"S. Francisco / Amsterdam" @ Tambor q Fala : 22.02.2008
Um vídeo de b fachada, no dia do lançamento do seu primeiro LP, "um fim-de-semana no Pónei Dourado". Há mais aqui.
O debate de ontem à noite na SIC-Notícias mostrou um Vital Moreira ao seu pior nível. José Sócrates e o partido socialista meteram-se num grande sarilho com esta escolha.
O professor de Coimbra não encontra o tom adequado de intervenção e oscila entre a vontade de abordar os problemas específicos da Europa e a necessidade de defender o Governo e o partido socialista na sua versão socrática ficando-se numa posição de meias tintas perdido no meio do debate como aquele guarda-redes apanhado em falso a meio da saída a ver a bola passar-lhe por cima. O tom, pouco ou nada convincente, e a falta de ligação entre as suas diversas intervenções além de uma natural falta de acutilância e de firmeza na defesa das suas ideias fazem com que depois de cada debate apenas nos lembremos vagamente da sua presença não sendo possível recordar nada que ele tenha dito. Fica-nos apenas a imagem de uma pessoa um pouco cansada e vagamente enfatuada assim como quem não consegue esconder a chatice que lhe provoca ter de debater com aqueles bárbaros ignorantes das subtilezas constitucionais da União sempre a resvalarem para a chicana e para a guerrinha que ele aliás não se cansa de repetir que não quer vencer. Uma presença apagada e um manifesto erro de casting.
Estando convencido que Vital Moreira aquilo que mais quer é ajudar o PS e José Sócrates em particular sugiro-lhe que meta baixa e que ceda o seu lugar nos debates à sua colega de blogue Ana Gomes. Bem sei que nesse caso José Sócrates vai passar a não assistir aos debates em directo vendo apenas versões diferidas convenientemente expurgadas das partes que os seus acessores entendam mais compatíveis com o seu estado de saúde actual.
O que salva Vital Moreira nestes debates é o tom agressivo e caceteiro adoptado por Paulo Rangel e por Nuno Melo que atacam vigorosamente o candidato manifestando-se incapazes de perceber que não há necessidade de serem tão acutilantes e, algumas vezes, tão irritantes. Devo confessar que algures no meio do debate a agressividade me pareceu tanta e tão trauliteira - sobretudo as mal criadas interrupções constantes com destaque para Nuno Melo que parece ser um daqueles putos da escola malcriados até dizer basta sempre a levantar o dedo para falar e a interromper toda a gente não vá o professor não reparar no seu génio - que já estava a sentir ssolidariedade com o dr. Vital.
O resto do debate não tem grande interesse: O PSD como se sabe concorda com tudo aquilo que o PS entende sobre a Europa - e a inversa também é verdadeira - mas o problema é sempre apenas e só a incompetência do Governo do PS que estraga tudo o que a União Europeia do camarada Barroso denodadamente faz. Uma miséria intelectual e politicamente.
A CDU ao apostar na sua actual candidata garante uma elevada eficácia na repetição do discurso de crítica ao neoliberalismo, crítica que a crise veio valorizar e tornar mais compreensível para largas camadas da população. Não serão intervenções particularmente criativas mas são eficazes e destinam-se a um eleitor muito específico e devem permitir garantir a sua representação actual. A CDU não faz qualquer esforço para descolar da acusação de Vital Moreira de que pertende ao bloco da esuqerda anti-sistémica e anti-europeia, porque tanto quanto se sabe isso corresponde à realidade. A CDU não morre de amores pela ideia de União Europeia.
No caso do Bloco, Miguel Portas mostra eficácia a defender a ideia de uma outra Europa mais social, mais justa, com uma maior regulação política e com uma margem de manobra para os mercados muito mais apertada. Parece ser incomparavelmente aquele que introduz uma maior criatividade no debate e o melhor preparado. Veja-se a referência às declarações de Krugmam sobre o facto de os Estados Unidos estarem a fazer um terço do que é necessário para saírem da crise enquanto a Europa está a fazer um sexto. Veja-se a referência à dimensão rídicula do Orçamento Europeu - cerca de um por cento dos Orçamentos de todos os Estados membros e grande parte engolido pela Política Agrícola Comum - e à incapcidade política para o aumentar canalizando novas verbas para as políticas sociais.
Não espanta que as sondagens dêem conta de uma razia de deputados no PS e de uma crescimento significativo do Bloco.
No entanto, até ao lavar dos cestos ainda é víndima.
"UE lança procedimentos por défices excessivos contra França, Espanha, Grécia e Irlanda".
Esta medida é bem a prova de que a UE se recusa a perceber as razões profundas que contribuíram para a crise em que vivemos. Em particular recusam-se a compreender o papel desempenhado pelas políticas de controlo do défice no agravar da crise e as suas consequências para milhões da famílias europeias fustigadas pelo desemprego e pelo aumento das taxas de juro.
O que esta medida tem de positivo é o facto de ela ter que ser estendida a todos os países, a curto prazo. Talvez Durão Barroso comece aqui o seu canto do cisne.
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Etiquetas: Economia.Crise.
"Vital Moreira defende maioria absoluta para "tomar as medidas que o país carece"
O dr. Vital passou instataneamente de uma fase em que apenas queria discutir a Europa e lamentava os que queriam fazer das eleições um plebescito da acção governativa para esta fase em que se tornou o principal arauto da maioria absoluta e usa a Europa como um palco para louvar o Governo.
Os argumentos são de uma pobreza franciscana mas introduzem uma nuance: a autoridade. O dr. Vital acha que sem a autoridade que a maioria absoluta dá o governo não pode tomar as medidas de que o país carece. O que me parece claro é que o dr. Vital Moreira, a lembrar-se dos tempos em que acharia a democracia burguesa uma coisa abominável, está tentado a pedir ao eleitorado para que suspenda a democracia, não por 6 meses como modestamente pedia a drª Manuela Ferreira Leite mas ... por quatro anos.
Julgo que o dr. Vital não vai ter sorte nenhuma a começar pelas europeias em que se percebe que a sua contribuição para o desempenho do PS apenas pode contribuir para um desastre, a julgar pelas suas paupérrimas intervenções no espaço público-mediático.
Há uma coisa que não devia escapar a um professor com tão elevados pregaminhos de constitucionalista e de homem de cultura acima da média: ninguém concede a outrém poderes discricionários para o castigar se entender que é esse o tratamento que mais se adequa ao seu caso. Ora é isso que Vital Moreira está a pedir ao elitorado, a julgar pelo que se passou nos últimos quatro anos.
Na cidade de Sines, como em muitas outras, sucessivas gerações de toxicodependentes assentaram praça nalguns locais públicos onde se dedicam a pedir alguns cêntimos ou euros para conseguirem dar resposta às suas necessidades impostas pelo vicio que os consome. São os pedintes pobres para quem o acto de pedir é sobretudo uma questão de sobrevivência.
Mas por estes dias há quem ocupe o espaço público para pedir. Não se trata de pedir euros ou cêntimos, já que para os padrões correntes estamos perante pessoas ricamente dotadas de recursos financeiros, mas sim votos. Neste particular o ainda Presidente da Câmara de Sines destaca-se na função. Dotado de uma elevada mobilidade está em todo o lado, o que o diferencia daqueles que pedem em sítio próprio, não deixando ninguém livre da sua presença. Logo que chega a um qualquer local onde nidifique a sua espécie favorita, eleitores, depois de seleccionar/hierarquizar os seus alvos inicia o ritual. Depois de uma singela troca de palavras ao estilo "então está tudo bem", "ainda não morreu mais ninguém na família?", dispara com toda a naturalidade do mundo: "claro que vão votar em mim nas próximas eleições?!!!", "sabem que já não sou estalinista, aliás nunca fui desde pequenino, sou até muito amigo do Sócrates, e tenho a obra para acabar?", "é uma obra muito importante para Sines!!!".
