A maioria CDU e o Presidente da Junta de Freguesia de Porto-Côvo, eleito pelo PS, impediram que a petição de cidadãos sobre o Mercado Municipal fosse discutida na Assembleia Municipal. É a primeira vez desde o 25 de Abril que a discussão de uma petição ou de uma queixa de cidadãos é recusada nesta Assembleia, que permanece desde sempre na posse da CDU. O Presidente da Assembleia Municipal votou contra a posição do seu partido no sentido de que a petição fosse discutida.
A CDU tem a maioria absoluta na Assembleia Municipal mas evitou por todos os meios a discussão aberta do assunto. por várias razões: em primeiro lugar porque sabe que a opção nao é unânime entre os seus; em segundo lugar porque uma discussão mais aberta permitia evidenciar a falta de fundamentação da decisão e a ausência de estudos que a justificassem; em terceiro lugar porque ela iria permitir reforçar os argumentos dos que se opõem e reforçar a sua posição e tornar mais dificil a concretização do golpe da compra do voto do autarca de Porto-Côvo.

PS - O argumento utilizado por alguns deputados para recusarem a discussão foi o do carácter irregular das assinaturas que apoiavam a petição. Puro expediente destinado a esconder o carácter censório da decisão tomada. Como recordou o Presidente da Assembleia Municipal bastaria uma assinatura, uma só, para legitimar o documento já que o Regimento da Assembleia Municipal nada diz sobre esta matéria. As insinuações torpes de alguns ex-funcionários da democracia - já confortavelemnte reformados pelos brilhantes serviços prestados - sobre a forma como as assinatura foram recolhidas são clássicas. Os outros os que se atrevem a questionar seja lá o que for estão sempre ao serviço de objectivos inconfessáveis, manipuladores miliantes, capazes de coagir as pobres pessoas de as obrigar a colocarem uma assinatura numa qualquer petição, impedindo-as até de conhecer o conteúdo da mesma. Um nojo.

Acabou de ser interrompida a Assembleia Municipal de Sines com a aprovação do Orçamento para 207. O documento como aqui explicado contempla a autorização para que a Câmara possa demolir o Mercado Municipal e permitir a instalação de uma gande superfície no centro da cidade.
A aprovação só foi possível pela "compra" do voto do Presidente da Junta de Freguesia de Porto-Côvo, eleito pelo PS, que negociou com o Presidente da Câmara verbas para a sua Fregusia atroco da venda do seu voto. Uma vergonha a possibilidade de os Presidentes das Juntas poderem votar nas ssembleias Municipais. Aplauso para a posição do Presidente da Assembleia Municipal que votou contra a proposta de Orçamento e para um deputado da CDU que se absteve por não concordar com a demolição do Mercado.

A reunião da Assembleia Municipal de Sines que se realiza esta noite irá, caso o Orçamento para 2007 seja aprovado, conferir poderes à Câmara para demolir o Mercado Municipal.
Desta forma o Presidente da Cãmara concretizará o seu único objectivo nesta questâo: receber imediatamente 1.500 milhões de euros para atirar para cima da gigantesca dívida que criou nos últimos anos. O resto são cantigas e propaganda, muita propaganda. Um folheto em papel couché, profusamente distribuído, explicava aos cidadãos qual era a proposta da Câmara para "O novo Mercado Municipal de SInes".
Um chorrilho de afirmações não fundamentadas e a falsa promessa de que se vai demolir o edífico existente para construir um Novo Mercado ao lado de uma média superfície comercial. Sobre as questões de fundo colocadas na petição que foi entregue na AM nada é dito. Propaganda pura e dura é o quanto baste.
A discussão no orgão próprio que é a Assembleia Municipal, que esteve marcada, com a participação da população e dos mais directamente interessados foi desmarcada de uma forma que os comunistas caso estivessem na oposição não hesitariam em classificar - com razão - de golpista e anti-democrática. Desmarcada não para permitir um melhor esclarecimento. Nada disso. Apenas para ganhar tempo para comprar votos e para definir uma estratégia que condicione o voto livre dos deputados sobre esta questão. A escolha recaiu na inclusão de um artigo no Orçamento que autoriza a Câmara a demolir o dificio e a vender o direito de superfície do terreno. Certamente estarão garantidos os votos para aprovar o Orçamento que neste caso é um mero instrumento da questão fundamental que é a demolição do Mercado. No entanto a democracia representativa perde toda a sua legitimidade quando utiliza o seu poder para rtirar aos cidadãos o direito de participarem na discussão ou quando, numa perversidade extrema, utiliza expedientes deste tipo para retirar da discussão dos orgãos competentes uma questão como esta. Nesse momento os cidadãos adquirem o direito de recorrerem aosm orgãos competentes solicitando a nulidade desse tipo de decisões.

