A jornalista de serviço na SIC Notícias entrevista o director do Diário Económico e quer saber a razão de lucros tão elevados. Pergunta se os bancos estão mais preparados do que os outros sectores da economia. "Estão preparadíssimos, estão preparadíssimos" titubeia o rapaz. De seguida consegue balbuciar uma série de explicaçóes irrelevantes baseadas no consumo das famílias - que como se sabe desce há anos, embora ninguém lhe tenha contado lá no jornal - e na descoberta que anuncia, gratuitamente, ao mundo: a de que o dinheiro não cai do céu.
O escândalo cresce e adquire proporções difíceis de conter. É ese o significado da atrapalhação que uma alma tão liberal manifesta para explicar aquilo que já nem o velho e relho chavão " é o mercado" permite explicar.
A banca engorda à custa da penúria das famílias e das empresas. Estão preparadíssimos.

Na "Única" do passado sábado , Graça Dias, arquitecto, dá uma entrevista a não perder. Saliento duas ou três afirmações - aliás destacadas pelo editor - mas é uma entrevista absolutamente a não perder. Graça Dias é um arquitecto com obra feita e que, contrariamente ao stablishement, é capaz de pensar sobre a cidade e sobre a arquitectura sem o estafado recurso a lugares comuns e sem se colocar em posições corporativas do tipo os bons e os maus. Talvez por isso a sua obra seja pouco salientada pelos que fazem hoje a "história" da arquitectura que se faz. Não perde nada por isso que assentará com fragor passado o tempo necessário.
Quanto às citações são as seguintes:
"A cidade moderna falhou". (trata-se de uma evidência, mas o que é grave é que ainda se eensina às crianças que o contrário é que está certo, ajudando a diabolizar a cidade histórica e os autores que sobre ela escreveram como Camillo Site).
" Não gostaria de ver um mundo desenhado por arquitectos. Seria insuportável"
E muito mais. Leia em quanto pode.

Quem sou eu para "achar" que os homossexuais têm o direito a casar? As pessoas, todas as pessoas, têm o direito a ter todos os direitos. Ponto Final. Num país de conservadores e de hipócritas no qual a moral salazarenta ainda dita as suas leis esta verdade universal ainda não é universal.
Uma das clássicas manifestações de conservadorismo é agitar a "especificidade" dos homossexuais para defender a manutenção da discriminação. É o caso daqueles que argumentam com o carácter straight da instituição casamento para defender a sua exclusiva aplicação aos casais heterossexuais. Cinismos.
O problema é, na sua base, a igualdade de direitos dos cidadãos independentemente da sua orientação sexual. Cada um deve decidir o que fazer da sua vida e dos seus afectos. O Estado não deve colocar-se neste caminho das escolhas individuais para apontar o dedo - acusador! - da moral dominante. Ora na situação actual o Estado português optou por adoptar essa posição moralista e discriminadora através do que estabelece o Código Civil. Mude-se o Código e readquira o Estado a dignidade perdida.
Do que tenho lido é no "da Literaura" que encontro a posição mais séria sobre esta questão. Aqui e aqui.

...pois é. O INE revela hoje aquilo que já sabíamos : a confiança dos portugueses não melhora. Por mais que Sócrates proclame que é necessário ter confiança(!!!), muita confiança(!!!), ela não se instala. Baixa a confiança apesar de tantos PIN's com tantos biliões de investimento, apesar de tantos lucros dos bancos, apesar de nunca tão poucos terem ganho tanto. Ou será por isso?

...ou a velha história do quanto pior melhor. Neste caso quanto pior para a economia e para o país tão melhor para os bancos. Podem colocar-se várias questões como base para interpretar os factos. Uma das mais tentadoras, e economicamente muito próxima da verdade, é a de que os bancos gozam de privilégios que resultam em linha directa da promiscuidade que estabeleceram com o poder político. Parte significativa dos membros dos diferentes governos, em particular ministros das finanças e da economia, fizeram a sua carreira ao serviço da banca.
A banaca não está ao serviço da economia. Não funciona como uma alavanca do desenvolvimento económico. Ela funciona segundo uma lógica centrada no seu próprio negócio e que estabelece margens que estrangulam a actividade das empresas e das famílias.
Como aqui tenho defendido - veja-se o que se escreveu no ano passado acerca do mesmo assunto - estes ganhos, conjugados com os impostos realmente pagos e com a evolução no mesmo período do desempenho da economia e do país são obscenos.

