... da credibilidade é o que parece ter atingido o comentador político José Miguel Júdice. No seu artigo da passada sexta-feira no Público, Júdice, arrasa a recandidatura de Marques Mendes a partir de uma perspectiva que seria a do sector cavaquista que o apoia. A tese - concedamos que a coisa merece tal distinção - é a de que o apoio a Mendes por parte de Cavaco e dos seus seguidores é a prova provada de que o Presidente quer a todo o custo contribuir para a reeleição de José Sócrates em 2009. Para reforçar esta tese Júdice acha que o apoio do sector cavaquista não se baseia"apenas no receio da vitória de Menezes. É que esse receio só poderia basear-se na convicção de que o autarca de Gaia não ganharia a Sócrates (...)"
Pelos vistos para resolver este receio optaram por apoiar Mendes certos que estão, segundo Júdice, que assim garantem a vitória de Sócrates em 2009. Entenderam?
É caso para dizer que os ares da frente ribeirinha e a exposição da campanha autárquica para Lisboa não fizeram nada bem ao comentador.
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Etiquetas: Distorsões
Bagão Félix, o todo-poderoso ministro dos governos de Durão Barroso e de Santana Lopes, viu o Supremo Tribunal Administrativo declarar nulas por falta de fundamentação as decisões que levaram à demissão de 18 chefias dos centros distritais do Instituto de Solidariedade e Segurança Social. A brincadeira vai custar ao Estado 1,0 milhão de euros. Dinheirito que muita falta faria para outras coisas.
Aguardam-se comentários do sempre tão prolixo político/comentador que faz da redução do desperdício do Estado uma das suas bandeiras.
As leituras do que se passa no BCP e do que será o seu futuro próximo motivaram neste fim-de-semana algumas leituras contraditórias. Em causa estaria a posição a adoptar pelo BPI na resolução da crise. Enquanto o Público, na passada sexta-feira, titulava no seu caderno de Economia que "BPI vota contra Teixeira Pinto e quase elimina hipótese de alteração de estatutos" o Expresso, na edição de sábado, fazia uma chamada de primeira página com o título"BPI vota contra Paulo Teixeira Pinto" que era depois desenvolvida no Caderno de Economia. O problema é que no referido Caderno o editor de Economia, Nicolau Santos, escrevia que o BPIse preparava para ter uma voz activa nos destinos do BCP "votando inevitavelmente contra as propostas apoiadas pelo fundador do BCP"
Acontece aos melhores mas registe-se a tentativa de corrigir o erro na primeira página.
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Etiquetas: Finanças
No Público de ontem Carlos Dias assina um trabalho cujo título é "Terras de Sines regressam aos antigos proprietários". Este trabalho, indisponível online, tem como causa próxima a decisão do STA de ordenar a reversão das propriedades da Ortiga, do Burrinho e de Morgavel aos seus proprietários.
Este processo nada edificante tem como réus o Estado Democrático, através dos sucessivos Governos e das autarquias envolvidas na gestão dos terrenos expropriados. Selvaticamente expropriados pelo regime fascista, diga-se, ao abrigo do Decreto-Lei que permitia o recurso à figura da expropriação sistemática, mesmo sem utilidade pública e com a fixação das indeminizações a variar em função da importãncia social dos expropriados.
Falta saber como e quando as reversões se tornam efectivas e quem vai pagar as indeminizações às vitimas. Falta saber, no caso das autarquias, quem pagará as indeminizações devidas pela alienação de terrenos expropriados para urbanizações a troco de largas dezenas de milhões de euros ao longo dos últimos anos.
PS - Este processo já teve muitos protagonistas que deram o salto passando do campo dos que defendiam os interesses dos expropriados contra o Gabinete da Área de Sines, esse terrível representante do fascismo, e passaram a tentar impedir, por todas as forças, a reversão dos terrenos e ignoraram politicamente os direitos dos expropriados. mas mais recentemente foi Paulo Portas a fazer a pirueta mais trágico-cómica deste processo. Numa celebrada reunião com os expropriados realizada em Sines, Portas então na oposição, essa maternidade de todas as promessas mesmo as mais demagógicas, prometeu mover océu e a terra para que os direitos dos Zés e das Marias expro+riadas fossem respeitados. Prometeu uma luta sem quartel. Passados alguns meses Manuela Ferreira Leite, colega de Governo de Portas, assinaou os despachos que permitiram ás Finanças alienar os terrenos dos expropriados e dessa forma ajudar a combater o défice.
A direita acha que o caso da não aplicação da lei sobre a IGV à Madeira se deve resolver em tribunal. Ao que parece deixa de ser um caso político para passar a ser um caso de polícia. Foi esta a forma encontrada pela direita política para contornar a última diatribe de Alberto João e dos seus sequazes - esses grandes construtores de claustrofobias democráticas - de afronta aos valores da República.
O Presidente da República parece que alinha pelas mesmas ideias do PSD e do PP.
Fica a expectativa, depois das declarações de Sócrates na SIC, sobre o significado real dessas declarações. Sócrates afirmou que:"Não admito outro cenário que não seja o de aplicar a lei também na Região Autónoma da Madeira".
Alberto João Jardim se é especialista nalguma coisa é em transformar entradas de leão dos políticos do "contenente" em saídas de sendeiro.
... ao sexto-dia. É o que se poderia dizer do Festival de Músicas do Mundo de Sines que na sua nona edição pareceu iniciar-se ontem, apesar do arranque ter sido dado em Porto-Côvo na passada sexta-feira. Muito por força do ambiente único que se consegue no Castelo de Sines, o local de eleição para a realização deste Festival.
Mesmo que um dos grandes momentos desta edição, a actuação da cantora Mamani Keita, no passado sábado em Porto-Côvo, já tenha acontecido, a noite de ontem ficou como a primeira noite. Casa cheia - alguns milhares de pessoas num Castelo com melhores condiçõe para o público - e o ambiente do FMM na velha zona histórica da antiga vila piscatória. Não faltaram os comensais do costume, na repetição de um gesto inútil, a atrasarem o ínicio da música, nem o momento político do discurso presidencial, que já foi, em tempos, uma mensagem de boas-vindas, a marcar o arranque. A música servida, ontem, pelo repetente Trilok Gurtu, pelos Bellowhead e pela africana Oumu Sangaré, continua ao sabor dos sons do mundo até ao próximo sábado. Mesa farta.
"O jardim infantil da revolução" de José Medeiros Ferreira sobre as confissões de José Manuel Fernandes no Público. Na mouche com um fino sentido de hunor.
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Etiquetas: Polítca.Derivas
A Ministra determinou o arquivamento do processo Charrua, por entender que eram "naturalmente inaceitáveis as limitações ao direito de opinião e de crítica política". Mas, sabe-se já, a directora da DREN permanecerá no seu lugar, a partir do qual ensaia tentativas contra os direitos que a Ministra entende defender, e o professor Charrua, afastado da DREN por causa do tal delito que afinal não é, não volta ao cargo do qual foi afastado de uma forma "naturalmente inaceitável".
Os despachos são bons as consequências políticas é que são naturalmente inaceitáveis.
"Foi pouco tempo mas continua a facturar" no Zero de Conduta, sobre o singular percurso de António Mexia, sempre contra a presença excessiva do Estado na economia mas sempre a aproveitar os imcomparáveis negócios proporcionados pelo mesmo Estado.
