"Pressões sobre magistrados levam sindicato a pedir audiência urgente ao Presidente da República".
Já ninguém se entende nesta freguesia. O nóvel líder do SMMP ainda não tomou posse e já fez duas provas de vida que vieram provocar algum reboliço: declarou que ou paravam de fazer pressões ou ele ameaçava falar e pediu uma audiência a Cavaco Silva.
As posições dos diferentes magistrados que falam sobre o processo Freeport e do próprio procurador dão várias ideias ao cidadão comum mas nenhuma delas parece ser uma ideia de serenidade, de rigor e de exigência na aplicação da lei. Antes pelo contrário, a ideia que o mundo do MP transmite nesta fase é a de uma instituição dividida em que os posicionamentos políticos em relação aos diferentes processos se vão conhecendo, sem que apareça uma voz de comando capaz de impor a sua autoridade.
Numa coisa Santos Silva tem razão, "O presidente do SMMP tem de dizer quais as pressões a que se referem, em que é que consistem, sobre quem se exercem e sobretudo que as exerce ou tenta exercê-las".
Depois de tanta trapalhada a generalidade dos cidadãos está mais do que preparada para o que der e vier. Por isso se quiserem arquivar, arquivem, até porque pelo andar da carruagem quem acreditará hoje em dia que neste processo será feita justiça? Diz-se que este tipo de conclusões é terrível para os eventuais injustiçados, mas também sabemos que noutros processos a injustiça dá muito trabalho.
"Isaltino assegura que não declarou conta na Suíça por “inconsciência” .
Isaltino construiu assim a sólida relação que tem com o povo de Oeiras: aproveitando cada sobra do dinheirinho que lhe davam para as sucesivas campanhas, para com elas construir um pequeno pecúlio capaz de rivalizar com o sobrinho taxista ou com a sobrinha cabeleireira. Se não fosse assim como teria sido possível bater-se com os 5 mil euros mensais da sobrinha cabeleireira? O orgulho que ele não terá sentido qando os depósitos ultrapassaram o milhão de euros. Claro que nunca lhe passou pela cabeça devolver o dinheirinho aos dadores ou entregá-lo a uma instituição. Nunca lhe passou uma tal inconciência pela cabeça, santo Deus. Além disso, tinha escutado tanta coisa sobre as instituições bancárias suiças que só por uma grande inconsciência não teria feito o que fez.
"José Sócrates e Vital Moreira lançam campanha para Europeias com fortes ataques ao PSD"
As declarações do candidato do PS às europeias ameaçam repetir-se ao longo dos próximos meses. O discurso não acrescenta grande coisa a qualquer debate sobre a Europa, apesar dos pregaminhos do candidato. As ideias fortes repetem-se em cada declaração e a continuar assim Vital Moreira pode até dispensar a sua participação nos comícios e mandar um DVD, já que os tempos da cassete, como ele muito bem sabe, caíram em desuso.
As declarações tratam da esquerda do PS e do PSD com a mesma simplicidade simplista, perdoe-se-me a redundância: “particularmente perigoso e comprometedor” diz ele de um eventual aumento de votação dos partidos que estarão contra a União Europeia, admitindo nós que fala do BE e do PCP; “Existe uma direita conservadora que em Portugal entrou numa deriva neoliberal e que hoje está descalça” diz ele referindo-se, achamos nós, ao PSD.
Quanto à esquerda anti-europeísta o homem é um especialista, já que não foi em vão que militou durante décadas no PCP. Embora a análise seja devedora do método do pensamento único - uma especialidade do próprio - em que aquilo que não conseguimos compreender, classificamos, tentando simplificar a realidade. Quanto ao facto de a direita estar descalça parece claro, até pelo seu discurso matraqueado ao longo de anos do tipo "mais papista que o papa", que Vital Moreira anda a fingir que ainda não sabe quem lhes roubou os sapatos.
"Portugal de Queiroz volta a fazer bluff".
Portugal manifestou muita vontade e pouco discernimento. Falar de sorte ou azar é pouco sensato e começar agora a enunciar os penáltis que ficaram por marcar é sinal de ... desespero.
Mas, já que os comentadores de serviço se dividem entre os a favor e os contra o selecionador e deixam as minudicências dos jogos para os outros, convêm perguntar ao professor Queiroz qual a razão para, num jogo decisivo em que o fundamental era marcar e ganhar, fazer alinhar tantos defesas centrais? Porque razão o Pepe tem que jogar nesta equipa e fica no banco um João Moutinho que já nem para jogar 10 minuros serve? Porque razão entrou mais um defesa central, por acaso não muito bom, para substituir Bosingwa e se deslocou o melhor central português - a anos luz de distância dos Pepes e outros - para lateral direito? Porque razão não colocou o Pepe a lateral direito, ele que até corre quase tanto como o Bosingwa e aproveitou para meter alguém com classe para jogar no meio-campo? Porque razão não tinha um lateral direito entre os suplentes, alguém capaz de cruzar da linha de fundo? O professor tem ido à bola?
PS1 - se todos jogassem como o Ronaldo já tinhamos sido eliminados há muito tempo.
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Etiquetas: Paixões
"Caso Freeport: Charles Smith desmente injúrias a José Sócrates".
Porque será que me lembrei do Bocage, quando li as declarações do senhor Charles Smith. Pela fina ironia do acto certamente, que neste caso não podemos atribuir ao Charles o altruísmo, não completamente desinteressado como sabemos, implícito na declaração do poeta.
"Novo presidente do sindicato dos Magistrados do Ministério Público denuncia pressões".
A declaração vale como um manifesto. Diz o novo presidente do SMMP que as pressões sobre os magistrados estão a atingir níveis incomportáveis e admitiu a hipótese de as denunciar.
Pois é, sendo certo que as pressões existem e pelo que ele diz, e nós vamos percebendo, estão a atingir níveis incomportáveis, não se compreende que ele possa utilizar o condicional para a acção que lhe é exigida: denunciar os que pressionam os Magistrados.
Será desajustado que quem lê estas declarações conclua que o poder político pressiona o sistema de justiça, visando obter vantagens para os senhores políticos e que os senhores magistrados não dão imediatamente a resposta necessária, admitindo fazê-lo mais tarde? Será desajustado a quem lê estas declarações concluir que a separação de poderes está a ficar cada vez mais promíscua a benefício do poder político e dos seus agentes?
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Etiquetas: Polítca.Justiça
"Freeport: Smith afirma em DVD na posse da polícia inglesa que Sócrates “é corrupto”
Desta vez não foi o Público nem a TVI, os habitualmente considerados inimigos públicos do primeiro-ministro e protagonistas maiores da chamada campanha negra. Agora Sócrates vai processar Charles Smith o mais jovem aderente às forças promotoras da dita cuja campanha.
