... nesta altura da vida da cidade de Lisboa é a decisão sobre que cadeira socialista ocupa quem. Nuno Gaioso ou Dias Baptista, quem fica com a cadeira número um do PS ? Numa Câmara como a de Lisboa pode não haver a mais pequena ideia do que fazer com e pela cidade, mas que as cadeiras merecem um tratamento e uma atenção dos vereadores muito particular, lá isso merecem. O caso da cadeira disputada por Baptista e Gaioso levou mesmo à interrupção dos trabalhos. Parece ridículo mas não é. É apenas triste.
...equlibrada. Com a vantagem de resultar de um consenso parlamentar envolvendo os partidos que apoiaram a solução referendada pelo povo. Claro que os deputados de outros partidos que apoiaram o sim podem subscrever a proposta.
.. entre os 20% dos portugueses que vivem abaixo do limiar da pobreza. Nem, tão pouco, estarão entre a generalidade dos portugueses. Mais de 200 mil euros de rendimentos do trabalho dependente é obra. Eis um tipo de dependência que apetece a qualquer um.
Uma coisa é certa estamos perante as pessoas indicadas para tratarem do nosso dinheiro. Uma coisa de que eles percebem bastante.
"Todos contra o PSD", propõe Nuno Gaioso o ex-número dois de Carrilho em Lisboa agora pretensamente elevado a "número um do PS". Ao que parece o facto de o PS não o reconhecer é de somenos. Mas voltando à proposta, considerada pelo próprio, num momento de lucidez, como atípica, de um pacto de personalidades apoiadas pelos partidos desde o CDS ao BE, é caso para dizer que à medida que o tempo passa melhor se percebe porque razão os lisboetas voltaram as costas, de forma tão ostensiva, à candidatura do PS. A julgar pelo desempenho do número um e pela clarividencia política do número dois, os lisboetas foram muito sensatos.
Miguel Coelho até aproveitou para brilhar classificando a proposta de Gaioso como um disparate. Com o sotaque de C(S)arrilho no Contrainformação seria a declaração política do ano.
Um músico genial. Um músico solidário, militante, revolucionário. Um músico inaceitável para o regime de Salazar e Caetano. Um músico incómodo para a democracia das desigualdades crescentes, das utopias abortadas. Um músico inconveniente. Um músico grande de mais para alguns porem na lapela. Uma música que não envelhece e que não é domesticável passem 20 ou 100 anos da sua morte. Um português notável.
De todos os posts que aqui se escreveram sobre questões ambientais o meu preferido é este. E ainda dizem que levamos estas coisas demasiado a sério.
Na reportagem do Expresso, sobre a poluição, o Presidente da Câmara de Sines utiliza de novo o alibi que, segundo parece pensar, o isentárá de culpas na actual situação. Diz ele que " um projecto liderado pelo municipio de realizar um estudo epidemiológico de saúde, em Sines e nos concelhos circunvizinhos, não foi aprovado. Lamentavelmente." Claro que nunca são dadas explicações para um conjunto de questões incómodas. Por exemplo:
Quem pagaria este projecto liderado pelo municípo de Sines? Porque razão, já que aparentemente tem capacidade para liderar o projecto, não utiliza o município um ano das receitas do Fundo Térmico pago pela Central Térmica da EDP para financiar o projecto? Um ano não chega? Porque não utiliza dois ou três, quantos anos de rendas bastem?
As receitas de mais de 10 milhóes de euros recebidos do Fundo Térmico - criado por Veiga Simão, lembram-se? - desde 1985, serviram para quê ?
Porque razão esta proposta surgiu agora e não dez ou quinze anos antes? Terá isso alguma coisa a ver com o crescente descontentamento das populações e com o crescente descrédito da autarquia?
Porque não se deixa a autarquia de vigarices, politicamente falando, e faz aquilo que tem a fazer: exigir que as empresas e o Governo assumam a responsabilidade pela realização dos estudos e sobretudo façam aquilo que é tecnicamente possível para não serem tão poluidoras. A principal responsabilidade para corrigir o que está mal é das empresas e do Governo. São elas , em primeiro lugar, que devem assumir os custos para colocar a situação ambiental e de saúde pública dentro da normalidade.
Porque razão nunca a autarquia, em defesa dos interesses das populações, processou as empresas e o Governo? Junto das instâncias internacionais, em Bruxelas, por exemplo? As esmolas pagas pela Petrogal justificam este silêncio e esta demissão?
Durante anos e anos - sobretudo com este Presidente -a subserviência da autarquia de Sines relativamente às empresas da plataforma industrial - e em particular à generosa Petrogal - tem sido chocante.
Os dados divulgados na reportagem do Expresso, referida no post anterior, foram obtidos aqui, como se informa na caixa com o Ranking da UE a 15 que a acompanha.
Durante muitos anos quem protestava contra a agressão ambiental era acusado de alarmista e de falar sem fundamento. Os agressores, ou aqueles que deviam zelar pela saúde pública e pela qualidade ambiental, invertiam o ónus da prova. Quem se queixava que provasse que existia poluição. Com a revelação dos dados da UE em 2001 passou a ser mais dificil esconder a poluição debaixo do tapete.