... do que nunca. A Ministra da Educação mandou arquivar o processo contra o professor Fernando Charrua que a directora da DREN mandara instaurar. A ministra entendeu, muito bem, que "a aplicação de uma sanção disciplinar poderia configurar uma limitação do direito de opinião e de crítica política, naturalmente inaceitável"
Falta tirar daqui as últimas consequências: demitir a directora atacada de um excesso de zelo de natureza censória e reintegar o professor Charrua nas anteriores funções.
Sines Local – onde jovens artistas se encontram / confrontam com as pessoas e os seus espaços.
Sines Local – que deseja reforçar a ligação dos artistas com a região através da construção de projectos tendencialmente inéditos.
Sines Local, experiências de fruição em que os artistas são parceiros do Centro Cultural Emmerico Nunes".
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Etiquetas: Sines. Cultura
... estavam reunidas as condições mínimas... decidi avançar. Talvez bastasse a Luís Filipe Menezes dizer isto em vez da leitura daquela listagem de razões, mais ou menos extraordinárias, cujo clímax foi o compromisso de "dar voz aos desempregados sem esperança, aos jovens sem horizonte, aos idosos abandonados à sua sorte, aos funcionários públicos perseguidos, aos professores diabolizados pelo actual Governo".
Menezes percebeu, tarde, que mesmo não indo a votos para a escolha do líder do PSD seria ele o grande derrotado. Com a agravante de que perder por falta de comparência seria entendido pelos militantes como a última vez.
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Etiquetas: Política.
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Etiquetas: Sines
O Festival de Músicas do Mundo de Sines experimenta este ano, durante dois dias, um formato incompreensível. A organização decidiu recolher o Festival ao auditório do Centro de Artes. Trata-se de uma tentativa semelhante à de pretender meter o Rossio na Betesga. O auditório tem cerca de 150 lugares sentados e, com jeito, aguenta mais trinta ou quarenta de pé. Qualquer dia do FMM chama mais de 2000 pessoas e nas grandes noites no Castelo são comuns lotações superiores a 5000 pessoas. Na sexta-feira em Porto-Côvo, com uma noite péssima e um frio de rachar, estariam mais de 1500 pessoas e as entradas custavam 5 euros. Porque razão se realizam espéctáculos com entrada livre num recinto que nunca levará mais de 200 pessoas? Se descontarmos as reservas antecipadas para a NomenKlatura, para os quadros das empresas que pagam a coisa e para alguns sortudos, quantas reservas estariam disponíveis para o povo em geral?
Pelos vistos existe a vontade política de inscrever o Centro de Artes no roteiro do Festival. Ora, se a vontade política pode muito o que é um facto é que, nesta altura, já não consegue aumentar a lotação do pequeno auditório. A opção foi diminuir, à força, a audiência do Festival.
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Etiquetas: Bizarrices.
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Etiquetas: artes
... o alíbi de Luis Filipe Menezes para não ir a votos disputar a liderança com Marques Mendes. O autarca de Gaia sabe que não tem apoio no partido para disputar a liderança. Sabe que a sua falta de credibilidade é, infelizmente para ele, directamente proporcional à sua falta de ideias e de coerência. A questão do pagamento de quotas até ao dia das eleições é um argumento idiota. Cinquenta dias não chegarão a qualquer militante para regularizar a sua situação?
Marques Mendes explicou na RTP 1 que o que está em jogo nesta questão das quotas é de outra natureza: o pagamento das quotas deve ser individual e deve ser impossível a alguém constituir sindicatos de voto com recurso ao pagamento colectivo das quotas de muitos militantes. Mendes falou em caciquismo e percebeu-se que se referia ao autarca de Gaia, mas Rodrigues dos Santos, que, manifestamente, tinha lido muitos jornais no fim-de-semana, não queria ir por aí. Repetiu até à exaustão a mesma pergunta: "Não acha mal ir a votos sem adversários?" Mendes respondeu, a dado passo, que não era responsabilidade sua "arranjar adversários". Rodrigues dos Santos, se estivesse a perceber alguma coisa, teria terminado aí a entrevista.
As músicas que se ouvem em Porto Côvo - 1
também se ouve música em casa-1
José Sócrates prometeu medidas que reforcem o apoio à natalidade. Um reforço pressupõe que já existe qualquer coisa. Vejam-se os valores que o abono de família atinge cá no burgo e pasme-se. A isto chamam, os do costume, Estado Social e, num momento de particular desvario, integram a criatura no famigerado "modelo social europeu".
Em Portugal existe um modelo claro de penalização da natalidade disfarçado do seu contrário e a dar-se ares de ser um sistema com preocupações de justiça social. Aumentar o que existe para o dobro não aquece nem arrefece a normal evolução da coisa.
começa hoje em Porto-Côvo o FMM, o festival de músicas do mundo que, na sua versão actual, se alonga por 33 concertos até ao dia 28.
Uma semana de muita música e muita gente a fazer lembrar, por breves momentos, o cosmopolitismo perdido da velha vila de Sines.
É o que preve António Capucho o social-democrata presidente da Câmara de Cascais, citado pelo Público. Não por incompetência do novo presidente ou da sua equipa mas pelas condições políticas em que irá exercer o poder. Diz Capucho:(...)" (...) com uma assembleia municipal hostil, em que pontifica o PSD e sem maioria absoluta(...) A câmara está ingovernável". Capucho critica de forma dura o facto de o PSD ter impedido a realização de eleições para a Assembleia Municipal e a forma como transformou os arguidos - Carmona, Fontão e Seara - em culpados. Nada que não tivesse já dito e com a mesma sensatez e lucidez que agora manifesta.
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Etiquetas: Lisboa. Rescaldo
"As portas que Abril fechou", de Eduardo Pitta, acerca da venda da editorial Caminho, ligada desde sempre ao partido Comunista, a Pais do Amaral, ex-patrão da TVI, e do despedimento de 35 trabalhadores.
[Mais]Um caso exemplar do tristemente célebre "faz o que eu digo, não faças o que eu faço".
Escreve-se que Marques Mendes terá errado por ter "precipitado a queda de Carmona". Julgo que o problema não foi esse. O problema de Mendes foi de duas outras ordens: enganou-se no timing e nos protagonistas. Devia ter imposto a dissolução da Câmara muito mais cedo, antes da fase do "todos os dias aparece um novo arguido", e devia ter reforçado a sua confiança em Carmona Rodrigues, dando aos lisboetas a possibilidade de sufragarem de novo a confiança no engenheiro. Está à vista que teria ganho essa aposta e hoje o PSD estaria a braços com um resultado da ordem dos 30%, por baixo. Esta realidade parecia-me evidente em Fevereiro, mas o líder do PSD não mostrou, nessa altura, capacidade para fazer uma leitura política correcta da situação. Da mesma forma que não foi capaz de impor à Presidente da Assembleia Municipal a dissolução do orgão e a sua demissão, ela que tanta força fez para desalojar Carmona, a única atitude decente para quem se quer colocar do lado da ética na política. As pessoas não gostam destas trapalhadas. E pela ausência ou pelo voto penalizam quem não dá mostras de ter a dimensão política que uma liderança exige.
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Etiquetas: Lsboa. Leituras.
... também ganhou. Se quiserem perceber as criativas razões leiam aqui.
... negro. A direita em Lisboa viu os seus partidos institucionais ficarem abaixo dos 20%. Viu um seu rejeitado obter mais votos do que o maior partido da direita institucional. No entanto esta crua realidade não desanima alguns dos seus arautos. Leia-se aqui um cómico exemplo do eterno conflito que esta rapaziada mantém com a realidade.
