reduz as emissões de dióxido de carbono que é o gás responsável pelo efeito de estufa que está a alterar o clima à escala mundial.
Porque promove o desenvolvimento da agricultura nas zonas rurais mais desfavorecidas, criando emprego e evitando a desertificação.
Porque reduz a dependência energética do nosso País e a saída de divisas pela poupança feita na importação do petróleo bruto.
QUAL O OBJECTIVO DESTA EXPERIÊNCIA ?
Chamar a atenção para a potencialidade do nosso País na produção de Biodiesel derivado do óleo de girassol, em certas zonas rurais, como o Alentejo, que apresentam condições propícias ao cultivo desta planta (em particular, na zona de regadio proporcionada pela Barragem do Alqueva).
Tornar viável o projecto de instalação de uma unidade de produção de Biodiesel, a partir de óleo de girassol.
Provar que o Biodiesel assim obtido é tão aceitável como o derivado do óleo de colza (maioritariamente produzido na Europa Central).
e ainda sobre este tema
A Volkswagen e a Archer Daniels Midland (ADM) estabeleceram uma parceria para o desenvolvimento de combustíveis biodiesel para a indústria automóvel. Esta é a primeira vez que um dos maiores fabricantes automóveis do mundo se une com um grupo do sector agrícola, de forma a desenvolver combustíveis não poluentes e renováveis.
Os combustíveis biodiesel já estão disponíveis em algumas estações de serviço da Europa mas ainda não chegaram aos Estados Unidos por causa do baixo índice de veículos a diesel e porque a qualidade do combustível diesel é inferior nos EUA em relação à Europa.
Tony Fouladpour, porta-voz da VW disse que "o significado do acordo é que nós iremos trabalhar com a maior companhia agrícola para ajudar a desenvolver um combustível com mais qualidade que possa ser usado nos nossos motores a diesel nos EUA."
Para Allen Andreas, presidente e chefe-executivo da ADM, "o biodiesel é um dos mais promissores combustíveis renováveis no horizonte. Nós acreditamos que os avanços no biodiesel vão beneficiar a indústria automóvel, o sector dos transportes públicos, os agricultores e também o ambiente."
Poluição em Sines - Carta ao Presidente da Assembleia Municipal de Sines
Posted by JCG at 5/23/2006 07:35:00 da tardeFoi entregue ao Presidente da Assembleia Municipal de Sines uma carta na qual se solicita que os orgãos autárquicos tenham em conta, na discussão das questões associadas à implantação de unidades industriais no concelho, um conjunto de posições.
Este documento irá servir de base à recolha de apoios, on line e de forma pessoal, para sustentar este conjunto de posições impondo às autarquias do concelho a sua discussão.
"EXMº SENHOR PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE SINES
Vimos por este meio solicitar a V. Exª que na discussão das questões associadas à poluição atmosférica e à implantação em Sines de novas unidades poluidores dos sectores petroquímicos e da fileira energética sejam tidas em consideração os seguintes aspectos:(continuar a ler aqui)
Frases: "Sines tem a melhor qualidade de vida do Alentejo"
Posted by JCG at 5/23/2006 06:14:00 da tardeEsta frase foi outra das pérolas com que o Presidente da Câmara de Sines brindou os presentes na Assembleia Municipal de Sines. Dispensa comentários. O que o Presidente da autarquia diz sobre o desemepnho das empresas não é por mal, é por convicção. Ele acredita que as empresas não poluem e que estão a fazer tudo aquilo que a técnica lhes permite. É, como se sabe, infelizmente falso, mas o senhor está no seu legítimo direito de acreditar naquilo que quiser. A pergunta legítima que podemos e devemos fazer é a seguinte: pode alguém com estas convicções defender, como é urgente e necessário, os interesses da população em particular o seu direito à saúde e a viver num ambiente saudável?
Eu estou certo que não!
Marques Mendes tem tido muitas dificuldades em se destacar do Governo de Sócrates. Ansioso por consegui-lo aproveitou o congresso para lançar a ideia da redução do número de funcionários públcios mesmo que isso implicasse o recurso a fundos comunitários. Depois da sinistra política dos anos oitenta das reformas antecipadas que criou uma elite de jovens reformados o PSD lembrou-se desta. Caso para dizer que Mendes vai de Mao a Piao. A Comissão Europeia já veio puxar as orelhas a Marques Mendes. É que mesmo aos espíritos mais liberais não lembrava a ideia de gastar fundos comunitários a reduzir o emprego.
Esta frase, inacreditável, foi proferida, não por um qualquer irresponsável, mas pelo actual Presidente da autarquia na Assembleia Municipal aberta à população que decorreu ontem à noite no Salão Nobre dos Bombeiros Voluntários.
Fica assim claro, apesar dos contorcionismos de última hora e da atabalhoada retórica justificativa, a posição do autarca face à chantagem que fazem aqueles que associam novos investimentos, fortemente poluentes, ao desenvolvimento. Não só a aceita como a tenta justificar.
Ontem no Público VPV publicou um texto a desancar o Plano Nacional de Leitura que o governo de Sócrates pretende implementar e a explicar as razões pelas quais não aceita o convite para integrar a Comissão de Honra do dito Plano. Resposta dada publicamente através do referido texto. Refira-se que o convite foi subscrito por três ministros: a da Cultura, a da Educação e o ministro Santos Silva.
O texto é absolutamente extraordinário. Pode encontrá-lo no Público de domingo mas, caso não disponha do jornal ou não possua uma licença para aceder ao Público online, pode encontrá-lo quase integralmente reproduzido aqui.
Não resisto no entanto a citar duas ou três passagens. "(...) O papel da Comissão de Honra seria dar o seu "prestígio e aconselhamento à execução do Plano" Por outras palavras, fazer alguma propaganda à coisa, como de resto o dr. Graça Moura, "muito penhorado", já começou a fazer. Propaganda por propaganda resolvi responder em público que não aceito. (...) O Estado pretende "criar um ambiente social favorável à leitura", com uma espécie de missionação especializada. A extraordinária estupidez disto não merece comentário.(...)"
O Comissariado da Baixa-Chiado e o Largo Barão de Quintela
Posted by JCG at 5/21/2006 06:58:00 da tarde
O largo Barão de Quintela, ou melhor o projecto que a Câmara de Lisboa pretende aí construir, está no centro de uma polémica que ameaça provocar uma primeira baixa no Comissariado da Baixa-Chiado. Esta questão foi suscitada por um artigo de opinião de Raquel Henriques da Silva, integrante daquele Comissariado nomeado para assesorar Maria José Nogueira Pinto, publicado no Público de 14 de Maio passado. Nesse artigo intitulado "A destruição anunciada do largo Barão de Quintela" a comissária insurge-se contra a intenção da autarquia de construir o projecto de Gonçalo Byrne e ameaça, caso essa intenção se concretize, abandonar o Comissariado da Baixa - Chiado.
A construção do Parque subterrâneo de Byrne - um arquitecto credível segundo a singular(*) opinião do IPPAR - implica uma relocalização da estátua de Eça de Queiroz e a destruição do pequeno jardim. A historiadora escreveu: "(...) O largo tornar-se-ia um dos pontos referenciais da Lisboa oitocentista, quando o Chiado era o coração habitado e activo de Lisboa. O gosto romântico, que anunciara com antecipação, adquiriu discreta dimensão aurática quando, em 1903, ali foi colocada uma das mais belas esculturas públicas da época, da autortia de António Teixeira Lopes, homenageando Eça de Queiroz, logo após a sua morte em 1900. Enquadrando o monumento, foi criado um pequeno jardim pitoresco, alargando, ao espaço do largo, a figura redonda do escritor e da sua nua "Verdade". Este jogo subtil entre escalas e figuras geométricas levemente encaixadas ( o largo é o círculo da estátua dentro do círculo, mais difuso, do jardim, dentro da quadra da arquitectura, impositiva mas aberta no declive das ruas do Alecrim e das Flores) é a marca intangível de um urbanismo de qualidade capaz de absorver episódios sucessivos conm extraordinária adaptabilidade.(...)"
Relativamente ao novo projecto a comissária é implacável: "O parque que agora se anuncia é um torpe e inútil crime. Para instalar 270 lugares de estacionamento (em cinco níveis de esventramento impiedoso do miolo instável de Lisboa) vai-se partir a Rua das Flores com mais entradas de túneis; alterar a disposição do largo que, em vez de olhar um palácio monumento nacional, passará a orientar-se para o edifício dos bombeiros; deslocar o monumento a Eça de Queiroz, tornando-o um bibelot rídiculo, sem escala nem arrimo; destruir uma singela mancha de jardim, substituindo-a pela limpeza arrogante do paisagismo contemporâneo.
Lisboa ficará imediatamente mais pobre (com a pobreza confrangedora do novo riquismo) e a circulação na Rua do Alecrim ( que costumo designar por uma das mais belas ruas da cidade) tornar-se-á mais confusa e mais lenta ( basta lembrar as filas noturnas para acesso ao estacionamento do Largo Camões)(...)"
