No Expresso o geógrafo Jorge Gaspar, eminente urbanista, defende a opção OTA em termos de ordenamento do território. Acha o professor que desse ponto de vista a OTA é a melhor solução. Para Jorge Gaspar a boa localização do aeroporto "é a que vai ao encontro do centro de gravidade das dinâmicas económicas e demográficas (...) o novo aeroporto terá que aproximar-se do centro de gravidade da àrea Metropolitana de Lisboa, que tem 2,5 milhões de habitantes a norte do Tejo e 750 mil a sul"
Esta realidade que Jorge Gaspar nos descreve é a mesma que permite que, ainda em termos de ordenamento do território, se defenda o inverso do que ele defende, isto é, que a localização seja a sul da AML. Só assim se permitirá concretizar o objectivo do Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa, cujo modelo territorial aponta para o reequílibrio entre as duas margens. Não se percebe como se poderá ordenar o território canalizando recursos para as regiões mais densamente povoadas, para os territórios nos quais já são visíveis os efeitos nefastos de uma sobreocupação, como acontece de forma evidente com a parte norte da AML.
Mas, no Expresso aparecem outras opiniões, em particular a de José Manuel Viegas que evidencia o facto de o Poceirão custar menos 1500 milhões de euros do que a OTA. E estamos a falar, provavelmente, do nosso maior especialista em transportes.
Mas, já que se fala em dinheiros e existe uma corrente que não quer a OTA nem qualquer outra soluçã,o porque não se concentra essa gente na recusa da ligação por TGV entre Lisboa e o Porto, essa obra extremamente cara que permitirá poupar, pasme-se, trinta minutos entre Lisboa e Porto( se tudo correr bem ...). Essa sim uma obra própria de um país de nababos.
No desenvolvimento dos países há as regiões que ganham e as que perdem. Mas um país que acentua de forma deliberada uma hipertrofia já tão evidente do corredor Braga-Setúbal é um país que irá certamente perder no futuro.
Elisa Ferreira depois das desassombradas declarações da passada semana ao Expresso vem agora, em declarações ao SOL, negar que tenha existido qualquer veto ambiental à opção Rio Frio. A ex-ministra do Ambiente de António Guterres "garante que apenas homologou o relatório de 1999 da Comissão de Avaliação do Estudo Preliminar de Impacto Ambiental (EPIA) sobre as opções Ota e Rio Frio, que concluiu que o primeiro era um local «menos desfavorável» do que o segundo. Nem a Comissão de Avaliação nem o Ministério do Ambiente chumbaram Rio Frio".
Rashid Rana, Meeting Point, 2006
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Etiquetas: artes
...edificio do mundo e daquilo que aqui escreveu o Duarte apetece-me dizer o seguinte:
1) Nem um edificio com a qualidade do Estoril Sol resiste à sanha destruidora dos renovadores urbanos, os novos patos-bravos;
2) O star system da arquitectura legitima tudo aquilo que se faça, desde que seja feito por um deles;
3) A imagem da Baía de Cascais, tal como a conhecemos durante 42 anos, acaba. O que nos propõem é melhor? Aparentemente a coisa pasou pela aprovação de um Plano de Pormenor o que pressupõe discussão pública e participação dos cidadãos. Mas uma questão desta natureza tem relevância local ou nacional? A que escala é que a decisão deve ser tomada? Quem deve poder participar na discussão-decisão?
4) A arquitectura e a imagem urbana são escolhas ou apenas uma fatalidade, como questiona de forma sábia Léon Krier no seu livro mais conhecido.
Assiste-se a um frenesim à volta das novas energias. As movimentações sucedem-se. Esticam-se braços que atravessam continentes. O Tio Sam Bush estendeu de novo o mapa e foi ao Brasil. O Tio quer abraçar a produção de etanol, mas está também muito preocupado com a pobreza e com a irradicação de doenças. E ao que parece, ultimamente, também se preocupa com o futuro do planeta. Estou comovida com tanta bondade!
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Etiquetas: Terra
A história conta-se em poucas palavras: Luís Filipe Vieira comprou terrenos à Petrogal classificados no PDM de Lisboa como áreas industriais consolidadas. Por isso pagou apenas 10 milhões de euros.
Entretanto, uma oportuna alteração ao PDM permitiu que uma mudança do uso do solo fosse aprovada. Passou a ser possível construir superfícies comerciais, serviços, habitação e equipamentos colectivos. Esta permissão traduziu-se na possibilidade de aprovar um loteamento com 674 fogos e 3243m2 de lojas. Os terrenos valem agora -sem qualquer construção ou sem qualquer infraestrutura realizada - mais de 100 milhões de euros. Isto é valorizaram 10 vezes por força ... de uma simples mudança de uso do solo. Quando aqui, neste blogue, falamos de mais-valias simples é disto que estamos a falar. Um tema ainda tabu e que os jornais de referência acham uma questão inconveniente.
José Sá Fernandes propõe que a autarquia revogue a decisão tomada anteriomente até porque o loteamento aprovado cai no corredor do TGV. Mais uma previsível choruda indemnização em perspectiva. Caso para perguntar: Mas, Carmona Rodrigues terá sido na verdade ministro das Obras Públicas?
PS - Não espanta que seja José Fernandes quem levante esta questão - que o jornalista José António Cerejo no Público já tinha suscitado - até porque não será por acaso que apenas o Bloco de Esquerda apresentou um projecto com uma proposta sobre as mais-valias urbanísticas. Assunto que merece uma atenção especial.
O deputado António José Seguro protagoniza uma proposta de reforma do Parlamento que tem merecido comentários elogiosos da generalidade dos observadores. A proposta pode ser boa e, caso seja adoptada, - vamos a ver como decorre o processo até á sua aprovação e para quando a sua concretização práctica - poderá melhor a qualidade da democracia. Mas, o que esta proposta, e as suas 63 (!!!) recomendações, transmite é a dimensão daquilo em que o Paralamento se tornou: câmara de ratificação dos Governos, sobretudo dos maioritários, instituição inacessível aos cidadãos; instituição em que os direitos das oposições e das maiorias só aparentemente é que são iguais. Por isso julgo que esta proposta - que espero ver aprovada com as melhorias que possam resultar das propostas das oposições - não justificará um tão grande contentamento com a democracia que temos -ou que temos tido - mas é, pelo contrário, motivo para nos preocuparmos com a seu funcionamento actual.
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Etiquetas: Parlamento
Aquilo que o Tribunal de Contas agora afirma sobre as nomeações para os gabinetes ministeriais confirma aquilo que já se sabia. Trata-se de uma área exclusivamente reservada aos camaradas e amigos. Com esses critérios como dominantes as questões do mérito e da qualificação profissional são, naturalmente, minimizadas.
O Tribunal de Contas tem esta particularidade de confirmar, em regra, aquilo que o cidadão comum já descobrira sobre o funcionamento dos Governos da República, desde os primórdios. Existe outra semelhança entre o TC e o cidadão comum: é que podem ambos chegar a determinadas conclusões mas a impotência para mudarem as situações é idêntica.
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Etiquetas: Transparência

Uma maçaneta do edifício mais belo do mundo antes da destruição.
P.S.: Imagem via Fada da Felicidade.
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Etiquetas: Estoril-Sol

Baía de Cascais com o Estoril-Sol ao fundo
O edifício mais belo do mundo na Primavera de 2006.
P.S.: Imagem via Fada da Felicidade.
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Etiquetas: Estoril-Sol
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Etiquetas: Estoril-Sol
«Pala do Hotel Estoril-Sol foi hoje abaixo passados 42 anos»
Chamar "pala" à entrada do Estoril-Sol é um manifesto em si, é mostrar que nunca se percebeu nada. A "pala" era apenas e só a pièce de résistance do mais belo edifício do mundo, o zénite daquilo que já é demasiado belo, uma força para além do perceptível.
Hoje Portugal morreu um bocadinho.
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Etiquetas: Estoril-Sol
O Prós e Contras fez uma sessão especial para discutir as vantagens e desvantagens da opção do Governo. Para isso convidou exclusivamente engenheiros incluindo o actual bastonário que se pronunciara solicitando mais estudos. Pode-se ironizar de forma mais ou menos grosseira sobre as razões que motivam a engenharia portuguesa a participar neste debate - recorde-se que estiveram presentes vários dos que acham que a opção OTA é a melhor. Mas do que se afirmou resulta claro o que já se sabe desde sempre : decisões politicas não informadas pelo melhor conhecimento técnico disponível são quase sempre decisões idiotas e sobretudo estupidamente caras.
Aliás, com quem se poderia discutir esta questão? Com professores de direito, esses grandes construtores da República? Ainda punham o aeroporto de pernas para o ar.
