Contrariando as expectativas pessimistas de analistas nacionais e internacionais, os últimos dados revelam que as recém-criadas medidas governamentais, como o ‘PIIP’ e o ‘Empresa na Hora’, podem estar a surtir efeito e a provocar um novo impulso na economia portuguesa, transmitindo confiança aos mercados e atraindo novos investidores.

Com efeito, e apesar do fantasma da recessão e das condições adversas, os últimos indicadores apontam Portugal como o país da zona Euromilhões onde o investimento mais cresceu durante as duas últimas semanas, ao mesmo tempo que se registaram um grande número de novas sociedades. A desburocratização e simplificação de registos tem facilitado a vida aos investidores, o que faz com que não haja família, aldeia, empresa, repartição ou paróquia sem as suas sociedades. A tendência até é a de cada português estar envolvido em mais do que uma sociedade, cumprindo assim um dos princípios básicos de diversificação de carteiras.

Renegando os seus hábitos seculares, prova-se assim que o empreendorismo tomou conta dos portugueses, que se desmultiplicam em apostas arriscadas na nova economia e através do canais habituais. Recuperou-se o entusiasmo e o optimismo e o país parece abraçar, finalmente, os desafios da modernidade, da inovação e do desenvolvimento da sua economia.

é o tempo que separa 1993, data do primeiro projecto de limitação de mandatos de iniciativa do PS, de 2013 data na qual recolherão a casa muitos dos dinossauros mais ou menos fossilizados.
Vinte anos passa a ser uma medida da imobilidade do "sistema político" quando o que está em causa são as mudanças que implicam renovação do pessoal político. Uma eternidade. Pobre País.

A Assembleia da República aprovou "uma" lei de limitação de mandatos. Esta lei não tem qualquer semelhança com a lei posta à discussão pelo Partido Socialista. Senão vejamos:
- o PS propunha que a lei de limitação de mandatos incluisse, além dos autarcas, o primeiro-ministro e os presidentes dos governos regionais. A lei aprovada só se aplica aos autarcas.
- O PS propunha que os autarcas que já tivessem exercido doze ou mais anos de mandatos ou que completassem doze anos no próximo mandato, pudessem, unicamente, candidatar-se pela última vez em Outubro de 2005. Pela lei aprovada vão poder-se candidatar pela última vez em Outubro de 2009(!!!).
Uma vergonha. Uma cedência em toda a linha à chantagem do PSD, apoiada pelo PCP e pelo PP.
Para que serve as pessoas votarem e elegerem até maiorias absolutas? Não seria desejável o PS levar a votos o seu pojecto assumindo os restantes a consequência dos seus actos? Eu penso que sim até porque neste caso fica sempre a suspeição de que aquilo que o PS de facto queria era que a sua lei não fosse aprovada.
Se há uma coisa estável e segura neste País é o "Sistema Político" entendido como um modo de vida. Diga Sampaio o que disser.

O PSD pediu mais um dia para decidir se aprova ou não a limitação de mandatos proposta pelo PS. Esta dúvida de última hora aparece depois de o PS ter dividido o seu projecto em dois separando a limitação de mandatos dos autrcas da do primeiro-ministro e dos presidentes dos governos regionais. Tratou-se de uma iniciativa dos socialistas para possibilitar o apoio dos sociais-democratas. No PSD ninguém apareceu para explicar a razão do adiamento, mas sempre foi possível aos jornalistas escutarem uma vaga justificação relacionada com a rectroactividade da lei. Desculpas esfarrapadas. É sempre assim quando se quer fazer mudanças políticas de fundo capazes de interromperem este ciclo funesto de caciquismo e de corrupção. Aparece sempre um partido ávido de capitalizar a corporação autárquica e o seu enorme cortejo de interesses. Neste caso é o PSD que tem sido, aliás, o partido de bloqueio nesta questão. A necessidade de uma maioria de 2/3 nesta matéria torna as alterações objecivamente impossíveis.
A classe política, em Portugal, não se tem na melhor das opiniões. Triste é que pretenda fazer os cidadãos passarem por parvos. Marques Mendes perde nesta questão o que andou a conquistar com os processos Isaltino, Valentim e Jardim.

«Mr Barroso's last 12 months have been a political horror show.»
in edição on-line do Finacial Times

O plano está ganho. Se não conseguimos a convergência com a Europa, enviamos alguém que faça a Europa convergir até nós.

P.S.: A hiperligação da citação leva para o artigo escrito pelo jornalista George Parker, citado hoje no Público.pt.

Está sempre tudo bem enquanto andam disponíveis e não dão chatice. Depois acontece um azar e já não servem para nada.



Então, toca de as substituir por alguém com mais produtividade e sem apêndices indesejáveis. Já era tempo de as mães deste país se unirem e tomarem uma atitude contra este patronato insensível. Pobre Fernanda Serrano... Onde é que anda o Garcia Pereira?

P.S.: Imagem obtida no Seringa das Farturas.

Mesquita Machado(M.M.), o "jovem" Presidente da Câmara de Braga e dos autarcas socialistas, comentou a demissão do ministro Campos e Cunha manifestando a sua "imensa satisfação e alegria" (Público de 22-07-05) com o facto. Aproveitou para salientar, pedagógico, que "ele não tinha sensibilidade para o problema das pessoas, o que muitas vezes acontece com os tecnocratas".
O que é triste nesta história é que M.M. seja o candidato do PS pela milésima vez à Câmara de Braga e que, para cúmulo, seja o presidente dos autarcas socialistas. Mais tarde quando de Sócrates não restar mais do que uma vaga lembrança M.M. continuará a ditar as suas regras. O caciquismo no seu esplendor.

Sócrates não acredita na vitória de Mário Soares. No caso de derrota do líder histórico na disputa com Cavaco será sobretudo uma derrota de Soares. Soares é, aliás, o único candidato cuja escolha é em primeiro lugar uma escolha pessoal o que não acontece nem com Alegre e muito menos com Freitas. No caso da escolha recair em qualquer um destes dificilmente o primeiro-ministro escaparia incólume a uma eventual derrota.
Não me parece que Sócrates conviva mal com uma vitória de Cavaco. E que tema muito a eventual dissolução do Parlamento. Cavaco e Sócrates podem ter condições para uma frutuosa coabitação.

Nicolau Santos, na sua coluna no Expresso, classifica desta maneira o ex-patrão da TVI. Razão para esta anti-patriótica classificação: a venda, aos espanhóis da PRISA, de 30% da TVI, o que equivale à entrega do controlo da empresa ao grupo espanhol.
Estes empresários portugueses em primeiro lugar pensam no seu bolso, em segundo lugar no seu bolso e assim, sem mudanças, até ao infinito. Isso torna particularmente grotesco ouvi-los falar dos interesses do País. Deviam, eventualmente, criar uma Associação Miguel de Vasconcelos para reunir todos aqueles que desta forma se comprometem com Portugal. Já tinham um grupo de ilustres e abastadas figuras para formar os “corpos sociais”.
Nicolau Santos é um dos raros jornalistas capaz de escrever sobre assuntos económicos de uma forma inteligente e corajosa, sem se submeter aos códigos do “economicamente correcto”.

JCG

No dia 28 de Julho a questão da limitação de mandatos vai a votos na Assembleia da República. Compromisso assumido pelo PS questionado, ontem, pelo Bloco de Esquerda.
Adivinha-se uma maioria de blqueio liderada pelo PSD com o apoio do PCP e do PP. Esta pequena, mas eficaz, minoria começa a ganhar alguma consistência nas sucessivas votações na Assembleia da República. Será com estes parceiros que Jerónimo de Sousa quer concretizar uma nova política?

Narciso Miranda, magnânimo, ajudou a direcção do PS a resolver a contento o "caso de Matosinhos". Criou condições para que o Secretário Geral pudesse escolher para candidato socialista o homem que ele já tinha designado. A luta Narciso- Seabra resolve-se assim, no puro plano das escolhas autárquicas, com uma vitória esmagadora de Narciso. Não haverá muitas dúvidas de que em Outubro Narciso ganhará de novo a câmara de Matosinhos.

O PSD não quer que a limitação dos mandatos inclua o seu Alberto João. Como diz Vital Moreira aceitemos, contrariados, esta condição. Mas impor a não aplicação de qualquer cláusula de retroactividade na lei, na limitação dos mandatos autárquicos é uma clara confissão de que para o PSD, e para Marques Mendes, as reformas do sistema político são para serem adiadas para as calendas. Uma vergonha.

Eu sei quem é que deve estar preocupado. Se acreditasse em coincidências, até seria capaz de pensar que Campos e Cunha não estava à espera de uma recomendação positiva da Comissão para, com o sentido de dever cumprido, apresentar o seu pedido de demissão.

Agora, feito o trabalho sujo, resta saber o que nos espera.

"PCP considera demissão de Campos e Cunha a primeira derrota do Governo". No Público - Última Hora desta noite.

