O PS tem uma estratégia bem definida para este final de semana: suspendeu a actividade governativa do primeiro-ministro, que ocupou a tempo inteiro o lugar do desastrado cabeça-de-lista, e reduz ao máximo as intervenções públicas de algumas das figuras mais polémicas, ou com posições susceptíveis de serem exploradas pela imprensa.
No telejornal da SIC um excelente trabalho jornalístico de Pedro Coelho dava conta da dinâmica das camionetas que ajudam a encher os comícios do PS com pessoas que, nalguns casos, nem sabem muito bem ao que vêem. Pelo vistos a actividade do jornalista, a entrevistar as velhinhas que achavam que a viagem tinha sido porreira com cantigas e muita alegria, não foi bem recebida pelos organizadores das ditas excursões. Pedro Coelho salientou, muito a propósito, a dimensão regional destas autênticas excursões que captam excursionistas num perímetro considerável à volta do local no qual se realiza o evento. Neste campeonato quem tem mais massa e contrata os melhores organizadores é que apresenta melhores audiências para as televisões. Nesta matéria o PS está a ganhar por dez a zero ao PSD que não dá uma para a caixa. No mesmo trabalho o jornalista dava conta da dificuldade que o PSD teve em encher a sua sala, para o comício da noite. Patético é que o cabeça de lista do PS - substituído na função por José Sócrates, sob pena de perder mesmo as eleições - encontre aí, na dinâmica das camionetas, uma evidência de um grande motivo para um enorme "regozijo eleitoral". Um desastre, este candidato.

A crítica à intevenção do dirigente da Fenprof, Mário Nogueira, na manifestação dos professores. Destaco o editorial do Público, assinado por Nuno Pacheco, no qual se escreve a dado passo: " (...)Procura que tem de passar também pelos sindicatos, os quais não devem usar a dimensão da mobilização para tentarem desenterrar alguns radicalismos que os próprios professores já deram sinais de reprovar. E, muito menos, usarem o descontentamento dos professores para fazer campanha política. Mário Nogueira, no entanto, voltou a fazê-lo ontem, demonstrando mais uma vez que os seus interesses estão muito para além do Estatuto da Carreira e da avaliação de desempenho.
Um comportamento reprovável e que prejudica os professores nas negociações com o Governo(..)"

Mário Nogueira fez campanha política? A manifestação dos professores inscreve-se em que área da actuação dos cidadãos? O lazer? A autopunição? O que há de mais político do que o exercício do direito à manifestação? O exercício da actividade de dirigente sindical é uma atividade de natureza religiosa? E se assim fosse não seria, lá por isso, política?
Nuno Pacheco anda baralhado das ideias talvez por isso a manifestação dos professores -apesar da excelente cobertura que o jornal fez do acontecimento até ao próprio dia - não mereça sequer uma fotografia de primeira página. Um daqueles dias em que chegamos à banca e achamos que o nosso jornal tem a capa errada e temos mesmo que comprar outro.

Sócrates acusa sindicatos de serem instrumentalizados e correias de transmissão de partidos
Quem te instrumentaliza neste teu discurso tão básico da direita mais rançosa, este dicurso tão básico que hostiliza os sindicatos e esta práctica que hostiliza toda uma classe, que gostaria de dominar com mão férrea, mas que resiste, mas que diz não?
Sócrates tem uma ideia, uma ideia preversa de dominação de uma classe. Idealizou os mecanismos para a concretizar, promovendo a divisão da classe através de mecanismos sinistros de avaliação .Mas a coisa não lhe tem corrido bem. Depois de tanto tempo já dificilmente alguém pode assegurar que este primeiro-ministro e esta ministra algum dia se preocuparam com a qualidade do ensino.

Miguel Portas critica "demagogia fácil" sobre salários deputados europeus
Em primeiro lugar uma declaração de interesses: voto no BE nas próximas eleiçõe europeias. Votei sempre no PS até à candidatura liderada por Mário Soares, em 1999, e fiz campanha com João Cravinho e José Barros de Moura. Dei por bem empregue o meu voto e tenho de João Cravinho,antes desta sua louvável cruzada contra a corrupção, a ideia de um deputado europeu que tinha uma ideia clara do que era a Europa e de que Europa é que interessava a Portugal ajudar a construir. Quantos deputados europeus ou políticos nacionais saberão, ainda hoje, o que é o policentrismo ou a importância do EDEC e da dimensão territorial da coesão que se pretendia introduzir. Recordo ainda a sua campanha a propósito do Auto Oil 2000 e a sua oposição aos interesses que a Petrogal fazia valer em Bruxelas, com consequências directas na saúde de quem vivia em Sines e nesta área.
Depois disso, em 2004, ajudei a eleger Miguel Portas. Dou por bem empregue o meu voto. Com um único deputado o BE fez muito mais, proporcionalmente, do que os doze que o PS elegeu de que me recordo apenas da acção de Ana Gomes. Necessitamos de mais deputados como Miguel Portas e de menos anónimos como a grande parte dos 2o que PS e PSD elegeram em conjunto.
Mas há diferenças substantivas do domínio da política que fundamentam e legitimam esta opção. De forma sucinta direi que o BE quer uma Europa mais coesa, mais progressista, com menores assimetrias regionais e com menores desigualdades sociais. Uma Europa em que os cidadãos decidam e a política esteja no comando em vez de ser apenas um instrumento ao serviço dos interesses do sistema financeiro. O BE não tem uma posição soberanista como a CDU e não defende a saída de UE. Essa é uma questão importante porque fui sempre a favor da nossa adesão à UE.
Posto isto quero lamentar a forma como o debate europeu tem sido conduzido ou pelo menos a forma como ele "sai nos jornais". O PS e o PSD, disputam um campeonato em que o título é o único resultado admissível e não olham a meios para atingir os seus fins. Com dois líderes, supostamente bem preparados para um debate enriquecedor, optaram pelo pontapé e estalo, com o inenarrável Vital Moreira a fazer um papelote do piorio.
O BE e a CDU parece disputarem o outro campeonato, o de saber quem fica em terceiro ou quarto lugar. Podem dizer o que quiserem mas aquilo que sai nos jornais é apenas a parte que interessa directamente a essa disputa. Talvez por isso a notícia do dia para estas bandas seja a posição populista e demagógica, até ao tutano, de Ilda Figueiredo, a propósito dos futuros salários dos deputados europeus, e a necessidade de Miguel Portas vir desmascarar esse populismo demagógico.
Uma coisa ninguém no seu juízo perfeito entenderá: porque razão a CDU não defende salário igual para trabalho igual entre todos os deputados europeus? E Já agora, o actual sistema com as viagenzitas livres de impostos é mais justo e melhor para o erário público?
Eu voto Bloco e espero que recebam o salário pela totalidade e que sejam pelo menos dois a fazê-lo.


Manifestação: Fenprof estima 70 mil pessoas, PSP entre 50 e 55 mil
O Governo não consegue desmobilizar os professores que continuam maioritariamente unidos contra as suas políticas. A manifestação desta tarde dá disso um testemunho cabal.
A reacção do ministério e do primeiro-ministro, perante uma tão cabal demonstração de força e de mobilização, vai ser a mesma que tem sido face ás anteriores manifestações, e que o filósofo José Gil sintetizou de forma brilhante: "(...) às manifestações de massa (100 000 e 140 000 pessoas na rua), às greves de professores (mais de 90% de participação), respondeu com o silência e a inação.(...) tornando-se ausente, o poder torna a realidade ausente e pendura o adversário num limbo irreal. Deixando intactos os meios de contestação mas fazendo desaparecer o seu alvo, desinscreve-os do real. É uma técnica de não-inscrição.(...)"
Apenas esta opção de dominação dos professores justifica que o Governo mantenha a ministra e a política que tão grande contestação suscitou. O governo não admite mudar de política porque o seu objectivo está a ser conseguido: " cumprir a racionalidade orçamental, levando dezenas de milhares de professores a abandonar a escola. Através, afinal, de um sistema educativo em que avaliar significa desnortear, desanimar, dominar, humilhar, desprezar os professores, os alunos e a educação." Deste ponto de vista nenhum Governo se lhe comparou até hoje em eficácia.


O PS, na lógica conclusão do que se tinha passado com a primeira volta da eleição do Provedor de Justiça, apresentou o seu candidato contra o segundo mais votado. Dessa forma o BE e a CDU, cujos candidatos tinham sido eliminados, tinham que escolher de que lado se posicionavam. O BE votou com o PS e a CDU votou em branco ao lado do PP.
Os votos da CDU não chegavam para eleger Jorge Miranda, mas a atitude política adoptada é de um sectarismo doentio que não honra a CDU.
As explicações dadas por Bernardino Soares, na Antena Um, são rídiculas. Culpar o PS e o PSD e propôr começar tudo do ínicio é, no mínimo, patético. A Assembleia d República prestou ontem um péssimo serviço à democracia e deve um pedido de desculpas aos cidadãos e ao professor Jorge Miranda. Há dias em que ninguém se pode sentir orgulhoso do que s epassa no Parlamento.
Aquilo que os cidadãos querem saber são duas coisas: 1) quando é que os partidos entendem que já é tempo de pararem com este espectáculo degradante? Foi mais fácil entenderem-se sobre o financiamento das campanhas partidárias;
2) Jorge Miranda é ou não um figura capaz de desempenhar com grande qualidade o lugar de provedor de Justiça?
Os partidos não sabem responder a estas perguntas mas os cidadãos sabem a resposta. O PS fez uma excelente escolha e o candidato socialista -um social-democrata, por sinal - é uma das pessoas melhor preparadas para desempenhar este lugar, fundamental na nossa estrutura política.
Há duas conclusões a tirar deste processo: 1) a drª Manuela Ferreira Leite está-se nas tintas para os interesses dos portugueses, o que ela quer é alimentar, de qualquer forma, as guerras com o Governo; 2) os cidadãos em questões do seu interesse directo não podem confiar nos partidos pelo que a eleição do Provedor de Justiça devia ser um assunto retirado da sua incompetente tutela.

Eu espero que ainda seja possível eleger o dr. Jorge Miranda. Espero que o bom-senso prevaleça. Talvez uma sondagem a mostrar o que pensam os portugueses desta trapalhada ajude a desbloquear o caso.

