O Festival Músicas do Mundo já começou.
Afterglow
É sempre comovente o pôr do Sol
por indigente ou berrante que seja,
mas ainda bem mais comovedor
é o brilho desesperado e derradeiro
que enferruja a planície
quando o último sol ficou submerso.
Dói-nos reter essa luz tensa e clara,
essa alucinação que impõe ao espaço
o medo unânime da sombra
e que pára de súbito
quando notamos como é falsa,
quando acabam os sonhos,
quando sabemos que sonhamos.
Jorge Luis Borges
Este é um dos poemas de 'Fervor de Buenos Aires', obra de 1923 considerada o primeiro livro de Jorge Luis Borges. Chegado a ele, sensivelmente a meio do livro, é difícil ter-se a noção do que prende e encanta a nossa atenção: se as palavras de Borges, se a sua Buenos Aires, descrita por versos que fogem do papel e edificam, eles próprios, uma cidade, a sua cidade. Caminhos, ruas, praças, bairros e sombras. Nestes poemas, nada disto são palavras; são já lugares que nos pertencem.
Esperam-se uns dias António Ramos Rosa.
... duas notícias que foram ontem divulgadas. Uma sobre as margens excepcionalmente altas praticadas pela Banca Portuguesa. Outra sobre a pequenez do nosso estado social. Somos o país da UE que menos gasta com as políticas sociais.
Nada de novo e certamente não serão estas notícias que demoverão os patetas que dia após dia causticam a opinião pública com a mecessidade de se erradicar o dito estado social português, uma coisa que até o FMI descobriu que é de natureza diferente do estado social do Norte e do Centro da Europa. Caso para dizer que os patetas existem e são militantes.
Pronto, cá estarei de volta em 2015 se o PedradoHomem ainda resistir.
A cimeira da CPLP serviu para estabelecer um objectivo muito nobre e valoroso: cumprir os objectivos do Milénio(*) erradicando a pobreza até 2015. Ufa! Erradicar a pobreza nos países lusófonos até 2015 é obra. Dessa forma José Eduardo dos Santos, e outros em menor escala, muito provavelmente deixaria de ser um dos homens mais ricos do planeta. E, por exemplo, em Portugal, país onde existem dois milhões de pobres segundo as estatísticas europeias, isso obrigaria a redistribuir a riqueza produzida que hoje é acumulada por algumas, poucas mas sábias, famílias. (A distribuição mais ou menos equitativa da riqueza produzida, como se sabe, é hoje uma coisa demodé, estando mais in as esmolas, ainda que colossais, dos que enriqueceram mais do que permitia a força humana). A cimeira da CPLP não terá pensado nisto?
Fica feito o registo que merece o acompanhamento de todos. Por mim, prometo, se cá estiver, regressar em 2015 para fazer o balanço.
(*) - Quem quiser saber mais sobre os objectivos do Milénio pode ler aqui.
estado do mar na costa do norte durante os banhos de ontem (@19h30):
Posted by Duarte at 7/14/2006 10:12:00 a.m.Shaken, not stirred.
Um socialismo sem cafeína, com um tecnocrata colérico mas reservado
Posted by JCG at 7/13/2006 07:47:00 p.m.Este título foi sugerido pela crónica de Pedro Mexia, hoje no DN, a "sauna da democracia". A propósito do debate do Estado da Nação.
teve Marques Mendes quando lembrou, relendo a declaração de então, o discurso de António Guterres no qual afirmava que a aprovação da reforma da Segurança Social, proposta pelos socialistas à quatro anos, significava a sua sustentabilidade para o próximo ... século.
Já aqui tive oportunidade de referir algumas das posições assumidas publicamente sobre a saída da GM para Espanha baseadas nos lugares comuns do costume. Deslocalização devido aos baixos salários da concorrência e à falta de produtividade dos nossos trabalhadores. Nem o facto de neste caso a deslocalização se fazer para Espanha, uma das economias mais dinâmicas da UE, desmobilizou a asmeira. Nem o facto de os trabaljadores da Azambuja terem a produtividade mais elevada dentreo do grupo impediu o recurso à cassete.
Ontem na TVI enquanto Miguel Sousa Tavares se esforçava por explicar as características específicas da situação o jornalista lá avançava: "mas ó Miguel não achas que isto tem a ver com a competição dos baixos salários dos países de Leste etc,etc".
A justificação deste tipo de casos como uma fatalidade parece inscrever-se no mesmo registo.
