



Não há dúvida, a Portuguesa é a mais bonita.
Goste-se ou não de futebol, só ele para trazer de forma massiva as cores e a diferença de cada bandeira para a rua. Essa diferença significa o que nos une e o que nos separa. Cada bandeira simboliza uma força que dificilmente pode ser escrita, mas que é sentida por todos como uma referência, como o assumir tácito de uma História. Desta vez sem a arrogância e a vaidade que, muitas vezes, noutros tempos, ela nos foi imposta. Agora que seja por um jogo, por um espectáculo de futebol, por uma nova guerra em campo verde.
Precisamos disto, desta fácil oportunidade de nos orgulharmos do que hoje pode ainda significar esta bandeira, este Portugal. Precisamos desta outra ou destorcida forma de sofrer e acreditar. Precisamos de sentir este leve mas forte sentimento de pertença. Portugal precisa urgentemente de um desígnio. E o político que perceber a História dos portugueses e os portugueses na História e souber transmitir essa ideia, conseguirá talvez mais largos passos para este país.
O futebol leva o país à frente, para a frente. Não porque as pessoas só pensem em futebol, mas porque é hoje dos poucos "espectáculos" ou momentos em que temos a oportunidade de sentir que estamos em uníssono por alguma coisa.
Por outro lado, e mesmo aqueles que pouco sabem ou queiram saber da História deste e de outros países, quando chega o "Mundial" ou o "Europeu" vêm ao de cima as preferências. Porque preferimos, por exemplo, a Inglaterra à França? As preferências também revelam esse sentimento de pertença, de identidade e a ligação com a História que não sabemos que sabemos.
Força Portugal e que vençamos amanhã!
... demitiu-se de MNE. Nada de novo. Freitas invoca razões de saúde, que as terá certamente, mas todos sabemos que algo não correu bem na passagem de Freitas pelo Governo de Sócrates. O ex- MNE não digeriu, nunca digerirá, o facto de não ter sido escolhido para candidato presidencial do PS. A única razão que justificaria o seu regresso ao Governo e o seu particular empenho no apoio a Sócrates foi implacavelmente inutilizada por Sócrates e por Soares. Sócrates porque não queria uma escolha incapaz de fazer ela própria as despesas de uma derrota - e portanto suceptível de o beliscar - e porque o seu candidato ideal seria.... Cavaco, como se viu. Soares porque não foi capaz de sentir as facadas que lhe espetavam nas costas e continuou alegremente - passe a ironia - até à derrota final tão esperada por alguns dos seus maiores apoiantes.
Mas Freitas, que conquistou ao longo de 30 anos o respeito dos democratas, pertence a uma geração de políticos que tendem a rarear em Portugal: os que colocam as ideias acima dos interesses. Que vá em paz e que recupere rapidamente a saúde.
bola e religião (se lido em Nápoles ou Buenos Aires)
Posted by Duarte at 6/30/2006 12:32:00 da manhã«A Ronaldo damelo gordo, borracho o en coma, pero lo quiero siempre en mi equipo»
Maradona, sobre o único brasileiro profissional de futebol mais gordo do que o Rochemback, no Clarín de hoje
No próximo sábado, dia 1 de Julho, a livraria A das Artes, em Sines, celebra o seu terceiro aniversário. Para comemorar a preceito, o nosso JG programou uma maratona de acontecimentos para todos os gostos, com início às dez da manhã e fim programado para Gelsenkirchen.
O programa está no blogue d'A das Artes. Os meus parabéns são dados aqui, com votos de mais e longos anos.
Vemo-nos no sábado.
Bush é um presidente que segundo o Supremo Tribunal do seu país ultrapassou os poderes constitucionais "quando instituiu comissões militares para julgar os "combatentes inimigos" detidos em Guantánamo". Para o Supremo os tribunais criados por Bush violam a lei dos EU e as convenções de Genebra.
Não é uma novidade para muita gente no mundo inteiro. Bush não baliza a sua actuação pelo respeito da lei e da ordem e do direito internacional. Será que vai mudar o seu comportamento e colocar ponto final no terror de Guantánamo?
pairam sobre o país. O Ambiente e o ordenamento do território são elevados ao estatuto de bode expiatório do sub-desenvolvimento do país. Quando na realidade o mau estado de ambos são uma manifestação desse atraso. A guerra, segundo relata o Público de hoje, está já no interior do Governo. Nunes Correia não merecia esta campanha do seu colega Manuel Pinho, associado a Basílio Horta e Fernando Ruas entre outros, ele que permitiu a maior mudança de usos da história da democracia viabilizando as intervenções no Litoral do Alentejo e que não colocou entraves de maior ao projecto da refinaria de Sines. Mas é sempre assim : quanto mais um homem cede mais os ingratos exigem.
a RTPN passa um documentário sobre a gravação do último disco de Chico. Excelente.
acaba de explicar demoradamente, na SIC Notícias, as razões pelas quais Portugal corre o sério risco de perder o seu sector da indústria automóvel - refira-se que, para romper com o lugar comum, não elegeu os trabalhadores como os principais responsáveis - e as razões pelas quais a desindustrialização do país continua apesar dos anúncios do Governo e da aposta em programas genéricos muito pouco relevantes. Falta de políticas sectoriais e incompetencias políticas várias por comparação com o exemplo Espanhol. Falta de um sentido político de defesa dos sectores estratégicos portugueses. A destruição das OGMAS apontado como exemplo. A incompetência política na negociação da utilização das contrapartidas dos grandes negócios -compra de submarinos, compra de aviões etc- para ganhar capacidade e massa crítica nesses sectores. Culpas dos Governos do Bloco Central naturalmente. Um diagnóstico cruel sobre as capacidades do ministro da economia e do próprio primeiro-ministro no que se refere à compreensão das necessidades da economia portuguesa no contexto da economia global. Retenho uma expressão quase no final bastante assustadora: os portugueses não têm consciência dos problemas que aí vêm.
Retenho igualmente a condenação da intervenção de Fernaqndo Ruas - que segundo Henrique Neto deveria ter sido demitido de Presidente da ANMP. O empresário recusa a dicotomia entre desenvolvimento e regulamentação ambiental. Uma posição séria de um homem sério.

O melhor dos dias cinzentos: abrem a possibilidade de descansar.
Apesar da alegria e do bem estar que nos é culturalmente imposto em dias estivais, há qualquer coisa de relaxante num dia de chuva em pleno Julho. É como se o festival que nos obrigam a frequentar entrasse em pausa durante algumas horas, para recompor melhor as coisas. Como se pudéssemos entrar em nossas casas durante alguns momentos para resolver o que ficou por arranjar, para respirar, para fazer os telefonemas que ficaram na agenda.
O festival é essa espécie de encontro acidental entre os que cá estão e os que vieram conhecer e que nos faz, sem ter em conta a nossa vontade, sorrir. Obriga-nos também a correr. A espernear, às vezes.
Se não vivêssemos em época de cyber cafés, poderia mesmo dizer-se que alguns de nós aproveitam para pôr alguma correspondência em dia. Talvez haja quem se sente a escrever correios electronicos nas horas como esta.
Nas ruas também podemos notar. Os autocarros parecem patinar graciosamente e desenhar serpentinas gigantes nas avenidas. As pessoas caminham algo incomodadas pelas gotas de água que compõem essa humidade latente, mas não deixam de dirigir-se aos seus destinos. Há frescura no ar em todos os sentidos. É neste contexto de frescura que nos podemos inspirar para escrever estas linhas, momento em que a poeira que se despede das calçadas acompanha a aragem, tão imprescindível de vez em quando. Como se cada uma das pessoas que entra e sai de sua casa, que sorri de uma forma mais ou menos formal ao senhor da galeria que se encontra ao lado, sorrisse também a certas tensões que lhe causam o calor e a poeira de Verão. Muita dessa poeira é transportada em chinelos, em sandalias e em sapatos de Verão de turistas que chegam a Paris vindos e todo o mundo. Talvez tragam consigo as suas tensões e nas caminhadas que fazem junto ao rio dufumam-se nas pedras da calçada. Ainda assim, vale a pena aproveitar esses dias de chuva no início do estio. São dias de reciclagem. Pessoal e colectiva, mas também urbana e, ainda que longe daqui, de certeza, a reciclagem dos campos. Por isso existe também a chuva, creio eu. É sem dúvida, pelo tempo que proporciona, uma forma de fazer dias felizes.
António Oliveira e Silva
Texto recebido por e-mail
finalmente um jogo que não foi resolvido pelo árbitro ou cujo desenrolar não foi perturbado pela acção da arbitragem.
