Meireles calou inferno de Zenica e abriu as portas do Mundial
Conseguimos o apuramento num campo paupérrimo com um ambiente extremado e numa altura em que, pela ordem natural das coisas, deveríamos estar a marcar hóteis e a tratar de outras logísticas.
Jogámos de uma forma exemplar pela entrega e pelo espírito de entreajuda mas a Bósnia, convenhamos, não justificou o estatuto de "grande selecção" que dela se construiu. Alguns bons jogadores -hoje menos do que habitualmente - muita entrega, um batatal de que mostraram saber tirar partido e um treinador que além de sábio é um motivador nato. Pouco para merecer a presença num Mundial.
Todos merecem o nosso aplauso incluindo o selecionador que fez o favor de agradecer aos que sempre o apoiaram pelo que se imagina que quem discordou das suas opções ou quem chegou a descrer do apuramento face às paupérrimas exibições não estará incluído. Não faz mal. Pode se que daqui até à Africa do Sul se possa unir aquilo que esta campanha desuniu.
PS - Pepe foi desta vez o melhor, sobretudo na primeira parte. Depois dele, Bruno Alves e Ricardo Carvalho. Gigantes que ganharam quase todos os lances em que participaram. Raul Meireles fez um bom jogo e o golo decisivo mas esteve longe de poder ser considerado o homem do jogo. Foi Pepe, a grande distância dos restantes com excepção dos seus colegas centrais.
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Mário Nogueira confirma: este modelo de avaliação acabou
É bom saber-se que finalmente vai ser possível estabelecer um diálogo produtivo entre a equipa do Ministério e os representantes dos professores e que o modelo de avaliação será substituído por outro construído através desse diálogo.
Vale sempre a pena lutar pelos nossos direitos pode ser a mensagem política que os professores deixam à totalidade do País no final deste processo. Mesmo quando parece que as nossas razões chocam contra o poder e a indiferença dos que mandam, na verdade já estão em marcha os mecanismos que irão alterar a situação e possibilitar as mudanças pelas quais se luta.
Portugal desce no ranking da percepção da corrupção
Portugal cada vez mais corrupto é outra forma de dizer. Se verificarem bem aqui existem alguns países da Europa que se situam em níveis de corrupção irrelevantes. Países em que se pode dizer que não há corrupção. São aqueles países que os nossos governantes gostam de referir quando se trata de importar medidas apressadas aplicadas fora do contexto, como as da educação à Filandesa e as da flexisegurança à Dinamarquesa. Mas quanto a importar o resto nem pensar nisso é bom. Quando falo do resto falo da erradicação da corrupção e da redistribuição equitativa da riqueza.
Na Europa ainda há muitos e bons exemplos de que uma sociedade que não fique prisioneira da clássica, e velha, dicotomia entre o Mercado todo poderoso e o Estado todo poderoso pode ser uma sociedade mais justa e onde todos possam viver melhor.
Um aspecto curioso de todos estes países é que o Estado controla e socializa as mais-valias urbanísticas sendo que apenas num deles -a Holanda- existe a municipalização da produção do solo urbano, isto é, na generalidade destes países a socialização efectiva da mais-valia urbanística não é feita com a "nacionalização das mais-valias", uma expressão que francamente não sei o que significa. Outro aspecto em que devíamos pensar era que esse controlo das mais-valias urbanísticas permitiu construir uma sociedade menos guetizada com níveis de integração social, dos diferentes grupos sociais, elevadíssimos. Nestes países o desenvolvimento urbano e a política das cidades não são apenas e só meras questões económicas mas são o centro das políticas urbanísticas que articulam ordenamento do terrítório, com emprego, com habitação e com coesão social e urbana e desenvolvimento sustentável. Talvez fosse bom pensarmos que estas coisas estão todas interligadas.
