Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
.
Vinicius de Moraes in Antologia Poética, 1960

João Pereira assina 4 anos e meio
bem sei que o bom do João Pereira não vai ganhar aquilo que o Saviola ganha. Mas, infelizmente, também não joga nada que se compare.
A boa notícia é que o Sporting começou a mexer, finalmente, apostando no reforço da equipa de futebol. A má notícia é que parece ter começado pelo lado em que existiam alternativas no próprio plantel. Por prioridades o Sporting necessita sobretudo de um lateral esquerdo. Os que lá "trabalham" não prestam: Grimi -caro e péssimo - André Marques, barato mas de qualidade sofrível e Caneira - que até já jogou na selecção nesse lugar, pasme-se - que é uma alternativa credível para o centro da defesa. Na direita joga o Abel, que é bom mas tem as suas crises, e tem como alternativa o Pereirinha, que no entanto pode ser aproveitado mais à frente onde rende mais. O Pedro Silva deve ser dispensado.
No meio do campo o Sporting não necessita de ninguém. Tem jogadores que bastem e de qualidade. O Rubem Micael por 5 milhões é o maior barrete da história. O Presidente do Nacional é fino a lidar com os lagartos. Façam regressar o miúdo do Leiria mas façam-no no final do ano para o especulador do Leiria ficar a ver navios.
No ataque é que o Sporting necessita de jogadores, sobretudo de alas e de um ponta de lança para jogar com Liedson. De preferência um bom jogador canhoto que seja rápido, que cruze bem e que jogue no último terço do terreno. O ponta de lança pode ser o Carlão do Leiria que o Manuel Fernandes se fartou de indicar aos cromos do Sporting, ele que percebe de pontas-de-lança como ninguém.
Mas o problema do Sporting é que tendo pago 3 milhões por João Pereira qualquer um destes jogadores fica-lhe para cima de dois Saviolas.

PS - O João Pereira, que é um bom jogador, melhor lateral direito que qualquer um dos do Benfica e provavelmente apenas inferior ao Fucile, que é rapido e bom tecnicamente traz uma qualidade ao Sporting: ajuda a equipa a subir no terreno ela que tem tantas dificuldades em passar a linha do meio-campo, na maioria das vezes. Talvez que uma carga de trabalhos destas tenha justificado o investimento.

Portugueses são dos que menos mudam de banco devido aos custos do processo
Mas será apenas uma questão de custos da mobilidade? Julgo que não. O que acontece - e não devia acontecer se a entidade presidida por Manuel Sebastião servisse para alguma coisa - é que não há concorrência no sector bancário. A capacidade de escolha do melhor prestador do serviço bancário em cada momento não é um acto livre já que no momento da compra do serviço o cliente compra uma fidelização. Grande responsabilidade política já que a Banca Pública deve ser utilizada pelo poder político para concorrer com o sistema privado oferecendo condições vantajosas em momentos, como o actual em que as taxas de juro baixaram. Se a Caixa estivesse obrigada pelo Estado a baixar as taxas de juro do crédito à habitação, acompanhando a descida da taxa de juro de referência e não manipulando os spreds, outro galo cantaria.
As prácticas anti-concorrenciais no sector bancário têm a cumplicidade política do Estado.
Eis aqui uma área na qual o PS nunca estabeleceu qualquer diferença com o PSD embora uma suposta discussão à volta da privatização ou não da CGD seja apresentada como a linha divisória entre eles. O problema é que não privatizando a CGD, o que se saúda, o PS utiliza-a para socializar os prejuízos do BPN, do BPP e não estabelece qualquer política de crédito público que tenha na Caixa o seu executante priveligiado.

Messi é o jogador do ano, à frente de Ronaldo

Messi foi o melhor jogador do ano de 2009. Parece que para esta escolha conta muito os troféus conquistados pelo vencedor. Mas, independentemente dos troféus, Messsi foi o melhor jogador do ano e arrisco a afirmação de que vai bisar embora não me espante que um dos outros dois baixinhos do Barça lhe sucedam. Messi é baixote, atarracado, não será o melhor veículo publicitário, com excepção das coisas para os putos, tipo playstation, mas com a bola nos pés e aquela corridinha peculiar com os pés juntinhos sempre a abrir, com a bola colada aos pés, é o maior descobridor de caminhos para o golo do futebol actual.
Messi é mesmo o melhor jogador do mundo nos tempos que correm. Perto dele andarão Ronaldo, Kaká e os dois baixinhos Iniesta e Xavi. Francamente não me parece que o sueco do Barça seja deste campeonato. Há um jogador em Itália que é também muito bom mas não tem tido sorte com as equipas em que actua e em particular com um treinador casmurro que encontrou no Porto: falo de Diego, um dos melhores do mundo, hoje por hoje.

Ricardo Rodrigues não vai recorrer de decisão da Relação
Ricardo Rodrigues tem dado a cara pela defesa das posições do Governo no que se refere ao combate à corrupção, ou melhor, à falta dele.
Pouca gente terá percebido a razão da notoriedade deste antigo membro do Governo Regional dos Açores que, com a eleição de José Sócrates, saltou para a primeira linha parlamentar.
Esta notícia também não ajuda muito a esclarecer a não ser pela exuberante manifestação de bom senso que Ricardo Rodrigues mostra quando decide não recorrer da decisão da Relação de não pronunciar por difamação o jornalista que o acusou de pertencer a um "gangue internacional na qualidade de advogado, sócio e procurador de uma sociedade offshore registada algures num paraíso fiscal".
A menos que esta associação seja considerada, o que não me parece credível, um curriculo não negligenciável quando o que está em causa é a luta contra a corrupção, a evasão fiscal ou o enriquecimento ilícito.
Mas Ricardo Rodrigues talvez seja afinal destacado epla sua capacidade para surpreender os agentes da justiça. Veja-se a perplexidade manifestada pelo juíz da primeira instância perante o despacho do MP no qual se podia ler que, apesar das "dúvidas" sobre a sua contribuição "nas actividades subsequentes à burla levadas a cabo pelos principais arguidos", o advogado alegou "desconhecimento da actividade delituosa".
"Desconhecimento da actividade delituosa" devia aliás ser uma justificação a ser universalmente aceite sempre que pessoas, sejam elas quem forem, sejam acudsadas de envolvimento em .... actividades ilícitas, quem é que vai acusar alguém de envolvimentob em actividades.... lícitas?

