O artigo de Sarsfield Cabral hoje no Público. Cito: "(...) É verdade que no BCP existiam certos índicios de mau agoiro, como o exagero dos vencimentos dos seus gestores. Mas as operações irregulares agora apontadas são, pela sua gravidade, algo de invulgar entre nós.(...) O mais deprimente desta história é o golpe dado à esperança de que, em Portugal, emergisse gradualmente uma nova classe empresarial, afirmativa e autónoma, menos dependente do secular encosto ao poder político e com algum sentido cívico e ético.(...) Grave, aqui, não é apenas a ânsia de poder dos políticos. Pior é serem accionistas privados a proporcionar esta aproximação do BCP à órbitra estatal. Diz-se que o Banco Espírito Santos tem relações priveligiadas com o poder político(*). Há quem lhe chame o banco do regime. Mas, pelo menos no BES o Estado não manda (talvez o BES mande(**) alguma coisa no Estado, mas essa é outra história). No BCP são os privados a abrir a porta ao regrsso do Estado ao sector bancário.(...)"

Acrescento eu : *) uma tradição que vem de longe; **) manda e não é pouco.

... Pereira, a mesma luta. Revisitem-se as declarações dos - chocados, muito chocados - dirigentes socialistas na reacção às inacreditáveis declarações de Menezes para se perceber agora, com a nomeação de Faria de Oliveira para a CGD, como essas declarações pecavam por serem desnecessárias e nessa medida inconvenientes. A partilha dos lugares faz-se com normalidade e dentro da lógica estrita do Bloco Central. Só as desnecessárias declarações de Menezes justificaram o deslocado coro das jovens virgens ofendidas que se fez ouvir do lado do PS e do Governo.

quem faz a pergunta é Daniel Sampaio, na sua crónica da Pública de hoje. Cito:" 2007 foi um ano mau para o Governo.(...) Acima de tudo perdeu-se a esperança. Ouve-se na rua o ruído de grandes manifestações, mas sobretudo pressente-se a apatia, o desinteresse pela política, a falta de entusiasmo, a indiferença ou desdém para com os membros do governo (odiados ou apenas tolerados, nunca estimados), que se empertigam ao menor sinal de oposição. Não há, por enquanto, alternativa, mas isso deveria ser o alento para fazer cada vez melhor. Começar por compreender que são necessárias rupturas, mas que só as conseguimos com êxito se reconhecermos a importância do outro: aquele que protesta na rua contra o encerramento do serviço de urgência ou contra o fecho da escola não compreende facilmente a argumentação técnica que pode justificar a medida: sabe, pela sua vida, que a escola e o hospital dignificam a terra e que, sem eles, o deserto estará mais próximo. Na realidade, ninguém se deveria gabar do fecho de uma escola ou do encerramento de um hospital: é preciso perceber que se está apenas a oferecer um binóculo longínquo a quem acaba de perder os óculos...
Há um claro problema de comunicação entre o executivo e as populações visadas: a isto, o governo responde com argumentos técnicos ou com a denúncia da "perda de privilégios". Não chega. Não se percebe por que razão tanto ri o governo!"2008 está aí. É urgente mudar: admitindo os erros, devolvendo a esperança."

Monday finds you like a bomb
That’s been left there ticking there too long
You’re bleeding
Some days there's nothing left to learn
From the point of no return
You're leaving

Hey hey I saved the world today
Everybody’s happy now
The bad things gone away
And everybody’s happy now
The good thing’s here to stay
Please let it stay

There’s a million mouths to feed
And I’ve got everything i need
I’m breathing
And there’s a hurting thing inside
But I’ve got everything to hide
I'm grieving

Hey hey I saved the world today
Everybody’s happy now
The bad things gone away
And everybody’s happy now
The good thing’s here to stay
Please let it stay

Doo doo doo doo doo the good thing

Hey hey I saved the world today
Everybody’s happy now
The bad things gone away
And everybody’s happy now
The good thing’s here to stay
Please let it stay

Eurythmics , I save the world today, album: Peace, 1999

Manuela Ferreira Leite analisa a crise no BCP que acha ela é o "inacreditável do ano". A prosa vem hoje na sua crónica habitual no suplemento de economia do Expresso. A senhora acha que a crise no BCP é uma machadada séria na credibilidade do sisema financeiro português construída a partir da privatização da banca.
O que é inacreditável, mas não é caso único, é que a ex-ministra do PSD atribua esta situação apenas e somente ao Governo e ao partido que o sustenta. A crise resume-se ao processo de escolha da administração e à cosntatação de que "se trata da governamentalização do maior banco prvado português". As prácticas de gestão que levaram à situação do banco só "foram possíveis pela incompreensível distracção das entidades reguladoras" passando Manuela Ferreira Leite como "cão por vinha vindimada" pela responsabilidade dos accionistas de referência e dos gestores e esquecendo que muitos dos actos de gestão ocorreram quando era sua a responsabilidade nas finanças.
O cerne da questão é apenas ao aproveitamento do "Governo a favor do Partido que o apoia" da situação. E esta questão preocupa a dona Manuela porque o partido que apoia o Governo não é o seu. Porque senão outro galo cantaria. Não lhe causa qualquer estranheza a promiscuidade entre interesse público e privado e a promiscuidade entre accionistas que em teoria até são concorrentes. Não a incomoda o facto de o maior accionista acusar a instituição de batota e de apesar disso não tomar qualquer iniciativa para denunciar as ilegalidades. Acrescendo o facto de esse accionista ser o tal banco que o BCP queria opar. O problema pode ser em parte a sede de poder mas neste caso é sobretudo a imoralidade, a ganância e a absoluta falta de ética que caracterizam o nosso sector financeiro que não olha a meios para garantir os seus lucros cada vez maiores. O problema é que o Estado apareça sempre como um parceiro prestável ao serviço destes interesses e destes negócios . Inacreditável é que a senhora ex-ministra não entenda isto. Mas tal como em 2007, em 2008 e nos anos seguintes podemos esperar pela mesma inacreditável incompreensão de Manuela Ferreira Leite.