Curiosa esta notícia do Público de hoje. Em primeiro lugar porque o senhor Secretário de Estado que defenderá os consumidores - fraco desempenho, pobres consumidores - quer saber se existe concertação de preços dos combustíveis. E vai daí resolveu pedir à Autoridade da Concorrência para investigar. Este é o primeiro momento de humor: a excelentíssima autoridade a agir em função de um pedido específico do Governo que (re)age a um conjunto de queixas. Parece uma história de ceguinhos.
O segundo momento de humor é o que resulta dos alvos da investigação. Porque será que se exclui o Governo. Não é verdade que os preços dos combustíveis, como outros preços em que um pequeno e poderoso cartel põe e dispõe, se mantêm inexplicavelmente altos por razões a que os sucessivos Governos não são de modo nenhum estranhos?
Quem protegerá os consumidores desta Autoridade da Concorrência, deste Secretário de Estados(e do seu Governo) e destes cartéis? Quem conserta os preços, para nosso contentamento?

A RTP N uma alternativa credível à, muitas vezes aborrecida, SIC Notícias tem alguns excelentes programas. Entre esses programas muito interessantes destaco as "Grandes Músicas" que António Cartaxo apresenta de uma forma apaixonada que nos prende ao televisor. Aliás, essa paixão pela música que irradia das palavras, e da erudição, de António Cartaxo podemos, felizmente, senti-la na Antena Um todas as manhãs.

Um conjunto de cidadãos preocupado com a opção da autarquia de Sines relativa ao Mercado Municipal e com a resistencia à participação dos cidadãos resolveu participar na Assembleia Municipal que em 28 de Novembro deste ano se propunha dicutir esta questão. O Presidente da Assembleia Municipal prometera em anterior reunião discutir esta questão de uma forma alargada com a participação ds interessados. Ficou nessa altura uma interrogação de Francisco do Ó Pacheco que foi a seguinte:"quem são os interessados para participaremnuma discussão desta natureza?" Os interessados somos todos naturalmente. Todos os cidadãos.
Sabemos o que aonteceu depois. Os tristes acontecimentos que marcaram a Assembleia Municipal de 28 de Novembro.
A retirada do assunto relativo ao Mercado Municipal da Ordem de Trabalhos por decisão exclusiva da maioria CDU no Executivo Muniipal -a decisão nem foi objecto de prévia discussão em reunião da Cãmara - tornou imossível a participação. Agora o aassunto vai ser discutido no âmbito da discussão do Orçamento para 2007, que é uma forma - já aqui denunciada - de evitar a discussão. Neste sentido aos cidadãos que elaboraram a petição que recolheu, num curto espaço de tempo, 200 assinaturas não restava outra alternativa senão entregá-la ao Presidente da Assembleia Municipal para que a uilize como lhe aprouver.
Fica aqui disponível para consulta o texto dessa petição.

"PETIÇÃO DE UM GRUPO DE CIDADÃOS À ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE SINES."

Exmo senhor Presidente da Assembleia;
Exmos senhores deputados muncipais;

A petição que, neste momento, entregamos nesta Assembleia Municipal visa solicitar aos eleitos pela população de Sines que integram este órgão, que tenham em consideração - na Discussão e Votação da pretensão da Câmara Municipal de demolir o Mercado Municipal e permitir a alienação do terreno em direito de superfície por um prazo de 30 anos para aí instalar uma grande superfície comercial - a posição dos subscritores que, estamos certos, corresponde ao sentimento de uma grande parte da população.