Há uma arbitragem -que assentou praça neste Mundial - que erra, humanamente, mas que erra mais para um lado, para o lado dos poderosos futebolísticamente falando. A eliminação da Austrália, com um penálti irreal a favorecer a incontornável Itália, tinha sido a última manifestação da parcialidade - e da incompetência? - dos juízes. O segundo golo do Brasil contra o Gana - decisivo, apesar da genialidade dos caras - foi de rir às gargalhadas.
Nesse sentido o Espanha -França foi um jogo exemplar. Decidiu-se com os argumentos dos intervenientes. O ábitro limitou-se a aplicar, sobriamente, as leis do jogo. Ganhou quem melhor jogou, quem mais talento evidenciou, quem marcou mais golos e quem menos sofreu.
Já tinha saudades de um jogo assim.
Fernando Ruas, Presidente da Câmara de Viseu e da ANMP, dirigindo-se à população do concelho, criticando a actuação dos fiscais do ministério do ambiente e recomendando uma resposta adequada - Fernando Ruas esclareceu que estava a medir muito bem as palavras - para essa actuação.
O presidente da autarquia de Viseu é um homem muito poderoso e a democracia portuguesa é frágil quanto baste. Doutra forma estaríamos a falar do ex-presidente da autarquia de Viseu e sobretudo do ex-presidente da Associação Nacional de Munícipios.

O acesso ao Cabo de Sines, para quem queira aí deslocar-se, faz-se desde sempre por um caminho, como muitos outros que permitem o acesso a pessoas e viaturas à Costa do Norte. A construção da R52 não alterou essa circunstância. Nem poderia já que a relação da população com a Costa do Norte, em épocas anteriores e em parte ainda agora, se estabelece com base em aspectos associados ao lazer mas sobretudo à actividade da pesca e é materializada na utilização desses caminhos e desses acessos a cujo conhecimento todos facillmente acedem. Vem isto a propósito da obra em curso no acesso ao Cabo de Sines. Trata-se de uma obra que já se traduziu na construção de lancis e preparava, à data em que estas fotografias foram tiradas, a conclusão do acesso rodoviário. Ao cabo de Sines? Para, finalmente, tratar este acesso a um ponto notável da nossa costa, tão visitado por tantas pessoas, quer residentes quer visitantes?
Não! A segunda das fotografias dá a resposta cabal. Para tratar o acesso à residência dos administradores (?) da APS e de passagem cortar o acesso a "intrusos". Pelo menos aos intrusos motorizados.
Tanto quanto se sabe esta iniciativa não mereceu qualquer reacção por parte dos autarcas. Talvez porque parte significativa deles nunca ouviram falar do Cabo de Sines nem saibam onde fica. Conhecimento em que se equiparam oas Administradores que, na sua farta ignorância sobre a cidade, nunca lhes terá passado pela cabeça que estavam a fazer outra coisa que não a arranjar o caminho para as suas vivendas.
Bom, mas há nesta actuação um aspecto positivo: os Administradores querem, sem o poderem afirmar, evitar às pessoas o acesso ao Cabo, ou melhor ao cheiro pestilento que nos surpreende quando aí se chega, certamente em virtude das porcarias que são lançadas na água nesse local. Afinal talvez tudo isto se inscreva numa altruísta campanha de promoção da saúde pública.
artigo de opinião de Graça Franco contra a unanimidade que se gerou à volta das políticas levadas a cabo pela ministra da educação. Cito: "(...) A senhora [a ministra]pode dizer a coisa mais desarrazoada (como sugerir que aos professores em apuros, incapazes de enfrentar sozinhosa turba de marginais que os insultam, os agridem e lhes dão cabo do material que passem a ir pedir socorro ao grandalhão na sala de professores, que ficará de piquete à espera do SOS dos colegas para lhes fazer de gaurda-costas). Pois nem isso moderou o coro de amigos e inimigos a louvarem-lhe a coragem, a determinação e, sobretudo, o "bom senso". (...) Com a agravante desta versão [ do eduquês voluntarista] incluir uma horda de fascinados pela literatura económica light ( versão freaknomics na sua crendice absurda de que os números não mentem). Trata-se de gente perigosa. Não se deram ainda conta de que os números não falam. Quem os interpreta, se dotado de sabedoria e honestidade intelectual utilizá-los-á para dizer verdades senão, não resistirá a fazer o que a senhora ministra fez com os estudos sobre o absentismo dos professores. (...)"
no Público de ontem, um artigo de opinião de Guilherme Valente sobre as questões da educação e em particular sobre as responsabilidades dos responsáveis políticos na situação do nosso ensino. Guilherme Valente é editor da Gradiva e uma das vozes críticas do eduquês.
O texto de opinião de Rui Tavares, no Público de ontem, sobre a magna questão dos despedimentos. Com humor pondo a ridículo parte do discurso liberal dominante sobre as consequências inevitáveis -dizem eles - da globalização.
Cito: "O discurso dominante usa justificações tão iguais para coisas tão opostas que se torna imprestável. O "preço que Portugal paga à globalização" de Basílio Horta é como o preço que os cônjugues pagavam ao casamento na época vitoriana: era para toda a vida e o marido deveria ser agarrado e mantido estoicamente pela esposa. Se no casamento é comum os cõnjugues atirarem as culpas, aqui o culpado já está encontrado: Portugal não soube agarrar e manter a GM. Portugal é pouco atractivo, é pouco competitivo, é pouco prendado. Como qualquer abandonado, Portugal mergulha em mais uma das suas fossas de autocrítica.
Todos se perguntam, pois, qual é o problema de Portugal. Ninguém se pergunta qual é o problema da GM. O nosso ministro da Economia diz que a GM "está a viver um momento muito dificil". tem que reduzir os custos em 30 por cento - porque foi mal gerida - mas por um daqueles mistérios da fé n unca se ouviu uma GM em dificuldade dizer"vamos baixar os salários dos nossos administradores e executivos", seria ridículo. (...) Os donos da GM são os seus accionistas: Mas eles não são jurídicamente responsáveis pela conduta da GM: verão apenas baixar as suas acções, isto se as quiserem manter. Acimade tudo, o fio que os une aos seus trabalhadores da Azambuja é ténue, remoto e, para falar a verdade, interrompido por uma ficção jurídica. Que, como tantas coisas de que o discurso liberal depende, não tem nada a ver com mercado livre. É puramente artificial: uma pura concessão do Estado."
a camapanha que o actual presidente da API desenvolve -isoladamente? - contra as graves consequências da regulamentação ambiental para o desenvolvimento do país. Este posicionamento - que não se apoia em qualquer tipo de doutrina sobre os prós e os contra da atractividade dos diferentes países no que se refere à conquista de investimentro externo - parece, apenas, pretender reforçar uma ideia já bastante enraízada em diversos espítiros: a de que Basílio Horta é um dos mais clamorosos erros de casting dos últimos anos, no que a escolhas para desempenho de funções públicas diz respeito. Tanto mais quanto o anterior titular do lugar foi o excelente Miguel Cadilhe.
Talvez o Governo do PS pudesse tomar a decisão, sensata, de mandar o senhor para casa. Podia, para lhe confortar o espírito, juntar à, naturalmente generosa, indemnização, um exemplar do livro de Charles-Albert Michelet, " A Sedução das Nações - ou como atrair os investimentos", ed. Terramar de 2001, a partir da edição francesa de 1999, com prefácio de José Reis, da Universidade de Coimbra. Com a recomendação de que nunca deveria deixar de ler o capítulo sobre "As condições da Atractividade e a Promoção dos Investimentos Estrangeiros" (p.103 a 143) e em particular os sub-capítulos dedicados às "condições prévias da actractividade" e às "condições necessárias". Na definição das variáveis que integram o "clima de investimento" encontrará entre outros muito importantes o seguinte: a "segurança e o enquadramento de vida para os expatriados (escolas, habitação. lazer, clima etc (p.108)". Não se entende como é que isto se articula com políticas de investimento público centradas no laxismo ambiental.

Assim o é neste vestido desenhado pelo criativo de moda John Galliano, inglês, nascido em Gibraltar em 1960. Na minha opinião as suas criações são mais do que a própria moda, muitas vezes, mais do que a alta costura, são pura arte, e sobretudo a interpretação do tempo, da beleza e a transformação do corpo. Não é por acaso que John Galliano é há anos o criativo da casa Christian Dior - Alta Costura.
Este vestido é uma criação de 1998 e foi oferecido pela Dior ao Metropolitan Museum of Art - New York. E é precisamente aqui que está patente ao público até Setembro próximo uma interessante exposição sobre a moda inglesa. Intitula-se Anglomania: Tradition and Transgression in British Fashion que poderá "espreitar" em www.metmuseum.org , o site do Museu.