Adenda: Os políticos fazem durante décadas discursos em que apontam determinadas metas e objectivos. Quando têm uma oportunidade fazem em regra o contrário. Durante décadas discutiu-se a necessidade de combater a macrocefalia da parte norte da Área Metropoliana de Lisboa. Em simultâneo defendeu-se a ideia - estratégica, vidé Plano Regional da Área Metropolitana de Lisboa - de reequilibrar as duas margens. O professor Fernando Nunes da Silva defendeu com clareza esse modelo -estruturante de um reordenamento mais profundo da AML - como fundamental para a decisão entre as localzações a Norte e a Sul do Tejo. José Manuel Viegas, professor catedrático de transportes, explicou que há espaço para colocar dois aeroportos a sul e sem os ónus ambientais que chumbaram a hipótese rio Frio - que ganhou à OTA em todos os ioutros indicadores. Elisa Ferreira, que era ministra do Ambiente na data em que a questão ambiental liquidou a hipótese Rio Frio, afirmou ao Expresso: " Foram-me postas duas alternativas enquanto ministra do Ambiente: a OTA era a menos penosa em termos ambientais. Acho que o silêncio actual não é solução pois é preciso dar respostas claras. Há questões sobre segurança ou previsões de táfego que é preciso esclarecer.(...) Se a decisão Ota for uma má decisão, é bom pará-la a tempo." Pois, esta clareza deve-se provavelmente ao facto de a senhora ser engenheira e estar, por isso, desfazada dos superiores interesses da República.
Porque será que quando escasseiam os argumentos se recorre sempre ao velho argumento: "não se pode mandar calar esses senhores?"
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Etiquetas: dúvida razoável
Não há um único preso por corrupção na política lê-se no DN. É um conhecimento profundo desta realidade tão beata, esta noçao de que na política é tudo boa gente que leva os deputados da actual maioria a oporem-se com unhas e dentes à possibilidade de se estruturar uma verdadeira política de combate à corrupção. Sobretudo se ela integrar o enriquecimento sem justa causa e a corrupção dos actores políticos.
Certamente todos se recordarão das declarações políticas quando o fogo consumiu áreas florestais sem parar. Ficou a promessa, traduzida em lei, de que seriam impedidas, durante dez anos, as construções para evitar que os eventuais criminosos lucrassem com o crime. O Governo já legislou no sentido de que seja possível construir-se nessas áreas, antes dos dez anos, desde que os "projectos sejam de interesse público".
Uma intensa sensação de dejá vue.
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Etiquetas: o crime compensa
Uma das classes filhas da democracia é a dos gestores públicos. Lugares de nomeação política, mesmo que não sejam muito bem pagos, trazem grandes dividendos por uma ou outra forma. Esta que aqui é relatada é apenas a mais lucrativa e aquela que por iso mesmo abrange apenas um grupo restrito, muito ... qualificado. São os que saem de um lado, com uma generosa indemnização no bolso, e entram de seguida num outro lugar no qual continuam a ser principescamente bem pagos. O sistema - depois do fulano ter entrado nele - reproduz-se até à aposentação definitiva.
Um outro grupo de sortudos foi aquele que beneficiou da tonteria do downsizing que nos tempos de Cavaco aterrou com estrondo nas empresas públicas e que permitiu reformar quadros com menos de 50 anos que, abotoados com as indemnizações e as reformas pagas religiosamente todos os meses, foram abrir uma chafarica ao pé da porta da empresa que deixaram e passaram a ser consecutivamente contratados com recurso a sucessivos ajustes directos para a execução de tarefas que exigiam as suas elevadas capacidades, entretanto reformadas. Claro que as empresas existentes sofrem com esta forma encapotada de corrupção. Corrupção porque se sonega ao mercado uma significativa parte da encomenda que aí, pelos mecanismos legais, devia ser adjudicada. Corrupção porque entre quem contrata e o contratado se estabelecem cumplicidades que vão da concelhia partidária, aos Bombeiros ou à Mesiricórdia da santa terrinha e às férias que passam juntos à muitos anos com as respectivas famílias (Deus seja louvado!!!!) ...
Claro que a nenhum gestor público no seu perfeito juízo lhe passa pela cabeça candidatar-se ao que quer que seja. A menos que esse lugar seja uma candidatura de sacríficio, tipo um lugarzito na Assembleia Municipal ou a liderança de uma candidatura autárquica antecipadamente derrotada e por isso susceptível de fundamentar a cobrança de um melhor lugar na hierarquia dos gestores a nomear.
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Etiquetas: corrupção
O tratado fundador da Comunidade Económica Europeia foi assinado, aqui, em Roma, a 25 de Março de 1957 pela Alemanha, Bélgica, França, Luxemburgo, Holanda e, claro, a própria Itália. Muito se tem falado e escrito sobre a Europa nestes últimos dias; sobre o seu significado, a sua diversidade, o seu passado e, sobretudo, sobre o seu futuro. Em tempos, falei aqui sobre a Europa . Do que li recentemente sobre o tema (Jornal Expresso), gostaria de partilhar convosco um excerto de uma conferência "Uma Alma para a Europa" realizada em Berlim em Novembro último, proferida pelo realizador alemão Wim Wenders. Podemos até interpretar as suas palavras de forma menos positiva, no entanto, não deixa de ser uma homenagem do que mal ou bem afinal de contas somos todos nós, os europeus.
"Que é a Europa? Como está a Europa?
Tem-se a impressão de que a Europa é um destroço, que está lixada. (...)
"Os Europeus" estão fartos da Europa...
Por outro lado, a Europa é o céu na terra, a terra prometida, assim que se olha a partir de fora.
Nos úlitmos meses, vi a Europa a partir de Chicago e Nova Iorque, de Tóquio e do Rio, da Austrália, do coração de África, do Congo e, ainda na semana passada, de Moscovo.
Eu digo-vos: em cada caso, a Europa aparecia a uma luz diferente, mas sempre como paraíso, como um sonho da humanidade, como uma fortaleza de paz, prosperidade e civilização. (...)
Os que vivem há muito tempo na Europa parecem cansados dela. Os que não se encontram lá, que vivem noutro lado, querem chegar aqui a todo o preço e juntar-se a nós. (...)
Posso perguntar-me: porque é que acho a Europa tão "sagrada" assim que a vejo à distância, e porque é que ela me parece tão profana, rotineira, quase aborrecida, assim que regresso?
Aqui em Berlim, sou alemão, por enquanto com todo o meu coração. Porém, mal se põe o pé na America, já não se diz que se é da Alemanha, França, Itália ou onde for. Vem-se "da Europa" ou está-se prestes a regressar lá. (...) "
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Etiquetas: Europa
... do homem, em curso, determinam algumas mudanças na imagem do blogue e o momentâneo desaparecimento de links, ou de outras informações de interesse geral. Mas, mais tarde do que cedo, tudo se normalizará entre a Baía do Sino e a Terra ganha ao Mar.
Os Moradores e Proprietários da Várzea da Moita, grupo de cidadãos criado para participar na discussão da revisão do PDM da Moita, vão organizar uma conferência com o objectivo de discutir "a política dos solos, as mais-valias urbanísticas e o ordenamento do território" em Portugal.
Trata-se de um excelente exemplo da máxima de Castells : pensar globalmente, agir localmente. Hoje, no Público, página 24, o jornalista José António Cerejo dá conta da iniciativa.
PS- O contacto da organização é varzeamoita@gmail.com.
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Etiquetas: ordenamento, território
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Etiquetas: ordenamento, território
Não vou agora discutir a utilização da qualificação profissional no tratamento das pessoas. Os senhores doutores, os senhores engenheiros, os senhores arquitectos etc. Ninguém neste país trata quem quer que seja por "senhor licenciado em engenharia civil". Não haveria José Sócrates de ser o primeiro. Em Portugal, no Portugal democrático, somos todos engenheiros, mesmo os engenheiros técnicos, que não são licenciados em engenharia, são, como é do conhecimento geral, apelidados de engenheiros. Mesmo os antigos regentes agrícolas que, administrativamente, passaram a engenheiros técnicos, depois do 25 de Abril, são socialmente identificados por engenheiros.
Posto isto devo dizer que não exercendo José Sócrates a profissão de engenheiro e sendo primeiro-ministro por um conjunto de méritos a que a sua qualificação profissional é estranha acho a questão completamente irrelevante. Se no entanto existirem ilegalidades claras na forma como obteve a licenciatura o Público ou outro jornal devem divulgá-las. Não foi o caso com a famigerada reportagem que em síntese se podia assimilar a um caso de "muita parra pouca uva". (*)
Quanto ao mais, acho, sempre achei, que a generalidade das universidades privadas deixam muito a desejar em termos de idoneidade e sobretudo da formação que fornecem aos seus alunos. Muitos dos alunos das privadas, em cursos não reconhecidos pelas ordens, foram maus alunos no secundário -por exemplo gente com manifesta dificuldade a matemática, alunos de negativa, que escolhem engenharia - que querem licenciar-se por razões sociais e familiares. Querem uma licenciatura que lhes permita aceder a um emprego que já lhes está destinado por um direito familiar. O sistema, infelizmente, premeia esta gente, muitas vezes pela via do emprego ou da colocação política, penalizando aqueles que obtiveram uma sólida formação. aqueles cuja capacidade é mais elevada. Afinal, perpetuando as castas familiares do antigo regime.
