Vós, grandes cidades
petreamente construídas
na planície!
Mudamente,
fronte ensombrada,
o sem-pátria segue o vento,
as árvores nuas na colina.
Vós, rios do longínquo entardecer!
Vermelho crepuscular aterrador
cria portentosos terrores
em nuvens de tempestade.
Vós, povos moribundos!
Pálida onda
desfazendo-se nas praias da noite,
estrelas cadentes.
Georg Trakl (1887-1914) in Outono Transfigurado
A Assembleia Municipal de Sines aprovou na passada segunda feira a antecipação pela Câmara Municipal dos recebimentos da renda da Central Térmica de Sines dos próximos 20 (!!!!) anos.
Fui à Assembleia para tentar perceber a justificação para a coisa. Estamos a falar de qualquer coisa como 20 milhões de euros embora a autarquia fale de 12 milhões.
Uma explicação atabalhoada, tecnicamente medíocre, que misturou alhos com bugalhos, por parte do Presidente da Autarquia foi o melhor que se conseguiu escutar. Se se tratasse de um director financeiro que pretendesse explicar aos directores de uma empresa as razões para um determinado procedimento seria sumariamente despedido por manifesta e chocante incompetência.
O suporte para a decisão dos deputados - há uma maioria absoluta na Câmara e na Assembleia o que vale mais do que qualquer explicação ou justificação plausível - foi lamentável. A justificação financeira da operação resume-se à invocação pelo autarca do estado de necessidade das finanças municipais. Num atabalhoado remomerar de "investimentos" realizados apareceu de tudo até obras feitas dois mandatos atrás e sem qualquer expressão financeira. Esperar-se-ia um plano financeiro com os investimentos feitos, com a distinção entre a componente financiada pela autarquia e a componente financiada por fundos comunitários ou por organismos da administração central. Acompanhado pela demonstração das receitas obtidas durante o período em análise com a demonstração do desvio entre receitas obtidas e esperadas e a evidência por essa via do défice gerado.
Esperar-se-ia que fosse apresentada uma análise rigorosa do modelo de contratualização da cessão de créditos por forma a que toda a gente não tivesse dúvidas sobre as implicações da operação. Esperava-se demais para as possibilidades da actual maioria absoluta atolada nas dívidas que ela própria gerou e no seu modo de gerir que se baseia "na confiança do povo". Tal como em Felgueiras ou em Gondomar, aliás.
Não se entende como é possível um executivo eleito com um prazo temporal limitado a cinco anos antecipar receitas dos próximos quatro executivos municipais. Uma vergonha.
Este modelo importa para a vida autarquica aquele que os clubes de futebol utilizaram no final da década de noventa com a antecipação das receitas da venda dos direitos televisivos. Esta explicação ajuda muito a perceber a componente "ideológica" que inspira este tipo de operação. No reino dos homens bons, das pessoas boas que "querem o bem da terra", que é o reino por excelência da actividade autárquica, não há boa nem má gestão. O que há é uma gestão validada pelo povo, aceite pelo povo, que confia nos eleitos. Os nossos eleitos. Os da oposição, todos os da oposição, são uns canalhas, verdadeiros obstáculos ao progresso e ao desenvolvimento. O António de Santa Comba deixou uma grande escola cuja dimensão e cujos efeitos é manifestamente sub-estimada.
Quanto ao mais aquilo que a CDU faz em Sines é a mesma coisa que o PS faz em Grândola ou que o PSD-PP faz em Lisboa. A reacção do PS em Sines é mimética da que a CDU adopta em Grândola ou da que a esquerda em geral adopta em Lisboa. Uma questão de conveniência.
Uma apagada e vil tristeza.

. Por vezes, esperar sempre o melhor dos outros é uma arrogância. Outras, é precisamente o contrário, é-se arrogante de igual forma quando dos outros se espera sempre o pior.