A imagem acima é a atractiva capa do catálogo de mais uma exposição que esteve patente ao público em 2001/2002 no Metropolitan Museum of Art e que se intitulava Extreme Beauty: the body transformed.
Só para os que veêm na moda algo mais do que a vertente utilitária.
O Governo decidiu aplicar ao ano de 2002 a retroactividade na entrada em vigor da forma de cálculo das pensões de reforma. Com esta medida milhares de trabalhadores serão afectados nas suas expectativas vendo as suas reformas diminuirem de valor para o mesmo nível de descontos. As reformas mais baixas serão as mais castigadas já que nestas classes de rendimento qualquer diminuição, por pequena que seja, dos rendimentos tem consequências terríveis.
Nesta altura seria interessante recuperar os discursos daqueles que por altura da anterior medida restritiva davam a explicação de que dessa forma garantia-se a subsistência do Sistema até 2050.
O Governo do PS nunca encara a possibilidade de adoptar outras soluções que não se traduzam fundamentalmente no agravamento das dificuldades para os mais desfavorecidos.

"O Verão (também chamado Estio) é uma das quatro estações do ano. Tem início com o solstício de Verão (cerca de 21 de Junho no Hemisfério Norte e de 21 de Dezembro no Hemisfério Sul), e finda com o equinócio de Outono (que tem lugar em cerca de 23 de Setembro no hemisfério Norte e a 21 de Março no Hemisfério Sul). O Verão é tipicamente conhecido pelas férias ou seja pelo seu calor".
... o que mais vier a seguir parece que padece do mal bem português da pouca importância política para não dizer da absoluta irrelevância.
As Presidências Abertas de Soares e Sampaio foram ocasiões sobretudo para a denúncia - mais com Soares - e para alguma exaltação presidencial perante "realidades que importa valorizar e dar a conhecer naquela tarefa de todos os dias de elevar a auto-estima lusa"(citação livre do estilo sampaísta), mas pouco ou nada contribuíram para a alteração fosse do que fosse. Com Cavaco chegaram os Roteiros e parece que se pode afirmar que eles pretendem fazer o pleno das duas lógicas anterriores. O primeiro era manifestamente de denúncia enquanto o segundo permitiu, mais do que qualquer outra coisa, mostrar ao país um Presidente possuído por um genuíno orgulho pátrio com a excelência da nossa investigação.
Tudo muito irrelevante e muito aborrecido.
.... dir-te-ei que tipo de política executas, podia aplicar-se como uma luva à Ministra da Educação deste Governo. Os principais comentadores da direita são unânimes nos elogios a Maria de Lurdes Rodrigues e às políticas por ela propostas. Já aqui referi vários casos de artigos de opinião em que notáveis, insuspeitos de qualquer ideia de esquerda ou de qualquer simpatia pelo ideal socialista que(?) norteia o partido que suporta o Governo, não poupam elogios à actual inquilina do ministério da 5 de Outubro.
Todos acham, mas a António Borges deve-se o mérito da clareza, que ela está a atacar os verdadeiros problemas de um sector fundamental da acção do Estado. Todos acham que ela deve ser apoiada no combate que dizem travar contra as posições corporativistas e retrógadas -estou a citar - de quem se sente atingido no seu conforto e nos seus privilégios. Notável que estes ilustres, que somam e acumulam confortos e privilégios vários nas suas vidas, entendam que o combate ao conforto dos professores é vital para o futuro do país. Ou por outras palavras que o país melhorará se os professores de repente, por acção, que acham meritória, de Maria de Lurdes Rodrigues, perderem o seu conforto. Quanto valerá o conforto de António Borges ou de Proença de Carvalho? Quantos confortos de quantos professores - pagos a mil euros liquídos por mês, sem subsídio de deslocação ou de renda, apesar de deslocados para 150 ou 200 Km do seu local de residência - se podia pagar tirando um décimo do conforto a cada um deles?
Mais estranho do que o cinismo destas elites que clamam pela redução de confortos e privilégios e pela manutenção dos seus e dos que os alimentam, o que não se entende é como é possível que o PS fique confortável a assistir a esta situação.
Provavelmente porque o PS já abdicou do conforto e do privilégio de ser um partido socialista dando dessa forma a sua contribuição para afundar o país.
Artigo de opinião de Mário Mesquita no Público de hoje. Cito:"(...)A partir do apoio expresso à ministra da Educação e da crítica ao da Agricultura, passou a haver diferentes tipos de ministros: os que contam com o apoio do Presidente da República; os que foram alvos da sua crítica (implícita ou explícita); os que (ainda) não foram chamados à colação por Cavaco. Em suma, há(ou parece haver...) os ministros de Sua Excelência - e os outros...(...)"
Artigo de opinião de António Borges, o ex-futuro próximo candidato a líder do PSD e a primeiro-ministro de Portugal, hoje no Público. Diz o senhor a dado passo: "(...) Maria de Lurdes Rodrigues trouxe ao Ministério da Educação uma extraordinária lufada de ar fresco. Pela primeira vez desde há muitos anos, se estão a atacar os verdadeiros problemas de um sector fundamental da acção do Estado. Se for bem sucedida, ficaremos com outra esperança quanto à viabilidade da reforma do Estado em Portugal. Se ceder ou diluir as suas reformas face às posições retrógadas e corporativistas de quem se sente atingido no seu conforto e nos seus privilégios, então continuaremos com boas razões a duvidar do futro do país."
Augusto[Santos Silva] não quer que as Augustas da política sejam nomeadas para os Governos de acordo com quotas pré-definidas. Admita-se que Augusto não pretende, sobretudo, garantir mais facilmente a sua quotazita, sem ter que para isso engolir mais sapos dos que aqueles que já engoliu desde que apoiou Manuel Alegre até ao momento em que se tornou um dos mais irrelevantes integrantes da corte Socrática. Esta heterodoxa posição do, habitualmente, tão quotista Augusto resulta, segundo o próprio, do facto deste, eternamente potencial, homem de esquerda não pretender limitar a liberdade de escolha do primeiro-ministro. Intimo do primeiro saberá Augusto que dessa liberdade de escolha virá o melhor dos mundos, tão grande possa ela ser, tão liberta de quotas. Estranho que nunca lhe tenha ocorrido que de uma igualmente tão grande liberdade de escolha dos eleitores pudéssemos igualmente esperar grandes benefícios. Talvez que se as quotas fossem abolidas, a começar pelas quotas que os partidos reservam aos rolhas que os enxameiam, nos pudéssemos mesmo livrar do Augusto.
do Porto de Mourinho e de muitos anos de Selecção Nacional, voltou: Deco, Maniche e Costinha. Simplesmente perfeito. A partir dessa conjugação de competências tudo corre melhor. Deco brilhante. Costinha e Maniche de volta aos velhos tempos. A juntar ao grande Figo e a todos os outros com destaque para Miguel. Uma boa exibição sem ter chegado ao nível da Argentina. Mas muito sinceramente a Inglaterra de quem toda a gente fala não chegou até agora a este nível. Mas por falar em favoritos que dizer do Brasil essa constelação de talentos mais Ronaldinho. Tem o pior treinador do mundo e isso não ajuda nada. Só Parreira seria capaz de colocar Ronaldo nesta equipa e só ele seria capaz de conseguir desvalorizar a presença de Ronaldinho. O Brasil colectivamente não joga nada.
O encerramento da unidade da Opel da Azambuja com a deslocalização da produção para Saragoça - mais ou menos decidido apesar do envolvimento pessoal do primeiro-ministro é um rombo para a economia do País - 0,6% do PIB - e claro para a economia regional. Mais de mil postos de trabalho perdidos de uma só vez.
É claro que desta vez o argumento não pode ser o do costume: o da deslocalização baseada nos baixos salários de leste e do oriente. A deslocalização aocntece para a nossa vizinha Espanha um dos países emergentes da União Europeia e uma das economias mais competitivas. Um país cujo salário médio é largamente superior ao português.
Não será pela via dos custos com mão-de-obra que a deslocalização se faz. Não seria pedindo sacríficios aos trabalhadores que a deslocalização se teria podido evitar. Então o que está na origem deste acontecimento tão desagradável? Custos logísticos superiores na unidade portuguesa foi a única explicação avançada pela empresa.
Isto para dizer que existem outras explicações para estas questões e que uma economia desenvolvida com uma grelha salarial elevada pode captar investimento estrangeiro.