Adenda: Durante menos de dois anos de existência deste blogue escrevemos várias vezes sobre esta questão. Fica aqui uma visita guiada: 1,2,3,4,5,6, 7, 8, 9, 10,11,12,13,14,15,16,17,18,19,20,21,22,23,24,25,26,27, 28,29,30,31,32,33,34,35,36,37,38,39,40,41,42,43,44,45,46,47,48,49,50, 51,52,53,54,55, 56,57,58,59(actualizado até final de Janeiro de 2007)
Uma reportagem, com o título em epígrafe, assinada pelo jornalista José Pedro Castanheira, publicada hoje no Expresso, caderno de Economia. Para ler e reflectir, agora que o Governo de Sócrates aposta na criação de um cluster petroquímico de nível europeu -Manuel Pinho dixit - mandando às malvas as preocupações ambientais que, em tempos, ajudaram o actual primeiro-ministro a trepar a escada íngreme que dá acesso ao topo do poder. Ou, numa outra perspectiva, mandando às malvas as preocupações de desenvolvimento regional que fizeram a sua época quando António Guterres apostava no dsenvolvimento do Alentejo com base num famoso triângulo que tinha um vértice em Sines, outro no Alqueva e outro no aeroporto de Beja. Como se sabe esse triângulo não chegou a levantar voo. Regressou agora a velha utopia salazarista da hiper concentração de unidades poluentes num pequeno território, com boas acessibilidades rodoviárias e marítimas e last but not the least ventos dominantes amigos da rentabilidade dos accionistas, do ambiente e da saúde das populações ... que não vivam em Marrocos.
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Etiquetas: Sines.Poluição
As contingências do carnaval associadas a alterações no Blogue levaram a uma pequena ausência. Estamos de volta.
As mudanças chegaram à Pública. Confesso que hoje quando viajava no comboio entre Coimbra e Lisboa ao pegar na Pública para a ler fiquei com a sensação de que a senhora dos jornais se tinha enganado e me tinha colocado junto ao jornal um magazine dos que são publicados com o Correio da Manhã ou com qualquer outro dos restantes jornais. Só quando cheguei à receita, a duas páginas com umas apetitosas fotografias, do pão-de-ló é que resolvi voltar à capa para confirmar que afinal não havia troca nenhuma e que a Pública tinha feito a sua mudança. Ficou com um arzito de revista para tiazorras e candidatas daquelas que se encontram nas salas de espera dos consultórios e dos cabeleireiros.
... que a mudança para o novo Público sacrificou de forma grave o Local tal como ele existia na anterior versão. Na realidade o fim do Caderno separado não é a principal questão. Parece muito mais grave a significativa redução do espaço ocupado com esta informação e, ao fim de uma semana tudo aponta nesse sentido, o fim da publicação de artigos de opinião relacionados com as questões aqui habitualmente tratadas, além da eliminação das cartas normalmente publicadas na Tribuna do Leitor. Uma forma de tornar o jornal menos capaz de interagir com os seus leitores o que não deixa de ser uma ironia quando supostamente a evolução tecnológica apontaria noutro sentido. Do meu ponto de vista esta mudança torna o jornal muito menos interessante e muito menos confiável.
PS - Na gestão do espaço há os que perdem mas também os que ganham. As rubricas "Ficar", "Sair", Jogos" e outras de igual teor ocupam páginas e páginas. O desporto dá-se mesmo ao requinte de apresentar as equipas prováveis da próxima jornada da primeira Liga e uma antevisão de cada partida como aconteceu no sábado. Um must.
Inevitável. Mas não parece sensata esta gestão em lume pretensamente brando. Atente-se nas declarações anteriores de Carmona Rodrigues sobre a confiança do PSD em Fontão de Carvalho, agora desmentidas. No que é que ficamos?
A campanha que a Igreja Católica e os defensores do Não estão a levar a cabo para impor um aconselhamento obrigatória à mulher que deseja abortar, é gato escondido com o rabo de fora. Ninguém conseguiu definir tão bem como o padre entrevistado pelo Telejornal das 13 h da RTP1 aquilo que verdadeiramente os anima: conseguir que todas as mulheres possam concluir a sua gravidez. Claro que mesmo que as mulheres não desejem prosseguir a gravidez há que criar mecanismos que permitam colocá-las no bom caminho. Durante anos recorreram ao Código Penal e dessa forma não conseguiram evitar o flagelo do aborto clandestino. Agora pedem apoio ao Estado para impor o aconselhamento obrigatório às mulheres de forma a dificultar ao máximo a opção pela interrupção voluntária da gravidez.
Nunca se viu tamanha desfaçatez. Tentar na secretaria uma vitória que o povo lhes negou no referendo. E sobretudo continuar a tratar as mulheres como débeis mentais, incapazes de decidir sobre a sua vida sem a tutela e o aconselhamento do Estado ou de que actue em sua representação. Deve ser por isso que a Igreja ainda impede o ordenamento das mulheres.
Foi desta forma que Fontão de Carvalho respondeu quando o jornalista da SIC Notícias lhe pergntou porque razão não tinha revelado que já tinha sido constituído arguido noutro processo, quando estalou o caso Bragaparques. Uma má resposta à falta de uma melhor. Estou certo que Fontão de Carvalho não deveria ter suspenso o mandato pelo facto de ter sido constituído arguido no caso dos prémios da EPUL. Mas, omitir esse facto aos seus e sobretudo ao Presidente da Câmara a quem deve solidariedade institucional, particularmente num momento tão delicado? Julgo que não se faz. No entanto, manda o bom senso que se distinga o que é diferente. No caso Bragaparques está em cima da mesa um processo que envolverá a corrupção de agentes públicos para permitir a transferência de fundos públicos para mãos privadas. No caso EPUL estamos perante actos de gestao eventualmente lesivos dos cofres municipais mas facilmente sanáveis e anuláveis.
O que não me parece sanável é o comportamento de Fontão de Carvlho e a estabilidade política da actual maioria que está* na Câmara. Marques Mendes tem aqui mais uma oportunidade: acabar de vez com esta agonia, retirando a caução política a esta maioria e determinando aquilo que, neste momento, só ele pode determinar: a realização de eleições intercalares. Lisboa e os lisboetas agradecer-lhe-ão e quem sabe se não lhe manifestarão isso mesmo no próximo acto intercalar.
