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Sobre o tema que falei neste post transcrevo na integra a mensagem recebida do nosso leitor Joaquim Silva.

"A questão que nos apresenta é, no meu entender, o maior desafio ao futuro de todos nós.
Na verdade, quando o coronel americano Edwin Drake abriu um furo de apenas 20 metros, no solo da Pensilvânia, em 29 de Agosto de 1859 e dele começaram a jorrar as primeiras ramas de petóleo bruto (crude), a vida de todos nós sofreu uma enorme revolução.
Revolução essa que não só modificou toda a tecnologia humana como afectou todas as condições ambientais da nossa vida.
Com é que a humanidade aceitou ao longo destes 150 anos que os homens do petróleo - actualmente com as suas poderosas 7 Irmãs (no topo reduzidas a duas; a Rockefeller/Standardoil e a Rotchild/Shell que dividem o mundo num novo tradado das Tordesilhas) poluindo, mais gravosamente do que todas as refinarias existentes, todo o ar que se respira com os milhões de motores diaramente a queimar seus produtos?
So neste momento que escrevo estão 17 mil grandes motores de avião a queimar petroleo sobre as nossas cabeças em todo o mundo....
Como é que a humanidade aceitou que as ruas das suas casas fossem pulverizadas por milhões de metros cúbicos de dióxido de carbono, enxofre, chumbo e outros quimicos maléficos, saidos dos escapes dos carros?
Como é que todos nós pegamos nos nosssos "carrinhos" e deixamos pela sua trazeira as nuvens puluentes desses gazes que todos os habitantes respiram?
E como é que os estacionamos, junto aos passeiios ou até sobre eles, com os escapes virados sobre as esplanadas dos restaurantes e cafés e pulverizamos com esses gazes os pratos e as chavenas do que se come e bebe, e nos alegramos com a proibição ( não sou fumador) do fumo no seu interiior?
Então pergunto; quando temos a coragem para exigir a substituição dos hidrocarbonetos pelas energias alternativas, já existentes possiveis e não poluidoras e que poderão dar mais empregos do que dão as petrolíferas?
Porque enquanto as poderosas "7 irmãs" dominarem o mundo económico temos que pagar os produtos que nos vendem - veja-se os úlimos lucros loucos da Shell e inspirar os gases que libertam.
Porque essa é a verdade COMO QUEREMOS NÓS VIVER?"


Se calhar nunca vamos coabitar pacificamente com os pólos industriais, mesmo os mais inócuos. Sempre os iremos olhar como agressores, porque somos naturalmente atraídos para a genuinidade da Natureza, porque nela podemos encontrar formas de perdurar com mais garantias. É natural e presumível que nunca aceitaremos qualquer preço pelo conforto e pela facilidade de meios que nos traz a sociedade industrializada; antes de moldados para eles o simples acto de respirar é o mais primário.
Na Europa industrializada a que pertencemos, já é possível, legitimamente, querer tudo: juntar a qualidade de vida com o "conforto" resultante da industrialização. É isso o que se pretende e se exige de quem gere, pensa e decide a indústria. Pede-se que sejam os melhores na defesa da Natureza e da vida que está à volta, não que sejam os melhores na defesa dos interesses industriais, isso seria fácil.
Afinal, antes da partida para o agrado de cada um, onde queremos todos nós viver?

Agora que os Gatos Fedorentos estão de licensa, a preparar os novos desafios, aqueles que vivem no concelho de Sines tiveram no último fim de semana o que se poderia chamar um fim de semana fedorento. Talvez numa tentativa de imputar à industria sediada no concelho comportamentos menos sustentáveis, que lhe não são próprios, agentes estranhos fustigaram durante todo o fim de semana a cidade com cheiros que os habitantes ainda não se habituaram a apreciar.
Decorrem averiguações para identificar a origem dos cheiros que, segundo fontes do município estarão concluídos em menos de seis ... anos.

A mancha que o fumo branco da chaminé da Petrogal desenha na noite escura dirige-se para Sines. É o vento que, imagine-se, se atreve a soprar nesta direcção. Cheira muito mal. O tal cheiro nauseabundo que recomenda o rápido encerramento de portas e janelas. A coisa tem atacado mais ao fim-de-semana mas podia ser todos os dias, assim o vento quisesse.
Dou por mim a descobrir que a clássica e rotineira declaração do actual Presidente da Câmara de Sines deixou de ser actualizada. Há mais de seis meses que ele não declara solene: "dentro de seis meses o problema da poluição em Sines estará resolvido".
Espreito a página do Ministério do Ambiente e lá está a qualidade do ar em Sines sempre ao nível da excelência. Nada de novo, esta página nunca se deu bem com a nossa realidade tal como as sucessivas declarações do autarca. Infelizmente, para todos nós.

Afinal a refinaria de Monteiro de Barros já não se destina unicamente à exportação para as Américas. Destina-se prioritariamente ao mercado ibérico e aos EUA. Esta situação nova preocupa a GALP. Aliás a nova refinaria já não vai produzir o que era suposto, à data do acordo com o Governo, mas bastante mais. O que significa poluir bastante mais. Mas certamente esta preocupação da poluição não faz parte do rol das preocupações da GALP. Interessa-lhes que não haja favorecimentos e que por exemplo a concorrência não disponha de direitos de emissão poluentes gratuitos. Gratuitos neste caso quer dizer pagos pelos contribuintes. É que, diz a GALP, os direitos de emissão podem significar uma centena de milhões de euros anuais do lado dos custos.
Será que existe aqui algum motivo para que nos preocupemos com esta situação?
Amanhã o autarca-amigo deve fazer mais uma daquelas declarações balofas a anunciar a criação de mais uma comissão de acompanhamento blá, blá, blá.


 

Pedra do Homem, 2007



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