Concordo com este post do Pedro Sales sobre a situação das "casinhas" de Lisboa. Só não percebo duas coisas: 1) porque razão ele se refere apenas aos jovens que gostariam de viver na Cidade. Os cidadãos que foram expulsos - prefiro sempre esta formulação - da cidade ou impedidos de lá habitarem, são jovens e menos jovens, no essencial são trabalhadores que todos os dias necessitam de se deslocar para a cidade para aí trabalharem. Que têm o direito de viver na cidade e de aí encontrarem uma habitação para arrendarem ou adquirirem a um preço compatível com o seu rendimento disponível. São todos os que consomem horas em filas, logo pela manhã e ao final do dia, num ritual massacrante que levou Léon Krier a afirmar, com rigor, que o urbanismo do movimento moderno transformou a vida nas cidades em algo insuportavelmente dispendioso em tempo de transporte; 2) Como é que o Pedro Sales chegou à conclusão que as 3200 casas em questão eram "o principal instrumento de que dispunha[ a câmara] para influenciar os preços do mercado e para chamar jovens em início de carreira, efectivamente necessitados de rendas controladas, para o centro da cidade".
Durante estes 30 anos em que sucessivas gestões camarárias - entre as quais todas as de esquerda - esvaziaram a cidade para níveis insustentáveis, como os actuais, existiram milhentas oportunidades para promover políticas públicas de habitação que escapassem à perversa dicotomia mercado-versus- habitação social (mais uns pozinhos dos custos controlados). Há muita gente que hoje fica de fora da habitação a custos controlados porque o seu nível derendimentos nãolhe permite aí chegar. Quem não conhece autarquias que com a simples introdução da obrigatoriedade de aquisição de uma garagem descontrolaram de tal maneira os preços ditos de custos controlados que orientaram as casas para os seus amigos, primos e familiares? E a venda do património do Estado existente na cidade de Lisboa que ainda agora decorre alegremente? E a venda do património do Estado que se fez ao longo de décadas ? E muitas outras iniciativas que permitissem quebrar este círculo vicioso em que o desenvolvimento urbano se faz a reboque dos interesses dos poderosos promotores imobiliários e contra os cidadãos. Um desenvolvimento urbano em que os cidadãos são encarados como consumidores e a cidade entendida como um produto.

Como será possível manter a vereadora Ana Sara Brito em funções? Que autoridade terá ela para introduzir critérios de transparência e de rigor na gestão dos pelouros da Habitação da autarquia? Porque será que as medidas mais simples e mais dignas são as mais dificieis de tomar? Porque não se demite a vereadora ou porque não a demite António Costa? Se ambos entendem que foi tudo normal porque razão não o assumem conjuntamente explicando-o à cidade e ao país?

Não estou certo que a ideia de Vital Moreira de bonificar transitoriamente os juros dos empréstimos para aquisição de casa própria das famílias com menores rendimentos seja a melhor solução para limitar os encargos que essas famílais suportam e que lhes consome uma cada vez maior parte do seu rendimento. Mas a solução não é certamente nada fazer e assisitir impávido e sereno à ruína de dezenas de milhares de famílias com a perda das suas casas e com a dissolução das respectivas famílias, com consequencias dramáticas a longo prazo.

Argumentar como aqui partindo do pressuposto de que os necessitados do apoio preconizado por VM são-no por força de uma sua irresponsabilidade, que por esta via seria premiada , é fruto, além de um elevado cinismo, de uma completa desonestidade intelectual. Ou talvez não seja mais do que uma manifestação de uma profunda ignorância sobre esta questão. Não será ignorante quem acha que em Portugal nos últimos 20 anos a compra de casa se colocou no campo das opções que cada um toma de per si, livremente; quem acha que quem optou por comprar casa tinha sempre a opção de arrendar casa; quem não sabe que o empréstimo com juro variável já comia a totalidade do rendimento disponível e que essas pessoas não tinham condições económicas para optar, livremente, por taxas de juro fixo; quem acha que a opção entre habitar em casa própria ou permanecer na casa dos pais, dependia apenas e só de se querer ser solidário, ou não, para com eles; quem acha que a proposta de VM beneficiaria os que ficaram com uma dívida avultada por terem adquirido uma casa gande situada numa rua boa e cara em detrimento daqueles que decidiram ir morar num bairro mais baratinho, não sabe em que País vive e daquilo de que está a falar.

Portugal tem uma das maiores taxas de proprietários da UE e na relação nº de proprietários(75%) / PIB per capita, a mais desiquilibrada de todas. Portugal é o país da Europa em que o mercado de arrendamento tem menor expressão, podendo mesmo falar-se em inexistência desse importante mercado o que faz com que a compra da casa se coloque no campo das puras inevitabilidades. Quem compra casa, sobretudo aqueles que são mais afectados pela actual situação, não tinha condições para ficar a viver em casa dos pais, porque, entre outras razões, eram paupérrimas as suas condições de habitabilidade. Será que alguém desconhece a evolução verificada no parque habitacional nos últimos 30 anos?
Viver em casas grandes não se aplica aos portugueses, em particular aos necessitados de auxílio, pois Portugal é o país da UE em que a área útil de habitação por pessoa é a mais baixa dos países mais desenvolvidos e a mais baixa da Europa, menos de metade da Dinamarca, da Suécia e pouco mais de metade da área da Holanda ou da Alemanha. Estamos a falar em valores médios o que dá uma ideia assustadora do que se passa nos extractos mais baixos. Portugal é, aliás, o país da UE em que há mais tempo um maior número de famílias vive numa situação de "carência habitacional real". Eram 705 mil famílias nos Censos de 1991, continuaram a ser 748 mil famílias no censo de 2001.
Por isso acho que a proposta de VM faz todo o sentido para actuar numa situação de emergência. Existem outras medidas complementares que podem ser implementadas sempre com a perspectiva de ocorrer aos mais necessitados, limitando a voracidade, agora ampliada, dos bancos e controlando a variabilidade da taxa. Mas aquilo que faz mesmo falta é uma política de habitação em que o Estado passe a ter uma capacidade de determinar a oferta em função das necessidades da procura isto é das necessidades dos diferentes grupos sociais. Só se pode fazer com política urbanísticas que conjuguem o desenvolvimento urbano com políticas públicas de habitação e que obrigue os planos urbanísticos a concretizarem planos locais de habitação. Mas sem o controlo e a socialização das mais-valias urbanísticas não se conseguirá nada de relevante, apenas paliativos.

"Governo britânico vai nacionalizar banco Bradford & Bingley".
Quem dá o primeiro passo nacionalizando uma empresa, ou parte dela, que sendo próspera detenha uma tal posição na economia que lhe permita condicionar o desempenho da própria economia no seu conjunto. Penso em sectores estratégicos, pouco sujeitos à concocrrência externa, em que as políticas neoliberais seguidas permitiram diminuir a presença do Estado tornando-a residual.
Penso no sector dos combustíveis e em particular na GALP. Trocar a privatização dos restantes 7% pela renacionalização de uma posição de 50% num prazo curto. A preços do último negócio feito entre as partes.
Os eleitores em toda a Europa vão obrigar os partidos socialistas a tirarem a máscara atrás da qual se refugiaram durante décadas. Gordon Brown é a primeira vitíma: as intervenções do Estado não permitem ignorar que foram as suas omissões que conduziram à situação actual. Os ingleses não ignoram que são eles que estão a pagar os prejuízos das empresas e os proveitos obscenos dos que as geriam.
A política está de volta, mas a equação não se resolve com o regresso da política à la António Vitorino, com as partes a regressarem ao seu local de origem, a esquerda para um lado e a direita para o outro, como nos bailes antigos. É necessário discutir o papel do Estado e obter garantias de que uma vez no poder os partidos sociais-democratas ou do socialismo democrático não se limitam a executar a cartilha neoliberal como ainda agora fazem. Quem pode dar essas garantias?

uma proposta para ver em DVD: Atonement (2007)
baseado num romance de Ian McEwan, este filme é daqueles que nos deixam marcas na distância