A culpa não é dos trabalhadores que nestas questões fazem sempre o papel do bode expiatório de todos os males do nosso tempo.
Apesar de tudo isto ainda hoje Miguel Júdice, o ex.bastonário dos advogados. na sua crónica do Público escrevia esta pérola:"(...) Todos os trabalhadores da Opel ficam a saber que,se quiserem manter os empregos, terão de fazer cedências, incrementar a produtividade, adaptar-se às condições que sepodem obter nas zonas mais desfavorecidas da Europa, actualmente a Leste.(...)"
Caso para perguntar ao Dr. Júdice se a Espanha correesponde a uma das "zonas mais desfavorecidas da Europa actualmente a Leste" e se ele sabe que a unidade da Azambuja foi nos últimos anos uma das mais produtivas da Europa? Bom a Leste fica.
Já vi dois jogos deste Mundial. O jogo inaugural e o jogo de Portugal. Agradeço à Sport TV ter tomado conta da ocorrência possibilitando-me assim uma maior disponibilidade do tempo, ao ponto de o Mundial só me aparecer na versão não jogada que é exibida na RTP 1, com doses maciças do pior futebolês imaginável.
Nestes dias que passam lentos e sem sol os telejornais deixaram de ser, definitivamente, lugares visitáveis. O Futebolês tomou conta das ocorrências e é necessária muita paciência para esperar por algo mais do que as minudicências que fazem o dia a dia das selecções participantes com dose de leão acerca dos nossos muchachos.
Voltamos depois do Mundial.
A Ministra da Educação declarou que a greve dos professores visa prejudicar os alunos e criar-lhes dificuldades acrescidas nos exames que se avizinham. Para a Ministra é irrelevante discutir a dimensão da adesão à greve, o que importa é discutir as consequências dessa mesma greve para os professores que a ela não aderiram e para os alunos.
A Ministra tem o direito de não concordar com a greve. Tem o direito de entender que são meramente partidárias as razões que a motivam. Mesmo que seja a única pessoa a ver as coisas desta maneira tem o direito a esta sua via particular de se relacionar com a realidade. Mas sinceramente não pode, sendo ministra de um governo democrático - ainda por cima eleito com uma maioria de esquerda, um governo socialista - colocar desta forma em causa o direito à greve. De acordo com a ideologia de Maria de Lurdes Rodrigues as greves devem discutir-se pelos inconvenientes que causam aos profissionais que a ela não aderem e aos "utentes" que são prejudicados pela sua ocorrência. Para ela isso é uma responsabilidade dos grevistas.
Nessa perespectiva, naturalmente, as greves são sempre incompreensíveis porque a sua agenda nunca é a agenda daqueles a quem prejudicam - saberá a Ministra que uma greve prejudica sempre aqueles a quem os grevistas prestavam um determinado tipo de serviço? Alguém lhe terá explicado isso no Governo? - ou a quem contestam. Ter-lhe-á ocorrido nalgum momento que as greves são uma resposta constitucional que os trabalhadores estão autorizados a utilizar para contestarem acções hostis do patronato, do Governo ou de ambos? Coisa que aliás ajuda a estabelecer a diferença entre democracia e ditadura.
Foi necessário uma senhora Ministra de um governo socialista para se escutarem este conjunto de dislates e esta actuação prepotente, autoritária e politicamente inequívocamente de direita. Para se escutar uma governante de esquerda -sem ofensa- a questionar de forma aberta o direito à greve com o conjunto de espantalhos que durante décadas foi utilizado pela direita?
E ainda só passaram 32 anos do 25 de Abril.
O Centro Cultural Emmérico Nunes está aorganizar a 9ª edição do Verão de Arte Contemporânea em Sines. Apesar do manifesto ódio que a actividade do Centro suscita a quem tem a responsabilidade de apoiar o associativismo -não o carneirismo - apesar da asfixia pela via da redução dos subsídios e pelo atraso, de anos, no seu pagamento o Centro resiste. O que não poderia ser se os poderes autárquicos em vez de inimigos fossem parceiros e se em vez de caciques existissem autarcas?
A série documental que passou na 2 ontem com o nome de "Périplo–Histórias do Mediterrâneo". Fiquei a saber que se tratou do 2º episódio de um conjunto de quatro. Passei pela 2 por acaso pois não tinha informação sobre a série. Fiquei até ao final absorvido pela viagem que Miguel Portas conduziu através das culturas mediterrânicas.Espero ver as restantes. Não seria possível à RTP 2 repetir noutro horário os dois primeiros episódios com a devida divulgação e de preferência antes da exibição do terceiro episódio?
Sabe-se que este trabalho, com apresentação de Miguel Portas - e a excelente locução de Maria Flor Pedroso - a partir de um texto de Cláudio Torres, só foi possível ser realizado quando Carrilho era Ministro da Cultura. Por estas e outras é que muitos não esquecemos que se tratou do melhor Ministro da Cultura deste país.

Li, há uns tempos, um artigo de uma escritora britânica, do qual retive esta ideia: devemos escrever sobre realidades que conhecemos, em vez de tentar chegar a universos que nos pareçam exóticos, distantes, em suma, que simplesmente não. A autora dirigia-se aos que querem escrever. Assim, e levando muito à letra essa ideia, decido caracterizar o espaço que me rodeia, ou melhor, que tenho conhecido nos últimos meses.
O meu bairro.
Em primeiro lugar, porque é icónico. Está para os que descrevem os bairros como a Coca Cola está para as bebidas pop. Tal não costuma, no entanto, ser uma vantagem. Os ícones, principalmente a parada postaleira da Europa que constitue as imagens mentais do continente, costumam provocar, nas mentes curiosas, uma espécie de enfarte emocional. Seria o caso da Torre Eiffel e da sua prima de Pisa, do Coliseu, do relógio dos outros, dos canais e dos moinhos e, porque não, das montanhas da Heidi. Junte-se-lhe um toiro e está completa a receita. Ainda assim, certas experiências icónicas merecem ser vividas, mais que não seja por satisfazerem as expectativas da nossa herança cultural. Podem ainda revelar-se como agradáveis surpresas.
Uma das surpresas que vivi foi conhecer o Boulevard de Saint Germain, em Paris. Assediado de perto pela Nôtre Dame, povoado por todo o tipo de montras inacessíveis e próximo das Universidades de Paris ( pronto, Sorbonne, já disse), constitui uma das principais artérias da cidade. A avenida é, como todo o espaço para quem o habita, uma fonte de memória e de experiência. Passar por ali é ver gente, passar por essa gente é assumir uma condição de grupo itinerante, ainda que inconscientemente, com todos eles. O que mais gosto é a capacidade que temos, entre todos, de nos admirar sem deixar de nos ignorar. Entre peles ( que, espero, sejam falsas), tecidos de todas as cores, casacos estilo “eu até sou elegante mas não me importa nada”, cabelos cobertos, penteados, brilhantes, compridos, falsos, nobres, conservadores, anti-CPE ou ausentes... Formamos uma amálgama de expectativas que anseiam pela chegada ao destino. Muito interessante nesses serpenteares entre humanos é tentarmos coordenar as nossas rotas para chegar ao cinema, ao escritório, à faculdade e, porque não, ao Café de Flore?
O Boulevard é também a morada de alguns cinemas. Os Odéon, apesar de já amputados pelo glamour dos tempos de Mastroiani, recebem sem espaço as vozes multiligues dos que se aproximam para ver as versões originais. Tudo flui. Mais à frente, no sentido de quem vem da praça de Cluny, encontra-se a igreja mais antiga de Paris, a de Saint-Germain-des-Près. Parece feita de uma areia densa e as tardes solarengas de Primavera ( se bem que interrompidas, de vez em quando, por chuveiros ) oferecem-nos uma tonalidade terra carregada de luz, que interrompe esse azul muito celeste que nos observa. Muitas noites, ao passar pela Praça de Beauvoir, onde se encontra a Igreja, oiço a voz de uma senhora pintalgada que arranha as canções mais icónicas da voz francesa. Qual Piaff renascida, acompanha o vendedor de crepes com chocolate, açucar ou compota. Eles não sabem, mas juntos, fazem parte desse quadro mental desta zona do Boulevard.
Ainda que situado na zona nobre, cosmopolita e badalada, numa palavra, a zona cara de Paris, o Boulevar Saint Germain é um palco social total. Pela diversidade dos individuos que por ali passam. Pela portas que se abrem todos os dias. Pelas pessoas que entram por essas portas. Pelas que saem. Uns limpam, outros gastam, outros vieram só deixar um papel. Para todos eles e para mim, o Boulevard faz parte dessa realidade. É, sem duvida, o nosso palco.