O problema neste caso tem a ver de facto com os problemas com que se depara a GM a nível internacional e com as escolhas que a empresa tem que fazer para reduzir a capacidade de produção instalada, tentando reduzir custos. Neste particular aquilo que o ministro da Economia diz faz todo o sentido. O problema é que tendo que escolher entre Espanha e Portugal a GM escolheu o mais forte aquele que gere politicamente com mais eficácia os seus interesses. Com os Espanhóis não se brinca tão facilmente e a GM sabe disso. Aliás a questão dos 500 euros é risível e ultrapassável como explicou na SIC Notícias o socialista Henrique Neto.
Com Portugal é o que sabe: mais de 1/3 do último investimento realizado pela empresa na unidade contou com fundos públicos e com a presença do primeiro-ministro -Durão Barroso - que teceu loas à excelência do nosso cluster automóvel. Contou igualmente com a presença do Presidente da República que visitou esse motivo de orgulho para Portugal.
Quem foi capaz de prever um cenário como o actual e quem foi capaz de equacionar as variáveis que potenciariam um desfecho como este? Claro que nada foi feito - não só por este Governo - porque certamente estão todos convencidos que isto é uma fatal consequência da "distância e custos de transporte, défice de qualificação profissional, baixa produtividade, falta de fornecedores domésticos qualificados, elevados custos de energia, falta de competividade fiscal(...)"
Os Governos habituaram-se a deitar milhões para cima dos potenciais investidores e a tentarem por essa via mantê-los cá por mais uns anitos. Acontece que isso não é suficiente desde há muito. Tal como a conversa dos baixos salários e da localização geográfica não ajuda a explicar grande coisa neste momento.
Adenda: De tudo o que os partidos disseram sobre o acontecimento pouco se aproveita. O representante do PSD foi mesmo de uma politiquice confrangedora. Só faltou dizer que com o PSD a GM continuaria em Portugal. A seguir passaram as patéticas declarações de um festivo Durão Barroso . Bem podia ter ficado calado.
Chocante é a possibilidade admitida pela UE de deslocalizações no interior da UE, contra as políticas públicas de reforço da coesão e à custa de dinheiros comunitários. Nesse sentido o que Francisco Louçã disse sobre a necessidade de Portugal defender a alteração das regras faz todo o sentido. O resto, tipo chamar o ministro da economia ao Parlamento, é a politiquice do costume a que ninguém liga.
O pedido de ajuda financeira de Alberto João Jardim ao primeiro-ministro mostra bem como este senhor entende a actividade política. Habitual sugador de recursos financeiros ao país, geridos para manter o seu poder e dos seus amigos há mais de 25 anos, pediu algumas semanas atrás a demissão do Governo.
Sem vergonha.
ao Presidente da República por ter promulgado a Lei da Procriação Medicamente Assistida.
Os jogadores que integraram a selecção querem isenção fiscal sobre o prémio pela participação no Mundial 2006. Não há vergonha.
O prémio da representarem o país não lhes chega. É necessário o prémio de 50 mil euros e o prémio suplementar da isenção de impostos sobre o prémio. Para somar à isenção de que beneficiam para a grande parte dos seus rendimentos ao longo da carreira.
O ano de 2005 foi um ano de ouro para a Banca portuguesa. Os lucros aumentaram mais de 30% relativamente a 2004. Claro que isto acontece em Portugal, país no qual os cidadãos e as pequenas e médias empresas sofrem com a recessão económica, sofrendo uma clara diminuição do seu poder de compra e prejuízos ano após ano.
Claro que sobre estes lucros extraordinários os Bancos vão pagar impostos a uma taxa tão baixa que naturalmente não pode ser aplicada aos portugueses e às empresas portuguesas.
A Banca é o regime. A classe política os seus fiéis e dedicados executivos.
Ninguém se indigna com o facto de Fernando Ruas continuar ainda como Presidente da Associação Nacional de Municípios. A explicação é dada aqui. Junto o seguinte: A ANMP não representa todos os munícipes portugueses. Não representa sequer os autarcas -por exemplo os chamados vereadores da oposição cujos direitos são normalmente espezinhados - mas tão somente os Presidentes das Câmaras. Trata-se de uma organização de classe no caso do tipo câmara corporativa.
Adenda: Falo a partir da experiência de quatro anos de deputado municipal e de oito anos de vereador sem pelouros atribuídos, o vulgo vereador da oposição que existem para fingir que o sistema é muito democrático e muito participativo. Tretas e hipocrisias.
é o que a iniciativa do PS, de explicar as medidas do Governo aos militantes, deixa transparecer.
