FC Porto cumpriu a “prioridade”, mas ainda não “passa a mensagem”

A entradas de Varela acabou por permitir ao Porto uma vitória que foi justa mas que, face à oposição qualificado do Rio Ave, chegou a estar ameaçada. Varela entrou tarde mas ainda a tempo de obrigar o Rio Ave a recuar e a acantonar-se junto da sua baliza.

No futebol como em tudo na vida uma decisão com consequências negativas para uns acaba por ter consequências positivas para outros. Importa por isso fazer o deve e o haver para se avaliar se a decisão de Pedro e Paulo de dispensarem Varela, a custo zero, foi ou não uma decisão globalmente positiva para a Liga e até para o futebol português, tão carenciado de bons extremos.
Julgo que ainda serão lembrados por terem permitido que o bom do Silvestre aparecesse como um jogador de elite do nosso futebol. Nestas coisas a tendência nunca será para elogiar o professor Jesulado que, passe a sua imodéstia, vê mais com um olho fechado do que a dupla atrás referida com os dois escancarados. Mas, o professor é assim, discreto e teimoso quanto baste lá vai levando a água ao seu moinho: a Liga ainda não tem vencedor e não será em Dezembro que alguém pode encomendar as faixas.
João Tomás é um bom avançado e poderia ter sido um dos melhores caso a passagem de Mourinho pelo Benfica tivesse tido outra evolução. Mas, hoje por hoje, é quem melhor finaliza na primeira Liga. Português dos quatro costados.

PS - sobre o derbi de sábado ficou por referir uma evidência: O árbitro não marcou um penálti claro de David Luiz sobre Liedson. David Luiz não deveria ter acabado o jogo por força desse lance e da violência que emprega muitas vezes. Talvez para mostrar aos mais excitados que não é assim tanta a classe com que o pintam. Adrien, que fez um belo jogo e que para mim seria sempre titular, merecia ter visto o cartão vermelho por força de uma entrada sobre Saviola, muito perigosa. Se derem três ou quatro jogos seguidos a este jogador quero ver qual o seu rendimento.
A tese de que Moutinho foi o melhor em campo tem poucos defensores. E eu a pensar que tinha sido uma evidência mais pela primeira parte do que pela segunda, mas uma evidência em termos globais. Muito melhor do que Ramires no Benfica, por exemplo, ou muito mais influente que Veloso no Sporting. Moutinho, talvez pelo tamanho que atrapalha muitos analistas, tem que fazer muitíssimo para se aproximar do nível mediano de alguns. O Pinto da Costa que sabe mais de futebol que esta rapaziada toda é que não tem dúvidas: se aparecerem dois cromos a descartar Moutinho para o "seu" projecto do Sporting o homem pode dormir descansado que há um destino de acolhimento no Olival.

Empate a zero no "derby" de Alvalade
O Sporting, pode queixar-se de ter perdido dois pontos. Face ao que se passou durante os 90 minutos esta é uma queixa legítima. Mas, como sabemos esta seria a mais fácil de todas as vitórias do Benfica. Assim sendo este jogo mostra duas realidades diferentes: o Sporting está a melhorar desde a saída de Paulo Bento e este jogo mostra que a melhoria é relevante; o Benfica já passou por melhores dias e acusa uma perda de forma com algumas unidades a perderem fulgor.
Escrevi antes que o campeonato para Sporting estava arrumado. Mantenho. Espero que joguem cada vez melhor e que ver o Sporting jogar seja um prazer. Se isso acontecer as coisas melhorarão em temros desportivos. Até agora Carvalhal o que fez representou uma melhoria. O Sporting passou a usar todas as áreas do seu campo para disputar os jogos e embora não tenha extremos genuínos no seu plantel não abdica de atacar pelos flancos.
Moutinho foi o melhor em campo a uma distância enorme de todos os outros. Jorge Jesus tentou controlar os danos com a entrada do Ruben Amorim mas o pequenote de Alvalade mostrou de forma clara que é um jogador sem paralelo na Liga portuguesa e não só. Todo o jogo do Sporting passou pelos seus pés e não foi apenas a atacar, também na coordenação defensiva a sua acção foi relevante. Faz pena ver um jogador desta qualidade relegado para um lugar de suplente dos suplentes na selecção portuguesa com o seu lugar ocupado por atletas de nível inferior. Mas, como diria o Bruno Pratas, é pequenote e não teria sequer lugar no Benfica se além dos titulares não pudessem jogar também alguns dos suplentes.

PS- Quim foi o mais importante jogador do Benfica, tendo garantido o empate pelo menos com duas grandes defesas. Pedro Silva é um dos piores senão o pior defesa direito da Liga, impróprio para representar o Sporting. Adrien é uma mais-valia para a equipa e é com jogadores como ele e Pereirinha que Carvalahal pode construir uma equipa que ainda pode fazer umas gracinhas esta época. É pena já terem dispensado o Varela, mas isso foi há uns meses.

Sporting não pode perder, Benfica precisa de ganhar

Era inevitável a declaração de que o Sporting não pode perder mais pontos. Pode perder os pontos que quiser porque está com o problema do campeonato perfeitamente resolvido. Se dúvidas existissem vejam-se as declarações de Carvalhal que acha que as forças se equivalem em absoluto. Nenhuma recuperação é possível se não admitirmos os erros cometidos. Ora o principal erro do Sporting foi na constituição do plantel. Vê-se logo que Carvalhal não leu o artigo de opinião do Bruno Pratas em que este mostrava, por A+B, que até o roupeiro do Benfica era titular no Sporting já para não falar do motorista do Jorge Jesus.