António Oliveira e Silva
texto recebido por e-mail
Luís Delgado, o único comentador político que é capaz de ser em simultâneo um incondicional de Santana Lopes e de Sócrates, foi à bola. As consequências estão bem à vista na crónica que hoje assina no DN. Diz o Luís: "É preciso ter muita sorte, diga-se: dois dias antes do primeiro jogo de Portugal, o INE divulga as Contas Nacionais do primeiro trimestre, e não é que o País entrou em milagre? O PIB cresceu, as exportações deram um pulo inesperado, o consumo aumentou ligeiramente e o investimento assim-assim. Melhor seria impossível, tal como no filme.Embalado pelo clima, pela natureza e pelo futuro, que ninguém sabe o que é, mas também pouco interessa, o País vive eufórico, alheado e preparado para tudo(...)
Que país será este de que fala o Luís? O País que entrou em milagre será o nosso?
Ir à bola nestes dias pode não ser a mais saudável das actividades. Tal como a exposição continuada às overdoses de futebolês com que a televisão pública nos informa naquilo que outrora se chamava "Telejornal". Pode baralhar as ideias mesmo as já muito baralhadas.
A Venda de Património do Estado: Uma oportunidade para a Cidade e os cidadãos?
Posted by JCG at 6/12/2006 02:26:00 da tardePode ler aqui caso não tenha acesso ao Público de domingo.
repetia um atónito Frank Ghery quando Santana Lopes o levou a visitar o Parque Mayer. Agora tudo se acabou. A Câmara Municipal gastou 2,5 milhões de euros de dinheiros públicos e, depois disso, resolveu despedir o arquitecto a quem entretanto pagou essa verba faraónica.
Do ponto de vista dos cidadãos lisboetas e de todo o país parece só restar uma possibilidade: exclamar como Ghery, "It´s magic, it´s magic!"
Carmona Rodrigues era o vice de Santana e dir-se-ia que decisões desta gravidade - a contratação e a denúncia do contrato - não eram decisões solitárias. Mas isso são ideias de quem ainda não descobriu que as Câmaras são o lugar por excelência para o exercício do poder individual dos seus Presidentes. Alguns chamam a esse exercício, caciquismo.
PS - A ordem dos Arquitectos - e a Ordem dos Engenheiros - assistiu impávida e serena à contratação, à revelia do mercado, deste projecto. Tal como assiste à denúncia do acordo e à delapidação deste dinheiro público.
A adjudicação de trabalho público de projecto e de fiscalização sem concurso tornou-se uma moda e uma vergonha nacional. Todos o fazem na câmara da sua aldeia. Depois na propaganda todos sabem que não se devem esquecer de escrever que o projecto foi adjudicado por "concurso público". Dá um ar sério à golpada.
A exibição frente a Angola foi péssima. Um dos jogos mais fracos deste início de Mundial. O mais fraco se descontarmos os primeiros quuatro minutos. Mau jogo colectivo que não foi salvo por brilhantismos individuais. Salvou-se Figo, mas isso decorre da pura normalidade das coisas. Figo é de outro nível. Tiago e Petit não merecem voltar a jogar. Tiago fez tudo sempre a uma velocidade octogenária. Foram muito maus. Maniche pode estar sem ritmo mas ganha a Tiago e a Petit no querer, na entrega e, temos que dizê-lo, na capacidade. Ronaldo parece estar transformado num caso sério de individualismo e agressividade. Vá lá que Ricardo defendeu aquele remate de André.
Os jogadores de Angola, com excepção do suplente Mantorras, são trabalhadores honestos do futebol que se joga nos escalões inferiores do nosso país. Merecem os mais rasgados elogios pelo que fizeram contra Portugal.
Artigo de opinião de Proença de Carvalho sobre a polémica suscitada pelas propostas da ministra da Educação.
Cito: "(...) a avaliação do Governo deverá ser efectuada segundo a vontade e capacidade de cada ministro em reformar a administração sob sua tutela, de modo a diminuir os gastos e aumentar a eficiência dos serviços. Nesta perspectiva, não hesito em afirmar que a ministra da Educação está entre os que melhor têm desempenhado o seu cargo.(...)Um dos aspectos que sempre me impressionaram é a presença constante - quase asfixiante - dos sindicatos de professores nos meios de comunicação social, confundindo o seu legítimo papel de representantes dos seus associados com a de representação do interesse público em matéria de ensino. Esta é, aliás, uma postura comum dos representantes das categorias profissionais que trabalham para o Estado, a de confundirem os seus próprios interesses ou visões com o interesse das pessoas a quem prestam os seus serviços, ou seja, os cidadãos que a eles recorrem.
A vontade reformista da ministra depara, por isso, com uma resistência tenaz dos sindicatos, normalmente com eco significativo nos media.(...)"
A Venda de Património do Estado: Uma oportunidade para a Cidade e os cidadãos?
Posted by JCG at 6/11/2006 03:06:00 da tardeA Ler hoje no Público Local o artigo da minha autoria com o título em epígrafe. (disponível online só para assinantes).
Cavaco Silva fez integrar nas comemorações do 1o de Junho um desfile militar. De acordo com o DN de hoje "O presidente da República pretendeu salientar o empenho dos militares ao longo da história. Destacou a acção da instituição castrense em 25 de Abril de 1974 e em 25 de Novembro de 1975. Daí a democracia, a liberdade, o Estado de Direito, o respeito internacional e a integração europeia. O carácter das Forças Armadas (FA), disse, "justificam o amplo consenso nacional" que têm merecido as questões relativas à sua natureza. É imperativo assim continuar, para garante da necessária coesão interna, exortou."
Ora é exactamente o amplo consenso nacional que importaria verificar e analisar. Que consenso? Consenso à volta dos gastos militares que o patético caso dos F16 veio cobrir de ridículo? Consenso à volta da necessidade de redimensionar as forças armadas e adaptá-las ao nosso estatuto de (im)potência, para citar a expressão do conde do Lavradio referida por Saldanha Sanches no seu artigo do Expresso deste fim de semana?
Que bom que seria que Cavaco Siva tivesse aproveitado a sua iniciativa para defender a necessidade de alterar a estrutura das nossas Forças Armadas apostando em "poucas tropas, profissionais, bem pagas e apenas em áreas específicas", como escreve Saldanha Sanches. Bom mas isso seria provavelmente pedir demais ao Presidente. Pedir aquilo que o seu antecessor, eleito pela federação de todas as esquerdas, nunca quis fazer e aquilo que o primeiro governo com uma maioria absoluta à esquerda não pensa sequer em tentar.
O discurso de Cavaco Silva e os comentários que suscitou levam-me a recordar um livro da autoria de Joseph Stiglitz, economista que foi Prémio Nobel em 2001 e ex-conselheiro de Bill Clinton, de título "Globalização a grande desilução"(*) e em particular o prefácio do professor António Simões Lopes.
Escreveu o economista português: "(...) A justiça social, assente na procura da equidade, é outro dos valores que no campo dos príncipios deve impor-se, sem o que não fará sentido falar-se de Desenvolvimento. Stiglitz tem vindo a manifestar de forma insistente e consistente, já de longa data, grandes preocupações quanto ao crescimento económico e à sua necessidade, mas em permanente ligação com a distribuição. No seu campo de interesses assume lugar privilegiado uma visão equilibrada do papel do Estado, ênfase crescente na importância do conhecimento e uma preocupação igualmente crescente sobre a equidade e as inter-relações "equidade -crescimento". Defende ele a práctica de um "contrato social" em que o pobre partilhe dos ganhos do crescimento e o rico partilhe também dos custos das crises; e contesta, rejeitando, os príncipios dos que defendem simplística e hipocritamente que a melhor forma de ajudar os pobres é fazer a economia crescer. À sua demonstração de situações concretas em que o crescimento trouxe declínio do rendimento real dos mais desfavorecidos ( a América dos anos 80, por exemplo) juntaríamos nós que, justamente no campo dos príncipios, a distribuição não deve ficar à espera da criação de mais riqueza.
Tudo isto, de resto, tem a ver com a auto-estima, que sendo valor do Desenvolvimento deve também assumir-se como factor de Desenvolvimento.
A expressão mais viva de degradação da auto-estima está na exclusão de alguns do processo de Desenvolvimento, e o desemprego pode dar ideia da extensão social da exclusão.(...)"
(*) - Globalização. A Grande desilusão de Joseph E. Stiglitz. Edic. Terramar. 2004 (3º edc).
... para a Finlândia assumir a presidência da União Europeia. Será que não podíamos pedir-lhes para tratarem disto durante alguns anos. Se a UE recusar a proposta talvez possam tomar por conta aqui o pequeno rectangulo.