Amanhã os professores voltam à rua para se manifestarem contra esta política educativa que os agride e que visa destruir a escola pública. Manifestação de sucesso improvável já que a sua comparação com as anteriores será inevitável e pela própria declaração dos Sindicatos - Sindicatos esperam mais de 50 mil professores na manifestação de sábado - se percebe que a participação será muito menor.
Havrá muitas e boas explcações para esta menor participação que se adivinha. Mas aquilo que eu quero aqui salientar é que, caso a manifestação se salde por um relativo fracasso para os professores, o Governo mudará de estratégia passando imediatamente a salientar esse resultado como uma manifestação clara de que os professores estão com a política do Governo. Levaram tempo a perceber mas ultrapassadas as incompreensões é já visível o entendimento, blá, blá,blá. Sobre estas técnicas psicóticas e muito mais, fala José Gil no seu último livro " Em busca da Identidade - O desnorte."

José Gil analisa a reforma do sistema educativo empreendida pelo governo de Sócrates.
Escreve a dado passo o autor: "(...) Vários autores alertaram já para o facto de se anunciar, como figura social do homem do século XXI, o «homem avaliado» (...) O «ser avalaido» não adquire só um estatuto social; ele próprio, por inteiro, compõe um espaço de avaliações; não é já um ser singular que,entre outras relações, entretém com os outros a de «ser avaliado», é a avaliação que molda todo o seu ser, público e privado, pessoal e social. (...)"

Sem pretender fazer por ser tarefa impossível uma análise do sistema de avaliação que se quer impor nas escolas portuguesas o autor refere:

"Sumariamente, pode-se dizer o seguinte: a dupla vertente da governação Sócrates que evocámos atrás – por um lado, o centralismo autoritário, regulador, fazendo intervir o Estado nos mais ínfimos mecanismos da vida social; por outro, a vontade de «emagrecer o Estado», de reduzir o seu peso na sociedade civil, «modernizando» o seu funcionamento - leva a que os efeitos das reformas, e em particular a do sistema educativo, possam ser, na substância, puramente superficiais, não produzindo mudanças de fundo, e, na forma, imperativos pesadíssimos, tarefas insuportáveis e inexequíveis. Porquê? Porque – e refiro-me aqui ao Estatuto da Carreira Docente, ao Estatuto do Aluno e à avaliação dos professores – a vertente autoritária e super-reguladora do Estado exerce-se fundamentalmente e quase exclusivamente na forma, na burocracia, nas centenas de documentos, formulários, regulamentações que os professores devem estudar, preencher, horários extraordinários que devem cumprir, etc, sem que os conteúdos do ensino, a substância da relação de aprendizagem professor - aluno seja tratada. Quem examine em pormenor toda esta extraordinária burocracia, que já é pós-kafkiana, a que estão submetidos os professores fica com a ideia de que uma espécie de delírio atravessa quotidianamente os conceptores e decisores do MNE. É verdade que o governo recuou depois das greves dos professores. Mas não esqueçamos que toda aquela burocracia que caiu sobre os professores, sufocando-os, impedindo-os de ensinar, foi pensada para ser aplicada - o que revela mesmo um certo delírio na concepção das tecnologias do biopoder. O processo de domesticação dos profesores está em curso - e longe de ter terminado. (...) Porquê tudo isto? Porque o interesse do Governo é, antes de mais, cumprir a racionalidade orçamental, levando dezenas de milhares de professores a abandonar a escola. Através, afinal, de um sistema educativo emque avaliar significa desnortear, desanimar, dominar, humilhar, desprezar os professores, os alunos e a educação.(...)"

Importante é análise da forma como o Governo se relaciona com a luta dos professores feita por José Gil. Escreve o filósofo: "Durante o período de confronto mais agudo entre os profesores e o Ministérioda Educação, o Governo reagiu segundo uma estratégia que lhe é própria: às manifestações de massa (100 000 e 140 000 pessoas na rua), às greves de professores (mais de 90% de participação), respondeu com o silência e a inação. Justificando-os com a frase: « estamos em democracia, toda a gente tem o direito de manifestar. Que se manifestem à vontade. Mas nós temos também o direito de continuar a fazer a fazer o que fazemos». Ou seja, quanto a nós, continuaremos a enviar-lhes directivas, portarias, regulamentos a cumprir sob pena de ...(ser punido segundo a lei). Fugindo à contenda, tornando-se ausente, o poder torna a realidade ausente e pendura o adversário num limbo irreal. Deixando intactos os meios de contestação mas fazendo desaparecer o seu alvo, desinscreve-os do real. É uma técnica de não-inscrição. Ao separarar os meios dos alvos, faz-se do protesto uma brincadeira de crianças, uma não-acção, uma acção não-performativa.(...) Resultado: o professor volta à escola, encontra a mesma realidade, mas sofre um embate muito maior. É essa a força da realidade. É essa a realidade única. E é preciso ser realista. Assim começa a interiorização da obediência ( e, um dia do amor à servidão, como notou La Boétie).
No processo de domesticação da sociedade, a teimosia do primeiro-ministro e da sua ministra da educação representam muito mais do que simples traços psicológicos. São técnicas terríveis de dominação, de castração e de esmagamento e de fabricação de subjectividades obedientes. Conviria chamar a este mecanismo tão eficaz « desacivação da acção». É a não-inscrição elevada ao estatuto sofisticado de uma técnica política, à maneira de certos processos psicóticos (...)"

Ler ainda a entrevista da jornalista Clara Viana ao filósofo.

A campanha de recolha de assinaturas para a candidatura do SIM, liderada por Manuel Coelho, vai sofrer um novo impulso, nos próximos dias 11,14 e 21 de Junho. Três visitinhas a Lisboa para todos os maiores de 55 anos residentes no concelho, com direito a passeio de barco no Tejo e almoço em Monsanto.
Trata-se, como escreve o "Presidente da Câmara, Manuel Coelho", na sua singela mensagem aos destinatários, de uma "ocasião aguardada por todos para a habitual confraternização e como mais uma oportunidade de conhecerem o nosso país . Este ano vamos visitar Lisboa com outros olhos (...) O almoço-convívio, oferecido pela Câmara, terá lugar (...) ".
Esta é uma práctica corrente desde os tempos em que o candidato do SIM ainda não tinha rompido com o estalinismo. Enquanto o estalinismo ficou delimitado no tempo o caciquismo é intemporal.

ERC condena TVI por “desrespeito de normas ético-legais” no Jornal da Noite de sexta-feira
Detesto os telejornais de sexta-feira da TVI pelo que opto por não os ver. No entanto algumas vezes acontece que passo por lá e fico, como aconteceu, felizmente, no dia do KO de Marinho Pinto a MMGuedes. Não gosto daquele tipo de jornalismo e não gosto de ver o VPV, que leio todos os dias em que o meu jornal o publica. Prefiro o VPV que escreve ao que fala na televisão com a MMG. O jornal da sexta da TVI não tem qualquer motivo de interesse, mesmo quando divulga a conta-gotas videos como o do Freeport.
Não me parece que o jornalismo que MMG faz se adapte às regras deontológicas da profissão, como acusava o bastonário no outro dia, que julgo deverem existir e deverem ser respeitadas. Por isso acho que ele pode e deve ser objecto da atenção da entidade reguladora, caso ela exista. Mas, a entidade reguladora tem que actuar independentemente de o alvo da actuação menos adequada da jornalista ser ou não o primeiro-ministro. Uma das exigências básicas de uma entidade reguladora é a indepêndencia. Ora parece que ninguém na classe reconhece esse estatuto à dita. Assim sendo a condenação que deveria ser uma das actuações normais de uma entidade reguladora não funciona como tal contribuindo mesmo para aumentar os níveis de popularidade dos supostos prevaricadores.

Não parece que a ERC preze muito a sua independência e isso é que é grave. Não necessitamos nada de uma regulação destinada a proteger o poder e omissa quando as vítimas são apenas cidadãos comuns.

Vital Moreira associa PSD à "roubalheira" do BPN
A inusitada violência do candidato do PS é instrumental da necessidade de garantir mais uns votitos que lhe permitam uma cada vez mais improvável vitória. A opção pelo tema BPN radica, supõe-se, na profunda preparação de Vital Moreira para o debate sobre os temas europeus.
Não me parece que Vital Moreira esteja a ser económico com a verdade -para citar um autor muito falado nos últimos dias - quando associa o PSD à roubalheira do BPN. O que me parece é que Vital Moreira é claramente económico com a verdade quando esconde ou esquece as responsabilidade políticas do Governo que apoia que optou, contra todas as evidências, por obrigar todos os contribuintes a pagaram mais de mil milhões de euros dos seus bolsos, já muito vazios, para viabilizar a tal "da roubalheira".
Além de apontar o dedo ao PSD Vital Moreira tem que ter a coragem política e intelectual de apontar o dedo ao "menino de ouro" do PS, o seu camarada José Sócrates.

A Capela Sistina de Guardiola, segundo Xavi e Lionel Messi
ganhou a melhor equipa o que nem sempre acontece. Ou pelo menos ganhou aquela que eu acho que é a melhor equipa. Mas o que me dá mais gozo é a vitória de Guardiola e logo no seu ano de estreia ao mais alto nível. Gosto de treinadores assim, que podem perder mas não mudam a sua filosofia e que acham que quem joga um futebol bonito e com deliberado pendor atacante tem mais hipóteses de ganhar. Mesmo que percam e que percam mais vezes do que outros treinadores peritos a defender e a desconstruir o jogo adversário, é destes treinadores que eu gosto. Dos treinadores e das suas equipas.
Ainda bem que o romantismo no futebol encontra gente como Guardíola, para voar mais alto do que a rapaziada do pragmatismo cinzentão. Engalinho com treinadores aferrolhados das ideias e que pensam acima de tudo e sempre em defender. No meu clube querem perpetuar um desses, apesar das sucessivas e escandalosas cabazadas que a coisa tem gerado.

PS - Ferguson foi o treinador derrotado mas é um treinador com a mesma filosofia atacante. O ataque é a sua vocação e foi assim que ganhou o que ganhou e ninguém até hoje fez tanto pela promoção do bom futebol. Mas, esta noite, as forças estavam desiquilibradas. O Barcelona tem mais jogadores acima da média e Ronaldo depois dos ameaços do ínicio, eclipsou-se ao longo do tempo. E o meio-campo do Manchester não está à altura, falta-lhe classe doseada com sangue novo. Tem apenas bons jogadores e alguns já a exibirem a usura do tempo.

Dias Loureiro renuncia a cargo no Conselho de Estado
Eis a primeira consequência da audição parlamentar a Oliveira e Costa. Dias Loureiro não tinha condições para permanecer no cargo. Na minha opinião não tinha desde há muitotempo, mais exactamente desde que ficaram viíveis as contradições nas suas sucesivas declarações e a falta de clareza nas diversas explicações que foi dando.
Chega ao fim a carreira política de um dos homens mais poderosos do regime, talvez o expoente máximo das relações que, no período do cavaquistão, marcaram a comunicabilidade promíscua entre os territórios da política e dos negócios.
Promiscuidade que infelizmente se propagou ao consulado rosa.