Voltando ao jogo não antevejo grande coisa para os lados do Sporting já que considero relevante a desproporção de forças. Mas, se Carvalhal optar por um esquema táctico com Moutinho na posição 6, capaz de tornar irrelevante o grande, mas não grande coisa, Javi Garcia, como aliás aconteceu contra o Guimarães, com Veloso a lateral esquerdo, com três centrais - Polga, Caneira e Carriço - com o jovem Carriço a jogar mais subido no apoio a Moutinho, com Pereirinha e Vucevic nas alas e com Matías Fernandez a jogar no apoio a Liedson, vagueando entre a esquerda e a direita, podemos colocar muitos grãozinhos na engrenagem. Tudo dependerá da confiança que a equipa já tiver recuperado e daquela que o próprio jogo lhes proporcionar adquirir. Porque no Sporting existem ainda quatro ou cinco jogadores que são melhores do que os seus semelhantes no Benfica. Polga, Carriço, Moutinho, Veloso e Liedson são francamente melhores do que a concorrência. Nalguns casos muito melhores, como é o caso de Liedson, Carriço e Moutinho - pois, este é pequenino e isso atrapalha as análises mais ....volumétricas.
Vamos a ver, com uma certeza: para o Sporting este campeonato já deu.

Código contributivo adiado, fim do PEC e mudança no IVA
O Código Contributivo era uma forma de todos pagarem mais com penalização sobretudo das pequenas e micro-empresas sob a capa falsa de estar a combater os falsos recibos verdes e outras lengalengas.
O Pagamento Especial por Conta era a mais organizada forma de saque de dinheiro às empresas mesmo que tivessem prejuízos e mesmo sem actividade desde que não tratassem, ou não pudessem por razões plausíveis, de interromper a activdade. Pagamento Especial por Conta que depois não entrava em "contas" nem era susceptível de ser levado em linha de conta quando na liquidação das empresas se efectuasse, via os sócios gerentes, o pagamento de eventuais dívidas ao Estado. Um saque de uma enorme preversidade, sobretudo em período de crise, idealizado pela Drª Manuela Ferreira Leite mas que foi acarinhado por este Governo e pelo pS que em matérias fiscais tem doispesos e duas medidas: abusa dos mais fracos e favorece os mais poderosos.
Quanto ao IVA falta à oposição ser capaz de impor que o IVA só passa a ser devido no momento em que é recebido e que caso o devedor deja o Estado a cobrança pode passar a ser feita directamente ao serviço devedor com a concomitante obriação de fazer prova do pagamento do serviço adquirido. Uma medida que permitiria dinamizar a economia.
É bom viver num país em que o Parlamento pode decidir sobre questões que são de tal modo concensuais que permitem unir à sua volta a esquerda ea direita parlamentares. Há muito que não se via uma coisa assim.

PS - Sugiro que a oposição legisle no sentido de diminuir urgentemente o limite superior da taxa do IMI reduzindo-a para 0,5 - caso de prédios não avaliados desde 2004 - e 0,3 - caso de prédios avaliados desde 2004 - já em 2010. Este é outro saque que as autarquias neste caso fazem sobre as finanças das famílias.

Teixeira dos Santos: "Não estou em condições de dizer quanto vai custar a nacionalização do BPN
Bom, o mesmo ministro que terá afirmado sucessivas vezes que a nacionalização não traria custos para os contribuintes - lembram-se? - veio agora dar uma explicação criativa que visa preparar os portugueses para a barraca do BPN. Diz teixeira dos Santos que caso não tivesse feito o que fez o risco seria entre 14 e 15 mil milhões de euros. A explicação é criativa e baseia-se numa conta de dividir e no cálculo de uma percentagem.
Acrdita quem quiser, mas o ministro está claramentea preparar-nos para o pior. Depois de ter jurado a pés juntos que nada disto aconteceria. Mas, na verdade quem é que acreditava no que o ministro dizia?

Associação Sindical dos Juízes repudia acusações de “espionagem política” no caso Face Oculta
O presidente da Associação dos Juízes fez esta noite, no jornal da Noite da SIC, uma exposição clara da posição assumida pela classe quanto às graves acusações feitas por Vieira da Silva e não só. Choca-me o facto de alguém poder ser vogal d0 CSM e simultaneamente participar na defesa de um arquido num processo desta natureza ou noutro qualquer. Parece-me do mais elementar bom senso a posição defendida pelo juíz António Martins de que esses lugares exigem dedicação exclusiva e não podem ser compatibilizados com o exercicio da função de advogado.
Achei desde o primeiro dia que Vieira da Silva tinha cometido uma falta muito mais grave do que a cena dos corninhos de Manuel Pinho. Manuel Pinho meteu-se com um seu colega e foi desrespeitoso. Foi bem demitido. Vieira da Silva meteu-se com um orgão de soberania e com o Estado de Direito. Devia ter sido demitido. Escrevi isso no primeiro dia. Mas, se Sócrates não o fez um Presidente da República mais firme e rigoroso deveria tê-lo feito ou pelo menos deveria ter transmitido a Sócrates que perdera a confiança no ministro e que o achava inadequado para o desempenho das funções.

Provedor adverte que comissão do PSD pode sobrepor-se a Conselho de Prevenção da Corrupção
O dito Conselho foi fortemente criticado por João Cravinho em artigo no Público. Trata-se duma estrutura que representa uma visão errada e uma incompreensão dos contornos da corrupção em Portugal e no mundo globalizado. Este era , por alto, o argumento do ex-deputado do PS que, aliás, polemizou com o actual Provedor que já nessa altura defendia essa sua dama. Percebe-se que não queira mais nada já que afirma que o dito Conselho tem tido bons resultados. Ainda bem que ele diz que, por acaso, a coisa funciona já que ninguém tinha reparado. A ideia que dá é que o tal conselho que deveria prevenir e detectar riscos de corrupção não previne nem detecta. Uma perfeição.