Esta questão liga-se com o famigerado Comissariado da Baixa -Chiado que a vereadora do PP escolheu para elaborar um relatório sobre o que fazer para reabilitar esta zona da cidade até 2010. Esta moda dos comissariados tem muito que se lhe diga. Mas o que me interessa abordar aqui é a revelação feita pelo Expresso, na edicção de 6 de Maio, das declarações de Augusto Mateus, conhecido economista que integra o Comissariado. Disse o senhor que "O objectivo é criar condições de excelência na Baixa para atrair as pessoas certas e as empresas certas.(...) A nova baixa é para quem tenha poder de compra." Esta declaração chocante não mereceu qualquer comentário, ou qualquer reacção de choque, tão entranhados estão os valores ultra-liberais nas nossas elites que perceberam agora que a cidade pode ser o grande negócio desde que a sua gestão se faça partindo do pressuposto de que a cidade é apenas um produto e os cidadãos nada mais do que consumidores. Claro que segundo a insuperável lógica de Mateus cidadãos, cidadãos são aqueles que têm poder de compra. Os outros, simples humanos, serão varridos para os subúrbios.
Eis aqui, no programa que resulta das infelizes mas certamente sinceras declarações de Augusto Mateus, uma segunda boa razão para que Raquel Henriques da Silva abandone o Comissariado da Baixa-Chiado. A menos que o largo Barão de Quintela, cuja defesa merece o meu aplauso, seja para ela mais importante do que o destino dos lisboetas que gostariam de ter acesso a viver numa Baixa-Chiado reabilitada, interclassista, democrática. Lisboetas que gostariam de poder viver na sua cidade. Que gostariam que esse seu desejo fosse uma possibilidade e um direito de todos e não apenas uma consequência das regras impostas pelo negócio imobiliário que se torna neste discurso pseudo-globalizado o negócio da cidade.
(*) - singular porque, segundo revelação da historiadora, o IPPAR após ter chumbado um primeiro projecto recomendou que talvez fosse conveniente entregar o projecto a um arquitecto credível. Conclui-se que esses arquitectos credíveis são aqueles relativamente aos quais o IPPAR só emite um único parecer: Concorda-se!!!.
PS -Não se consegue aceder ao projecto objecto desta discórdia. A informação urbanística da Câmara deLisboa deixa muito a desejar. Como, aliás, o urbanismo(?) que promove.
O "modelo" de desenvolvimento urbano largamente experimentado e melhorado pelos patos-bravos e pelos seus homónimos autarcas transformou de forma impiedosa as nossas vilas, as nossas cidades e a paisagem em verdadeiros pesadelos. Poucos são os concelhos onde uma ideia javarda de "desenvolvimento" não veio corromper aquilo que geracções consecutivas tinham sabido preservar. Muitas vezes, apenas o velho equilíbrio, quase perfeito, entre uma rua íngreme de cubos de granito que dobra a esquina de uma velha casa e revela um velho muro caiado de ocre, o que permite a quem desce o amparo suficiente para banhar os olhos no mar azul que se perde no infinito. Tudo suprimido em nome do progresso materializado num qualquer condomínio privado de luxo que vende a alguns a beleza que era de todos.
Vem isto a propósito do notável texto de Eduardo Pitta sobre a transformação da vila de Cascais. Cito: "(...)Cascais era então uma vila simpática, limpa, cosmopolita, com gente bonita, poucos carros, bons restaurantes, dois cinemas, bares cosy, discotecas bem frequentadas (...) Sem que os equipamentos tivessem sido reforçados (o hospital só encontra paralelo no Sudão), a população residente duplicou. O parque automóvel multiplicou por quatro. Num breve e feliz entreacto, os cinemas chegaram a ser cinco. Depois, com a abertura do CascaiShopping, em Maio de 1991, o quotidiano foi sugado para os matos de Alcabideche. Um a um, num curto lapso, fecharam os cinco cinemas. Quem quisesse que fosse a Alcabideche. A chegada de Judas instalou o caos. A quinhentos metros da Boca do Inferno construiu-se uma Reboleira de luxo, onde, há quinze anos, um T2 custava oitenta mil contos [400 000€]. Os prédios ainda lá estão, entalados entre o Rosário e a Gandarinha. Saiu Judas, o pato-bravo, entrou Capucho, o barão, e nada mudou (...) Sim, ainda há gente bonita, e com um punch mais difícil de encontrar em Lisboa. Mas o resto é uma desolação. A decadência urbana, o comércio pindérico, as ruas desertas de pessoas, a marina deserta, o monólito do Estoril Sol agora com as varandas pintadas de cores diferentes umas das outras, um espesso manto de poeira cobrindo árvores, passeios e montras. E carros, carros por todo o lado (um terço são jipes topo de gama), filas intermináveis de carros bloqueando todos os caminhos. É isto, o progresso?"
Para ler e chorar.
um artigo de Saldanha Sanches sobre a luta contra a corrupção. A tese do conhecido fiscalista, demonstrada a partir do exemplo do autarca do Porto, é o de que "se os tribunais não funcionarem, a luta contra a corrupção está condenada ao fracasso."
Escreve Saldanha Sanches: "O presidente da Câmara Municipal do Porto foi eleito com dois projectos audaciosos: pôr fim à vassalagem do município ao sr. Pinto da Costa e acabar com a corrupção endémica. A primeira, a aposta mais arriscada, foi inteiramente ganha quando toda a gente dizia que ele iria perder. a segunda, a desinfecção do município, que dependia da actividade dos tribunais, foi um fracasso.(...)
(...) o outro lado da corrupção em qualquer país sul americano ou em qualquer município português é a solidariedade por omissão daqueles que que institucionalmente teriam por função combatê-la.(...) A sua reacção típica é de uma grande incomodidade e a vingança mais óbvia e mais vulgar é transformar o denunciante da corrupção no alvo de um qualquer processo judicial. Veja-se o que aconteceu com os denunciantes de Fátima Felgueiras. A máquina judicial tem uma irresisitível tendência para se voltar contra os que perturbam a paz com as suas incómodas denúncias.(...) Se alguém insiste em denunciar situações aparentemente concretas( a situação do concelho x) deve ser imediatamente intimado a comparecer perante um magistrado e a apresentar as provas daquilo que afirma. É um comportamento antigo e persistente com todas as características de desforra insituticional(...) Foi isso que acabou por acontecer a Rui Rio, mas com recurso a uma outra forma de inversão: será que aqueles papéis que entregou para investigação continham provas inequivocas de condutas criminosas? Deveriam conduzir á constituição de arguidos ou ao arquivamento do processo?(...) A função dissuasória da justiça (num sentido não tradicional) atingiu aqui um novo cume: ficou provado que o pior que pode fazer qualquer político que queira iniciar uma acção de limpeza é contar com a justiça como uma sua necessária aliada. Esta vai enredar e distorcer tudo, transformar os réus em vítimas e as vitímas em réus.(...)"
Programa Nacional da Polítca de Ordenamento do Território (PNPOT)
Posted by JCG at 5/20/2006 04:55:00 da tardeFoi apresentado, no passado dia 17, o PNPOT. O documento está em consulta pública podendo ser consultado aqui.
O Público divulga hoje uma notícia segundo a qual o "Projecto da nova refinaria teria oposição da Câmara de Sines". Trata-se de uma posição divulgada pelo Presidente da Autarquia depois do investimento ter sido abandonado. Esta posição baseia-se nas conclusões do Estudo realizado pelo denominado "grupo de peritos" sobre os impactos da refinaria. Estudo que não é mais do que uma leitura crítica do estudo de Impacto Ambiental. O que é pouco.
Claro que este relatório apareceu agora e não na altura em que a Câmara - sem informar/consultar a população ou a Assembleia Municipal - emitiu parecer positivo para a localização da refinaria.
Muito conveniente esta posição neste momento.

Fotografia de François Van Malleghem
Marcha dos Marinheiros
Os marinheiros aventureiros
São sempre os primeiros
Na terra ou no mar.
Ao ver as belas
Pelas janelas,
Soltam logo as velas
Para as conquistar.
A navegar,
Sobre as ondas, desde Goa,
Nós viemos a pensar
Nas meninas de Lisboa.
Desembarcados,
Mesmo assim, os marinheiros
Vão ficar ancorados
A uns olhos traiçoeiros.
Salgadas pelo Mar
As nossas bocas vêm,
Vêm procurar o mel que os beijos têm,
Que é tão bom para as adoçar.
Largamos vela na ribeira de Pangim,
A pensar numa janela enfeitada de alecrim.
Entrando a barra,
Mal a nau chega a Belém,
O marujo deita amarra
À mulher que lhe convém.
Música de Carlos Calderón
Leitão de Barros, 1936
tenho a certeza que, se não for assim, é ao contrário
Posted by Duarte at 5/18/2006 05:15:00 da tarde«Não é demais recordar que a bolsa é uma actividade de risco. E o facto de a volatilidade, que mede a flutuação das cotações para cima e para baixo, estar historicamente baixa, ao contrário do padrão que precede os 'crash' bolsistas, tanto pode indicar uma situação de baixo risco como a 'calma que precede as tempestades'.»