A responsabilidade, nesta triste realidade, da classe política que nos tem governado - incluindo José Sócrates - é tremenda. Ainda agora inventaram uma nova vigarice: o acesso ao ensino superior dos maiores de 23 anos que não concluiram o secundário. Basta escolher a privada mais permissiva e podem já começar a tratar do mestrado ou mesmo do doutoramento. Basta saber ler e escrever sem muitos erros.
(*) - Devo dizer que o meu desacordo com o trabalho do Público não radica no facto de existir uma ligação entre as públicas declarações de desagrado de Belmiro Azevedo com a actuação do Governo na questão da OPA. Subscrevo aliás aquilo que aqui foi afirmado a propósito da independência editorial do jornal. Aliás, ninguém como o Público sabe quanto são injustas as acusações a Sócrates feitas pelo patrão da Sonae. O Público tem uma aguda consciência das vantagens que Belmiro obteve com decisões concretas de Sócrates. Por exemplo em Tróia com o engenheiro a capturar milhões de mais-valias simples geradas por decisões do licenciado em engenharia.
José Sá Fernandes vem declarar numa "Carta a Lisboa" que quer e está pronto para eleições.
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Aproxima-se a época balnear.
[para alguns]
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Correio dos Leitores:Do ”maior português de sempre” às “Vítimas de Salazar”
Posted by JCG at 3/24/2007 07:10:00 da tarde
Quando criança - nasci na segunda metade dos anos 50 - fui habituado a ouvir (e a repetir) que Monsanto era a aldeia mais portuguesa de Portugal, que o Alentejo era o celeiro da Nação, que beber vinho era dar de comer a um milhão de portugueses e por aí fora, numa sucessão de frases de marketing político-económico de fazer inveja a sucedâneas gerações de brilhantinas, tecnocratas, e sabichões.
Mais tarde vim a saber que existiu um António Ferro. De Salazar já tinha conhecimento, não fosse ele omnipresente na parede da escola, bem por trás da secretária do Senhor Professor, por cima, por baixo ou ao lado do crucifixo, mas sempre em local que os nossos pequenos olhos não pudessem ignorar.
António Ferro foi, de facto, o grande publicitário do regime, fazendo escola que não se terá perdido no tempo. Há quem diga que foi o pai do marketing político português. Mas dessas coisas sei pouco. O que sei, constato, cerca de meio século passado, é que Ferro e Salazar não trabalharam em vão. Como se o lapso de cinquenta anos não tivesse existido na História de Portugal e dos Portugueses – dos grandes e dos pequenos – a televisão pública (e impúdica) oficial paga por todos nós, principalmente os pequenos portugueses, já que os grandes estão lá para colher os louros e as receitas, essa RTP que nunca conseguiu disfarçar sequer a sua dependência dos poderzinhos do momento, impõe-nos, agora, o nome do ditador como o hipotético maior português de sempre, numa lista que inclui Portugueses de maiúscula.
Não me contradigo ao dizer que esse nome não devia sequer ser autorizado a figurar na lista (hipotética) dos maiores. Não ignoro o lapso de cinquenta anos. Salazar existiu, de facto. Mas o tal meio século ensinou-me alguma coisa. Tal como o ontem e o hoje (o amanhã nunca se sabe), a História existe, não a podemos contornar. Deve, por isso, servir para alguma coisa. Quanto mais não seja para aprendermos com os erros do passado. Mas quem quer saber disso?
Entre outros ápodos, Salazar, para além de “bota-de-elástico”, também ficou conhecido pelo “troca-tintas”. Sendo eleito, num “concurso” que fosse sério, como “o maior português de sempre” ficaria consumada a categoria dos portugueses: “troca-tintas”.
Se assim fosse, na minha ascendência haveria de certeza um engano - não seria português. Mas sou. Porque a História continuará a ensinar a vindouros com dois dedos de inteligência que os poderes do momento são efémeros. E bons e maus portugueses havê-los-á sempre.
Cada um é como é. Cá por mim, não apenas como livreiro mas, acima de tudo, como Português, vou fazer a melhor divulgação possível do livro “Vítimas de Salazar”.
Joaquim Gonçalves
Sines, Março de 2007
de Ana Sá Lopes hoje no DN. Cito: "(...) O delicioso em Santana Lopes é que ele denuncia as "contradições insanáveis" no Partido Social Democrata - as tais que (o) vão obrigar a uma cisão - mas é capaz, ao mesmo tempo que se reúne com amigos para avaliar as hipóteses de um novo partido, anunciar que, a qualquer momento, pode voltar a candidatar-se à liderança do PSD.(...)"
Na blogosfera que frequento as opiniões sobre a publicação do famigerado "destaque" não são muitas mas são boas. Saliento as de Paulo Gorjão na bloguítica ( aqui , aqui e aqui), a de Eduardo Pitta no Da Literatura( aqui) , e a de João Pinto e Castro no bl-g- -x-st-( link do da Literatura).
...é o que o PSD parece ter descoberto na questão da licenciatura de José Sócrates na, agora, mal afamada Independente. O problema é que na política não se pode espreitar por todas as janelas de oportunidade. Claro que isto não se aplica aos oportunistas.
A discussão com José Sócrates não correu bem a Marques Mendes sobretudo por causa da OTA. O PSD não tem qualquer moral para questionar uma decisão que nunca recusou e que, caso tivesse permanecido no Governo, teria tentado concretizar.
Mas se Marques Mendes perde no Parlamento por causa da OTA o país, em parte devido à iniciativa de Mendes de colocar o assunto na agenda política, ganha a possibilidade de discutir esta questão sobreudo se a discussão se centrar nas localizações alternativas. Para este debate Mendes pouco pode, infelizmente, acrescentar já que a sua posição é a de nem OTA nem aeroporto nenhum. Pelo menos foi essa a sensação que transmitiu na confusão que caracterizou as suas intervenções no confronto com o primeiro-ministro.
"O debate de ontem à noite (20.03.2007) na SIC Noticias, sobre a escolha da OTA, como local para o novo aeroporto de Lisboa foi uma decepcionante tentativa de manter um cadáver vivo.
Então as explicações dadas pela Sr.ª Directora Geral da NAER, para tal escolha, devem ter deixado o País estarrecido. Aliás o Dr Balsemão tinha feito melhor se convidasse o Ministro António Costa para dirigir o debate; era menos gato com rabo de fora!
Sem querer alongar-me nos pormenores das exposições, feitas pelos intervenientes, penso que foi um momento para se pegar na proposta do Prof. Nunes da Silva e levar de pronto ao Sr Ministro Lino;
o novo aeroporto deve ser feito no POCEIRÃO!Na verdade o local – o triângulo Poceirão-Pegões-S.Isidro – é:
1 - uma das áreas planas menos povoadas do País;
2 – uma vasta área onde não passa por lá nenhum veio de águas. A norte fica a Ribeira de St Isidro e a sul a da Marateca;
3 – por tal razão uma das áreas de menor densidade de aves;
4 – a zona de menor frequência de nevoeiros em toda a bacia do TEJO;
5 –uma das zonas agrícolas mais pobres e menos vegetação;
6 – situada a 25 quilómetros de Lisboa;
7 – próximo de quatro (!) auto-estradas: A2/A6/A12/138 - situado fora das fortes nortadas que varrem a nossa faixa costeira;
9 – num raio de 30 quilómetros, possuidor apenas de uma a elevação de 136 m e está próximo de Vendas Novas a 10 quilómetros de distância e fora dos eixos das pistas;
10 – acessível a construir uma ferrovia de 15 quilómetros que ligando á linha da FERTAGUS –Lisboa –Setúbal – permita um vai-vem constante entre o novo aeroporto e Lisboa e Setubal;
11 –acessível a uma linha TGV que passando a norte de Vendas Novas justifica terceira travessia do TEJO a montante da Vaco da Gama , com muito menores custos (ambientais-financeiros-segurança) do que a proposta para o Barreiro-Chelas;
12 – mais acessível à maior massa humana do País (4 milhões de pessoas) habitando a zona das penínsulas de Lisboa a Setubal;
13 – afastada do aquífero da margem esquerda do Tejo. (mesmo que hoje já se construam cidades sobre aquíferos sem problemas);
14 – mais acessível ao mercado espanhol;
15 –isenta da limitações de expansão;
16 – no mínimo, cerca de um terço de custos menores do que a OTA ( o que é muitíssimo dinheiro a menos)
A somar a estes factores, mesmo que obrigue a novos estudos, novos projectos para a nova localização, quando estes terminarem, ainda na OTA se andava a cavar terra, mesmo que os peritos aeronáuticos deixassem a nova geração de aviões aterrar de NW para SE nos dias dos fortes ventos suões, fazendo o circuito por sobre a serra de Montejunto. (685 m a oito quilómetros da cabeceira da pista!!)
Ao Sr Ministro Mário Lino que diz não conhecer outras propostas para o novo aeroporto leve-se já: POCEIRÂO."
