Sp. Braga impõe primeira derrota ao Benfica e destaca-se na liderança
O Sporting de Braga derrotou o Benfica, até aqui imbatível, com justiça. Apenas no ínicio da segunda parte num período de cerca de 20 minutos o Benfica foi claramente superior. Para essa vitória contribuíram a generalidade dos jogadores da equipa, a sagacidade do treinador ao longo do jogo - a entrada de Mateus a substituir Mossoró, foi uma cartada de mestre - e a superior classe de alguns dos jogadores com destaque para Hugo Viana. Sou dos que pensam que Saviola é o melhor jogador do campeonato mas Hugo Viana dificilmente ficará fora do top five. Não existem muitos jogadores assim em Portugal. Quanto mais jogar melhor ficará e depois aquele pé-esquerdo é do domínio da antologia, acrescido por aquilo que o grande Gabriel Alves classificaria como uma "ampla visão do rectângulo de jogo".
Terá sido aliás por essas suas qualidades que o Sporting não aproveitou o facto do Valência o querer dispensar: como diria o Grande Pedro Barbosa, trata-se de um jogador que não se enquadra no "projecto do Sporting". É bom demais. Tal como Evaldo, um lateral-esquerdo como não há vislumbre no Sporting - e neste particular também no Benfica - onde pontificam essas excelências que dão pelos nomes de Grimi e André Marques. Ou o Alan, que é um jogador que o Porto não tem, nem o Sporting.
O Braga não será campeão porque perderá muitos pontos "tipo Rio Ave", mas não há neste momento nenhuma equipa capaz de jogar assim contra o Benfica... e ganhar. Parabéns ao Domingos Paciência, para quem o futuro se vislumbra pintado de tons de . .. azul.

O mundo está cheio de escroques. Portugal está cheio de escroques com poder. Mesmo que um pequeno e lucrativo poder.
Pedro Santos Guerreiro, no Jornal de Negócios.
Pois é, escroques com poder que lhe advém, muitas vezes, do poder político que obtiveram por atribuição partidária ou até obtido em eleições democráticas, que aprenderam a condicionar e a manipular à sua maneira, usando o poder que obtiveram. Mas escroques com poder político é mesmo o pior que pode acontecer à democracia. Não admira que a nossa democracia esteja neste atoleiro.
A corrupção é mesmo uma questão de Estado na nossa democracia, como já escrevi muitas vezes. A luta contra a corrupção tal como ela é levada a cabo pelo Estado é entendida por muitos como omissa. Nada mais errado: a omissão é mesmo a "política contra a corrupção" do Estado português. Omissão e cumplicidade. Crime sem castigo.

Operação "Face Oculta": BCP mantém confiança em Armando Vara, constituído como arguido
Dez mil euros parece ser uma ridicularia para um homem como Armando Vara. A menos que este pedido tivesse sido feito no ínicio de carreira quando os seus rendimentos ainda não tinham "saltado à vara" para o nível onde agora se situam.
Mas, aquilo que certamente este tipo de pedidos encobre é o financiamento partidário, as suas formas diversas e os seus agentes.(bem sei que o financiamento partidáro tem as costas demasiado largas e à muito boa gente que se financia, digamos assim, à pala do dito financiamento partidário.
Nesta última campanha autárquica, para não ir mais longe, gastou-se à bruta em propaganda bacoca e desprovida de qualquer conteúdo. Quem pagou as contas e com que benefícios futuros? Quando vão esses financiadores cobrar o investimento?
Este seria, sem dúvida, um bom serviço prestado à democracia: escrutinar os custos e os financiamentos das campanhas autárquicas e a sua relação com os interesses. Talvez uma boa ideia fosse encontrar um mecanismo que fosse menos proibicionista mas mais transparente ou então apenas permitir o financiamento público das campanhas, adoptando critérios de uma rigorosa austeridade republicana.

Devo dizer que tenho ínfimas esperanças que algo aconteça no Reino da Dinamarca. Os corruptos e os corruptores morrem ... de velhos, naturalmente.

Equipa de secretários de Estado com 17 novos elementos
Valter Lemos transita da Educação para o Emprego e a Formação Profissional. Caso para os desempregados temerem pela vida. Mas, o que importa salientar é que Sócrates não deixa assim sem préstimo alguém que foi capaz de lhe prestar tão bons serviços.
Quanto ao mais registo a saída de João Ferrão da Secretaria de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades. Assim já estará garantido que no próximo Governo ninguém terá a tentação de mexer no controlo das mais valias urbanísticas e nos cruciais processos de classificação dos solos rústicos como urbanos.

