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Pertenço a uma geração que sabe muito bem quem foi o cónego Melo. Morreu na passada semana e alguns jornais salientaram a tranquilidade que rodeou a sua morte. Um ultra-reaccionário confesso e militante - o 25 de Abril deve ter sido um dos piores dias da sua vida - que morreu de velho enquanto outros, combatentes pela liberdade, sucumbiram precocemente ceifados pelas bombas da canalha.

Assisti ao "Prós e Contra" de ontem e apesar de ter continuado até tarde e das consecutivas tentativas de boicotar qualquer intervenção mais substancial, por parte da Fátima Campos Ferreira, valeu a pena. Por estar em Lisboa e sem computador acessível o post correspondente apenas sai agora.
O ministro Mário Lino e a deputada Zita Seabra igualaram-se na politiquice barata e bem podiam ter sido dispensados ao fim da primeira parte. Os ex-camaradas comunistas primaram pela irrelevância. Bom, não será bem assim pois Mário Lino anunciou que já encomendou um estudo qualquer - julgo que era sobre qual a ponte a construir ou sobre as acessibilidades(?) - ao professor Viegas, desfazendo a impressão deixada no último Expresso da Meia-Noite e sossegando, um pouco mais porventura, o dr. Pacheco Pereira.
Se tivessemos que apagar todas as intervenções realizadas, por questões de memória do sistema, talvez devessemos salvar para memória futura todas as dos professores Jorge Gaspar e José Reis e do empresário Henrique Neto. Por acaso pessoas que defendem a solução que eu não defendo:a OTA.
Eu defendo a solução Alcochete mas quase que me apetece concordar com a generalidade das intervenções de Henrique Neto: vão para lá desta simples discussão e têm a ver com a situação do país e do seu fraco futuro, muito por culpa das lamentáveis opções da classe empresarial portuguesa que, como ele diz, passa a vida na cama com o Estado. Pelo menos aquela que prospera de forma chocante com a especulação imobiliária. Aliás, Henrique Neto é o único empresário português capaz de perceber como a apropriação do território por alguns poucos é hoje um factor brutal de enriquecimento desses mesmos e de empobrecimento de todos nós. Julgo que já várias vezes ele introduziu o tema em sucessivas presenças quer neste programa quer noutros, mas os jornalistas não estão preparados para esta discussão. Não são os únicos.
Jorge Gaspar defendeu inicialmente a OTA por questões de ordenamento do território. A sua posição baseia-se no príncipio de que a localziação se deve aproximar do centro geográfico dos utilizadores. Claro que existe por detrás desta ideia simples a noção do policentrismo e uma ideia de desenvolvimento do país suportada pela grande área metropolitana Lisboa-Porto.
O professor José Reis, um economista que tem uma perspectiva espacial dos impactos das decisões económicas, fez a melhor síntese daquilo que tinha estado a ser debatido e do verdadeiro significado da decisão do Governo: construir um aeroporto para o País ou construir um país para um aeroporto. Claro que a OTA corresponde à primeira situação enquanto Alcochete corresponde ao segundo cenário.
Eu defendo Alcochete - escrevi algumas vezes aqui sobre esta questão - exactamente porque dá uma possibilidade real de construir essse outro país que ainda não existe: mais equilibrado, menos hipertrofiado entre Lisboae o Porto, a prazo mais competitivo. A Área Metropolitana de Lisboa é o exemplo perfeito dessa assimetria, basta comparar a parte norte com a parte sul. Continuar a incentivar essa hipertrofia julgo que podia ter resultados momentâneos em termos de competitividade mas os custos ambientais - resultantes da hiper concentração de pessoas e de actividades - seriam a prazo insustentáveis.
Mas aquilo que aí vem - com a OTA seria pior porque os terrenos eram privados - é uma fortíssima especulação imobiliária e uma canalização de recursos para esta área não para os melhores fins. Para o evitar é encessário outro debate: sobre a política de solos e as mais-valias, um debate tabu na nossa pobre sociedade.

José Medeiros Ferreira , no "Diga Lá Excelência" sobre o referendo: "(...) A diferença entre o Tratado Constitucional e o Tratado de Lisboa é como quando se tem um filho chamado Francisco no registo civil a quem tratamos por Chico lá em casa.(...)"
Mais um anti-europeísta primário, um daqueles a quem o único referendo a que deviam ter direito, para algumas iluminárias, era "sim ou sopas à UE?".

Numa primeira leitura parece-me excelente e oportuna. Destaco a frase que a Visão escolheu para manchete pela sua óbvia importância política: "quando se pede sacríficios não se deve ser arrogante".
Ferro Rodrigues faz uma análise de vários acontecimentos marcantes do passado recente e fala do presente e do futuro. Da flexisegurança, do Código do Tabalho, de como Portugal é visto lá fora. Fala de Sampaio e, a esse propósito, espanta que ainda haja quem defenda a correção da atitude do ex-presidente ao nomear primeiro-ministro Pedro Santana Lopes, evitando eleições. Sampaio evitou a chegada ao poder de um PS com uma orientação claramente social-democrata - ironicamente muito próxima da sua - muito mais à esquerda do que o actual.


 

Pedra do Homem, 2007



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