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Confirmadas pressões sobre magistrados no caso Freeport
Vai haver um processo disciplinar ao suposto "agente pressionante", o procurador Lopes da Mota, processo esse que substitui o inquérito às ditas pressões, decidiu o Procurador Geral da República.
Afinal, já se concluiu que alguma coisa aconteceu. Pressões, pelo menos. No puro recurso à lógica poder-se-á deduzir que quem pressiona quer obter um resultado com suas pressões. Que resultado seria? Teria alguma relação com o objecto da investigação? E que mais terá acontecido? Talvez ainda se saiba, não percamos as esperanças. A justiça é lenta, mas lá que se move, move-se.

Jorge Miranda, pelo PS, é primeiro candidato a provedor de Justiça
Independentemente das trapalhadas que rodearam este processo, a escolha do professor Jorge Miranda é uma escolha que engrandece o lugar e quem a faz. As posições do PSD de recusar este histórico social-democrata, fundador do partido e um dos nossos mais respeitados constitucionalistas, é ridícula.
Espero que se reunam os votos suficientes em torno deste excelente candidato por forma a que os cidadãos tenham um novo provedor de justiça e o dr. Nascimento Rodrigues, que honrou o cargo que desemepenhou, possa ser substituído. Não reconheço qualquer utilidade em candidaturas do PCP ou do BE.
Se os cidadãos pudessem votar eu votaria em Jorge Miranda porque estou certo pelo conhecimeno que tenho da sua intervenção cívica e da sua elevada preparação que os cidadãos vão poder confiar nele como o seu provedor de justiça. Acho, aliás, que Jorge Miranda teria mais de 2/3 dos votos dos portugueses.
Trata-se de uma personalidade que honra o lugar.

"Conselho Superior da Ordem dos Advogados pede ao bastonário que clarifique as suas denúncias"

Há uns anos atrás o presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses ficou célebre - tristemente, para alguns - pela sua reacção ás acusações de corrupção entre os autarcas. Argumentava ele, dirigindo-se aos acusadores, que deviam indicar os corruptos. Não me recordo se exigia ou não a morada e o número de telefone, mas dava claramente a entender que vontade não lhe faltava. Mais tarde quando Rui Rio denunciou a corrupção existente na autarquia do Porto - uma coisa que a ninguém tinha ainda ocorrido, em boa verdade - acabou objecto de acusações e de investigações. Julgo que terá sido relativamente a este caso que Saldanha Sanchez escreveu por outra spalavras que se alguém queria ter sérios problemas com a justiça o melhor caminho era denunciar os corruptos.

Neste caso parte da Ordem parece que não gosta da escolha feita pela classe. Acha que o bastonário - que comete excessos mas que não peca por omissão ou por assobiar para o ar a fingir quer não se passa nada - não pode falar de corrupção se não indicar o nome e a morada dos corruptos e não pode criticar os juízes apresentando de imediato a lista dos bons e dos maus, sempre acompanhada dos respectivos números de telefone para facilitar a "investigação". Nos tempos que correm a vida não está fácil para os que se atrevem a criticar o status quo. Mas Marinho Pinto parece ser um homem de antes quebrar que torcer.


 

Pedra do Homem, 2007



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