Luísa Bessa, "Jornal de Negócios", 18-05-2006
Mais uma pérola do "acho que sim, mas também pode ser que não". Um raciocínio conclusivo, capaz de sossegar qualquer leitor sobre o funcionamento dos mercados. E também capaz de deixar o Cláudio Ramos a pensar por que raio está na Tertúlia Cor-de-Rosa e ainda não foi convidado para editor de política internacional.
Maria José Morgado falou, mais uma vez, sobre a corrupção. Este Governo não tem qualquer estratégia de combate à corrupção. Políticos emagistrados estão irmanados na mesma inércia e na mesma cumplicidade. Não admira com tantos magistrados a aceitarem nomeações feitas pelo poder político, certamente ao abrigo da separação de funções. Nunca é demais escutar esta mulher sobre esta magna questão que transforma a democracia numa oligarquia e o país numa coutada de alguns poucos.
Prisão com milhares de crianças que nunca viram um cachorro, uma vaca, um cavalo ou um jardim. Hong Kong, 1995.
Marina Drive, com a silhueta de Bombaim ao fundo, onde muitos pobres optam por dormir para estar presentes quando começar a distribuição de comida no dia seguinte. Bombaim,Índia, 1995.
Grupo de rapazes que chegaram recentemente à Cidade do México e que agora vivem de trabalhos esporádicos. Os 17 jovens, entre 12 e 16 anos, dividem dois compartimentos subterrâneos de concreto. Cidade do México, México, 1998.
Em São Paulo, a maioria das crianças de rua que podem ser vistas vagando à noite também são viciadas em cola e, mais recentemente, começaram a fumar crack. A necessidade de dinheiro para comprar drogas leva muitas delas ao crime e à violência. São Paulo, Brasil, 1996
Quando vemos estas fotografias de Sebastião Salgado, tiradas na década de 90 e as comparamos com os dias de hoje, depressa concluiremos que pouca coisa mudou para melhor nestes lugares. A violência está a levantar-se cada vez mais, nomeadamente nas grandes cidades. Apesar da quase indiferença a este tema de que tão repetidamente se fala, é bom lembrar que nenhum de nós é capaz de prever com exactidão que tipo de violência é a que vamos assistir e confrontar nos próximos tempos. A infindável multidão de exluídos está a acordar, conhece as fragilidades do outro lado, as brechas, sabe que o outro lado também está em decadência, está podre. Existem fragilidades e linguagens sociais que atravessam todas as suas sociedades e todas as classes. Tal como não se consegue perceber como é que o ser humano consegue sobreviver em determinadas condições, a que chamamos "desumanas", também não conseguiremos prever as formas do seu ódio e a dimensão da sua força. Desconhecemos o que é o ser humano em determinadas condições. Desconhecemo-nos a nós próprios em determinadas condições.
Porque razão a RTP transmitiu em directo a inauguração do empreendimento do Campo Pequeno, ocupando toda a santa noite? Será que esta transmissão se inscreve na lógica do serviço público de televisão? Esta transmissão deu lugar a uma receita ou correspondeu a um custo?
Porque será que desde o Júlio Isidro a todos os convidados que botaram faladura toda a gente afirmou que temos que estar orgulhosos com este empreendimento porque ele é importante para o nosso futuro? Não estarão todos doidos?
Neste processo das maternidades o PSD tem assumido o papel do mau da fita. Pretendeu capitalizar o descontentamento das populações e entrou em contradições umas atrás das outras.
Ontem no programa Prós e Contras - a propósito a moderadora é mais uma interruptora, não é? - foi Fernando Negrão que tentou levar a nau do PSD a bom porto. Esforço pouco coonseguido por manifesta falta de conhecimento e porque os argumentos que juntou ao debate soaram muitas vezes a irrelevantes.
As coisas pioram significativamente quando militantes como Manuela Ferreira leite vêm a terreiro dizer o que dizem.
Mas porque razão o PSD não reune com o doutor Albino Aroso escuta com atenção o que o senhor tem para dizer -e que tem aliás repetido amiúde nos últimos dias - e depois vão todos tranquilos para casa fazer outras coisas mais importantes e mais necessárias?
É comum escutarmos os políticos pedirem estudos técnicos sérios quando são confrontados com alguma medida que lhes desagrada. O facto de a medida proposta assentar em Estudos efectuados por personalidades independentes e de reconhecido mérito técnico-científico não altera a atitude já que, esses estudos por não serem os nossos estudos não são sérios. Nesta questão das maternidades o incontornável Fernando Ruas deu a exacta definição do que são estudos sérios: são aqueles que envolvem os autarcas na sua realização. Estamos conversados.
Claro que nenhum estudo sério assim realizado concluiria pelo encerramento de qualquer uma das maternidades. Ainda estaríamos nos idos de noventa em termos de mortalidade infantil mas carregados de estudos sérios.
Há uma evidente falta de seriedade neste tipo de postura.

Como paredes através das quais
o mundo vemos pelo ser dos outros,
quem vamos conhecendo nos rodeia,
multiplicando as faces da gaiola
de que se tece em volta a nossa vida.
No espaço dentro (mas que não depende
do número de faces ou distância entre elas)
nós somos quem nós somos: só distintos
de cada um dos outros, para quem
apenas somos uma face em muitas,
pelo que em nós se torna, além do espaço
uma visão de espelhos transparentes.
Mas o que nos distingue não existe.
Jorge de Sena
in Visão Perpétua, Agosto 1967
parece dizer o Luís Delgado na sua enésima dissertação sobre a crise iraniana. Desta vez o homem não recomenda o avanço das tropas não vá o George zangar-se com esse súbito desalinhamento. Depois da administração americana ter recuado nas suas intenções mais belicistas LD só sabe que "O tempo escasseia e não vale a pena alimentar muitas esperanças. Alguém, um dia destes, vai ter que pôr fim à ambição nuclear do Irão, deixando o resto por conta dos iranianos moderados, que são a maioria."
Eu também não concordo completamente com Scolari. Escolhia João Moutinho e Quaresma e não levava Hugo Viana e Boa Morte. Escolhia Tonel e não levava Ricardo Costa. Escolhia Paulo Santos e não escolhia Bruno Vale.
Mas, Scolari é que manda e tem mandado bem. São os resultados que o dizem. Corre um risco, que deve ter avaliado muito bem: Maniche, que fez uma época sofrível, e Costinha, que fez uma época horrível e que não joga desde Dezembro, podem ser de menos para o nosso meio-campo. Tem Tiago, que fez uma época magnífica, mas talvez Moutinho pudesse dar uma ajuda.
Mais exactamente na próxima segunda-feira vai realizar-se uma Assembleia Municipal Extraordinária para discutir a questão da refinaria de Sines. Apesar de, entretanto, o projecto de Monteiro de Barros ter acabado a reunião mantêm-se actual. É que já se anuncia uma nova refinaria da GALP junto à já existente.
PS - na página da Câmara Municipal na NET não existe qualquer referência a esta reunião. Tão somente um memorando das posições da Câmara ao longo do processo. Esclarecedor.
Reflexão de João Cravinho, hoje no DN.
Não gosto mesmo nada das ideias habitualmente defendidas por João César das Neves mas devo confessar que me agradou o artigo por ele escrito hoje no DN. Não anda muito longe da verdade e além disso está muito bem "esgalhado".
As discussões que as televisões divulgam sobre este tema jogam de forma clara em prol do apoio às posições do ministro. Os argumentos que ele esgrime parecem do puro domínio da razoabilidade. Por outro lado as intervenções dos deputados da oposição -em particular um inenarrável deputado do PSD de Barcelos, mas igualmente um deputado Junqueiro, este do PS, preocupado com os seus votos em Lamego - são de uma pobreza e de um oportunismo, de uma politiquice, nas palavras de Albino Aroso, confrangedores.
Um destes dias uma senhora de Elvas argumentava(?) na SIC Notícias com o ministro e francamente mais valia ter ficado em casa. Não se percebia um único argumento válido e era evidente que não tinha qualquer resposta para os diferentes argumentos do ministro.
Parece que são os tribunais que podem parar esta medida do Governo, embora não se entenda como é que é possível os tribunais poderem obstaculizar a implementação do programa de um governo sufragado pelas populações. Ainda vigorará a celebre separação de poderes?
Passadas duas semanas de debate sobre esta questão não tenho neste momento qualquer dúvida de que a solução proposta por Correia de Campos é a que melhor serve a população.
...acabou, agora mesmo, de dar uma oração de sapiência no canal 2 da RTP, no programa "Diga Lá Excelência". Os jornalistas, entre os quais José Manuel Fernandes, bem tentaram descobrir alguma fragilidade no apoio do professor às decisões do actual ministro sobre o encerramento das maternidades. Albino Aroso, que foi Secretário de Estado - e ministro? - em dois Governos do PSD, menteve-se inamovivel. Mas a conversa foi muito mais rica do que a discussão desta questão poderia permnitir. Albino Aroso conduziu os entrevistadores para o campo da discussão sobre aquilo que urge fazer para alterar os paupérrimos índices de natalidade. Para o professor o Estado - isto é a sociedade - tem que assumir as suas responsabilidades no apoio às mulheres que gravidam. A denuncia do falhanço do Estado Social nesta matéria tão importante foi um dos momentos altos da conversa. O professor deu o exemplo da presença cada vez maior das mulheres nas universidades para perguntar se alguma universidade tem um infantário para permitir às estudantes-mães ou às professoras-mães deixarem aí os seus filhos? Ou se existe alguma época especial de exames para as estudantes que gravidam?
