... a de António Capucho, Presidente da Câmara de Cascais, que em função de uma petição assinada por cerca de 1700 cidadãos resolveu suspender um projecto que até aì defendera. Tratava-se de construir uma torre na marina,susceptível, segundo os autores da petição,de alterar a imagem da Baía de Cascais.
O que interessa aqui salientar é a atitude nobre do presidente da Autarquia, o social-democrata António Capucho, que teve a petição em consideração. A democracia necessita deste tipo de comportamentos dos protagonistas políticos que estimulam a cidadania em vez de a reprimirem. (pode ler a notícia detalhada no Local do Público).
"Um dos legados mais importantes na questão do Mercado Municipal é que foi desmitificada a teoria que actualmente, em Sines, era impossível a mobilização popular em torno de uma causa.
Ter-se-á aberto aqui uma porta?
Será que a mobilização foi espontânea e movida pelo interesse colectivo e/ou conjunto de interesses individuais que se conjugam?
Ou a sociedade civil está sensibilizada e activa para a defesa dos interesses colectivos?
Os próximos tempos dirão onde está a mobilização da sociedade civil em torno do encerramento do serviço de urgências, da poluição, etc.
Outra herança é a responsabilidade que doravante a Oposição tem de antecipar e apresentar propostas para as grandes questões da cidade, e não permitir voltar a ser surpreendida. Aguardo com curiosidade as propostas que a oposição tem para o estádio Municipal e o Parque Campismo, ou teremos que esperar pela iniciativa da CDU e consequente reacção da Oposição."
António Braz
Joseph Stiglitz, o Nobel da Economia de 2001, falou sobre o acordo de comércio, dito, livre. Fala quem sabe e quem não alinha no embuste da globalização que nos tem sido servido. Os pobres cada vez mais pobres. Os ricos cada vez mais ricos. Os Países poderosos cada vezes nais poderosos, Os países em vias de desenvolvimento cada vez mais dependentes dos mais poderosos.
Mercado Municipal: Reunião da Assembleia Municipal(actualizado)
Posted by JCG at 11/28/2006 11:54:00 da tardeA reunião da Assenbleia Municipal de Sines que deveria discutir, esta noite, a proposta da Câmara de demolir o actual Mercado Municipal sofreu uma súbita e inesperada alteração de última hora. A Câmara informou o Presidente da Assembleia no ínicio da sessão de que retirava a questão da Ordem de Trabalhos.
Esta situação provocou descontentamento entre os presentes, sobretudo pessoas que ali estavam para demonstrar a sua oposição ao projecto do Presidente da Câmara e surpreendeu o próprio presidente da Assembleia.
Os pequenos comerciantes da zona envolvente do Mercado tinham para apresentar um abaixo assinado contra a demolição com mais de duas centenas de assinaturas e um grupo de cidadãos - 180 até à hora de ínicio da Assembleia - subscreveu uma petição a ser lida na Assembleia em que se apelava aos deputados para não aprovarem a proposta da Câmara.
Este assunto tornou-se nos últimos dias a questão central discutida na Cidade. Manifestamente o Presidente da Autarquia não contava com uma tão unânime oposição, com excepção dos fiéis de sempre e dos dependentes da autarquia. (A propósito desta questão dos dependentes é chocante -aqui e em qualquer lugar - ver deputados municipais que são funcionários autárquicos e cujo agradecimento ao presidente se manifesta na sistemática fidelidade.Não se pode mudar a lei que permite esta compra dos deputados municipais?)
Na CDU os últimos dias foram pesados. Francisco Pacheco manteve a sua oposição ao projecto e o seu discurso do dia do município deu testemunho de uma posição irredutível. Sucederam-se as reuniões para reduzir os estragos provocados pela posição do Presidente da A.M. mas a unanimidade estava quebrada, existindo pelo menos um deputado da CDU alinhado com o Presidente. Este facto, aliado a uma unidade de toda a oposição - apesar das pressões directas do Presidente da Autarquia sobre o presidente da Junta de Porto-Côvo eleito pelo PS que terá titubeado numa determinada fase - estarão na origem desta súbita alteração da agenda. A CDU ia perder a votação na Assembleia Municipal e provocar uma crise interna com a fractura a incluir Francisco Pacheco. Uma ironia deste caso é que Francisco Pacheco foi, em parte, um dos maiores responsáveis pela eleição de Manuel Coelho.
Outra explicação, que não me convence, é a de que Manuel Coelho decidiu pura e simplesmente abdicar desta proposta depois de tomar consciência de que, com esta insensata opção, abriu uma tampa que não consegue voltar a tapar. O descontentamento na Cidade centra-se na sua atitude e manifesta-se contra ela. Os estragos são visíveis.
Julgo que o futuro próximo irá provocar alterações na CDU local com a provável saída de Francisco Pacheco da liderança da Assembleia Municipal( e do partido?) e com a reconstrução da unidade perdida no grupo parlamentar para depois permitir voltar à carga. Entretanto haverá tempo para dividir as oposições começando com os comerciantes do Mercado.
Mas, aconteça o que acontecer, a convicção que cresce é a de que Manuel Coelho quando, proximamente, deixar de ser Presidente da Câmara de Sines não poderá ostentar na sua lapela a demolição do Mercado. O Mercado de Sines irá sobreviver-lhe e uma certa ideia de Sines que manifestamente o horroriza. O Mercado de Sines não é uma treta. É nosso. É o nosso Mercado Municipal.
PS - sem a tão evidente mobilização de alguns sectores da população contra esta medida as coisas teriam corrido doutra forma. Este processo vem mais uma vez confirmar, se necessário fosse, que não é possível anestesiar completamente uma população, controlando-a ao pormenor. Há sempre um momento em que as pessoas resolvem pensar pelas suas próprias cabeças. O drama dos ditadores é que não são capazes de prever com rigor esse momento.

Num terreiro situado em pleno centro de uma das mais dinâmicas cidades europeias, realiza-se a todos os domingos e terças um mercado de rua altamente concorrido. Por entre as várias bancas, pode encontra-se roupa, queijos e outros produtos lácteos, flores, vegetais, fruta fresca e seca, peixe, marisco, carne, discos em segunda mão e variadíssimos outros produtos. Não, não é uma "feira" nem um "mercado" de contrafacção ao estilo português. É um verdadeiro mercado, a funcionar entre torres que albergam colossos da banca europeia, habitação de luxo e as principais artérias comerciais da cidade.
Este não é um caso virgem. Na Europa dita civilizada - na qual até se pode incluir as latinas Itália e Espanha, e não os suspeitos do costume do centro e do norte do continente -, é comum ver-se este tipo de coisas, julgadas com sobranceria e como apenas mais uma oportunidade fotográfica para o cosmopolita tuga. Felizmente, já estamos noutro patamar de progresso e não nos preocupamos com este costumes medievais que os nossos labregos compinchas europeus insistem em manter. Venham os centros comerciais! Afinal, somos ou não somos a "Singapura da Europa"?
... a reunião da Assembleia Municipal que irá decidir o futuro do Mercado Municipal. De um lado a decisão, tomada por maioria, do executivo municipal de demolir este equipamento público e do outro a posição que os deputados irão tomar face a esta questão. Existe alguma esperança, entre a população, de que os deputados da CDU mais identificados com a Cidade, e que se orgulham desta obra realizada por uma gestão CDU, possam contribuir para inviabilizar esta proposta catastrófica para a Cidade e para o pequeno comércio, não só o pequeno comércio dos comerciantes do Mercado. Temos que dizer que muitas dessas esperanças se apoiam nas corajosas posições públicas tomadas pelo Presidente da Assembleia Municipal, Francisco do Ó Pacheco, que manifesta dúvidas e exige informação e transparência em todo este processo. Acredita-se que o seu exemplo contagie alguns deputados da CDU.
Mas também se espera que os cidadãos possam participar já que o assunto é do maior interesse para todos. Como se espera que toda a gente participe com a sua presença nesta importante reunião da Assembleia Municipal.
Um grupo de cidadãos irá entregar uma petição que visa sensibilizar os deputados -todos os deputados - para aquilo que lhes parece ser o sentimento geral da população e o interesse da Cidade. Está a decorrer uma recolha de assinaturas, uma inicativa dos pequenos comerciantes que pensam ao contrário do Presidente da Autarquia, que irão ser entregues na Assembleia.

com a música de Tony Bennett que aos 80 anos nos continua a deslumbrar... alguns sucessos para ouvir até ao fim ... good night baby

com música... entre no site de Madeleine Peyroux (media) e escolha a música, sugiro the summer wind de Half the Perfect World
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A Assembleia Municipal de Sines reune no próximo dia 28 de Novembro para, entre outras coisas, votar a proposta da Câmara de demolir o Mercado e tudo aquilo que já se sabe.
A ordem de trabalhos desta Assembleia Municipal é a seguinte:
Edital Nº16 /06
CONVOCATÓRIA
Francisco Maria Pereira do Ó Pacheco, Presidente da Assembleia Municipal de Sines:
2.1. –-Apreciação e votação sobre a oneração do Lote 122 da Zona Industrial Ligeira II, com direito de superfície a favor da referida Associação, pelo prazo de 30 anos.
Ponto 4 – Apreciação e votação do Plano de Pormenor da zona de Expansão Sul-Nascente da Cidade de Sines.
Ponto 5 – Apreciação e votação da proposta da Câmara Municipal de Sines de constituição de direito de superfície a título gratuito, de um lote de terreno destinado a equipamento social de apoio à infância, a constituir a favor da Caritas Paroquial de Sines.
Ponto 6 – Apreciação e votação das “Minutas de contratos de prestação de serviços por ajuste directo para recolha, tratamento e valorização de resíduos recicláveis e para recepção, transporte e deposição em aterro de RSU (Resíduos Sólidos Urbanos).
Ponto 7 – Apreciação e votação da tabela de tarifas de viaturas.
Nos termos da Lei e do Regimento, todas as sessões são públicas, pelo que todos os munícipes interessados poderão assistir aos trabalhos.