Joaquim Silva
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Etiquetas: OTA
Ontem ao passar pelas edições online dos jornais, já ao fim da noite, encontrei uma referência do tipo publicitário à edição de hoje do Público. O jornal anunciava informações sobre um "dossier" licenciatura de José Sócrates. Hoje comprei o jornal, coisa que raramente faço desde a última remodelação/destruição a que a minha fidelidade-crítica não resistiu. Lê-se e não se acredita. O que existirá de importante nas várias páginas que o Público dedica ao assunto para jutificar esta opção editorial?
Péssimo jornalismo. Não admira.

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar numa flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei da verdade e sou feliz.
lembramos Alberto Caeiro,
um dos heterónimos de Fernando Pessoa
(poema escrito em 1914)
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Etiquetas: poesia
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Etiquetas: artes
Um amigo meu comentou o silêncio a que a imprensa votou a conferência internacional realizada pelo BE, e pelo grupo do Parlamento Europeu ao qual pertence, nestes termos: " tratava-se de uma conferência partidária, de um partido minoritário, na qual todos dizem mais ou menos a mesma coisa.Uma espécie de missa. Julgo que não é o tipo de notícias que as pessoas gostem de ler ou tenham interesse em ler".
Julgo que este argumento não colhe. Por várias razões mas centro-me apenas na questão da missa. Os participantes, na sua esmagadora maioria, nada tinham a ver com o Bloco de Esquerda: Léon Krier, por exemplo, foi apresentado, por Miguel Portas, como associado ao urbanismo conservador e é sobretudo conhecido por ter sido o urbanista a quem o Principe de Gales atribuiu o projecto da nova cidade de Poundbury e por ser o ideólogo do movimento do new urbanism.
A classificação de Miguel Portas é pouco rigorosa e terá servido para simplificar a introdução do urbanista. Krier é sobretudo um revolucionário. No sentido em que dfende uma mudança de paradigma. Alguém que pelo discurso e pela postura - a denuncia que faz dos interesses e das promiscuidades entre público e privado - está claramente à frente da generalidade dos seus pares. Pode-se depois discutir se concordamos com todas as suas ideias. Neste painel foi evidente o desacordo entre Krier e Nuno Portas com a discussão entre os dois a azedar um pouco a partir da posição de cada um sobre a contribuição do movimento moderno para o actual (mau) estado de coisas.
É de Krier uma frase que acho que caracteriza bem as nossas cidades: "[o urbanismo do movimento moderno] o zonamento transformou a vida moderna em algo de extremamente complexo e dispendioso em tempo de transporte. O resultado mais notável do zooning funcional é garantir o consumo máximo de unidades de tempo, de energia e de território na execução das funções quotidianas da sociedade no seu conjunto"
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Etiquetas: cidades, ignorância
Preços de combustíveis descem mais devagar em Portugal do que em outros países .
Há um cartel muito antigo nesta área que conta com a participação de um Estado cumplice. Os accionistas acumulam lucros fabulosos, crescentes mesmo quando as matérias-primas aumentam significativamente. O Estado arrecada mais impostos por via da tributação das empresas. Quem paga somos todos.
O aumento dos impostos foi uma medida de emergência que visou diminuir o défice. Uma medida que contrariou uma promessa eleitoral. Quem consegue maiorias absolutas pode mandar as promessas eleitorais às malvas. Tem quatro anos para promover o esquecimento global.
O aumento dos impostos permitiu aumentar a receita, sobretudo no IVA um imposto que funciona bem porque não é cobrado pelo Estado, é cobrado pelas empresas e pelos profissionais liberais que pagam multas dolorosas, e coimas e etec, sempre que não conseguem entregar o IVA a tempo e horas. Mesmo que seja o Estado o devedor e o verdadeiro responsável. O aumento dos impostos evita a diminuição da despesa e isso pesa na manutenção dos Governos e reforça a sua possibilidade de reeleição. O aumento dos impostos faz mal à economia mas faz bem ao Governo que fica com mais dinheiro para financiar mais despesa, ou a mesma despesa com menos riqueza criada. Há muita gente que fica agradecida ao Governo, mesmo que sejam muitos mais os que sofrem com este tipo de medidas, atirados para o desemprego e para a miséria. O peso eleitoral dos primeiros é infinitamente superior aos dos segundos. Os primeiros financiam os partidos e as campanhas. Os segundos só votam ou se abstêm. O aumento dos impostos gera aumento do desemprego e da imigração. Em Portugal estes dois fenómenos cresceram como nunca desde o 25 de Abril.
A diminuição dos impostos relança a economia, permite combater o desemprego, diminuir a imigração e aumentar a receita fiscal quer pela via da tributação dos lucros crescentes quer pela diminuição da evasão fiscal.
Marques Mendes quer diminuir os impostos. Sócrates, que por enquanto não encontra nenhuma lógica na ideia, acusa Mendes de falta de credibilidade e de irresponsabilidade e utiliza Manuela Ferreira Leite que, como se sabe, é uma ex-ministra das Finanças, sempre muito estimada pelos socialistas, para quem o défice era uma obsessão.
Jean Paul Fitoussi, no tempo em que Durão Barroso ainda não tinha cavado para Bruxelas e a dr Manuela ocupava o lugar do dr Teixeira, veio explicar que aumentar os impostos, como Durão fizera, para combater o défice era deitar recessão para cima da recessão ou, dito de outra forma, deitar gasolina para cima da fogueira. Os socialistas, nessa altura, não deixaram de louvar as sábias declarações do senhor. Louvaram bem, acho eu.
Mas Sócrates, que é socialista, conhece muito bem a drª Manuela e, por acaso, nunca ouviu falar do tal Fitoussi. Bom, mas como é que podia arremessar ao Marques Mendes com o tal do Fitoussi?
Adenda: Há muita gente, que acha que é de esquerda, que sabe de ciência certa que aquilo que se tem feito é aquilo que não podia deixar de ser feito. Adoptaram o economês do FMI e sentem-se bem no interior do "fato único" de que falava Joseph Stiglitz.
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Etiquetas: Impostos
Há canções fáceis de gostar e há grupos que acabaram, mas cujas canções vamos sempre gostar de ouvir... Esta canção dos The Verve é, para mim, um desses casos. Ora oiçam aqui ao vivo ... ou aqui se tiverem uma ligação net tão lenta quanto a minha.
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Etiquetas: artes
estão de entre as primeiras vítimas do fanatismo, da intolerância e dos abusos do poder um pouco por todo o mundo. Nunca é demais referir quantos perderam a vida no fogo cruzado da guerra. Nunca é demais referir quantos continuam a ser vítimas de perseguições de abusos do poder de governantes e organizações impunes; vítimas do ódio e da intolerância dos mais radicais.
Como já aqui referi, a Russia é um dos casos mais evidentes desta perseguição. Muitos jornalistas morreram naquele país sem que qualquer investigação tenha sido concluída. A Comissão Europeia ainda se referiu ao "urgente apuramento da verdade sobre a morte de jornalistas na Russia", mas até agora, que eu saiba, nada foi feito. Veja aqui os números desta realidade.
Os jornalistas deixam de ser vistos como o rosto da imparcialidade, para serem as vítimas mais vulneráveis da intolerância.
Ainda para ilustrar esta realidade, transcrevo aqui uma informação do Sindicato dos Jornalistas online do passado 21 de Fevereiro:
"Assassinato de jornalistas prossegue ao ritmo do ano passado
Assassinatos de jornalistas na Somália, no Afeganistão e nas Filipinas elevaram para 18 o número de jornalistas mortos no mundo desde o início deste ano, o que segundo a Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) faz com que o ritmo das mortes seja similar a 2006, ano em que se estabeleceram novos recordes para esta terrível realidade.
A 19 de Fevereiro, o editor do semanário “Lightning Courier” Hernani Pastolero, de 64 anos, foi morto a tiro enquanto tomava café em frente da sua casa na cidade de Sultan Kudarat, na ilha de Mindanao, nas Filipinas.
Dois dias antes, no sábado, dois motociclistas armados abateram Rahman Qul, editor da revista afegã “Andkhoy”, num ataque alegadamente perpetrado por talibãs. Entretanto, a polícia já deteve um suspeito.
Sem progressos tão rápidos parece estar a investigação ao assassinato do apresentador de rádio Mohammed Omar, alvejado mortalmente no dia 16 de Fevereiro em Baidoa, na Somália. Estes três assassinatos juntam-se a 15 outros já contabilizados pela FIJ desde 1 de Janeiro de 2007.
A região mais perigosa tem sido o Médio Oriente, com 10 jornalistas mortos, seguida da Ásia-Pacífico com três, das Américas e de África com dois cada e da Europa, onde um jornalista foi assassinado.
Afirmando que tudo parece indicar que este vai ser outro ano sangrento para a classe, o secretário-geral da FIJ, Aidan White, diz que “estes assassinatos mostram a pressão intensa que os jornalistas enfrentam por todo o mundo” e espera que a recente aprovação pela ONU de uma resolução contra a morte de jornalistas em zonas de conflito ajude a acabar com o ciclo de impunidade e indiferença que se instalou."