PS1 - pode ver a entrevista de Cravinho sobre este conselho aqui. Ficam alguns excertos.

O que acha do recém-criado Conselho para a Prevenção da Corrupção (CPC) ficar na dependência do Tribunal de Contas (TC) e não da Assembleia da República, como defendia?
O problema não é só da dependência. Eu olho para aquele CPC e penso que nem sequer é uma cereja em cima do bolo, porque não há bolo, não há cereja, não há nada. É evidentemente uma entidade de forte pendor governamental. Tem oito elementos e só três é que têm um estatuto intrínseco de independência. Três são inspectores-gerais, que por lei são dependentes do Governo.

Mas é pelo TC que passam uma série de contratos do Estado.

O problema não é a unidade estar junto do TC. E isto é tão flagrantemente óbvio que me espanta como é possível que tenha passado sem que ninguém o dissesse: a própria independência do TC não é favorecida pelo facto de ter o presidente a presidir a uma comissão que é de pendor governamental, obviamente. Depois, para um problema tão complicado, profundo e complexo como a corrupção, este conselho é constituído por gente que vai a sessões e mais nada. Não tem ninguém a tempo integral ou parcial. Vão a sessões por inerência como vão a dezenas de outras e ganham uma senha de presença.
Mais grave: os inspectores-gerais são juízes em causa própria e isso é gravíssimo. As inspecções-gerais, como toda a administração pública, precisam de ser fiscalizadas. Imagine que lá no conselho alguém quer fazer um exame sério às três que estão ali sentadas. Acha que isto é possível?Depois, os recursos humanos são fixados por portaria do Governo e toda a gente sabe e se queixa, com a Procuradoria-Geral da República em primeiro lugar, que não há meios para lutar contra a corrupção. Com esta coisa extraordinária: para uma tarefa que exige pessoal altamente qualificado, as pessoas têm que ser recrutadas na bolsa da mobilidade da função pública. E eu podia continuar...

PS2 - O PS pela voz do incomparável Parlamento deputado Ricardo Rodrgues já veio manifestar
"reservas à proposta do PSD de criar uma comissão de acompanhamento da corrupção". Duplicação de esforços numa altura destas é coisa que os socialistas nem admitem nos seus piores sonhos. O que é de mais não presta, até parece que anda toda a gente chateada com os corruptos.

Barcelona vence e domina Inter
O Inter é uma equipa medíocre por comparação com o Barcelona. Não se trata de uma questão de dinheiros. Trata-se de uma questão de jogadores e de estilos de jogo. Os de Barcelona jogam com simplicidade e com um único objectivo: ter a bola trocá-la entre os seus jogadores e percorrer o mais rápido possível o espaço que os separa da baliza e do golo. São de uma eficácia à prova de Messis e de outros que, caso não joguem, serão substituídos com maior ou menos facilidade. Ontem foram facilmente substituídos. Os que jogaram sobraram para reduzir a um nível medíocre a supostamente terrível esquadra de Mourinho. O Inter é uma equipa de burocratas amordaçados por um plano rígido que ainda lhes limita mais a já escassa criatividade.
O que admira, mais do que tudo, é o conformismo do special one e a sua falta de atenção. Daniel Alves jogou com liberdade no flanco direito para atacar como ele gosta e sabe. Mourinho estava distraído e em menos de nada encaixou duas no papo.
Foi bom ver Quaresma ainda que apenas por dez minutos. Numa equipa em que Quaresma não joga e jogam alguns canastrões que andam há séculos a jogar sempre da mesma maneira, está tudo dito. Duas arrancadas doMustang com bola dominada foi aquilo que mais próximo o Inter exibiu de futebol de alto nível. Fora isso apenas e só a bola telecomandada pelas mentes brilhantes de Xavi e de Iniesta - dois jogadores que pela falta de centímetros e de peso não poderiam jogar na nossa selecção, como podem facilmente explicar alguns dos nossos teóricos - a percorrer os seus espaços com o manifesto prazer de ser bem tratada enquanto os do Inter assistiam incapazes de se aproximar do nível do Barça. Na imprensa portuguesa vaticinava-se que o Barça poderia -sem Messi e Ibraihmovic - ficar pelo caminho. Não são dificeis os caminhos do disparate.

Realiza-se nos próximos dias 28 e 29 o 2º Encontro de História do Alentejo Litoral, uma organização do Centro Cultural Emmérico Nunes.
Pode consultar o programa aqui.

PS critica aproveitamento das escutas para “decapitar” Governo
O PS não se entende nesta questão das escutas. Mas, sinceramente, Francisco Assis, talvez destreinado pela burguesa passagem por Bruxelas, mostra uma falta de jeito e de trambelho notáveis. Diiz ele que quisetram decapitar o PS. Decapitar o PS ou assassinar o carácter de José Sócrates? Decapitar o PS ou apenas e só espionagem política à lá Vieira da Silva.
Há uma coisa que ninguém pode dizer desta trapalhada: o PS manteve-se calmo e evitou ad nauseum interferir no trabalho da Justiça. Podem argumentar que a Justiça anda danadinha atrás do PS, mas não seria mais fácil desfiliar o camarada Vara e os restantes camaradas que pululam por tudo o que é empresa pública ou na qual ainda resta uma gota de capital público?
Pelos vistos Assis não escutou as sábias palavras de Manuel Alegre, ontem na apresentação do livro da OPs, quando referiu que "Os responsáveis políticos e da justiça não se podem misturar" .
Segundo Assis um mundo sem tentativas de decapitação, de asssassinatos de carácter e outras maldades que se fazem ao PS, apenas pode ser um mundo em que a justiça esteja ao serviço ... do PS. Porque há uma dúvida que subsiste a todas as suas intervenções, e que ele, pese embora aquele heroísmo de que já deu mostras, não esclarece: afinal quem manipula a justiça para decapitar o PS? Ou será a própria justiça que foi subitamente possuída por um justicialismo decapitador anti-PS?