Sines, 16 de Novembro de 2006. O Presidente da Assembleia
Francisco Maria Pereira do Ó Pacheco

morreu o homem o poeta , o homem pintor
fica o poeta, o pintor
os poetas não morrem
extinguem-se com o último homem, na própria terra
you are welcome to elsinore
Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício
Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar
-Mário Cesariny -
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No final desta semana a opinião pública foi abalada com a revelação de que a Câmara de Lisboa tinha aprovado um loteamento num terreno onde supostamente irá passar o TGV. As consequência deste acto de gestão urbanística são, caso o TGV avance e passe nesses terrenos, o pagamento de uma avultada indemnização proporcional ao índice de edificabilidade atribuído aos terrenos.
Esta iniciativa reprovável da autarquia lisboeta não é caso virgem no País e dá conta de uma falta de solidariedade entre o poder local e o poder central. Mostra igualmente como as autarquias estão dependentes das receitas do imobiliário e das receitas provenientes das taxas associadas à emissão de alvarás de loteamento. E como esse facto contribui para a degradação da gestão urbanística e para a práctica de actos, pelo menos, discutíveis.
Mas, mostra ainda como a lógica dos direitos adquiridos é uma artimanha jurídica que contribui para a degradação do Ordenamento do Território e permite organizar a transferência de meios públicos para mãos privadas.
As reacções dos partidos foram em geral inconsequentes com excepção do Bloco de Esquerda que remeteu o assunto para o Ministério Público. Não é que daí venha grande coisa a julgar pela experiência práctica em assuntos da mesma natureza. Incompreensível foi a reacção de Miguel Coelho do PS que pediu a retirada do pelouro à vereadora do urbanismo, pretensa autora da coisa. Será que Miguel Coelho não reparou que a aprovação só foi possível com o voto de qualidade de Carmona Rodrigues? Outro argumento igualmente espatafúrdio a que recorreu foi de "que a Câmara perde legitimidade moral para pedir financiamento para um projecto seu (a revitalização da Baixa-Chiado ) quando tomou uma decisão que vai encarecer um projecto do Governo". Mas que raio de argumento é este? É esta a questão que está em jogo?
Porque não concentra Miguel Coelho a sua energia na elaboração de uma proposta ao Governo para que reveja o Código das Expropriações na parte em que faz depender as expropriações por utilidade pública do pagamento de uma indemnização que tem em conta a valorização dos terrenos resultado de decisões da Administração e para rever de uma vez por todas a questão dos direitos adquiridos sobretudo quando eles resultam de decisões da Administração Pública lesivas da regulamentaçãoi urbanística existente?

gente de quem se gosta, gente a quem se ama
gente que fez e faz a diferença
gente que nos diz ideias que fazem crescer e ver
palavras que nos desenharam, lá de trás, de longe
1. Não te ataques com os atacadores dos outros.
Deixa a cada sapato a sua marcha e a sua direcção.
O mesmo deves fazer com os açaimos.
E com os botões.
(...)
5. Tudo tem os seus trâmites, meu filho!
Não faças brincos de cerejas
sem te darem, primeiro, as orelhas.
Era bom que esta fosse, de facto, a tua filosofia.
- Alexandre O'Neil -
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Lido no Globo Online - Blog (repórter Miguel Conde) :
"Os autores da Língua Geral, editora de literatura lusófona lançada no mês passado, circulam pelo Centro de Convenções aqui de Ouro Preto como uma turma de colegiais em excursão: barulhentos, caóticos, animados. Há pouco, o angolano José Eduardo Agualusa dançava com a portuguesa Patrícia Reis no saguão ao lado da sala de imprensa.
Agualusa deu uma coletiva aqui no Fórum, acompanhado por três dos autores que assinam livros no primeiro lote de obras lançadas pela editora: a mineira Christiane Tassis (“Sobre a neblina”), o moçambicano Nelson Saúte (“‘O homem que não podia olhar para trás”). (...)
Disse também que o mercado editorial brasileiro é um dos poucos no mundo que está em expansão. “O mercado português não nos interessa muito, já está saturado”. Lamentou que até hoje não se tenha chegado a um acordo para unificar as grafias dos países de língua portuguesa: "O acordo ortográfico não foi aplicado e isso é mau. Ele não foi aplicado pela teimosia de intelectuais portugueses, que ainda pensam serem donos da língua portuguesa. Temos que tomar uma decisão. É tempo de Angola dizer 'vamos usar a grafia brasileira'".
Mais tarde, na palestra, Saúte levou a idéia adiante. Defendeu que se mude o nome da língua portuguesa: "Porque ela é dos portugueses, mas também é muito nossa".

Revisitar os que nos marcaram e transformaram um tempo e certamente o futuro.
Ouvir as ideias, as palavras, a música , independentemente de onde estejamos, não os deixar morrer, neste país tantas vezes ingrato.
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O Grupo de Acção e Intervenção Ambiental promove amanhã em Portugal o Dia Sem Compras. Normalmente, acontece uma vez por ano e coincide com a época tradicional de compras na maioria dos países ocidentais.
A ideia base desta acção é a de alertar para o excessivo consumismo e lembrar que o melhor dia que se pode ter é passado junto da família ou dos amigos, longe dos centros comerciais.
René Martin acusa Mega Ferreira de lhe roubar a sua propriedade intelectual. Isto a propósito do anúncio, pelo director do CCB, de que a Festa da Música terminou seguindo-se os Dias da Música. René acusa Mega Ferreira de copiar para este novo Festival o modelo que criou para as "Folle Journée" de Nantes. Mega responde que René não é dono do conceito nem dos artistas.
Isto promete e talvez seja mais fácil calar a ministra do que o criador da Festa da Música.
Mas quanto a violação do direito de autor e utilização de ideias alheias à margem dos próprios - que a existir neste caso será certamente provado, já que o criador francês avançou para justiça - está este País cheio de péssimos exemplos. Há muita gente que nunca vê o seu trabalho reconhecido e que assiste, mesmo, à apropriação daquilo que foi mérito seu por espertezas alheias.
esta deputada do PCP tem tido um comportamento destacado na bancada comunista da Assembleia da República. Juntamente com Honório Novo compensam a falta de chama e de capacidade de intervenção que ataca o, velho, apetece-me dizer, líder Parlamentar, Bernardino Kim Il Sung Soares.
Nas questões da Educação tem sido a voz dos comunistas e fala de uma forma que encontrará eco muito para lá das paredes de vidro do partido.
Jerónimo de Sousa quer substituí-la. Para renovar a bancada. Não se sabe porque não substituí um dos que ninguém escutou alguma vez sobre fosse que assunto fosse? Afinal o mérito vale ou não na actividade política? Que critérios são utilizados para decisões desta natureza? Os eleitores de Santarém, que elegeram Luísa Mesquita, gostam da ideia de Jerónimo de Sousa ou preferem que a deputada continue a fazer o que tem feito no Parlamento?
O PCP faz uma avaliação positiva do trabalho da deputada. Mas quer substituí-la na mesma. Talvez porque o trabalho seja excessivamente positivo para os padrões comunistas. Aplaudo, por tudo isto, a decisão da deputada de resistir à decisão que carece de qualquer fundamento razoável, pelo que se conhece. O primeiro compromisso de um deputado é com o povo que o elegeu. Em segundo lugar com o partido. Ora Luísa Mesquita em todas as votações respeitou, tanto quanto se sabe, as posições do PCP. Substituída porquê?
O anúncio do fim da Festa da Música no CCB por parte do seu nóvel Presidente não constituiu uma grande surpresa. Mesmo depois de Mega Ferreira ter prometido a continuação do evento à data da decisão da Câmara de Lisboa de o apoiar. Os cortes na Cultura e no Ensino Superior marcam o Orçamento para o próximo ano. O que provocou alguma agitação foi o desacordo entre António Mega Ferreira e a ministra. Ele disse que tinha menos dinheiro. Ela explicou que o dinheiro era, pelo menos, o mesmo, face à saída do Centro de Exposições cujo défice deixava de existir. Ele comentou que as contas dela eram uma trapalhada, que não dava para entender e lá esclareceu porque razão elas estavam erradas. E de contas sabe Mega Ferreira como ninguém.
Desacordos entre Ministros e funcionários políticos - embora de alto coturno - acabavam outrora em demissão. Mas neste caso o nível do funcionário e da Ministra, isto é o poder político de cada um, anda muito equilibrado. O funcionário é quase um ministro, e a ministra é quase uma funcionária.
As declarações da Ministra da Educação e de José Sócrates sobre a aprovação do estatuto da carreira docente pareceram-me horríveis. Lembrou-me o pior que a direita costumava fazer, nos tempos de maioria absoluta da AD.
A ministra, com aquele ar beato que Deus lhe deu, repetiu que acredita que o Estatuto será aceite pelos professores ao contrário dos sindicatos. Se isto é discurso de um governo socialista, então pode vir um governo de direita que não faz qualquer diferença.
Sócrates, numa breve intervenção, chamou a atenção para a importância que o Estatuto tinha para as famílias. A palavra "famílias" foi repetida meia dúzia de vezes, numa curta declaração de menos de trinta segundos.
E ainda há quem ache que este é um governo de esquerda e que a diabolização dos sindicatos não existe.
Da obra citada no post anterior, "Globalização. A Grande desiluzão" de Joseph Stiglitz, cito o seguinte troço: "(...) Uma das componentes do contrato social é a "justiça": os pobres devem participar nos ganhos quando a sociedade prospera; e os ricos devem participar nos sofrimentos em períodos de crise. As políticas do Consenso de Washington prestaram pouca atenção às questões da distribuição ou da "justiça". Se os pressionassem, muitos dos seus proponentes argumentariam que a melhor maneira de ajudar os pobres é fazer crescer a economia. Eles acreditam na economia " de conta -gotas". A seu tempo, os benefícios desse crescimento chegarão aos pobres, afirmam eles. A economia "de conta-gotas"nunca foi muito mais do que uma convicção, uma questão de fé. Na Inglaterra do século XIX, a pobreza parecia aumentar, enquanto o país no seu conjunto prosperava. O crescimento da América dos anos 80 proporciona o exemplo mais recente mais dramático: enquanto a economia crescia, o rendimento real dos mais desfavorecidos diminuía.(...)"
