A Câmara de Sines iniciou o processo de revisão do PDM do concelho, já objecto de uma meia dúzia de anúncios anteriores que apenas produziram efeitos para fins eleitorais.
Mas desta vez parece que o processo vai mesmo andar. A autarquia insiste no CESUR como o seu parceiro para a realização deste trabalho, com a colaboração a adquirir a forma de um protocolo(*) (disponível para consulta na página da autarquia, saliente-se).O coordenador da revisão do PDM é o professor Manuel Costa Lobo, um dos mais notáveis urbanistas deste país e uma garantia de trabalho sério e muitíssimo qualificado.
Mas, o planeamento sendo, ou podendo ser, um acto eminentemente democrático depende sobretudo da participação dos cidadãos. Por isso aqui fica o apelo: Participe!!!
No site da Câmara pode perceber quais as formas como essa participação pode ser possível e eficaz, agora e já.
Por mim irei ficar atento na minha condição de cidadão ao evoluir da coisa e a ela voltarei sempre que possível. Lembro no entanto a forma desagradável como foram tratadas as diferentes formas de participação na fase da discussão pública dos PP´s e dos PU´s. Uma paródia da participação, vencida pela soberba do supostamente infalível conhecimento técnico.

(*) - Não concordo, por príncipio, com a adjudicação deste tipo de seviços sem que exista um concurso público aberto. Julgo que devia ser proibido, aliás.
No entanto, enquanto vereador da autarquia de Sines entre 1993 e 2001, votei favoravelmente a adjudicação de serviços de planeamento a esta mesma entidade, por uma via semelhante. Entretanto mudei de posição por entender que a aquisição de serviços pelas entidades públicas deve ser aberta a todos os que tenham competência para o realizar com a escolha a ser determinada pelos critérios legalmente estabelecidos. Não faz qualquer sentido que sejam retirados do mercado centenas de milhares ou de milhões de euros de serviços por esta via ou por outra. Trata-se de uma situação que impede a formação de mais e melhores empresas e que por essa via impede a criação de muitos milhares de postos de trabalho, afectando sobretudo os jovens licenciados. Fragiliza um mercado que deveria funcionar em regime de concorrência aberta e democrática. Por outro lado não existe nenhuma vantagem em ter um fornecedor único neste tipo de matéria, ou em qualquer outra, como a experiência largamente demonstra.


de Caspar David Friedricht (1774-1840)
- On board a sailing ship (1818-1820) - óleo s/ tela ( 71 cm x 56 cm)

... na colecção do Hermitage .

É o título do post de Ana Gomes no Causa Nossa. Cito: "A Russia abarrota de rublos do petróleo e do gás. E tanto Putin como os novos magnates e mafiosos de Moscovo comprazem-se em ostentar a opulência. A Exposição do Hermitage em Lisboa serve obviamente para projectar a grandeza russa passada no presente.Mas o que é inacreditável é que quem paga não são os abastados russos: somos nós, os pelintras dos portugueses, porque o erário público é suposto “entrar” ao lado dos financiadores privados portugueses, laboriosamente angariados pelo Ministério da Cultura. Não chegava cedermos o Palácio da Ajuda... (...)De qualquer sorte, esta Exposição já vai ficar nos anais: como demonstração da mais deslumbrada parolice. Com a agravante de querer fazer de todos nós tolinhos!"

Ler ainda da mesma autora: "Putin, o desmancha-prazeres" e "Direitos humanos: a lebre de Putin"

As sondagens divulgadas este fim de semana vieram mostrar que decresce a olhos vistos o apoio de que goza o Governo, o primeiro-ministro e o vegetativo partido que o suporta.
Nada de novo: as sondagens traduzem, de uma forma mais ou menos rigorosa, aquilo que já aconteceu. São uma tentativa de quantificação, diferida no tempo, de uma realidade que as precedeu. Realidade cujo tempo de construção é lento mas inexorável. Construção que se alimenta da falência das expectativas das pessoas com as políticas concretas. Da falência e do choque, mais vísivel á medida que o tempo passa, entre as promessas que determinaram o sentido dos votos e os resultados para as pessoas dessas políticas.
Neste sentido ninguém no seu juízo perfeito pode mostrar qualquer sinal de estranheza com o plano inclinado em que parecem mover-se Jósé Sócrates e o seu Governo. Mesmo Menezes, e o PPD/PSD de que o outro gosta de falar, podem ser de mais para um primeiro-ministro e um Governo tão pouco socialistas.