Não deixa de ser no entanto uma iniciativa sintomática daquilo que é a realidade partidária no nosso país quando se trata de um partido do poder. Os ministros vão explicar aos militantes as respostas do PS aos desafios da sociedade. Assim sendo será legítimo concluir que a participação dos militantes na tomada das decisões, que agora lhes vão ser explicadas, foi tão irrelevante que pura e simplesmente não as compreendem? Sendo, ao que parece, a participação dos militantes tão irrelevante para a actuação política do(s) partidos será relevante para que outros fins?
Os militantes do PS passarão neste momento por alguns apuros na defesa das políticas concretas do seu Governo. É altura de os munir de um argumentário que lhes permita minimizar os custos políticos da governação que os dirigentes - sem os maçar, num assinalável altruísmo -escolheram.
Os militantes continuarão sem sobressaltos desde que o partido permaneça no poder.
Essa é que é a verdadeira e a única questão política que importa.
afinal o Mundial vai ser ganho por uma selecção "visivelmente em declínio" nas pouco certeiras palavras do Luís Delgado.
Eu aposto no declínio da Itália que me parece do tipo "mais fresco" do que o da França ( atente-se na forma como conduziram os alemães pela borda fora sem apelo nem agravo). Os franceses hoje estiveram muitas vezes à beira do KO. Faltou quem soubesse aplicar o golpe fatal. Nisso os Italianos são reconhecidos especialistas e dispõem de um conjunto assinalável de verdadeiros pontas-de-lança. Quem nos dera.
De todas as individualidades que tive de ouvir até agora - "altas" individualidades, todas elas - a única que disse alguma coisa com sentido foi o Eusébio.
a disponibilização do Diário da República on line. Trata-se de uma medida que passa à margem dos interesses da maioria dos cidadãos mas que traduz uma forma de desburocratização e de simplificação administrativa clara. Aplausos.
Outras paisagens: O Sol da Meia-Noite em Hammerfest, Noruega
Posted by MJB at 7/04/2006 07:31:00 p.m... esta da penalização das reforma a partir do próximo ano em cerca de 10%. Trata-se, segundo o discurso dos socialistas, de uma medida indispensável para a sustentbilidade do sistema, um argumento já várias vezes utilizado.
Claro que as reformas mais baixas vão ser mais penalizadas. É que 10% para quem receba menos de 500 Euros por mês não é a mesma coisa que para quem receba 2500 Euros. Uma coisa óbvia sobretudo para um governo que governa em nome de uma maioria absoluta conquistada à esquerda.
É caso para dizer que a maioria que nos governa está atacada por uma crise de identidade.
Coisas que jamais pensei fazer (até à passada semana):
a) Confiar no Ricardo;
b) Achar que, só por causa da sorte que tem, é bom ter o Scolari como treinador de Portugal;
c) Achar que é mau para Portugal o Petit estar castigado;
d) Ficar indignado com as substituições do Pesetero durante os jogos;
e) Gritar "PÕE O SIMÃO!".
veio dizer o Ministro Manuel Pinho a Sines sobre a ampliação da refinaria da GALP. Quer isto dizer que o investimento vai contar com uns largos milhões de dinheiros públicos para fortalecer os lucros privados. O costume. Para combater a poluição, que faz PIN nas nossas vidas, para garantir o direito à saúde nos termos constitucionais dos cidadãos que aqui moram, não há tusto. A moral do costume a que o Presidente da Câmara adere entusiasmado. PIN.
Adenda: Entretanto decorre a recolha de assinaturas para exigir uma moratória aos investimentos industriais enquanto não for realizado um estudo sério sobre a situação do ambiente e da saúde pública em Sines.
Preve-se que hoje, 4 de Julho, quando se comemora o Dia da Independência nos Estados Unidos, a "missão" STS-121 Discovery descole do Centro Espacial Kennedy na Florida. Levará sete tripulantes/especialistas a bordo e será comandada por Steve Lindsey.
As missões espaciais e toda a tecnologia envolvente sempre me fascinaram. Creio que acontece um pouco com todos nós. Presenciar os factos que provam a capacidade de transformação e o nosso domínio sobre a matéria, provoca sempre um momento de deslumbre.
Dantes, quando ainda dava a série televisiva Espaço 1999, às vezes, imaginava que éramos subitamente visitados por extraterrestres e que isso mudaria muita coisa no nosso planeta. Imaginava de que com a ajuda dos extraterrestres curar-se-iam muitas doenças e vencer-se-iam alguns dos limites humanos.