A notícia do Expresso do fim de semana não constitui qualquer surpresa. Na GALP o dinheiro para pagar aos amigos e àqueles que podem "servir" a empresa nunca falta. Seria interessante saber quem recebeu indemnizações na empresa, nos últimos anos, e que lugares iam ocupar no momento em que as receberam.
Duzentos e noventa mil euros nem sequer é, certamente, a indemnização mais elevada já paga. Quanto aos familiares dos Ministros e de outras "pessoas importantes" também não há nenhuma novidade na coisa. Podemos ir por aí fora e falar de familiares de autarcas de dirigentes partidários etc. Tal como podemos falar da apetência da classe dirigente para comprar anos de serviço. Exactamente os mesmos que, quando ascendem ao poder político, logo recorrem ao adiamento da idade da reforma, dos outros, para tirar o país da crise. A famosa questão da dupla moral da classe política e empresarial. As tais elites sempre agarradas às grandes empresas e à teta do Estado.
O antropólogo Paulo Granjo num excelente livro, que tem como base a sua tese de doutoramento, cujo título é "Trabalhamos sobre um barril de pólvora" - Homens e perigo na refinaria de Sines" no capítulo 4 sob o título "Emprego e Dependência" analisa o "sistema de patrocinato" existente na empresa e a sua relação com o perigo laboral. Não resisto a citar " É verdade que, circulando na fábrica (...) rapidamente nos apercebemos de que os relacionamentos internos e, sobretudo, a admissão de pessoal são marcados por um sistema operante de nepotismo e outras formas de favorecimento e dependência." (página 111 e seguintes). A profunda ignorância instalada nos média fez esta obra passar relativamente ignorada. Parece valer mais uma primeira página do Expresso do que alguns anos de trabalho sério.

Sabe-se desde o primeiro minuto que a entrada de Freitas do Amaral para o Governo visava chegar mais longe. Um ministro de um Governo eleito com maioria absoluta numa vitória da esquerda, que foi simultaneamente a maior derrota da direita, adquire uma legitimidade que pode compensar bem todo o seu passado e a sua origem política. Por outro lado à direita Freitas tem os seus créditos firmados e já aproveitou estes meses para "fortalecer" as relações com a senhora Rise. Morre assim um foco de contestação centrado na hostilidade do "tio da América". Não se confirmam as análises , como a de António Barreto, que davam o homem como tendo renunciado ao seu "velho" sonho presidencial.
O problema agora é o candidato poeta que acha que "não faz qualquer sentido" a candidatura de um homem de direita em nome da esquerda. Se conseguir evitar a candidatura presidencial de Freitas, que deverá ter tido, desde o primeiro minuto, o sólido consentimento e empenho de Sócrates, e de Guterres, Manuel Alegre merece uma estátua e desta vez não pelos seus méritos poéticos. Mas falta a posição de Mário Soares, o senador dos senadores.

Acabo de saber aqui que o ministro das Finanças vai ser exonerado. Bom, o senhor estava com muitas dificuldades na gestão política do cargo. Um claro caso de inadaptação. Depois do artigo que não dizia nada de novo, mas que dizia coisas que não podia dizer, veio a posição sobre os processos do TGV e da OTA desmentidas, de seguida, pelo Ministro das Obras Públicas. O senhor não estava de "alma e coração" com as soluções de José Sócrates. Definitivamente Campos e Cunha não acreditava nesta receita e temia o pior.

Com a notícia da notícia, o DN arranjou uma excelente maneira de escoar todo o papel de hoje. Resta saber se, com a exposição que a entrevista mereceu ontem e as reflectidas conclusões a priori que mereceu, alguém ainda terá paciência e interesse em ler. Afinal de contas, o «caso Miguel» é muito mais interessante.



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Escultura de Auguste Rodin de 1888/1889. Imagem retirada do website do Musée Rodin - Paris.

Tocamos o rasto verde sobre a pedra

o fresco segredo que a liga à chuva

Também nós no amor, impossíveis

ilesos de um crime maior, etéreos

com o fio de ouro que nos liga à luz


Freitas do Amaral também resolveu meter a pata na poça. Um claro tropeção na sua corrida, mais ou menos irreversível, para Belém, via PS. Admito que o Ministro tenha razão na crítica que faz à forma como foram tratadas as suas declarações. Amanhã tiramos as dúvidas. Mas qual a justificação para fazer estas declarações neste exacto momento, alguns dias depois do pequeno incêndio ateado pelo Ministro das Finanças? Estamos perante gente muito experiente. Mas não parece. Começa a instalar-se a sensação de que falta liderança política ao Governo. Chamem o Jorge Coelho.

A entrevista do Ministro Campos e Cunha originou uma pequena tempestade. A oposição, do PSD ao Bloco de Esquerda, cavalgou, cada um a seu modo, a aparente crítica ao investimento público que a dita entrevista continha. Na realidade o Ministro entende que nem todo o investimento público é bom, o que o coloca no exacto local em que situa o Governo: longe daqueles que acham que todo o investimento público é mau, a menos que os beneficiários sejam as "elites empresariais do costume", e longe dos que acham que a solução de todos os males é sempre mais investimento público. O problema está na qualificação do investimento. Todos percebemos que o Ministro não concorda, por exemplo, com o investimento público associado ao Euro-2004. Longe do que defende o Primeiro-Ministro, José Sócrates, um dos grandes obreiros dessa "saga" que, mais uma vez, causou "admiração" no mundo inteiro. E concordará com o TGV e com a OTA? Outra questão é a oportunidade política da entrevista. Para dizer estas coisas não podia o Ministro ter ficado calado. Lembrei-me outra vez daquela economista que recomendava um Ministro das Finanças com peso político para esta fase difícil do País. Teodora Cardoso de seu nome.

Parece que está a ser executada uma estátua de Manuel Alegre para ser oferecida à cidade de Coimbra. Imagino que o poeta da Praça da Canção irá desautorizar esta iniciativa.

Duas mil torres de suporte de aerogeradores? São muitas, não são? Como ficará a paisagem?
As energias renováveis são uma aposta sensata, urgente e necessária. Vamos depender menos do exterior, importando menos energia. Vamos poluir menos consumindo menos energias fósseis.
Parece que esta energia éolica vai permitir satisfazer todos (!!!) os consumos domésticos.
Qual é a parte destinada ao solar?
Como sou um rapaz antiquado gostava de saber quem verdadeiramente ganha com este negócio? Será o País? Será esta uma oportunidade para aproveitando os nossos recursos naturais - vento e sol - ficarmos mais ricos e menos dependentes? Ou este negócio, de muitos biliões, irá sobretudo cair na mão de investidores estrangeiros?
É que se algumas das respostas forem as piores poderá ser menos aceitável a presença das duas mil torres. Para lá da questão, não dispicienda, da paisagem. Da nossa paisagem.

Neste período de pré-eleições autárquicas sugiro a leitura do livro " Onde Falham as Cidades", edição da Temas e Debates. Um conjunto de entrevistas, conduzidas por Vítor Andrade, jornalista do Expresso, com um conjunto de personalidades com diferentes ligações às questões do urbanismo. Se não tiver paciência para ler tudo, ou o tempo não for muito, vá directamente à entrevista com o Professor Jorge Gaspar cujo título, politicamente incorrecto, é "Nunca tivemos uma política séria de cidades". Para ler e saborear, isto é, reflectir.

Por voltas e mais voltas que dê não consigo compreender a leitura feita pelos diferentes orgãos de informação - com excepção da Antena I - sobre os resultados da sondagem para Lisboa. Para mim Carmona Rodrigues conseguiu 24% dos resultados expressos e Carrilho apenas 22%. Este resultado merece uma leitura política que penso ser a seguinte: Entre os resultados do PS em 20 de Fevereiro de 2005 e os que Carrilho pode obter em Outubro não deverá haver qualquer semelhança. Em simultâneo Carmona Rodrigues é um adversário muito mais duro de roer do que Santana Lopes e capaz de suplantar em muito o resultado de 20 de Fevereiro do PSD. Claro que tudo pode mudar entretanto, falta saber em que sentido.
Pequena nota: O BE está à frente da CDU. Não chega a ser uma novidade.

PS - Uma distribuição dos indecisos - que parece serem mais Carrilho do que Carmona - deu depois um resultado de 41% ao candidato do PS e não mais de 36% ao independente que o PSD candidata. Mas no que respeita aos votos expressos...

A revisão em baixa do crescimento do PIB pelo Banco de Portugal e a avaliação das Grandes Opções do Plano para 2006-2009 pelo Conselho Ecomnómico e Social foram as más notícias da semana.
Sobre esta última saliento um aspecto quase sempre desvalorizado pelo economês liberal dominante nos média. O relatório elaborado pelo Prof. Simões Lopes e por João Ferreira do Amaral salienta que o problema não está só na competitividade e na produtividade da economia, passa também pela situação social e pelo desemprego, pelo acentuar das desigualdades económicas e sociais, pelo aumento da exclusão social e da pobreza.
Pois é.

