e outros dias bons também Aqui



O João Maria que foi hoje a enterrar no cemitério de Sines leva consigo uma grande parte de muitos dos capítulos mais excitantes que se escreveram nesta terra entre os finais dos anos sessenta do século passado e o ínicio do novo século.

O João foi a mais fulgurante inteligência do seu tempo. Inteligência que junto com a sua beleza física colocou desde novo ao serviço de uma vida marcada pela radicalidade. Na sua adolescência, quando os tempos eram duros, nunca escondeu a sua orientação sexual nem evitou, antes pelo contrário, os inevitáveis confrontos com a moral e os costumes dominantes. A sua exposição pública, e do grupo de jovens amigos polarizados em seu redor, constituiu o mais radical abanão na pequena e salazarenta moral burguesa dominante. Coisa que não se confinou ao período que acabou em Abril de 1974. Contribuiu para tornar esta pequena terra num centro urbano aberto e cosmopolita antes dos novos descobridores, que inverteram o percurso do Gama, a terem tornado nesta pequena cidade-desinteressante e rotineira, igual a qualquer outra periferia, que ultimamente tanto o desiludia. Periferia onde se reprime a diferença sobretudo a de opinião crítica e se fomenta a mais rasteira subserviência ao poder.
Foi ele e os seus amigos que aqui fizeram eco, desde cedo, do movimento Hippie que culminou em Woodstock ou do Maio de 68 em França.
Recusou-se a continuar os estudos secundários porque a escola de então, que reproduzia a ordem e a moral vigentes, lhe parecia insuportavelmente repressiva, claustrofóbica e mesquinha. Desinteressante. Não necessitou da escola tradicional, do Liceu e da Universidade, para adquirir o conhecimento que faziam dele um homem muito, muito culto, com competências raras na Literatura e um conhecimento de várias línguas nas quais falava e escrevia com perfeito domínio.

Era um amante dos livros, sobretudo dos livros de alguns escritores por quem tinha uma verdadeira paixão: Yourcenar - foi ele quem me falou pela primeira vez da autora das "Memórias de Adriano" - e Borges, acima de todos os outros. Escrevia de uma forma belíssima. Mesmo nas simples crónicas dos jornais a beleza da sua escrita permitia-nos saborear os seus textos para além da importância das coisas sobre as quais escrevia. Foi durante décadas um grande conversador, animando tertúlias que discutiam sobre as coisas do dia a dia ou sobre os grandes temas e as grandes questões do mundo. E um bon -vivant. Um amigo dos copos, da noite, da imprevisibilidade da vida e dos seus amores e desamores. Um amigo dos seus amigos.

Mais tarde isolou-se de quase todos optando por percorrer quase sempre só os dias que lhe restavam da sua vida. Terá sido um reflexo da perda de alguns amigos muito importantes, dos desentendimentos com outros de que se separou por incompreensões várias, terá sido por um sentimento de injustiça perante o rumo que a sua vida levava, terá sido apenas e só porque não queria conviver com a boçalidade, cada vez mais dominante, que ele tanto detestava.
O João Maria era um homem livre. Foi sempre um homem livre. Nunca se vergou aos poderes de ocasião nem lhes prestou vassalagem. Foi um viajante, ele que quase nunca saiu de Sines. Viajou através dos livros, através da palavra escrita. Deixa um registo forte na memória afectiva daqueles com quem lidou.
Agora andará por aí a reencontrar velhos amigos que não via há muito tempo.
Até sempre.

PS- a foto acima é do José Pedro Lucas.

