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Vou marcar esta data: 07-07-2007 e este evento: Live Earth . Não direi que duvido das boas intenções, não falarei do lado político. Haja quem faça alguma coisa! O que está em causa é muito mais importante do que as próximas eleições legislativas nos Estados Unidos.
ara além dos palcos principais, muitas outras cidades e artistas se solidarizam com esta iniciativa. Lisboa seguiu esse exemplo: Xutos & Pontapés, Sérgio Godinho, Rui Veloso, Mariza, David Fonseca, Blind Zero, Tito Paris, Ala dos Namorados, Filarmónica Gil, Mundo Cão, Mercado Negro, Viviane e 4Taste são os músicos que já confirmaram a sua presença num espectáculo de entrada livre que se realizará no Pavilhão Atlântico.

São imagens que nos atraiem, concebidas pelo marketing do turismo, para figurarem na lista dos nossos sonhos. São cenários, "mundos perfeitos", onde cada detalhe foi pensado ao pormenor. Muitos de nós sonha com lugares assim, onde, talvez, nos fosse afinal impossível viver. Pessoalmente olho para estes lugares como quem observa um cenário teatral, prefiro ficar de fora. Mas se gosta de sítios assim ou por simples curiosidade, experimente fazer o Skip Intro (tem que seleccionar o país onde reside) e ver a Photo Gallery das Maldivas do One & Only Resorts . Vale mesmo a pena!

Ergue-te como uma árvore e não queiras florescer no tronco. No tronco agrega-se o tempo, o passado, a vida circular da natureza. Floresce nos teus ramos acabados de crescer e criarás energia para desenhar outros. Não descures as verdes folhas, é através delas que todo o tronco se alimenta

TERRA

Quem consegue conter um sentimento de amor por este planeta, quando o vê assim a pairar no negrume do espaço?

(...)
Eu sou um leão de fogo, sem ti me consumiria
A mim mesmo eternamente, e de nada valeria
Acontecer de eu ser gente, e gente é outra alegria
Diferente das estrelas
Terra, terra,
Por mais distante o errante navegante
Quem jamais te esqueceria?
De onde nem tempo e nem espaço, que a força mãe dê coragem
Pra gente te dar carinho, durante toda a viagem
Que realizas do nada, através do qual carregas
O nome da tua carne
Terra, terra,
(...)
- Caetano Veloso -

Assiste-se a um frenesim à volta das novas energias. As movimentações sucedem-se. Esticam-se braços que atravessam continentes. O Tio Sam Bush estendeu de novo o mapa e foi ao Brasil. O Tio quer abraçar a produção de etanol, mas está também muito preocupado com a pobreza e com a irradicação de doenças. E ao que parece, ultimamente, também se preocupa com o futuro do planeta. Estou comovida com tanta bondade!

Enquanto este tema foi mais teoria do que prática, eu até pensei que o recurso às novas energias se iria fazer lentamente, sem grandes atropelos. Mas claro, ingenuidade a minha, os gigantes já se levantaram e definiram as suas estratégias, atropelam-se nos bastidores. São sempre os mesmos que avançam, são quase sempre os mesmos que ficam a olhar. A história repete-se, procuram-se e asseguram-se os recursos, estabelecem-se acordos em troca de umas coroas e de uns programas contra a pobreza. Enfim, a mesma pobreza de sempre.
Sobre este tema, aconselho a leitura de um pequeno artigo publicado no Courrier Internacional desta semana, com a assinatura de Tom Philipps ( The Guardian) que fala dos esquecidos da revolução energética no Brasil, das condições dos trabalhadores nas plantações da cana-de-açúcar. É que também no que toca às novas energias, nem tudo é como deveria ser. Não basta pensarmos somente como consumidores, nas finalidades e vantagens das novas energias, devemos pensar em todo a processo de produção e lembrarmo-nos que também aí existem direitos humanos a preservar.


Voltei. Gostava de ter estado de férias, talvez aqui... com esta visão de lago-mar.
E vocês? Mesmo que agora decidam ir de férias, voltem sempre!


Sim, quero dizer sim ao inacabado
que é o principio de tudo
e o que não é ainda,
sim ao vazio coração que ignora
e que no silêncio preserva o sim do início,
sim a algumas palavras que são nuvens
brancas e deslizam amplas
sobre um mundo pacífico
(...)