diz sobre a escolha da nova administração do BCP o ministro da presidência Pedro Silva Pereira querendo dizer com isso que o Governo nada tem a ver com a questão. Diz pouco e diz mal. Então o ministro não reparou que a "escolha dos accionistas" recaiu sobre o Presidente do maior banco Público que leva consigo um ou vários membros da mesma Administração? Então o ministro não reparou que em função da tal "escolha dos accionistas" o Governo terá que escolher uma nova administração para a Caixa?
O ministro quer tapar o sol com uma peneira. Quer remeter para o famigerado funcionamento normal do mercado tudo aquilo que se está a passar, eliminando de uma vez por todas as suspeições de tráfico de influências em todo este processo. Ora mercado neste domínio das finanças é coisa que não existe. Veja-se quão imperfeita era a informação disponível para os accionistas e sobretudo para os clientes do BCP sobre a situação real do banco. Veja-se como é debil e atrasada a intervenção das entidades reguladoras e, em último caso, do próprio poder político. Veja-se como são inexistentes as leis sobre incompatibilidades de gestores públicos sobretudo os que ocupam lugares mais importantes, estratégicos como gostam de dizer os políticos.
O ministro gostava de poder fazer coro com aqueles que acham que tudo isto se deve ver numa lógica PS-PSD em que aquilo que o PSD fez, ou terá feito, deve ser aquilo que o PS faz ou poderá fazer. Numa lógica de "uma mão lava a outra".
A crise do BCP veio pôr ainda mais em evidência a podridão que grassa na democracia portuguesa.

O banco da Opus Dei - o BCP - tem sido nos últimos dias uma fonte quase inesgotável de ensinamentos. Por exemplo ficámos a saber que a CMVM e o BP enquanto entidades com a função de supervisão e de regulação valem muito pouco ou nada. Actuam sempre mas... só depois das notícias sairem nos jornais. Até que isso suceda dormem a sono alto que é uma função auto-sustentável. Nenhuma das duas deu pelas irregularidades - para usar uma expressão benigna - que ao que se sabe eram uma práctica corrente no outrora insuspeito maior banco privado português. Fernando Ulrich chamou a essas prácticas BCPinas, batota. Ninguém o desmentiu ou processou. Podemos supor que era verdade o que ele afirmou.
Ficámos a saber que a Administração de um banco público - estratégico como os políticos costumam dizer - pode passar-se em parte para um banco privado, que daí não virá mal ao mundo. Afinal neste país o interesse dos privados - de alguns privados -não se confunde sempre e não costuma sempre capturar o interesse do Estado? Dizem alguns com muita ingenuidade que isso é bom para os privados. Pois é. A administração da CGD tem um conhecimento da estratégia da empresa e dos seus interesses e negócios que transporta para o seu novo local de trabalho e que usará em favor dos seus novos accionistas. Não deveria haver um período de nojo em situações desta natureza? Nojo é uma palavra que se utiliza pouco, embora não faltem motivos para isso.
Menezes mostra-se preocupado com tudo isto mas fica satisfeito se - como sempre aconteceu, diz ele - o Governo nomear um dos seus - do PSD, entenda-se - para a CGD. Fala-se de muita gente incluindo Dias Loureiro. Estará tudo doido? O loteamento dos lugares públicos entre os dois partidos é uma práctica instalada. Não é no entanto costume falar da coisa desta forma.... desbragada. Menezes não vai longe. Fala muito e faz pouco. Aconselha-se mais discrição.
Há quem condene esta prosmicuidade entre o público e o privado entre o stado e o capital financeiro. nada d enovo. O modelo de negócio da banca e a causa maior do seu sucesso está ou não ancorada em decisões políticas de fundo que só ao Estado compete?


Era uma mulher especial. Uma mulher que lutava por uma ideia para o seu País. Pode-se agora discutir e analisar quantas faces tinha afinal esta mulher, que isso manifestamente pouco importa. Tratava-se de uma mulher que mais uma vez voltara ao seu País para lutar pelo poder político mesmo sabendo que isso lhe poderia custar a vida. Como aliás lhe anunciaram no exacto momento da chegada e como o confirmaram hoje. Só alguns muito poucos são capazes de dispôr assim da vida apenas porque não querem parar de lutar por algo mais importante em que acreditam. Não estamos a falar de uma carreira política. Estamos a falar de algo que se pode pagar com a vida. Acresce o facto de ser uma bela mulher.