E anda para aí tanta gente a discutir a sustentabilidade da segurança social?
o editorial de hoje do DN de António José Teixeira sobre a situação de endividamento da autarquia de Marco de Canavezes. Teixeira manifesta-se impressionado por" ainda hoje não se conheça com rigor o património da autarquia nem as suas responsabilidades financeiras. Como ainda impressiona que tantos responsáveis políticos tenham favorecido, nem que seja com o silêncio, os desmandos de um político que abusou sistematicamente da confiança dos eleitores".
de Mário Mesquita, hoje no Público.
O nosso correspondente em França e colaborador habitual, António Oliveira e Silva, decidiu lançar-se no negócio por conta própria, podendo ser encontrado no Hexágono.
A hiperligação já está na lista da direita. Ele, apesar de andar por lá, continuará a colaborar com a Pedra do Homem como até aqui.
Frederico Ressano Garcia (1847-1911) foi o engenheiro responsável pela expansão da cidade de Lisboa na segunda metade do século XIX, sendo o autor do Projecto das Avenidas Novas. Ressano Garcia, bisavô do arquitecto José Lamas, diplomou-se em engenharia pela École Polytechnique de Paris e foi fortemente influenciado pelas ideias de Haussmann.
A expansão de Lisboa é organizada através de vários planos que se articulam entre si.
De acordo com José Lamas(*) a "forma urbana organiza-se à base de quatro príncipios: o traçado, a praça convergente, o quarteirão e amalha reticulada. Estes elementos criam uma nova imagem estética para Lisboa. A iniciativa privada realiza os edifícios. (...) Das avenidas traçadas por Ressano Garcia ficou essencialmente o perímetro dos quarteirões, os traçados e a arborização (esta última também objecto, nas vias mais importantes, de corte e degradação).
Pode dizer-se que os elementos mais fortes da estrutura urbana foram permanecendo, mas do equilibrado desenho inicial pouco já resta, tantas etão monstruosas renovações foram sendo executadas."
(*) In "Morfologia Urbana e Desenho da Cidade" de José Manuel Ressano Garcia Lamas. ed. JNICT e Gulbenkian. 1992.
Ver igualmente: "Lisboa de Frederico Ressano Garcia. 1874-1909. Ed. CMLisboa e Gulbenkian. 1989.
A forma como nestes últimos dias os "analistas" têm analisado o falhanço do investimento numa nova refinaria em Sines é revelador do estado da arte no que se refere ao jornalismo de opinião que se pratica. A regra geral tem sido a crítica ao governo de Sócrates pelo falhanço do projecto já que o Governo tinha antecipadamente anunciado o acordo com o empresário (foi isto que o Governo anunciou, um protocolo de entendimento?). Neste particular os analistas seguem a par e passo a argumentação política em particular do PSD e do PP.
Primeira questão: ninguém aparece a afirmar que o rotura no acordo entre o investidor e o Governo é boa para o país já que disponibiliza pelo menos 800 milhões de euros de investimento público e liberta o país de um intolerável acréscimo de emissões poluentes;
Segunda questão: ninguém aparece - com excepção de Nicolau Santos, no Expresso - a ter a honestidade de reconhecer que entre a apresentação do projecto e o momento da ruptura, Patrick Monteiro de Barros alterou radicalmente todos os seus parâmetros essenciais: as emissões passaram de 2,5 m.t.CO2 para 7 m.t.CO2; a parte destinada à exportação passou de 100% para 50%, alterando na mesma proporção a contribuição do investimento para o equílibrio da Balança de Transacções Correntes; os fundos públicos mobilizados passaram de 800 milhões para 1200 milhões .
Em consequência destas alterações promovidas unilateralmente pelo empresário um Governo digno só podia fazer uma coisa: encerrar o processo. Foi o que aconteceu.
Terceira questão: ao longo destes meses nenhum jornal nacional perdeu um único minuto a falar na situação já existente em Sines e em questões tão comezinhas como a qualidade de vida das populações, os sistemas existentes de controlo da poluição, a monitorização dos problemas de saúde. Como cantava o Chico Buarque, algumas décadas atrás: a dor da gente não sai no jornal.

e perante as birras e as polémicas pequeninas,
perante o vasto poder dos senhores que contam, desses que têm "um projecto de mundo", que não aparecem mas manobram e que fazem tremer o mobiliário das salas mais importantes,
perante os discursos e as cartas dos representantes que só representam uma ínfima parte de um povo,
perante tanta cobardia, presunção e falsa liberdade
perante as certezas absurdas, a desilusão e
perante os nossos altivos constrangimentos e a nossa inabilidade emocional
de repente a Terra parece ainda Maior
Ainda não li um único jornal hoje, mas pelo que vi no DN de ontem, aposto que nos últimos dias e muito especialmente nos jantares da noite passada, o tema de conversa de muitos dos nossos colunáveis foi o livro de Manuel Maria Carilho "Sob o Signo da Verdade".
Na primeira fase: Ai Senhores colunáveis, que bom que é ter uma temática destas para falar e não se estar sozinho. Ai que bom que é fazer parte da lista desse grupo de iluminados que de repente são enxovalhados pelo Senhor Carilho (como diria Vasco Pulido Valente). Porque pertencer à lista é estar incluido, dá status. Ai que bom que é viver sabendo que se conta, que se não é inútil.
Na segunda fase: Ai que chatice, tanta gente a reagir. Os senhores colunáveis querem que se note a sua própria reacção, mas tudo se baralha, são muitos a ripostar. Lá têm que afiar os lápis, tentar ser mais criativos, sobressair aos companheiros de lista, porque o Senhor Carilho é filósofo e tem que levar resposta à altura.
O post sobre o Jardim do Luxemburgo do António Oliveira e Silva que, pela produção, merece já uma quota na administração do pedra do homem, seria um bom ponto de partida para uma reflexão sobre a importância do espaço público na cidade. Ou, melhor ainda, sobre a natureza do espaço público na cidade globalizada. Mas como isso é pesado quanto baste para uma sexta-feira à noite deixo-vos dois pequenos apontamentos.
Em primeiro lugar a tradição francesa do paisagismo e da sua importância, está ligada a um grande nome da arquitectura paisagística de todos os tempos: André Le Nôtre. A sua obra maior foi o parque de Vaux-le-Vicomte , mandado construir por Fouquet, ministro das Finanças de Luís XIV, em 1652 e que foi concluído em 1661.
A festa de inauguração de Vaux-Le-Vicomte, organizada por Fouquet em honra de Luís XIV, foi tão estrondosa, o jardim era tão extraordinário, que o rei decidiu, ali mesmo, o fim do seu ministro das finanças e a construção de um novo jardim capaz de o ofuscar. Dessa forma Fouquet foi amargar o resto dos seus dias para a prisão, na fortaleza de Pignerol, no Piemonte francês, enquanto Le Nôtre era convidado a construir o famoso jardim de Versailles. Famoso mas irrelevante face à originalidade de Vaux-le.Viconte. Até porque Versailles foi posteriormente objecto de diversas alterações que não o valorizaram. Versailles é um remake ciumento mandado construir por um rei despeitado com a finesse e o vanguardismo de um seu súbdito.
Dizem alguns urbanistas, e eu assino por baixo, que Vaux-le-Viconte é o momento inicial em que se valoriza a axialidade na paisagem e na composição das cidades, de que o período barroco dá abundante testemunho.
A outra questão tem a ver com a designação do Barão Haussmann como o arquitecto Haussmann. Julgo que se trata de uma designação, nesse sentido rigorosa, que tem a ver com o facto de ter sido ele - militar de profissão - o que arquitectou a cidade de Paris tal como ela chegou aos nossos dias. Uma obra prima da arte urbana que permanece até aos nossos dias e que foi exportada para outras cidades francesas e europeias. Haussman utilizou diversos elementos na composição urbana de que merecem destaque "a avenida - o boulevard - que une pontos da cidade; a praça como lugar de confluência de vias, e placa giratória das circulações, quase sempre em rotunda que organiza o cruzamento de vários traçados; o quarteirão que é determinado como produto residual de vários traçados, e não como módulo de composição urbano(1)." Haussman foi, juntamente com Ildefonso Cerdá, o celebrado autor da "Teoria general de la urbanizacion" de 1867 que deu lugar ao Plano de Urbanização de Barcelona, um dos maiores urbanistas de todos os tempos.
(1) A este propósito é obrigatório ler o trabalho do arquitecto e notável urbanista - a maioria não merece essa classificação, aliás como a maioria dos engenheiros - infelizmente já falecido, José Lamas: "Morfologia Urbana e Desenho da Cidade". Nunca se escreveu nada igual em Português.
José Lamas foi o autor do Plano Director da Expo 98 (estudo Preliminar), juntamente com o arquitecto Carlos Duarte. Plano que integrou a candidatura portuguesa à realização da exposição. Na sua proposta retoma a quadrícula na tradição da Baixa lisboeta e a grande praça sobre o rio.