Omnia vincit amor

Virgílio
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José Sócrates quer oferecer o resto da GALP - a parte ainda Pública - à família Amorim e à Sonangol. Quer oferecer porque foi José Sócrates e o seu Governo - o partido não sei se tem algum cois a ver com isto, pobrezito - quem escolheu a empresa que irá ficar com mais 7% da petrolífera. O Governo não aliena por hasta pública, o Governo escolhe o "herdeiro" para cujas mãos vai transferir os bens públicos. O Governo quer obter 860 milhões de euros para cumprir, apenas e só, os objectivos do Orçamento. Se os objectivos fossem inferiores o Governo vendia por menos. Dois anos antes o mesmo Governo vendeu parte da empresa - ficou apenas com 7% - com base numa avaliação que atribuía à GALP um valor de 5 mil milhões de euros. Passados dois anos a empresa estava avaliada em 10 mil milhões de euros. Muito trabalhou Américo Amorim em dois anos para um seu activo duplicar de valor desta forma. Quem quer enriquecer tem que fazer como ele, trabalhar muito a fazer bons negócios com o Governo, com todos os Governos e em particular com este Governo.
O BE propõe que seja impedida esta privatização ruinosa. E apresenta as contas sobre o que se ganha e o que se perde. Em particular o que esta operação significa do ponto de vista do controlo do défice público. A privatização anterior lesou o estado em mais de 1500 milhões de euros isto é mais de 1% do PIB. E esta, em quanto vai lesar o País. Será que os portugueses na sua maioria votariam favoravelmente a esta medida.
Do que fala José Sócrates quando fala de falta de controlo do Estado sobre a Economia? E de desregulação desenfreada? O mercado das matérias primas e da energia é ou não um mercado em que essas características da economia neo-liberal - desregulação desenfreada e minimização da intervenção do Estado, cuja última intervenção é normalmente para escolher quem ganha - mais se evidencia? O que separa o partido socialista português dos partidos mais à direita ou mais liberais nestas matérias?
Nesta altura concreta - a privatização de grande parte da GALP foi um erro brutal, apenas entendível por ser essa uma missão irrevogável dos nossos governantes - faz todo o sentido o País recuperar parte do poder que perdeu sobre a GALP. Talvez com base numa negociação feita com os valores de há dois anos. Será que os portugueses e os socialistas em particular concordariam.
Afinal, se não tivessem existido as nacionalizações em 1975, e as consequentes e muitas vezes ruinosas privatizações, como governariam desde há 10 anos ou mais o PS e o PSD o País?


Um actor enorme, um dos maiores e certamente o mais bonito de todos. Além do mundo das artes em que viveu era alguém atento ao mundo das outras pessoas e capaz de as ajudar. Fica para sempre na nossa memória.

O post de Ana Gomes sobre as equívocas posições de Bill Clinton nesta campanha americana. A potencial estratégia do quanto pior melhor para permitir o came back de Hillary em 2012 não é nada de novo. Usa-se e abusa-se deste tipo de estratégia nos partidos. O nosso passado recente está cheio deste tipo de pulhice que tem a vantagem de ser o tipo de crime do qual é impossível obter provas, apenas índicios.

PS - no post de Ana Gomes não estou apenas tão certo de que a estratégia de Bill não seja, afinal, uma estratégia do casal.

"Benfica derrota Sporting no derby com golos de Reyes e Sidnei" . O Sporting jogou aquilo que pode jogar com estes jogadores e este treinador: pouco. Uma equipa medrosa, recuada com três e quatro jogadores amontoados a fazerem passes de 3-4 metros. Uma equipa que chuta a bola da linha defensiva para um inexistente Djaló e cuja velocidade de cruzeiro é marcada por Rochemback, o lento.
Com jeito talvez ganhe a Taça e um joguito aqui e ali mas com esta "orientação" não vai a lado nenhum pelo menos a nenhum lado em que se conjugue jogar bom futebol, com ambição, com irreverência e com inconformismo. O Benfica quis ganhar o jogo e isso faz muita diferença, faz toda a diferença.

PS - só para os espíritos mais distraídos o resultado de ontem constituíu uma surpresa. Da mesma forma que uma evental derrota frente ao Porto não provocará o espanto.
Nas próximas semanas os sábios da SAD e os seus acólitos presentes no espaço público mediático irão fazer solenes declarações sobre a inevitabilidade de manter Bento à frente da equipa técnica o que aliás já fazem, tranquilamente, desde os tempos em que ainda pensavam.

Paul Newman (1925-2008)

"BE vai apresentar proposta para anular a privatização da Galp". A alienação da parte restante da GALP nos termos em que a operação está delineada é um desastre para o herário público. Os nossos governantes são especialistas nesta matéria da tansferência de bens públicos para mãos privadas. O senhor Amorim e outros amorins agradecem o empenho, a militância, dos nossos governantes. Mais tarde terão uns lugarzitos na administração de preferencia em lugares não excutivos não vá apetecer-lhes continuar a asneirar.
O BE peca por defeito: devia ter a coragem de propor a nacionalização de parte significativa da empresa, atendendo à sua reiterada práctica especulativa e às mais-valias brutais que os herdeiros da GALP já acumularam, sem qualquer mérito. Afinal não foi o senhor BUSH que acabou de nacionalizar empresas financeiras falidas. A receita só é boa quando se trata de resolver os problemas causados pelos brutais prejuízos?

Muitos ex-defensores do sacrossanto mercado têm mudado de agulha passando a defender a necessidade de regular os mercados e acusando mesmo os Estados, pasme-se, de terem fracassado nessa sua tarefa. Nalguns casos trata-se de uma mudança radical vendo-se mesmo ortodoxos do mercado infalível a recorrerem a Keynes para explicar a actual situação. Mas a ninguém tinha ocorrido a peregrina ideia de atribuir aos pobres a ocorrência da crise. Tinha que ser o historiador Rui Ramos na sua tribuna do Público - 17-09-2008 - a vir apresentar ao mundo a tese que Bush e os seus apaniguados ainda não tinham considerado. A crise, segundo ele, terá resultado do facto de os gananciosos - os que concedem crédito - terem admitido à "festa mais gente do que, segundo parece, aconselhava a prudência. Para ganhar dinheiro, claro, e não por altruísmo — e é por isso que muitos, para quem o motivo do lucro é um crime em si, se recusam a reconhecer o que tudo isto, no fundo, foi: uma democratização insustentável da riqueza. Donde veio o famoso subprime, a não ser dos mecanismos inventados para fazer chegar crédito àqueles a quem um banqueiro à antiga nunca teria dado uma hipoteca ou um cartão? Os poderes públicos ajudaram, com políticas monetárias generosas (sobretudo na América).A ganância não ficou por aqui. Os irresponsáveis transferiram os empregos que a maioria de nós já não queria para outras partes do mundo, onde foi possível manter baixos os preços do que nos apetece comprar. Assim, e contando com o Estado social para as demais necessidades, pudemos consumir roupa, electrodomésticos, férias e empréstimos sem pensar demasiado nos custos. As redes de balcões de crédito, os novos bairros, os centros comerciais, com os seus hipermercados e agências de viagem, eram só para os “ricos”? Caro leitor: se a proverbial hipocrisia de Baudelaire o não cegou completamente, sabe muito bem que não. Havia pobres? Havia, e não vou discutir se eram ou não “relativos”. Mas sem os gananciosos vai deixar de haver pobreza?Admitamos que tudo foi loucura. Como voltar aos eixos? O mercado, explicam-nos, não se corrige si próprio. Cabe aos funcionários públicos corrigi-lo. Eis uma ideia curiosa. Porque é precisamente o contrário que vemos: o mercado está a corrigir-se (daí os colapsos bancários), e a intervenção do Estado (do género a que o Tesouro americano finalmente se escusou no caso do Lehman Brothers) é desejada ou exigida precisamente para evitar essa correcção. A fim de poupar os “ricos”? Não: a fim de poupar os “pobres” que se habituaram a viver acima das suas possibilidades. Ou seja, espera-se que o Estado use o seu poder para conservar e garantir os resultados da irresponsabilidade e da ganância(...)".

A teoria de Rui Ramos, se a esse estatuto pode aspirar, é em síntese a de que sem os pobres e sem a loucura dos capitalistas gananciosos, e lá no fundo com o coração mole, lhes terem pretendido alimentar os vícios nada disto se teria passado. Quem reagiu a este despautério foi José Vítor Malheiros, o jornalista do Público, que no passado dia 23 escreveu um artigo cujo título era exactamente: "Subprime: a democratização do crédito?" Trata-se de uma resposta, sem nunca o citar, ao artigo de Rui Ramos.