As perguntas não admitem, pelo tom, outra resposta que não seja a afirmativa. Não se trata na verdade de perguntas, estamos perante uma orientação de voto fornecida de forma gratuita e desinteressada, um verdadeiro suplício público, perdão, serviço público.
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Etiquetas: Caciquismos.
O 25 de Abril é uma data que tende a ser menorizada a partir de um conjunto de prácticas que se instalam e que se inscrevem mais na rotina, na mediocre rotina do que na criatividade e no engenho para os quais o 25 de Abril nos convoca a todos.
Ao nível local a rotina admite a festa mas recusa a reflexão e a crítica. Uma festa condimentada com música e com fogo de artíficio, que desta forma se mostra o nosso empenho na data e a nossa identificação com os ideais de Abril.
Em regra não se mostra nada. Muitas vezes o 25 de Abril apenas permite mostrar melhor a forma como ele próprio já foi instrumentalizado para os objectvos mais comezinhos da luta política centrada no umbigo hipertrofiado do autarca em funções e sobretudo desejoso de continuar no usufruto do cargo.
Haverá outros exemplos, exemplos diferentes, e ainda bem. Mas o pacote "música, foguetes e discurso político pré-eleitoral do regedor do burgo", terá este ano de tantas eleições e sobretudo de tantas eleições autárquicas atingido o seu apogeu. Quem não escutou um autarca empolgado aproveitar a data para subir ao palco, não armado do bandolim, da guitarra ou do violão mas para cantar, aliás, declamar aos ventos a lista inesgotável das obras que ele fez, com o seu infinito mérito que o povo deve agradecer depositando os seus votos no sítio certo, Deus seja louvado, aliás, viva o 25 de Abril, porra.
Esta cansativa rotina impõe também ela uma mudança: comemorar Abril com música, com foguetes mas sobretudo criando as condições para fazer de Abril a data por todos reconhecida, pelos mais velhos e pelos mais novos, como a data fundadora da democracia e da liberdade, a data sem a qual nós, sejamos nós quem formos actualmente, não o poderíamos ser.
Para isso temos que ser exigentes e mesmo severos com os caciques que todos os dias repudiam Abril, embora andem sempre com um cravo na lapela e não percam a oportunidade de subir ao palco para a coberto de Abril fazerem a apologia e a promoção de si próprios.
PS - Nas minhas comemorações particulares do 25 de Abril, em Sines, o ponto mais alto foi esta tarde na companhia de José Afonso. Não se tratavam de comemorações oficiais -talvez porque não estavam previstos discursos eleitorais - o que não faz mal. Agradeço ao CCEN a iniciativa.
O Zeca Afonso não se dava muito bem com coisas oficiais.
A declaração do PSD na sessão solene comemorativa do 25 de Abril de que o "Governo está a roubar a liberdade de escolha às gerações futuras com o seu programa de grandes obras públicas porque este deixará uma dívida monstruosa, uma renda anual de 1500 milhões de euros até 2040, durante 30 anos" é de uma hipocrisia extrema.
Em primeiro lugar a dívida pública é colossal mesmo sem estas obras e importa saber qual a responsabilidade do PSD e dos seus governos na sua "construção". Em segundo lugar importa saber se parte dessa dívida acumulada foi ou não construída, com responsabilidades do PSD, dando a privados, com risco zero, duas a três vezes o valor investido. Existem exemplos que bastem e a Lusoponte não é caso único.
Em terceiro lugar os portugueses além da dívida pública carregam sobre os ombros uma pesada dívida privada consequência das políticas públicas de habitação e da sua forma de financiamento e no desprezo que PSD e PS manifestam pelas determinações constitucionais do direito à habitação.
Em quarto lugar o PSD pretende ignorar a necessidade de revitalizar a economia e a importância que um programa de obras públicas pode ter para esse objectivo. Por isso, ao falar desta forma e ao agitar o fantasma do endividamento público o PSD manifesta apenas hipocrisia. Em alternativa devia colocar o acento tónico num conjunto de alternativas que de uma forma mais rápida e com menor endividamento, maior criação de emprego e maior incorporação de produção nacional e ´que pudessem ser lançadas num prazo mais curto. Até agora não o fez. Enquanto não o fizer merecerá ser acusado de hipocrisia e de apenas pretender assistir ao agravamento da situação para apoder acusar o Governo das responsabilidades.
Desta forma não vão longe.
Gostei do discurso do Presidente da República. Chamou a atenção para as realidades e não se recusou a apontar o dedo aos seus responsáveis. Criticou os dirigentes políticos exigindo-lhes rigor e afirmando que "este não é, seguramente, o tempo das propostas ilusórias. Este não é o tempo de promessas fáceis, que depois se deixarão por cumprir. A crise cria a obrigação acrescida de prometer apenas aquilo que se pode fazer, com os recursos que temos e no País que somos e iremos ser" mas não poupou os cidadãos às suas responsabilidades exigindo-lhes participação. "O exercício do sufrágio é, sem dúvida, a melhor homenagem que poderemos prestar à liberdade conquistada há 35 anos. É essencial que os Portugueses, sobretudo os mais jovens, percebam o quanto custou ganhar o direito que agora têm de escolher os seus representantes, através de eleições livres e transparentes.."
Cavaco Silva, percebe-se nas entrelinhas, não está convencido de que as soluções adoptadas pelo Governo correspondem às melhores opções disponíveis e não concorda inteiramente com as razões na origem da crise. Afirmou a dado passo que "A crise que vivemos não pode ser iludida e, num dia como o de hoje, haverá com certeza muitos portugueses que se interrogam sobre se foi este o País com que sonhámos em Abril de 1974.(...)
As previsões económicas divulgadas por organizações nacionais e internacionais estão à vista de todos e não é possível negá-las. (...) São interrogações tanto mais pertinentes quanto a crise que vivemos tornou mais nítidas as vulnerabilidades estruturais que o País ainda manifesta.
Não há, assim, a certeza de que este seja um momento meramente transitório de recessão da actividade económica, a que se seguirão melhores dias num prazo mais ou menos próximo.(...)
Pareceu-me igualmente claro na forma como identificou os reais problemas dos cidadãos: "(..)São estes os reais problemas dos cidadãos. É para a resolução desses problemas que têm de ser convocadas as escolhas dos eleitores.
O emprego, a segurança, a justiça, a saúde, a educação, a protecção social, o combate à corrupção são questões básicas que devem marcar a agenda política e em torno das quais deve ser possível estabelecer consensos entre os partidos estruturantes da nossa democracia.(...)"
Passados alguns dias da apresentação do candidato do PS às eleições em Sines ainda não está disponível no YouTube a apresentação multimédia da "vida e obra" do candidato.
Lamentável omissão que nos priva a todos nós, e ao mundo em geral, de conhecer mais em detalhe pormenores até agora ainda não tornados públicos sobre as diferentes realizações do candidato ao longo da sua vida.
A omissão deve ser imputada ao director de campanha - ou será director de imagem, ou director de conteúdos, ou dono/colaborador da empresa que trata da imagem do candidato? - Alcídio Torres, aliás dr. Alcídio Torres, aquele que comparou, no âmbito de uma anterior prestação de serviços, Francisco do Ó Pacheco, à data a luz dos seus olhos, a Vasco da Gama. Esse que em 1997 , em plenas eleições autárquicas de então, num momento de rara clarividência política e de uma irreconciliável relação com a verdade dos factos, elegeu, numa síntese publicada no Diário de Notícias, Monteiro de Sousa, "um conhecido gestor" como então era tratado, como a única alternativa válida a Manuel Coelho.
