... a de António Capucho, Presidente da Câmara de Cascais, que em função de uma petição assinada por cerca de 1700 cidadãos resolveu suspender um projecto que até aì defendera. Tratava-se de construir uma torre na marina,susceptível, segundo os autores da petição,de alterar a imagem da Baía de Cascais.
O que interessa aqui salientar é a atitude nobre do presidente da Autarquia, o social-democrata António Capucho, que teve a petição em consideração. A democracia necessita deste tipo de comportamentos dos protagonistas políticos que estimulam a cidadania em vez de a reprimirem. (pode ler a notícia detalhada no Local do Público).

"Um dos legados mais importantes na questão do Mercado Municipal é que foi desmitificada a teoria que actualmente, em Sines, era impossível a mobilização popular em torno de uma causa.
Ter-se-á aberto aqui uma porta?

Será que a mobilização foi espontânea e movida pelo interesse colectivo e/ou conjunto de interesses individuais que se conjugam?
Ou a sociedade civil está sensibilizada e activa para a defesa dos interesses colectivos?
Os próximos tempos dirão onde está a mobilização da sociedade civil em torno do encerramento do serviço de urgências, da poluição, etc.
Outra herança é a responsabilidade que doravante a Oposição tem de antecipar e apresentar propostas para as grandes questões da cidade, e não permitir voltar a ser surpreendida. Aguardo com curiosidade as propostas que a oposição tem para o estádio Municipal e o Parque Campismo, ou teremos que esperar pela iniciativa da CDU e consequente reacção da Oposição
."

António Braz

Joseph Stiglitz, o Nobel da Economia de 2001, falou sobre o acordo de comércio, dito, livre. Fala quem sabe e quem não alinha no embuste da globalização que nos tem sido servido. Os pobres cada vez mais pobres. Os ricos cada vez mais ricos. Os Países poderosos cada vezes nais poderosos, Os países em vias de desenvolvimento cada vez mais dependentes dos mais poderosos.

A reunião da Assenbleia Municipal de Sines que deveria discutir, esta noite, a proposta da Câmara de demolir o actual Mercado Municipal sofreu uma súbita e inesperada alteração de última hora. A Câmara informou o Presidente da Assembleia no ínicio da sessão de que retirava a questão da Ordem de Trabalhos.
Esta situação provocou descontentamento entre os presentes, sobretudo pessoas que ali estavam para demonstrar a sua oposição ao projecto do Presidente da Câmara e surpreendeu o próprio presidente da Assembleia.
Os pequenos comerciantes da zona envolvente do Mercado tinham para apresentar um abaixo assinado contra a demolição com mais de duas centenas de assinaturas e um grupo de cidadãos - 180 até à hora de ínicio da Assembleia - subscreveu uma petição a ser lida na Assembleia em que se apelava aos deputados para não aprovarem a proposta da Câmara.
Este assunto tornou-se nos últimos dias a questão central discutida na Cidade. Manifestamente o Presidente da Autarquia não contava com uma tão unânime oposição, com excepção dos fiéis de sempre e dos dependentes da autarquia. (A propósito desta questão dos dependentes é chocante -aqui e em qualquer lugar - ver deputados municipais que são funcionários autárquicos e cujo agradecimento ao presidente se manifesta na sistemática fidelidade.Não se pode mudar a lei que permite esta compra dos deputados municipais?)
Na CDU os últimos dias foram pesados. Francisco Pacheco manteve a sua oposição ao projecto e o seu discurso do dia do município deu testemunho de uma posição irredutível. Sucederam-se as reuniões para reduzir os estragos provocados pela posição do Presidente da A.M. mas a unanimidade estava quebrada, existindo pelo menos um deputado da CDU alinhado com o Presidente. Este facto, aliado a uma unidade de toda a oposição - apesar das pressões directas do Presidente da Autarquia sobre o presidente da Junta de Porto-Côvo eleito pelo PS que terá titubeado numa determinada fase - estarão na origem desta súbita alteração da agenda. A CDU ia perder a votação na Assembleia Municipal e provocar uma crise interna com a fractura a incluir Francisco Pacheco. Uma ironia deste caso é que Francisco Pacheco foi, em parte, um dos maiores responsáveis pela eleição de Manuel Coelho.
Outra explicação, que não me convence, é a de que Manuel Coelho decidiu pura e simplesmente abdicar desta proposta depois de tomar consciência de que, com esta insensata opção, abriu uma tampa que não consegue voltar a tapar. O descontentamento na Cidade centra-se na sua atitude e manifesta-se contra ela. Os estragos são visíveis.
Julgo que o futuro próximo irá provocar alterações na CDU local com a provável saída de Francisco Pacheco da liderança da Assembleia Municipal( e do partido?) e com a reconstrução da unidade perdida no grupo parlamentar para depois permitir voltar à carga. Entretanto haverá tempo para dividir as oposições começando com os comerciantes do Mercado.
Mas, aconteça o que acontecer, a convicção que cresce é a de que Manuel Coelho quando, proximamente, deixar de ser Presidente da Câmara de Sines não poderá ostentar na sua lapela a demolição do Mercado. O Mercado de Sines irá sobreviver-lhe e uma certa ideia de Sines que manifestamente o horroriza. O Mercado de Sines não é uma treta. É nosso. É o nosso Mercado Municipal.