Este processo tenderá a ficar conhecido como o processo decisivo no sentido de tornar o envolvimento de actores políticos em actos ou decisões suspeitas irrelevante para o seu futuro político. Um passo final no sentido da não inscrição tal como definida por José Gil no seu "Portugal,Hoje. O medo de existir."
É esta a evolução sentida, e sofrida, do regime democrático no Portugal de Abril.
.. mais iguais do que os outros.
"Ana Gomes é a candidata do PS à presidência da Câmara de Sintra"
Tenho simpatia política pela drª Ana Gomes, cujo desempenho no PE considero um dos mais relevantes no conjunto dos eurodeputados portugueses. Aprecio a sua coragem e a capacidade para discordar do seu partido e do secretário geral que considero manifestações de independência e de firmeza de convicções.
Acho no entanto mal que concorra a uma autarquia indo, tem eleição garantida, continuar no PE e tendo já afirmado que caso não ganhe a autarquia continuará nesse lugar. E se for escolhida para vereadora, recusa-se a aceitar a decisão do povo?
Há candidatos e candidatos na seleições autárquicas mas agora começa a aparecer, só para autarquias mais mediáticas, uma nova espécie; os candidatos que caso percam têm o seu lugar político previamente assegurado.
"Avelino Ferreira Torres foi absolvido em tribunal de todas as acusações"
As leis foram feitas para garantir um modo de vida a uma classe profissional: a classe política.
As leis tornam impossível a condenação de alguém por enriquecimento ilícito e mesmo actos de corrupção tentada são sujeitos nos termos da lei a modestas penas capazes de fazer corar de inveja um pequeno carteirista.
A oposição da classe política a uma alteração substantiva da forma de encarar a corrupção é um manifesto em defesa de um modo de vida. A classe política que agora anda pelos 50 anos nunca fez outra coisa além da política - e se fez teria sido melhor não ter feito, como se sabe - e não sabe fazer mais nada. Fora desta actividade não consegue, a menos do clássico trafico de influências cerzido durante o exercício dos cargos, lugar de destaque e remuneração compatível em empresa nenhuma, por uma razão muito simples: notória falta de capacidade. Restam-lhe duas alternativas: amealhar um generoso pé de meia ou aguentar-se o mais possível no exercício de funções. É por isso que os discursos sobre a renovação da classe política e a qualidade da democracia são de uma hipocrisia infinita. A classe política entende-se, acima de tudo, como uma classe sócio-profissional e aspira, sobretudo, às suas regalias corporativas, defendendo ad nauseum a sua estabilidade.
A oposição à limitação de mandatos - veja-se a palhaçada do poder local - e a oposição a um combate efectivo à corrupção são estruturais da manutenção deste modo de vida. Destinam-se a salvaguardar os detentores do poder político, os próprios que fizeram e alteraram as leis. Dir-se-á que quem as aplica difere de quem as aprova como é mister no Estado de Direito, mas quem poderá fazer uma adequada justiça com estas leis concretas?
Isaltino Morais é o senhor que se segue - balizou ontem o único crime de que poderia ser acusado, ilícito fiscal, mas mesmo esse há muito prescrito - e assim sucessivamente.
“Soares Franco dispôs do maior encaixe financeiro da história do Sporting”
Interessante esta entrevista. A revelação mais espantosa é a de que o passivo abatido por Soares Franco foi apenas de 4 milhõe de euros quando o ancaixe financeiro foi de 130 milhões.
A ideia de que Soares Franco é um empregado do BES e que a sua permanência no Sporting estaria sempre condicionada aos interesses do banco, julgo que não constitui qualquer novidade se pensarmos nas declarações de Abrantes Mendes e no percurso do empresário.
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Etiquetas: Paixões.
"PSD diz não definitivo à indicação de Jorge Miranda para provedor"
O professor Jorge Miranda é um destacado constitucionalista da área política do PSD. Apesar de estar afastado do partido de que foi um dos fundadores pertence a essa área política.
Admitindo que o PSD pode acusar o PS de alguma coisa neste processo, não será de ter sugerido um seu militante ou alguém da sua área, pese embora as áreas do PS de Sócrates e do PSD andarem bastante sobrepostas.
A recusa da indicação de Jorge Miranda é um disparate político e impede-nos de termos um provedor de justiça muito qualificado e, pelo que se conhece do seu percurso e da sua intervenção cívica, um provedor de justiça capaz de reclamar justiça para os seus concidadãos. Poucos parecem poder dar a garantia de o poder fazer tão bem .
O PSD faz birra porque no seu rigoroso entendimento do centrão e do seu funcionamento entende que deve ser ele a escolher o provedor. Mesmo que o PS nomeasse a sua líder -hipótese absurda, bem sei - seriam capazes de vir a terreiro bradar: essa senhora nunca, o PS quer governamentalizar todos os lugares.
Alguém poderá explicar estas verdades elementares à drª Manuela?
Ministério afirma que sem objectivos individuais não há avaliação de professores
Coitadinha da Ministra que se esconde cada vez mais atrás dos secretários Lemos e Pedreira.
Logo atrás do secretário Pedreira, conhecido pela sua elevada sensibilidade social, que acha que os que não cumprem as suas arbitrariedades e abusos, não devem merecer a preocupação dos deputados da oposição. Devem merecer o quê? E o senhor Secretário que não respondeu à questão concreta da deputada Luísa Mesquita, e a senhora ministra que se escondeu atrás dele, silenciosa, quem se deve preocupar com estes coitadinhos, incapazes de justificar e fundamentar os abusos que querem praticar por interpostos concelhos executivos?
"Sócrates garante que haverá 40 mil estágios profissionais em 2009".
Infatigável este nosso primeiro-ministro. Quantos dias terão passado sem que ele anunciasse pelo menos uma medida, positiva pois claro, quem seria o maluquinho que viria agora anunciar medidas más, nestes tempos já de si tão complicados. Não é que o nosso priemeiro não saiba delas, como desta última do desemprego a crescer brutalmente em janeiro passado. De um homem atento à crise internacional não se poderia esperar outra coisa.
Não deve ser fácil prometer assim, com tanta intensidade. Com uma actividade tão sistemática quem poderia garantir a ausência de repetições, a sensação de dejá vu que nos chega a embrulhar muitos dos anúncios supostamente originais, acabadinhos de estrear?
Quem poderia exigir a quem ocupa tanto tempo a prometer que tivesse algum tempo e privacidade para governar?
"Especialistas de energia denunciam "embuste" na visita de Sócrates e Pinho à Energie"
Bem pode Eduardo Oliveira Fernandes clamar que a empresa assenta a sua propaganda num embuste que os responsáveis governamentais se são incapazes de reconhecer a diferença entre os sistemas solares térmicos e os sistemas eléctricos, ainda que com apoio secundário da energia solar, não duvidam da eficácia da propaganda e dos embustes. Para este fim específico os sistemas são indiferentes, cumprindo qualquer um deles a sua missão.