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Etiquetas: Mundo
ao projecto" diz o presidente da Parque Expo. Desta forma o senhor propõe que o projecto reaja ao mercado. Por outras palavras para um local para o qual um Plano de Pormenor determinava a construção de "um parque de lazer com zonas verdes, com uma área de construção de 45 mil metros quadrados" propõe-se agora a construção de uma loja IKEA com muito mais área de construção a ocupar muito mais espaço e, claro, com uma imensa zona verde no interior - se pintarem os pavimentos e as paredes dessa cor - e, ela própria, um enorme parque de merendas. Os portugueses preferem merendar nestas lojas, já se sabe.
O Presidente da Expo, num momento de grande contenção, não falou da criação de postos de trabalho, do investimento estrangeiro, nem pediu a Manuel Pinho mais um PIN para a IKEA. Limitou-se a afirmar que não apareceram investidores para a zona verde e a zona de lazer. E nós a pensarmos que isso era responsabilidade da Parque Expo que aí devia aplicar parte das mais-valias da urbanização de todo aquele espaço.
Estiveram em Portugal a participar numa conferência internacional cujo tema era a "Cidade é para Todos"? A fazer fé nas notícias que não foram publicadas na Imprensa - na de referência e na outra - isso nunca aconteceu.
Adenda: Não quero ser injusto e devo por isso referir as presenças de Nuno Portas, João Seixas, Isabel Guerra, Manuela Raposo Magalhães, Sara Silvestri, Maria João Freitas, Sílvia Ferreira cuja participação me pareceu muito importante para a qualidade da conferência. E que são pessoas que dispensam grandes apresentações como é o caso de Nuno Portas. Isto para falar nos participantes que se situam fora da área politico-partidária. Mas neste campo o deputado europeu, pelo GUE/NGL, Giusto Catania, membro da Comissão das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos e da Comissão de Cultura e Educação teve uma intervenção excelente no painel sobre "Migração, Discriminação e Identidades Urbanas".
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Etiquetas: cidades, ignorância
A Marques Mendes acontece-lhe cada coisa. Numa altura em que com as propostas sobre a OTA e sobre os Impostos conseguiu marcar a agenda política - tal como reconhecido aqui - logo lhe havia de aparecer o senhor Menezes a informar o País em geral que estava disponível para tratar da oposição caso ele se demitisse.
Entretanto a OTA reaparece na agenda política. Não apenas pela iniciativa de Marques Mendes, a que Cavaco Silva deu uma boa ajuda, mas também por força de um conjunto assinalável de dúvidas, muito alimentadas por razões técnicas insusceptíveis de serem sanadas ao nível da decisão política: condições de segurança, custos, vida útil, possibilidade de expansão, articulação com as redes de transportes etc. Condições que levantam muitas dúvidas sobre a opção do Governo.
Existe, no entanto, entre os críticos - ou cépticos - desta opção uma clara linha de fractura: Alguns criticam a localização mas dão como adquirida a necessida de um novo aeroporto. Outros, puram e simplesmente, apostam na ampliação ad eternum da Portela. Eu alinho sem reservas pelo primeiro grupo ma não gastava um chavo a construir a OTA.
PS - A NAER já veio negar que tenha estudos críticos da construção da OTA.
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Etiquetas: défice
Lá como cá: Edifícios mal construídos não resistem a abalos sísmicos
Posted by JCG at 3/16/2007 12:09:00 da tardeNa Turquia morreram 18 mil pessoas na região de Istambul no sismo que ocorreu passaram agora sete anos. Desde então ficou-se a saber que só em Istambul existem 50 mil edifícios construídos sem respeitar as regras de construção anti-sísmica.
Pode ler esta notícia na última edição do Expresso, na página 38 do 1º caderno - link só para assinantes - num trabalho de José Pedro Tavares correspondente em Ancara.
Saliente-se que a maior parte das vítimas pereceu em edificios recentes construídos de acordo com a famosa lei estrutural de que "O Betão é o melhor amigo do Homem" lei que todos os patos-bravos gostam de aplicar nas suas obras. Na Turquia as famílias rcorreram à justiça para poder aqcusar os empreieiros e os engenheiros responsáveis pelos crimes. Os processos arrastam-se e vão prescrevendo. Mais de 1800 processos já prescreveram e ainda ninguém foi objecto de uma sentença.
Cá continuamos a aguardar por um sismo suficientemente forte que ponha a nu aquilo que alguns afirmam desde há alguns anos: constrói-se pior do que nunca. Falo da construção em geral, mas já não posso excluir alguma parte da obra pública, sobretudo de iniciaitiva municipal cuja qualidade é condicionada pelos prazos políticos e pelas dívidas ao empreitieiro que diminui drásticamente a capacidade fiscalizadora dos donos da obra.
PS - Alguns empreiteiros - ou melhor patos-bravos - estão próximos de patentear outra descoberta estrutural, para lá do célebre "o Betão é o melhor amigo do homem" , cuja designação é a seguinte: "Um pilar é um pilar, não interessa se fica alinhado com o de baixo ou se fica no limite de uma varanda, ou se se interrompe no ar. É um pilar, pronto"
PS1 - Declaração de interesses: sou engenheiro civil pelo IST, especialidade de Estruturas, e a minha actividade profissional tem sido, sobretudo, o projecto estrutural. Acho que a legislação que dispensou a verificação dos projectos de estruturas - remetendo para a responsabilidade dos autores pura e simplesmente - é uma legislação criminosa que abriu o caminho para todo o tipo de vigarices. Isto não vale por dizer que as câmaras tenham capacidade para analisar a qualidade dos projectos. Isso é outra discussão.
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Etiquetas: sismos
Mároio Bettencourt Resende reflecte no DN sobre o cinzentismo do PS nos dia que passam. A posição do jornalista releva de um desejo de que as vozes críticas - pretensamente existentes no partido - não se conformassem e ousassem manifestar a sua discordância com os caminhos seguidos por Sócrates. A esperança situa-se agora na próxima sessão do Forum Novas Fronteiras que permitiria "quebrar a "paz cinzenta do Reino da Rosa" e poupar o primeiro-ministro a mais uma torrente de elogios acríticos".
O PS de que MBR fala já não existe há muito tempo. O PS albanizado em que todos estão com o líder, e os que não estão não existem pura e simplesmente, nasceu e cresceu antes de Sócrates. A diferença é que este tipo de partido é o ideal para um líder como Sócrates. Um partido resumido às estruturas nacionais e aos lugares mediatizados com o nível de participação política e a importância das bases tornadas completamente irrelevantes. O que interessa é o Secretário Geral tanto mais quanto acumula o lugar com o de primeiro-ministro. É ele que dita ordens no partido num processo de democracia top to bottom em que os Presidentes das Distritais são por ele designados e por sua vez põem e dispõem das concelhias. Em regra dispõem no sentido de que as concelhias assegurem a calma no partido mesmo que para isso tenham que reduzir a actividade politica local a zero.
Estruturas como as Novas Fronteiras -uma irrelevância política frequentada por bajuladores dos méritos do Governo e do Secretário Geral - servem para dar uma imagem de dinamismo e abrangência onde só existe unanimidade, carreirismo e subserviência. As excepções são severamente punidas: com o desterro para algures, a exclusão das listas de deputados ou o degredo político. Desta forma se apura a qualidade do pessoal político partidário conseguindo a perfeita sincronização dos movimentos de aplauso e de contentamento e a pura erradicação da mais ténue ideia critica relativamente aos caminhos que o país trilha sob a orientação do camarada secretário geral. Uma coisa soviética embora o termo albanização não seja mau.
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Etiquetas: cinzentismo
O PS propõe-se legislar no sentido de que os consumidores deixem de pagar o aluguer dos contadores nos serviços públicos. Claro que não basta esta medida é necessário prevenir a esperteza de aumentar o preço dos serviços prestados de forma a incluir neles o valor que agora deixa de ser cobrado. Mas é um bom passo dado por um Governo que em apenas dois anos aumentou de forma brutal o custo de vida dos portugueses.
PS - Já em tempos deixei este desafio: o de saber quanto aumentou o custo de vida dos portugueses desde que José Sócrates chegou ao Governo. Incluindo o aumento dos impostos, os transportes, o preço dos serviços básicos - luz, água, electricidade, gás, taxas de saneamento etc - a habitação, as portagens, os combustíveis etc. Alguns destes serviços não dependem do Governo dirão alguns. Não concordo e dou um exemplo: o IMI é cobrado pelas autarquias que, como se sabe, aplicam as taxas máximas obtendo acréscimos significativos de receita por comparação com a anterior Contribuição Autárquica. Mas, quem permite o regabofe é o Governo que não legisla no sentido de diminuir a taxa máxima a aplicar. Um Governo que tem maioria absoluta, recorde-se.