PS - sem a tão evidente mobilização de alguns sectores da população contra esta medida as coisas teriam corrido doutra forma. Este processo vem mais uma vez confirmar, se necessário fosse, que não é possível anestesiar completamente uma população, controlando-a ao pormenor. Há sempre um momento em que as pessoas resolvem pensar pelas suas próprias cabeças. O drama dos ditadores é que não são capazes de prever com rigor esse momento.



Num terreiro situado em pleno centro de uma das mais dinâmicas cidades europeias, realiza-se a todos os domingos e terças um mercado de rua altamente concorrido. Por entre as várias bancas, pode encontra-se roupa, queijos e outros produtos lácteos, flores, vegetais, fruta fresca e seca, peixe, marisco, carne, discos em segunda mão e variadíssimos outros produtos. Não, não é uma "feira" nem um "mercado" de contrafacção ao estilo português. É um verdadeiro mercado, a funcionar entre torres que albergam colossos da banca europeia, habitação de luxo e as principais artérias comerciais da cidade.



Este não é um caso virgem. Na Europa dita civilizada - na qual até se pode incluir as latinas Itália e Espanha, e não os suspeitos do costume do centro e do norte do continente -, é comum ver-se este tipo de coisas, julgadas com sobranceria e como apenas mais uma oportunidade fotográfica para o cosmopolita tuga. Felizmente, já estamos noutro patamar de progresso e não nos preocupamos com este costumes medievais que os nossos labregos compinchas europeus insistem em manter. Venham os centros comerciais! Afinal, somos ou não somos a "Singapura da Europa"?

... a reunião da Assembleia Municipal que irá decidir o futuro do Mercado Municipal. De um lado a decisão, tomada por maioria, do executivo municipal de demolir este equipamento público e do outro a posição que os deputados irão tomar face a esta questão. Existe alguma esperança, entre a população, de que os deputados da CDU mais identificados com a Cidade, e que se orgulham desta obra realizada por uma gestão CDU, possam contribuir para inviabilizar esta proposta catastrófica para a Cidade e para o pequeno comércio, não só o pequeno comércio dos comerciantes do Mercado. Temos que dizer que muitas dessas esperanças se apoiam nas corajosas posições públicas tomadas pelo Presidente da Assembleia Municipal, Francisco do Ó Pacheco, que manifesta dúvidas e exige informação e transparência em todo este processo. Acredita-se que o seu exemplo contagie alguns deputados da CDU.
Mas também se espera que os cidadãos possam participar já que o assunto é do maior interesse para todos. Como se espera que toda a gente participe com a sua presença nesta importante reunião da Assembleia Municipal.
Um grupo de cidadãos irá entregar uma petição que visa sensibilizar os deputados -todos os deputados - para aquilo que lhes parece ser o sentimento geral da população e o interesse da Cidade. Está a decorrer uma recolha de assinaturas, uma inicativa dos pequenos comerciantes que pensam ao contrário do Presidente da Autarquia, que irão ser entregues na Assembleia.


com a música de Tony Bennett que aos 80 anos nos continua a deslumbrar... alguns sucessos para ouvir até ao fim ... good night baby


com música... entre no site de Madeleine Peyroux (media) e escolha a música, sugiro the summer wind de Half the Perfect World

A Assembleia Municipal de Sines reune no próximo dia 28 de Novembro para, entre outras coisas, votar a proposta da Câmara de demolir o Mercado e tudo aquilo que já se sabe.

