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Sócrates conseguiu pôr Louçã à defesa
Nesta coisa dos debates, cada um puxa a brasa à sua sardinha e quem aqui escreve não escapa a essa regra universal. Os jornalistas, no entanto, quando não estão a emitir opinião, devem ser imparciais e rigorosos. A notícia do DN falha grosseiramente nesse aspecto. O jornalista, cujas antipatias pelo BE são notórias, e legítimas do ponto de vista individual, inventa um debate que, julgo eu, não terá acontecido. Identifica mesmo um momento em que Louçã terá estado à beira de "perder a cabeça" quando referiu a evolução pessoal de Sócrates que terá mudado da juventude do PSD para o PS. A simples ideia de que Sócrates terá colocado Louçã à defesa é uma construção fruto de uma fértil imaginação. Não é suposto o jornalismo noticioso fertilizar-se no campo amplo da imaginação.

A cnadidatura liderada pelo actual presidente da Cãmara de Sines promete, entre outras medidas, "Trablharmos, lutarmos e vencermos as batalhas para: A expansão do Terminal de Contentores e garantir a sua comptitividade". (ler mais aqui).

Manuel Coelho, presidente da Câmara de Sines e candidato do SIM, apresentou mais uma queixa ao Ministério Público contra o blogue Estação de Sines( ler mais aqui)

Já são conhecidos os gastos com as próximas camapanhas legislativa e legislativa. Ficámos a saber que PS e PSD juntos irão gastar mais de 50 milhões de euros. Parece um claro exagero e manifesta alguma insensibilidade quando as dificuldades do país são tantas.
No caso de Sines já é possível saber o que cada um vai gastar.(aqui)

Só 29 dos actuais 308 presidentes de câmara não se recandidatam
A notícia confirma aquilo que já se sabe: no poder local os Presidentes de Cãmara permanecem no cargo quase enquanto quiserem. A conclusão óbvia seria a de que, neste sector específico da actividade política, a qualidade do trabalho realizado seria pouco menos do que insuperável. Pura ficção. Estamos no campo puro e duro do caciquismo. Quem chega ao poder dificilmente de lá sai porque estabelece um poder pessoal sobre todos os mecanismos que afectam directa ou indirectamente a reeleição. Não há eleições em que o detentor do cargo político tenha tantas vantagens sobre os demais concorrentes como as autárquicas. Controlo da máquina da auatarquia, incluindo os recursos da mais variada ordem, controlo da débil e servil imprensa local, controlo dos sectores do negócio ligados ao imobiliário, habituais financiadores das campanhas autárquicas de quem está no poder, etc.
O fraco, para não dizer inexistente, controlo democrático do exercício do poder executivo leva a que tudo seja possível incluindo uma extrema pessoalização do poder municipal. A Câmara Municipal é, em regra, o umbigo do Presidente e um limitado círculo aí centrado no qual só têm lugar aqueles que fazem da obediência servil a sua regra.
Suponho que o PS e o PSD alterarão a lei que impede a reeleição, a partir de 2013, de autarcas com mais de 3 mandatos exercidos. O apelo dos caciques é intenso e alguns autarcas criaram raízes profundas no cargo que se disseminam por dentro das frágeis estruturas partidárias que secam e controlam. Trata-se de um processo de natureza cancerigena e, como sabemos, ainda não há cura para o cancro. Quando isso, por alguma razão, não acontece e os partidos promovem a renovação o autarca, na iminência de ser afastado, passa a independente com um qualquer "discurso de suporte político" para a sua decisão. O caso mais recente é o do autarca de Sines que descobriu, convenientemente, que nunca tinha sido estalinista e que o seu partido ao longo de 30 anos era estalinista que se fartava. Convivência incompatível, como se compreende. Quem é que quer ser afastado de um poder cujos mecanismos de controlo domina depois de o ter aperfeiçoado ao longo de 12 anos?
O que é inovador nesta notícia é a informação de que nalguns casos o pai é sucedido pelo filho. Ora, aqui está uma inovação. Talvez possa ser por esta via que, pouco a pouco, se vá restaurando a monarquia sem necessidade dos betinhos andarem a escalar as fachadas dos edificios municipais.

PS - declaração de interesses - sou candidato independentre pelo BE à Câmara de Sines da qual fui vereador, sem pelouros atribuídos, vulgo vereador da oposição, entre 1993 e 2001, eleito nas listas do PS, cuja candidatura liderei nas duas eleições.