"O subprime não surgiu devido a um fervor democrático ou um desejo igualitarista por parte dos bancos e de outras instituições de crédito de estender também aos mais pobres os benefícios do crédito de que apenas os ricos e os remediados tinham beneficiado durante séculos.O subprime surgiu porque um banqueiro um dia olhou para um gráfico dapopulação nos Estados Unidos e constatou que havia umas dezenas demilhões de pessoas que os bancos não estavam a espremer - apesar de,esporadicamente, estas pessoas terem uns dólares a mais no bolso e depossuírem as mesmas aspirações e desejos dos outros seres humanos: umacasa para morar, por exemplo.A questão era: por que razão extorquir apenas o dinheiro dos mais endinheirados? Porque não tentar sacar aqueles escassos dólares que se amontoavam nos bolsos dos mais pobres? Porque não ordenhar também os mais pobres (para usar uma expressão que os gestores apreciam, ainda que usualmente em inglês, to milk the costumers)? Afinal, aqueles dólares todos juntos representavam uma maquia apetecível. Havia o pequeno problema de estes clientes poderem não conseguir pagar, mas isso não era nada que uma taxa de juro mais elevada não pudesse compensar. Bastava cobrar aos mais pobres um juro mais alto de forma a obrigá-los a pagar, digamos, cinquenta por cento acima do que se cobrava aos mais abastados (sim, acima). Para mais, havia sempre a possibilidade de o banco retomar possessão da casa, caso a hipoteca não fosse paga. E assim se fez. É claro que este mercado (a eufemística expressão inglesa subprime significa “não é bife do lombo”) teve os seus problemas, revelando a Mortgage Bankers Association dos EUA, no final de 2007, que se verificavam sete vezes mais execuções de hipotecas neste segmento que nos restantes, mas o essencial foi conseguido: os pobres estavam a ficar realmente mais pobres e os dólares que lhes saíam dos bolsos estavam a entrar nos bolsos dos bancos. O segmento subprime estava finalmente a ser explorado.O problema foi que, como os bancos transaccionam estes empréstimos na bolsa e esta revelou um enorme apetite pela avalanche de hipotecas fresquinhas, os bancos entusiasmaram-se e começaram a emprestar a juros cada vez mais altos a quem não tinha emprego nem dinheiro, para comprar casas que não valiam nada. Como os bancos e os gestores eram avaliados (pelas bolsas e pelos seus accionistas) pelos resultados imediatos e não pelos efeitos de longo prazo, estas manobras foram uma bênção para o sector financeiro durante uns anos: havia mais“clientes”, mais “valor bolsista”. Mas o mercado imobiliário acabaria por cair e a catástrofe adiada aconteceu, dando origem à bola de neve que se conhece. A bomba acabou por estoirar no bolso do sistema financeiro. Dizer que a crise do subprime foi provocada pela “democratização do crédito” é não só falso como desonesto. O poder estava e continua a estar apenas de um dos lados da equação. Os pobres que conseguiram ir pagando a sua casa pagaram-na mais cara que os ricos (mesmo os que nunca falharam uma prestação) e muitos deles perderam simplesmente as suas prestações para os bolsos de gestores e accionistas dos bancos -e perderam as casas. Houve um robin dos bosquismo ao contrário e nenhum benefício para a economia. O facto de as coisas não terem resultado para os bancos - ainda que tenha resultado para muitos dos vilões -não faz deles as vítimas. E o facto de alguns indigentes terem tido crédito não torna o episódio “democrático” - é apenas um sinal da falta de escrúpulos das empresas envolvidas e da falta de controlos dosistema financeiro"

Colocada na ordem a evidente falácia que subjaz à análise de Rui Ramos a tese parecia ter morrido por ser de dificil defesa, tão evidentes eram as falsidades de que se alimentava. Mas não, hoje no Público José Manuel Fernandes volta em força a bater no ceguinho. Foram os pobres senhores, grita JMF, colocado pela homilia de RR perante a "explicação", para, em síntese, esclarecer os leitores que:
" Os detractores do "ultraliberalismo" americano não podem ignorar que o tipo de crédito de risco que está na origem da crise foi uma invenção do "quase socialista" Roosevelt. Para quê? Para ajudar os mais pobres a comprar casa por via da sua garantia por agências estatais."

Oh não, os pobres, outra vez os pobres. Sem esses malvados e sem a ideia peregrina de lhes alimentar os vícios como seria bom este mundo. RR revisitado.
Talvez devessemos recomendar a JMF que lesse JVM, e não apenas uma parte do que se escreve no seu jornal. E reflectir nas razões que levam os bancos, por si só e não por nenhuma recomendação ou disposição socialista como sugere, a alargar o crédito às camadas mais pobres - que JVM bem explica - e às condições em que o faz. E recomendar-lhe que faça um esforço para tentar perceber que o negócio do crédito à habitação é o maior negócio dos bancos portugueses -65% dos activos dos 5 maiores bancos portugueses em 2005 de acordo com o BP - sem o qual não existiriam. E que as pessoas que compram casa nas actuais condições o fazem num contexto de falta de alternativa, por demissão dos poderes públicos na defesa dos direitos constitucionais dos mais desfavorecidos, que apenas interessa à banca. Dizer-lhe que as pessoas em média pagam pelas casas mais do dobro do seu valor - num empréstimo a 30 anos, aumentando rapidamente sempre que se aumenta o prazo de amortização - que incorpora uma componente especulativa a que a banca não é estranha já que é ela que impera nos negócios especulativos associados ao mercado de solos e à captura das mais-valias simples por via das mudanças de uso. Por fim recomendar-lhe que estude (ou leia o que outros escreveram e estudaram) o que se passa noutros países europeus em que as políticas públicas de habitação tornam este "negócio" menos apetecível para a banca e mais amigo dos cidadãos. Países em que existe uma segmentação do mercado de habitação que se adapta aos diferentes grupos sócio-ecoómicos que existem na sociedade. Aquilo que os amigos do mercado classificariam como países em que existe equilíbrio entre a oferta e a procura porque a acção reguladora do Estado a isso conduz.

A evidência passou a ser uma palavra omnipresente na sociedade portuguesa. Temos que obter evidências e solicitar evidências por tudo e por nada. Evidentemente só as evidências comprovam ou atestam a evidência da coisa por mais evidente que ela seja. Não admira que esta cultura tenha contaminado a ASAE. Evidentememte que se a ASAE não tem evidências de que tenham entrado lotes de leite chinês, proibidos desde 2002 pela UE, somos forçados a concluir que esses lotes nunca entraram no solo pátrio. Bem pode o Público mostrar contentores de leite recolhidos em supermercados chineses que lá por isso a única evidência é a que ilumina os cérebros evidentemente priveligiados dos membros da ASAE. A menos que momentaneamente toldados pelo cheiro intenso dos enchidos e outras especiarias de que tenham andado a recolher evidências de que a curto prazo não mais existirão, estejam incapacitados de verem e reconhecerem mesmo aquilo que é evidente.


Navegador português, militou brilhantemente na Índia e na África. Descontente por não ter obtido de D. Manuel I uma recompensa a que se julgava com direito, foi oferecer os seus serviços a Carlos V, que lhe confiou uma frota de cinco caravelas. Em Setembro de 1519, seguiu Magalhães rumo ao Ocidente. Durante a viagem teve de subjugar várias revoltas das tripulações. Chegado à costa americana, foi navegando ao longo dela para o sul, depois de visitar o Rio de Janeiro; e assim descobriu a passagem interoceânica a que ficou ligado o seu nome: o estreito de Magalhães. A frota, reduzida a três caravelas, penetrou no Pacífico, descobriu as ilhas hoje denominadas Marianas e o arquipélago que depois se chamou das Filipinas. Aí foi morto Magalhães numa rixa com os indígenas, a quem pretendia converter ao cristianismo. O seu piloto Elcano conseguiu regressar à Europa com a única das caravelas que restava, a Vitória, completando assim a primeira viagem de circum-navegação que se efectuou no globo, mas cuja glória pertence a Femão de Magalhães (1480?-1521)

Be running up that road,
Be running up that hill,
Be running up that building.

Kate Bush - Running up that Hill

Apesar das críticas do seu partido ao protocolo de transferência de competências na área da educação - objecto de uma cerimónia de assinatura com o primeiro ministro na FIl, do tipo que a CDU costuma classificar como de pura propaganda do Governo - a Câmara de Sines destacou-se por ser uma das duas únicas camaras comunistas que acederam à chamada. A outa foi Nisa. Menos de um terço assinou e entre as que alinharam destaque para as autarquias lideradas pelo PS mas nem todas, com destaque para a câmara de Lisboa.
Consta que o autarca de Sines já foi chamado "lá acima" para receber os necessários correctivos. Anda o camarada Jerónimo a dizer uma coisa e andam estes camaradas a fazer o contrário.