* - a utilização do termo governar pareceu-me francamente excessiva.
ao que parece o Patrão do DN demitiu a direcção do diário, que tinha tomado conta da casa alguns meses atrás. O DN não é o meu jornal diário. No entanto, com a última mudança - que incluiu algumas transferências dos quadros do Público - passei a comprá-lo muito mais vezes do que costumava. Não foi, no entanto, o suficiente para me levar a trocar de diário. Sobretudo pelo menor protagonismo dado às questões LOCAIS. A rúbrica CIDADES é uma das grandes desilusões da última fase do DN. Nenhum jornalismo de investigação, nenhuma opinião publicada sobre as relevantes questões da CIDADE. Apenas o noticiário normal e corriqueiro, mais ou menos bocejante. Por outro lado o DN transmite sempre, apesar das remodelações gráficas, um carácter institucional que me repele. Nesta última fase reforçada por uma, mais ou menos, evidente proximidade ao Governo. Mas não foi por nada disto que a equipa liderada por António José Teixeira, que me pareceu sempre um excelente jornalista, foi demitida.
Quanto ao P2 tenho por lá viajado em passo de corrida. Fico com a sensação que traz qualquer coisa interessante que teria lido se tivesse tempo. Uma coisa que me interessa muito é o LOCAL e quer-me parecer que há menos Local neste Público. Não me parece que seja só uma questão de número de páginas e de deixar de ser um caderno separado. Mas deixemos passar mais uns dias para ter uma opinião mais concreta.
Bom eu já era um consumidor de todos os dias e aquilo que não me agradava era o aspecto um bocado baço que o jornal tinha criado. Talvez a nova imagem tenha resolvido esse problema sem criar nenhum outro.
Fontão de Carvalho é arguido no caso que envolve o pagamento de prémios de produtividade aos administradores da EPUL. Lentamente a maioria que lidera a Câmara vai-se esboroando. A cidade e os cidadãos é que pagam.
A julgar pelas declarações de vários dos apoiantes do NÂO - entre deputados e militantes de grupos cívicos - terá sido o NÂO. Afinal os socialistas e todos aqueles que apoiaram a decisão que a maioria sufragou devem, a julgar pelas palavras dos que foram derrotados, concretizar as intenções do NÂO. As mulheres devem ser obrigadas à ponderação e ao aconselhamento. Não basta a esta gente que as mulheres decidam de acordo com a sua consciência. Exigem que sejam obrigadas à ponderação e ao aconselhamento. Desde o ínicio o que os moveu foi sempre a desconfiança relativamente às mulheres.
PS - As declarações do Presidente da República parece, infelizmente, que se enquadram neste espírito de algum desnorte dos apoiantes do NÂO. Que sentido faz vir agora reclamar consenso e declarar que o Presidente não abdica de nenhum dos seus poders. Isso não estava a ser referendado no passado domingo, pois não?
Aparentemente o PS e o BE opõem-se a que os profissionais das agências de comunicação possam ser creditados para actuarem no Parlamento junto dos deputados. Na práctica o que os distinguiria dos jornalistas sendo certo que o exercício de funções nessas agências leva os jornalistas a suspenderem a carteira?
A vida já não está grande coisa para os jornalistas mas estas agências estão mortinhas por lhes ocupar o espaço e por os tornar irrelevantes. O problema é a democracia e a sua qualidade que fica caricatural sem liberdade de imprensa.
De acordo com a escolha do PS o deputado que sucederá a Cravinho na direcção da Comissão Parlamentar dos Assuntos Económicos será Rui Vieira que, entre outras particularidades curriculares, é conhecido por ser casado com Edite Estrela. Talvez seja este o homem certo para levar o dossier da corrupção por caminhos menos atribulados do que os que percorria sob a batuta do ex-deputado agora no BERD. Quem sabe se o nóvel presidente da comissão não se lembra de substituir a penalização do enriquecimento ílicito pela criminalização do empobrecimento ílicito. Afinal o socialismo não é para serem todos ricos?
Toda a gente imagina facilmente que nestes dias uma ideia, uma simples ideazita, caia a Carmona Rodrigues e aos seus como sopa no mel. Mas que raios, pagar um seguro de saúde a cada criança que nasça na cidade de Lisboa, que tipo de política representa? Será que por essa via se contribui para o urgente repovoamento da cidade, para inverter a perda de população dos últimos 30 anos? Ou o financiamento vai inteirinho para aqueles que já estão a viver no interior da mesma, o que, hoje por hoje, diz muito sobre a sua situação sócio-económica. Não se poderão encontrar politicas públicas mais susceptíveis de obter resultados menos folclóricos e mais reais?
É verdade que estamos muito longe de onde queremos chegar. Que as pessoas estão de costas viradas, não só para a política, mas também para a democracia, para a cidadania, mas sobretudo para a vida. São muitos os factores dessa realidade: não só a falta de qualidade da política e da educação, mas também a indiferença globalizada, o desacreditar no mundo actual, e, claro, factores de raízes históricas, entre muitos outros.
Porém, mesmo sabendo que estamos longe, há que ter uma atitude positiva nos poucos passos que se vão dando nesta jovem democracia de "adultos infantilizados" e tentarmos, cada um de nós, inverter a marcha da indiferença. Neste referendo, apesar da abstenção de mais de 50%, a comparar com referendos anteriores, verificou-se um aumento significativo do número de votantes. Fica aquém das expectativas, mas mesmo assim, houve um pequeno sinal que encaro como um sinal de amadurecimento.
Cara Maria José Botelho, li o que escreveu no seu blog sobre o referendo do Domingo passado.
Permita-me discordar do que escreve principalmente sobre o adjectivo que usou para definir a nossa triste praia lusitana.
Apetece-me usar aquela frase célebre-olhe que não, olhe que não!