PS - só por manifesta guerrilha política alguém se pode vir a lembrar de questionar o relevo político de um deputado com este perfil.

Benfica voltou a ver melhor o FC Porto
no retrovisor
Em termos prácticos quem decidiu o jogo foi o melhor jogador a actuar em Portugal e um dos melhores a actuar em toda a Europa: Javier Saviola. Assim sendo até se pode concluir que está tudo bem, já que os melhores jogadores destinam-se a decidir mesmo nos momentos mais dificeis.
Mas, há sempre um mas, neste caso pesaram muito as más opções de Jesualdo Ferreira que fez actuar de ínicio uma equipa mázinha e não foi lesto a corrigir os erros iniciais. Com Varela de ínicio e com Belluschi outro galo teria cantado. Quando o peso pluma argentino entrou o relvado já tinha virado um batatal e se quisermos podemos comparar o rendimento de Saviola no primeiro e no segundo tempos para percebermos o peso do relvado no rendimento de jogadores que fazem da técnica o seu principal argumento. Com uma equipa muito defensiva, com um meio-campo mais músculo que cérebro e com o melhor avançado dos tempos que correm no banco, Jesualdo tomou as decisões certas para perder. Acontece aos melhores.

Vacinação contra gripe A de crianças até 12 anos começa hoje
Dirigi-me ao Centro de Saúde para obter informações sobre a vacinação do emu filho com a vacina contra a gripe A. Nos últimos dias fora ionformado que o Governo decidira antecipar a vacinação de crianças com mais de 3 anos, não incluídas nas fases anteriores.
Afinal, no meu caso, há amrcações de vacinas até ao final de Dezembro para os grupos A e B. Serei contactado e provavelmente a vacinação só ocorrerá em Janeiro.
Qual será o interesse de se divulgar uma noticia que parece partir do conhecimento de que um determinado procedimento vai poder ser adoptado em todo o país? Porque razão não fizeram em primeiro lugar o levantamento rigoroso da situação em cada distrito para depois darem a notícia com as necessárias reservas?

"Comungo das suas precoupações preventivas ( lidas no seu blogue) para o caso em referência.
Mas permita-me que para além da pertinente questão da construção anti-sismica e sua fiscalização, de perguntar se sabe que na nossa região há:
1 . Um hospital de campanha ou tendas algo similares, em reserva, que se monte e instale em caso dum grave desastre que afecte nosso hospital regional?
2 - Existe algum estudo ou sistema de meios que se desloquem - ex:helis - que transportem feridos caso as estradas fiquem interrompidas?
3 - Existe um sistema alternativo ou formação pessoal do que se deve informar às populações que fiquem sem esses meios, num caso dum sinistro que lhe corte as que utiliza habitualmente?
Creio na grande importância da prevenção, mas todos somos poucos para a instituir."

Joaquim Silva
Capitão da Marinha Mercante

O CDS reage a partir da sua juventude- são sempre altruístas e genuínos, os jovens - à decisão do Governo de tributar os bónus dos banqueiros.
Segregação Social Inaceitável é o que denunciam os jovens centristas. Está-se mesmo a ver o que vai acontecer aos desgraçados dos banqueiros impedidos de continuar a viver nos condomínios de luxo das Quintas de qualquer sítio, que tinham aliás livremente escolhido, e obrigados - como é possível um governo ser tão populista, Deus nosso - a viverem algures entre os happy fews dos apartamentos de luxo do Parque das Nações e os ainda mais exclusivos mas não suficientemente selectos da Lapa, sujeitos a uma verdadeira segregação social organizada segundo os seus rendimentos económicos depois de violados pelos impostos sobre os bónus decididos pelos socialistas.
Criativos e imaginativos como poucos os jovens centristas - embora muito descaídos para a direita, reconheça-se - na sua pueril luta contra a intolerável intromissão do Estado na vida dos cidadãos, particularmente dos banqueiros, não deixam de lá por isso, fazer as recomendações e os alerta a que a sua boa consciência, e uma elevada responsabilidade social, os obriga: alertam eles para a o facto de " uma medida destas afasta quadros bancários para outros países onde não existem tais taxas sobre bónus, ao mesmo tempo que incentiva formas criativas de atribuir benesses para escapar às tributações".
"Formas criativas de atribuir benesses para escapar às tributações", disseram eles? Seus ganda marotos, seus atrevidões. Então isto diz-se. Desde que este comunicado foi publicado regista-se um inusitado movimento nas fronteiras aéreas e terrestres com a fuga de quadros bancários particularmente avessos aos impostos sobre bónus, sobretudo para Sul para o reino de Marrocos e outros locais do estilo. Entretanto brigadas de jovens altruístas dedicam os seu tempo livre a descobrir novas formas "criativas de distribuir benesses" aos pobres quadros bancários que vão ver os seus bónus tributados.
Ó Teixeira do que é que estás à espera para chamar estes rapazes do PP para um brainstorming. Ou vais tu ao Caldas?

