O deputado do PTB que denunciou o esquema do "mensalão" pode ver o seu mandato cassado o que implica a perda de direitos políticos por oito anos. O deputado admitiu ter usado o "mensalão" para desviar as atenções já que estava a ser investigado por corrupção na empresa dos Correios. A notícia de hoje no Público passou mais ou menos desapercebida. Jefferson apareceu um destes dias, numa reportagem televisiva, a incitar os estudantes que o escutavam a pressionar na rua a queda de Lula.
A comissão de Ética não confirmou a tese do "mensalão" embora, ao que dizem as notícias por pressão da oposição, tenha deixado em aberto a possibilidade de existência de corrupção na relação entre o PT e os restantes deputados.

Os militantes do PSD de Gondomar devem ser uns tipos muito estranhos. Falo, é claro, daqueles, poucos, que ainda não integram a lista de Valentim Loureiro. Então não é que ainda não impugnaram a lista do PSD. Mas que comportamento tão anómalo. O que lhes terá acontecido. Não esperem facilidades depois de 9 de Outubro. Serão chamados à responsabilidade pela incompetência demonstrada por exemplo em comparação com os rapazes de Oeiras.

Bizarra a sanção aplicada pelo PSD a Valentim Loureiro. Cessação da condição de militante com a obrigatoriedade de entregar o cartão até que um dia o partido entenda que Valentim pode recuperar a condição perdida. A mensagem parece clara: ganha lá as eleições que mais tarde ou mais cedo a malta junta-se outra vez. Em que situações é que aplicam a expulsão? Quando o militante der umas porradas no líder ou quando for apanhado a roubar em flagrante?

Sai Rochemback e entra João Alves do Braga, melhor jogador do que o brasileiro. O meio-campo do Sporting com Moutinho, João Alves, Carlos Martins e Custódio pode ser um misto, explosivo, de juventude e talento. A velocidade vai aumentar bastante. Entra igualmente o Wender, já entradote na idade, mas que espero possa fazer um campeonato como o anterior, no qual foi considerado o melhor extremo da Liga.
PS - Não podiam ter tratado disto mais cedo a tempo da Liga dos Campeões?

Fracas e pouco convictas. A candidatura de Soares é um candidatura do PS e do Governo. Trata-se de uma candidatura partidária. Não me parece que esta ideia tenha pés para andar.

As frases que mais me agradaram numa primeira impressão foram: "Honro-me de ter desfilado do Camões até ao Rossio para protestar contra a Guerra do Iraque"; "A coesão social é um elemento essencial do desenvolvimento"; "A Economia está ao serviço das pessoas e não são as pessoas que estão ao serviço da Economia".
Soares apresentou-se em boa forma física e com uma juventude invejável. Os oitenta anos tornam-se irrelevantes.

Segundo o Banco Mundial o desenvolvimento Português é travado pela corrupção. Ainda segundo um especilista desta instituição, citado hoje pelo Público, poderíamos estar no nível de desenvolvimento da Finlândia se conseguíssemos eliminar a corrupção.
Outro aspecto referido no estudo é a identificação dos partidos como as instituições que os cidadãos gostariam de "purificar" libertando-os da corrupção. Uma perspectiva certeira.
Quem se preocupa minimamente com as questões públicas sabe que em Portugal a corrupção é um verdadeiro cancro colectivo. Desde há décadas a corrupção permite que alguns enriqueçam, ilicitamente, através da apropriação de bens colectivos. A corrupção ataca em todos os níveis do Estado mas desenvolveu-se muito no nível autárquico. O urbanismo, com as selectivas autorizações de mudança de uso dos solos ou de densificação, as condições especiais em que uns podem construir e outros não, as Obras Públicas com a aprovação de trabalhos a mais, com compensações e pagamentos por fora, as decisão sobre a localização das empresas, o apoio a empresas incompetentes e a criação de dificuldades a bons projectos empresariais por questões "ideológicas" fazem parte de um extenso rol de manifestação de prácticas corruptas. Por outro lado cresceu o conformismo relativamente àquelas pessoas cuja vida melhorou da noite para o dia com a exercício de lugares públicos.
Esta questão devia ser objecto de um debate nacional. Mas é verdadeiramente imperdoável que não esteja presente no debate autárquico. Mas é assim. Um país avalia-se pelas suas prioridades.

É sempre assim. Quando alguém assume um comportamento que se mostra desalinhado com o chamado comportamento espectável logo surgem as leituras mais diversas. Se, como salienta, Vital Moreira, a pretensa solidariedade e compreensão de parte da direita era esperável - rejubilam com os eventuais danos causados à candidatura de Soares - algumas das leituras provocam perplexidade. Que sentido faz, como Manuel Carvalho no editorial do Público de hoje, criticar Alegre por ter manifestado disponibilidade? Afirmar como o editorialista que "Alegre não assume o erro de ter dado um passo maior do que a perna, anunciando a sua disponibilidade para enfrentar Cavaco sem se recomendar ao seu partido." faz algum sentido? Afinal existe ou não vida para além dos partidos e dos seus aparelhos? Afinal como sempre refere Soares, a disponibilidade para ser candidato é ou não em primeiro lugar uma disponibilidade pessoal? Discutir se a candidatura de Alegre seria mais eficaz contra Cavaco do que a de Soares é outra coisa. Essa é uma análise que, por exemplo, o PS terá feito antes de decidir sobre a sua posição.

Entrámos no último dia de Agosto. Amanhã o país reabre.

Vários dos convivas no jantar de Viseu referiram a sua esperança de que depois das autárquicas ainda seja possível uma candidatura de Manuel Alegre. Julgo que estão plenamente convencidos de que o PS terá um mau resultado em Outubro. Suponho que têm razão. O PS não conseguirá recuperar o Porto, Lisboa, Coimbra e Setúbal. E perderá algumas cidades de segunda linha como Santarém. A liderança da ANMP continuará nas mãos do PSD. Ora este posicionamento de Alegre relativamente ao PS e a Sócrates parece remeter muito mais para uma reedição da luta interna pelo poder. É que se a maioria absoluta de 20 de Fevereiro fazia desta questão uma questão encerrada, a evolução da situação política e as incapacidades várias do PS de Sócrates, potenciadas por uma derrota autárquica e por uma derrota da candidatura presidencial do PS, poderão colocá-la de novo na ordem do dia. Aliás a tomada de posição de Alegre acentua o facto de a candidatura de Soares ser a candidatura do PS de Sócrates. Só por isso ele desiste de avançar, justificou, para não ir contra a candiatura apoiada pelo seu partido. Cai por terra, por força desta tomada de posição, a tese de que uma derrota de Soares seria sempre, sobretudo, uma derrota pessoal.

O Luís Delgado voltou de férias. As noites televisivas vão ficar mais animadas. Por onde terá o Luís andado? Repare-se como esteve, de facto, ausente. Diz ele: "Com o fim das férias, Lisboa volta ao inferno habitual, e o País ao purgatório interminável." Mas ó Luís não apagaram já todos os incêndios?