Esta ideia dos cada vez mais ricos, muito bonzinhos. que lá vão redistribuir qualquer coisinha, lembra-lhe algo que se tenha passado ultimamente neste país tão desigual?
Uma das principais razões, senão a principal, para que a Globalização se tenha constituído na grande desilusão em que tornou, foi a adopção de um conjunto de regras impostas pelas três principais instituições que comandam a globalização: O FMI, o Banco Mundial e a Organização Mundial de Comércio. O "Consenso de Washington", segundo o Nobel da Economia de 2001, Joseph Stiglitz, ex-vice-presidente do Banco Mundial e ex-acessor económico do Presidente Bill Clinton, resultou da transformação do FMI que trocou as suas orientações keynesianas, que realçava as insuficiências dos mercados e o papel do Estado na criação de emprego, por uma postura de hino ao mercado livre. O Consenso foi celebrado entre o FMI, o Banco Mundial e o Tesouro dos Estados Unidos "acerca das políticas "certas" para os países em desenvolvimento - que assinalou uma abordagem radicalmente diferente do desenvolvimento e da estabilização económica".
O Pacto de Estabilidade e Convergência, não sendo a mesma coisa, é fruto desta ortodoxia que promove a adopção de políticas restritivas com o objectivo de reduzir o défice, recorrendo ao aumento dos impostos ou das taxas de juro para provocar a contracção da economia.
Ainda segundo Stiglitz "Para muita gente, o resultado foi a pobreza e, para muitos países, o caos político e social.(...) Os programas de ajustamento estrutural não trouxeram o crescimento sustentado(...) em muitos países, o excesso de austeridade sufocou o crescimento" ou ainda " O resultado liquído das políticas definidas pelo Consenso de Washington beneficiou frequentemente poucos à custa de muitos, os ricos à custa dos pobres. Em muitos casos, os interesses e os valores comerciais sobrepuseram-se às preocupações ambientais, à democracia, aos direitos humanos e à justiça social."
Agora aparece uma variante ao Consenso, defendida pelo Brasil, conhecido como "Consenso de Brasília", que pretende introduzir uma função redistributiva baseada em investimentos em programas sociais. O desenvolvimento ficaria assim assegurado não só pela existência de finanças públicas sólidas mas também com os tais investimentos sociais.
Mas, sejamos claros, este modelo é proposto pelo Brasil e não foi adoptado internacionalemte. O dominante internacionalmente é o do Consenso de Washington. Aquilo que se passa na generalidade dos países europeus e em Portugal bebe apenas, e só, nas lógicas do "Consenso de Washington".
Recebemos de um leitor a informação de que o acesso foi alterado. O novo acesso é o seguinte: http://www.fmm.com.pt/sineense/sineense.htm . A notícia sobre o Mercado está aqui.
O link que fizemos neste post sobre o Mercado Municipal não está a funcionar desde o fim do dia de ontem. Pensámos que se tratava de uma questão passageira. Uma dificuldade técnica. Mas não. Hoje o que passou a estar indisponível foi pura e simplesmente a versão online do Sineense. Podem experimentar em http://www.mun-sines.pt/noticias/sineense.htm. Aparece invariavelmente a mensagem de que "The page you are looking for might have been removed, had its name changed, or is temporarily unavailable." Quando souberem da nova disponibilidade da página digam qualquer coisinha.

Até ao final do ano saberemos quais os caminhos prováveis para o futuro do Iraque. O futuro não será pacífico. Antes e depois do Erro que foi o da invasão do Iraque a 20 de Março de 2003, nenhuma mudança será pacífica. No entanto, é no futuro do Iraque que se desenham os caminhos para a causa palestiniana e para a futura coabitação entre o Médio Oriente e o Ocidente e entre os sinais religiosos que se espalham por todo o mundo.
James Baker dirige o grupo de estudos que neste momento se ocupa da difícil tarefa de trazer luz para o futuro dos iraquianos e, de certa forma, safar a cara de Bush Junior. Este homem que intervem na política norte americana desde 1975 com Gerard Ford até 1992 com Bush pai e que já foi enviado das Nações Unidas no conflito do Saara Ocidental entre Marrocos e a Frente Polisário, tem agora que se desfazer em contactos e definir várias vias para que as diferentes facções iraquianas partilhem o mesmo território, salvaguardando, é claro, os interesses americanos na região. Trabalho de Hércules o da equipa do Sr. Baker! Só por curiosidade, o último livro de James Baker, publicado receentemente nos Estados Unidos, intitula-se "Work hard, Study and Stay out of Politics" em português: Trabalhem muito, estudem e deixem-se de política. Curioso título para o autor, mas ele lá sabe.
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Saiu mais um número do Sineense, o jornal do município de Sines cujo director é o seu Presidente. Este número aborda o assunto da requalificação do mercado. A fotografia publicada dá uma imagem desoladora da zona das bancas do peixe. Parece um barracão velho e abandonado no qual já só falta retirar as últimas máquinas ou equipamentos. Pode ver aqui. Na edição impressa, por puro azar (não se riam, por favor), a fotografia está queimada e amarelada o que acentua este ar já de si bastante decrépito.
A notícia publicada nesta edição não fala da reunião da Assembleia Muncipal que se realizou no passado dia 16 de Novembro. Sendo esta edição dedicada aos meses de Outubro e Novembro porque razão omitirá ela a referida reunião da Assembleia Muncipal? Estaremos perante uma acção de censura da CDU à CDU, já que a maioria na Assembleia é liderada pela mesma força política? Quando assim é, e a realidade diz-nos que é isso que está a acontecer, o que acontecerá à oposição ou à sociedade civil?
A notícia em questão ajuda-nos a responder. Escreve-se no Sineense que "em reunião realizada dia 24 de Outubro, a Câmara Municipal de Sines informou os concessionários do mercado das transformações previstas e ouviu e registou as suas observações e propostas no sentido de melhorar o projecto, conjungando o interesse de todos".
O facto de os comerciantes terem reagido muito mal à proposta do Presidente da Autarquia e de a reunião ter sido tudo menos pacífica é completamente omitida e deturpada. A oposição dos comerciantes ficou expressa na reunião da Assembleia Municipal com a sua participação e com alguns excessos verbais.
No Sineense só fala o Presidente. É ele que opina sobre o mercado. As posições das outras forças políticas, incluindo aqueles que na CDU se opõem ao projecto, ou que não se consideram esclarecidos, como acontece com o Presidente da Assembleia Municipal, são completamente silenciadas. Estamos perante um orgão de propaganda unipessoal.
O Sineense devia ser pago com o dinheiro do Presidente e não, como acontece agora, com o dinheiro de todos os contribuintes.


dos finais de tarde de Verão e das noites de Inverno no mundo dos Cinco? Aquele grupo imbatível que desvenda todos os mistérios com perícia, inteligência, espírito de aventura e amizade. A primeira capa é a da 1ª edição portuguesa dos anos 60 e a 2ª a dos anos 70 e 80. Tudo isto e muito mais está guardado num baú muito simpático: mistério juvenil Espreitem!
Dias há que é bom lembrar de onde viemos e as coisas que nos ajudaram a encaixar o mundo. E já agora, o que andam vocês a fazer? Esse é agora um mistério para mim!
A candiata presidencial do PS francês é Segoléne Royal. Segundo a generalidade da imprensa e dos analistas políticos trata-se da candidata mais à direita no conjunto dos pré-candidatos socialistas. Em muitas áreas pode mesmo concorrer em conservadorismo com o candidato Sarkozy.
Foi no entanto escolhida pela maioria dos militantes socialistas que tinham diferentes opções e a escolheram a ela. Esta situação recorrente permite questionar se a orientação não socialista dos PS´s europeus é uma viragem imposta por líderes tipo Sególene ou se resulta da pura e simples natureza não socialista da generalidade dos seus militantes.
Acusam a senhora de ter feito uma plástica - o resultado é bastante agradável, graças ao cirurgião - mas o que parece que ela se propõe fazer é uma plástica ao socialismo democrático à francesa: uma plástica liberal ao sabor dos ventos dominantes. Para alguns, muitos, não vem daí mal ao mundo desde que a senhora ganhe. Os fins justificam os meios.
Adenda: O nome parece-me agradável por força do Royal. Lembra-me um pudim que comi à bruta quando era pequeno. De preparação muito simples, bastava juntar o pó a um pouco de leite e açucar, para depois juntar a mistura ao leite a ferver. Depois de mexer bem, podia servir-se e comer-se. Era um pudim consensual. Toda a gente cantava - e concordava - " O Boca-Doce é bom, é bom, é, diz a mamã e diz o bebé."
Santana Lopes, no seu famoso "Percepções e Realidades", escreveu que Durão Barroso se tornou um dos portugueses mais influentes no mundo depois de D.João II. Extraordinário.
Vasco Pulido Valente, no Público de sábado, comenta certeiro: "Só uma criança escreveria isto".
A generalidade da imprensa tem atacado como nunca Marques Mendes nos últimos dias. A razão próxima não foi desta vez uma das habituais opções de mérito duvidoso que o líder do PSD tenha tomado do estilo "repúdio pela lei das Finanças Regionais" ou "apoio ao querido camarada Alberto J.J." . A razão foi a entrevista de Cavaco Silva e a sua manifesta colagem ao Governo do engenheiro.
A inevitabilidade da excelente relação entre o Presidente da Rrepública e o primeiro-ministro resulta do facto muito simples de o entendimento político entre eles ser bastante profundo. As opções do PS nas Presidenciais e o fraco desempenho de Sócrates e do partido no apoio a Soares davam testemunho dessa convergência. A Sócrates a derrota nas Presidenciais soube-lhe a uma saborosa vitória. Ambos estão de acordo com o essencial das políticas que têm sido concretizadas. O socialista Sócrates e o social-democrata Cavaco estão de acordo com o essencial que já foi feito e assim continuarão no futuro a menos que o Governo tivesse alguma deriva esquerdista.
