Fernando Santo, bastonário da Ordem dos Engenheiros, comemora hoje um ano de mandato. Em declarações à Antena Um fez algumas afirmações importantes:
- Há uma menorização da actividade dos engenheiros em Portugal.
- Se tudo continuar na mesma dentro de alguns anos não haverá engenharia portuguesa.
- As pessoas falam de qualidade de construção mas querem pagar pelo projecto e pela fiscalização menos do que pela actividade de mediação imobiliária.
Eu acrescentaria que nalguns casos há mesmo uma, ignorante e retrógrada, diabolização da actividade dos engenheiros. Que faz o seu caminho, na nossa sociedade, e que se coloca hoje no campo das coisas socialmente adquiridas, no campo do politicamente correcto.
Nas questões do urbanismo e da construção, os engenheiros - civis neste caso - são os maus da fita. As cidades são horríveis? A culpa é dos engenheiros. As cidades são feias, com uma arquitectura sofrível ou mesmo péssima? A culpa é dos engenheiros!
Aquela obra notável que a todos espanta, e que é referida em toda a comunicação social, terá tido a participação de algum engenheiro quer na fase de projecto quer na fase de construção? Se teve, ninguém sabe
No entanto, o Bastonário tem os meios e a legitimidade para alterar esta situação. Defendendo a actividade dos engenheiros. Foi para isso que foi eleito. Necessita do apoio de todos os engenheiros. Necessita de ser firme e claro na repressão de práticas profissionais indignas. Citando um conhecido professor de finanças, promovendo " a boa moeda " e ajudando a expulsar a "má moeda".
«PS confirma candidaturas de Carrilho e Assis às câmaras de Lisboa e Porto»
Parece-me que, desta vez, se o nosso 'Pedro' se candidatar, não terá muitas hipóteses com o famoso argumento do 'colo'...

A medida em que me meço
Mede a medida de um ponto
De encontro do que conheço
Co´aquilo com que não conto
Ponto de encontro da sorte
Com o traçado da corrida
Em que a coragem na morte
Nasce do medo da vida
Veneeno,punhal,saída
Porta aberta para o fim
Loucura comprometida
Com o que conheço de mim
É nesse ponto-momento
Que no limite do excesso
Me transformo no que invento
E finalmente apareço
Ponto de Encontro - Na Linha da Vida/ Camané
No dia 5 de Abril a Biblioteca-Museu República e Resistência relembra José Barros Moura, o ex-deputado falecido em 2003. Barros Moura foi militante comunista até ser expulso em 1991, tendo sido deputado europeu por este partido. Foi depois deputado europeu e deputado nacional pelo PS. Presidiu à Assembleia Municipal de Felgueiras tendo denunciado a gestão da sua camarada Fátima Felgueiras. Foi por isso, vergonhosamente, afastado das listas de deputados do PS. Tinha razão quanto à senhora e à sua gestão - do tipo "saco azul".
Defendia uma significativa mudança na forma de governar as autarquias. Era um homem avançado para o seu tempo e para o seu País. Que mostra uma extrema relutância em "sair do pântano".
Foi anunciada a candidatura de Catarino Costa à Câmara de Setúbal pelo PS. Trata-se do actual presidente da comissão política concelhia.
Esta escolha parece indicar que o PS desistiu, desde já, de conquistar a autarquia que a CDU recuperou em 2001.
Mas tem um significado político que, aliás, se percebe pela simples observação dos protagonistas; apesar de algumas mudanças na liderança distrital não existe qualquer renovação nas estruturas locais do PS. Os protagonistas arrastam-se desde há décadas. Sempre as mesmas caras. Sempre a mesma falta de visão e de perspectiva.
A lógica de mudança e de renovação é meramente familiar. Como se a democracia e a monarquia fossem uma e a mesma coisa. A família Catarino Costa é disso um bom exemplo.
Carlos Sousa pode avançar tranquilo.
Os candidatos do PS às autarquias de Lisboa e Porto foram formalmente anunciados pelo coordenador socialista das autárquicas, Jorge Coelho.
Boa escolha em Lisboa. Julgo ser a melhor possível por muito que isso custe ao líder da concelhia socialista e a outros. As sondagens, os apoios fora do partido e a ausência de alternativas ditaram a sua lei.
Tudo parece indicar que desta vez não vai haver coligações. O BE e a CDU não vão entender-se, cada um deles a fazer uma leitura diferente da sua influência política na capital. O BE lembrando os resultados das últimas legislativas superiores aos da CDU. A CDU lembrando a influência autárquica que acumulou ao longo de anos.
No entanto Carrilho pode ganhar sozinho. Santana Lopes com o seu regresso facilitou como nunca a vida ao PS. A hipótese da sua candidatura constituiria, depois de tudo o que se passou, o cenário mais animador para o PS e para toda a esquerda. A candidatura de Carmona Rodrigues, o melhor que o PSD tinha à mão, foi muito prejudicada pela forma como Santana o remeteu a um papel secundário nestes meses que faltam até Outubro.
Não será improvável termos na Câmara de Lisboa um cenário muito semelhante ao verificado nas eleições de Fevereiro. Uma esmagadora maioria de eleitos de esquerda e o PS com maioria absoluta ou quase.
O Porto e Assis são outra coisa. A coligação está fora de questão. É conhecida a posição do BE relativamente à actuação da CDU no consulado de Rui Rio. Mas quer-me parecer que a esquerda subestima a capacidade e a influência de Rui Rio. E quanto a Assis... não me parece.
O grupo PT como se sabe lucrou, em 2004, qualquer coisa como 500 milhões de euros. Eufóricos com a excelência do resultado a empresa decidiu, para comemorar, despedir, imediatamente, 1000 trabalhadores. Irá gastar com isso metade dos lucros de 2004.
Na minha humilde condição de cidadão dei por mim a pensar num cenário alternativo de aplicação dos lucros e que era basicamente o seguinte:
- Em primeiro lugar a empresa reflectia parte desses lucros numa significativa diminuição do preço dos (chocantemente caros!!!) serviços prestados
- Em segundo lugar aplicava a parte restante na reposição dos serviços às populações que a empresa, e os seus magníficos gestores com a cumplicidade do Estado, destruíram ao longo dos últimos anos. Com uma grande eficiência assinale-se.
Como na empresa ninguém liga a este cenário alternativo, da mesma forma que não ligam minimamente aos interesses das populações, tentei perceber porque razão a empresa continua a existir.
Os princípios da economia do mercado dizem que numa lógica de equilíbrio entre a oferta e a procura quando o preço é alto a procura baixa pelo que existe a necessidade de baixar os preços e assim sucessivamente. Como é possível existirem empresas que vendem muito acima do preço de custo, com diminuição da qualidade do serviço, com lucros crescentes e conseguem ainda assistir, ironicamente, ao aumento da procura?
Alguém me sugeriu que a lógica da economia de mercado não se aplica aos monopólios mesmo aos disfarçados.
Como deveríamos neste caso chamar à entidade responsável pela garantia da defesa dos direitos dos consumidores (existe?)? Talvez "comissão empenhada por zelar pela boa saúde dos monopólios".
PS - A PT leva neste momento 48 horas para voltar a ligar o telefone, de um particular ou de uma empresa, após ter sido efectuado o pagamento da quantia em falta. A alternativa é pagar numa loja Portugal Telecom. Encontrar uma loja Portugal Telecom é trabalho para a mais avançada "arqueologia" das comunicações. Podemos encontrar "o sítio" onde "antigamente" funcionava pois em Portugal foram quase todas fechadas. Alguém será capaz de explicar a estes senhores que 48 horas, hoje, é muito mais tempo do que 10 dias há cinco ou seis anos atrás?
Vou tentar não me atrasar novamente com o pagamento sob pena de ter que ir a Lisboa pagar o telefone à Andrade Corvo, para não ter que esperar 48(000000)horas pela ligação. Nunca gostei da monarquia!!!
