Foi ontem publicado a Obra "Vítimas de Salazar - Estado Novo e Violência Política" da autoria dos historiadores João Madeira(coordenador), Irene Flunser PImentel e Luís Farinha. A obra tem Prefácio de Fernando Rosas. A edição é da Esfera dos Livros.
Da Introdução de João Madeira cito: " (...) Não se espere encontrar aqui um estudo sobre a violência no Estado Novo, que tem vindo a ser parcelarmente realizado, que é globalmente indispensável, mas não é este o seu lugar de desenvolvimento. Trata-se, sim, de um conjunto de episódios e de situações que reflectiram, de modo expressivo, frequentemente intenso, essa violência.(...) Porém as vítimas da violência do Estado novo têm nome. Não os omitimos. Tiveram e alguns têm ainda, existência real, família, amigos; que mantêm ou de que ficaram memórias, interpretações, opções de vida e valores sobre os quais, como sobre as querelas e disputas pela hegemonia que travaram entre si, não temos que aferir no sentido estrito.(...) Alguns parecem hoje querer omitir ou atenuar muitos destes aspectos, reafeiçoando interpretações à sua volta, num processo feito aparentemente de esquecimento, de ajuste de contas ou de reelaboração do passado como se quisessem que tivesse sido outra coisa do que efectivamente foi.(...)"
O livro será apresentado a 7 de Fevereiro, às 18h30 na Sala do Plenário do Tribunal da Boa Hora (Rua Nova do Almada), pelo Dr. Mário Soares.
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Filhos da distância circular
das linhas de sombra e tempo
Melancolia da percepção
nesta Terra contrária à força
de braços e mãos erguidos
Peregrinos de primeiro destino
Somos o fio que atravessa a ausência
a mão que transpôe o mar e espia a água
o canto da guerra e do saque
Somos a caminhada que soa para Norte
a espada escorrendo para o Sul
o sopro nocturno das estepes
Filhos da espera, do visível
do exterior breve do olvido
neste ângulo de partir e chegar
somos o momento crucial do mistério
e partimos
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Aristides Sousa Mendes: A Coragem da Tolerância - EXPOSIÇÃO
Aristides de Sousa Mendes GCC, (Cabanas de Viriato, concelho de Carregal do Sal, 19 de Julho de 1885 — Lisboa, 3 de Abril de 1954) foi um diplomata português. Ele recusou seguir as ordens do seu governo (o regime de Salazar) e concedeu vistos a refugiados de todas as nacionalidades que desejavam fugir da França em 1940, ano da invasão da França pela Alemanha Nazi na Segunda Guerra Mundial. Aristides salvou dezenas de milhares de pessoas do Holocausto. Foi o "Oskar Schindler português"
Patente ao público de 08 de Fevereiro a 28 de Fevereiro
CONFERÊNCIA/DEBATE
Judeus em Portugal Fugindo de Hitler e do Holocausto, por Irene Pimentel
“A partir dos anos 30, com a subida de Hitler ao poder e durante a II Guerra Mundial, Portugal tornou-se num porto de abrigo para milhares de judeus e refugiados políticos que fugiam das perseguições nazis e do Holocausto. Chegavam por via terrestre, através de Espanha, ou em navios fretados, muitas vezes graças à ajuda de cônsules portugueses, como Aristides de Sousa Mendes, que desobedecendo às ordens do regime e às políticas de restrição de entrada da PVDE, lhes concedeu vistos que significaram a sua salvação.” Prof.ª Doutora Irene Pimentel, doutorada em História Política e Institucional pela Universidade Nova de Lisboa. É investigadora na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Quinta-feira, 08 de Fevereiro às 21.30 na Cafetaria
Voto sim porque:
- A despenalização da interrupção voluntária da Gravidez acaba com a perseguição das mulheres que por razões várias se vêem forçadas a recorrer ao aborto. Acaba com a humilhação de o Estado as considerar como criminosas e sujeitá-las ao julgamento e à prisão por terem tomado a decisão de interromper a gravidez.
- Cria condições para acabar com o flagelo do aborto clandestino e sem condições mínimas de dignidade para a mulher. Permite dessa forma que as mulheres de menores recursos possam ter o apoio médico qualificado em unidades de saúde pública, recurso a que apenas podem recorrer neste momento as mais favorecidas economicamente. Nesse sentido a despenalização da IVG constitui uma importante medida de saúde pública. Os números sobre o aborto clandestino são conhecidos.
- O sim não impõe aos partidários do não o dever de abortar. O não instrumentaliza o Estado de direito para reprimir as mulheres que abortam considerando isso um crime e condenando-as à prisão.
- a aprovação do sim coloca Portugal onde ele deveria estar: ao lado da generalidade dos países europeus que despenalizaram à muito a interrupção voluntária da gravidez.
O referendo visa despenalizar a IVG. É essa a pergunta que a Assembleia da República aprovou e sobre a qual os portugueses irão decidir. Não pode deixar de ser considerado extraordinário que no Prós e Contras de ontem o ex-ministro da Justiça de Santana Lopes e actual deputado do PSD, José Aguiar Branco tenha pretendido que o referendo é sobre a liberalização do aborto. É como se a pergunta que ele próprio aprovou enquanto deputado -como lhe recordou Vasco Rato, um seu camarada de partido que apoia o sim - sem qualquer objecção conhecida, escondesse uma segunda pergunta que seria afinal a válida. Outro momento relevante do debate foi quando os defensores do sim fundamentaram a sua tese do referendo viabilizar o aborto livre com o facto de ser à mulher que, no seu livre arbítrio disseram, que compete decidir. Vasco Rato colocou então uma pergunta fatal: então quem deveria decidir?
Ficam do debate a tranquilidade e os argumentos do sim personificados nas ponderadas intervenções de Vital Moreira que numa síntese final mostrou aquilo que o não e o sim oferecem à sociedade portuguesa.
que Jorge Sampaio enviou ao encontro de eurodeputados pelo sim referido no post anterior."(...) O que está em causa neste referendo é a política criminal do Estado democrático. (...) Alguém no século XXI e na Europa pode conscientemente pretender que uma mulher que interrompa a gravidez, em condições tão precisas e determinadas, é por esse facto uma criminosa, e que o Estado a deve perseguir criminalmente, a deve julgar, a deve condenar e eventualmente enviar para a prisão. (...) Não se trata de qualquer discussão complexa e indeterminada sobre o sentido da vida, sobre o início da vida humana, sobre a natureza da vida intra-uterina, sobre a existência ou inexistência a propósito, de pretensos ou reais conflitos entre direitos humanos e direitos fundamentais. Não cabe ao Estado democrático aderir, professar ou defender, a propósito, uma singular ou particular concepção moral, filosófica ou religiosa. Nem consequentemente cabe ao Estado democrático inquirir os cidadãos sobre as concepções que cada um sustenta nesse domínio. Portanto e definitivamente por mais que alguns pretendam continuar a confundir, manipular e distorcer sobre o que está em causa neste referendo que fique claro que não é de nada disso que se trata.(...) Por isso nesta consulta popular a única questão a decidir é sobre se, sim ou não uma mulher que interrompe voluntariamente a gravidez nas primeiras 10 semanas e num estabelecimento autorizado deve ou não ser penalizada, ser perseguida, julgada, condenada e eventualmente enviada para a prisão. SIM ou NÃO!"
"A única posição coerente de quem é contra a despenalização da interrupção voluntária da gravidez é assumir, com coragem e dignidade, o pedido de referendo pela repenalização" José Miguel Júdice, ex-bastonário da Ordem dos Advogados num encontro de eurodepuatdos pelo sim, citado pelo Público.
Parece que a coisa anda a ser discutida entre o Governo e a ANMP. O Secretário de Estado do Ambiente acha a ideia promissora. O objectivo é impedir que menos carros afluam ao interior das grandes cidades - Lisboa e Porto - e dessa forma minimizar as emissões gravosas para o ambiente.
Hoje na Antena Aberta discutia-se a questão e os termos de comparação eram Estocolmo, Londres e Singapura além de Milão. Todas elas terão recorrido à portagens para limitar o acesso ao seu interior. O caso mais mediático é o de Livingstone "o vermelho", Mayor de Londres, para grande desgosto de Tony Blair, que optou por essa solução em Londres. Apenas numa parte de Londres, no entanto.