Texto de opinião de Guilherme Valente, Editor da Gradiva, hoje no Expresso. Cito: "(...) o "eduquês" falhou por ter sido mal aplicado pelos professores, por não ter sido suficientemente experimentado pelos ministérios, afirmam ou insinuam. Nada de mais falso. Quantas crianças mais será preciso sacrificar para travar a loucura? A verdade, óbvia e confirmada por trinta anos de resultados, é não ser possível o sucesso educativo sem varrer o "eduquês", isto é a ideologia da miséria, antimeritocrática, que encharcou a escola, hipocrisia igualitarista que, mediocrizando todos, sacrifica sobretudo os mais desfavorecidos, agravando as desigualdades; as pedagogias delirantes, que induziram e encorajam a indisciplina, formaram mal, diminuem e deautorizam os professores, desmotivando-os, frustando-os e... acusando-os agora despudoradamente.(...)"
Cavaco Silva falou outra vez dessa vergonha nacional que constituiu a mais desigual distribuição da riqueza da União Europeia. Exigiu que essa situação fosse corrigida e apelou à exigência de todos e à contribuição de todos com o seu exemplo no cumprimento das obrigações fiscais.
É bom escutar um Presidente da República a falar desta chaga nacional no dia de Portugal. Trata-se do momento mais apropriado para falar do maior problema do país: a insuportavelmente desigual distribuição da riqueza.
Cavaco tem certamente muitas responsabilidades no estado a que isto chegou. Todos os que passaram pelos diferentes Governos terão as suas, maiores ou menores. Mas revela vontade de alterar a situação. Tem pelo menos a coragem de falar do assunto. Não se fica pelo crescimento da economia. Mostra que é muito menos liberal nas suas convicções do que muita gente supostamente à sua esquerda. A começar pelo primeiro-ministro que nunca conjuga no seu discurso crescimento com a partilha mais equitativa da riqueza gerada, o que não pode deixar de nos surpreender já que se trata de um primeiro-ministro socialista.
Os comentários de Sócrates ao discurso de Cavaco não soam a sinceros. Parecem marcados por um indisfarcável cinismo. O que quererá dizer o primeiro-ministro quando refere que considera o discurso muito apropriado num momento em que 10 milhões de portugueses contribuem todos os dias para o progresso do país apesar do pessimismo de alguns? O que quererá isto dizer?
não nos estamos a esquecer de seleccionador nacional da 'equipa da federação'?
Posted by Duarte at 6/10/2006 05:18:00 da tarde«Ser Papa só pode ser, com toda a certeza, um dos trabalhos mais fáceis do mundo (logo após, provavelmente, o de Presidente da República Portuguesa).»
Rui Tavares
A não ser que consideremos que isso não é bem um 'trabalho'.
Depois de Goa e Moçambique é tempo de voltar à Patria.
Chega a Lisboa em 1570. Quer levar a bom porto a
publicação da sua maior obra: Os Lusíadas.
Vencidas as dificuldades, censurada a obra, os Lusíadas
são publicados em 1572. Uma tença de 15.000 réis anuais
é-lhe concedida por D. Sebastião. E assim, nunca livre de
dificuldades, vai-se mantendo até ao fim da vida, a 10 de
Junho de 1580.
(...)
PODEIS VOS EMBARCAR, QUE TENDES VENTO
E MAR TRANQUILO, PERA A PÁTRIA AMADA.
ASSIM LHE DISSE, E LOGO MOVIMENTO
FAZEM DA ILHA ALEGRE E NAMORADA.
LEVAM REFRESCO E NOBRE MANTIMENTO;
LEVAM A COMPANHIA DESEJADA
DAS NINFAS, QUE HÃO-DE TER ETERNAMENTE
POR MAIS TEMPO QUE O SOL O MUNDO AQUENTE.
ASSIM FORAM CORTANDO O MAR SERENO,
COM VENTO SEMPRE MANSO E NUNCA IRADO,
ATÉ QUE HOUVERAM VISTA DO TERRENO
EM QUE NASCERAM, SEMPRE DESEJADO.
ENTRARAM PELA FOZ DO TEJO AMENO,
E A SUA PÁTRIA E REI TEMIDO E AMADO
O PRÉMIO E GLÓRIA DÃO POR QUE MANDOU,
E COM TÍTULOS NOVOS SE ILUSTROU.
(...)
excerto de Canto X, Os Lusíadas de Luís de Camões.
Sócrates é hoje em dia uma quase unanimidade no PS. Está-se perante o primeiro-ministro mais corajoso da democracia afirmam os socialistas ainda incrédulos com esta evidência. Supostamente acham de si próprios que lhes faltava a coragem. Manifesta falta de memória colectiva e manifesta falta de respeito por dirigentes corajosos como Mãrio Soares que tomou medidas impopulares na década de oitenta que custaram eleitoralmente muito caro. Mas memória é coisa que não abunda. Se ela existisse seria possível recordar os tempos de António Guterres. Nessa altura para os socialistas Guterres era o primeiro-ministro mais inteligente e mais dialogante da democracia. Características que aliás agora ninguém imputa a Sócrates.
Mas da coragem de Sócrates já muitos de nós começamos a duvidar. Parece que estamos perante mais da mesma coragem do costume. Coragem para tomar as mesmas medidas de sempre em favor dos do costume. Vejamos a questão do crescimento. Sócrates fala de crescimento tout-court. E contenta-se com pouco. Contenta-se com 1% ou menos. Não é capaz de afirmar aos Portugueses que este crescimento é uma merda e que com ele estamos a empobrecer cada vez mais. Que precisamos de mudar e de crescer 3 ou 4 ou 5% ao ano durante muitos anos. Será porque não tem a solução para esse milagre? Talvez Sócrates esteja seguro de que nãqo sabe como tirar o país do buraco em que caiu. Assim opta por tomar medidas que, apesar do país, melhoram a vida de algumas famílias. As do costume, aquelas cujos interesses são habitualmente tratatados no jargão político como "de interesse nacional".
Baixar a repressão fiscal sobre as pequenas e médias empresas, reforçar o combate à evasão fiscal dos grandes grupos económicos, alterar a tributação da banca, diminuir o IVA para 17%, baixar a contribuição das empresas para a S Social indexando a contribuição ao produto e não ao posto de trabalho, reter as mais-valias urbanísticas, combater a corrupção, limitar drasticamente o endividamento municipal, emagrecer o Estado limitando ao mínimo - reduzir os gastos a 10% dos actuais em 5 anos - a Administração Indirecta do Estado e a Administração Local do Estado, etc são coisas que nunca lhe passam pela cabeça.
Por isso é que podemos afirmar que pese embora a opinião dos socialistas na verdade a coragem de Sócrates é aparente e esconde sobretudo uma falta de capacidade para fazer o país evoluir. Talvez se Sócrates fosse menos Sócrates e mais Zapatero as coisas fossem diferentes. Mas o PSOE é outro tipo de socialismo. Ou melhor é mais socialismo democrático e menos liberalismo puro e duro disfarçado com umas gotas de assistencialismo.
O PP de Paulo Portas -que lidera a facção parlamentar - é sabe-se muito pouco, ou nada, centrista e quase tudo da direita nacionalista pura e dura. Do humanismo democrata cristão falta-lhes tudo: Das atitudes xenófobas e securitárias relativamente às questões da imigração ou da segurança interna sobram-lhes predicados. Ontem ficaram isolados no parlamento quando defenderam que a idade penal dos jovens devia baixar para os 14 anos. Uma vergonha. Uma manifestação de uma posição política que é próxima das correntes ditatoriais e que tenta pela via legislativa transformar a democracia num Estado eminentemente repressivo. Uma porcaria.
A única coisa boa é sabermos que cabem quase todos num táxi.
O Público da passada terça-feira titulava em Manchete "Plano Turístico do Alqueva passa de 480 para 22 mil camas". Desta forma o jornal ajudava a descobrir a verdadeira vocação do Alqueva. Aquela que desde o primeiro dia muitos apontaram como a única vocação e o único interesse deste enorme investimento público. Como se sabe da água do Alqueva continuam os campos alentejanos e a sua(?) agricultura à espera.
O que é caricato são as declarações sucessivas do Ministro do Ambiente, Nunes Correia, que vem agora argumentar com a baixa densidade da proposta: menos de quatro habitantes por hectare. Este argumento da densidade é uma falácia e absurdo do ponto de vista técnico. Não é por aqui que se pode ou não justificar o Plano. Qual é a área envolvida nos cálculos do Ministro? Toda a área de intervenção do Alqueva? A àrea de cada um dos polos a que o ministro se refere? O que é uma densidade alta ou uma densidade baixa quando se verifica um aumento do número de camas de cerca de 20 vezes a previsão inicial?