Sampaio defendeu no SOL a realização de um referendo sobre o Tratado Europeu, como uma "oportunidade única para finalmente se realizar a primeira consulta popular directa sobre as matérias europeias, o que a recente revisão constitucional veio permitir.(...)"
Não se percebem nesta polémica os argumentos dos que não querem ouvir falar do referendo. A discussão é empobrecedora, impossível sobre matérias tão sofisticadas, o povo não quer saber destas coisas, o Tratado é diferente da Constituição, etc,etc. Trata-se afinal de realizar uma consulta popular e dessa forma saber o que pensa, ou não pensa, a população sobre a matéria. Trata-se de saber se porventura a população tem uma ideia clara ou se tem claramente uma absoluta falta de interesse pela questão, preocupada tão somente com os dinheiritos que nos chegam.
Aos cépticos e aos ferozmente contra por razões de pura política partidária, falta apenas a apresentação de uma nova tese sobre o verdadeiro papel do povo na democracia representativa. O verdadeiro papel e a verdadeira importância, já agora.

Pertence a Luís Campos e Cunha, o ex-minisro das Finanças de Sócrates, que afirmou a propósito do regresso de Santana Lopes: "(...) Sócrates vai ter um interlocutor no Parlamento do seu nível político e intelectual(..)"
Tantas citações depois, um homem tem que ouvir uma comparação destas.

As Novas Fronteiras foram sempre um remake do movimento que Guterres lançou e que contribuiu para a sua vitória em 1995. Um remake com mais, muito mais, show off e menos, muito menos, conteúdo. Afinal Guterres, com a sua imagem pouco apelativa, era quele que dizia que "a minha imagem é o meu conteúdo". Imagine-se Sócrates reduzido ao seu conteúdo.
Vem isto a propósito de mais uma edição do "Fórum Novas Fronteiras" que serviu, desta vez, para assinalar a positividade do "Saldo da Balança Tecnológica" facto inédito neste País e expressão fiel da excelência deste governo e desta governação, passe a ironia. Claro que esta edição do Fórum foi marcada, no sentido literal do termo, pelo facto de terem aparecido algumas sondagens e ter ocorrido uma manifestação que visaram o Governo. Daí a necessidade de alguém fazer o papel de defensor do Governo. Segundo parece coube a António Vitorino a urgente tarefa. Uma boa escolha, sem dúvida: se existe alguém neste país vocacionado para a defesa dos interesses é António Vitorino. Ora, o Governo é desde há muito um interesse que paira acima, e longe, do interesse da generalidade dos portugueses. Da generalidade mas não de todos acentue-se: a desigualdade social não pára de crescer, embora o assunto não tenha sido discutido no tal carcomido Fórum.



não só esteticamente bonita, é também uma inteligente aposta nas energias alternativas, não poluentes. Esta estação de energia eólica no mar foi implantada em 2002 na Dinamarca.

I'm staring at a broken door,
There's nothing left here anymore.
My room is cold,
It's making me insane.
I've been waiting here so long,
But the moment seems to 've come,
I see the dark clouds coming up again.

Running through the monsoon,
Beyond the world,
To the end of time,
Where the rain won't hurt

Fighting the storm,
Into the blue,
And when I loose myself I think of you,
Together we'll be running somewhere new

Through the monsoon.
Just me and you.

A half moon's fading from my sight,
I see your vision in its light.
But now it's gone and left me so alone

I know I have to find you now,
Can hear your name, I don't know how.
Why can't we make this darkness feel like home?

Running through the monsoon,
Beyond the world,
To the end of time,
Where the rain won't hurt

Fighting the storm,
Into the blue,
And when I loose myself I think of you,
Together we'll be running somewhere new
And nothing can hold me back from you.

I'm fighting all this power,
Coming in my way
Let it sail me straight to you,
I'll be running night and day.

I'll be with you soon
Just me and you.
We'll be there soon
So soon.

Running through the monsoon,
Beyond the world,
To the end of time,
Where the rain won't hurt

Fighting the storm,
Into the blue,
And when I loose myself I think of you,
Together we'll be running somewhere new
And nothing can hold me back from you.

Through the monsoon.
Through the monsoon.
Just me and you.


Tokio Hotel - Through The Monsoon



Canções Egípcias

Ela:
Meu amado
como é doce banhar-me perante ti
deixar que a minha nudez se revele
por debaixo da
túnica molhada
Mergulhar contigo
e voltar a emergir
com um bonito peixe vermelho
entre os dedos

Ele:
Quando ela me acolhe
com os braços abertos
um perfume delicioso e estranho
me envolve
como se tivesse chegado agora
da longínqua Punt
E quando a vejo
o fogo sobe-me à cabeça
e sinto-me bêbedo
sem ter bebido

Ela:
O teu amor penetra o meu corpo
como o vinho a água
quando a água e o vinho se misturam


Anónimo, Egipto, séc. XI A.C.