O PSD entregou hoje o processo de candidatura às próximas eleições autárquicas no concelho de Sines. Felicito por isso o João Custódio, o Francisco Venturinha e todos os demais candidatos e aos membros e dirigentes locais do PSD. A democracia faz-se com a participação de todos e com todos a assumirem as suas diferenças e os seus projectos. Sou insuspeito de simpatias políticas pelo PSD mas fico satisfeito com esta candidatura. Não retiro, lá por isso, uma linha ao que escrevi sobre a "direita dos interesses" e as suas opções.
Aos candidatos desejo-lhes sorte e um bom resultado em Outubro, quer dizer, que tenham pelo menos os votos obtidos em 2005. Mas, sei que a tarefa é dificil.
Quanto às questões menores sobre Verdade, questões anatómicas etc, lembro-me sempre nestas ocasiões de Rabindranath Tagore, Nobel da Literatura em 1913, de que recomendo a leitura do livro " A casa e o Mundo" (da editorial Presença na versão que possuo, edição de 1986), que salientava a importância de se ensinar as crianças a ler mas que não deixava de salientar a importância de elas poderem compreender o que liam. Este, parece ser, infelizmente um tema actual. O mesmo excelente romancista, poeta, dramaturgo, pintor, músico e educador, e que foi uma das principais figuras do movimento nacionalista indiano e amigo pessoal de Gandi, escreveu que "Se se fechar a porta a todos os erros a verdade ficará lá fora" o que como todos sabemos é uma verdade, digamos assim. .. verdadeira.
Ainda sobre a diferença fundamental entre ler e compreender cito o professor José Pacheco, Mestre em Ciências da Educação pela Universidade do Porto, "(...) Ler é diferente de compreender. Ler pressupõe o domínio do vocabulário utilizado, da estrutura sintáctica do material escrito, do conteúdo. A atitude do leitor e os seus preconceitos, ou seu interesse relativamente ao texto lido, influenciam a interpretação. Ser leitor pressupõe ser capaz de distinguir entre factos e opiniões, captar o significado literal, as asserções directas, as asserções paralelas, as paráfrases... O domínio da linguagem pode ser afectado pela rigidez de ideias, por carência de capacidade discriminativa. Ser letrado não significa apenas saber ler e escrever, mas ser funcionalmente letrado(...)"

De acordo com fontes geralmente bem informadas o PSD não solicitou, até ao final do dia de hoje, qualquer certidão para os integrantes das listas candidatas à autarquia de Sines. Ainda o pode fazer amanhã, mas arriscamos já a denúncia deste facto inédito na vida democrática em Sines: o PSD não se candidata a qualquer dos orgãos da autarquia de Sines.
Descobre-se assim a estratégia que esteve por detrás das sucessivas desistências de diferentes candidatos e da apresentação de um candidato que desde o ínicio apareceu como fraco e garante seguro de uma votação muito abaixo dos valores normais do PSD: o PSD vai votar massivamente no SIM. Manuel Coelho, que manobrou na sombra, ou às claras, por interpostas pessoas, recebe assim de uma assentada um "grupo de cidadãos" que vai engrossar o seu movimento de apoio à recandidatura dos transfugas da CDU. A direita dos interesses já escolheu o seu candidato. Sabe com aquilo que pode contar e está de peito feito para o saque que se adivinha. Saliva quando ouve falar de Cidade Desportiva e dos milhões que pode capturar com os terrenos libertos para a especulação imobiliária. Quer continuar um trabalho que tantos lucros lhe proporcionou nos últimos vinte anos.
Este é o segundo golpe do baú depois da famosa candidatura dos Independentes em 1997 e destina-se a tentar evitar aquilo que se desenhava, ontem como hoje, como inevitável: a derrota de quem tem exercido o poder autárquico de uma forma tão prepotente e tão incompetente. Mas, os tempos são outros e há muito mais andorinhas nesta primavera. A bipolarização de 1997 já não se repete.

Para ler aqui as propostas apresentadas no debate sobre esta questão tão importante para o desenvolvimento do concelho de Sines.
Curioso o facto de um debatecom esta importância não ter a cobertura dos orgãos de comunicação local ou regional. O argumento é o de que as rádios não fazem a cobertura deste tipo de eventos. Os jornais locais ou regionais provavelmente não saberiam ou será que também não fazem.
Claro que a responsabilidade deste comportamento absurdo é das direcções dos referidos orgãos. Trata-se de uma forma de tomarem partido a favor de quem está no poder ou de quem lá quer chegar apoiado em estratégias de imagem sem mostrar o vazio das suas ideias e dos seus projectos. Trata-se de tentar impedir que as diferentes propostas cheguem aos cidadãos. Um comportamento contra a democracia. Fica a blogosfera que por estes dias dá uma imagem de liberdade e de espírito de serviço público que faz corar os meios tradicionais. A começar pelo facto de não ser controlável pelos caciques locais.