Como é do conhecimento de todos os membros desta Assembleia Municipal o Mercado Municipal de Sines foi construído logo após a revolução de Abril e nesse sentido é, sem qualquer sombra de dúvida, o primeiro e o mais importante equipamento público construído em Sines logo após essa data.
Tratava-se de uma velha reivindicação da população e, nesse sentido, a decisão de o construir correspondeu ao melhor que se pode desejar da acção política: decisões tomadas e ponderadas tendo como objectivo o bem-estar das populações e dando resposta aos seus anseios e aspirações(...)".
(continuar a ler o texto aqui)

Aquilo que aqui tinhamos previsto acabou por se confirmar. A maioria CDU na Câmara incluiu na proposta de Orçamento para 2007 a autorização da cedência pela Câmara do direito de superfície do prédio no qual está localizado o Mercado Municipal. Assim sendo a aprovação do Orçamento implica a aprovação da demolição do Mercado Municipal.
Desta forma o presidente da Câmara consegue retirar da discussão pública a opção por demolir um equipamento público - o Mercado Municipal - e substítui-lo por um equipamento privado, uma grande superfície, bem como a avaliação dos impactos para a vida económica e social dessa localização.
Se a Câmara de Sines fosse de maioria PS ou PSD e outro autarca tomasse esta medida e, sobretudo, procedesse desta forma como reagiriam os comunistas? Que qualificativos utilizariam?
Adianto alguns sem medo de errar: Golpistas, anti-democráticos; medo da discussão pública; cedência aos interesses privados; agressão infame ao pequeno comércio; retirada aos cidadãos do direio de participarem na discussão dos assuntos que interessam à cidade; negação da democracia participativa; decisões tomadas nas costas dos interessados etc.

"Conhecendo este país como conheço, estou certo de pouco adiantará. Mas seguramente fará parte da estatistica, da mesma forma que os doentes do foro respiratório e oncológico, vitimas da poluição. Estou a falar da denúncia que habitualmente faço para SOS Ambiente e Território, através formulário disponível no endereço abaixo (Podemos também utilizar o telefone gratuito 808 200 520), em dias de angústia ambiental como hoje.
http://www.gnr.pt/portal/internet/sepna/12.denuncias/form_sepna.asp "

António Bráz

"Segundo o que me soou há quem já se encontre em manobras para "retomar a discussão". Na minha óptica a venda do mercado é uma falsa questão. A verdadeira questão é a gestão que se faz na câmara. Todos os custos prioritários que se continuam a assumir estão associados sempre a um objectivo de marketing: a fidelização do voto. Por esta razão, se não vender o mercado, terá de se vender o estádio, ou o pavilhão, ou o parque de campismo ...Já estou a imaginar o grande "outdoor" da próxima campanha eleitoral : "Já vendemos o mercado .......... Nós sim! fazemos Obra".
Termino com uma pergunta: Onde pára a oposição?"

Francisco Xavier Marques Torres

O problema é que não foi só esta manhã. Esta noite, ou melhor ao fim da tarde, por volta das 19 horas, o cheiro a gás tornava o ar irrespirável. Um poucoà imagem - ou melhor ao cheiro - daquilo que se tem passado nos últimos dias.

Adenda: O Presidente da Autarquia na sua mensagem unipessoal de Boas Festas, em papel à maneira, paga com o dinheiro de todos, só fala de obras e de desenvolvimento. Destas questões não fala. Dizem que perdeu o cheiro por ter sinusite crónica.

"Esta manhã o cheiro a gás, proveniente da APS, relembrou-me que Sines cheira, pelo menos, tão mal quanto o processo Apito Dourado".

António Bráz.