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
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Etiquetas: liberdade
"Vital Moreira prevê pedido de demissão de José Sócrates se não tiver maioria nas legislativas"
Quem diria senhor professor? Quem diria que a esquerda se colocava nesta posição chantagista de ameaçar com a demissão caso não obtivesse a maioria absoluta. Admitindo que se trata da esquerda ou de parte dela.
Julgo que Vital Moreira adivinhará por esta altura, agora que calcorreia mais o país real, um mau resultado nas europeias e um igualmente pior nas legislativas.
A julgar pelo seu paupérrimo desempenho na campanha - o debate com Paulo Rangel hoje na SIC correu-lhe muito mal, o professor parece ter sido um erro de casting - e pelas sondagens divulgadas Vital Moreira adivinha grandes desgraças. Merecidas, diga-se.
Otelo Saraiva de Carvalho promovido a coronel
A direita, que passa o tempo a fingir que é moderna e democrática, nunca perdoará a Otelo a sua participação no 25 de Abril. Este é o principal crime que a direita lhe atribuí e aquele que nunca lhe perdoará: ter contribuído para colocar um ponto final na ditadura salazarista.
Os erros, os excessos e as inconsequências que invocam, embora reais, são um fait divers : o 25 de Abril é que eles não lhe perdoam.
PS - Otelo mostra dignidade ao recusar a promoção ao abrigo da reconstituição das carreiras. Otelo Saraiva de Carvalho admite recusar a promoção de coronel e pode processar o Estado
Das duas três, se foi ilibado do processo das FP25 de abril devia ter sido imediatamente promovido. A sua recusa desta aparente benesse política, mostra dignidade.
"Resistentes Antifascistas indignados com a escolha do nome Salazar para praça central de Santa Comba Dão"
O presidente da Câmara de Santa Comba resolveu mostrar o seu reconhecimento a Salazar inaugurando uma praça com o seu nome. Não apenas reconhecido com o patrício que mais admira, escolheu uma data apropriada, o dia em que se comemora o fim da ditadura salazarista e o ínicio da liberdade. Passámos da pura e simples manifestação de um saudosismo salazarista para o campo da provocação. O autarca - do PSD registe-se - mostra de forma clara quais são as suas preferências. Em boa verdade esta coisa de ser eleito pelo povo não lhe agrada muito o que ele preferia mesmo era ser nomeado pelo senhor Presidente do Concelho.
Nestes tempos complicados em que diversos autoritarismos espreitam não será do senhor Lourenço e das saudades que sente de Salazar e das homenagens que lhe presta que virão os maiores males aos portugueses.
Sócrates defende reforço do subsídio social de desemprego e TGV para combater a crise
O título desta notícia salienta aquele que foi o maior fiasco da entrevista de Sócrates: a ausência de novas medidas adequadas para enfrentar a degradação da situação económica. O reforço do subsídio de desemprego é uma medida de impacto restrito a algumas dezenas de milhares de desempregados e o TGV é de outro campeonato e as suas consequências apenas se sentirão mais tarde, quando se espera que a crise já tenha passado. As explicações para esta ausência de medidas - havia muitas a tomar como por exemplo o reforço das pensões das camadas mais desfavorecidas, as medidas relativas ao crédito à habitação dos mais necessitados e para as PME´s a alteração das regras do IVA o fim imediato do Pagamento Especial por Conta, com contrapartidas do lado da manutenção do emprego, a alteração da Taxa Social Única para as empresas com uma maior imcorporação de mão de obra etc - radicam porventura na falta de rcursos disponíveis, embora o Governo não o assuma e continue a deitar dinheiro para alguns bancos.
Quanto ao mais a entrevista não foi grande coisa. Mas, há um aspecto que deve ser salientado: os jornalistas da RTP mostraram grande coragem, e independência, face ao clima de clara hostilidade que Sócrates adoptou. Na discussão sobre as relações com o Presidente da República, e sobretudo no caso Freeport, Sócrates foi duro e colocou uma pressão enorme sobre os jornalistas, em particular sobre Judite de Sousa. No caso das relações com o Presidente, Sócrates não foi convincente. Apesar de ter negado pensar da mesma maneira que António Vitorino, que acusara na véspera Cavaco Silva de colagem a Manuela Ferreira Leite - um momento de pura inversão da realidade por parte de Vitorino - ninguém acredita que as suas declarações nas Novas Fronteiras tinham outro alvo que não o Presidente da República. No caso Freeport foi igualmente duro mas convenhamos que alguém que se considera inocente e que está sujeito a um pressão desta dimensão não poderá deixar de manifestar a sua revolta e a sua indignação. Mas esteve bem em particular na cronologia do que se passou em 2004 e na relação que estabeleceu entre os momentos que antecederam a sua eleição no PS e no País e a estratégia política - é disso que estamos a falar, não é? - que utilizou o caso Freeport. Qualquer pessoa comprende o que o primeiro-ministro disse sobre o telejornal da TVI, sobretudo depois dos sucessivos episódios. Quem não diria a mesma coisa? Claro que com este clima não sobrou tempo para discutir o essencial: ora o essencial era, e é, saber porque razão um Governo de gestão toma decisões desta natureza e porque raio familiares seus se envolveram no processo, além de se conhecer o rasto do dinheiro. Sócrates ter-se-á disponibilizado já fora do estúdio para responder a todas as questões que as autoridades entendam por necesário. Se o fez esteve bem. Afinal o que esperam do primeiro-ministro? Que se declare culpado de crimes que ele entende não ter cometido?
A questão que fica é a de saber que utilidade teve esta entrevista além de permitir perceber que a crise não tem respostas adequadas por parte do Governo e que o caso Freeport é uma pressão sobre a acção governativa pouco menos que insuportável.
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Etiquetas: Política.Crise.
No primeiro debate sobre as eleições europeias, ontem no Prós e Contras, Vital Moreira mostrou que não tem jeito para a função. Habituado a falar de cátedra foi incapaz de argumentar perante os seus adversários e de mostrar combatividade, clareza e convicção.
Paulo Rangel, que não é exactamente um ás nestas coisas, esteve particularmente brilhante.
O começo não augura nada de bom para a campanha do PS. A opção Vital Moreira pode revelar-se um desastre.
A ideia de separar a Europa da política interna num período marcado pela crise é uma ideia que pode ser defendida, com alguma ingenuidade, pela Laurinda Alves e pelo seu nóvel partido, mas, francamente, o PS que governa o país como é que pode defender uma coisa destas?
Vital Moreira tem-se colocado a jeito para muito do que ontem lhe começou a acontecer à esquerda e à direita. Acusa os partidos que criticam a situação da Europa de serem anti-europeístas. Como muito bem lhe lembrou Miguel Portas isso é intelectual e politicamente desonesto já que criticar a Europa actual, a de Durão Barroso, a mais liberal desde o ínicio do projecto europeu, como lhe poderia recordar Mário Soares, é muito provavelmente a melhor acção de um europeísta convicto, de alguém que verdadeiramente ame o projecto europeu. A lógica de Vital transposta para a ordem intrna correponderia a alguém ser acusado de anti patriótico apenas e só por criticar o Governo de Portugal. Uma visão estalinista clássica que em muitos pontos se aproxima da visão do antigamente. Vital Moreira vai ter que rever as suas declarações e a sua forma de intervenção.