.Não estaremos já todos fartos de tanta hipocrisia e impunidade e desta maneira tão portuguesa de ser... o país dos brandos costumes? Estes brandos costumes não será precisamente:
O medo de pensar? O medo de saber que o poder que nos "protege" é afinal fictício e está podre, há séculos? O medo de sermos crescidos (como diria José Gil)? O medo de olhar as nossas fraquezas e, de resto, o medo de estarmos sós?
Ai Portugal, Portugal do que é que estás à espera?
.Onde está hoje a voz do Islão moderado, se o extremismo ameaça ofuscar por completo esta cultura que não há muito tempo, de certa forma, nos fascinava?
. O que nos poderá proteger dessa terrível possibilidade de um mundo dividido na pobreza dos conceitos do bem e do mal.
José Gil no seu livro " O medo de existir" - entretanto caído no esquecimento - falou do país da não-inscrição. Cito: "(...) Foi assim também que a vida social portuguesa, agora pacificada, normalizada, viu a não-inscrição reassumir os seus privilégios em todo o seu esplendor. (...) E se tudo se desenrola sem que os conflitos rebentem, sem que as consciências gritem, é porque tudo entra na impunidade do tempo - como se o tempo trouxesse, imediatamente, no presente, o esquecimento do que está à vista, presente.(...)"
Vem isto a propósito do que se tem passado nas últimas semanas neste país.
Revelações inequívocas de corrupção no Futebol, com os protagonistas a serem premiados com tempo de antena no prime-time da televisão pública. Alguns dos figurões aproveitam mesmo para lançar ataques aos antigos compinchas que respondem com ameaças claras. Consequências deste estado de coisas? Tudo na mesma.
Souto Moura sai de cena e deixa concluído o processo, urgentíssimo segundo o estranho léxico de Sampaio, com a acusação de dois.... jornalistas.
Um deputado da maioria - João Cravinho de seu nome- tenta inscrever na agenda política o combate à corrupção. Debalde.
Terá falecido o homem que a administração Bush nunca fez deligências para encontrar?
Embora sem confirmação, o jornal francês L'Est Republician noticiou que Osama bin Laden terá falecido recentemente no Afeganistão. Seria importante que se provasse essa morte, ou que se encontrasse o líder que se esconde em terras afegãs, diz-se, há cerca de cinco anos. Seria importante tornar real aos olhos do mundo esse que ameaça tornar-se um mito. Seria importante saber quem se esconde por detrás da sua imagem, de perigosa aparência branda. Seria importante saber se só o dinheiro o protege e como. Não haverá talvez nenhuma surpresa. Ou melhor, já nada nos surpreenderá.
Sobre esta temática, a ler uma notícia saída na reuters.com : o antigo presidente Bill Clinton e o 11 de Setembro. Este acontecimento tornar-se-á numa espécie de horror épico, o outro lado do mito.
É o que diz a CDU, em Lisboa, acerca da venda a uma instituição bancária, pela maioria de direita que governa a câmara da capital, das rendas dos bairros sociais dos próximos 12 anos. O que dirá a CDU da venda, pela maioria comunista na câmara de Sines, das rendas da Central Térmica de Sines dos próximos 20 anos? Boa gestão? Ou o mais descarado endividamento encapotado, recorrendo ao léxico - rigoroso e justo, digo eu - comunista?
PS - Atendendo à dimensão do município e ao montante da cessão de créditos esta deve ser a maior operação em curso no país por número de habitantes. Por outras palavras o maior endividamento per capita.
Mais uma ausência de peso para o Centro Histórico de Sines: a nova loja dos Correios instalou-se numa das novas urbanizações de Sines desde o passado dia 4. Ainda não consegui perceber o porquê desta mudança, se os CTT têm há meses um local para recepção na Zona Industrial Ligeira. Exceptuando a modernidade formal e confortável de uma loja franchising, todas as razões que ouvi, vagamente, em comentários no local, persistem.
