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Ministério Público faz buscas em escritórios que participaram na compra de submarinos
Esta notícia saiu hoje não porque seja terça-feira santa e um dia desses seja o indicado para notícias sobre submarinos, luvas, depósitos na Suiça e investigações que os pobres cidadãos pensavam estarem encerradas.
Saíram hoje porque se tivessem saído mais cedo poderiam ter interferido na campanha eleitoral. Teria sido feio, convenhamos. Tal como foram feias as notícias que saíram com manchetes sobre os PPR´s de Louçã e Ana Drago. Está bem, Paulo Portas nunca falou de submarinos na campanha e, apenas e só por isso, os jornais não se atreveram a ir ao fundo das suas contradições.Mas falou em dinheiros públicos, diabolizou os que recebem o rendimento mínimo e os malandros que recebem o dinheiro da assistência social. Mostrou uma probidade republicana no discurso sobre dinheiros públicos que deveria ter sido confrontada com a práctica do exercício de cargos políticos. Mesmo que para isso alguém tivesse que, equipado de um Nautilus, ir ao fundo de certas questões. O silêncio é de ouro e pode dar votos, conclua-se.

PS - nestes casos dos silêncios e das omissões há sempre os que ganham e os que perdem. Vamos ver com quem Portas se coligará. Eu aposto que o ministro Jaime Silva salta do próximo Governo para parte incerta.

Bloco em Sines: quinto melhor resultado a nível nacional(continuar a ler aqui)

PS dispara na recta final e deixa PSD a oito pontos de distância
Voto no BE no próximo domingo. Espero que estes resultados anunciados pelo Público e pelo DN se confirmem num aspecto e se mostrem errados noutro. Explico: espero que a esquerda seja amplamente maioritária no parlamemto e que a maioria absoluta do PS não se concretize, como ambas as sondagens mostram. Desejo que a vitória, expectável, do PS não seja tão significativa como as sondagens dos últimos dias indicam. Espero que nenhum arranjo entre o PS e o PP permita estabelecer um acordo de incidência parlamentar que possibilite a Sócrates governar, mais uma vez, contra aqueles que o elegeram. Essa possibilidade existe com os resultados agora anunciados e como se sabe Sócates nunca se comprometeu com a recusa de uma aliança com o PP.
Voto no BE para que se possa introduzir mais justiça na economia. Não quero a economia na mão do Estado, nem uma sociedade sem iniciativa privada, sem empresas privadas, que hostilize o empreendedorismo. Mas, sobretudo, não quero uma sociedade em que o Estado foi capturado pelos poderosos interesses dos accionistas das grandes empresas do sector energético e do sector financeiro. Uma sociedade em que o Estado se comporta como um servo desses interesses desprezando os direitos das populações, condenadas a viverem sem horizontes e sem perspectivas, condenadas ao fatalismo de viverem no país mais desigual da Europa. Desigual por força da acção do Estado, por força das omissões do Estado. Essa é a prioridade deste momento: romper com a práctica neoliberal que nos conduziu onde estamos e que teve em José Sócrates um primeiro-ministro que seguiu a cartilha com uma desgraçada competência.
Penso que é necessária uma reconfiguração da esquerda. Uma esquerda com menos influência da ala direita do PS, menos servil em relação ao mercado, em relação aos interesses especulativos, mais justa , mais solidária. menos assistencialista. Uma esquerda democrática, preparada para participar no poder, para ganhar e perder eleições, que não queira sair da União Europeia mas não desista de lutar para a transformar, para a tornar mais justa.
Uma esquerda que faça a sua própria evolução e seja menos dogmática na economia.
Há muitas e boas razões para votar no BE. Mas a esquerda que pode mudar o país é plural e não pode dispensar os votos e as energias das centenas de milhares que irão votar no PS. É necessário construir as pontes que possibilitem uma ampla convergência das esquerdas. Baseada na contratualização política, que não abdique dos príncipios. As pessoas estão disponíveis para a contratualização e para a negociação política. Espero que depois de domingo fiquem criadas condições para que essa contratualização seja não só mais fácil como mais inevitável.