PS - escapava-me a nomeação de Marcos Perestrello para a Defesa e os Assuntos do Mar. Um especialista, como diria o Alberto João, para ajudar "a nossa esquadra" a ir ao fundo. Sempre fica a caminho de Oeiras. Talvez tenha sido Isaltino a sugerir esta nomeação, sempre pode continuar a ir às reuniões de Câmara e fica tudo em caminho.

Sporting de duas caras deixou escapar a vitória nos descontos
Um jogo deprimente. Aquilo que Paulo Bento salienta como a melhoria da segunda parte apenas pode ser assim cosiderada por comparação com a primeira parte verdadeiramente inenarrável.
Esta equipa não funciona. Insistir neste modelo com estes protagonistas apenas permitirá esperar um milagre qualquer que transforme este conjunto desgarrado de jogadores, sem alma, sem chama, seminspiração, numa verdadeira equipa.
Alguns responsáveis leoninos mostram uma grande azia e um grande desconforto com as exibições do vizinho da segunda circular, vidé Rui Oliveira e Costa no Trio de Ataque da RTPN. Atiram-se aos árbitros e ao treinador Jorge Jesus. Bom, o treinador é apenas e só o melhor que por cá anda. Não o contrataram o ano passado agora queixam-se. É, pode ser, deselegante, agressivo, pode vir a tornar-s insuportável caso as coisas lhe continuem a correr bem, mas, reconheça-se, o Benfica joga o melhor futebol da Liga e um dos mais bonitos que se pratiam por essa Europa. Os árbitros são medíocres, muitas vezes péssimos e falham sempre para o lado dos mais poderosos. mas, tenham paciência, o Nacional levou seis mas, mesmo com o Aimar expulso e o penálti não assinalado, como seria correcto, teria levado quatro ou cinco. Este é um risco que ninguém corre por defrontar o Sporting. Pelo contrário, quem defronta os leões pode aspirar a resultados anormais como descobriram o ano passado Bayern e Barcelona.
O que a SAD do Sporting não faz é tomar decisões que tenham em atenção as questões desportivas em vez de apenas e só as contabilidadezitas que tão bem dominam .

Novo Governo: Uma equipa metade política e metade técnica
Independentemente das diferentes análises que vão surgindo a melhor até agora foi a de Alberto João Jardim que, instado a comentar as escolhas de Sócrates, com aquele sentido das proporções que Deus lhe deu, afirmou não ser sua intenção meter-se por aí, mas que não resistia a abrir uma excepção para a escolha do Santos Silva -eu também gosto deste tratamento - para a Defesa afirmando que só a entendia - à escolha - se o objectivo fosse o de "afundar a nossa esquadra".
Uma síntese insuperável.

A mudança de hora que ocorreu este fim de semana é deprimente. Ontem pelas 18h com um dia de sol razoável para esta época do ano estava ainda um fim de tarde agradável com muita gente na rua. No Chiado, em Lisboa, milhares de pessoas passeavam pelas ruas ou descansavam nas esplanadas. Hoje à mesma hora já tinha caído a noite à quase trinta minutos. As pessoas na rua e nas praças iluminadas pela luz do sol são uma condição sine qua nom para qualificar o espaço público.
Durante a semana quem sai do trabalho depois das 18h sai já de noite e ecaba o dia a trabalhar com luz artificial. Quem vai buscar os filhos a um infantário, depois das 17h 30m, fá-lo já de noite regressando a casa ainda a tarde vai a meio ... às escuras.
Não percebo a razoabilidade desta mudança que me parece implicar um acréscimo significativo de consumo energético sobretudo em iluminação pública e privada. Mas, independentemente das vantagens económicas eventuais que são certamente, importantes, há o factor psicológico de não estarmos a tirar o partido devido da nossa luz e do nosso sol, abdicando de um dos principais factores que ajudam a suportar a vida, muitas vezes deprimente, nas nossas cidades.