(clicar sobre a imagem para visualizar ecrã inteiro)

Pouco passava das 8 da manhã (hora de Lisboa) quando o A380 aterrou no aeroporto internacional de Sidney, na Austrália. A fotografia em baixo mostra um pormenor do seu interior. Para mais navegações em língua portuguesa: aqui

O discurso de Paulo Bento no final do jogo com o Roma, mais do que convocar os Gatos para mais um sketch, deixa-nos uma vaga sensação de familiariedade com outros discursos que por aí pairam. Senão vejamos o que declarou, com muita tranquilidade, P.B. no final do jogo: "Neste jogo tinhamos como primeiro objectivo ganhar e era muito importante não perder. Estivemos perto deste segundo objectivo, mas não o conseguimos. Logo, o jogo de Lisboa torna-se mais decisivo para a nossa qualificação para os oitavos-de-final da Champions. Ganhar (...) sabendo que a Roma tem grande qualidade(...)" etc, etc,
Caso para dizer: importa-se de repetir?

Numa noite em que o céu tinha um brilho mais forte
E em que o sono parecia disposto a não vir
Fui estender-me na praia, sózinho, ao relento
E ali longe do tempo, acabei por dormir

Acordei com o toque suave de um beijo
E uma cara sardenta encheu-me o olhar
Ainda meio a sonhar perguntei-lhe quem era
Ela riu-se e disse baixinho: estrela do mar

"Sou a estrela do mar só a ele obedeço
Só ele me conhece, só ele sabe quem sou
No princípio e no fim
Só a ele sou fiel e é ele quem me protege
Quando alguém quer à força
Ser dono de mim..."

Não sei se era maior o desejo ou o espanto
Só sei que por instantes deixei de pensar
Uma chama invisível incendiou-me o peito
Qualquer coisa impossível fez-me acreditar

Em silêncio trocámos segredos e abraços
Inscrevemos no espaço um novo alfabeto
Já passaram mil anos sobre o nosso encontro
Mas mil anos são pouco ou nada para estrela do mar

"Estrela do mar
Só a ele obedeço
Só ele me conhece, só ele sabe quem sou
No princípio e no fim
Só a ele sou fiel e é ele quem me protege
Quando alguém quer à força
Ser dono de mim..."


(...)
Ah, todo o cais é uma saudade de pedra!
E quando o navio larga do cais
E se repara de repente que se abriu um espaço
Entre o cais e o navio,
Vem-me, não sei porquê, uma angústia recente,
Uma névoa de sentimentos de tristeza
Que brilha ao sol das minhas angústias relvadas
Como a primeira janela onde a madrugada bate,
E me envolve como uma recordação duma outra pessoa
Que fosse misteriosamente minha.
(...)
- Álvaro de Campos -


Balloon, 2002 - fotografia de Julie Blackmon (n. 1966)

Matamos o que amamos.
de um poema de Rosario Castellanos

Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com os nossos pensamentos. Com os nossos pensamentos fazemos o nosso mundo.
Buda

O que há de mais belo na vida são as ilusões da vida.
Honoré de Balzac

Viu a desconhecida a voar escadas acima (...)
... por causa das mulheres que voam na Avenida Névski (conto de NiKolai Gógol)

São jogadores como estes, a oscilarem entre o mau e o péssimo, que justificam o "segundo milagre " do Fátima. Farneroud não tinha lugar no Fátima nem em qualquer equipa da primeira liga. É sempre pior que Pereirinha independentemente do ângulo usado para a comparação. Purovic é um péssimo defesa-central, apesar da altura, porque não sabe jogar de cabeça e porque faz penáltis, na sua área, com grande facilidade. Paredes é o nome de um antigo bom jogador de futebol que assinou um bom contrato de pré-aposentação com o Sporting.
Paulo Bento que tem todos estes jogadores em elevada consideração já não sabe, por esta altura, que existe um jogador em Alvalade chamado Adrien Silva. Melhor do que estes e do que aquela ex-futura-próxima esperança brasileira que dá pelo nome de Celsinho. Uma nulidade, pelo que se viu ontem.
Parabéns ao Fátima. Parabéns ao treinador Rui Vitória.