A reflexão sobre a dimensão do sismo da madrugada de ontem prosseguiu nos principais jornais de hoje com destaque para o Público e para o DN. Se procurar com muito cuidado não encontrará uma linha ocupada com a reflexão sobre aquilo que importa fazer, antes muito antes do sismo ocorrer, para minorar as consequências da acção dos sismos. No limite pode encontrar referências à intervenção pós-sismo - a área da protecção civil em que os nossos políticos muito investem - mas quanto à verdadeira prevenção nem uma palavra. Tem sido sempre assim, nos últimos anos. Há uma conjugação que é aparentemente impossível de ultrapassar, que resulta da aliança entre a ignorância tradicional da classe política e a ignorância dos jornalistas. Os políticos infelizmente - por acaso não sei se esta palavra será muito apropriada - não podem, mas pensam que p0dem, fazer um Decreto-Lei em que decidam que os sismos apenas poderão ocorrer no "nosso território" se devidamente autorizados cumprindo com regulamentos por eles elaborados e decidir, en passant, qual a classe profissional que lhes poderá conceder o direito de se manifestarem .... à superficie.
Mas, desgraçadamente, puderam, ano após ano - e já mesmo este ano de uma forma intensamente estúpida - degradar - com leis cada vez mais incompetentes, uma especialidade - as condições de exercício da actividade de engenheiro civil e as condições de segurança estrutural em que os edificios são projectados.
Os jornalistas ofuscados pelos diversos brilhos, efémeros quase sempre, da edificabilidade, recusam-se, por manifesta incompetência e porque é um tema muito... cinzentão e dá muito trabalho, a descer um pouco mais ao conteúdo. Deixam esse trabalho para ... os sismos e para os que algum dia tiverem que escrever sobre as suas consequências devastadoras.
Há uma pergunta que nunca ninguém coloca e que é afinal muito simples: estamos a fazer aquilo que devemos para que as nossas construções resistam aos sismos de acordo com o conhecimento técnico disponível garantindo a protecção de vidas e de bens materiais? E se não estamos, porque razão isso se passa?
A resposta a esta pergunta é que é muito complexa e não se resolve com duas cantigas pelo que não mobiliza nem políticos nem jornalistas. É coisa para estudiosos.

Acordar de repente com as portas dos roupeiros do quarto a dançarem numa sinistra e demorada dança não é das sensações mais agradáveis. Confesso que como tinha adormecido à pouco nem me apercebi imediatamente do que se estava a passar.
Fico agora a saber pela consulta da página online do Público que se tratou de um sismo de magnitude 5,7 (escala de Ritcher) com o epicentro localizado a 193 Km a sul de Faro, no Oceano Atlântico, o que é obra. Pareceu-me que durou muito tempo e fez pelo menos muita impressão, mais do que poderia indicar o facto de se tratar um sismo moderado (magnitude entre 5,0 e 5,9).
Há uma coisa que aconteceu: fiquei sem sono.

Adenda: Se quiser pode ler o que escrevi sobre sismos aqui, aqui ou aqui.
Em alternativa procure as etiquetas Sismos ou sismos e aí encontrará vários textos da minha autoria sobre esta questão.

"A questão da corrupção levanta dois problemas: um de educação ou de cultura e outro relativo ao sistema de justiça.
O primeiro passa por uma atitude de complacência com o «jeitinho». Pede-se um jeitinho, mesmo que se tenha toda a legitimidade para exigir o reconhecimento dum direito. Pedindo um jeitinho, é normal que quem faz o jeito fique credor do outro, assim avolumando a bola de neve… Isto é tanto mais grave quando o «jeitinho» socialmente aceitável pode ser um emprego tendencialmente para toda a vida, coisa pouca: para um quadro médio, cerca de um milhão e duzentos mil euros, em suaves prestações mensais ao longo de 40 anos, acrescido de pensão de reforma! Ou pode ser um licenciamento, legal ou ilegal, mas sem entraves porque o licenciador está a fazer um «jeitinho»… Tudo isto, se vendido a crédito, isto é, sem um pagamento imediato e à vista, é socialmente aceite… esquecendo que o emprego do filho do Zé significa que alguém com mais qualificações ficou no desemprego…
Isto vale bem uma campanha mediática, pondo em contraste o exercício de direitos com o pedido de «jeitinhos»…

Ao nível da justiça, o principal problema decorre ainda da questão cultural: não há quem queira denunciar os casos que conhece porque deixa de beneficiar dos «jeitinhos» ou, se já se assume cidadão sujeito de direitos teme ser acusado de denúncia caluniosa, se não vier a fazer prova do que afirma…
Depois, ninguém estranha que alguém que ganha 2 ou 3.000,00 euros mude de carro, topo de gama, todos os anos, tenha um palácio no Algarve e outro na terra… “É esperto!!!”
Por isso, independentemente do modo como se redija a norma incriminatória do enriquecimento ilícito – e é possível fazê-lo sem violação do princípio da presunção de inocência – o povo e os operadores judiciários continuarão a olhar benevolamente para o tipo do Ferrari como um tipo “Esperto!!!”, que não merece punição, que deve ser acolhido nas recepções do poder, nas comissões de honra das candidaturas…

Há poucas condenações, é verdade! Há poucos processos, comparando com o que se pressente, é verdade! Mas, ressalvando o enriquecimento ilícito, já temos leis a mais, criando demasiados interstícios para fugir… Mais vale um único crime, com versões agravadas ou atenuadas mas aplicável a todas as situações, do que muitos tipos que, logo à partida criam o problema do enquadramento num ou noutro: é corrupção ou tráfico de influências? É activo ou passivo? E por aí adiante…"


Leitor devidamente identificado

Oposição está a esticar a corda, alerta Ricardo Rodrigues
Esta declaração está alinhada com a anterior de José Sócrates que acusou a oposição de querer governar com base numa coligação entre a extrema esquerda e a direita. Ricardo Rodrigues é o vice-presidente da bancada socialista mas é ele e não Assis quem transmite a posição de Sócrates sobre cada dossier. A posição do partido é irrelevante porque como se sabe o partido não tem posição ou se tem ela é irrelevante.
Parece claro que a única estratégia de Sócrates é criar condições para provocar eleições antecipadas e tentar obter uma nova maioria absoluta. omo escreveu São HJosé Almeida no Público do passado sábado até que ponto "levará o PS a demagogia de explorar a ignorância da população sobre o sistema político" para provocar uma crise cujo fundamento é nulo.
De facto o Governo acaba de aprovar o seu Orçamento retificativo para o que contou com a colaboração do PSD, CDS/PP e PCP e a coberto do qual negociou um acréscimo de endividamento da madeira depois de Teixeira dos santos ter dito o que disse. Um sinal de crise e de instabilidade? De facto o Governo conseguiu aprovar com o PSD um acordo sobre a avaliação dos professores. Sinal de crise e de instabilidade? Afinal o que é que o Governo não conseguiu fazer? Foi obrigado a aceitar decisões da assembleia da república sobre o pacote anti-corrupção que, por razões nunca esplicadas, o PS não quer aprovar. Será que isto é motivo de crise e de grande instabilidade?
Bom o PS tem exagerado. E não se coibiu de fazer aquela triste figura do apelo ao Prsidente da República como se a Assembleia da República estivesse a invadir as competências próprias do Governo. Mas se isso acontece porque razão não coloca essa questão em cima da mesa da discussão política no locak próprio: a Assembleia da República. Não sabe o PS que a intervenção do Presidente da Repúbliva não tem fundamento do ponto de vista Constitucional? Clro que sabe, mas limita-se a explorar a ignorância política da população e isso é algo de que os socialistas têm uma aguda consciência.
O PS quer uma nova maioria absoluta para mandar a seu belo prazer, como fez nop assado recente, vetando o Parlamento à irrelevância e agredindo as "corporações" a seu belo prazer. Para fazer as reformas necessárias? Para sanear a dificil situação do país? A realidade em que nos encontramos responde a todas estas perguntas: a governação do PS, salvo alguns aspectos positivos, saldou-se por um enorme fiasco. A incompetência precisa do autoritarismo para sobreviver e esse só é possível com uma nova maioria absoluta. Com a oposição de pantanas, com o PSD á deriva sem liderança sem ideias e com a oposição de esquerda refem do seu radicalismo, cheira-lhes que a maioria absoluta pode estar por aí. É isso que os move e os excita.