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Etiquetas: corrupção
O affaire injustamente conhecido como Face Oculta, porque em boa verdade deveria ter sido apelidado de Sucata Connection, gera sucessivas perplexidades. Envolvendo figuras de proa do aparelho socialista, com ligações ao Governo, este caso é recebido pelos notáveis do PS como um caso de cumplicidades espúrias entre a comunicação social e a justiça. Este discurso é acompanhado por apelos ao funcionamentoc da justiça e ao reforço do estado de direito ou não fosse ele próprio um manifesto exuberante sobre uma forma concreta de entender esse estado que é suposto ser de direito. Um ministro, ele próprio visivelmente empenhado em reforçar o dito estado de direito, classificou o processo - em que um dos escutados estava a falar com o primeiro-ministro de que se retiraram certidões que agora estão para ser destruídas não se sabendo se já foram senão - como "espionagem política". Ao que se sabe o ministro continua em funções porque aquilo que um ministro não pode certamente fazer são "corninhos", porque isso, meus amigos, é que é atentar contra o estado de direito e ministro que o faça, já se sabe, vai para casa recapitular os fundamentos da coisa.
As conversas públicas entre Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e o Procurador Geral da República adquiriram uma tal regularidade, intensidade e interesse que ninguém se preocupa em perceber quem mandou o quê e em que data, quantas certidões existem, quantas já foram para destruição, quantas estão a ser analisadas para avaliar se serão destruídas ou não, quantas cassetes com escutas de Sócrates existem, se cinquenta como diz o Ministro da Defesa - que tem obrigação de saber de coisas de guerras, não vamos agora pensar do senhor ministro o que diz o Alberto João - se cinco ou seis ou se seis e mais cinco, como disse alguém num dia qualquer, ou tão puco se o Procurador Geral e o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça estão mesmo em sintonia destrutiva de cassetes ou não, ou se pelo contrário já terão marcado o local e as condições do duelo entre eles que determinará a verdade dos factos pela lei do mais forte.
Posto isto ninguém se preocupa com as vitimas do processo como é o caso daquele funcionário da Petrogal que está em casa, impedido de trabalhar na refinaria de Sines, porque supostamente terá recebido alguns trocos do senhor Godinho que, entretanto, terá retirado das instalações, sem autorização da Administração, mais de uma centena de toneladas de cobre que o senhor Godinho confundiu com sucata e que retirou enquanto o referido senhor estava de costas e o resto da refinaria tinha ido de férias para o Brasil durante o período exacto em que o senhor Godinho encheu os carritos de cobre com que ele depois compra os melões e os Mercedes e as outras coisas que fazem andar o país.
Hoje na audiência com o Presidente do STJ o Presidente da República apenas deve aproveitar a ocasião para falar da recente reeleição de Noronha do Nascimento já que se lhe desse para abordar o caso das Sucatas era conversa para necessitar de muitas horas de análise e reflexão assim coisa para solicitar um Poirot especializado em sucatas à moda de Portugal.
PS - no meio disto tudo o que é injusto é o facto de ninguém ter dado a devida atenção à entrevista da Pública a Isaltino Morais em que o autarca confessa as suas dúvidas em votar num tipo como ele, isto é em alguém condenado pela justiça. Notável.
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Etiquetas: política
PSD apresenta diploma para novo modelo de avaliação dos professores, mas deixa cair "suspensão"
O PSD não está contente por ter proposto o oposto daquilo que durante meses -por puro oportunismo eleitoral podemos nós concluir legitimamente - defendeu. Vem agora chamar a atenção do país para o facto de a sua proposta ser, aos seus próprios olhos, uma... desgraça que se pudesse, aliás, rejeitaria. O PSD coloca-se na posição do idiota útil. O PS agradece.
Que falta de trambelho político. Vejam bem a diferença de tom e a convicção falsa com que se pode falar destas coisas. Disse o deputado Pedro Duarte: " "Nós não prevemos a suspensão, prevemos a substituição, o que eu diria que ainda é mais e melhor do que aquilo que numa fase inicial chegámos a defender, quando o primeiro ciclo avaliativo ainda estava a meio do campeonato". Passados uns dias afirma que "Não expressamos a palavra suspensão no nosso projecto, mas se voltássemos atrás deixávamos isso bem expresso".
Não existem infantários no Parlamento para onde pudessem mandar o deputado Pedro Duarte uma temporada a ver se ele crescia?