PS - O presidente do Paquistão está metido nisto até ao tutano. Os três dias de luto que decretou, com uma dose de cinismo muito grande, vão ser para ele dias de festa. Mas faça o que fizer está a prazo... curto.

A Vara já tinha sido bem cravada no coração do capital....público, lá bem no centro vital que é a Administração da Caixa Geral de Depósitos, local por excelência para se depositarem aqueles cujos amigos são os mais influentes a cada momento. Mas agora a coisa muda de figura. Estamos perante o coração do capital privado, o BCP, venerada instituição onde se juntam o sagrado e o profano, mais este do que aquele como se compreende por questões de pura economia, tombada às mãos dos socialistas ou melhor cravada pela Vara socialista.

Merry Little Christmas, Frank Sinatra

A crise do BCP afinal não era uma crise era um modo de vida. Um modo de vida que ao rigor, à transparência e ao respeito pelos direitos dos acionistas e dos clientes dizia muito pouco. O maior banco privado português afinal utilizava critérios de gestão que lhe permitiam perdoar dívidas de milhões a certas personagens, emprestar dinheiro sem qualquer critério e sem esforço visível para o recuperar a outras e envolver-se em negociatas de legalidade duvidosa para interferir na cotação das acções. Pelo meio pagava salários faraónicos aos seus administradores -tidos como gente muito competente - e mostrava-se implacável com os seus accionistas, aliciados para comprarem acções do próprio banco com recurso a empréstimos.
Bastou uma sucessão mal preparada, com uma escolha manifestamente incompetente (o escolhido tinha ambições que o escolhedor não podia adivinhar) para tudo se saber e, por detrás do luxo e da ostentação, emergir mal cheirosa toda a porcaria dissimulada ano após ano debaixo do tapete.
Dizem alguns que aquilo que se sabe deve-se sobretudo ao Berardo. Ao Banco de Portugal e à CMVM não será certamente, entidades que gozam de um decrédito completo junto da generalidade da população. O BP limita-se desajeitadamente a tentar dar instruções em nome do Governo e a impor a solução que o primeiro-ministro considera a melhor para os seus interesses, claro que devidamente apoiada pelos senhores accionistas na sua plena ....independência.
O capitalismo português se não fosse absolutamente trágico seria ridiculo. Governa-se à custa de um conluio estreito com o Estado - Menezes, completamente na lua, diz que quer acabar com o Estado, que é como quem diz acabar com a paparoca destes senhores - e, antes como agora, tem como supremo objectivo lotear o país por meia dúzia de famílias


"Faz hoje uma semana que o super-tanque "New Vision" sob bandeira francesa está pairando ao largo da nossa costa. Não gosto nada que um navio de tal tamanho ( 334 metros comprimento e 298.033 ton DW) e carregado com uma enorme quantidade de ramas de petróleo (cerca de 300 mil toneladas de Tipo 2 -Heavy Crude, de densidade superior a 0,9, uma autentica morraça, zurrapada de enxofre). De entre o que me inquieta na situação do navio, a primeira questão que pressuponho é que gravidade teve a avaria sofrida pelo navio para se deslocar tanto para sul, quando fazia a rota entre a Noruega e o Canadá. Ao sofrer a avaria não teria mais próximo abrigo a norte do Reino Unido ou da Irlanda? Ou das costas franceses sendo navio francês?
Se a avaria foi, como os media informam, uma falha na energia eléctrica aos equipamentos da proa porque não seguiu viagem até ao Canada e ai pedia auxílio, onde os há bastos e eficientes meios de salvamento?
A segunda questão é porque razão está o equipamento de manobra da proa - molinete guinchos - ao que nos relatam, sem energia? A energia primária vem da casa da máquina. Estão os cabos de alimentação cortados? Tem o navio quebras na sua estrutura de casco? Foi de facto alagado algum compartimento da proa? Como? Rotura do casco? Escotilha mal fechada ou avariada? Na proa este tipo de navios tem os geradores de energia de emergência para quando falha a da casa da máquina (incêndio, alagamento, etc. desta). Foi a emergência alagada?
A terceira inquietação é a de um navio daquela grandeza e quantidade de carga perigosa estar num mar onde a navegação é basta e constituir potencial perigo de abalroamento, tanto mais numa quadra do ano onde se "bebe" mais e dorme menos (é sabido de navios modernos e bem equipados que foram colidir com outros em pleno Atlântico, cujas consequências foram dramáticas expl: "City Of Lisbon" e "Stockolm". A maior parte dos acidentes ocorrem nos feriados, festas, etc. O ERIKA poluiu as costas de França a 24 Dez de 99. Portanto a situação é sempre a de um potencial alvo; tirem-no de lá depressa!
O navio é de casco duplo e nas colisões não perde facilmente produto mas mete mais água do que os de casco simples, e se já está alagado na proa a sua estabilidade pode ser agravada em tal situação. Pelas imagens me parece o navio já ter caimento a vante o que não é normal neste tipo e tamanho de navios, pelo contrário. o seu bom governo obriga a caimento a ré.
Hoje 22 Dezembro saiu de Sines, pela manhã, uma embarcação que levou uma equipe de peritos para avaliar a extensão dos danos e tentar um reparação de emergência.(porque não a faz a tripulação?) Se ao navio não se puder dar a autonomia para atracação - para largar os ferros o molinete não precisa de energia - deve ser aliviado ao largo (tal com se fez com o "Cercal" em Outubro de 94 numa operação de sucesso orientada pelo então responsável pelo plano Mar Limpo, ao largo de Leixões, em que este navio avariado - em piores condições, com rombo a verter - aliviou 85 mil toneladas da carga para outro navio que atracou ao costado.Tanto mais que pelas características do crude transportado me parece que o mesmo não poder ser refinado em Sines, o que obrigaria a haver (haverá?) uma capacidade livre de 300 mil ton.na tanquagem do parque para reter o produto durante o tempo da reparação final do navio. Mas não demorem muito nas resoluções: só teremos segurança das nossas águas quando o navio sair de lá. Aguardemos confiantes.Feliz Natal a todos"
Comandante Joaquim Silva