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Etiquetas: custo de vida
de amor por nós mesmos, todos nós, ateamos o fogo que nos consome - o nosso amor é o sofrimento para o qual a única cura é o nosso amor..."
in Está Tudo Iluminado de Jonathan Safran Foer , um livro a ler!
- o site oficial do escritor -
Os produtores domésticos de energia solar vão poder vender a sua produção à rede. Esta medida pode estimular a colocação de painéis solares fotovoltaicos nas coberturas das casas para produzir energia eléctica. Ficamos a aguardar pormenores para confirmar o interesse da coisa.
O Tribunal da Relação do Porto confirmou a pena de prisão de uma mulher que agrediu a professora primária dos filhos em plena sala de aulas. Cinco anos de prisão efectiva. Uma decisão que pode ser um contributo importante para por fim ao clima de impunidade que se instalou no que se refere à violência sobre os professores. Uma decisão da justiça que faz muito pelo combate à indisciplina nas escolas num país em que a cobardia politica tem permitido o seu aumento e generalização sem consequências para os prevaricadores.
é o título de uma conferência internacional promovida pelo Bloco de Esuqerda. Encontra os detalhes aqui. O que eu quero chamar a atenção é para o facto de participarem nesta conferência dois notáveis urbanistas cuja obra é sempre fonte de conhecimento. Falo de Jordi Borja e de Léon Krier. Duas figuras maiores do nosso tempo.
Jordi Borja foi várias vezes citado nste blogue a propósito da cidade e do espaço público. Posso afirmar que é o autor que mais me fascina. O seu livro mais importante, do meu ponto de vista, é o notável "El espacio público: ciudad y cidadania". Excelente.
Léon Krier, de cuja arquitectura não gosto particularmente, é um teórico importante que tem um livro publicado em Portugal cuja leitura recomendo vivamente. O titulo é " arquitectura, escolha ou fatalidade" da colecção "teorias e fontes da arquitectura" editado pela Estar Eitora. Está lá tudo: desde areflexão sobre o a natureza do objecto arquitectónico passando pela crítica fundamentada ao urbanismo do movimento moderno, a crítica ao desenvolvimento urbano a reboque dos intereses particulares, à prosmicuidade entre público e privado sempre com prejuízo do interesse público, à perspectivas de um novo urbanismo. O new urbanism de que é um fundador é um movimento importante que defende a sustentabilidade das cidades e critica a sobreexpansão urbana. Pode conhecer melhor este movimento aqui.
PS - na divulgação da conferência nada é dito sobre as condições do acesso pelo que julgo que a entrada é livre.
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Etiquetas: cidades
José Medeiros Ferreira escreve, mas não só, sobre o tamanho da direita. O artigo, muito interessante, merece uma leitura atenta. Ora uma leitura atenta, como esta, não pode deixar passar em claro a afirmação reiterada de que a direita sofreu uma "derrota de Pirro nas eleições de 2005". Medeiros Ferreira inverte a clássica expressão da vitória de Pirro, utilizada sempre que uma vitória acaba por se revelar prejudicial, para afirmar sem reservas que, nas eleições de 2005, a direita obteve uma derrota que foi largamente compensada pelas vantagens que daí resultaram . A leitura para a esquerda é ...
esteve nas bocas do mundo por desavenças entre os seus dirigentes. Do que nos foi dado ver e ouvir, sobretudo como resultado das acusações que as personagens trocaram na praça pública, pensariamos que estávamos perante uma organização de carácter mafioso cujos negócios tinham caído no domínio público por desavenças entre as partes. Desvio de milhões de euros, tráfico de diamantes, ligações ao incorruptível regime angolano e outras áreas de negócio que julgaríamos longe do ideal universitário. A dita Independente fechou portas e voltou a abri-las, num ápice. Com profesores doutores, ou apenas professores, recrutados entre os Deputados da República, alguns dos quais não sabiíamos sequer que já tinham tido tempo, e capacidade, para iniciar e concluir licenciaturas. Provavelmente antigos alunos bafejados pela excelência do ensino que dá acesso a lugares de prestígio como o de deputado ou de ministro.
Um caso como este, tornado público sem que daí tivessem advindo consequências para os protagonistas do triste espectáculo, mostra bem o ponto a que chegámos. Mostra bem como é falsa a aposta da classe política na qualificação dos portugueses. Falsa desde o primeiro Quadro Comunitário de Apoio diga-se. A qualificação, sabem eles, é apenas uma questão de títulos académicos. Para isso universidades como a Independente dão muito jeito. Um titulo académico é um título académico, se me é permitido parafrasear Vale e Azevedo. Para um lugarzito de nomeação política serve muito bem. E para os concursos que por aí se fazem igualmente. O que importa são os meios para atingir os fins do sucesso e do poder pessoal. Ora como se sabe, em Portugal, esse percurso é Independente do mérito, do estudo, do trabalho. Depende de outros argumentos.
Não há País que aguente este Estado de coisas.
...Clinton o que sobre ela sentenciou Luís Delgado? Num dos seus momentos de grande capacidade de análise política Luís Delgado escreve no DN que " enquanto Bush se afadiga por alguma América Latina, a senhora Hillary intensifica a sua pré-campanha presidencial com o objectivo de se tornar numa das escolhas possíveis para uma candidatura à vice-presidência, uma das tradicionais saídas para quem decide arriscar a entrada no circo eleitoral americano."
Vejam lá, tanta gente, nos quatro cantos do mundo, convencida que a senhora tinha como objectivo candidatar-se ao lugar de Presidente dos Estados Unidos. E afinal não. Ainda bem que o Luís, o grande desmancha prazeres da análise política internacional, veio anunciar que afinal o que a senhora Hillary quer é garantir uma nomeaçãozita para disputar o lugar de vice-presidente. Como o Luís nunca acerta estas previsões - lembram-se quando ele assegurava de Washington, com a felicidade estampada no rosto, que a derrota de Clinton contra o pai Bush era inevitável? - a senhora corre mesmo o risco de ser a próxima Presidente dos Estados Unidos.

Apesar de já ter estreado há algum tempo, se ainda não viu,
não perca este filme: Blood Diamond, em Sines até dia 14
O trailer: http://blooddiamondmovie.warnerbros.com/main.html
A opinião de Miguel Sousa Tavares no Expresso. Uma reflexão sobre os diferentes tipos de empresários e de empresas suscitada por uma reportagem de Raquel Moleiro saída na edição anterior da revista do Expresso que comparava uma operária que trabalha para a corticeira de Américo Amorim e um quadro da Xerox. Cito: "(...) se não fosse o salário da segunda tão miserável, ainda se poderia tentar compreender: diferentes qualificações, diferentes salários e regalias. O que já não dá para justificar são as diferenças abissais na política social de ambas as empresas, e isso é igual para todos os tabalhadores. Na Xerox, ao quarto mês de licença de parto, a empresa junta um quinto mês, por sua iniciativa e extensível aos país; dá 27 dias úteis de férias por ano, mais duas pontes e o dia de aniversário do trabalhador; tem creche, ginásio com professor (...) Já a trabalhadora da Corticeira Amorim não tem direito a nada disto. Trabalha em pé oito horas por dia, com uma hora de intervalo para almoço, com a função de escolher, entre quase 100.000 rolhas que lhe passam à frente todos os dias, quais as que têm defeito.(...) Mesmo assim, foi preciso uma greve para que as escolhedoras de rolhas da Corticeira Amorim conquistassem o direito a ter um intervalo de quinze minutos de manhã e outro à tarde.(...)"
Adenda: No artigo acima referido MST refere-se num P.S às mudanças no Público. Assino por baixo. Também eu não me acostumei à substituição do meu jornal de todas as manhãs por um jornal que se "(...)transformou numa variante dos panfletos publicitários da Moviflor, no mais totalmente descaracterizado, incompreensível e pior.(...)"
"CDS corre o risco de voltar ao tamanho de um partido do táxi" afirmou Paulo Portas, citado no Público online. Faltou esclarecer qual o tamanho actual do Partido na opinião de Portas. É que um táxi pode transportar pelo menos 5 pessoas e o CDS, na versão Portas, apenas o pode transportar a ele e um número variável de seguidores mais ou menos irrelevantes.
Não passa uma semana sem que este Governo anuncie uma qualquer iniciativa que, invariavelmente, permitirá "a qualificação dos portugueses, um desafio fundamental que importa vencer para possibilitar o progresso do nosso país". Tudo o que o Governo anuncia, e o pouco que aparentemente faz, contribui inexoravelmente para a qualificação dos portugueses. Assim sendo o progresso pátrio coloca-se no puro domínio das inevitabilidades. Convencido desta realidade o Governo não hesita em repetir o anúncio de velhas iniciativas se não tiver nada de novo para anunciar. Existirá, aparentemente, a convicção governamental de que há um efeito indutor de qualificação e de progresso em resultado destes anúncios. Uma espécie de magia.