No SOL deste fim de semana é dado destaque à divulgação do currículo de um vereador da Câmara de Coimbra, eleito pelo PS de que é aliás presidente da Comissão Política concelhia, no que se refere à área sensível da obtenção de financiamentos partidários ilícitos. Uma área muito especializada, como se sabe.
Entre os corruptores activos - o distinto vereador era o corruptor passivo - destaca-se o incontornável Domingos Névoa, o tal do caso "Bragaparques versus Sá Fernandes". No caso coimbrão a massa envolvida foi menos, qualquer coisa como 50.000 euros, do que os 200.000 euros que visaram seduzir Sá Fernandes. O objectivo era no entanto o mesmo: contribuir para que o distinto autarca permitisse, com o seu esclarecido voto, aprovar o negócio que a Braparques entretanto concretizou nos terrenos do parque subterrâneo na Baixa de Coimbra.
Notável é a explicação de Névoa que esclareceu ter o empréstimo representado um "empréstimo entre dois amigos" que já foi liquidado. Embora Névoa não refira a taxa de juros utilizada, nós sabemos que ela foi muito elevada como sempre acontece nos processos em que os representantes do interesse público são corrompidos.

PS - Coimbra que se reinvindica da "Capital da saúde" é uma cidade em que, conhecidos os casos que se sabe, pelo menos a corrupção goza de muito boa saúde.

A intervenção de Byrne junto ao Mondego fotografada da Ponte "Pedro e Inês".

O Imobiliário que vampiriza os dinheiros públicos dos programas Polis fotografado do mesmo local

O meu filho, que não se perde com miudezas, é um adepto incondicional do Programa Polis, em particular deste junto ao Mondego.


PS - reparem nas guardas da ponte. São bonitas.





Eis aqui uma proposta sensata para uma nova política de habitação, capaz de manter Portugal no grupo dos países que menos dinheiro gasta -em percentagem do PIB - com as políticas públicas de habitação. O lema podia ser : "Traga qualquer coisa, nós pomos um telhado"
PS - imagem enviada pela MJB


"engenharia mágica, logo arquitectura" foi como o New York Times classificou a ponte pedonal que liga as duas margens do Mondego e que foi construída no âmbito do Progama Polis. O Guardian escreveu que “A sua estrutura é revolucionária, ainda que não exuberante; é naturalmente elegante. É também o género de engenharia mágica".
Trata-se de um projecto em parceria entre os engenheiros Cecil Balmond e Pedro Adão da Fonseca. Esta ponte belíssima - as pontes são sempre belos objectos como exuberantemente demonstrou ao longo da vida esse engenheiro primu inter pares que deu pelo nome de Edgar Cardoso - tem uma particularidade que se deve ao génio criativo de Cecil: tem uma praça no meio que resulta do desfasamento entre os eixos longitudinais das duas meias-pontes. Uma bela ideia, uma ideia simples, como quase todas as ideias geniais.


PS - imagem enviada pela MJB

Big Love

Looking out for love
In the night so still
Oh Ill build you a kingdom
In that house on the hill
Looking out for love
Big, big love

You said that you love me
And that you always will
Oh you begged me to keep you
In that house on the hill
Looking out for love
Big, big love

I wake up alone
With it all
I wake up
But only to fall

Looking out for love
Big, big love
Just looking out for love
Big, big love

Letra de Lindsey Buckingham / FLEETWOOD MAC


Maria / George, 1994 - Fotografias de Aziz + Crucher , fotógrafos que fazem parte da colecção permanente do Museum of Contemporany Photography (Chicago)

Gordon Brown, com aquele ar de quem vai perder as próximas eleições, acaba de anunciar que os Governos da UE combinaram aprovar o Tratado sem consultas ao povo ignaro. Nada de novo: a construção europeia dispensa o povo e reserva-lhe um lugar menor. A burocracia político-administrativa abomina o povo e, não podendo eliminá-lo, despreza-o.
A Europa é cada vez mais o lugar político onde o povo mesmo pagando não pode entrar. Uma espécie de apartheid entre as populações e a classe política dominante.

Duzentos Mil protestaram contra a política do Governo. Provavelmente uma das maiores manifestações de sempre organizada por uma Central Sindical. Uma manifestação que dá conta, de forma expressiva, de como esta política do Governo do PS agride e penaliza os mais desfavorecidos e aqueles que vivem sobretudo dos rendimentos do trabalho. Um Governo que cospe nas mãos de muitos dos que nele votaram.
PS - simbolicamente foram 200 mil, um por cada dez pobres existentes neste país que é o mais desigual da UE. Um País no qual existem 2 milhões de pobres e no qual a acumulação privada de capital prossegue a um ritmo nunca visto. Um país no qual meia dúzia de famílias mandam pr interposto Governo. Mandam e governam-se, hoje como ontem, desgraçadamente.