Jorge Miranda, pelo PS, é primeiro candidato a provedor de Justiça
Independentemente das trapalhadas que rodearam este processo, a escolha do professor Jorge Miranda é uma escolha que engrandece o lugar e quem a faz. As posições do PSD de recusar este histórico social-democrata, fundador do partido e um dos nossos mais respeitados constitucionalistas, é ridícula.
Espero que se reunam os votos suficientes em torno deste excelente candidato por forma a que os cidadãos tenham um novo provedor de justiça e o dr. Nascimento Rodrigues, que honrou o cargo que desemepenhou, possa ser substituído. Não reconheço qualquer utilidade em candidaturas do PCP ou do BE.
Se os cidadãos pudessem votar eu votaria em Jorge Miranda porque estou certo pelo conhecimeno que tenho da sua intervenção cívica e da sua elevada preparação que os cidadãos vão poder confiar nele como o seu provedor de justiça. Acho, aliás, que Jorge Miranda teria mais de 2/3 dos votos dos portugueses.
Trata-se de uma personalidade que honra o lugar.
Não há cartel na fixação dos preços dos combustíveis
O incomparável líder da suposta Autoridade da Concorrência veio fazer esta inesperada declaração ao páis. Os senhores que nos vendem combustíveis não combinam os preços limitam-se a seguir os preços uns dos outros. São muito reservados estes senhores não combinam nada entre si, limitam-se a estar atentos aos preços uns dos outros. Perceberam?
Quanto à questão de se saber se o facto de focarem a atenção nos preços uns dos outros os distrai da evolução do preço do brent e os torna mais lentos a reagirem à queda do preço, a AC nada diz. Penso que para isso temos que esperar mais um ano para que Manuel Sebastião nos venha dizer que a evolução é normal.
O ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES de 2007 recentemente publicado dá o devido destaque à situação da Câmara de Sines que, tal como o ano passado, se destaca pelas piores razões.
Em Portugal existem 308 municípios, dos quais 180 são municípios pequenos. Sines é um desses municípios pequenos. O nono (9) município pequeno com o maior índice de dívida a fornecedores relativamente às receitas totais do ano anterior e o 18º do ranking global. No que se refere aos muncípios com maior passivo exigível por habitante a sua situação no ranking em 2007 era o 27º lugar. Nada mau.
No que se refere à liquidez a coisa não corre melhor sendo o município o 23º com menor liquidez do país.
Quanto ao endividamento liquído por habitante estamos no 29º lugar entre 308. Ainda podia ser pior mas sempre são 1603 euros por habitante.
Será que alguém percebe na sua vida de todos os dias os sinais e os reflexos deste caos financeiro a que Manuel Coelho e a sua equipa conduziram o município de Sines?
Realmente, nesta lógica, Sines Interessa Mais, mas apenas e só para os que mamam, os que desde há muitos anos estão confortavelmente sentados à mesa do Orçamento.
"Menezes: “Há pessoas no PSD que querem que Ferreira Leite tenha um mau resultado”
No caso de Menezes, há que reconhecer, que o "querem" não se aplica, por pecar por defeito. O tom mais adequado é "querem ardentemente".
"Sócrates sublinha que PS não quis um "aparelhista" como candidato às europeias"
O expoente socialista do aparelhismo estava indisponível entendendo a declaração de Sócrates como uma referência a Paulo Rangel. No PS o expoente máximo da ascensão política na sociedade apenas e só baseada no controlo do aparelho partidário é Sócrates. Já que não se pode acumular o cargo de primeiro-ministro com o de candidato europeu o PS que nestas coisas, como noutras, não as faz pela metade, abdicou de ter um aparelhista.
Escolheu o intelectual orgânico do socratismo que cada vez que abre a boca é para mostrar que é mais papista que o papa.
"Cavaco duro como nunca para Governo e empresários "
Cito apenas esta frase mas tudo aquilo que o Presidente afirmou me suscita aplauso e aprovação: "(...)muitos dos agentes que beneficiaram do status quo – e que tiveram um papel activo nesta crise financeira – continuam a ser capazes de condicionar as políticas públicas, quer pela sua dimensão económica quer pela sua proximidade ao poder político.(...)”
Esta é uma das mais graves realidades que esta crise veio evidenciar: os poderes económicos condicionam as políticas públicas enm seu exclusivo benefício e não desistiram de o fazer, apesar da crise.
"Freeport: TVI mostra vídeo em que Smith reitera que Sócrates “é corrupto".
A exibição das imagens da reunião em que Charles Smith acusa Sócrates de ser corrupto era esperada. Ninguém pensaria que o DVD era, afinal, uma confissão de que não existiam imagens de qualquer reunião e apenas sons gravados sabe-se lá onde. A imagem estava reservada para uma segunda exibição porque nestas coisas o ganho está em não mostrar tudo de uma só vez. Como se sabe a imagem sobreposta ao som, liberta do negro, confere uma maior credibilidade à peça. A TVI sabe destas coisas. No entanto, independentemente do que pensa e faz a TVI, o que continua a afligir neste processo é a sua duração. Como é que podemos viver numa situação em que um processo como este se arrasta durante 5 anos e parece que pode continuar assim até pelo menos 2011? Isto é bem pior do que o vídeo da TVI, mas é certo e seguro que o vídeo da TVI não devia ser ignorado pelas nossas autoridaes. Nenhum meio de prova ou de descoberta da verdade devia ser ignorado. Mas, certamente as nossas autoridades têm consciência disto tudo. Se não obtêm bons resultados, se não são céleres é porque apesar dos seus esforços isso não lhes é possível. Que alguma coisa está mal no sector da justiça parece claro. E se discutissemos de novo os fundamentos do Estado de Direito e a separação e independência entre o poder executivo e o poder judicial? Talvez os fundamentos estejam a necessitar de algumas pequenas reparações.
O blogue "estação de sines", do António Braz, está por esta altura bloqueado. Aparentemente não se trata apenas de um problema técnico, queixando-se o autor de uma eventual agressão. A ser assim tratar-se-á de uma canalhice, infame.
Sou militantemente contra o anonimato na praça pública e no debate público. Acho que é sempre uma manifestação de cobardia. Mas não há nada pior do que a censura ou a tentativa dela. Todos sabemos que não acabou com o 25 de Abril, infelizmente. Anda para aí muito censor com o cravo na lapela.
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Etiquetas: Liberdade.
"Mário Soares: apoio de Sócrates a Durão Barroso é "nacionalismo no pior sentido da palavra"
Defender alguém que supostamente defende príncipios políticos diferentes dos nossos e tem uma práctica política diferente daquela que nós ambicionamos -bem sei que são mais as vozes do que as nozes... - é um nacionalismo no pior sentido da palavra.
Há muitas e boas razões para criticar a gestão de Durão Barroso em Bruxelas do ponto de vista de uma esquerda socialista moderada e europeísta, que deveria corresponder ao perfil político do primeiro-ministro, não fazendo qualquer sentido trazer à colação a questão da nacionalidade da personagem.
