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À medida que estas medidas se efectivarem, é provável que ouçamos mais umas quantas "histórias de terror" que ajudarão a revelar o que foi o lado mais negro da política Bush.
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Na vitória histórica de Obama, lembremos Martin Luther King (1929-1968):

"Eu tenho um sonho de que um dia os meus quatro filhos vivam numa nação onde não sejam julgados pela cor da sua pele, mas pelo seu caráter."

"Se um homem não descobriu algo por que morrer, não está preparado para viver."

"O ser humano deve desenvolver, para todos os seus conflitos, um método que rejeite a vingança, a agressão e a retaliação. A base para esse tipo de método é o amor."

"O perdão é um catalisador que cria a ambiência necessária para uma nova partida, para um reinício."

Este é o tempo de comemorar esta vitória de um candidato progressista sobre um outro cujo projecto no essencial mantinha a orientação da administração Bush.
Mas há uma leitura que é clara: nunca como nestas eleições a vontade de mudança foi tão manifestamente expressa por tantos americanos e nuca como agora - por razões diferentes como afirmao Rui Tavares - existiu uma tão grande coincidência entre a vontade dos americanos e o resto do mundo.
Quanto à afirmação de Rui Tavares de que "desde Roosevelt que a América não está à beira de eleger um Presidente tão vincadamente progressista da ala esquerda do Partrido Democrático, superando os bloqueios geopolíticos da política americana" tenho as minhas dúvidas. Quem nos dera que assim fosse. Mas será que existem razões objectivas para fazer esta afirmação? Talvez o Rui Tavares nos possa esclarecer.

Obama

Pode ver aqui a expressão Estado a Estado da vitória de Obama.

Não foi apenas a vitória de um democrata depois de longos e penosos anos de presidência republicana, foi a vitória conseguida com a maior participação popular em cem anos e com o resultado mais expressivo das últimas décadas. Uma cabazada infligida pelos americanos a um partido que durante dois mandatos lhes fez a vida negra quer no plano da política interna quer no plano da política externa. Uma vitória construída em estados nos quais tradicionalmente os republicanos ganham. Uma vitória clara logo desde o ínicio das projecções da CNN quando por volta das 2 da manhã Obama já tinha 112 votos eleitorais contra apenas 34 de McCain.
Obama candidatou-se com um discurso de mudança e recebeu dos seus cidadãos esse mandato. Alguns eleitores estiveram nas bichas eleitorais mais de 3 horas para poderem manifestar o seu desejo de mudança. Vamos agora esperar pela expressão práctica desse projecto e pelos seus resultados.
A América está de parabéns e nós também.

Hoje é um dia importante. Se Obama ganhar as eleições americanas as coisas podem melhorar em termos globais. Eu acredito que isso pode acontecer mas, apesar das sondagens, eu, que sou um azarado nestas coisas de eleições, ainda duvido que o homem consiga a vitória.
Espero, no entanto, que Obama triunfe. Apesar de saber que ele não é de um gajo de esquerda, tal como nós a entendemos, apesar de saber que em muitos aspectos o seu programa é mais à direita do que o da senadora Clinton, apesar de saber que o regime americano é na sua essência um regime de partido único, deposito esperanças na vitória de Obama. Quero que Obama ganhe. Quero que Mc Cain perca.
Espero que alguma coisa mude e que seja no bom caminho. Espero que a eleição de um negro para a Presidência americana seja sublinhada pelo carácter progressista dessa personagem e pela sua vontade de transformar a sociedade americana numa sociedade mais justa e a América, enquanto país, uma democracia capaz de trabalhar para a paz global e o desenvolvimento sustentado, acabando com o estado belicista, predador dos recursos naturais, instrumentalizado pelos fanáticos religiosos, que os republicanos tão criteriosamente estiveram a construir ao longo dos últimos anos.

"Conclusões de um inquérito parlamentar
Sarah Palin cometeu abuso de poder no Alasca"

Face às sucessivas declarações de Palin, ao seu cada vez mais nitido perfil de direita radical, à sua inexperiência política, claramente incapaz de a recomendar para as funções de vice-presidente, e à forma como terá lidado com o poder de que já dispôs - de que este caso é um exemplo chocante - somos levados a pensar no que terá levado McCain a escolher esta senhora?
Será que depois de Bush os republicanos estão firmente convencidos que em termos eleitorais a regra é apenas "quanto pior melhor"?
Esta revelação devia ou não ser suficiente para a senhora se afastar da corrida? Talvez não fossem boas notícias para Obama, já que depois de Palin dificilmente os republicanos encontariam alguém tão ...conveniente.

Hoje no Público a habitual crónica de VPV dá da convenção republicana uma imagem nítida. Exactamente no dia em que o mesmo jornal transmite uma imagem positiva da conservadora e inexperiente governadora do Alasca que terá "passado no teste da Convenção".
Voltemos a VPV para o citar. "A Convenção do Partido Reublicano foi, politicamente, um espectáculo do horror. Primeiro pelo nacionalismo.(...) Um nacionalismo desta espécie, xenófobo e fanático, leva naturalmente ao militarismo. Entre alguma parlapatice sem consequência, a Convenção Republicana não passou de uma cerimónia militar.(...) Com o nacionalismo e militarismo, veio naturalmente a apologia da agressividade e da dureza. MCain é o duro por excelência. A Sarah Palin a propaganda descobriu uma alcunha de liceu, "Barracuda Sarah", para sossegar e animar o partido. A semelhança com a barracuda parece qualificar a senhora para vice-presidente e até (considerando a idade de MCain) para Presidente. (...) A Convenção Republicana -branca, velha e, apesar de Palin, masculina - é um bunker, com espírito de bunker. Se MCain ganhar, as coisas ficam naturalmente feias."

Obama garante apoio incondicional a Israel
Será possível a algum candidato democrata ou republicano ser eleito para alguma coisa na América a partir da hostilização da comunidade judaica? E a política do partido democrático para o Médio Oriente caracterizou-se alguma vez pela hostilização de Israel?
Obama, num encontro com a comunidade judaica ainda na condição de candidato à nomeação disse o que seria expectável e mais ou menos o mesmo que Hillary. Esperavam por um romântico suícidio em directo para facilitar a vidinha ao McCain? Pois podem esperar sentados que o Obama não está para dar tiros no pé.
Voltando ao essencial: Obama vai ser o candidato do Partido Democrático e o primeiro negro a ser candidato à Presidência dos Estados Unidos. As coisas mudam e evoluem mesmo que muitas vezes pareça que não.
Julgo que poderá ganhar a McCain e que transporta alguma da energia e da esperança porque todos esperam. Se, caso seja eleito como espero, vai ser um bom presidente já é uma outra questão. Espero que nas questões económicas seja mais parecido com Clinton do que com Bush. Mas não tenho a certeza.


 

Pedra do Homem, 2007



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