Governo quer travar autarcas sob suspeita
Eis aqui uma proposta concreta que vai ajudar e muito à introdução de prácticas anti-corrupção na Administração Local. Passarão a ser inelegíveis autarcas que tenham sido condenados em tribunal ainda que possam enquanto cidadãos recorrer aos tribunais superiores para defenderem o seu bom nome. Mas libertando a função já que ser autarca não é profissão para ninguém sendo antes um lugar, como todos os lugares políticos, de serviço público. Ou devendo ser embora, desgraçadamente, se tenha tornado na "prfissão". Mas a proposta do PS acrescenta uma outra situação que eu aplaudo: quem estiver acusado -apenas acusado -de crimes graves tem que suspender o mandato imediatamente. Excelente. Quem é acusado de crimes graves é acusado de ter exercido o lugar em benefício próprio e em benefício de terceiros pelo que não pode continuar no cargo a fazer mais do mesmo, a complicar o trabalho da justiça a viciar e corromper os resultados eleitorais. Tem que ser afastado imediatamente.
Curiosamente, tal como já tinha acontecido quando da polémica Isaltino, BE e PCP opõem-se à medida defendendo que o afastamento apenas pode ser efectivo depois do trânsito em julgado de uma sentença, remetendo para as calendas o afastamento efectivo já que entre a práctica dos actos, o ínicio das suspeitas e o último recurso e a correspondcnte sentença transitada em julgado podem distar mais de dez anos, dependendo do nível dos advogados contratados.
Ora, como tive oportunidade de escrever na altura dessa polémcia, o afastamento ou suspensão de um autarca não o priva dos seus direitos de cidadão, incluindo o direito de recorrer da condenação a que foi sujeito ou de se defender da acusação a que foi formalmente sujeito. Essa suspensão vai-nos proteger a nós, à sociedade em geral, de que o senhor possa continuar a cometer os mesmos actos que lhe proporcionaram proveitos ílicitos, a ele e aos seus "amigos," e o ajudaram a perpetuar-se no poder. Ou será que alguém duvida que há uma relação de causa efeito entre as prácticas corruptas e uma certa invencibilidade eleitoral?
Espero que a proposta do Governo seja aprovada e tenha efeitos imediatos.

O Porto que é hoje por hoje a equipa mais consistente da Liga vai à Luz, local de todos os perigos, apenas a um pontinho dos lampiões. Quer isto dizer que a recuperação efectuada ao longo destas últimas jornadas, de que o jogo de hoje foi apenas um passo rápido e fácil, tornará irrelevante o resultado que, mesmo sendo negativo, não tornará nada definitivo. Jesualdo não poderia desejar nada de melhor, sendo que depois da tremideira inicial chegar à Luz em primeiro seria quase impossível. Mas, saliente-se, o empate na pontuação foi impedido porque Nuno Gomes já nos descontos arrancou um pontapé subtil compensando com virtuosismo os empenos da idade.
O Porto está em crescendo e apesar de Saviola - este é para mim o melhor jogador que por aqui exerce e um dos melhores que alguma vez por aqui jogou, rejeitado pelos abastados ceguinhos do Real Madrid - e de Jesus, pode rapidamente passar da fase em que "este ano já não ia lá" para a fase em que, claramente, passará a haver um sério candidato ao título, o Porto, e dois, não mais do que dois candidatos em vias de se desassumirem.
Saliente-se que o Porto faz esta bela perfomace depois de ter encaixado mais de 70 milhões de euros, de ter ido aos saldos resgatar a preço zero o Silvestre Varela, de gastar menos de um décimo do que recebeu com dois argentinos bons de bola, e de já ter encaixado este ano na Champions mais do dobro das despesas com o reforço do plantel. Neste campeonato o Porto abusa da concorrência, é um verdadeiro campeão a concorrer com aprendizes. Jesualdo, o treinador mais vezes substituído pelos comentadores da história do clube, merece uma estátua.

Ao domingo o Público publica um novo suplemento de nome Cidades que disponibiliza uma parte da informação que antes se obtinha no Suplemento P2. São cerca de 14 páginas dedicadas à mais fascinante criação do espírito humano: as cidades.
Para abrir a primeira edição - que não está acessível na versão online do jornal do dia - faz-se com três trabalhos - entradas pagas nos centros urbanos, as casas da música do Porto antes da Casa da Música e uma aventura sobre duas rodas entre Cascais e Lisboa - de que o mais importante é o primeiro. Além destes trabalhos algumas rúbricas menores de que saliento a Tribuna dos Cidadãos. Manuel Carvalho dá conta do que são as expectativas do Cidades do ponto de vista do Público. Como leitor prefiro um suplemento sobre as Cidades do que nenhum suplemento mas espero que as novas edições tragam bons momentos de discussão e boas perpectivas sobre os novos problemas das cidades que são afinal os seus velhos problemas.