A candidatura do SIM aproveitou o abarracamento geral na avenida Vasco da Gama para montar uma exposição – passe o exagero – subordinada ao tema “Sines Cidade do Futuro: ideias para o debate”. Um conjunto de painéis em que de um lado se apresenta o diagnóstico, composto invariavelmente por um conjunto de fotografias sofríveis e um conjunto de lugares comuns sobre uma qualquer zona da cidade, e do outro o pomposamente chamado “Conceito de Intervenção“. ( ler mais aqui)


Discute-se muitas vezes o Desenvolvimento sem atender aos factores que podem condicionar ou não esse mesmo desenvolvimento. Num post anterior, a propósito de um debate realizado pela candidatura do SIM, chamei a atenção para os diferentes factores relevantes para a discussão sobre o desenvolvimento. ( ler mais aqui)

Helena Roseta será a número dois da lista do PS à Câmara de Lisboa
António Costa conseguiu os apoios que politicamente lhe era possível conseguir. Espera ele conseguir desta maneira os votos suficientes para conquistar a autarquia. Sem esta aliança com o grupo de Helena Roseta, mais do que com o Zé, podia tirar o cavalo da chuva.
A política tem a sua linguagem própria e sabemos bem que as coisas não podem ser interpretadas literalmente. Se assim fosse teríamos que perguntar à arquitecta Helena Roseta quais são os compromissos sobre o novo modelo de governação da cidade que estabeleceu com o PS. Entretanto, enquanto o acordo não se revela ao mundo no seu conteúdo, ficamos a saber que o engenheiro Nunes da Silva vai, provavelmente, ocupar um lugar de vereador, ficando com o pelouro da mobilidade. Dificilmente haveria uma escolha mais acertada para este pelouro específico.
A vitória de António Costa nas próximas eleições não me garante a mim, por si só, uma governação mais qualificada e mais humana e progressista da cidade. Mas, caso o tal acordo de governação contemple parte das preocupações que o dossier Corrupção e Urbanismo evidenciou àcerca da forma como se gerem as cidades - tal como Lisboa tem sido gerida desde sempre - a sua governação podia ficar para a história. Para isso teria António Costa que influenciar o Governo para mudar o enquadramento legal do ocntrolo das mais-valias. Algo que por ignorância ou por pura e simplesmente não estar interessado não quis fazer nestes primeiros dois anos de mandato. Helena Roseta fica aqui com uma grande responsabilidade.
Uma presidência da Câmara de Lisboa de esquerda com um Governo de esquerda é uma oportunidade única para mudar o que está mal devolvendo o controlo do desenvolvimento urbano à Administração, retirando-o do controlo do mercado, particularmente do mercado imobiliário
.
O problema é que são necessários dois para dançar o tango. Ora, no tango que dançaram juntos, se Costa não estava de livre vontade, teremos que concluir que Sócrates, um dançarino mais potente porventura, o arrastou pela sala fora. Aos independentes cabe-lhes contribuir para tornar essa dança mais harmoniosa evitando que um do par arraste e pise o outro.


JUNTOS DESDE AS ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS DE 1997.

Já está disponível o blogue da candidatura do Bloco de Esuqerda à autarquia de Sines.
Entre as várias "utilidades"já disponíveis encontra um link para o FLICKR onde poderá ver um conjunto de fotos da apresentação da candidatura.
Boas leituras.
Encontra um link permanente para este blogue aqui na barra de blogues do Pedra do Homem.

Candidato do BE contra modelo industrial sineense
O Setúbal na Rede publica uma síntese de uma pequena conversa telefónica que corresponde no essencial áquilo de que falei com o jornalista Bruno Cardoso. Trata-se de um trabalho feito por telefone em condições que se podem considerar dificeis.
As pequenas confusões que se podem identificar não minimizam a importância desta noticia.
Quem assistiu à apresentação da candidatura sabe duas coisas:
Foi afirmado por mim que o Presidente da Câmara eleito pelo BE não empregará pessoas da sua família em lugares de confiança política. Foi afirmado que os vereadores eleitos pelo BE não se candidatarão durante os mandatos a lugares na estrutura técnico-administrativa da Câmara.
Foi afirmado, na mesma apresentação, que a autarquia faz concorrência desleal aos comerciantes da Zona Histórica promovendo actividades que lhes retiram clientes já que canalizam os vsitantes para fora da zona. No Inverno são esses mesmos comerciantes, muitas vezes com prejuízos, que mantem a actividade comercial aberta e alguns laivos de vida no coração deserto da cidade. Este aspecto é relevante no contexto da proposta do BE para revitalizar a Zona Histórica e foi por mim desenvolvido na apresentação.
O Setúbal na Rede fez o seu trabalho e assim sendo a democracia agradece.