João gostava do ofício da escrita, dos livros, da madrugada, do mar, da ciência e, consequentemente, do mistério. Gostava das "filosofias" orientais, do budismo, do "Tao", dos exercícios que tornam mais leve a alma, gostava de rir e de eloquências breves. João gostava com convicção dos amigos, da filosofia, do passado, da solidão. João sabia da escrita, das coisas antigas, de uma "paz que se alcançará". É sempre pouco o que dizemos das pessoas que marcaram a nossa vida e nunca esqueceremos. Neste lugar, o mais importante não é o que se diz, mas o que se viveu e o que se sente.
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Estes são "Os Livros da Minha Vida" por João do Ó Pacheco:
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A Obra ao Negro de Marguerite Yourcenar
As Aventuras de João Sem Medo de José Gomes Ferreira
As Brumas de Avalon (tetralogia) de Marion Zimmer Bradley
Biologia das Paixões de Jean-Didier Vincent
Cien Años de Soledad de Gabriel Garcia Márquez
Données Immédiates de la Conscience (Essai) de Henri Bergson
Fausto de Johann W. von Goethe
Ficções de Jorge Luis Borges
Kobor Tigan't - chronique des géants de Christia Sylf
Le Matin des Magiciens de Louis Pauwels et Jacques Bergier
Memorial do Convento de Jose Saramago
O Budismo Zen de Alan W.Watts
O Castelo de Franz Kafka
O Pêndulo de Foucault de Umberto Eco
O Templo Doirado de Yukio Mishima
Proposed Roads to Freedom: Socialism, Anarchism and Syndicalism by Bertrand Russell
Psycho Cybernetics by Maxwell Maltz
Tao Te Ching de Lao Tzé
The Adventures of a Reluctant Messiah by Richard Bach
The Journey to the East by Hermann Hesse
The Tibetan Book of Living and Dying by Sogyal Rinpoche
também Aqui

O sismo no Haiti coloca-nos a todos nós, à escala global, perante um horror indescritível e torna mais evidente aos nossos olhos as fragilidades e as fraquezas que revelamos, ao nível mundial, quando se trata de prestar ajuda aos que são atacados pelas catástrofes. No caso do Haiti ainda bem que os EUA reagiram como estão a fazer, mobilizando os recursos que mobilizaram para ajudar os haitianos. A resposta dos EUA não tem paralelo com a de qualquer outro pais e refira-se a pobreza da resposta da União Europeia cuja incapacidade ficou mais uma vez tristemente evidenciada, sendo patéticas as preocupações do senhor Sarkozy, preocupado ao que parece com a eventual ocupação militar do Haiti pelos EUA - uma pontada anti-imperialista que o terá atacado - e com a falta de consideração pelo papel da França. Patético. Nestas alturas apetece dizer que somos todos solidários com os que ajudam de facto, sejam eles amerianos, cubanos, israelitas ou outros, independentemete das realidades políticas de cada país e das nossas simpatias.
Na realidade, e a salvo de qualquer avaliação/revisão ideológica, os sismos são fenómenos naturais.
Não são seguramente é catástrofes naturais muito menos são naturais as catástrofes que os sismos provocam. São catástrofes que, como no caso do Haiti mais uma vez ficou demonstrado, são provocadas pelas construções edificadas pelo Homem e pelas opções que os homens tomam quando se trata de decidir sobre os locais inde se pode construir, entre outros aspectos.
São essas construções que esmagam e matam os haitianos e os que lá viviam e trabalhavam, como o fizeram nos últimos anos noutros locais de Kocaeli, na Turquia em 1999, com a destruição de mais de 50% dos edificios de construção recente em betão armado e com cerca de 40 mil mortos, passando por Kobe no Japão em 1995 com 6400 mortos, peloMéxico em 1985, por Marrocos em 2004 ou por L'Aquila em 2009, podendo-se referir muitos outros casos, infelizmente.
Há consequências específicas em cada local afectado por um fenómeno sísmico potenciadas por razões naturais como as caracterisiticas dos solos mas também por razões associadas ao nível de desenvolvimento da sociedade que aí existe. Há casos em que os prejuízos materiais adquirem uma muito maior expressão do que as perdas em vidas humanas, enquanto noutros locais reduzidos prejuízos materiais se traduzem em monstruosoas perdas em vidas humanas como é o caso do Haiti. Claro que essas diferenças são muitas vezes a manifestação de diferentes níveis de desenvolvimento das sociedades e da existência de estados falhados, incapazes de organizarem de forma justa a vida dos seus cidadãos.
Mas não há uma geografia pró ou anti-imperialista que nos permita ver com mais clareza e compreender melhor este tipo de fenómenos e as catástrofes a que podem dar origem. Nem preparar melhor a resposta que os sismos deviam merecer.
Há factores humanos que relevam da acção política que potenciam o carácter catastrófico resultante da ocorrência de um sismo. Factores que resultam daquilo que se faz e daquilo que se omite. Mas existe uma desigualdade geográfica associada a diferentes características geológicas que se pode medir num risco sísmico diferente de região para região e que dentro do mesmo país nos permite diferenciar as regiões por níveis de risco sísmico.
A resposta que nos permitirá lidar melhor com este tipo de fenómenos e com as suas consequências tem que começar a ser preparada antes do fenómeno natural tornar violenta a dimensão das nossas fragilidades.
Para os Haitianos, esmagados pela catástrofe, pouco interessam estas reflexões. O que lhes importa é a mão amiga que lhes traz comida, água, assistência médica ou que os ajuda a libertarem-se dos sarcófagos de betão em que estão encurralados. A mão amiga e salvadora. Interessa-lhes o agora independentemente de todas as outras considerações. Um dia mais tarde poderão discutir essas questões. Mas há tantas coisas tão básicas por resolver. Coisas que apenas ficaram mais visíveis depois do sismo mas que já eram a imagem de marca da sua sociedade, marcada por uma pobreza extrema, pela corrupção, pela ausência de qualquer expectativa de um futuro melhor. Uma sociedade atrozmente injusta.