A ordem de trabalhos desta Assembleia Municipal é a seguinte:

MUNICÍPIO DE SINES Assembleia Municipal
Edital Nº16 /06
CONVOCATÓRIA

Francisco Maria Pereira do Ó Pacheco, Presidente da Assembleia Municipal de Sines:
Nos termos da lei e do Regimento, convoca a Assembleia Municipal para a Sessão Extraordinária que terá lugar no dia 28 de Novembro, pelas 21.00h, na sala de sessões do Edifício dos Paços do Município, com a seguinte Ordem de Trabalhos:

Ponto 1 – Apreciação e votação da proposta da Câmara Municipal de Sines, para desafectação do domínio público municipal da parcela de terreno sita no Loteamento de S. Rafael.
Ponto 2 – Apreciação e votação da proposta de criação da Associação para a Gestão do Centro de Incubação de base tecnológica

2.1. –-Apreciação e votação sobre a oneração do Lote 122 da Zona Industrial Ligeira II, com direito de superfície a favor da referida Associação, pelo prazo de 30 anos.
Ponto 3 – Apreciação e votação da proposta da Câmara Municipal de Sines para a constituição do direito de superfície do prédio designado por Mercado Municipal, mediante recurso a concurso por Hasta Pública.

Ponto 4 – Apreciação e votação do Plano de Pormenor da zona de Expansão Sul-Nascente da Cidade de Sines.

Ponto 5 – Apreciação e votação da proposta da Câmara Municipal de Sines de constituição de direito de superfície a título gratuito, de um lote de terreno destinado a equipamento social de apoio à infância, a constituir a favor da Caritas Paroquial de Sines.

Ponto 6 – Apreciação e votação das “Minutas de contratos de prestação de serviços por ajuste directo para recolha, tratamento e valorização de resíduos recicláveis e para recepção, transporte e deposição em aterro de RSU (Resíduos Sólidos Urbanos).

Ponto 7 – Apreciação e votação da tabela de tarifas de viaturas.

Nos termos da Lei e do Regimento, todas as sessões são públicas, pelo que todos os munícipes interessados poderão assistir aos trabalhos.

Sines, 16 de Novembro de 2006. O Presidente da Assembleia
Francisco Maria Pereira do Ó Pacheco


morreu o homem o poeta , o homem pintor
fica o poeta, o pintor
os poetas não morrem
extinguem-se com o último homem, na própria terra