Last Christmas, Wham

O título deste post vai beber a um artigo de opinião do distinto economista Kenneth Rogoff, professor em Harvard e ex-economista chefe do FMI, publicado no Público do passado dia 14, cujo título era " Grandes fortunas, grandes disparidades". A tese que o senhor defendia era, basicamente, a de que as disparidades nos rendimentos são uma inevitabilidade e que em economia é muito improvável conseguir equilibrar eficiência com equidade. O artigo aproveita para apresentar algumas das soluções disponíveis para melhorar as coisas. Salientam-se a inevitável " abertura dos mercados" e a "reforma fiscal" que consistiria em não tributar as grandes fortunas . Escreve o senhor que a "globalização não é favorável à tributação da riqueza - lógica punitiva - e sim à adopção de uma "flat tax", isto é , um imposto único sobre o rendimento (ou, melhor ainda, sobre o consumo) que contemple a possibilidade de isenção.(...)". Perceberam?
A pensar nestas coisas da globalização, mas a partir de uma outra perspectiva, Joseph Stiglitz - um economista que os actuais líderes do PS não lêem - no seu último livro "Tornar eficaz a globalização" - edição da ASA, de Outubro de 2007 - escreve a dado passo: " A liberalização do mercado de capitais e do comércio eram dois componentes críticos de uma estrutura política mais ampla, conhecida como o Consenso de Washington (...). Realçava a racionalização do Estado, a desregulamentação e a rápida liberalização e privatização. Pelos primeiros anos do milénio, a confiança no Consenso de Washington começou a esgarçar (...). O Consenso tinha, por exemplo, dado uma atenção demasiado reduzida a questões de equidade, emprego e concorrência, ao ritmo e à sequência das reformas, o ao modo como as privatizações eram conduzidas.(...)"

Adenda: o tema das grandes fortunas, da iniquidade na distribuição dos rendimentos e da globalização, quer ela funcione quer não, são temas inequivocamente natalícios.

White Christmas, Bing Crosby

A decisão do Tribunal Constitucional de chumbar o diploma sobre vínculos e carreiras na Função Pública é uma boa e sábia decisão e uma clamorosa derrota política para o Governo. Toca a voltar a fazer o trabalho desta vez bem feito e a prestar atenção às críticas da oposição com humildade democrática, metendo na gaveta - ou no lixo - a arrogância socrática.

... reapareceu na televisão e no espaço mediático para prestar algumas declarações, depois de ter vindo testemunhar no processo Casa Pia. Ferro Rodrigues viu o seu nome atirado à lama neste processo sinistro e viu a sua liderança no PS liquidada. A prisão do seu colaborador Paulo Pedroso foi apenas o lado mais visível de uma estratégia que parece ter visado decapitar a liderança - exessivamente à esquerda, não era? - do maior partido da oposição. Passados cinco anos Ferro Rodrigues manifesta-se ainda mais indignado do que então, mas é evidente o seu ar conformado. O seu exílio dourado é a manifestação desse mesmo conformismo. O PS por si liderado era um pesadelo que assustava muita gente, incluindo muita e boa gente do PS. Um PS de esquerda era o que faltava, terão pensado alguns. E se pensaram melhor o fizeram.

PS - A bizarra decisão de Jorge Sampaio de nomear o menino guerreiro dando cobertura ao cavanço do incomparável Durão foi a outra contribuição para o fim da liderança de Ferro Rodrigues.

A acusação a Isaltino parece-me uma tremenda injustiça. Acusam o autarca de ter depositado quatro vezes aquilo que ganhou. Deviam era elogiá-lo publicamente para que o exemplo pudesse ser seguido. Isaltino é um poupado e leva a coisa tão a peito que consegue poupar mais do que aquilo que ganha. Quantos mais andarão por aí a poupar militantemente?

