Um amigo meu comentou o silêncio a que a imprensa votou a conferência internacional realizada pelo BE, e pelo grupo do Parlamento Europeu ao qual pertence, nestes termos: " tratava-se de uma conferência partidária, de um partido minoritário, na qual todos dizem mais ou menos a mesma coisa.Uma espécie de missa. Julgo que não é o tipo de notícias que as pessoas gostem de ler ou tenham interesse em ler".
Julgo que este argumento não colhe. Por várias razões mas centro-me apenas na questão da missa. Os participantes, na sua esmagadora maioria, nada tinham a ver com o Bloco de Esquerda: Léon Krier, por exemplo, foi apresentado, por Miguel Portas, como associado ao urbanismo conservador e é sobretudo conhecido por ter sido o urbanista a quem o Principe de Gales atribuiu o projecto da nova cidade de Poundbury e por ser o ideólogo do movimento do new urbanism.
A classificação de Miguel Portas é pouco rigorosa e terá servido para simplificar a introdução do urbanista. Krier é sobretudo um revolucionário. No sentido em que dfende uma mudança de paradigma. Alguém que pelo discurso e pela postura - a denuncia que faz dos interesses e das promiscuidades entre público e privado - está claramente à frente da generalidade dos seus pares. Pode-se depois discutir se concordamos com todas as suas ideias. Neste painel foi evidente o desacordo entre Krier e Nuno Portas com a discussão entre os dois a azedar um pouco a partir da posição de cada um sobre a contribuição do movimento moderno para o actual (mau) estado de coisas.
É de Krier uma frase que acho que caracteriza bem as nossas cidades: "[o urbanismo do movimento moderno] o zonamento transformou a vida moderna em algo de extremamente complexo e dispendioso em tempo de transporte. O resultado mais notável do zooning funcional é garantir o consumo máximo de unidades de tempo, de energia e de território na execução das funções quotidianas da sociedade no seu conjunto"
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Estiveram em Portugal a participar numa conferência internacional cujo tema era a "Cidade é para Todos"? A fazer fé nas notícias que não foram publicadas na Imprensa - na de referência e na outra - isso nunca aconteceu.
Adenda: Não quero ser injusto e devo por isso referir as presenças de Nuno Portas, João Seixas, Isabel Guerra, Manuela Raposo Magalhães, Sara Silvestri, Maria João Freitas, Sílvia Ferreira cuja participação me pareceu muito importante para a qualidade da conferência. E que são pessoas que dispensam grandes apresentações como é o caso de Nuno Portas. Isto para falar nos participantes que se situam fora da área politico-partidária. Mas neste campo o deputado europeu, pelo GUE/NGL, Giusto Catania, membro da Comissão das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos e da Comissão de Cultura e Educação teve uma intervenção excelente no painel sobre "Migração, Discriminação e Identidades Urbanas".
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