O livro do filósofo José Gil é um daqueles que uma vez iniciada a sua leitura é difícil de interromper. Uma vez lido, e mesmo ainda durante a leitura, torna-se motivo de conversa com os nossos amigos e conhecidos igualmente "absorvidos" pelo "O Medo de Existir".
Já não sei qual a causa próxima que me levou a adquirir o livro, mas admito que tenha sido a notícia da publicação acompanhada da referência ao facto do filósofo ter sido classificado como um dos 25 mais importantes pensadores do nosso tempo. A razão mais forte terá sido, no entanto, tratar-se de uma reflexão sobre a situação de Portugal.
As ideias de José Gil, as suas teses, são facilmente(?) compreensíveis mesmo se nunca tínhamos pensado nelas.
Dois conceitos entre outros: Portugal o país da "não-inscrição" e a sociedade portuguesa como "espaço não público".
José Gil identifica Portugal como o País da não inscrição sem que essa situação se tenha alterado com o 25 de Abril. Esse conceito traduz a dificuldade que temos em lidar com o passado, o desejo de apagarmos o que nos desagrada, como se nunca tivesse existido. A inscrição, segundo o autor, implica "acção, afirmação, decisão com as quais o indivíduo conquista autonomia e sentido para a sua existência. Foi o salazarismo que nos ensinou a irresponsabilidade – reduzindo-nos a crianças, crianças grandes, adultos infantilizados."
Com o 25 de Abril, segundo o autor, Portugal fez a não inscrição da ditadura, longa de 48 anos, no real. O perdão aos Pides e aos responsáveis políticos pretendeu "recobrir com um véu a realidade repressiva, castradora, humilhante de onde provínhamos."
A situação actual é marcada pela não-inscrição associada à dominância do discurso político "as únicas oportunidades para inscrever o que quer que fosse da existência individual ou colectiva deviam necessariamente passar pelo poder político." O autor identifica várias manifestações dessa não inscrição com factos que no passado recente envolveram protagonistas do sistema político que apesar de apanhados em ilegalidades ou envolvidos em escândalos não deixaram de regressar "à tona incólumes" e reassumirem os seus privilégios. "Nada tem realmente importância, nada é irremediável, nada se inscreve." Cada um de nós pode referir, da sua experiência pessoal, dezenas de exemplos de não-inscrição: aquele senhor, muito bem visto na terra, que fez fortuna, sem nenhum esforço, com a valorização dos seus terrenos decidida pelo seu "compadre" que é autarca; o senhor autarca, ainda hoje capaz de ganhar sucessivas eleições lá na terra, que comprou uma bela casa para a filha em Lisboa, porque o seu compadre é agradecido e um homem tem que ter algum proveito; aquela gente toda que aplaude a fuga à justiça da sua presidente da Câmara; aquele jovem engenheiro municipal, do partido, "muito competente" que fez fortuna em pouco tempo e deixou a câmara muito mais pobre ou aquele senhor do partido que foi dirigir uma empresa do Estado e ficou rico embora a empresa tenha empobrecido, e que lá na terra é uma pessoa muito estimada, sempre disposto a ajudar os pobres. A tudo vamos assitindo e comentando "é a vida".(…)
O PS vai confirmar Carrilho como o seu candidato à Câmara de Lisboa. Tudo o indica. Ferro Rodrigues desistiu de se candidatar. Está com outras ideias. E João Soares não pareceu convincente, na sua tentativa de regresso, com a exigência, inesperada, de que não o retirassem das sondagens.
Julgo ser o melhor candidato possível. Tem capacidade política, prestígio nacional e internacional. O facto de ter sido ministro da cultura não é irrelevante para um bom desempenho. As questões culturais são hoje questões maiores da cidadania e de um moderno projecto da cidade.
Carrilho diz que aprendeu muito no último ano. É bom sinal. Espero que consiga apresentar um projecto de candidatura inovador, socialmente empenhado, capaz de inverter a lógica dominante de produção de uma cidade para os “happy few” uma cidade que excluiu para as periferias - 300 mil entre 1981 e 20001 - aqueles que todos os dias são necessários para nela trabalharem. Uma cidade democrática, interclassista, multicultural, com um espaço público qualificado, uma cidade libertada do sufoco e da ditadura da circulação automóvel.
A notícia de que Sócrates apoia a ida de Guterres para a chefia do ACNUR parece confirmar a ideia de que o antigo primeiro-ministro socialista não será o candidato presidencial do PS.
Não sendo Vitorino a alternativa, como se sabe não foi por essa razão que recusou ir para o governo, quem será que Sócrates vai tirar da cartola?
Do meu ponto de vista Freitas do Amaral não abdicou definitivamente do seu "sonho" presidencial, contrariamente a algumas leituras, apressadas, feitas logo após o anúncio da sua presença no governo. Acho, aliás, que a sua presença no governo e o, esperável, ataque de que tem sido alvo por parte da direita melhoram as suas, já elevadas, possibilidades de se constituir como o "candidato das esquerdas".
Mas existe ainda Ferro Rodrigues que acabou de recusar ser candidato a candidato para a Câmara de Lisboa, evitando uma corrida contra Manuel Maria Carrilho. Não é a primeira vez que se fala da hipótese presidencial para o popular ex-líder do PS. A julgar pelos resultados que o partido obteve sob a sua liderança e tendo em conta a sua influência à esquerda dificilmente se encontrará melhor candidato.
Não deixaria de ser uma ironia suceder ao seu "amigo" Jorge Sampaio, mantendo a linha "sampaísta" em Belém. Tudo depois de uma demissão provocada pela famosa decisão de Sampaio de aceitar Santana Lopes como herdeiro de Durão Barroso.
Quer Freitas quer Ferro são bons candidatos contra Cavaco, aquilo que muita gente - a começar pelo próprio (?) - não acha de Guterres.
O PS não vai avançar com a revisão da lei eleitoral autárquica antes das eleições. Augusto Santos Silva mostrou-se céptico em relação a esta revisão argumentando que existiam muitas dúvidas sobre a razoabilidade de rever uma lei eleitoral em ano de eleições.
Este argumento já foi utilizado noutras ocasiões com a mesma eficácia.
O bloco central, que transmite muitas vezes a impressão de ir mudar a lei, ano após ano, com base em diversas “dúvidas de bloqueio”, mantém tudo na mesma.
A posição do PSD neste processo é de um claro oportunismo político quase a roçar a chantagem política.
Antes de 20 de Fevereiro o PSD acusou o PS de ter retirado a lei cuja aprovação então se anunciou. Já então o PS argumentou com a falta de consenso para justificar a sua retirada. Nessa altura o PSD, pela voz de Rui Rio, deixou claro que o PSD aceitara o projecto do PS.
Agora veio impor a aprovação da "sua lei" para permitir viabilizar a revisão constitucional. Um projecto de lei disparatado que parece ter como único objectivo melhorar a governabilidade das autarquias. Uma falsa questão. O que interessa é reforçar o controle democrático do exercício do poder, combatendo o caciquismo emergente e restituindo democraticidade ao exercício do poder local.
Luís Filipe Menezes, o ex-futuro próximo candidato à liderança do PSD – será derrotado por Luís Marques Mendes, naturalmente apoiado por uma extraordinária "maioria albanesa" – teve uma boa ideia. Todas as boas ideias merecem divulgação. O homem defende que na formação dos executivos municipais a escolha possa incidir sobre todos os cidadãos eleitores do concelho e não ficar limitada ao conjunto dos deputados municipais.
Podia ser a única boa ideia de Luís Filipe Menezes mas já lhe dá alguma vantagem sobre Marques Mendes que ainda não teve nenhuma.