Justifico a minha discordância não pelo resultado final do referendo que entendo já ser mais do que tempo para Portugal retirar dos pergaminhos mais uma lei iníqua. Discordo plenamente que Portugal e os Portugueses estejam mais amadurecidos e Ponderados quando temos uma participação num acto democrático com este tipo de abstenção.
Isto prova que o conceito de cidadania se está perdendo cada vez mais, logo o amadurecimento está a transformar-se num apodrecimento da democracia.
É óbvio que há razões para que tal aconteça mas, não admito algumas desculpas para a não participação derivadas ao mau tempo, ao futebol, à praia, ás férias ou a outra coisa qualquer.
O que fazer então? Boa pergunta poderemos colocar...
Se entendermos a democracracia como um sistema participado pelos cidadãos então temos Portugal 50% democrático o que me parece um absurdo. Nestas coisas ou se é ou se não é. É como estar grávida-não se está grávida a 50%.
Pelo caminho que isto leva seria importante, digo eu, colocar algumas questões:
1-Porque não o voto ou melhor, a participação nos actos eleitorais como obrigatórios, salvaguardando obviamente os casos justificados?
Eu sei que me vai já dizer que isso não faz parte da democracia, no entanto valeria a pena ponderar se por falta de votos que vinculem determinada eleição não estaremos a contribuir cada um de nós para acabar com a dita?
2-Qual a causa deste divórcio dos Portugueses com a política? Não será esse divórcio fomentado pelos políticos ou pelo menos alguns que bem conhecemos pela falta de postura até como homens?
Valeria a pena discutir isto em vários foruns.
recebido por e-mail de Egídio Fernandes

É impressão minha ou os resultados do Referendo sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez demonstram que Portugal está mais ponderado, mais amadurecido relativamente a algumas questões? Apesar da forte abstenção, este foi um sinal positivo que a sociedade portuguesa nos deu. Estamos longe mas a caminhar.
... que já tinhamos das tuas análises. Luís Delgado levou toda a noite a lutar contra aquilo que espíritos mais distraídos consideravam uma vitória do SIM no refendo de ontem. Na Sic Notícias, apesar da quase unanimidade de todos os comentadores, o Luís nunca se deu por vencido. Foi para casa e hoje lá reapareceu, nas páginas do DN, a defender a mesma tese que os espíritos menos atentos dos seus pares tinham recusado validar na noite anterior. E que tese é essa? Muito simples: o Luís acha que a Constituição é clarinha e que em função de uma participação inferior a 50% o referendo não é válido. Logo o PS e o PM - essa maioria de esquerda que nos governa na engraçada formulação do Luís - devem "cumprir a Constituição e não aceitar uma mudança da lei com um referendo que não vincula ninguém". Pronto.
Se o PS e o PM, ensandecerem o Luís tem a secreta esperança de que "ainda existe um Presidente da República e um Tribunal Constitucional, que terão uma palavra final, e decisiva, sobre essa matéria".
Voltou em grande forma o Luís Delgado, para nosso contentamento.Tinhamos saudades.
Luís Filipe Menezes considerou hoje que os resultados do referendo sobre o aborto foram «uma enorme derrota» para José Sócrates e «um cartão amarelo» à sua governação.
O fundamento para tão espatafúrdia declaração é do domínio da pura matemática eleitoral. Mais de 80% dos portugueses, segundo o edil de Gaia, terão reprovado a iniciativa política de Sócrates. O dr. Menezes não se pode levar a sério, definitivamente. Eis um caso claro em que todos ganharíamos se as declarações dos edis estivessem circunscritas a um determinado perímetro urbano. Luís Marques Mendes pode dormir descansado.
O SIM ganhou. Ganharam as mulheres portuguesas. Todas as mulheres mas sobretudo aquelas que na sua vida se depararem com situações em que o recurso ao aborto lhes pareça a melhor solução para si e para os seus. Deixarão de ser perseguidas pelo Estado. Deixarão de ser humilhadas. Deixarâo de ser presas.
Ganharam todos os movimentos cívicos que se bateram pelo SIM e os partidos políticos que apoiaram a opção dos portugueses: o PS, o PCP e o BE.
José Sócrates é um vencedor esta noite. A sua posição relativamente ao referendo, por contraste com a de António Guterres há dez anos, permitiu a mobilização do PS, pelo menos de grande parte do PS, e isso foi decisivo para aumentar os níveis de participação. Ganharam ainda Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa que sempre se bateram pela despenalização das mulheres que se vêem forçadas a recorrer ao aborto.As pessoas estavam fartas desta questão. Estavam fartas de assistir ano após ano à manutenção de uma lei que colocava Portugal entre os países mais retrógados da Europa. Os cidadãos acorreram às urnas para resolver de vez esta questão. De uma forma expressiva. Votaram mais de 50% dos portugueses, se considerarmos a abstenção técnica que os diferentes especialistas estimam entre 8 e 12 %. E os que votaram deram ao SIM uma vitória esmagadora sobre o NÂO. Pelas projecções a diferença final será da ordem dos 20%.
A Assembleia da República tem agora que de uma forma rápida legislar no sentido de alterar a lei penal e no sentido de que o Estado adopte todos os procedimentos de forma a reduzir ao nínimo o aborto clandestino.
Este referendo tem igualmente os seus derrotados. Em primeiro lugar o CDS/PP que assumiu a derrota com um discurso ressabiado do seu líder a acusar José Sócrates de ser o responsável por uma página negra da nossa história. Em segundo lugar o PSD de Marques Mendes - com a cumplicidade de Marcelo Rebelo de Sousa - que fez campanha pelo NÂO embora de uma forma que pretendia ser encapotada. Mas, sobretudo, a Igreja Católica cuja campanha atingiu em muitos casos níveis chocantes de reaccionarismo e de um espírito retrógado que supunhamos já erradicado da nossa sociedade.