A questão que está em causa é o facto de este colossal investimento público - o maior alguma vez feito no Alentejo - estar a ser utilizado para viabilizar, unicamente, proveitos privados. Os promotores turísticos de altíssima qualidade, na expressão do ministro, quem são? Que relação têm com a estrutura fundiária existente? Que mais-valias arrecadarão com a aprovação deste Plano e em consequência directa do gigantesco investimento público que, entenda-se, foi investimento pago integralmente pelos contribuintes? Estas questões não encontram resposta por parte do Ministro Nunes Correia. Naturalmente.
Crónica de Eduardo Prado Coelho, ontem no Público, sobre a proposta de avaliação dos professores feita pela Ministra da Educação.
Cito: “ (...) Digamos mais: é arrepiante a forma deliberada com que se está a massacrar um sistema que era fundamental para a recuperação do país em termos económicos. Há aqui uma dose de irresponsabilidade que chega a ser criminosa. E isto nada tem a ver com o facto de os professores, postos nas suas tamanquinhas, não quererem ser avaliados(...) Haverá ainda tempo para arrepiar caminho? Há. Mas é preciso repensar tudo de alto a baixo. Doutro modo, teremos ai de nós, um Partido Socialista, que desfaz malha a malha o ensino em Portugal. E um futuro totalmente comprometido. São capazes de pensar nisto dois ou três minutos?”
Manuel Pinho não teve dúvidas em mandar às urtigas a decisão da Autoridade da Concorrência que recomendava a proibição de compra das Autoestradas do Atlântico pela Brisa com base na concentração monopolista e na fraqgilização da concorrência em desfavor dos consumidores.
Manuel Pinho pretende defender os “interesses fundamentais da economia nacional” e resolveu ignorar aquilo que se pode ler no programa do Governo a que pertence: “é preciso evitar por meio de regras de transparência e incompatibilidade rigororosa, que as entidades reguladoras sejam capturadas pelos investidores regulados (...) Um mercado com mais concorrência e com uma regulação mais eficaz é condição para uma economia dinâmica e competitiva.”
O Governo a que Pinho pertence esqueceu-se de colocar uma nota de rodapé a esclarecer que tudo isto se aplica desde que não estejam em causa os interesses das sagradas famílias. Como a família Melo. O silêncio de Sócrates e do PS mostra que essa nota de rodapé existe nalgumas versões do programa.
Saliente-se o ternurento apoio do CDS-PP ao ministro Pinho. O PP defende a sua gente. Manuel Pinho, esforça-se por prejudicar os consumidores. Certamente pelas mesmas razões do PP.
Os 30 anos do poder local democrático estão a ser comemorados a coberto de uma enorme falácia. Explica-se - os nossos autarcas primam pela pedagogia - que acabou a fase da cobertura do país com infraestruturas e que se segue agora a fase da qualificação do desenvolvimento e da aposta no social. Disparate grosso que serve para enganar os parolos. Este discurso do "menos betão" já foi feito no final do 2º Quadro Comunitário de Apoio e foi o que se viu. Depois disso o menos betão virou "todo o betão possível" no 3º Quadro Comunitário de Apoio. Só acredita, na vontade de mudança, quem estiver um pouco desfasado da realidade ou pura e simplesmente for parvo. Os problemas do poder local trinta anos depois são de outra natureza e podem ser sintetizados em meia dúzia de palavras: Transparência demcrática e qualidade da democracia; Alteranância democrática;Caciquismo; Corrupção; Endividamento; Urbanismo; Políticas públicas de habitação; Desenvolvimento local.
Sem a limitação de mandatos já efectiva nas próximas eleições nada será alterado.

Feliz possa caminhar.
Feliz com abundantes nuvens negras possa caminhar.
Feliz com abundantes chuvas possa caminhar.
Feliz com abundantes plantas possa caminhar.
Feliz por uma senda de pólen possa caminhar.
Feliz possa caminhar.
Como aconteceu em dias distantes possa agora caminhar.
Que defronte de mim seja tudo belo.
Que atrás de mim seja tudo belo.
Que debaixo de mim seja tudo belo.
Que por cima de mim seja tudo belo.
Que derredor de mim seja tudo belo.
Belo belo acaba aqui.
Belo belo acaba aqui.
Oração dos Índios Navajos, América do Norte
Tradução de Herberto Helder
com a devida vénia ao JPH, e ao Glória Fácil, aqui fica feita a divulgação.
Artigo de opinião de Santana Castilho, professor universitário, hoje no Público sobre a proposta de revisão do Estatuto. Diz o colunista: "(...) Se vier a ser aprovado, este estatuto será a magna-carta de uma corrente doutrinária que, no Estado, se apossou da educação dos nossos filhos e a linguagem satírica apelidou de "eduquês". Note-se bem, o que pretendo exprimir: uma coisa é o contributo sério, fundamentado, que as Ciências da Educação têm dado à reflexão pedagógica e à produção de conhecimento e outra coisa são as diletâncias de aventureiros que, a coberto dessa epígrafe, têm escravizado os professores do terreno, idiotizando a juventude e ridicularizando a Escola.(...)"
Artigo de opinião de Beatriz Pacheco Pereira, professora do ensino secundário, sobre as responsabilidades do Ministério - que a Ministra actual desvaloriza escandalosamente - na degradação da situação do ensino. A ler obrigatoriamente. Infelizmente indisponível on-line salvo para assinantes.
A Ministra não faz contas ao facto de os professores que são deslocados para as escolas que lhes calham em sorteio - algumas a centenas de quilómetros de casa - tertem que suportar integralmente os custos com as deslocações e com o alojamento.
Que outro empregador pode dispor dos seus trabalhadores desta forma?
A Ministra lá aborda a questão financeira na sua entrevista ao Público. Diz ela que as despesas com educação duplicaram em dez anos e que no mesmo período o número de alunos diminuiu 0,2 por cento e o número de professores aumentou 1,2 por cento.
A Ministra não tira conclusões mas deixa a sugestão de que esta duplicação de custos se fez sobretudo à custa da massa salarial dos professores.
Seria bom que a Ministra divulgasse as razões deste aumento brutal da despesa com a Educação.
É que os únicos responsáveis com o aumento da despesa num qualquer ministério são os Ministros e o Primeiro-Ministro. Ora fazendo as contas - admitindo que o que a Ministra diz é verdade - constata-se que este surto despesista começou exactamente em 1996, estava acabadinho de eleger o governo socialista de António Guterres, que tinha como Ministro da Educação aquele que foi para mim o melhor desde o 25 de Abril, o engenheiro Marçal Grilo. Até 2001 o PS e os seus governos asseguraram a gestão da coisa pública. Segundo a Ministra foram 6 anos a engordar o monstro. Seguiram-se Durão Barroso, Santana Lopes e agora Sócrates que se presume não terá responsabilidades na coisa.
Seria interessante conhecer a composição da despesa e sobretudo qual a parte dessa despesa destinada pelos governos do PS a reforçarem a universalidade do acesso e a garantirem condições dignas às escolas. E igualmente a parte destinada a reforçar as verbas que são destinadas a encher os bolsos dos boys que entopem as inúteis e muitas vezes incompetentes estruturas regionais e tudo o que são lugares de nomeação política clara ou disfarçada. Refiro o meu total acordo à utilização do Napalm para erradicar as diversas comissões que realizam em contínuo estudos sobre o Sistema Educativo, sugerida por Maria Filomena Mónica.
A propósito alguém conhece um professor que neste período tenha visto os seus salários duplicarem?
A Ministra da Educação elegeu os professores como o alvo a abater. As suas iniciativas, que nalguns casos cheiram a provocação, devem ser lidas à luz da intencionalidade política. Não foram os professores que decidiram, no lugar da ministra, que na mesma semana em que ela declarasse que os professores não estavam nada preocupados com o sucesso escolar dos alunos deveria divulgar o novo esquema de avaliação dos professores que passaria a contar com a opinião dos pais dos alunos.
A Ministra sabia que o simples anúncio desta medida ia provocar todo o barulho que provocou e sabia igualmente que esta medida populista é susceptível de obter apoios na sociedade.
A Ministra tem uma mensagem redundante que não se cansa de repetir: Se existem problemas com o ensino em Portugal a culpa é dos professores, sobretudo dos professores do secundário.