Como todos sabemos o mérito deste trabalho tem sido atribuído a vários figurões e medalhados da nossa praça enquanto se lança um silêncio ruidoso sobre a intervenção de José Lamas.
Uma intervenção de Francisco Louçã, que não escutei, sobre as mais-valias mereceu um comentário de Pacheco Pereira no Abrupto. Depois disso muito se escreveu sobre o tema.
Existem parques e parques. Alguns deles, acompanham o tecido urbano no qual se inserem e disfrutam de uma presença constante na Grande e pequena Historia. França é um desses países onde “passar pelo jardim” é algo acessível a todos. Em cidades como Paris (mas não só), passar pelo jardim não significa exclusivamente ter uma vivenda com espaço. Em Paris vive-se a cidade.
O Jardim do Luxemburgo, em pleno coração da capital francesa, faz esse papel de pulmão urbano num dos bairros mais bonitos da cidade. Apesar da elegância incontestável do sixième, este não escapa às consequências de ser visitado por centenas de carros todas as manhãs. Mas o Luxembourg não se importa. Prefere exalar clorofila. Tão boa disposição só poderia culminar num bocadinho de natureza pronto a acolher quem quer estar calmo, fazer desporto, ou simplesmente ver os outros ( os que estão calmos ou os que fazem desporto). Sabemos que é algo inevitável, mas o Jardim do Luxemburgo é mais do que um simples parque.
O Luxemburgo não é apenas um parque graças ao Senado francês e à sua administração que o mantém como um autêntico museu ao ar livre. A fonte de Médicis, as estátuas e o jardim, assim como um conjunto de colméias deixam-nos com a sensação de viver um autêntico cliché Belle Epoque. O jardim é ainda palco para o Ténis, para as brincadeiras na areia, para os baloiços, o café e para as decisões politicas da nação! É berço de História. E o charme de outrora resiste ao tempo.
Fruto da nostalgia de Maria de Medicis, o Jardim sofreu das ânsias urbanísticas do arquitecto Haussman. A primeira desejara recreear o ambiente florentino dos Jardins de Boboni. Mais tarde, a reorganização urbanística da cidade impôs-se. O jardim botânico foi eliminado para permitir a abertura do Boulevard Saint Germain e da Rua Vaugirard ( uma das mais longas da cidade). Foi posteriormente local de acolhimento aos feridos da guerra do Rhin em 1870. Ao sabor dos caprichos do poder de cada época, o Jardim era mais ou menos acessível ao público. Os traços da ocupação nazi fizeram-se sentir no início do século passado, mas entre 19 e 25 de Agosto de 1944, as forças victoriosas eliminaram os traços da ocupação. As estatuas ficaram. Hemingway perseguiu pombos. Jean Paul e Simone conversaram. E os todos os outros continuam a conversar nos nossos dias.
Uma senhora delgada, vestida com uma fazenda cor terra carrega alguns jornais e faz-se acompanhar por um Basset Hound indiferente a tudo, apenas interessado no que o seu olfacto lhe permite investigar. O cão parece feito de um veludo negro, muito brilhante, que alguém se encarrega de tratar todos os dias. Dirige-se a senhora em direcção à porta principal, na qual podemos contemplar o Panteão. Sou abordado inesperadamente por uma energeticas passadas na areia grossa do parque. Dois jovens adultos, com os respectivos Ipods de serviço, queimam calorias antes de começar o dia. Apenas chegamos às nove horas da manhã. Ao longe, em diversas direcções e como abelhas, homens de negros fatos, malas ao punho, gravatas obrigatorias. Tão diferentes dos meninos do Jardim de Infância que, como uma bola de energia, quebram a atrmosfera de pássaros e plantas até então dominante. Um último detalhe relativamente ao Luxemburgo. Há uns dias perguntei a um polícia a que horas fecharia o Jardim. Repondeu-me: “Quando o sol se põe, jeunne homme. Quando o sol se põe.”
António Oliveira e Silva
Texto recebido por e-mail
O dia de ontem ficou marcado por duas notícias de sinal contrário. Pelo lado positivo a de que a refinaria de Monteiro de Barros não vai avançar. O Governo dera nos últimos dias sinais de que não iria cobrir as exigências cada vez maiores do empresário que, entretanto, vira partir o seu parceiro americano o que neste caso quer dizer grande parte do suporte financeiro do investimento. Pelo lado negativo a de que a GALP vai construir uma nova refinaria em Sines, junto à actual, num investimento da ordem dos três mil milhões de euros.
Ao longo dos últimos meses neste blogue escreveu-se muito sobre esta questão da nova refinaria. Juntaram-se argumentos que relevam da situação específica de quem vive no concelho de Sines e não pode dissociar aquilo que escreve do conhecimento da realidade da actuação das empresas ao longo de mais de duas décadas. Duas décadas nas quais a actuação de empresas como a GALP pode ser rigorosamente caracterizada por duas palavras: arrogância e omissão. Arrogância na forma como considera de somenos importância os problemas daqueles que protestam contra a actuação da empresa quer sejam cidadãos individuais, partidos ou autarcas.
Omissão na concretização da responsabilidade social da empresa que não se pode medir pelos subsídios extraordinários que dá à autarquia, um investimento com elevadas mais-valias para a empresa, mas pelo seu desempenho em termos ambientais e pelas preocupações que (não!!!) revela com a saúde das populações.
Omissão dos poderes públicos em particular dos ministérios do ambiente e da economia. Como muito bem sabe o primeiro-ministro, que por cá andou nos idos de 90, as empresas praticam uma política de arrastamento dos pés - a expressão é de Sócrates - no que se refere à realização dos necessários upgrades da sua perfomance ambiental e de segurança. ( Existe um problema grave de segurança, que se tem agudizado, em particular na refinaria da GALP, como foi recentemente denunciado numa tese de doutoramento do antropólogo Paulo Granjo). Não falo das caricatas declarações do presidente da Autarquia que, talvez por um tique ideológico, não perde oportunidade para anunciar os amanhãs que não cheiram, os amanhãs ambientalmente correctos.
Repito por isso aquilo que escrevi aqui, a propósito da ampliação da fábrica de Etileno:
"Neste cenário investimentos na área da indústria pesada em Sines devem ser objecto de uma moratória até que se verifiquem as seguintes situações:
a) Uma entidade credível - o que não é o caso do Instituto do Ambiente - avalie a situação da poluição atmosférica em Sines;
b) Seja feita uma avaliação das principais doenças que afectam a população e das principais causas de morte estabelecendo uma relação com o resto do país. Seja criada uma unidade a operar no âmbito do Hospital do Litoral Alentejano vocacionada para a prevenção e despistagem das doenças associadas à poluição atmosférica;
c) Seja emitida legislação que proiba as empresas industriais de financiarem as autarquias a menos que esses dinheiros sejam determinados pelo Estado no seu montante e objecto de uma cativação específica, por exemplo investimentos em infraestruturas de tratamento de efluentes, captaçãoe tratamento de água, acções de reflorestação, monitorização do estado do ambiente e educação e prevenção ambiental etc.
Na Europa morrem por ano 350 mil pessoas mais cedo do que seria normal por razões associadas à poluição atmosférica. Quantos morrem em Sines?"
Adenda: A posição do Secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, deve ser realçada. Alertou para as alterações nas codições do investimento e sobretudo para o reflexo dessas alterações em termos ambientais. Deve aproveitar este tempo de que agora dispõe para implementar um sistema d emonitorização que de uma vez por todas permita responder a duas questões: Quem polui e quanto?; Que problemas de saúde pública existem em Sines?
Talvez com resposta a estas questões a construção de uma nova unidade industrial em Sines possa ser uma questão consensual.

Não parecem imagens do Planeta Terra, mas na realidade são.
Trata-se do deserto do Atacama, o mais seco do mundo, situado no norte do Chile, onde os índices de pluviosidade se situam nos 2 mm por ano.
Quando vemos estas imagens, onde a ausência da presença humana é total, lembramo-nos por breves momentos de onde viemos.

Na próxima quinta-feira, pelas 19h00, Vicente Alves do Ó vai ao Centro de Artes de Sines para um duplo acontecimento: o lançamento do seu romance, "Kiss Me", e a estreia, in loco, da curta-metragem "Entre o Desejo e o Destino".
A entrada é livre e recomenda-se.
... mas com alguns dos mais ricos, entre nós. As previsões valem o que valem mas esta perspectiva de até 2050 nos tornarmos os mais pobres da União Europeia é para levar a sério. Aliás, estamos hoje a lançar os alicerces desse desempenho futuro. Solidamente empenhados nisso. O lema podia ser: consolidar o presente, preparar o futuro.
à volta da entrevista de Freitas do Amaral ao Expresso foi, em grande parte, alimentado pela escolha editorial da Manchete feita pelo Semanário. Lida a entrevista conclui-se aquilo que já se sabia: Freitas do Amaral não ficaria particularmente chocado se fosse remodelado numa futura iniciativa do primeiro-ministro. Alega cansaço e confessa mesmo que aquilo que já fez na política lhe chega. Percebe-se que as suas expectativas, frustadas, de ser o candidato do centro-esquerda às eleiçôes presidenciais, deixaram marcas que nem o tempo apagará. Tomar estas declarações como base para iniciativas políticas ao nível parlamentar e exigências da demissão do ministro releva da baixeza a que chegou a actividade política no nosso país.