O Instituto Superior Técnico (IST) foi a universidade na qual me licenciei em engenharia civil. Ao longo da vida tenho-me muitas vezes recordado, por boas razões, da qualidade do ensino que aí recebi, da excelência do corpo docente e da adequação do ensino à realidade profisisonal, sobretudo aquela que pressupõe conhecimento, rigor e exigência.
Uma grande Universidade e uma grande Universidade Pública.
Não posso por isso deixar de manifestar o meu contentamento pela decisão do Conselho Científico do IST de recusar a formação de uma fundação pública de direito privado tal como previsto no actual regime jurídico das instituições do ensino superior. Mariano Gago que é um professor prestigiado do IST, e que no tempo em que lá andei era um homem situado francamente à esquerda, sofre uma derrota em casa própria, ele cuja política actual nos deixa muitas vezes gagos de espanto.

Levanta-te contra a pobreza, a injustiça, o esquecimento, a indiferença, o medo, a opressão, a corrupção, a ignorância, a prepotência, levanta-te contra o ódio, contra a miséria, levanta-te pela justiça, pela clareza, pela igualdade, pela diversidade, pelo conhecimento, levanta-te pelos outros, levanta-te por uma só coisa, por uma razão

as propostas de Menezes - se é que se pode assim chamar ao conjunto de afirmações - têm uma vantagem para Sócrates: permitem, com imaginação quanto baste, arrastar a discussão para a direita para uma espécie de tentativa de subverter o regime. A ideia de fazer uma nova constituição mobiliza contra esse perigo que vem da direita radical e populista que Menezes personificará. As políticas de Sócrates, que têm apagado a direita e levaram ao descrédito de Marques Mendes, incapaz de fazer tão bem quanto ele, recentram-se à esquerda agora que Menezes endurece o nível de exigência acenando com a agenda dos duros da direita mais radical. Mera ilusão, mero jogo de espelhos complementares, mas eficaz quanto baste para desviar as atenções, por alguns momentos, da verdadeira natureza da governação que temos tido esse neo-liberalismo que já nem um parente afastado se reconhece das sociais-democracias europeias.

O caso do filho e dos amigos de Jardim Gonçalves colocou o senhor Berardo a espumar em directo, e no dialecto que utiliza, na televisão. Espuma táctica ao serviço do seu interesse em mandar para casa o velho Jardim, que as prácticas bancárias que agora critica são do seu conhecimento e do conhecimento de todos, desde sempre. Trata-se de um indignação que soa a falso mas que, ampliada pelo prime time, mobiliza as hostes contra o velho patriarca. E acorda da sua sonolência profunda o Banco de Portugal e a CMVM, esses garantes de coisa nenhuma.
Claro que a banca usa de dois pesos e de duas medidas. Claro que a banca, que é inflexível com o pobre que não pode pagar o empréstimo da casa e a quem dsespeja sem dó nem piedade, é permissíva e conivente com o rico que deixa um calote de milhões. Sobretudo se o rico for um dos nossos. Ora, em Portugal, os ricos são sempre um dos nossos. Porque não há outra possibilidade, hoje como ontem no tempo do António de Santa Comba.
É duplice a canalha que manda e que se governa. A mesma canalha sempre com a mesma ganância e com a mesma avidez. Beatos a tresandarem de fé.
Vampiros, chamavas-lhe o Zeca Afonso.

chamem-me o quiserem, a voz e a atitude dele fazem-me lembrar uma outra ideia de América

I was tryin' to find my way home
But all I heard was a drone
Bouncing off a satellite
Crushin' the last lone American night
This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
This is radio nowhere, is there anybody alive out there?

I was spinnin' 'round a dead dial
Just another lost number in a file
Dancin' down a dark hole
Just searchin' for a world with some soul

This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
Is there anybody alive out there?

I just want to hear some rhythm
I just want to hear some rhythm

I want a thousand guitars
I want pounding drums
I want a million different voices speaking in tongues

This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
Is there anybody alive out there?

I was driving through the misty rain
Searchin' for a mystery train
Boppin' through the wild blue
Tryin' to make a connection to you

This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
This is radio nowhere, is there anybody alive out there?
Is there anybody alive out there?

I just want to feel some rhythm
I just want to feel some rhythm
I just want to feel your rhythm
I just want to feel your rhythm