Em países com níveis de desenvolvimento milhares de vezes superior ao do Haiti, como o nosso, um sismo desta magnitude, com o epicentro perto de uma da falhas que atravessa o território continental, provocará uma severa destruição, traduzida em muitas dezenas de milhares de mortos e num brutal empobrecimento do país. Mas a probabilidade dele ocorrer é baixa dir-se-á. Pois é, no Haiti tinha ocorrido um sismo muito severo por volta de 1755...

Para evitar essas consequências devastadoras é necessário promover a acção baseada no conhecimento e no rigor e na exigência na aplicação desse conhecimento. É necessário que cada um de nós e a sociedade no seu conjunto saibam distinguir aquilo que é fundamental do que é acessório. Ora, como o debate público tem mostrado, sempre que se fala de sismos, ou mais em geral da edificabilidade, o acessório mostra que está confortavelmente instalado e que veio para ficar. Como dizia ontem o professor João Duarte Fonseca, no programa Prós e Contras, existe uma contradição insanável entre o elevado período de retorno dos sismos e o curto período de retorno dos políticos, que é de 4 anos como se sabe. Essa contradição tem tido consequências em áreas do conhecimento e da acção política pública que têm sido descuradas de forma chocante e cuja promoção tem que ser e é uma responsabilidade pública através dos laboratórios públicos. Por exemplo um mais apurado conhecimento da susceptibilidade sismológica das áreas mais sensíveis do território particularmente das zonas próximas das falhas que o atravessam. Ou o controlo e monitorização dessas falhas. Acresce o facto de apesar de existir um sólido conhecimento técnico e cientifico ao nível da engenharia civil na área da sismologia em Portugal, existe um caldo de cultura que torna esse conhecimento dispensável e até inconveniente para o normal dia a dia da sociedade e para a actividade normal de construção. Dispensabilidade que resulta da acção política da esquerda e da direita - irmanados da mesma ignorância - que tem diabolizado a engenharia civil portuguesa através de uma perspectiva parola e modernaça do processo construtivo e da responsabilidade, importância e nível de preparação exigível aos diferentes técnicos que nele intervêm. Falo em particular da sinistra ideia de deixar a verificação da aplicação dos regulamentos sísmicos no projecto de estruturas ao livre arbitrio dos técnicos que o podem fazer e ao interesse de quem os contrata. Uma possibilidade funesta que tem expulso do mercado, literalmente, milhares de técnicos altamente qualificados substituídos por outros de formação ... mais aligeirada.
Quando se passa o tempo a discutir a protecção civil que, no essencial, é uma paródia com a sua municipalização, abdicamos de tomar a decisão de nos protegermos. Por exemplo começando por um programa de reforço sísmico do parque escolar, como parte essencial de um programa de reconstrução das escolas. Estendendo depois essa intervenção a todos os edificios públicos particularmente os da área da saúde e indo por aí fora. E sendo implacável com as construções particulares que devem ser, na fase de licenciamento, objecto de verificação e de certificação do ponto de vista estrutual. Feito por entidades qualificadas de forma a permitir que fiquem no mercado os tecnicos mais competentes. Trabalho que não pode ser feito pelas autarquias cuja incompetência nesta matéria, e noutras, é notória.
Há, pois é, isso levava mais tempo e não dava para as eleições. É a tal questão do período de retorno. Os sismos e os políticos não se encontram neste país e isso tem sido assim quer os políticos sejam mais à esquerda ou mais à direita. A ignorância não tem sido sectária neste particular.