O discurso de Manuel Alegre, no jantar de Viseu, parecia estar construído para conduzir ao anúncio da sua candidatura, contra a "lógica dos aparelhos" e recusando a "candidatura patriarcal" de Mário Soares. Desde o início Alegre distanciara-se do PS com uma crítica violenta, e a vários títulos certeira, à incompetência do(s) Governo(s) e à demissão do Estado. Mas também à forma como Sócrates geriu este processo. Mas Alegre é assim. Não questionando o passado histórico da personagem, e o que isso significou de coragem e de decisão, na democracia Alegre dá quase sempre um passo atrás mesmo quando acaba de enunciar as diversas razões que legitimariam que desse um passo em frente. Assunto encerrado para já, que os seus apoiantes e promotores do jantar ainda acreditam na sua candidatura. Provavelmente mais do que ele.
Este jantar constitui uma manifestação com inevitáveis leituras políticas: ilustres socialistas estiveram presentes numa manifestação clara de discordância com a solução Sócrates/Soares. Como fará Soares o pleno das esquerdas com a expressão pública do afastamento do republicano Alegre e dos que o apoiam no PS?

Tomo de empréstimo o título do post do Causa Nossa, da autoria de Vital Moreira. Uma síntese objectiva de muitas questões que a situação dos incêndios permite evidenciar e que escapam, de forma escandalosa, a alguns espíritos mais liberais. Aqui como noutros casos estamos carentes de "Mais Estado e melhor Estado" e não de "menos Estado".
Chamo a atenção para o post aí publicado com a posição do subscritor.

A divulgação do Plano de Ordenamento da Arrábida está a provocar uma enorme polémica. Algumas das Câmaras, casos de Setúbal e de Sesimbra, avisaram já que vão impugnar o Plano. Alegam excesso de limitações à construção. Ainda que não conheça o documento não me agrada o argumento.
Preocupa-me muito a situação dos pescadores que, contra as limitações ao exercício da sua actividade que o Plano consagra, decidiram avançar com a greve. Os pescadores e a sua actividade são desde a adesão à comunidade europeia vítimas de um conjunto de medidas hostis e quase sempre incompetentes. Que além da contribuição para a eliminação da actividade não conseguiram qualquer outro objectivo. De que serve continuar a perseguir os pescadores e ser incapaz de controlar a actividade dos arrrastões espanhóis e outros equipados com redes de roletes capazes de arrastar na pedra? Um destes dias não teremos barcos nem pecadores e só comeremos peixe pescado por espanhóis. Trata-se de um empobrecimento para todos nós que ultrapassa em muito a questão económica.

Pelo que se sabe, até agora, a publicação das listas com a colocação de professores decorreu com normalidade. Facto assinalável depois da enorme trapalhada no Governo de Santana Lopes.

Portugal é um dos países com maior número de recordes registados no famoso Guiness Book. Por, entre outras proezas, ter o maior número de acidentes de viação, o maior número de fogos florestais e... ter fabricado o maior pão com chouriço. Neste caso com o aspecto não despiciendo de ter sido Fernando Ruas, o autarca de Viseu, quem cortou a primeira fatia.

Recebemos do leitor Alberto Ventura uma chamada de atenção para um artigo de Marja Makarow, publicado no jornal catalão "La Vanguardia", que explica como a Finlândia se tornou num país líder, a partir de uma situação muito difícil no início da década de noventa. A autora dá conta da experiência finlandesa de investimento em ID e da forma de gestão e de financiamento desse investimento. A ler aqui.

A Ler

O trabalho de hoje no Público com Valadares Tavares e Vitor Martins, os dois académicos que seleccionaram os investimentos prioritários em infraestruturas até 2009, a pedido do Governo. Depois do ruído anti-investimento público a poeira começa a assentar. Duas ideias fortes:
"Este programa é para conservar o emprego" e "Nós já temos uma taxa baixa de investimento -3,1% do PIB - e o PIIP representa 30% dessa taxa. E ainda parte desses 30 por cento é cofinanciada pela UE!"
A primeira é capaz de horrorizar os nossos espíritos mais liberais. A segunda deita por terra a ideia do Estado despesista, utilizada para criticar estes investimentos.

Foi empossada a quinta administração do aeroporto de Beja, segundo notícia o Público de hoje num trabalho de Carlos Dias.
Não existindo aeroporto sucedem-se as administrações. Muda o Governo muda a administração. O que não muda é a situação do aeroporto que continua no puro campo da ficção. A brincadeira já custou ao erário público 1,5 milhões de euros em ordenados dos administradores. É obra.

Na minha última passagem por uma das discotecas que promove ao longo de todo o ano "noites temáticas" tipo "músicas dos anos sessenta mais os últimos êxitos da Ivette Sangalo" percebi que a generalidade dos "fósseis" utiliza como prólogo de qualquer conversa a frase "Já cá não vinha há mais de um ano." Uma velha amiga aproximou-se cautelosamente, com evidente expectativa de que não a reconhecesse depois do último lifting facial que, infelizmente, deixou tudo na mesma. Após os beijinhos da ordem, atirou com naturalidade: "Ai, já cá não vinha há mais de um ano!" Para depois continuar com informações sobre a evolução demográfica da Freguesia - onde é que ela mora? - com a notícia do nascimento da sua primeira neta. De repente senti um misto de suor e base a escorrer pelas faces. Fui-me lavar.
Depois de mais alguns encontros, sempre introduzidos pela clássica frase, comecei a ficar afectado. Cruzei-me com um amigo e atirei-lhe para começar: "Já cá não vinha desde a última vez." A cara aparvalhada do homem alertou-me. Desde a última vez? Porra, enganei-me. Queria dizer, há mais de um ano. Vou mijar.

As estruturas locais do PSD preparam, afincadamente, a derrota da candidata do partido, Teresa Zambujo, e por essa via a derrota de Marques Mendes. Os intrépidos militantes social-democratas resolveram impugnar as listas do seu próprio partido. Começa a ser comum este tipo de atitude "desprendida" das tradicionalmente tão aparelhísticas estruturas locais dos partidos. A verdade e só a verdade. "Em causa estão os artigos 41º, nº2 d) e 50º, nº2 f) dos estatutos do PSD e uma imperdoável falta de respeito e lealdade para com os militantes de Oeiras." Os nomes e os números engraçados que estes militantes encontraram para dizer: "apoiamos de alma e coração Isaltino Morais." Para ler no Público ou aqui.

1: Foram actualizadas as hiperligações à direita, com a inclusão dos blogues A Causa Foi Modificada e Da Literatura e a triste passagem do Fora do Mundo à aposentação.

2: Decidiu-se, por unanimidade bloguística, inserir um contador do Sitemeter com estatísticas públicas, às quais poderão aceder clicando sobre o logótipo respectivo. A contagem de page views, iniciada em 9.982, inclui todos os page views verificados deste o início do blogue, registados no sistema Statcounter.