António Ramos Rosa



Quem são os que viajam para destinos-distantes como as Ilhas Kiribati (na fotografia)? Ou o Burundi que também acaba em i?
Já para não falar no circuito europeu, contam-me as férias em Cuba, na República Dominicana, (o clássico das viagens de finalistas), as férias no Brasil e até na distante Austrália e no enigmático Vietname. Mas nunca ninguém me surpreendeu com a sua viagem ao Quirguistão, ao Brunei, a Myanmar, ao Suriname, ao Equador, nem sequer às minhas sonhadas Islândia e Mongólia. Ou seja, não conheço viajantes. Os que podem ir de férias, escolhem os mesmos locais. Marketing turístico ou a falta de imaginação? Acho que é simplesmente uma visão redutora dos destinos. Esquecemo-nos de mais de metade dos países do mundo.
Os europeus já viajaram pelo poder mas também pela aventura e descoberta. Como diz Sophia "Aos homens ordenou que navegassem / Sempre mais longe para ver o que havia / E sempre para Sul e que indagassem / O mar, a terra, o vento, a calmaria / Os povos e os astros / E no desconhecido cada dia entrassem" . Porém, estando o Mundo descoberto, poucos vão ver as suas longínquas paisagens. Mesmo os mais abastados não viajam pelo prazer de viajar, têm que ter uma razão para o fazer. Raramente se parte à aventura, o destino tem um objectivo subjacente e é normalmente cultural, o que é uma grande chatice!! E depois não se viaja, vai-se de férias já com dia e hora de regresso. Há um distante mundo esquecido que parece continuar a existir mesmo que um dia possamos não conseguir contornar os nossas intolerâncias. Um mundo esquecido que nos protege. E sem nomear essas distantes ilhas onde começa o nono Mundo Perdido de Spielberg e onde se esconde o romântico e sensível King Kong.



Mais um passo para a progressão do doentio, da cópia pela cópia, anulando o que mais de valioso temos: a criatividade, a imaginação. Já se fala há algum tempo de Thames Town, mas só agora está completamente terminada e as suas luxuosas casas praticamente vendidas. Thames Town situa-se perto da cidade chinesa de Shangai. Trata-se de uma réplica minunciosa de cidades inglesas, onde não faltam pubs e lojas (que se encontram ainda a funcionar em Inglaterra). São cópias de ruas inteiras, recantos rusticos de matriz piscatória, de parques e jardins; é como se estes locais tivessem sido fotografados ou recolocados noutro lugar. Nenhum pormenor foi descurado, dada a intenção dos investidores em levar Thames Town a ocupar o lugar de segunda-residência para os mais abastados. Agora, os que querem viver na China sem sair da Europa, já o podem fazer. Mas que agradável será passear o Airedale Terrier junto à replica da estátua de Winston Churchill. Até onde irá o instinto da réplica, da repetição, tão próprio do ser humano? E dele muito sabem os chineses, talvez o povo que mais o desenvolveu a nível material.



Nova Iorque foi durante algum tempo uma ideia-imagem que me atraía. Era um olhar de crianças antigas e do suposto, ultrapassado e já inexistente "Novo Mundo". Esse, de resto, Velho Mundo que às vezes ainda procuramos aconteceu há tanto tempo que já nem passa de moda.
Hoje sei que aquela ideia já está fora de tempo e do espaço. Resiste somente nos livros que estão para além desses limites.

O Novo Mundo é hoje outra coisa. A intervenção humana no que é hoje o Novo Mundo, ou seja o futuro próximo, é completamente diferente. O Novo Mundo parece-me um grande puzzle iluminado, uma grande máquina que trabalha por si. Uma conformidade matemática.
Então o que nos deslumbra nas grandes cidades? A diversidade? Uma ideia de protecção e liberdade? O anonimato? A ilusão e a beleza que poderá sair da máquina?

Há ainda quem tenha coragem de fazer uma viagem de 14.000 kilómetros por África, a pé.
Foi a melhor leitura de fim de semana, essa onde se contava a aventura dos franceses Alexandre e Sonia Poussin desde a Cidade do Cabo, na África do Sul, até ao Lago Tiberíades em Israel. Uma travessia que demorou três anos a três meses a fazer-se e que dará origem a uma livro: Africa Treck.

"Na mochila (...) só o mínimo vital. Quando temos tudo o que é necessário, não precisamos dos outros e não encontramos ninguém", explica Alexandre".

"Um momento marcante passou-se em Moçambique. "Tínhamos muita sede. Estávamos numa zona fronteiriça minada - e onde há minas não há populações. Estávamos muito desidratados. Ao fim de três dias sem beber água, à beira da morte, uma mulher salvou-nos. Era muito pobre, e chamava-se Lucy. Foi um piscar de olhos extraordinário, já que a nossa viagem tinha como 'tema' seguir os passos dos nossos antepassados hominídeos, dos quais "Lucy", a australopiteco descoberta em 1974 na Etiópia por Yves Coppens, faz parte" ".

E vendo-os numa fotografia no Campo Arrow, Monte Quilimanjaro (Quénia), a mais de 4.000 m de altitude, é caso para se dizer: Têm o mundo a seus pés.
De facto, só para alguns!

* sobre uma reportagem da revista Única do Expresso de 9/7/05


 

Pedra do Homem, 2007



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