A Secreta de Sócrates é uma notícia que aponta para uma situação de uma extrema gravidade. O Governo já reagiu negando de forma veemente e afirmando que irá reagir junto dos tribunais. Assunto a seguir nos próximos dias.

Eu bem dizia que mais dia menos dia ainda acabavam a chamar "pai da Internet " a Bill Gates. Não foi necessário esperar muito tempo. Hoje na revista Visão na coluna "Tendências", pág.25, José Sócates aparece em alta pelas seguintes razões: "A presença de Bill Gates em Portugal funcionou como uma excelente propaganda para o Plano Tecnológico. É bom receber a caução do pai da Internet."
Asneira da grossa. Bill Gates foi e é muitas coisas mas não foi o pai da Internet nem o principal ou um dos maiores artífices do seu desenvolvimento. Nem o pai nem a mãe o que não implica que possa afirmar-se que a Internet é filha de pais incógnitos.

A eurodeputada Ana Gomes escreve um interessante artigo na última edição do Courrier Internacional que se pode ler aqui. A eurodeputada questiona a valia estratégica da opção pela construção de uma nova refinaria em Sines e o facto de no Plano Tecnológico a energia solar ter sido quase ignorada em detrimento da energia eólica.
O que não é verdade no artigo da eurodeputada é o facto de ela afirmar que, relativamente à refinaria de Sines, todos embandeiraram em arco aplaudindo a iniciativa. Não é verdade. Quer nos jornais quer aqui na blogosfera - incluindo neste blogue, como é público - muita gente questionou, desde o primeiro dia, esta infeliz -quer em termos ambientais, quer de segurança, quer da saúde das populações do Litoral Alentejano - e cara opção de José Sócrates e de Manuel Pinho.
Quanto à energia solar a questão colocada pela eurodeputada merece todo o apoio. Só um poderoso lobby associado às eólicas permite justificar o carácter residual da aposta no solar. Isto quando temos condições únicas do ponto de vista das horas de sol/ano e temos tecnologia que exportamos para países como a Alemanha. Já sobre isso escrevemos ao longo de meses.
O que seria interessante era AG com a sua importância política conseguir contribuir para mudar este estado de coisas.

No Causa Nossa, Vital Moreira alerta para a situação criada pelo tratamento preferencial dado pelo BCP aos funcionários das Finanças.
Quem é que não gostaria de poder fazer uns favorzitos aos senhores funcionários das Finanças? Tratar um corpo profissional de forma privilegiada em relação aos restantes cidadãos é um favor ou será o quê? Neste caso o banco está, provavelmente, a mostrar reconhecimento pelo tratamento fiscal que lhes permite pagar tão poucos impostos e em consequência maximizar a fatia dos lucros.

Encontra-se a decorrer a Avaliação de Impacte Ambiental do projecto de ampliação da Fábrica de Etileno do Complexo Petroquímico de Sines, cuja capacidade passará a ser de 425 000 toneladas por ano. Infelizmente o Resumo Não Técnico não está disponível aqui ao contrário do que deveria acontecer.
O prazo da consulta pública termina a 7 de Março e inicou-se hoje dia 1 de Fevereiro.
Quem visitar a página do Instituto do Ambiente encontrará os seguintes projectos para Sines, em fase de avaliação do impacte ambiental: 1)Zona de Actividades Logísticas de Sines - Núcleo A; 2)Fábrica de Óleo de Rícino Hidrogenado e de Resinas Oleoquímicas; 3)Central de Ciclo Combinado de Sines; 4)Unidade Industrial de Moagem, Armazenamento e Expedição de Cimento a Partir de Clínquer em Sines.

Adenda: Iremos actualizar a informação logo que ela esteja disponível e aceitam-se todas as contribuições para o email.

Muita coisa se escreve e se diz sobre o que vai fazer ou sobre o que deve fazer Manuel Alegre. As hipóteses são várias e nem todos conseguem ver as coisas com a brutalidade de Luís Delgado que pura e simplesmente declara que o milhão de votos de Alegre não existe (ontem na SIC Notícias em debate com o atónito Mário Bettencourt Resende). Como o rídiculo não é para todos e nem todos optam por simplificar a realidade quando lhes dá muito trabalho entendê-la, registe-se a decisão dos apoiantes de Alegre de se candidatarem aos orgãos distritais do partido. Talvez não seja uma tarefa fácil face aos níveis de albanização mas os resultados de Alegre em todos os distritos contaram certamente com muitos militantes do PS. Assim sendo quem sabe se a "cota Alegrista" não cresce em Março e Abril com os ares da primavera.

