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U/m texto de Jorge Bateira no Ladrões de Bicicletas sobre a necessidade de se tomarem decisões à esquerda. Uma excelente reflexão mesmo se a conclusão a que chega é polémica e passa pelo lançamento de um novo partido. Mas nã osendo a conclusão óbvia as razões que Jorge Bateira encontra/descreve para fundamentar essa proposta sintetiza o estado de espírito de muitos milhares de portugueses: "(...) É que o País vota maioritariamente à esquerda mas não está feliz com a representação política que recebe em troca. E tem razão, merece melhor."
Pois merece e há muito tempo que assim é. Ora o tempo na política como em tudo o resto que se relaciona com a vida das pessoas, é uma variável muito importante.

O PDF do número 4 da revista ops! - que inclui um dossier sobre Urbanismo e Corrupção - pode ser descarregada na totalidade desde hoje

O número 4 da OPS!, disponibilizado em formato html no passado dia 14, está disponível desde hoje em formato PDF, em versão integral.

Obtenha o PDF em http://www.opiniaosocialista.org.

Está já nas bancas a edição de Junho do le Monde Diplomatique - edição portuguesa - que, como é costume, traz um conjunto de trabalhos de leitura obrigatória.
Destaco o artigo da autoria de Vítor Neves, economista, professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, cujo título é: "A questão habitacional em Portugal: velhos e novos problemas" e um artigo de José Reis, professor de economia na U.C. cujo título é " O que vale o trabalho? A economia portuguesa como fonte de desigualdades".
Vítor Neves defende um ponto de vista, que eu partilho, que recusa o simplismo na transposição para a realidade nacional das experiências de outros países. Simplismo que se limita a analisar os problemas da habitação à luz da crise financeira internacional, elevada a uma espécie do alfa e do omega de todos os problemas existentes. Vítor Neves defende que " São, pois, velhos - e sérios - muitos dos problemas com que nos defrontamos. A crise da habitação é em Portugal sobretudo uma crise estrutural.(...)" Na parte do seu texto dedicada às "Opções de política de habitação" Vítor Neves reflecte sobre as opções de política contidas no Plano Estratégico da Habitação 2008-2013, para questionar "o pressuposto da inevitabilidade da retracção do Estado e a (quase) redução da política de habitação a um conjunto de medidas com uma lógica assistencialista - o Estado como bombeiro" para concluir questionando se "Será eficaz uma tal opção de política na persepectiva da efectivação do direito à habitação em Portugal?"
A resposta éstá implicita na pergunta e conduz-nos a uma conclusão que não nos pode agradar: Ontem como hoje as políticas públicas de habitação em Portugal são, mais coisa menos coisa, a negação do direito constitucional à habitação. Ora aqui está um lamentável ponto de confluência e de sintonia daquilo a que se costuma chamar o "Bloco Central".

Adenda: Devo também salientar um outro artigo, excelente, de Constantino Alves, Pároco da paróquia de Nossa Senhora da Conceição em Setubal e cujo título é "BelaVista - Setúbal. O bairro estigmatizado, um futuro difícil." Uma reflexão, apoiada pela experiência de vida de quem pode afirmar que "(...)Conheço os recantos mais problemáticos, calco o lixo nas escadas e sinto o odor dos dejectos e esgotos a céu aberto.(...)" Uma reflexão sobre as diferentes causas da violência urbana gerada pela exclusão e pela marginalização. A degradação do edificado, a ausência de espaços públicos qualificados, a falta de equipamentos colectivos como por exemplo parques infantis, a elevadíssima taxa de desemprego entre a população em idade activa -perto de 30% - os estigmas que os residentes carregam que os leva a omitirem, por exemplo, a morada real quando procuram emprego, a incúria e a omissão das instituições, que deveriam ter uma acção integrada no Bairro. Para ler e pensar.