you are welcome to elsinore

Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício


Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar


-Mário Cesariny -

No final desta semana a opinião pública foi abalada com a revelação de que a Câmara de Lisboa tinha aprovado um loteamento num terreno onde supostamente irá passar o TGV. As consequência deste acto de gestão urbanística são, caso o TGV avance e passe nesses terrenos, o pagamento de uma avultada indemnização proporcional ao índice de edificabilidade atribuído aos terrenos.
Esta iniciativa reprovável da autarquia lisboeta não é caso virgem no País e dá conta de uma falta de solidariedade entre o poder local e o poder central. Mostra igualmente como as autarquias estão dependentes das receitas do imobiliário e das receitas provenientes das taxas associadas à emissão de alvarás de loteamento. E como esse facto contribui para a degradação da gestão urbanística e para a práctica de actos, pelo menos, discutíveis.
Mas, mostra ainda como a lógica dos direitos adquiridos é uma artimanha jurídica que contribui para a degradação do Ordenamento do Território e permite organizar a transferência de meios públicos para mãos privadas.
As reacções dos partidos foram em geral inconsequentes com excepção do Bloco de Esquerda que remeteu o assunto para o Ministério Público. Não é que daí venha grande coisa a julgar pela experiência práctica em assuntos da mesma natureza. Incompreensível foi a reacção de Miguel Coelho do PS que pediu a retirada do pelouro à vereadora do urbanismo, pretensa autora da coisa. Será que Miguel Coelho não reparou que a aprovação só foi possível com o voto de qualidade de Carmona Rodrigues? Outro argumento igualmente espatafúrdio a que recorreu foi de "que a Câmara perde legitimidade moral para pedir financiamento para um projecto seu (a revitalização da Baixa-Chiado ) quando tomou uma decisão que vai encarecer um projecto do Governo". Mas que raio de argumento é este? É esta a questão que está em jogo?
Porque não concentra Miguel Coelho a sua energia na elaboração de uma proposta ao Governo para que reveja o Código das Expropriações na parte em que faz depender as expropriações por utilidade pública do pagamento de uma indemnização que tem em conta a valorização dos terrenos resultado de decisões da Administração e para rever de uma vez por todas a questão dos direitos adquiridos sobretudo quando eles resultam de decisões da Administração Pública lesivas da regulamentaçãoi urbanística existente?


gente de quem se gosta, gente a quem se ama
gente que fez e faz a diferença
gente que nos diz ideias que fazem crescer e ver
palavras que nos desenharam, lá de trás, de longe

1. Não te ataques com os atacadores dos outros.
Deixa a cada sapato a sua marcha e a sua direcção.
O mesmo deves fazer com os açaimos.
E com os botões.


(...)

5. Tudo tem os seus trâmites, meu filho!
Não faças brincos de cerejas
sem te darem, primeiro, as orelhas.

Era bom que esta fosse, de facto, a tua filosofia.

- Alexandre O'Neil -

Lido no Globo Online - Blog (repórter Miguel Conde) :

"Os autores da Língua Geral, editora de literatura lusófona lançada no mês passado, circulam pelo Centro de Convenções aqui de Ouro Preto como uma turma de colegiais em excursão: barulhentos, caóticos, animados. Há pouco, o angolano José Eduardo Agualusa dançava com a portuguesa Patrícia Reis no saguão ao lado da sala de imprensa.

Agualusa deu uma coletiva aqui no Fórum, acompanhado por três dos autores que assinam livros no primeiro lote de obras lançadas pela editora: a mineira Christiane Tassis (“Sobre a neblina”), o moçambicano Nelson Saúte (“‘O homem que não podia olhar para trás”). (...)

Disse também que o mercado editorial brasileiro é um dos poucos no mundo que está em expansão. “O mercado português não nos interessa muito, já está saturado”. Lamentou que até hoje não se tenha chegado a um acordo para unificar as grafias dos países de língua portuguesa: "O acordo ortográfico não foi aplicado e isso é mau. Ele não foi aplicado pela teimosia de intelectuais portugueses, que ainda pensam serem donos da língua portuguesa. Temos que tomar uma decisão. É tempo de Angola dizer 'vamos usar a grafia brasileira'".
Mais tarde, na palestra, Saúte levou a idéia adiante. Defendeu que se mude o nome da língua portuguesa: "Porque ela é dos portugueses, mas também é muito nossa".



Rui Vinagre - Guitarra Portuguesa / Miguel Calhaz - Contrabaixo / Marco Figueiredo Piano / Jorge Queijo - Percussão
Centro das Artes de Sines - Auditório 25 Novembro 22h00


Revisitar os que nos marcaram e transformaram um tempo e certamente o futuro.
Ouvir as ideias, as palavras, a música , independentemente de onde estejamos, não os deixar morrer, neste país tantas vezes ingrato.

O Grupo de Acção e Intervenção Ambiental promove amanhã em Portugal o Dia Sem Compras. Normalmente, acontece uma vez por ano e coincide com a época tradicional de compras na maioria dos países ocidentais.
A ideia base desta acção é a de alertar para o excessivo consumismo e lembrar que o melhor dia que se pode ter é passado junto da família ou dos amigos, longe dos centros comerciais.