Na SIC Notícias a pivot de serviço repete pela centésima vez nas últimas vinte e quatro horas: "o patrão da Microsoft está em Portugal". Desligo a televisão. A SIC Notícias que existe há cinco anos - ou serão cinquenta? - difundiu um jornalismo que faz da notícia repetição e da novidade rotina. Merecem um Oscar do aborrecimento e os jornalistas de serviço um prémio pela capacidade insuperável para se repetirem sem bocejarem.

Foi adicionado à direita o blogue de Constança Cunha e Sá e Vasco Pulido Valente.

Pela cobertura feita pelas diferentes televisões à visita de Bill Gates a Portugal teme-se que os jornalistas de serviço, empolgados como estão com o "mundo Bill Gates", num momento de criatividade se refiram ao patrão da Microsoft como o homem que inventou a Internet.
Se fizermos a pergunta à generalidade dos cidadãos a resposta maioritária não andará longe desta. Inquéritos semelhantes feitos nalguns países com a pequena diferença de se perguntar o que era a Internet obtiveram como resposta maioritária: "um produto Microsoft".
Mas a Internet deve muito pouco a BillGates. Manuel Castells no seu famoso livro(*) " A Galáxia internet. Reflexões sobre Internet, Negócios e Sociedade"" explica as razões pelas quais a Internet teve tanto sucesso e se desenvolveu de forma tão rápida à escala global. Castells salienta como factores determinantes desse suceso a arquitectura aberta da Internet e a existencia de uma cultura Internet.
"(...) o carácter aberto da arquitectura da Internet constitui a sua principal força. O seu desenvolvimento auto-evolutivo permitiu que os utilizadores se convertessem em produtores de tecnologia e em configuradores da rede.(...) A história da tecnologia demonstra que a contribuição dos utilizadores é crucial para a sua produção e que a adaptam aos seus próprios usos e valores e, finalmente, transformam a própria tecnologia (...) mas no caso da Internet é especial. Os novos usos da tecnologia assim como as modificações efectuadas nessa tecnologia, são transmitidas de regresso ao mundo inteiro, em tempo real. Assim, reduz-se extraordinariamente o lapso de tempo decorrido entre os processos de aprendizagem através do uso e a produção para o uso, tendo como resultado a entrada num processo de aprendizagem através da produção, num círculo virtuoso, que se estabelece entre a difusão da tecnologia e o seu aperfeiçoamento(...)"
Quanto à cultura Internet o autor salienta que esta se caracteriza "por ter uma estrutura em quatro estratos sobrepostos: a cultura tecnomeritocrática, a cultura hacker, a cultura virtual e a cultura empreendedora. Juntos contribuem para uma ideologia da liberdade, muito generalizada no mundo da Internet(...) Estes estractos estão dispostos hierarquicamente: a cultura tecnomeritocrática constitui-se como cultura hacker através de normas e costumes gerados nas redes de cooperação em torno de projectos tecnológicos. A cultura comunitária virtual acrescenta uma dimensão social à cooperação tecnológica ao fazer da Internet um meio de interacção social selectiva e de pertença simbólica. A cultura empreendedora funciona cam base na cultura hacker e na cultura comunitária, para difundir as prácticas da Internet em todos os âmbitos da sociedade, a troco de dinheiro(...) Por exemplo não se pode negar que Bill Gates e a Microsoft simbolizam, ou simbolizaram , a cultura empreendedora pelo menos nas etapas iniciais da empresa. Sem dúvida não foram produtores da Internet em termos tecnológicos. De facto passou-lhes ao lado até 1994. Apesar de Bill Gates ter sido hacker na sua juventude , não fazia parte dessa cultura, a qual chegou a acusar colectivamente na sua famosa Carta Aberta ( Open Letter to the Hobbyists ). Ao afirmar a primazia dos direitos de propriedade ( Gates: quem pode permitir-se a trabalhar a troco de nada? "Who can aford to do professional works for nothing? ) ele colocava a ganância acima da inovação tecnológia. Assim, a Microsoft representa a corrente empreendedora que se desenvolveu ao comercializar o processo de inovação tecnológico na informática sem partilhar os valores fundadores dessa inovação."
A resitência a revelar os códigos fonte dos seus produtos aí está para o atestar se necessário fosse.
Bill Gates é mais do estilo: o segredo é a alma do negócio.