Confesso a minha antipatia por medidas deste género. Em primeiro lugar porque a sua adopção vai penalizar muita gente que não tem outra hipótese de se deslocar. Em segundo lugar porque penaliza pessoas que necessitando de trabalhar no interior da cidade não consegue encontrar habitação para a sua família senão na periferia. Situação que está na origem de centenas de milhares de deslocações dia, só na área metropolitana de Lisboa, que se poderiam evitar se o Estado e as Autarquias não se demitissem de promover políticas públicas de habitação capazes de promover o respeito pelo desígnio constitucional. Contribuindo dessa forma para um melhor ambiente, para aumentar a produtividade de milhares de empresas, para reduzir a depêndencia energética do País e para melhorar a qualidade de vida de centenas de milhares de portugueses. Contribuindo para um Portugal mais próspero.
Parece-me que avançar com uma medida destas antes que o Estado assuma todas as suas responsabilidades e esgote todas as alternativas é inflingir mais uma punição a centenas de milhares de portugueses.
Adenda: não concordo, naturalmente, com aqueles que, diariamente, recorrem ao automóvel e o utilizam individualmente, quando existe uma alternativa pública que pode até representar uma poupança significativa para o seu agegado familiar. Mas o problema é que o Estado consome recursos a promover o aumento da oferta de transportes públicos e o reforço das infraestrutruas viárias e dos restantes meios de transporte, para depois permitir que o desenvolvimento urbano se faça a reboque dos interesses dos promotores imobiliários com o crecimento descontrolado a hipotecar os investimentos feitos. Veja-se o crescimento vertiginoso do Montijo e de Alcochete e as consequências para a circulação na Ponte Vasco da Gama. Recorde-se o que se escreveu sobre formas de conter a expansão urbana na altura da construção da ponte. Não passarão cinco anos para que o acesso a Lisboa se faça todas as manhãs pelo método do conta-gotas com a situação a inverter-se, no que se refere ao sentido, ao fim do dia. Ora as pessoas foram para o Montijo ou para Alcochete porque a oferta de habitação lhes pareceu a um preço interessante. Nâo são masoquistas que preferem deslocar-se todos os dias para trabalhar em vez de viverem em Lisboa. Em Lisboa são os interesses da oferta que dominam a produção de habitação e os fogos destinam-se a quem pode pagar aos preços que se praticam desprovidos de qualquer razoabilidade. Para gáudio dos que acumulam as mais-valias e para castigo dos que são expulsos para as periferias. Os vencedores e os vencidos.
de Frei Bento Domingues no Público de ontem. Cito: "(...) Parece-me exorbitante ameaçar os católicos que votem "sim" com a excomunhão.Comparar o aborto ao terrorismo é fazer das mulheres aliadas da Al-Qaeda. A retórica deve ter limites.(...)"; "(...) O "sim" à despenalização da interrupção voluntária da gravidez, dentro das dez semanas, é contra o sofrimento das mulheres redobrado com a sua criminalização. Não pode ser confundido com a apologia da cultura da morte, da cultura do aborto, embora haja sempre doidas e doidos para tudo.(..)"
Hoje no suplemento Local do Público um artigo de opinião assinado por Jorge Vilhena Mesquita e Ana Paula Gago. Uma reflexão sobre a o desenvolvimento urbano ao sabor dos interesses dos promotores imobiliarios, sobre o papel da arquitectura e, sobretudo, dos arquitectos mais famosos, utilizados como viabilizadores da muitas vezes grosseira violação dos instrumentos de planeamento e sobre o papel do planeamento urbanístico e da cidadania no desenvolvimento das cidades. A não perder.
ADENDA: Como o link para a edição do Público só se mantem válido durante o próprio dia da edição junto duas ou três citações do artigo referido: 1) "Parece ter virado moda: de cada vez que em Portugal um promotor imobiliário pretende fazer aprovar um projecto que não "cabe" no Plano Director Municipal(PDM) - em razão da altura das cérceas, da excessiva densidade de construção, ou de ambas - entrega-o a um nome sonante da arquitectura para melhor o fazer "passar"; é o que está a acontecer com os projectos de Normam Foster para Santos e de Ricardo Boffil para as Picoas, em Lisboa, apresentados com a aura de "arquitectura de autor(...)"; 2) (...) Que o próprio poder autárquico apadrinhe tamanho desvario urbanístico representa, a nosso ver, um abuso e desvio de poder; não foi para favorecer a mais desaforada especulação que ele foi eleito, mas para promover o interesse público, zelando pelo direito dos cidadãos a viver numa cidade habitável!(...)" 3) A arquitectura e o urbanismo só podem vingar enquanto artes de construção da cidade na duração e na regra. Ora o espaço urbano é, cada vez mais, alvo de uma ganância especulativa que o vê como um bem consumível a explorar na imediatez da oportunidade e ao sabor da mesma, ganância esssa para a qual regra e estabilidade legal são um estorvo.(...)"
A situação na autarquia de Lisboa dá bem uma medida das entorses que caracterizam o actual sistema de governo dos municípios. Se, por hipótese, Carmona Rodrigues viesse a ser constituído arguido e em função disso optasse por se demitir, admitindo que Marques Mendes considerava que passava a não existir razões para não realizar eleições antecipadas, podia acontecer que se realizase eleições apenas para a autarquia mantendo a actual maioria absoluta PSD na Assembleia Municipal. Isto é, uma nova maioria eventualmente de sinal contrário à actual teria que contar com a actual maioria PSD na AM. Bizarro no mínimo. Por outro lado numa situação de crise como esta percebe-se bem quantos tipos de vereadores coexistem no mesmo executivo. Os que foram eleitos para governar a cidade em função do seu programa e os que mesmo estando em maioria executam funçôes de controlo do exercício do poder pelos outros. Outra bizarria.
Imagine-se como tudo não seria diferente se em função deste tipo de problemas ou de outro de natureza semelhante Carmona Rodrigues, ou qualquer outro autarca, fosse ao Parlamento Municipal apresentar uma equipa renovada e obter, ou não, um reforço da confiança política dos deputados. Claro que os executivos emanariam da Assembleias Municipais - só seriam pluri-partidários caso resultassem de coligações aí estabelecidas em sede de negociação política - e as Assembleias Municipais seriam orgãos eleitos pelo povo com capacidade política de efectivo controlo do poder executivo - sem essa bizarria que resulta de os resultados dos votos expressos pelos cidadãos poder ser corrompido pela participação das Freguesias nas Assembleias Municipais com direito de voto.
O que aqui se diz - muita gente fala disto desde há mais de década e meia, sem qualquer eficácia - não significa que exista da parte de alguém - com excepção, ao que parece, do BE - na Câmara de Lisboa uma vontade manifesta de que se realizem eleições antecipadas. Por puro calculismo político que muitas vezes se confunde com o pior oportunismo. Todos acham que mais vale que Carmona Rodrigues e o PSD continuem a gerir a autarquia e a arrastar com as imensas dificuldades que tolhem a actividade autárquica. Esperam colher mais facilmente os trunfos eleitorais desse "cozer em lume brando" da actual gestão. O problema é Lisboa e são os lisboetas que não deveriam ser obrigados a esperar por uma clarificação da situação e por uma nova gestão reforçada e com um projecto para enfrentar e resolver os graves problemas que se deparam à cidade.
Adenda:As tristes intervenções de Filipe Menezes só servem para dar uma imagem melhorada de Marques Mendes cuja intervençâo neste processo tem sido marcada pela sobriedade e pela coerência.
Hoje no Público o Destaque, com grande destaque na primeira página, é dedicado a uma entrevista com João Cravinho. O governo e em particular o ministro da Justiça são fortemente visados pela negativa. Cito( sublinhados meus): "(...) Interrogo-me se não estamos a recuperar alguns elementos de governamentalização da Assembleia da República(...) Mas quando se entende que o deputado não é mais que um autómato ou uma correia de transmissão - não pode ter iniciativas, tem que ser cinzento, não pode ter ideias próprias, não tem o direito de dizer a sua opinião... ;"(...) Vir dizer que alguém não quer, o presidente do concelho não quer, o ministro da Justiça não quer, isso para mim é indiferente. O que interessa são as razões por que não quer, o debate político. Para a vontade autoritária, estou-me rigorosamente nas tintas. Foi por isso que se fez o 25 de Abril." ;
Da mesma forma que coloca em evidência as oposições que encontrou no seu partido e no Governo do seu partido Cravinho não deixa de salientar o apoio que sempre sentiu da parte do Presidente da República.