A corrupção envolvendo o urbanismo e o poder local têm sido muito debatidas mas sempre ou quase sempre num sentido: o promotor que corrompe o agente da administração. Nunca são abordadas as outras perspectivas. São várias as situações correntes, digamos assim: o promotor que por não pagar luvas, ou não satisfazer o capricho político do agente A ou B, apenas e só pretendendo respeitar e cumprir aquilo que está estabelecido nos instrumentos de planeamento em vigôr, é condenado a secar, confrontado com procedimentos que são a excepção no conjunto dos restantes promotores, a ver o seu investimento desvalorizar-se e os encargos a ele associados a aumentarem brutalmente; o técnico, engenheiro, arquitecto, jurista ou urbanista, que apenas e só porque opina ou discorda da máfia dominante, questionando os procedimentos, defendendo pessoas ou empresas contra os desmandos e os abusos da Admnistração, é tratado com a devida atenção, vendo os seus projectos sistematicamente chumbados à revelia de qualquer fundamentação e numa lógica em que a contagem de prazos se considera infinitamente prolongada. A contagem dos prazos é um dos mais potentes mecanismos de controlo democrático do exercício do poder executivo e uma forma de prevenção dos abusos, o problema é que toda a gente sabe que os tribunais não aplicam nem fazem valer a lei. Os que melhor o sabem são os abusadores. A vigarice na contagem dos prazos é um dos mais potentes mecanismos de abuso do poder autoritário.
Claro que estas situações acontecem apenas e só se os promotores não abrirem os cordões às bolsas ou se os técnicos não tiverem tido a educação mais aconselhável, aquela cujo príncipio doutrinário era o célebre: "se não calas não comes".
Por estas e outras é que Portugal tem tanta falta de massa crítica, sobretudo fora dos grandes centros urbanos: é que quanto mais nos afastamos das cidades mais pestilento fica o cheiro.
Por isso é que é cada vez mais importante obrigar os governantes a tomarem o combate à corrupção como uma prioridade. Sem isso continuamos a dar a oportunidade aos mediocres e incompetentes de tomarem a seu cargo os destinos da polis permitindo-lhes influenciar de forma dramática os destinos do país. Enquanto não o fizermos não passamos da cepa torta porque como lembrava o actual Presidente da República, há não muito tempo, a má moeda expulsa a boa moeda.
"Estamos genuinamente interessados em combater seriamente todos os aspectos que se relacionam com a corrupção" disse a circunspecta líder do PSD antes de ter considerado que a decisão do Parlamento sobre o "Sigilo bancário,foi "jogada política atabalhoada"
Nestas ocasiões temos todos muitas saudades dos tempos em que a dona Manuela não falava.
"Obama anuncia plano para criar corredores ferroviários por todo o território dos EUA"
Muitos dos que criticam o Governo por avançar com o TGV vão agora ficar um pouco mais calados. As razões para esta decisão são além de económicas de natureza ambiental. Obama tem estado a criar condições para revolucionar a América. Deve estar a despertar grandes ódios entre os mais conservadores.
Este post não significa que todas as opções sejam boas. As opções deste Governo são incomparavelmente melhores do que a loucura preconizada por Durão Barroso e Manuel Ferreira Leite que fazia para aí metade das linhas que Obama quer agora onstruir nos EUA. Outrostempos.
"Governo aprova proposta para alterar regras de acesso ao sigilo bancário".
De repente gera-se uma quase unanimidade de posições sobre estas matérias do sigilo bancário e do combate à corrupção, sendo certo que as posições do Presidente da República relativas a estes temas não são novas . O Governo é que foi acometido nas últimas horas por um inusitado frenesim anti-corrupção. Ainda bem, sem qualquer reserva. Bem vindos ao bloco. Nunca é tarde para sabermos que existe um verdadeiro bloco da esquerda - ou capaz de se unir em torno de ideias de esquerda - capaz de promover as mudanças fundamentais.
Entretanto a iniciativa que esteve na génese deste suito despertar foi aprovada pelo Parlamento. Excelente notícia. Parlamento aprova diploma do Bloco que prevê fim do sigilo bancário
Quanto aos restantes projectos do Bloco a coisa piou mais fino. Apenas a pressão da opinião pública e a insistência dos partidos da esquerda fará o PS ceder.
PS vai viabilizar projecto do Bloco de Esquerda para fim do sigilo bancário".
Se assim for o PS merece aplausos por ter tido a coragem de viabilizar esta proposta do Bloco. Será muito pedir ao PS que mude de atitude relativamente ao combate à corrupção e em particular relativamente ao crime de enriquecimento ilícito?
Será possível concluir uma legislatura em que o povo português elegeu uma ampla maioria de deputados da esquerda sem que o combate à corrupção tenha tido um enorme impulso e verificar que a direcção do partido socialista, para citar Cravinho, faz da omissão a sua política nesse combate?
Espero que este seja um primeiro sinal de que algo vai mudar.
Portugal tem dois milhões de pobres, 15% são crianças diz o Relatório do Banco de Portugal.
Nada que não se saiba já. Pobres que vivem abaixo do limiar de pobreza estabelecido em 362 euros mensais.
Menos do que ganha um administrador da GALP por cada 96 minutos do seu esforço titânico para manter os elevados níveis de lucros da empresa que nos espolia diariamente.
Noventa e seis minutos para ganhar 362 euros aquilo que resta a 2 milhões de portugueses por mês. Gente que recebe por dia 1800 euros o que equivale a 4 salários mínimos nacionais/dia, o que equivale a um salário mensal igual ao somatório de 88 salários mínimos nacionais. Que imoralidade, que obscenidade tamanha.
Que porcaria de país temos estado a construir. Como é possível a certos políticos falarem do povo e em nome do povo. Como é pos´sível esta gente ser tão pacifíca?
"Canção dos Xutos e Pontapés está a ser transformada em manifesto contra Sócrates"
A canção-manifesto dos Xutos é além de tudo o mais, que não será pouco, um forte factor de coesão institucional. Sócrates encontrou o seu "Talvez Foder" aproximando-o dessa experiência artística que marcou de forma indelével a parte final do consulado do então primeiro-ministro Cavaco Silva e que, dizem alguns, apressou o seu fim.
O dr. Vital Moreira pode estar descansado que as tentações de Belém rapidamente tenderão a esbater-se. Como muitas relações que se desgastam por falta de interesses comuns a relação entre o Presidente e o Primeiro-ministro pode agora ser reforçada através do efeito terapêutico que as conversas às quintas readquirirão, transformadas nas sessões musicais das quintas. Imagino Sócrates a chegar ao som do "Sem Eira nem Beira" e a entregar a um Cavaco imoderadamente sorridente, sob o efeito benfazejo da canção -manifesto, um DVD com o tema de Abrunhosa cantado perante uma multidão ululante. As conversas a seguir já serão do domínio privado da relação, mas imagino que a dado passo Cavaco não resistirá e perguntará a Sócrates: "Engenheiro, também entrava neste DVD?"
PS1 - lamento a troca do nome da música do Abrunhosa.
PS - as declarações dos Xutos são um pouco apatetadas, em particular as de José Pedro sobre os aproveitamentos políticos da música. Sugiro que façam a doação dos direitos de autor a uma instituição de carácter religioso talvez assim o engenheiro lhes perdoe.
Caso para dizer que a criação ultrapassou em muito os criadores o que neste caso não admirará a ninguém.
Anda tudo do avesso
Nesta rua que atravesso
Dão milhões a quem os tem
Aos outros um passou bem
.
Não consigo perceber
Quem é que nos quer tramar
Enganar
Despedir
E ainda se ficam a rir
.
Eu quero acreditar
Que esta merda vai mudar
E espero vir a ter
Uma vida bem melhor
.
Mas se eu nada fizer
Isto nunca vai mudar
Conseguir
Encontrar
Mais força para lutar...
.
(Refrão)Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a comer
.
É difícil ser honesto
É difícil de engolir
Quem não tem nada vai preso
Quem tem muito fica a rir
.
Ainda espero ver alguém
Assumir que já andou
A roubar
A enganaro povo que acreditou
Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar
Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar...