PS - Não sou professor - tenho familiares que o são - e estou certo que existem responsabilidades, na situação actual do ensino, que são imputáveis aos professores e aos terríveis sindicatos que os (não!!!) representam. Mas a principal responsabilidade da situação do ensino é dos diferentes Governos e dos partidos que os suportam. Esta ministra é só um caso extremo de quem leva a sua responsabilidade na degradação do ensino a níveis ímpares.
Depois da quase unanimidade bota-abaixo sobre o livro e as declarações de Carrilho pode ser que se aproveite alguma coisa para o debate sobre as relações entre jornalistas e poder político e sobre as relações entre empresas de comunicação e os jornalistas e sobre todas as questões que concorrem para a deliberada confusão entre notícia e opinião que, infelizmente, enche as páginas de tantos jornais.
Por 157 euros, consegue-se um voo directo de ida e volta Lisboa - Paris pela Air France, sem escalas, a aterrar no Charles de Gaulle. E os 157 são o preço final, já com taxas e comissão de reserva incluídas. Isto numa reserva com quinze dias de antecedência.
Ao preço actual da gasolina, uma viagem de carro Sines - Lisboa (ida e volta) é capaz de ficar por cerca de 30 euros, ao qual temos de acrescentar cerca de 15 euros de portagens mais o desgaste do carro.
A continuar assim, está visto onde é que será chique fazer compras daqui a uns meses.
É descentrado.

A America de Kerouac, de Thoreau, de Dickinson, de Whitman
a America de Armstrong, de Sinatra, de Bennett e de Holiday
a America de The Rainmaker(1956), de The Misfits,
de Breakfast at Tiffany's, de Gone with the wind, de Quiet Man
a America de Mcqueen, Newman e Wayne,
de John Ford e de Howard Hawks,
a America de Moon River, New York, New York, de All the Way
a America da cultura Apache, do sonho de Luther King,
do Grand Canyon, da Route 66, dos grandes lagos,
dos grandes espaços e longínquos céus, a America do possível,
do glamour e da coragem.


é um hino tradicional e um "comovente a capella - por via das dúvidas, uma autêntica declaração de patriotismo" que encerra o novo disco de Neil Young, Living with War. Apesar de ter nascido no Canada, Neil Young vive nos Estados Unidos à acerca de 40 anos e sempre pautou a sua música com temas de intervenção, utilizando-a como meio para manifestar os seus ideais.
Este novo disco, gravado em Abril passado, foi extremamente mal recebido por alguns dos media norte-americanos tal como a Fox de Bush.
"Living with War é uma colecção de nove canções originais e um hino tradicional que, no fundo, recuperam a tradição das canções de protesto. (...) E como canções de protesto devem tanto à inspiração musical como aos noticiários (...). O tema choque é, obviamente, Let's Impeach the President, um apelo à demissão de George W. Bush, pelas mentiras que conduziram à guerra do Iraque, ou pelos escândalos das escutas na guerra contra o terrorismo.
O resto não anda muito longe deste mote - as referências ao discurso de mission accompliesh, quando Bush anunciou precipitadamente o fim da guerra no Iraque, os caixões que vão chegando cobertos por bandeiras, mas sem cobertura televisiva, a mediatização da guerra.
O ponto - insiste Neil Young nas entrevistas - é que a America está sem um líder que a conduza pelo seu grandioso e nobre destino. (...) Políticas à parte, estamos perante o maior exercício de Neil Young em década e meia".
a partir de um texto de João Morgado Fernandes - 6ª / DN/2Jun2006

Fotografia retirada do site bl-out.com
Um descampado e lá estão eles: os palcos. Os palcos, as tendas gigantes da logística, os WC colocados estrategicamente e, claro, os muitos pontos de venda de bebidas.
O deslumbre pelo aparato começa aí. Mesmo antes de chegar o dia, já o anunciar do evento cria o primeiro contacto com uma espécie de alienação. Chegados os dias do festival, para além da música, que, por vezes, fica em segundo plano, o mais importante é o estar entre muitos, entre milhares. O "banho de multidão" é uma expressão que se usa muito neste tipo de eventos. E se dizemos "banho" é porque o contacto com a multidão nos limpa de alguma forma. O sentido gregário é fortíssimo. E hoje mais do que nunca. Os homens têm percursos cada vez mais individualizados, solitários, cuja comunicação é muitas vezes uma ilusão. Precisamos de ver, de passear por entre a diversidade. Precisamos de pertencer a essa diversidade, a essa multiplicidade. Precisamos de existir, mesmo que a multidão não nos conheça, só o conseguimos perante os outros, no olhar dos outros. Mas os milhares de rostos que atravessam o nosso olhar nesses dias, impedem que nos concentremos apenas na música. Mesmo que seja efémero e ilusório, os festivais criam, de certa forma, um sentido de pertença. Agora e no futuro...
- Sudoeste de 2001 diz-te alguma coisa?
- Então não me diz, foi lá que conheci o Micha e a Peggy e fiz a minha primeira tatuagem.
- Aquilo é que era curtir!
Em Portugal, Verão rima com Festivalão. Foram mais do que quarenta, sim quarenta, os que contei num DN da semana passada: há festivais para todos os gostos e em simultâneo, já que o Verão é pouco tempo para tanta música. Como dizia, desde o Jazz, ao Rock, passando pela música clássica, a World Music e mais todo o tipo de Music que se possa imaginar, o Verão é nosso! Preparem-se as mochilas e as carteiras que a festa vai começar e este ano com os espectáculos de futebol até vai começar mais cedo! Para muitos a ida aos festivais é o modo de vida no Verão.
Pelo menos duas razões têm que estar na base do excesso de festivais: isto dá dinheiro e os portugueses ( e os estrangeiros) gostam das coisas que os alienem. No Verão tornam-se os peregrinos de palcos. Tanta gente numa só direcção têm que estar em sintonia e a prestar um culto qualquer. Prestam culto a quê?
Está toda a gente no mesmo barco. Até já há apoios financeiros à realização de festivais lançado pelo Ministério da Cultura / Instituto do Cinema e Audiovisuais e Multimédia de acordo com a portaria 499/2004. Aposta-se em todas as frentes: o Estado, as instituições de crédito, as grandes marcas...
Porquê "festivais"? Confesso que tenho uma certa resistência à palavra. Eu que até gosto de música.
Portugal ao que parece tinha uma vasta colecção de aviões F16 - cuja utilidade desconheço de todo em todo - encaixotados e, pode dizer-se, prontos a montar. Por razões que não vêm agora ao caso o Portugal que os comprou nunca decidiu montá-los, aos aviões. Assim ficaram, num estado pré-operacional, dentro dos caixotes.
Esta revelação não provocou qualquer abalo na nossa sociedade, agora que estamos entretidos a dar fim ao último stock de bandeiras pátrias fabricadas na China. Supostamente será normal comprar aviões de combate e depois guardá-los com muito cuidado não lhes vá acontecer alguma coisa.
Este Governo decidiu vender os F16, que nunca saíram dos caixotes, mas ao que parece os ditos cujos irão ser, previamente, objecto de um upgrade. Mais um extraordinário conjunto de caixotes que irão potenciar o já de si notável conjunto existente.
A Guerra do Solnado era muito mais barata e muito mais divertida e ,parece agora, muito mais séria do que esta guerra dos nossos militares e governantes.
quem o notícia é o Público, que revela estar trinta por cento da frota da PJ parada. Uma PJ assim, com todas as dificuldades que lhe são colocadas, pouco mais pode do que perseguir alguns poucos, e irrelevantes, criminosos deixando todos os outros escaparem incólumes. Particularmente no caso dos crimes de corrupção é um fartar vilanagem.
Em risco verdadeiramente neste país só aqueles que ousaram denunciar algo que estava mal e não recorreram à tão portuguesa denúncia anónima. Esses, como Saldanha Sanchez escrevia umas semanas atrás, ficam automaticamente com a justiça à perna.
Saiu ontem o livro de Paulo Morais, ex-vereador do PSD na câmara do Porto, com o título em epígrafe.
Não li ainda o livro, naturalmente, mas pelo que escutei e li das declarações do Dr. Paulo Morais, no período que antecedeu as últimas eleições, devo subscrever a generalidade das propostas.
Sou dos que, tendo tido uma experiência práctica de 8 anos -sem poder executivo, o vulgo vereador da oposição, uma aberração que alguns querem manter - como eleito num orgão autárquico -Câmara Municipal de Sines - não tenho dúvidas: a maior corrupção que assola o país é criada ao nível autárquico e aí gerida em proveito de alguns e para empobrecimento geral de todos.
Um livro que merecerá uma urgente revisita.