"Atenção que isto já não é só nas privadas… uma das escolas, o Instituto Politécnico de Santarém, se não me falha a memória, conseguiu pelas normais vias de acesso qualquer coisa como 3 alunos e, pela via do reconhecimento de competências, salvo erro, 119 … todos aqueles que conseguiram preencher os impressos de candidatura, já que todos tinham, no mínimo, qualificações para se candidatarem ao prémio Nobel…"

Manuel Piteira

Vital Moreira denuncia o facilitismo que está por detrás da farta admissão ao sistema de ensino superior de mais de uma dezena de milhar de pessoas que não concluiram o ensino secundário. Uma boa ideia neste país acaba sempre nisto. A malta só tem que esperar tranquilamente até aos 23 anos -haverá um Governo proximamente que baixará este limite para 21 ou 22 anos, ou mesmo 20 - e depois entra para o curso que pretender. Virá mais tarde um outro Governo que decidirá que os alunos que provarem terem frequentado um curso superior sem o concluírem e que tenham posteriomente adquirido competência possam adquirir a licenciatura ou mais facilmente o bacharelato. Claro que nas privadas é sempre mais fácil. Muitas necessitam de alunos como de pão para a boca e sem este expediente fechavam. Junta-se o útil ao agradável já que os alunos necessitam apenas do título académico que lhes permite concorrer ao lugar que o partido tem vago naquela empresa pública ou na delegação daquele ministério em Évora,Beja ou algures. Alunos para quem o pagamento das propinas não constitui problema. Os fins compensam largamente os meios. Existirão excepções, claro. Pessoas com elevadas qualificações mas que nunca frequentaram qualquer curso superior. Nas nossas actividades profissionais todos conhecemos exemplos desses. Mas 14 mil só neste ano? E quantos mais nos anos seguintes?
Claro que este upgrade no número de alunos que frequentam o ensino superior fica bem nas estatísticas internacionais. Claro que este acréscimo de licenciados - com o desemprego de jovens licenciados a atingir as dezenas de milhar - era uma necessidade vital para o País e sobretudo para os que necessitam de poder continuar a gerir o stock de mão-de-obra barata e com formação a seu bel prazer.
Temos que qualificar os portugueses. Mesmo à bruta temos que conseguir. Não interessa o conteúdo da qualificação o que interessa são os números.

Adenda: A forma de certificação das competências terá muito que se lhe diga. As instituições boas certificam, certificam, são verdadeiras máquinas de certificar competências. O ranking, que se irá estabelecer entre os interessados, dar-lhes-á o devido destaque. Terão um futuro risonho: muitos alunos e largos proveitos económicos.

com o acto de solidariedade de Luiz Filipe Scolari e de alguns jogadores da Selecção. De visita a uma instituição de solidariedade levaram muitos presentes aos velhinhos, entre os quais uns quantos televisores e a astronómica soma de 12.200 Euro em dinheiro. Que grande gesto!

passou em repetição esta noite um trabalho do jornalista Bernardo Ferrão sobre os cidadãos que esperam à porta dos supermercados pelo lixo para daí tirarem alimentos para si e para as suas famílias. Cidadãos que viverão acima das suas possibilidades como diria a historiadora que referi aqui. Fica a intervenção lúcida e corajosa do director da Cais, Henrique Pinto, que criticou a situação existente no País de desigualdade na distribuição da riqueza que está na base da existência de um número cada vez maior de pobres. As campanhas de recolha de bens e a solidariedade institucional que por aí se faz são muitas vezes manifestações hipócritas de quem não quer mudar a essência das coisas.

Adenda: Henrique Pinto proferiu uma frase que reproduzo de memória e que considero lapidar: " Podemos conseguir recolher carradas de alimentos mas não conseguimos recolher as carradas de dinheiro que por aí há."


mas há que pensar nas vantagens...
O sucesso de vendas do livro editado pela Dom Quixote sobre não sei o quê da vida da ex-esposa de Pinto da Costa, conhecida em todo o país e arredores por Carolina, parece trazer Portugal numa roda-viva de caos e alegria. Sobre ele falam juristas, políticos, jornalistas, escritores; fala-se nos cafés, no escritório, na lavandaria; transmite-se no Telejornal a sessão de autógrafos, fazem-se dezenas de capas de jornais e revistas, tudo isto por causa da bomba de Natal, esse livro que não deixou Portugal indiferente (não estou a troçar) e que ficará na história dos top de vendas do país.
Ainda dizem que não se lê! Lê-se... mas o povo escolhe o que quer saber, o que lhe interessa. E de facto a grande maioria não quer saber mais do que os mistérios da vida particular, de preferência com laivos de escandaleira e toque apimentado.
Mas não se preocupem, não fiquem com esse ar... Como em tudo há vantagens, de momento ocorrem-me duas: há por aí muito boa gente que já sabe o que vai oferecer este Natal e, melhor ainda, com os lucros de vendas, a Dom Quixote, vai desatar a publicar aqueles livros que aparentemente se esquecem e que esperam nas estantes que um dia alguém os leia.

