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... a sua natureza vão ocupar algum tempo mais de antena mas rapidamente passarão ao esquecimento. Os números quer do Governo quer da CGTP não primam pela credibilidade. Os do Governo são escandalosamente baixos. Os da CGTP de tão elevados quase que se poderia dizer que se referem a outro país. O Portugal de ontem, dia da Greve Geral, não teve certamente oitenta por cento dos trabalhadores parados.
Outra questão mais relevante é a de saber se a greve foi bem marcada. Não está em questão a sua justeza. Existem motivos suficientes para todas as greves gerais ou parciais. Está em questão saber se ela reforçou as posições dos trabalhadores ou pelo contrário as do Governo. (Note-se a este propósito que este Governo, eleito com uma maioria de esquerda, ensaiou algumas medidas de controlo dos trabalhadores que atentam, se concretizados, contra o exercício do direito à greve). Está em questão saber se a intromissão, tão clara, de Jerónimo de Sousa na condução política da greve favoreceu os seus objectivos e os dos trabalhadores. Julgo que as respostas são claras. A greve geral merecia uma outra preparação e outro consenso. Merecia um movimento sindical mais independente da tutela partidária. Merecia um Carvalho da Silva menos ameaçado pelos seus (supostos) camaradas e que não transmitisse a ideia, tão nítida, de que se sente já de malas aviadas depois de lhe terem passado a guia de marcha.

Não me lembro de uma coisa assim. Depois de dois Secretários de Estado terem, em directo, dado a perspectiva do Governo, com um silêncio sepulcral do lado da assistência - suponho que à conferência de imprensa assistiam jornalistas? - Carvalho da Silva foi sucessivas vezes interrompido e a sua voz "apagada" pelas intervenções, altíssimas, de vários jornalistas que assistiam à conferência de imprensa da CGTP. Não me recordo de alguma vez ter assistido a uma tão ostensiva interrupção de uma conferência de imprensa antes do orador ter terminado e se ter disponibilizado para responder às perguntas dos jornalistas.
Será que os jornalistas só tinham dúvidas relativamente aos números da CGTP? Os 12,8 % do Governo são mais credíveis do que os 60 ou 70% da CGTP? A opinião dos jornalistas sobre o que se passou é notícia ou o que interessa é o que dizem a CGTP e o Governo? Porque razão não organizaram os jornalistas uma conferência de imprensa?

Este cidadão apoia a Greve Geral. Os trabalhadores estão a assistir à diminuição dos seus direitos e à cada vez maior precarização das relações de trabalho. O desemprego atinge valores brutais, sem pararlelo nos últimos vinte anos.
O ajuste estrutural da economia faz-se exclusivamente à custa do factor trabalho. A desigualdade na distribuição da riqueza cresce atingindo um nível de desigualdade sem paralelo na União Europeia.
Se estas não são razões suficientes para fazer uma Greve Geral então quais são?


 

Pedra do Homem, 2007



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