Na última quadratura do Círculo, Lobo Xavier manifestou a sua convicção de que o PS irá, mais tarde ou mais cedo, aumentar os impostos. Quais? Segundo Lobo Xavier o PS irá aumentar aqueles que mais agradam a Francisco Louça e ao Bloco de Esquerda, isto é, os impostos sobre os lucros dos bancos, sobre as mais-valias bolsistas e sobre as grandes fortunas.
Percebe-se a ideia de condicionamento da acção do Governo, vinda de quem vem.
Não deixa de ser,ironicamente,um bom conselho. Mas,certamente,Lobo Xavier pode dormir descansado.
O dia da Água e o enorme, e tristemente inútil, lago do Alqueva
Posted by JCG at 3/23/2005 02:19:00 p.m.A propósito do dia da água a Antena Um promoveu um debate sobre a situação de seca no Alentejo, no contexto da existência do Alqueva.
O que mais me chamou a atenção foi uma intervenção "contundente" de um senhor Carlos Silva que suponho ter um cargo de grande responsabilidade na empresa gestora do projecto do Alqueva.
O referido senhor – confrontado com o facto da água existir armazenada na grande barragem, mas não existir no local onde faz mais falta, os campos secos do Alentejo– explicou que existe um tempo "enorme" entre a decisão de construir uma determinada obra e o momento em que essa construção se pode iniciar. E enumerou os meses gastos com a adjudicação do estudo prévio, a execução do mesmo, a sua aprovação, o concurso para adjudicação do projecto de execução, o prazo para a sua execução, a sua aprovação, o concurso para a adjudicação da empreitada de construção e a sua adjudicação, além da questão dos financiamentos. Muitos meses, vários anos concluiu, esmagador, o referido senhor.
Não explicou, no entanto, qual a razão pela qual só agora estão em construção as obras que permitirão levar a água aos que dela necessitam. Ou melhor porque razão existe uma diferença de tantos anos entre o dia em que a água está armazenada e o dia em que as populações podem utilizá-la, pelo menos para rega e para matar a sede aos animais.
É que a sua “lógica aditiva” tinha um pequeno buraco negro. Nada dizia sobre o método de determinar a data a partir da qual se deve contar aquele tempo todo que as coisas levam a "organizar-se", segundo a sua douta explicação. Há um método, muito aplicado no nosso País, que é o de que o tempo conta desde que "a gente" se lembra. Há um outro, em franco desuso, no qual o tempo é contado de forma regressiva a partir do dia mais próximo em que "a coisa" pode estar ao serviço dos seus destinatários.A este método, os mais antigos, chamavam planeamento.
Todos sabemos já que não foi este o método utilizado e que há um “buraco negro” nesta história. Por onde, aliás, escorre, inútil, a água do Alqueva.
A pergunta que o PS pretende colocar aos portugueses, no referendo a realizar brevemente, sobre a interrupção voluntária da gravidez (IVG) é a mesma utilizada no referendo de 1998. Um disparate. A questão é a de saber se concordamos ou não com a despenalização da IVG até às 10 semanas. O resto, as condições em que essa interrupção é realizada, está coberta pelas leis gerais, e não vem agora ao caso. Vital Moreira explica tudo aqui.
O ministro das finanças mostrou que está mais adaptado às necessidades da actividade política. Instado pelo PCP sobre quais as circunstâncias em que poderia aumentar os impostos - a mais ingénua das perguntas disponíveis - respondeu que "não gosto de falar sobre cenários".
Já se percebeu que o Governo não quer aumentar os impostos mas não está seguro de o conseguir evitar.
Já se percebeu, igualmente, que a oposição vai insistir por aí.
Nos próximos meses chova ou faça sol lá virá a pergunta sacramental " vai ou não aumentar os impostos?"
Importante, no programa de governo, a questão do combate à pobreza com uma prestação suplementar de forma a que nenhum idoso receba menos de 300 € por mês. Mas a causar alguma decepção a calendarização apresentada. Em 2006 beneficiam os idosos com mais de 80 anos e só no final da legislatura estarão a beneficiar todos os idosos com mais de 65 anos. Fica muita gente de fora.
A oposição estava tão fixada nos impostos que não apareceram críticas a este respeito. Os idosos mais pobres, muito esperançados nesta medida, irão ficar decepcionados.
Fica uma declaração de Sócrates de que importa corrigir as condições estruturais que fazem do nosso País aquele com a mais injusta distribuição da riqueza. Aguardam-se esclarecimentos futuros sobre essas condições estruturais e sobre as soluções.
Importante também o facto de o primeiro-ministro ir participar activamente no referendo para legalizar a interrupção voluntária da gravidez e a rápida iniciativa da bancada do PS nessa matéria.
E o fim do escândalo das férias judiciais de dois meses. Um mês para todos. Somos todos iguais quer os senhores magistrados queiram ou não.
Tempos difíceis mas alguma esperança de trabalho árduo e com "trambelho" . Coisas boas e coisas menos boas numa primeira impressão positiva.
O mau tempo beneficia a equipa que joga pior, não é?
Infelizmente ainda não sabemos que impressão causou em Luís Delgado a apresentação do programa de governo.
Enquanto não esclarecemos esta dúvida resta-nos reflectir sobre as exigência que o Luís coloca ao novo executivo. Diz ele "o que se pede a Sócrates, e ao seu novo Governo, com uma maioria absoluta, é que tome todas as decisões que o país exige e carece, sem desculpas ou medos inexistentes." Como?
"Não é crime ter contas lá fora"
"De bons gestores está o país cheio, mas é fundamental que haja visão estratégica e sonho."
"Não ponho a hipótese de ser constituído arguido."
"Continuo a não ter carro próprio, fiz férias no estrangeiro uma única vez na vida."
" eram aplicações familiares, do meu sobrinho, da minha irmã e minhas.(acerca da conta na Suiça)"
Com a devida vénia ao Expresso do dia 19-03-2005
Para a posição do BE de recusar alianças com o PS e a CDU no Porto. A explicação dada por Teixeira Lopes foi a de que "para o BE é absolutamente impensável participar numa coligação política que tenha a CDU como parceiro activo, porque a CDU é cúmplice activa das políticas de direita na Câmara do Porto." O deputado do BE pelo Porto esclareceu ainda que foi com a abstenção da CDU que sucessivos orçamentos municipais foram aprovados e que "o voto salvador do PCP permitiu a aprovação do Plano Director Municipal."
Talvez estejamos perante um desvio, do vereador Rui Sá, em relação "ao projecto autárquico do partido" para recorrer à expressão utilizada por Jerónimo de Sousa para mostar o cartão vermelho ao, renovador, presidente da Câmara do Redondo. Aguardemos.
Há na posição do BE uma inquestionável razoabilidade política. A mesma que não se descortina na posição do PS de querer fazer uma aliança com a CDU, aliada de Rui Rio.
Fernando Ruas admitiu a realização de acções de fiscalização nas câmaras municipais pelo menos uma vez por mandato, para prevenir a corrupção. "Os municípios deviam ser fiscalizados, pelo menos, uma vez por mandato" e não de sete em sete anos, como se faz actualmente, "porque estas questões devem ser transparentes", disse o presidente da ANMP, citado pelo Público, a propósito da "alegada corrupção" nas autarquias.
Eis um, aparente, grande progresso.(A denúncia de Saldanha Sanches já começa a dar algum resultado).
Falta o resto. Para que essa fiscalização possa acontecer importa que os quadros da IGAT e da IGF sejam reforçados, com pessoal qualificado. A falta de recursos, sobretudo humanos, mas não só, nessas instituições impede, há muitos anos, qualquer acção minimamente eficaz no sentido de prevenir e evitar a corrupção e as práticas lesivas do interesse público. Essas, como a generalidade dos cidadãos bem sabem, têm prosperado.