Tenho a sorte de trabalhar num bonito edifício recuperado no centro histórico de Sines. O centro histórico diz-me muito e diz muito a todos os que se ligam afectivamente a Sines. O centro histórico é a alma de uma cidade, de um lugar. Se descuramos essa realidade perdemos a sua identidade; a cidade como um corpo formado por gente, fica à deriva. Sem essa alma viva, o resto, o novo, é obtuso. Todos sabemos que é assim mas é preciso agir, porque pouco a pouco "a vida activa" sineense vai-se encaminhando para um "novo" centro que não é centro, mas a ilusão de urbanidade criada por edifícios recentes, com belas vistas para o mar, erguidos no antigo espaço da fábrica do peixe, como lhe chamávamos.
Espero que haja um caminho pensado que sustente as alterações dos novos trilhos e espaços desta cidade. Por enquanto nada se sente. O centro histórico vai ficando pouco a pouco despovoado e pior ainda, abandonado. Há que trazer vida para o centro e evitar que os pólos de confluência de gente simplesmente saiam. O Centro das Artes e a Biblioteca não chegam. Há que criar razões para que as pessoas continuem a andar pelas ruas mais estreitas e a residirem ali. Não podemos deixar simplesmente cair a Portuguesa. Há que envolver os sineenses nesse "trabalho". Acho que é uma boa razão para unir ideias e pessoas.
Etiquetas: Cidade Zona Histórica

Lamentamos mas esta não era a melhor altura para Bento XVI "ler passagens" que de alguma forma suscitem indignações por parte dos que partilham outras crenças religiosas. Sabendo da manipulação que os meios de comunicação fazem de todos os movimentos polémicos, sabendo do cuidado que os discursos dos líderes desta importância envolvem, custa-me a crer na total "inocência" das palavras, mesmo que seja agora intenção do Vaticano explicar o sentido do discurso.
Com discursos destes - seguidos de respectiva manipulação televisiva - e líderes religiosos ultra conservadores, J.W. Bush tem o que ambiciona, mais um fôlego para continuar a sua marcha para salvar o mundo do mal. Ou será a de tentar arranjar legitimidades para assentar o pé antes que o "perigo amarelo" se instale.
Não sei porquê, mas há discursos que me fazem lembrar a administração Bush: os de Ahmadinejad, actual Presidente do Irão, por exemplo. Será que é natural terem-se inimigos assim tão perfeitos?
Acabei de ver o documentário que mostra a luta de Al Gore para impor a a questão do aquecimento global na agenda política internacional. Um documentário que, infelizmente, só estará disponível nos cinemas de Lisboa e do Porto e que, por esse facto, não será visto pela maior parte da população. Talvez o Ministério do Ambiente pudesse gastar algum dinheiro público para divulgar o documentário. A começar pelas escolas e depois, em colaboração com os movimentos ecologistas quem sabe, organizar sessões de esclarecimento sobre o aquecimento global com a exibição do impressionante documento. Que dinheiro tão bem gasto.
O documentário mostra como a precária situação do planeta, acossado pelas consequências terríveis do aquecimento global, pode a curto prazo degradar-se de forma irreversível.
Al Gore entende que somos capazes de dar uma resposta adequada à dimensão do problema. Mas há um obstáculo principal. Aqueles que na Administração Bush acham que esta é uma verdade inconveniente e que entre outras asneiras, de que a recusa de assumirem a responsabilidade de enfrentarem esta ameaça é a mais grave, adquiriram o hábito de censurar relatórios científicos. A propósito desta questão o programa "60 Minutos" da CBS, que a SIC Notícias exibe todas as semanas, apresentou uma entrevista com uma das maiores sumidades americanas sobre as alterações climáticas que vê os seus relatórios sistematicamente corrigidos por um acessor de Bush para as questões ambientais, originário, pasme-se, da indústria do petróleo. No documentário Al Gore refere o sujeito e informa que entretanto se terá demitido e regressado ao seu lugar no lóbi petrolífero. Mas enquanto por lá andou de lápis azul em punho fez o seu trabalho.