Campanha para as autárquicas com aumento de "casos obscenos"
"(...) Um dos casos que não foi enviado ao Ministério Público aconteceu no município de Sines, onde o presidente da câmara terá ido, no dia das eleições, para o átrio da escola onde decorria a votação apelando ao voto dos munícipes e distribuindo cópias de boletim de voto com uma cruz assinalada na sua candidatura. (...)" Eis uma versão simplificada da coisa.
De qualquer dos modos "a obscenidade" é largamente recompensada.
Mas, quando se permitem campanhas milionárias sem que ninguém se interrogue uma única vez sobre quem as financia e porquê, está tudo dito. Vale tudo menos tirar olhos, pelo menos até ao dia das eleições. Depois, bom depois vale mesmo tudo que a impunidade é completa.

Há noites assim, únicas. Grande concerto destes três músicos maiores de todos os tempos. Grande música, grande ambiente. José Mário Branco e Fausto, menos habituais nestas andanças, ao nível da excelência, com o compadre Godinho mais vezes visto nestas andanças. Uma maravilha.
Música da melhor, palavras sábias, justas, duras e fraternas. Palavras desencantadas mas que ajudam a resistir e que ao mesmo tempo confortam e colocam as coisas na sua verdadeira dimensão.
Um alinhamento de canções que além da qualidade de todos os temas representa um manifesto sobre estes tempos que correm em que faz outra vez sentido interrogar "que que força é essa" cantar a liberdade que está a "passar por aqui" ou denunciar os "charlatões" das ruelas de má fama, que vamos construindo um pouco por todo o lado.
Mas, o "ser solidário" cantado a três vozes talvez tenha sido o momento maior do concerto embora não tenham faltado momentos notáveis.


Nota à imprensa



"Na sequência dos resultados eleitorais de 27 de Setembro, foi lançado um Apelo público independente de qualquer orientação, organização ou acção partidária, no qual se exprimia a inquestionável vontade de que se gerasse um entendimento entre os partidos de esquerda, considerando que as votações alcançadas pelo Partido Socialista, pelo Bloco de Esquerda e pela Coligação Democrática Unitária eram o resultado das fortes movimentações sociais ocorridas na legislatura passada, tendo contribuído decisivamente para gerar uma nova solução pluripartidária susceptível de encontrar respostas aos factores de crise e desigualdade sócia e podendo gerar a necessária estabilidade governativa. Este Apelo teve uma apreciável repercussão na opinião pública tendo sido subscrito por 1 378 portugueses, entre professores, estudantes, médicos, engenheiros, sociólogos, arquitectos, economistas, advogados, investigadores, sindicalistas e outras profissões, durante os 17 dias que esteve aberto à subscrição.
Concluída a ronda de auscultação aos partidos com representação parlamentar, promovida pelo primeiro-ministro, e verificada a indisponibilidade tanto do BE como do PCP para qualquer entendimento com incidência governamental ou parlamentar, os subscritores manifestam, no entanto, a expectativa de que ao longo da legislatura que agora começa possam vir a ser estabelecidas formas de comunicação interpartidária que permitam um sistema de consultas sobre os aspectos da governação mais decisivos para a melhoria da situação económica e social dos portugueses.
Os subscritores, que consideram que estas iniciativas são positivas e necessárias, como se verificou nas eleições autárquicas, resumem num comentário expresso no Apelo a sua posição quanto ao resultado esperado da governação: “Na expectativa de que entendimentos parcelares, pressionados pela procura da governabilidade imediata, nos encaminhem para entendimentos mais amplos entre as esquerdas, propiciadores de novas e mais ousadas políticas. Porque o País precisa”.

Lisboa, 18 de Outubro de 2009

Pelos subscritores

Alcides Santos, Ana Paula Fitas, André Freire, Armandina Maia, Cipriano Justo, Fernando Vicente, Maria do Céu Guerra, Nuno David, Paulo Fidalgo, Paulo Jacinto, Ulisses Garrido

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Porque nós não sabemos, pois não? Toda a gente sabe. O que faz as coisas acontecerem da maneira que acontecem? O que está subjacente à anarquia da sequência dos acontecimentos, às incertezas, às contrariedades, à desunião, às irregularidades chocantes que definem os assuntos humanos? Ninguém sabe, professora Roux. «Toda a gente sabe» é a invocação do lugar-comum e o inimigo da banalização da experiência, e o que se torna tão insuportável é a solenidade e a noção da autoridade que as pessoas sentem quando exprimem o lugar-comum. O que nós sabemos é que, de um modo que não tem nada de lugar-comum, ninguém sabe coisa nenhuma. Não podemos saber nada. Mesmo as coisas que sabemos, não as sabemos. Intenção? Motivo? Consequência? Significado? É espantosa a quantidade de coisas que não sabemos. E mais espantoso ainda é o que passa por saber.
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Philip Roth in A Mancha Humana