Mas esta semana ficámos a saber que o primeiro-ministro tenciona concentrar sobre a sua tutela vários serviços policiais e de informação. Uma espécie de big brother is watching you como aqui se escreve. Esta parece-me a maior ameaça divulgada esta semana. Ameaça para a democracia. Quem se lembrará já da polémica lançada pela Visão a propósito do serviço de informações que funcionaria na dependência do primeiro-ministro? Como referiu Constança Cunha e Sá no Público -citada na bloguítica - nem o alerta do anterior director da Judiciária para o perigo desta "concentração" de poderes nas mãos de um único homem, suscitou qualquer reacção mais audível. O poder pessoal de José Sócrates cresce na justa medida em que aumenta o silêncio à sua volta.
A opinião de Jacinto Lucas Pires, hoje no DN.
Vinte e Um deputados do PSD votaram pelo SIM no referendo sobre a IVG e votaram agora favoravelmente a lei que tinha sido elaborada pela esquerda parlamentar e que traduzia, no essencial, o espírito da decisão dos portugueses nesse referendo. São possíveis amplos consensos mas não são necessárias falsas unanimidades.
Porque razão tantos deputados são professores universitários, em regra em universidades privadas?
A nova subida das taxas de juro - decidida pelos burocratas do BCE - trás acrescidas dificuldades para as famílias. Sobretudo por via do endividamento com a aquisição de casa própria situação em que os portugueses detêm uma siuação ímpar no contexto europeu. Ímpar pelas piores razões. A mais elevada taxa europeia de casa própria com um dos mais baixos rendimentos per capita, uma mistura explosiva sobretudo num cenário de sistemáticas subidas das taxas de juro.
Como é que se pode circular na cidade de Sines? As obras em curso na Avenida Humberto Delgado tornam impossível a vida daqueles que necessitam de circular na cidade. Mais ainda quando "enviados" por um sentido obrigatório chegam ao fim desse desvio e são travados por novas obras e por um GNR que lhes impede a passagem sem ser capaz de lhes indicar um trajecto alternativo. Novas obras se iniciam e cada vez mais as possibilidades de circulação se complicam sem que qualquer informação decente esteja disponível para apoiar os munícipes.
Para que servirão os eleitos e os serviços da autarquia?
"É interdita a construção de novas edificações, designadamente anexos, em pátios, logradouros e espaços ajardinados". Disposição regulamentar integrante do regulamento do PU de Sines. (Título V -Disposições finais e tansitórias - Secção I - Disposições transitórias. Artº 68º -Núcleo Histórico, alínea b).
Foi pública a minha discordância com a inclusão deste artigo relativo à Zona Histórica no Regulamento do PU de Sines. Contempla disposições eminentemente repressivas que contribuem, se aplicadas à letra, para o despovoamento e o declínio dessa zona. Cito, a título de exemplo, o facto de se proibirem os terceiros pisos recuados - uma volumetria claramente consagrada no local e que permite viabilizar a recuperação de lotes que, pela sua exiguidade, não permitem condições mínimas de habitabilidade sem esse recurso.
Mas, já que o artigo, com as suas 38 disposições, foi incluído, a autarquia devia esclarecer toda a população sobre o que entende da sua aplicação. O caso citado, a abrir este post, é um caso extremo em que um privado adquire prédios que integram uma vasta área de logradouros ou pátios e depois consegue não só ocupar esses logradouros com constução, como construir volumetrias expressamente proibidas no mesmo regulamento. Nestes casos o feliz contemplado realiza significativas mais-valias, geradas pela autorização concedida pelo município(*), e os antigos proprietários, que venderam no pressuposto de que a lei se aplica, ficam a ver passar os comboios e a pensar que o sol quando nasce não é para todos...
(*) - Era a isto, entre outras coisas, que Paulo Morais chamava transferência de bens públicos para mãos privadas - no caso de os terrenos serem públicos e, na sua alienação, não ter sido tida em conta a mais-valia gerada com a reclassifcação do uso e/ou da intensidade do uso - mas que muitas vezes pode igualmente ser considerada como favorecimento de uns em prejuízo de outros.

Disponha de pouco mais de sete minutos e veja este pequeno filme.
Eu sei, é parecido com algumas cantilenas que nos enchem as caixas postais, mas este está bem feito, é bonito. Veja !
é preciso ter lata para vir invocar aquilo que o PSD invoca na questão da lei da IVG. O PSD acha que o PS e a esquerda em geral tinham assumido o compromisso de evitar o aborto. Para isso deveriam adoptar as propostas daqueles que exigiam o aconselhamento obrigatório das mulheres. Por outras palavras o PSD pretendia que os vencedores do referendo na hora de legislar aplicassem as propostas dos que votaram no NÃO. É preciso ter lata. Muita lata.
É claro que o PSD assume agora aquilo que assumira mas de um forma envergonhada: que apoiava o NÂO. É igualmente claro que o PSD, com esta intervenção, está a colocar pressão sobre o Presidente da República que exigira um consenso alargado na elaboração da lei. Cavaco poderá ter aqui a oportunidade para recentrar a sua base política de apoio. Vetando a lei.
Porque raio comprará uma pessoa um jornal para ler notícias mínimas com um desenvolvimento sofrível e encontrar páginas meio cheias com fotografias de autocarros com setas de sinalização do pavimento elevadas ao estatuto de objecto de desejo...dos leitores. Enquanto não encontro justificação para este estado de insanidade que parece grassar na imprensa escrita portuguesa gozo, desde há duas semanas, a experiência de, pela primeira vez desde que me lembro, não ter um jornal que me apeteça ler todas as manhãs.
A polémica do Mercado Municipal de Sines - um assunto ainda não encerrado - fez alguns estragos na tradicional unanimidade da CDU. Para além da pública, e muitas vezes agreste, discordância entre o Presidente da Câmara e o Presidente da Assembleia Municipal, o deputado, eleito pela CDU, Acácio Dionísio dos Santos apresentou, na última sessão da Assembleia, uma carta em que renunciava à condição de membro da bancada da CDU assumindo o estatuto de deputado independente. O motivo próximo foi a falta de liberdade e as pressões que sofreu por se ter oposto à decisão de demolir o mercado, correspondendo dessa forma àquilo que considerava ser a opinião maioritária da população. Trata-se de uma situação inédita. Nunca um deputado municipal eleito pela CDU abandonou a coligação permanecendo como independente. Noutras situações em que se verificaram abandonos com base em discordâncias sobre actos de gestão da autarquia os envolvidos abandonaram a Assembleia. O caso mais conhecido foi o do já falecido João Carlos Almeida que saiu da Assembleia, integrava a lista da CDU eleito como independente, por discordar da forma como a Câmara pretendia gerir o processo de Urbanização das Percebeiras que integrava a área abrangida por um Plano então existente chamado "Plano da Zona de Reserva Habitacional".
A atitude do deputado municipal Acácio merece destaque. No seu contrato com os eleitores não vigorava a proposta de demolir o Mercado. Por outro lado a forma como o Presidente da Câmara manipulou o processo evitando a discussão pública do mesmo é de molde a envergonhar quem está na política para servir o interesse público e as populações da sua terra em particular.
Acabei de escutar no Telejornal da RTP1 o secretário de Estado da Educação, Jorge Pedreira, esclarecer se achava que fazia sentido penalizar, na promoção na carreira, os professores que tivessem faltado por doença ou por outra razão devidamente justificada. Disse o Secretário Pedreira que "mesmo quando existam razões justificadas existe sempre uma turma que fica sem professor e que é normal que sejam valorizados aqueles que cumprem zelosamente as suas obrigações".
Onde terão descoberto este homem que transpira ideologia em cada declaração. Ideologia de uma direita radical que despreza os direitos de quem trabalha e que usa e abusa de um discurso populista - aquela precisão de que existe sempre uma turma sem professor - capaz de envergonhar os sectores mais esclarecidos da direita?
.... a popularidade aparentemente inexpugnável do primeiro-ministro abre as primeiras brechas. A questão é a de saber quando é que aquilo que se sente na rua se manifesta de forma clara nas sondagens.
"Os cartéis abundam na economia portuguesa" afirmou Abel Mateus, o presidente da Autoridade da Concorrência (AdC), em entrevista ao Diga Lá, Excelência, do PÚBLICO, Rádio Renascença e da 2. Neste blogue escrevemos isso mesmo uma dúzia de vezes ao longo dos dois últimos anos. A propósito dos combustíveis, das comunicações móveis e fixas e do sector energético em geral. Segundo Abel Mateus, quando existe um cartel os preços são iguais ou muito próximos, e mantêm-se relativamente estáveis independentemente das circunstâncias económicas. Para o presidente da AdC, isso acontece muito quando há um número reduzido de empresas e o produto é homogéneo, sendo fácil às empresas aplicarem sanções a quem não está a respeitar o acordo.
Será que esta descrição lembra alguma coisa aos nossos leitores? Uma coisa não podemos ignorar: os cartéis existem porque contam com a cumplicidade do Estado e sobretudo dos partidos políticos do chamado centrão.