Al Gore fez, após a saída de Clinton, uma campanha para a Prresidência muito fracota, cinzentona e só por isso foi possível perder para um cowboy sem cabeça. Chamaram-lhe então o "Al Bore". Nessa perspectiva mereceu bem o castigo. Mas todos sabemos que perdeu com base na batota disfarçada de legalidade. Teve mais votos. Foi o candidato escolhido pela maioria dos americanos. Que tinham, aliás, razão para o escolherem a ele. O outro tem feito asneiras atrás de asneiras com a assustadora particularidade de que essas asneiras têm reflexos a uma escala global e são de consequências potencialmente terríveis para a humanidade. Para a vida na Terra. Como diz Al Gore "a nossa capacidade para viver é o que está em jogo".
Um simples resultado eleitoral - manipulado é sempre bom lembrar - pode alterar tudo para pior nas nossas vidas.
Pode ver um trailer do documentário aqui e aqui. Mas se puder passar por Lisboa ou pelo Porto não perca. Vá ver.
O consenso entre o PS e o PSD - de que o recente pacto sobre a Justiça seria o primeiro passo - deve, para um significativo numero de analistas políticos, ser alargado a outras áreas da governação. A área que estará na mira dos consensualistas é a Segurança Social. Sócrates, eleito à esquerda com maioria absoluta, entendeu por bem esclarecer que o PS "não vai por aí", isto é que não segue o caminho que o PSD lhe indica, orientado pelo farol de Belém.
Mas, todos sabemos que Cavaco, tal como Sócrates, não se conforma. Certamente será possível estabelecer o tal consenso e, não é impossível juntar o melhor - ou o pior? - de dois mundos; Vieira da Silva vir a terreiro, tal como Alberto Costa o fez por estes dias, proclamar que este é "o Pacto que eu sempre quis".
A União Nacional, que juntava sob a sua divisa os bons portugueses, no léxico salazarista, excluíndo todos os outros, acabou politicamente no dia 25 de Abril, mas a ideia de que a política é sobretudo a arte dos consensos vai beber muito, senão tudo, a essa cultura que durante mais de cinquenta anos fez de grande parte dos portugueses gente passiva, acomodada, incapaz de se bater pelas suas ideias e pelos seus valores. Gente, que ainda continua fiel aos mesmos valores. Gente que se cala para não estragar a vidinha, sabedora da susceptibilidade dos políticos e de que mais vale cair nas graças do que ser engraçado.
Com o primeiro-ministro que, embora eleito à esquerda, maiores simpatias desperta à direita o consenso é possível. Sobretudo se ele permitir a concretização dos objectivos políticos em que essa União se revê. Como agora no pacto de regime sobre a justiça onde não cabem as propostas de João Cravinho sobre o combate à corrupção.
Porque será que nunca se falou de consensos quando a maioria absoluta foi de direita ou quando a governação à esquerda se fez com maiorias relativas e com um Presidente da República eleito à esquerda?

Nova Iorque foi durante algum tempo uma ideia-imagem que me atraía. Era um olhar de crianças antigas e do suposto, ultrapassado e já inexistente "Novo Mundo". Esse, de resto, Velho Mundo que às vezes ainda procuramos aconteceu há tanto tempo que já nem passa de moda.
Hoje sei que aquela ideia já está fora de tempo e do espaço. Resiste somente nos livros que estão para além desses limites.
O Novo Mundo é hoje outra coisa. A intervenção humana no que é hoje o Novo Mundo, ou seja o futuro próximo, é completamente diferente. O Novo Mundo parece-me um grande puzzle iluminado, uma grande máquina que trabalha por si. Uma conformidade matemática.
Então o que nos deslumbra nas grandes cidades? A diversidade? Uma ideia de protecção e liberdade? O anonimato? A ilusão e a beleza que poderá sair da máquina?
Etiquetas: Terra

os astronautas ... andaram a encaixar mais umas peças do puzzle gigante que será a Estação Espacial Internacional e que contam finalizar em 2010.
No site da Nasa http://www.nasa.gov/ temos acesso a uma infinidade de informação e multimedia que nos deixam sempre deslumbrados.
Outros espaços, outra gente.