Deus Pinheiro renuncia ao cargo de deputado
Foi apenas e só o mais rápido. Para os que o elegeram apenas a confirmação instantânea de que votaram ... em branco. O partido trata de tudo.

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"Tudo o que peço aos políticos é que se contentem em mudar o mundo sem começar por mudar a verdade." .
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- Jean Paulhan -
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Fica aqui para consulta o post que escrevi no Bogue da Candidatura do BE após o resultado do passado domingo. O referido blogue deixou, um dia depois, de estar acessível ao público, porque as eleições concluiram-se e os meios utilizados nessa canddiatura deixam de fazer sentido.

"As eleições de domingo, no concelho de Sines, traduziram-se na obtenção de maioria absoluta por parte do SIM. A candidatura do Bloco de Esquerda não conseguiu os seus objectivos políticos tendo ficado muito aquém dos resultados esperados e tendo perdido cerca de 2/3 dos votos alcançados em 27 de Setembro passados.
Os resultados premeiam uma lógica de bipolarização e traduzem, por parte de muitos eleitores do BE, uma vontade de evitarem uma eventual vitória do PS, tendo optado pelo voto útil no SIM. Não foi nesse sentido que conduzimos a campanha, mas, em democracia, quem decide é o povo.
Não esquecendo as condições dificieis em que decorreu a campanha, compete-me como primeiro responsável da candidatura, assumir por inteiro a derrota. Resta-me a consciência de ter dado o meu melhor em defesa de um projecto alternativo de governo da cidade. Devo agradecer aos cidadãos que integraram as listas e que contribuiram com o seu esforço, em condições muito desiguais, para que ela fosse possível, o seu empenho e a sua participação.
Na democracia quem ganha governa e quem perde, sendo eleito, faz oposição. Desejo felicidades aos vencedores e um bom trabalho de que todos possam beneficiar e aos que ficam na oposição que sejam firmes na defesa dos interesses comuns.
"

Nobel da Paz para Barack Obama
Sou um grande admirador de Barack Obama. Não vejo por aí nenhum político do seu tamanho. Talvez o comité do Nobel esteja a avaliar com o rigôr e a perspectiva que eu não alcanço o papel de Obama, mas, quer-me parecer que a notícia desta atribuição é, ainda apesar de tudo, manifestamente exagerada.
Mas, talvez o fim do Bushismo seja mesmo a melhor notícia que o mundo escutou nos últimos anos. Assim sendo entronize-se o homem.

Ruben de Carvalho diz que apoio de Carvalho da Silva a Costa não fragiliza campanha
Mas afinal o Carvalho da Silva apoia o Costa, apoia a CDU ou é a CDU que apoia o Carvalho da Silva e indirectamente, pode vir a descobrir-se, apoiará o Costa?
Dizendo eles, os da CDU, que, façam o que fizerem camaradas seus como o sindicalista em questão, nada os fragilizará, como terá sido possível que o Costa e o Carvalho se tivessem encontrado no Chiado e, sem nada para dizerem um ao outro, logo o Carvalho se tivesse lembrado, à laia de um outro Carvalho que se chama Mário, de dizer ao autarca que se assumiu como a versão sustentável 2009 do Valentim Loureiro: " Era Bom que Trocássemos umas Ideias sobre o Assunto" de eu o apoiar a sua candidatura por Lisboa, embora os meus camaradas da CDU possam vir a dizer que isso não irá fragilizar a sua campanha ou possam mesmo garantir que “não está em causa” o apoio de Carvalho da Silva à CDU , falando de mim próprio está-se mesmo a ver", ao que o Costa, invulgarmente prolixo, lhe terá respondido entre dois sorrisos e uma intensa taganhada: "Cá por mim tudo bem".