Carlos Carvalhal é o novo treinador do Sporting
Uma trapalhada a forma como o Presidente do Sporting conduziu a contratação do novo treinador. Depois da novela Vilas Boas - O Porto não estará impune na reviravolta do jovem técnico e na acção especulativa/obstrutiva da Académica - do tipo "o nosso treinador é este, embora ainda não possamos dizer a ninguém porque ainda não temos acordo nenhum", passámos para outro tipo de novela a do "treinador quase contratado" uma inovação teórica muito relevante. Por fim lá contrataram um: Carlos Carvalhal. Bom, deve ser dificil encontrar um único sportinguista, tirando os membros da SAD e os que gravitam nas redondezas, satisfeito com a escolha. Carvalhal tem muitas qualidades e parece aliar ao conhecimento do terreno bons conhecimentos teóricos ou cientificos. No entanto, faltam-lhe os resultados e sobejam-lhe os fracassos. Não parece por isso uma escolha muito empolgante, oxalá me engane.
O Sporting poupa no treinador aquilo que parece estar disposto a gastar numa estrutura de apoio à equipa e ao treinador que não se entende. Veja-se o caso das competências de Sá Pinto assim uma espécie de "um terço do Rui Costa" ou de "menos de um terço do Valdano".
No Sporting a penúria gera inovação, infelizmente com resultados péssimos. Talvez um bancário não tenha sido a melhor escolha para Presidente: estão habituados a muito dinheiro e lucros garantidos mesmo, ou sobretudo, em períodos de crise intensa. Algo que não se aplica ao Sporting, instituição onde o dinheiro falta como a água no deserto e os lucros - com esta malta é bom esclarecer que falo de vitórias - são uma miragem cada vez mais distante.
A curto prazo terá que haver, certamente, novas mudanças: de cabo a razo. Oxalá me engane.
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Um golo e muito sofrimento na vitória de Portugal sobre a Bósnia
Portugal não jogou grande coisa e afinal a Bósnia não era aquela selecção atemorizadora de que se falava.
Portugal teve muita sorte em ter ganho não porque o adversário tenha feito uma grande exibição mas porque mesmo jogando pouco e mal ainda teve melhores oportunidades do que as nossas. Os postes estiveram três vezes do nosso lado. Portugal jogou com um meio-campo num nível sofrível de que se destacou positivamente Pepe. Deco e Simão estiveram fracotes, particularmente o segundo, e Nani foi o jogador mais perigoso da equipa ( quando Queiroz trocou Nani por um Coentrão abaixo de zero o ataque da selecção portuguesa fechou para obras). Os laterais jogaram pouco e defenderam melhor do que atacaram enquanto Ricardo carvalho esteve excelente e Bruno Alves além de defender quase sempre bem ainda teve a inspiração de aparecer no ataque para fazer o golo.
Portugal não foi capaz de criar jogo atacante com alguma continuidade, esteve largos minutos, no ínicio da segunda parte, em que perdia a bola depois de a trocar entre dois ou três jogadores e com um caudal ofensivo diminuto quase sempre sem perigo com excepção dos lances conduzidos por Nani.
Fica o resultado desta primeira parte da eliminatória em que a selecção fez uma exibição medíocre. O resultado é mesmo o melhor de tudo e o facto de não termos sofrido golos, algo que pode jogar a nosso favor. Acresce o facto de alguns jogadores Bósnios não jogarem a segunda parte por acumulação de amarelos.
Mas, face ao escalonamento da equipa, às opções tomadas pelo selecionador, ao desconchavo do futebol apresentado e à má forma de alguns jogadores quem pode afirmar que o play-off está ganho?
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Etiquetas: Paixões.
Constâncio para vice-presidente do BCE tem bom acolhimento na Europa
A Europa continua a apostar na captura de jovens cérebros portugueses de elevado potencial. Motivo de grande orgulho para todos portugueses que, neste caso, poderão ver as suas taxas de juro especialmente bonificadas. O nosso primeiro passará a ter mais ocasiões para recorrer à sua frase política mais famosa e o CDS-PP terá menos um motivo para não fazer um acordo de longa duração com o PS, depois do ministro da Agricultura ter sido oprtunamente substituído.