3: O pedra do homem está agora cotado no Blogómetro.

A gerência agradece a atenção e preferência.

Atravessar a rua para sair de casa.

Cesare Pavese (1908-1950). Escritor Italiano

A declaração de Manuel Alegre de que só decide (desiste) depois das autárquicas é uma última manifestação de romantismo. Manuel Alegre perdeu a oportunidade de avançar, como refere Vital Moreira, "à Sampaio". Faltou-lhe o rasgo e a ousadia. Agora, com a candidatura de Mário Soares a carburar, já escolheu mesmo alguns dos mandatários casos de Vasco Vieira de Almeida ou de Sobrinho Simões - aliás, figuras "perfeitamente desconhecidas" como esclarece hoje Vasco Polido Valente, num momento de grande humor - Alegre não pode ser candidato.
Prolongar esta agonia não é bom para si embora não faça mal nenhum à candidatura de Soares.

Câmara do Funchal atribui a privados megaprojecos no domínio Público Marítimo. Hoje no Expresso. São 128 mil metros quadrados de área de construção junto ao mar. Uma concessão por 100 anos mediante o pagamento anual de mil euros. Destinatários? Uma empresa da "região" - o equivalente insular das empresas "locais" - dirigida por pessoas ligadas ao secretário-geral do PSD-Madeira, Jaime Ramos, e ao presidente da Assembleia Legislativa Regional, Miguel de Sousa.- que neste caso fazem o papel dos "vereadores do Urbanismo" na expressão de Paulo Morais. Recorde-se uma das frases mais fortes do autarca da Invicta: "O Urbanismo é, na maioria das câmaras, a forma mais encapotada e sub-reptícia de transferir bens públicos para as mãos de privados. A palavra para isto é roubo. É a subversão da democracia." Pois é.

Bom dia


Luis Barragan (1902-1988). Arquitecto Mexicano.

Confesso que nestes dias, dominados pelos incêndios, tenho sentido a falta da habitual presença do omnipresente comentador político, Luís Delgado. Fui investigar e descobri que, afinal, o Luís foi de férias (pelo menos julgo que assim foi e espero, sinceramente, que a sua ausência não seja provocada por razões de saúde ou por se ter extinto nalgum incêndio que tenha lavrado numa mata perto do local onde acampava). Mas a explicação só a encontrei na última crónica do Luís. Escreveu ele, a 24 de Julho último, com aquela capacidade invulgar de analisar a realidade e de prever, com um rigor quase cientifico, o futuro: "O país já está meio fechado, e o encerramento de portas está previsto para o próximo fim-de-semana. Isto para todos, incluindo candidatos, políticos, Governos, empresas e particulares. É salutar. Só pode. (..) As autárquicas vão abrandar, das presidenciais são só palpites, do país vai-se andando, e das empresas só se deseja que passe o trimestre tradicionalmente mais desapontador. Nada de chatices, é a palavra-chave para este período. Assim seja!" Uma previsão absolutamente confirmada pela realidade ainda que, como quase sempre acontece com o Luís, seja uma realidade que só ele consegue ver.

a exploração dos consumidores pelos operadores das redes móveis é a regra. Neste caso, em França, a Direcção-Geral da Concorrência do Consumo e da repressão das Fraudes, a nossa Alta Autoridade bem podia ir lá tirar um curso, denunciou o facto de os três operadores de rede móvel desde há vários anos reunirem para dividir o mercado. Uma subtil, mas eficaz, adaptação das leis da economia do mercado ao seu enriquecimento ilícito.



Duas fotos do dito edifício transparente.

O edifício de Sóla Morales situado entre o Parque do Porto e o mar vai, segundo notícia de hoje no Público, "entrar em obras em Setembro". Espantoso. Esta obra "marcante" da arquitectura ibérica cuja utilidade ninguém descobriu até hoje e que custou algumas dezenas de milhões de euros ao erário público vai entrar em obras para poder ter... alguma utilidade. Pelos vistos um SPA e mais umas lojas de referência "internacional".
Fica a minha sugestão: se é para gastar dinheiro não podiam optar por demoli-lo? Libertando a ligação do fabuloso Parque Urbano da cidade, de Sidónio Pardal, ao mar. Dando-lhe a "transparência" que o edifício assim chamado lhe tirou, em parte. Para nosso deleite e contentamento enfim libertos daquela "bancada virada para nenhum estádio" como se tivesse ali aterrado, como coisa perdida soprada pela nortada.

Pat Robertson , o líder da Coligação Cristã que apoiou Bush nas suas candidaturas presidenciais, não hesitou em defender o assassinato de Hugo Chávez, presidente da Venezuela. " Ficava mais barato do que fazer uma guerra para destruir um ditador esquerdista", justificou. Estas declarações foram apenas consideradas "totalmente inapropriadas" pelo Departamento de Estado dos EUA. A administração Bush recusou considerar estas declarações como terroristas, como defendiam os democratas. É o problema da duplicidade moral de BUsh e dos seus que consideram que somos todos iguais mas com a pequena diferença de que eles são "mais iguais".

A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) não encontrou provas de que o Irão esteja a desenvolver um programa secreto de armas nucleares. Esta descoberta é intolerável para a administração Bush. Resultado? A administração Bush não entende as conclusões da AIEA e manifesta a sua "convicção -profunda" de que o Irão está mesmo a fabricar a arma atómica. Onde é que já vimos este filme?

A entrevista de Paulo Morais já teve consequências. No Público é noticiado que o Ministério Público vai investigar a declarações do vereador do Porto. Outra reacção esperada foi a da ANMP através de Fernando Ruas, o seu Presidente. Disse o autarca de Viseu, que veio publicamente contestar as declarações, que não era este o tempo e o modo de Paulo Morais fazer estas denúncias insinuando que isso se deve à sua exclusão das listas do PSD. Independentemente do facto de, até hoje, Paulo Morais nunca ter dito nada e de só agora, que foi excluído das listas, se ter manifestado não podemos deixar de pensar nas graves afirmações que ele produziu e de , cada um de nós, reflectirmos se já tivemos ou não conhecimento de situações semelhantes. Aliás se vivemos num País cujo Governo tem no seu programa a intenção de separar o financiamento das autarquias das receitas associadas à actividade de construção e se tantos casos são conhecidos de existência de pressões - tráfico de influências dizem outros - para através das mudanças de uso dos solos ou de densificação, decididas por autarcas, os privados se abotoarem, claro que o dinheiro não vai todo para os mesmos, com as chorudas mais-valias, por que razão a ANMP mostra tanto espanto? O Urbanismo tem que mudar, como tenho defendido, no sentido da transparência, no sentido da responsabilização dos decisores. Para isso necessita de um novo poder local. Um poder local com as mãos limpas, sem caciquismos e com formas modernas de controlo democrático do poder executivo que a actual arquitectura do sistema não garante minimamente. Deixo aqui uma outra frase de Paulo Morais que julgo entender plenamente:" Os vereadores do Urbanismo que, pelo País fora, aceitam transferir bens públicos para as mãos daqueles que dominam de forma corporativa os partidos estão a enriquecer pessoalmente e a destruir a democracia." O que Paulo Morais afirma não põe em causa todos aqueles que exerceram responsabilidades na área do Urbanismo e que o fizeram com rigor e de forma séria.