Driving home for Christmas, Chris Rea

Henrique Neto é um empresário raro entre os seus pares portugueses. Pela forma desassombrada como analisa a evolução do país e pela forma como ao longo dos anos deu mostra de uma grande independência relativamente às actuações do seu partido. Como se sabe isso custou-lhe não ter sido convidado a integrar a lista de deputados.
Recordo um debate público promovido pelo Grupo Parlamentar do PS, no tempo de Eduardo Ferro Rodrigues, sob o lema das “Novas Políticas para a Competitividade” e um em particular dedicado ao tema “Uma nova relação entre território, competitividade e acção pública” com a participação de João Ferrão, actual secretário de estado das cidades, e Raul Lopes, professor de economia no ISCTE e autor do livro ”Competitividade, Inovação e Territórios”. O debate que contou com a participação de muita gente teve em Henrique Neto um dos mais cépticos com a actuação final do Governo de Guterres, quando o ministro José Sócrates deu inicio aos programas Polis e a outras aventuras.
Quando escutei Henrique Neto esta semana, no programa da SIC Notícias "Negócios da Semana", recordei-me dessa sessão. Não sei quanto empresários existirão capazes de intervirem como ele o fez explicando porque razão a especulação imobiliária e fundiária – que permite a alguns acumularem fortunas gigantescas com muito pouco esforço e mérito - e a falta de uma política de solos são a principal razão para o sobreendividamento das famílias, uma situação dramática mesmo do ponto de vista da actividade económica normal. Ou criticar o modelo de desenvolvimento baseado no turismo e na mão-de-obra barata e sem direitos que sofreu grande estímulo com este governo e com os famigerados PIN.

é aquilo que anima alguns militantes socialistas que querem ainda mais um pequeno arranjo nas leis eleitorais para as autarquias. Desta vez querem impedir que os militantes de um qualquer partido se possam candidatar como independentes depois de se terem desfiliado, a menos que tenha passado um período de nojo (estou a citar). José Augusto de Carvalho, um cinzentão ex-secretário de estado da Administração Loca, afirmou, esclarecedor que : "corrido um determinado prazo percebe-se que essa candidatura já se desassociou da situação anterior(...)".
Ó Zé Augusto, qual será o período em questão? Nunca antes das próximas eleições? Pelo menos nunca antes de terem decorrido dez anos? Ou só depois de textes rigorosos, feitos por uma entidade credível e independente, mostrarem que o gajo está completamente desassociado?

Luís Campos e Cunha não aprecia minimamente as qualidades de José Sócrates nem a qualidade global do Governo (veja-se a conversa sobre o deserto que o rodeia). É o que se pode concluir da entrevista ao Expresso e da afirmação de que José Sócrates é o melhor primeiro-ministro dos últimos quatro anos. Como se sabe nos últimos quatro anos além de Sócrates governou também Pedro Santana Lopes e, até Julho de 2004, Durão Barroso. Falta saber se Luís Campos e Cunha inclui ou não, no período da comparação, a parte do consulado de Durão. Julgo que a intenção não era essa. A opinião que o ex-ministro das Finanças tem de Sócrates não chega a tanto. Aliás, a comparação com Santana Lopes, sempre resolvida favoravelmente ao actual primeiro-ministro, não é inédita. Recorde-se a que fez nas páginas do Público quando PSL assumiu a liderança da bancada parlamentar do PSD.

o final do mais belo filme alusivo ao espírito de Natal

"Remember, no man is a failure who has friends"

Dois anos depois do Live 8, 22 depois do Live Aid, o mapa social e político de África continua praticamente na mesma. Parece que toda a gente quer que essa situação se altere, mas nada. Talvez estas e outras iniciativas possam, momentaneamente, livrar-nos da vergonha de pensar que no século XXI, depois de tudo o que parece termos conquistado, ainda exista quem morra de fome e mais de metade da população mundial viva na mais absoluta miséria. Digam-me lá se não vos enjoa tantas Cimeiras e Tratados e reuniões “ao mais alto nível”. Qualquer miúdo de 10 anos perguntaria: mas afinal digam-me lá a verdadeira razão que impede que as coisas mudem? Sim, a verdadeira!

(U- BAd - Live Aid 1985)

Eu sei, já estamos fartos de ouvir falar sobre a Cimeira ou melhor sobre o folclore que envolveu a dita. Ainda assim, aconselho sobre a matéria a crónica de Ricardo Araújo Pereira "A diferença entre a cimeira e a baixaria" , que é aliás muito mais asseriva do que muitos telejornais dos últimos dias.