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Villas-Boas e Sporting estão de acordo, falta o sim da Académica
O Sporting parece estar decidido a contratar o treinador da Académica. Parece que em Alvalade não se quer repetir o que aconteceu com Mourinho que terá tido tudo acordado com Luís Duque e que depois foi para o Porto, com passagem por Leiria.
Vilas Boas é muito novo mas tem um passado de mais de meia dúzia de anos vivido ao mais alto nível. Começou cedo e a equipa da Académica mostrou em apenas três jornadas que ele aprendeu muito. A Académica joga um futebol intenso com os jogadores sempre em movimento com uma pressão constante sobre a equipa adversária, com os jogadores sempre perto do colega que transporta a bola, e com eficácia defensiva e desinibição atacante. A Académica, devemos reconhecer, não é sobretudo composta por Yazaldes. Ora isso pesa na avaliação do mérito de Vilas Boas que, no espaço de dias, tirou a equipa do buraco negro em que ela se encontrava e colocou o último classificado da Liga a jogar um futebol que é dos mais interessantes que por aí se vê. O problema para Vilas Boas é que o Sporting também não são só Yazaldes. Mas, todos sabemos, existem meia dúzia de bons jogadores - que importa colocar a jogar nos sítios mais adequados - e talvez em Janeiro ele possa impôor a Bettencourt algumas decisões acertadas. Pode ser, aliás, que Sá Pinto - um director ques e espera mais interventivo do que Pedro Barbosa - seja um seu bom apoiante e ambos possam impôr - insisto na palavra - escolhas acertadas e decisões necessárias ao Presidente. Os treinadores do Sporting têm sido humildes e colaborantes com a estratégia financeira da SAD. Está na altura da SAD e do Presidente do Sporting serem ambiciosos e colaborantes com a estratégia desportiva do treinador. Que terá de ser sempre lutar por ganhar exigindo as condições necessárias e suficientes de forma que com trabalho e dedicação se atinja a glória. A começar já nesta liga e na Liga Europa.
Se isto tudo não for possível então, recorrendo a Siza Vieira(*), apetece-me dizer que se as coisas não funcionarem ao menos que sejam bonitas isto é que joguem bem para que a malta se divirta, sempre.
(*) - O Siza Vieira falava de edificios que caso não "funcionassem" ao menos que fossem bonitos e julgo que a pergunta tinha a ver com o presumido conflito entre forma e função na arquitectura.
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De Adis Abeba ao Dubai a nova ordem na AR é para a poupança. Gma dixit. Nada de desdobramentos, nada de Páscoas no Duabi, que até ficava ali em caminho e o preço da viagem dava para tudo e ... mais um par de camelos.
A política à portuguesa tem uns fait divers melhores do que os outros. Ainda bem que assim é senão era só esta chatice dos folhetins da justiça cuja audiência rivaliza com as melhores telenovelas da TVI.
Vamos todos para o Dubai antes que a crise no turismo se instale.
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Auditoria revela que as contas da Câmara de Braga omitem 55 milhões de euros de dívidas
O endividamento autárquico não é nada de novo. O que poderia ser novidade era a adopção de regras mais restritivas no controlo do endividamento. Regras que impedissem que o endividamento crescesse, sempre, nos períodos do ciclo eleitoral. Como se sabe é através do aumento do endividamento, isto é recorrendo aos fundos públicos, que muitos autarcas financiam as suas campanhas e obtêm, com uma perna às costas, a sua reeleição.
Esta noticia o que traz de novo é a forma como a tutela gere os tempos de divulgação dos inquéritos efectuados pelos serviços. Neste caso, pode ler-se aqui, o Secretário de Estado reteve, convenientemnte, o relatório só o divulgando depois das eleições. Mesquita Machado é imbatível em eleições em Braga - certamente por razões que a razão desconhecerá, mas que para os seus indefectíveis e para todos aquele que compartilham com ele a mesa do Orçamento são sobretudo as inigualáveis capacidades do patriarca bragantino - mas nunca fiando e assim o Secretário de Estado, zeloso, resolveu não divulgar o Relatório que dava conta de trafulhices nas contas da autarquia que tinham feito desaparecer 55 milhões de euros de endividamento.
Há autarcas assim: capazes de fazer crescer o endividamento a níveis estratosféricos mas do mesmo modo capazes de o aliviar, sempre que necessário. Mágicos.