.
(Refrão)Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a foder
.
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Mas eu sou um homem honesto
Só errei na profissão
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Etiquetas: Política.
"Economia portuguesa vai recuar 3,5 por cento em 2009".
É o consumo das famílias que vai cair 0,9 por cento em vez de aumentar 1,4 por cento como previa o BP que vai determinar a pior recessão desde 1974. Honra e mérito deste Governo e da pior crise dos últimos oitenta anos. O que interessa saber é o que vai fazer o Governo para inverter esta situação? Não tenho grandes esperanças porque me parece que os rapazes até trabalham muito, vejam-se as sucessivas declarações do primeiro-ministro as coisas que ele inaugura, as declarações eternamente optimistas que faz, deve-lhes faltar é o jeito.
Fazem o que não devia me não fazem aquilo que faz falta. Falta apoiar efectivamente as famílias, falta apoiar efectivamente os sectores mais carenciados da população, falta devolver-lhes a confiança na governação e no futuro do país, falta que elessintam que há uma cultura de exigência e de rigor e que não vai continuar a ser com ode costume com os mais poderosos a safaram-se e os outros todos a pagarem as favas.
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Etiquetas: Economia.Crise
"Isaltino Morais acusado por testemunha de ter recebido casa no Algarve em contrapartida por licenciamento"
Toda a gente recebeu uma cazibha, um apartamentozinho, uma casinha para a filha etc, e um homem desta craveira, um autraca deste nível não podia ter recebido uma casa no Algarve, para somar ao terreno em Cabo-Verde e ao dinheirito que juntou na Suiça.
Se a sobrinha cabeleireira que ganhava mais de 5 mil euros na Suiça tinha o que tinha porque razão não podia ele ter várias casinhas.
E depois o que vale isso, o que vale o que o outro disse que ele disse e o que ele lhe terá dito se é que lhe disse alguma coisa? Zero!!!
Zero é o que vale a luta contra a corrupção e o tráfico de influências neste país.
"Manuela Ferreira Leite já decidiu nome do PSD para Europa mas mantém tabu"
Ha um desnorte no PSD que não tem comparação com nada que se tenha passado anteriormente na política portuguesa. Neste caso a culpa não é do Governo nem da imprensa favorável ao PS: o problema está nas opções de mérito duvidoso, para não dizer pior, da sua líder ou de quem a apoia na gestão política da oposição.
Não lembrava a ninguém, no seu juízo perfeito, adiar ad nauseum a escolha do líder para as europeias. Numa altura em que a escolha de Sócrates lhe coloca problemas inesperados o PSD consome-se numa escolha que nunca mais se revela. O que se vai sabendo é mais da área do surreal do que da área do bom senso: preferir Paulo Rangel a Marques Mendes no contexto actual da oposição é um disparate político e mostra uma incapacidade da senhora para lidar com a realidade. Marques Mendes, cuja saída da liderança do PSD não trouxe nenhuma vantagem política ao partido antes pelo contrário, tem um peso político e uma importância que Paulo Rangel nem sonha.
Agora vem a teroria do tabu acerca desta escolha. Ela já terá sido feita mas a senhora resolveu não dizer a ninguém, por mais um tempo. Até quando? Até 7 de Junho?
"Inflação homóloga com valor negativo pela primeira vez em mais de 40 anos"
Não vivíamos uma situação assim há 40 anos. Como se responde a esta situação? O primeiro-ministro passou o dia a anunciar investimento público na recuperação de escolas. Óptimo, mas este anúncio e o texto que lhe está associado, tem sido matraqueado durante as última semanas. Esta situação concreta que resposta mereceu ou merecerá?
Importa dar uma resposta para evitar que a deflação se instale dizem os economistas. Que pode fazer o Governo. Durante o dia a única proposta que escutei, e que me parece fazer sentido, foi a de Francisco Louçã, que tem a vantagem de ser um reputado economista, que apontou uma solução: aumentar o poder de compra dos pensionistas, gastando nisso menos do que o Estado já enterrou no BPN. Sabemos todos, mesmo os não economistas, que as classes mais desfavorecidas face a um pequeno aumento do seu poder de compra canalizam a totalidade dessas verbas para o consumo tantas são as suas necessidades. Ora, num cenário de deflação um aumento do consumo é como um milagre.
Acresce o facto absolutamente relevante de por essa via se combater a desigualdade social e se tornar mais justa a distribuição da riqueza.
"Obama põe fim às restrições de viagens e ao envio de dinheiro para Cuba"
Parece que o bloqueio dos Estados Unidos a Cuba não resistirá ao efeito OBama. As mudanças agora anunciadas afectarão mais de um milhão de cubanos e representam um importante passo no sentido da normalização das relações entre os dois países.
Talvez Fidel Castro e o seu irmão tenham mais a temer com a nova realidade que pode emergir deste reactar de relações. Aquilo que dezenas de anos de bloqueio americano, e o reaccionarismo anti-castrista da cambada de Miami, não conseguiram pode agora ser mais rapidamente alcançado com a nova política de Obama que aposta no diálogo e noutro tipo de contágio para mudar o regime em Cuba.
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Etiquetas: Política.
Está já nas bancas a edição de Abril do Le Monde Diplomatique. Nesta edição pode ler um artigo deste escriba com o título "Portugal:O velho problema da habitação" integrado num dossier para o qual também contribui o sociólogo João Pedro Nunes com um texto cujo título é "Propriedade do alojamento e propriedade urbana na Área Metropolitana de Lisboa».
Mas encontra nesta edição muitos motivos de interesse com destaque para o o texto sobre a Desigualdade em Portugal de Renato MIguel do Carmo, "Portugal e o eterno dualismo: é possível quebrar o ciclo?» ou o texto de Laurent Cordonnier, "Remendos no “Titanic” da finança global» ou a propósito do 10º aniversário do Le Monde o artigo da sua directora, Sandra Monteiro, "Dez anos por um jornalismo sustentável".
Condições reunidas para uma leitura estimulante.
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Etiquetas: Leituras.
"Falta o segundo jogo, mas Barcelona e Chelsea já pensam nas meias-finais"
Em Camp Nou defrontaram-se duas equipas que em quatro jogos tinham aviado o Sporting com 20 golos. A equipa que tinha contribuido com a parte mais substancial - 12 dos 20 - encaixou 4 em Barcelona em apenas 45 minutos. Beckenbauer achou que tinha sido uma humilhação. Pois foi, sim senhor. Uma humilhação feita pelo mais forte ao mais fraco.
Aquestão que se põe é a de saber como é que uma equipa como a do Sporting perde por 7 e por 5 com estes bávaros medíocres que ontem nem correr pareciam saber.
Asa coisas vão ocntinuar assim: não há candidato ao lugar do visconde que não defenda com unhas e dentes a continuidade de Paulo Bento. Terão endoidecido todos?
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Etiquetas: Paixões.
"Sócrates apoia Durão Barroso porque considera que fez um bom trabalho"
Se há uma coisa em que temos que atribuir méritos a Sócrates é na facilidade com que diz uma coisa e faz outra. Não vou agora recordar aquilo que prometeu na campanha eleitoral e aquilo que depois optou por fazer. Basta-me apenas atender à questão do apoio a Durão Barroso. Sócrates tinha-se tornado nas últimas semanas um neo-keynesiano e um crítico empolgado do neoliberalismo. De repente ei-lo a apoiar a reeleição de Durão, imagine-se, porque fez um bom trabalho. Mas, admitindo que o ex-maoísta fez um bom trabalho qual o significado político dessa tarefa bem executada? O reforço do neoliberalismo? Em grande parte sim e não apenas por estar ligada a Bush e à invasão americana do Iraque. A Comissão presidida por Durão Barroso não deixou os seus créditos por mãos alheias no que toca ao ataque ao modelo social europeu e embora o homem goze da fama de ser um simples impedido dos poderosos a sua Comissão não tem pecado pela omissão.