no Choque Ideológico desta noite na RTPN a historiadora que representa - e representa bem ,diga-se - o campo da direita, Maria de Fátima Bonifácio, escolheu para Personalidade do ano de 2006 José Sócrates. Soromenho Marques, em representação da esquerda, escolheu uma personagem internacional, Al Gore.
Voltando à escolha de Sócrates fica uma frase que é um manifesto: "Sócrates teve o mérito de fazer ver aos Portugueses que vivem acima das suas posses e que isso TEM QUE ACABAR"!!!
Claro que estamos no campo da pura vigarice intelectual. Em primeiro lugar os portugueses não vivem acima das suas possibilidades: os portugueses endividam-se sobretudo, e quase exclusivamente, para comprarem casa. Casa que é um direito fundamental protegido pelo texto constitucional, passe a ironia. Desta inevitabilidade - não há mercado de arrendamento - se constrói a prosperidade da Banca. No final de 2004 os activos dos 5 maiores bancos portuguses eram, em 67 %, fruto do crédito à habitação ( dados do BP).
Em segundo lugar Portugal é o país da UE a quinze no qual a distribuição da riqueza é mais desigual. Esta distribuição desigual da riqueza produzida tem efeitos preversos sobre a actividade económica. Um pequeno aumento do rendimento dos mais desfavorecidos potenciaria a actividade económica enquanto a desigualdade, sobretudo esta desigualdade brutal, obriga o Estado a consumir recursos para evitar situações mais dramáticas de exclusão social. Recursos que se revelam ineficazes. A exlusão combate-se na fonte ou não.
A drª Fátima Bonifácio em rigor deveria ter dito que em Portugal alguns portugueses vivem de uma forma chocantemente acima das suas necessidades enquanto outros - uma imensa maioria - vivem vergonhosamente abaixo daquilo que é aceitável numa sociedade democrática, europeia etc,etc.
Pois é mas a Drª Fátima não podia falar destas coisas. Ela queria elogiar Sócrates. Ora sobre estas questões ele fez como o outro: disse nada.

... o ministro Pinho na forma e no conteúdo. A decisão de impedir o ex-Presidente da ERS de comparecer perante uma comuissão do Parlamento, apressando para isso a sua exoneração, é um episódio mesquinho e, obviamente, politicamente funciona como mais um tiro no pé do Governo. Aliás Manuel Pinho tem protagonizado tantos tiros no pé que só a sua eficácia na promoção da maior alteração da mudança de uso dos solos rústicos para urbanos da história da democracia justificará a sua permanência no Governo. Pode mesmo admitir-se que, por protecção divina, Manuel poderá sobreviver aos Governos de Sócrates e continuar a modernizar o País.

nas iluminações de Natal em Sines!

Documentário DUVIDÁVIDA

“ Assinalando o décimo aniversário da morte do poeta, ficcionista, ensaísta, professor, divulgador, tradutor e dramaturgo. Documentário da autoria de António José de Almeida, com guião da Anabela Almeida, sobre David Mourão-Ferreira. Nome fundamental das letras portuguesas da segunda metade do século XX, Mourão-Ferreira é aqui descrito e analisado por várias personalidades – João Lobo Antunes, Vasco Graça Moura, Urbano Tavares Rodrigues, entre outros.”

Quinta-feira, dia 21 de Dezembro: 18.00 horas, na cafetaria

A discussão sobre o Mercado não acabou no dia em que a CDU descobriu que ia perder a Assembleia Municipal - na qual detêm maioria absoluta - por força da posição de alguns dos seus eleitos que entendiam não votar favoravelmente a proposta do executivo municipal.
Não se sabe quando e como pretende o actual presidente da autarquia retomar a discussão.
Julgo que a expressão "retomar a discussão" não fará o género do edil que pretende, apenas, aprovar a demoliçâo do Mercado e receber o milhão e meio de euros que o Pingo Doce vai pagar, tout court. Quando e como é pois a questão.
Eu arrisco uma ocasião e uma forma: a maioria vai incluir no Plano de Actividades para 2007 a demolição do Mercado e no conjunto das receitas previstas a verba da cedência por 30 anos do direito de superfície.
Vai uma aposta.