PS afirma que PSD fracassou e pede vitória estrondosa
O PS embalado pelas suas realizações dos últimos dias, quase todas "realizadas" com a preciosa ajuda da Presidência da República ou do PSD/anémico/confundido, passou para a fase seguinte e pde agora uma maioria absoluta travestida de "vitória estrondosa". Argumento principal: o PSD fracassou!!!
Vamos lá ver, quem é que governou o país em maioria absoluta durante quatro anos contra tudo e contra todos? Foi o PSD? Quem vai ser julgado/avaliado no próximo dia 27? O PSD?
O cenário de mais quatro anos de maioria absoluta de Sócrates é um dos momentos mais aterrorizadores da política portuguesa desde o 25 de Abril.
Alegre deu uma ajuda inestimável a Sócrates nesta campanha. Vê-se nas subidas dos últimos dias. Talvez fosse esta a altura para lhe perguntar como é que ele acha que um cenário de maioria absoluta ou de vitória estrondosa do seu camarada - tão seduzido pelo liberalismo e pelo neoliberalismo, durante tanto tempo - contribuirá para termos mais esquerda na política, citando a sua célebre declaração do Trindade.

manifestamente exagerada, mas daí à declaração de Ferreira Leite vai uma distância que ninguém percebe.
Talvez a coisa não seja bem assim mas lá que o doente, aliás a campanha, está a necessitar de cuidados especiais, lá isso está.

Frente-a-frente entre José Sócrates e Paulo Portas marcado pelas divergências sociais
Não sei se o atraso de Sócrates impediu o trabalho de maquilhagem, mas a verdade é que o primeiro-ministro não tinha aquele ar bem acabado que no dia anterior tinha suscitado a Judite de Sousa uma referência a uma "ideia europeia" sobre o ar sexy do dito.
Mas, os debates, já se sabia, são tudo menos sexys. São mais ou menos duros e mais ou menos esclarecedores. O de ontem não adiantou nada. Estão ambos muito convenientemente instalados nos seus territórios e se um está num processo de defesa dos anteriormente conquistados, ou pelo menos de minimização de perdas, o outro está num processo de clara reconquista para os quais mobiliza as armas do costume.
O que os torna uma dupla sui generís no actual quadro político é que fazem falta um ao outro para atingirem os seus objectivos. Cada um deles é a outra face o "querido inimigo" do outro.
Sócrates parece mais de esquerda do que nunca quando do outro lado está Portas, com as suas inenarráveis investidas contra os malandros do rendimento social de inserção e contra as políticas sociais que, segundo ele, se deveriam reduzir a menos impostos para as empresas deixando-lhes o ónus - e o proveito - de fazerem a redistribuição da riqueza. Ou quando insiste num modelo, fracassado em todo o lado, de transferir para o sector financeiro a gestão da segurança social. Apenas quando tem pela frente um programa tão deliberadamente privatizador da economia e de minimização dos serviços públicos, substituídos por negócios privados, Sócrates se pode dar ares de esquerda. Mas, Sócrates foi soft quanto baste com o seu adversário, exibindo mesmo alguma condescendência com Portas. Sócrates está interessado no crescimento de Portas e acha mesmo que esse crescimento será fatal para a hipótese do PSD ganhar as eleições. Nada de novo nas eleições à portuguesa. Mas, Sócrates admite - e é isso que conta no PS, por enquanto - que irá governar com Portas se as coisas correrem bem aos dois. Ontem, de forma morna, esforçaram-se ambos para que isso fosse possível.

Bloco de Esquerda afasta hipótese de qualquer coligação com PS
face às posições assumidas pelo BE e pelo PCP quem vai governar o país a partir das próximas eleições legislativas? Esta questão interessa a todos os portugueses e particularmente aos que se situam à esquerda do espectro político. A pré-definição de uma posição deste tipo, de recusa liminar de qualquer tipo de acordo com o PS, é uma contribuição para o reforço no voto do PS e um limitador do voto no BE.
Defendo que deve haver negociação à esquerda para definir um novo Governo capaz de responder às questões fundamentais que este Governo hipotecou e às suas escolhas desastrosas. Essa negociação faz-se, julgo eu, a partir da redefinição das posições relativas dos diferentes protagonistas da esquerda e far-se-á melhor com o reforço do BE e do PCP. Temo que a recusa pelos dois partidos de qualquer negociação pós-eleitoral com o PS dificulte esse reposicionamento e favoreça o PS de José Sócrates, estimulando o voto útil num partido que não o mereceu.
No entanto, apesar disto, todas as sondagens indicam que o BE irá certamente duplicar a sua votação, duplicando, provavelmente, a sua bancada parlamentar. Mas a questão subsistirá: quem vai governar o país? Não se pode governar com cerca de 20% dos votos, soma do PCP com o BE, se é que BE e PCP se podem, alguma vez, coligar para formar um Governo.


 

Pedra do Homem, 2007



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