O artigo de opinião de Paulo Morais, hoje no JN. Como sempre com a mesmo alvo e com a pontaria e frontalidade que o caraterizam. Um ataque frontal ao comportamento da maioria absoluta socialista que no que se refere ao combate à corrupção escolheu claramente um dos lados do combate.

Na segunda parte do livro, que dedica à análise dos processos de subjectivação, José Gil aponta a “avaliação enquanto método universal de formação de identidades necessárias à modernização” como exemplo dominante de subjectivação nas sociedades contemporâneas, para depois analisar os traços essenciais do discurso e da vontade do poder socialista que governa o país. Diz o autor: “(…) o discurso que na promove é o discurso da via única; é o discurso anti-ideológico que pretende emanar da evidência do «real», das próprias coisas; é o discurso da transparência e do movimento permanente, transformando e fazendo permanecer os graus intermédios entre o chefe (o poder) e os cidadãos; é o discurso da competência e da redução da subjectividade a perfis numéricos de competências. É o discurso que nega a diferença entre a esquerda e a direita, considerando-a obsoleta. O sujeito já não tem direito ao erro. A aprendizagem torna-se uma técnica a que a subjectividade se deve adaptar, sob pena de exclusão social automática.”
Um outro processo de subjectivação analisado pelo filósofo é o da “relação de influência (ou de poder) que o líder entretém com os cidadãos.(…) Aqui interroga-se a acção directa do poder do líder sobre a população política” que é feita recorrendo à análise da retórica do primeiro-ministro. Escreve José Gil: “(…) Uma primeira característica da retórica de José Sócrates: quando inaugura uma escola, um tribunal, quando celebra as virtudes de uma iniciativa do Governo ou premeia os resultados de tal grupo da sociedade civil, uma ideia surge sempre, reiterada até à exaustão – a ideia de que aquela « é a obra necessária, que vem na hora certa para a modernização do país»; era daquilo «que nós precisávamos, e de que vamos precisar»; e que toda a acção do Governo « vai naquele sentido, porque é o sentido certo, e devemos insistir cada vez mais em acções e iniciativas daquela natureza» (…) Aquela obra que o primeiro-ministro elogia surge, de repente, como o resultado do destino, por um lado, e, por outro, como a peça essencial que faltava para provar que se está no bom caminho, quer dizer , que aquele caminho é o bom.(…) Na hora certa, no momento historicamente pré-determinado, o que era necessário apareceu.(… O entusiasmo, a certeza, a vibração do discurso do primeiro-ministro testemunham a excepcionalidade daquele momento. Assim, de certo modo, cada discurso inaugura uma via virgem e cheia de promessas da história do regime.(…) Rejeitando o passado degradado, integrando nele futuro, o discurso socrático do presente dirige-se a um auditor que suspendeu as suas ideias políticas, as suas escolhas partidárias, os seus conflitos sociais, que neutralizou o seu ser ideológico para se ligar directamente ao chefe, enquanto simples cidadão abstracto. Abstracto, mas português, porque espera a mudança de todo o país e a reafirmação enfim apaziguada da sua identidade.(…)
Como diria o outro: vale a pena ler e pensar nisto.

Vital Moreira propõe criação de imposto europeu
O orçamento da União Europeia é cerca de 1% do Orçamento global de todos os países membros. Desse valor global cerca de 40% vai diectamente para a Política Agrícola Comum, favorecendo algumas das maiores empresas agrícolas europeias, francesas e inglesas, e alguns dos maiores proprietários de terras da Europa, como por exemplo, a rinha de Inglaterra. A fuga ao fisco - aquela quie é mesmo a doer, a dos grandes interesses - em offshores e por falta de tributação dos capitais especulativos atinge valores astronómicos capazes de por si só revitalizarem a economia europea. neste contexto o candidato do PS acha que a solução é lançar um novo imposto europeu. O problema de Vital Moreira são dois: acha que as dificuldades que a generalidade dos europeus sentem, vítimas das soluções políticas do bloco cental neoliberal, não existem e chegou a essa conclusão por um caminho manifestamente errado: usou como termo de comparação a sua situação pessoal; acha que a UE deve ter um Orçamento maior -o que me parece bem - mas só conhece um caminho para lá chegar: sacar mais aos contribuintes.

PS - Vital Moreira tem sido tão mau candidato que quase não faz sentido comentar seja o que for que o candidato diga ou faça. Como político tem-se revelado um académico bom conhecedor dos assuntos europeus. Como académico conhecedor dos assuntos europeus tem-se revelado um mau político. Sócrates acertou na mouche com esta escolha.

Oliveira Costa acusa Dias Loureiro de mentir , não terá sido o primeiro como se sabe, nem será o último. No entanto as declarações de Oliveira Costa são incontornáveis porque desmentem a anulam a estratégia montada por Dias Loreiro e, a serem verdadeiras, colocam-no perante o facto de ter mentido deliberadamente aos parlamentares. Nada que se recomende a um conselheiro de Estado.
Oliveira Costa, a serem verdadeiras as suas declarações, parece ser o peão deste processo a quem coube o papel de ser sacrificado. Sacrificado para que outros tão ou mais responsáveis do que ele possam continuar impunes. Normalmente em Portugal estas coisas resolvem-se sem chegar ao ponto de terem que ser necessários sacríficios.
Mas, neste caso além de Oliveira Costa não parece verosímel que o processo se conclua sem que outros responsáveis possam ir para ao calabouço.

Acabei de ler o último livro de José Gil. Quer-me parecer que a tese principal deste livro é a de que os portugueses têm um grave problema de identidade. Por um lado, função da nossa hiperidentidade, somos pessoais e auto-reflexivos e em função disso somos autocomplacentes, pouco confiantes, queixinhas, invejosos, dominados pela inércia. A hiperidentidade "fecha-nos sobre nós mesmos, impedidndo-nos de criar um "fora", ar e vento livre, respiração para viver".
O autor analisa a evolução verificada com a transição para a democracia imposta pelo 25 de Abril e com as mudanças verificadas no período que se seguiu à revolução, em particular após a "normalização" do final dos anos 70 e os efeitos da crise actual. Pelo meio José Gil dedica uma grande atenção ao papel do actual Governo - em particular através da análise do discurso do primeiro-ministro e do recurso à avaliação "enquanto método universal de formação de identidades necessárias à modernização" - na formação da nossa subjectividade.
As conclusões não são animadoras: " (...) A crise actual vai assim tocar num aspecto da nossa vida que,aparentemente, nada tem a er com ela; o sentimento da identidade (individual e nacional). Até agora, vivíamos recolhidos em nós, protegendo-nos ainda do choque com um "fora" que não para de nos invadir - A União Europeia. Apesar das perdas, aqui e ali, de soberania, o ganho de adesão à UE foi sentido como largamente positivo pela população. Tanto mais que essas perdas não destruíram o nosso "cantinho" familiar, a nossa maneira de viver, a nossa intimidade, quer dizer, o modo como gostamos e nos detestamos a nós mesmos, aos outros e ao nosso país A Europa continua a estar « lá fora», o que preserva o nosso «dentro». Um «lá fora» que nunca foi ealmente um «fora» no sntido de uma força exterior que nos afecta e nos obriga a mudar. A «Europa» não faz ainda parte da experiência consciente quotidiana dos portugueses. (...) A ameaça total que pesa sobre as nossas vidas, sobre as famílias, sobre o emprego, sobre a educação, sobre a saúde - para não falar no espectro da falência do Estado -, obriga-nos a descobrir a dependência radical do nosso país relativamente ao resto do mundo. Ser português já não protege. A vacina identitária que nos manteve imunes às doenças do mundo por tantas décadas acaba de falhar. Por isso os nossos ministros insistem tanto nas especificidades do nosso sistema financeiro : ser portuguê sé ainda vantajoso. Mas como o descalabro do sistema já não é dissimulável, têm também de assinalar a gravidade da crise e a nossa particular debilidade. E, aí, a reacção das pessoas pode tornar-se excessiva: nascer português é um azar do destino.(...) Um dos traços dessa identidade é a caapcidade que temos de viver o local como global. Trata-se de uma questão de alcance de percepção.O nosso território mental é limitado, e as suas fronteiras muralhas que nos reenviam a nossa imagem , o que nos permite reconhecermo-nos imediatamente.(...)"
Uma leitura muito apropriada para este período de eleições europeias e não só.

Num segundo post dedicarei algum tempo ao que o autor esceve sobre o discurso de Sócrates e a política de educação.
Um livro de leitura obrigatória.

Sobre esta delicada matéria ler quem sabe. Aqui no Margens de erro.

... criticar Marinho Pinto no seu confronto com Manuela Moura Gudes. Bom, eu nesse caso, devo ser de direita. Uma certa esquerda, bem instalada na vidinha, é muito selectiva nas suas exigências. Desde que digam mal do Governo está tudo bem. Se alguém se atrever a defender o Governo, ainda que seja apenas a defesa de príncipios gerais, está tudo estragado,
O que esta rapaziada sugere é que a leitura do confronto entre o bastonário e a jornalista seja feita em torno das posições de cada um em relação ao caso Freeport. Como se percebe por este raciocínio, tipo regra de três simples, a jornalista está do lado dos bons e o bastonário, coitado dele, está do lado dos maus. Sempre achei que esta rapaziada não dá boa fama a ninguém em particular à esquerda.
Uma tristeza.



A candidatura de Manuel Coelho à câmara de Sines divulgou a sua Carta de Príncipios numa edição em papel. Uma completa vacuidade de ideias disfarçada de "movimento de cidadãos constituído para apoiar e dinamizar uma candidatura independente às eleições autárquicas". Digo disfarçada porque, como todos sabemos, estamos perante uma recandidatura de políticos que exercem, nalguns casos há mais de uma década, a política em exclusividade e a quem, face à rotura com o seu partido, não lhes restou outra alternativa que não arranjarem uma candidatura independente. Virem dar a ideia que este processo se iniciou das bases, resultando ou emanando de um hipotético movimento de cidadãos é pura e simples manipulação da verdade. Confesso que com esta formulação, expressa na pomposa Carta, fico com saudades dos tempos em que a candidatura foi lançada, quando Manuel Coelho, num momento de genuina sinceridade, anunciou que ia mobilizar um movimento de cidadãos para o apoiar. Uma coisa mais simples e mais rigorosa. Uma coisa mais verdadeira.
No entanto, pelo que se sabe, a mobilização está em marcha e não tem parado, mas não estará a ser tão fácil como esperado, porque, afinal, não há tanta gente disponível para ser mobilizada por Manuel Coelho para depois ... todos juntos o mobilizarem a ele, não sei se entendem.
Uma coisa que não falta à candidatura de Manuel Coelho é dinheiro e isso não se vê apenas pela Carta de Prícipios, profusamente distribuída.
Infelizmente, dinheiro é uma coisa que o candidato não sabe utilizar com o mínimo de racionalidade, como demonstrou exuberantemente ao longo de 12 anos em que conduziu a Câmara de Sines para um brutal endividamento, um dos mais elevados do país. Digamos que Manuel Coelho demonstrou, ao longo desse período, uma indiscutível qualidade: herdou uma autarquia endividada, mas foi capaz de elevar esse endividamento a um nível ainda não imaginado, mais do que o quadriplicando. Com estas qualidades mais quatro ou cinco anos chegariam para tornar Sines um concelho ingovernável.