A ler, obrigatoriamente, a entrevista de Paulo Morais, vereador da Câmara do Porto com o pelouro do Urbanismo eleito pelo PSD. Hoje na Visão. Uma análise crua da realidade que muitos teimam em não ver.(continua)

Adenda

Foi a segunda vez que me lembrei do Pedro Barbosa. Já agora o Pedro, com 35 anos, jogava mais devagar do que o Rochemback? E era menos útil do que o tal Loureiro?

Onde jogava Luís Loureiro antes de vir para o Sporting? E Rochemback? Ter-lhe-ão adaptado algum limitador de velocidade? Qual era a táctica de Peseiro? Os laterais esquerdos que jogaram (?) são melhores do que o Paíto? E Ricardo não merece já uma passagem pelo banco? Não se entende nada desta equipa. Que, tal como o Arrentela, não tem preparador físico. Coisas do "project finance".
Peseiro e Dias da Cunha concretizaram ontem a obra começada contra o Benfica e continuada contra o Nacional. O Sporting fora da Liga dos Campeões. Mérito deles que modestamente não o reclamaram. Dias da Cunha por este andar vai fazer do ano do centenário um "annus horribillis" na vida do clube. Poderá ficar para a história com o "petit-nom" do Contra-Informação.

Da orquestra de Daniel Barenboim no Palácio da Cultura de Ramallah no passado domingo à noite. Com músicos árabes e israelitas que integram a orquestra West-Eastern Diwan que Barenboim criou.

Interessante entrevista, no Público de ontem, com Tom Segev, historiador israelita, um trabalho da jornalista Maria João Guimarães. Sobre a utilização de símbolos , pelos colonos, que evocam o teror nazi afirma Segev: "Não é apenas uma mantra dos fanáticos, é algo formulado de maneira muito cuidadosa.(...) O que queriam era dilacerar a alma do soldado, tornar essa experiência tão traumática que fosse impossível a um soldado voltar a pasar por ela uma segunda vez". Esclarecedora igualmente o que diz sobre o que as pessoas pensam dos colonos. " (...) As pessoas realmente detestam os colonos.(...) Muitas pessoas, mesmo que não sejam a favor da retirada, também não são a favor dos colonatos.(..) Uma das coisas que mais aborrecem é, por exemplo, o uso das crianças. É uma coisa muito calculada. As fotografias das crianças, todas repetem imagens históricas: a criança com os braços no ar como no ghetto de Varsóvia.(...) E isto é feito pelos mais novos, por isso podemos ver a que tipo de lavagem cerebral foram sujeitos.É realmente assustador."
Uma perspectiva da actual situação em Israel que me parece bastante séria. Veja-se a opinião sobre a acuação de Sharon e sobre a esquerda israelita. Relativamente a esta Segev afirma que " a esquerda está perplexa. Sharon tirou-lhe as ideias e a esquerda vê-se na posição estranha de ter de apoiar Sharon. Alguns até estão contentes por terem Sharon a fazer-lhes isto."

João Cravinho aborda com rigor e serenidade a questão do novo aeroporto. No DN do passado dia 23 Cravinho coloca a questão que "não é decidir se, mas sim quando onde e como."Uma posição rigorosa que parte da defesa da necessidade de o País construir um novo aeroporto e da sua recusa da solução "reforço da Portela", coerente com tudo aquilo que sempre defendeu, mas que assume que " o Governo tem de esclarecer as dúvidas com lisura e pôr na Net a informação disponível." Que como ele demonstra não pode ser aquela que ainda não existe. A relativa, por exemplo, à fase do como.

Jerónimo de Sousa é definitivamente o melhor trunfo que o PCP tem para jogar em qualquer eleição. O seu "jogador mais valioso". Depois do resultado alcançado nas últimas legislativas o PCP mostra-se rendido ao "carisma" do seu secretário -geral.
Quanto ao mais é o costume: os objectivos da candidatura de Jerónimo são "uma grande afirmação e reforço do PCP" e travar "um combate firme aos velhos projectos da direita de se apropriar do controlo da Presidência da República". Desistem antes da primeira volta. Aliás uma situação em tudo idêntica à que se passou em 1996 já então com Jerónimo de Sousa a protagonizar a candidatura comunista.

Vitor Matias Ferreira, catedrático de sociologia do ICSTE - já aposentado - é um dos autores à volta de cuja obra mais me detenho. Referi neste post a publicação da sua obra o "Fascínio da Cidade. Memória e Projecto da Urbanidade."
Leitura exigente a interrogar e inquietar os que com ela se deparam. A exigir reflexão e estudo. Mas uma leitura capaz de suscitar um enorme prazer.
Muito interessante a reflexão sobre "os espaços devolutos e os processos de produção urbana", sobre "a valorização fundiária e centralidade urbana das frentes de água"ou ainda a análise da relação entre os projectos de reabilitação das frentes de água e as imagens urbanas.
Interessante igualmente a continuação da reflexão sobre a relação entre a Expo 98 e o Projecto de Cidade que deveria estar associado a essa exposição.
O autor salienta que "os processos de recuperação e de reconversão das frentes de água constituem, assim, enormes desafios, envolvendo significativos investimentos financeiros muitas vezes através de entidades privadas, a partir dos quais os poderes públicos procuram lançar uma imagem dita "competitiva" da sua cidade. Significativamente, em nome deste marketing urbano, aquele relacionamento público/privado assume, muitas vezes, contornos políticos e económicos com alguma promiscuidade ou, no mínimo, pouco transparentes. O que é certo é que as frentes de água, como a cidade em geral, põem em confronto entidades que, à partida, se apresentam com objectivos quase sempre contraditórios entre si, o que deveria implicar uma avaliação crítica aberta sobre os respectivos projectos urbanos."
O que infelizmente não é costume acontecer.

"O sindicato dos professores anunciou ontem, a previsão de um número record de professores que ficarão desempregados. Para combater o défice (esse monstro, filho de muitos pais) o Governo acabou com os chamados horários zero, professores colocados em comissão no ministério da educação, etc, e "devolveu-os" ao ensino. Muito bem. Agora é chegada a altura de o Governo legislar no sentido de os professores que se encontram no desemprego terem prioridade nas bolsas de formação do IEFP, ou a selecção dos formadores continuará de forma arbitrária? Ao sabor de interesses vários, deixando de fora professores desempregados e oferecendo a profissionais de outras àreas um 2º emprego."
António Braz

No Público do passado domingo - suplemento Local de Lisboa - artigo de opinião sobre a "questão urbanística" na cidade de Lisboa e na generalidade do País. Passe a evidente imodéstia recomendo vivamente a sua leitura.

depois de uns curtos dias de férias no Centro do País, imposibilitado de aceder à blogosfera - o atraso na disponibilização de acessos em locais públicos é gritante - estou de regresso. Tempo para uma leitura rápida do que se escreveu na blogosfera que me interessa.