U. Leiria serena e organizada foi mais forte do que Sporting nervoso e sem confiança
O Sporting jogou 45 minutos abaixo do nível e melhorou, ligeiramente, depois do intervalo. Nada de novo. Nada que não tivesse acontecido no período de Paulo Bento. O Sporting jogou globalmente mal tal como tinha acontecido contra o Vitória de Setúbal. A diferença, uma das diferenças, foi que nesse jogo Rui Patrício defendeu dois ou três remates que teriam mudado o resultado e hoje deu um frango inaceitável num guarda-redes do seu tamanho.
O Sporting está mal e as prendas do Natal tinham que ser substanciais para melhorar este estado de coisas. Claro que Caicedo, André Marques e outros, como Pedro Silva ou Saleiro, não podem ajudar a resolver o problema do clube. Mas será que os actuais dirigentes são todos eles capazes de dar uma boa contribuição para isso?

Adenda: Com o actual plantel não existe nenhuma alternativa válida a Tonel no centro da defesa. Façam as conjecturas que quiserem mas apenas o central Tonel pode impedir que o Sporting sofra golos de cabeça na transformação de lances de bola parada ou em lances pelas alas. De todos os centrais disponíveis é o melhor e o mais eficiente no jogo aéreo a anos luz de todos os outros. Isto parece-me uma evidência.

Orçamento rectificativo aprovado na generalidade com votos favoráveis só do PS
Será que esta aprovação - que, caso não se confirmasse, poderia significar a ingovernabilidade total segundo os ideólogos socialistas que descobriram, horrorizados, essa "coisa" nova na política, que um governo minoritário pode ver propostas suas derrotadas no Parlamento, pasme-se - significa que o Governo e o PS podem proclamar ao País que cosideram que a "maioria parlamentar" afinal desistiu de governar por interposto Governo?

A UE vai propor uma taxa mundial sobre as transacções financeiras
As medidas ou propostas de medidas sucedem-se. Depois de meter a mão nos bolsos dos pobres banqueiros resolveram recuperar a ideia da taxa Tobin ou algo semelhante para conseguirem aliviar os efeitos neastos da crise do neoliberalismo. Lmbram-se de quem sempre defendeu a necessidade de taxar os movimentos de capitais, tributando sobretudo a especulação de curto prazo? Pois é foram os esquerdistas. Acusados de quererem provocar a fuga de capitais, como se a suposta liberdade de que beneficiavam não determinasse a sua fuga especulatva que é o que significa a acumulação privada chocante que os retira da economia.
Bom por este andar ainda se resolvem a encarar a sério a necessidade de se por fim aos offshores e de, por essa via, recuperar as verbas colossais que para aí são desviadas e que ultrapassam em muito todos os apoios mobilizados a nível mundial para combater os efeitos da crise.
O problema da crise é sobretudo um problema político. Um problema de políticas erradas particularmente as políticas neoliberais que tiveram no consenso de Washington, e de certa maneira no PEC, a sua máxima expressão. Curiosamente a UE vai pedir ao FMI - o grande ideólogo e fiscalzador mor da implementação do neoliberalismo a nível mundial e defensor ad nauseum da desregulamentação e liberalização dosmercados financeiros - que ajude a matar o seu filho mais querido, grandes sacanas, isso não se faz. Um problema de más soluções políticas para ultrapassar a crise de que os países da UE, incluindo Portugal, são a prova com o aceno tónico no apoio ao sistema bancário, socializando os seus prejuzos, e deixando a cada um, mais ou menos a seu cargo, a responsabilidade de arcarem com as consequências do aumento das taxas de juro numa primeira fase e com o desemprego numa fase posterior embora com as taxas já em queda.

Obama defende a "guerra justa" na entrega do Nobel da Paz
Um Presidente empenhado pela paz mais alargada possível num mundo de países cada vez maior a receber justamente o Nobel da Paz. Quem se não ele - como pergunta o Público no editorial - para lembrar como a paz é fruto da vontade política e da capacidade das lideranças. Quem como ele para assumir a crítica ao passado recente do seu país e ao seu desprezo pela comunidade internacional ou para criticar a falta de respeito pelas regras que ele própro ajudara a estabelecer a propósito da luta contra o terrorismo? Quem senão ele para nos mostrar que quem faz a guerra, em certos casos, pode estar a fazer o que tem que ser feito pela paz?
Além do mais Obama tem aquilo que outros não têm: uma frontalidade e uma clareza e uma genuina humildade, além da dona Michele para lhe compor o casaco.

Reino Unido instaura taxa sobre bónus na banca só até Abril
O Reino Unido tomou a iniciativa que aqui se notícia. Note-se que sendo uma medida temporária - o que julgo que não faz sentido, pelo menos tendo sido referida para cerca de 6 meses - vai permitir arrecadar mais de 550 milhões de euros.
Se Obama fizer o mesmo nos EU a receita fiscal suplementar será de 15 mil milhões de dólares em 2009.
Entretanto a França tomou uma decisão semelhante aos ingleses. Acima de 27 mil euros os bónus dos quadros bancários serão taxados em 50%. Justo.
E agora José, como vamos fazer? Será que o PS toma a iniciativa ou espera pela coligação negativa? Será que vai recorrer ao alibi da fuga de quadros, ridiculo neste caso? Alibi estafado e falso. Como dizia o Warren Buffet, num documentário na SIC Notícias, a propósito dos escandalosos bónus dos quadros bancários, a maioria deles se vivessem no Quénia não seriam capazes de sobreviver. Isto para dizer que o mérito pelo qual foram bonificados é, numa grande parte dos casos, um mério duvidoso e muitas vezes construído sobre escandalosas fraudes e enormes vigarices.