Desta vez Marques Mendes é o menos responsável. O centrão político que governa o País dispensa o PSD para prosseguir as políticas que interessam à direita. A Marques Mendes resta-lhe esperar por outros tempos quando a contestação popular subir de tom e o número de descontentes aumentar. Esse tempo chegará. É do domínio da inevitabilidade. Não se sabe é se Marques Mendes aguentará até esse momento.
Adenda: O ataque que o Ministro Santos Silva fez ao líder do PSD em defesa do Presidente da República foi lamentável. Santos Silva faz bem este papel e talvez por isso o liberal Sócrates - segundo S.S. - o mantenha no Governo.

uma das fotografias de um trabalho de imagem da Reuters intitulado soldiers around the world
por vezes usados, esquecidos, soldados que dão a vida por alguns que não dão a cara
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Desde a passada quarta-feira que a televisão árabe Al Jazeera lança o seu primeiro serviço de 24 horas em língua inglesa. O serviço terá sedes em Kuala Lumpur, Doha, Londres e Washington. Com esta aposta a emissora espera atingir uma audiência de 40 milhões de telespectadores na Europa, na África e no Sudeste Asiático.
De certa forma a Al Jazeera ( que significa A Ilha em árabe ) soube romper com o monopólio da informação mantido pelos meios oficiais de comunicação no Médio Oriente, demonstrando, segundo alguns analístas, a abertura para discutir assuntos tabus. Uma postura diferente face aos canais oficiais, evidente sobretudo após o 11 de Setembro, faz da emissora o canal mais popular da região incomodando por vezes os governos de Washington a Riad. A Al Jazeera diz querer levar essa filosofia às notícias internacionais agora no novo canal.
Apesar de sabermos como os Media são dominados pelo poder político e económico, que hoje em dia é quase a mesma coisa, este é sem dúvida um passo importante para ouvir e saber de outras realidades sociais e culturais. É deste conhecimento e desta interacção que lentamente podemos vir a ultrapassar com sucesso questões que agora ainda nos parecem impossíveis.
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A acção política - os princípios simples que esquecemos
Posted by MJB at 11/18/2006 08:32:00 da tardeQuando se critica a acção política acerca de algumas matérias e a forma radical com que alguns políticos fazem a política, é-se muitas vezes acusado de não respeitar a responsabilidade, o trabalho e os anos que essas pessoas dedicaram à comunidade. Pois, de facto, não é assim. A comunidade e mesmo os mais críticos sabem disso e reconhecem-no. Sabem também reconhecer o bom trabalho e a dedicação a uma causa, a um país e a uma terra quando é realizado. E acontece, por vezes, que o reconhecimento vem somente à posteriori, pois existem mudanças positivas que florescem apenas no passar de o tempo.
Se os políticos escolheram esse modo de vida, diria nobre, o de representarem uma comunidade ou um país, sabem que numa sociedade democrática, em princípio, muito lhes será ou deveria ser exigido. O seu trabalho e a sua prestação serão constantemente avaliadas. Quanto mais madura, exigente e consciente é uma comunidade, mais motivador será exercer a acção política. Porque o "trabalho" de cuidar e de fazer progredir uma sociedade deveria ser sempre um trabalho conjunto = cidadãos/estado. A Política na sua essência tem um objectivo global: o de procurar formas capazes de assegurar a felicidade colectiva da pólis ( no pensamento de Aristóteles).
No país onde vivemos, em que os poderes ultrapassam em muito a acção política, é imperioso( em especial nos Municípios) que os cidadãos e os representantes dos diferentes partidos políticos, trabalhem conjuntamente por uma causa, uma solução. E que se fomente cada vez mais a participação da diversidade de ideias e, sobretudo que se incentive essa liberdade e esse sentido democrático aos mais jovens.
Por isso, perante a fraqueza, a ausência de ideias e a prepotência de alguns políticos fica-se apreensivo com o futuro. Sente-se que apesar de pensarem que estão ali para prestar o melhor que sabem à comunidade, e acredito que o pensem e que por vezes o façam, na forma como encaram a política e o poder, acabam por não admitir quaisquer confrontos ou críticas dentro e fora dos circulos partidários.
A comunidade tem então obrigação de alertar e, claro, os políticos têm obrigação de a ouvir e reflectir. Que mistério há em tudo isto? Se é só pelo bem das pessoas, para quê tanta verborreia, tanta luta se em democracia o poder, ele próprio, é na maioria das vezes tão irreal?
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Etiquetas: política
No da Lliteratura um post de Eduardo Pitta: Contra as verdades absolutas que nunca foram demonstradas mas que dão muito jeito.
... um trabalho de Carlos Dias, hoje no Público. Confesso que não gosto nada do título escolhido: "Mercado Municipal de Sines dá lugar a Superfície Comercial". Há neste título uma ideia de decisão definitiva, irreversível, já tomada, de facto consumado que, estou certo, não úcorresponde à realidade. Gosto mais do conteudo da notícia quando se escreve que "O mercado Municipal de Sines, o primeiro edifício público construído na cidade após o 25 de Abril de 1974, vai ser demolido se na próxima reunião da Assembleia Muncipal for aprovada uma proposta feita nesse sentido pelo executivo camarário."
O jornalista conseguiu falar com o projectista, o arquitecto Luís Jorge da Silva Santos, que manifesta a sua tristeza e mostra orgulho na obra feita. Orgulho legítimo já que a população gosta do Mercado não só pela função - necessita de revitalização porque a incúria municipal tem sido muita - mas igualmente pela beleza do edíficio e pela justeza da sua integração no sítio.
Mas julgo poder afirmar com a convicção de quem aqui vive e fala todos os dias com muitas pessoas e pela reacção das pessoas expressa na participação na última Assembleia Municipal que o Mercado Municipal não será demolido mesmo que, na Assembleia Municipal, a disciplina partidária comunista se sobreponha aos interesses da população!!!
O desempenho dos deputados na discussão da proposta de demolição do Mercado não terá sido brilhante. A oposição, no entanto, partindo de uma posição de rejeição da proposta teve um melhor desempenho do que os deputados da maioria cujo nível de argumentação foi muito pobre.
Valeu, como já disse, as intervenções de Francisco Pacheco e de um ou outro deputado.
O que não faz qualquer sentido é comparar esta proposta com a situação do antigo Cine-Teatro Vasco da Gama que deu lugar ao Centro de Artes. Aqui trata-se de substituir um equipamento público, com uma vida útil espectável superior a vinte anos, desde que cuidadosamente mantido e renovado, por um equipamento privado cuja forma, área, etc, não são sequer conhecidos. No outro caso tratou-se de sustituir(*) um velho e decrépito edificio de um cinema municipal por um outro equipamento público, o actual Centro de Artes. A relevância arquitectónica e urbanística do actual Mercado é qualquer coisa de incomparável com o caduco, decrépito e arquitectónicamente irrelevante Cine Teatro Vasco da Gama.
PS - a (des)adequação do novo, e premiado, edifício às diferentes "funções que lhe foram confiadas" é outra questão e merec(ia)e certamente uma boa discussão. Bem como a relação qualidade-preço. A arquitectura e o urbanismo como artes públicas não são fatalidades, são, ou devem ser, escolhas democráticas. Mas não se recuperem os fantasmas felizmente enterrados.
Graças ao presidente da Assembleia Municipal de Sines, Francisco do Ó Pacheco, foi posto à discussão dos deputados a situação do Centro Cultural Emmerico Nunes e a intenção de demolição do Mercado Municipal por parte da Autarquia.
Nesta Assembleia Extraordinária bem se viu a postura autista dos que professam uma ideia e a arrastam até à contradição, dos que se julgam supra e têm sempre razão, dos que olham para a população que discorda como os filhos ingratos que ousam a traição, dos que têm a vaidade de um poder antigo e se sentam há anos nos mesmos lugares e acreditam serem insubstituíveis. Não esqueçam, porém, que a não militância não dá apenas uma diferente liberdade dá também outros sentidos à responsabilidade. São afinal poucos os que querem o vosso poder. São muito poucos porque a forma como alguns políticos fazem a Política é pobre e pequena. Porque está minada de medo e de irreais perseguições antigas, minada de intolerância. Quantos de vós, políticos, é capaz de ter um amigo que vos confronte com ideias contrárias? Quantos de vós é capaz de ouvir essa ideia sem a entender como uma ofensa pessoal?
Na Assembleia Municipal foram ditas barbaridades e diálogos que nos envergonham e, acreditem, desiludem e muito a população. A população quer ser devidamente informada. Mas a população sabe de o estranho “poder” do homem comum. O poder que nasce da vida que não sobressai, da distinção particular de uma vida de trabalho. O poder que saí de um Não ou de um Sim desse homem comum é forte, é um poder que todos os políticos temem.
Exige-se respeito e verdade. Exige-se tolerância e bom senso.
O Município é da População!!
Perplexidades(?): as Posições do Presidente da Autarquia -II
Posted by JCG at 11/17/2006 09:02:00 da manhãManuel Coelho afirmou que a posição tomada pela autarquia relativamente ao Mercado visava a defesa do interesse público. Curiosa interpretação esta. Demolir um Mercado, que tem menos de 26 anos e que apenas necessita das obras de manutenção que nunca foram feitas, arrendar o espaço a um privado para aí instalar uma média ao grande superfície é do interesse público? Como é que o Presidente sabe isso? Só, como afirmou, porque as pessoas confiam na força política que representa? Será que no seu programa tinha previsto esta operação? Será que tem legitimidade política para tomar esta decisão? Não será verdade que uma decisão desta natureza, que afecta toda a cidade, deve ser objecto de um processo especial de tomada de decisão?