O problema é que Cravinho está de partida e ficamos todos com a sensação que o Parlamento perde um deputado dos poucos que não são domesticáveis. Vão ficando os outros.
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O Governo vai facilitar os despedimentos na função pública. Eis o verdadeiro sentido da tão falada reforma da função pública: facilitar os despedimentos. O Governo do PS mostra-se incapaz de efectuar seja que reforma for sem ser pela via mais brutal. Sem ouvir os parceiros e começando pelo ataque aos direitos das classes envolvidas. Neste caso o direito à estabilidade do emprego que na altura em que muitos milhares de trabalhadores optaram por serem funcionários públicos lhes pareceu ser um valor capaz de contrabalançar uma menor expectativa salarial. O PS não discute nada sobre o modelo de Administração Pública que faz falta a Portugal. Parece saber que o que faz falta é tão somente uma Administração pública em que a facilidade de despedimentos seja maior. Em que a precaridade do emprego público aumente. Poque será que o Governo não é capaz de promover uma reforma da Administração Pública como a realizada no Canadá em que a definição das funções do Estado, a efectiva requalificação das carreiras e a valorização dos trabalhadores foram as questões centrais em vez da liberalização dos despedimentos? Este Governo apenas faz, com grande eficiência, aquilo que a direita não é capaz de fazer por pudor. Faz aquilo que não esteve na base do contrato que estabeleceu com os cidadãos. Talvez por isso parte daqueles que hoje manifestam o seu apoio a estas políticas não sejam os mesmos que em Fevereiro de 2005 votaram PS para lhe dar uma maioria absoluta. Maioria absoluta que hoje é utilizada contra os seus direitos e os seus interesses.
Foi desta maneira, com um "Estou perfeitamente.... não satisfeito" que Cravinho deu por encerrada a sua carreira parlamentar. Quem poderá estar satisfeito com tudo aquilo que se passou?

Estes são os rostos de políticas, espero que não só aparentemente, diferentes.
Embora ainda no activo, Condoleezza Rice é um rosto já marcado pelo presente/passado de uma política que falhou, uma política sem esperança, que pesa não só nos Estados Unidos, mas no mundo inteiro. A Administração Bush, a pouco mais de um ano das eleições presidenciais, é já o rosto do passado que procura arrumar a casa o melhor possível. Hillary Clinton, embora já sobejamente conhecida, é agora e já o rosto do presente/futuro da América do Norte. É o rosto onde se depositam as esperanças por um futuro menos bélico e mais construtivo. É para esta mulher que se viram agora todos os focos.
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foi desta forma que Sócrates se referiu às propostas de João Cravinho para reforçar o combate à corrupção. Uma forma grosseira que deu conta da irritação que a chamada ao debate deste tema por parte de Marques Mendes lhe provocou.
A justificação de que não aceita limitações ao Estado de Direito - no caso a inversão do ónus da prova nos casos de enriquecimento ilícito - pareceu bastante pífia já que, como lhe lembrou Francisco Louçã, a Lei Geral Tributária já estabelece - artº 86ª(?) - que no caso de manifestações de riqueza incomportáveis com os níveis de rendimentos declarados é ao contribuinte que compete fazer prova da sua origem. Aliás, não foi este Governo que na opinião da generalidade dos fiscalistas, alguns ex-membros de governos do PS, veio na proposta do Orçamento para 2007 diminuir significativamente os direitos dos cidadãos penalizando mesmo o direito à reclamação das acções da Administração Fiscal?
Adenda: Afinal a julgar pela argumentação uilizada por Sócrates neste debate a afirmaçâo de Cravinho aqui referida era a ele que se destinava. Senão compare-se o que disse o deputado socialista e esta afirmação de Sócrates: "Seria um erro diminuir a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Judiciária, criando uma nova entidade, ressuscitando a alta autoridade para a corrupção"
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Etiquetas: corrupção
Depois da entrada de vários agentes da PJ na CM de Lisboa e das buscas efectuadas em casa de responsáveis políticos da autarquia o facto de a Vereadora do Urbanismo, Gabriela Seara, ter sido constituída arguida no âmbito das investigações levadas a cabo pela Polícia Judiciária ao negócio de permuta dos terrenos da Feira Popular e do Parque Mayer não permite adivinhar nada de bom para a liderança da autarquia lisboeta. A Vereadora do Urbanismo já declarou estar a ponderar a demissão. Tratar-se-á de uma atitude natural face à importância do lugar que ocupa à importância da autarquia que representa e à natureza das acusações que envolvem o negócio objecto de investigação. Poderá representar de alguma forma um sacríficio necessário para preservar a face de Carmona Rodrigues e garantir a continuidade da actual liderança num momento em que já se fala de eleições antecipadas.
Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Lurdes, Lurdes que vou morrer.
poema de António Lobo Antunes
recebido por e-mail de
Carla Costa Araújo
Quem se aventura a visitar a Ermida de São Bartolomeu situada na Ribeira dos Moinhos em Sines, avista pelo caminho uma série de aglomerados de "barracas" (se assim se pode chamar) onde "espontâneamente" criam-se animais, fazem-se hortas e "barbicues" ao Domingo. Os ditos aglomerados de tralha, uma vergonha para qualquer agricultor, suspeito não pertençam a moradores locais, mas a moradores de Sines que alí têm o sua pequena/grande barraca de campo para se entreterem na horta e se divertirem ao Domingo com umas patuscadas.
Então não se pode ter uma horta limpa? E não se pode retirar dali aquele lixo? Afinal quem deu autorização para ali se instalarem estes estaminés ? De quem é o terreno? Etc, Etc..
E para finalizar, as obras de restauro da Ermida de São Bartolomeu iniciadas em 2001 já se encontram finalizadas. Para quando a sua integração nos roteiros da cidade, a sua abertura ao público? Não se terá primeiro que limpar a tralha do caminho e deixar que a natureza embeleze por si só a bonita e simples Ermida?
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Afinal a reunião foi a pedido do deputado João Cravinho. Afinal a reunião não serviu para falar da próxima ida de Cravinho para o BERD. Ou não serviu apenas para isso. Afinal o Presidente acompanha com atenção o dossier corrupção e as iniciativas do Parlamento nessa matéria. O DN dá da reunião um relato mais alargado do que o Público tomando como fonte as declarações de Cravinho ao programa Falar Claro da Rádo Renancença. Fica esta declaração de Cravinho citada pelo DN: "sempre que se levanta o problema de ir ao coração da luta contra a corrupção, é curioso que existam as maiores dificuldades, sempre."
Pois é!
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António Vitorino interviu num debate do PS sobre o próximo referendo para ilibar Guterres da derrota do sim no referendo de 1988. A culpa terá sido do radicalismo dos defensores do sim e não da atitude do então primeiro-ministro e secretário-geral do PS, terá dito o ex-comissário europeu e ex-futuro próximo qualquer coisa neste país.
A história pode ser sempre reescrita. Claro que a coisa adquire maior credibilidade quando o escriba de serviço é um peso pesado como António Vitorino. A verdade histórica é que pode não ganhar nada com isso.
"Para inglês ver", de Joana Amaral Dias, hoje no DN
Quem o diz é João Cravinho, numa entrevista ao Expresso. Os "rabos de palha" têm a ver com a magna questão da corrupção. Absolutamente a não perder. Cito: " (...) Quando se diz que na lei portuguesa já há prevenção, nas competências da PGR e da PJ, e que isso chega, só pode ter uma resposta: ai do país que tem uma percepção tão primária, tão minimalista, tão pré-histórica daquilo que é o risco da corrupção.(...)". Estarei errado quando percebo que o destinatário desta afirmação/acusação é o ministro Alberto Costa?
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As proposta do deputado João Cravinho não são adequadas nem consistentes
Posted by JCG at 1/19/2007 07:39:00 da tardeO autor desta afirmação é Alberto Martins o líder da bancada do PS. Um líder que os cidadãos não terão dúvidas em considerar manifestamente não adequado nem consistente para gerir esta questão e para conferir, a partir da sua sólida maioria absoluta, um impulso sério ao combate à corrupção no nosso País.