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Etiquetas: Fatalidades
José Miguel Judice, essa espécie de filho querido da vitória dos tempos modernos, perorava, com a clarividência que o tornou justamente notável, sobre as razões que levaram Costa à tão estrondosa- para ele - vitória. Costa, tal como Sócrates, terá ocupado toda a área do centro esquerda. Não duvido que Júdice se considere de centro esquerda, passados mais uns anitos poderá mesmo vir a cair para a extrema-esquerda, do que eu duvido é do que ele quis dizer com a história da "ocupação". Das duas três: estamos a falar de ocupação ou de meia ocupação? Existirá, na sua forma individual, metade da "coisa"? Ocupar está tão desvalorizado que já só vale menos de 30%? Eu, que vejo estas coisas doutra maneira, julgo que o "albergue espanhol" em que a candidatura do PS a Lisboa se tornou - com todos os Júdices e quejandos lá dentro - não conseguiu mais do que uns fracos 29,5% dos votos dos poucos lisboetas que se deram ao trabalho. Está a encolher o dito cujo.
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Etiquetas: Conhecimento
Afinal o PS e António Costa não chegaram aos 30% dos votos. Fraco para quem pediu durante toda a campanha a maioria absoluta. Fraco para quem construiu à volta da candidatura uma ampla coligação de interesses como a "Comissão de Honra " do candidato evidenciava. Fraco para o número dois do Governo e peso pesado do partido. O novo presidente da Câmara foi eleito com o voto de 57 mil eleitores, menos dezassete mil do que os obtidos por Carrilho em 2005. O vereador do BE - último a conseguir ser eleito - mereceu o voto de 13 mil elitores, menos nove mil do que em 2005. A abstenção ultrapassou os 60 por cento. Parecem resultados de uma pequena cidade de provincia.
Os lisboetas não acreditam nestes candidatos, nesta gente. Com uma crise instalada, com uma câmara incompetente e impotente para resolver os seus problemas, os lisboetas optaram pela não participação. Será um acto de protesto? Julgo que sim em certa medida. Significa cansaço, descrença e um desacordo com esta democracia representativa.
Os independentes - que, contrariamente às minhas previsões iniciais, se aguentaram - conseguem um elevado número de votos porque os partidos cansam as pessoas. Os discursos dos que ganham e dos que perdem, e dos que perdem e ganham em simultâneo - que já não é apenas a CDU, um clássico nesta matéria- mostram, ano após ano, os mesmos esquemas, as mesmas análises os mesmos contentamentos sem justificação.
A propósito de tratamento desigual Helena Roseta pretendeu capitalizar o papel de vítima de descriminação durante a campanha mas, parece claro, que a forma como o boletim de voto foi elaborado ter-lhe-á retirado alguns votos, tal como a Carmona Rodrigues.
PS - Louçã, foi o primeiro líder partidário a falar num clima que contrastava de forma evidente com o verificado em 2005. Afirmou que o povo penalizou a anterior gestão. Não me parece. O povo penalizou o PSD e o CDS/PP. Como referi no post anterior Carmona obteve um óptimo resultado: mais votos sózinho que o BE e a CDU juntos.
O resultado fracote de Costa ainda mais evidencia o desastre do PSD. Afinal um fracasso de Negrão podia perfeitamente coexistir com um fracasso de Costa no que à maioria absoluta diz respeito.
José Sá Fernandes foi o primeiro a comentar os resultados, manifestamente aliviado com a sua própria eleição. Durante a campanha chegou a parecer que essa eleição estava em risco. Um resultado fraco que evidencia os problemas com que o BE se confronta.
Afinal -a julgar pelos resultados conhecidos neste preciso momento - o PS ficou muito longe da maioria absoluta e não consegue assegurar essa maioria mesmo com os eleitos pela lista de Carmona Rodrigues.
O PSD sofreu uma derrota pesada - Negrão elege dois vereadores o mesmo que Roseta - e viu o povo penalizar a forma como foi conduzida a crise na câmara.
O povo, afinal, não penalizou a anterior gestão já que Carmona consegue um resultado que oscila ainda entre 3 e 4 vereadores.
A CDU mantêm os seus dois vereadores o que lhes saberá a pouco.
Roseta consegue eleger dois vereadores e passa a contar para a solução. Com Carmona -caso eleja apenas 3 vereadores - a ser incapaz de dar a Costa uma maioria absoluta, Roseta pode ser a solução. CDU e BE devem permanecer fora do núcleo que irá governar a Camara. Roseta aceitará mais facilmente partilhar o poder com Carmona, afinal não foi ela que propôs um urbanismo partilhado por todos?
Paulo Portas vai aproveitar os resultados para mostrar a Sócrates o que é uma verdadeira oposição.
PS - Momento da Noite. Na SIC o repórter pergunta a uma senhora na sede do PS se está satisfeita e onde vive. "Em Carrazeda de Anciães". Fui convidada. Não sabia de nada". Os outros inquiridos vinham de freguesias lisboetas tão familiares como Famalição, Miranda do Douro e Matosinhos....
Afinal não eram de Carrazeda eram de Cabeceiras de Basto. As minhas desculpas aos excursionistas.
A propósito de Lisboa,e do dia de hoje,porque não dar a voz a um dos seus poetas, neste caso Alexandre O´Neill?
enquanto esperamos por uma outra
(ou pela outra) vida.
CHIADO
Ramilhete rubro do desejo,
ramilhete posto pelo olhar
entre dois seios desdenhosos,
a dar a dar.
PARQUE EDUARDO VII
Ah, o êxtase dos namorados
que se olham, beijam, voltam a olhar-se e já não sabem
que mais hão-de fazer, que mais hão-de inventar!
TRAVESSA DO POÇO DA CIDADE
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Etiquetas: Lisboa.Poesia
As últimas sondagens confirmam uma tendência que já se desenhava nas últimas semanas: o PS ganha com um resultado próximo da maioria absoluta, os dois candidatos independentes resistem ao desgaste e elegerão entre 3 e 5 vereadores. O PSD sofre uma derrota enorme e o CDS/PP sai de cena. Portas afirma que é a partir do resultado de domingo que se vai construir uma oposição séria a Sócrates. Sócrates podia ir de férias tranquilamente não fora a presidência portuguesa. Portas - a menos de um milagre de última hora mais do estilo Santa da Ladeira do que Nossa senhora de Fátima - vai tomar o comando de um dos táxis mais pequenos da cidade. Os resultados das sondagens variam muito com Roseta atrás de Sá Fernandes na sondagem do Público, e com a sua eleição em risco, enquanto no Expresso aparece acima de Rubem e do candidato do BE e elege dois vereadores. Pela campanha não elegerá mais do que a si própria na melhor das hipóteses. Mas pela campanha, e pelo seu conteudo, quem elegeria quem?
Sá Fernandes dificilmente deixará o lugar de pior resultado dos que conseguiram eleger vereadores. Muitos dos votos de 2005 desandaram. Sá Fernandes apareceu muitas vezes sózinho - talvez em homenagem ao espírito do detestável slogan - e no último dia escolheu uma deslocação à frente ribeirinha para todos podermos escutar... Gonçalo Ribeiro Telles.
Rubem de Carvalho deve reforçar o resultado da CDU. Julgo que elegerá entre dois e três vereadores e que mais do que duplicará os votos do BE. Impressões provocadas pela forma como decorreu a campanha dos comunistas com Jerónimo de Sousa infatigável no apoio ao seu candidato.