Outra originalidade é que o autarca aprovou a medida na Cãmara, onde tem maioria absoluta, e pretende fazer o mesmo na Assembleia Municipal, onde a situação é igulamente de maioria absoluta da CDU, sem ter qualquer estudo para apresentar. Os estudos irão ser feitos pelos privados que estiverem dispostos a pagar os 3 milhões de euros que o autarca pretende receber. Tratando-se de um autarca comunista, eleito por uma força progressista como ele ainda ontem repetiu uma dezena de vezes, é caso para dizer que é no mínimo estranha esta noção de interesse público.
Perplexidades (?): As posições do Presidente da Autarquia-I
Posted by JCG at 11/17/2006 08:28:00 da manhãManuel Coelho, Presidente da Câmara de Sines, considerou que a ida à Assembleia Municipal dos dirigentges do CCEN era uma afronta à Câmara. Não sabemos se ele consultou a Câmara sobre a matéria. Percebemos, no entanto, que esta iniciativa do CCEN foi por ele considerada uma afronta pessoal. Esta atitude política dá bem uma ideia do respeito que o autarca tem pelos restantes orgãos do poder local democrático e de qual o tipo de relação que ele entende dever exigir âs colectividades e associações.
A autarquia tem um ano de subsídio ao CCEN em atraso e o seu Presidente manifestou vontade de acabar pura e simplesmente com o subsídio para 2007. Nos últimos anos o CCEN conseguiu diversificar os seus apoios financeiros mas a realidade é que este Presidente impede que empresas como a Petrogal ou a Repsol financiem directamente as associações. O dinheiro vai directamente para a Câmara que depois o distribui. Ou não!!!
Quem falou em Rui Rio?
Mercado Municipal de Sines: reunião da Assembleia Muniicipal
Posted by JCG at 11/17/2006 01:35:00 da manhãacabou à dez minutos a reunião extraordinária da Assembleia Municipal de Sines com a Ordem de Trabalhos aqui referida.
Uma primeira opinião a quente: A Assembleia fica positivamente marcada pelas duas intervenções do seu Presidente quer relativamente à posição pública assumida pelos orgãos sociais do Centro Cultural Emmérico Nunes quer no que respeita à situação do Mercado.
Quanto à primeira questão Francisco Pacheco salientou que a cidade - e em consequência todos os orgãos autárquicos - não se podem permitir alienar o património representado pelo associativismo cultural corporizado na cooperativa CCEN. Anular, encerrar essa parte da nossa história colectiva que tem um passado de mérito reconhecido nacional e localmente - e que pode e deve ter um futuro igualmente relevante - não parece sensato. Não poderá ser a questão financeira a determinar uma decisão dessas.
Quanto ao Mercado, depois de uma longa discussão, Francisco Pacheco foi, em boa hora, direito ao ponto: em primeiro lugar importa saber quem deve participar na discussão? A quem interessa esta discussão sobre a demolição do Mercado Municipal e a sua substituição por um média superfície? A toda a Cidade, certamente. Aos deputados municipais, aos vereadores, aos comerciantes com certeza. Mas sobretudo à cidade. Aos cidadãos.
Francisco Pacheco salientou igualmente aquilo que é óbvio: as decisões que a Câmara tem vindo a tomar não se fundamentam em estudos, em análise de alternativas, numa ponderação de várias variáveis que importa ponderar. Com que fundamento esgrime o Presidente da Autarquia o argumento de que reparar o Mercado custa um milhão de euros? Onde está o projecto de recuperação e o orçamento que sustenta esta afirmação? Não existem!!!
PS- A Assembleia estava cheia de munícipes. Uma participação inusitada mas que eu compreendo perfeitamente. O Presidente, até porque vive em Sines apenas desde o ínicio da década de oitenta, não domina, ao contrário do que pensa, as questões afectivas que ligam a população à sua terra. O Mercado não é um assunto encerrado!!!!

há espaços abertos e lugares onde vive o silêncio e o leve vento, o ar
onde não há palavras gastas em fundos gaveta e chaves de papelão
onde não há diálogos de embirrão, nem prosápia na opinião
e muito menos gente de fácil susceptibilidade que se destila
e se corrói na birra e não estima a ideia que flameja e é diversa
Ai de ti gaivota se do vento Sul não fizesses o voo maior.

Pintura, 1917
Amadeo de Souza Cardoso ( 1887-1918) é o grande pintor português do século passado. Uma vida breve que nos deixou talvez das obras mais interessantes das primeiras duas décadas do século XX. Amadeo foi um homem que viveu, interviu e interpretou o seu tempo. O seu trabalho é prova disso. Cruzou-se com Almada Negreiros, Juan Gris, Brancusi, Max Jacob, Delaunay e com Modigliani de quem se tornou amigo.
Os apreciadores da sua pintura não devem perder a exposição que o Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian abre hoje ao público (até 14 de Janeiro de 2007) e que conta com cerca de 190 obras do pintor.
" Esta exposição, intitulada Amadeo de Souza-Cardoso. Diálogo de Vanguardas, abrange todo o período de actividade de Amadeo, aproximadamente uma década (1907-1918) e pretende estabelecer um reencontro entre a sua obra e a de artistas estrangeiros seus contemporâneos, dentro e fora do seu círculo de amizades, mas em cujas obras se revelem os sinais e as cumplicidades experimentais do tempo.
Para além de uma selecção de pinturas e desenhos do artista português, apresentam-se os trabalhos (pintura, escultura, desenho) de 36 artistas internacionais, de que podemos destacar Constantin Brancusi, Amedeo Modigliani, Pablo Picasso, Albert Gleizes, Robert Delaunay, Sonia Delaunay-Terk, Alexej Jawlensky, Oskar Kokoschka, August Macke, Kasimir Malévitch, Olga Rozanova, Liubov Popova, Ivan Puni. "
Já foram sobejamente faladas neste blogue as causas da polémica da intenção da demolição do Mercado Municipal por parte da Câmara Municipal de Sines. Já se referenciou o descalabro financeiro a que se chegou e das graves consequências que daí resultam e que envolvem, como é sabido, uma comunidade, constituída por muitas Associações e, claro, algumas pequenas e médias empresas locais e não só.
Mas precisamos não esquecer que esta situação, embora se tenha tornado mais gravosa nos últimos anos, já se vem a avolumar há largos anos. E embora a figura do presidente seja a que, naturalmente, está na berlinda, não esqueçamos que o presidente faz parte de um executivo. E é a todo esse executivo que é necessário exigir responsabilidades. Um pequeno aparte para que no futuro não tenhamos que nos confrontar com políticos que depressa lavam as mãos das responsabilidades do executivo de que fazem ou fizeram parte.
O DN informa que "Os hospitais das Misericórdias estão a cobrar taxas ilegais aos doentes recebidos por via de acordos com o Serviço Nacional de Saúde. Em alguns casos, os valores pedidos chegam aos 500 euros por uma cirurgia que o Estado já paga previamente. A situação foi denunciada ontem pelo Provedor de Justiça, depois de receber "um elevado número de queixas", as primeiras remontando a 1999".
Quando será feita uma investigação séria sobre as condições de acesso de idosos a estas instituições e sobre as exigências financeiras feitas para garantir essas admissões. Afinal estamos perante supostas instituições de solidariedade social e que recebem e administram dinheiros públicos.
... aproveita. O Público de hoje dá conta de mais uma forma que a Banca utiliza para não pagar impostos. Neste caso trata-se de uma fuga ao IMT. Aproveitando - é bom que se diga que os rapazes não fazem ilegalidades - o espírito da lei e uma leitura criativa do mesmo. Uma reinterpretação desse espírito. A história vem contada no Público.
PS - haverá alguém que possa fazer-nos o favor de inventariar todas as formas pelas quais a Banca trabalha para não pagar impostos ou para cobrar aos seus clientes mais do que deveria?
Serviço Público: Ordem de Trabalhos da A.Municipal de Sines
Posted by JCG at 11/13/2006 05:51:00 da tardeJunta-se cópia do Edital da Assembleia Municipal de Sines a realizar no próximo dia 16 de Novembro.
Edital Nº14 /06
CONVOCATÓRIA
Francisco Maria Pereira do Ó Pacheco, Presidente da Assembleia Municipal de Sines: Nos termos da lei e do Regimento, convoca a Assembleia Municipal para a Sessão Extraordinária que terá lugar no dia 16 de Novembro, pelas 21.00h, na sala de sessões do Edifício dos Paços do Município, com a seguinte Ordem de Trabalhos:
Ponto 1 – Período de “intervenção do Público”.
-Apresentação da situação do Centro Cultural Emmérico Nunes, pelos respectivos corpos sociais.
Ponto 2 – Período de “ordem do dia”.
2.1. -Discussão sobre a proposta da nova Lei de Finanças Locais e eventual tomada de posição.
Sines, 07 de Novembro de 2006.
O Presidente da Assembleia
Francisco Maria Pereira do Ó Pacheco
Manuel Coellho, Presidente da auatrquia, citado pelo Notícias de Sines afirma que "A Câmara faz isto(*) porque a situação actual é insustentável e é preciso uma intervenção. Se o conseguir fazer sem um investimento seu, de dinheiro que não tem, muito bem, é melhor."
Certamente algum lapso na transcrição das palavras do presidente da Autarquia. O que ele disse na realidade foi o seguinte: "A Câmara faz isto porque a situação financeira actual das finanças municipais é insustentável e é preciso uma urgente injecção de dinheiro fresco. Estamos tesos, por culpa do Governo. Andámos a ver e não havia nada tão valioso para vender como o chão que está por debaixo do Mercado. Se o conseguir com a demolição do Mercado e a venda do direito de superfície do terreno para um prazo de 30 anos tanto melhor. Assim a Câmara ganha de duas maneiras: não tem que fazer obras de manutenção do Mercado e ainda recebe 3 milhões de euros dos quais 1,5 milhões já. E já agora meia dúzia de comerciantes que importância tem isso? Isso não são votos que se veja"
(*) - "isto" é a decisão tomada de demolir o Mercado Municipal de Sines construído no final da década de setenta e inaugurado em 1981.
