Nem sempre ganham os mais fortes. Ou os teoricamente mais fortes. Como aliás o Benfica demonstrou na Super-Liga. Uma vitória para amenizar as desventuras de uma cidade roída pela exclusão social, pelo desemprego e pela incapacidade da sua elite política de a afirmar no contexto da Área Metropolitana.
Um cheirinho do velho Vitória, das equipas maravilha dos anos setenta e oitenta. De Fernando Vaz e Pedroto e de JJ, José Maria, Conceição, Duda, Octávio, Carriço, Arcanjo, Tomé, Carlos Cardoso e tantos outros verdadeiros craques.
E viva Rachão o treinador da conquista que fica na história e no desemprego que a ignorância dos dirigentes, tal como de alguns políticos, não tem limites.

«(...) Penso, como já antes pensava, que o BES como noutras vezes mostra a sua capacidade de trabalho e de influência, e assim a sua competência nos negócios para que está vocacionado! Estamos no entanto perante uma ameaça de interesses privados sobre interesses públicos, escudada em más leis e maus políticos.Não condenemos o BES mas aqueles que lhe permitem e até incentivam este tipo de atentados urbanisticos sobre o território.Veja-se o escandaloso elogio dado ao Presidente da CM Benavente. E como é também responsabilizada a CCRLVT e a DGF. (...) como as coisas estão só me resta chamar CORRUPTO ao ESTADO. E se a lei protege corruptos e corruptores mude-se a lei!»
António Neves

Na edição portuguesa do Courrier Internacional de 27 de Maio.
(...) A injustiça de Estado goza da impunidade maior, o que constitui mais um factor de injustiça, não se vendo ninguém, entre os responsáveis e detentores do poder político e económico responder por toda a espécie de prevaricações e abusos constantes que se cometem. O voto democrático já não chega como mecanismo de reparação.(...)

De Francisco Teixeira da Mota, no Público de hoje, comentando a publicidade paga que o Grupo Espírito Santo inseriu nos jornais de referência na passada quarta-feira a propósito do caso Portucale. Sobre a descarada arrogância dos grandes grupos económicos quando confrontados com a opinião pública democrática.

O aumento do imposto sobre os combustíveis reflectido no aumento do preço a pagar pelos consumidores. Medida gravosa num ano em que os combustíveis aumentaram da forma que todos sabemos, mas no qual os lucros das petrolíferas não baixaram. Aliás aumentaram.
Não seria possível repercutir este aumento de imposto na margem das petrolíferas?
Aliás que negócio é este que em situação alguma admite diminuição das margens de lucro? É um monopólio ou é um cartel? Seja como for tem a cumplicidade do Estado.

Medina Carreira com o seu discurso claro, apoiado em números esmagadores, deixa-nos, muitas vezes, à beira de uma depressão. Aconteceu outra vez na Sic-Notícias no programa de Gomes Ferreira.
Os números são incómodos mas ninguêm os contesta.
Gastamos 900 milhões de euros por ano com a "formação profissional". Uma das maiores fraudes do pós adesão à UE. Procuram-se "dez pessoas" que tenham aprendido alguma coisa nestas "formações profissionais". Quantos mil milhões gastámos nos últimos dez anos? Um esforço colossal para continuarmos a ter uma mão-de-obra muito desqualificada.
Vamos gastar 500 milhões de euros com as Scut´s. Nesta altura específica não seria defensável suspender este processo?
Gastamos mais de 400 milhões de euros com o crédito bonificado para aquisição de habitação pelos jovens. Jovens filhos da média e da alta burguesia, acrescente-se. Não se pode acabar totalmente com esta despesa?
Não podemos suspender imediatamente o pagamento de pensões acima do salário do Presidente da República. Aproveitando o excedente para redistribuir pelos mais necessitados?
E o TGV ? E a OTA? Não se pode exterminá-los?

As propostas de Socrates contemplam algumas medidas muito positivas. Medidas relativas aos privilégios dos titulares dos cargos politicos. Medidas corajosas, embora, ao que parece, irrelevantes para o combate ao défice. Medidas que ajudam a credibilizar a classe política. Falta agora saber a sua extensão. Por exemplo no caso de um Presidente de uma autarquia em funções à data da aplicação da lei como será contado o seu tempo de serviço para a reforma? A mesma questão se coloca relativamente a um deputado actualmente em funções. A resposta a estas questões ajuda a compreender a verdadeira dimensão da proposta. Vamos esperar.
Outra medida importante é a relativa ao sigilo bancário e ao sigilo fiscal. Muito relevante se for aplicada para averiguar da verdadeira situação daqueles que exibem um enorme poder económico e declaram rendimentos proletários. Vamos esperar pelos resultados.
Uma medida boa que não foi anunciada foi a revisão da situação fiscal da banca. Essa, por omissão, foi uma medida má.