Bernardino Soares na apresentação dos candidatos do PCP aos diferentes orgãos autárquicos do concelho de Sines afirmou pedagógico: " sendo a obra positiva, um mandato cheio de coisas boas e importantes importa não descansar, não tenhamos a ilusão de que basta a obra estar feita para a eleição estar ganha. A obra é indispensável, mas agora é preciso divulgá-la, mostrar às pessoas, chamar a atenção para a qualidade do trabalho feito. Já tivemos outras situações onde a obra era muito boa e as pessoas não a viam com a devida atenção."
Uma clara sub-avaliação do trabalho feito, desde há vários meses, pelos seus camaradas que não param de divulgar "a obra". Aliás, Bernardino, ainda há lugares na excursão das 14 horas para a próxima inauguração. Onde é que estás?

Na Comissão Parlamentar das Finanças, Vitor Constâncio em resposta à questão, em parte pessoal, colocada pelo deputado Agostinho Lopes, do PCP, sobre os seus vencimentos e sobre os lucros e os impostos da Banca, abordou esta última questão. Do que disse importa salientar a sua afirmação de que a Banca "alivia a sua carga fiscal" através de "mecanismos perfeitamente legais". E sobretudo a conclusão de que esses mecanismos "não deviam existir".
A generalidade dos cidadãos têm a mesma opinião que o senhor governador. Será que pode falar com o senhor primeiro ministro e com o senhor ministro das finanças para acabar com os tais mecanismos? O País e os contribuintes agradecem.

Alegre "é um democrata" afirma Jerónimo de Sousa na entrevista concedida ao Público de ontem. São fundamentais estes "esclarecimentos" não vá alguêm pensar que estamos perante um mero serventuário do poder do capital, aliado da contra-revolução imperialista.

Rui Rio provavelmente irá obter uma maioria absoluta. É a primeira consequência de uma candidatura socialista liderada (?) por Francisco Assis, um candidato condenado desde o primeiro minuto à derrota. Escrevemos aqui, no dia em que foi anunciada com pompa e circunstância a aposta pessoal de José Sócrates para a segunda autarquia do País, que a aposta dificilmente teria sucesso. A realidade ultrapassou as nossas previsões. Mais de 26 pontos percentuais separam Rui Rio de Assis. Com a pequena subtileza de as previsões, caso se confirmem, tornarem irrelevante o apoio da CDU ao PSD. Rui Sá torna-se dispensável.
Mas que ideia terá sido a de escolher o "cinzentão" Assis para candidato ao Porto quando o homem estava tão bem instalado em Bruxelas. Tão bem instalado que por lá tem continuado durante a pré-camapanha parecendo ter deixado a Ministra da Educação a tratar da "coisa", o que não terá agradado mesmo nada aos portuenses.




Contactos em Portugal - serviço técnico-comercial para a zona sul:

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Telefone: 21 440 76 00
Fax: 21 440 76 90

Afinal o Arrastão foi um Inventão, como terá dito para espanto geral, e indignação de algumas almas bem pensantes, a deputada Ana Drago. Inventão com manifestos intuitos racistas e xenófobos. Destaque para o papel da imprensa "livre" na produção da "coisa". Ela está cada vez mais orgulhosa das palas que lhe colocam sobre os olhos.
Parabéns à jornalista Diana Andriga. É outra vez, e sempre, a velha questão do "capital humano".

A polémica entre o BES e o grupo Impresa, que publica o Expresso, é uma boa oportunidade para se reflectir sobre o condicionamento da liberdade de informação.Desagradado com o teor de algumas notícias e artigos de opinião o "muito poderoso" GES retalia com o corte da publicidade no Expresso e noutros orgãos de comunicação da Impresa. Imagine-se o que não acontece com a arraia miúda da imprensa regional e local. Com raras, e potencialmente falidas excepções, entramos no puro domínio da voz do dono.
PS - Mas o Expresso resistiu à retaliação. É uma longa história de combate pela democracia desde os tempos difíceis da ditadura que não se apaga com retaliações.

no Público de hoje um trabalho de Filomena Fontes sobre a candidatura socialista à autarquia de Matosinhos. Aí fica claro que Narciso, presidente durante uns "breves" 25 anos, tentou até ao último momento ser ele o candidato. Recorrendo mesmo à ameaça de uma candidatura independente. Para rematar a escolha deverá recair num candidato com a aprovação prévia do "grande líder".
O caciquismo no seu esplendor.

Há ainda quem tenha coragem de fazer uma viagem de 14.000 kilómetros por África, a pé.
Foi a melhor leitura de fim de semana, essa onde se contava a aventura dos franceses Alexandre e Sonia Poussin desde a Cidade do Cabo, na África do Sul, até ao Lago Tiberíades em Israel. Uma travessia que demorou três anos a três meses a fazer-se e que dará origem a uma livro: Africa Treck.

"Na mochila (...) só o mínimo vital. Quando temos tudo o que é necessário, não precisamos dos outros e não encontramos ninguém", explica Alexandre".

"Um momento marcante passou-se em Moçambique. "Tínhamos muita sede. Estávamos numa zona fronteiriça minada - e onde há minas não há populações. Estávamos muito desidratados. Ao fim de três dias sem beber água, à beira da morte, uma mulher salvou-nos. Era muito pobre, e chamava-se Lucy. Foi um piscar de olhos extraordinário, já que a nossa viagem tinha como 'tema' seguir os passos dos nossos antepassados hominídeos, dos quais "Lucy", a australopiteco descoberta em 1974 na Etiópia por Yves Coppens, faz parte" ".

E vendo-os numa fotografia no Campo Arrow, Monte Quilimanjaro (Quénia), a mais de 4.000 m de altitude, é caso para se dizer: Têm o mundo a seus pés.
De facto, só para alguns!

* sobre uma reportagem da revista Única do Expresso de 9/7/05

Mas foi actualizada a hiperligação para o Barnabé à vossa direita.

[riso abafado]

PCP, PP e PSD foram derrotados e não conseguiram evitar a aprovação da proposta do PS para permitir realizar, ainda este ano, o referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez.
Compare-se a actuação do BE com a actuação dos comunistas aparentemente cegos com a necessidade de serem oposição sistemática ao Governo.

Marques Mendes foi "desconvidado" pelo Jardim, que não se consegue esquecer de Tianamem, e já não vai à Festa do PSD da Madeira. Há convites que ficam mal a quem os aceita e há desconvites que só podem ser motivos de orgulho para os desconvidados. Como neste caso.
Marques Mendes tem tomado muitas medidas corajosas pouco comuns nos líderes dos partidos do "centrão". Merece respeito por isso independentemente da posição política de cada um.

Narciso Miranda anunciou hoje que não será candidato independente à Câmara de Matosinhos acrescentando que há cerca de ano e meio tinha transmitido à direcção do partido que entendia ser a hora de mudar. Muito bem. Narciso quer dar a ideia de que a escolha do candidato "nem Narciso nem Seabra" teve na origem uma opção sua. Todos sabemos que é objectivamente falso. Narciso tentou até ao último dia ser outra vez o escolhido. Ainda ontem declarava que "Cada vez percebo mais que os matosinhenses se identificam profundamente com o projecto de desenvolvimento estratégico da maioria socialista, do qual me orgulho de ser o rosto mais visível".
A saída de cena de Narciso é boa para a democracia. Aliás, a saída de todos os que como ele permanecem há dezenas de anos no poder é boa para a democracia. Aplauda-se.

«Tenho conhecimento que [Alberto João Jardim] mandou uma pessoa à feira de Cantão para comprar coisas e poder ganhar as eleições.»

Y Ping Chow, presidente da Liga dos Chineses em Portugal, citado pelo Público.

Finalmente uma coisa sensata no meio do deserto. O engenheiro Jorge Jacob, director geral dos Transportes Terrestres, contestou a peregrina ideia da candidatura de Carrilho de reduzir a metade o número de carros que entram em Lisboa. Não por ser uma ideia errada mas por ser inviável recorrendo a soluções de pura engenharia de transportes. Do estilo alargar esta ou aquela via, taxar a entrada de veículos etc.
O problema como referiu o engenheiro Jacob é do puro e simples domínio do urbanismo. É necessário acabar com a despesa brutal em acessibilidades e transportes. Feita à custa dos recursos de todos os contribuintes do país inteiro. Que muitos milhões de euros depois nada resolveu. É necessário melhorar a gestão dos recursos existentes domínio no qual está muito por fazer. Aqui sim vale a pena investir. Conseguem-se ganhos com custos reduzidos. Mas a grande mudança, que não pode ser adiada, diz respeito à devolução à cidade de Lisboa daqueles que ao longo dos últimos 20 anos dela foram expulsos. Cerca de trezentos mil segundo o Censo de 2001. Como é que se pode afirmar que Lisboa não tem um problema de povoamento?
É necessário combater a segregação espacial das populações de menores rendimentos. Combater a Lisboa elitista, para os "happy fews" capazes de aceder ao monoproduto imobiliário disponível na cidade. Caraterizado pela proximidade do rio, em zonas históricas recuperadas, com assinatura de grandes arquitectos exclusivamente para os mais favorecidos. Os outros corridos para os subúrbios, com a pequena "chatice" de serem todos os dias necessários para trabalharem.
A solução está no Urbanismo. Mas não neste urbanismo de exclusão. Esta é a discussão que faz falta. E que ninguem quer fazer.