António Costa e Santana Lopes taco-a-taco na corrida à Câmara de Lisboa
Santana Lopes pediu, de forma humilde, a ajuda divina para vencer as eleições em Lisboa. Não sei se esta sondagem já tem em conta os esforços feitos pela "nosso senhor" de Santana em resposta ao seu católico apelo. No entanto, de uma coisa pode António Costa estar certo: tem pela frente um osso muito duro de roer.
Não é em vão que um Presidente da Câmara em exercício experimenta tantas dificuldades em levar de vencida um seu adversário. Só alguns conseguem subverter a ordem natural das coisas. Santana pertence ao pequeno grupo dos que podem.

Há eqúívocos que se alimentam e se reproduzem ao que parece infinitamente. O movimento SIM pretendeu discutir "Investimento, Desenvolvimento e Emprego". Independentemente dos contributos dos oradores e da participação das pessoas que terão estado presentes importa salientar que esta é a equação que a actual maioria insiste em conjugar desde que há mais de doze anos se instalou no poder sucedendo aos que os precederam em representação da CDU.
Ora um debate sério sobre qualquer ideia de desenvolvimento passa obrigatoriamente por alterar alguns dos termos do mesmo. Temos que introduzir outras variáveis como o endividamento, o ambiente, a qualidade de vida, a transparência e a corrupção. Teríamos que, no caso do investimento separar o investimento central daquele cuja responsabilidade é local.
Temos que colocar um conjunto de perguntas fundamentais. Por exemplo: O nível de endividamento é sustentável? Como se chegou a esta situação desastrosa em que o endividamento global ultrapassa os 25 milhões de euros? Que destino tiveram os cerca de 13 milhões de euros recebidos pela venda do Património Municipal - fundamentalmente terrenos do antigo Gabinete, isto é dos cidadãos de Sines - apenas ao longo dos últimos 8 anos? Qual é o modelo de desenvolvimento que se pode estabelecer sobre uma lógica de despesismo e endividamento galopante ao serviço de um populismo de base pessoal?
Podemos pensar em desenvolvimento sem pensar em ambiente e Saúde Pública e Qualidade de Vida Urbana?
Como é possível projectar o futuro, elaborar cenários de crescimento demográfico consolidados, sem resolver de uma vez por todas os déficies ambientais existentes? Será possível discutir esta questão sem discutir o direito à saúde , ao ambiente e à qualidade de vida dos cidadãos? Os direitos constitucionais dos cidadãos podem estar suspensos nesta parte do território? Pode-se continuar a morrer apenas e só porque os diferentes poderes, com destaque para o autárquico, transigem com os poluidores e não exercem a fiscalização, o controlo e a monitorização que a tecnologia permite? Os sucessivos Governos, com particular para este último, podem continuar a olhar para esta parte do território pretendendo ignorar que existe aqui um conjunto de cidadãos cujos direitos constitucionais ao ambiente e à saúde não podem ser ignorados?
Será possível discutir o desenvolvimento sem mudar as prácticas instaladas relativamente ao trabalho precário? Não terá a própria autarquia que dar o exemplo nesta matéria exigindo o mesmo a todas as associações que beneficiem de dinheiros públicos e deixando ela própria de explorar o trabalho precário em períodos eleitorais? Quando falamos de emprego de que tipo de emprego estamos a falar? De emprego sem direitos? Será possível discutir o desenvolvimento sem discutir o papel da autarquia e o seu posicionamento no processo económico? Qual a sua actuação no fomento do empreendedorismo? Qual o seu papel como garante da transparência e do tratamento numa base de igualdade dos diferentes agentes económicos? Que procedimentos são adoptados para corrigir perversões, distorsões da concorrência através dos mecanismos do licenciamento urbanístico, violações sistemáticas dos príncipios da igualdade e da administração aberta e transparente, rigor no cumprimento dos prazos?
Estes debates ficam sempre bem. Mas podemos realizá-los sem colocar as perguntas dificeis. Podemos realizá-los à volta de uma visão supostamente espacial em que as questões centrais se confinam às infraestruturas regionais pretendedo ignorar todos os outros aspectos.
Mas, felizmente para todos nós, os debates além da função de propaganda que cumprirão melhor ou pior não conseguem esconder a realidade, sobretudo quando os seus promotores são aqueles que tiveram a responsabilidade política de fazer as escolhas e gerir o concelho e tomaram as decisões que nos conduziram para esta triste e lamentável situação.


 

Pedra do Homem, 2007



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