René Martin acusa Mega Ferreira de lhe roubar a sua propriedade intelectual. Isto a propósito do anúncio, pelo director do CCB, de que a Festa da Música terminou seguindo-se os Dias da Música. René acusa Mega Ferreira de copiar para este novo Festival o modelo que criou para as "Folle Journée" de Nantes. Mega responde que René não é dono do conceito nem dos artistas.
Isto promete e talvez seja mais fácil calar a ministra do que o criador da Festa da Música.
Mas quanto a violação do direito de autor e utilização de ideias alheias à margem dos próprios - que a existir neste caso será certamente provado, já que o criador francês avançou para justiça - está este País cheio de péssimos exemplos. Há muita gente que nunca vê o seu trabalho reconhecido e que assiste, mesmo, à apropriação daquilo que foi mérito seu por espertezas alheias.

esta deputada do PCP tem tido um comportamento destacado na bancada comunista da Assembleia da República. Juntamente com Honório Novo compensam a falta de chama e de capacidade de intervenção que ataca o, velho, apetece-me dizer, líder Parlamentar, Bernardino Kim Il Sung Soares.
Nas questões da Educação tem sido a voz dos comunistas e fala de uma forma que encontrará eco muito para lá das paredes de vidro do partido.
Jerónimo de Sousa quer substituí-la. Para renovar a bancada. Não se sabe porque não substituí um dos que ninguém escutou alguma vez sobre fosse que assunto fosse? Afinal o mérito vale ou não na actividade política? Que critérios são utilizados para decisões desta natureza? Os eleitores de Santarém, que elegeram Luísa Mesquita, gostam da ideia de Jerónimo de Sousa ou preferem que a deputada continue a fazer o que tem feito no Parlamento?
O PCP faz uma avaliação positiva do trabalho da deputada. Mas quer substituí-la na mesma. Talvez porque o trabalho seja excessivamente positivo para os padrões comunistas. Aplaudo, por tudo isto, a decisão da deputada de resistir à decisão que carece de qualquer fundamento razoável, pelo que se conhece. O primeiro compromisso de um deputado é com o povo que o elegeu. Em segundo lugar com o partido. Ora Luísa Mesquita em todas as votações respeitou, tanto quanto se sabe, as posições do PCP. Substituída porquê?

O anúncio do fim da Festa da Música no CCB por parte do seu nóvel Presidente não constituiu uma grande surpresa. Mesmo depois de Mega Ferreira ter prometido a continuação do evento à data da decisão da Câmara de Lisboa de o apoiar. Os cortes na Cultura e no Ensino Superior marcam o Orçamento para o próximo ano. O que provocou alguma agitação foi o desacordo entre António Mega Ferreira e a ministra. Ele disse que tinha menos dinheiro. Ela explicou que o dinheiro era, pelo menos, o mesmo, face à saída do Centro de Exposições cujo défice deixava de existir. Ele comentou que as contas dela eram uma trapalhada, que não dava para entender e lá esclareceu porque razão elas estavam erradas. E de contas sabe Mega Ferreira como ninguém.
Desacordos entre Ministros e funcionários políticos - embora de alto coturno - acabavam outrora em demissão. Mas neste caso o nível do funcionário e da Ministra, isto é o poder político de cada um, anda muito equilibrado. O funcionário é quase um ministro, e a ministra é quase uma funcionária.

As declarações da Ministra da Educação e de José Sócrates sobre a aprovação do estatuto da carreira docente pareceram-me horríveis. Lembrou-me o pior que a direita costumava fazer, nos tempos de maioria absoluta da AD.
A ministra, com aquele ar beato que Deus lhe deu, repetiu que acredita que o Estatuto será aceite pelos professores ao contrário dos sindicatos. Se isto é discurso de um governo socialista, então pode vir um governo de direita que não faz qualquer diferença.
Sócrates, numa breve intervenção, chamou a atenção para a importância que o Estatuto tinha para as famílias. A palavra "famílias" foi repetida meia dúzia de vezes, numa curta declaração de menos de trinta segundos.
E ainda há quem ache que este é um governo de esquerda e que a diabolização dos sindicatos não existe.


 

Pedra do Homem, 2007



View My Stats