"Sismo: Berlusconi pede aos sobreviventes que encarem a situação como "um fim-de-semana no parque de campismo"
Não lhes falta nada, disse um inenarrável Berlusconi, às vitímas desta catástrofe. Encarem a actual situação como um fim de semana no parque de campismo.
Mas que raio de gente é que os europeus andam a escolher para os governar? Que porcaria de classe política será a italiana para que este homem possa ascender ao poder? Ou será o povo que não presta?
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Etiquetas: Política.

1. Foi o árbitro.
2. O Manchester não está em forma.
3. O Porto teve sorte.
4. Foi o árbitro.
5. O Manchester está a jogar mal.
6. O Pinto da Costa comprou aqueles gajos todos.
7. O Manchester jogou no domingo.
8. Com meia equipa do Manchester lesionada, também nós!
9. Foi o árbitro.
10. Também, com os jogos do campeonato todos comprados, podem descansar à vontade durante os fins-de-semana para jogar na Champion's durante a semana.
11. Se tivéssemos ficado no vosso grupo...
12. Foi o árbitro.
13. Os jogadores do Manchester já têm muitos jogos nas pernas.
14. Tenho dúvidas naquele primeiro golo, a ver se vejo a repetição.
15. A vossa sorte foi o Ronaldo ter jogado mal.
16. Foi o árbitro.
17. Não fazem outra.
18. Calharam com a equipa mais fraca. Queria era ver-vos contra o Bayern!
19. Liga dos Campeões, ontem? Olha, não sabia, nem vi!
20. Foi o árbitro.
[em actualização. aceitam-se mais sugestões (vá, vocês conseguem). a sua utilização durante o dia de hoje é gratuita e livre de qualquer encargo]
"FC Porto joga bem e empata com o Manchester United"
Classe é aquilo que separa o Porto da concorrência interna. Embora intra-muros, águias e lagartos disfarcem a sua mediocridade e algumas vezes se aproximem do nível dos dragões, logo que passam as fronteiras mostram a sua verdadeira dimensão.
A diferença não está apenas na qualidade dos jogadores, está num connunto alargado de pormenores que fazem toda a diferença.
Mas, seria estupidez não reconhecer a enorme qualidade de Jesualdo por comparação com Paulo Bento ou Quique Flores. Apenas um grande treinador vai a Manchester e coloca uma equipa a jogar com um perfil de equipa ganhadora, atrevida, decidida a discutir o jogo em cada palmo do relvado.
Com o Porto não acontecem casos como o do Bayern - uma equipa mediana, insisto - porque os jogadores não se colocam a jeito transidos de medo.
As boas notícias para o Porto não acabam nesta campanha notável da Liga dops Campeões - julgo que o Porto irá em frente - o Sporting prepara-se para reconduzir a dupla Soares Franco-Paulo Bento.
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Etiquetas: Paixões.
"Vital Moreira explica que deve ser o partido mais votado a indigitar presidente da CE"
Quem assim fala sobre Durão Barroso não é o cabeça de lista Vital Moreira que, depois de ter embarcado na conversa de Soares, um homem independente, já veio esclarecer melhor o sentido das suas palavras. É o dr. Vitalino, o que fala em nome do secretátrio geral, que veio recordar que "a posição oficial [do PS] é de apoio à recandidatura” de Barroso." entendendo-se como posição oficial a de Sócrates, naturalmente.
Traduzindo por outras palavras as ditas pelo dr. Vitalino o PS apoia a recandidatura de "um rosto do passado, um dos expoentes do neoliberalismo e do servilismo mais abjecto dos dirigentes europeus à Administração Bush de má memória". Tomo aqui como fonte as declarações do dr. Soares e da dr. Ana Gomes sobre o presidente da Comissão Europeia.
"Fisco notifica mais de seis mil gestores e administradores de empresas".
Nada de novo. O Fisco vai sacar a estes, na sua maioria sócios-gerentes de pequenas e médias empresas, aquilo que não foi capaz de cobrar aos BCP's e aoutros poderosos da nossa praça. É o costume: o Fisco é forte com os fracos e incompetente e permissivo com os poderosos. Sai ao Governo.
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Etiquetas: Economia.Saque.
Fisco deixa prescrever 3,7 milhões de euros de correcções feitas pela IFG à banca
Uma notícia destas obriga a uma declaração de aumento global das receitas fiscais. Uma necessidade destas, ainda por cima num ano com tantas eleições, obriga a medidas radicais. As PME´s que se cuidem.
O Estado utiliza a administração fiscal como instrumento poderoso ao serviço da desigualdade na distribuição da riqueza, tirando o máximo aos mais pobres para dar o máximo aos mais poderosos. Esta é a imagem de marca do regime e em particular deste Governo.
"PS europeu deve ter candidato à presidência da Comissão Europeia defendem Mário Soares e Vital Moreira"
Parece que existe aqui uma divergência entre Sócrates, um grande apoiante do Zé Manuel "porreiro pá" Barroso, e Soares e Vital Moreira.
Um outro mundo está a nascer à frente dos nossos olhos.
Posted by JCG at 4/06/2009 01:26:00 da manhãObama defende mundo sem armas nucleares
A presidência de Obama tem representado tantas mudanças, tantas esperanças que deixaram de ser vãs, tantas alterações na maneira tradicional de fazer política, que não é possível tentar sintetizá-las em meia dúzia de palavras. O discurso em Praga, perante mais de 20 mil pessoas, foi mais um acontecimento notável. Defender o fim das armas nucleares e compromissos entre os diferentes estados para erradicá-las é um passo de gigante para a humanidade. Tal como o anúncio do empenhamento dos Estados Unidos na luta contra o aquecimento global, rasgando a política sinistra da anterior Admnistração. Ou a promoção do diálogo com o Irão e mesmo com os Talibans. Ou a promoção de uma nova ordem internacional em que os Estados se relacionem como parceiros iguais nos seus direitos. Para não falar nas questões da política interna e nas questões económicas em que a sua acção se tem revelado de uma liderança política exemplar não se remetendo a uma postura discreta deixando ao mercado a condução do processo económico.
Obama é além disso tudo uma pessoa agadável com um sorriso bonito que inspira confiança e nos dá vontade de ser seu amigo, sem crispações, sem agressividade, com um brilhantismo humilde, mas que percebemos que é competente, corajoso e determinado.
A personalidade de Obama constrasta com a esmagadora maioria de mediocres que pululam pelos Governos europeus, incapazes de um rasgo, de uma ideia, de uma atitude, de um momento de grandeza. Veja-se o contraste com o cinzentão Durão Barroso, esse menor denominador comum da eurocracia.
É bom sabermos que ainda existem políticos assim mesmo não tendo a sorte de o ter entre os nossos.
"Bloco de Esquerda defende “renacionalização” do sector de energia".
Eu tenho sérias dúvidas sobre a eficácia desta proposta. Não estando em discussão a sua aplicação imediata, ou no curto prazo, já que os partidos que a defendem representam menos de 20% dos eleitores, importa discutir a sua eficácia práctica.
Julgo que a argumentação, tal como ela é noticiada, é errada. Dizer-se(?) que se defende a " renacionalização da Galp e da EDP, que são estruturas energéticas que deviam ser de todos porque dão lucro de milhões" parece-me uma argumentação pobre.
