Debate final mantém empate entre Sócrates e Ferreira Leite
Num debate com estas características uma vitória clara de um dos opositores é quase uma impossibilidade. No caso do debate entre Sócrates e Ferreira Leite, o primeiro-ministro optou pela técnica de questionar o passado da sua adversária e colocar o acento tónico das suas críticas nas decisões a que ela esteve ligada nesse passado. Não sei se quem governou como ele governou nestes quatro anos podia ter uma melhor opção. Julgo, no entanto, que não foi completamente bem sucedido, até porque MFL recordou a dado passo que ela nunca tinha sido primeira-minstra e não era ela que estava a ser julgada nestas eleições.
Pareceu-me que a táctica agressiva de Sócrates, com constantes interrupções da sua opositora, o terá penalizado junto da opinião pública, e que as "cartadas" fortes que colocou em cima da mesa não foram suficientemente fortes para embaraçar ou atrapalhar MFL. Apenas no caso das SCUT´s a líder do PSD vacilou e produziu uma explicação pouco clara. Mas, MFL esteve melhor quando o acusou de ter feito uma reforma da segurança social escondendo dos portugueses as consequências dssa reforma. Disse, e Sócrates não a desmentiu, que dentro de 10 anos os portugueses receberão metade do último salário. Não disse foi o que acontecerá caso o PSD ganhe as eleições.
Esteve bem quando arrasou a reforma da Educação de Sócrates e quando o acusou de ser arrogante e de pretender fazer uma reforma contra os professores. Sócrates, nessa altura da conversa foi obrigado a admitir implicitamente que Maria de Lurdes Rodrigues não será ministra da Educação caso ganhe as eleições. Afirmou, de forma áspera, que um novo Governo terá novos ministros. Para bom entendedor...
Em conclusão é legítimo afirmar que se a coisa era mais dificil para Manuela Ferreira Leite perante o animal feroz a senhora safou-se.
Todos percebemos que ela não pode com o seu adversário que tem dele uma pequena opinião, que acha que o facto de uma pessoa com a a carreira dele ser primeiro-ministro é apenas um dos equívocos do regime. Foi coerente com aquilo que pensa dele particularmente e das suas políticas e anunciou que não formará governo com Sócrates. Foi clara.
Este debate teve outros vencedores ou pelo menos o empate verificado não prejudica as aspirações de BE, CDU e PP. Uma clara vitória de Sócrates - ou de MFL no caso de Paulo Portas - poderia criar a dinâmica de voto útil que estes debates não permitiram instalar. Julgo, aliás, que estes debates permitiram colocar de forma clara perante os cidadãos a ideia com cada vez mais adeptos de que há na política portuguesa mais do que o PS e o PSD.


 

Pedra do Homem, 2007



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