PS deverá viabilizar hoje diplomas do PSD para combate à corrupção
Espero que deste debate resulte a aprovação da criação do crime do enriquecimento ilícito. Espero igualmente que resulte da discussão a aprovação da quebra do sigilo bancário, “quando está em causa a existência de fraude fiscal" como defende o PCP. Não votaria, em nenhuma circunstância, a proposta do BE que obriga os bancos a comunicarem, duas vezes por ano, para montantes até 10 mil euros ou coisa que o valha, à administração fiscal as contas dos seus clientes. A lei deve destinar-se a todos aqueles que são suspeitos de prácticas corruptas e de enriquecimento ilícito e só no caso de existirem suspeitas. Nesse caso os mecanismos legais devem possibilitar o rápido acesso. Mas a generalidade dos cidadãos não deve ter as suas contas coscuvilhadas pela Admistração Fiscal. As leis devem visar efectivamente os corruptos e não a generalidade dos cidadãos até porque a Adminstração Fiscal não é flor que se cheire e deixa muito a desejar no que se refere a imparcialidade e respeito pelos direitos dos cidadãos. Sobretudo pelos direitos dos mais fracos e daqueles que tem menos possibilidades de se defenderem do "excesso de informação" a que possam ter acesso.

Troca de insultos entre deputados marca primeira audição da Comissão Parlamentar de Saúde
A dona Zezinha, assim a modos que armada em deputada do interior profundo fortemente ruralizada, arreou forte e feio num deputado socialista que a apoquentava com comentários despropositados. Inovadora desde sempre, ela que estabeleceu recentemente fronteiras mais flexíveis entre as diversas bancadas partidárias, veio agora clarificar os limites da flexibilidade-flexível em que se move como ninguém. Há limites, diz ela, para essa "vagabundagem": com palhaços nas redondezas nunca. Bancadas parlamentares que alberguem palhaços não são o tipo de albergue espanhol que ela admitirá alguma vez frequentar. E por favor não mandem Palhaços para Comissões Parlamentares que ela não aguenta.

Exibição de luxo do FC Porto contra um Atlético de Madrid pobrezinho
O FC Porto melhora, melhora, melhora. Jesualdo Ferreira faz as suas equipas melhorarem, jogo após jogo, mesmo quando parece que a coisa está à beira da debacle, percebe-se que há ali uma ideia que é afinal... uma ideia boa.
Simplesmente magnífico.

PS- A SAD do Sporting deve tomar este modelo como referência: um nível de défice sustentável associado a um elevado nível de resultados desportivos. Infelizmente no caso do Sporting copiaram apenas a parte do défice.


No dia Internacional de Combate à Corrupção que hoje se celebra recomenda-se a leitura do artigo de opinião de Luís de Sousa, hoje no Público.
Cito apenas dois parágrafos que resumem a essência do artigo e que subsvcrevo na íntegra: "(...) A Assembleia da República lançou-se em mais uma campanha de moralização da vida pública, à semelhança daquelas a que assistimos no ínicio da década de 90 e, praticamente, durante toda a presente década. O guião repete-se: debates inócuos em torno de iniciativas legislativas avulsas.
O legislador insiste em incorrer nos mesmos erros de método que conduziram ao insucesso nas iniciativas anteriores; reforma por reacção, autismo em relação aos peritos e operacionais dos vários sectores abrangidos pelas reformas, ausência de diálogo entre Governo e oposição, incapacidade de adopção de uma visão holística do controlo do fenómeno, falta de convicção política polvilhada por significativas doses de cosmética.(...)"

Portugueses consideram a corrupção como o grande mal do país
Noventa por cento dos inquiridos acham que a corrupção está generalizada e particularmente entre a classe política. Mas, paradoxalmente, acham que há mecanismos de dissuasão suficientes para limitar a dimensão da coisa. Passe o paradoxo, será caso para dizer que há uma percepção rigorosa da dimensão do problema e depois um hipervalorização dos meios de combate e dissuasão da corrupção. Podíamos ser levados a pensar que o bom povo português fiel à sua costela católica acha que o pecado se redime pela confissão e sendo a corrupção um grande pecado a rapaziada obtinha rapidamente a absolvição pelo recurso a essa forma de expiação. Mas não. Os inquiridos referem a existência de "suficientes acções judiciais". Talvez seja necessário olhar mais de perto para esta rapaziada. Talvez o longo convívio com o fenómeno esteja já a determinar mutações na espécie em observação. Talvez seja por isso que os eleitores fazem as opções de voto que se conhecem, sobretudo ao nível local. Estão habituados.

V. Setúbal vai protestar jogo com o Sporting
A possibilidade, ainda que vaga, de o jogo entre o Sporting e o Vitória ser repetido representa uma ameaça de tal modo grave aos amantes do bom futebol que sugiro à Liga a adopção de um procedimento excepcional de compensação que possibilite ao Vitória desistir do seu protesto.

Liedson põe fim a jejum do Sporting de seis jornadas sem vencer
Um jogo abaixo do nível mínimo. Razão tem Manuel Fernandes para dizer que a sua equipa tem jogadores abaixo do nível mínimo para estarem na Liga. No ladooposto, a julgar pelo jogo de ontem, passa-se algo de semelhante. Mas, como sabemos, isso não é verdade. Depois de uma entrada a prometer rápidas melhorias o Sporting de Carvalhal voltou nos últimos dois jogos a um nível confangedor. Ontem jogou-se um dos piores jogos de futebol desta Liga. Solteiros contea casados como alguém já escreveu. Pelo menos muito próximo disso.

ONG de combate à corrupção está a formalizar-se em Portugal
Ao ler a edição de hoje do Público fui surpreendido por esta boa notícia. Um grupo de cidadãos independentes e com notoriedade na denuncia, no estudo e no combate à corrupção resolveram criar uma Organização Não Governamental para estudar e combater a corrupção em Portugal.
Uma das melhores notícias dos últimos tempos.
Os nomes agora referidos - Paulo Morais, Saldanha Sanchez, Luís de Sousa - foram várias vezes referidos neste blogue quer a propósito das polémicas em que se envolveram quer de obras publicadas, mas sempre, ou quase semrpe, tendo como pano de fundo esta magna questão da nossa vida colectiva.

Angulo deixa Sporting
Angulo foi considerado um jogador interessante, atentas as realidades ditada pelo cruzamento entre as expectativas e as possibilidades, para o projecto desportivo do Sporting. Essa era a condição para um jogador, chame-se ele Angulo, Caicedo ou Varela integrar a equipa do Sporting. Essa foi uma herança da anterior equipa técnica que determinou, sem qualquer proveito presente ou futuro, que angulo e Caicedo integrasem a equipa dop Sporting e Varela fosse dispensado para o FC Porto e ... a caminho da selecção. Acresce o factodo Varela ser um produto da formação do Sporting e estar a preparar-se para render umas dezenas de milhões de euros ao FCP num futuro próximo. Mas, era do projecto desportivo que eu estava a falar. Pois foi, ontem em Guimarães o Silvestre deu mais uma ajuda desportiva ao negócio do FCP: ganhar.