Domingos Névoa tentou comprar José Sá Fernandes porque não temia o PS e o PCP estava em "banho-maria". O vereador bloquista era o único "entrave". É o que pode ler no Público de hoje, depois das escutas telefónicas terem ficado disponíveis.
Curiosa a estratégia da defesa que tenta colocar a questão - do pagamento dos 200 mil euros -numa relação normal cliente- advogado e por isso abrangida pelo sígilo profissional. O advogado de Névoa parece-me ser o mesmo que defendeu, com grande eficácia ao que parece, Fátima Felgueiras.
... o trabalho do jornalista José António Cerejo sobre favorecimentos de alguns promotores imobiliários no âmbito da revisão do Plano Director Municipal da Moita é um bom exemplo desse tipo de jornalismo. Trabalho sério publicado ao longo das últimas semanas e que dá conta de forma como a autarquia de maioria CDU se deixou capturar pelos interesses privados com prejuízo do interesse público. Claro que depois a culpa é dos jornalistas que estarão ao serviço de interesses mais ou menos obscuros. O costume.
Salvaterra já andou nas bocas do mundo antes das últimas autárquicas. Nessa altura uma denúncia anónima levou o Ministério Público a actuar. O processo foi arquivado por falta de fundamento. Agora a PJ efectuou buscas na autarquia e na casa de alguns autarcas incluindo a Presidente da Câmara. As reacções são as normais: do lado da oposição pedem-se mais explicações e alguns vereadores saltam do anonimato para apontarem o dedo a Francisco Louçã. O dirigente do BE fez e declarou aquilo que é razoável declarar numa situação como esta. Mas não pediu a ralização de eleições antecipadas e isso terá sido um pecado capital para alguns. E eu que julgava que esse papel era para ser executado por Marques Mendes ou pelo seu émulo local? Bom, a saber pelo que está em jogo a comparação com a situação na Câmara de Lisboa é manifestamente forçada. No entanto, para crimes -caso existam, pois então - da mesma natureza as consequências políticas a tirar não podem ser graduadas pela dimensão da autarquia em questão. Os príncipios são sempre do mesmo tamanho.
chega no dia 12. Do que já se sabe há um aspecto que quero salientar: o Local vai manter-se embora deixe de ser um caderno destacável. No Local, ao longo dos anos, fez-se algum do melhor jornalismo de investigação de Portugal. Jornalismo incómodo para os diferentes poderes, sobretudo para os todo-poderosos poderes locais, tão susceptíveis à liberdade de imprensa. No Local para lá da notícia contou muito a opinião sobre as grandes questões que condicionam a vida de todos nós: o Ordenamento do Território e o Ambiente; as formas de desenvolvimento urbano e a articulação entre os poderes públicos e os privados; os grandes projectos arquitectónicos e o planeamento urbanístico, etc.
Espero que se mantenha essa possibilidade de se lerem diferentes opiniões e diferentes vozes no Local, numa lógica plural e independente dos grandes interesses económicos.
A questão do logotipo para mim é de somenos. Como noutras coisas primeiro estranha-se depois entranha-se.
Os tempos de antena do PSD já tinham merecido uma referência a propósito da sua suposta não tomada de decisão pelo sim ou pelo não neste referendo. Suposta, digo bem. Ontem enquanto regressava de Lisboa tive oportunidade de escutar dois tempos de antena do PSD na Antena Um. Obedecem ao mesmo esquema: um texto lido por uma senhora que faz a introdução ao tema e a ligação às intervenções dos convidados. Uma primeira nota: todos(!!!) os intervenientes nos dois tempos de antena são assumidamente pelo Não. O texto de fundo, digamos assim, martela duas ou três ideias fortes, a saber: Hoje não há dúvidas, às dez semanas já existe vida humana; A medicina e a ciência são claras, às dez, mesmo às oito, semanas já existe vida humana. Estas verdades científicas levam a senhora, o PSD na realidade, a concluir com a pergunta sacramental: será legítimo destruir uma vida?
Se alguém espera que nestes tempos de antena apareça algum militante do PSD a colocar a questão noutros termos, defendendo as posições do SIM bem pode esperar sentado. Não é que não existam milhares de pessoas do PSD que entendam que aquilo que está em jogo é, tão somente, a despenalização da interrupção voluntária da gravidez quando realizada a pedido da mulher até às dez semanas em estabelecimento de saúde pública. O problema é que a direcção do partido a coberto de uma suposta posição de contribuição para a discussão faz claramente campanha pelo NÂO. Neste contexto que sentido faz o apelo final dos tempos de antena: cada um decidirá? Porque não fazem o apelo ao voto no NÂO? Confesso que prefiro, nesta questão, a campanha do CDS/PP. Defendem aquilo em que acreditam e apelam ao voto em conformidade. Embora os argumentos sejam intragáveis, dizem ao que vêem. Não se mascaram.
.... a versão nacional do quanto pior para a generalidade dos cidadãos e das empresas tanto melhor para eles. Lucros dos quatro maiores bancos privados sobem 30%
Acabei de asssitir em Lisboa na sala do Plenário do Tribunal da Boa Hora à apresentação do livro "Vítimas de Salazar" da autoria de João Madeira, Irene Pimentel e Luís Farinha. A apresentação esteve a cargo de Mário Soares que a propósito do local recordou o facto de ser aquele um símbolo da repressão fascista. Tribunal no qual eram sistematicamente espezinhados os direitos cívicos, que desprezava os direitos mais elementares dos réus e até os advogados de defesa e os familiares eram muitas vezes julgados e condenados na mesma sessão. Recordou as sessões de espancamento a que os réus eram sujeitos em plena sessão do tribunal. Soares fez uma análise da repressão sob o regime fascista, diferenciando o que se passou antes e depois de 1945. Confessou que os opositores ao regime fascista estavam firmemente convencidos que o regime não sobreviveria a 1945 e que isso só aconteceu, a seu ver, por força da guerra fria e dos jogos estratégicos da real politic. Contou, a esse propósito, um episódio que se passou nessa altura quando estava preso e a sua mãe lhe costumava levar nas visitas alguns alimentos à laia de reforço de rancho. Numa ocasião o reforço era uma panela de sopa envolvida em jornais com o pretexto da manutenção da temperatura. O jornal-embrulho trazia a notícia da aceitação da adesão de Portugal à NATO. Este facto terá tornado aquela uma sopa amarga.