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Etiquetas: Despautérios
... quando é que acabas a carreira?
Soares Franco: "Lucílio Baptista acabou a carreira na final da Taça da Liga"
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Etiquetas: Despautérios
"Administradores e gerentes têm de pagar coimas fiscais das empresas"
A eficácia fiscal tão badalada alimenta-se de decisões desta natureza. As coimas fiscais são parte cada vez maior da receita fiscal e têm uma vantagem para um Estado parasitário: independem da dimensão da actividade económica e podem mesmo crescer quando a actividade diminui. Quer isto dizer que as coimas colocam em questão o príncipio da proporcionalidade do acto que penalizam. Muitas coimas são independentes da dimensão económica do acto.
O Tribunal Constitucional rasga a jurisprudência existente e admite esta regressão nos direitos das pessoas. Quem quiser agora criar uma sociedade vai ter que ler muito bem esta decisão, infelizmente os que cometeram o erro noutros tempos já não podem voltar atrás.
Curiosa a distinção feita entre as coimas e os crimes. E ainda há quem diga que o Estado não revela uma particular simpatia para com os que cometem crimes.
Sou capaz de apostar que esta decisão apenas provocará contestação por parte do CDS/PP.
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Etiquetas: Economia.Saque.
No número de Março do Le Monde Diplomatique, edição portuguesa, destaque para o dossier que dá o nome a este post.
Integram este dossier, apenas disponível na edição impressa, os seguintes textos:
Um texto do politólogo, e Gulbenkian Fellow do Instituto Universitário Europeu de Florença, Luís de Sousa cujo título é "Corrupção e desenvolvimento: impacto tónico ou tóxico?". Luís de Sousa organizou, juntamente com João Triães, a obra "Corrupção e os Portugueses- Atitudes,Prácticas e Valores", editado pela Rui Costa Pinto Edições;
"Corrupção e evolução legislativa", de Isabel Patrício, texto que serviu de base a uma intervenção da jurista num colóquio organizado pela assembleia da República em 2005 e que suscitou pouca adesão entre os que o escutaram de acordo com a revelação da própria;
"A informalidade e o financiamento dos partidos políticos" de José Miguel Fernandes, economista e ex-Presidente da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos entre Janeiro de 2005 e Novembro de 2008;
"Ideias simples para aumentar a transparência" de João Miguel Gaspar, juíz de direito, fundador do grupo "Cidadãos contra a corrupção na SEDES.
Nesta lista de ideias simples para aumentar a transparência são referidas algumas que eu próprio tenho defendido ao longo de anos e de que saliento as seguintes: consagrar o crime de enriquecimento ilícito, muito importante para a corrupção associada ao urbanismo e ao licenciamento municipal; publicitar em tempo real todos os procedimentos que envolvam decisões susceptíveis de favorecimento com a indicação de quem pede, em que data, quem intervém no processo e qual o sentido da decisão final: dos licenciamentos nas autarquias aos concursos de admisão na função pública até à decisão de pagamento de dívidas em atraso na autarquias.
Em 1997 na última vez que me candidatei à autarquia de Sines prometia, no programa da candidatura, a adopção desta medida fundamental para garantir transparência nas decisões municipais, impedir a existência de agendas pessoais das chefias dos serviços que lidam com as áreas sensíveis e para garantir que os tratamentos da Administração não discriminam negativa ou positivamente os cidadãos.
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Etiquetas: Leituras.
Mário Soares critica mediocridade dos líderes europeus face à crise
“A situação actual da Europa preocupa-me muito. Porque não vejo que exista um plano comum para vencer a crise e, devido à mediocridade dos líderes que a governam, a UE tende a apagar-se como agente global".
Quem desdenharia subscrever esta declaração política?
O problema é que a declaração de Soares tem implícita desde logo a admissão de diferente níveis de responsabilidade dos diferentes líderes europeus. A mediocridade de que acusa os dirigentes europeus parece excluir alguns cuja responsabilidade na condução dos destinos europeus será menor do que os por ele referidos. Claro que se no caso de Sócrates, apesar do homem se ter colocado em bicos de pés no caso das taxas do BCE, isso é verdade já o mesmo não se pode dizer no caso de Zapatero.
Soares está desde há muito prisioneiro da contradição entre a lucidez com que olha para a situação internacional e em particular para a situação europeia e da aparente cegueira com que teima em benzer, a menos de umas cirúrgicas chamadas de atenção, a gestão socrática em Portugal.
Como será possível articular esta crítica sistemática ao neoliberalismo e enunciar a necessidade de romper com ele com uma pretensa ignorância de que o PS é, para mal dos nossos pecados, um dos partidos socialistas mais à direita no contexto europeu, a anos luz de distância do modelo do socialismo democrático nórdico de matriz vincadamente social-democrática.
Benfica ganha a Taça da Liga ao Sporting nos penáltis
Se esta foi uma final decidida na marcação de grandes penalidades é justo que se atribua a Taça a quem mostrou maior criatividade na marcação de uma grande penalidade: Lucílio Baptista, um árbitro muito bem capaz de fazer aquilo que fez, como se sabia
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Etiquetas: Paixões
É este o nome do artigo do economista José Reis publicado no terceiro número da revista ops!
Fica aqui o link para quem quiser aproveitar a oportunidade de tentar compreender como "os processos de desenvolvimento em Portugal levam em conta os objectivos de coesão territorial e de sustentabilidade".
José Reis parte da pergunta inicial "o País conta, quando está em causa encontrar novas soluções para os problemas da economia e da sociedade?" para reflectir sobre o modelo da nossa organização territorial - marcada pela injustiça e pela fragilidade dos diferentes espaços sub-regionais - e sobre a revesão da hierarquia regional e a rotação espacial do país - "o papel excessivo que está a ser atribuído à Grande Lisboa coloca o conjunto dos outros espaço regionais perante uma séria ameaça de periferização. A este argumento não pode, aliás, deixar de se juntar a questão que resulta das persistentes dificuldades de desenvolvimento do modelo nortenho, centrado no Porto" - e reflecte sobre o efeito nessa rotação espacial das grandes infra-estruturas e dos “simplificadores” do desenvolvimento - "(...) Ao privilegiar das economias turísticas e de grandes empreendimentos que estão a Sul e à prioridade de uma ligação Lisboa-Madrid fácil e sem os “empecilhos” de considerações territoriais internas. A organização do país, tanto a interna como a que ocorre à escala ibérica, passou a assentar em “simplificadores” modernizadores muito fortes.(...)" - José Reis conclui perguntando se a coesão territorial ainda tem valor para concluir que " O que mais importa é saber que o ponto das desigualdades espaciais e o do contributo dos territórios para o desenvolvimento não podem sair da agenda política. De uma agenda política de esquerda, dado que é por aí que passa um desenvolvimento inclusivo, capaz de conjugar as pessoas, os recursos e os vários contextos de vida com a modernidade, a inovação e, portanto, com a coesão territorial.Sem dúvida que a crise relança estas questões e reforça a sua importância. Temos hoje cabalmente demonstrado que não há invenções sociais simplificadoras – como a dos mercados autosuficientes, do individualismo ou a da circulação do dinheiro – que possam substituir a acção colectiva ou a lógica inclusiva."