METADE

Que a força do medo que eu tenho,
não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca.

Porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio...
Que a música que eu ouço ao longe,
seja linda, ainda que triste...
Que a mulher que eu amo
seja para sempre amada mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece, e nem repetidas com fervor, apenas respeitadas, como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos.
Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço.
E que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflicta em meu rosto, um doce sorriso, que me lembro ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
a outra metade eu não sei..
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito. E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é plateia,
e a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor,
e a outra metade... também...


(Oswaldo Montenegro)

Quem viu o jogo de Portugal, ontem contra o Egipto, não pode negar o seguinte: com João Moutinho, na segunda parte, Portugal melhorou muito. O jovem médio do Sporting fez a equipa jogar mais depressa e com mais qualidade. Só por pura ignorância não será dele o lugar de patrão do meio-campo da Selecção nos próximos anos. Uma nota para João Alves, do Braga, um grande jogador. Falado para o Sporting teria sido certamente uma boa aquisição. Talvez por isso não o tenham adquirido.

A Câmara de Grândola cumpriu o que prometeu. Umas semanas atrás Carlos Beato anunciara que a CMG ia avançar com a declaração do interesse público dos empreendimentos Costa Terra e Pinheirinhos. Prometeu e cumpriu. Segundo noticia o Público de hoje a autarquia da Vila Morena anunciou que "se derem entrada na autarquia os pedidos de loteamento, os projectos turísticos previstos para Melides vão mesmo avançar." Isto apesar da posição contra da Secretaria de Estado do Ambiente. Nas próximas semanas Sócrates e Beato vão estar lado a lado a assistir à implosão das torres de Tróia. Dua perguntas me assaltam :
As posições sucessivas de Carlos Beato não ameaçam implodir uma "desejável boa relação com o executivo socialista"?
Será que Humberto Rosa, Secretário de Estado do Ambiente, está convidado e vai estar presente a assitir à implosão das torres, algures entre Sócrates e Beato?

A direita prepara o caminho para uma revisão dos poderes presidenciais em caso de vitória de Cavaco Silva. Esta mudança será meramente instrumental de uma dissolução do governo de maioria de Sócrates, caso ainda exista. Paulo Rangel, no Público de hoje, jurista e deputado do PSD, defende a tese do reforço dos poderes presidenciais, embora, como aliás faz questão de explicar, neste caso se trate de uma posição desde sempre defendida.
Para lá da questão mais ou menos maniqueista de utilizar o presidente como arma de arremesso contra maiorias indesejáveis, quantos de nós não lamentaram, uma ou várias vezes, a aparente interpretação minimalista que Jorge Sampaio fez dos seus poderes, sobretudo no consulado Durão-Portas? Parece-me pois sensato que se discutam os poderes presidenciais e a necessidade ou não de os rever. Mesmo que a conclusão seja a de que está tudo bem como está.

Quem viu ontem na SIC Noícias o programa Sociedade Aberta - um diálogo sempre interessante entre Mário Soares e o excelente José António Teixeira, jornalista do Jornal de Notícias- caso tivesse algumas dúvidas sobre a candidatura de Soares deve tê-las perdido definitivamente. O homem vai avançar. Para evitar o "plebiscito de Cavaco Silva que se preparava para enfrentar a eleição presidencial como um simples passeio na avenida da Liberdade, face à ausência de candidatos da esquerda. Ora substituir eleições por plebiscitos é mau para a democracia"


Outdoor junto ao edifício da Biblioteca e Centro de Artes



Outdoor no Castelo -1


Outdoor no Castelo 2


Outdoor na rotunda de acesso à ZIL-II


Outdoor na rotunda de acesso ao edifício da Biblioteca e Centro de Artes

Outdoor na Avenida Vasco da Gama


De um leitor devidamente identificado, com pedido de reserva de identidade, recebemos a seguinte mensagem: " (...) O camarada Bernardino Soares não tinha nada que vir para aqui dar lições às bases. Quem é ele para nos ensinar a divulgar a obra feita? Parece um rapazote a ensinar o pai a fazer filhos. Junto algumas fotografias que dão uma ideia clara da nossa competência. Por falta de transporte não me foi possível ir a S.Torpes e a Porto-Côvo onde pusemos uns painéis muita bonitos.(...) Está-me agora aqui o amigo Manel a dizer que falta um painel no edifício do Centro de Artes mas do lado da Rua da Alegria e que isto foi tudo pago com dinheiros da Câmara. Isto não tem nada a ver com o partido e as eleições. O camarada Bernardino não tava bom da cabeça"


A morte de Miguel Arraes ocorre num momento particularmente doloroso para os sectores mais progressistas da sociedade brasileira. O escândalo do "mensalão" ameaça deitar por terra a liderança de Lula e com isso hipotecar, mais uma vez, as esperanças de grande parte da população brasileira que via na liderança do metalúrgico uma séria oportunidade de aceder a condições de vida dignas .
Miguel Arraes travou ao longo de uma longa vida política uma batalha pela melhoria das condições de vida do povo brasileiro. Na primeira das três vezes em que foi eleito Governador de Pernambuco - então com o apoio do Partido Comunista Brasileiro - estendeu a aplicação do salário minimo aos trabalhadores rurais e apoiou a formação de sindicatos, associações comunitárias e ligas camponesas. Foi deposto pelo golpe militar de 1964, que instaurou a Ditadura Militar, tendo ficado famoso o seu gesto de recusar a proposta dos ditadores de renunciar ao cargo em troca da liberdade pois, como afirmou na altura, não podia " trair a vontade dos que o elegeram". As agências noticiosas dão conta da impressionante presença de populares nas homenagens fúnebres ao político basileiro e do apoio então manifestado ao Presidente Lula, um admirador confesso do velho dirigente, que esteve presente nas cerimónias. Vamos a ver como sai Lula deste processo cujo final não vai tardar.

Eduardo Prado Coelho aborda, hoje no Público, a questão das férias de Sócrates. Que, como se sabe, não são as férias do "José Sócrates português de Castelo Branco", mas sim as férias do primeiro-ministro de um país a arder e no meio de uma grave recessão económica. A exigir trabalho duro sem tempo para diversões. Perito nas questões do "simbólico" Eduardo Prado Coelho escreve " Quando o barco se está a afundar, o comandante mantêm-se na proa do navio. Quando o país está a arder, o Primeiro-Ministro deve ir ver como lutam e resistem as pessoas, como actuam os bombeiros, o que sofrem as gentes que são vitimas dessas situações: não é todos os dias que se vê uma casa reduzida a um monte de entulho, não é todos os dias que se perde tudo o que se possuia."
Pois é Eduardo é isso o que pensa a generalidade das pessoas, independentemente dos diferentes animais políticos.