Angola: Presidente quer “tolerância zero” do MPLA contra a corrupção
José Eduardo dos Santos resolveu dar uma luta sem quertel à corrupção. Os ataques vêem de quem menos se espera, é caso para dizer. Referindo-se ao conturbado processo de desenvolvimento do país o presidentedeclarou que "Esta circunstância foi aproveitada por pessoas irresponsáveis e por gente de má-fé, que esbanja recursos e pratica actos de gestão ilícitos e mesmo danosos e fraudulentos” avaliando que as "!riquezas petrolíferas do país estão a ser delapidadas em fraudes e desperdícios dos fundos públicos."
Pelo sim pelo não - que ninguém morreu ou deixou de fazer a sua vida por causa de declarações solenes - Eduardo dos Santos adiou as presidenciais para 2012, por meras questões económicas para "poupar tempo e dinheiro".

A nova receita de Carvalhal ainda não serve
Foi Otto Glória quem disse que sem ovos não era possível fazer omoletes. No caso do Sporting Carvalhal não vai - felizmente - à bola com as omoletes que Paulo Bento servia normalmente aos sportinguistas. Quer mudar. Ainda bem. O problema são os jogadores de que dispõe. Escolhidos por PB para o outro tipo de omoletes. Por exemplo não tem Varela, nem Hugo Viana que não se enquadravam na omolete anterior. Tem Grimi que não sei sequer se chega a ovo quanto mais entrar numa omolete. Não tem extremos verdadeiros e cruzamentos para a finalização de Liedson são tão raros como os títulos por aquelas bandas.
Mas, com os que tem Carvalhal promete fazer algo mais e algo de diferente. Hoje mesmo quando estava a perder - Rui Patrício pareceu-me mal batido - jogava melhor e a equipa mostrou mais alegria e melhor troca de bola entre os seus jogadores. Claro que quando a bola chegava a Grimi acabava em parte incerta, sem qualquer aproveitamento útil e Vukcevic continua naquela lógica de muita parra pouca uva, com escasso aproveitamento colectivo da sua participação no jogo.
Talvez com uns remendos em Janeiro possamos, pelo menos, ver bons jogos com a participação do Sporting. Já será uma boa vitória para Carvalhal.

V. Guimarães elimina o Benfica na Luz
Em primeiro lugar porque há um conjunto de verdades científicas que estão em vigôr para esta época a menos que sejam revogadas por uma entidade com poderes reconhecidos para tal, assim uma espécie de Supremo Tribunal da Justiça Desportiva que poderia ser liderado, por exemplo, pelo Rui Santos, que inda agora acabou de mostrar ao país na SIC Notícias - esse lugar de todas as revelações, um novo santuário de Fátima ainda à procura da sua Lúcia e da sua Jacinta - que o Vitória de Guimarães só ganhou com um golo irregular. Parece que o jogador do Guimarães tocou num jogador do Benfica, falta inaceitável porque os jogadores do Benfica são intocáceis com excepção do Aimar que necessita que lhe toquem como de pão para a boca.
Mas de que verdades falo eu?
das seguintes: "em condições normais o Benfica nunca perde." ;" Mesmo em condições anormais é impossível derrotar o Benfica na Luz, a "nossa Catedral", mais a mais com o Rui Costa presente, a ser filmado pelas câmaras da televisão. Há um efeito benfazejo nessas imagens que derrotam qualquer tentativa de nos derrotar, passe a redundância"; "O Benfica este ano vai ganhar tudo. Ninguém nos pode parar. Nem os apitos azuis."; "Claro que queremos ganhar a Taça de Portugal. Alguém duvida que o vamos conseguir?"

Estas verdades foram proclamadas por Luís Filipe V, conhecido por Luís Filipe Vieira entre os plebeus, que é quem nestas coisas do futebol pátrio diz as coisas da forma que elas devem ser ditas. O problema neste caso foram os Vimaranenses que se estiveram nas tintas para tantas manias. Em boa verdade se este resultado nunca existiu o brilhantismo na exibição do Benfica, de que falava Jorge Jesus no final, também não.


Segunda feira, dia 23 de Novembro, na Livraria Círculo das Letras NARua Augusto Gil 15B PELAS 18H 30M é lançado o livro que resulta dos diferentes números da revista OPS!. Ler mais aqui.

"Começa a «vingança» da Constituição sobre o «atado» de Lisboa. Quem preferiu, a um documento coerente, legível e potenciador duma verdadeira União (em termos funcionais e de exercício da cidadania, pois não acrescentava nada que o Tribunal de Justiça não dê já coma adquirido… os membros da União mantém um elemento de soberania: o direito de dizerem que querem sair.. pagando o que receberam à entrada, com juros…) não pode agora queixar-se destas escolhas, sendo certo que elas hão-de sempre recair no menor denominador comum e não no mais brilhante… Não obstante, para quem vai lendo os jornais belgas, há no post uma marcada injustiça: este senhor, intelectualmente brilhante, tinha escolhido há mais de um ano dedicar-se só aos poemas japoneses e à criação de cães! Só aceitou ser primeiro ministro depois de a Bélgica estar há quase um ano sem um governo estável… E esse é o maior medo dos belgas… o regresso de Leterme…"

PS- Onde escrevi «atado» não é erro: o «atado» de Lisboa limita-se a «atar» os tratados em vigor, acrescentando-lhe uma dúzia de normas procedimentais, num molho de bróculos ilegível e pouco mais funcional do que o que estava em vigor…

Manuel Piteira

detalhe da capa do Público de hoje.
E ainda há quem tenha classificado Teixeira dos Santos como o quinto mais incompetente ministro das Finanças da Europa. Injustos do caraças. Invejosos. Ponham os olhos nesta inovadora simplificação da dupla tributação em que se acaba com a duplicação e pagamos todos o mesmo de uma forma ... simplificada. É ou não é de Mestre? Do Mestre Teixeira dos Santos.