Francisco do Ó Pacheco, presidente da Assembleia Municipal de Sines, marcou uma reunião do orgão a que preside para o próximo dia 16 de Novembro - quinta-feira - às 21 horas no Salão Nobre dos Paços do Concelho. O motivo desta convocatória é a necessidade de "pedir esclarecimentos à Câmara sobre o futuro do Mercado da cidade" de acordo com notícia do "Notícias de Sines".
Todos os cidadãos podem e devem assistir.
"Onde está o reformismo de esquerda do PS?" tem sido a pergunta a que André Freire tem tentado responder ao longo de três artigos no Público. A ler obrigatoriamente o terceiro, hoje no Público. Cito esta passagem esclarecedora e que subcrevo: "(...) considero que há razões para falar de um reposicionamento ideológico do PS. Primeiro, porque há uma desigual distribuição dos custos do ajustamento entre o capital( altamente poupado) e o trabalho (sobre o qual incide o grosso dos ajustamentos pedidos aos portugueses). Segundo, por causa do clima anti-sindical. Terceiro, devido ao desinvestimento na educação, sobretudo no superior, que, além do mais, contraria o compromisso eleitoral de dar prioridade à qualificação dos portugueses (...)."
André Freire reflecte igualmente sobre a própria mudança da composição da base social de apoio ao Governo e ao PS. Tenho aqui referido algumas vezes essa ideia que não tenho dúvidas que corresponde à realidade actual que as sondagens ainda não reflectem em toda a sua dimensão. Cito de novo: (...) uma hipotese é o PS estar a conseguir apoios junto de uma parte significativa do eleitorado do PSD ea alienar parte significativa do seu eleitorado para a indecisão/abstenção e para a extrema-esquerda.(...) Mas muito mais importnte do que quaisquer cálculos eleitorais é a subalternização de princípios e orientações fundamentais, contrariando até compromissos eleitorais centrais, que se têm registado. Isso põe em causa a própria qualidade da representação política."
Esta reunião magna dos socialistas acabou sem que dela nada de novo resultasse. Claro que o reforço da unidade à volta do Governo saiu, passe o pleonasmo, reforçado. Com 97 por cento -ou mais? -dos delegados a apoiarem a moção do primeiro-ministro, aliás do secretário-geral, o que se poderia esperar?
Mas existem várias questões que se podem colocar acerca desta reunião. Algumas das mais pertinentes são aqui colocadas. Incluindo a questão, não dispicienda, do simbolismo do punho fechado a que Sócrates quer aparentemente por um fim. Sócrates, o líder do teleponto, certamente não faz nada sem pensar longamente sobre as questões simbolicas. A expontaneidade em Sócrates é uma não existência.
disse Teixeira dos Santos que "diria que este é um Orçamento de esquerda". Diria?
Na mesma entrevista, a propósito de um eventual aumento voluntário da despesa, afirmou esclarecedor o ministro: "Não há razões para o fazer. Temos que evitar políticas tipo Robin dos Bosques(...)"
Esta foi a declaração mais inutil da vida política de Teixeira dos Santos. Todos já sabemos que a verdadeira vocação e a práctica deste Governo nunca será a de tirar aos ricos para dar aos pobres.
Deus os livre. Cruzes.
Numa curiosa entrevista ao Público, Teixeira dos Santos falou sobre a unanimidade no Partido Socialista ainda que a propósito do apoio ao Orçamento Geral do Estado. Para o ministro das Finanças a unanimidade no Ps é total ou melhor é toda a gente menos Roseta e Alegre. Diz o ministro: "(...) são vozes isoladas.(...) mas se perguntar que vozes são, dir-me-á sempre Helena Roseta, Manuel Alegre, Helena Roseta, Manuel Alegre ... são vozes isoladas." Pronto!
... está na berra como sempre acontece nos períodos de maioria absoluta. Neste caso o que motiva quase todos os analistas é a falta do líder da oposição. O seu carácter efémero e a sua manifesta desadequação ao lugar e em particular ao lugar que estará, em príncipio, destinado a um líder da oposição que se preze: o lugar de primeiro-ministro.
Com raras excepções todos os analistas coincidem na crucificação de Marques Mendes e vaticinam mesmo que "este homem nunca será primeiro-ministro". A ideia é esta embora possa ser outro o estilo adoptado.
Miguel Sousa Tavares escreveu- Expresso de 11-11-2006 - que "refreio a tentação de declarar preto no branco à nação que jamais o dr. Marques Mendes será primeiro-ministro de Portugal. Mas lá que tenho a tentação, isso não posso negar." Todos se recordarão, e MST refere o episódio na sua crónica, que em tempos que já lá vão José Manuel Fernandes declarou por outras palavras a mesma coisa àcerca de Durão Barroso. Mais valia que o director do Público tivesse acertado mas a realidade é que Durão Barroso foi mesmo primeiro-ministro em trânsito para o eldorado de Bruxelas e da Comissão Europeia depois de, muito provavelmente, ter sido unanimemente considerado o pior líder da oposição, até porque nessa altura ainda Marques Mendes não tinha exercido a função com o destaque que o caracteriza.
Prefiro o estilo e a análise de Constança Cunha e Sá que no Público da passada sexta-feira escreveu que "(...) a oposição, entregue aos partidos e à Assembleia da República, seja vista, entre nós, como um mal necessário, assegurado por meia dúzia de incompetentes que prima pela falta de curriculum e pela ausência de alternativas. Até chegar ao poder, qualquer líder da oposição é um líder transitório que invariavelmente não está talhado para liderar a oposição.
Uma vez no poder, as coisas mudam naturalmente: o currúculo compõe-se, o partido desaparece e a Assembleia ilumina-se com a presença do primeiro-ministro e com as habilidades oratórias que lhe são permitidas pelo actual regimento. Os que criticam o curriculum partidário do dr. Marques Mendes são os mesmos que deixam passar em claro o curriculum (mais pobre) com que o eng. Sócrates ganhou as legislativas.(...)"
Pois é!!!
Triste Liderança: Portugal é o país mais desigual da Europa.
Posted by JCG at 11/10/2006 02:31:00 da tardeEsta realidade é conhecida de todos aqueles que vivem neste País e assistem à cada vez mais desigual distribuição da riqueza. Infelizmente a governação de esquerda e a governação de direita pouco, ou nada, se distinguiram no combate a esta realidade. Com os governos do PS e com os Governos do PSD a evolução tem sido no mesmo sentido. A menos que consideremos que a direita é pior porque por exemplo acabou com os impostos sobre sucessões e doacções.
Uma esquerda moderna, hoje na Europa, não pode esquecer a questão da desigualdade na distribuição do rendimento e da coesão social. Argumentar que isso não é possível no contexto das novas realidades significa uma capitulação trágica face aos valores do liberalismo dominantes e sobretudo face aos príncipios fundadores da social-democracia e do socialismo democrático. Uma esquerda que não seja caricatural pode e deve intervir com políticas activas e não com prácticas meramente assistencialistas que não só não vão ao fundo da questão como a pretendem perpetuar.
Os países do Norte da Europa, aqueles nos quais as regras impiedosas do liberalismo dominante não ditam a lei e a ordem, apresentam índices de equidade social muito mais elevados. Países que em tempos inspiraram o socialismo democrático à la PS. Velhos tempos!
Porque será que neste fim de semana esta questão não está em discussão no Congresso do PS?
O Orçamento de Estado para 2007 continua a isentar de IMI o próprio Estado e a Igreja. Por outro lado é incapaz de, face à evoluão das receitas, rever as taxas reduzindo a taxa máxima de 0,8% para 0,5% e a mínima para 0,2%. Permite que as autarquias continuem a receber mais do que recebiam antes da reforma da tributação do património, mas à custa dos particulares, isentando-se a si e à igreja.
Por outro lado termina com a isenção dos imóveis classificados o que mostra bem como o Governo olha para estas questões apenas sob o ponto de vista do colector de impostos, abdicando de qualquer preocupação urbanística ou patrimonial.
É que a classificação, em regra, significa uma menos valia para o proprietário que fica, por exemplo, impedido de alterar o edifíco tal como ele existe ou de o substituir por outro com diferentes usos e volumetrias e até com mais área de construção. Estas menos valias devem ser compensadas de alguma forma e a isenção do IMI é uma delas, talvez a mais significativa.
Em primeiro lugar é necessário afirmar que as medidas propostas pelo Governo merecem aplauso. Escrevi neste blogue, algumas dezenas de vezes, a denunciar o escândalo dos lucros crescentes da Banca e o facto de pagarem impostos a uma taxa de IRC mínima.
As formas como a Banca acumula ganhos, não tributados, são várias. Nestes dias ficámos a conhecer alguns. Arrendondamentos criativos; Provisões para crédito à habitação, garantidos pela hipoteca das casas, deduzidos à matéria colectável etc.
Tudo se resume a uma coisa que só as grandes empresas podem fazer: planeamento fiscal. Por outras palavras formas elaboradas de pagar menos impostos.
Apetece colocar uma questão: quanto perdeu o País em impostos com estes esquemas permitidos por uma legalidade feita à medida?
Em segundo lugar a reacção da Banca é lamentável. Estão habituados a um tratamento preferencial e a uma discriminação positiva e querem continuar. Por isso atacam o poder político que toma a decisão de rever a sua situação. Uma exibição de arrogância protagonizada por João Salgueiros.
Em terceiro lugar as medidas só darão resultados em 2008. É pena. Lamenta-se. Até lá o regabofe continua. O Governo colhe já hoje os aplausos pela medida que só terá consequências em 2008. Para esta tomada de posição de Sócrates contou e muito as críticas à esquerda e a erosão da base original de apoio do Governo. Como se sabe essa base tem vindo a alterar-se em termos da sua composição.
Um Congresso do PS, mesmo com a albanização já instalada, obriga a dar um ar de esquerda, para permitir manter o essencial das políticas que alimentam as críticas daqueles que acusam Sócrates de liberal, isto é de ser de direita.