Carmona Rodrigues vai eleger três vereadores e se tudo correr como parece irá participar no governo da autarquia coligado com o PS. O PS em Lisboa apoiou muitas vezes Carmona nos úlimos dois anos e Manuel Salgado até trabalhou para a anterior maioria. O PS em Lisboa não faz muita questão desde que participe na partilha do poder. Negrão ficará, rés-véz com Carmona, nos três vereadores e ficará na oposição.
A campanha foi péssima. Uma seca. Os candidatos, ano após ano, mostram um deconhecimento tremendo sobre a vida da cidade, os seus problemas e as soluções para esses problemas. Temos uma das classes políticas mais incultas deste mundo. Como poderemos ter uma boa gestão municipal? Seja qual for o resultado domingo, Lisboa não terá motivos para sorrir.
PS - Para uma análise rigorosa - tanto quanto estas coisas permitem - das sondagens e das tendências que elas permitem descortinar não há nada como ler quem sabe.
Breakfast at Tiffany's, Moon River, R.E.M...
"Novas oportunidades para o abandono?" de Nuno Teles nos "Ladrões de Bicicletas".
"Da Liberdade" de João Paulo Sousa no "Da Literatura" a propósito de um texto de José Vitor Malheiros, no Público de ontem, infelizmente indisponível on line.
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Etiquetas: Leituras
"Fernando Negrão e a Assembleia Municipal de Lisboa" artigo de opinião de Vasco Graça Moura, no DN, sobre as eleições em Lisboa. Depois de "descascar" todas as candidaturas em presença, com excepção da do PSD, Graça Moura conclui, com um rigor de análise e uma clareza de raciocínio que fariam inveja ao grande Luís, que "Neste panorama pouco animador, só a candidatura de Fernando Negrão contrasta fortemente com as outras. Inspira tranquilidade e confiança. Desde logo pela sua grande experiência política, autárquica e profissional". Ponto.
Não é impunemente que um homem passa a vida azilado em Bruxelas.
... um tema de campanha, o convite a Judice para futuro gestor máximo da frente ribeirinha do Tejo. Claro que é porque António Costa falou em defesa da ideia da devolução da frente ribeirinha -sem vocação portuária - à cidade. E falou bem, acrescente-se. Ora isso não é a mesma coisa que está implicíta na proposta que levou Sócrates a convidar Júdice. Porque razão não esperaram ambos pelo resultado das autárquicas e depois disso então Costa convidaria Júdice para a liderança da empresa municipal gestor da frente ribeirinha? Assim uma espécie do Manuel Salgado da vereadora Maria José Nogueira Pinto.
Lá não tem brisa
Não tem verde-azuis
Não tem frescura nem atrevimento
Lá não figura no mapa
No avesso da montanha, é labirinto
É contra-senha, é cara a tapa
Fala, Penha
Fala, Irajá
Fala, Olaria
Fala, Acari, Vigário Geral
Fala, Piedade
Casas sem cor
Ruas de pó, cidade
Que não se pinta
Que é sem vaidade
Vai, faz ouvir os acordes do choro-canção
Traz as cabrochas e a roda de samba
Dança teu funk, o rock, forró, pagode, reggae
Teu hip-hop
Fala na língua do rap
Desbanca a outra
A tal que abusa
De ser tão maravilhosa
Lá não tem moças douradas
Expostas, andam nus
Pelas quebradas teus exus
Não tem turistas
Não sai foto nas revistas
Lá tem Jesus
E está de costas
Fala, Maré
Fala, Madureira
Fala, Pavuna
Fala, Inhaúma
Cordovil, Pilares
Espalha a tua voz
Nos arredores
Carrega a tua cruz
E os teus tambores
Vai, faz ouvir os acordes do choro-canção
Traz as cabrochas e a roda de samba
Dança teu funk, o rock, forró, pagode, reggae
Teu hip-hop
Fala na língua do rap
Fala no pé
Dá uma idéia
Naquela que te sombreia
Lá não tem claro-escuro
A luz é dura
A chapa é quente
Que futuro tem
Aquela gente toda
Perdido em ti
Eu ando em roda
É pau, é pedra
É fim de linha
É lenha, é fogo, é foda
Fala, Penha
Fala, Irajá
Fala, Encantado, Bangu
Fala, Realengo...
Fala, Maré
Fala, Madureira
Fala, Meriti, Nova Iguaçu
Fala, Paciência...
escreve Chico Buarque
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Etiquetas: poesia
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Etiquetas: divulgação
vista da margem sul do Tejo ao som da música de Jorge Palma
.. em frentes ribeirinhas é aquilo que o mandatário José Miguel Judice será a julgar pelo convite de Sócrates para que o poderoso advogado, ex-PSD, coordene a reabilitação da frente Tejo da Cidade. Qualquer cidadão que olhe para Judice fica logo a saber que se há pessoa com uma ideia clara do que a frente Tejo deve ser é o ex-bastonário da Ordem dos Advogados.
Note bem: trata-se de um convite do Governo. Um convite de quem manda na frente ribeirinha e de quem não abdica de mandar. E nós a pensarmos que era o dr António Costa que ia mandar na dita frente.
Ler mais aqui e aqui.
Adenda: afinal lê-se na notícia do DN que em vez de menos Governo na frente Ribeirinha, vamos ter mais Governo. Três ministérios em vez de um. Não se trata de retirar à APL aquilo que deve ser gerido pela cidade. Trata-se de retirar à APL aquilo que uma empresa tutelada por três ministérios vai gerir. Para compor o ramalhete só falta outra vez a cantilena - e o alíbi - do "investimento público zero". Não fica uma nesga de rio à vista.
Fátima Campos Ferreira esteve magnânima no Prós e Contra dedicado às eleições: ninguém ficou sem o seu sagrado direito a "repicar" os ataques alheios.
O debate inscreve-se no contexto do que escrevi atrás. Todos a fugirem de responsabilidades na gestão dos últimos seis anos. Mesmo o PSD eo PP. Todos a virarem as costas às responsabilidades no estado a que a cidade chegou: do PS ao PSD. Claro que, na anterior autarquia, o BE e a CDU pelo seu posicionamento nos dossiers mais polémicos relativos ao urbanismo - a grande fonte de corrupção e de desgoverno da cidade - não podem ser chamados à colação no que às responsabilidades diz respeito. O mesmo não se poderá dizer do PS e daí, em parte, as opções de Costa na escolha da equipa.
Alguns exemplos: o Plano da Baixa-Chiado o melhor que conseguiu foi uma declaração de que pode ser um bom instrumento de trabalho para o futuro. Ora este Plano- sem ofensa para os Planos Urbanísticos - foi aprovado pela anterior autarquia com os votos a favor do PS. Ora este Plano era a "obra do regime" com Maria José Nogueira Pinto na condução política e Manuel Salgado na condução técnica. Ora Manuel Salgado passou, via candidatura de António Costa, para a condução política do urbanismo e MJNP vai passar, pela mesma via, para a condução técnica. Ora o PSD está contra a circular das colinas e o estacionamento sob a Praça do Comércio que são peças fundamentais do Plano que o PSD aprovou. O memso se pode dizer do PS. Ora este Plano foi elaborado à revelia de qualquer participação dos cidadãos. Alguns criticaram o facto de o Plano da Baixa Chiado não dar qualquer resposta à questão da habitação. Falso: dá resposta à habitação para o segmento mais elevado da procura, aqueles que, segundo Augusto Mateus, terão dinheiro para aí viverem. Lembam-se da célebre declaração ao Expresso: A Baixa não é para todos.