Surpresa, perplexidade e desilusão em toda a Europa
Dois políticos de carreira, cinzentões até à medula, tal como determina o "manual de sobrevivência" da espécie. Um foi eleito Presidente da União Europeia, mas não presidirá a coisa nenhuma. A outra foi eleita Ministra dos Negócios Estrangeiros da União Europeia mas ninguém a reconhecerá como tal. Eleitos pelos pares segundo a lógica de serem suficientemente medíocres politicamente para ninguém lhes dar mais importância do que aquela que (não) têem . A UE ao nível da sua superestrutura política é uma enorme feira de vaidades em que os que ocupam o palco lutam pelo melhor lugar nas famosas fotografias deconjunto não exitando em dar umas canaladas se alguém lhes quiser tapar a vista. Durãso o carreirista mor está podre de contente.

Meireles calou inferno de Zenica e abriu as portas do Mundial
Conseguimos o apuramento num campo paupérrimo com um ambiente extremado e numa altura em que, pela ordem natural das coisas, deveríamos estar a marcar hóteis e a tratar de outras logísticas.
Jogámos de uma forma exemplar pela entrega e pelo espírito de entreajuda mas a Bósnia, convenhamos, não justificou o estatuto de "grande selecção" que dela se construiu. Alguns bons jogadores -hoje menos do que habitualmente - muita entrega, um batatal de que mostraram saber tirar partido e um treinador que além de sábio é um motivador nato. Pouco para merecer a presença num Mundial.
Todos merecem o nosso aplauso incluindo o selecionador que fez o favor de agradecer aos que sempre o apoiaram pelo que se imagina que quem discordou das suas opções ou quem chegou a descrer do apuramento face às paupérrimas exibições não estará incluído. Não faz mal. Pode se que daqui até à Africa do Sul se possa unir aquilo que esta campanha desuniu.

PS - Pepe foi desta vez o melhor, sobretudo na primeira parte. Depois dele, Bruno Alves e Ricardo Carvalho. Gigantes que ganharam quase todos os lances em que participaram. Raul Meireles fez um bom jogo e o golo decisivo mas esteve longe de poder ser considerado o homem do jogo. Foi Pepe, a grande distância dos restantes com excepção dos seus colegas centrais.

Mário Nogueira confirma: este modelo de avaliação acabou
É bom saber-se que finalmente vai ser possível estabelecer um diálogo produtivo entre a equipa do Ministério e os representantes dos professores e que o modelo de avaliação será substituído por outro construído através desse diálogo.
Vale sempre a pena lutar pelos nossos direitos pode ser a mensagem política que os professores deixam à totalidade do País no final deste processo. Mesmo quando parece que as nossas razões chocam contra o poder e a indiferença dos que mandam, na verdade já estão em marcha os mecanismos que irão alterar a situação e possibilitar as mudanças pelas quais se luta.

Portugal desce no ranking da percepção da corrupção
Portugal cada vez mais corrupto é outra forma de dizer. Se verificarem bem aqui existem alguns países da Europa que se situam em níveis de corrupção irrelevantes. Países em que se pode dizer que não há corrupção. São aqueles países que os nossos governantes gostam de referir quando se trata de importar medidas apressadas aplicadas fora do contexto, como as da educação à Filandesa e as da flexisegurança à Dinamarquesa. Mas quanto a importar o resto nem pensar nisso é bom. Quando falo do resto falo da erradicação da corrupção e da redistribuição equitativa da riqueza.
Na Europa ainda há muitos e bons exemplos de que uma sociedade que não fique prisioneira da clássica, e velha, dicotomia entre o Mercado todo poderoso e o Estado todo poderoso pode ser uma sociedade mais justa e onde todos possam viver melhor.
Um aspecto curioso de todos estes países é que o Estado controla e socializa as mais-valias urbanísticas sendo que apenas num deles -a Holanda- existe a municipalização da produção do solo urbano, isto é, na generalidade destes países a socialização efectiva da mais-valia urbanística não é feita com a "nacionalização das mais-valias", uma expressão que francamente não sei o que significa. Outro aspecto em que devíamos pensar era que esse controlo das mais-valias urbanísticas permitiu construir uma sociedade menos guetizada com níveis de integração social, dos diferentes grupos sociais, elevadíssimos. Nestes países o desenvolvimento urbano e a política das cidades não são apenas e só meras questões económicas mas são o centro das políticas urbanísticas que articulam ordenamento do terrítório, com emprego, com habitação e com coesão social e urbana e desenvolvimento sustentável. Talvez fosse bom pensarmos que estas coisas estão todas interligadas.