Mário Soares, no seu artigo do DN, reflecte sobre os caminhos da esquerda reformista europeia a esquerda dos partidos que, tal como o seu PS, se reclamam do socialismo democrático seja isso lá o que for no actual contexto.
Fá-lo a partir da análise da situação mundial criada pelo descalabro do sistema financeiro internacional e pela derrocada do sistema liberal e da sua economia de casino. Soares constata que a nova ordem do sistema liberal é afinal privatizar os lucros e socializar os prejuízos num cinismo chocante com os responsáveis pelas crises a saírem com brutais indemnizações - o mérito de levarem as instituições á bancarrota a ser pago a peso de ouro - e as vítimas a sofrerem o desemprego, a perda das poupanças e as consequências do aumentxo do custo de vida por força da subida das taxas de juro. "Privatizam-se os lucros e socializam-se os prejuízos - essa parece ser agora a regra - sem se importarem com os prejuízos dos accionistas e as consequências que daí vão resultar no aumento em flecha do desemprego e na quebra intolerável do nível de vida das pessoas menos favorecidas. Como de costume, são os inocentes que mais sofrem. Porque os administradores e os gestores dos bancos e demais empresas - os responsáveis - saem a sorrir, com grandes indemnizações e chorudas reformas, com total impunidade"
Mas Soares parte esta análise para denunciar a perda de identidade e de importância dos diferentes projectos socialistas que emergiram na Europa dos anos 60 e 70 como projectos dinamizadores das transformações sociais e promotores de sociedades mais desenvolvidas e mais justas e solidárias com menores desigualdades sociais. Por força de submissão ao liberalismo e pelo afastamento da sua matriz original . "Se tivermos em conta a evolução - e o desnorte - dos partidos de Esquerda, nos grandes países europeus - o SPD, na Alemanha, o New Labour, no Reino Unido, os socialistas, em França, a "nova democracia", na Itália, para só citar os maiores - constatamos facilmente o declínio dos partidos que se reclamam da social-democracia, do trabalhismo, do socialismo democrático e da própria Internacional Socialista, cuja voz, hoje, quase deixou de se ouvir. (...) É preciso, pois, repensar a Esquerda reformista, na perspectiva de fazer face, com êxito, à crise e de encontrar outro modelo económico, social e político (no sentido do aprofundamento democrático e de uma maior participação cívica dos cidadãos) para dar um novo élan à Europa (paralisada), responder à angústia e ao pessimismo dos cidadãos, quanto ao futuro, reforçando a justiça social. Voltar aos valores éticos - que foram sempre bandeira da Esquerda -, ao civismo (contra o enfraquecimento dos Estados), contra as sociedades de mercado e dos negócios pouco transparentes, lutar contra a corrupção e o tráfico de influências. Voltar à militância em favor da paz e das negociações para resolver os conflitos, lutar contra a precariedade do trabalho, contra as desigualdades, a injusta distribuição dos rendimentos, pela inclusão social, contra a degradação do ambiente e pela ordenação do território" diz Soares.
Soares tenta dinamizar este debate no seu PS que não dá mostras de estar para aí virado. Espectáculo, isso sim, muito espectáculo, muita glorificação do chefe, muitas palmas poucas ou nenhumas ideias. Veja-se o caso de Guimarães, e da encenação à la Obama apenas e só para o autoelogio e a propaganda, sem nenhuma dúvida, sem nenhuma alternativa, apenas e só o mesmo rumo para parte incerta.

... que não dá uma boa imagem da DECO. Não abastecemos ao sábado, abastecemos quando? Eu necessito de ir a Lisboa no sábado. Abasteço na sexta ou corro o risco de ficar pelo caminho?
A forma de lidar com o roubo descarado não é esta. Passa por os consumidores fazerem pressão para que os poderes políticos controlem efectivamente os preços verificando se existe especulação e reprimindo-a. Passa por a ADC fazer o seu trabalho em vez de emitir comunicados patetas do tipo, "vamos já verificar se algua coisa correu mal". Para as petrolíferas tem corrido muito bem, hão-de concluir quando ninguém já se lembrar destes dias de fartar vilanagem.

Quando olho estas árvores, pergunto-me se antes de ti não foi a sua exuberante beleza que ficou? Ou se será que foi pela tua ausência que se guardam para sempre, assim douradas?
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The Rainmaker, 1956

"Aprendi com a Primavera a deixar-me cortar e voltar sempre inteira."

Cecília Meireles

"“Pai” do SNS questiona dignidade de médicos que trabalham para empresas de serviços." O que António Arnaut disse sobre as políticas do ministro Correia de Campos e sobre a dignidade de alguns médicos cai no campo das evidências. Todos percebemos que o velho socialista tem razão e que o seu partido à custa de tanta modernização já deixou o socialismo algures em parte incerta. O PS empresta um cunho liberal à intevenção do Estado pondo fim a pilares fundamentais do Estado Social como é o caso do SNS. A isso chama modernidade. Também sabemos que muitos médicos se comportam como meros mercenários mas, tal como ele reconhece, isso resulta sobretudo das opções políticas tomadas em particular do fim das carreiras médicas. Este tipo de discussões não cabe nas acções de propaganda que o PS organiza, agora que se travestiu, de partido político de esquerda, em agência de eventos modernos.

é este o título da crónica de Daniel Sampaio este domingo na Pública. Cito: "A assinalar o ínicio do ano lectivo, cerca de 20 membros do Governo distribuíram em escolas diplomas do 12º ano, numa operação de propaganda sem precedentes; e o Ministério da Educação (ME) reafirmou o seu desejo de premiar com 500 euros o melhor aluno de cada estabelecimento de ensino.(...) Quero deixar bem clara a minha posição: é muito bom que existam mais alunos a estudar e fico contente que aconteçam menos reprovações.(...) A questão essncial é outra.Interessa saber se a melhoria numérica se traduz por um aumento das competências dos estudantes, avaliadas de modo objectivo nos diversos contextos.(...) Quanto ao prémio de 500 euros (uma quantia conhecida por ser o símbolo da precariedadedo trabalho juvenil...), penso o seguinte: concordo que se introduza a questão do mérito, porque a ideia de uma "escola de afectos" - onde escrever com erros ou errar nas contas não tinha importância - não faz sentido, mas é preciso ser prudente quando se trabalha com jovens. Que valores se estão a transmitir? Que significa ser o "melhor" numa escola com várias culturas? As oportunidades para chegar ao topo foram comparáveis?(...) Ao distribuir cheques de 500 euros, o Governo premeia o "produto", em vez do de incentivar a pessoa. Estimula uma competição onde as regras não são iguais à partida. Gratifica o número do "resultado", sem olhar para o percurso. Em derradeira análise, elogia quem parece cortar a meta em primeiro lugar, sem olhar para os meios de que se serviu "o vencendor", nem para as vicissitudes dos "vencidos". E chamam a isto "educar"...."
Não se escreveu nada assim sobre a peregrina ideia de Sócrates e da sua ministra preferida de introduzir este prémio aos alunos que obtenham melhores resultados. Certamente na cabeça de Sócrates a desigualdade social não existe pois se assim fosse seriam outras as políticas do seu governo.

"Código do Trabalho aprovado com quatro deputados do PS contra".
Os quatro deputados socialistas que votaram contra o Código do Trabalho honraram o comromisso que estabeleceram com o eleitorado. Ficam aqui os nomes: Manuel Alegre, Teresa Portugal, Júlia Caré e Eugénia Alho.Dificilmente, com excepão de Manuel Alegre pelas razões óbvias, serão de novo candidatos a deputados.
O PS liderou o combate e a denuncia do Código do Trabalho de Bagão Félix. Agora, no poder, faz pior e em vez de rever o Código no sentido das críticas que fizera agrava ainda mais os aspectos que penalizam os trabalhadores, promovendo uma revisão encapotada da Constituição como corajosamente referiu Alegre. Uma tristeza.

PS- a rapaziada da JS apesar das posições correctas que assumem na questão do casamento dos homossexuais nestas matérias calam-se que nem ratos. Sabem que se falarem não conseguem orientar a vidinha. Também aqui Alegre tem razão.

Agora que com as alterações climáticas se sabe que um cada vez maior número de espécies desapareceu ou está em vias de desaparecer não deixa de ser reconfortante descobrir que em Portugal, por uma razão exógena é certo, a crise do capitalismo internacional - será que se pode chamar assim à crise dos mercados financeiros internacionais? - são cada vez mais aqueles que utilizam o seu lugar no espaço público para proclamarem coisas do estilo " eu sempre achei que o mercado auto-regulado não funcionava", aplaudindo as sucessivas intervenções dos Estados para salvar as empresas bancárias e seguradoras.
Entre estes há depois várias sub-espécies o que remete para um enorme potencial desta nova espécie e para a infindável capacidade de renovação da espécie humana. Existem os que sempre acharam que o mercado não funcionava sem a acção reguladora do Estado mas que, no entanto, como desde pequeninos sempre acharam, em simultâneo, que o Estado é a pior coisa à face da terra optaram por não dizer nada a ninguém , nem aos familiares mais chegados, com receio das consequências das suas palavras. Existem depois os outros que sempre proclamaram a sua fé inabalável na mão invisível mas que, lá no fundo, muito lá no fundo, como confessaram a uma tia surda que já morreu e que se interessava muito pelas questões económicas e até era de esquerda, calcule-se, sentiam sempre uma nostalgia pela falta de intervenção reguladora do Estado, mas não sabiam bem em que sentido ia acontecer essa intervenção. Esses respiram agora de alívio estando claro que o Estado intervêm para socializar os prejuízos tendo-se abstido antes de intervir para socializar a riqueza produzida. Identificam-se com um Estado assim e se isso for o socialismo não receiam que lhes chamem socialistas.
Existem depois os outros que por puro narcisismo batem palmas à intervenção dos Estados porque percebem que essa intervenção é a expressão de que o Estado que construiram está preparado para intervir sempre que os interesses dos mais poderosos estiverem em causa. Tal como sempre sonharam. São narcisos mas não de carácter contemplativo aproximando-se das prácticas onanistas, tão habituados que estão a meterem as mãos nos bolsos da rapaziada.