O PIB Português vai de Mao a Piao. Quem o diz é o Eurostat que revela ser o nosso PIB o mais baixo da UE a 15 e ter sido já ultrapassado por quatro dos novos aderentes. Portugal pertence ao grupo dos países cujo PIB é cerca de 30% mais baixo do que a média comunitária. Mais exactamente 71% da média da UE em 2005, depois de ter sido 73% em 2003 e 72% em 2004. Vamos no caminho inverso. Um bocado à imagem daqueles idosos que circulam em contra-mão nas Auto-Estradas.

O PS, de acordo com notícia do semanário SOL, vai, na sua proposta sobre combate à corrupção, deixar cair a criminalização do enriquecimento ilícito. Pois é, todos compreendemos. Essa insensata proposta de Cravinho abrangia muita gente e a República podia ficar desprovida de alguns quadros fundamentais para o futuro do País. Não podia ser.

Uma oportunidade aproveitada, pelo ainda Secretário Geral da ONU, para lançar críticas - consideradas ferozes por alguma imprensa - duras às políticas dos EUA. Cito a partir da notícia do PÚBLICO do passado dia 12 de Dezembro: "não é realista pensar que alguns podem retirar grandes benefícios da globalização, enquanto milhões continuam a sofrer e a ser atirados para a pobreza mais abjecta."; "Tanto ao nível nacional como internacional a segurança e o desenvolvimento económico dependem do respeito pelos direitos humanos e o respeito pela letra da lei. Historicamente, os Estados Unidos foram dos primeiros a compreender isto, e o seu país esteve sempre na vanguarda do movimento global pelos direitos humanos. Mas a liderança da América só pode ser mantida, se continuar fiel aos seus príncipios, inclusive na luta contra o terorismo."; "Como HarryTruman disse , a responsabilidade dos grandes Estados é servir e não dominar os restantes povos do mundo(...)"
Gosto de Kofi Anna. Julgo que foi um bom Secretário Geral da ONU. Teve um mandato dificil muito marcado pela forte oposição da Administração Americana ao papel e à intervenção da ONU. Foi ainda afectado por um escândalo de corrupção que envolveria o seu filho(?). Vai agora descansar mais tempo na casa que construiu no Gana de acordo com projecto do arquitecto, e grande urbanista, José Forjaz.

é o título de um artigo do escritor Christian Salmon saído na edição de Novembro do Le Monde Diplomatique - versão portuguesa, que aconselho vivamente. Trata-se de uma análise sobre a moda do storytelling, oriunda nos Estados Unidos, que se espalha hoje um pouco por todo o mundo, nos domínios da política, da economia, do marketing. Acredita-se que a melhor forma de captar a atenção do público é através de uma narrativa ou seja pela arte de envolver as pessoas numa estória. A estória cria elos psicológicos com os personagens ou produtos, porque há uma propensão natural no ser humano para criar e absorver estórias. A vida de uma pessoa é a sua estória de vida.

" O storytelling estende-se a sectores inesperados; os chefes de empresas são levados a contar estórias para motivar os operários e os médicos são formados para ouvir as estórias dos seus pacientes. Os repórteres aderiram ao jornalismo narrativo. E os psicólogos à terapia narrativa. Todos os anos, dezenas de milhares de pessoas deslocam-se ao Storytelling Center no Tennessee, aderem à National Storytelling Network ou participam em mais de duzentos festivais de storytelling organizados nos Estados Unidos. "- Francesca Polletta, socióloga

" O que a política deve visar é dar às pessoas, antes de mais, a possiblidade de melhorarem a sua estória." Bill Clinton

... que o PS "vai propor comissão contra a corrupção junto da PGR". No Público da passada quinta-feira, dia 14. De acordo com notícia da autoria da jornalista Leonete Botelho, " a proposta de criação de uma comissão de prevenção da corrupção apresentada pelo socialista João Cravinho em Julho. foi considerada pelo grupo palamentar do PS e será um dos mais importantes pontos do pacote anticorrupção que a bancada deverá aprovar para a semana". A jornalista refere no entanto que "O PÚBLICO sabe, no entanto,que o documento final deverá ser bastante diferente das propostas originais de Cravinho(...)"
Um dossier muito importante que deverá chegar durante esta semana a uma conclusão que se espera seja boa para luta contra a corrupção.