O affaire injustamente conhecido como Face Oculta, porque em boa verdade deveria ter sido apelidado de Sucata Connection, gera sucessivas perplexidades. Envolvendo figuras de proa do aparelho socialista, com ligações ao Governo, este caso é recebido pelos notáveis do PS como um caso de cumplicidades espúrias entre a comunicação social e a justiça. Este discurso é acompanhado por apelos ao funcionamentoc da justiça e ao reforço do estado de direito ou não fosse ele próprio um manifesto exuberante sobre uma forma concreta de entender esse estado que é suposto ser de direito. Um ministro, ele próprio visivelmente empenhado em reforçar o dito estado de direito, classificou o processo - em que um dos escutados estava a falar com o primeiro-ministro de que se retiraram certidões que agora estão para ser destruídas não se sabendo se já foram senão - como "espionagem política". Ao que se sabe o ministro continua em funções porque aquilo que um ministro não pode certamente fazer são "corninhos", porque isso, meus amigos, é que é atentar contra o estado de direito e ministro que o faça, já se sabe, vai para casa recapitular os fundamentos da coisa.
As conversas públicas entre Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e o Procurador Geral da República adquiriram uma tal regularidade, intensidade e interesse que ninguém se preocupa em perceber quem mandou o quê e em que data, quantas certidões existem, quantas já foram para destruição, quantas estão a ser analisadas para avaliar se serão destruídas ou não, quantas cassetes com escutas de Sócrates existem, se cinquenta como diz o Ministro da Defesa - que tem obrigação de saber de coisas de guerras, não vamos agora pensar do senhor ministro o que diz o Alberto João - se cinco ou seis ou se seis e mais cinco, como disse alguém num dia qualquer, ou tão puco se o Procurador Geral e o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça estão mesmo em sintonia destrutiva de cassetes ou não, ou se pelo contrário já terão marcado o local e as condições do duelo entre eles que determinará a verdade dos factos pela lei do mais forte.
Posto isto ninguém se preocupa com as vitimas do processo como é o caso daquele funcionário da Petrogal que está em casa, impedido de trabalhar na refinaria de Sines, porque supostamente terá recebido alguns trocos do senhor Godinho que, entretanto, terá retirado das instalações, sem autorização da Administração, mais de uma centena de toneladas de cobre que o senhor Godinho confundiu com sucata e que retirou enquanto o referido senhor estava de costas e o resto da refinaria tinha ido de férias para o Brasil durante o período exacto em que o senhor Godinho encheu os carritos de cobre com que ele depois compra os melões e os Mercedes e as outras coisas que fazem andar o país.
Hoje na audiência com o Presidente do STJ o Presidente da República apenas deve aproveitar a ocasião para falar da recente reeleição de Noronha do Nascimento já que se lhe desse para abordar o caso das Sucatas era conversa para necessitar de muitas horas de análise e reflexão assim coisa para solicitar um Poirot especializado em sucatas à moda de Portugal.

PS - no meio disto tudo o que é injusto é o facto de ninguém ter dado a devida atenção à entrevista da Pública a Isaltino Morais em que o autarca confessa as suas dúvidas em votar num tipo como ele, isto é em alguém condenado pela justiça. Notável.

PSD apresenta diploma para novo modelo de avaliação dos professores, mas deixa cair "suspensão"
O PSD não está contente por ter proposto o oposto daquilo que durante meses -por puro oportunismo eleitoral podemos nós concluir legitimamente - defendeu. Vem agora chamar a atenção do país para o facto de a sua proposta ser, aos seus próprios olhos, uma... desgraça que se pudesse, aliás, rejeitaria. O PSD coloca-se na posição do idiota útil. O PS agradece.
Que falta de trambelho político. Vejam bem a diferença de tom e a convicção falsa com que se pode falar destas coisas. Disse o deputado Pedro Duarte: " "Nós não prevemos a suspensão, prevemos a substituição, o que eu diria que ainda é mais e melhor do que aquilo que numa fase inicial chegámos a defender, quando o primeiro ciclo avaliativo ainda estava a meio do campeonato". Passados uns dias afirma que "Não expressamos a palavra suspensão no nosso projecto, mas se voltássemos atrás deixávamos isso bem expresso".
Não existem infantários no Parlamento para onde pudessem mandar o deputado Pedro Duarte uma temporada a ver se ele crescia?

Carlos Carvalhal é o novo treinador do Sporting
Uma trapalhada a forma como o Presidente do Sporting conduziu a contratação do novo treinador. Depois da novela Vilas Boas - O Porto não estará impune na reviravolta do jovem técnico e na acção especulativa/obstrutiva da Académica - do tipo "o nosso treinador é este, embora ainda não possamos dizer a ninguém porque ainda não temos acordo nenhum", passámos para outro tipo de novela a do "treinador quase contratado" uma inovação teórica muito relevante. Por fim lá contrataram um: Carlos Carvalhal. Bom, deve ser dificil encontrar um único sportinguista, tirando os membros da SAD e os que gravitam nas redondezas, satisfeito com a escolha. Carvalhal tem muitas qualidades e parece aliar ao conhecimento do terreno bons conhecimentos teóricos ou cientificos. No entanto, faltam-lhe os resultados e sobejam-lhe os fracassos. Não parece por isso uma escolha muito empolgante, oxalá me engane.
O Sporting poupa no treinador aquilo que parece estar disposto a gastar numa estrutura de apoio à equipa e ao treinador que não se entende. Veja-se o caso das competências de Sá Pinto assim uma espécie de "um terço do Rui Costa" ou de "menos de um terço do Valdano".
No Sporting a penúria gera inovação, infelizmente com resultados péssimos. Talvez um bancário não tenha sido a melhor escolha para Presidente: estão habituados a muito dinheiro e lucros garantidos mesmo, ou sobretudo, em períodos de crise intensa. Algo que não se aplica ao Sporting, instituição onde o dinheiro falta como a água no deserto e os lucros - com esta malta é bom esclarecer que falo de vitórias - são uma miragem cada vez mais distante.
A curto prazo terá que haver, certamente, novas mudanças: de cabo a razo. Oxalá me engane.