PS - a menos de um anúncio mais formal por parte da administração deste blogue faço com este tema sobre o qual escrevi várias vezes ao longo de cerca de 4 anos, para muito poucos leitores convenhamos, a minha última participação. Que aliás é já uma pós-participação já que a decisão tinha sido tomada algumas semanas atrás. O Pedra do Homem foi um prazer pessoal e um exercício de cidadania à maneira de cada um de nós. O resto são cantigas.

Terceira vitória consecutiva coloca os “leões” a subir e já no quarto lugar
O Sporting ganhou merecidamente contra uma das equipas mais fracas da Liga. Ganhou de forma aflita porque, sem Liedson, tem dificuldades extremas em marcar um golo. Carvalhal contra dez, em casa, não hesita em recorrer à perda de tempo para segurar a vantagem. Essas dificuldades resultam da forma como a equipa ataca com uma quase ausência de jogo pelas alas.
João Pereira jogou bem, mas, sinceramente, custou caro. Pongolle, não jogou grande coisa, mas seria razoável admitir que a mais cara contrataçãodo clube desde há decadas valesse uma entrada de caras no - paupérrimo - onze titular. Sendo seguramente muito melhor que Caicedo corre o risco de se tornar no mais caro barrete alguma vez enfiado pelo clube.
Izmailov - que tem uma boa imprensa - jogou de forma sofrível. Um verdadeiro crime manter Pereirinha no banco e dar a titularidade a este russo mediano. Vendê-lo por 5,5 milhões seria o melhor negócio desta gestão, no entanto está criado o ambiente para que a sua saída seja encarada como uma acção de lesa-Sporting. Não saindo agora, sairá mais cedo do que tarde a custo zero.
Vucevic jogou o jogo todo o que é incrível. Uma exibição tola, de um jogador que apenas vê num pequeno círculo à volta de si próprio. Para alguns - caso do jornal ABola - foi o regresso do velho Vulk. Pois, velho e cansado, desprovido de ideias. Vênde-lo seria um acto de gestão notável por parte de Bettencourt.
Adrien, Moutinho, Tonel, Carriço, Saleiro - que joga bem como ponta-de-lança participando inteligentemente no jogo colectivo - jogaram bem. Não se pode dizer o mesmo de Postiga de quem não desgosto, que quase ia marcando num cruzamento-pedrada de Vucevic a que conseguiu meter a cabeça, que mostra uma considerável desinspiração.
Com este treinador e as alterações feitas a equipa melhorou um pouco mas nada de extraordinário. Julgo que Carvalhal não é o treinador capaz de construir uma equipa do Sporting para o futuro próximo.

Revolta em surdina no PS no dia do "sim" ao casamento gay
A aprovação da lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo merece um aplauso veemente "desta bancada".
A sua aprovação foi feita pela esquerda parlamentar e mostra que hoje, como nos próximos 20 anos, nenhuma alteração de fundo na nossa sociedade pode ser feita sem a participação do PS ou, mais utopicamente, contra o PS.
Sócrates tem o mérito de ter lidrado este processo. Deve-lhe ser creditado o mérito político por esta vitória da nossa democracia.
Mas, Sócrates conquista o direito a fortemente criticado por ter pretendido impor ao seu grupo parlamentar uma disciplina de voto que visava apenas e só evitar que uma parte significativa dos seus deputados votassem favoravelmente o projecto do bE, claramente o projecto mais coerente e que não exclui a adopção - o rebuçado com que Sócrates pretende adoçar a boquinha dos conservadores, cujo voto corteja.
Destaque para todos os deputados que se estiveram nas tintas para a disciplina de voto. Saliência para João Soares que mandou a disciplina de voto às urtigas. Um deputado é um cidadão livre e apenas os medíocres se deixam agrilhoar. Por muito que esteja apurada a "raça" há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não.