E já agora importa que essas instituições sejam desgovernamentalizadas. Tal como as coisas estão continuaremos a assistir a mais ou menos um “saco azul” por legislatura, para que tudo continue na mesma.
Para hoje, dia 19 de Março de 2005:
Baixa Mar
Manhã: 05h53
Altura: 1,5
Tarde: 18h06
Altura: 1,5
Preia Mar
Tarde: 12h06
Altura: 2,6
O resto é uma incógnita.
" Temos de investir noutros aspectos fulcrais, como a construção anti-sísmica. O terramoto de Bam, no Irão, de magnitude 6,3 destruiu tudo. Na Califórnia nem seria sentido. O Irão não tem construção preparada para isso. Presumo que Portugal, que já foi destruído por um fenómeno natural de grande envergadura no passado, saiba que tem de apostar na construção"
Uma opinião qualificada que coloca a questão da qualidade anti-sísmica da construção no seu rigoroso local. A expectativa final é que infelizmente não se adapta ao País do facilitismo. O País onde ainda se ganha dinheiro à custa da segurança das populações.
John Orcutt, geofísico do Instituto de Oceanografia Scripps, dos Estados Unidos, em entrevista ao Público de 16-03-2005
Etiquetas: sismos
Três dias depois do "bombardeamento" com gás, à população de Sines, que aqui relatei, não foi prestado qualquer esclarecimento formal à população-alvo.
Certamente para não nos atemorizar.
A Protecção Civil Municipal, está desaparecida em parte incerta. Ou será que não existe? Mas o seu Presidente é o actual Presidente da Câmara, por inerência de funções ao que julgo.
Ter-se-á demitido?
Estamos neste nível chocante de inacção e de falta de responsabilidade. As coisas acontecem. E pronto.
Algumas socialistas indignadas com a falta de paridade no Governo, avançam agora com uns "Estados Gerais da Igualdade", uma espécie de Forum Nacional sobre os Direitos das Mulheres. A paridade como regra cega é um disparate. Porque razão havia o Governo de ser constituído por mais mulheres? Certamente existem alternativas no campo feminino aos ministros actuais, e não existem alternativas no campo masculino às actuais ministras?
Será que o Governo pelo seu "défice de paridade" é menos capaz do que as listas de deputados em que a paridade foi respeitada?
Já agora se se preocupassem um pouco mais com os direitos dos portugueses em geral.
"Eu gostaria de saber como foi que a administração fiscal tratou o caso de Isaltino Morais". Saldanha Sanches a propósito da defesa do fim do sigilo fiscal para fraudes e crimes fiscais, numa conferência, organizada pela Associação de Estudantes da Faculdade de Economia do Porto, sobre "A tributação dos sinais exteriores de riqueza"
A Pedra do Homem passou a ser comentável. Afiem as espadas.
Uma medida de aplaudir em nome do bom-senso e da boa coordenação da governação.
Sobre aquilo que o Governo pretende fazer à descentralização ensaiada pelo PSD ainda nada sabemos. No entanto as posições de João Ferrão, ou Ascenso Simões, sobre esta matéria levam-nos a admitir que o modelo - ou seria uma trapalhada territorial? - das Grandes Áreas Metropolitanas e das Comunidades Urbanas, vai ser abandonado. E que o processo de preparação de uma verdadeira Regionalização vai ser iniciado. Regionalização que assente na eleição pelo povo de orgãos próprios das regiões. E que seja precedida de uma efectiva reforma do poder local.
Na opinião de Fernando Rosas, expressa no Público de hoje, o povo português tem sido impedido de se pronunciar sobre questões várias como por exemplo a adesão à UE, os tratados de Maastricht e Amesterdão ou a adesão à moeda única.
Agora o mesmo povo está prestes a ser impedido de se pronunciar sobre a Constituição Europeia. Como? Através da manipulação – do PS e PSD – que consiste em fazer o referendo na data das eleições autárquicas.
Os argumentos não me convencem. Acho boa ideia realizar o referendo no mesmo dia das eleições. Aliás o povo português não é estúpido nem manipulável. Que o diga a dupla Portas/Santana. E afinal o resultado do Bloco nas últimas legislativas não é a expressão da sageza do povo e da sua resistência à manipulação?
Mário Soares na Sociedade Aberta – SIC Notícias – de hoje, acerca da decisão de Vitorino de não integrar o governo: Vitorino fez a sua opção de ir para um escritório, de ganhar dinheiro. (…) Mas esteve a fazer o programa do governo, o que é desagradável. (…) Eu não gostei da opção.
PS – citação livre
"Sines tem direito a ter desenvolvimento, que é uma base fundamental para a criação de riqueza, para o bem estar da população. Defendemos que as empresas que cá estejam funcionem bem, tenham resultados, mas respeitem o ambiente. Sines tem direito também a uma vida de tranquilidade, de conforto, uma imagem positiva, com coesão social, onde as pessoas que cá vivem se sintam bem e gostem de cá estar e as que nos visitem tenham o mesmo sentimento.”
Manuel Coelho, Presidente da Câmara Municipal de Sines
P.S.: Texto retirado desta página do sítio do Município de Sines.
Do Ministério do Ambiente respondem que não está ninguém. E com uma entoação irónica acrecentam: "mas como podemos saber alguma coisa se Sines fica tão longe". A tecnologia do olfacto ao serviço do ambiente.
Da protecção civil nacional ligam-me aos Bombeiros de Sines. Ninguém tinha ligado até agora. O problema não existia e continua a não existir.
Acabou a semana da mulher, está quase a começar a semana da juventude. A luta continua.
Morre-se devagarinho. Mas morremos todos os dias, sob o alto patrocínio de quem fecha os olhos e de quem não quer ver. Morremos todos. Todos.
São 21h 50 m e o ar em Sines está irrespirável. Cheira a gás em toda a parte. Nem as portas e as janelas fechadas nos safam. Cada dia que passa a situação ambiental no concelho piora.
Pela segunda vez em menos de uma semana somos bombardeados com gases que tornam o ar irrespirável e nos fazem temer, cada vez mais, pela nossa saúde.
A canalha responsável por estas agressões está longe deste lugar irrespirável.
Os nossos autarcas "jazem e arrefecem" preocupados, apenas, com os financiamentos para as próximas "campanhas". Já perderam o cheiro há anos. Cheiram outras coisas.
Provisória desde sempre e para o resto da vida. Definitiva meu caro JPL.
Ansiedade
Quero compor um poema
onde fremente
cante a vida
das florestas das águas dos ventos.
Que o meu canto seja
no meio do temporal
uma chicotada de vento
que estremeça as estrelas
desfaça mitos
e rasgue nevoeiros
- escancarando sóis!
Manuel da Fonseca
Até quando?
Queima na 'flare' provisória da CNP; aliás, Neste; aliás, Borealis; aliás, Repsol. Sines - Terminal Portuário.
Até quando?
(José Pedro Lucas)
… aluga casa.
Afinal o homem optou pelo aluguer. Será que tem consciência da não publicação da Lei das Rendas? Triste história esta do “o que é que vai fazer Santana?” Afinal um homem é presidente da Câmara da capital, está para se candidatar a Presidente da República, é nomeado para primeiro-ministro de Portugal, é eleito deputado e de repente parece um pobre trabalhador do Vale do Ave, sem emprego e sem casa. Tão "desesperado" que resolve voltar à Câmara, embora “fontes santanistas” - ou serão satânicas? – assegurem que “Santana quer uma vida profissional que seja financeiramente vantajosa”.
Falta de tudo, como já se sabia.
Marques Mendes considera urgente mudar a legislação autárquica, de forma a poder contemplar já as eleições de Outubro. Aplauso. Mendes quer simplificar a vida autárquica. De acordo com as suas declarações importa tornar as autarquias mais governáveis, introduzindo o princípio das maiorias absolutas automáticas. Asneira.