Radio Nowhere de Bruce Springsteen /álbum: Magic / 2007

Sócrates agradeceu aos portugueses por o terem ajudado a controlar o défice que já desceu para os 3%, pasme-se. Este milagre - que Sócrates espera o coloque, depois de 2009, por mais quatro anos com a faca e o queijo na mão - da gestão socialista merece as mais variadas críticas quanto à forma como foi conseguida. Mas se alguém tem dúvidas sobre o notável feito leia aqui que todas as dúvidas se dissiparão. Para alguma coisa servirão os chamados intelectuais orgânicos do socratismo.
Eu que me recordo do que Sócrates dizia na camapanha eleitoral que o elegeu e de como manifestava a sua sensibilidade e preocupação com o crescimento do desemprego e de como acusava, justamente, o PSD de insensibilidade face a esse drama crescente, espanta-me que nada diga agora sobre o crescente desemprego que parece a consequência das políticas que o conduzem ao resultado que tanto orgulho lhe provoca.
Recorrendo a um livro de Stiglitz, Os Loucos anos 90 - A década mais próspera do Mundo, e ao prefácio de Jorge Sampaio destaco as seguintes frases:
"(...) Entre os mitos analisados ( e desmontados) pelo prof. Stiglitz ao longo do livro (...) estão as ideias feitas de que:
- a redução do défice orçamental foi o motor da recuperação económica - quando a teoria e a práctica mostram que a diminuição do défice não relança a economia, questão a que, pela sua relevância para a Europa e para Portugal, também dedicarei adiante alguma atenção;(...) A nova explicação [ para a relação entre o combate ao défice e o desenvolvimento económico a partir da bem sucedida experiência americana de 1992] assenta essencialmente na confiança: A diminuição do défice público aumentaria a confiança dos banqueiros e investidores e assim tranquilizadas, as empresas voltavam a investir no crescimento e na inovação, os consumidors começaram a gastar outra vez e a recuperação ganhou impulso. O programa dos falcões do défice era claro: manter os défices baixos (mesmo nas recessões) e ouvir o que os mercados financeiros queriam (...) A análise da redução do défice orçamental na década de 90 é importante para os países da Zona Euro, cujas políticas orçamentais têm estado condicionadas pelo Pacto de Estabilidade e, subjacentemente , pelo mito de que a austeridade orçamental, especialmente pela diminuição das despesas públicas, aumentaria a confiança dos agentes económicos e o crescimento da economia viria por acréscimo. Seria bom, mas não é inteiramente verdade. A amarga experiência económica dos últimos anos, na Zona Euro e em Portugal, mostra que as coisas não se passaram assim (...)"
Este prefácio de Jorge Sampaio foi escrito em Fevereiro de 2005. Passados mais de dois anos podemos concluir que, tal como então, as coisas continuam a não se passar assim. O controlo do défice melhorou, o discurso político, sobretudo de Sócrates, centrado na confiança -nunca nenhum primeiro-ministro utilizou tanto esta palavra - repete-se até à exaustão mas a retoma económica jaz e arrefece. O desemprego, esse sim, não para de aumentar. Sócrates consegue a taxa de desemprego mais elevada da Zona Euros e a mais elevada em Portugal desde a adesão à UE. É obra.
Os desempregados são as vitimas maiores deste tipo de políticas neoliberais que conduzem hoje os destinos de Portugal e da UE. Políticas que foram beber ao espírito do Consenso de Washington. Volto a Stiglitz e a outro livro(*) para citar : " A austeridade orçamental, as privatizações e a liberalização dos mercados foram os três pilares do Consenso de Washington nos anos 80 e 90." São elas que hoje estão na base do Pacto de Estabilidade e Convergência e das políticas que liquidam, todos os dias, o ideal europeu.

(*) - Joseph Stiglitz. Globalização. A Grande desilusão. Edição Terramar.

Ao contrário dos Nobel da Literatura, os Nobel da Paz são sempre boas notícias: como esta
Espero que esta distinção ajude a afastar este organismo, os alertas e as mudanças lançados e propostos do miserável círculo do "passar de moda".

O artigo (*)de João Ferreira do Amaral, hoje no Jornal de Negócios, em que denuncia o cinismo da Comissão Europeia na análise dos efeitos das suas políticas na desprotecção dos cidadãos perante os efeitos perversos da globalização. Cito: "Na realidade, em particular os estados da Zona Euro, são dos mais desprotegidos em relação à globalização e isto devido ao caminho que o processo de integração tomou desde o tratado de Maastricht. Em três grandes domínios se nota esta acção prejudicial das instituições comunitárias.
Em primeiro lugar, a tentativa (só parcialmente lograda) de destruição da coesão nacional de cada estado (em que o acabar com as moedas nacionais foi um passo importante). (...) Ora a resposta à globalização, para ser eficaz, passa sempre por uma forte coesão nacional. Tudo o que a prejudica como a acção da Comissão expõe mais os países aos efeitos negativos da globalização.
Um segundo aspecto é a destruição da política macroeconómica de resposta aos choques da globalização, Ao criar a moeda única e instituições deficientes para a gerir e ao impedir políticas orçamentais activas, a integração tornou, desde Maastricht, as economias muito mais vulneráveis perante a globalização, como é visível hoje em Portugal.
Não tenho qualquer dúvida em afirmar que devido à moeda única Portugal está hoje mais desprotegido em relação à globalização do que grande parte das economias do mundo, mesmo de países de dimensão e nível de desenvolvimento inferior.
Finalmente, o terceiro domínio é o da política de concorrência, que põe um colete de forças tal às políticas de desenvolvimento dos sectores produtivos que só por milagre eles se podem ir adaptando às condições impostas pela globalização.(...)
"
Ferreira do Amaral é um economista próximo do PS, mas lá por isso não precisa de ser parvo ou ceguinho, como muitos por aí.