A pesada derrota sofrida pelos republicanos nas eleições intercalares teve como primeira consequência a demissão do secretário da defesa Donald Rumsfeld. Com os democratas em maioria na Congresso, liderado por uma mulher que o considera incompetente e com tendência para negar a realidade, Bush tem que sacrificar alguns dos protagonistas das suas políticas agora severamente punidas pelos americanos.
Rumsfeld foi o primeiro. Era um dos falcões da Administração Bush e quase sempre o maior aliado do cowboy texano. Esperamos as reacções dos neo-cons portugueses.
O Brasil desceu no ranking da Transparency Internacional sobre corrupção. Foi mesmo dos países que mais cresceu nesta matéria. Aproxima-se de Angola o mais corrupto de todos os países lusófonos. Mérito do mandato de Lula que os brasileiros acabaram de sufragar.
confesso que sempre simpatizei com Rui Rio. Devo aliás reafirmar que a sua vitória nas autárquicas em que derrotou Fernando Gomes me agradou sem reservas. Ter derrotado a ligação espúria entre política e futebol que o PS-Porto e o FCP de Pinto da Costa corporizavam, foi um dos grandes feitos da democracia local. Ter colocado a luta contra a corrupção na ordem do dia, foi uma temeridade que acabou - como explicou Saldanha Sanchez num artigo do Expresso que aqui referi - com o próprio a ser alvo da justiça, que tão grande desaforo não podia passar impune.
No passado recente Rui Rio cometeu dois grandes crimes: em primeiro lugar quis fazer depender a atribuição de subsídios pela autarquia a orgãos de comunicação do compromisso escrito de não atacarem a autarquia. Quis colocar por escrito aquilo que é uma regra em todo o país. Nas autarquias de todos os partidos. As câmaras só compram publicidade se as rádios e os jornais não fizerem muitas ondas. Por essa razão os jornais locais são o que são e as rádios idem aspas, aspas aspas. Os projectos verdadeiramente independentes fecharam. Entre os autarcas não há rapazes bons nesta matéria. Rui Rio cometeu o erro de colocar a coisa por escrito. Dar à prática corrente a dignidade de um contrato. Caíram-lhe em cima como se fosse o único. Hipocrísia em doses elevadas; em segundo lugar, farto da conflitualidade com os sectores da cultura, resolveu cortar os subsídios que a câmara atribuia. Caiu o Carmo e a Trindade. Não acho a medida razoável e julgo que Rui Rio irá ceder nesta matéria.
Existindo responsabilidades públicas na promoção da cultura e das artes, e as autarquias não podendo nem devendo alhear-se desse esforço, há um aspecto que quero referir. Uma das imagens de marca do nosso atraso é a demissão da cidadania. Nessa matéria os ditos agentes culturais, que os há em todas as autarquias, dão uma triste imagem. Pautam a sua intervenção cidadã pelo silêncio e pela não participação. Constituem-se como um grupo social especializado que paira acima da massa popular e quando desce à terra em beberetes, e inaugurações o faz para abrilhantar, com a sua presença, a presença opaca e cinzenta do poder. Actuam como se tivessem interiorizado a máxima salazarista de quem tendo negócios na cidade coloca como condição de sensatez e factor potenciador do sucesso futuro o silêncio e a reverência perante o poder político.Este comportamento é estimulado. Recordo,aliás, que a relação de todas as autarquias - incluindo as geridas pela esquerda que muito criticam Rui Rio, como acontece no Porto com a CDU - é a de cortarem subsídios e asfixiarem economicamente associações cujos dirigentes tenham divergido da "política cultural" da maioria ou, crime inaceitável, tenham ousado participar em eleições integrando listas concorrentes. Existem em Portugal um número assinalável de "casos de estudo".
Rui Rio não quererá agentes culturais mais capazes de intervir na polis. Não será esse o objectivo da sua medida, mas poderá ser um dos efeitos colaterais.
nas eleições americanas para o Congresso. Para o Senado as coisas estão, a julgar pelas motícias, mais equilibradas. A vitória dos democratas tem como primeira consequência a ascensão, pela primeira vez na história americana, de uma mulher, Nancy Pelosi, ao cargo de presidente da Assembleia.
Bush terá, eventualmente, conseguido atenuar a dimensão da derrota prevista. Apostou forte, como se sabe. Ainda ontem num comício de campanha de um candidato republicano ao iniciar a sua intervenção salientou em primeiro lugar o facto histórico de Saddam Hussein ter sido condenado à morte. Quem poderá continuar a dizer que o júri que condenou o ditador iraquiano não tinha uma agenda política comandada pela administração americana?

O executivo da Câmara de Sines decidiu-se pela demolição.
Como podemos aceitar que uma resolução desta natureza seja tomada em consequência dos problemas financeiros da autarquia? E a seguir, se os problemas financeiros persistirem, o que mais irá a Câmara demolir?
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dá ...
... demolir o Mercado e abrir concurso para adjudicar o direito de superfície para instalação de uma superfície comercial. A oposição, apenas do PS, votou contra.
Segue-se aAssembleia Municipal para poder parar esta medida insensata e lesiva dos interesses da cidade e dos cidadãos. Sem o seu voto favorável esta medida não será possível.
A Câmara não apresentou qualquer estudo para a zona o que não deixa de ser curioso para quem fala em requalificação. O investidor terá carta branca para fazer aquilo que quiser. Desde que pague os três milhões de euros pode avançar à sua vontade. A Câmara o que tem é uma dimensão exacta da dívida gigantesca que ameaça a solvência da Autarquia. Esta medida é ditada pelo "Estado de Necessidade". Um estado que normalmente não permite tomar decisões sensatas.
Está a começar a reunião da Câmara de Sines convocada expressamente para discutir a proposta doPresidente da autarquia de demolir o Mercado Municipal, vendendo por trinta anos o direito de superfície do terreno onde aquele se situa.
A oposição recebeu informação sobre o modelo de operação a propôr mas não recebeu qualquer informação sobre a proposta para a zona. Segundo parece Manuel Coelho vai propôr que seja a empresa que irá instalar á superfície comercial a fazer o estudo de "requalificação".
Uma solução clássica que passa pela demissão na gestão do interesse público entregando-o a privados. Tratando-se de um autarca comunista é caso para dizer que o senhor será mais papista que o papa. Isto é mais adepto das soluções mais liberais do que os próprios liberais.
Aguardemos umas horas para saber as últimas mas não, seguramente, as derradeiras.

Aguarda-se com expectativa a decisão do executivo da Câmara de Sines sobre o destino do Mercado Municipal, se, conforme previsto, se reunir hoje em reunião extraordinária para examinar o assunto.
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O nosso Governo podia gastar algum daquele dinheiro que habitualmente gasta a comprar estudos e consultadorias de mérito duvidoso com estes 650 rapazes. Se achar a coisa excessiva podia ficar só pelos prémios Nobel ou mesmo só pelo Joseph Stiglitz. É que eles acham "que um aumento modesto do salário mínimo permitiria melhorar o bem-estar dos trabalhadores com salários mais baixos e não teria os efeitos adversos que os críticos reclamam", designadamente ao nível do emprego. Mas estes moços estarão desactualizados e provavelmente nunca leram os nossos liberais que, dia após dia, nos massacram com o combate sem quartel aos priveligiados excluindo, naturalmente, todos aqueles que o são. Que ficam à beira de um ataque de nervos sempre que o salário mínimo aumenta cinco euritos.
O navio de aqui falámos andou estes últimos seis dias a rodear o Porto de Sines. Finalmente, hoje, terá rumado a Barcelona ou a um outro porto espanhol. Aí a carga que transporta será passada para barcos de menor calado que a transportarão para Setúbal.
O lucro associado à importação do clínquer chinês dá para isto tudo. Podemos imaginar o negócio que não seria descarregar a carga em Sines e transportá-la por camião para Setúbal. Uma mina.
Adenda: As boas notícias eram manifestamente exageradas. O navio que partiu foi o primeiro a chegar. O outro ainda anda a rondar. Na site da APS a chegada está prevista para amanhã.
Convém não baixar a guarda.
O Público noticia que, segundo a Transparency International, Portugal é o 26º país menos corrupto. Visto de outro ponto de vista podemos afirmar que Portugal é o 13º país mais corrupto da Europa dos quinze, só batido pela Itália(45ª) e pela Grécia(54º).
Mas mesmo esta classificação é duvidosa já que uma das nossas qualidades é a opacidade.
Esta classificação ir-se-á manter já que a vontade política para mudar o actual estado de coisas é fraca.
A pena de morte aproxima aqueles que a aplicam da barbárie.
Tendo sido Saddam um ditador horrível que, muitas vezes com conhecimento e cumplicidade do Ocidente, infringiu terríveis castigos aos seus concidadãos,torturando-os, eliminando-os das formas mais crueis, matá-lo é uma atrocidade de nível idêntico. Não admira, no entanto, já que o principal acusador é Bush, ele próprio ostentando no seu currículo várias execuções no Estado do Texas. Claro que em defesa dos direitos humanos e das suas beatices e crendices.
Selvagens.
Hioje no Público, um trabalho de Carlos Dias, sobre esta novela. Destaque para o facto de a CNE insistir em realizar as descargas no Porto de Sines. Apesar da oposição da APS, da Autarquia, da Delegação de Saúde. Só a Portsines é que pelos vistos acha que o Terminal está em condições de realizar as descargas.
Não haverá maneira de os chamar à razão?
Por princípio, não.
A deputada do BE, Mariana Aiveca, eleita pelo Distrito de Setúbal, requereu ao Ministério do Ambiente uma série de explicações sobre as descargas de Clínquer em Sines. Em causa está o facto de a empresa,CNE, ter já manifestado interesse em retomar as descargas de Clínquer em Sines, quando o Porto não está equipado para operar este tipo de produtos. A opção por Sines deve-se unicamente à possibilidade de serem utilizados navios de maior calado maximizando o lucro da operação.
Seria interessante conhecer as posições dos restantes partidos sobre esta questão. Em particular a posição ou as iniciativas dos deputados eleitos por Setúbal.