Ana Gomes acusa Santana Lopes de "parolice", despesismo e "provincianismo abjecto"
E que outras acusações poderá Ana Gomes fazer? Como classificará ela João Soares e a sua manifesta admiração para Renzo Piano, com a consequente urbanização da Fábrica de Braço de Prata? Ou a simpatia que todos sentem, uns mais do que os outros é verdade, pelas Torres de Normam Foster? Ou a baboseira nacional em volta da Estação do Oriente, talvez a mais lamentável obra de Calatrava e logo nos havia de ter calhado a nós, tão contentinhos, mesmo quando nos vendem gato por lebre. E já agora não foi António Costa, o seu querido camarada, que manifestou a vontade de ter grandes arquitectos de todos os continentes ou culturas com uma obra em Lisboa, de preferência sempre à Beira-Tejo - isto digo eu - que esta coisa de podermos olhar o rio é um exagero a que não devemos ter direito por muito mais tempo.
Na verdade serem os arquitectos nacionais ou estrangeiros a fazerem os projectos não muda nada. O que muda muita coisa, e muda para pior, é o facto de a arquitectura dos arquitectos famosos ser instrumental da vontade de mudar as cidades ao arrepio das formas democráticas de o fazer. Estabelecendo a confusão entre o projecto e o plano, valorizando o projecto arquitectónico como legitimador da desvalorização do Plano, retirando o futuro da cidade do debate democrático a que ela se devia subordinar e que encontra no planeamento urbanístico e no debate urbanístico o campo por excelência para se manifestar.
O que mudaria muita coisa, e mudaria para melhor, seria que o Projecto fosse precedido do Plano e que quer o Plano que o Projecto fossem atribuídos, sem excepção, por concurso à revelia das amizades dos autarcas e da cagança que os tenha irremediavelmente atacado.
Talvez a drª Ana Gomes, algures entre Sintra e Bruxelas, possa ter algum tempo para pensar nestas coisas, um pouco mais fundo do que o agitprop exige.

CDU diz ter juntado 85 mil manifestantes em Lisboa

A CDU mostrou hoje que conserva intacta a sua capacidade de mobilização. Intacta e ao que parece reforçada. Juntar oitenta mil pessoas numa manifestação na capital está ao alcance de que forças políticas neste país? Esta capacidade de mobilização da CDU permite também medir o nível de descontentamento da população em geral com as políticas do Governo. Descontentamento que não se limita às áreas de influência dos comunistas.

José Sócrates declara apoio ao "grande líder europeu Zapatero"
Me an dijo que hablava bien inglés técnico pero nadie me an dijo de su españolés. Comprendo ahora la idea de Mário Lino, el ministro más gordito, que defendió el estado ibérico. La léngua que se hablaria sería la que Sócrates à utilizado en Valencia: el españolés.
Pero esta ideia de distinguir la izquierda y la derecha como las dos opciones de los votantes tiene um pequeño problema: el apoyo explícito a Barroso, de Zapatero, José Sócrates y Gordon Brown.

Vital Moreira pede voto de protesto contra oposição de direita
O cabeça de lista do PS teve uma pré-campanha apagadíssima. Ao entrar na campanha propriamente dita resolveu corrigir o rumo e lembrou-se de pedir um voto de protesto contra a oposição. Sendo reconhecido como o intelectual orgânico do socratismo não admirará que por altura das legislativas se lembre de pedir aos portugueses um voto no PS como forma de protesto contra as oposições ao Governo. Estas coisas estranhas podem aparecer, inesperadamente, das melhores cabeças.
O que importa no entanto salientar é que longe vão os tempos em que o ilustre constitucionalista se propunha abordar as questões europeias. Confrontado com a inevitabilidade de um mau resultado e até de uma eventual derrota, Vital Noreira opta por trazer o Governo para o centro do debate. Foi ele que disse logo a abrir a camapnha que "Não é por acaso que Portugal está melhor do que a média europeia em termos de recessão, em termos de crescimento de desemprego" elogiando as políticas do Governo. No caso de perder não será a ele que terão que pedir responsabilidades. Será sobretudo uma derrota do Governo. Quem diria que esta perspectiva ainda seria uma perpectiva interessante para o candidato Vital.

Momento notável da televisão portuguesa: Marinho Pinto resiste estoicamente a um julgamento político sumário, disfarçado de jornalismo, de Manuela Moura Gudes em directo no jornal nacional e acaba com um ataque cerrado à jornalista, acusando-a de fazer um jornalismo péssimo que envergonha a classe, acusando-a de transformar entrevistas em julgamentos sumários, acusando-a de não conhecer sequer o Código Deontológico da profissão e acusando-a de ser uma jornalista incompetente. Por esta altura MMG titubeava, incapaz de responder ao ataque com que manifestamente não contava.
MMG tem um pó danado a Marinho Pinto e, sobretudo, não suporta o que ele disse sobre o caso Freeport que ela confunde com um frete a Sócrates. Num momento de desvario chegou a acusá-lo de bufo a propósito das críticas que o bastonário teceu a membros da classe dos advogados. A dado passo a tensão que se sentia entre entrevistadora e entrevistado parecia só poder acabar, de forma satisfatória para MMG, com a pública condenação do bastonário e a sua sumária demissão da Ordem. Um sufoco de agressividade cega.
A "entrevista" que ela lhe fizera seviu, percebeu-se no final, às mil maravilhas para tornar entendíveis e legítimas as acusações finais do bastonário. Moura Guedes destilou o seu ódo pessoal sobre o bastonário e transformou o estúdio de televisão numa sala de acusação em que os argumentos e os factos eram irrelevantes face a uma ideia pré-concebida que a jornalista, manifestamente, já tinha formado sobre o assunto. Marinho Pinto não perdeu a oportunidade e fez o mais duro ataque em directo numa teelvisão a uma jornalista, mas sobretudo a uma forma concreta de exercer o jornalismo, da história da democracia.
Não me pareceu que tivesse pecado por excesso, depois do que se passou.
Há uma enorme diferença entre pessoas que defendem convicções e que têm uma ideia do funcionameno do estado democrático que entendem dever defender e pessoas como a jornalista Manuela Moura Guedes.
Ver o vídeo aqui ou a parte final aqui.

Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues e Teixeira dos Santos recebidos com protestos na António Arroio
As manifestações envolveram muitos alunos, como se viu agora mesmo na SIC, e o que motivou os alunos foram as carências do ensino com que se deparam, carências várias como alguns explicaram e o facto de se estar a inaugurar um ... projecto. Inaugurar apenas para aparecer na teelvisão e inaugurar obras que ainda nem se iniciaram está a tornar-se uma actividad eperigosa, que requer medidas de segurança adequadas nomeadamente uma porta de emergência ali à mão.
Interessante era perceber como é que se faz a escolha dos autores dos projectos das diferentes obras e como se faz a sua adjudicação. Com que regras de transparência?

"Vera Jardim e Manuel Alegre contra PS nos prémios de gestores".
O comportamento do PS nesta matéria foi vergonhoso. Aprovou as propostas do BE que impunham transparência e maior taxação sobre as remunerações dos gestores na generalidade e ontem chumbou-as na especialidade.

Sondagem: Rangel diz que empate técnico mostra que há todas as condições para vencer
A sondagem efectuada pela Eurosondagem revela que PS e PSD estão empatados no resultado para as próximas eleições europeias. O PS perde cerca de 10% relativamente às últimas eleições e com isso aliena um terço da sua bancada. Daí não virá grande mal ao mundo se atendermos ao rigoroso anonimato a que muitos dos então eleitos se submeteram nesta sua rentável passagem por Bruxelas.
O PSD, sózinho, consegue um resultado semelhante ao que então obteve coligado com o PP.
Uma conclusão é legítima: Rangel derrota Vital. Digamos que não se pode propriamente falar em algo de estranho, tão má tem sido o desempenho do candidato socialista -um evidente erro de casting - e tão positiva tem sido o desempenho de Paulo Rangel.
A esquerda do PS caminha para os 20% e pode eleger entre 4 e 5 deputados, o que é excelente. O Bloco de Esquerda pode eleger dois ou mesmo três deputados europeus e consagrar-se como a terceira força política na sociedade portuguesa. O PP pode perder a sua representação, mas neste caso é conhecida a resistência dos populares e a sua capacidade de sobrevivência.
Estas eleições podem afinal tornar claro aquilo que parecia ser dificil acontecer: o PS perder as eleições e experimentar na pele o resultado das suas opções políticas no Governo; Sócrates perder o estatuto de imbatível; o PSD recuperar do inferno e apresentar-se como partido com possibilidades de ganhar as legislativas; A esquerda do PS consolidar-se à volta dos 20% do eleitorado. Não são propriamente más notícias.
Parasaber mais sobre as sondagens ver aqui.

La Seda estável na bolsa apesar dos maus resultados financeiros
A fábrica que a Artenius veio construir em Sines foi um dos investimentos mais badalados pelo Governo do PS. Tratava-se de um exemplo do "investimento estrangeiro" sinal da confiança dos investidores na economia portuguesa, como gosta de dizer o primeiro-ministro. Sócrates, que lançou a primeira-pedra, disse na altura que este era “Um projecto de importância maior para o crescimento da economia portuguesa e para o emprego” tendo depois acrescentado que este projecto faria de "Sines um cluster petroquímico no contexto europeu e mundial”.
A Artenius prometia 150 postos de trabalho directos e 200 indirectos, sendo que dos directos 51 eram engenheiros e bacharéis, e o ínicio da laboração para 2010.
O investimento em Sines era da ordem dos 380 milhões de euros e, sabe-se agora, a Caixa Geral de Depósitos investiu na La Seda, 400 milhões de euros, sendo que a empresa beneficiou de ajudas do Estado Português, ao que penso traduzidas em benefícios fiscais, que salvo erro são de perto de 100 milhões de euros.
Soube-se, entretanto, que a empresa mãe, a La Seda, está de pantanas ou pouco menos. Sabe-se também, embora isso não saia nas notícias, que a obra em Sines está parada e que os trabalhadores envolvidos na construção, cerca de 300, já foram despedidos pelos empreiteiros e sub-empreiteiros que viram os trabalhos interrompidos. Sabe-se que a dita fábrica parou nos trabalhos de construção da estrutura. Em simultâneo podemos ler no Público que é devido a este projecto que a "CGD considera o seu interesse na LSB “estratégico”. A fábrica, avaliada em 400 milhões de euros, deverá começar a laborar em 2010 mas a sua construção está já atrasada cinco meses".
Seria possível explicar melhor esta história, começando talvez por perguntar ao Ministro da Economia o que se está realmente a passar?