A "saga" de Avelino Ferreira Torres dá bem uma ideia do estado de dissolução a que chegou a democracia portuguesa. O homem foi durante décadas Presidente do Marco de Canavezes. Foi objecto de sucessivas inspecções e de denúncias e a tudo resistiu. Por fim um seu colaborador próximo aparece a tentar suicidar-se depois de ter feito revelações à PJ que apontam para irregularidades graves. O senhor seria o testa de ferro de Avelino nos negócios de compra de propriedades com posterior venda e obtenção de elevadas mais-valias que iam inteirinhas para o bolso do autarca. Ao colaborador ficava atribuída a "responsável função" de pagar os impostos devidos pelas mais-valias.
Avelino Ferreira Torres continua tranquilamente a preparar a sua candidatura a Amarante. Aliás a sua próxima eleição como presidente da Câmara de Amarante.

Imparável o líder da concelhia socialista de Felgueiras ameaça impugnar a lista da candidatura do seu partido à autarquia local. O homem não suporta tantos independentes, quatro nos primeiros cinco lugares. Uma afronta. Nunca lhe ocorreu que, atendendo ao passado recente, uma limpeza de balneário fosse do mais elementar bom senso. Mas bom senso é o que não abunda por aquelas paragens. Como prova a comparação que estabeleceu, o líder concelhio, com a lista dos "heróicos apoiantes dessa mártir da democracia", Fátima Felgueiras de seu nome, ausente por "motivos particulares" no Brasil. É que, segundo o ,"ganda militante" na lista dos que apoiam a candidatura da senhora, nos primeiros cinco lugares quatro são socialistas. Isto tem lá comparação. Isto é que é socialismo. Fátima volta estás perdoada, aliás perdoada de quê?



Não estão esquecidos, pois não?

Quem o diz é o Ministro António Costa. Mais de duas vezes é muito vago e pode ser muito injusto para José Sócrates. Imagine-se que o primeiro-ministro telefonou uma centena de vezes. Podemos imaginar a conversa:"Ó António Costa achas que eu devo interromper este extraordinário Safari? É pena não conseguires acabar tu com os fogos ainda podias vir aqui passar a última semana. É pá aqui a natureza é a sério não arde nada. E olha que não é por falta de calor."
Na realidade há decisões que o primeiro-ministro toma por si próprio. Não pergunta, vez nenhuma, aos seus ajudantes.

Pelos vistos existem. E servem para quê? Pelos vistos para dar respostas politicamente correctas do ponto de vista do Governo. Será por isso que ainda existem?

De Paulo Varela Gomes, artigo de opinião sobre a catástofre que se abate, desde há anos, sobre o País. No Público, indisponível on-line.

O cada vez menos discreto descontentamento de António Vitorino, corrija-se. Como se sabe o eterno D.Sebastião do PS está de serviço às quartas na RTP-1 para compensar as homilias do professor Marcelo, aos domingos. O bloco central deve ser levado a sério e a solidão do professor no canal público punha em causa a "normalidade". O que já não parecerá normal é o tom cada vez mais crítico de António Vitorino sobre as diferentes decisões do governo de Sócrates. Depois das dúvidas sobre a OTA e sobre o TGV agora ficou claro a sua desaprovação relativamente às mudanças na Caixa Geral de Depósitos. Afirmou António Vitorino: "não faz sentido nenhum que a presidência da CGD faça parte de uma espécie de loteamento partidário de cargos públicos(...)" e "Armando Vara vai ter uma tarefa particularmente difícil por ser uma nomeação obviamente controversa pelo perfil pessoal do acusado(...)"
Não podia ser mais explícito.

perdemos. A Liga dos Campeões deve ter ficado adiada "sine-die". O jogo foi bonzinho. O Moutinho é um regalo. Razão tem o Scolari. Joga e faz jogar. Foi pena o Doualla estar com a cabeça cheia de libras "virtuais" ( fez três ou quatro jogadas quando normalmente faz duas dezenas) e o Liedson estar naquela fase do "não resolve". A propósito o "original" Peseiro deixou o Rogério no banco e apostou em Miguel Garcia com que objectivo?



Na próxima sexta-feira, 12 de Agosto, a bola de espelhos volta a brilhar na praia de Sines. Numa revisitação às noites loucas do Studio 54, dos irmãos Gibb e do Saturday Night Fever, o disco sound vai invadir a areia e obrigar toda a gente a divertir-se.

Por isso, dançarinas e dançarinos, recuperem a farpela da época e juntem-se à celebração da loucura dos 70's. A música estará a cargo do John Travolta himself!


P.S.: A presença do John Travolta está sujeita a confirmação. Caso surja alguma indisponibilidade de agenda de última hora, serei eu a assegurar o papel de DJ de serviço.

Como não joga o Rochemback, nem o Loureiro, nem o Edson - o Wender felizmente não veio - e joga o Doualla, talvez as coisas se componham esta noite, contra a Udinese. Joga o Tello, acabou a época em grande e merecia outra confiança de Peseiro, joga o Custódio e joga o João Moutinho - ao centro em vez do "diesel" Rochemback. Aliás este Sporting tem que ser "Moutinho e mais dez". É que se os outros são bons Moutinho é muito melhor.

A reacção geral ao incêndio que consumiu mais de 5 mil hectares de floresta no Parque Natural da Serra da Estrela foi de tristeza que não de espanto. Já ninguém se espanta com esta sucessão de incêndios tão corriqueiros eles se tornaram. Ardemos, mesmo, muito mais do que os nossos pares da União Europeia. "Primus inter pares" pelas piores razões. Os Parques Naturais e as Áreas de Reserva deveriam ser zonas particularmente cuidadas e protegidas. Das agressões identificadas entre as quais naturalmente se deveria considerar os incêndios. No entanto elas estão sujeitas a um conjunto de leis bizarras que criam condições para que este tipo de catástrofes ocorra de forma devastadora. Os bombeiros bem se esforçam a denunciar o facto de não poderem realizar acções preventivas sob pena de "danificarem a natureza e agredirem o ambiente". Ninguém lhes liga. Depois lá vem o fogo, pouco entendido em legislação, e num ápice reduz tudo a cinzas. Não se poderia discutir a forma como lidamos com os nossos Parques Naturais e as nossas Reservas?