Lamentável a postura do PS, dos seus deputados e dos membros do Governo, em particular do ministro Alberto Costa, empenhados em travar as iniciativas do deputado, mas a serem incapazes de tomar uma posição clara. Até porque terão conciência da impopularidade da sua posição de oposição a um combate sério à corrupção crescente. Optaram pela aposta no cansaço do deputado e depois, ao que parece, na sua saída de cena. Esqueceram o elementar: um processo político desta natureza uma vez aberto não se consegue parar. A saída de cena de João Cravinho e o envio dos seus projectos para a gaveta não significam, felizmente, o fim da questão.
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Para todos os que gostam de fado ou para os querem descobri-lo na melhor voz e interpretação da actualidade: ALDINA DUARTE pelas 22 hrs no Centro das Artes.
... protegem os produtores de electricidade à custa dos consumidores, afirmou no Parlamento Jorge Vasconcelos. Quer isto dizer que o centrão político - PSD e PS - é subserviente do poder económico no sector energético. Bastaria analisar a circulação do pessoal político por lugares de administração e outros bem remunerados - e a darem pouco trabalho de preferência - para perceber esta realidade. Claro que quando os Governos ficam reféns deste tipo de poderes os objectivos últimos da sua, supostamente nobre, actividade ficam fortemente prejudicados. Tal como os cidadãos.
Afinal a Bragaparques queria uma factura de Sá Fernandes. Já lá vai o tempo em que as verbas destinadas à corrupção dos agentes políticos era dinheiro sem rasto. Era no tempo em que a corrupção ainda não tinha adquirido o estatuto de prestação de serviços. Agora os movimentos de dinheiro têm que ser meticulosamente justificados. A verdade fiscal exige que quem paga considere o custo que teve que suportar e que quem recebe declare o rendimento auferido. O preenchimento da factura não colocará problemas de maior. Sugere-se: " Prestação de serviços que visa permitir dar um ar de legalidade à transferência de bens públicos para o património da empresa e dos seus accionistas."
subida do preço da electricidade podia ser inferior a seis por cento
Posted by JCG at 1/17/2007 08:35:00 da tardeTodos sabemos que esta declaração é verdadeira. O facto de ela ter sido proferida por Jorge Vasconcelos, o ex-presidente da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), acrescenta-lhe, claramente, um outro peso. Ainda mais quando o local da declaração foi a Comissão Parlamentar dos Assuntos Económicos, Inovação e Desenvolvimento Rural da Assembleia da República.
É falsa, portanto, a dicotomia entre os 15 % da ERSE e os 6% do Governo. O preço tem um conjunto de componentes políticas que impedem que ele seja um preço sensato, um preço de mercado.
Como referiu o semanário SOL, na sua edição do passado dia 30 de Dezembro, Jorge Vasconcelos referiu ao Presidente da República que não concordou com a amortização do défice tarifário apenas à custa dos consumidores. No entanto, o Governo não permitiu que a EDP e a REN efectuassem reduções das suas margens de lucros e actuassem de forma a diminuir as suas despesas de produção. Segundo o SOL o Governo pretende maximizar as receitas com a privatização parcial quer da REN quer da EDP, ambas previstas para 2007.
A verdade mais tarde ou mais cedo sabe-se.
Nove suspeitos de tráfico detidos em Sines e Santiago do Cacém. O Público adianta que foram apreendidas "581 doses individuais de heroína, 603 de cocaína". Muita massa.
Gosto do Luc Ferry. Das suas ideias ou, pelo menos, de algumas das suas ideias. Em particular as que defendeu no livro " A Nova Ordem Ecológica", publicado originalmente pela Grasset&Frasquelle em 1992 e em Portugal pela Asa em 1993, com tradução de Luís de Barros, que tive o privilégio de conhecer mais tarde e de me tornar seu amigo.
Foi a primeira vez que li referências ao movimento da deep ecology. Luc Ferry , que foi ministro, muito polémico, de um Governo de direita em França, veio a Portugal a propósito, ao que julgo, do quinto aniversário(?) da eleição de Rui Rio para a presidência da autarquia portuense. Passe a bizarria da oportunidade o que importa é que o senhor foi entrevistado pelo DN e dessa entrevista ressaltam um conjunto de ideias interessantes. O melhor é ler.
Sobre a constatação que a desgraça acontece mesmo àqueles que se julgava ...
Posted by JCG at 1/16/2007 11:08:00 da tarde... que tinham tomado todas as cautelas para se precaverem dos males dos simples mortais, incluindo as invejas, os olhados e as coisas que só acontecem aos que não são poderosos ou com eles não convivem.
Num post que publiquei aqui, alguns dias antes das últimas autárquicas chamei a atenção para "as "pessoas importantes" da terra. Aqueles cuja presença é sempre bem-vinda e cuja ausência deixa uma amarga sensação de vazio e de orfandade nas candidaturas. São politicamente andróginos e, em boa verdade, nunca se sabe em quem votaram ou votarão. Tão pouco se sabe como abrem os cordões à bolsa. O que é certo é que a sua presença justifica a cobrança que irão fazer, mais tarde, ganhe quem ganhar. Afinal a sua única ideologia é a dos seus interesses que alguns políticos de asa curta e bolso farto confundem com "desenvolvimento""(*).
Algumas dessas pessoas, quais camaleões, possuem uma capacidade notável para se adaptarem à côr da folhagem política dominante. A sua presença em jantares e manifestações de apoio pode mesmo incluir números outrora considerados pouco apropriados, de que a exibição do novo cartão de militante do partido no poder, pode ser um must. Exibições deste jaez dão um acesso irrestrito e ilimitado aos círculos íntimos do poder e fazem de um qualquer Zé Manel um notável, um primu inter pares, alguém dotado de uma visão rara entre os seus, um construtor de cidades. Mas, nesta vida, nada é definitivo. Até os caciques mais inamovíveis têm que ir a votos de quatro em quatro anos. Se a vida fosse tão fácil de governar como é facil manipular a gula de alguns políticos, não se descobriria que as pessoas ditas importantes, muitas vezes, não passam de simples ídolos de pés de barro.
(*) - É claro que a terra tinha nesse post um carácter geral mas que, por isso, não exclui terra nenhuma. Digamos que se aplica ao geral e ao particular...
A tentativa de suborno do vereador Sá Fernandes por parte de um Administrador da empresa Bragaparques foi objecto de uma acusação de corrupção activa por parte do MP. Uma actuação a merecer elogios já que mesmo nestes casos em que a ilicitude do comportamento é gritante a justiça costuma ser lenta e branda.
Adenda: Fontão de Carvalho. vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, não pode sequer ouvir falar em Sá Fernandes. Durante o fim de semana não parou de mostrar ao País, via televisão, a azia que lhe causa o vereador do BE. Foi dele aliás a frase do affair Carrilho quando afirmou a irrelevância do abandono do ex-ministro da Cultura: se fosse o Sá Fernandes aí a coisa mudava de figura, terá afirmado, mais coisa menos coisa.
Os voos da CIA de e para Guantanamo são uma vergonha para os Estados que consentiram na utilização do seu território para a realização de escalas. Os prisioneiros em Guantanamo estão privados dos direitos internacionalmente consagrados e são objecto de julgamento por Tribunais considerados ilegais pelo Supremo Tribunal Americano. Portugal está nesse grupo. Sobre isto muito se tem escrito, sobretudo por culpa da iniciativa de uma comissão temporária do Parlameno Europeu. Destaque para dois deputados portugueses: Carlos Coelho, do PSD, e Ana Gomes do PS. Com grande destaque para Ana Gomes que recusa calar-se naquilo que para ela é uma questão política que merece um cabal esclarecimento. Não importa que o Governo seja do seu partido e que o ministro seja um seu camarada - embora certamente com opções ideológicas muito dissonantes em várias matérias - a verdade está acima de tudo isso. Imaginamos todos as fúrias que as iniciativas da deputada socialista despertam no Largo do Rato e em Belém.
Quando será que o Governo e o PS, na Assembleia da República, resolvem adoptar nesta matéria uma postura de total colaboração com a descoberta de toda a verdade? A quem interessa este tipo de comportamento do PS e do Governo?
