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"Dias Loureiro e Jorge Coelho accionistas de gestora de um fundo financiado por fraude ao IVA".
Qualquer "alto responsável" quando questionado sobre aspectos menos claros das suas actividades "empresariais" responde que se tratava de uma mera participação financeira e que desconhece tudo o que acontece na empresa. Desconhecer é por isso a regra de ouro desta gestão moderna.
Trata-se, aliás, de um clássico recurso a Séneca para invocando a ignorância pedir a irresponsabilidade. O Regime do Bloco Central, que nos controla, tem tido o velho filósofo romano na devida conta e tem, ano após ano, irresponsabilizado todos aqueles que não tendo o dom do estoicismo cederam ao pecado da gula e optaram pelos caminhos mais curtos para acumularem as fortunas a que julgavam ter direito.
Nos tempos pantanosos que correm que soluções existirão para pôr termo a esta promiscuidade entre política e negócios, entre aparelhos partidários e negócios, entre o Estado e a subita prosperidade de alguns herdeiros? Uma operação mãos-limpas como sugere o Paulo Granjo no seu Antropocoiso? O nosso problema começa a ser onde encontrar as mãos-limpas capazes de combater a corrupção que toma conta da polis e se eleva ao estatuto de cultura do Estado.

No debate parlamentar sobre as questões da corrupção - suscitado pelo PSD - os deputados socialistas e o ministro Santos Silva esgrimiram com o "Estado de Direito" para acentuar aquilo que os separa dos outros partidos. Segundo os socialistas muitas das propostas das oposições, sobretudo as relacionadas com o enriquecimento ilícito -da autoria do socialista João Cravinho - põem em causa o Estado de Direito.
Começa a ser chocante este cinismo argumentativo da parte de quem se recusa a defender o Estado de Direito combatendo eficazmente a corrupção. Quem se recusa obstinadamente a legislar e a adoptar medidas no sentido de aumentar a capacidade de prevenir a corrupção, sobretudo aquela que envolve directamente o Estado.
Esta legislatura bem pode ficar conhecida como aquela em que o PS virou as costas ao combate à corrupção.


 

Pedra do Homem, 2007



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