"Autoridade da Concorrência tem defendido o "statu quo". quem o diz é o gestor da petrolífera da Gulbenkian que respondeu a três perguntas fundamentais feitas pela jornalista Lurdes Ferreira. Cito algumas das respostas: "(...) Por parte da Autoridade da Concorrência (AdC), a sua atitude perante a Assembleia da República tem sido a de justificação do statu quo e de mexer o menos possível.(...) A AdC teve uma intervenção ineficaz, não funciona. O trabalho de acompanhamento do sector dos combustíveis tem de ser feito dia-a-dia. A regulação das actividades económicas e financeiras tem de ser repensada. A mão invisível de Adam Smith, afinal, não está lá, a auto-regulação conduz a muitos problemas. [ pois é, estamos no domínio da auto-regulação, no domínio da cartelização pura e durao]. (...) Também a taxa Robin dos Bosques [proposta pelo Governo] é um erro tremendo, ao mexer na estabilidade fiscal. [trata-se de uma medida que, como diz Francisco Louçã, legaliza a especulação] Em situações de grande volatilidade, os efeitos pós-imposto podem ser contrários e as receitas menores. É uma medida para ter impacto político, mas é um erro técnico grosseiro.(...) Se a janela de três dias [período de tempo de referência em relação ao mercado internacional que as petrolíferas passaram a usar para actualizar os preços em Portugal] era válida para a subida, também tem de o ser para a descida. (...) Se tomarmos o índice Platts [de produtos refinados, que serve de referência para a fixação de preços ao consumidor], verificamos que os preços portugueses aumentam o seu diferencial de ano para ano. Em 2007, era de 13 cêntimos a mais no gasóleo e 10 cêntimos na gasolina. Este ano, vai respectivamente em 16 e 14 cêntimos."

Corridors, Nuno Cera, 2002
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Primeiro,
nenhum sentimento me doía.


Depois
fui sentido a dor.

Agora,
dói-me sentir.

Ser novo
é estar longe de tudo
e tocar o que se sonha.

Ter idades
é estar perto de tudo
e não tocar
senão esse turvo espelho: saudades.



Mia Couto, Maputo, 2005



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"Combustíveis: Autoridade da Concorrência avança com análise aprofundada". Óh snr. Sebastião, então as outras análises não eram aprofundadas? Eram o quê? Superficiais?
Desculpe lá o que raio quer dizer esta frase, "A entidade não deixará de actuar atempadamente, fazendo uso da sua competência sancionatória, se verificar a existência de práticas anómalas ou factores que afectem a concorrência do mercado".
Da sua competência sancionatória? Quer dizer que as empresas vão pagar - na pior das hipóteses - uns trocos em troca de terem retido um terço da redução do preço dos combustíveis nos mercados internacionais?
Porque será que não passamos a votar para os conselhos de administração das gasolineiras e dos bancos passsando estes depois a nomear os governos?

O post de Eduardo Pitta, no da Literatura, sobre a destruição dos painéis de azulejo das estações do Metro, da autoria de Maria Keil .

"Sócrates diz que voltou o sonho de Sines como potência petroquímica mundial".
Sócrates veio a Sines anunciar um regresso ao passado ou melhor aos mais megalómanos projectos do passado em particular dos finais do salazarismo.
Passados trinta anos de aprendizagem democrática, com os sucessivos avanços e recuos das sucessivas megalomanias, depois de um Governo - liderado por António Guterres - ter reaquacionado a importância estratégica do polo industrial-portuário de Sines no contexto do desenvolvimento nacional e regional , Sócrates mostra que não percebeu nada, limitando-se a repetir e a incentivar a velha e relha fórmula da potência petroquímica. Passados quase cinquenta anos de ter nascido a ideia do Complexo de Sines afinal descobre-se que o mundo não mudou e que o paradigma do desenvolvimento permanece imutável.
Lamentável que uma ocasião desta natureza não tenha permitido ao primeiro-ministro uma referência clara às questões ambientais e de saúde pública.

Sporting dá uma ajuda a Guardiola. O Sporting não passa a primeira fase da Liga dos Campeões. Eis um prognóstico antes dos jogos que os jogos só podem confirmar.
O jogo em Barcelona foi mais uma oportunidade que Paulo Bento não desperdiçou para mostrar que uma equipa medrosa perde sempre ou quase sempre.
O Sporting da primeira parte parecia uma equipa da 4ª divisão europeia indigna de disputar uma competição deste nível. Na segunda parte logo que a coisa melhorou - com a entrada de Miguel Veloso - Paulo Bento interviu remetendo tudo à normalidade. Mandou Veloso para lateral, fez entrar Pereirinha - Ismailov tinha saído do jogo meia-hora antes mas Paulo Bento acha que o russo protege como ninguém "o espaço interior" coisa a que os desatentos jogadores do Barça não prestaram qualquer atenção - e colocou a equipa no seu nível habitual, incapaz de trocar a bola entre quatro ou cinco jogadores sem a perder.
Perdeu por três mas podia ter perdido por seis ou sete e nem o facto de o Barcelona estar em crise permite a este Sporting ter qualquer expectativa de somar um pontito que seja no confronto com os blaugrana.



Juan Antonio: I am Juan Antonio. And you are?...
Cristina: Cristina. And this is my friend Vicky.
Juan Antonio: I'd like to invite you both to spend the weekend. We'll eat well, we'll drink good wine, we'll make love...
Vicky: Who, who exactly is going to make love?
Juan Antonio: Hopefully, the three of us.



Mesmo depois das desilusões que foram os seus últimos filmes - dos quais gostei, refira-se -, ele ainda consegue que este seja "o novo de Woody Allen" e não "o novo de Scarlett Johansson" (ou de Javier Barden ou de Penélope Cruz). Passa-se aqui ao lado e espera-se que chegue depressa. Teremos um Almodóvar neurótico?

O CEO da GALP, Engº Ferreira de Oliveira, anunciou hoje, na sessão comemorativa dos 30 anos da Refinaria de Sines, que a GALP apoia a recandidatura de Manuel Coelho para a câmara de Sines.
Fê-lo através da divulgação de uma oferta de 6 milhões de euros à autarquia para financiar a cidade desportiva, acompanhado de um rasgado elogio à capacidade "negociadora" do autarca da CDU. Faltou ao CEO da GALP referir o outro lado da moeda: a insuperável capacidade do autarca para se calar quando se trata de defender os interesses da população e criticar as agressões ambientais e a falta de respeito perla saúde pública. Desde que paguem, como ele referiu salientando com mágoa a omissão da Borealis e de outros que agridem mas não pagam, as coisas são aceitáveis.
Atendendo às avultadas isenções fiscais obtidas pela GALP - 150 milhões de euros na ampliação da unidade, mais de 1 milhão de euros por posto de trabalho criado - será ilegítimo considerar que este financiamento foi feito com o dinheiro dos contribuintes? Atendendo a que a participação da GALP no processo GISA é de 300 mil euros será ilegítimo considerar que estão a gozar connosco?
Este investimento é um investimento "estruturante" já que vai permitir libertar os terrenos agora utilizados pelo estádio municipal para serem urbanizados. Adivinham-se muitos milhões é disto que se alimenta e se constitui o "projecto" que o autarca quer concluir antes que se acabe.

PS - será possível manter muito mais tempo esta situação em que as relações entre estas empresas e as autarquias se pautam por pessoalismos e por avaliações pessoais dos CEO´s relativamene aos autarcas? Ou temos que evoluir para relações institucionais em que as comparticipações das empresas são fixadas por lei e não podem ser encaradas como contrapartidas para atitudes de subserviência e de cumplicidade para com os interesses dos accionistas das mesmas?

Cheira mal que se farta esta noite, a esta hora, em Sines. É o famoso cheiro da Petrogal. Deve ser a forma mais apropriada que encontraram para comemorar os 30 anos da refinaria da Galp em Sines. Afinal faz anos que tudo mudou. Faz anos que se instalou o mais descarado e prepotente desrespeito pelos direitos dos cidadãos que aqui vivem. Desrespeito apoiado num poder económico tremendo capaz de calar tudo e todos.
Trinta anos a poluir!
Trinta anos a degradar o ambiente e a saúde pública!
Trina anos a arrastar os pés(*) na prevenção da poluição!
Trinta anos a colocar o nome de Sines nos rankings europeus das cidades com industrias mais poluentes!
Trinta anos a comprar o silêncio e a conivência dos autarcas!

(*) - tomo de empréstimo a expressão de um então jovem ministro do ambiente, agora primeiro-ministro, à data em que aplicou uma multa à Petrogal.

Plástica, no sentido literal do termo, descartável, mas, ... durável, muito durável.

Something in the way you love me won't let me be
I don't want to be your prisoner so baby won't you set me free
Stop playin' with my heart
Finish what you start
When you make my love come down
If you want me let me know
Baby, let it show
Honey, don't you fool around ...