Um pequeno texto de José Reis no Ladrões de Bicicleta: "O Rapto da Europa". Estão lá algumas das questões essenciais que a camapanha eleitoral não permitiu colocar. A questão central é esta : "Para uma parte da esquerda que pensa sobre a União, basta e está bem uma União com o ‘entorse’ liberal que a Agenda de Lisboa lhe trouxe. Para a outra parte, uma União com audácia e capacidade para estruturar e governar em concreto um espaço de integração activo é ainda matéria difícil de digerir."
São questões académicas, dirãos os políticos e os jornalistas muitas vezes irmanados na mesma santa ignorância. Não são. São questões essenciais.
Um outro texto importante do mesmo autor no mesmo blogue é "As protecções do capital".
Boas leituras para o dia das eleições

Está já nas bancas a edição de Abril do Le Monde Diplomatique. Nesta edição pode ler um artigo deste escriba com o título "Portugal:O velho problema da habitação" integrado num dossier para o qual também contribui o sociólogo João Pedro Nunes com um texto cujo título é "Propriedade do alojamento e propriedade urbana na Área Metropolitana de Lisboa».
Mas encontra nesta edição muitos motivos de interesse com destaque para o o texto sobre a Desigualdade em Portugal de Renato MIguel do Carmo, "Portugal e o eterno dualismo: é possível quebrar o ciclo?» ou o texto de Laurent Cordonnier, "Remendos no “Titanic” da finança global» ou a propósito do 10º aniversário do Le Monde o artigo da sua directora, Sandra Monteiro, "Dez anos por um jornalismo sustentável".
Condições reunidas para uma leitura estimulante.

No número de Março do Le Monde Diplomatique, edição portuguesa, destaque para o dossier que dá o nome a este post.
Integram este dossier, apenas disponível na edição impressa, os seguintes textos:
Um texto do politólogo, e Gulbenkian Fellow do Instituto Universitário Europeu de Florença, Luís de Sousa cujo título é "Corrupção e desenvolvimento: impacto tónico ou tóxico?". Luís de Sousa organizou, juntamente com João Triães, a obra "Corrupção e os Portugueses- Atitudes,Prácticas e Valores", editado pela Rui Costa Pinto Edições;
"Corrupção e evolução legislativa", de Isabel Patrício, texto que serviu de base a uma intervenção da jurista num colóquio organizado pela assembleia da República em 2005 e que suscitou pouca adesão entre os que o escutaram de acordo com a revelação da própria;
"A informalidade e o financiamento dos partidos políticos" de José Miguel Fernandes, economista e ex-Presidente da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos entre Janeiro de 2005 e Novembro de 2008;
"Ideias simples para aumentar a transparência" de João Miguel Gaspar, juíz de direito, fundador do grupo "Cidadãos contra a corrupção na SEDES.

Nesta lista de ideias simples para aumentar a transparência são referidas algumas que eu próprio tenho defendido ao longo de anos e de que saliento as seguintes: consagrar o crime de enriquecimento ilícito, muito importante para a corrupção associada ao urbanismo e ao licenciamento municipal; publicitar em tempo real todos os procedimentos que envolvam decisões susceptíveis de favorecimento com a indicação de quem pede, em que data, quem intervém no processo e qual o sentido da decisão final: dos licenciamentos nas autarquias aos concursos de admisão na função pública até à decisão de pagamento de dívidas em atraso na autarquias.
Em 1997 na última vez que me candidatei à autarquia de Sines prometia, no programa da candidatura, a adopção desta medida fundamental para garantir transparência nas decisões municipais, impedir a existência de agendas pessoais das chefias dos serviços que lidam com as áreas sensíveis e para garantir que os tratamentos da Administração não discriminam negativa ou positivamente os cidadãos.