Um golo e muito sofrimento na vitória de Portugal sobre a Bósnia
Portugal não jogou grande coisa e afinal a Bósnia não era aquela selecção atemorizadora de que se falava.
Portugal teve muita sorte em ter ganho não porque o adversário tenha feito uma grande exibição mas porque mesmo jogando pouco e mal ainda teve melhores oportunidades do que as nossas. Os postes estiveram três vezes do nosso lado. Portugal jogou com um meio-campo num nível sofrível de que se destacou positivamente Pepe. Deco e Simão estiveram fracotes, particularmente o segundo, e Nani foi o jogador mais perigoso da equipa ( quando Queiroz trocou Nani por um Coentrão abaixo de zero o ataque da selecção portuguesa fechou para obras). Os laterais jogaram pouco e defenderam melhor do que atacaram enquanto Ricardo carvalho esteve excelente e Bruno Alves além de defender quase sempre bem ainda teve a inspiração de aparecer no ataque para fazer o golo.
Portugal não foi capaz de criar jogo atacante com alguma continuidade, esteve largos minutos, no ínicio da segunda parte, em que perdia a bola depois de a trocar entre dois ou três jogadores e com um caudal ofensivo diminuto quase sempre sem perigo com excepção dos lances conduzidos por Nani.
Fica o resultado desta primeira parte da eliminatória em que a selecção fez uma exibição medíocre. O resultado é mesmo o melhor de tudo e o facto de não termos sofrido golos, algo que pode jogar a nosso favor. Acresce o facto de alguns jogadores Bósnios não jogarem a segunda parte por acumulação de amarelos.
Mas, face ao escalonamento da equipa, às opções tomadas pelo selecionador, ao desconchavo do futebol apresentado e à má forma de alguns jogadores quem pode afirmar que o play-off está ganho?

Constâncio para vice-presidente do BCE tem bom acolhimento na Europa
A Europa continua a apostar na captura de jovens cérebros portugueses de elevado potencial. Motivo de grande orgulho para todos portugueses que, neste caso, poderão ver as suas taxas de juro especialmente bonificadas. O nosso primeiro passará a ter mais ocasiões para recorrer à sua frase política mais famosa e o CDS-PP terá menos um motivo para não fazer um acordo de longa duração com o PS, depois do ministro da Agricultura ter sido oprtunamente substituído.

Villas-Boas e Sporting estão de acordo, falta o sim da Académica
O Sporting parece estar decidido a contratar o treinador da Académica. Parece que em Alvalade não se quer repetir o que aconteceu com Mourinho que terá tido tudo acordado com Luís Duque e que depois foi para o Porto, com passagem por Leiria.
Vilas Boas é muito novo mas tem um passado de mais de meia dúzia de anos vivido ao mais alto nível. Começou cedo e a equipa da Académica mostrou em apenas três jornadas que ele aprendeu muito. A Académica joga um futebol intenso com os jogadores sempre em movimento com uma pressão constante sobre a equipa adversária, com os jogadores sempre perto do colega que transporta a bola, e com eficácia defensiva e desinibição atacante. A Académica, devemos reconhecer, não é sobretudo composta por Yazaldes. Ora isso pesa na avaliação do mérito de Vilas Boas que, no espaço de dias, tirou a equipa do buraco negro em que ela se encontrava e colocou o último classificado da Liga a jogar um futebol que é dos mais interessantes que por aí se vê. O problema para Vilas Boas é que o Sporting também não são só Yazaldes. Mas, todos sabemos, existem meia dúzia de bons jogadores - que importa colocar a jogar nos sítios mais adequados - e talvez em Janeiro ele possa impôor a Bettencourt algumas decisões acertadas. Pode ser, aliás, que Sá Pinto - um director ques e espera mais interventivo do que Pedro Barbosa - seja um seu bom apoiante e ambos possam impôr - insisto na palavra - escolhas acertadas e decisões necessárias ao Presidente. Os treinadores do Sporting têm sido humildes e colaborantes com a estratégia financeira da SAD. Está na altura da SAD e do Presidente do Sporting serem ambiciosos e colaborantes com a estratégia desportiva do treinador. Que terá de ser sempre lutar por ganhar exigindo as condições necessárias e suficientes de forma que com trabalho e dedicação se atinja a glória. A começar já nesta liga e na Liga Europa.
Se isto tudo não for possível então, recorrendo a Siza Vieira(*), apetece-me dizer que se as coisas não funcionarem ao menos que sejam bonitas isto é que joguem bem para que a malta se divirta, sempre.

(*) - O Siza Vieira falava de edificios que caso não "funcionassem" ao menos que fossem bonitos e julgo que a pergunta tinha a ver com o presumido conflito entre forma e função na arquitectura.

De Adis Abeba ao Dubai a nova ordem na AR é para a poupança. Gma dixit. Nada de desdobramentos, nada de Páscoas no Duabi, que até ficava ali em caminho e o preço da viagem dava para tudo e ... mais um par de camelos.
A política à portuguesa tem uns fait divers melhores do que os outros. Ainda bem que assim é senão era só esta chatice dos folhetins da justiça cuja audiência rivaliza com as melhores telenovelas da TVI.
Vamos todos para o Dubai antes que a crise no turismo se instale.