A AlQaeda atacou no coração de Londres. O terrorismo de inspiração islâmica continua a vitimar inocentes. E a apontar os novos alvos com antecedência e impunidade. Como tinha acontecido com o Reino Unido e com Tony Blair há dois meses.
Como se combate esta ameaça global? Já pouca gente é capaz de defender o modelo americano. A violência arrasta a violência e as vitimas são sempre os inocentes.

O Governo de Angola está chocado com o FMI. Esta instituição internacional divulgou um estudo realizado por um académico americano sobre a corrupção no País. O estudo revela entre outras coisas que "dez angolanos têm fortunas que ultrapassam os cem milhões de dólares, enquanto outros 49 têm mais de 50 milhões de dólares. À cabeça da lista dos mais ricos está o Presidente José Eduardo dos Santos, seguido de um deputado parlamentar, dois oficiais do seu gabinete, um embaixador, um antigo chefe militar, um ministro das obras públicas. Os sete angolanos mais ricos estavam todos no Governo" . Neste relatório divulgado pelo DN afirma-se ainda que "em países ricos em petróleo, mas pobres em instituições, como Angola, é no Governo que está o dinheiro". Estas coisas são chocantes num país no qual 70 % da população vive com menos de um dólar por dia. Os governantes consideram-se de esquerda e a maioria ainda devem intitular-se comunistas. Fica-lhes bem.
Esta gente fez pior a Angola do que todo o colonialismo. Em trinta anos destruíram tudo aquilo que ao longo de décadas aí foi construído em vez de terem aproveitado a independência para promoverem o desenvolvimento e o acesso de todos os angolanos às riquezas do país. A guerra foi só uma desculpa fácil. A mesma guerra que não impediu que diversos membros do aparelho de Estado sejam dos homens mais ricos do mundo.
Razão tem Pacheco Pereira acerca da denúncia das responsabilidades das cliques no poder no atraso e no subdesenvolvimento africano. A atribuição ao G8, que é como quem diz aos países mais ricos, da exclusiva responsabilidade nesse atraso é uma falcatrua política e uma desonestidade intelectual.


- Com esta consigo os mínimos para os Jogos Olímpicos!

Apesar de, aparentemente, o ser retratado na imagem que encima esta entrada parecer um selvagem perfeitamente descontrolado, estamos perante um activista em plena acção durante a cimeira do G8.

O gesto simboliza a sua contribuição para que assuntos como o aquecimento global, a pobreza, a proliferação de armas nucleares e as guerras no Iraque e no Afeganistão sejam trazidos à discussão durante a cimeira.

Percebe-se perfeitamente, não?

P.S.: Imagem obtida aqui.


- Gonzalez, Lucho Gonzalez. É L-U-C-H-O.

A questão de Louçã sobre a fuga "consentida" dos Bancos ao fisco não mereceu resposta do senhor Ministro das Finanças. O facto de o banco Totta ter mudado de paraíso fiscal foi a causa próxima.
O ministro não parece ter tempo para "miudezas". Mas vai ter que arranjar. Mais tarde ou mais cedo. O povo tem cada vez menos paciência para iniquidades.

O deputado do PSD que responde pelo nome que titula este post acabou de discursar a fechar as intervenções do PSD no debate. Quem o escutava poderia admitir estar perante um deputado da oposição, desde sempre afastado do poder, que combate um governo desde há vários anos em funções.
Mas não é assim pois não?

Quatrocentos milhões de Euros pagamos, todos nós, este ano ao City Bank. É um resultado da titularização das dívidas fiscais negociada entre Manuel Ferreira Leite e uns rapazes abonados dos emiratos. Para garantir o défice de 2003.
Quatrocentos e setenta milhões de Euros pagamos, todos nós, este ano. Consequência da passagem dos fundos das pensões dos trabalhadores da CGD para a Caixa Geral de Aposentações. Autor: Bagão Felix, para garantir o défice de 2004. Ele sabia o que queria dizer com aquela do "cuidado com o Bagão." Se o povo não tivesse tomada a medida radical de 20 de Fevereiro o que seria deste país?

Deslocação a Portel por motivos profissionais. Trabalho de campo. Um sol capaz de derreter tudo o que aparecer pela frente. Cerca de 40 º . De regresso paramos no primeiro café de beira-de-estrada. Uma construção foleira com uma arquitectura abominável. Lá dentro uma frescura paradisíaca do belo ar condicionado sempre a "combater" contra a canícula.
A construção é um chorrilho de disparates. Uma miserável inércia térmica. Paredes exteriores de uma espessura ínfima. Vãos exteriores "tipo montra". O Alentejo começa a ser invadido pela "modernidade". Os padrões arquitectónicos e culturais passam um mau bocado. É a ignorância que se impõe.

Trinta anos de Independência comemora hoje Cabo-Verde. Um pequeno conjunto de ilhas no meio do Atlântico que teima em percorrer o caminho do desenvolvimento. Desenvolvimento improvável face às condições dolorosas impostas por uma natureza madrasta. Mas que a coragem, a persistência e o amor à sua terra que caracterizam o povo de Cabo-Verde tornam possível contra ventos e marés.
Cabo Verde é um país exemplar no conjunto da descolonização portuguesa do pós 25 de Abril. Mas é igualmente um país exemplar no continente Africano com a sua taxa de alfabetização, a baixa taxa de mortalidade infantil e o rigorosos aproveitamento das ajudas externas ao seu desenvolvimento.
E depois existe a música com a Cesária e o Chico Serra, no seu piano, mais a saudade do Ildo Lobo, a belíssima cidade do Mindelo, com o seu urbanismo e a sua arquitectura, com o seu Carnaval, a ilha da Boavista, o Sal com as suas belas praias, a praia do Tarrafal e o povo. Que trabalha, que luta, que sofre mas que canta e dança sempre. O povo afável e caloroso de Cabo Verde.
Amílcar Cabral deve estar orgulhoso desta gente.

O Jardim da Madeira não pára. Agora lembrou-se dos chineses e dos indianos. Negócios na madeira só "made in Jardim". O mais descarado racismo e a mais descarada xenofobia. Isto depois de na passada semana o Tribunal de Contas ter revelado que a dívida pública da região tinha duplicado entre 2001 e 2003. Passou de 690 para 1134 milhões de euros. Marques Mendes, distraído a acusar o Governo de despesista, não deu por nada.
As intervenções de Sampaio sobre este senhor deixam sempre muito a desejar. Deve ser assim por razões incompreensíveis para os simples mortais.
Eu por mim alinho na proposta de dar a independência ao barão. Os madeirenses rapidamente restabeleciam a normalidade.

Rui Baleiras, secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, dá hoje uma importante entrevista ao DN sobre os desafios que se colocam às finanças municipais. Impossível resumir. O melhor é ler a entrevista aqui ou, ainda melhor, ler o trabalho feito para a Presidência da República e publicado pela "Casa das Letras". Sob o título "Desafios para Portugal" são publicados cinco Seminários dedicados a diversos temas. O último abordou as Finanças Municipais e foi coordenado por Rui Baleiras. Para ler e reflectir.
Uma nova abordagem do endividamento municipal. Uma reflexão séria sobre a necessidade de o lançamento de impostos municipais, pelos autarcas, poder ser avaliado pelos cidadãos. Que hoje fazem as suas escolhas em função quase esclusivamente da realização de despesa pública. A necessidade de acabar com a dependência - 68% era o peso da Sisa e da CA , segundo Rui Baleiras, em 2001 no conjunto dos impostos municipais - dos impostos ligados às actividades de construção. Entre outros diagnósticos e excelentes propostas. Um projecto para uma boa mudança.

O ínicio da "silly season" deu-nos um fim-de-semana cheio de notícias desinteressantes. Pelo meio o trabalho de José António Cerejo, no Público, sobre a "suspeita de tráfico de influências e administração danosa na Câmara do Montijo." Porque será que este homem só escreve sobre autarcas e políticos socialistas? Será porque só eles cometem ilegalidades? Ou estarei a ser injusto para com o jornalista?
Na edição de hoje, do mesmo jornal, um trabalho sobre "O desafio do Turismo na Costa Alentejana." A mesma lengalenga desde os tempos do PROTALI. Qual turismo? Qual desafio?
Dois trabalhos que justificam um regresso ao(s) assunto(s) durante a semana.

O Grupo Pelicano, diz o Público de sábado, ofereceu uma capela mortuária à freguesia de Melides como contrapartida pelo empreendimento do Pinheirinho em Melides.
A inauguração contou com a presença do Bispo de Beja. De acordo com a autarquia de Grândola a casa mortuária foi "contruída dentro de modernos parâmetros arquitectónicos e prestações de serviços" . Por um lapso imperdoável foi omitido o nome do Arquitecto autor.
Há qualquer coisa de fúnebre e de funesto nestes negócios e nestas contrapartidas. O que será?