No número de Setembro do Le Monde Diplomatique continua-se um conjunto de "abordagens críticas regulares às várias dimensões das desigualdades na sociedade portuguesa" que tinham sido inauguradas em Agosto com uma recensão de Renato Carmo.
Neste número cabe a vez ao economista Carlos Farinha Rodrigues, autor do trabalho "Distribuição do Rendimento, Desigualdade e Pobreza -Portugal nos Anos 90" de reflectir sobre a desigualdad eeconómca em Portugal. A não perder. Cito: " Portugal é o segundo país com maior nível de desigualdade na União Europeia, apenas suplantado pela Letónia. O índice de GINI assume um valor de 0,38, bem acima da União Europeia, que é de 0,30. Se em vez do índice de Gini utilizarmos o indicador S80/S20, a posição relativa de Portugal não se altera. O rácio entre a proporção do rendimento auferido pelos 20% mais ricos e os 20% mais pobres é de 6,8 enquanto a média da União Europeia é de 4,8."
No mesmo artigo são fornecidos dados relativos à proporção do Rendimento Total auferida pelo quintis da população. assim o quintil correspondente aos 20% mais ricos mantêm-se estáveis auferindo em 1994, 42,7 % do rendimento total e em 2005, 42,8 desse rendimento. Quanto ao quintil mais pobre não passa da cepa torta vendo os seus rendimentos variarem no mesmo período entre 7,4 % e 7,7 % desse mesmo rendimento. Durante este período tivemos maioritariamente governos socialistas eleitos com o voto predominantemente da esquerda o que dá que pensar.
Outra conclusão que estes dados nos permite tirar é a de que a sociedade que temos estado a construir tem um modelo que nos seus traços essenciais permanece estável. Alguém se poderá surpreender se dissermos que a desigualdade social é uma das amrcas desta sociedade que temos estado a construir?.


Na edição de Agosto do Le Monde Diplomatique, já nas bancas, pode ler-se um artigo de minha autoria cujo título é: "Urbanismo e Corrupção em Portugal. Mais-Valias : quem as gera e quem as captura". Este texto é acompanhado no sítio Internet do jornal com um outro cujo título é "Urbanismo e Corrupção: As Mais-Valias e o desenvolvimento urbano".
Na mesma edição saliência para um texto do economista Eugénio Rosa cujo título é: "Portugal: como sair da crise? Governo sem plano para enfrentar crise, dificuldades a crescer" e ainda para um texto do sociólogo Reanto Miguel do Carmo cujo título é "Dois Olhares sobre as desigualdades e a pobreza em portugal" com uma abordagem de duas publicações editadas recentemente sobre esta questão: o livro do economista Carlos Farinha Rodriues, "Distribuição do Rendimento, Desigualdade e Pobreza" e um outro coordenado por Alfredo Bruto da Costa com o título "Um Olhar sobre a Pobreza, Vulnerabilidade e Exclusão Social no Portugal Contemporâneo".

Na edição de Julho do Le Monde Diplomatique destaque para o dossier "Que futuro para o Estado" com artigos de Jorge Sampaio, "O mundo em mutação e o Estado - em crise?" , e dos economistas - co-autores do blogue Ladrões de Bicicletas - João Rodrigues e Nuno Teles, "Portugal e o neo-liberalismo como intevencionismo de mercado".
O ex-presidente da República questiona a evolução da globalização e a forma como ela além de "um ritmo de crescimento económico ímpar, produziu também um colossal aumento das desigualdades, alargando quer o fosso entre os países ricos e pobres quer, no seu interior, entre os segmentos mais favorecidos e os mais carenciados" insistindo na necessidade de "uma estratégia política de resposta aos desafios da globalização e às mutações por ela operada. É aqui que se torna claro que os mercados não substituem a política, antes a tornam mais necessária. É aqui que se vê também ue o movimentos de integração política regional são indispensáveis para que as respostas políticas tenham uma escala suficiente para serem eicazes e poderem assegurar a regulação." Samapaio mnifesta-se contra o fatalismo dos neoliberais que defendem a diminuição, ou o esvaziamento da acção política em desfavor dos mercados omnipresentes, e defende o investimento em três caminhos: "investir na reforma do sistema internacional, investir na melhoria do papel regulador do Estado e investir numa nova aliança entre representantes e representados- ou seja, apostar na reinvenção das formas de representação." Muito interessante esta última reflexão que visa conciliar a democacia representativa , claramente em perda face à menor força mobilizadora das instituições tradicionais, como os partidos e os sindicatos, e ao crescente afastamento entre os representantes e os seus representados, e ao surgimento de novas formas de expressão e de intevenção colectiva e individual. Sampaio conclui, no entanto, que " a democracia participativa deve servir de complemento à democracia representativa , mas não a deve substituir".
(voltaremos ao excelente artigo de João Rodrigues e Nuno Teles)