(*) - link via "ladrões de bicicletas"

Joseph Stiglitz, o ex-conselheiro de Clinton e Prémio Nobel da Economia em 2001, apoiou em Caracas a iniciativa de Hugo Chavez de criar um banco regional de empréstimos de apoio ao desenvolvimento dos países da América do Sul.
Stiglitz, que denunciou o Consenso de Washington e foi vice-presidente do Banco Mundial, afirmou que: "«É uma boa coisa haver concorrência na maioria dos mercados, incluindo o mercado do empréstimo para o desenvolvimento», (...) o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional tendem a impor muitas condições que entravam um efectivo desenvolvimento".
Chavez é definitivamente uma personagem muito mais complexa do que a imagem estereotipada do ditador sul-americano, que a nossa direita mais ideológica tenta passar, faria supor. Separar a análise da personagem política das políticas concretas e dos seus conteúdos, fazendo sobressair o seu carácter muitas vezes populista e demagógico, é uma via fácil para a diabolização mas não passa de uma análise simplista que lida mal com a realidade complexa daquela zona do globo e que por isso se permite mesmo dispensar a realidade, como coisa supérflua.
Uma zona na qual Stiglitz denuncia a cooperação "à lá USA" como ao serviço "da estratégia americana de dividir para conquistar, uma estratégia para tentar conseguir o máximo de lucros para as empresas americanas, deixando pouco para os países em desenvolvimento"

Sobre este post de JCG gostaria apenas de acrescentar:

Mas a hipocrisia extravasa a esfera política. É este país que adere em massa ao Caso Maddie, que se indigna, reza, chora, faz forwards de e-mails de crianças desaparecidas e deixa passar incólumes os culpados, a responsabilidade da Instituição e simplesmente não exige que se faça justiça e se resolva um caso como o de a Casa Pia? São estes os mesmos políticos, é este o mesmo povo, os mesmos intelectuais, professores e educadores?

Conferência / debate:
A República em Portugal - expectativas e realidades” por Júlia Leitão de Barros, historiadora, investigadora no Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa e professora na Escola Sup. Comunicação Social do Instituto Politécnico de Lisboa no Centro das Artes de Sines (Cafetaria) pelas 21:30

No post de Ana Gomes cujo título é "Pia a ex-Provedora" a eurodeputada suscita um conjunto de questões que o tempo tratou de tentar apagar do processo Casa Pia. Será que ninguém repara nas questões colocadas por Ana Gomes? Questões aasociadas à manipulação politica deste processo e em particular associadas ao objectivo, evidente, de decapitar a direcção do PS de então? Questões que determinaram que a situção política fosse a actual e não outra provavelmente muito diferente daquela que temos.


Praia Banana, na Ilha do Príncipe, a mais bonita praia da Ilha ... ainda mais perto aqui na galeria de imagens ... explore "praias" e "paisagens"

Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos o são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para poder funcionar fraternalmente
a humidade de próstata ou das glândulas lacrimais,
para além das rivalidades, invejas e mesquinharia
sem que tanto se dividem e afinal se irmanam.


Dizer-se que é de heróis e santos o país,
a ver se se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é que foram nisso?


Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência, a
justiça, a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.
No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é pelo menos dois.
Como ser-se então nesse país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma.


Jorge de Sena
10 de Outubro de 1973

Des yeux qui font baisser les miens
Un rire qui se perd sur sa bouche
Voilà le portrait sans retouches
De l'homme auquel j'appartiens

Quand il me prend dans ses bras
Il me parle tout bas
Je vois la vie en rose
Il me dit des mots d'amour
Des mots de tous les jours
Et ça me fait quelque chose
Il est entré dans mon coeur
Une part de bonheur
Dont je connais la cause
C'est lui pour moi, moi pour lui, dans la vie
Il me l'a dit, l'a juré, pour la vie
Et dès que je l'aperçois
Alors je sens en moi,
Mon coeur qui bat

Des nuits d'amour à plus finir
Un grand bonheur qui prend sa place
Les ennuis, les chagrins s'effacent
Heureux, heureux à en mourir