Estou longe de ser assídua no que toca a ver televisão. Vejo quando calha ou quando sei de um filme ou programa que se enquadre nos meus gostos e interesses. Deve ser por isso que fiquei no mínimo espantada quando ontem, ao fazer um zapping, me deparei com o cantor Sérgio Godinho a fazer comentário futebolístico na RTP Notícias. Não é que tenha nada contra o futebol, muito pelo contrário. Mas eu pensava que habitava num mundo onde os músicos quando aceitavam fazer parte do "elenco" de um programa televisivo era para falar da sua especialidade. Eu estava convencida que a especialidade de Sérgio Godinho era a música. Porque o Sérgio Godinho fora do contexto da Música é esquisito.
O Mundo ao Contrário é um album dos Xutos e Pontapés, ou será de Sérgio?
Todos falam nele. Dizem que tem "um caso". Por causa dele, já houve zangas, ameaças, processos judiciais, avanços e retrocessos. Mas ninguém, ninguém mesmo, o quis ouvir falar. Ninguém foi ter com ele. Ninguém sabe, sequer, quem é ele, como é ele.
Senhores e senhores, para vossa fruição, apresentamo-vos:
O Mateus.
A propósito do caso do excesso de velocidade da viatura oficial do Ministro Manuel Pinho, a ACA-M acaba de endereçar ao Senhor Director-Geral de Viação o Requerimento abaixo, considerando que este é o autor moral da infracção muito grave cometida pelo motorista da viatura.
Exmo. Senhor Dr. Rogério Pinheiro
Exmo. Senhor,
Vem a Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados (ACA-M), em defesa do interesse público, reportar-se à infracção muito grave cometida pelo motorista da viatura oficial utilizada pelo Dr. Manuel Pinho, Ministro da Economia e Inovação, no passado dia 9/09/06, quando se deslocava na A1, no sentido Lisboa-Porto, infracção essa identificada pelos radares da GNR-BT na zona de Leiria.
Esta infracção muito grave – a viatura circulava à velocidade de 212km/h, como foi amplamente difundido pela comunicação social – terá sido justificada publicamente pelo Ministro por motivo de “serviço urgente de interesse público”.
Ora, considera a ACA-M que esta justificação não tem fundamento, já que o interesse público (aparentemente, uma banal reunião com o autarca de Matosinhos) é manifestamente inferior aos vários prejuízos decorrentes da infracção.
Designadamente porque:
a) a circulação à velocidade de 212 km/h coloca em manifesto perigo de vida os restantes utentes da via;
b) prejudica – descredibilizando-a - a política governamental de combate ao excesso de velocidade, considerado como a principal causa de sinistralidade rodoviária pelo Ministério da Administração Interna;
c) prejudica também a política governamental de redução de emissão de gases para cumprimento do protocolo de Quioto, que estabelece a diminuição do limite máximo de velocidade em auto-estrada;A circulação à velocidade de 212 km/h é qualificável como comportamento anti-social, e a invocação, neste caso, de “serviço urgente de interesse público” não é legítima, desvirtuando as intenções do legislador.
Não deverá V. Exa. deixar de considerar que o motorista da viatura oficial não circularia à velocidade referida não fora por indicação expressa do Senhor Ministro Manuel Pinho.
Notamos, por isso, que o artigo 26º do Código Penal, que se aplica subsidiariamente ao caso sub judice, estatui que é punível como autor não só quem executar o facto mas ainda quem, dolosamente, determinar outra pessoa à prática do facto” o que caracteriza a figura jurídica da instigação e autoria moral.
No mesmo sentido vai o artigo 135 nº 7 a) do Código da Estrada, ao estatuir que “Os comitentes que exijam dos condutores um esforço inadequadao à prática segura da condução” são também responsáveis pelas infracções previstas no Código da Estrada.
Assim, não se pode punir unicamente, como autor do facto ilícito praticado, o motorista do Ministro da Economia, pelas seguintes razões:
a) Encontrava-se no exercício das suas funções;
b) Sob autoridade e direcção directa do ministro;
c) O interesse de chegar mais cedo ou mais tarde ao destino das alegadas funções oficiais, era do ministro e não do motorista o qual agiu, obviamente, por ordem expressa ou tácita do seu comitente – o Ministro da Economia.