A Frente Ribeirinha. Todos querem devolver a gestão dos espaços urbanos integrantes da frente ribeirinha à autarquia. Mas, quer o PSD quer agora o PS não promoveram enquanto Governos esta alteração. A Administração do Porto de Lisboa é uma expressão na cidade da vontade do Governo. As construções na frente ribeirinha - não aprovadas pela autarquia - são uma expressão práctica da vontade urbanística do Governo para esta parte da cidade. Todos estão contra, até António Costa, recem saído do Governo que tutela a APL. Mas quem admite impedir novas construções e até implodir algumas em curso, como aquela no Cais do Sodré que amputa parte da magnífica vista que se tem quando se desce a Rua do Alecrim? E o hotel junto à torre de Belém de cuja autoria Miguel Sousa Tavares acusou Manuel Salgado?
Os transportes. Todos querem melhorar os transportes. Todos querem melhorar a circulação urbana. Estão certamente a concorrer ao orgão errado. A Câmara de Lisboa não manda em nada. A Carris nem responde às críticas da auatarquia aos seus Planos de Circulação. Quem manda na Carris é o Governo. Quem manda nos comboios é o Governo.
Ma o probema dos transportes e da circulação urbana resolvem-se quando a cidade recuperar os 300 mil habitantes que perdeu ao longo de 30 anos. Até lá nunca se resolverão mesmo que a situação possa melhorar. Não se ficou a saber porque razão os candidatos que já estiveram no Governo não lutaram por esta alteração da situação e ficou por saber como vão actuar no futuro.
Uma das simplificações grosseiras que a democracia normalmente promove é a de que em cada eleição estamos a julgar, apenas, aqueles que estiveram no exercício do poder no período anterior às mesmas. Levada ao extremo esta simplificação leva a um rotativismo extremo entre dois partidos que se revezam no exercício do mesmo poder, aquilo a que alguns chamam o centrão. A perda de umas eleições e a passagem durante algum tempo pela oposição corresponde assim não só a uma punição mas também a um acto purificador por si só. Basta ao partido que esteve no poder passar por este estado para se poder apresentar no próximo acto eleitoral com uma legitimidade renovada para se propor voltar a governar. Exercícios de carácter reflexivo sobre o que correu mal ou sobre o que há necesidade de alterar são escusados e mesmo desaconselhados: basta, na pior das hipóteses, mudar de líder e esperar para que tudo possa voltar a correr bem.
As eleições em Lisboa dão uma medida exacta deste estado de coisas. Pede-se o voto contra aqueles que estiveram no poder nos últimos 6 anos, responsáveis pelo estado a que chegou a cidade. Os responsáveis para a esquerda são o PSD e o PP que governaram a cidade. O PSD inaugura nestas eleições uma nova variante do que atrás disse. Para o PSD - e para o PP- "os responsáveis" é Carmona Rodrigues. Um partido pode candidatar-se contra si próprio desde que tenha mudado de candidato e o anterior, por uma qualquer circunstância, faça o favor de permanecer na liça e forneça desta forma um alibi perfeito aos que exerceram o poder. Não foi o PSD que governou mal, foi Carmona Rodrigues. Não foi o PSD que fez aumentar o endividamento da Câmara a níveis gigantescos, foi Carmona Rodrigues. Neste caso o PSD não valoriza sequer o facto de o autarca ter promovido a tradução nas contas da autarquia da totalidade das dívidas que até aí não eram traduzidas no balanço, de que a da Parque Expo era a mais destacada. Necessidade de atacar Carmona oblige.
Os cidadãos com menos paciência para a política e os seus jogos não gostam disto e como se vê Carmona resiste com níveis elevados de popularidade e parece mesmo que pode vir a integrar uma solução de Governo da cidade com os socialistas.
já dá os primeiros passos .... aqui e ali ...
Vê lá, escapa-te ao emproamento miúdo; desvia-te da vaidade cool de alguns jornalistas e colunistas que se apresentam com o ar de quem domina todas as questões ... como se o próprio Mundo se expressasse através da sua enorme abrangência.
E depois, em vez de informar e barulhar, ficam-se pelo discurso de mesa redonda, pela opinião sobreposta à do vizinho e, especialmente, pelo conforto do papel que faz tanto sono...
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Etiquetas: jornalismo
A-HA cantam # 9 dream de John Lennon
é o título de um cd cujo lucro das vendas reverte para a missão humanitária da Amnistia Internacional na região do Darfur. São muitos os músicos que se unem nesta iniciativa. É bom saber que nem todos se calam, ainda há quem faça barulho. No entanto, a ver pelo tempo em que se tem vindo a arrastar um problema desta gravidade, esta iniciativa funciona também como o alívio para uma réstia de responsabilidade. Compra-se o cd e sentimo-nos todos muito aliviados porque estamos a contribuir para que o problema se resolva. Estas iniciativas, infelizmente, já fizeram mais barulho do que hoje. Parecem fazer parte de um processo em que se aceita a lentidão na resolução das crises. E é também aqui que se desacreditam publicamente as instituições, as forças de poder - onde se inclui a União Europeia - é neste silêncio e, principalmente, no assumir de uma incapacidade para resolução de crises humanitárias como esta. Tanta teoria, tanta conversa e estratégia de desenvolvimento para África, não é?!
O António Pais desafia-me a falar de 5 livros. A capacidade de síntese nunca terá sido o meu forte e o por outro lado tenho tido muita sorte com os livros que me chegam às mãos. Mas se quiser eleger três livros que em momentos diferentes me impressionaram muito, escolho;
"As vinhas da Ira "de John Steinbeck que por volta dos meus treze anos me abriram o caminho para o descobrimento da grande literatura de Steinbeck, Hemingway, Faulkner e outros.
"O Livro do Riso e do Esquecimento" de Milan Kundera, do final dos anos oitenta, com a espantosa fase de Mirek: " a luta do homem contra o poder é a luta da memória contra o esquecimento"
Mais recentemente Philip Roth, com a Mancha Humana. Mas qualquer um dos quatro - A Pastoral Americana, O Animal Moribundo e Everyman - que já li, são muito bons.
Reservo dois espaços para duas obras muito indicadas neste período de eleições à porta, em Lisboa.
"La arquitectura de la ciudad global" da arquitecta argentina Zaida Muxi. Edição da GG.
"Les mécanismes fonciers de la ségrégation", uma obra colectiva da ADEF. Muito apropriada para o momento, quando Lisboa está num processo de decisão eleitoral. Lisboa, uma cidade despovoada, segregada a evoluir para o estatuto de uma "não cidade". Uma cidade de guetos de pobres e de ricos.
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Etiquetas: Leituras
A não perder a entrevista com o Secretário de Estado do Ordenamento do Território, João Ferrão, no Expresso.
A merecer concordância nalgumas partes e grande discordância noutras, como nas referências desvalorizadores aos efeitos negativos dos PIN´s e PIN´s Plus e ao conceito de interesse público que lhes estaria associado. Decepcionante a parte em que João Ferrão afirma que : "O Governo tem toda a legitimidade para definir o que é interesse público e depois será ovacionado ou criticado por isso". E eu que julgava que a definição de interesse público era uma questão prévia à actividade política e que aquilo que os cidadãos ecolhem é entre diferentes formas de defender e preservar o interesse público. Aliás qual foi o processo PIN em que o Governo fez uma clara divulgação dos interesses públicos que pretendeu salvaguardar?
Sobre o tratamento dado aos PIN´s pelo Secretário de Estado, na entrevista, ler aqui uma justa análise.