Transcrevo uma passagem: (...) "Quanto aos convidados, talvez haja dois ou três aspectos a melhorar. Estarão presentes na cimeira José Eduardo dos Santos, que é ditador em Angola desde 79; Kadhafi, que também mantém uma ditadura muito engraçada na Líbia desde o final dos anos sessenta; Teodoro Obiang Nguema, que dirige à bruta a Guiné Equatorial desde 79; e Robert Mugabe, o campeão dos direitos humanos no Zimbabué. Não sei quem é o responsável por não se ter convidado também o imperador Ming, o Lex Luthor, a Bruxa Má, o Darth Vader e o dr. Hannibal Lecter, mas o esquecimento é imperdoável. Uma oportunidade como esta para reunir à mesma mesa os principais vilões da História não deveria ter sido desperdiçada. Dizem--me muito bem de Mugabe, mas por muito que valha mais sozinho do que todos os criminosos do 007 juntos, julgo que teria sido simpático poder vê-lo à conversa com Ming, ou a espancar a Bruxa Má. Enfim, fica para a próxima. " (...)

O tipo de afirmações que José Miguel Júdice tem feito sobre o novo bastonário da ordem os advogados. O antigo bastonário não gostou do seu sucessor e agora não gosta nada deste. Mas as declarações são muito para lá do gostar ou não gostar, situam-se noutro campo. Segundo o Público de 8 de Dezembro JMJ acusou Marinho Pinto de ser um populista como Mussolini e Chávez.
Marinho Pinto tem ao que aprece um grande defeito para as elites da advocacia: não pertence a nenhuma das poderosas sociedades de advogados, fortemente imbrincadas com o poder político e desde sempre confortavelmente sentadas à mesa do Orçamento. Diz por outro lado algumas das verdades eternas que alguns querem, à viva força, deitar para o caixote do lixo da história. Uma delas foi a declaração, ao "Diga Lá Excelência", de que "quem faz leis não pode ter clientes privados". Não pode mas tem. Um dos grandes males que estão na origem da corrupção elevadíssima que mina a democracia no nosso país é exactamente esta promiscuidade entre o público e o privado. Para dar um exemplo na área do urbanismo - há centenas de casos pelo país fora - imagine-se alguém a fazer um Plano de Urbanização para uma auatqruia e a fazer os projectos ao mesmo tempo para um privado com interesses fundiários na zona...

Nos "Ladrões de Bicicletas" a referência à posição subscrita por trezentos e trinta e sete economistas europeus. Contra a fatalidade e o conformismo do fato único neoliberal por uma Europa solidária, justa, democrática.

Não como bolas de Berlim, embora goste muito da cidade que lhes dá o nome. Mas de cafés sou um feliz dependente. Não imagino passar pela provação de beber os meus cafés num recipiente de plástico. Que nojo.
A chávena de porcelana faz parte do ritual. Nem os copos de vidro eu suporto. Só as tradicionais chávenas.
Quanto às minhas imperiais é suposto serem bebidas em copo de vidro. Alguém no seu juízo perfeito é capaz de afirmar que uma boa imperial sabe à mesma coisa bebida num copo de plástico? E como se equilibra uma pessoa com um quase imaterial copo de plástico na mão? Como se adquire o equilíbrio corporal e se compõe a auto-estima com uma porra de um copo de plástico na mão? Mas que pimbalhada é esta?
Vem isto a propósito da presumida nova camapanha da ASAE contra os costumes, pela higiene e pela nossa segurança segundo a douta opinião deles. Alguém colocou uma petição no ar e embora a ASAE diga que não está previsto fazer nada disto é sempre bom tomar cautelas antes que eles se aventurem e se introduzam por outros sítios, dos nossos pouco higiénicos e saudáveis costumes, ainda agora não imaginados.

Do they know it's christmas - Live Aid - 1985 Londres


Pintura de Menez (1926-1995)
"O português é indeciso e inquieto, como as nuvens em que as suas montanhas se continuam e as ondas em que as suas campinas se prolongam ".
Teixeira de Pascoaes

pensará José Sócrates que, confrontado com as críticas à sua governação pouco socialista ou social-democrata, remata tranquilo: "nenhum outro Governo português tinha legislado de forma tão progressista".
A vida está dura, a precaridade no emprego aumenta e o desemprego idem aspas, a desigualdade social cresce, a parte do rendimento disponível após o pagamento das obrigações diminui, a idade da reforma aumenta, mas o que é isso em comparação com a legislação progressista que o Governo publicou?

É desta forma que Mário Soares remata o artigo desta semana na Visão. Numa antevisão de 2008, em que tenta dar um panorama do que irá acontecer pelo mundo fora no ano que se avizinha, Soares não resiste a voltar à base para, mais uma vez, dar um recado a sócrates. Escreve o velho socialista: " (...) Há que acautelar o desgaste social, que retomar o diálogo sindical. Que, passada a euforia natalícia, se faça baixar o ambiente de crispação e pessimismo que está a instalar-se. Para podermos fazer frente - em paz e progresso - ao que aí vem. Quem avisa, caros amigos socialistas, vosso amigo é..."