Há uma declaração política de Freitas que merece relevo e que tem a ver com a constatação da falência da direita na promoção de "uma política social de combate à pobreza e às desigualdades" em parte motivada pelas "suas ligações umbilicais aos grandes interesses económicos. Esses partidos vivem financeiramente dos contributos dos grandes interesses económicos".
É por esta razão que Freitas explica o seu afastamento do centro-direita e a sua aproximação ao centro-esquerda.
O problema, para todos nós, é o facto de em grande parte pelas mesmas razões o ministro poder começar a preparar o seu afastamento do centro-esquerda.
Meu caro JCG, podemos trazer à discussão para qualquer que seja o tema um sem número de formas de olhar. Uma das questões de fundo da pobreza é a que tão bem abordaste e com a qual concordo. No entanto, podemos reflectir sobre questões laterais, como seja o do comportamento das pessoas face a este tipo de iniciativas. O que quis dizer é que parece estar enraizado uma atitude de resignação face ao problema da pobreza. Como se o aceitássemos parte de um todo, sem qualquer atitude de indignação ou esperança de um dia ele ser irradicado de uma sociedade que vive cada vez mais uma falsa abundância. E a escolha dos produtos que as pessoas fazem demonstra isso mesmo: a resignação e o desprezo. Escolhem o de mais baixa qualidade para aqueles que não crêem possam vir a alterar as suas condições de vida. Esquecem-se que vivemos numa sociedade de falsas riquezas, caracterizada por uma assustadora transitoriedade onde muitos de nós podemos passar de uma situação apararentemente confortável para outra de pobreza. Hoje são muitos os rostos da pobreza e têm se vindo a alterar cada vez mais.
Minha cara Maria José, essa não é a questão. A questão é o facto de estarmos a construir uma sociedade em que, cada vez mais, são necessárias instituições como o "Banco Alimentar contra a Fome". Uma sociedade que por força de uma distribuição - apropriação melhor dizendo - selvagem da riqueza produzida, gera um número chocante de pobres. Uma situação sem paralelo na União Europeia.
Podemos colocar alguns produtos melhorzitos nos sacos dos pobres, mas aquilo que verdadeiramente faz falta é colocarmos mais justiça social, mais igualdade, mais respeito pelos valores humanos, neste país tão desigual e tão cínico que, injusto todo o ano, se redime com umas comprazitas no saco dos pobres e umas idas regulares às missas e aos confessionários para lavar a alma negra da gentes.
O Belenenses desceu de divisão. Um castigo muito pesado para os pastéis de Belém. Talvez castigo divino por pretenderem demolir o mais belo estádio de futebol do mundo.
Claro que os dois treinadores ajudaram em muito. Os seus nomes devem ser recordados: Carlos Carvalhal e José Couceiro.
E o Benfica? Deu uma grande ajuda, ontem, na Mata Real. O Paços marcou golos que devem ter provocado sonoras gargalhadas em Mr. Koeman. Aliás, o Paços conseguiu o milagre de conquistar seis pontos em Braga e com o Benfica em casa. Não há Belém que resista.
Bruxelas revê em baixa as expectativas de crescimento da economia portuguesa para os próximos anos. Há optimismo a mais nas projecções do lado português, dizem. Saberão, em Bruxelas, quem é o primeiro-ministro de Portugal?
Na realidade o que Bruxelas diz não é notícia. Sê-lo-á quando rever em alta algo que se relacione com este país. Entretanto decorrem os dias na mais pura normalidade.
Durante o dia de hoje esteve a decorrer em alguns pontos do país uma recolha de alimentos para o Banco Alimentar contra a Fome. Quando entrei no supermercado aceitei o saco que os voluntários desta instituição entregavam a quem se disponibilizava participar na iniciativa. Pelo que pude verificar foram muitas as pessoas que o fizeram.
Porém, o que pude também constatar é que as pessoas, mesmo as que demonstram algum poder financeiro, tendem a participar com os produtos mais baratos que encontram. Parece que está enraizado que aos pobres cabe sempre a pior fatia. Se as pessoas não compram muitos daqueles produtos para elas, porque os compram para os outros? E porque se tende a comprar sempre a mesma coisa? Será que as famílias alvo destas ajudas não gostariam de por vezes receber um produto ou um sabor diferente?
mercados voltam a estar apreensivos com nova escalada nos preços
Posted by Duarte at 5/06/2006 02:15:00 da tardeA cereja já está a € 9,98/kg.
O facto de a nova refinaria não ser construída pode e deve ser aproveitado como uma oportunidade para Sines. Uma oportunidade para, através de um conjunto de intervenções políticas, qualificar o desenvolvimento do concelho e reforçar o seu papel no desenvolvimento económico do país. A condição sine qua nom para possibilitar esse reforço é a ultrapassagem de forma inequívoca do constrangimento ambiental. Explicando: o parque industrial existente, com destaque para a Petrogal e para a Central Térmica, mas não só, é fortemente poluente, muito para lá do que a capacidade técnica disponível permitiria. A poluição ambiental já existente impede a fixação de empresas e a criação de novos postos de trabalho. Sobretudo empresas das áreas ligadas ao conhecimento e à prestação de serviços avançados. Por outro lado a degradação da qualidade ambiental estimula o abandono do concelho por parte daqueles que pela sua qualificação possuem mobilidade e não querem suportar o ónus ambiental.Importa, pois, colocar as empresas a produzirem no limite do melhor desempenho ambiental possibilitado pelos conhecimentos técnicos. Os lucros faraónicos obtidos nos últimos anos possibilitam os investimentos necessários sem comprometer o desempenho empresarial.
Por outro lado os cerca de 800 milhões de euros que o Governo ia canalizar para a nova refinaria podem ser canalizados quer para ajudar a esse esforço de qualificação ambiental das empresas, quer para apoiar iniciativas credíveis de criação de emprego qualificado através, por exemplo, do estímulo à fixação de uma rede de PME´s. As empresas da plataforma industrial de Sines, são de capital intensivo e criam um número muito pequeno de postos de trabalho por unidade de capital investido.
Os terrenos da PGS, cujo preço de aluguer é absolutamente irrealista, funcionam como um travão ao investimento e à fixação de novas empresas. Importa que o Governo altere esta situação de todo em todo inadmissível.
O concelho de Sines, com a sua área portuária industrial, tem que criar uma marca que associe qualidade de vida e desenvolvimento económico. Uma marca que associe e compatibilize investimento industrial com qualidade ambiental e qualidade de vida. Para isso tem, além do que já se referiu, que implementar um sistema de monitorização do ambiente integrado com um sistema de monitorização da saúde das populações.
Fácil e barato. Capaz de atrair empresas, gerar postos de trabalho e respeitar o direito constitucional dos cidadãos a viverem num ambiente equilibrado e à saúde.
Adenda: parte-se do príncipio que a nova refinaria não vem para Sines. Isto com base nas divisões, anunciadas hoje, no núcleo de investidores original e no que se sabe sobre as últimas exigências desses mesmos investidores. No entanto não é claro, para mim, que o assunto esteja encerrado.
Quanto às propostas aqui apresentadas podem ser utilizadas por quem quiser, mesmo como sendo originais. Nesta questão não pretendo reclamar direitos de autoria.
Saber ler os sinais é importante. E pouca gente o tem sabido fazer nos últimos tempos. As recentes notícias cruzadas sobre o aumento das pensões milionárias (cf. jornais sensacionalistas) e sobre as medidas restritivas que o Governo prepara para a aposentação têm gerado alguma desconfiança que não tem razão de ser. Uma análise cuidada - coisa rara, nestes dias - mostraria facilmente que estamos perante a simplificação e desburocratização da segurança social portuguesa. Assim, e para que todos os portugueses percebam o sistema, o Governo não fez mais do que o equiparar aos habituais regimes de férias da nação: uns vão com tudo incluído, outros só com alojamento e pequeno-almoço.

Mandarin Oriental Hyde Park, Londres
Quem não gostaria de passar uma noite no Mandarin Oriental Hyde Park em Londres? Este é apenas um dos hotéis de luxo de entre umas duas dezenas que esta cidade tem para oferecer. O interior deste tipo de hotéis é talvez tão luxuriante quanto o exterior onde cada detalhe é pensado ao pormenor. No luxo é assim, há uma encenação para que o cliente habite um mundo de perfeição e exclusividade. Aos detentores de fabulosas fortunas o mundo oferece lugares criados com minúcia e excelência para que sintam o seu dinheiro sempre por perto, para que se sintam permanentemente protegidos. Imagino que a vivência por esses lugares seja tão natural como a que os pobres ou os menos abastados têm noutros sítios. É tudo uma questão de hábito. O dinheiro acaba por definir o mundo e a realidade de cada um de nós. Por mais que imaginemos nunca sabemos o que são as outras realidades: tal como não sabemos o que é a miséria e a noite nos labirintos mais pobres da cidade, também desconhecemos o que é o esplendor do luxo numa moradia bilionária. Apesar de vivermos num mundo aparentemente mais próximo, sabemos muito menos uns dos outros do que imaginamos. Na realidade, só sabemos o que se vivemos.
