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Ana Gomes acusa Santana Lopes de "parolice", despesismo e "provincianismo abjecto"
E que outras acusações poderá Ana Gomes fazer? Como classificará ela João Soares e a sua manifesta admiração para Renzo Piano, com a consequente urbanização da Fábrica de Braço de Prata? Ou a simpatia que todos sentem, uns mais do que os outros é verdade, pelas Torres de Normam Foster? Ou a baboseira nacional em volta da Estação do Oriente, talvez a mais lamentável obra de Calatrava e logo nos havia de ter calhado a nós, tão contentinhos, mesmo quando nos vendem gato por lebre. E já agora não foi António Costa, o seu querido camarada, que manifestou a vontade de ter grandes arquitectos de todos os continentes ou culturas com uma obra em Lisboa, de preferência sempre à Beira-Tejo - isto digo eu - que esta coisa de podermos olhar o rio é um exagero a que não devemos ter direito por muito mais tempo.
Na verdade serem os arquitectos nacionais ou estrangeiros a fazerem os projectos não muda nada. O que muda muita coisa, e muda para pior, é o facto de a arquitectura dos arquitectos famosos ser instrumental da vontade de mudar as cidades ao arrepio das formas democráticas de o fazer. Estabelecendo a confusão entre o projecto e o plano, valorizando o projecto arquitectónico como legitimador da desvalorização do Plano, retirando o futuro da cidade do debate democrático a que ela se devia subordinar e que encontra no planeamento urbanístico e no debate urbanístico o campo por excelência para se manifestar.
O que mudaria muita coisa, e mudaria para melhor, seria que o Projecto fosse precedido do Plano e que quer o Plano que o Projecto fossem atribuídos, sem excepção, por concurso à revelia das amizades dos autarcas e da cagança que os tenha irremediavelmente atacado.
Talvez a drª Ana Gomes, algures entre Sintra e Bruxelas, possa ter algum tempo para pensar nestas coisas, um pouco mais fundo do que o agitprop exige.

"Sócrates sublinha que PS não quis um "aparelhista" como candidato às europeias"
O expoente socialista do aparelhismo estava indisponível entendendo a declaração de Sócrates como uma referência a Paulo Rangel. No PS o expoente máximo da ascensão política na sociedade apenas e só baseada no controlo do aparelho partidário é Sócrates. Já que não se pode acumular o cargo de primeiro-ministro com o de candidato europeu o PS que nestas coisas, como noutras, não as faz pela metade, abdicou de ter um aparelhista.
Escolheu o intelectual orgânico do socratismo que cada vez que abre a boca é para mostrar que é mais papista que o papa.

"Estamos genuinamente interessados em combater seriamente todos os aspectos que se relacionam com a corrupção" disse a circunspecta líder do PSD antes de ter considerado que a decisão do Parlamento sobre o "Sigilo bancário,foi "jogada política atabalhoada"
Nestas ocasiões temos todos muitas saudades dos tempos em que a dona Manuela não falava.

O acordo entre o PS e o BE tem suscitado reacções diversas. Algumas já mereceram referência aqui. Mas , a menos de uma análise mais detalhada, não posso deixar de referir algumas declarações que me parecem, pelo menos surpreendentes. Como é que se pode estabelecer um acordo no qual se acorda ipsis-verbis que "os subscritores do presente acordo elaborarão os planos e orçamentos para os anos 2008 e 2009, bem como o (...) tendo por base uma convergência entre os programas eleitorais apresentados pelas candidaturas" e depois se pretenda não estar vinculado a votar favoravelmente o Orçamento e os Planos de Actividades? Que significado tem a declaração de Francisco Louçã de que "prevê grandes confrontos entre Sá Fernandes e o PS na câmara de Lisboa"? Fizeram o acordo pelos vistos para ampliar os conflitos. Os que tinham não lhes chegavam.


 

Pedra do Homem, 2007



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