No Expresso, um artigo de Márcio Resende, correspondente em Buenos Aires, dá conta de como a economia Argentina, depois da crise violenta de 2001/2002, conseguiu em apenas cinco anos atingir níveis de crescimento "asiáticos". As soluções passaram no essencial por rejeitar as receitas do FMI e optar por soluções alternativas: neste caso juros baixos e moeda fraca foram a opção.
Em 2002 o desemprego atingiu os 22% da população activa. Os argentinos que caíram na pobreza representavam 55% da população enquanto outros 26% eram considerados indigentes. Entre 1998 e 2002 o PIB argentino caiu 20 pontos. Desde 2002 até ao final de 2006 o PIB cresceu a uma média de 8-9% ao ano.
No seu livro "Globalização, a grande desilusão" Joseph Stiglitz (*) dá uma explicação detalhada das razões que conduziram a Argentina ao colapso. Escreve o antigo conselheiro de Clinton e ex-vice presidente do Banco Mundial: "(...) As ideias e as intenções que presidiram à criação das instituições económicas internacionais eram boas, mas foram evoluindo ao longo do tempo e transformaram-se completamente. A orientação keynesiana do FMI, que realçava as insuficiências dos mercados e o papel do Estado na criação de emprego, deu lugar ao hino ao mercado livre dos anos 80, no quadro de um novo "Consenso de Washington" - um consenso entre o FMI, o Banco Mundial e o Tesouro dos Estados Unidos acerca das políticas "certas" para os países em desenvolvimento - que assinalou uma abordagem radicalmente diferente do desenvolvimento e da estabilização económica. (...) para muita gente, o resultado foi a pobreza e, para muitos países, o caos político e social. O FMI cometeu erros em todas as áreas em que se envolveu; no desenvolvimento, na gestão de crises, e nos países que transitaram do comunismo para o capitalismo. Os programas de ajustamento estrutural não truxeram o crescimento sustentado, nem mesmo naqueles países, como a Bolívia, que aderiram à rigidez da sua disciplina. Em muitos países, o excesso de austeridade sufocou o crescimento. (...) Hoje em dia, muitos países latino-americanos continuam a apresentar elevadas taxas de desemprego, que na Argentina, por exemplo, atingem níveis de dois dígitos desde 1995, embora a inflação tenha baixado. O colapso da Argentina em 2001 é um dos exemplos mais recentes de uma série de falhanços ao longo dos últimos anos. Dada a elevada taxa de desemprego durante cerca de sete anos, não é de admirar que os cidadãos tenham acabado por se revoltar, mas sim que tenham sofrido em silêncio durante tanto tempo. Até naqueles países em que se registou um crescimento moderado, este beneficiou os ricos e sobretudo os muitos ricos (os 10 por cento mais ricos), enquanto que os elevados níveis de pobreza se mantiveram e em certos casos o rendimento dos mais pobres chegou mesmo a diminuir.(...) O investimento estrangeiro não é um dos três pilares principais do Consenso de Washington, mas é uma componente fundamental da nova globalização. Segundo o Consenso de Washington, o crescimento cria-se através da liberalização, "libertando os mercados". A privatização, a liberalização e a macroestabilidade criam um clima que atrai o investimento, nomeadamente o estrangeiro. Este gera crescimento. (...) A Argentina é um bom exemplo da ameaça que os bancos estrangeiros representam. Neste país, antes do colapso de 2001, o sector bancário era dominado por bancos estrangeiros, e embora os bancos concedessem empréstimos com facilidade às multinacionais, as pequenas e médias empresas queixavam-se da falta de acesso ao capital. Na Argentina, o problema foi amplamente compreendido. O Governo deu alguns passos tímidos para fazer face à situação, mas os empréstimos do Estado não foram suficientes para compensar a falência do mercado. A experiência Argentina ilustra algumas lições fundamentais. O FMI e o Banco Mundial têm realçado a importância da estabilidade no sector bancário. É facil criar bancos saudáveis, bancos que não percam dinheiro, devido a crédito mal parado - basta que eles invistam em títulos do Tesouro dos estados Unidos. O desafio não consiste apenas em criar bancos saudáveis, mas bancos saudáveis que financiem o crescimento. A Argentina demonstrou que quando isso não acontece, a situação macroeconómica pode tornar-se instável. Devido à falta de crescimento, os défices orçamentais foram-se acumulando, e, quando o FMI impôes cortes nas despesas e o aumento de impostos, desencadeou uma espiral de recessão e caos social.(...)"
Globalização. A Grande Desilusão. Joseph Stiglitz. Edições Terramar. 3ª edic. Novembro de 2004
"(…) Gostaria de lhe colocar algumas questões que julgo pertinentes sobre o indivíduo a que o seu tema faz referência. Em primeiro lugar, qual a importância deste tipo que referencia no post, se pelo que diz a opinião pública, que não são os jornalistas do sistema, é um tipo sem princípios de boa fé e com tiques fascistas? Qual a importância do tipo que enquanto ministro de dois dos governos mais tenebrosos de Portugal, gastou dinheiro mal gasto, permitiu gastar outro dinheiro a comprar armas e foi corresponsável por uma Guerra, que só aparentemente não é Mundial?(…)
Só lhe respondo ao seu post, pelo facto de (reconhecendo a sua e minha liberdade de expressão), no dia de hoje, ter havido para pelo menos cerca de 150 mil portugueses, e muitos outros que não puderam participar, uma jornada de luta contra as políticas governamentais e não ter reconhecido esse facto no seu blog. Permita-me perguntar-lhe afinal o que o faz mover em volta de Portas? (…)
Egídio Fernandes"
Há aqui um equívoco no nosso leitor: o meu post não pressupunha qualquer resposta embora conviva bem, como qualquer dos meus posts, com comentários e opiniões diferentes, desde que o sejam. Quanto à critica à minha agenda aceito-a mas continuarei a escrever sobre aquilo que quero com a ordem que eu próprio determino.
... elevadas. mesmo com o crescente descontentamento face ao Governo e ao partido que o suporta, notório um pouco por todo o lado. De que as manifestações são apenas um pequeno afloramento. Muita gente que espera e desespera por melhores dias e por melhores políticas não vai em manifestações. E, muita dela, votou Sócrates em 2005.
Mesmo por isso não deixa de ser relevante a capacidade que a CGTP mostra para mobilizar o dscontentamento. Relevante e indispensável para a democracia.
A SONAE não compra a PT. Decidiram os accionistas que compareceram na Assembleia Geral.
As capas dos diferentes diários dão bem uma ideia das diferentes reacções. Senão compare-se a quilométrica manchete do Público, um verdadeiro manifesto - OPA sobre a PT bloqueada por um terço dos accionistas e cumplicidade do Governo - com a curta e grossa do DN, não menos dotada de conteudo - Era uma vez uma OPA - para se perceber as diferentes reacções e alinhamentos face ao desenlace da iniciativa da família Azevedo.
O chofer do táxi está de volta. Depois de dois anos a manipular, na sombra, as marionetes do grupo parlamentar contra a direcção do partido, Portas responde a um dos seus imperativos de consciência e apresenta-se para enfrentar as ... dificuldades. Se tudo estivesse a correr bem não viria, disse. Mas, o Maquiavel do Caldas, cego pela sua própria encenação da realidade parece incapaz de perceber que o tempo político não é infinitamente renovável e que à sua actuação falta em paixão e coragem aquilo que sobra em calculismo e cinismo.

Voltei. Gostava de ter estado de férias, talvez aqui... com esta visão de lago-mar.
E vocês? Mesmo que agora decidam ir de férias, voltem sempre!
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Etiquetas: Terra
... as partículas inferiores a 0,01 mm (PM10) emitidas pela Refinaria da Petrogal em 2004. De facto o quadro publicado pelo Expresso - edição do passado sábado - traduz rigorosamente a informação disponível no Registo Europeu de Emissões Poluentes. Por onde andarão as partículas? É que, asseguram-nos, entre 2001 e 2004 as emissões de PM10 cresceram significativamente.
Todos se lembrarão do que se escreveu e disse após o lançamento da OPA da SONAE sobre a PT. A SONAE, que representará, em Portugal, a quinta essência do mercado, apresentou um preço e afirmou alto e bom som: Este é o preço que corresponde ao valor da empresa. Daqui não saímos. A PT iniciou uma estratégia de aliciamento dos accionistas que, sucessivamente, foram vendo as ofertas de distribuição de dividendos crescer. Depois a SONAE reviu o preço - o valor da empresa, afinal, justificava dar o dito por não dito - e a PT contra-atacou distribuindo ainda mais dividendos. E a SONAE, com o valor da empresa a ser novamente revisto que o mercado é muito volúvel, assegurou uma nova remuneração dos accionistas com mais 5400 milhões de euros.
Bom, já se viu que a empresa é muito apetitosa para quem dela tomar conta. Há muito dinheiro para ganhar, mesmo que se tenha que dividir algum com os accionistas comuns.
Esta história sem moral, como as que se abrigam, em regra, à sombra das costas largas do mercado, dá bem uma ideia do valor que os consumidores de comunicações móveis suportam acima do que seriam os preços normais de ... Mercado.