Wim Van Linden e Wouter Wuilmus partiram ontem da Bélgica para uma viagem de bicicleta em que percorrerão 3.000 quilómetros e cujo final está marcado para 31 de Julho próximo em Sines, Portugal.

A iniciativa, denominada "Ride2WalkAgain", destina-se a apoiar a fundação "To Walk Again - The Marc Herremans Foundation", fundada por um ex-campeão belga de triatlo - Marc Herremans - que viu a sua vida transformada quando, em Janeiro de 2002, um acidente durante os treinos o tornou paraplégico. Desde essa data, Marc Herremans tem dedicado a vida à causa da sua fundação, auxiliando pessoas na mesma condição e promovendo e recolhendo fundos para a investigação de lesões na espinal medula.

Estas foram as razões que levaram Wim e Wouter a empreenderem a sua jornada. Através da angariação de patrocínios, pagos por quilómetro percorrido, estes dois praticantes de triatlo e de BTT e admiradores confessos de Marc Herremans esperam conseguir reunir fundos para a fundação "To Walk Again" e terminar o seu desafio junto de alguns amigos que os esperam em Portugal.

Boa sorte, rapazes!

P.S.: Informação via Sardinheiras.

Miguel Veiga, histórico militante do PSD, mandatário da (re)candidatura de Rui Rio à autarquia do Porto, afirmou no lançamento da dita: " com o triunfo autárquico no país e à cabeça na praça de Lisboa (...) e se depois ganharmos as presidenciais, o segundo grande passo estará dado para que este Governo não termine a legislatura e o PSD possa retomar a governação ingloriamente perdida"
Interessante esta visão instrumental do lugar de Presidente da República, como instrumento de assalto e eliminação de maiorias absolutas. Seria por isto que o senhor não podia sequer ouvir falar da candidatura presidencial de Santana Lopes? E que alguma esquerda aplaudia, à época, o homem a mãos ambas?
E o prof. Cavaco o que dirá de tudo isto?

O Arrastão de Carcavelos, que foi já considerado o maior flop desde Santana Lopes, não se voltará a repetir. A organização desmarcou ainda os arrastões que tinha agendados para Albufeira, Rocha e Praia dos Tomates, por falta de viabilidade económica.Segundo Casimiro Monteiro presidente da "Arrastões da Cova da Moura, SA", houve um erro no cálculo do défice, que levou a organização a criar expectativas que depois saíram goradas. Em Carcavelos, a operação terá dado mesmo prejuízo, uma vez que não pagou sequer o passe aos participantes, que além de tudo, ficaram sem almoçar. "Para a quantidade de lixo que limpámos da praia, mais valia termos levado um ancinho", confidenciou-nos Casimiro Monteiro, visivelmente preocupado com a possibilidade da não realização, em Portugal, de mais iniciativas deste género. Ainda se terá alvitrado a possibilidade da deslocalização para regiões onde o lucro fosse mais garantido e o capital de risco menor como Vilamoura, Pedras d'El-Rei ou Vale de Lobo, mas depressa se concluiu que quem tem realmente dinheiro está em Cuba ou nas Maldivas e que os portugueses, aparentemente endinheirados, que frequentam estes locais "in", não passam de uns esfomeados que "a única coisa que largam nas praias é beatas e mijadelas no mar". Assim, faz-se saber a todos os interessados, que o próximo arrastão terá lugar na praia do Martinez em Cannes no dia 17, Mónaco-Sul no dia 18 e Saint-Tropez no Domingo 19. Apareçam
(José Mouro)














Henri Matisse. Estudo/Desenho (c. 1909).
Matisse, Paris / Artists Rights Society (ARS), New York



O corpo tem sobre si as linhas
que o ausentam e o ligam ao espaço seguinte
a energia significante
que o desmaterializa para surgir noutro lugar
O corpo tem em si a matriz do aparecimento
o espanto do que surge, o mistério

...


Piet Mondrian, Broadway Boogie Woogie, 1942-43

Boa noite. Bom dia.

P.S.: Imagem obtida no sítio do MoMA.

As novas regras para as nomeações políticas para altos cargos públicos foram aprovadas com os votos contra do PCP, PP e PSD. Esta minoria de oposição -já constituída noutras ocasiões nesta legislatura - contou com a participação do PCP. O argumento que o PCP utilizou para votar contra é espantoso. Disseram os comunistas pela voz de Jorge Machado : "É o cartão do partido a sobrepor-se à competência." Importa-se de repetir?
O PCP nas autarquias, onde exerce o poder, utiliza o cartão partidário como critério exclusivo(!!!) para a ocupação de cargos de chefia. A menos que não existam "camaradas" disponíveis. O mesmo se passa nas estruturas regionais que ainda influencia no Alentejo. É assim há décadas. Que hipocrisia tamanha nesta posição.
Aplausos para o PS que teve a coragem de melhorar a lei existente e para o BE que apoiou a medida. Parte da maioria de esquerda do 20 de Fevereiro ainda se mantêm.

Luís Delgado não dá um tusto por este Governo. Nunca se vira um Governo assim a disparar contra tudo e contra todos, diz ele. A falta de "sentido de classe" do Governo baralha o Luís.
Esta falta de sentido de classe leva o Luís a, pela primeira vez na sua vida, apoiar todas as greves em curso e a compreender as "razões profundas" que as motivam. Se isto continua ainda acaba em porta voz da Intersindical ou a aderir ao PCP, Deus o livre.
Parece no entanto que Luís sonha com a queda iminente do Governo, e com o seu regresso rápido ao círculo íntimo do poder. Está atrabalhar para isso. (Mal) Disfarçado de jornalista isento.

Para o Festival Músicas do Mundo, que já tem cartaz definido.

Entre 28 e 30 de Julho, passarão por Sines figuras como Marc Ribot, Kimmo Pohjonen e Hermeto Pascoal. E muitos outros, a descobrir, entre a praia e o castelo.

Para os rapazes da FENPROF, que não marcaram uma greve aos exames, apenas uma greve que, por mero acaso, coincidiu com a época de exames.

Se me é indiferente o aproveitamento da época de exames para a marcação da greve, já me incomoda a esperteza saloia semântica encontrada para, na sua superior inteligência, iludirem a pobre opinião pública sobre a oportunidade das datas. Como se ninguém ligasse uma coisa à outra. Ou custava assim tanto assumirem as datas escolhidas?

É o spinning a chegar ao sindicalismo português. Com os resultados de sempre, acrescente-se.

Sampaio acusa a Banca de não apoiar a inovação e as empresas e de promover o "embuste" do crédito ao consumo, exemplificando com o crédito fácil para a compra de carro. "Há oposição da banca no que respeita a arriscar alguma coisa nas empresas que querem inovar" De vagar mas a montanha move-se.

Declarações de Manuel Coelho, presidente da Câmara de Sines, acerca do Oleoduto - notícia do Publico local de 20/06/2005 - a garantir estarem " em curso as obras para a instalação de novas vedações metálicas de protecção dos oleodutos, a revisão das bocas-de-incêndio, a instalação de vigilância electrónica, e de um percurso para circulação de viaturas de combate a incêndio, bem como a colocação de barreiras protectoras em betão no troço de oleodutos próximos das habitações".
Para além de um manifesto conflito com a realidade, estas obras estão todas na "fase invisível", parece haver aqui uma apetência irreprimível para assumir o papel de "porta-voz" dos interesses da refinaria que, infelizmente, conflituam muitas vezes com o interesse das populações.

O Farol é Testemunha



(José Pedro Lucas)


photographed/published by Unichrome of Bath.
from Emily Mace website

O monumento megalítico Stonehenge, construído provavelmente entre 3.000 a.C. e 1.600 a.C., situa-se perto de Salisbury em Inglaterra. É um lugar conhecido, segundo muitos, pelas suas poderosas energias e mistérios. Foi ali que uma multidão se juntou hoje ao raiar do dia e formando um círculo celebrou o Solistício de Verão que acontece hoje no Hemisfério Norte.
O Verão começa hoje às 21:09 hrs.
Aproveitem para celebrar também este dia e não se esqueçam de observar o luar nas próximas noites.

Em profunda reflexão.

[hã, hã... ]

Disse Juncker, "o mais realmente socialista deles todos" segundo Ana Gomes, que o fracasso da cimeira foi provocado pelo "confronto de duas concepções da Europa.(...) Há os que, sem o dizer, querem um grande mercado e nada mais que um grande mercado, e os que querem uma Europa integrada." Blair lidera claramente o primeiro grupo. Nada que embarace a Internacional Socialista.

Para ler no Público Local de hoje. Um trabalho de Carlos Dias sobre as condições de segurança das populações que vivem junto ao Oleoduto que liga o Porto de Sines à refinaria da Galp.