Ministro das Finanças diz que se vivem momentos de viragem na crise
Depois do milagre da cidadania europeia segundo Vital Moreira, Teixeira dos Santos protagoniza o segundo milagre rosa desta legislatura. Diz o ministro que se vivem momentos de viragem na crise. Tudo isto para anunciar que vamos voltar à dura faina da diminuição da dívida pública paga pelos do costume, embora isso sejam especulações minhas já que o senhor sobre isso disse nada.
O cidadão comum acha que o ministro ensandeceu e que a viragem que se vive é a passagem do plano inclinado para o plano vertical que é aquele que caracteriza os abismos. Abismo no qual o ministro não receia cair ele que nem os planos inclinados frequenta.

Teixeira dos Santos não estranha aumento de 'spreads' , mas promete atenção aos abusos
Nesta conjuntura o ministro, que no Contra-Informações era conhecido de uma forma muito engraçada pelo "Teixeira dos Bancos", acha que o aumento dos spreads é natural. Por esta e por outras é que o ministro nunca podia ser candidato ao Nobel da Economia. Aliás, Teixeira dos Santos não terá percebido nada do que disse Stiglitz nas Conferências do Estoril quando recomendou o controlo dos spreads e talvez ache mesmo que o Nobel era afinal um perigoso esquerdista que se disfarçou de Stiglitz para defender ideias tipo "Bloco de Esquerda". Um infiltrado. O olho clínico do ministro não foi na fita que levou o incauto Sócrates a achar que o economista americano era de centro-esquerda. Centro-esquerda? Centro de esquerda é ele o Teixeira, que acha que o aumento dos spreads é não só necessário como compreensível, mas, cuidado, não abusem, porque senão têem-no à perna.

Pedro Santos/Dinis Correia_Young Lions from BAR on Vimeo.



O vídeo acima é o testemunho da participação da dupla que representou Portugal na competição Young Lions 2007 (categoria 'cyber'), e foi feito pelos dois moços que aparecem a falar, a pedido do patrocinador da edição deste ano (as inscrições acabaram agora mesmo).

Se repararem bem, verão que um é aparentado comigo, facto que o deixará, certamente, muito orgulhoso.

Vital Moreira diz que conceito de cidadania europeia mudou conceptualmente a UE
Vital Moreira acha que a União Europeia deixou de ser uma união de estados para passar a ser uma união de cidadãos. Essa transformação aconteceu, segundo Vital, em 2002. Trata-se de uma visão do candidato do PS apenas comparável ao famoso milagre de Fátima.
Não se percebe como é possível concluir esta enormidade quando, por exemplo, na discussão e aprovação do Tratado os estados optaram por excluir os cidadãos poupando-lhes esse incómodo e colocando-se a salvo do que eles, no exercício da sua cidadania, pudessem decidir. Não se percebe que conceito de cidadania defende Vital e que conceito de cidadão. Será que a cidadania se atinge, em particular a cidadania europeia, independentemente das condições de exercício dessa cidadania? Será que estamos perante um conceito abstracto válido por mera disposição legal? Quais são as condições de exercício de uma verdadeira cidadania europeia? Será que a Europa, que se afasta cada vez mais dos objectivos do tratado de Roma, expressos no seu artº 158º, de coesão social, essa Europa onde o fosso entre os mais pobres e os mais ricos não para de aumentar, aumentando no entanto de forma desigual nos diversos países, é um espaço propício ao exercício da cidadania? Será que a Europa da precarização crescente, do desemprego crescente, da diminuição da influência e mesmo do desmantelamento do Estado Social é um espaço propício ao exercício da cidadania? De que cidadania falará Vital?


Foto retirada do site da CMS- Entrega da medalha de mérito municipal em 2008
Morreu o José Vilhena, carpinteiro de profissão, militante antifascista, militante do MDP-CDE e do PCP, Presidente da Assembleia Municipal de Sines no período de 1989 a 1993. Conheci-o bem e, salvaguardadas as nossas divergências políticas, gostava dele, do seu lado humano, da sua intolerância para com a injustiça, do seu lado artístico que se manifestava sobretudo na sua profissão mas também na escrita a que dedicou parte dos seus últimos anos. Tínhamos uma relação de amizade e de respeito mútuo.
Era um homem bom mas não o era por falta de convicções ou de ideais ou por não ser capaz de as defender e de lutar por elas. Era um homem capaz de fazer escolhas e opções e de se bater por elas.
Fica a sua memória.


Decorreu em Beja o encontro dos municípios com Centro Histórico. Pagava para ter assistido, mas, infelizmente, a divulgação do evento não foi suficiente para pessoas como eu terem dele conhecimento.
Gostava particularmente de ter escutado as intervenções da urbanista Françoise Choay e do engenheiro português, João Appleton, pessoas que admiro nas suas áreas de intervenção específica.
Quem quiser saber o que se passou recomendo a leitura do que escreveu Carlos Dias na edição do Público do passado dia 17 ou aqui.
Sintomática e brutal foi a afirmação do director do Museu de Évora, citado por Carlos Dias, de que a população no centro histórico alentejano chegará aos censos de 1521, devido ao abandono.

PS - A Câmara Municipal de Sines, tanto quanto sei, não se fez representar nesta edição. Uma pena atendendo à sua experiência na promoção da degradação e do abandono do Centro Histórico. Podia ter introduzido uma nova dimensão de análise do problema.

Processos e contratos da Cova da Beira foram destruídos ilegalmente
Não foram só os soviéticos e os seus apanigudos a cederem ao impulso, e à necessidade política, de reescreverem a história.
Neste caso não estaremos perante uma reescrita pura e dura, mas perante um apagão. Trata-se de destruir documentos que constituiríam testemunho da forma como as coisas se teriam passado na realidade. Trata-se de interpor uma cortina opaca entre os cidadãos e a verdade. Felizmente, nas democracias, não vendem cortinas suficientemente opacas, pelo que mais tarde ou mais cedo a verdade expõe-se crua e dura perante os cidadãos.
Feito isso, e apesar das explicações de ocasião dos responsáveis políticos, importa saber a quem interessava a destruição.

Freeport: primo "acha que" José Sócrates conhecia Charles Smith
O primo acha que Sócrates conhecia Charles Smith, enquanto Sócrates afirma que nunca o conheceu. Mas, e isso é certo, o primo, com o seu apurado sentido do negócio, achava que usar o nome de Sócrates seria um facilitador de vida para ele. Achava ou tinha a certeza? Achava ou tinha isso como garantido?
Bom, com familiares destes um homem não se safa de se ver envolvido em chatices, suspeições, seja lá o que lhe quisermos chamar. Não são necessários inimigos basta localizar os familiares e dar-lhes a palavra. O "Expresso" foi à China desencantar o primo e deu-lhe a palavra e o homem não se poupou.

Manuel Alegre sai das listas eleitorais mas fica no PS
Como tive oportunidade de escrever aqui esta era aquela que me parecia a boa escolha.
Manuel Alegre tem uma capacidade de intervenção política muito superior à que resulta da sua condição de deputado. No entanto, a sua saída do PS nestes tempos marcados por uma clubite-partidária-aguda, iria permitir aos Lellos de serviço a sua diabolização e reduziria, aí sim, a sua intervenção política.
Manuel Alegre é a expressão mais forte do desejo de uma mudança política feita com os valores da esquerda e que não poderá excluir à partida o PS, embora seja feita contra uma significativa parte da sua práctica governativa.
Desta forma Manuel Alegre mantem a sua capacidade crítica relativamente à actuação política do partido e dá um sinal claro aos seus apoiantes. Não me parece que Sócrates possa ter ficado satisfeito com esta opção.

"Sócrates compreende e respeita posição de Vital mas mantém silêncio sobre Lopes da Mota"
Tenho criticado o desempenho de Vital Moreira nesta campanha eleitoral mas não me restam dúvidas que nesta caso do Eurojust e do seu presidente o candidato do PS tomou a posição certa. Aconselhou Lopes da Mota a suspender o mandato e não a demitir-se como alguns entenderam ou reinvindicaram.
A demissão pressupõe uma condenação e até que o processo instaurado ao magistrado esteja concluído não me parece que alguém a possa invocar.
Independentemente da posição de Sócrates sobre o assunto o que seria importante era a posição de Lopes da Mota que, até para salvaguardar os ecos internacionais do assunto e os efeitos colaterais desses ecos, devia seguir o conselho de Vital. Talvez assim o inquérito em curso não atingisse a dimensão internacional que se arrisca a ter e não envolvesse, ainda que indirectamente, o primeiro-ministro.
Mas, sabemos nós pelo passado recente, os nomeados para certos lugares não optam em regra por preservar a imagem de quem os nomeou optando, muitas vezes, por permanecerem nos lugares enquanto podem. Veja-se o mal afamado caso de Dias Loureiro.
Deste episódio sobressai a independência de Vital que diz o que pensa e já, sabemos todos nós nalgumas questões, pensa melhor do que quem o escolheu.

Alegre anuncia amanhã se entra nas listas de Sócrates para as legislativas
Não vejo nenhum interesse em que Manuel Alegre abandone o PS e muito menos em que forme um novo partido. Faz, do meu ponto de vista, todo o sentido, que Manuel Alegre suporte a ala esquerda do PS e que questione dentro do partido a deriva neoliberal conduzida por Sócrates. Faz ainda mais sentido que Manuel Alegre a partir do PS estabeleça laços que ajudem a construir uma genuína unidade das esquerdas.
Não sei se é possível a Manuel Alegre manter o tipo de intervenção que tem tido saindo do Parlamento. No entanto, parece-me mais complicada a sua participação nas listas já que isso equivale sempre à pública manifestação de um apoio a Sócrates e ao Governo que ele vier a liderar, podendo mesmo diminuir a sua capacidade crítica relativamente às actuações do Governo anterior. Outro efeito dessa participação traduzir-se-ia num reforço eleitoral do PS e num contributo para uma nova maioria absoluta o que é em si próprio uma contradição nos termos com a sua luta política dos últimos anos.
Penso aliás que a intervenção política do socialista Manuel Alegre não será minimizada pelo facto de não ser deputado. Estamos perante uma personalidade que pela sua importância política própria será sempre escutado sobre as grandes questões nacionais e que dispõe já hoje de canais próprios de comunicação com as massas.