Só que existem momentos em que essas duas realidades se cruzam. E na grande maioria dos casos a riqueza torna-se obscena. Oscar Niemeyer tinha razão quando dizia "No mundo de hoje ser-se rico é uma vergonha".
pretende "fixar-se" no Douro. É esta a região preferida pelo empresário português para construir a eventual central nuclear. Trata-se, como se sabe, de uma região com uma actividade turística em franca expansão e que está associada à vitivinicultura em particular ao vinho do Porto. No futuro caso a ideia do nuclear fosse aprovada e esta bizarra localização escolhida o ICEP teria fortes motivos para reforçar a marca Douro. Um vinho do Porto nuclear ou uma visitinha guiada à central nuclear valorizariam qualquer roteiro turístico.
Adenda: relativamente a esta questão do nuclear a posição mais bizarra é a dos que acham que a alteração - subida - dos preços do petróleo justifica o regresso ao tema. Os argumentos, largamente expendidos, sobre as questões da segurança,a milhares de anos, sobre as insuficiências da tecnologia ou sobre as questões do preço dessa forma d e energia não os demove. Como não os demove o facto de o nuclear só poder ser utilizado para a produção de energia eléctrica, enquanto 90% do petróleo que consumimos serve para abastecer os nossos automóveis.
Por essa razão um conhecido autor comentava a aposta francesa no nuclear afirmando que em caso de falência das energias fósseis, em particular do petróleo, os franceses seriam os últimos a apagar... a luz.
não exportará a totalidade da produção. Exportará apenas 50%. Não emitirá 2,5 milhões de toneladas/ano de CO2. Emitirá 7 milhões de toneladas de CO2. Não consumirá 800 milhões de euros de fundos públicos. Consumirá 1200 milhões de euros.
Alguém sabe porque razão este projecto não foi já liminarmente recusado?
absolutamente a não perder "Colbert roasting Bush" aqui. Como este link já não está disponível oferecemos outro. Mais informações na Bloguítica.
"A administração a que preside George Bush destruiu a ponte de diálogo cultural, intelectual e literário que unia os Estados Unidos da América com o resto do mundo".
Salman Rushdie, escritor inglês de origem indiana

Está patente ao público a exposição de vacas mais famosa do planeta. O local escolhido para a CowParade ou Vach’arte em francês foi, nada mais nada menos, do que as ruas da cidade de Paris. Nada de novo para os mais cosmopolitas, uma vez que esta festa bovina já esteve presente em cidades como Kansas City (2001) Dublin (2003) ou Genebra (2005), esperando ainda marcar presença proximamente em cidades como Lisboa, Edimburgo ou Minas Gerais.
Tudo começou em 1999 nos Estados Unidos, quando cidades como Nova Iorque e Chicago acolheram a primeira exposição do considerado nos nossos dias como o maior evento de arte de rua do mundo. O sucesso inicial levou os organizadores do envento a cruzar o Atlântico e a exposição decorou as ruas de Londres. Segundo o organizador da parada, Peter Hanig, a arte serve para quebrar barreiras e para fazer as pessoas pensar, reagir. Talvez seja por isso que a filosofia da CowParade implica a acessibilidade das peças que a compõem. O público é convidado a misturar esse momento tão sacralizado como o de apreciar uma obra de arte sem deixar de viver o quotidiano das grandes urbes. Uma arte comprometida cujas peças são posteriormente leiloadas, revertendo os lucros das vendas a favor de orgzanizações tão diversas como a Choc, organização de luta contra o cancro infantil na Africa do Sul ou o Comité Romeno para os Jogos Paralímpicos, consoante o leilão realizado em cada cidade.
Paris recebe as vacas com os olhares dos seus habitantes, mas também de turistas vindos de todo mundo, ou não fosse esta uma das cidades mais visitadas do planeta. Elas estão por todo o centro, desde a porta da Igreja de Saint Germain des Près, à mais antiga da aglomeração, até à rotunda dos Campos Elísios, passando pela Praça da Bastilha.
As grandes estrelas, as vacas, denominam-se de formas tao originais como a Porsche Cowrrera presente em Harrisburg, na Pensilvania. Um Muu-seu de rua num pasto globalizado! Se quiser conhecer as vacas que estiveram de paradas anteriores, visite o site http://www.cowparade.com/. E já agora, porque não participar no envento de Lisboa?
António Oliveira e Silva
texto recebido via e-mail
Os políticos de Sines serão capazes de dizer Sim a mais uma Refinaria
Posted by MJB at 5/03/2006 12:10:00 da manhã
para o concelho e por conseguinte para o Litoral Alentejano?
Veremos os seus movimentos e que maturidade política demonstram ao para trazer o problema para a opinião pública. Veremos afinal o que os representantes de todos os partidos políticos querem para este Litoral. Veremos os seus projectos e o respeito que manifestam pelo espaço, a saúde e a paisagem de todos nós.
A gravidade da intenção de vir para Sines mais uma refinaria, levou-me a assistir à Assembleia Municipal no passado dia 28 de Abril, por cerca de uma hora.
Não por indiferença, mas por desilusão na actuação política de uma maneira geral, fez com que me fosse afastando cada vez mais das leituras sobre essas temáticas nos jornais diários ou de assistir a este tipo de momentos, o de uma Assembleia Municipal na cidade onde vivo.
Fiquei mais uma vez desiludida. Dos eleitos que se manifestaram, com a excepção do Presidente da Assembleia Municipal e do que depreendi de uma breve intervenção do deputado Rui Penas, o que ouvi foram generalidades de quem não sabe ou não pensou seriamente sobre o assunto ou de quem não quer ter os dissabores inerentes à ousadia de ter "uma opinião própria na política".
E é precisamente esta forma sempre igual de se fazer uma política sem ideias, sem frontalidade, sem ideais, que afastam os cidadãos dos centros de debate e os tornam inertes perante as sinuosas manobras do poder. Converso com as pessoas e é isto que me dizem: não sabem como intervir, não acreditam na voz da cidadania e não crêem que os políticos que elegeram estejam seriamente empenhados em defender o seu presente e o seu futuro.
Como é que o que foi criado para unir e melhorar a vida dos homens, possa ser cada vez mais o que os afasta e silencia a multiplicidade de opiniões? Como é que se aceita a responsabilidade de representar os cidadãos e se demonstra tamanha ligeireza perante problemas tão sérios? Que mentes são estas, que pais é este cujos representantes acreditam que o desenvolvimento e o progresso é apenas igual à mera criação de postos de trabalho. Quando é que os intelectos políticos são capazes de ir mais longe? Quando é que se tem a coragem de pensar a médio e especialmente a longo prazo? Quando é que se tem a ousadia de ver os vários primas dos problemas e não embarcar na mais fácil, na mais apetecível e imediata das soluções? Quando é que os politícos percebem que se lhes pede coisa séria: o Futuro? Quando é que no Portugal de hoje mesmo o que pensa ser o grão de areia, tem coragem para dizer não? Será que algum dia vamos conseguir responder "Agora" a algumas destas questões e trazer a este pais o tão aguardado desígnio?
Exmo. Senhor Prof. António Carmona Rodrigues
Presidente da Câmara Municipal de Lisboa
Exmo. Senhor.
Como V. Exa. deverá já ter conhecimento, uma menina de 8 anos, de nome Rafaela, foi ontem atropelada mortalmente quando atravessava a Av. de Ceuta, numa passadeira.
Lamentavelmente, esta tragédia não é, nem para nós nem para V. Exa., nem para a maior parte dos lisboetas, surpreendente.Esta era uma morte temida, mas esperada.
Dir-se-á: o motorista de táxi deveria ter circulado com precaução.
Dir-se-á: é necessário colocar ali radares de controlo da velocidade e criar medidas de acalmia de tráfego.
Perguntamos nós: quem foram os políticos e os técnicos da autarquia de Lisboa responsáveis pela construção de duas urbanizações gémeas cortadas por uma via rápida com mais de 30 metros de largura?
E perguntamos nós ainda: será que os políticos e técnicos hoje responsáveis pela gestão do trânsito da cidade dormiram tranquilamente até hoje, sem ter resolvido urgentemente a situação de absoluta insegurança dos peões que atravessam a Av. Ceuta?É que não era necessário proceder a estudos de identificação de pontos negros. Os moradores da zona já tinham diversas vezes alertado a CML para o perigo daquela travessia.
A ACA-M, na sua campanha “Vamos acabar com os pontos negros”, já tinha enviado requerimentos à CML, pedindo a resolução do problema.É terrível constatar que as autoridades só costumam agir sobre os pontos negros que criam depois de alguém neles falecer e de a comunidade exprimir a sua comoção. Não deveria ser esta a postura dos políticos ou dos técnicos face aos cidadãos que se comprometeram servir.Mas mais inaceitável é mesmo não agir imediatamente sobre uma situação de risco, para prevenir novas tragédias.Por isso, quando faleceram duas jovens na Av. 24 de Julho, em Novembro passado, a ACA-M veio pedir celeridade na resolução de um problema criado pela autarquia, ao licenciar bares de divertimento nocturno nas bermas de uma via rápida.Por isso, vimos hoje pedir assunção de responsabilidades, celeridade na busca de medidas provisórias e coerência na elaboração de medidas definitivas para a resolução do ponto negro que é a travessia entre os Bairros do Cabrinha e do Loureiro.