"Durão Barroso a um passo do segundo mandato em Bruxelas".
Durão Barroso não é exemplo político que se mostre a quem quer que seja. Não será sequer necesssário recorrer ao facto que Mário Soares utiliza, a sua participação na Cimeira dos Açores e o seu apoio objectivo à guerra do Iraque, para concluirmos, como o velho socialista, que "Se a Europa tem como expoente Durão Barroso, «não vai muito longe"
Claro que a generalidade dos socialistas portugueses não simpatiza com Durão Barroso, um político que coloca a sua carreira pessoal sempre em primeiríssimo lugar, veja-se a fuga para o eldorado de Bruxelas depois das primeiras dificuldades da governação terem colocado em evidência a sua incapacidade para gerir os destinos do país. Quem simpatizará com quem desisitiu de lutar para melhorar o nível de vida dos portugueses e de conduzir o país para um rumo em que parecia acreditar - tinha-se candidatado a primeiro-ministro - para optar... por uma enorme melhoria do seu nível de vida? Mas aquilo que os socialistas, muitos socialistas, pensam não demove Sócrates de pensar o contrário e manifestar o seu apoio ao ex-maoista e de apontar o seu .... exemplo.
"Famílias com desempregados vão ter redução de 50 por cento na prestação da casa".
A medida parece sensata e constitui uma resposta boa às dificuldades que as famílias sentem para assegurar a resposta aos seus compromissos sobretudo no caso de serem atingidas pelo desemprego.
Mas, não é a medida mais adequada, já que aquilo que faz falta e o Governo se recusa a fazer é impor regras que limitem a gula dos bancos e colocquem a generalidade dos cidadãos e das empresas a beneficiarem da redução das taxas de juro. O Governo não quer adoptar medidas globalmente justas e que não custem dinheiro ao erário público opta por gerir a sua caridadezinha.
Mas, sabe-se depois que a medida que parecia justa e boa embora insuficiente é afinal apenas o lado mais luminosos de uma medalha que do outro lado espreita com aobrigatoriedade de os Desempregados começam a devolver a redução na prestação da casa em 2011 .
Impõe-se um outro tipo de reposta em que através da CGD o Estado estabeleça um apoio efectivo para as vítimas do desemprego revendo e diminuindo as condições dos seus empréstimos.
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Etiquetas: Política.Humor
Já está disponível no seu sítio o número 3 da revista da corrente de opinião socialista liderada por Manuel Alegre. "Com um dossier dedicado à Economia e às grandes decisões, a revista ops! lança-se nas raízes, nas ameaças e nas oportunidades criadas pela crise. Contando com um editorial de Manuel Alegre, com o dossier coordenado por Jorge Bateira e uma entrevista a Alfredo Bruto da Costa, participam neste número diversos investigadores e actores políticos socialistas e independentes."
A revista é hoje apresentada em Lisboa no Hotel Altis, com análise e intervenções de Manuel Alegre, Henrique Neto, António Carlos dos Santos, Jorge Bateira e Nuno David.
A não perder.
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Etiquetas: Política.Debate
"Mário Soares critica Sócrates pela polémica criada acerca da manifestação em Lisboa "
O velho socialista até quer a maioria absoluta, até quer defender o primeiro-ministro, até acha ainda possível que o PS a consiga, mas desta maneira ó senhor primeiro-ministro até um cego vê que assim não vai lá. Com uma manifestação destas, que impressionou Soares, a resposta tem que ser diálogo não pode ser a canelada e o pontapé. Não pode ser a linguagem trauliteira que Sócrates utilizou.
Dá a ideia que Soares quer a maioria absoluta para o seu PS e conhece mesmo alguns caminhos que a ela não conduzem. O que não dá nada a ideia é que Soares saiba para que pode servir a maioria absoluta se o seu PS continuar a prosseguir as políticas que tem seguido e que provocaram este descontentamento. Estamos, afinal, no puro domínio da táctica.
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Etiquetas: Política.
Os sindicatos deviam divulgar o que se passa, já hoje, nalgumas escolas, em que directores abusam da sua posição para favorecerem projectos envolvendo até familiares seus. Deviam igualmente estabelecer uma apertada vigilância sobre os concursos que tais iminências vão abrir conluídos com Presidentes de Câmara menos escrupolosos e sobretudo sedentos de poder.
"Pedida providência cautelar contra concurso nacional de professores"
O Ministério quer colocar mais de 10 mil professores no desemprego. Criou os concursos para os TEIP que permitem aos seus apaniguados directores contratar directamente à revelia dos concursos nacionais, definindo eles “os grupos de recrutamento a concurso, os requisitos de acesso, os critérios de selecção, de desempate, de exclusão e as listas finais de colocação”.
Para quem não entenda o alcance da medida o grande Lemos explica: As "características e dificuldades especiais destes estabelecimentos de ensino”,diz ele, torna necessário recrutar professores “com competências específicas” e com “muita vontade de trabalhar lá”.
Os amigos, que dessa forma se libertam do incómodo das listas nacionais e escapam ao desemprego crecente. Claro que se ficarem caladinhos e não alinharem nessa coisa das manifestações contra o Governo, além de não terem ideias como as de chatear a cabeça ao senhor presidente da Câmara, que a curto prazo será quem vai contratar os senhores professores, segundo os seus elevados padrões, acabando com as trapalhadas dos concursos nacionais.
No tempo do fascismo não se lembravam de coisas assim.
As sucessivas intervenções do Presidente do Sporting, Soares Franco, em consequência das reacções dos adeptos chocados com a humilhação de Munique, foram exageradamente proporcionais. Tomo esta feliz expressão de um comentário de Medeiros Ferreira num programa que anima na Antena Um. Perfeito.
Aliás. já tinha há algum tempo, a sensação que o presidente do Sporting era exageradamente proporcional, faltávam-me era as palavras.
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Etiquetas: Paixões
Era disto que falavam quando falavam de sustentabilidade?
Posted by JCG at 3/16/2009 12:01:00 da tardeComissão Europeia estima que Portugal terá o maior corte da UE nas pensões
A desigualdade como regra não é uma fatalidade. A desigualdade bem como a corrupção endémica não são uma fatalidade ou tão pouco uma consequência da integração europeia. As pensões de miséria, para os trabalhadores por conta de outrém, não são uma fatalidade. São uma escolha e resultam de opções políticas concretas.