Madonna - Borderline, 1984



Claude Monet, Prairie à Bezons, 1874
óleo s/tela, 57 x 80 cm
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Portugal jogou um futebol agradável mas perdeu em casa com a Dinamarca. Portugal não jogou bem, porque nos aspectos defensivos do jogo revelou debilidades inesperadas e dessa forma foi incapaz de segurar, duas vezes, a vantagem de que dispunha.
Porque será que Portugal perdeu se durante a maior parte do jogo apresentou um futebol tão agradável? As explicações são complexas e não adianta simplificá-las à força, como faz Bruno Prata hoje no Público, resumindo tudo à falta de altura de João Moutinho e ao disparate da sua entrada, aos 87 m, em vez do por ele tão desejado Bruno Alves.
Eu acho que Carlos Queiroz se enganou quando colocou Raul Meireles e Maniche na equipa inicial. Sou dos que pensam que Moutinho é indiscutível nesta selecção. Um dos raros. Não me parece que qualquer um dos outros lá tenha lugar como titular, embora Maniche tenha feito um bom jogo. Lembrei-me várias vezes de Moutinho quando o meio-campo tinha rebentado e estava resumido a Deco - Meireles e Maniche assistiam às cavalgadas dos dinamarqueses. O futebol não se vê ao metro mesmo que se trate de metros de altura.
Depois Simão, que não deu uma para a caixa, jogou tempo de mais. Danny estava no banco e devia ter entrado mais cedo porque é um jogador capaz de pegar no jogo e podia ser um precioso auxiliar para Deco.
No final quando estavamos a ganhar fomos incapazes de segurar a bola e de a trocar entre os jogadores.
Quase não se fala do frango de Quim que marcou a viragem do jogo. Enorme frango. Quim é um grande guarda-redes, o melhor que cá temos, e a selecção fica bem entregue depois do reinado de Ricardo, mas espanta que a mesma fúria crítica relativamente ao anterior titular não se aplique ao actual. A justiça e a isenção não abundam no jornalismo desportivo excessivamente conotado clubisticamente sem a qualidade e a isenção que já fizeram escola.

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"Muitas vezes não procuramos razões para fazer o que fazemos, mas desculpas."

Somerset Maugham
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No número de Setembro do Le Monde Diplomatique continua-se um conjunto de "abordagens críticas regulares às várias dimensões das desigualdades na sociedade portuguesa" que tinham sido inauguradas em Agosto com uma recensão de Renato Carmo.
Neste número cabe a vez ao economista Carlos Farinha Rodrigues, autor do trabalho "Distribuição do Rendimento, Desigualdade e Pobreza -Portugal nos Anos 90" de reflectir sobre a desigualdad eeconómca em Portugal. A não perder. Cito: " Portugal é o segundo país com maior nível de desigualdade na União Europeia, apenas suplantado pela Letónia. O índice de GINI assume um valor de 0,38, bem acima da União Europeia, que é de 0,30. Se em vez do índice de Gini utilizarmos o indicador S80/S20, a posição relativa de Portugal não se altera. O rácio entre a proporção do rendimento auferido pelos 20% mais ricos e os 20% mais pobres é de 6,8 enquanto a média da União Europeia é de 4,8."
No mesmo artigo são fornecidos dados relativos à proporção do Rendimento Total auferida pelo quintis da população. assim o quintil correspondente aos 20% mais ricos mantêm-se estáveis auferindo em 1994, 42,7 % do rendimento total e em 2005, 42,8 desse rendimento. Quanto ao quintil mais pobre não passa da cepa torta vendo os seus rendimentos variarem no mesmo período entre 7,4 % e 7,7 % desse mesmo rendimento. Durante este período tivemos maioritariamente governos socialistas eleitos com o voto predominantemente da esquerda o que dá que pensar.
Outra conclusão que estes dados nos permite tirar é a de que a sociedade que temos estado a construir tem um modelo que nos seus traços essenciais permanece estável. Alguém se poderá surpreender se dissermos que a desigualdade social é uma das amrcas desta sociedade que temos estado a construir?.

"US takes control of Fannie and Freddie".
Com a crise no subprime a arrastar as economia mundiais para o descalabro e com milhões de famílias a sofrerem as agruras do desemprego, da perda de poder de compra e da perda das suas habitações, o governo dos EU deitou fora a cartilha neoliberal e resolveu assumir o papel do estado na gestão da economia. Pela via do costume: ajudar os poderosos neste caso nacionalizando duas empresas maiores do crédito imobiliário dos EU. Injectando qualquer coisa como 200.000 milhões de dólares de fundos públicos nessas empresas.
A lógica do neoliberalismo é cada vez mais clara: O Estado deve ceder a sua posição sempre que as empresas e a actividades são lucrativas não cuidadando sequer de garantir os níveis minimos de equidade e justiça social. Mas, quando os negócios correm mal, o Estado deve intervir - os amigos são para as ocasiões - e não deve olhar a meios para ajudar as empresas a recuperarem da falência, se necessário recorrendo à nacionalização. Mais tarde quando tudo se recompuser serão novamente privatizadas por uns trocos.

Nos últimos dias a cidade de Sines está submergida por um desagradável cheiro a gás.
A autoridade municipal de protecção civil não emitiu qualquer esclarecimento nem qualquer recomendação sobre esta situação. Parece que estamos perante a pura normalidade das coisas.
As empresas, cientes de que a autarquia está pela trela, não se dignam sequer emitir qualquer esclarecimento como se as emissões poluentes além de benignas fossem de origem natural.
Uma canalhada, sem nome.

.... mas o "MPLA com mais de 80% nos primeiros resultados provisórios em Angola" permite concluir que o camarada José Eduardo dos Santos avaliou mal a situação política quando sentiu necessidade de vir a jogo assumir que era um player e não apenas um árbitro.
O povo afinal está contente. Muito contente. Como dizia o outro os angolanos vão ter um parlamento "representativo, proporcional ao apoio de cada partido". Ou será que houve apenas excesso de zelo na forma como se organizou a desorganização para citar a drª Ana Gomes?

PS- O povo hiperexplorado desapossado de tudo, mesmo do direito de participação cívica, nunca, ou raramente, consegue mudar algo que seja da sua triste vida através de eleições . Isto é uma coisa que todos os ditadores sabem mesmo que subsista a dúvida de uma vez as coisas se poderem passar ao contrário.

Adenda: A vantagem cresce e por este andar ainda chega aos 90%. A expressão desta vitória pode ser o maior desaire do MPA Resultados destes não acontecem em nenhuma democracia .

fotografia de Yann Arthus-Bertrand

"(...) Sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. Acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos; acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara, para sempre passaremos pela sombra da árvore onde tantas vezes parámos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio das noites quietas em que tantas vezes olhámos o céu e interrogámos o seu sentido. Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem princípio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos."

Miguel Sousa Tavares, in Não Te Deixarei Morrer, David Crockett

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A intervenção do general Pedro Pezarat Correia - no jornal da noite da SIC Notícias na sexta-feira, com Mário Crespo - causou-me tristeza. Tenho do general e da sua intervenção no espaço público a ideia de um homem frontal e lúcido e chocou-me a defesa que fez do plutocrático regime angolano. Em particular a defesa que pretendeu fazer - achei que foi muito mal sucedido - de uma suposta normalidade do processo eleitoral ángolano com base numa suposta especificidade do regime.

O problema das eleições em Angola será pelos vistos a "pouco edificante" cobertura feita pelos média portugueses. Assim escreve Vital Moreira que acha que as eleições "angolanas são pluripartidárias e resultam em parlamentos representativos, proporcionalmente ao apoio eleitoral de cada partido".
Entre a tese de José Manuel Fenandes - no editorial de ontem no Público - da semelhança entre a eleições no tempo do Estado Novo e estas eleições em Angola e a visão beatífica das virtudes democráticas do processo que Vital Moreira divulga venha o diabo e escolha.
Mas uma coisa parece certa: são mais as semelhanças entre o regime angolano e uma ditadura do que com um rgime democrático. A começar pela questão fundamental que é liberdade de imprensa e a ausência de censura. Ora, estas eleições ficam marcadas pela censura aos orgãos de informação portugueses decidida pelo Governo de Angola, o tal que pelas palavras do seu presidente não foi um árbitro mas sim um jogador nestas eleições. Todos percebemos isso.

Por volta das 15 horas quando viajava para Lisboa no meu carro escutei na Antena Um declarações do deputado comunista António Filpe que afirmava estar o processo eleitoral em Angola a decorrer com normalidade.
Com normalidade? A essa hora várias secções de voto permaneciam fechadas e os eleitores saturados procuravam uma "urnazita" onde pudessem votar. Ao final do dia soubemos que um número grande de secções nunca abriu. António Filipe viu a coisa pelos mesmos olhos do Presidente da CNE Angolana que, pasme-se, admitia a possibilidade de prolongar a votação até às calendas enquanto ainda existisse um angolano com vontade de votar. Saliento que o senhor não declarou "um angolano com vontade de votar no MPA".
Como é possível que um Governo poderoso, que integra algumas das pessoas mais ricas do mundo, e um País que é uma potência económica, cujo partido no poder gastou fortunas em propaganda do tipo "last cry" não consiga organizar umas eleições minimamente decentes? Não falo já de livres e justas, que isso é uma utopia nos tempos que passam, e não falo sequer dos actos de censura aos orgãos de comunicação social portugueses que contam naturalmente com a subserviência dos nossos governantes. Falo tão somente de secções de voto a abrirem a horas decentes com representantes de todas as forças políticas e cadernos eleitorais credíveis.
Ó António Filipe e se em vez dos camaradas do MPA fosse a rapaziada de cá a atrasar a abertura das urnas lá do bairro e a montar um esquema assim o que é que viria dizer o PCP?