Gosto, querem o quê?

A 10ª edição do maior Festival de Teatro do Alentejo, a Mostra de Teatro de santo André, vai estar em cena de 15 a 31 de Maio em Vila Nova de Santo André.
Pode obter mais informações aqui .

"Zapatero anuncia redução de impostos para as PME".
Assinale-se o oportunismo de só agora, com o imobiliário de pantanas, Zapatero anunciar uma alteração ao modelo de desenvolvimento.


Confirmadas pressões sobre magistrados no caso Freeport
Vai haver um processo disciplinar ao suposto "agente pressionante", o procurador Lopes da Mota, processo esse que substitui o inquérito às ditas pressões, decidiu o Procurador Geral da República.
Afinal, já se concluiu que alguma coisa aconteceu. Pressões, pelo menos. No puro recurso à lógica poder-se-á deduzir que quem pressiona quer obter um resultado com suas pressões. Que resultado seria? Teria alguma relação com o objecto da investigação? E que mais terá acontecido? Talvez ainda se saiba, não percamos as esperanças. A justiça é lenta, mas lá que se move, move-se.

"Sá Fernandes lança associação cívica que não irá a votos"
Nada de novo: o Zé não quer pura e simplesmente ser absorvido pelo PS pelo que escolhe "lançar uma associação". A formulação dos objectivos da dita cuja é a um tempo sofisticada e clara: "definir um programa a discutir priveligiadamente com António Costa, mas aberto à participação de outras forças políticas", mais coisa menos coisa. Claro que a formulação não quer dizer nada e o seu efeito será o mesmo que a declaração porque todos esperavam que poderia ter sido a seguinte: "depois desta agradável experiência de exercício do poder com o meu amigo António Costa não posso deixar de manifestar a minha disponibilidade para continuar a servir priveligiadamente a cidade e o projecto que o António tem para ela".
Sá Fernandes arrepia-se só de pensar que enquanto cada esquerda de Lisboa olha para o seu umbigo o Santana vem pela calada e pimba. Não fora, aliás, Santana Lopes e a sua sombra ameaçadora a pairar sobre a cidade e o Zé não se daria a tanto trabalho, mas, o menino guereiro, obriga a este esforço de unidade das esquerdas, mesmo que seja só a fingir que é unidade e não a pura e dura absorção.

Todos contra PS e PSD por terem recusado referendo ao Tratado de Lisboa
O debate correu muito bem. Claro que o tempo não chega para grandes considerações e cada partido tem que telegrafar as suas mensagens. Mas a forma como a coisa evoluiu ultrapassou as melhores expectativas. Toda a gente - falo sobretudo dos pequenos partidos que nunca são convidados a participar - teve tempo suficientee capacidade para deixar uma ideia daquilo que os mobiliza. Os melhores desempenhos - fora os cinco com representação europeia - foram os do PCTP-MRPP e do Partido Humanista, em particular este segundo que criticou de forma dura a evolução verificada na Europa.
O debate correu mais uma vez mal para Vital Moreira. Não é capaz de introduzir as questões europeias no debate e deixa-se resvalar para um papel de defensor oficial da linha do Governo que desemepnha muito mal, mostrando uma enorme falta de jeito. Pretende, e não consegue, criar uma pretensa linha de separação entre os liberais, representados pelo PSD e pelo PP, e os socialistas, representados pelo PS. Os primeiros teriam a seu cargo a responsabilidade pela desregulação dos sistemas financeiros internacionais que conduziram à presente crise. Aos socialistas caberia o mérito de serem desde sempre contra essa desregulamentação e de pugnarem por uma europa mais solidária em que os mercados fossem regulados pela intervenção do Estado. O problema é que Vital Moreira parece confundir aquilo que ele defendeu em teses académicas e livros ou artigos publicados com a realidade da intervenção política dos socialistas portugueses na condução do governo e na tomada dedecisões na união europeia. Infelizmente para Vital Moreira a linha que ele pretende traçar não existe e os cidadãos sabem-no cada vez mais. A paixão de Sócrates pela regulação e pela intervenção do Estado na economia é um paixão recente amadurecida à pressa sob a pressão dos efeitos da crise e da agenda eleitoral.
Quer Vital Moreira quer Paulo Rangel - teve o mais apagado desempenho desde o ínicio da campanha - não lidaram bem com a acusação generalizada de que PS e PSD tinham recusado o referendo porque não resepitam os compromissos políticos e porque temem a participação dos cidadãos na construção europeia.
Ilda Figueiredo mostrou-se segura e eficaz a defender as posições do seu partido. Reagiu bem à pergunta, inaceitável, de Paulo Rangel sobre a posição do PCP face a um hipotético referendo à Constituição de Abril.
Miguel Portas foi igualmente seguro a desmontar o discurso redutor de Vital Moreira de que aqueles que são contra o tratado são contra a Europa. Deixou claro que a questão central desta crise é a de sabermos como vamos responder aos desafios colocados pelo desemprego crescente e pelas dificuldades cada vez maiores sentiudas por um número crescente de europeus.
O candidato do PNR lá se foi portando de uma forma civilizada até que, já no final, teve que revelar que defendia a reversibilidade da emigração excessiva que, segundo ele, temos em Portugal. O eufemismo que encontrou para a pura e dura expulsão dos imigrantes revela imaginação e sofisticação para esconder a crueldade da intenção.
Apesar de cada um ter tido pouco tempo, foi um debate democrático que honrou a televisão pública. Ninguém foi excluído. É isso que se espera.

Vieira da Silva anunciou queo Governo vai diminuir o número de trabalhadores imigrantes em Portugal. Paulo Portas aplaudiu, como não podia deixar de ser, parece-lhe uma medida adequada. Muitos socialistas lamentam esta decisão do seu Governo e não só os da ala mais à esquerda. Vejam-se as declarações de António Vitorino.
Entretanto um conjunto largado de personalidades e de instituições lançaram uma carta aberta sobre políticas de imigração na qual fazem uma reflexão e uma denuncia sobre as política d eimigração portuguesas e europeias e propõem um debate e uma reflexão. Fica aqui o manifesto e a lista dos subscritores.
Carta Aberta sobre políticas de imigração


“O ano de 2009, ano para o qual está prevista a realização três actos eleitorais, é um momento decisivo para o debate sobre as opções a tomar em temas cruciais como é o caso das políticas de imigração. Mais de um ano após a entrada em vigor da nova Lei de Imigração, as expectativas criadas aquando da sua aprovação não foram cumpridas e, embora a nova lei visasse tentar minorar alguns dos aspectos mais gravosos verificados na anterior, são inúmeras as situações de injustiça com as quais os/as imigrantes se deparam no seu dia-a-dia, das quais destacamos:O carácter excepcional e oficioso dos mecanismos de regularização, a exigência de visto de entrada e o rotundo fracasso da política de quotas têm alimentado uma bolsa de indocumentados/as, que neste momento serão de mais de meia centena de milhar; Os crescentes entraves colocados ao reagrupamento familiar, à renovação de documentos e os exorbitantes valores das taxas pagas pelos/as imigrantes são outros dos problemas enfrentados.
Estas práticas e políticas em nada favorecem a inclusão dos/as imigrantes na sociedade portuguesa, contribuindo, pelo contrário, para o crescimento trabalho ilegal, para a desumanização das relações de trabalho e para acentuar as desigualdades sociais.
É também com uma enorme preocupação que temos acompanhado as últimas evoluções a nível Europeu. A Directiva de Retorno representa um enorme retrocesso civilizacional que envergonha a Europa. Permitir que uma pessoa (incluindo crianças) possa ficar detida, até 18 meses pelo único “delito” de ter migrado, promover as expulsões, perseguir migrantes, generalizar os centros de detenção, não são passos a seguir se queremos construir uma sociedade mais justa e inclusiva. A adopção formal daquela que foi apelidada por largos sectores da sociedade civil como a “Directiva da Vergonha” em pleno Ano Europeu para o Diálogo Intercultural, e, em particular, nas vésperas das comemorações da Declaração Universal dos Direitos Humanos, é sintoma de um gritante divórcio entre os discursos oficiais e a realidade.
Por outro lado, o Pacto Europeu sobre Imigração e Asilo é o programa político que visa consolidar medidas de criminalização e de desrespeito dos direitos dos/as migrantes, com o reforço e subcontratação do controle das fronteiras, o condicionamento do acesso ao reagrupamento familiar, a dificultação do acesso a vistos e a adopção do “Cartão Azul” (um esquema de recrutamento hiper-selectivo, em função das qualificações).
Por fim, o pacto proíbe a realização de processos regularização de carácter generalizado, condenando à clandestinidade os cerca de 8 milhões de indocumentados/as que vivem na Europa e resumindo as suas possibilidades a uma análise “caso a caso”. O documento, instrumento de carácter programático que visa definir as linhas de acção para o próximo ciclo político – 2010 a 2015 -, contribui para consolidar o carácter repressivo na aplicação das políticas desenvolvidas pelos estados membros e condiciona o próximo “Governo” da UE, ainda antes da realização, em Junho, das próximas eleições para o Parlamento Europeu. Por um lado, é mais um entorse da democracia numa Europa virada de costas para os cidadãos; por outro, está a ser um instrumento de afirmação dos sectores mais xenófobos e populistas da Europa.
As migrações não são uma realidade nova, são tão antigas como a própria história da Humanidade, mas constituem uma característica fundamental da aceleração do processo de globalização verificado nas últimas décadas. Neste processo, a desregulação dos mercados e o aumento das desigualdades Norte-Sul estiveram na base da direcção e magnitude dos actuais fluxos migratórios. O envelhecimento demográfico e as acentuadas necessidades de mão-de-obra, tornaram o velho continente Europeu num pólo de atracção das migrações. No entanto, e apesar da Europa precisar destes/as migrantes, sempre dominou uma relutância hipócrita em reconhecê-lo. O resultado foi um modelo migratório restritivo que alimentou a migração clandestina e o tráfico humano, e que criou um contingente de mão-de-obra desprovida de direitos, descartável, vulnerável perante a exploração laboral e para trabalhar em sectores pouco atraentes para os europeus, com altos níveis de precariedade e de sinistralidade – uma experiência de resto bem conhecida dos milhões de portugueses/as que emigraram, e ainda o fazem, para todo o mundo.
A Europa, a encarar uma crise económica grave, de resto generalizada a todo o globo, tem usado os/as imigrantes para “explicar” o terrorismo, a insegurança, desemprego, enfim os vários males sociais. Preocupa-nos que hoje, tal como em anteriores crises, sejam eles/as o bode expiatório desta situação e as suas primeiras vítimas.A solução para o impasse requer que se vá à raiz dos problemas.
O direito à residência - sem a qual a existência dos/as imigrantes é relegada a um limbo jurídico que só alimenta a exploração laboral e a exclusão social - é condição sine qua non para uma real inclusão dos/as imigrantes e para a coesão de toda a sociedade. Mas, no caminho rumo a uma cidadania plena, há ainda muito a percorrer. O direito de voto dos/as estrangeiros/as residentes já existe nas eleições autárquicas para os comunitários e os abrangidos pelos acordos de reciprocidade. Esta situação é manifestamente discriminatória, sendo urgente o acesso ao direito de voto pelos imigrantes residentes, em todas as eleições. Deve-se ainda prestar especial atenção à vulnerabilidade acrescida que enfrentam as mulheres migrantes, assim como à realidade de muitos jovens descendentes, os quais, continuam a sofrer os efeitos da guetização e exclusão. Escutemos a insatisfação crescente que se vive nos bairros.
Lançamos um desafio: o de promover um debate sério e construtivo, que envolva uma ampla participação da sociedade civil, incluindo os/as imigrantes. É necessário equacionar políticas que assentem no respeito da dignidade humana e que promovam a igualdade de direitos entre as pessoas, independentemente do lugar onde tenham nascido.”