Na UE não há um país em que a diminuição do poder de compra das pensões vá diminuir tanto. Nestas coisas gostamos sempre de mostrar que estamos à frente.
O último expresso da meia-noite foi a não perder. O programa decidiu fazer o balanço de quatro anos do Governo com a participação de Paulo Rangel, pelo PSD, e de três socialistas: Santos Silva, Oliveira e Costa, o das sondagens, e Henrique Neto, o heterodoxo socialista e empresário, com uma particular estima por "gajos tipo Santos Silva".
O PSD tem feito por aí um escarceu sobre a desigualdade na representação dos dois partidos na discussão. Até o Pedro santana Lopes já terá escrito sobre a importante questão no seu blogue.
Tirando o facto de Oliveira e Costa ter opinado apenas para comentar dados das sondagens, as intervenções relevantes foram as de Henrique Neto, não me conseguindo agora recordar de nada que Paulo Rangel tenha dito, embora recorde a azeda troca de palavras com Santos Silva, que felizmente não estava presente no estúdio. Aliás, a rispidez de Santos Silva, a foma como ele manipula os dados e repete a cassete do Governo, deveria levar o PSD, caso tivessem trambelho, a exigir ao PS que mandasse o ministro dito da propaganda sistematicamente a tudo o que é debate.
O momento que me agradou mais no programa foi quando Henrique Neto declarou que a crise interna já existia e que este Governo teve a sorte da crise internacional, um alibi perfeito para poder justificar os seus fracassos. Outro momento foi quando o empresário declarou que este Governo é o Governo das grandes empresas e que por acaso as maiores aquelas às quais o Governo dedica os maiores apoios e atenções -referiu que o ministro da economia perde com elas 80% do seu tempo - são empresas que não exportam os seus produtos e que não estão sequer sujeitas à concorrência externa, o que é extraordinário para um País que tem uma péssima balança de transações correntes e que necessita de exportar como do pão para a boca. Santos Silva ficou à beira de uma apoplexia mas ... contra factos a propaganda não ajuda.
"Trabalho de João Pedroso é quase só fotocópias de diplomas legais"
Tirar fotocópias é uma actividade que o Ministério da Educação entende como fundamental na estrutura do nosso sistema educativo. A elevada conta em que a senhora ministra e os seus adjuntos, Lemos e Pedreira, têm esta actividade, que acham verdadeiramente decisiva para a melhoria da escola pública, está por trás da contratação do dr. João Pedroso.
Podem dizer o que quiserem sobre a inutilidade do trabalho feito, podem questionar o interesse de ter aquela papelada toda coligida em pastas, bolorentas a prazo, ainda que acompanhadas -disponível só para a snrª ministra e os seus secretários - de um suculento relatório explicativo e interpretativo, que eu sei muito bem o que levou a snrª ministra a pagar ao "dr. João Pedroso e aos p'raí 15 juristas" uma tão gande batelada de massa: as fotocópias, senhores.
Há testemunhos, que infelizmente os jornais não divulgam, que dão conta da excelência destas fotocópias. São fotocópias com alma, com uma qualidade superior às japonesas, que já eram muito melhores do que as originais. Só elas permitirão construir "um corpo unificado de regras jurídicas e de normativos harmonizados e sistematizados de Direito da Educação" que o engenheiro Sócrates considera fundamentais para concluir a reforma com que jurou não deixar pedra sobre pedra na escola pública em Portugal.
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Etiquetas: Educação.Saque.
"Sócrates acusa CGTP de ser instrumentalizada pelo PCP e Bloco de Esquerda"
Acusar os manifestantes "de se deixarem instrumentalizar pelos interesses eleitorais do PCP e do Bloco de Esquerda" e queixar-se de que as manifestações "se limitarem ao insulto pessoal" é caso para nos questionarmos se o primeiro-ministro não terá sido vitíma de "um golpe de sol".
Espero que isso não tenha acontecido já que pior do que um primeiro-ministro que chegou ao final do mandato completamente fora de forma só um que já não funcione bem da cabeça.
"CGTP conta juntar 200 mil pessoas na manifestação nacional de hoje em Lisboa"
Nos tempos que correm os velhos slogans adquirem uma nova actualidade. O factor trabalho nunca foi tão desvalorizado, nunca viu os seus direitos tão questionados e as suas conquistas obtidas ao longo de gerações de lutas repentinamente postas em causa. Nas relações entre o trabalho e o capital esta é uma época marcada pelo domínio político do capital.
Faz todo o sentido a manifestação dos trabalhadores. Faz todo o sentido que a CGTP convoque estas manifestações.
Se alguém tinha dúvidas sobre a legitimidade e a oportunidade da manifestação a resposta dada pelos trabalhadores esclarece tudo de forma definitiva. A Manifestação é a “maior de sempre” da CGTP em Lisboa sabe-se já. Os trabalhadores estão sujeitos a uma tensão enorme, insuportável e comparam as dificuldades porque passam com a opulência, a ganância, o abuso dos gestores que se abotoam com dezenas de milhares de euros mensais de prémios a somar às dezenas de milhares de euros de salários.
A manifestação é um direito que lhes assiste para expressarem a sua revolta e a sua indignação e exigirem mais justiça social. A recusa dos poderes políticos em fazerem a necessária leitura política da sua determinação poderá no futuro próximo conduzi-los a um outro nível de revolta.
A Comissão Concelhia de Sines do Partido Comunista Português (PCP) anunciou através de comunicado que o candidato da CDU a presidente da Câmara Municipal de Sines, nas próximas autárquicas é Francisco do Ó Pacheco.
Trata-se, a menos de outras considerações de natureza diversa, da melhor escolha possível da CDU para fazer face aos danos provocados pela saída de Manuel Coelho e para lutar pela autarquia de Sines.
Francisco Pacheco é o melhor candidato disponível para a CDU e nesse sentido, o dos interesses dessa força política, pode-se afirmar que a escolha não podia ser mais acertada. É aquele que melhor assegura a base eleitoral comunista, o menos permeàvel à influência de Coelho e aquele que dispõe do maior capital eleitoral próprio. Recorde-se, para os mais esquecidos, que sem a sua fortíssima colaboração eleitoral Manuel Coelho nunca teria sido eleito em 1997 e, embora em menor grau, tão pouco reeleito em 2001.
Morreu o João Mesquita, que conheci nos meus tempos de militância na UDP, quando da minha passagem pelo Técnico no pós 25 de Abril. Iniciou-se na Voz do Povo, o velho jornal da UDP. Era um homem de causas, foi um jornalista de causas, militante sindical, presidente do sindicato dos jornalistas, fundador do Bloco de Esquerda.