Quand il me prend dans ses bras
Il me parle tout bas
Je vois la vie en rose
Il me dit des mots d'amour
Des mots de tous les jours
Et ça me fait quelque chose
Il est entré dans mon coeur
Une part de bonheur
Dont je connais la cause
C'est toi pour moi, moi pour toi, dans la vie
Tu me l'as dit, l'as juré, pour la vie
Et dès que je t'aperçois
Alors je sens en moi
Mon coeur qui bat

letra de Edith Piaf, música de Louiguy, 1946

Era um dos poucos blogues que eu visitava, quase numa rotina diária. Assegurava um espaço de discussão sobre a vida política portuguesa e não só. Era um dos poucos que citava este blogue e o que aqui se vai escrevendo. Agora o Paulo Gorjão resolveu por-lhe um fim. Fica a memória das polémicas, das opiniões, das divergências, daquilo tudo que faz da blogosfera um espaço único.

A ler, obrigatoriamente, esta entrevista de João Cravinho sobre a evolução do País e do Sistema Político. Cito algumas das frases fortes que muitos dos que vivem neste país não terão dificuldades em subscrever:

Sobre o combate à corrupção - "(...) Fui até ao limite do que podia. Após um processo longo e muitas discussões, formei uma ideia sobre as razões das divergências profundas (...) entre mim e a direcção do grupo parlamentar em questões fulcrais. A primeira tem que ver com um juízo político e ético sobre a situação da corrupção em Portugal e o seu efeito corrosivo sobre o funcionamento das instituiçõe democráticas. Penso que é um fenómeno grave, extenso e sem mecanismos de contenção à altura.(...)Mas também não estávamos de acordo sobre a natureza do fenómeno. Prevaleceu no debate uma noção eminentemente policial da corrupção.(...) Só que a corrupção como fenómeno novo, associado à globalização, torna a concepção policial obsoleta.Um dos nossos grandes problemas é a corrupção de Estado, a apropriação de órgãos vitais de decisão ou de preparação da decisão por parte de lóbis.(...) Foi um dos maiores choques da minha vida ver que aquela matéria causava um profundo mal-estar, era como que um corpo estranho no corpo ético do PS.(...)"

Sobre a actuação do Governo - "(...) Há anos que a governação em Portugal é neoliberal, com mais ou menos consciência social. O problema não está nas políticas sociais, mas na adopção da ideologia neoliberal como matriz.(...) Não pode estar a promover-se uma pseuso-economia de mercado, em que o Estado serve de muleta aos grandes e até aos pequenos negócios. Muitos acham que deve ser essa a originalidade do neoliberalismo à portuguesa.(...)"

Sobre as relações Governo-Presidente da República. - "(...) O regime está de tal modo fragilizado que, em certo sentido,o prof. Cavaco Silva, em conjugação com o engº Sócrates, funcionam como uma cavilha de segurança suplementar da granada em que está a transformar-se o nosso sistema político.(...) Mas o que está a perguntar é se existe uma nova forma de bloco central. De certo modo, sim.(...)"



... começam a manifestar-se satisfeitos com a vitórias de Menezes. Vejam-se as declarações de Isaltino Morais, esse impoluto autarca vilipendiado por Marques Mendes, que declara solene ao DN ser "A vitória de Menezes é o espírito do velho PPD a vir ao de cima". Um espírito assombrado, só pode ser, a fazer fé nas suas entusiásticas declarações.

De assinalar este encontro, mais simbólico do que substancial, entre as duas Coreias, 54 anos após a assinatura do armistício que pôs fim à guerra entre o Norte e o Sul.

A ler no DN: Flores de plástico na cimeira das duas Coreias




Convido-vos a observar imagens como esta na galeria de imagens do Hubble: aqui
Aquilo que o Hubble nos mostra é tanto e tão pouco, e é também a grande solidão e uma grandiosidade que nos ultrapassa e do que afinal nós somos.

Se perguntarem: das artes do mundo?
Das artes do mundo escolho a de ver cometas
despenharem-se
nas grandes massas de água: depois, as brasas pelos recantos,
charcos entre elas.
Quero na escuridão revolvida pelas luzes
ganhar baptismo, ofício.
Queimado nas orlas de fogo das poças.
O meu nome é esse.
E os dias atravessam as noites até aos outros dias, as noites
caem dentro dos dias - e eu estudo
astros desmoronados, mananciais, o segredo.

Herberto Helder, Do Mundo


Clay Room, 2007, instalação/fotografia

... uma presença mental que constrói e desconstrói, que transforma...


Snow Stacks, 1987, instalação/fotografia

Trabalhos do inglês Andy Goldsworthy. O autor (na wiki). Outros trabalhos do autor: aqui

"...estou procurando, estou procurando. Estou tentando me entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda. "

"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada."

Clarice Lispector


 

Pedra do Homem, 2007



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