Na edição de Abril do "Le Monde Diplomatique", edição portuguesa, saliento uma excelente análise de Jorge Bateira, com o título em epígrafe, sobre a estratégia reformista deste Governo através da abordagem de "quatro tópicos que [no entender do autor]constituem pressupostos estruturantes do discurso e da acção do actual governo: a psicologia humana, a organização da sociedade, o lugar do Estado e o papel das políticas públicas na priomoção da mudança(...)"

Cito: (..) O discurso do combate às corporações assume que a racionalidade humana é predominantemente egoísta, um pressuposto essencial ao pensamento neoliberal. Por isso, o seu discurso veícula a ideia de que o comportamento oportunista domina as organizações.(...) O discurso do combate às corporações assume que a sociedade é dominada por grupos de interesses particulares que disputam os recursos do país, e ao mesmo tempo vê cada grupo como uma soma de individuos, todos procurando obter benefícios pessoais dando o menos possível ao grupo. Em linha com o pensamento neoliberal e o seu individualismo metodológico, aquele discurso ignora a natureza intrinsecamente relacional do ser humano tomando as pessoas como átomos sociais.(...) O discurso do combate às corporações assume que o Estado se encontra no vértice da sociedade, num lugar priveligiado que permite obter a visão mais informada sobre o que está mal e lhe confere o poder de conduzir reformas (cujos efeitos interessam ao conjunto da sociedade) segundo processos de comando e controlo que regra geral se revelam profundamente inadequados (...) O discurso do combate às corporações assume um modelo de políticas públicas de causalidade linear: a concepção cabe ao governo que dá orientações e ordens à administração pública, competindo a esta última a execução.(...)"
O autor entende que esta experiência governativa do PS está na origem do desânimo que domina a sociedade portuguesa e que, ao mesmo tempo, ela cria "uma obrigação, a de construir uma agenda reformista que mobilize o país para os desafios que tem pela frente."
Cito ainda um outro trabalho muito interessante, do jornalista Philippe Rivière, cujo títitulo é "Os sul-africanos reclamam um tecto", que nos dá conta da forma como, tantos anos depois do fim do apartheid, as desigualdades sociais continuam abissais e milhões de sul-africanos permanecem sem acesso a alguns direitos básicos como habitação, água potável, electricidade, escola pública e tantos outros serviços essenciais. Em paralelo floresce a corrupção e o novo-riquismo.
Destaque ainda para um artigo de Mário Soares cujo título é "Mudança de ciclo" em que o ex-presidente partindo de um diagnóstico pessimista do estado do mundo aponta as eleições americanas como um dos momentos chave para uma mudança de ciclo, defendendo que Barak Obama é o mais qualificado para fazer as mudanças que urgem. Mas salienta igualmente o papel das eleições europeias de 2009 lamentando a qualidade, baixa, da generalidade dos políticos europeus. "(...) Os actuais políticos europeus, com algumas poucas excepções, parece que ainda não compreenderam que na Europa também são precisas rupturas radicais, em consonância com as aspirações sociais e ambientais dos eleitores europeus e as Grandes Causas que hoje preocupam os jovens e os adultos, mulheres e homens. Quarenta anos depois de Maio de 68, está na hora de os jovens europeus voltarem a lutar por um mundo mais justo, solidário e melhor."


 

Pedra do Homem, 2007



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