Pablo Picasso ( 1881-1973). Brooding Woman (1904). © 2007 Estate of Pablo Picasso /ARS, New York - Musem of Modern Art

Na véspera de não partir nunca
Ao menos não há que arrumar malas
Nem que fazer planos em papel,
Com acompanhamento involuntário de esquecimentos,
Para o partir ainda livre do dia seguinte.
Não há que fazer nada
Na véspera de não partir nunca.
Grande sossego de já não haver sequer de que ter sossego!
Grande tranqüilidade a que nem sabe encolher ombros
Por isto tudo, ter pensado o tudo
É o ter chegado deliberadamente a nada.
Grande alegria de não ter precisão de ser alegre,
Como uma oportunidade virada do avesso.
Há quantas vezes vivo
A vida vegetativa do pensamento!
Todos os dias sine linea
Sossego, sim, sossego...
Grande tranqüilidade...
Que repouso, depois de tantas viagens, físicas e psíquicas!
Que prazer olhar para as malas fítando como para nada!
Dormita, alma, dormita!
Aproveita, dormita!
Dormita!
É pouco o tempo que tens! Dormita!
É a véspera de não partir nunca!
Álvaro de Campos

How many sorrows
Do you try to hide
In a world of illusion
That's covering your mind?
I'll show you something good
Oh I'll show you something good.
When you open your mind
You'll discover the sign
That there's something
You're longing to find...

The miracle of love
Will take away your pain
When the miracle of love
Comes your way again.

Cruel is the night
That covers up your fears.
Tender is the one
That wipes away your tears.
There must be a bitter breeze
To make you sting so viciously -
They say the greatest coward
Can hurt the most ferociously.
But I'll show you something good.
Oh I'll show you something good.
If you open your heart
You can make a new start
When your crumbling world falls apart.

The Miracle of Love - Eurythmics

A CGTP do Litoral Alentejano promove um debate sobre "Reformas e pré-reformas. Alterações à lei e suas consequências. Que direitos de cidadania?" Este debate, que terá lugar na Biblioteca Municipal de Santo-André no próximo dia 7 às 18h, contará com a presença da especialista Maria Carmo Tavares, membro da Comissão Executiva da CGTP.

A manchete do Público de ontem tem feito as delícias dos comentadores. A direcção editorial já veio explicar as razões deste erro crasso. Do meu ponto de vista o que se passou é que tão convencida estava a direcção da vitória de Chávez e de todos os males que daí vinham - e vinham alguns, não de somenos - que confundiu a realidade com os seus desejos, uma clássica crise de subjectivismo. Dir-se-á que não faz sentido referir o este desejo do Público exactamente o jornal que mais alerta para todos os males, reais e imaginários, do chavismo. Mas isso acontece muitas vezes: constrói-se um discurso e depois dá muito pouco jeito que a realidade não o confirme. Veja-se o trabalho de hoje no mesmo jornal. Enfatiza-se o carácter provisório desta derrota de Chávez recorrendo ao "por enquanto" que terá sido utilizado por ele - eu apenas escutei Chávez a reconhecer a derrota e a manifestar respeito pela actual constituição - e refere-se, expressamente, a "outra tentaiva de golpe" do Presidente venezuelano. Podemos pois concluir que caso Chávez tivesse ganho teria sido um golpe mas como perdeu foi uma vitória da democracia. São muito sectários estes critérios de análise.
Importante afinal é reconhecer que 3 milhões de venezuelanos que votaram em Chávez não estiveram agora do seu lado. Querem as suas políticas mas não o querem eternamente no poder. Escolheram e disseram não, uma prerrogativa apenas disponível nas democracias.

Não foi assim que respondeu Manuel Pinho. Aliás, Manuel Pinho não respondeu ou fez qualquer comentário sobre o anúncio do desemprego crescente e sobre a subida de 0,7% na taxa de desemprego relativamente ao periodo homólogo do ano anterior. Manuel Pinho estava cansado depois de tantas horas de reunião. Os jornalistas não sabem que ser ministro dá muito trabalho.

O título deste post podia ser: Afinal o Mário Lino aguenta-se. As declarações de Nunes Correia de que a decisão sobre a localização do aeroporto é dele, parece ser um bom pretexto para uma sua próxima saída do Governo. Era o que faltava Sócrates permitir este tipo de veleidades a um ministro. Mário Lino com o seu savoir fair veio logo esclarecer que a decisão é do Governo. Não queriam que o homem afirmasse que era do primeiro-ministro, soava a subserviência a mais.

Na crónica de hoje de Rui Tavares no Público, uma análise de algumas questões suscitadas pela governação de esquerda, a partir da opinião de Ana Benvente, aqui referida.

O eurodeputado do PSD liderou uma comissão de observadores da UE ao referendo na Venezuela. O jornalistas da Antena Um procuraram saber como tinha corrido o processo. Silva Peneda respondeu com uma declaração política a indicar as conclusões políticas que Chavez deveria retirar do resultado, que mais parecia a do líder da oposição venezuelana à reforma. Um despropósito completo. Não se percebe a estranheza de Silva Peneda com a natureza dos crachás que lhe distribuíram os venezuelanos.
Emocionantes as referências do homem à natureza do povo e às características pacíficas da sociedade venezuelana. Claro que isso não contempla as tentativas de derrube de Chavéz pela força, que Silva Peneda é parcial mas não é parvo.