.. lá fora. Cheira mal em Sines. Nada de novo se atendermos ao passado recente. Mas, depois de tantas promessas de alterações no comportamento das empresas, dias como este são afinal um pequeno prelúdio do que está para vir. Tudo controlado, dirá o ecológico Secretário de Estado do Ambiente. Tudo como dantes, diremos nós que aqui constatamos que ninguém controla nada. Ninguém monitoriza o desempenho ambiental desta gente que aqui assentou arraiais e que está agora à beira de se multiplicar. Quem os controlará?

a escolha de Maria José Morgado para cordenadar o processo de corrupção desportiva conhecido por Apito Dourado é uma iniciativa cujo significado político me parece ter sido mal entendido.
Em primeiro lugar a decisão foi tomada depois de o processo - que jazia e arrefecia onde jazem e arrefecem os processos dos "poderosos" - ter sido acordado pela publicação do livro da ex-companheira de Pinto da Costa. Ora por essa altura o Governo, numa clara reacção de minimização dos custos, tinha anunciado uma nova estrutura especificamente para o combate à corrupção desportiva. Uma estrutura para o futuro. Com meios humanos e financeiros a definir no futuro.
A escolha de Maria José, a julgar por algumas reacções, até parecia ser uma escolha do Governo, uma prova da vontade do executivo de inscever a luta contra a corrupção na agenda política. Mas não foi. Foi uma escolha do nóvel PGR. Uma escolha para o imediato. Para um processo concreto. Para produzir efeitos. Para acelerar a justiça retirando-a do torpor em que se encontra mergulhada. Uma escolha política pois Maria José Morgado foi afastada pelo Governo de Durão Barroso das funções que desemepenhava na Polícia Judiciária sem que desde a sua entrada em funções este Governo se tivesse alguma vez lembrado dela para reactivar o combate à corrupção, tal como exige, para alguma manifesta incomodidade, por exemplo,João Cravinho. Uma magistrada que identifica a corrupção como uma das maiores ameaças à democracia.
Fez bem o Presidente da República quando recusou comentar a escolha aproveitando para enfatizar de quem era a responsabilidade. Uma sensatez que não podemos detectar nas declarações do ministro Alberto Costa.

... falar em DESACORDO ORTOGRÁFICO? Porque razão não somos capazes de assumir que construímos o maior e mais longo DESACORDO ORTOGRÁFICO da História da Humanidade?

O Presidente da Républica suscitou a apreciação da Constitucionalidade da Lei das Finanças Locais. Nada de mais natural já que a atribuição de poderes fiscais aos municípios -tal como previsto nos artigos 19º e 20º da Lei os municípios podem dispensar a cobrança de até 5% do IRS pago pelos sujeitos passivos na área do município em favor do seus munícipes - tem suscitado reacções acaloradas por parte da ANMP.
O Governo arranjou esta forma manhosa de começar a estabelecer uma relação entre as despesas municipais e os impostos pagos pelos municípes. Com efeito os autarcas são julgados pela quantidade-qualidade da despesa que fazem durante os mandatos não estando em questão a forma como as receitas que sustentam essa despesa são obtidas. O ónus da cobrança dos impostos fica para os Governos e para os seus postos avançados junto dos municípios que são as repartições de finanças. Havia outros e melhores caminhos mas o Governo foi por aqui. É natural que a inconstitucionalidade da norma seja determinada. A ver vamos.

ADENDA: Um dos aspectos positivos da Lei, entre outros, tem a ver com a forma como trata as questões do endividamento autárquico, incluindo aquele que pode ter consequências para as gerações futuras.