O problema das autarquias não é a dificuldade na sua governação. Os seus autarcas, por exemplo no Alentejo, poderão explicar-lhe como já várias vezes, com o seu voto solitário, transformaram uma maioria relativa numa maioria absoluta. O problema está no controle democrático do exercício do poder local e na escalada do presidencialismo. O problema está na ausência de alternância democrática ao nível local e na ausência de condições que favoreçam a livre expressão política das oposições. O problema está num caciquismo, cada vez mais emergente, fomentado por sucessivas alterações legislativas, e pela não limitação de mandatos.
Algumas propostas simples para ajudar a resolver o problema:
1 - limitação de mandatos(de preferência 2 e não três como defendem PS e PSD);
2- reforço, significativo, dos poderes e das competências, das Assembleias Municipais (num estado comatoso hoje em dia, verdadeiras inutilidades políticas, tristes câmaras de ratificação das decisões dos executivos);
3- fim das eleições para presidente da Câmara (eleito na primeira sessão da Assembleia Municipal a partir da lista do partido mais votado) ;
4- executivos homogéneos, como defende o PS( e não defende o PSD, com a bizarra regra da “quase proporcionalidade”);
5- fim da legitimidade eleitoral dos vereadores, que passarão a ser escolhidos pelo Presidente da Câmara para formar o governo municipal. Ou entre os membros da Assembleia Municipal, como defende o PS, ou admitindo que a escolha possa ser alargada à totalidade dos cidadãos com capacidade eleitoral. Vereadores que poderão ser naturalmente substituídos como acontece com qualquer ministro;
Por fim aplicação da regra adoptada para a limitação dos mandatos ao tempo de exercício de funções já decorrido. Para evitar a continuação do pântano.( em memória de José Barros Moura) Mudar sem ir à essência da questão é asneira da grossa!
No Público de hoje uma pequena manifestação de indignação. Aqui manifestada no blogue na passada quinta-feira (post. "Más Notícias"). Sobre o relatório, aí referido, importa esclarecer que ele foi elaborado pelo Instituto da Qualidade e não, como erradamente escrevi, pelo Instituto de Soldadura e Qualidade. As minhas desculpas.
O "professor" Marcelo na sua prece dominical observou:" desde Cavaco Silva que um Governo não exibia um nível tão elevado no conjunto dos Secretários de Estado".
Dos ministros esclareceu não poder dizer o mesmo.
Mas este Governo não tem unicamente um nível muito elevado de qualificações no conjunto dos Secretários de Estado. Tem um conjunto de ministros equilibrado e com uma característica interessante: vários deles trabalharam com José Sócrates quando foi ministro do Ambiente e isso permitir-lhe-á, com base no conhecimento anterior, coordenar mais facilmente a sua actividade.
E tem outra coisa relevante. Não estão lá os apoiantes de Sócrates na disputa pela liderança do Partido. Este é um sinal muito positivo. Que os cidadãos certamente valorizam.
Sócrates lidera um Governo com uma legitimidade que lhe vem da decisão do povo português. Tem por isso toda a legitimidade para escolher aqueles que entende serem os mais capazes. Mesmo que isso corresponda a não escolher os "seus".
Este é também um bom sinal.
O Peseiro gosta de imitar as desgraças dos outros. Viu o outro José, o Couceiro, dar de forma tão exuberante as boas vindas ao Nacional e pensou logo em imitá-lo, no jogo com o Penafiel. Deixou de fora alguns dos melhores jogadores para descansarem - que já se aproximam as desgastantes férias. Como, apesar disso, as coisas estavam a correr mal na primeira parte, e o Penafiel não tinha sequer rematado à baliza, Peseiro pôs-se a pensar e lá descobriu a fórmula mágica. Tirou o Hugo Viana e meteu o Rogério no meio-campo. Foi remédio santo. Com o Rogério no meio a lentidão atinge o seu esplendor e o Sporting nunca ganha.
PS - O Hugo é muito bom profisisonal. Falha pouco, só uma ou duas vezes por jogo. Mas falha quase sempre de forma irremediável.
A venda de certos medicamentos fora das farmácias faz todo o sentido. Aliás como fará sentido acabar com o actual esquema de licenciamento das farmácias. Em defesa dos direitos dos cidadãos. Mas essa é uma medida mais difícil.
A venda de certos medicamentos – os de venda livre – fora das farmácias faz-se em toda a Europa. O argumento de que os Portugueses são demasiado estúpidos para poderem ter a possibilidade de comprar aspirinas numa grande superfície, mostra uma grande esperteza por parte de quem o utiliza.
O anúncio desta medida, pelo primeiro-ministro, no acto da tomada de posse do Governo, é, certamente, um sinal político. Espero que queira dizer que os lobbies e as corporações não vão ter dias fáceis.
Eu não gosto do Barnabé. E acho que aqui ninguém o lê. Alguma dúvida?
P.S.: Obrigado, colega. Descobri assim que me encontro no limiar da carência. Será que me desenrascam um jipe?
É o rendimento, colega. Em declarações à Lusa "o presidente da Câmara de Sines, Manuel Coelho, explicou que o valor das rendas foi contabilizado a partir dos rendimentos brutos declarados pelas famílias, de acordo com a legislação".
Em Sines o rendimento bruto dos carenciados pode variar de um para oitenta. Notável. Temos os carenciados com melhores rendimentos deste país.
Noticia o Público, na sua edição de ontem, que as rendas das casas do programa de habitação social da Câmara Municipal de Sines atingem, em alguns casos, valores próximos dos 400 euros.
Considerando que o programa se destina ao realojamento de famílias carenciadas a viver em barracas... É impressão minha, ou há qualquer coisa aqui que não faz sentido?
"O Estado foi apropriado por grupos de interesses e lobbies que envolvem o próprio sistema político. A corrupção existe e está-se a agravar em Portugal."
Há políticos assim. Capazes de manterem a inteligência e a capacidade de análise, sem facilitismos nem concessões. Infelizmente são poucos.
PS - Victor, pois então. O que me safa é o "jogo de equipa". De fazer inveja ao dragão.
Era Victor!, colega, Victor! De nome completo Victor 'Sete-a-Zero' Fernández. Que muita falta faria nesta altura...
Quanto às dúvidas do Mourinho dos 300, que tal ele começar por mudar de treinador?
Hoje somos todos do Nacional da Madeira. Uma vitória clara, por uns irreais quatro secos, em plena casa do dragão, enchem-nos de alegria. Luís Fernandez, o simpático e competente Luís Fernandez, está vingado.
Couceiro afirma que não sabe qual a equipa que irá colocar em campo na próxima quarta-feira em Milão. José não podes manter-te assim, nessa estimável confusão, por mais uns meses?
Já foi divulgada a lista completa de Secretários de Estado. Relativamente àquilo que aqui escrevi acerca da nomeação de João Ferrão importa fazer uma pequena correção: João Ferrão será o novo Secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades. Para a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Regional foi escolhido Rui Baleiras, economista, professor auxiliar da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa. Outra boa escolha. Trata-se de alguém que tem dedicado parte do seu trabalho às questões das autarquias e em particular às questões das finanças autárquicas.
Até quando ficará esta data marcada na História dos Homens?
Usamo-la agora como demonstração da nossa humanidade, como expressão da política sincera ou falsamente defensora dos direitos humanos, da paz e da democracia. Usamo-la como contestação pelas formas mais radicais de crença e luta. Até quando necessitaremos de a relembrar, já que se trata sobretudo de uma necessidade. Os homens têm uma necessidade inata de se tornarem melhores, de melhorar o que está à sua volta. Mesmo os dirigentes políticos de teoria ficam sempre com a impressão que o fizeram; mesmo aqueles que usam os meios mais radicais e desprezíveis, acreditam que estão a lutar por um futuro melhor.