A tutela das entidades inspectivas das autarquias devia ser retirada das mãos do Governo. Foi isso que levou à morte o IGAT e outras entidades. Mas, isso é pedir demais a um poder político que está imbuído de uma grande solidariedade ... de classe.
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EUA: proposta de reforma do sistema de saúde passou na Câmara dos Representantes
Grande vitória de Obama, grande vitória para a população americana que passa a ter cuidados de saúde assegurados independentemente do seu nível de rendimentos, grande vitória de uma ideia de civilização contra a barbárie dos negócios privados que se fazem e prevalecem sobre os direitos fundamentais dos cidadãos.
Esta é a mais importante conquista de Obama até agora. Muito mais importante do que o Nobel. Foi por coisas destas que os americanos votaram nele. Votaram bem.
João Galamba, que tanto quanto sei é deputado eleito pelo PS, depois de ter sido anos a fio qualquer coisa no PS, acha que qualquer Governo faria aquilo que o anterior fez: nacionalizar o BPN. Não por achar que era a solução mais correcta mas , apenas e só, porque não havia outra possível. Posto isto conclui, elaboradamente - referindo-se ao debate do programa do Govwerno - que Louçã em vez de procurar hoje uma solução para o BPN -o que segundo ele seria o seu dever enquanto político - faz guerrilha política, isto é, no léxico galambiano, critica Sócrates pela opção tomada.
Na política à moda de Galamba não existem escolhas, nem opções políticas com prós e contras: a política é uma fatalidade e embora isso seja rídiculo Galamba está convencido que esta sua "ideologia" o vai levar longe.
Não tenho sobre isso muitas dúvidas: nada paga melhor em Portugal do que a falta de seriedade política.
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Etiquetas: Política.
Funcionário da Câmara do Porto suspenso por tentativa de corrupção
A Câmara do Porto, sob a liderança de Rui Rio, passou de ser um actor envolvido na corrupção ou suspeito de participação em esquemas corruptos, para ser um actor na luta contra a corrupção. No primeiro mandato, com o pelouro do urbanismo entregue a Paulo Morais, essa luta adquiriu uma dimensão exemplar. Sabe-se que as coisas mudaram entretanto e que algumas pressões espúrias levaram ao afastamento do conhecido ex-vereador, mas mantêm-se aspectos relevantes dessa política. A Câmara actua contra a corrupção e este caso é disso um testemunho. Esta corrupção aqui denunciada envolvendo funcionários com algum poder é, infelizmente, comum, sobretudo no licenciamento municipal. Essa corrupção não envolve apenas situações em que os funcionários visam obter proveitos materiais, acontece em situações de abuso de poder contra certas pessoas, incómodas para o "chefe", e visa apenas satisfazer o "chefe" e colher mais tarde os benefícios que ele, bondoso, distribui por quem melhor o serve.
Por isso Rui Rio, digam dele o que disserem - e existindo certamente boas razões para o criticar- goza sempre de alguma simpatia aqui por estes lados. Pelo que se sabe no Porto, uma cidade com uma população esclarecida e uma opinião pública independente, a simpatia reveste a forma de apoio político, independentemente de outros futebóis.
Sp. Braga impõe primeira derrota ao Benfica e destaca-se na liderança
O Sporting de Braga derrotou o Benfica, até aqui imbatível, com justiça. Apenas no ínicio da segunda parte num período de cerca de 20 minutos o Benfica foi claramente superior. Para essa vitória contribuíram a generalidade dos jogadores da equipa, a sagacidade do treinador ao longo do jogo - a entrada de Mateus a substituir Mossoró, foi uma cartada de mestre - e a superior classe de alguns dos jogadores com destaque para Hugo Viana. Sou dos que pensam que Saviola é o melhor jogador do campeonato mas Hugo Viana dificilmente ficará fora do top five. Não existem muitos jogadores assim em Portugal. Quanto mais jogar melhor ficará e depois aquele pé-esquerdo é do domínio da antologia, acrescido por aquilo que o grande Gabriel Alves classificaria como uma "ampla visão do rectângulo de jogo".