Soares salientou o importante trabalho em curso no Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa sob a direcção do professor Fernando Rosas. Trabalho sério e rigoroso de investigação sobre a nossa História que contribui para impedir o apagamento da memória da ditadura e evita o branqueamento do regime fascita que paulatinamente ganha posições na nossa sociedade. Isso mesmo salientou Fernando Rosas na sua intervenção em que, tal como no prefácio ao livro, criticou o revisionismo historiográfico cujo labor se tem exprimido através de uma "visão banalizadora da natureza e das políticas do regime". Falou ainda dos trabalhos de investigação que estão em curso com os mesmos protagonistas. João Madeira apresentou a obra que considerou uma reunião de narrativas históricas sobre a violência do fascismo e a resistência a esse fascismo.
Quero salientar a boa forma de Mário Soares e o facto de continuar com uma energia notável a dar o seu testemunho e a sua contribuição para iniciativas desta natureza. Um cidadão de corpo inteiro. É o que se pede a um político por mais notável que tenha sido o seu percurso de vida. Só alguns poucos o conseguem. Só os melhores.
Bagão Félix insiste na tónica de que o referendo é para escolher entre a liberalização do aborto ou a recusa dessa liberalização. O facto de a pergunta que os portugueses irão referendar ser a de saber se eles concordam ou não com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às dez semanas quando decidida pela mulher e praticada em estabelecimento público de saúde, não atrapalha o raciocínio do ex-ministro de Durão e Santana Lopes. Para ele a pergunta é uma fraude. Ora fraude é subverter o sentido da consulta criando uma clivagem artificial na sociedade portuguesa entre os que querem o aborto livre e os que não querem ou na linguagem deturpadora de Bagão entre os que defendem a vida humana e aqueles que são contra essa vida humana.
O cinismo destas posições não ilude o facto nuclear de que por detrás da suposta defesa da vida humana está afinal um profundo desprezo pelas vidas dos milhares de mulheres que por razões extremas são obrigadas a abortar e sobretudo pela vida daquelas que por razões económicas e por medo da repressão o fazem em condições infra-humanas alimentando o negócio milionário do aborto clandestino.
Quantos portugueses acharão que a Meritocracia é mais do que uma arma de arremesso contra, por exemplo, os funcionários públicos, um novo paradigma de exigência que se pretende impor na sociedade portuguesa? Não serão muitos mas, com atitudes como esta, a classe política, e neste particular o Presidente da República, transmitem a mensagem errada e contribuem para que sejam cada vez menos. O que é bom para o povo não é necessariamente bom para a classe política nem pode ser aplicado aos altos dignitários do regime. Estes, seja o seu desempenho melhor ou pior, terão sempre garantida a sua comendazita e o reconhecimento dos seus pares.
Adenda: A julgar pelo que aqui se escreve Souto Moura saiu porta fora com a faixa traçada.
Para todos os que fazem da Arte um roteiro de viagem, este é o fantástico Guggenheim Museum em New York. Por aqui passam milhares de pessoas diariamente, anonimamente. Por aqui, o "carisma" do edifício e das obras que nele se podem visionar é forte; as pessoas que visitam um espaço destes, sentem-se talvez cansadas umas das outras, mas vagamente confortáveis por fazerem parte de toda aquela gente tão variada que se cruza.
Nas cidades menos populosas já não é assim, vão sempre os mesmos aos espectáculos, exposições e afins. Por vezes torna-se quase desconfortável, porque sendo um grupo mais ou menos reduzido a coisa fica com ar de ritual religioso.
Numa recente entrevista, Vasco Pulido Valente dizia algo com o que, em parte, concordo: "em Portugal encara-se a cultura como uma religião, principalmente a esquerda, encara a cultura como uma religião".
Em Portugal não é somente a cultura que se encara como uma religião, mas também o futebol, e alguns modos de vida estreitamente ritualizados. Mas não é só a esquerda que o faz. Em todas as crenças políticas há os que o fazem com regularidade e necessidade.
A cultura tornou-se para muitos uma coisa quase mítica que funciona como um preenchedor de vazios diários. Ou seja, vai-se ao teatro, ao cinema, vai-se ver uma exposição com uma postura de procissão, de quem vai encontrar coisa de ai Jesus.
Há os que não sabem de nada mas desgostam de tudo: não há obra de arte que os mereça. Outros, dizem sempre que se gosta imenso, porque fica mal dizer que não se gosta do artista X (que é tão conhecido) ou da peça Y que tem uma linha não sei quê e uma mensagem abstracta não sei de onde... E lá se está, em sussurro, a olhar para um quadro que não se entende nada com uma sensação mista de pequenez e satisfação. Ou seja, não se entendeu patavina, mas esteve-se no lugar onde as pessoas que contam também estiveram, porque, dizem, as coisas culturais são coisas muito importantes.
No entanto, a Arte e o Conhecimento é que são coisas importantes, não a cultura por si só. A cultura é só um resultado. Um país que se preocupa mais com a cultura do que com a Arte e o Conhecimento é concerteza inculto. E parece-me que em Portugal quer-se "pertencer ao iluminado grupo dos cultos" sem se ter pensado sobre nada, sem se ter lido um livro, sem se conhecer, sobretudo, a terra, o mar e as gentes.