Hoje no Público a habitual crónica de VPV dá da convenção republicana uma imagem nítida. Exactamente no dia em que o mesmo jornal transmite uma imagem positiva da conservadora e inexperiente governadora do Alasca que terá "passado no teste da Convenção".
Voltemos a VPV para o citar. "A Convenção do Partido Reublicano foi, politicamente, um espectáculo do horror. Primeiro pelo nacionalismo.(...) Um nacionalismo desta espécie, xenófobo e fanático, leva naturalmente ao militarismo. Entre alguma parlapatice sem consequência, a Convenção Republicana não passou de uma cerimónia militar.(...) Com o nacionalismo e militarismo, veio naturalmente a apologia da agressividade e da dureza. MCain é o duro por excelência. A Sarah Palin a propaganda descobriu uma alcunha de liceu, "Barracuda Sarah", para sossegar e animar o partido. A semelhança com a barracuda parece qualificar a senhora para vice-presidente e até (considerando a idade de MCain) para Presidente. (...) A Convenção Republicana -branca, velha e, apesar de Palin, masculina - é um bunker, com espírito de bunker. Se MCain ganhar, as coisas ficam naturalmente feias."

Stojkovic na Liga dos Campeões.
Nada de novo no paraíso. Paulo Bento não conta com o melhor guarda-redes disponível no plantel do Sporting mas, pelo sim pelo não, integrou-o na lista dos utilizáveis na LC. Quem sabe se a UEFA não abre uma excepção e permite ao Sporting usar dois guarda-redes em vez de um. Podia-se sempre argumentar que um era bom e o outro nem por isso, pelo que bem vistas as coisas até talvez não fossem dois.

Preciso de adrenalina. Vou ao banco à hora de almoço.

retirado daqui.

O Presidente da República está muito contente com a Polónia. Disseram-lhe que Portugal estava na moda e isso encheu-o de orgulho e de esperança em melhores negócios. Mas não sendo os polacos conhecidos pela sua distração como se explica esta bandeira portuguesa cuidadosamente hasteada de pernas para o ar.

Come gather 'round people
Wherever you roam
And admit that the waters
Around you have grown
And accept it that soon
You'll be drenched to the bone.
If your time to you
Is worth savin'
Then you better start swimmin'
Or you'll sink like a stone
For the times they are a-changin'.

Come writers and critics
Who prophesize with your pen
And keep your eyes wide
The chance won't come again
And don't speak too soon
For the wheel's still in spin
And there's no tellin' who
That it's namin'.
For the loser now
Will be later to win
For the times they are a-changin'.

Come senators, congressmen
Please heed the call
Don't stand in the doorway
Don't block up the hall
For he that gets hurt
Will be he who has stalled
There's a battle outside
And it is ragin'.
It'll soon shake your windows
And rattle your walls
For the times they are a-changin'.

Come mothers and fathers
Throughout the land
And don't criticize
What you can't understand
Your sons and your daughters
Are beyond your command
Your old road is
Rapidly agin'.
Please get out of the new one
If you can't lend your hand
For the times they are a-changin'.

The line it is drawn
The curse it is cast
The slow one now
Will later be fast
As the present now
Will later be past
The order is
Rapidly fadin'.
And the first one now
Will later be last
For the times they are a-changin'.

Bob Dylan

"Menores foram manipulados para “sacrificar” Paulo Pedroso, assegura Ana Gomes". A deputada Ana Gomes foi das dirigentes socialistas que sempre defendeu Ferro Rodrigues e Paulo Pedroso das torpes acusações e que sempre denunciou os óbvias objectivos políticos da acusação.
Uma dirigente socialista rara entre os seus pares.
O que aconteceu a Paulo Pedroso e a Ferro Rodrigues não tem preço e não se paga com qualquer indemnização. Basta ler alguma da trampa que por aí se vai escrevendo sobre o caso para o perceber.
Mas, insisto, o que aconteceu de horrível ao PS de então aconteceu de muito mau ao País.