Terá sido aliás por essas suas qualidades que o Sporting não aproveitou o facto do Valência o querer dispensar: como diria o Grande Pedro Barbosa, trata-se de um jogador que não se enquadra no "projecto do Sporting". É bom demais. Tal como Evaldo, um lateral-esquerdo como não há vislumbre no Sporting - e neste particular também no Benfica - onde pontificam essas excelências que dão pelos nomes de Grimi e André Marques. Ou o Alan, que é um jogador que o Porto não tem, nem o Sporting.
O Braga não será campeão porque perderá muitos pontos "tipo Rio Ave", mas não há neste momento nenhuma equipa capaz de jogar assim contra o Benfica... e ganhar. Parabéns ao Domingos Paciência, para quem o futuro se vislumbra pintado de tons de . .. azul.
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O mundo está cheio de escroques. Portugal está cheio de escroques com poder. Mesmo que um pequeno e lucrativo poder.
Pedro Santos Guerreiro, no Jornal de Negócios.
Pois é, escroques com poder que lhe advém, muitas vezes, do poder político que obtiveram por atribuição partidária ou até obtido em eleições democráticas, que aprenderam a condicionar e a manipular à sua maneira, usando o poder que obtiveram. Mas escroques com poder político é mesmo o pior que pode acontecer à democracia. Não admira que a nossa democracia esteja neste atoleiro.
A corrupção é mesmo uma questão de Estado na nossa democracia, como já escrevi muitas vezes. A luta contra a corrupção tal como ela é levada a cabo pelo Estado é entendida por muitos como omissa. Nada mais errado: a omissão é mesmo a "política contra a corrupção" do Estado português. Omissão e cumplicidade. Crime sem castigo.
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Operação "Face Oculta": BCP mantém confiança em Armando Vara, constituído como arguido
Dez mil euros parece ser uma ridicularia para um homem como Armando Vara. A menos que este pedido tivesse sido feito no ínicio de carreira quando os seus rendimentos ainda não tinham "saltado à vara" para o nível onde agora se situam.
Mas, aquilo que certamente este tipo de pedidos encobre é o financiamento partidário, as suas formas diversas e os seus agentes.(bem sei que o financiamento partidáro tem as costas demasiado largas e à muito boa gente que se financia, digamos assim, à pala do dito financiamento partidário.
Nesta última campanha autárquica, para não ir mais longe, gastou-se à bruta em propaganda bacoca e desprovida de qualquer conteúdo. Quem pagou as contas e com que benefícios futuros? Quando vão esses financiadores cobrar o investimento?
Este seria, sem dúvida, um bom serviço prestado à democracia: escrutinar os custos e os financiamentos das campanhas autárquicas e a sua relação com os interesses. Talvez uma boa ideia fosse encontrar um mecanismo que fosse menos proibicionista mas mais transparente ou então apenas permitir o financiamento público das campanhas, adoptando critérios de uma rigorosa austeridade republicana.
Devo dizer que tenho ínfimas esperanças que algo aconteça no Reino da Dinamarca. Os corruptos e os corruptores morrem ... de velhos, naturalmente.
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Equipa de secretários de Estado com 17 novos elementos
Valter Lemos transita da Educação para o Emprego e a Formação Profissional. Caso para os desempregados temerem pela vida. Mas, o que importa salientar é que Sócrates não deixa assim sem préstimo alguém que foi capaz de lhe prestar tão bons serviços.
Quanto ao mais registo a saída de João Ferrão da Secretaria de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades. Assim já estará garantido que no próximo Governo ninguém terá a tentação de mexer no controlo das mais valias urbanísticas e nos cruciais processos de classificação dos solos rústicos como urbanos.
PS - escapava-me a nomeação de Marcos Perestrello para a Defesa e os Assuntos do Mar. Um especialista, como diria o Alberto João, para ajudar "a nossa esquadra" a ir ao fundo. Sempre fica a caminho de Oeiras. Talvez tenha sido Isaltino a sugerir esta nomeação, sempre pode continuar a ir às reuniões de Câmara e fica tudo em caminho.