Imaginava que ao avistarem as nossas paisagens os invulgares visitantes se emocionassem com a beleza e a diversidade das mesmas. Tinha, porém, também muita dificuldade em explicar de que apesar de já conseguirmos também muitos avanços científicos que nos permitiram, por exemplo, já há 37 anos pisar o solo lunar, ainda não tinhamos conseguido erradicar a fome do planeta. Hoje, a 4 de Julho de 2006, quando leio a notícia de mais uma missão Discovery, faço a mim própria a mesma pergunta.
Pela primeira vez, desde que foi ijnventada a escrita, Luís Delgado não dedicou a sua homília, agora em formato semanal, no DN, a elogiar Sócrates - antes Santana, depois de Durão - e a descascar, salvo seja, Marques Mendes, esse ibnexistente líder da oposição.
Desta vez Luís escreveu sobre a estrela que os nossos rapazes devem trazer no peito no domingo próximo. A estrela de campeões mundiais.
Mas Luís, na bola tal como na política, é um homem de grandes previsões. Tal como quando anunciou aos portugueses, directamente da América a sentir o fervilhar do povo americano, que Bush pai ia arrasar Clinton - por uma infeliz circunstância nunca verdadeiramente explicada aconteceu exactamente o contrário - Luís anuncia agora, como um adquirido, a presença lusa na final de Berlim. Tanto mais que, diz ele, "A Itália e a França estão visivelmente em declínio, por falta de capacidade de renovação, e os altos e baixos que mostraram neste campeonato não são períodos passageiros e fugazes. As duas selecções foram capazes do melhor e do pior, e isso significa instabilidade."
Aliás consta que Parreira quando leu este comentário sobre o declínio da França e a sua instabilidade comentou para Zagalo : "puxa cara esse portuga ainda escreve mais bobagem do que você, né, com aquela ideia de deixar o Zidane à solta que o cara táva velho pa caramba. Você conhece? "
Bom espero, uma vez sem exemplo, que Luís não se engane desta vez. Cá estarei com satisfação na segunda feira para o reconhecer e louvar.
Há um pormenor que é afinal um pormaior: Freitas foi um homem vindo da direita que defendeu sempre o direito internacional. Dito de outra forma Freitas esteve ao lado daqueles que recusaram a guerra ao Iraque, à revelia da ONU apenas e só por obra e graça do livre arbítrio de Bush e do seu aliado Blair. Já sabemos que as razões da invasão -falsas - eram apenas instrumentais. Esta posição de Freitas fez dele um político mais merecedor do nosso respeito. A sua passagem pelo Governo de Sócrates deu, nesse sentido e sem qualquer ironia, um ar de esquerda ao conjunto do Governo. Tratava-se, dizia a direita analfabeta, de um perigoso esquerdista insusceptível de ser aceite em Washington.
... não escolhe adversários para as meias-finais, acaba de declarar solene o Ministro Pedro Pereira - o que fala mais parecido com o Sócrates - aparecido por artes mágicas logo ali à mão de ser entrevistado. Discreto este Ministro. Ninguém deu por ele até ao momento certo. Nada como a espalhafatosa da Merkel aos pulos nas bancadas a festejar a vitória dos seus alemães sobre os desafortunados argentinos.
Eu já desconfiava que tantos êxitos não podiam dispensar a acção previdente do Governo.
os Ingleses - que se portaram dignamente depois da pisadela do Rooney - estão a ganhar o hábito de perderem com a nossa selecção. Fazem, juntamente com os holandeses, parte de um novo grupo de fregueses.
Foi um jogo feio, chato, que se percebia que ia acabar nos penáltis, mas ... ganhámos. Graças a S. Ricardo - será desta que o vendemos para Inglaterra? - que é uma aposta segura do Scolari, apesar da pública reprovação do Pintinho.
Na meia final com Deco e Costinha again a coisa promete. Os franceses são mais macios - e temos umas contas para acertar - mas ganhar aos irmãos brasileiros teria outro sabor.
Adenda: Os franceses acabam de aviar os brasileiros com uma ensaboadela de todo o tamanho. Zidane - que marcou contra a Espanha um golo genial - e mais dez valorosos rapazes jogaram um futebol de altíssimo nível reduzindo o Brasil ao estatuto de um mero comparsa.... menor.
Parreira fez juz ao que afirmei sobre ser ele o pior treinador do mundo. Reduzir Ronaldinho Gaúcho ao nível medíocre que apresentou neste mundial é obra. Para um vtreinador menos limitado seria Ronaldinho e mais dez, como no Barcelona, mas Parreira diminuiu claramente o peso do génio na equipa. Um génio triste e uma equipa derrotada sem apelo nem agravo.