Hoje, como há um ano atrás, só poderei pensar como é injusto morrer-se pelas causas dos outros; como é injusto morrer-se às 7 e meia da manhã a caminho do trabalho, da escola; como é injusto morrer-se numa manhã fria; ficar com a vida incompleta, cortada, numa carruagem entre mil carruagens que passam; como é inaceitável que ainda existam seres humanos duplamente vítimas nas grandes cidades europeias.
Quando ouço o som dos sinos das 650 igrejas da Comunidade de Madrid fico emocionada pela ideia de união por uma causa e penso que esta causa passa também pelos nossos pequenos passos; por repensar o nosso olhar diante do próximo e de nos empenharmos na construção de um mundo que respeite as diferenças culturais e religiosas, no qual as pessoas tenham cultura e compaixão suficientes para que isso seja possível.
João Ferrão aceitou ser Secretário de Estado do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional. Quem escolheu não podia ter feito melhor opção. Pensei, até ao anúncio dos ministros por Sócrates, que seria ele o ministro. Geógrafo, investigador do ICS, com uma importante obra publicada que dá conta de uma das mais estimulantes reflexões sobre as questões do território, do desenvolvimento regional e urbano e do desenvolvimento português no contexto europeu e mundial. Boas notícias pois.
São 19.00 horas e está um pivete insuportável em Sines. Cheira a gás de uma forma violenta. O ar está irrespirável. Os responsáveis por "estas emissões fugitivas" contam os sumptuosos lucros que obtiveram no passado recente. Estão orgulhosos do seu "desempenho ambiental" positivo. Entretanto envenenam-nos da forma mais impiedosa. O próximo governo tem que lidar de frente com esta situação e meter esta gente na ordem. Os responsáveis têm nome: Borealis - agora Repsol - Galp, Central Térmica e todos os outros a quem peço desculpa por ter omitido o nome. E os responsáveis políticos nacionais e locais que têm sido coniventes com estas agressões sistemáticas.
"A casa está construída na duna e separada das outras casas do sítio. Esse isolamento cria nela uma unidade, um mundo. O rumor das ondas, o perfume do sal, o vidrado da luz marinha, o ar varrido de brisas e vento, a cal do muro, os nevoeiros imóveis, o arfar ressoante do mar estabelecem em seu redor grandes espaços vazios, tumultuosos e limpos onde tudo se abre e vibra.
A casa é construída de pedra e cal e a sua frente está virada para o mar.
No andar de cima da fachada há três janelas e uma varanda com grades de madeira. No andar de baixo há três janelas e uma porta. Essa porta, as janelas e as grades da varanda estão pintadas de verde. No chão, ao longo da parede, corre um passeio de pedra que separa a casa das areias da duna.
Para além das dunas a praia estende-se a todo o comprimento da costa e só o limite do olhar a limita. E, de norte a sul, ao longo das areias, correm três linhas escuras e grossas de algas, búzios e conchas, misturados com ouriços, pedaços de cortiça e pedaços de madeira que são restos de bóias e de barcos. (…)
Há na casa algo de rude e elementar que nenhuma riqueza mundana pode corromper, e, apesar do seu halo de solidão e do seu isolamento na duna, a casa não é margem mas antes convergência, encontro, centro.
Quem nas janelas do corredor olha para fora e vê o muro de granito, as árvores na distância e os telhados a oeste, aquilo que vê aparece-lhe como um lugar qualquer da terra, como um acidente, um lugar ocasional entre o acaso das coisas.
Mas quem do quarto central avança para a varanda e vê, de frente, a praia, o céu, a areia, a luz e o ar, reconhece que nada ali é acaso mas sim fundamento, que este é um lugar de exaltação e espanto onde o real emerge e mostra seu rosto e sua evidência.
Pelo gesto de dobrar o pescoço e de sacudir as crinas, as quatro fileiras de ondas, correndo para a praia, lembram fileiras brancas de cavalos que no contínuo avançar contam e medem o seu arfar interior de tempestade. O tombar da rebentação povoa o espaço de exultação e clamor. No subir e descer da vaga, o universo ordena seu tumulto e seu sorriso e, ao longo das areias luzídias, maresias e brumas sobem como um incenso de celebração.
E tudo parece intacto e total como se ali fosse o lugar que preserva em si a força nua do primeiro dia criado."
Sophia de Mello Breyner Andresen. Histórias da Terra e do Mar. Texto Editora , 1990. 4ª ed.
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Vinha agora aqui na tentativa de ser o primeiro blogger a comentar a nomeação dos secretários de estado do Governo Sócrates, mas como não consegui encontrar a lista prometida para hoje nem ver o prolongamento do jogo das Juventus, vou aproveitar para ser o último blogger a comentar a não inclusão do António Vitorino no Governo.
Primeiro, não percebo 'o que é' António Vitorino. Mais do que um Dom Sebastião, o homem é tratado como um semi-deus, quer pelo seu partido, quer pela oposição e pelo português comum. Está bem que cumpriu o maior desígnio a que um português pode aspirar, que é ser considerado 'lá fora', mas começa a ser exagero. Porque é que se pede tanto o Vitorino e não o Tozé Seguro? OK, foi uma má comparação... Pronto, porquê o Vitorino e não o Manuel Alegre? Humm... Estou a ir mal, não estou? Bem, mas a questão é essa: é só mais uma pessoa, não nos vai curar de nós.
No entanto, podemos apontar-lhe uma vantagem evidente: ele cansa-se mais depressa das coisas do que o Santana Lopes. Enquanto este último adora ser candidato a tudo e, quando por sorte ou por destino, a consegue obter, aborrece-se passados seis meses, o instável Vitorino tem o dom de se aborrecer ainda antes de assumir qualquer cargo, numa hiperactividade a roçar o doentio. Fosse o outro como este e tínhamos vivido mais descansados.
Como me sugeriu um amigo meu, esta história do Vitorino e do PS mais parece a relação entre o Rui Costa e o Benfica: sempre que se quer ganhar, apresentam-se os homens como trunfo, mas na hora da verdade, o trofeu é adiado para as calendas. O pior é que, por esta hora, até os sócios do Benfica já começam a desconfiar e a vê-lo fora de prazo...
As autarquias não perderam receita com a entrada em vigor dos novos impostos sobre o património. Pelo contrário a sua receita fiscal cresceu 92,8 milhões de Euros, passando de 1274,8 milhões, em 2003, para 1367,6 milhões de euros em 2004. Como obtiveram do governo de Durão Barroso uma indemnização compensatória, da “previsível” perda de receita, de 120 milhões, as autarquias receberam mais 212,80 milhões de euros.
O desempenho ambiental "positivo" da GALP e as "emissões fugitivas"
Posted by JCG at 3/09/2005 10:48:00 p.m.O DN do passado dia 7 de Março noticiou que a GALP esta "já na posse do relatório de desempenho ambiental que encomendou, no final do passado mês de Outubro, ao Instituto de Qualidade (ISQ)." A notícia salienta que o relatório em questão se refere às refinarias da GALP de Sines e de Matosinhos. Ao que parece as refinarias têm um "sistema de gestão ambiental eficaz e que assegura os requisitos legais" mas que "não está ainda devidamente formalizado para obter normas de qualidade." Ironia do destino o sistema actual de "gestão ambiental" da GALP em Sines receber a certificação de qualidade. Só se estivermos a falar da qualidade da agressão sistemática. Enquanto cidadão residente em Sines acrescento, sem pedir qualquer autorização aos autores do relatório, que a GALP, em Sines, não está devidamente preparada para produzir sem causar danos ao ambiente e à saúde das populações que aqui vivem. Acrescento ainda que confio sobretudo na avaliação que a Comunidade Europeia faz da actuação da empresa. Avaliação essa que "bate certo" com aquela que temos vindo a fazer, os que aqui vivemos, dia após dia, ao longo dos anos. Este relatório, que deve ser público para poder ser discutido pelos interessados, não pode servir para justificar a continuação de uma atitude de "arrastar os pés" – parafraseando o actual primeiro-ministro quando era ministro do ambiente. Atitude em que a empresa se especializou com conivências várias . Apesar dos lucros faraónicos que tem obtido.

