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Alegre afasta participação no programa do governo do PS
Alegre foi claro na sua declaração: "“António Vitorino seguiu outras vias, e quando se faz esta escolha [para fazer o programa do governo] ela tem um significado, tem um sentido, tem uma orientação, há uma diferença de pensamento, de estilo e de escrita muito grande. Seria necessário haver mudanças de políticas e de pessoas. Seria preciso um milagre para eu mudar e nestas coisas os milagres são difíceis”.
Os milagres, percebemos nós, são neste caso mudanças políticas que aproximassem o PS daesquerda que Manuel Alegre acha que faz falta na política e na sociedade portuguesas.
Não s eiludam. Não são as incompatibilidades literárias ou de escrita que tornam incompatíveis António Vitorino e Manuel Alegre. O que os incompatibiliza são as opções que cada um fez, o seu posicionamento político na sociedade, aquilo que representam no PS e no País.
O convite de Cravinho implicava esta resposta e esta clarificação. Julgo que seria esse o seu objectivo. Sócrates não fez nada para minimizar o espaço político que o separa da esquerda do PS e da esquerda do país. Já não terá tempo para isso.

Alegre anuncia amanhã se entra nas listas de Sócrates para as legislativas
Não vejo nenhum interesse em que Manuel Alegre abandone o PS e muito menos em que forme um novo partido. Faz, do meu ponto de vista, todo o sentido, que Manuel Alegre suporte a ala esquerda do PS e que questione dentro do partido a deriva neoliberal conduzida por Sócrates. Faz ainda mais sentido que Manuel Alegre a partir do PS estabeleça laços que ajudem a construir uma genuína unidade das esquerdas.
Não sei se é possível a Manuel Alegre manter o tipo de intervenção que tem tido saindo do Parlamento. No entanto, parece-me mais complicada a sua participação nas listas já que isso equivale sempre à pública manifestação de um apoio a Sócrates e ao Governo que ele vier a liderar, podendo mesmo diminuir a sua capacidade crítica relativamente às actuações do Governo anterior. Outro efeito dessa participação traduzir-se-ia num reforço eleitoral do PS e num contributo para uma nova maioria absoluta o que é em si próprio uma contradição nos termos com a sua luta política dos últimos anos.
Penso aliás que a intervenção política do socialista Manuel Alegre não será minimizada pelo facto de não ser deputado. Estamos perante uma personalidade que pela sua importância política própria será sempre escutado sobre as grandes questões nacionais e que dispõe já hoje de canais próprios de comunicação com as massas.


 

Pedra do Homem, 2007



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