PS - Momento alto na história parlamentar o discurso de Miguel Vale de Almeida o primeiro deputado assumidamente gay. Uma República que tem entre os seus deputados um homem como Miguel Vale e Almeida capaz duma intervenção política desta dimensão merece mais ser levada a sério.

PS1 - A direita neste debate cheirava a mofo por tudo o que era lado. Em termos de direitos humanos, liberdades individuais, igualdade entre os cidadãos perante a lei, a direita portuguesa é contumaz: quer usar o Estado para dividir e separar os cidadãos entre os bons e os maus.



É algo de que gosto. É algo muito pouco acarinhado.

Sócrates acusa bancos de serem responsáveis pela crise
Desta vez Sócrates acerta em cheio nos responsáveis. Faltou-lhe apenas reconhecer que contaram com a cúmplice omissão dos Governos que ainda agora se manifesta, por exemplo, nas "facilidades" com que contam para pagar uma taxa efectiva de IRS muito abaixo da genralidade das empresas. Seria de mais vê-lo a reconhecer um facto cuja manutenção apenas depende da sua vontade política.

Arte de Miguel Veloso faz a diferença em Alvalade
Uma vitória depois de cerca de meia hora a tentar responder de forma aflita ao melhor futebol do Braga. Mas, diga-se em abono da verdade, que por alguns períodos o Sporting jogou o melhor futebol da era Carvalhal. Pelo menos a equipa mostrou maior capacidade para correr e para lutar e viu-se um maior espirito de entreajuda entre os jogadores. Sem os reforços de Inverno que custaram um balúrdio, refira-se.
A tese de que esta equipa com alguns ajustamentos - note-se que faltou Liedson - podia render o suficiente para disputar um lugar nas competições europeias, já que o título e um lugar nas Champions é chão que já deu uvas, sai reforçada depois desta vitória. O Sporting expurgado de alguns jogadores que não prestam o suficiente para estas andanças, tipo Caicedo, e reforçado com prata da casa e alguns jogadores bons e baratos, conseguiria facilmente esse objectivo enquanto poupava os milhões que arranjou para preparar dignamente a nova época.
Tendo avançado por este caminho, espero que tenha êxito, de que duvido para lá do acesso à Euroliga.
As boas notícias dos últimos dias eram a possível venda de Veloso - que espero não seja impedida por este belo golo - por qualquer valor acima dos 10 milhões, e um eventual interesse em Izmailov. Se conseguirem comprador para Vuckcevic, que não ata nem desata e joga apenas e só para si próprio, talvez as contas se componham. Podem também juntar o Pedro Silva, o Grimi e mais uns quantos.

Classe de Saviola quebrou resistência do Nacional e adormecimento do Benfica
Claro que sim, quem tem Saviola mais tarde ou mais cedo marca. Mas, diga-se, já antes Benquerença tinha dado a sua generosa contribuição. Na área do Benfica quem causar perigo corre o risco de ser parado por qualquer meio. Luisão - menos fogoso que David Luis - resolve ao pontapé aquilo que o seu colega resolve por arrasto. Se estes métodos clássicos não impedirem um eventual golo recorre-se "à verdade desportiva" que a tecnologia do olho humano possibilita e o tribunal da luz aceita e invalida-se o dito.
O Nacional vai para casa com razão de queixa. Como diria o Alberto João no "Contenente" trataram mal os madeirenses, claramente à margem da lei.

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
.
Vinicius de Moraes in Antologia Poética, 1960