Cháves perdeu o referendo. O processo eleitoral decorreu com normalidade e os observadores não detectaram razões para grandes críticas. Cháves declarou ir respeitar a vontade popular.
Este resultado, quer-me parecer, é também fruto da clara opção de parte significativa dos apoiantes de Chávez de impedir a deriva autoritária que estava por detrás das suas propostas.

PS1 - Não se confirmam duas coisas: 1) a participação excepcional que todos vaticinavam. Quase 40% de abstenções desmentem esse cenário 2) Cháves foi a votos e perdeu. A fazer fé nos adversários do Presidente isso era impossível face ao controlo terrífico exercido pelo poder. Não era.

O artigo de opinião de Ana Benavente, hoje no Público, em que expressa o seu decontentamento com a actuação - pouco socialista - do actual Governo. Cito: "Não sou certamente a única socialista descontente com os tempos que vivemos e com o actual governo.(...) Em política não há divórcios. Há afastamentos. Não me revejo neste partido calado e reverente que não tem, segundo os jornais, uma única pergunta a fazer ao secretário-geral na última comissão política. Uma parte dos seus actuais dirigentes são tão socialistas como qualquer neoliberal.(...) Para resolver o défice das contas públicas teria sido necessário adoptar as políticas económicas e sociais e a atitude governativa fechada e arrogante que temos vivido?. (...) Teria sido necessário aumentar as diferenças entre ricos e pobres? criar mais desemprego? Enviar a GNR contra grevistas no seu direito constitucional? Penalizar as pequenas reformas com impostos? Criar tanto desacerto na jstiça?(...)"

A hipótese de que Manuel Pinho é remodelável, pela sua suposta ou manifesta inabilidade, releva da pura incapacidade para analisar a realidade com rigor. Eu acho mesmo que estamos mais próximos de uma remodelação em que Manuel Pinho acumule a pasta da Economia com a pasta do Ambiente e das Cidades. Aliás, é nas áreas supostamente tuteladas por Nunes Correia que se pode ver a extrema eficácia e o apuro de forma de Manuel Pinho. Se este é o Governo dos PIN, da maior mudança de uso do solo rústico para urbano da história da democracia e aquele sob cuja vigência todas as mais -valias simples podem ser capturadas, desde que os promotores tenham uma qualidade superior a 50 milhões de euros, isso deve-se sobretudo ao ministro da Economia. Claro que com a benção do primeiro-ministro ou pensavam que era apenas obra e graça do espírito santo?

... acha que a hipótese Alcochete é uma hipótese credível para a localização do novo aeroporto. Estou completamente de acordo com ele. Por essa razão,se a minha opinião contasse adiava a sua - hipotética - remodelação mais uns meses até a decisão estar definitivamente tomada. Quanto ao resto não encontro uma única boa razão para manter Nunes Correia no Governo. Sócrates -que terá sido o melhor ministro o ambiente da democracia - não corre qualquer risco de perder esse lugar no ranking com o seu correligionário Nunes Correia. Pode-se remodelar mas espera-se pela decisão de Alcochete, pá.

Uma das estratégias tradicionais das oposições é pedir a remodelação dos Governos e apontar os ministros remodeláveis. Essa estratégia dá sempre bons resultados. Caso o primeiro-ministro acolha as sugestões da oposição ficará sempre identificado como alguém que governa a pedido. Se pelo contrário as ignorar - apesar de terem alguma razão de ser - acumulará o desgaste que um mau ministro representa e poderá ser acusado de arrogância e de insensibilidade às críticas da oposição.
Normalmente a oposição pode a cabeça de um dado ministro e suspira para que o primeiro-ministro nada faça.
Quando são os jornais a darem conta de um conjunto alargado de ministros que estão de saída, qual será o objectivo? Dar apenas uma notícia considerada credível antecipando-se à concorrência ou prolongar a vida útil de um ministro para lá do seu prazo de validade?

No domingo os venezuelanos vão decidir se apoiam ou rejeitam as pretensões do presidente Hugo Chavéz. Eu espero que rejeitem da mesma forma que espero que Hugo Chavéz continue a governar e que mantenha o essencial da sua política, que tem ajudado a diminuir a chocante pobreza e a combater a chocante captura dos rendimentos do petróleo por uma infima e poderosa minoria. Depois de Chavéz ver-se-á se o povo que se tem mobilizado para o reeleger sucessivamente, esse povo que parece ter voltado a acreditar que a política não tem que ser sempre conduzida contra os interesses da maioria mais desfavorecida, escolhe alguém que lhe suceda e sobretudo que defenda o mesmo tipo de linha política, sem os desnecessários, desvarios populistas.

Adenda: As últimas notícias da imprensa internacional dão conta de grandes manifestações quer a favor do apoio a Chavéz quer de recusa. Provavelmente a participação no referendo será enorme. Se assim for quem poderá contestar a legitimidade do resultado?
A sociedade dualista que existe na Venezuela não é obra de Chavéz. É o fruto amargo mas bem real de dezenas de anos de exploração impiedosa da maioria da população, algo insusceptível de fazer sequer tremer as supostas boas consciências que sobretudo abominam qualquer ideia de justiça social.


 

Pedra do Homem, 2007



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