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Etiquetas: ordenamento
"Capucho vinga Judas" de Eduardo Pitta, no "Da Literatura" sobre o mamarracho que Gonçalo Byrne projectou para o local ainda ocupado pelo Hotel Estoril Sol.
"Partidirização da Administração Pública" de Vital Moreira, no Causa Nossa, sobre "a condenação demagógica da liberdade de escolha dos cargos directivos" na Administração Pública.
"Privatizar, Privatizar, Privatizar" de Nuno Teles, no "Ladrões de Bicicletas", a partir da opinião - negativa - de Jorge Vasconcelos, ex-presidente da ERSE relativamente à privatização da REN.
O modelo de Barcelona arrisca-se a continuar a aparecer nas próximas campanhas eleitorais, curiosamente, à revelia de qualquer discussão sobre a sua essência. O que significará o tal "modelo de Barcelona"? A mudança de paradigma urbano que, no final dos anos setenta, num cenário de penúria financeira da autarquia e da região, centrou o desenvolvimento urbano na valorização do espaço público, recuperando muitas das ideias originais de Cerdá, e na recusa do urbanismo dos produtos urbanos submetido às dinâmicas e aos interesses da grande promoção imobiliária? Ou o "modelo" é o que emergiu com o Fórum 2004 com os interesses privados a condicionarem decisivamente o modelo de desenvolvimento urbano? Os criadores do "modelo" são hoje os maiores críticos da evolução verificada. Jordi Borja em primeiro lugar. A discussão na cidade, na universidade, na Internet e nas milhentas organizações existentes numa cidade compacta [tem uma densidade de 153 habitantes por hectare, isto é, quase três vezes e meia a densidade de Lisboa que é de 67 habitantes por hectare para áreas semelhantes (96 lm2 em Barcelona contra 85 Km2 da capital portuguesa] e plural [a perda de população da capital portuguesa não afecta igualmente todos os grupos sociais e isso diminui a sua pluralidade] como Barcelona ainda é, vai acesa. Por cá quer-se aplicar o "modelo", ponto. Qual modelo?
"O problema de não ir p´rá frente o tema " Coelho na Avenida" é que a famosa receita "Coelho à Vilão", aliás óptima receita de comer o dito, foi reivindicada por todos os mestres da culinária.
PS. A receita é boa, o segredo está em escolher a qualidade do animal."
José Pedro Lucas
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Etiquetas: Surrealismos

pertenço ao grupo dos que só muito recentemente descobriram Philip Roth. Acabei de ler a sua última obra, Everyman, que me deixou a sensação que julgo só as obras-primas nos deixam. Uma sensação de fascínio, de encantamento, de ter acabado de ler um livro que espelha a genialidade de quem o escreveu.
Neste livro, que começa com o funeral da personagem e acaba com o momento da sua morte, Roth percorre a vida desde a infância até ao momento em que a morte se impõe e se deixa de existir, como sempre se receou. É do combate falhado contra a mortalidade que Roth nos escreve. Da descrença na possibilidade do amor e na fidelidade. Da violência dos casamentos falhados e da angústia provocada pela rejeição dos filhos. Um tema que já estava presente no Animal Moribundo. Confrontado com o razão do choro de uma idosa no funeral de duas alunas a personagem pensa: “ É porque a intensidade mais perturbadora da vida é a morte. È porque a morte é tão injusta. É porque depois de uma pessoa ter saboreado a vida, a morte nem sequer parece natural”
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Etiquetas: Literatura
O serviço da Cabovisão está uma trampa. No fim de semana é normal estarmos longos períodos sem acesso à Internet. Neste, no entanto, abusaram: mais de 24 horas sem acesso. Quem controla esta gente?
A "Mostra Gastronómica" de Sines, diz a informação municipal, desceu à Avenida. Desceu de facto e recuou. Estava junto à Avenida, nos terraços dos edificios da Docapesca, e veio aterrar no meio da Avenida. No meio é uma simplificação. Veio cortar a Avenida.
Existe uma longa polémica sobre a Mostra Gastronómica. Será Mostra, não será Mostra? Será Gastronómica, não será Gastronómica? Parvoices. A qualidade dos menus, a presença dos melhores mestres cozinheiros, a presença dos melhores restaurantes da Cidade, de que saliento a "Tasca do PCP", o "Ginásio Clube de Sines" e a "Casa do Benfica", entre outros, retiram espaço aos críticos do costume. Há quem programe as férias com meses de antecedência para não perder pitada. Os mestres cozinheiros atropelam-se nos acessos para ficarem nas fotos das revistas da especialidade.
Aliás, são já várias as recolhas e a fixação de receitas tradicionais feitas no âmbito destas Mostras. O primeiro volume de recolhas vai ser publicado durante esta Mostra e o título é "As mil maneiras de fritar o Choco à moda de Sines".
Existem estudos em curso que pretendem averiguar a influência do Coelho na gastronomia local e regional. Chegou mesmo a ser aventada a hipótese desta Mostra ser dedicada ao tema "Coelho na Avenida". A ideia foi abandonada devido à política de boas relações da autarquia com a APS que, como se sabe, autorizou o corte da Avenida durante vários meses.
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Etiquetas: Surrealismos.
Carmona Rodrigues mostra uma resistência digna de realce. Resiste à erosão do tempo e trava, de forma muito nítida, qualquer tentativa de crescimento de Fernando Negrão. O PSD tem nestas eleições um problema Carmona Rodrigues sendo que em grande parte foi o próprio PSD que o criou. Julgo que neste momento todos perceberam já esta evidência. Só assim se justifica a reacção, ontem, do PSD às declarações de Carmona no rescaldo da decisão judicial que iliba Fontão de Carvalho.
A média que resulta do tratamento das diferentes sondagens dá Carmona a 3 décimas de Negrão. Mas Carmona parece estar a subir e Negrão ainda anda aos papéis depois daquela coisa das siglas. Uma coia que parece do puro domínio da evidência é que o somatório dos votos dos dois permitiria, nesta altura, estar a lutar pela vitória.
No "Margens de Erro" Pedro Magalhães escreve sobre a degradação ética e moral da Administração Bush a propósito do afffair Libby.
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Etiquetas: Política. Etica
Ruben de Carvalho começou com muitas dificuldades na campanha por Lisboa. Dificuldades segundo os resultados das sondagens, diga-se. Mas de uma coisa Ruben não se pode queixar: o "seu" secretário-geral esteve sempre presente na campanha, dando o braço ao candidato e definindo desde o ínicio a estratégia da CDU: alianças com o partido que governa o país estão fora de hipótese.
Ruben de Carvalho sobe nas sondagens e distancia-se, de forma clara, de Helena Roseta e de Sá Fernandes que cai para o último lugar - bom, fica acima do CDS, um fraco consolo - e alcança um resultado que representa uma perda de cerca de um terço dos eleitores que votaram Sá Fernandes nas últimas eleições. Há alguma "estabilidade" neste resultado.