A RTP transmite, desde o arranque da campanha, uma sensação incómoda de parcialidade favorável ao "Não". A utilização sistemática da expressão "referendo do aborto" pode ser apenas incompetência dos pivot´s dos Telejornais mas tanta incompetência causa alguma estranheza. A ideia de fazer um novo Prós e Contra não pode ter outro sentido que não seja o facto de o anterior ter corrido francamente bem para os adeptos do "Sim" e ser necessário dar visibilidade à última manobra dos adeptos do "Não".
Nesta, como em outras matérias, o oportunismo paga-se.
nesta campanha do referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez são tempos de antena claramente a favor do "Não". As emissões são integralmente ocupadas a divulgar as últimas descobertas sobre o momento da origem da vida. Fazem-se afirmações - falsas aliás - sobre o que está verdadeiramente em causa: liberalizar o aborto ou não. Uma mistificação idêntica à que os adeptos do "Não" têm feito ad nauseum. No fim apela-se à consciência de cada um. Pura hipocrisia.
está a chegar. No entanto já não contará com a colaboração de Mário Mesquita uma das boas razões para comprar e ler o Público todos os domingos. Dezenas de vezes este cronista terá sido citado nestas páginas. Na sua crónica deste domingo o jornalista e professor universitário explica as razões pelas quais decidiu acabar a relação que mantinha com o jornal. Cito: " (...) decidi solicitar, desde já, a rescisão do contrato que me liga ao PÚBLICO até Dezembro do corrente ano. Não por considerar que exista incompatibilidade ou conflito de interesses(*), mas por deduzir que o director do PÚBLICO considera inconveniente a minha colaboração no jornal. E isso é quanto me basta: não gostaria de continuar a escrever num jornal onde a minha presença não é desejada.(...)"
(*) - José Manuel Fernandes manifestou a Mário Mesquita dúvidas sobre a compatibilidade entre as funções de membro do Concelho Executivo da Fundação Luso Americana e a de colunista do PÙBLICO e informou-o que iria consultar o Concelho de Redacção
A crise na Câmara de Lisboa, que inevitavelmente levará à realização de eleições antecipadas, determina neste momento algumas movimentações entre os presumíveis futuros candidatos. No lado do PS, depois de encerrado o affaire Carrilho - vai para a Unesco ao que parece - Mega Ferreira, desde sempre apontado como o candidato mais credível à autarquia da capital proferiu este fim de semana as declarações mais relevantes. Afirmou o presidente do CCB, citado pelo Público do passado domingo, que "não serei candidato em nenhumas condições. Não sinto nenhuma vocação para isso e tenho direito a não o querer." Na notícia Mega Ferreira dá conta de um almoço com o presidente da concelhia socialista que terá servido para o informar da sua decisão. Como seria de esperar Miguel Celho tentou demovê-lo. Miguel Coelho sempre preferiu Mega Frreira a Carrilho e neste caso o tempo deu-lhe razão sobre o desacerto da escolha do ex-ministro da cultura.
Do lado do PSD ficámos a saber que Santana Lopes não aceita recandidatar-se apesar de uma recente sondagem o indicar como o candidato preferido à direita. Mas Santana aproveitou a ocasião em que fez esta revelação para desancar Carmona Rodrigues e Marques Mendes. Cito: "(...)Ainda nem há dois anos, o doutor Marques Mendes ganhou o congresso de Pombal e veio ter comigo para me dizer que tinha um candidato extraordinário para a Câmara de Lisboa chamado Carmona Rodrigues, que ele achava que era o paradigma do novo político.(...)[O executivo municipal liderado por Carmona Rodrigues] fazia todo este trabalho durante um ano e depois ia eu candidatar-me às eleições para levar com o peso todo".
"Pelo preço que custa a adaptação, que poderia ainda custar menos se houvesse realismo, eu até dispenso o 1º passageiro… Já é bom negócio se conseguir, o que é fácil atenta a saturação da maioria dos aeroportos e as condições naturais deste, ser uma base de manutenção e estacionamento de retaguarda… Mas, com a saturação de Lisboa, a insistência na OTA (que por acaso, lá para 2020, vai ser no Montijo/Alcochete ou Rio Frio) até pode muito bem vir a ter mais passageiros do que os anunciados… Cuidad Real está bem pior localizado mas já se vêm as pistas…"
Manuel Piteira
... foi quanto durou o silêncio de Luís Campos e Cunha. Mais uma vez se demonstra que quem sai de um Governo, no qual desempenha funções da mais elevada responsabilidade, da forma abrupta que caraterizou a saída do ex-ministro das Finanças de Sócrates mais cedo ou mais tarde explcará as suas razões. O prazo depende sobretudo da vontade da pessoa mas certamente não lhe será estranha a evolução da situação política e a avaliação que dela faz.
A entrevista que só hoje poderemos escutar na íntegra foi parcialmente reproduzida no Público de hoje. Ficamos desde já a saber que o ministro não concordava coma nomeação de Armando Vara para a Administração da Caixa Geral de Depósitos. Ficamos a saber que o Ministro não aprovava os mega projectos do Governo de Sócrates em particular o badalado aeroporto da OTA. Neste caso o Ministro questiona mesmo a opção por esta localização. Bom, em ambos os casos o que agora se sabe apenas confirma aquilo que já se imaginava ter estado na origem da saída do Ministro. Tal como todos percebemos que Luís Campos e Cunha não é o tipo de pessoa capaz de executar ordens com as quais não concorda apenas para se manter num Governo. Essa boa impressão ficou-nos clara apesar da sua curta passagem pelo lugar.
Adenda: das declarações ressalta a crítica mais contundente à boutade do Choque Tecnológico, cujo óbito foi agora validado por Manuel Pinho nas terras do Império do Meio.
