É este o nome do artigo do economista José Reis publicado no terceiro número da revista ops!
Fica aqui o link para quem quiser aproveitar a oportunidade de tentar compreender como "os processos de desenvolvimento em Portugal levam em conta os objectivos de coesão territorial e de sustentabilidade".
José Reis parte da pergunta inicial "o País conta, quando está em causa encontrar novas soluções para os problemas da economia e da sociedade?" para reflectir sobre o modelo da nossa organização territorial - marcada pela injustiça e pela fragilidade dos diferentes espaços sub-regionais - e sobre a revesão da hierarquia regional e a rotação espacial do país - "o papel excessivo que está a ser atribuído à Grande Lisboa coloca o conjunto dos outros espaço regionais perante uma séria ameaça de periferização. A este argumento não pode, aliás, deixar de se juntar a questão que resulta das persistentes dificuldades de desenvolvimento do modelo nortenho, centrado no Porto" - e reflecte sobre o efeito nessa rotação espacial das grandes infra-estruturas e dos “simplificadores” do desenvolvimento - "(...) Ao privilegiar das economias turísticas e de grandes empreendimentos que estão a Sul e à prioridade de uma ligação Lisboa-Madrid fácil e sem os “empecilhos” de considerações territoriais internas. A organização do país, tanto a interna como a que ocorre à escala ibérica, passou a assentar em “simplificadores” modernizadores muito fortes.(...)" - José Reis conclui perguntando se a coesão territorial ainda tem valor para concluir que " O que mais importa é saber que o ponto das desigualdades espaciais e o do contributo dos territórios para o desenvolvimento não podem sair da agenda política. De uma agenda política de esquerda, dado que é por aí que passa um desenvolvimento inclusivo, capaz de conjugar as pessoas, os recursos e os vários contextos de vida com a modernidade, a inovação e, portanto, com a coesão territorial.Sem dúvida que a crise relança estas questões e reforça a sua importância. Temos hoje cabalmente demonstrado que não há invenções sociais simplificadoras – como a dos mercados autosuficientes, do individualismo ou a da circulação do dinheiro – que possam substituir a acção colectiva ou a lógica inclusiva."


 

Pedra do Homem, 2007



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