A morte é uma coisa ainda mais terrível quando nos leva os mais novos e entre eles os melhores.
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Etiquetas: In Memoriam
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Etiquetas: fotografia
"PS, PSD, CDS-PP e PCP destacam esforços do Presidente angolano para a paz e democracia
Ao quarto destino das nossas exportações tudo se perdoa. Aliás, mesmo que não tivesse essa importância económica, tudo se permitiria. de cócoras é a posição preferida dos nossos políticos.
De cócoras e a falar em nosso nome, como se todos nós fossemos parvos.
Destaquem o que quiserem, exibam o tão famigerado sentido de estado de que alguns falam seja por uma coisa ou pela sua inversa, recebam o homem, cortem as autoestradas perante o iminente ataque a sua execelência, mas por favor destacar o esforços para a paz e a democracia não é apenas patético é politicamente uma vigarice.
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Etiquetas: Política.
"Ninguém faltou à festa do Bayern de Munique, nem o Sporting"
Quando era pequeno escutava ao meu pai as histórias dos cinco violinos, dos inesquecíveis Travassos, Peyroteo, Jesus Correia, e de um grande avançado que lhes sucedeu, João Martins, natural de Sines e a sua maior referência desportiva de sempre .
Talvez por isso, apesar do grande Benfica de Eusébio que ganhava tudo quando eu era pequeno, fiz-me adepto do Sporting, coisa que, como se sabe, é amor para toda a vida.
Lembro-me de ouvir falar de coisas a que não assisti mas recordo outras de forma muito intensa: os feitos do insuperável Vítor Damas, o melhor guarda-redes que vi jogar, incluo nesta apreciação todos os grandes craques internacionais, do enorme Hector Yazalde, o melhor avançado que vi jogar em Portugal, do Dinis, do Fraguito, do Hilário, do José Carlos, do Alexandre Baptista, do Morais, do Manuel Fernandes, do Jordão, do Lito, do grande Keita, que na estreia ajudou a dar três ao Benfica, do grande Luisinho, talvez o melhor central estrangeiro que alguma vez jogou em Portugal, e estou a esquecer muitos outros de forma injusta. Mais recentemente o Balakov, o Figo, o João Pinto,o Mário Jardel - o único a rivalizar com Yazalde - e o Acosta, juntaram o seu nome à galeria de ídolos leoninos e proprocionaram aos seus adeptos tardes e noites de glória.
Não me recordo de uma humilhação assim como a sofrida esta noite. Este jogo e esta eliminatória constituem a página mais negra da história do Sporting e um momento que do ponto de vista desportivo perdurará nas nossas memórias.
Por tudo aquilo que escrevi sobre o Sporting de Paulo Bento e pela completa ausência de simpatia, uma expresssão manifestamente benigna, para com o treinador do Sporting, julgo que não devia ter ficado surpreendido. Mas, muito sinceramente, não é possível ver sem espanto um nível tão medíocre, tão incompetente, numa equipa que está a disputar os oitavos de final da Liga dos Campeões. Acresce ao escândalo o facto de este Bayern não ser nada por aí além.
Foi como se o controlo de qualidade tivesse falhado e o sistema tivesse resolvido punir exemplarmente o intruso que se tinha apresentado exibindo falsas credenciais.
Vergonhoso.
PS - Nos tempos que atrás referi havia uma outra forma de lidar com a dignidade de cada um e colocando em primeiro lugar a instituição. Numa situação destas ou demitia-se o treinador ou caso não o quisessem demitir deviam demitir-se os dirigentes. Mas, isso era no tempo do visconde, que por esta altura deve estar a dar voltas no túmulo.
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Etiquetas: Paixões.
"Conhecidos os resultados da EDP em 2008, menos se justifica que a empresa queira cortar nos salários dos trabalhadores e aumentar os preços cobrados aos consumidores. Os «sorrisos» que brilham no logotipo da EDP são, sem dúvida, dos grandes accionistas e dos administradores. Amanhã, a «conference call» que vai celebrar os lucros terá a presença, em protesto, de dirigentes e delegados dos sindicatos da Fiequimetal (SIESI E STIENC), que vão reclamar a alteração da posição da empresa nas negociações salariais.5.3.2009(...)"
Ler mais aqui.
Egídio Fernandes
irecção da USSInes
"Assaltada agência da CGD de Alfragide, na Amadora "
Realmente este tipo de assalto é pouco comum nos dias que correm. Tratando-se da Caixa o assalto faz-se, normalmente, pelo lado de dentro, pelo financiamento dos especuladores bolsistas, pelo financiamento das guerrilhas intestinas de bancos e grandes empresas. pela aceitação de acções a desvalorizarem como garantia de dívidas dosespeculadores.
No caso da Caixa o assalto tem o estatuto de política de Estado. Estes ladrões convencionais merecem um severo castigo, as coisas devem fazer-se by de book.
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Etiquetas: Crise.Saque

"No fundo, poucos existem que ainda saibam, no meio da sua vida, a forma como puderam chegar a ser aquilo que hoje são, às suas distracções, à sua concepção do mundo, à sua mulher, ao seu carácter, à sua profissão e aos seus êxitos; mas pressentem que pouco ou nada podem alterar isso. É até legítimo afirmar-se que eles foram enganados, pois nunca conseguimos descobrir uma razão suficiente para que as coisas se tenham tomado aquilo que são; teria sido perfeitamente possível encaminharem-se de outra forma; os acontecimentos só raras vezes foram a emanação dos homens, eles dependeram quase sempre de todas as espécies de circunstâncias, da disposição, da vida e da morte de outros homens, e apenas lhes caíram em cima em determinado instante. Durante a juventude, a vida deparava-se-lhes ainda como uma manhã inesgotável, repleta de possibilidades e de vazio, mas eis que ao meio-dia já algo surge diante de mós, algo que tem o direito de ser, a partir daí, a nossa vida, e causa também muita surpresa que no dia em que um homem está de súbito ali sentado, com quem nos correspondemos durante vinte anos sem o compreendermos nos surja tão diferente daquilo que imaginamos. Mas ainda o mais estranho é que a maioria dos homens não se aperceba disso; adoptam o homem que se aproximou deles, cuja vida se aclimatou nele, os acontecimentos da sua vida afiguram-se-lhes a partir daí expressão das suas qualidades, o seu destino é o seu mérito ou a sua pouca sorte. Sucedeu-lhes o mesmo que às moscas com a fita mata-moscas: algo se colou a eles, apanhando aqui um pêlo, entravando-lhes além os movimentos, qualquer coisa os manietou, até que ficaram sepultados sob uma espessa cobertura que só muito remotamente corresponde à sua forma primitiva. A partir daí só muito obscuramente é que pensam nessa juventude em que neles existia uma força de resistência: essa outra força que sacode e sopra, que nunca está quieta e desperta uma avalancha de tentativas de fuga sem qualquer espécie de objectivos; o espírito trocista da juventude, o seu repúdio da ordem estabelecida, a sua disponibilidade perante qualquer espécie de heroísmo, tanto para o sacrifício como para o crime, a sua ardente gravidade e a sua inconstância, tudo isso não passa de tentativas de fuga. "
Robert Musil, in O Homem sem Qualidades (I)
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Etiquetas: escritores
Finalmente: Inovação chega ao centro histórico de Sines
Posted by JCG at 3/08/2009 04:05:00 da tarde"Vamos promover a constituição de um movimento de cidadãos que será a base de apoio, não apenas à minha candidatura, mas à constituição de todas as equipas a candidatar à Câmara". São palavras do candidato à câmara de Sines, Manuel Coelho, proferidas na apresentação da sua candidatura pelo movimento "SIM - Sines Interessa Mais" em pleno coração do centro histórico. Nome particularmente infeliz o deste "movimento", porque nestas coisas das ironias e das subtilezas da língua pátria não faltará quem conclua que se trata sobretudo, ou apenas, do interesse dos próprios, dos candidatos neste caso.