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Sporting de duas caras deixou escapar a vitória nos descontos
Um jogo deprimente. Aquilo que Paulo Bento salienta como a melhoria da segunda parte apenas pode ser assim cosiderada por comparação com a primeira parte verdadeiramente inenarrável.
Esta equipa não funciona. Insistir neste modelo com estes protagonistas apenas permitirá esperar um milagre qualquer que transforme este conjunto desgarrado de jogadores, sem alma, sem chama, seminspiração, numa verdadeira equipa.
Alguns responsáveis leoninos mostram uma grande azia e um grande desconforto com as exibições do vizinho da segunda circular, vidé Rui Oliveira e Costa no Trio de Ataque da RTPN. Atiram-se aos árbitros e ao treinador Jorge Jesus. Bom, o treinador é apenas e só o melhor que por cá anda. Não o contrataram o ano passado agora queixam-se. É, pode ser, deselegante, agressivo, pode vir a tornar-s insuportável caso as coisas lhe continuem a correr bem, mas, reconheça-se, o Benfica joga o melhor futebol da Liga e um dos mais bonitos que se pratiam por essa Europa. Os árbitros são medíocres, muitas vezes péssimos e falham sempre para o lado dos mais poderosos. mas, tenham paciência, o Nacional levou seis mas, mesmo com o Aimar expulso e o penálti não assinalado, como seria correcto, teria levado quatro ou cinco. Este é um risco que ninguém corre por defrontar o Sporting. Pelo contrário, quem defronta os leões pode aspirar a resultados anormais como descobriram o ano passado Bayern e Barcelona.
O que a SAD do Sporting não faz é tomar decisões que tenham em atenção as questões desportivas em vez de apenas e só as contabilidadezitas que tão bem dominam .
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Novo Governo: Uma equipa metade política e metade técnica
Independentemente das diferentes análises que vão surgindo a melhor até agora foi a de Alberto João Jardim que, instado a comentar as escolhas de Sócrates, com aquele sentido das proporções que Deus lhe deu, afirmou não ser sua intenção meter-se por aí, mas que não resistia a abrir uma excepção para a escolha do Santos Silva -eu também gosto deste tratamento - para a Defesa afirmando que só a entendia - à escolha - se o objectivo fosse o de "afundar a nossa esquadra".
Uma síntese insuperável.
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A mudança de hora que ocorreu este fim de semana é deprimente. Ontem pelas 18h com um dia de sol razoável para esta época do ano estava ainda um fim de tarde agradável com muita gente na rua. No Chiado, em Lisboa, milhares de pessoas passeavam pelas ruas ou descansavam nas esplanadas. Hoje à mesma hora já tinha caído a noite à quase trinta minutos. As pessoas na rua e nas praças iluminadas pela luz do sol são uma condição sine qua nom para qualificar o espaço público.
Durante a semana quem sai do trabalho depois das 18h sai já de noite e ecaba o dia a trabalhar com luz artificial. Quem vai buscar os filhos a um infantário, depois das 17h 30m, fá-lo já de noite regressando a casa ainda a tarde vai a meio ... às escuras.
Não percebo a razoabilidade desta mudança que me parece implicar um acréscimo significativo de consumo energético sobretudo em iluminação pública e privada. Mas, independentemente das vantagens económicas eventuais que são certamente, importantes, há o factor psicológico de não estarmos a tirar o partido devido da nossa luz e do nosso sol, abdicando de um dos principais factores que ajudam a suportar a vida, muitas vezes deprimente, nas nossas cidades.
Campanha para as autárquicas com aumento de "casos obscenos"
"(...) Um dos casos que não foi enviado ao Ministério Público aconteceu no município de Sines, onde o presidente da câmara terá ido, no dia das eleições, para o átrio da escola onde decorria a votação apelando ao voto dos munícipes e distribuindo cópias de boletim de voto com uma cruz assinalada na sua candidatura. (...)" Eis uma versão simplificada da coisa.
De qualquer dos modos "a obscenidade" é largamente recompensada.
Mas, quando se permitem campanhas milionárias sem que ninguém se interrogue uma única vez sobre quem as financia e porquê, está tudo dito. Vale tudo menos tirar olhos, pelo menos até ao dia das eleições. Depois, bom depois vale mesmo tudo que a impunidade é completa.