Deixo aqui uma relação dos livros de que mais gostei no ano de 2006. Esclareço desde logo que não são apenas livros publicados em 2006. São livros que eu descobri e li em 2006 e apenas aqueles de que mais gostei.
O ano de 2006 foi o ano em que me iniciei na leitura de Phillip Roth. Li, por esta ordem, Pastoral Americana, A Mancha Humana e O Animal Moribundo (o último livro que li em 2006). Gostei muito de todos eles. Mas, provavelmente, é a Mancha Humana o melhor de todos estes livros. A leitura dos romances de Roth é absorvente, a história toma conta de nós, as personagens são-nos familiares logo após as primeiras páginas e não conseguimos parar de ler até ao fim da história. Roth é um enorme escritor. Todos estes livros dão disso testemunho. Tentei outro Roth, "Casei com um comunista", algures entre a Mancha Humana e o Animal Moribundo e não gostei tanto. Interrompi a leitura mas irei voltar ao livro em 2007. Normalmente não regresso depois do abandono mas Roth merece.
O "EDUQUÊS" EM DISCURSO DIRECTO. Uma crítica da pedagogia romântica e construtivista" de Nuno Crato ( Gradiva)
O Fim do Petróleo. O grande desafio do Século XXI. James Howard Kunstler(Bizâncio). Kunstler escreveu uma obra absorvente e preocupante sobre a nossa civilização. A tese do autor é a de que a civilização em que vivemos está a acabar com o fim próximo do petróleo barato. A globalização só existe porque o preço dos transportes é tão barato que podemos consumir produtos produzidos ou fabricados no outro lado do mundo. Com o aumento inexorável do preço do petróleo acompanhado do fim da sua exploração comercial esta civilização irá sofrer mudanças radicais. A proximidade voltará a impor-se. Kunstler analisa as possibilidades das energias alteranativas para chegar a conclusões nada animadoras. O tempo da energia barata está a acabar. Não durará mais de quarenta anos na melhor das hipóteses.
A Anestética da Arquitectura. Neil Lech ( Antigona). Uma reflexão sobre o papel da arquitectura numa sociedade dominada por uma cultura de consumo estético com tendência para o seu afastamento das realidades quotidianas, com os discursos significativos a serem substituídos por estratégias de sedução. Particularmente importante a sua leitura num País em que a arquitectura e a sua estetização aparecem como legitimadoras de progamas políticos medíocres.
Mudar o Poder Local. Paulo Morais( edeline). Publicação de uma entrevista com o antigo vereador do urbanismo do primeiro mandato de Rui Rio na Câmara do Porto, com a denuncia das situações de corrupção no poder local, sobretudo envolvendo as questões do urbanismo. Muito actual e muito interessante e sem remédio à vista, infelizmente. Saliento a frase absolutamente rigorosa: " Hoje, a forma mais encapotada e mais sub-reptícia de transferir bens públicos para a mão de privados é através justamente da gestão urbanística pouco séria."
Lenin Oil. Pedro Rosa Mendes (Dom Quixote) . Um romance sobre o poder do petróleo em África. Sobre a desgraça que quase sempre representa para os países pobres a existência do Ouro Negro. São Tomé é deste ponto de vista um pretexto embora seja santomense a relação com as trevas, com o além, com a morte de que o autor nos fala ao longo do livro. Uma escrita marcada por um lado fantástico, quase por um delírio.
Correspondência Sophia de Mello Breyner e Jorge de Sena (Guerra e Paz)
Reconstruir la ville sur la ville. Coord. Paul Schwach. (ADEF) Agora que se fala pouco e mal sobre a venda do Património do Estado porque não tentar perceber o que é afinal a reciclagem urbana e como ela tem sido concretizada um pouco por todo o Mundo. Ao contrário cá da casa em que seja o Governo de direita ou de esquerda, património devoluto ou alienável só rima com dinheiro em caixa. Malheureusement.
Globalização a grande desiluzão. Joseph Stiglitz. (Terramar) e Os Loucos Anos 90. A década mais próspera do Mundo. Joseph Stiglitz (Terramar).
Stiglitz fala da globalização e dos anos 90 a partir de uma posição de actor dos acontecimentos mundiais quer como vice-presidente do Banco Mundial quer como conselheiro de Clinton para as questões económicas.
Notável sobretudo o primeiro livro no qual denuncia as razões do falhanço da Globalizaçaõ e aponta o dedo ao FMI, ao tesouro Americano e ao famigerado consenso de Washington. Stiglitz denuncia a falência das políticas do FMI e o facto de este ser hoje um instrumento de políticas contrárias às ideias defendidas pelo seu fundador, Keynes. Dá conta de paises que se arruinaram com graves conflitos sociais, pobreza e desemprego em massa por terem seguido a receita do fato único do FMI enquanto outros que resistiram ao modelo neo-liberal sobreviveram com muito menos danos sociais.
Sentimento do mundo. Carlos Drummond de Andrade. (Editora Record)
Um dos meus poetas preferidos e alguns poemas que fui editando no Pedra do Homem ao longo do ano.
Releituras
FASCÍNIO DA CIDADE. Memória e Projecto da Urbanidade. Vítor Matias Ferreira.( Ler Devagar, 2004). Notável e sempre fonte de novas descobertas.
LES MÉCANISMES FONCIERS DE LA SÉGREGATION. (ADEF,2004) Uma obra colectiva notável com uma reflexão sobre os mecanismos que determinam a segregação espacial das populações. Uma reflexão que não poupa nada nem ninguém. Desde o zonamento da Carta de Atenas de Le Curboisier, ao Direito do Urbanismo, às Políticas Públicas -ou à falta delas - de Desenvolvimento Urbano, ao crescente poder dos promotores imobiliários, todos as contribuições para a crecente segregação espacial das populações são avaliadas bem como as respostas políticas mais bem sucedidas e as causas para os fracassos que ocorreram. Leitura recomendada para os que acreditam que a democracia é o regime das escolhas e não das fatalidades.
Desafio aos Leitores: O que mais gostou de ler no ano de 2006?
Posted by MJB at 1/13/2007 12:20:00 da manhãNo início de 2007, o Pedra do Homem vem propôr aos seus leitores que indiquem os livros ou, se quiserem, os factos que destacam no ano que passou. Se aceitarem responder a este desafio enviem-nos as vossas escolhas para um dos nossos correios electrónicos.
Embora a maioria não tenham edição no ano passado, de os livros que li destaco os seguintes (sem ordem de preferência):
A Cortina - ensaio em sete partes de Milan Kundera (Edições Asa)
O Nascimento da Filosofia de Giorgio Colli - ( Edições 70)
Os Contos de Franz Kafka (Assírio & Alvim)
Um Homem: Klaus Klump de Gonçalo M. Tavares ( Caminho)
A Neta do Senhor Linh de Philippe Claudel ( Edições Asa)
Rio de Janeiro - Carnaval no Fogo de Ruy Castro ( Edições Asa)
e de os que reli
Elegias de Friedrich Holderlin (Assírio & Alvim)
Antologia Poética de Alexandre O'Neil (Assírio & Alvim)
A Condição Humana de Hannah Arendt (Relógio de Água)
Neste exacto momento não se pode respirar o ar que invadiu Sines. Um cheiro pestilento, nauseabundo. A patifaria continua como de costume. O respeito pela saúde das populações não faz parte da famigerada "responsabilidade social" destes gestores que com algumas dezenas de milhares de euros para o autarca gerir a seu bel prazer limpam as mãos desta porcaria.
Para quem anuncia há anos que as coisas vão melhorar dentro de seis meses como acontece com o actual Presidente da Câmara estes dias pura e simplesmente não existem. Aliás a conjugação dos investimentos na fileira energética com o desenvolvimento regional fica mais fácil se apagarmos a memória e a história e substituirmos a realidade por amanhãs que cantam.
A RTP recusou manter a parceria que mantinha à dez anos com o Pùblico, informa o diário num "esclarecimento aos leitores" da autoria do director, José Manuel Fernandes.