Na campanha de Sá Fernandes acumulam-se um conjunto assinalável de equívocos. Em primeiro lugar a campanha decorre "doucement", sem a presença visível dos mais destacados dirigentes do BE, em particular de Francisco Louçã. Ausencia tanto mais estranha se pensarmos que o mesmo dirigente terá declarado recentemente que o BE mede-se pelos resultados que alcança e afirmado mesmo que o seu combate nesta altura era o apoio a Sá Fernandes em Lisboa. Em segundo lugar o BE tem passado o tempo a por-se a jeito para uma aliança com o PS para governar a cidade. Esta "disponibilidade" leva a uma perda de capacidade crítica relativamente ao Governo e à candidatura do PS -com responsabilidades na gestão da cidade no passado recente e no estado a que ela chegou - e parece que não agrada a uma parte significativa do seu eleitorado que opta por mudar de ares. Em terceiro lugar a candidatura coloca-se no domínio da "unipessoalidade" com o infeliz slogan do "Zé faz falta" que remete para a reeleição do Zé e, vagamente, de alguém, não se sabe quem, que podia ir por arrastamento. Em quarto lugar a candidatura nunca foi capaz de lidar de uma forma clara com a candidatura de Helena Roseta. Sendo certo que os estragos eleitorais provocados pela candidata ex-socialista seriam sempre relevantes havia formas de as minimizar. Propor uma "unidade" foi um passo em falso mas depois o tiro não foi corrigido. Só nas última intervenções de Sá Fernandes apareceram as primeiras críticas à candidata. Em quinto lugar o candidato do BE - é uma candidatura de um independente apoiado pelo BE, não é uma candidatura independente - hipervaloriza o "Plano Verde" do Gonçalo Ribeiro Telles em detrimento de aspectos concretos, muito mais sentidos e relevantes para o dia a dia dos cidadãos, relativamente aos quais as suas propostas até são muito interessantes e transmite a ideia de que a candidatura fez uma espécie de uma OPA sobre o MPT , uma organização a que pertenceu, não sei se ainda pertence, o arquitecto paisagista e que funcionou anos a fio como o apêndice ecológico do PSD e da direita. MPT que tem uma candidatura a Lisboa que elege como prioridade o ... Plano Verde do Gonçalo Ribeiro Telles.
Ninguém lança uma OPA sobre uma coisa que não vale nada no mercado, seja lá que mercado for. O Joe Berardo podia explicar isto com um assinalável conjunto de exemplos.
PS - Um bom resultado no dia 15 de Julho apaga todas as críticas possíveis e os erros cometidos. Mas os bons resultados são dificieis quando o trabalho, apesar de muito, não é bem feito. Analisar resulados eleitorais a partir de sondagens implica alguns riscos. Mas quem quiser pode sempre optar por fazer prognósticos apenas depois do jogo.
Adenda: Este post foi feito a partir da sondagem publicada no Público. Mas existe uma segunda publicada no DN. No entanto a análise, como aqui se refere, faz mais sentido se compararmos a evolução das sondagens feitas pela mesma entidade.
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Etiquetas: Lisboa.Equívocos
Na "Causa Nossa" o artigo de Ana Gomes pubicado no Courrier Internacional sobre o Tratado Europeu. Cito: "(...) Mudam-se nomes (de Constituição para “Tratado reformador”, de MNE europeu para “Alto Representante para a Política Externa e de Segurança”, leis e leis-quadro europeias voltam a ser “directivas”, “regulamentos” e “decisões”) e prescinde-se de referências a símbolos e hinos (que já existiam e permanecem) e a políticas (Parte III) que continuarão, porque se fundam em anteriores Tratados.Mas não muda o essencial do modelo constitucional, a preservar na costura do Tratado que a CIG de Lisboa vai abrir – e desejavelmente fechar (...) Eu, que sempre defendi o referendo à Constituição, porque considerei que ela oferecia uma oportunidade para os responsáveis políticos debaterem a Europa com os portugueses e reforçarem assim a legitimidade da contribuição nacional para o processo de construção europeu, inclino-me agora a concluir que pode ser difícil referendar o fato remendado que a CIG tem por mandato costurar. Por muito que esteja modelado na Constituição, tudo depende da estruturação e conteúdo final.Eu não penso, nunca pensei, que os cidadãos prefiram. ou lhes deva ser servido, “gato por lebre”. Antes procuro nortear-me por outro provérbio: “quem não caça com cão, caça com gato”. Se não se puder caçar com a Constituição, é preciso caçar com um Tratado tão reforçado quanto possível. Porque essencial, essencial, é que a UE não tarde mais a caçar."
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Etiquetas: Europa.Referendo
"Vivemos num país em que as pessoas são livres de dizer aquilo que pensam"(*) terá afirmado, ontem , a senhora secretária adjunta da saúde, "desde que seja nos locais apropriados". Falta apenas o Governo a que a senhora secretária de estado pertence mandar sinalizar devidamente os locais apropriados. Não vá a interpretação da senhora revelar-se muito restritiva - as esquinas, a casa dela, os cafés - com base numa "sensibilidade social" muito censória ou ao invés a senhora estar possuída por uma sensibilidade social do tipo mãos-largas já que o conceito de esquina tem muito que se lhe diga e os cafés, há quem o afirme, são uma das marcas identitárias da Europa em que vivemos. Imagine-se o que não poderia o ministro - ou o Governo - ciosos do respeitinho dar com a maltosa toda a criticar abertamente o Governo por tudo o que são cafés do país. Um desastre.
PS- (*) - seria uma tremenda injustiça não reconhecer à senhor ao mérito de nos recordar este nosso direito fundamental. O problema está no facto de a senhora, sendo um membro do Governo, ter tido necessidade de o fazer.
No "Fim de Semana Aluciante" Antóno Pais escreve sobre a "Galeria de neo anti-fascistas : Luis Marques Mendes".
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Etiquetas: Polítca.
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Etiquetas: Cultura
Pois, "É muita prescrição e muito arquivamento para as loas que se cantavam". O anterior Director-Geral dos Impostos está associado a um hipotético reforço da eficácia da máquina fiscal de que o aumento da receita seria a expressão práctica. O que nunca nos explicaram foi qual a composição desse aumento de receita. Essa informação é fundamental para avaliar do mérito ou do demérito do senhor. Eu sempre achei que o fisco, no essencial, vai aos mesmos. Vai é com outra intensidade, com coimas e penalizações agravadas, com uma insistência a roçar a implacabilidade. Medina Carreira, alguns dias atrás, explicava na SIC Notícias que o aumento da receita fiscal se devia sobretudo ao aumento do IVA e dos impostos sobre os combustíveis. Eu acrescento e a uma penalização obsessiva das pequenas e médias empresas. Aliás, para avaliar o actual estado de coisas, falta também analisar os efeitos colaterais do aumento da "repressão fiscal" - gosto desta expressão - sobre a actividade económica e o emprego. As coimas brutais e alguns custos administrativos cobrados ao acto são um factor de injustiça fiscal já que não dependem dos montantes em dívida e tanto se aplicam para um euro como para um bilião (existe alguma diferença, mas é irrelevante e a penalização é dura sobretudo para as pequenas dívidas).
Cavaco Silva declarou-se contra a realização de um referendo sobre o Tratado Europeu. O Presidente da República acha que os portugueses não se devem pronunciar sobre estas questões. Os discursos sobre a qualidade da democracia ficam bem nas cerimónias clássicas do Dia de Portugal ou do 25 de Abril. A real politic é outra coisa e não se pode permitir que o povo ignaro expresse a sua opinião.
O Presidente mancha o seu primeiro mandato de uma forma indelével.
António Costa sonha com uma maioria absoluta que lhe permita governar Lisboa feita à custa dos eleitos pela lista da "Helena"ou de uma migração final dos eleitores que até agora afirmaram ir votar na arquitecta. Depois do tom afetuoso usado no debate da SIC, Costa passou ao convite explícito. Afinal, diz Costa, "Helena Roseta só é independente há dois meses (...)" e terão " concerteza facilidade em partilhar ideias, como partilhamos nos últimos 20 anos." Bem jogado. Costa de uma assentada faz duas coisas: desvaloriza, e reduz à realidade, a suposta independência da sua ex-camarada, fresquinha de dois meses, que está nesta altura a pesar na balança de distribuição de votos a favor de Roseta e explica, com um exemplo claro, ao eleitorado PS, que se deixou seduzir, que o melhor é evitar a trapalhada dos entendimentos futuros de gente que até partilha as mesmas ideias. Porque não votar desde logo em Costa?