Imagem enviada por correio electrónico por José Pedro Lucas.
Portugal é o país do comentário, o país da opinião. Basta folhear um jornal ou ligar a televisão e lá estão os comentários ou as opiniões dos que privilegiam desse espaço de opinion makers. Ou bem me engano ou são sempre os mesmos a fazê-lo. Salvo as excepções dos que escrevem e falam do que realmente sabem, dos que nos ensinam a pensar, parece-me que muito do se escreve e fala fica muitas vezes aquém de um conteúdo sério e rico.
Num país onde a opinião alheia parece contar mais do que devia, o ruído dos comentários de "panelinha" acaba por minar os bons e os maus campos. Num país onde não há tempo a perder, o tempo que se perde com o comentário ao comentário! E esquecemo-nos que uma opinião é só uma opinião.
O novo ministro das Finanças afirmou que talvez fosse necessário aumentar os impostos no médio prazo. Não o devia ter feito. Os comentários passaram a dar como adquirido que este governo vai aumentar os impostos. Só não se sabe quando. Na prática foi como se Luís Campos e Cunha tivesse declarado: vou aumentar os impostos.
Talvez a pensar nestas situações a economista Teodora Cardoso defendera que o futuro ministro das finanças precisava sobretudo de ser um político.
Repor a confiança, dinamizar o crescimento da economia eram as palavras de ordem de Sócrates. Espero que o novo ministro consiga fazer crescer a receita fiscal sem aumentar os impostos. Acabando com a isenção de tributação das mais-valias – como tem sido regra nas negociatas do sector energético - e colocando os bancos a pagarem impostos como as restantes empresas. Ou impondo aquela sua ideia de esquerda de criar "um imposto sobre a terra de meio cêntimo por metro quadrado." Terá certamente um conjunto de possibilidades e de conhecimentos que o ajudarão a resolver de outra forma a situação do País.
#1: Escrever uma entrada;
#2: Escrever uma entrada;
#3: Escrever uma entrada.
Até amanhã.
Tudo indica que Pedro Santana Lopes vai voltar à Câmara de Lisboa e comprar casa. Ou será que vai entrar para “alto-quadro” do BCP e comprar casa? Se esta hipótese se confirmar o abraço que Fernando Nogueira, que já em tempos entrou para “alto-quadro” do BCP, lhe deu em Paris terá sido bastante profético. Do estilo “cá te espero”. Ou será que vai entrar para “alto-quadro” de um grupo económico, ainda desconhecido, e comprar casa?
Há quem diga que vá para onde for, foi Cavaco quem lhe fez as malas.
Isaltino Morais foi escolhido pelo PSD-Oeiras para ser o seu candidato nas próximas eleições autárquicas. Não foi avançada qualquer explicação sobre a constituição das listas, permanecendo a dúvida sobre o lugar a atribuir ao seu sobrinho, que se tornou conhecido em todo o País por ser taxista na Suiça.
Os sociais-democratas de Oeiras, que colocam Isaltino no mesmo nível do Marquês de Pombal, fundamentaram a decisão com uma argumentação de uma lógica insuperável e de uma clareza cristalina. Para eles Isaltino é o único possível candidato "com obra feita no concelho" a que, aliás, presidiu desde tempos imemoriais – julga-se que desde os tempos de Pombal – até que... . Até que, em má hora, resolveu ir para o Governo, tendo depois tido umas trapalhadas a que alguns invejosos associaram umas contas suíças de um sobrinho taxista.
Educadamente os sociais-democratas agradecem a Teresa Zambujo o esforço feito antes de a empurrarem pela borda fora. Gente fina.
«Legislativas: PSD elege três deputados nos círculos da emigração»
É pena que a comunicação social portuguesa continue a demonstrar o facciosismo já revelado na cobertura das últimas eleições legislativas. É pena, é. Se não, como se explica que esta maioria absoluta registada no círculo da emigração não tenha merecido um maior destaque?
Foi uma vitória inequívoca de Santana Lopes, especialmente se tivermos em conta que os emigrantes portugueses vivem, maioritariamente, em países mais desenvolvidos do que Portugal, como a França, a Suíça e a Alemanha, dispondo de maior acesso à cultura, à informação e a democracias que são exemplos para toda a Europa. Ao mesmo tempo, não estão sujeitos à autêntica campanha de descredibilização orquestrada por todos os media portugueses contra o PSD de Santana Lopes.
Ai se tivesses continuado, Pedro... Tinhas aqui um novo fôlego. Foi pena, foi.
Esta manhã temos o 'Vemaoil XV' a manobrar no Terminal Petroleiro para uma carga de bancas, o TCS também regista alguma movimentação, com um 'MSC Sonia' acabado de chegar de Valência a impedir a circulação. No TMS a situação não é melhor, esperando-se trabalhos envolvendo o 'San Benedetto'. O fundeadouro regista ainda a presença do 'Galp Lisboa', o que não impede a circulação.
Por agora é tudo. Actualizaremos o trânsito em próximos serviços informativos. Até já.
Este é um dos meus blogues favoritos. Sobretudo pela ideia do título e pela ligação ao O´Neill. É claro que gosto, normalmente, do que por lá leio. Mas do "País engravatado todo o ano a assoar-se na gravata por engano" gosta-se toda a vida.
Assim "tomai lá do Ó Neill".
País por conhecer, por escrever,por ler...
País purista a prosear bonito,
a versejar tão chique e tão púdico,
enquanto a língua portuguesa se vai rindo,
galhofeira, comigo.
País que me pede livros andejantes
com o dedo, hirto a correr as estantes.
País engravatado todo o ano
e a assoar-se na gravata por engano
País onde qualquer palerma diz,
a afastar do busílis o nariz:
- Não, não é para mim este país!
Mas quem é que bàquestica sem lavar
o sovaco que lhe dá o ar?
Entricheirem-se, hostis, os mil narizes
que há neste país.
País do cibinho mastigado
devagarinho
País amador do rapapé,
do meter butes e do parlapié,
que se espaneja, cobertas as miúdas,
e as desleixa quando já ventrudas.
O incrível país da minha tia,
trémulo de bondade e aletria.
Moroso país da surda cólera,
de repente que se quer feliz.
Já sabemos, país, que és um homenzinho...
País tunante que diz que passa a vida
a meter entre parêntesis a cedilha.
A damisela passeia
no país da alcateia,
tão exterior a si mesma que não é senão a fome
com que este país a come.
País do eufemismo, à morte dia a dia
pergunta mesureiro: - como vai a vida?
País dos gigantones que passeiam
a importância e o papelão,
inaugurando esguichos no engonço
do gesto e do chavão.
E ainda há quem os ouça, quem os leia,
lhes agradeça a fontanária ideia!
Corre, boleada, pelo azul,
a frota de nuvens do País.
País desconfiado a recolhar por cima
dum ombro que, com razão, duvida.
Este país que viaja a meu lado,
vai transido, mas vai transistorizado.
Nhurro país que nunca se desdiz.
Cedilhado o cê, país, não te revejas
na cedilha, que a palavra urge.
Este país, enquanto se alivia,
manda-nos à mãe, à irmã, à tia,
a nós e à tirania,
sem perder tempo nem caligrafia.
Nesta mosquitomaquia
que é a vida,
ó país,
que parede comprida!
A Santa Paciência, país, à tua padroeira,
já perde a paciência à nossa cabeceira.