(infografia retirada do jornal i de 3.11.2009)
Tentacular é uma palavra muito utilizada nos últimos tempos. Talvez tentacular seja a palavra que nesta estação -digamos assim - melhor sintetiza o conceito de corrupção. Por isso não podia deixar passar em claro esta feliz imagem do jornal i que, por estar ausente e afastado desta coisa dos computadores, não pude salientar desde logo.
Se ampliar a fotografia verá melhor quem são aqueles que o jornalista colocou nos tentáculos do polvo. Aí encontrará muita gente mais ou menos conhecida mas todos bem sentados á mesa do Orçamento. Confesso que encontrei, inesperadamente, gente conhecida até das políticas domésticas, aqui do burgo, vejam lá onde isto já vai. Alguns dos que lá aparecem subiram muito desde que a militância os levou ao lugar de administradores públicos. Disse militância não disse mérito ou competência. Não poderia dizer tal coisa. Ninguém poderá dizer tal coisa, neste país, na relação - tentacular é a palavra certa - entre o poder político e o poder económico nas empresas que pertencem ao sector empresarial do Estado. Mas, não podemos esquecer as empresas que privatizadas pelo Estado - não vendeu deu aos seus herdeiros, perdão aos seus actuais accionistas, a preços da uva mijona - tendo ficado, além da muito falada golden share, com uma golden influência que abre as portas dos gabinetes mais luxuosos aos que forem bafejados pelo mérito da indicação política. Mérito que é o mérito que conta num país em que uma classe política, no essencial iletrada e incompetente em quase tudo o que ultrapassa a pura politiquice, passa os dias a proclamar que o principal problema do país é a falta de formação e de quadros. Falta de quadros competentes em lugares ocupados por incompetentes e por herdeiros políticos, isso sim. Falta de gente incorruptível em lugares de responsabilidade política e de gestão do interesse público, isso sim. Falta de uma ética republicana na separação da coisa pública dos interesses privados, isso sim.
Cheira muito mal no País. Não é por um qualquer erro processual que o cheiro termina, infelizmente.
PS - claro que existe muita e boa gente na Administração Pública, em lugares de chefia cuja competência, honestidade e comportamento ético é inquestionável. Aqui como em qualquer outra área a generalização é sempre errada. Mas, não sejamos cegos, prolifera uma espécie infestante, digamos assim, cujo perfil não corresponde de todo àquele conjunto de virtudes.

Auditoria revela que as contas da Câmara de Braga omitem 55 milhões de euros de dívidas
O endividamento autárquico não é nada de novo. O que poderia ser novidade era a adopção de regras mais restritivas no controlo do endividamento. Regras que impedissem que o endividamento crescesse, sempre, nos períodos do ciclo eleitoral. Como se sabe é através do aumento do endividamento, isto é recorrendo aos fundos públicos, que muitos autarcas financiam as suas campanhas e obtêm, com uma perna às costas, a sua reeleição.
Esta noticia o que traz de novo é a forma como a tutela gere os tempos de divulgação dos inquéritos efectuados pelos serviços. Neste caso, pode ler-se aqui, o Secretário de Estado reteve, convenientemnte, o relatório só o divulgando depois das eleições. Mesquita Machado é imbatível em eleições em Braga - certamente por razões que a razão desconhecerá, mas que para os seus indefectíveis e para todos aquele que compartilham com ele a mesa do Orçamento são sobretudo as inigualáveis capacidades do patriarca bragantino - mas nunca fiando e assim o Secretário de Estado, zeloso, resolveu não divulgar o Relatório que dava conta de trafulhices nas contas da autarquia que tinham feito desaparecer 55 milhões de euros de endividamento.
Há autarcas assim: capazes de fazer crescer o endividamento a níveis estratosféricos mas do mesmo modo capazes de o aliviar, sempre que necessário. Mágicos.
A tutela das entidades inspectivas das autarquias devia ser retirada das mãos do Governo. Foi isso que levou à morte o IGAT e outras entidades. Mas, isso é pedir demais a um poder político que está imbuído de uma grande solidariedade ... de classe.

EUA: proposta de reforma do sistema de saúde passou na Câmara dos Representantes
Grande vitória de Obama, grande vitória para a população americana que passa a ter cuidados de saúde assegurados independentemente do seu nível de rendimentos, grande vitória de uma ideia de civilização contra a barbárie dos negócios privados que se fazem e prevalecem sobre os direitos fundamentais dos cidadãos.
Esta é a mais importante conquista de Obama até agora. Muito mais importante do que o Nobel. Foi por coisas destas que os americanos votaram nele. Votaram bem.

João Galamba, que tanto quanto sei é deputado eleito pelo PS, depois de ter sido anos a fio qualquer coisa no PS, acha que qualquer Governo faria aquilo que o anterior fez: nacionalizar o BPN. Não por achar que era a solução mais correcta mas , apenas e só, porque não havia outra possível. Posto isto conclui, elaboradamente - referindo-se ao debate do programa do Govwerno - que Louçã em vez de procurar hoje uma solução para o BPN -o que segundo ele seria o seu dever enquanto político - faz guerrilha política, isto é, no léxico galambiano, critica Sócrates pela opção tomada.
Na política à moda de Galamba não existem escolhas, nem opções políticas com prós e contras: a política é uma fatalidade e embora isso seja rídiculo Galamba está convencido que esta sua "ideologia" o vai levar longe.
Não tenho sobre isso muitas dúvidas: nada paga melhor em Portugal do que a falta de seriedade política.

Funcionário da Câmara do Porto suspenso por tentativa de corrupção
A Câmara do Porto, sob a liderança de Rui Rio, passou de ser um actor envolvido na corrupção ou suspeito de participação em esquemas corruptos, para ser um actor na luta contra a corrupção. No primeiro mandato, com o pelouro do urbanismo entregue a Paulo Morais, essa luta adquiriu uma dimensão exemplar. Sabe-se que as coisas mudaram entretanto e que algumas pressões espúrias levaram ao afastamento do conhecido ex-vereador, mas mantêm-se aspectos relevantes dessa política. A Câmara actua contra a corrupção e este caso é disso um testemunho. Esta corrupção aqui denunciada envolvendo funcionários com algum poder é, infelizmente, comum, sobretudo no licenciamento municipal. Essa corrupção não envolve apenas situações em que os funcionários visam obter proveitos materiais, acontece em situações de abuso de poder contra certas pessoas, incómodas para o "chefe", e visa apenas satisfazer o "chefe" e colher mais tarde os benefícios que ele, bondoso, distribui por quem melhor o serve.
Por isso Rui Rio, digam dele o que disserem - e existindo certamente boas razões para o criticar- goza sempre de alguma simpatia aqui por estes lados. Pelo que se sabe no Porto, uma cidade com uma população esclarecida e uma opinião pública independente, a simpatia reveste a forma de apoio político, independentemente de outros futebóis.


 

Pedra do Homem, 2007



View My Stats