O Blair do director do Público é um herói. O novo Napoleão, vencedor da batalha contra a PAC, travada, desta vez, nos salões de Bruxelas. J.M.F. que vê em Blair, com alguma razão, uma réplica europeia de Bush, o que manifestamente o excita, quer fazer-nos crer que o “socialista” da terceira – via tem como grande objectivo reformar a PAC. Trata-se de uma falsificação mas sobre Blair não é a primeira que se comete. O homem quer, tal como Wellington em 1815 relativamente a Napoleão, encerrar o capítulo de Chirac na história Europeia e em simultâneo manter, tanto quanto possível, o ignóbil cheque herdado da avó Teatcher. Desta vez recorreu ao veto político enquanto o general usara as granadas, então olhadas como uma nova arma de destruição em massa, de que Blair se tornou, como se sabe, um dos grandes especialistas mundiais.
Quanto à PAC ela é verdadeiramente instrumental neste jogo. Todos sabemos que Blair nunca se preocupou minimamente com esta velha, e sórdida, questão e que está disposto a manter a PAC desde que o cheque não seja reduzido. Como sempre fez ao longo de todos estes últimos 8 anos.

As empresas Municipais são uma grande invenção para concretizar dois objectivos: em primeiro lugar possibilitar o endividamento das autarquias para lá dos limites legais; em segundo lugar criar "ocupações" bem remunerados, com regalias dificilmente controláveis e capacidade para meterem a "mão na massa", aos camaradas que passaram à reforma cedendo o lugar aos filhos e aos díscípulos.
Todos conhecemos exemplos chocantes deste estado de coisas. Parece que agora o TC vai investigar a coisa. Não se podia pura e simplesmente eliminá-las. E, no entretanto, exigir o preenchimento dos cargos directivos através de concurso a que só podiam concorrer pessoas qualificadas. Pois está bem, assim os "camaradas" ficavam sem fazer nada.

O Orçamento da UE é inferior a 1% do PIB de todos os seus países membros. Além disso cerca de 50% são canalizados para a PAC.
O acordo que previa para Portugal uma verba de 21.300 milhões de Euros enttre 2007 e 2013 - o equivalente a 6,827 milhões de euros por dia - falhou por expressa vontade do "camarada" Blair.
O homem, zeloso cumpridor das conquistas da avó Teatcher, não aceita reduzir o cheque que todos os anos recebe de Bruxelas. Cheque que representa 2/3 da contribuição do Reino Unido para o Orçamento comunitário. Ou melhor aceita mas reduzindo a parte do Orçamento destinada a financiar a PAC, isto é os agricultores franceses.
A UE está assim. Com um Orçamento miserável. Com uma coesão interna pelas horas da morte. Com uma liderança, quer da Comisssão quer da UE, impotentes. Dá tanta pena que apetece dizer: Durão regressa estás perdoado.

Manuela Ferreira Leite, a nossa Dama de Ferro, teve uma semana em grande. Atacou o relatório Constâncio e as medidas do Governo. Atacou o aumento do IVA decidido por Sócrates, que ela aumentara de 17 para 19% nos tempos de Durão. Fez saber que inevitavelmente o Governo recorrerá a receitas extraordinárias. Nunca manifestou qualquer disponibilidade para reconhecer que a medida por si tomada em 2001 foi errada. Acabou a subir no "Sobe e Desce" do Público. A gravidade já não é o que era.
Jean-Paul Fitoussi, no Expresso de hoje, disponível na versão On-Line, é definitivo sobre o que se fez em 2001: " A única estratégia seguida por Portugal foi de restrição orçamental. Adicionou um choque recessivo a outro choque recessivo." Para continuar " Não se pode respirar. Se um país renunciar ao crescimento para resolver um problema de défice orçamental, terá menos receitas fiscais e a questão orçamental ficará mais dificil de sanar. Neste clima as empresas não investem."
Foi pena o homem não ter falado com Sócrates antes do "pacote".

Porque será que sempre que se começa a falar de o sector bancário passar a pagar mais impostos saltam logo os apóstolos a alertar para a perda de competitividade do sector? Mas quem falou em perda de competitividade? Estamos a falar de a Banca passar a pagar sobre os resultados antes de impostos, que são maximizados pela "excelente" produtividade do sector, entre outros factores, uma taxa de IRC idêntica à da generalidade das empresas. Só isto. Dividir de uma forma mais justa entre o Estado e os accionistas.

Acerca da discussão suscitada por Jorge Coelho no programa da SIC-Notícias "Quadratura do Círculo". Para ler aqui

"Um Governo sem imagem" de José Gil, na Visão de 16 de Junho de 2005.
"Vivemos hoje em Portugal, um momento quase indefinível do clima político. Um momento "entre"; entre uma sociedade à beira do precipício e um futuro de que não adivinham ainda os contornos; entre a resistência à mudança e o imperativo( às vezes brutal) de mudar; entre a exigência do sacríficio consentido, e o medo de perder tudo para sempre; entre a confiança a depor num governo que diz querer salvar o País, e o retraimento defensivo, desconfiado ( e com razões históricas para isso) em posições individualistas, corporativas, dos grupos sociais."

Passada a "pequena crise" suscitada pela notícia sobre os "mais de mil boys" nomeados pelo Governo de Sócrates e a troca de correspondência entre Carrilho e os seus críticos aí está a decisão socrática de parar com o processo referendário em curso, para fazer baixar, ainda mais, os níveis de conteúdo no debate político.
É de trivialidades que se faz, exclusivamente, a discussão política em Portugal. Assim se caminhará até Outubro. Depois das eleições autárquicas iniciaremos um novo período de "conversa" sobre as Presidenciais. Que aproveitaremos para não discutir coisa que se veja.
No caso das eleições autárquicas o marasmo dominante é assustador. Depois de um período de discussão sobre o sistema de governo e de eleição das autarquias o debate baixou às "catacumbas" do sistema político. Jaz e arrefece longe dos olhares indiscretos e ígnaros dos cidadãos, numa qualquer "Comisssão Especializada da Assembleia da República". Que bem podia ser rebaptizada "Comisssão Especializada em Baptizados e Funerais".
A luta política na capital apoia-se sobretudo no Marketing. Cartazes num número insuportável que parece concorrerem para um único objectivo: esconder a bela Lisboa dos seus cidadãos substituindo-a pelas carantonhas dos candidatos. Poucas ideias e poucas diferenças. Afinal o poder Local, dizem vários palermas encartados, não é de esquerda nem de direita. É o poder dos homens bons da cidade. Bons em quê?
No resto do país, em regra, haverá a recondução do senhor "fulano de tal" que conta com o apoio da esquerda, da direita e da igreja. Boa pessoa. Levou os velhos do concelho a viajar pelo País inteiro. Com comida e dormida, tudo à borla. Alargou o conceito de velhice ao contrário do Governo que aumentou o período de vida activa. Velhos passam a ser todos os com mais de 55 anos. Por deliberação municipal. Mas não tão velhos que não possam viajar, comer e beber à conta das famélicas finanças municipais.
Fez algumas obras que o seu partido prometia, há vinte anos, e que sempre ignorara. Boa pessoa.E isso não se discute. Endividou o concelho para os próximos vinte anos. Grande visão e grande capacidade de sacrífico. Merecia uma estátua. Damos-lhe mais um mandato e depois logo se verá. Ainda por cima a oposição não se une e logo havia de escolher aquele candidato, com tão má cara, para derrotar um homem tão boa pessoa. E que agora começou a falar de urbanismo, de habitação para todos os estratos sociais, de desenvolvimento sustentável, de ambiente, de desburocratixzação, de rigor na gestão dos dinheiros públicos, de transparência na administração municipal. Quem se interessa por essas coisas? O que é que isso contribui para a nossa felicidade?
Onde é que vamos passear na próxima semana? Porra, ainda não tenho 55 anos.

O TC veio informar-nos de que o endividamento das autarquias aumentou 19% em 2003. Daqui a um ou dois anos dir-nos-á quanto cresceu em 2004 e, se tudo correr bem, antes de 2010 conheceremos a situação em 2006. Tudo continuará como dantes.
O Tribunal de Contas é uma entidade que, com alguma regularidade, nos dá notícias sobre o mau funcionamento dos diferentes orgãos do Estado e dos seus reflexos para a saúde das contas públicas. Com isso cria-se uma sensação, artifical, de que existem entidades que fiscalizam a acção executiva dos titulares desses orgãos. Pura ficção. Toda a gente, com algum poder, já descobriu que por muito mau que seja o diagnóstico nada de grave se passará. Algumas multazitas, recomendações quanto baste. Uma verdadeira "inutilidade superveniente da lide" com as decisões tornadas irrelevantes pela dinâmica do processo, democrático, em curso.

"Fascínio da Cidade. Memória e Projecto da Urbanidade." De Vitor Matias Ferreira. Edição do Centro de Estudos Territoriais do ISCTE e da Ler Devagar (Dezembro de 2004). A reler "A cidade da EXPO' 98" edição da Bizâncio, de 1999, com organização de Vitor Matias Ferreira e Francesco Indovina.

Esta noite, na série Amores Desamores da RTP 1 , é exibido o telefilme Amigos Como Dantes.

O argumento é de Vicente Alves do Ó.