A subida do IVA. Medida fácil porque gera receita garantida. Cerca de 500 milhões de Euros, este ano, segundo os especialistas.
O IVA é uma receita cobrada pelas empresas aos clientes e entregue por elas ao Estado. Com a agravante de no caso de as empresas não conseguirem cobrar os seus serviços terem que pagar na mesma o IVA ao Estado. Mesmo, como acontece muitas vezes, nas situações em que é o Estado o devedor.
O aumento do IVA gera recessão e estimula a economia paralela. Porque, em muitas situações, os consumidores não podem deduzir o IVA pago nos seus rendimentos. Daí optarem por pagar sem factura, ou sem recibo no caso dos profissionais liberais. Quem não vive na lua sabe o que aconteceu com o aumento do IVA de 17 para 19%, no (des)governo de Durão Barroso. Tudo piorou. A situação das finanças públicas e de forma muito grave a situação das famílias.
Como disse um, recem- eleito, primeiro ministro " Nós não vamos aumentar os impostos, porque essa é a receita errada. Não vamos cometer os erros do passado. As prioridades são:aposta no crescimento económico, reduzir a despesa e combater a fraude e a evasão fiscal."
Segunda medida muito má. Uma medida que é afinal uma não medida. A falta de coragem para alterar a situação fiscal da Banca. Que paga em média menos de 10% sobre os lucros declarados. Situação cada vez mais intolerável aos olhos dos portugueses. Medida que permitiria este ano, face ao crescimento previsto dos lucros, arrecadar mais de 600 milhões de euros. Uma medida justa, e corajosa, que permitiria, por si só, uma receita equivalente ao conjunto de todas as anunciadas por Sócrates. Porque será que esta questão permanece uma questão tabu? Será por aquilo que Mário Soares refere com alguma insistência da "excessiva intimidade" entre grupos económicos e governo? Ou numa linguagem mais terra a terra pela submissão do poder político ao poder económico?

O primeiro-ministro anunciou o seu pacote de medidas para enfrentar o novo monstro que nos aterroriza: o défice de 6,83%. Nenhuma verdadeira surpresa. Más medidas e medidas justas, mas, aparentemente, inúteis para o objectivo de redução do défice, talvez para tentar tornar socialmente aceitável as medidas mais impopulares. A justificarem os que entendem, talvez cinicamente, tentarem elas dar uma falsa, mas conveniente, imagem de que com este Governo "comem todos".
Sócrates ganhou o debate de forma esmagadora à direita. A posição do PSD e do PP nesta questão tem sido da mais descarada falta de responsabilidade no assumir de responsabilidades. Oportunismo político nunca antes visto. Marques Mendes e Nuno Melo, entre outros, alijaram responsabilidades e recorreram a Guterres para justificar a coisa. Bagão Felix, tinha-se antecipado, no Prós e Contras, recorrendo à mudança de condições entre a data de elaboração do Orçamento e a data de elaboração do "Relatório Constâncio". Manuela Ferreira Leite já antes, candidamente, referira que a situação só lhe dava razão. Entre linhas criticava a mudança de orientação do Governo de Santana Lopes. Nenhuma explicação sobre a falência das suas políticas - fortemente suportadas por receitas extraordinárias que atingiram montantes nunca vistos - que exigiram grandes sacrifícios às famílias e às empresas. Sacrifícios que conduziram, entre outros, a um crescimento gigantesco do desemprego.
No seu confronto com a esquerda a coisa correu menos bem. Sócrates, no essencial, veio pedir sacrifícios aos mesmos. Às famílias e às pequenas e médias empresas em particular. E concretiza um forte ataque aos "direitos adquiridos" pelos funcionários públicos.
Foram manifestas as dificuldades em assumir a resposta aos que os acusaram de adoptar medidas semelhantes às que antes criticara a Durão Barroso. Medidas que provaram no passado induzir recessão e estimularem a economia paralela, reduzindo a receita fiscal.
As dificuldades teriam sido maiores se alguém se tivesse lembrado do facto de a situação fiscal da Banca permanecer intocável. Até o Bloco de Esquerda se esqueceu desta questão. Que não é de somenos como todos sabemos incluindo o primeiro-ministro e o ministro das finanças.

O Durão manda na Europa, o Guterres na Jolie, o Benfica é campeão. Quem é que falou em crise?