Neste sentido, vimos convidar V. Exa. a deslocar-se connosco à Av. Ceuta para a atravessar – como peão – na passadeira fatídica, no dia 4 de Maio, às 11 horas, para ficar a conhecer o conjunto de propostas de acalmia de tráfego que pretendemos apresentar nesse dia, numa conferência de imprensa que iremos convocar para o local, e para depositar connosco uma coroa de flores nas imediações do local da tragédia.
Confiantes que V. Exa. será sensível à bondade deste convite, solicitamos que nos contacte, para o 919258585, para informar da sua decisão de o aceitar, ou não.Com os melhores cumprimentos
Manuel João Ramos
Direcção da ACA-M- Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados. Av. 5 Outubro, 142, 1º Dtº
1050-062 LisboaPORTUGAL
Tel.( +351)217801997Fax: (+351)217801998Mobile: (+351)919258585
aca-m@aca-m.org;www.aca-m.org;www.estradaviva@org;www.sobreviventes.org
Member of the European Federation of Road Victims - www.fevr.org
O Público de hoje revela que, em declarações à Rádio Renascença, Manuel Coelho, Presidente da Câmara de Sines, mostra preocupação com o eventual fracasso da construção da nova refinaria no concelho. Manuel Coelho mostra igualmente desagrado pelo facto de não ser recebido pelos ministros a quem solicitou diversas audiências.
Manuel Coelho não entende que o seu papel neste processo foi concluído com a emissão de parecer favorável à localização, pela autarquia. Resta-lhe agora esperar pela altura de receber as Taxas Municipais de Urbanização(TMU), os mais de 2,5 milhões de contos, pelos quais tanto suspira.
Fazemos, no entanto, uma antevisão daquilo que seria a conversa de Manuel Coelho com cada um dos ministros.
Com o ministro do Ambiente.
Manuel Coelho (MC). Ó snr. ministro mas então que história é esta das emissões. O snr. acha que o futuro do concelho pode ser condicionado por essas emissões. Nós queremos desenvolvimento, snr. ministro.
Nunes Correia(NC). Ó snr. Presidente, não são assim umas emissões insignificantes. São seis milhões de toneladas de CO2. Ainda fico conhecido como o ministro mais inimigo do ambiente da democracia. Qualquer dia tenho pichagens no ministério a dizer "Nunes Correia, ministro negro do ambiente". E o Patrick está-nos a apertar, quer que seja a gente a pagar a massa toda. Já viu como é que isso é possível com o défice neste estado?
MC. Mas o que é isso do CO2? Fale-me das TMU, snr ministro.Isso é que importa. Se não vier a refinaria queremos ser indemnizados. Ficamos sem futuro. Sem desenvolvimento.
NC. Ó snr. presidente, o snr é pior do que o meu colega da Economia que não me deixa em paz. Até me ligou para casa no primeiro de Maio, veja lá, no dia do trabalhador. Diz que não quer saber nada das emissões. Quer o investimento e pronto.
MC. ó snr. ministro, mas quais emissões, santo homem? Daqui a seis meses não há mais emissões. Dou-lhe a minha palavra de honra. Está tudo tratado. As empresas vão passar a emitir apenas oxigénio com diferentes fragâncias entre o alfazema e o rosmaninho que tem muitos apreciadores na zona. Temos uns peritos a tratar de tudo. São colegas seus da Universidade. Uns crânios.
Conversa com o ministro da Economia.
M.C. Ó Pinho, então que porra é esta? A TMU, aliás a refinaria, vem ou não? Que maluquice é esta das emissões?
Manuel Pinho (M.P.). Ó Manel, desculpa lá o atraso nesta conversa. Não merecias isto pá. Tens sido um grande amigo do Governo e do desenvolvimento do país. O Sócrates está farto de dizer que tem que ter uma atenção contigo. Ve lá se tiveres mais qualquer coisa para inaugurar podes contar com ele.
MC. Mas inaugurar o quê? Sem a TMU inauguro o quê, santo Deus. Mas olha lá não pões na ordem o teu colega do ambiente? Que porra é essa do CO2?
MP. E achas que eu sei? Eu quero é investimento, que é aquilo de que o País precisa para diminuir o défice em 2009 e ter o Sócrates mais quatro anos como primeiro ministro e eu como ministro da Economia. E tu Manel quando é que te reformas?
MC. Que é que isso interessa? A TMU, aliás a refinaria, vem ou não? Olha lá já que aumentaram as emissões não podias aumentar os postos de trabalho?
MP. Mas ó homem isso fizemos logo no principio, pá. Aumentámos de 350 para oitocentos.
MC. Pois é. O Guterres fez o mesmo com o Terminal XXI e o Terminal de Gás Natural. São sempre os mesmos oitocentos postos de trabalho.Mas olha a malta aceita muito bem. É qualquer coisa de mágico que o número tem. Só os gajos da cabalística e da psicologia de massas é que podem explicar isto.
MP. Mas tem calma Manel. O Sócrates está determinado. Temos que ter confiança. Muita confiança. Havemos de arranjar maneira de responder positivamente às legitimas preocupações do Patrick. A propósito acho que ele está muito impressionado contigo. Disse-me que se não tivesse visto, não acreditava que existissem comunistas assim, como tu. Mas olha se o Sócrates abrir os cordões à bolsa tens que falar com o Jerónimo não vá ele começar a dizer que o Estado rouba aos pobres para dar aos ricos.
MC. Está descansado. Ele é a favor. Desde que não sejam investimentos beduínos ele apoia. Não te lembras do debate com o Cavaco? Aquela coisa dos cheiros e das emissões ele não liga.Tem sinusite crónica.
MP. Muito bem. Estamos na luta. Isto resolve-se. Ainda havemos de regar a primeira pedra da nova refinaria.
MC. Olha lá, achas que devo falar com o ministro da saúde?
MP. Não vale a pena. Não se vão realizar estudos nessa zona. Mas vamos anunciar para o futuro. Para 2020, depois da tua reforma e da minha. Olha o Sócrates ficou muito sensibilizado com aquela tua iniciativa de realizares uma monitorização do ambiente. Grande ideia. Como é que tu ias fazer aquilo?
MC. Não sei pá. Eu já não percebo nada disto.
A construção da Refinaria em Sines é muito importante para o Governo de Sócrates. Permitirá, ao que se diz, aumentar o PIB em cerca de 3% e apresentar um défice aceitável em 2009, a tempo da reeleição. As outras questões - ambiente, saúde dos cidadãos, segurança face a ataques terroristas etc - que se lixem, pois não fazem baixar o PIB.
O problema é que Patrick Monteiro de Barros é que tem o dinheiro para investir e quer cada vez mais massa para fazer a refinaria. Incialmente falou-se em 800 milhões de euros de fundos públicos - com valores desta natureza é obsceno falar de investimento privado - mas, face aos níveis de emissões, que já triplicaram desde o anúncio do projecto, o capitalista quer que seja o Governo, isto é todos nós, a suportar os custos de tão grande descontrolo de emissões. Mais de 300 milhões de euros nos primeiros três anos.
Há muito pouca vergonha nestes processos. Aposto uma coisa: Sócrates vai ultrapassar todas as dificuldades e selar este investimento, abrindo os cordões à bolsa.
Só a população de Sines os pode parar.
Morreu ontem com 98 anos um dos mais importantes economistas do último século. Um economista que falava de forma clara e simples sobre as questões mais complexas da economia. No Público, um trabalho - disponível on line só com subscrição - da jornalista Eunice Lourenço traça um perfil do mestre canadiano/americano. Galbraith defendeu sempre a "intervenção governamental na economia para resolver os problemas sociais e rejeitou a ideia de que as decisões de produção se baseiam na procura dos consumidores. Pelo contrário dizia que são os produtores que manipulam os consumidores para lhes imporem certos produtos e serviços de que não precisam. Esa cultura de consumo pode ser rica em bens, mas pobre em serviços sociais e de interesse público".
No seu livro mais famoso, a Sociedade da Abundância(*), escreveu a dado passo: "Se se é rico ou até próspero e com amor-próprio, qualquer doutrina que torne os serviços públicos ( e portanto os impostos) não económicos, politicamente regressivos e possivelmente imorais, está sujeita a parecer benigna. Qualquer coisa que seja de tanta conveniência deve ser correcta. Mas embora não se precisasse da prova, a exegese era bem vinda e por isso havia considerável procura de profectas do mercado. Estes tornaram-se rapidamente disponíveis, e nos anos seguintes à segunda guerra mundial, clubes de serviços, convenções de vendas e até clubes de senhoras suburbanos ouviam atentos o evangelho revelado por John Stuart Mill, Herbert Spencer, William Graham Summer, Friedrich Von Hayek e Ludwig Von Mises".
(*) - John Kenneth Galbraith. A Sociedade da Abundância. Publicações Europa-América. 1976