Lista completa de subscritores

Adelino Gomes, Jornalista
Alípio de Freitas, Jornalista
Ana Barradas, Editora
Ana Paula Beja Horta, Prof. Universitária
Anne Marie Delettrez, Pres. Ass. Geral da UMAR
António Avelãs, Presidente do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa
António Pedro Dores, Prof. Universitário
Bonga, Músico
Carlos Trindade, Membro da Comissão Executiva da CGTP
Christiane Coêlho, Investigadora
Chullage, Músico
Dalila Rodrigues, Historiadora de Arte
Elizabete Brazil, Jurista
Fernando Nobre, Médico
Francisco Fanhais, Cantor e Professor
Francisco Keil do Amaral, Arquitecto
(Frei) Francisco Sales, Director da Obra Católica Portuguesa para as Migrações
Frederico Lobo, Realizador
Guadalupe Magalhães, Presidente da Ass. Abril
Helena Roseta , Arquitecta
Heloísa Perista, Prof. Universitária
(D.) Ilídio Leandro, Bispo de Viseu
Irene Pimentel, Historiadora
(D.) Januário Torgal Ferreira, Bispo
João Afonso, Músico
João Brites, Encenador
João Teixeira Lopes, Prof. Universitário
Jorge Malheiros, Prof. Universitário
José Bracinha Vieira, consultor jurídico
José Eduardo Agualusa, Escritor
José Mário Branco, Músico
José Mussuaili, Jornalista
Lira Keil do Amaral, Professora
Luanda Cozetti, Músico
Luís Calheiros, Pintor/professor de Estética
Manuel Carvalho da Silva, Secretário-Geral da CGTP-IN
Manuel Freire, Cantor e Presidente da Sociedade Portuguesa de Autores
Maria Anadon , Cantora de Jazz
Maria Viana, Cantora de Jazz
Miguel Vale de Almeida, Prof. Universitário
Mito Elias, Pintor
Paula Teixeira da Cruz, Advogada
Pedro Bacelar Vasconcelos, Prof. Universitário
Pedro Joia, Guitarrista
Raquel Freire, Cineasta
Rui Tavares, Historiador
Sergio Trefaut , Realizador
Tito Paris, Músico
Vanessa de la Blétière, Investigadora
Xana, Cantora
Zé Pedro, Músico
Acção Humanista Cooperação e Desenvolvimento
Associação de Amigos da Mulher Angolana
Associação de Apoio ao Estudante Africano
Associação Caboverdeana de Lisboa
Associação de Cubanos Residentes em Portugal
Associação Khapaz
Associação Lusofonia, Cultura e Cidadania
Associação de Melhoramentos e Recreativa do Talude
Associação José Afonso
Associação De Solidariedade Caboverdeana da Margem Sul
Associação dos Ucranianos em Portugal
Ballet Pungu Andongo
Casa do Brasil de Lisboa
Colectivo Mumia Abu-Jamal
Frente Anti-Racista
GAFFE – Grupo A Formiga Fora da Estrada
Obra Católica Portuguesa de Migrações
Olho Vivo – Associação para a Defesa do Património, Ambiente e Direitos Humanos
UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta
Solidariedade Imigrante – Associação para a Defesa dos Direitos dos Imigrantes
SOS Racismo

Destituição em escola de Fafe é uma história toda em tons de "rosa
O que se passou em Fafe, entre facções rivais do PS local e distrital, vai reproduzir-se um pouco por todo o país, seja qual for a cor política dominante. Nalguns casos, com sólidas maiorias absolutas autárquicas ou com governos municipais fortemente personalizados, digamos assim, quem não der o amém ao cacique municipal ou aos seus "homens ou mulheres-de-mão" leva, pura e simplesmente, um par de patins.
Uma singular democracia a que estamos a construir com estas, cada vez menos vagas, reminiscências dos velhos tempos do Deus,Pátria, Autoridade.

Governo deveria tentar controlar “spreads”, diz Nobel da Economia
Nas conferências do Estoril, Stiglitz defendeu que a saída para estimular a economia portuguesa sem gastar muito dinheiro dos cofres do Estado passa por «tornar o crédito mais acessível às pequenas e médias empresas, com taxas de juro mais baixas».
O prémio Nobel da Economia acha que o Executivo português deve controlar os “spreads” que os bancos praticam no mercado.
Trata-se de evitar que o preço do dinheiro para a sfamílais e as empresas aumente. Segundo o Nobel "O Banco Central Europeu controla a taxa de juro oficial, mas a taxa a que as empresas conseguem pedir emprestado pode ser diferente no mercado. Ora, uma das consequências desta crise é que o “spread” tem aumentado no mercado. As políticas governamentais podem afectar a magnitude desses “spreads.(...)"
Stiglitz foi presentado por Sócrates e por Pinho como um economista de centro-esquerda, mas pelo visto -não é novidade para quem conhece a sua obra e o seu pensamento - defende posições que em Portugal tem sido defendidas pelo Bloco de Esquerda e que o Governo de Sócrates tem criticado por serem irresponsáveis. Afinal quem é rresponsável? Quem defende o ocntrolo dos spreads por parte do Governo recorrendo à Caixa Geral de Depósitos para concretizar essa política, como defendeu o Bloco ou o Governo de Sócrates que recusou esta proposta?

Stiglitz não acredita em retoma rápida da economia mundial
Gostaria de ter assistido a esta conferência. Stiglitz é um dos economistas que mais admiro. O que veio agora dizer não é exactamente nada que não tivesse já dito ou escrito. Mas gostaria de ter assistido à reacção dos nossos gestores e daqueles que executaram neste país as políticas que Stiglitz tanto critica e denuncia.
Stiglitz afirmou que a “doutrina de direita sobre a economia de mercado falhou claramente. A ideia de que os mercados são perfeitos só é possível num mundo com informação perfeita, ora a informação é sempre imperfeita”. Isto é coisa capaz de por os cabelos em pé à nossa direita, entendida no sentido lacto isto é incluindo aqueles que se dizem socialistas e que governam em nome da direita, e aos nossos principais opinion makers tão fluentes no seu economês.
Stiglitz falou do Chile e de quanto custou aos chilenos a aventura desregulamentadora da trágica dupla Friedman/Pinochet. "Essa experiência custou aos chilenos um quarto de século a pagar dívidas”, terá dito Stiglitz.
Mas no momento grande da noite - terá havido gente que olhou desesperada por uma saída de emergência, tão intenso terá sido o mau estar - falou de "uma “corrupção ao estilo americano” para explicar de que forma é que os políticos permitiram a desregulação do sistema, e de uma “luta de classes contra os pobres” para explicar a maneira como os bancos apostaram na transferência de rendimentos da “base da pirâmide para o topo”.
Quem diria que se podiam escutar coisas destas ditas por um Nobel da economia nos salões da burguesia.

Novas imagens do futuro Terreiro do Paço foram apresentadas hoje
A Câmara de Lisboa viu hoje ser-lhe apresentada pela Sociedade Frente do Tejo um projecto do que será o Terreiro do Paço se o projecto do arquitecto Bruno Soares vier a ser construído.
A Câmara de Lisboa, neste como noutros casos, gere a cidade e o seu património e tem a sorte de nessa cidade existirem espaços magníficos como o Terreiro do Paço. Mas a Câmara não sabe o que fazer com esta praça que é certamente a mais bonita e uma das maiores da Europa. O bom senso recomendaria que não sabendo o que fazer, fizesse uma de duas coisas: 1)organizasse um concurso público internacional de ideias para a intervenção na praça, que desse resposta às necessidades sentidas pela autarquia, isto é pelos seus cidadãos, e por todos aqueles que visitam a capital; 2) que nada fizesse optando, face á sua confessada e assumida ignorância ou incapacidade, por nada fazer, deixando a praça como está sujeita às normais obras de melhoramentos pontuais.
A Câmara não fez nada disso tendo, ao que se percebe, transferido para a dita sociedade a responsabilidade de elaborar um projecto. A sociedade, no uso dos seus altos poderes, escolheu o arquitecto Bruno Soares que apresenta agora este estudo, mas esclarecendo que,assinale-se, "embora o projecto ontem apresentado seja aquele que, em princípio, irá por diante, ele poderá vir incorporar sugestões ou alterações sugeridas por todos aqueles que quiserem participar neste debate". Que grande abertura, que grande lição de democracia e de promoção da participação das populações! Podem até sugerir alterações todos aqueles que quiserem participar no debate. Ena pá. Faz-me lembrar o despotismo iluminado de alguns que não receiam o debate democrático desde que no fim façam sempre o que eles querem. Se isto é com a nossa mais emblemática praça o que não será com um qualquer jardinzito ou bairro?
Talvez seja esta a forma como a Câmara de Lisboa, liderada por um presidente socialista, se quer posicionar para a comemoração dos 100 anos da República: dando uma ideia caricatural da importância da participação democrática das populações nas decisões sobre o futuro da cidade.
Fora estes aspectos de fundo o que mais me desagrada é quase tudo o resto. Choca-me a ideia de mudar o aspecto geral da praça e de essa mudança estar a ser feita ao abrigo de uma ideia única, de um projecto providencial. Choca-me a geometria e os materiais escolhidos, com a justificação de uma suposta luminosidade excessiva, e a ideia da passadeira central a afunilar e a dirigir a visão da praça e a canalizar os peões por esse corredor.
Não vejo grande futuro à ideia e, em Lisboa, com a opinião pública e a sua força, julgo que a Câmara vai ter que abrir o debate e vai ter que recuar, colocando as intervenções a fazer em aberto. Abertas à criatividade e engenho de quem quiser participar e sujeitas ao debate público e ao controlo democrático dos cidadãos. Sujeitas à decisão,possível se os cidadãos assim o decidirem, de que mais vale deixar as coisas como estão ou muito perto disso.