PS - devia ser obrigatória a divulgação da totalidade dos custos associada à permanência do jogador no Sporting não entrando em linha de conta com a logística.

Estado pagará 15 por cento do aumento do salário mínimo em 2010
Saudei aqui a decisão do Governo de aumentar o salário mínimo de acordo com o que tinha sido acordado em sede de Concertação Social. Viveremos num país mais justo quando o salário mínimo ultrapassar valores da ordem dos 600 euros e quando esse referencial influenciar a remuneração da generalidade dos trabalhadores. Há centenas de milhares de pessoas que estão encostadas a remunerações da ordem dos 500 euros e não recebem o salário mínimo. Falo de pessoas com famílias a cargo e com muitos anos de serviço.
Não entendo sinceramente a necessidade do Governo reduzir num ponto percentual a TSU das empresas que tenham trabalhadores nessa situação. Parece-me uma medida disparatada destinada a fomentar este tipo de salários, embora a diferença numa PME ou numa microempresa, para 3 ou 4 postos de trabalho seja irrelevante. A existir uma bonificação da TSU o que seria defensável era exactamente o inverso: uma TSU bonificada para salários mais elevados priveligiando escalões de rendimento mensal entre os 750 euros e os 1500 euros e a necessária estabilidade de emprego. Só faria sentido bonificar empregos sem qualquer limitação temporal. Mas, apenas para as PME' s e as Micro-Empresas. Aliás, refira-se que são estas empresas que sustentam o sistema de segurança socia, enquanto as grandes empresas monopolistas, ou quase, estão sujeitas às mesmas regras, empresas de capital intensivo em que o produto por trabalhador é extraordinariamente elevado por comparação com as PME´s e micro-empresas. Essas empresas devem ser obrigadas a pagar para a SS em função do produto e não apenas em função do salários dos seus trabalhadores.

Mário de Almeida, o jovem autarca socialista de Vila do Conde - pelo menos de espírito, sempre renovado, sempre inovador, sempre infatigável - defende que a limitação de mandatos seja ratificada através de um referendo. Mário de Almeida não se imagina a fazer outra coisa na vida: senão puder trabalhar para o seu povo todos os santos dias dá-lhe um treco e vai-se desta para melhor. Percebe-se por isso que não se conforme e que proponha formas de ultrapassar a situação criada pelos dirigentes políticos que não estão habituados a lidar com o povo, no dia a dia, e que não sabem quais são as verdadeiras preocupações do bom povo que costuma votar sempre, de forma expressiva, nos Mários de Almeida de todos os concelhos.
Claro que um referendo como o que Mário de Almeida defende - ideia absurda e uma proposta feita no seu próprio interesse, convenhamos - só pode te um único resultado: dos que forem votar mais de 90% votarão contra a limitação dos mandatos. Dos que forem votar mais de 90% serão mobilizados por essas magníficas máquinas de mobilização eleitoral em que se trasnformaram as Câmaras Municipais - entendidas como máquinas ao serviço da perpetuaç~~ao do poder dos seus presidentes - mobilizando para esse fim os dinheiros públicos, e os dinheiros privados dos que defendem a estabilidade e manutenção ad eternum dos mesmos, no poder local.
Se não houver referendo, uma hipótese que eu não decarto pensando na influência política dos Mários de Almeida deste país, resta a estes senhores, que põem e dispõem das Câmaras Municipais, a possibilidade de se candidatarem num lugar secundário - pode ser o número dois - da lista e colocar em primeiro lugar um testa de ferro, ou a mulherzinha, ou um filhote, caso as fidelidades não estejam em alta. Nem será necessário imaginar um sistema como o russo em que Puttin e Medved são afinal as duas faces da mesma moeda sendo que quem manda, independentemente da posição que ocupa, é sempre Puttin.
Adenda:
Faz todo o sentido que se fale disto no Congresso da ANMP. Desde há muito que a ANMP se tornou na ANPCP, isto é a Associação Nacional dos Presidentes de Câmara Portugueses. Falta-lhes apenas mudar o nome.

Sócrates fala em violação do segredo de justiça, mas não em "espionagem política"
Há um ambiente pouco interessante no debate político que por vezes se trava na Assembleia da República. Parece que não acabou ainda a campanha eleitoral e que os diferente spartidos resolveram by.passar as eleições e continuar naquilo que mais gostam ou melhor sabem: fazer campanha.
Ora, as pessoas querem que o país seja governado e que se estabeleçam acordos e compromissos políticos que viabilizem essa governação. Não me parece que a generalidade das pessoas se sinta satisfeita com o actual estado de coisas. Quem parece aproveitar com isto é o PP e o seu líder cuja simpatia aos olhos dos portugueses não para de aumentar. Quem não ganha nada com isto, já se viu, é o PSD que não descola da péssima situação em que se encontra e que não consegue erodir o PS da posição confortável em que se encontra. A esquerda das esquerdas no meio deste barulho todo "mexe" umas décimas mas situa-se longíssimo do Governo e do exercício do poder.
Não me parece que esta situação se possa manter muito tempo. As eleições últimas parece que se configuraram como um acto falhado de clarificação política.

Governo propõe aumento de salário mínimo para 475 euros
Trata-se de respeitar aquilo que se defendeu em sede de Acordo de Concertação Social. Neste preciso momento não faria sentido como quer o patronato, sempre com o reaccionarismo do costume, limitar o aumento do salário mínimo. Ninguém devia receber, já hoje, menos que 500 euros, mas este aumento é relevante e um bom sinal.