"Com a maior surpresa e sem qualquer discussão pública, em Abril de 2008, o País tomou conhecimento, pela comunicação social, da assinatura de um acordo entre as diversas entidades para a realização do empreendimento designado por Nova Alcântara/Nó Ferroviário/Terminal de Contentores. Este empreendimento prevê, em síntese: a ligação ferroviária desnivelada da linha de Cascais com a linha de Cintura, a ligação ferroviária desnivelada ao Terminal de Contentores e a ampliação deste terminal para o triplo da capacidade actual, de 350 000 para 1 000 000 de TEU (twenty-foot equivalent unit). Pretende-se com a presente mensagem esclarecer e alertar a sociedade para a pretendida realização de um empreendimento que, além de ser injustificável, técnica e economicamente, e de ir causar enorme impacte ambiental negativo, constitui exemplo flagrante de interesses privados prevalecentes escandalosamente sobre os do País. Por muito estranho que isso pareça, até ao momento apenas surgiu na comunicação social um “grito” discordante, da autoria de Miguel Sousa Tavares, no Expresso do passado dia 3 de Maio, sob o título: “Enche-se-me o coração de tristeza”. No seu estilo contundente, critica a referida ampliação do Terminal de Contentores de Alcântara e a prorrogação por mais 27 anos, até 2047, do monopólio que a Liscont aí detém. Admite-se que a ausência de maior reacção por parte da> sociedade se deve, principalmente, por um lado, a desconhecimento mais concreto desse plano e dos interesses subjacentes e, por outro lado, à dificuldade de antecipar as suas reais consequências sob os aspectos económicos, financeiros e ambientais. Por estas razões é importante e urgente todo o contributo que proporcione melhor esclarecimento e que alerte a sociedade sobre o que realmente está em causa. No final de 2006 o signatário escreveu um artigo de opinião publicado na revista técnica Engenharia e Vida sob título "A Expansão do Porto de Lisboa e o Fecho da Golada". Conforme exposto no respectivo preâmbulo, a sua preocupação dominante era que o Plano Estratégico do Porto de Lisboa, que então se encontrava na fase de conclusão, contemplasse a zona da Trafaria e Cova do Vapor na expansão que o porto teria que efectuar no curto/médio prazo. Conforme evidenciado nesse artigo essa zona é, sem qualquer dúvida, o melhor local de todo o estuário do Tejo para a construção de instalações portuárias modernas. Além disso, defendia que a realização dessa obra constituiria uma oportunidade excelente para reabilitar e estabilizar, com carácter permanente, a praia da Caparica. Este artigo teve alguma divulgação no meio técnico e, na sequência, o signatário foi convidado, a título pessoal, pela APL para dar parecer sobre a melhor solução a desenvolver nessa zona. De facto, nessa ocasião, o referido Plano Estratégico do Porto de Lisboa, na fase final em que se encontrava, apontava já para que um novo terminal de contentores se localizasse nessa zona a partir de 2010. O signatário procurou então dar a melhor resposta a essa solicitação da APL. Mobilizou o Prof. Eng. Mota Oliveira, que tinha sido o coordenador dos estudos e projectos relacionados com a obra do Fecho da Golada para a APL, e reuniu com o Director do LNEC, Eng. Matias Ramos e o corpo técnico do sector da engenharia costeira desta conceituada entidade. Em resultado, foi apresentada à APL a solução consensual que resolveria, simultaneamente, a expansão do porto e a recuperação e estabilização, com carácter permanente, da praia da Caparica. Essa solução foi muito bem acolhida pela APL e, inclusive, ficou apontado que esta entidade iria, a breve trecho, pedir ao LNEC a realização dos estudos necessários para bem a fundamentar. Na exposição apresentada nas Jornadas de Engenharia Costeira e Portuária, realizadas em Outubro de 2007 em Lisboa, o engenheiro coordenador, por parte da APL, da elaboração do referido Plano Estratégico, informava que as conclusões apontavam para um novo terminal de contentores na Trafaria. Notícia publicada em Novembro de> 2007, em revista da especialidade, reportava declarações do Presidente da APL que também iam nesse sentido. Contactos pessoais com a APL confirmaram que esta entidade estava em negociação com a Mota-Engil, proprietária da Liscont, tendo como objectivo avançar-se com o novo terminal de contentores na margem Sul. Com a maior surpresa, em Abril de 2008, o País tomou conhecimento, pela comunicação social, da assinatura do acordo entre as várias entidades para a realização da ampliação do Terminal de Contentores de Alcântara, integrada no citado empreendimento. É importante esclarecer que o terminal de contentores está em Alcântara em resultado das recomendações do Plano Orientador do Desenvolvimento Integrado dos Portos de Lisboa , Setúbal e Sines, elaborado no início da década de 1980 pela empresa americana TAMS, associada a empresas nacionais, no qual o signatário foi coordenador da contribuição nacional. Na ocasião, o terminal de contentores de Santa Apolónia encontrava-se praticamente saturado e era necessário encontrar uma solução com viabilidade a curto prazo. Essa solução foi então a de se adaptar o terminal de Alcântara, acabado de ser ampliado para carga geral, e de promover a sua adaptação para servir as necessidades da carga contentorizada até um horizonte temporal que, entretanto, já expirou. A solução preconizada para as acessibilidades terrestres consistia em manter, no complexo nó de Alcântara, as vias férreas de nível e construir passagens rodoviárias. Era essa a solução mais económica, como convinha por serem obras de carácter provisório. No futuro teria que ser escolhido outro local e a zona da Trafaria-Cova do Vapor foi um dos locais que ficavam reservados para esse efeito. É verdadeiramente assustador o plano das obras que agora decidiram fazer num local que, por um lado, não deixou de ser provisório para o fim em vista e, por outro lado, tem enormes dificuldades de concretização e, consequentemente, custos públicos muito elevados. De acordo com o que se sabe, compete à Mota-Engil e à APL ampliar as instalações do terminal, com a contrapartida da exploração do mesmo até 2047. Competirá ao Estado resolver o problema das acessibilidades. Contudo, agora já não é da forma mais económica acima referida, mas sim desnivelando as vias férreas de um nó extremamente complexo. A ligação ferroviária desnivelada ao terminal vai entrar na chamada Doca do Espanhol e, parte dessa doca "molhada", terá que ser transformada em doca "seca" para albergar o feixe das vias férreas. O signatário conhece bem as condições geotécnicas locais, em decorrência das intervenções que tem tido em projectos nessa zona, e, como especialista na concepção e no projecto de inúmeras docas secas no Pais e no estrangeiro (entre outras, as da Lisnave em Setúbal, a de Cadiz, a do Bahrain e algumas no Brasil) e de outras> infra-estruturas de transportes, antevê as maiores dificuldades e, seguramente, custos muito elevados e difíceis de antecipar com rigor, para a concretização dessas obras que, salienta-se, são as que irão ficar por conta do Estado. Acresce que o desnivelamento das vias férreas no vale de Alcântara, além de sérios constrangimentos à realização de uma intervenção desta natureza numa área urbana tão congestionada, constitui uma extensa "barragem" transversal ao vale e obstáculo à ligação natural deste com o rio, com consequências hidráulicas e ambientais consideráveis. É de estranhar que, até ao momento, ainda não tenha aparecido séria contestação à realização destas obras por parte da oposição politica, quer a nível autárquico quer nacional, e de outras entidades, nomeadamente as ligadas ao ambiente. Com a ampliação do Terminal de Contentores de Alcântara a cidade de Lisboa vai ser enormemente prejudicada, por muitos mais anos, com uma instalação portuária dentro dela e cercada pelas zonas mais nobres da cidade pois, além de ficar emparedada com pilhas de contentores de 15m de altura e 1,5km de comprimento, e com o triplo dos equipamentos actuais, irá sofrer um significativo aumento dos tráfegos de atravessamento rodo-ferroviário e de navios. Além disso, perde-se uma excelente oportunidade para reabilitar e estabilizar, com carácter permanente, a praia da Caparica. Além dos elevadíssimos custos que a ampliação do Terminal de Contentores de Alcântara e a construção das respectivas acessibilidades irão ter, teremos que continuar, por muitos mais anos, a gastar fortunas a colocar enrocamentos nos esporões da praia da Caparica, a alimentar com areias essa praia, a dragar essas mesmas areias que continuamente vão obstruindo o canal de navegação de acesso marítimo ao porto e a executar dispendiosas obras de protecção na margem direita do rio que, sem o banco do Bugio, fica exposta aos temporais do SW. Por fim, como se tudo o que antecede não bastasse, está actualmente a ser gasta outra fortuna na construção de um novo terminal de cruzeiros em Santa Apolónia, quando a cidade tem já o de Alcântara que, além de dispor dessa tradição e estar situado em local muito privilegiado para o efeito, tem todas as condições para, com custos relativamente reduzidos, ficar devidamente apetrechado com os requisitos exigidos num moderno terminal desta natureza. Para que era preciso construir outro de raiz? Só pode haver mesmo uma explicação: poderosos interesses disputaram esse espaço. Como é possível um País, com tantas carências, delapidar tão impunemente o valioso património que ainda dispõe, desperdiçar recursos em obras injustificáveis, mesmo com base no mais elementar bom senso, e como é que os seus principais responsáveis deixam que, tão descaradamente, os interesses privados prevaleçam sobre o interesse público? A situação faz realmente encher o coração de tristeza, como diz Sousa Tavares, e de revolta também."

artigo do engº José Manuel Cerejeira que nos foi enviado pelo comandante Joaquim Silva

Sempre pensei que o processo Casa Pia cumpriu objectivos político-partidários muito concretos. Tratou-se de decapitar a direcção socialista de então, liderada por Ferro Rodrigues. A luta contra a pedofilia é outra coisa porque a pedofilia não se iniciou com o processo Casa Pia nem acabou com ele, infelizmente. Espero que o processo tenha ao menos permitido minorar o sofrimento de algumas das vitímas e ajudar a prevenir outros crimes.
Relativamente aos acusados no processo não tenho a ideia préconcebida de que sejam culpados. Gostaria de receber a decisão da justiça como algo em que nós os cidadãos podéssemos confiar, fosse ela qual fosse. Isto sem colocar em questão o sagrado direito dos acusados a recorrerem das sentenças. Mas não vai ser fácil. Todos eles estão há muito acusados no tribunal da opinião pública. Ora isso é algo intolerável em termos democráticos.
Quanto a Paulo Pedroso o seu processo cumpriu os objectivos políticos a que se propôs. Mesmo agora que a justiça veio concluir ter o ex-dirigente socialista razões do Estado quantos se reconhecerão nessa decisão? Tudo seria mais fácil se a decisão fosse acusatória. Aí o consenso seria muito mais fácil. Se temos tantas vitimas, como neste infame processo aconteceu ao longo de décadas, como poderemos sobreviver sem culpados, sobretudo culpados notórios para os quais canalizemos os nossos ódios, frustações e medos?
Sempre me cheirou neste processo à pior canalhice política
e estou convencido que ele impediu um Governo do PS, efectivamente de esquerda, liderado por Ferro Rodrigues e capaz de fazer alianças à sua esquerda e de concretizar uma plataforma política promotora de um desenvolvimento assente num reforço da justiça social.

O silêncio de Manuela Ferreira Leite parece cair como sopa no mel na estratégia do Governo. Não há nada que o Governo faça de suficientemente mau que justifique a saída da líder do PSD - chamar-lhe da oposição seria um manifesto exagero - do recato a que se remeteu.
Bem pode vir Marcelo Rebelelo de Sousa esclarecer que a "coisa" tem mais vantagens que inconvenientes - a formulação por si só é além de original engraçada parecendo o professor ter optado por tentar retirar dramatismo à situação recorrendo ao humor negro - que não se percebe como recuperará a dona Manuela deste seu auto-exílio e com que perdas. A questão que para muita gente já começa a ficar clara é que para o PSD as coisas são como são e por acaso até não são muito más com este PS alaranjado - recorrendo à feliz formulação de Louçã - e que para garantir a estabilidade e as vantagens de uma maioria absoluta por mais quatro anos não haverá melhor do que votar em Sócrates em 2009 que, tal como as coisas estão, não será por isso que a dona Manuela virá dizer coisa alguma.
Este seria o melhor dos mundos para Sócrates que podia partir para a campanha eleitoral livre do ónus de ter que conquistar votos à esquerda com promessas que nem nos seus piores pesadelos se imagina a cumprir.

Portugal assume pela voz do Governo socialista que não é capaz de gerir bem a floresta nacional e que prefere delegar nos privados essa gestão. Pelos vistos esse era um pesado encargo para o Estado que confessa não ser capaz de gerir menos de 2% do total da floresta que é a parte que é pública. Se não é caapz de gerir 2% da floresta é capaz de gerir o quê? Gere, pelos vistos bem, a transferência para os privados dos restos dessa floresta ainda pública enquanto usa os dinheiros dos contribuintes para ano após ano combater os incêndios que grassam na floresta dos privados. Nos restantes países europeus não existe um único em que o peso do Estado neste sector seja tão ridículo e nos Estados Unidos mais de 90 % da floresta é pública. Nesses países a floresta é um recurso importante e a totalidade dos cidadãos beneficiam quer com a sua exploração produtiva quer com a sua utilzação no âmbito das políticas públicas de conservação da natureza.
Os nossos modernos governantes não estão para isso. Preferem dar a gerir aos privados conscientes que estão da sua incompetência. É outra vez a velha história de transferência de bens públios para mãos privadas. Uma especialidade.


 

Pedra do Homem, 2007



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