Eu acabei de assinar o "Compromisso à Esquerda". Um apelo à estabilidade governativa em que os seus promotores "(...) agem no sentido de que seja traduzido num programa de governo as lutas e anseios de amplas camadas da população que justificam celeridade na construção de respostas urgentes e adequadas para os problemas do seu quotidiano. Para servir este objectivo, deverão ser estudadas as bases para um Compromisso à Esquerda que reforce as conquistas democráticas, vinculando a acção governativa a um elenco programático.(...)"
E você, porque razão não o assina?

Adenda: Na altura em que assinei enviei o seguinte email: " «Sou militantemente a favor de um entendimento governativo à esquerda. Não acredito em soluções que passem pela anulação do PS. Julgo mais credívell um compromisso político que estabeleça as condições necessárias e suficientes para uma governação de esquerda com a adopção de políticas públicas de esquerda. . Como o tempo é uma variável importantíssima na política e os políticos tendem a desprezá-lo, acho que se o entendimento não se fizer, no curto prazo, haverá notícias inesperadas para os partidos mais à esquerda, que tenderão a estiolar em valores abaixo dos dois dígitos. As pessoas têm pressa. »

Sócrates diz que não tem nada a ver com o caso de corrupção do aterro da Cova da Beira
Depois do que se passou com o caso dos submarinos aparece em cena o "caso do aterro da Cova da Beira".
Ninguém ter nada a ver com nada é uma boa regra em Portugal. Mas, porque raio é que saem notícias sobre estes casos logo após as eleições? Casos cujas únicas características comuns são o facto de supostamente estarem envolvidos políticos no activo e de a justiça, no caso de estar a investigá-los, mostrar dificuldades extremas em fazer o seu trabalho? Não se deve politizar a justiça é uma regra de ouro. Mas, nestes casos parece que ocorreu uma politização dos prazos ou terá sido apenas coincidência?
A corrupção esteve, quase, ausente do debate político das legislativas. Portugal, como indicam as estatísticas internacionais é um país com boas condições no que ao desenvolvimento da corrupção diz respeito. Por isso não paramos de subir no ranking dos países ... mais corruptos. Podíamos ser bons noutras áreas .... mas não se pode ter tudo.

A propósito do imobilismo e da imutabilidade na política autárquica à portugue, o sociólogo Fernando Ruivo produz uma explicação fraquinha, eu diria equívoca, mas comumente utilizada. Diz ele, citado pelo Público, "que a resistência à mudança não é apenas uma questão política. "É um problema que advém da sociedade portuguesa, não há uma sociedade civil forte, está fechada até às eleições, tal como acontece com as portas dos partidos"
O problema é de outra natureza: não há uma sociedade civil forte porque o poder que se exerce próximo dos cidadãos, por ser um poder fortemente pessoalizado e sem limitações de mandatos ao longo de 33 anos, estabeleceu como objecivo primeiro da acção política a manutenção do poder dos presidentes. Fê-lo com conveniência dos partidos, pagando o custo de alguns dissabores, e interesse evidente dos próprios. Para o conseguir o primeiro método utilizado é a eliminação e diabolização dos actores. Um presidente de Câmara pouco escrupoloso, digamos assim para facilitar, tem poderosos mcanismos ao seu alcance para eliminar , não fisicamente valha-nos isso, os seus futuros/prováveis opositores. E quem são eles: aqueles que se destacam no tecido social, que adquirem protagonismo e que, tornando-se apetitosos para os partidos concorrentes, podem vir a questionar o seu poder. Sem esses, ou com eles enfraquecidos, a sociedade civil estiola e encerra para obras... perpétuas.
Há outras razões concerteza de que a mais chocante é a ausência de controlo político do poder executivo com a anulação das funções dos orgãos deliberativos e fiscalizadores. Refiro-me à assembleia municipal, essa caricatura, muitas vezes grotesca, de uma verdadeiro orgão de fiscalização do poder executivo.
Lamentavelemente do mundo académico e jornalístico nã ovem nada que se aproveite sobre esta questão. Apenas uma conjunto repetitivo de explicações .... fraquinhas. Quem quise saber algo mais pode ler alguns textos exceleentes de José Barros Moura, José Pacheco Pereira e passe a imodéstia alguma das coisas que sobre a matéria aqui fui escrevendo.

PS - Declaração de interesses: sou candidato à Câmara de Sines como independente nas listas do BE.


 

Pedra do Homem, 2007



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