Sporting de serviços mínimos segue em frente na Liga Europa
Anda mal uma europa que tem equipas destas e jogos assim. O jogo oscilou entre o mau e o péssimo. No final o improvável Grimi lá carimbou a passagem. Mais improvável apenas se fosse o inconcebível Pedro Silva a marcar.
Entre o jogo ocm o Benfica - a motivação suplementar das equipas pequenas? - e este, houve uma regressão. Vejam-se as alterações de Carvalhal e tirem-se daí as conclusões. Postiga a médio? Meus Deus ao que isto chegou. Pedro Silva a titular? Não há ninguém no plantel capaz de fazer o lugar?
Depois temos o batatal. Os jogadores parecem cansados, com falta de força mas, sinceramente, a falta de fluídez, o constante falhanço nos passes mais básicos deve-se, em parte, ao lastimável estado do terreno.
Uma última nota: Tonel merece ser titular nesta defesa. Façam as contas que têem que fazer mas façam as opções sensatas e não mudem muito sempre que a equipa jogar um bocadinho melhor do que o péssimo do costume.

Oposição viabiliza fim da distinção entre corrupção por acto lícito ou ilícito
A oposição tomou uma medida sensata: aprovou o fim da distinção entre corrupção por acto lícito e acto ílicito. Esta distinção legal aproveitava a quem corrompia e a quem se deixava corromper para "facilitar" um acto lícito. PSD, CDS/PP e PCP mostraram sensatez ao viabilizar o projecto do BE.
Eu diria que se tratou de uma boa jornada. Para mim com a criação do crime de enriquecimento ilícito ficaria muito contente. Espero que isso seja possível juntando, se necessário, as mesmas forças.

PS suspeita que Ferreira Leite conheceu antecipadamente teor das escutas a Sócrates
No caso do PS a coisa vai de Mao a Piao. Agora é a ex-futura-líder do PSD que conhecia as escutas. Se conhecia quem lhas deu a conhecer? Ou o PS sabe do que está a falar ou está propositadamente a arranjar uma caldeirada que parece apenas ter um objectivo: desacreditar a justiça.

Vieira da Silva diz que falou em "espionagem política" conscientemente
Vieira da Silva desfez-se, literalmente, numa atrapalhação infinita frente aos deputados. Não me lembro de ver um ministro assim tão atrapalhado, a parecer suplicar "tirem-me daqui, por favor" a cada minuto.
A culpa é do próprio. Se a declaração inicial foi inaceitável pior foi a forma como ele falou no Parlamento reafirmando os dislates que então proferira. Merece ser demitido, já que não foi capaz de reconhecer o excesso da sua intervenção inicial e não teve a humildade democrática para colocar um ponto final na questão assumindo que se tinha excedido e pedidndo desculpas por isso ao País.
Se não for demitido - julgo que as "regras" deste Governo não prevêem casos como este - fragiliza o Governo já que se trata de um alto responsável político que diz o que diz sobre um orgão de soberania e se continua no normal exercicio das suas funções como se nada tivesse acontecido é porque esse é o padrão do Governo: o "Vieira-padrão".

PS - lamentável a invocação da sua condição de cidadão para dizer o que disse. Vieira da Silva é ministro e foi nessa condição que falou, enquanto responsável político. Ebnquanto cidadão quem se importaria com o que ele pudesse dizer?

Messi bate Cristiano Ronaldo e ganha a Bola de Ouro
Messi é o melhor jogador de futebol da actualidade, na minha modesta opinião. Assim sendo concordo com a atribuição deste prémio. Se não existisse Messi os melhores jogadores este ano também jogam no Barça e são espanhóis: Iniesta e Xavi. Ronaldo - que ganhou justamente o ano passado - este ano não merecia o segundo lugar, mas a mediatização e apolítica desportiva dos clubes poderosos também contam.
Se nada mudar nos próximos anos Messi, Xavi, Iniesta, Ronaldo e Cacá disputarão entre si o ceptro. Mas, Messi é o melhor de todos, quer-me parecer.

Dívida pública. Risco está muito alto por causa dos políticos
A nova descoberta dos amantes da "estabilidade" é que a situação política penaliza o serviço da dívida pública. Não fora o facto de o Governo não ter maioria absoluta e a nossa dívida ficaria bem mais barata, dizem eles. Esta estratégia de propaganda pura e dura visa criar condições para viabiliar eleições antecipadas e tentar uma nova maioria absoluta. Afinal, as oposições cometeram o pecado capital: uniram-se. Ora, se o fizeram. diz o manual socrático da propaganda, isso apenas é possível por puro oportunismo político, já que o Governo, o nosso Governo, por definição, governa em defesa do interesse comum e aquilo que ele faz é uma imagem rigorosa e ampliada daquilo que tem de ser feito.
Claro que são os mercados finaceiros que ditam estas regras que penalizam o nosso Governo e que, injusrtamente, o colocam numa situação mais desfavorável do que a Alemanha e 0,2 pontos percentuais relativamente à Espanha, vejam lá os maleficios da oposição unida. Os mercados finaceiros que, dizia o nosso primeiro. tinham arrastado a economia mundial para uma crise de que ele não se recordava desde pequenino. Mas, com as medidas dos Governos amigos esses mercados recuperaram rapidamente a credibilidade - e os lucros - e agora já são eles que dizem quais são os Governos bons e quais são os países confiáveis. Claro que no nosso caso o que os mercados dizem é mal da oposição, esses irresponsáveis que impedem o nosso Governo de retirar o país da crise, malandros.
Bom, os mercados estão-se nas tintas para o nosso caso. Mas, o Governo, de forma oportunista, cavalga, não se percebe em que direcção, a convergência pontual - ou talvez não, quem nos dera - o facto de a Assembleia da República convergir em sentido diverso do que o Governo quer. Não sabe, nem mostra ser capaz de governar em minoria. Não é uma surpresa. A oposição percebe as fragilidades políticas do Governo e não faz mais nada do que resolver os buracos políticos que o anterior Governo criou apesar da maioria absoluta de que dispunha.
Nesta notícia do i além do despautério do conteúdo sobressai o título. Então esqueceram-se de colocar no título os "políticos maus" ou os da "oposição". Além do mais quem é pode ser responsável pela dívida pública de um país, além daqueles que Governam esse mesmo país e em muito menor menor grau aqueles que são oposição? Talvez o papa.


 

Pedra do Homem, 2007



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