Assim, terá que se concluir que a contra-ordenação muito grave e, eventualmente, o crime praticado, são da responsabilidade do Ministro da Economia e não apenas do seu motorista, pelo que vimos requerer que a sanção a aplicar ao motorista seja extensível ao Senhor Ministro.
Pede Deferimento,
Manuel João Ramos
Presidente da Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados
Lisboa, 12/09/06
Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados
Av. 5 Outubro, 142, 1º Dtº1050-062
LisboaPORTUGAL
Mobile: (+351)919258585Mobile: (+351)916839480
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Moon River Moon River,
wider than a mile:
I'm crossin' you in style someday.
Oh dreammaker,
you heartbreaker,
Wherever you're goin',
I'm goin'your way.
Two drifters, off to see the world.
There's such a lot of world to see.
We're after the same rainbow's end,
Waitin' round the bend,
My huckleberry friend,
Moon River and me.
Se tivesse que escolher um desses filmes, um deles seria concerteza Breakfast at Tiffany's com Audrey Hepburn no principal papel. Não fosse ele ser simples, repleto de beleza e sofisticação como o mais bonito colar de diamantes da Tiffany's.
Henry Mancini e Johnny Mercer são os autores do inesquecível Moon River, uma das canções cartaz do filme. Breakfast at Tiffany's é no fundo para onde essa música nos leva.

fotografia de Micke-B
"Visto da costa perto de Jurkalne, o mar coberto de neve é tão indescritivelmente belo que faz lembrar uma história de Andrei Tarkovski. Durante duas semanas, Tarkovski e a sua equipa de filmagens esperaram, na Ilha de Gotland, pela chegada da bruma. Quando, finalmente, de madrugada, esta veio do mar e as pessoas, esgotadas pelas noites em claro, se preparavam para filmar, Tarkovski disse estas palavras lendárias " Não filmem! É demasiado belo".
Nora Ikstena, romancista letã
É já amanhã, sexta-feira, que o blogue O Melhor Anjo, de Tiago Bartolomeu Costa, celebra três anos de vida. E para o comemorar condignamente, o Tiago preparou um extenso conjunto de iniciativas cujo programa pode ser encontrado aqui. Haverá um debate na Culturgest - "O Olhar Crítico", sexta-feira, às 18h00 -, um espectáculo na ZDB e uma festa na Casa Conveniente. Tudo com entrada livre. Para além disto, mais iniciativas e passatempos no mesmo ramo, com um fartar vilanagem de entradas gratuitas para outras actividades durante o fim-de-semana.
Apareçam e passem palavra.

(...) "Então a minha alma encheu-se de piedade. Imaginei a primeira manhã do tempo, imaginei o meu deus confiando a mensagem à pele viva dos jaguares, que se amariam e se gerariam sem fim, em cavernas, em canaviais, em ilhas, para que os últimos homens a recebessem. Imaginei essa rede de tigres, esse quente labirinto de tigres, dando horror aos prados a aos rebanhos para conservar um desenho.
(...) Um homem confunde-se, gradualmente, com a forma do seu destino; um homem é, afinal, as suas circunstâncias. Mais que um decifrador ou um vingador, mais que um sacerdote do deus, eu era o encarcerado. Do incansável labirinto de sonho regressei à dura prisão como a minha casa. Bendisse a sua humidade, bendisse o seu tigre, bendisse a abertura de luz, bendisse o meu velho corpo dolorido, bendisse a treva e a pedra". (...)
Jorge Luís Borges, O Aleph, excertos do conto "A Escrita do Deus"
PRÓS E CONTRAS "QUEM MANDA NO FUTEBOL" • Hoje 22:15
Semanalmente um grande debate onde uma questão diferente,
controversa e actual é lançada para discussão.
Só a aconselhado aos maratonistas de telenovela e aos que ainda não sabem quem manda no futebol. Só espero que tenham ao menos o bom senso de não pronunciar outra vez frases como "interesse nacional" ou "questão de grande importância para o desporto português".