João Pereira assina 4 anos e meio
bem sei que o bom do João Pereira não vai ganhar aquilo que o Saviola ganha. Mas, infelizmente, também não joga nada que se compare.
A boa notícia é que o Sporting começou a mexer, finalmente, apostando no reforço da equipa de futebol. A má notícia é que parece ter começado pelo lado em que existiam alternativas no próprio plantel. Por prioridades o Sporting necessita sobretudo de um lateral esquerdo. Os que lá "trabalham" não prestam: Grimi -caro e péssimo - André Marques, barato mas de qualidade sofrível e Caneira - que até já jogou na selecção nesse lugar, pasme-se - que é uma alternativa credível para o centro da defesa. Na direita joga o Abel, que é bom mas tem as suas crises, e tem como alternativa o Pereirinha, que no entanto pode ser aproveitado mais à frente onde rende mais. O Pedro Silva deve ser dispensado.
No meio do campo o Sporting não necessita de ninguém. Tem jogadores que bastem e de qualidade. O Rubem Micael por 5 milhões é o maior barrete da história. O Presidente do Nacional é fino a lidar com os lagartos. Façam regressar o miúdo do Leiria mas façam-no no final do ano para o especulador do Leiria ficar a ver navios.
No ataque é que o Sporting necessita de jogadores, sobretudo de alas e de um ponta de lança para jogar com Liedson. De preferência um bom jogador canhoto que seja rápido, que cruze bem e que jogue no último terço do terreno. O ponta de lança pode ser o Carlão do Leiria que o Manuel Fernandes se fartou de indicar aos cromos do Sporting, ele que percebe de pontas-de-lança como ninguém.
Mas o problema do Sporting é que tendo pago 3 milhões por João Pereira qualquer um destes jogadores fica-lhe para cima de dois Saviolas.

PS - O João Pereira, que é um bom jogador, melhor lateral direito que qualquer um dos do Benfica e provavelmente apenas inferior ao Fucile, que é rapido e bom tecnicamente traz uma qualidade ao Sporting: ajuda a equipa a subir no terreno ela que tem tantas dificuldades em passar a linha do meio-campo, na maioria das vezes. Talvez que uma carga de trabalhos destas tenha justificado o investimento.

Portugueses são dos que menos mudam de banco devido aos custos do processo
Mas será apenas uma questão de custos da mobilidade? Julgo que não. O que acontece - e não devia acontecer se a entidade presidida por Manuel Sebastião servisse para alguma coisa - é que não há concorrência no sector bancário. A capacidade de escolha do melhor prestador do serviço bancário em cada momento não é um acto livre já que no momento da compra do serviço o cliente compra uma fidelização. Grande responsabilidade política já que a Banca Pública deve ser utilizada pelo poder político para concorrer com o sistema privado oferecendo condições vantajosas em momentos, como o actual em que as taxas de juro baixaram. Se a Caixa estivesse obrigada pelo Estado a baixar as taxas de juro do crédito à habitação, acompanhando a descida da taxa de juro de referência e não manipulando os spreds, outro galo cantaria.
As prácticas anti-concorrenciais no sector bancário têm a cumplicidade política do Estado.
Eis aqui uma área na qual o PS nunca estabeleceu qualquer diferença com o PSD embora uma suposta discussão à volta da privatização ou não da CGD seja apresentada como a linha divisória entre eles. O problema é que não privatizando a CGD, o que se saúda, o PS utiliza-a para socializar os prejuízos do BPN, do BPP e não estabelece qualquer política de crédito público que tenha na Caixa o seu executante priveligiado.

Messi é o jogador do ano, à frente de Ronaldo

Messi foi o melhor jogador do ano de 2009. Parece que para esta escolha conta muito os troféus conquistados pelo vencedor. Mas, independentemente dos troféus, Messsi foi o melhor jogador do ano e arrisco a afirmação de que vai bisar embora não me espante que um dos outros dois baixinhos do Barça lhe sucedam. Messi é baixote, atarracado, não será o melhor veículo publicitário, com excepção das coisas para os putos, tipo playstation, mas com a bola nos pés e aquela corridinha peculiar com os pés juntinhos sempre a abrir, com a bola colada aos pés, é o maior descobridor de caminhos para o golo do futebol actual.
Messi é mesmo o melhor jogador do mundo nos tempos que correm. Perto dele andarão Ronaldo, Kaká e os dois baixinhos Iniesta e Xavi. Francamente não me parece que o sueco do Barça seja deste campeonato. Há um jogador em Itália que é também muito bom mas não tem tido sorte com as equipas em que actua e em particular com um treinador casmurro que encontrou no Porto: falo de Diego, um dos melhores do mundo, hoje por hoje.