Peseiro eleito o melhor treinador da Super Liga. Humor negro do melhor.

Este é o número do nosso descontentamento. Vai ser à sua sombra que a nossa vida vai piorar. Uma pergunta simples: porque razão não rasgam o anterior Orçamento e não fazem um melhor? Não foi isso o que quiseram os Portugueses a 20 de Fevereiro?

Não quer aumentos de impostos. O que é que será que o homem quer? Vender outra vez o património que o seu partido vendeu durante três anos? Diminuir a despesa pública à "la Durão-Portas-Santana"? Não se importa de explicar?

Como o défice, o monstro que é hoje a única oposição que conta, como explica Vasco Pulido Valente, está pelas horas da morte faço uma pequena proposta para reduzir, e a prazo eliminar, a coisa.
Como as empresas e as famílias estão, numa grande maioria, na falência, o aumento de impostos deverá ser selectivo. A lógica deverá ser ir buscar o dinheiro onde ele existe. Um Estado Robin dos Bosques para desenjoar do Estado ladrão que cobra aos pobres para perdoar aos ricos. Primeiro lugar de caça ao tesouro. A Banca. Em 2003 pagou 8,7 % sobre os lucros obtidos que, no caso dos cinco maiores bancos, ascenderam a 1.964,52 milhões de euros. Isto é pagou 170,913 milhões de euros. Devia ter pago 589,35 se estivesse sujeita a uma taxa de IRC normal. Ficaram por cobrar 418,44 milhões de euros, isto é 10% daquilo que o ministro necessita de poupar. Se o ministro aceitar poupar metade e receber a mais a outra metade, então o "perdão" fiscal à banca foi de 20% das "necessidades".
Mas para nosso contentamento a banca está próspera neste país falido. E os lucros no primeiro trimestre pularam 40% sobre o período homólogo do ano anterior. Fantástico. Um crescimento de 40% na receita fiscal deste sector. Vamos poder cobrar, no próximo ano, cerca de 825,098 milhões de euros, isto é qualquer coisa como 29,2% das "necessidades". Nada mau para começar.
Aceitam-se contribuições para este tão nobre propósito.

Para ler aqui um artigo de Luís Nazaré que questiona, entre outras coisas importantes, a tão proclamada excelência do desempenho da Banca. Um "olhar de perto" para "o superior desempenho técnico e (...) a reconhecida eficiência operacional, alegadamente ao nível das melhores prácticas internacionais."

Não há impossíveis. Uma das piores equipas do Benfica ganhou a SuperLiga. Contra um Porto de terceira e um Sporting "à Peseiro". Vai ser uma semana dura. O senhor Vieira está em todos os canais, em directo. Não há zapping que nos valha. A Ana Sousa Dias, pela primeira vez na história, assume algum protagonismo face ao "Professor" e coloca um cachecol -de seda!!! - do Benfica. Gente fina.
O "centenário" Trapattoni deu uma das maiores lições de competitividade aos pseudo-jovens treinadores de sucesso. Transformou uma equipa de executantes menores na equipa vencedora da Super-Liga. Vai embora porque os milagres dão demasiado trabalho e a idade já pesa.
Esta é a melhor de todas as alturas para anunciar o aumento de impostos. A maior parte das pessoas está feliz.Afinal o futebol, como dizia o avô Vladimir, é o ópio do povo.

Para dar algum encanto e fantasia a este dia perdido, o Sardinheiras desvenda algumas das afinidades com a sua homónima francesa. A ver aqui.

Acerca do post "É preciso muita determinação.Muita determinação." Ver aqui.

Ontem, ao fim da tarde, fui visitar uma amiga que tem um jardim de Maio muito perfumado, repleto de sardinheiras e rosas da cor do céu mais quente. E a casa, virada a Oeste, àquela hora, recebia nas paredes a cor alaranjada do céu ao longe.
Apesar de a visitar com regularidade, foi ontem, num fim de tarde de Primavera, que recebi o meu presente de Natal: um quebra-nozes.

Não, não me refiro aos electrodomésticos que o povo de Gondomar julgou perdidos, mas que o Major já sossegou com a sua credível candidatura como independente. Refiro-me, sim, ao ponto a que chegámos em termos de angariação e de fidelização de espectadores das emissões televisivas.

Todos nós sabemos que vale tudo para conquistar audiências. Diariamente, TVI, SIC e RTP 1 (há outro, não há?) degladiam-se e (...)


Para continuar a ler, seguir para aqui, por favor.


 

Pedra do Homem, 2007



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