PS - Cada um escolhe os candidatos que quer para os debates que organiza ( é claro que isto não se aplica ao serviço público de rádio e televisão). A Associação Comercial de Lisboa escolheu apenas quatro. Os do PS e PSD - porque são grandes - e Roseta e Carmona porque são independentes. Neste caso os dois meses de independência de Roseta valeram mais do que os dois anos de trabalho como vereadores de Ruben de Carvalho e Sá Fernandes. Bom, no caso do Sá Fernandes talvez a ACL gostasse mais de convidar o Domingos Névoa.
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Etiquetas: Lisboa.Alianças
Eduardo Pitta escreve sobre o facto de quer António Costa quer Fernando Negrão não viverem em Lisboa sendo, apesar disso, candidatos à liderança da autarquia da capital. Eduardo dá conta da evolução que se verificou na sociedade portuguesa e da normalidade com que hoje se encara este tipo de situação. Que, como ele refere, não é específica das autarquias.
Confesso que a mim me faz confusão que alguém possa ser candidato e eleito presidente de uma câmara, ou vereador, a partir de eleições em que pura e simplesmente não podia participar como eleitor. Julgo que uma condição mínima para concorrer a uma eleição autárquica é ser residente no concelho. Bem sei que ganhe quem ganhar os dois candidatos passarão a residir na capital.
Mas esta questão da residência de Costa e de Negrão talvez possa explicar a insensibilidade que os dois, e a generalidade dos candidatos, têm manifestado para a questão da habitação. Numa cidade despovoada como Lisboa tende a ser cada vez mais, segregada quer do ponto de vista sócio -económico quer espacialmente, choca que nos debates e nas entrevistas esta questão não seja sequer abordada. Como choca a pobreza do tratamento que a questão merece nos diferentes programas eleitorais.
No último debate presidencial em França, Sarkozy e Segoléne dedicaram às questões da habitação uns bons dez minutos e mostraram, de forma clara, ao que se propunham e aquilo que os separava. Sarkozy, recorde-se , propunha-se fazer da França um país de proprietários e Segoléne reformar - a meu ver bem - as políticas públicas nesta matéria. Porque será que os candidatos à mais importante autarquia do País a quase nada se proponham e transmitam a sensação -com uma ou outra excepção - de que quase nada os separa?
"(...)Só é referendável (para que se não transforme em plebiscito ou legitimação de que é inapelavelmente ilegítimo) uma questão concreta e perfeitamente cognoscível, e não um complexo normativo enquanto tal – num diploma como a Constituição, mesmo a de 33 ou de PInochet, que foram plebiscitadas, 90% ou mais das suas normas são aceitáveis, pelo que dificilmente suscitam votos contra. No chamado «Tratado que Institui uma Constituição para a Europa» havia uma questão referendável, embora na pergunta nacional, apenas de forma implícita, que era a do federalismo, isto é, se era aceitável a prevalência geral do direito comunitário sobre (todo) o direito nacional. Hoje, com o «tratadinho», o que está em causa é muito menos relevante (em termos de direito legislado; o Tribunal de Justiça, há muito que entende tal prevalência em termos que os políticos nacionais – dos 27 - eventualmente 25 ou 24, menos Polónia e GB e às vezes Irlanda - não são apenas os nossos – recusam no discurso interno mas aceitam sem reservas em Bruxelas): trata-se apenas de conferir expressa força vinculativa à carta dos direitos fundamentais, o que é bom e de tornar governável a União a 27, eliminando a unanimidade como condição de toda e qualquer decisão, o que é indispensável. Discutir se as normas comunitárias prevalecem sempre sobre o direito interno, o que estava em causa no Tratado, é hoje matéria de relevância semelhante à determinação do sexo dos anjos mas, como estamos no deserto a sul do Tejo, podemos sempre continuar a enterrar a cabeça em toda a areia do mundo…"
Manuel Piteira.
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Etiquetas: Europa Comum
os moradores da Várzea da Moita - que organizaram em Maio uma discussão pública sobre a Lei dos Solos e as mais-valias urbanísticas - não desistem de lutar para que o PDM da Moita não espezinhe os seus direitos em favor dos barões da especulação imobiliária.
Nesse sentido lançaram uma nova discussão publica do PDM. José António Cerejo, jornalista do Público, escreve hoje no Caderno Local sobre esta questão.
Um caso notável de cidadania e de capacidade de organização em defesa dos interesses de uma comunidade contra as cedências - clássicas - de uma autarquia aos poderes fácticos dos grandes promotores imobiliários.
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Etiquetas: cidadania
Foi divulgada uma última sondagem relativa às eleições para a autarquia de Lisboa. Os resultados divergem acentuadamente de outros anteriores mas se compararmos com a anterior feita para as mesmas entidades -Expresso, SIC, Rádio Renancença - a única diferença é a subida de Negrão ao segundo lugar e a baixa acentuada de Roseta. No entanto quer a arquitecta quer Carmona resistem num nível muito elevado: Roseta elegia dois vereadores com este resultado e Carmona entre três e quatro.
Ao que parece o PSD será o mais penalizado com as candidaturas de Carmona e Negrão a somarem mais votos do que António Costa que ganha as eleições mas muito longe damaioria absoluta. Far-lhe-ão muita falta, para ter maioria na Câmara, os vereadores "da Helena" e provavelmente o do BE - caso seja eleito - já que Jerónimo de Sousa já mandou as alianças às urtigas, ele que opta por capitalizar à esquerda o descontentamento crescente com o Governo.
Hoje no Público, no caderno de Economia, a proposito do investimento da imobiliária da SONAE nos terrenos de uma antiga fábrica escreve-se: "Fábrica de fios de algodão reconvertida em empreendimento urbanístico".
Primeiro não existe qualquer reconversão mas tão somente uma conversão. Trata-se de uma mudança, de trocar uma coisa - uma fábrica - por outra, um condomínio de luxo. Reconverter seria, por exemplo, transformar a fábrica de fios de algodão numa que utilizasse fibras sintécticas.
Segundo não existe nenhum empreendimento urbanístico. Existe tão somente um empreendimento imobiliário. O urbanismo - um direito constitucional - concretiza, para cada local concreto, através dos instrumentos de planeamento previstos na lei uma série de objectivos cuja escolha deverá apoiar-se nas bases de ordenamento, enquanto análise e síntese explicativa de uma determinada realidade territorial. O urbanismo é, em larga medida, uma prerrogativa da Administração Pública, embora não seja um seu exclusivo, envolvendo os níveis central, regional e sobretudo o local.
Um empreendimento imobiliário destina-se à produção de bens imóveis e destina-se a concretizar os objectivos de lucro dos seus promotores.
Percebe-se onde radica a confusão. No mesmo trabalho chama-se "cidade Sonae" ao condomínio fechado de luxo que a Sonae vai construir nas instalações da antiga fábrica. O facto de ser um emrpeendimento imobiliário destinado a um único e "selecto" sector da população, com elevado poder aquisitivo, não impede a jornalista de utilizar a palavra "Cidade".
Como escreve Vasco Pulido Valente na mesma edição do jornal, apropósito de um outro assunto, estamos perante a "velha audácia da ignorância".
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