Ricardo Rodrigues não vai recorrer de decisão da Relação
Ricardo Rodrigues tem dado a cara pela defesa das posições do Governo no que se refere ao combate à corrupção, ou melhor, à falta dele.
Pouca gente terá percebido a razão da notoriedade deste antigo membro do Governo Regional dos Açores que, com a eleição de José Sócrates, saltou para a primeira linha parlamentar.
Esta notícia também não ajuda muito a esclarecer a não ser pela exuberante manifestação de bom senso que Ricardo Rodrigues mostra quando decide não recorrer da decisão da Relação de não pronunciar por difamação o jornalista que o acusou de pertencer a um "gangue internacional na qualidade de advogado, sócio e procurador de uma sociedade offshore registada algures num paraíso fiscal".
A menos que esta associação seja considerada, o que não me parece credível, um curriculo não negligenciável quando o que está em causa é a luta contra a corrupção, a evasão fiscal ou o enriquecimento ilícito.
Mas Ricardo Rodrigues talvez seja afinal destacado epla sua capacidade para surpreender os agentes da justiça. Veja-se a perplexidade manifestada pelo juíz da primeira instância perante o despacho do MP no qual se podia ler que, apesar das "dúvidas" sobre a sua contribuição "nas actividades subsequentes à burla levadas a cabo pelos principais arguidos", o advogado alegou "desconhecimento da actividade delituosa".
"Desconhecimento da actividade delituosa" devia aliás ser uma justificação a ser universalmente aceite sempre que pessoas, sejam elas quem forem, sejam acudsadas de envolvimento em .... actividades ilícitas, quem é que vai acusar alguém de envolvimentob em actividades.... lícitas?

PS - só por manifesta guerrilha política alguém se pode vir a lembrar de questionar o relevo político de um deputado com este perfil.

Benfica voltou a ver melhor o FC Porto
no retrovisor
Em termos prácticos quem decidiu o jogo foi o melhor jogador a actuar em Portugal e um dos melhores a actuar em toda a Europa: Javier Saviola. Assim sendo até se pode concluir que está tudo bem, já que os melhores jogadores destinam-se a decidir mesmo nos momentos mais dificeis.
Mas, há sempre um mas, neste caso pesaram muito as más opções de Jesualdo Ferreira que fez actuar de ínicio uma equipa mázinha e não foi lesto a corrigir os erros iniciais. Com Varela de ínicio e com Belluschi outro galo teria cantado. Quando o peso pluma argentino entrou o relvado já tinha virado um batatal e se quisermos podemos comparar o rendimento de Saviola no primeiro e no segundo tempos para percebermos o peso do relvado no rendimento de jogadores que fazem da técnica o seu principal argumento. Com uma equipa muito defensiva, com um meio-campo mais músculo que cérebro e com o melhor avançado dos tempos que correm no banco, Jesualdo tomou as decisões certas para perder. Acontece aos melhores.

Vacinação contra gripe A de crianças até 12 anos começa hoje
Dirigi-me ao Centro de Saúde para obter informações sobre a vacinação do emu filho com a vacina contra a gripe A. Nos últimos dias fora ionformado que o Governo decidira antecipar a vacinação de crianças com mais de 3 anos, não incluídas nas fases anteriores.
Afinal, no meu caso, há amrcações de vacinas até ao final de Dezembro para os grupos A e B. Serei contactado e provavelmente a vacinação só ocorrerá em Janeiro.
Qual será o interesse de se divulgar uma noticia que parece partir do conhecimento de que um determinado procedimento vai poder ser adoptado em todo o país? Porque razão não fizeram em primeiro lugar o levantamento rigoroso da situação em cada distrito para depois darem a notícia com as necessárias reservas?

"Comungo das suas precoupações preventivas ( lidas no seu blogue) para o caso em referência.
Mas permita-me que para além da pertinente questão da construção anti-sismica e sua fiscalização, de perguntar se sabe que na nossa região há:
1 . Um hospital de campanha ou tendas algo similares, em reserva, que se monte e instale em caso dum grave desastre que afecte nosso hospital regional?
2 - Existe algum estudo ou sistema de meios que se desloquem - ex:helis - que transportem feridos caso as estradas fiquem interrompidas?
3 - Existe um sistema alternativo ou formação pessoal do que se deve informar às populações que fiquem sem esses meios, num caso dum sinistro que lhe corte as que utiliza habitualmente?
Creio na grande importância da prevenção, mas todos somos poucos para a instituir."