Senhores dirigentes do futebol português, importam-se de ter um bocadinho de vergonha na cara?! Aproveitem, hoje, nesse grande debate das questões polémicas, para dizer o que já toda a gente sabe sobre o futebol português, aliás sobre os dirigentes do futebol português.
E em jeito de oração, diz para si mesmo o espectador mais paciente:
E que seja a última vez que ouço falar do Caso Mateus, esse grande problema nacional!

Quem saiu ontem à noite e teve oportunidade de passear à beira-mar, pôde apreciar o mar de prata de um luar intenso e esquecer-se que dali a algumas horas aterraria em solo lunar a sonda europeia SMART1.
Esta é a primeira nave espacial europeia. Descolou de solo terrestre ( do centro espacial Kourou na Guiana francesa) há cerca de três anos e aterrou ontem por volta das 05:30 da manhã no Lago de Excelência a cerca de 7.200 Km por hora. A Agência Espacial Europeia disponibiza online imagens recebidas da sonda durante impacto da chegada: vale a pena ver e pesquisar: SMART-1/

Fotografia de Reinhard Krause/Reuters
Apesar das tropas israelitas ainda permanecerem no território, esperando que um contingente de 5.000 tropas das Nações Unidas "possam assegurar a estabilidade na região", o País dos Cedros prepara-se para mais uma reconstrução. Pretende-se que seja rápida e eficaz evitando que focos mais radicais da sociedade possam minar um percurso de mudança e estabilidade que vinha lentamente a caminhar há mais de uma década.
Os jornais de todo o mundo noticiavam ontem que a conferência de recolha de fundos para a reconstrução do Líbano, realizada na Suécia, reuniu cerca de 60 nações e apurou 734 milhões de Euro.
Conseguir um caminho possível de paz para o Médio-Oriente é um desafio intrincado, onde estão em causa uma complexidade infindável de problemáticas. Mas na destruição precipitada, no enraizadamento da violência, nas sucessivas reconstruções, na ajuda exterior, nas contrapartidas e nos sofrimentos que daí advêm, existe uma repetição insuportável. Existe algo de caricato. Em breve ninguém saberá falar sobre isto, ninguém conseguirá explicar a história recente desta região a um jovem estudante. Em breve a vergonha é tanta que o melhor é calarmo-nos.

Saiu hoje o último número d'O Independente. Não sei ao certo o que me levou a começar a lê-lo, assim como não me recordo a última vez que o comprei. Mas durante alguns anos foi uma das minhas companhias de fim-de-semana.
Entre os várias linhas gastas sobre o tema no dia de hoje, destaco o requiem de Vasco Pulido Valente para a edição impressa do Público.
Por causa de um bom artigo publicado na edição da passada semana, o destaque de capa do The Economist colocava a seguinte interrogação:
«Who killed the newspaper?»
Apesar das pistas dada no artigo citado e noutra peça da mesma edição, ficamos sem saber se foi um austríaco técnico de electrónica ou um casal de irmãos que velejavam num trimarã.

Bagdad esta manhã - Fotografia de Namir Noor-Elden/Reuters
Como podemos suportar que este cenário faça parte de uma rotina, como um folhetim futebolístico?
Continua-se a morrer em Bagdad. Diariamente. A política e a diplomacia internacional é incapaz de por um termo à guerra que se alastrou como lume em pasto seco. Haverá intenções sérias e reais para encontrar soluções e acabar de vez com este cenário. Ou, haverá, por acaso a intenção de o perrogar porque simplesmente "faz jeito" a alguém. Enquanto houver uma guerra o poder está bem seguro na mão de quem o tem, ainda melhor se o conflito se situar entre a Europa e a Ásia.
Agora focam-se as atenções para os "vizinhos do lado". O Médio-Oriente continua a arder. Até quando? É o folhetim do horror que parece ter entrado nas nossas vidas. Até quando aceitaremos vê-lo, resignadamente, como quem vê a telenovela na casa alheia e não pode mudar o canal da TV. Suportamos porque já entrou na rotina, já está banalizado. O tempo encarrega-se de "banalizar" o horror, transforma o real numa ficção sem ética.
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