Mas a inovação não vem daí, nem de mais nada que se veja. A inovação está na franqueza da revelação: os candidatos vão promover o movimento de cidadãos. Muito bem, noutros tempos era costume os movimentos dos cidadãos promoverem os candidatos, mas isso eram tempos opressivos, dominados pelas "teias e malhas partidárias" e pelo estalinismo, como se sabe.
Uma subita sensatez que cresce na proporção inversa da maioria absoluta
Posted by JCG at 3/08/2009 09:27:00 da manhã"Grupo parlamentar do PS admite que algumas medidas de política educativa do Governo "não correram muito bem"
A data cada vez mais próxima das eleições e a maioria absoluta a esfumar-se provocam afirmações desta natureza. Os deputados do PS que com as excepções conhecidas fizeram relativamente a esta questão aquilo que melhor os caracterizou ao longo da legislatura, abanarem a cabeça obedientes quando solicitados pelo Ministério, vieram agora admitir que algumas medidas não correram muito bem. Não é brilhante nem será um começo, trata-se apenas do final de um sonho de maioria absoluta que mobilizou a maioria dos profesores contra esse pesadelo.
Bom, eu nestas coisas prefiro a expontaneidade abrutalhada do secretário Pedreira, essa pedreira de sensibilidade como já tive oprotunidade de escrever, que não é dado a taticismos e que dispara forte e feio contra tudo o que mexe frente ao rolo compressor da política do seu ministério.
"Secretário de Estado da Educação acusa sindicatos de "inflexibilidade" e "hipocrisia"
Nem mais, qual maioria absoluta qual quê. São os sindicatos que estão na génese de todos os males da escola pública. A política do ministério? Mas haverá coisa mais benéfica para a escola pública e os porfessores do que esta política deste ministério com este secretário Pedreira, mais o Lemos e a Ministra? Só os sindicatos hipócritas que"estão a agitar permanentemente o clima, a fomentar a instabilidade nas escolas e, de uma forma completamente irresponsável, a apelar aos professores que não cumpram a lei(...)" esses malandros é que estão contra.
Alegre não integrará as listas de deputados do PS à Assembleia da República. Alegre não foi ao congresso de Espinho. Alegre diverge do seu partido em questões várias de que as votações na Assembleia da República dão claro testemunho. Alegre, ficámos agora a saber, "candidatava-se às legislativas com o seu movimento de cidadãos se a lei permitisse".
Mas, como não permite, ficamos sem saber o que irá Alegre fazer. Dando de barato que a preocupação de Alegre é genuína, com a qualidade da democracia, a necessidade de renovar as esquerdas e o debate político em geral e de construir uma sociedade mais justa e mais socialista, e não meramente instrumental da sua ambição de ser o candidato presidencial das esquerdas em 2011, é natural que o socialista venha a clarificar o seu posicionamento antes das próxima slegislativas. Como o fará? Existem diversas possibilidades mas certamente Alegre não irá integrar qualquer lista de candidatos de outro partido nem associar o seu movimento a uma candidatura partidária, ultrapassando assim a limitação legal. Por esse lado Sócrates pode estar descansado.
Uma óptima notícia: Pintor Anselm Kiefer quer criar “floresta cultural” na Comporta
Posted by MJB at 3/06/2009 10:08:00 da tarde"O Plano de Intervenção em Espaço Rural da Floresta Cultural da Comporta deu entrada para apreciação na Câmara Municipal de Alcácer do Sal. O projecto, apresentado informalmente, tem como promotor o pintor e escultor alemão Anselm Kiefer, que pretende transferir para a freguesia da Comporta, junto à localidade de Brejos, toda a sua produção artística, criando um complexo cultural apenas com um ou dois paralelos em todo o mundo. O plano preconiza a implantação da “Floresta Cultural” numa área denominada de Vale Perdido, cedida para o efeito pela Herdade da Comporta. São cerca de 600 hectares entre os quais apenas 1,5 hectares serão intervencionados. As construções são predominantemente “amovíveis ou ligeiras” e contemplam habitação e ateliers privativos para o artista, na denominada “Área de Monte”; ateliers para a realização das obras de arte – maioritariamente de dimensão monumental -, bem como alojamento para os trabalhadores previstos, no “Chão dos Ateliers”; a reconversão para a cultura de uma antiga pedreira/saibreira existente na propriedade, áreas de implantação temporária e colocação das obras de Anselm Kiefer, e áreas de enquadramento. Dado toda a zona ser abrangida pela Rede Natura, para além de outras redes de protecção, houve um cuidado especial com as questões ambientais. Deste modo, não está prevista a criação de novas vias internas, sendo utilizadas as já existentes, a requalificar. Foi feito um levantamento profundo de todas as espécies e habitats a preservar, que não serão tocadas, ao passo que se elaborou um plano de renaturalização, a 40 anos, para as áreas actualmente degradadas, nomeadamente pela acção do nemátodo, que destruiu grande parte da cobertura de pinheiro bravo. Em conclusão, como foi explicado, Anselm Kiefer escolheu a área da Comporta devido à sua localização extraordinária e ao elemento de natureza presente, já que a obra do artista é vincada uma reinvenção da natureza e dos seus elementos. Aliás, o projecto inclui a produção de arte que passará a integrar o espaço natural da herdade, numa verdadeira “floresta cultural”. Esse espólio poderá tornar possível, no futuro, a criação de um núcleo museológico próprio, dedicado à arte contemporânea, que fará parte dos mais importantes circuitos internacionais, contrariando a posição periférica do nosso país no que toca aos sistema de produção e comercialização de arte. Em França, local onde actualmente concentra a sua produção artística, Anselm Kiefer vai ceder o espaço à Fundação Guggenheim. Anselm Kiefer é considerado o maior artista plástico alemão vivo e está representado em praticamente todos os grandes museus mundiais, casos do MOMA, em Nova Iorque, do Guggenheim, em Bilbao e do Centre Pompidou, em Paris. Ainda recentemente foi convidado a integrar a colecção permanente do Louvre, também em Paris. Pedro Paredes, presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal reiterou o “grande empenho do actual executivo nas questões da educação e da cultura”, por “este ser o único investimento que efectivamente se reproduz”. Pelo exposto garantiu à equipa que apresentou o plano “brevidade” na sua apreciação, classificando este como “um projecto prioritário”."