Joaquim Silva
Capitão da Marinha Mercante

O CDS reage a partir da sua juventude- são sempre altruístas e genuínos, os jovens - à decisão do Governo de tributar os bónus dos banqueiros.
Segregação Social Inaceitável é o que denunciam os jovens centristas. Está-se mesmo a ver o que vai acontecer aos desgraçados dos banqueiros impedidos de continuar a viver nos condomínios de luxo das Quintas de qualquer sítio, que tinham aliás livremente escolhido, e obrigados - como é possível um governo ser tão populista, Deus nosso - a viverem algures entre os happy fews dos apartamentos de luxo do Parque das Nações e os ainda mais exclusivos mas não suficientemente selectos da Lapa, sujeitos a uma verdadeira segregação social organizada segundo os seus rendimentos económicos depois de violados pelos impostos sobre os bónus decididos pelos socialistas.
Criativos e imaginativos como poucos os jovens centristas - embora muito descaídos para a direita, reconheça-se - na sua pueril luta contra a intolerável intromissão do Estado na vida dos cidadãos, particularmente dos banqueiros, não deixam de lá por isso, fazer as recomendações e os alerta a que a sua boa consciência, e uma elevada responsabilidade social, os obriga: alertam eles para a o facto de " uma medida destas afasta quadros bancários para outros países onde não existem tais taxas sobre bónus, ao mesmo tempo que incentiva formas criativas de atribuir benesses para escapar às tributações".
"Formas criativas de atribuir benesses para escapar às tributações", disseram eles? Seus ganda marotos, seus atrevidões. Então isto diz-se. Desde que este comunicado foi publicado regista-se um inusitado movimento nas fronteiras aéreas e terrestres com a fuga de quadros bancários particularmente avessos aos impostos sobre bónus, sobretudo para Sul para o reino de Marrocos e outros locais do estilo. Entretanto brigadas de jovens altruístas dedicam os seu tempo livre a descobrir novas formas "criativas de distribuir benesses" aos pobres quadros bancários que vão ver os seus bónus tributados.
Ó Teixeira do que é que estás à espera para chamar estes rapazes do PP para um brainstorming. Ou vais tu ao Caldas?

A reflexão sobre a dimensão do sismo da madrugada de ontem prosseguiu nos principais jornais de hoje com destaque para o Público e para o DN. Se procurar com muito cuidado não encontrará uma linha ocupada com a reflexão sobre aquilo que importa fazer, antes muito antes do sismo ocorrer, para minorar as consequências da acção dos sismos. No limite pode encontrar referências à intervenção pós-sismo - a área da protecção civil em que os nossos políticos muito investem - mas quanto à verdadeira prevenção nem uma palavra. Tem sido sempre assim, nos últimos anos. Há uma conjugação que é aparentemente impossível de ultrapassar, que resulta da aliança entre a ignorância tradicional da classe política e a ignorância dos jornalistas. Os políticos infelizmente - por acaso não sei se esta palavra será muito apropriada - não podem, mas pensam que p0dem, fazer um Decreto-Lei em que decidam que os sismos apenas poderão ocorrer no "nosso território" se devidamente autorizados cumprindo com regulamentos por eles elaborados e decidir, en passant, qual a classe profissional que lhes poderá conceder o direito de se manifestarem .... à superficie.
Mas, desgraçadamente, puderam, ano após ano - e já mesmo este ano de uma forma intensamente estúpida - degradar - com leis cada vez mais incompetentes, uma especialidade - as condições de exercício da actividade de engenheiro civil e as condições de segurança estrutural em que os edificios são projectados.
Os jornalistas ofuscados pelos diversos brilhos, efémeros quase sempre, da edificabilidade, recusam-se, por manifesta incompetência e porque é um tema muito... cinzentão e dá muito trabalho, a descer um pouco mais ao conteúdo. Deixam esse trabalho para ... os sismos e para os que algum dia tiverem que escrever sobre as suas consequências devastadoras.
Há uma pergunta que nunca ninguém coloca e que é afinal muito simples: estamos a fazer aquilo que devemos para que as nossas construções resistam aos sismos de acordo com o conhecimento técnico disponível garantindo a protecção de vidas e de bens materiais? E se não estamos, porque razão isso se passa?
A resposta a esta pergunta é que é muito complexa e não se resolve com duas cantigas pelo que não mobiliza nem políticos nem jornalistas. É coisa para estudiosos.


 

Pedra do Homem, 2007



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