Lamentável quando se percebe que esta medida é uma retaliação da RTP às notícias e às tomadas de posição que o jornal adoptou no caso Eduardo Cintra Torres versus RTP e nas consequentes decisões da ERC. Cito: " A RTP preferiu deixar de trabalhar com o jornal que um estudo académico recente mostrou ser aquele que, precisamente nestes últimos dez anos e apesar das mudanças de governo, sempre demonstrou maior independência e menor dependência de fontes governamentais ou oficiais. São escolhas que falam por quem as faz."
Caso para concluir que para a RTP há independências que não são bem vindas.
A missa da DGCI dá que falar.O senhor director-geral dos impostos, Paulo Macedo, terá as suas convicções religiosas mas enquanro servidor da República deve respeitar a laicidade do Estado e o príncipio da separação de poderes.
A missa serviu para quê? Para que todos rezassem de forma a permitir ao senhor Director-Geral manter o seu salário faraónico, para os níveis e os padrões da nossa Administração?
Corre por aí uma grande sensibilidade de gente até de opções políticas diversas sobre a justeza do salário do senhor. Os resultados, considerados bons, justificariam esse estatuto. Quererá isto dizer que quem trabalha com os salários do costume na Administração Pública fica desobrigado de desempenhar com elevado mérito as suas funções? Será que nos querem convencer que não existe muita gente na Administração Pública com desempenhos de excelência?
E para quando uma avaliação sobre a realidade da proclamada eficácia de Paulo Macedo. A quem cobra a DGCI mais impostos neste momento? Os mais favorecidos continuam ou não a escapar ao pagamento dos impostos? Qual o peso das coimas e das multas nos valores globais apurados? Quais os efeitos colaterais para a actividade económica e para o desemprego da crescente agressividade da DGCI?
na BIBLIOTECA MUNICIPAL DE SINES - Sábado, 13 de Janeiro às 17.30 na Cafetaria
AO CONTRÁRIO DAS ONDAS de Urbano Tavares Rodrigues
“ Em cada uma das quatro partes deste romance, uma personagem se desnuda ou tenta fazê-lo, até aos limites do possível, e uma sociedade consumista, hedonista e angustiada vai surgindo em seu redor….. Em poucos romances portugueses do nosso século ou do século passado terão surgido, com esta iluminação serena de quem muito leu e viveu, confusões de sentimentos, palavras de dor sofreadas, mágoas que se arrastam, tal como os desejos intensos, vinganças ou sublimações eróticas, adultérios cujas mais fundas razões desafiam o entendimento do leitor.….”
Urbano Tavares Rodrigues, nasce em Lisboa no ano de 1923 e passa a infância no Alentejo, próximo do Rio Ardila, perto de Moura. Licencia-se em Filologia Românica, doutorando-se em 1984 com uma tese sobre Manuel Teixeira Gomes. É um escritor ficcionista, investigador, crítico literário português e vem à Biblioteca Municipal de Sines apresentar o seu mais recente romance que se intitula Ao Contrário das Ondas.
Com um dia de atraso - a Internet não está acessível em todo o lado - aqui fica o meu comentário sobre a renúncia de Carrilho ao seu lugar de vereador.
O primeiro comentário é que esta saída não se reveste de qualquer surpresa. Quando a concelhia de Lisboa do PS se solidarizou com Carrilho retirando a confiança política a Nuno Ribeiro Gaioso, o vereador que denunciara a falta de liderança de Carrilho e, mais grave, a sua sistemática ausência nas reuniões da Câmara, mesmo nas mais importantes, escrevi mais ou menos o seguinte: " a solidariedade da concelhia lisboeta do PS com Carrilho mostra que o ex-ministro da cultura já não pesa rigorosamente nada para o futuro do PS em Lisboa. Carrilho é uma carta fora do baralho para o assalto à liderança da Câmara de Lisboa e, para assinalar esse facto, nada melhor do que uma pública manifestação de solidariedade, tanto mais que do outro lado está Nuno Gaioso, escolhido por Carrilho e certamente um dos, senão ó único, homem de confiança de Carrilho."
A manifestação de solidariedade política era, confirma-se agora, um epitáfio na aventura de Carrilho na autarquia lisboeta. Dela sai sem honra nem glória. Com uma imagem pública muito mais desgastada do que quando para lá entrou. Se tivesse ganho a autarquia talvez pudesse ter construído, a partir daí, um contrapoder a Sócrates dentro do PS. Tendo perdido e, sobretudo, tendo actuado da forma que actuou neste último ano, depende exclusivamente da vontade de Sócrates para sobreviver na vida política. Esta demissão é um gesto de resignação, de
saída de de cena, que permite deixar o caminho livre a Sócrates para decidir sobre quem irá liderar a candidatura do PS nas próximas autárquicas. O renunciante espera com este gesto atempado suscitar a boa vontade do todo-poderoso e obter posteriormente a recompensa. A vida custa a todos.
Adenda: Carrilho pretendeu justificar a sua saída como uma decisão que se foi impondo pelo decorrer dos dias ásperos, desconfortáveis, deste seu primeiro, e único, ano de vereador na autarquia lisboeta. No mesmo instante Miguel Coelho, o inamovível patrão da concelhia socialista, veio esclarecer que a coisa estava combinada desde há mais ou menos sete meses. E acrescentou, num momento de uma irreprimível malvadez, que, por vontade própria, Carrilho nunca teria tomado posse como vereador e que ele Miguel Coelho, o sensato, é que lhe tinha chamado a atenção para a palavra dada e que talvez devesse ponderar renunciar mais tarde, talvez um ano depois quando as memórias estivessem mais esbatidas. Miguel Coelho é um especialista nesta delicada matéria a que poderíamos chamar asssassinatos políticos mas este terá sido, certamente, um dos que lhe deu maior prazer. Cinco estrelas.
Na apresentação do Movimento pelo Sim, no Porto, Rui Rio e Teixeira Lopes estiveram lado a lado bem com o outro candidato às últimas autárquicas, Francisco Assis do PS. O candidato da CDU integra um movimento do PCP. "Por muito diferentes que sejamos, e somos, esta é uma causa superior"afirmou o dirigente do Bloco de Esquerda, sorridente, como tivemos oportunidade de ver na TV, ao lado de um igualmente sorridente Rui Rio.
Falta agora verificar se na acção concreta se verifica esta unidade e se as declarações não se destinaram apenas a limitar os danos.
No Público, do passado domingo, Francisco Teixeira da Mota sintetiza, de uma forma feliz, algumas das razões que levam muitos cidadãos a lamentar a saída de João Cravinho do Parlamento português.
Escreve o conhecido advogado a dado passo: "(...) a relativa "preocupação" com a sua partida para Londres não releva de qualquer sebastianismo mas de um profundo realismo: em Portugal, em qualquer área, a fiscalização sistemática e rigorosa do cumprimento da lei por parte das instituições a quem cabe tal fiscalização, não existe. É preciso vontade, motivação e empenhamentos pessoais e excepcionais.
O deputado João Cravinho, desempenhava no nosso país um importante papel, até simbólico mas não só, na esperança colectiva que a corrupção como realidade endémica não é uma inevitabilidade. A sua cruzada pessoal animava-nos(..)"
Assino por baixo.
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Etiquetas: corrupção
"Não há Quadros no Alentejo" é uma frase recorrente no discurso político local e regional. Com esta frase os dirigentes políticos locais e regionais pretendem justificar o escasso nível de empreendedorismo mas também o facto, muitas vezes chocante, de o pessoal político e o pessoal técnico, sobretudo os avençados e os prestadores de serviços, serem em grande parte oriundos doutras zonas do País. Na realidade estamos perante uma pura vigarice. Não certamente a última mas uma das mais devastadoras. Os dirigentes locais, sobretudo os autarcas, fazem da repressão dos actores locais uma das condições para a sua sobrevivência e longevidade política enquanto, num notável exercício de hipocrisia, lamentam a falta de massa crítica. Preferem, por isso, contratar serviços ao exterior de preferência à Universidade, ou aos seus arredores, o que além do mais arrasta uma aura de competência que confere uma espécie de validação técnico-cientifica suplementar às políticas seguidas ou à falta delas. As oposições ficam sideradas com a sapiência do lente que debita na sessão pública um conjunto assinalável de vulgaridades incontestáveis que são, afinal, o verso e o reverso das políticas do autarca contratante. Um catedrático com um cheirinho de esquerda, afastado das querelas políticas do dia a dia, blasé quanto baste é a sétima maravilha do mundo. Paga-se caro mas têm-se o proveito. Um investimento sustentado.