Como é do conhecimento geral o Governo, através da Secretaria de Estado do Ambiente, não despachou favoravelmente a declaração de "interesse público" para os empreendimentos turísticos da Costa Terra e do Pinheirinho. É conhecida a forma como o Presidente da Câmara se tem manifestado relativamente a esta questão e as razõs com que argumenta.
Desta vez aquilo que é notícia é o facto de o autarca ir propor ao executivo que lidera a declaração do "interesse público" para os dois empreendimentos. Ora não é competência da Câmara a declaração de interesse público destes ou de quaisquer outros empreendimentos. Assim sendo parece que Carlos Beato pretende apenas pressionar o Governo, do partido pelo qual se candidatou e pelo qual se irá recandidatar, ou na sua expressão "sensibilizá-lo". Não deixa de ser uma ironia que no final do seu primeiro mandato o seu único adversário político relevante - a sua reeleição é um dado adquirido - seja o Governo do partido que o apoia.
A propósito porque será que os "investidores" nunca se manifestam publicamente contra as decisões do Governo?

Adenda


As declarações de Carrilho ao DN só podiam acabar nisto. O candidato a desdizer aquilo que o jornal afirma que ele disse. Para o caso pouco adianta agora o que de facto ele afirmou. O que fica é que Carrilho não concorda com a candidatura de Soares e que prefere Manuel Alegre. Nada de mal quanto a isso mas é claro que este tipo de declarações não ajuda nada à candidatura de Carrilho em Lisboa. Ora isso é o essencial e para conseguir a vitória, tão desejada por si, necessita de todos os apoios e de fugir como o diabo da cruz de polémicas estéreis e irrelevantes. E, sobretudo, necessita de ser capaz de fazer declarações compreensíveis e sensatas sobre a cidade, entendíveis por aqueles que nela vivem e, fundamentalmente, por aqueles que dela foram expulsos para a periferia e todos os dias lá vão trabalhar, gastando parte do seu tempo em transportes.
Sobre estas questões, infelizmente, tem-se escutado muito pouco a Carrilho. Talvez por isso Eduardo Prado Coelho, na feliz fotografia de José Carlos Carvalho publicada no DN, aparente um ar tão desalentado, como quem diz para os seus botões: "mas este homem não acerta uma."

Desde que, "de bota cardada", ameaçou parar as obras do Metro do Porto, Mário Lino já desdisse o que antes dissera para, ainda não satisfeito com tanta trapalhada, vir anunciar até o reforço das verbas a gastar. Será que Mário Lino, homem experiente na política com longo tirocínio no PCP, não previu o efeito das suas insensatas declarações, servidas grátis a políticos como Rui Rio e Valentim Loureiro hábeis a aproveitar todas as benesses neste "momento eleitoral tão competitivo?"
Já agora a incompetência política pura e dura devia ou não determinar a demissão do sujeito? Eu acho que sim.

O país arde. Como nunca visto. O ministro António Costa, que apareceu titubeante para lembrar que somos todos responsáveis, anuncia que se está a fazer uma avaliação dos meios aéreos necessários para melhorar a eficácia do combate ... no próximo ano. O primeiro-ministro cansado do trabalho que teve desde 20 de Fevereiro deixou o País a arder e foi fazer um safari para o Quénia. Deixou o País entregue ao Costa que não dá conta dos incêndios.
Assim se esfarela uma maioria absoluta.

A concelhia de Felgueiras do PS acaba de retirar a confiança política ao independente que iria encabeçar a lista socialista às próximas autárquicas. Em boa verdade eles só têm confiança na Dona Fátima Felgueiras.

Tempo para ouvir "Dos Gardenias" ou "Candela" em homenagem ao velho cantor cubano que agora nos abandona. Com Compay Segundo e Ruben Gonzalez devem estar a formar uma fabulosa banda algures num lugar próximo do paraíso.

uns que são mais iguais que os outros. Acerca do compadrio e do favoritismo na promoção profissional e social dos filhos "queridos" das elites políticas portuguesas ler aqui com passagem por aqui. Esta pequena amostra diz respeito unicamente ao universo PT.

Oscar Lafontaine vai, pela primeira vez, disputar eleições legislativas com o seu novo partido - Wasg - resultado da dissidência ocorrida no SPD. No "Palco da Discórdia" de Mário Mesquita, hoje no Público, são analisadas as razões por detrás da dissidência do Napoleão do Sarre, como Lafontaine ficou conhecido. Saliento as seguintes passagens que não dispensam uma leitura atenta:" A saída de Oskar Lafontaine do Governo alemão em 1999 significou um marco decisivo no sentido do desaparecimento da social-democracia europeia, entendida como projecto reformista centrado no papel motor do Estado na economia, enquanto garante do equilíbrio no mercado e da justiça social." (..)" é a primeira vez que um dirigente politico com a dimensão e a experiencia de Oskar Lafontaine se assume como dissidente, em nome, não de utopias neo-socialistas, mas de um "programa social democrata clássico" (Lafontaine dixit), opondo-se à conversão neoliberal de Schröeder, Blair e dos seus pares."
A seguir atentamente a evolução relativa do SPD e deste novo partido.

O anúncio dos investimentos na OTA e no TGV provocaram um coro de protestos na blogosfera. Coro esse, que é bom dizer, ultrapassa largamente as tradicionais barreiras da esquerda e da direita, embora na blogosfera exista desde há muito a "terceira via" que o saudoso "País Relativo" baptizou de "para além da esquerda e da direita". Até aí tudo bem o que não se compreende é a posição tomada por alguns ex-governantes do PSD que aparecem com insinuações sobre as nomeações que ocorreram por exemplo na CGD(*).
Apetece perguntar: o que é que se passava no tempo do PSD? Quem nomeava quem? Já existia o Grupo Espírito Santo? E Stanley Ho já tinha iniciado a sua actividade empresarial em Portugal? E já influenciava as decisões políticas? Ou tudo começou a 20 de Fevereiro e estamos, afinal, perante uma maquinação do povo português?
(*) - sobre as posições do signatário reltivamente a estas nomeações estão disponíveis, mais abaixo, para leitura.
(continua)

mensalão

Só quero esclarecer que a chamada telefónica que recebi ontem do BES era apenas para responder a um inquérito telefónico relacionado com a satisfação do serviço ao balcão.

Obrigado pela atenção.

Bush defende que os jovens americanos tenham acesso a teorias alternativas à teoria da evolução para explicar a criação do Universo. O presidente americano aparece como defensor da teoria criacionista que defende que o Universo foi criado por uma inteligência superior. Uma teoria desprovida de qualquer rigor cientifico e que, afinal, a própria existência de Bush facilmente permite por em causa.

Ninguém tem notícias do ministro António Costa. Sabemos que assumiu, interinamente, o lugar de primeiro-ministro durante as férias de José Sócrates. Mas numa altura em que o País arde de Norte a Sul é estranho nunca aparecer o ministro com a tutela a dizer alguma coisa ou a explicar ao País o caos instalado. Parece que a coordenação de meios e a afectação de meios humanos e materiais deixa muito a desejar. Ora isso pressupõe a existência de responsabilidades políticas.
Com estes fogos dramáticos - que se repetem ano após ano - no passado recente vários ministros foram diariamente "esturricados " em directo nas televisões.