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Etiquetas: artes
CGD já repôs o dinheiro retirado das contas para acertar erro no crédito bonificado
Esta é a vocação da Caixa nesta versão socialista.
A propósito da CGD e da sua vocação recomendo a leitura do excelente artigo de Luís Campos e Cunha, hoje no Público. Tudo claro e límpido.
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Etiquetas: Economia.Saque.
"PS volta a descer nas sondagens e está cada vez mais longe da maioria absoluta"
Julgo que estamos perante uma resposta sensata dos cidadãos, e entre eles muitos e muitos simpatizantes socialistas, chocados com a vacuidade que caracterizou o Congresso de Espinho. Se essa homília serviu apenas e só para o pastor Sócrates pedir a maioria absoluta, a resposta dada está à altura. Um amigo meu, que esteve no congresso, dizia-me esta manhã que não se recordava de uma coisa tão deprimente em termos de debate político e de apresentação de propostas. Terá estado em mais de dez congressos do PS mas, como eu lhe dise, ainda não se adaptou ao efeito das luzes e do espectáculo.
Espero que as previsões melhorem e se consolidem. Sobretudo porque me agrada o crescimento que se verifica pelo lado esquerdo do espectro político. Esta alteração da importância relativa das posições dos diversos partidos é essencial para o futuro da democracia. O centrão, cuja maior expressão é o partido de Sócrates, não tem respostas para as actuais necessidades que, aliás, ajudou a criar.
PS - julgo que estas sondagens não vão suscitar nenhuma reacção crítica do PSD.
"PCP quer chamar ao Parlamento presidente da Galp para explicações sobre lucros "
já agora podiam apresentar uma proposta para permitir aos Governos ou à Assembleia da República uma intervenção directa na formação dos preços nestes períodos de crise em que são ainda mais inaceitáveis os comportamentos especulativos feitos do saque das famílias e das empresas.
E já agora aproveitem para fazer o balanço da taxa Robin que afinal devia ser uma personagem infantil a julgar pela escassez da colecta.
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Etiquetas: Crise.Ganância
Directamente dos nossos bolsos para os dos senhores accionistas
Posted by JCG at 3/05/2009 10:41:00 da manhã"Galp ganhou 105 milhões no final de 2008 com lento acerto no preço dos combustíveis"
105 milhões só no último trimestre à custa da manutenção do preço dos combustíveis muito mais alto do que o preço do petróleo poderia justificar.
Este é um lucro conquistado à custa de sacríficios impostos às empresas e às famílias. É um saque que conta com a cobertura do poder político. Trata-se, afinal, de um saque de Estado.
PS - devíamos estar todos contentes por contribuirmos desta forma tão imprecisa para o enriquecimento do snr Américo Amorim e da snrª Isabel Santos?
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Etiquetas: Crise. Ganância.
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Etiquetas: política, Protagonistas
Silva Lopes: «A crise agrava-se sem uma maioria absoluta»
O dr. Silva Lopes economista muito estimável e estimado avançou agora com esta última descoberta da ciência económica. A maioria absoluta, diz ele, permite enfrentar melhor as crises. E a ditadura? Aguardamos todos que o dr. Silva Lopes actualize esta espécie de breviário sobre formas de governação em tempo de crise.
"Conselho Superior abre inquérito para apurar razões da morosidade de processo Mesquita Machado"
Se há um autarca que tem uma obra feita é sem dúvida Mesquita Machado. Se há um autarca que tem concretizado projectos estruturantes para a sua terra, ele é sem sombra de dúvida Mesquita Machado. Imagina-se em cada acto eleitoral já desde as calendas, perdão, desde as primeiras eleições democráticas, Mesquita Machado a apontar o dedo aos seus adversários e a dizer: eu é que fiz! Pudera!
Alguém no sistema de justiça tem a mesma opinião que Mesquita Machado: acha que o homem rebenta de lisura e de honestidade e que a obra que fez merece sobretudo aplauso e contemplação e nunca por nunca qualquer tipo de investigação vejam lá a ideia peregrina para detectar comportamentos menos próprios de titulares de cargos políticos.
Em Portugal podemos não saber muita coisa mas há pelo menos uma que toda a gente sabe: autarcas como Mesquita Machado morrem de velhos no poder.
... de João Cravinho. "Comissão Nacional do PS: João Cravinho sai, Santos Silva e Silva Pereira sobem na lista de Sócrates"
Sócrates não esquece que João Cravinho apresentou um projecto de combate à corrupção que além da sua qualidade técnica representava uma crítica política impiedosa à forma como a democracia portuguesa se relaciona com esse flagelo e em particular à omissão do PS nesse combate.
Sócrates não esquece e não perdoa.
"Apagão interrompe Congresso do PS"
Há quem diga que o debate de ideias ilumina as grandes decisões que vão determinar o futuro das sociedades. Talvez por isso os partidos organizaram-se de forma a que nos seus congressos as grandes questões fossem debatidas. O PS não foge à regra apesar da dr. Manuela Ferreira Leite tivesse preferido ver José Sócrates numa reunião informal da UE sobre o emprego, vá lá saber-se porquê.
Sintomático é o facto de a luz ter faltado no final congresso talvez porque, mal alimentada pela absoluta falta de ideias ou entontecida pela chatice do discurso de Vital Moreira, agravada pelo seu persistente movimento pendular de período curto, capaz de adormecer o mais vigil dos congressistas , tenha resolvido ir deitar-se e levar consigo toda a gente.
FC Porto 0–0 Sporting: A apoteose do erro e das faltas num jogo para esquecer
Bastou Paulo Bento fazer algumas escolhas sensatas para que o Sporting tivesse discutido o jogo no Dragão e merecesse mesmo ter derrotado o Porto. Julgo que Paulo Bento apenas falhou ao não te colocado Adrien Silva de ínicio, em vez de Rochemback que é um pesado atraso de vida.
O vexame contra o Bayern é culpa quase total das opções de mérito duvidoso que o treinador fez.
Mas desta vez esteve bem embora este resultado seja sobretudo útil para a vizinhança da segunda circular.
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Etiquetas: Paixões.