O Jornal de Negócios fez hoje manchete da nomeação pelo Governo do PS de mais de mil gestores públicos. A comparação com o governo de Santana Lopes pareceu-lhes incontornável. Num tempo semelhante mais nomeações. Tornava-se evidente que este Governo batia o de Santana na despudorada promoção dos seus.
O problema está na forma como se utiliza o "método comparativo". Neste caso o Jornal de Negócios compara alhos com bugalhos, isto é, coisas que não são comparáveis. Durante todo o dia não se falou de outra coisa. Afinal este governo até nomeou mais boys do que o anterior. A asneira faz o seu curso e o seu trabalho.
O Governo de Santana resultou da substituição do primeiro-ministro em trânsito para Bruxelas. Durão tinha, dois anos antes, feito uma limpeza radical na Administração Pública incluindo nas chefias intermédias. Recorde-se o que aconteceu na Segurança Social com o implacável Bagão. Governos Civis, direcções de empresas públicas tudo tinha sido já ocupado por gente confiável. Estas realidades foram criteriosamente ignoradas pelo Jornal de Negócios.
Socrates, muito bem, nomeou o conjunto de pessoas necessários para os lugares de responsabilidade política. O que, como se sabe, não incluiu as chefias intermédias da Administração.Esperamos todos que ao longo da legislatura possa limitar ainda mais os lugares de nomeação partidária. Para já Sócrates tem sido moderado e mostrado sensatez e capacidade para se opor às pressões de alguns boys. Terá permitido algumas asneiras, como no caso da nomeação de Fernando Gomes para a GALP Energia. Mas quem não as comete na dificil arte de governar. Dificil é asneirar tanto na simples utilização do "método comparativo".

Morreu Alvaro Cunhal. Um dia de luto para Portugal. Morreu uma das personagens maiores da história política do nosso último século. Combatente insuperável contra a dituadura salazarista. Combate que no seu caso significou a própria perda da liberdade que sofreu nas prisões fascistas. Depois do 25 de Abril tentou implantar em Portugal o modelo de sociedade que sempre defendeu: uma sociedade socialista inspirada nos modelos do socialisno real que estavam implantados na União Soviética e nos países do bloco de leste. Falhou este segundo objectivo. Mas manteve-se sempre fiel ao seu ideal de comunista e acreditou sempre ser esse modelo de sociedade o que melhor servia Portugal.
Foi um homem de uma grande coerência. Mas devemos dizer que essa coerência foi a sua maior virtude e a sua maior fraqueza. Por um lado permitiu-lhe manter a fidelidade às suas convicções e ideias num mundo em que são cada vez mais raros os homens políticos capazes de defenderem ideias e convicções. Por outro lado essa inflexibilidade ideológica não lhe permitiu mudar mesmo quando as manifestações de degradação nos países de leste eram já incontornáveis. Continuou, mesmo nessa altura, a defender para Portugal o modelo que falhava em toda a linha nos países do realismo soviético.
Foi além do homem político um intelectual. Escritor e artista plástico possuidor de uma cultura acima da média ele que sendo de origens burguesas se considerava "um filho adoptivo do proletariado".
Foi um homem de uma dimensão rara gerador de ódios e de paixões como só acontece com os grandes homens.

O poeta Eugénio de Andrade partiu hoje para esse lugar luminoso onde
habitam todos os poetas que amamos, que nos deram esperança e verdade.

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava!
Acreditava,
porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os teus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os teus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...
já não se passa absolutamente nada.

E, no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos nada que dar.
Dentro de ti
Não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.


Eugénio de Andrade

Vinte anos depois da adesão à UE tempo para comemorar. Mas necessariamente tempo para reflectir. Tanta coisa boa que a Europa nos trouxe. A adesão à Europa foi uma oportunidade para confirmarmos algumas das portas que Abril abrira. Sobretudo a porta do desenvolvimento e da igualdade de oportunidades. Infelizmente a incompetência de alguns e a ganância e a usura de outros fizeram deste País o mais desigual de União Europeia.
A discussão sobre o nosso futuro europeu é uma urgência. Uma discussão séria que inclua o Tratado Constitucional, o próximo quadro Comunitário de Apoio e o tipo de desenvolvimento do país que ele irá financiar. Uma discussão que não se limite à clássica discussão das verbas que iremos receber mesmo que não saibamos como as utilizar.
A classe política não deu nestes dias, infelizmente, uma ideia clara de ser esta a sua principal determinação.

PS - Mário Soares que tinha razão há 20 anos aparece hoje como um dos discursos mais lúcidos sobre aquilo que é urgente fazer.

"Os meus Anos em Cuba" de Eduardo Manet, escritor cubano exilado em França desde 1968. Edição portuguesa da Ulisseia (março 2005) a partir do original das Editions Grasset & Frasquelle(2004).

O texto de Miguel Sousa Tavares, no Público da passada sexta-feira, insiste no erro de tratar como igual aquilo que é absolutamente diferente. A utilização do conceito de funcionário público para analisar a "infinidade de privilégios e de excepções escondidas debaixo dos tapetes da administração pública" é uma escolha de mérito duvidosos. Não faz qualquer sentido considerar como semelhantes a situação de um administrador do Banco de Portugal, de um juíz do Tribunal Constitucional ou de um professor do ensino secundário que beneficia de uma progressão automática na carreira. No primeiro caso simples seis anos de exercício justificam uma "modesta" pensão vitalícia de 15000 Euros. No segundo caso bastam 40 anos de idade e mais de 10 de exercício do cargo para justificar o direito à reforma. Na esmagadora maioria dos funcionários públicos a progressão salarial é paupérrima e a reforma só vem no fim da vida, quando a classe política não resolve alterar as regras, entretanto.
Os verdadeiros funcionários públicos são quem assegura o funcionamento das estruturas apesar das chefias incompetentes que o sistema político lhes impõe. Em condições de trabalho e de remuneração modestas, ainda por cima.
A Administração Pública tem hoje os seus lugares de topo "conspurcados" por uma rapaziada que aí acede por pura e simples nomeação partidária. Existem na Administração Central, na Administração Indirecta do Estado, na Administração Local do Estado e na Administração Autárquica do Estado. São caros, porque ganham muito. São os "funcionários públicos" (sem ofensa para os verdadeiros) que melhor ganham. São caros porque quando o Governo, que os nomeia, cai sai-lhes a sorte grande. Recebem avultadas indemnizações, vendem em proveito próprio os luxuosos carros de serviço e ficam em lugares de "recuo" a aguardar que a situação política se altere. Entretanto, começam a beneficiar de "pequenas" pensões vitalícias acumuláveis. São caros porque em regra são incompetentes. E como se sabe a incompetência é a mais cara "qualificação" que alguém pode exibir.
O que não se sabe é qual o peso desta gente nos custos totais com pessoal na Administração Pública. Talvez então fosse possível perdermos menos tempo com aqueles funcionários que passados três anos vêem os seus modestos 900,00 Euros mensais actualizados em 5,27%.

Mais uma vez o "director do maior jornal do país, no cargo há 20 anos", ficou sem a condecoração do 10 de Junho. É o costume. Mais dia menos dia o homem ganha o prémio Nobel e depois vão entregar a medalha de afogadilho ou então fazem um 10 de Junho retroactivo.

O Governo aprovou o regresso à normalidade na forma de contagem do tempo de exercício de cargos políticos para efeitos de reforma. Concretamente no caso dos "nossos" autarcas um ano passa a valer por um ano e não por dois como até agora. Um saudável regresso à normalidade. Este Governo, o governo de Sócrates, através destes pequenos grandes passos vai devolvendo à actividade política parte da dignidade perdida. É disso que se trata e não de uma atitude moralista como lamentava erradamente, na Quadratura do Círculo, Lobo Xavier. Entende-se o equívoco: a direita abomina a limitação dos privilégios. Poucas coisas a aborrecem tanto.

A campanha de Carrilho em Lisboa continua em projecto. Bastante atrasado ao que parece.
A fazer fé nas poucas notícias está ainda na fase "infantil" do dito. A fase em que o candidato passeia o filho às costas pelas ruas de Lisboa, uma cidade pouco amiga dos carrinhos de bebé. Fase que deverá corresponder, na linguagem antiga, ao "Estudo Prévio".
Vê-se pouco projecto mas vê-se em todo o lado o "homem por trás do projecto".
Por este andar esta campanha pode tornar-se num enorme buraco. E o antecipadamente derrotado Carmona tornar-se o novo presidente de Lisboa. Faltam as ideias e as propostas concretas e inovadoras. E o que se diz aparece desgarrado, sem sustentação.
Como se reduz, a metade, o número de automóveis que circulam em Lisboa?
O que significa reavaliar os projectos imobiliários previstos para a frente ribeirinha?
Passados vários meses do anúncio da candidatura Carrilho ainda não teve alguns minutos para abordar a questão específica da habitação na cidade de Lisboa. Pelos vistos uma questão menor ao contrário do que pensam aqueles que julgam ser esta a questão principal da cidade.