é o valor da indemnização que os administradores da Caixa Geral de Depósitos, agora demitidos, vão receber. Um Estado tão "alegremente" gastador não tem moral para exigir sacrifícios aos seus cidadãos. Campos e Cunha tinha uma rigorosa noção disto mesmo.

PS - O PSD nestes processos de nomeaçõe e demissões políticas tem alguma moral para vir agora falar em saneamentos políticos?

Na edição de Julho/Agosto da excelente revista "Arquitectura e Vida" uma entrevista com o arquitecto Carlos Ramos. Autor de várias obras entre as quais o Cinema Restelo e o lindíssimo Estádio do Restelo mas sobretudo, na minha opinião de apaixonado pela cidade de Lisboa, co-autor, com o seu pai - Carlos C.Ramos - e com João Simões, dos magníficos edifícios da Praça Marquês de Pombal.
A lucidez de Carlos Ramos, nos seus oitenta e três anos de vida, permite-lhe afirmar: "Acho verdadeiramente insólito que a Casa da Música tenha custado cerca de três vezes aquilo que estava orçamentado." Felizmente há pessoas assim, incapazes de se "modernizarem".

Tal como sugeri ontem Campos e Cunha não concordara com as mudanças na Caixa Geral de Depósitos. O Público traz hoje essa notícia no seu Destaque. Jorge Sampaio também não ficou satisfeito com o processo pois terá sido ignorado por José Sócrates. Mas relativamente a Jorge Sampaio há uma nuance: Armando Vara tinha sido demitido de ministro da Administração Interna por sua expressa pressão, após a descoberta do escândalo da Fundação para Prevenção e Segurança. A nomeação de Vara é uma pequena vingança servida pelo amigo Sócrates.


Na rotunda de acesso ao Terminal XXI e à praias de S.Torpes podemos verificar que a um tempo tão bom como aquele que tem estado nem a poluição resiste. O "efluente gasoso" que sai da chaminé da GALP, em Sines, não resistiu aos apelos da praia e toca a mergulhar que se faz tarde. Mergulho logo à boca da chaminé o que exige uma técnica apurada. Esta imagem terá alguma coisa a ver com o "discreto" pivete que se podia cheirar ao longo do extenso areal?

PS - autorizamos a utilização desta foto à Comissão Municipal que há anos tenta, debalde, identificar as fontes da poluição atmosférica no concelho. Não possuimos infelizmente nenhuma versão em Braille.

Esta nomeação foi uma Vara cravada na credibilidade do Governo. Será que Campos e Cunha teria concordado com esta nomeação? Será que as "razões" de Campos e Cunha se limitaram aos projectos da OTA e do TGV?

Obviamente não se responde a anónimos. O anonimato é tão somente uma manifestação de cobardia.

Todos se lembram da reacção do PS quando o Governo de Santana Lopes arranjou um "tacho" para Celeste Cardona na administração da Caixa Geral de Depósitos.
O Governo de José Sócrates acaba de nomear Armando Vara para essa administração ao mesmo tempo que substitui Vitor Martins na presidência mantendo, até ao final do mandato, Cardona e Norberto Rosa, da área PSD/PP, além do socialista Gonelha. Será que desta vez o critério foi o currículo profissional ou o mérito na área bancária? Todos sabemos a resposta. Faz o que eu digo não faças o que eu faço. Mais do mesmo. O bloco central dos interesses e do compadrio no seu esplendor.

FMM

Encerrou a sétima edição do Festival de Músicas do Mundo que, como habitualmente, trouxe ao Castelo de Sines músicas de todos os cantos do globo e gente de todas as paragens.
A sétima edição experimentou uma versão maximalista, muito influenciada pelas particularidades do ano, e cuja sustentabilidade é no mínimo discutível. O Festival estendeu-se ao longo da noite, durante os três dias, baixando à Avenida, e estendeu-se espacialmente no concelho com a realização de alguns eventos em Porto-Côvo.
O FMM é uma realização importante para o concelho de Sines e deve continuar. Por isso defendi que os candidatos autárquicos deveriam esclarecer a sua posição sobre esta matéria. Mas isso não significa que o FMM seja a manifestação da existência de uma política cultural ou que seja sequer uma base para uma política cultural no concelho. Para isso não basta ter dinheiro e organização, neste caso ao seviço de uma boa ideia. É necessário ter respeito pelos actores individuais e colectivos e capacidade democrática para conviver com a crítica e com a diferença. Ora sendo a regra a eliminação e a exclusão dos actores e a sua substituição por correligionários e/ou por funcionários nada de bom daí virá. Por muitas infraestruturas que se construam a política cultural tem que emanar da sociedade, dependendo sobretudo do capital humano que se estimula ou não, que se acarinha ou se exclui. Infelizmente, para os que padecem de um incontrolável défice democrático, o capital humano não se pode funcionalizar. E ainda bem senão "reinariam", com a sua corte, sobre o mundo dos simples mortais.
Voltam agora, ao concelho de Sines, os dias tristes e vazios do costume. Hoje primeiro dia de Agosto parece que acabou o Verão. As pessoas que durante três dias encheram as ruas da cidade, os cafés, os restaurantes partiram. A Zona Histórica ficou vazia e triste sob a luz amarela dos "novos" candeeiros de estilo, da iluminação pública. Não se pode comprar animação para um mês ou para um ano. A vida não é um festival. A cidade antiga volta depois dos últimos aplausos para mostar, cruel, que os problemas permanecem.
Os três dias do Festival recuperam aspectos da vivência de Sines até ao final da década de oitenta, príncipio da década de noventa. Uma cidade democrática, lugar de encontro(s), porto de chegada e de partida, lugar de troca e de descoberta. Uma cidade que se organizava à volta do espaço público, nas ruas da Zona Histórica, nos seus bares e cafés, nas praças e nos largos, nos muros da praia, junto ao Castelo. Uma cidade interclassista. O Festival na sua ideia original homenageava esse espiríto. O espírito da viagem do Gama, de dar novos mundos ao mundo, trazendo até nós gentes e músicas que a globalização torna dispensáveis e marginais. A ironia está no facto de esse espírito ter desaparecido. Não por uma qualquer fatalidade mas sim fruto de opções políticas concretas que fazem da cidade aquilo que ela é hoje. A segunda ironia reside no facto de os responsáveis políticos e os maiores financiadores do festival, serem os mesmos que conduziram a cidade de Sines ao actual beco sem saída. Com uma triste eficácia.

A questão suscitada na Bloguítica já encontrou resposta. No BdE -Blogue de Esquerda são revelados os nomes dos felizes proprietários dos terrenos: duas empresas ligadas ao imobiliário - Tiner/Renit e Turiprojecto - e a ESAF, uma empresa do grupo Espiríto Santo.
A oeste nada de novo.


 

Pedra do Homem, 2007



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