O PSD escolheu João Custódio para candidato à autarquia de Sines. Trata-se de uma candidatura que permite maximizar a disponibilização de votantes tradicionais do PSD - considerando os que votam normalmente em eleições legisltivas - para as outras candidaturas autárquicas, com destaque para as que resultam da área do poder. Em 2005, como noutros anos, entre as legislativas e as autárquicas, 37% dos que tinham votado PSD foram votar na CDU. Nem foi um dos piores anos, porque o PSD tinha um candidato, Manuel Lança, a quem era reconhecido algum trabalho autárquico. Entre as legislativas de 2002 e as autárquicas de 2001, 67% dos eleitores fizeram a mesma mudança. Foram mais os que mudaram o sentido de voto do que os que permaneceram fieis.
Desta vez o recorde de transferência será batido. Esta escolha visa esse mesmo resultado. É uma vitória daqueles que dentro do PSD defendem e praticam uma única política: votar e apoiar quem está no pode na Câmara. Desta vez têm uma vantagem: já não necessitam de votar nos comunistas, Manuel Coelho declarou oportunamente que já não é estalinista. O núcleo duro do PSD de Sines, vai votar SIMplesmente em quem acha que lhes pode garantir a continuidade do acesso ao poder e aos negócios. O "camarada" João Custódio serve muito bem, ainda que involuntariamente no que a ele se refere, esta estratégia.

Quem o diz do PS é o socialista Henrique Neto destacado empresário além de ser uma das figuras públicas mais reconhecidas pela sua independência e capacidade crítica. O motivo próximo para esta crítica é a famigerada lei de financiamento dos partidos que foi aprovada por unanimidade. Henrique Neto estende a sua crítica aos restantes partidos que aprovaram a lei.
Diz o socialista: "Os partidos políticos, no seu conjunto, nunca desejaram a transparência. A corrupção sempre existiu nos partidos políticos. Agora passa a estar permitida por lei. A minha confiança nas pessoas que fazem leis destas é muito limitada, não apenas no PS. A lei foi votada por unanimidade."
A este propósito a líder do PSD mostrou-se disponível para ajustar a lei de financiamento partidário. Embora a explicação de Manuela Ferreira Leite seja um bocado esfarrapada, registe-se a posição que, por enquanto, é única entre os seus pares. Quanto aos restantes o silêncio tem sido a regra.
Pessoalmente espero que o Presidente da República vete a lei.

"Cravinho pede intervenção de Cavaco na nova lei de financiamento dos partidos"
Fala Cravinho: "Abrir a porta a uma entrada de dinheiro 1.250.000 euros, sem qualquer fiscalização sem qualquer contraprova?”. “Mais vale dizer que está aberto o leilão à corrupção, porque é isto mesmo que se trata. É uma pouca vergonha. É uma provocação”. “Espantar-me-ia que o Presidente da República achasse isto tudo bem e não tivesse qualquer reparo a fazer”.
Não faz qualquer sentido esta lei. A desculpa da Festa do Avante é uma desculpa esfarrapada como tive oportunidade de escrever aqui.
Não acredito que esta lei possa entrar em vigôr nestes exactos termos em que está elaborada. Não me parece que os partidos possam continuar calados sem tomarem posição pública sobre esta lei.

Vai para aí um alarido com as sondagens feitas pelo CESOP/Católica quer para as Europeias quer para as Legislativas.
No caso das Europeias os resultados são os seguintes:
PS: 39%
PSD: 36%
BE: 12%
CDU (PCP-PEV): 7%
CDS-PP: 2%
Outros: 2%
Branco/nulo: 2%

No caso das Legislativas os resultados mudam apenas ligeiramente, embora o resultado do PS melhore. O PSD obtêm um dos seus melhores resultados nos últimos meses/anos. Os resultados são os seguintes:
PS: 41%
PSD: 34%
BE: 12%
CDU: 7%
CDS-PP: 2%
OBN: 4%

O CDS está à beira de um ataque de nervos com os 2% que obtêm em qualquer uma das sondagens. Vai daí reagiu à canelada e resolveu queixar-se à ERC.
A CDU também não terá muitas razões para sorrir mas os comunistas têm uma longa tradição de relativizarem as sondagens e não reagem como a malta do Caldas.
O BE obtêm um resultado nas europeias inferior à sondagem Intecampus da semana passada mas poderiam nas europeias triplicar o número de deputados caso estas sondagens se confirmassem. Quanto às legislativas o resultado corresponde á duplicação do resultado anterior, o que não é pouco. Apesar de se colocar fora da área da governação o BE cresce como nenhuma outra força política.
O melhor disto tudo é ir ao Margens de Erro e ler os esclarecimentos qualificados e pacientes do Pedro Magalhães que além de ser um craque nestas matérias e um profissional sério e rigoroso tem uma paciência de job.
Se o silência vale mais do que mil palavras a inexistência de reacção aos resultados da sondagem no Porto é ensurdecedor. Rui Rio ganha de cabazada a Elisa Ferreira, que poderá continuar tranquila em Bruxelas, tem um resultado que premeia a sua ubiquidade política. Toda a gente já sabia que este seria o resultado.

Paulo Rangel tem de "comer muita papa Maizena", afirma Manuel Pinho
Diziam as más linguas que o ministro só se aguentava no Governo por obra e graça do espírito santo, tantas e tão variadas foram as gaffes ao longo destes anos de mandato. Afinal, sabe-se agora, são as qualidades alimentícias das papas maizena que justificam a exageradíssima longevidade do ministro. Registe-se apenas o altruísmo de Manuel Pinho que, para defender as capacidades do seu pessoal, não hesita em aconselhar aos adversários a receita para o sucesso: papas maizena. Que pena que a mesma receita não se possa aplicar ao défice. Aposto que se a Economia reagisse às papas maizena da mesma maneira que o ministro espera que Paulo Rangel reaja estávamos a rebentar de tanta convergência.
E ainda há quem diga que a política à portuguesa está intragável .

A propósito destes tempos duros e dificeis - apenas para a generalidade dos cidadãos, não para os outros - e da novela "Vital Moreira foi ao 1º de Maio da CGTP", um ouvinte de um dos fóruns que existem na rádio pública recordou Bertolt Brecht. A citação que fez vinha muito a propósito. Recordou esse ouvinte o conhecido poema de Brecht


Do rio que tudo arrasta
se diz que é violento
Mas ninguém diz violentas as
margens que o comprimem
Recordo um texto do dramaturgo e poeta alemão muito adequado aos tempos que passam:

"Não há pior analfabeto que o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. O analfabeto político é tão burro que se orgulha de o ser e, de peito feito, diz que detesta a política. Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política é que nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, desonesto, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."

Este post de Renato Soeiro sobre a realidade da política agrícola comum e os seus beneficiários a partir da divulgação das listas dos contemplados com os apoios europeu à agricultura. Divulgação que foi agora tornada obrigatória por pressão da Dinamarca.
Fundamental para compreender a essência da generosidade europeia que consome com esta política quase 40% do Orçamento da União Europeia. O que aí se mostra é que os pequenos agricultores ficam arredados da maior fatia dos apoios que a UE disponibiliza, que acabam nas mãos dos maiores grupos agrícolas e nas mãos da rainha de Inglaterra e dos seus bilionários familiares. Confirma-se aquilo que quem acompanha estas coisas já sabia: que a França absorve 20% das verbas pelo que não deixa de ser excessivo falarmos de uma Política Agrícola Comum. De leitura obrigatória.
Cito: "Não espantará os mais habituados a estas andanças que, entre os maiores beneficiados pelos apoios da União Europeia, se destaquem as grandes multinacionais do sector e os grandes proprietários rurais, nomeadamente reis, seus familiares e outros membros da nobreza.(...)
A UE continua assim a apoiar generosamente todos estes pobres agricultores com o dinheiro dos nossos impostos. O apoio à agricultura em dificuldade e aos agricultores que realmente precisam é, sem dúvida, uma política necessária de solidariedade na União. Mas os dados publicados mostram uma realidade bem diferente. Se se fizesse um referendo em França, perguntando aos contribuintes se concordariam com a ideia de contribuir com 63 mihões para uma grande multinacional, esta política jamais seria adoptada.(...)
E se perguntássemos aos contribuintes do Reino Unido se concordam que, em tempos de tanta dificuldade para as famílias plebeias e trabalhadoras, estas sejam obrigadas a dar uma ajuda aos negócios privados de Sua Majestade, da família real e de outros nobres e grandes senhores da indústria, o que nos responderiam?(...)"

"Vital Moreira insiste que PCP deve pedir desculpas pelas "malfeitorias" de que foi alvo"
Vital Moreira sabe muito bem que os seus ex-camaradas não vão pedir desculpas pelo sucedido. Ele poderia explicar ao país com clareza as diferentes razões que impedem o PCP de o fazer. Recordo apenas uma: isso seria admitir uma responsabilidade que não está provada, como Vital muito bem sabe.
As agressões, assim chamadas, não despentearam o candidato nem o submeteram a danos físicos que o impeçam de continuar a participar em debates -essa é, até agora, a maior agressão que já vi infligida à campanha do PS e aí estamos no campo da autopunição, pura e dura - e na campanha em geral. Do mal o menos.
Partilho da indignação que os insultos, os empurrões, a intolerância e este tipo de actuação cretina e reprovável em geral suscitam mas também concordo com todos aqueles que acham que a acção de um pequeno grupo de manifestantes serviu como uma luva os intereses do candidato e da sua apagada campanha.
Vital Moreira foi ao primeiro de Maio fazer o quê? Solidarizar-se com os trabalhadores nesta sua jornada de luta? Manifestar solidariedade com as dificuldades que atravesam nesta crise em que estamos mergulhados?
Posto isto parece-me que agora, na lógica da brilhante campanha pró-Europa que concebeu e está a colocar em práctica, Vital Moreira optou por agarrar-se como um naufrago aos últimos resquícios dos resborrifos de água e aos últimos sinais dos safanões dos manifestantes, para pedir ajuda e votos. É isso que ele quer, o resto são fait-divers.


 

Pedra do Homem, 2007



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