Tudo muda de figura quando o jovem quadro é um jovem camarada. Um camarada que já deu provas noutro concelho mas que, por puro azar, a vida tem tantos imprevistos..., não lhe correram bem as coisas, tinha ganho má fama, um rapaz com tantas qualidades. Há que reciclá-lo, dar-lhe uma nova oportunidade. Não existe melhor solução do que mandá-lo para o Alentejo. Uma pura acção de repovoamento e logo com Quadros, um recurso tão escasso. Passados uns, poucos, anos o nosso jovem já estará eleito, num lugar político onde poderá expressar melhor as suas imensas qualidades, algumas vezes incompreendidas. Mas, mesmo aqui, existem regras que importa respeitar. Um jovem, mesmo muito bem sucedido, não deve atrever-se a questionar as competências e os poderes do velho cacique. Se o fizer pode-lhe acontecer que, quando acordar, já as competências lhe tenham sido retiradas e já outro Quadro tenha aterrado no Alentejo para desempenhar as funções que lhe tinham sido confiadas e que acabam de lhe ser retiradas. Muitas vezes depois de um curto voo de um aeródromo que, entretanto, mudou o controlo da navegação aérea e da emissão de licenças aos paraquedistas.
Claro que tudo isto, praticado a esmo desde o 25 de Abril, embora com muito maior empenho e desfaçatez nos últimos anos, é favorecido pelas características topográficas do Alentejo. Se a região fosse montanhosa os paraquedistas seriam bastante menos já que o número de baixas seria muito maior e o número de candidatos na razão inversa. Quem é que quer correr o risco de bater com os cornos num monte de pedras mesmo que a recompensa seja um lugar inatingível pelo simples recurso às competências próprias?
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Etiquetas: Poder Local
A saída próxima de João Cravinho do seu lugar de deputado para a administração do BERD foi hoje tema destacado em quase toda a imprensa. O Público dedica-lhe o Destaque da sua edição e o editorial do seu director, José Manuel Fernandes. O jornal recolhe opiniões de todos os partidos de que as mais sensatas são as de Francisco Louçã. O deputado do Bloco considera esta escolha uma escolha justificada em função das capacidades e da preparação do deputado socialista, mas sem perder a oportunidade para referir que "Está-se a criar, dento do PS, uma espécie de exilios sabáticos . O deputado João Cravinho deu um impulso muito importante na aprovação de medidas concretas, que criaram algum embaraço ao PS."
Inexplicável é a manchete do Diário de Notícias que afirma "Cravinho deixa cair crime do 'enriquecimento ilícito' " No interior a notícia da responsabilidade de Eduardo Dâmaso e Francisco Almeida Leite vai pelo mesmo caminho. Afinal o deixar cair por parte de Cravinho resulta ou não da forte oposição, e da recusa, quer do Governo quer do Grupo Parlamentar às propostas do veterano deputado? E haverá alguma relação entre o convite agora aceite - Cravinho recusara convite idêntico um ano atrás - e a crispação indisfarçável entre João Cravinho e os seguidores de Sócrates? Para os jornalistas do DN estas questões não se colocam.
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Etiquetas: corrupção
Já terei confessado aqui muitas das razões que me levam a ter alguma simpatia por Rui Rio. Terei escrito que se fosse eleitor no Porto teria contribuído para a sua eleição na primeira candidatura. Não o fiz mas fiquei muito satisfeito com a sua eleição contra o candidato do PS e sobretudo contra a coligação PS - FCP, que me pareceu sempre repugnante.
Nas últimas eleições autárquicas terei escrito que o BE escolheu o pior candidato possível a julgar pela campanha que fez: com efeito Texeira Lopes na campanha não apresentou qualquer ideia limitando-se a atacar de forma sistemática Rui Rio. O resultado foi o que se sabe: o BE não elegeu qualquer vereador. Admito que Teixeira Lopes tenha boas razões políticas para detestar Rui RIo. Mas os ataques são muitas vezes de uma contundência que não aparece suportada em qualquer conteúdo, pelo menos entendível por pessoas como eu.
O absurdo surgiu esta semana com uma notícia no Público da passada quarta-feira em que o dirigente do BE criticava o facto de os promotores do Movimento Voto Sim terem convidado Rui RIo para integrar o movimento. Afirmava Teixeira Lopes que este convite "acabava por branquear o seu comportamento e o meu receio é qe Rui Rio possa utilizar o próprio movimento para ganhar notoriedade e tentar recuperar a sua imagem junto de um certo eleitorado". Desculpe, importa-se de repetir? Esta deve ser a declaração política mais estupida do ano que agora se iniciou. Teixeira Lopes parece ter perdido a noção das realidades e pretende, pelos vistos, separar as pessoas que apoiam o Sim entre as boas e as más. Rui RIo naturalmente pertence aos maus. Todo e qualquer cidadão tem o direito de integrar seja que movimento for apenas determinado pela sua opinião pessoal sobre a questão. Este direito parece-me inquestionável. Nao lhe ocorrerá pelo contrário esquecer por uns momentos as suas diferenças político-partidárias -naturalmente estimáveis - e trabalhar para a unidade à volta da questão central que é fazer triunfar o SIm no referendo do próximo mês?
Com este tipo de contribuições o SIM arrisca-se a virar um Não.
Acabo de saber, via Blogúitica, que João Cravinho abandonará o seu lugar de deputado no final de Janeiro. Vai para o BERD em Londres.
Uma machadada no Parlamento que perde um dos seus melhores deputados. Uma machadada para o combate à corrupção quer perde o deputado mais activo e com uma capacidade de produzir propostas e de denunciar a importância dste combate para a qualidade da democracia e o desenvolvimento do país, sem paralelo entre os seus pares.
Apetece no entanto questionar a legitimidade do deputado Cravinho de abandonar o seu lugar, apesar do desafio que o lugar de destino representará. Tanto mais que se encontra envolvido nesta batalha que liderou pela adopção do combate à corrupção como uma política de Estado.
Se os cidadãos tivessem uma palavra a dizer eu diria que João Cravinho deve manter-se no seu lugar pelo menos até concluir esta batalha. E que sou um dos que recebo notícias destas com decepção e frustação.
Uma leitura política que esta decisão suscita é a de que a incomodidade dos PS com as acções de Cravinho terá atingido dimensões insustentáveis e que a rotura se deu pelo elo mais fraco, embora, como é da praxe, com a nomeação para um importante lugar no estrangeiro.
PS- Estou certo que João Cravinho terá sido o deputado mais referido neste blogue por boas razões.
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Etiquetas: corrupção
O Governo avança com a venda de importante património que detêm na cidade de Lisboa. À balda, isto é, pela melhor oferta financeira descurando todos as outras questões que deveriam presidir a uma decisão desta natureza. Ora a melhor oferta é de quem conseguir a melhor rentabilidade imobiliária para o terreno. O PDM não prevê qualquer construção para esses terrenos? Não tem problema, invoca-se o interesse público. Uma desgraça para a cidade e para o País. Sobretudo para os cidadãos. Mas ainda existirão cidadãos? Na SC Notícias, Mário Crespo arbitra o frente a frente entre Helena Roseta e Maria José Nogueira Pnto. Há mais do que um frente a frente, um lado a lado. Ambas criticam esta forma de fazer cidade. Esta forma de ultrapassar os interesses da cidade e dos cidadãos e de subverter os instrumentos de planeamento em vigor.
PS - Em Junho deste ano publiquei, no Público Local, um artigo de opinião sobre este tema cujo título era "VENDA DO PATRIMÓNIO DO ESTADO: UMA OPORTUNIDADE PARA A CIDADE E PARA OS CIDADÃOS?"
(Pode ler aqui).