O que faria sentido para a generalidade das pessoas é que o Estado tivesse uma intevenção efectiva nestas empresas condicionando a formação dos preços dos seus produtos e estabelecendo níveis que não pudessem ser ultrapassados. Faria sentido que o Estado não privatiasse a parte que ainda detêm nessas empresas e considerasse a possibilidade de reforçar a sua posição acionista. No caso da energia essa intervenção deveria ter em conta a situação de certos grupos sociais mais carenciados que deveriam ter o seu preço da energia diminuído, assim como determinadas instituições.
Por outro lado estas empresas de capital intensivo deveriam contribuir para a Segurança Social em função do produto por trabalhador e não em função do salário por trabalhador, talvez desta forma a sustentabilidade da segurança social pudesse ser garantida.
Uma última questão era a fixação de níveis salariais máximos para os gestores e a indexação dos salários dos restantes trabalhadores a esses salários. Os benefícios obtidos a título de remuneração suplementar deveriam ser objecto de uma tributação especial agravada.
Por fim os benefícios concedidos a estas empresas a título de apoio ao investimento seriam completamente eliminados e canalizados para sectores que estivessem sujeitos à concorrência internacional e que se destinassem fundamentalmente à exportação.
Faz falta uma presença forte do Estado na economia e não apenas como regulador, mas estou convencido que não é necessária a posse pública para permitir alcançar os objectivos de desenvolvimento económico e social desejáveis.
É preciso falar de política quando ela cumpre duas das suas funções mais importantes: dar esperança, propor soluções. É nesta linha que se enquadram algumas intenções que Barak Obama apresentou hoje em Praga, a ler neste artigo
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Etiquetas: Mundo
"O PÚBLICO de hoje - pg 36, Economia - relata que aquando do encerramento do Congresso promovido pela ADFER ( que parece ter estado em risco de se não realizar devido haver contestação à TTT ) Jorge Coelho declarou:" é chegada a hora de acabar com discussões que chegaram a um ponto que ninguém quer ouvir e passar à execussão".
Não restam assim dúvidas; Jorge Coelho manda e Mario Lino e Paula Vitorino tocam a executar! Clarinho, limpissimo e concludente. Ao menos valha-nos essa sinceridade.
Passámos a ter novo "slogan" na governação do País: "quem bata na Mota-Engil leva..." Já o pressemtiamos quando contestámos a ampliação do Terminal de Alcantara.
Nunca pensei que quando se ultrapassassem os 80 anos se entrasse na fase da ingenuidade..."
Joaquim Silva
"Sócrates escolheu mal as companhias antes de ser eleito "
Eu concordo com o dr. Saldanha Sanches. O primeiro-ministro escolheu, de facto, muito mal as companhias ao longo de parte significativa da sua vida política. O problema é que essas escolhas se revelaram operativas da sua conquista do poder no PS e no Pais. Sócrates não pensará, ao que se sabe, da mesma maneira, não tendo a mesma opinião que Saldanha Sanches acerca dessas companhias.
Daí a alguém no seu juízo perfeito poder afirmar que o primeiro-ministro está envolvido em corrupção no caso Freepeort, vai uma grande distância. Uma distância maior do que a que permitiria afirmar que ele está inocente. Maior, apenas, porque até prova em contrário prevalece o pressuposto da inocência para os arguidos e no caso em questão Sócrates nem arguido é.
Mas, voltando às declarações de Saldanha Sanches, há um ambiente pestilento no país. Um ambiente de desconfiança profunda nas instituições e sobretudo na justiça.
Não podemos de facto dissociar este facto das escolhas que determinados políticos fizeram ao longo da sua vida e os que com o nosso voto os elegemos não nos podemos colocar de fora do problema com o vago estatuto de observadores.
O artigo de opinião do jornalista António José Teixeira no Diário Económico. Cito: "Um empresário condenado por corrupção activa foi eleito presidente de uma empresa intermunicipal. O empresário chama-se Domingos Névoa e a empresa Braval. Trata dos resíduos sólidos de seis concelhos do Baixo Cávado, que engloba os municípios de Braga, Póvoa de Lanhoso, Amares, Vila Verde, Terras do Bouro e Vieira do Minho. Já nada nos parece indignar. As notícias mais improváveis costumam servir para provarmos a nós próprios que o mundo é, afinal, tão perverso como suspeitávamos e comprovámos há muito.(...)É verdade que a justiça que temos julgou bastante a multa de cinco mil euros para um crime comprovado de corrupção activa. E, quem sabe, um último recurso ainda poderá atenuar... Não será o primeiro nem o último. É verdade que o enriquecimento ilícito não é crime em Portugal. É verdade também que o presidente da Câmara de Braga viu arquivado um processo que se arrastou durante oito anos e em que se afloravam suspeitas de corrupção e tráfico de influências, ligações pouco claras a empreiteiros, nomeadamente à Bragaparques de Domingos Névoa. Se tudo isto é possível, porque não institucionalizar laços entre tão ilustres figuras? Se a justiça do Estado é tão branda e permissiva porque não recuperar para o serviço público gente tão hábil e empreendedora?(...)A nossa democracia está a mergulhar numa letargia alimentada pela indiferença, por compromissos espúrios, por chantagens discretas, por um estado de direito sem coluna vertebral, por decisões confusas para melhor serem inconsequentes, por uma cultura habituada a vergar-se à prepotência, por eleitos frouxos e eleitores pouco exigentes, por habilidosos confundidos com homens competentes, por sucessos com pés de barro, por maledicência gratuita e por silêncios desistentes. Só se quer mudar na condição de tudo ficar na mesma. Adoramos a modorra do ramerrão. Por tudo isto, Portugal está a tornar-se num imenso Braval."
" BCE baixa juros para mínimo histórico de 1,25 por cento"
"Governo apoiou lei que fomenta fuga ao fisco dos bancos"
Ninguém pode acusar este Governo de não ter feito atempadamente as suas opções. Em matéria fiscal o Governo conseguiu aumentar significativamente a receita fiscal com o recurso às famigeradas multas e coimas penalizadoras, sobretudo, dos mais fracos e dos que se defendem com mais dificuldade. Não contente com isso fez saber que quem se queixar das finanças certamente será castigado.
Como diria Henrique Neto este Governo é o Governo das grandes empresas. Claro que é o Governo dos Bancos, das grandes empresas do sector energético, de algumas emperesas de construção civil. Somem-se as isenções fiscais e os apoios dados a empresas do sector energético e avalie-se a real situação da banca, de que exemplos como este são apenas um entre vários.
É necessário sacar muito a milhares de pequenas e médias empresas para poder distribuir estes privilégios aos amigos da Banca.
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Etiquetas: Economia.Saque.
"Sistema democrático português «está doente"
Quem o diz é o socialista João Cravinho, a propósito da nomeação de Domingos Névoa para a admnistração de uma empresa intermunicipal de Braga e do facto de esta nomeação apenas ter merecido a condenação do BE.
Claro que se compreende a posição de João Cravinho ele que liderou o combate contra a corrupção tendo sido derrotado pela maioria absoluta do seu partido. Mas, a realidade é que são os socialistas de Braga, liderados por Mesquita Machado, que escolheram Domingos Névoa, certamente conhecedores da forma empenhada como ele trata os dinheiros públicos.
Parece chocante a qualquer pessoa que esta nomeação apenas alguns meses depois do polémico julgamento de Névoa por actos corruptos possa ser possível e que ele passe sem que o PS e os restantes partidos, com excepção do BE, abram a boca sobre o assunto.