A Ler na edição de Janeiro do "Le Monde Diplomatique -edição portuguesa"o artigo do jornalista e escritor François Ruffin cujo título é "Pensar a cidade para os ricos nela viverem felizes." Uma análise da explosão do sector imobiliário estimulada pelo Apartheid residencial.
... sobre o Aeroporto de Beja mais uma vez. Agora anuncia-se que em 2020 o aeroporto poderá atingir 1,8 milhões de passageiros. Muito mais do que os que o utilizam neste preciso momento: zero!!!!. Mas, calma, já para 2009 estão previstos 178 mil felizardos que utilizarão o futuro aeroporto alentejano. Depois, basta fazer as contas, o crescimento será da ordem dos 147.500 passageiros por ano. Pura aritmética.
Esta megalomania do aeroporto de Beja começou na segunda metade da década de noventa e fazia parte do triângulo estratégico para desenvolver o Alentejo. Desde essa data nem desenvolvimento, nem aeroporto, apenas, naturalmente, vários milhões de euros gastos com os salários dos excelentes administradores que de quando em vez aparecem a dar estas notícias ao Pais. Claro que em 2020 já ninguém se lembra do disparate nem do senhor que o proferiu.
Ana Gomes e Manuel Alegre são os dois socialistas que até agora se manifestaram criticando as declarações do ministro Luís Amado que desvalorizou a questão dos direitos humanos na China. Afirmou Manuel Alegre, no Parlamento, que "a economia e os negócios não podem estar acima dos direitos políticos, humanos, dos direitos sindicais e sociais". Já a eurodeputada socialista no blogue Causa Nossa escreveu que "(...) Lembro que a situação dos Direitos Humanos na China continua desastrosa, com a Amnistia Internacional a assinalar a execução de quase 1 800 pessoas naquele país só em 2006, revoltas rurais a serem reprimidas de forma sangrenta e a censura do regime a asfixiar a livre troca de ideias até na internet. Mas acima de tudo, Pequim não dá sinais de querer revelar o que verdadeiramente aconteceu a centenas de mortos e desaparecidos na sequência do massacre de Tian An Men, nem de levar a cabo reformas políticas para pôr fim à ditadura que, apesar de alguns progressos no plano económico, continua de ferro no campo das liberdades civis e políticas(...)"
Ainda escapam algumas vozes à normalização Socrática.
... mas é sempre bom escutar os especialistas. Neste caso o procurador-geral adjunto António Bernardo Colaço considerou que o Ministério Público se tem mostrado confuso e incapacitado perante a agressividade crescente da criminalidade sofisticada, da violência humana e da intranquilidade dos cidadãos. Afirmou o magistrado que "A Procuradoria-Geral da República não demonstra dominar e muito menos trabalhar os dados sobre criminalidade ou os problemas sociais sob sua vigilância, ficando dependente de dados provenientes de outras instâncias, nomeadamente policial". Quem dá notícia é o Público. Caso para perguntarmos se terá sido este desempenho - tão expressivamente (mal) classificado por um Procurador Geral - que esteve na base da condecoração atribuida a SoutoMoura pelo Presidente da República.
Alexandre Quintanilha acabou de dar uma lição de sapiência na Grande Entrevista da RTP1. Questionado sobre o momento em que se pode considerar que existe uma vida esclareceu pedagógico que vida existe em cada célula e antes dela nas que a precederam. Por essa razão é que a Igreja em dado tempo identificava o aborto e a contracepção como crimes porque de ambas as maneiras se punha termo a vidas humanas.
A ideia, sinistra, dos defensores do Não de pretenderem criar uma clivagem não entre os que defendem ou não a despenalização da IVG mas sim entre os que defendem a vida e os que estão contra a vida pode aparentemente ser eficaz para captar votos mas mobiliza muita gente que se assusta com este tipo de argumentos retrógados e extremistas.
Se por acaso Manuel Pinho fosse mudo o que não se perderia. Felizmente Manuel Pinho fala e de cada vez que fala é profundamente esclarecedor. Num dia fala para incentivar os investidores chineses a escolherem Portugal, País competitivo entre os restantes parceiros europeus porque é o Pais dos baixos salários. Imbatível entre os seus pares. No dia seguinte fala de novo para afirmar que os sindicatos são uma força de atraso no País.
Segundo o "Modelo de Pinho", Portugal poderia crescer tanto como a China se os salários fossem semelhantes e se os direitos de exercício da actividade sindical fossem semelhantes aos dos chineses. O que não seria de Portugal se os direitos dos nossos trabalhadores fossem idênticos aos dos chineses? Quanta competitividade. Quanta capacidade de atrair investimento estrangeiro. Que Pais tão próspero. As coisas que Manuel Pinho não poderia dizer num caso desses.
Manuel Pinho é ministro de um Governo socialista que defende a qualificação dos trabalhadores e elegeu o Choque Tecnológico como um dos seus trunfos. Será?

Sines poderá ser a nova porta de entrada da China na Europa, titula o DN na sua edição de hoje. "Poderá mesmo rivalizar com Roterdão como porto de entrada de produtos chineses na Europa" informa o diário acrescentando no entanto por precaução que "se forem concretizadas as intenções expressas num acordo que vai ser assinado hoje, em Pequim, entre a construtora Mota Engil e uma sua congénere chinesa." Nestes amanhãs que cantam há sempre um se.
No entanto, de falta de ambição não nos podem acusar. Falta-nos mais o senso, sobretudo a parte boa do mesmo. Recordemos a propósito o que foi noticia no jornal regional “ Sudoeste” - que já não se publica - em 6 de Fevereiro de 2001(parte da primeira págia reproduzida acima). Nessa altura o Porto de Sines e o Alentejo eram o "ai Jesus" do Governo de Guterres.