País pobrete e nada alegrete,
baú fechado com um aloquete,
que entre dois sudários não contém senão
a triste maçã do coração.
Que Santa Sulipanta nos conforte
na má vida, país, na boa morte!
País das troncas e delongas ao telefone
com mil cavilhas para cada nome.
De ramona, país, que de viagens
tens, tão contrafeito...
Embezerra, país, que bem mereces,
prepara, no mutismo, teus efes e teus erres.
Desaninhada a perdiz,
não a discutas, país!
Espirra-lhe a morte pra cima
com os dois canos do nariz!
Um país maluco de andorinhas
tesourando as nossas cabecinhas
de enfermiços meninos, roda-vida
em que entrássemos de corpo e alegria!
Estrela trepa trepa pelo vento fagueiro
e ao país que te espreita, vê lá se o vês inteiro.
Hexágono de papel que o meu pai pôs no ar,
já o passo a meu filho, cansado de o olhar...
No sumapau seboso da terceira,
contigo viajei, ó país por lavar,
aturei-te o arroto, o pivete, a coceira,
a conversa pancrácia e o jeito alvar.
Senhor do meu nariz,franzi-te a sobrancelha;
entornado de sono, resvalaste pra mim.
Mas também me ofereceste a cordial botelha,
empinada que foi, tal e qual clarim!
Alexandre O´Neill. "O País relativo."
"As prisões(...) são um instrumento de neutralização dos excluídos e uma máquina de criminalização da pobreza.(...)"
Luís Fernandes, Público, 2.03.2005
João Casalta Nabais: "ser empresário em Portugal é ser-se um herói"
Posted by JCG at 3/03/2005 12:14:00 a.m.Na Pública do passado domingo João Casalta Nabais afirmou : " (...) É que as pequenas e médias empresas contribuem de muitas maneiras para a comunidade. Não contribuem apenas com o lucro final, sobre o qual pagam o IRC. Criam mais emprego, revelam grande capacidade de resistência às crises, são sedentárias, etc. De resto, o facto de uma empresa funcionar, ainda que não tenha lucro, é um benefício imenso para a comunidade(...)" .
Tiro-lhe humildemente o meu chapéu. Num País dominado por uma cultura anti- empresarial e no qual as pequenas e médias empresas são diabolizadas pelos mesmos que nunca opinam, por exemplo, relativamente ao sector bancário, este discurso é uma pedrada no charco.
O conhecimento contra os patetas encartados.
"O número de autarcas que exigem luvas para instalar empresas é assustador"
Posted by JCG at 3/02/2005 10:47:00 p.m.e o outro é que era uma mistura de Zandinga com Gabriel Alves...
Posted by Duarte at 3/01/2005 11:20:00 p.m."Estive num Governo que tinha maioria, mas por intuição sempre tive noção que podia ser interrompido, o que é preocupante."
Graça Carvalho, Diário Económico, 1-3-2005
Os principais bancos portugueses tiveram, em 2004, um ano magnífico. Os lucros da CGD, Totta, BPI, Millenium e BES totalizaram o valor simpático de €1964,52 milhões . Em termos médios a evolução verificada relativamente a 2003 foi da ordem dos 20%.
Infelizmente o mesmo não se verificou com o País cuja economia viveu mais um ano horribilis, com o agravamento do desemprego, o aumento das falências e o agravamento do desquilíbrio da balança comercial. E com o tal défice a ultrapassar os 5% do PIB na sua versão sem magias.
Será que podemos concluir que afinal o que é bom para a Banca não é necessariamente bom para Portugal? Ou que talvez aquilo que é mau para Portugal possa, afinal, ser bom para a Banca?
Para explicar este paradoxo talvez os nossos "teóricos dos sectores estratégicos" encontrem excelentes explicações. Eu sugiro apenas que não deixem de ter em atenção o facto de 1964,52 milhões de euros de lucros não terem significado mais do que 147 milhões de Euros de receita fiscal. Como nesta receita não estão contabilizados os impostos que o Totta pagou a taxa média de IRC que foi paga pelos restantes foi de 8,7 % . Por outras palavras se os Bancos pagassem os 30% das outras empresas o Estado teria recebido mais 359,89 milhões de Euros.
E esta é uma história que se repete ano após ano. Com valores da mesma ordem de grandeza.
Será acerca disto que os responsáveis políticos falam quando reclamam uma maior eficácia no controle à evasão fiscal? Ou para eles o problema está apenas nas pequenas e médias empresas e nos profissionais liberais?
Já agora quantas prósperas pequenas e médias empresas e quantos milhares de trolhas são necessários para o Estado recuperar estes montantes?
«Louis, I think this is the beginning of a beautiful friendship...»
Posted by Duarte at 3/01/2005 12:59:00 a.m.Iniciou-se, no passado domingo, o neófito As Escolhas de Marcelo, espaço de opinião da RTP 1 que veio substituir a rubrica dominical do TVI Jornal onde se revelou um dos mais hábeis, inteligentes e eloquentes pensadores portugueses. Refiro-me a Rui Gomes da Silva, obviamente, e é com tristeza que observo que, tirando as crónicas dos seus colaboradores no DN, poucas têm sido as suas intervenções de relevo ultimamente.
Mas, voltando ao As Escolhas de Marcelo, tenho de dizer que a estreia foi decepcionante, muito abaixo do formato original. E é pena que assim seja.
E o que me chocou mais? Pouca coisa, já que vi apenas trinta segundos de 'escolhas'. O meu maior choque foi mesmo o 'formato': um programa dedicado ao comentador, conduzido pela senhora da sala dos espelhos, gravado num cenário formal e sem o seu principal foco de interesse: o pivot Júlio Magalhães.
Na TVI, o programa era descontraído, empacotado que estava num noticiário, uma verdadeira conversa de homens em que tanto o professor Marcelo falava de geo-estratégia, como sugeria a aquisição de números antigos da revista Burda num qualquer alfarrabista da rua dos Bacalhoeiros. Havia uma dinâmica forte entre o professor e o Júlio Magalhães, que ouvia atentamente e complementava com perguntas condicionadas e comentários espirituosos, dignos do homem do norte que é. Mais do que um programa, era uma conversa entres dois amigos, um com a sorte de ter estudado mais e de ter tido uns livros em casa, o outro feliz por ter ali um amigo que, apesar de mais inteligente e mais famoso, não se importava de perder o seu final de domingo com dois dedos de conversa sobre o mundo e as histórias lá da aldeia.
Agora, isso já não acontece. O Júlio ficou sozinho e, em seu lugar, colocaram a Ana Sousa Dias. A Ana Sousa Dias tem um bom programa que eu ainda nunca consegui ver até ao fim, mas que amigos meus, amigos assim como o Marcelo o era do Júlio, dizia eu que amigos meus me afiançam ser 'muito interessante', pelo que não tenho razões para desconfiar. Só que a Ana não é o Júlio. A Ana nunca levará um cachecol do Porto para dar ao professor, nem o professor poderá retribuir com um gorro da selecção. A Ana nunca perguntará ao professor se ele prefere o 4x4x2 do Mourinho ou o 4x3x3 do Peseiro, nem discutirá sobre o melhor restaurante de leitão da Bairrada, nem levará azeite da terra dos cunhados para lhe oferecer. E o professor nunca a convidará em directo para uma jantarada num restaurante de Celorico de Basto ou oferecerá uma perna de presunto de Chaves depois de recomendar um espectáculo no CCB e uma prova de natação nas piscinas do Campo Grande.
A Ana, simplesmente, não é o Júlio. Falta-lhe o espírito, a descontracção, a simplicidade e a generosidade desse grande homem; é isso, a Ana não é homem. Não é o amigalhaço. Agora, como é que iremos acreditar que, acabado o programa, sairão os dois juntos, lado a lado, para uma bifana em Alcântara, num final a sugerir um feliz remake do Casablanca?