O post anterior da Maria José é absolutamente certeiro. As oposições atacadas por uma falta de capacidade e de iniciativa escandalosas ressuscitam sempre que "o povo se levanta" na feliz expressão da MJB.
Os blogues e a blogosfera - diabolizadas por Miguel Sousa Tavares e de forma aparvalhada, para recorrer ao seu vocabulário, por Eduardo Prado Coelho - são muitas vezes o primeiro sinal desse levantamento.
No passado recente o facto de, em primeira mão, este blogue ter levantado a questão da descarga de clínquer deu no que se sabe.
Agora com a tentativa de demolição do Mercado vamos pelo mesmo caminho.
Os blogues fazem o serviço público que a informação escrita e falada - enfeudada ao poder local - não é capaz de fazer.
As oposições jazem e arrefecem.

Se consultarmos um dicionário de língua portuguesa, o significado da palavra oposição é: acto ou efeito de opor ou opor-se; antagonismo;contraste; impedimento; obstáculo; resistência; partido ou partidos políticos contrários ao Governo; figura de retórica pela qual se reúnem ideias que parecem antagónicas;
Se olharmos atentamente para a política, nomeadamente para a política local o significado de oposição parece-me estar longe do que seria de esperar. Estarei eu mal informada, ou não assistiremos a uma certa passividade face às decisões políticas que o partido com maior representatividade vai tomando. É certo que é difícil fazer-se oposição no terreno autárquico face a maiorias absolutas, mas não será também que existe, como quase sempre, uma postura de bombeiro por parte da oposição. Mal o "povo se levanta" para protestar, lá estão eles. Ou seja, em vez de serem os rebocadores, são, quase sempre, os rebocados.
Se não estou em erro, era Sá Carneiro que dizia "um bom governo também se faz com uma boa oposição". Concordo plenamente! Porque depois não me venham dizer que a moleza e a falta de energia para encarar a vida política não contribuem também para os maus governos. Dizem-me, por exemplo, nas autarquias a oposição, ao contrário dos eleitos, não faz da política a sua vida, por isso é natural que a postura seja essa. Muito bem, mas as delegações locais dos partidos políticos são o quê se não são capazes de mover algumas dinâmicas de oposição ou participação ao longo dos mandatos e não só nas épocas eleitorais. E assim se contribui para o aumento da abstenção. E é por estas e por outras que em altura de eleições quando vejo ao longe um tipo com um panfleto ou uma flor na mão, só me apetece fugir!
Em tempo de guerra, a informação saída dos campos militares sempre foi mais ou menos filtrada. Nunca se soube e sabe ao certo o que se passa no "teatro de operações" de uma guerra. Até certo ponto, compreende-se que assim aconteça . Por isso, já se esperava que mais cedo ou mais tarde a censura alcançasse os mildblogs, blogues editados por militares no activo. Estes blogues que contam, por exemplo, o dia a dia dos soldados americanos e europeus no Iraque, estão a ser alvo de uma filtragem por parte das chefias militares que por sua vez são igualmente pressionadas por aparelhos governamentais. Pelo imediatismo da informação expressa nos blogues, antes da sua publicação, os textos dos soldados bloggers são agora obrigados a uma prévia verificação e autorização por parte dos superiores hierárquicos. Para quem quiser espreitar menciono:
http://www.blackfive.net/ , http://www.soldierlife.com/ e http://www.adayiniraq.com/
Recebemos, para publicação, comunicados de alguns partidos. Não iremos proceder à sua publicação. Este espaço existe para fazer eco das opiniões - de todas as opiniões - dos cidadãos que se queiram manifestar publicamente. Sejam militantes ou não e queiram ou não identificar-se como tal. Sejam eleitos ou não. Os partidos têm meios próprios para divulgar as suas posições.
A propósito o Notícias de Sines, de hoje, faz manchete das posições do PSD e do PS que acusam Manuel Coelho de ser o coveiro do Comércio Tradicional.
Uma justa acusação, acrescento eu.
ADENDA: Uma segunda leitura parece levar a uma outra conclusão. O PSD critica a tentativa de demolir o Mercado Municipal e, no caso de isso ser verdade, acusa Manuel Coelho de ser o coveiro do comércio tradicional. O PS, pela voz de Carlos Silva, reconhece a necessidade de requalificar o Mercado mas nunca pondo em causa a actividade dos comerciantes actuais.
A Manchete é por isso pouco rigorosa. Há, parece haver pelas declarações no interior, uma separação entre os dois partidos.
O problema não é unicamente o que fazer com os comerciantes. Se por hipótese os comerciantes fizessem uma manifestação para aplaudir a demolição do Mercado e o facto de serem postos no olho da rua, todos nós podíamos e devíamos estar contra a medida, lá po isso.
O que está em jogo é, sobretudo, a existência, ou não, de um Mercado Municipal e a sua localização numa zona nobre da cidade com todas as vantagens urbanísticas e arquitectónicas que daí resultam.
A construção de uma média ou grande superfície debaixo da converseta da requalificação é uma conversa para enganar parolos. Requalificar o Mercado é mantê-lo e melhorá-lo. Aproveitar a sua localização excepcional para potenciar a sua utilização pelos cidadãos.
Hoje, como sempre acontece sobretudo aos sábados, o Mercado estava muito concorrido. Os comerciantes manifestam esperança de que as intenções da Câmara não se concretizem. Ninguém aceita uma tal barbaridade. Referem-se divisões entre os autarcas da CDU como um factor de esperança. Em particular a posição do Presidente da Assembleia Municipal, Francisco Pacheco, que mandou construir o Mercado no pós 25 de Abril. O Mercado é aliás uma conquista de Abril, para os cidadãos desta terra, recorrendo ao léxico dos comunistas. Conquista que Manuel Coelho quer deitar por terra.
Flexibilizar as leis laborais. Flexibilizar a Fiscalidade. Melhorar a educação dos trabalhadores. É disto que Portugal necessita para atrair mais investimento estrangeiro, segundo uma conferência organizada pelo Ministério da Economia. Explicando melhor: pessoas melhor formadas, com maior precaridade das relações laborais, com uma fiscalidade ainda mas permissiva, permitindo uma política de baixos salários para trabalhadores mais qualificados e com menor tributação sobre os lucros crescentes, em função da diminuição do custo dos factores.
Um manual da pirataria dos tempos modernos. Editor, a API e o seu Presidente nomeado, é bom insistir, pelos socialistas, sob o olhar embevecido de Manuel Pinho, qual grande educador.
Basílio Horta acha que um parque industrial não é um parque infantil. Nada de anormal por si só. Quem, no seu juízo perfeito, acharia tal coisa?
Mas, há sempre um mas, Basílio faz a comparação para concluir que importa mudar o actual regime de licenciamento industrial para a zona de Sines. Separando a industria dos parques infantis, isto é na sua retórica, não sufiicentemente favorecida pelos deuses da imaginação, colocar a autarquia à margem destes processos. Com mais tempo para os parques infantis.
Escuta-se este homem, nomeado por um Governo socialista recorde-se, e nunca se encontra qualquer referência aos cidadãos que vivem na zona, qualquer referência à salvaguarda dos seus direitos, em particular os direitos à saúde e ao ambiente equilibrado. Pelo contrário reclama menos exigências para os licenciamentos, por serem industriais e não urbanos. Nunca lhe ocorre que o facto de, em Sines, indústria e urbe coexistirem lado a lado impõe uma abordagem exactamente oposta.
Para Basílio Horta, parafraseando Vale e Azevedo, um investimento é um investimento!
onde começa uma coisa e acabará a outra? Não sabemos. Mas pelo que agora se revela, a partir de uma iniciaitva louvável do Governo, é que os Bancos com manipulação dos arredondamentos das taxas de juro sacavam, por ano, dezenas de milhões de euros aos seus clientes. Notável a revelação do representante da Associação de Bancos que esclareceu terem os Bancos mecanismos para irem recuperar estas verbas noutros lados. Noutras fraudes?
Adenda - O Governo que não exige ao sector financeiro nem de perto nem de longe os sacríficios que exige aos restantes cidadãos e sectores da actividade tomou esta semana algumas medidas boas. Esta dos arredondamentos e a da imediata disponibilização dos depósitos e das transferências. Quanto à taxa de IRC a coisa vai mais devagar.
A criação esta semana da Confederação Sindical Internacional que pode ajudar a corrigir os aspectos preversos da Globalização. Presionando no sentido que o poder político, sobretudo o Europeu, não imprime às suas políticas, incapaz de se libertar da tutela e dos interesses dos sectores financeiros internacionais.
interessa ler Medeiros Ferreira. Na sua crónica no DN de que cito o seguinte trecho: "(...)Surgiram então os ideólogos da moderna direita a quererem forçar a mão do líder da esquerda moderna. Tendo ganho as presidenciais, estimularam o Governo assente na maioria do PS não só a encetar um conjunto de reformas que nem Cavaco Silva, nem Durão Barroso, nem Santana Lopes ousaram (como a da uniformização (por baixo dos sistemas da Segurança Social) mas também a entrar numa luta sem quartel com as organizações sindicais. Embevecidos pela imagem de um primeiro-ministro determinado e popular, alguns governantes aceitaram aparentemente essa tarefa. Ora muito mal iria um Governo da esquerda moderna que deixasse como obra o desmantelamento do movimento sindical, num país com poucos corpos intermédios e com uma opinião pública muito oscilante na base. Seria uma dádiva para todos os populismos que espreitam."
Pois é!!!
os jornais de hoje anunciam uma eminente cisão na Nova Denocracia de Manuel Monteiro. Como é que se pode cindir uma coisa que pura e simplesmente não existe? Extraordinário é que uma das partes da hipotética cisão acuse a outra de fazer fretes ao CDS, ao PSD e ao Governo. Como o poderiam fazer se pura e simplesmente não existem como o Dr. Manuel Monteiro tem, aliás brilhantemente, demonstrado desde o infeliz momento da criação.