Segundo ficámos a saber hoje, a Comissão de Ética da AR tinha-se pronunciado sobre uma eventual incompatibilidade entre as funções que Pina Moura exercia "enquanto profissional liberal" e as de deputado. Isto depois de ter sido ministro com a gestão dos negócios da Energia. Compatível foi o veredicto. Ficámos, igualmente, a saber que desde que assumiu funções na empresa Iberdrola ainda não ocorreu a Pina Moura saber se existe alguma incompatibilidade entre essas funções, as anteriormente desempenhadas e as actuais de deputado. Já passou tanto tempo...
Mas parece que isto está tudo ligado, não parece? E não devia, pois não?
Pina Moura também não quer conversas com o ex-deputado socialista Henrique Neto. Por acaso, ou talvez não, um dos raros deputados que abordou os dossiers do sector energético sempre numa perspectiva do interesse público. Como quando criticou o famoso perdão do pagamento das mais-valias aos accionistas da GALP. Decidido por um ministro à beira de se tornar profissional liberal.

O aproximar das eleições autárquicas não parece ser motivo suficiente para estimular o debate sobre as questões que, aparentemente, são decisivas para que o poder local deixe a apagada e vil tristeza em que tem vegetado. No entanto pelo que se pode observar constitui uma excelente oportunidade para redefinir a "sociologia" das nossas vilas e cidades, que as aldeias desapareceram vítimas do "decretado" progresso. Em particular as apresentações das candidaturas dos partidos, que em cada concelho podem aspirar a vencer as eleições, são um bom momento de observação. Se pegarmos no partido A, no poder desde o tempo dos afonsinos, que recandidata o actual presidente para derrotar todos aqueles que se opõem ao progresso e desenvolvimento da santa terrinha - que já não estão no poder desde o tempo dos visigodos - e no partido B, que aposta num senhor muito amigo dos pobres e da terra, que vai tentar pela enésima vez conquistar a autarquia "para fazer o que faz falta", o que é que constatamos? Na apresentação dos candidatos o conjunto das pessoas que estiveram presentes em cada um dos actos apresenta uma considerável sobreposição. Quem são essas personagens que fazem questão de estar presentes em todas as apresentações de candidaturas que tenham alguma hipótese de vencer? São as "pessoas importantes" da terra. Aqueles cuja presença é sempre bem-vinda e cuja ausência deixa uma amarga sensação de vazio e de orfandade nas candidaturas. São politicamente andróginos e, em boa verdade, nunca se sabe em quem votaram ou votarão. Tão pouco se sabe como abrem os cordões à bolsa. O que é certo é que a sua presença justifica a cobrança que irão fazer, mais tarde, ganhe quem ganhar. Afinal a sua única ideologia é a dos seus interesses que alguns políticos de asa curta e bolso farto confundem com "desenvolvimento".

No Expresso do passado fim de semana num texto sob o título " Jacaré distraído", José Roquette questiona " a terrível e básica pergunta, que insistimos em não fazer, é: num diferente regime cambial, quanto valeria hoje um escudo em euros?"

Será que você escolhia para ministro um cidadão que já estivesse reformado? Como será possível que as pessoas estejam em simultâneo na actividade plena e a acumular pensões resultantes de regimes especiais de reforma? Como pode alguém receber uma pensão de 3 ou 4 mil euros por "dedicados" - e frutuosos - seis anos de trabalho para uma qualquer instituição pública? Porque será que estas coisas só "acontecem" àqueles que no normal exercício da sua actividade já beneficiam de situações remuneratórias excepcionais?
A necessidade de Socrates "enquadrar" as duras medidas que escolheu para enfrentar o défice com medidas "contra os poderosos" resultaram nisto. Nos próximos dias vão saber-se mais acerca de privilégios escondidos, absurdos mas legais. A democracia tem revelado grande talento a cuidar da vidinha e do futuro da corporação "política".

PS - A situação de Jardim é absolutamente menor quando comparada com as dos ministros. Para o mal e para o bem o homem está no exercício do poder há 30 anos. A obscenidade neste caso está no próprio.

Carta Aberta ao Exm.º Sr. Presidente da Câmara Municipal de Sines

Como Sineense, não natural, mas radicado desde 1978 e empresário do ramo da restauração, desde 1991, de momento com estabelecimento aberto na rua pedonal (a única) da Zona Histórica de Sines, venho por este meio mostrar o meu maior desacordo em relação aos moldes e local, como mais uma vez se irá realizar, a MOSTRA GASTRONÓMICA “SINES, ALENTEJO À MESA” - X EDIÇÃO e apresentar uma alternativa.

A realidade da situação do comércio em Sines no geral, ronda as “ruas da amargura”, talvez com maior incidência no comércio localizado na Zona Histórica de Sines.Os diversos factores que conduziram a esta situação são certamente do seu conhecimento, não valendo a pena enumerá-los agora.

As anteriores Mostras Gastronómicas foram sempre consideradas um “enorme sucesso” o que não questiono mas pergunto:

- Independentemente do seu número, qual a origem das pessoas que afluem às “Mostras”? Donde vêm?… Dos Concelhos vizinhos?… De todo o País?... Ou a grande maioria é de Sines?...

- Porque insistir no mesmo local para a realização do evento? As condições de trabalho não são as ideais e, conforme o próprio regulamento assume, o acesso para o transporte de material é difícil.

A alternativa que proponho passa pela realização do evento na Zona Histórica de Sines com o mesmo espírito e regras do Regulamento da Mostra Gastronómica, sendo que:

- Os estabelecimentos da Zona trabalhariam nos seus próprios locais, seriam devidamente sinalizados e publicitados e obrigavam-se a cumprir o Regulamento.

- Os estabelecimentos fora da Zona Histórica utilizariam o espaço do Castelo de Sines após serem criadas as infra-estruturas necessárias e exigidas por lei, para a montagem dos stands que agora são utilizados. Estas infra-estruturas poderiam ser definitivas e serviriam para outros eventos que se realizam no mesmo local.

Penso que seria um passo importantíssimo para a tão falada Revitalização da Zona Histórica de Sines que tarda a chegar e que, para alguns, infelizmente, já não chegará a tempo.

Sines, 23 de Maio de 2005

(José Pedro Lucas)

De novos blogues para a coluna do lado. Façam o favor de se servir.

Jorge Sampaio escreveu sobre as constantes revisões da Constituição - quantas já se realizaram? - e sobre o desconforto que lhe causa a atracção, da classe política, pelo episódico e conjuntural em detrimento do interesse por aquilo que nos afecta enquanto povo.
(...) Porém, os grandes problemas económicos e sociais, bem como os temas mais estritamente políticos exigem visão estratégica e capacidade de pensar e agir sobre o médio prazo. De outra forma, a sua resolução pode ficar negativamente condicionada e afectada.
As discussões presentemente em curso sobre a limitação de mandatos e sobre os processos referendários ilustram eloquentemente a importância daquela necessidade e deste risco.
Num e noutro viemos a adiar a resolução dos problemas até um ponto em que se formou aparentemente um acordo alargado sobre a necessidade de os encarar. Porém, logo que se trata de decidir, a tendência é invariavelmente a de deixar contaminar a discussão dos temas de fundo e, consequentemente, a resolução dos problemas pelos interesses de conjuntura."
Publicado no Público de 2-06-2005.

«De las ciudadades, lo que más me gusta
son las calles, las plazas,
la gente que passa ante mi y
que probablemente no verè
nunca más,
la aventura breve y maravillosa como un fuego
de virutas, los restaurantes,
los cafés y las librerias.
En una palabra: todo lo que es
dispersion, juego intuitivo,
fantasia y realidad.»

Josep Pla. Cartes de lluny. Prólogo de 1927.

ou melhor criticou a proposta de Jorge Coelho, integrando-a numa lógica de aumento da receita. Segundo Pacheco Pereira o esforço principal deve ir no sentido da diminuição da despesa. Trata-se de uma verdade inquestionável. Mas esta opção, presente nalgumas medidas do Governo, é "mais lenta" a produzir resultados. O que não se pode é, à sombra dessa verdade, deixar de abordar esta questão de quase impunidade da Banca. A mesma lógica, verdadeira reafirmo, não se podia aplicar ao aumento do IVA ou ao aumento dos impostos sobre os combustíveis?
Uma situação de normalidade fiscal da Banca em Portugal possibilitaria, para já um acréscimo de receitas da ordem dos 500 milhões de Euros, face às previsões de crescimento dos lucros em 2005, e a curto prazo reduzir as taxas de impostos como o IVA que nos níveis actuais constituem um incentivo à fraude fiscal e induzem recessão.

na " Quadratura do Círculo" acerca das medidas tomadas pelo Governo : "Está na altura de os grandes grupos financeiros - banca, seguradoras - assumirem a sua quota parte neste conjunto de sacríficios que foram pedidos às famílias e às empresas." (citação livre). Apetece bater palmas. A Banca não pode ser um Estado dentro do Estado. A principal critica à actuação deste Governo tem a ver com a falta de coragem para enfrentar os privilégios da Banca. Sobretudo os fiscais. Um escândalo. Será que o Governo tem coragem para anunciar um pacote de medidas que reponham a "normalidade" neste sector? As palavras de Jorge Coelho, personagem considerada "muito influente" lá para os lados do Rato, parecem ir nesse sentido.


 

Pedra do Homem, 2007



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