Atribuir o mau comportamento térmico dos edificios a uma má fiscalização dos materiais que supostamente o garantiriam é no mínimo bizarro. Que materiais serão esses? Para se responder a esta pegunta importaria começar por saber de que tipo de construção estamos a falar. A qualidade da construção é má porque é má a qualidade dos projectos e porque, sobretudo nas obras públicas, a fiscalização passou a ser uma actividade irrelevante e dispensável. O que vale por dizer que não há materiais suficientemente capazes de garantir comportamentos térmicos excelentes se a concepção arquitectónica do edíficio, por exemplo, for um perfeito disparate, com grandes vãos envidraçados virados a norte e com as fachadas viradas a sul igualmente esburacadas, sem a neccesária protecção solar passiva. Ora há muito disto por aí com prémos e honrarias quanto baste. Da mesma forma, como se pretenderá garantir bom comportamento térmico, ou seja lá de que natureza for, a um edificio cuja estrutura foi mal projectada, mal construída - no caso dos edificios correntes para venda não existe verdadeira fiscalização, os técnicos responsáveis pela execução trabalham para o dono da obra e têm uma limitadíssima - inexistente melhor dizendo- independência -e cujas deformações acarretam a degradação das paredes exterioes e interiores com a consequente perda das suas capacidades entre elas a de garantirem o isolamento térmico.
O lobbie do térmico chegou para salavar a construção. É mais uma horda de especialistas que aparecem para garantir a qualidade dos edificios. Ora aquilo de que a construção necessita é de bons clínicos gerais sobretudo se tiverem boa formação nas áreas estruturais. E de leis claras e simples que ajudem a separar o trigo do joio. Não de leis como as que obrigam à certificação térmica dos edificios, à certificação das redes de gás etc, mas dispensam, pasme-se, qualquer verificação da qualidade estrutural dos projectos e da forma como são construídos. Está tudo doido.
O que pensarão os portugueses sobre as consequências da aquisição da PT pela Sonae? Não conheço estudos de opinião sobre o tema. Mas a questão não deixará certamente indiferentes os consumidores. O Público perguntou aos seus leitores online se "A OPA da Sonae sobre a PT irá fazer baixar os preços das telecomunicaçõs?". Setenta e três por cento (73%) responderam que não.
Quem poderá pensar o contrário, para além de Abel Mateus?
o post http://daliteratura.blogspot.com/2007/01/prioridades.html#links de Eduardo Pitta no Da Literatura de hoje.
As acusações de Louçã sobre as consequências da OPA da Sonae sobre a PT são graves. Talvez por isso merecessem um esclarecimento cabal. Diz Louçã que : serão despedidos 3000 trabalhadores; o Estado irá assumir o défice do fundo de pensões da PT que é de 3 mil milhões de euros; A Sonae não pagará impostos durante vários anos apesar dos 500 milhões de euros de lucro ano da PT; A venda dos activos da PT garantirá um encaixe de 4 mil milões de euros; os consumidores pagarão mais pelas comunicações.
Curiosamente estas declarações não suscitaram grande interesse por parte dos jornalistas. NO Público um trabalho sobre a OPA justifica uma breve referência à conferência de imprensa. No DN rien de rien.
Não está fácil a vida das oposições.

quero nomear todos os que contrariam a corrente da indiferença e se dedicam ao próximo. Todos os que pelo mundo inteiro levam a esperança e o amparo aos esquecidos. Todos os que estudam e investigam a cura para as doenças. Todos os desconhecidos que ajudam a interiorizar o sentido da paz nos outros. Todos os que fazem o bem incondicionalmente e que estão acima dos mesquinhos sistemas do poder e do dinheiro. Todos os que anonimamente dão o seu trabalho, as suas palavras, o seu amor. Todos os que realmente lutam para que os votos de Ano Novo tenham um sentido real.
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Etiquetas: Mundo
nome de uma excelente reportagem da jornalista Raquel Marinho que acaba de ser passada na SIC Notícias. A reportagem era sobre uma empresa a Deficiproduct - Artesanato, Produção e Comércio por Deficientes, Lda. que emprega sobretudo pessoas com deficiências. Da produção à comercialização dos produtos grande parte do trabalho é assegurado por pessoas que, normalmente, são recusadas no mercado de trabalho. Pessoas cuja deficiência, nalguns casos , foi adquirida nesse mercado de trabalho em acidentes profissionais. Pessoas que, como afirmou um deles, se sentiam como coisas sem préstimo quando não tinham trabalho. O empresário, ele próprio portador de uma deficiência, merece certamente os maiores elogios pela aposta e pela coragem. Merecem destaque a suas palavras: " o emprego não é uma esmola. As pessoas são capazes e são competentes. A fábrica tem que produzir para pagar os ordenados, os custos e para dar lucro. Estes trabalhadores são bons."
O problema é que o País não é grande coisa: de um milhão de deficientes, oitenta por cento dos quais estão em idade activa, a maioria está desempregada.
Parabéns à Deficiproduct, à SIC Noticias e à jornalista Raquel Marinho.
Cavaco Silva deu uma primeira medida das exigências futuras. Afirmou que são exigidos resultados. Que os sacríficios exigidos obrigam a que se alcancem resultados. Mais do que uma crítica ao Governo foi a proclamação de que as polítcas que este tem concretizado estão ainda sujeitas ao teste da verificação da sua eficácia. Estabeleceu um prazo; um ano. Se as coisas não correrem bem outro galo cantará.
Sem comprometer a cooperação estratégica com Sócrates deu um pequeno sinal do que poderá fazer no futuro. Desta forma pretendeu diminuir as críticas dos que à direita, sobretudo no PSD, o acusavam de uma excessiva identificação com as políticas do Governo. Um acto apesar de tudo revelador da incomodidade que essas críticas provocam ao Presidente da República.
Para lá das leituras mais ou menos próximas da realidade o que para a generalidade dos portugueses interessará do discurso de Ano Novo pouco será. É que, apesar da esperança que sempre representa o aviso ao Governo sobre a necessidade de resultados e as declarações de esperança no futuro, os porugueses, com Sampaio, tiveram dez anos de fartas esperanças, sempre renovadas, e de dificuldade crescentes, nunca atenuadas.
Sobretudo para os de menores rendimentos. Em 2007 o Estado irá continuar o seu esforço titânico para reduzir o defice das conta públicas. Como? Diminuindo os gastos com as políticas sociais de que os recentes aumentos dos medicamentos, pela via da diminuição da comparticipação, ou a redução das despesas com a Educação e com a Ciência são apenas exemplos. Aumentando a pressão fiscal sobre as vitímas do costume; os que não podem fazer planeamento fiscal; os que não se atreverão a reclamar sob pena do fisco os penalizar de forma irreversível, por força das alterações introduzidas no OE 2007. Continuando a aumentar o custo de vida reduzindo dessa forma ao mínimo o dinheiro disponível quer para as famílias quer para as pequena s e médias empresas. Mantendo a desigualdade social que caracteriza este país como o mais desigual da União Europeia. Uma situação que caiu na rotina para as nossas elites e é hoje encarada como uma inevitabilidade. Até porque como eles dizem a culpa da pobreza é dos ... pobres.
O final do ano fica marcado por uma série de acontecimentos associados a maus tratos infligidos a crianças. O caso de Sara é o mais chocante. Mas o da pequena Carolina, abandonada numa casa de banho do Doce Vita do Porto - notícia de hoje do JN - logo após ter nascido, é igualmente revelador da barbárie que vive no meio de nós. Barbárie que reveste outra expressão, não menos cruel, quando pensamos na incompetência com que as estruturas políticas enfrentam estas situações.
A morte por afogamento de seis pescadores na praia da Légua, a umas dezenas de metros da praia, mais do que uma manifestação da impotência dos meios de salvamento de que a comunidade dispõe, mostra quanto são frágeis as bases em que assenta a nossa suposta modernidade. Somos incapazes de fazer o essencial. Incapazes de sermos responsáveis, solidários, competentes. Mas somos céleres a abrir inquéritos e a dá-los por encerrados sem verdade e sem consequências, isto é, sem honra nem glória, salvando sempre a pele de quem manda. Os outros já morreram, ninguém os pode ressuscitar...
A nossa pequena e costumeira barbárie.
No final de 2006 as imagens do enforcamento de Saddam ficam a testemunhar a barbárie que teima em caracterizar os comportamentos políticos. Neste caso Goerge Bush, o bárbaro que ocupa o lugar de Presidente dos EUA, necessitava de uma vitória para encerrar o ano - marcado por tantas derrotas - de 2006; escolheu o enforcamento de Saddam. Uma vitória de Pirro.