(*) edição da Fundação Calouste Gulbenkian de 2004.

Carlos Dias, hoje no Público, dá conta da falta de dinheiro para viabilizar o Alqueva. Quem espera pela água para o tão famoso regadio pode esperar sentado. O país atravessa dificuldades, blá,blá, a legalenga do costume.
Manuel Pinho vai tratar da coisa. Acaba-se com a agricultura e aposta-se no turismo. Urbaniza-se a envolvente da barragem e constroem-se milhares de moradias para os velhos ricos da Europa. Ficamos todos mais pobres mas alguns, poucos, ficarão muito mais ricos. Negócios destes só com o alto patrocínio do Estado.

O Correio da Manhã divulga hoje que neste momento por cada euro que pagamos para adquirir gasolina sem chumbo 63 cêntimos são receitas fiscais. A conclusão que podemos tirar é a de que cada vez que gastamos um euro a comprar gasolina sem chumbo só 37 cêntimos são para pagar o produto e parte dos lucros, cada vez mais elevados, da companhia petrolífera.
Talvez alguém se lembre de calcular qual seria o preço de venda dos combustíveis caso se verificassem duas condições: 1) o Estado não cobrasse mais do que 50 cêntimos por cada euro. 2) as companhias, com destaque para a GALP, não tivessem rédea livre para repercutir nos consumidores todos os aumentos da matéria prima mantendo intocável a sua margem e ganhando cada vez mais com os aumentos.
Talvez alguém se lembre de calcular o efeito sobre a economia provocados por preços sensatos nos combustiveis. Espanha com uma economia pujante, tem os combustíveis mais baratos da zona Euro e impostos como o IVA cinco pontos abaixo da taxa portuguesa. São duas condições para a nossa anexação pela via económica.

Sem Bill Gates e sem a neve, a colocar na ordem do dia as mudanças climáticas, do que é que se falava neste país? Ácerca de Bill Gates vai um enorme alvoroço no País. Dizem-se as coisas mais espantosas, associando-se mesmo a vinda do homem mais rico do mundo a uma espécie de viabilização do Plano Tecnológico. Num jornal pode ler-se que o homem é o maior engenheiro de software da Microsoft. Asneira da grossa. De concreto acrescenta-se que Bill Gates vai investir nos próximos anos um milhão de euros por ano. Um milhão de euros? Admito que a notícia careça de uns zeros para engrossar os milhões. É que um milhão de euros é rídiculo, vindo de quem vem. Talvez justificasse a comenda de lata a ser verdade a penúria.

O Chá Príncipe mudou.

Pronto, era só para dizer isto.

Nunes Correia alertou ontem para a necessidade de se apostar nas energias renováveis. Foi aliás nesse sentido que Nunes Correia deu o seu acordo à construção em Sines de uma mega-refinaria e de uma nova petroquímica. Trata-se de dois investimentos típicos daquilo a que Nunes Correia chamará "energias renováveis".
Um momento de fino humor, em que este Governo se está a especializar, foi a referência de Nunes Correia às elevadas preocupações ambientais, e com o ordenamento do território, do seu colega Manuel Pinho. Será que o ministro do ambiente(?) estava a reagir àqueles que acham o seu papel meramente legitimador das opções do minstro Manuel Pinho?

A partir da leitura da análise que Pacheco Pereira faz da dissolução das estruturas partidárias julgo ser interessante tecer algumas considerações.
Em primeiro lugar a realidade que Pacheco Pereira identifica e que se traduz na incapacidade dos partidos de recrutarem pessoas qualificadas por contraponto com a disponibilidade que essas mesmas pessoas manifestam para participar em comissões de honra e conferências tipo “Novas Fronteiras”, grupos de estudo etc, julgo que não se coloca no campo das fatalidades mas resulta de opções e escolhas que os partidos conscientemente fizeram. (continuar a ler aqui)


 

Pedra do Homem, 2007



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