Estreia hoje pelas 21:30 no Centro das Artes de Sines a peça A Menina do Mar.
Um texto de Sophia de Mello Breyner para uma encenação de Julieta Aurora Santos.
Haverá ainda sessões no próximo dia 16 e 17 pelas 16:00 no mesmo local e em Janeiro do próximo ano em articulação com as escolas e para o público em geral.

a crónica de Vasco Pulido Valente no Público. Depois de muitos editoriais nos jornais de referência, depois de a "opinião" ter dito cobras e lagartos da senhora, da editora, que deixou de ser séria, e de ter veladamente questionado a conduta do pobre do senhor que, investido do alto cargo, não foi capaz de preservar o coração e a razão das pérfidas investidas do demo travestido de "Eu Carolina"finalmente, VPV vem reduzir a coisa à sua verdadeira dimensão.
Cito: "(...) A corrupção, e não o sexo, foi sempre o maior entusiasmo português.(...) A natureza igualitária do sexo deixa um país pobre indiferente a extravagâncias que ele próprio admite;(...) A corrupção, pelo contrário, acentua o privilégio (os corrompidos, para já não falar dos corruptores, são por força gente de poder ou dinheiro) e, melhor ainda, "prova" que o sucesso e fortuna se adquirem por meios criminosos. A miséria tira da honestidade um grande consolo.(...) Carolina pisou de facto o formigueiro. Sucede que a corrupção no futebol é uma ínfima parte da corrupção geral do país. E serve sobretudo para a esconder."

Vinil


de Falso Brilhante de Elis Regina lançado em 1976

Como Nossos Pais de Belchior

Não quero lhe falar, meu grande amor,
das coisas que aprendi nos discos
Quero lhe contar como eu vivi e tudo que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar, eu sei que o amor é uma coisa boa
Mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa
Por isso cuidado meu bem, há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal está fechado pra nós, que somos jovens
Para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço, o seu lábio e a sua voz
Você me pergunta pela minha paixão
Digo que estou encantada com uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade, não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração
Já faz tempo eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida
Na parede de memória essa lembrança é o quadro que dói mais
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais
Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não
Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer que eu tô por fora ou então que eu tô inventando
Mas é você que ama o passado e que não vê
É você que é ama o passado e que não vê o que o novo sempre vem
Hoje eu sei que quem me deu a ideia de uma nova consciência e juventude
Tá em casa, guardado por deus, contando vil metal
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos
Nós ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais

No Da Literatura, um post de João Paulo Sousa sobre a decisão da Comissão criada para analisar as propostas para o teatro Rivoli de entregar a sua gestão ao desinteressado Filipe lá Féria.

A notícia foi divulgada no Telejornal Nacional da RTP1 agora mesmo. A União Europeia, que não deixa os seus créditos por mãos alheias, resolveu meter a mão nos nossos tomates. Indignação geral. De Capoulas Santos a Ilda de Figueiredo todos os nossos eurodeputados vieram salientar essa enorme injustiça, sendo certo e sabido que o tomate nacional é um bom produto e, factor não dispiciendo, um produto com uma natural vocação exportadora.
Vamos a ver como escapam os nossos tomates a esta investida castradora, digamos assim, da União Europeia.



Estou fora de moda, gostava de passar o Natal em Nova Iorque por uma ideia que não sei bem explicar... por um frio mais branco, por uma luz mais quente, pelo possível, pelo charme, por um glamour e uma inspiração saída dos filmes fora de moda.
Mas sem Nova Iorque, pode ser com o sorriso de Gene Kelly ou Do Céu caiu um Estrela com Bing Crosby e White Christmas, com um aroma antigo de resina e pinheiro, com uma casa quente e a repetição que nos assusta e que depois nos afaga, com um encontro, a voz de um amigo, com uma breve estrela, um momento que teima em resistir em nós, naturalmente.
Digam-me lá se não estou fora de moda!

"Procuradores e Arguidos do"Apito Dourado" candidatam-se a órgãos da Federação Portuguesa de Futebol" titula o Público de hoje.



Tocante este filme ou melhor esta história de vida, agora já disponível em dvd. A vida que desafia os limites e que age com uma resistência imbatível, toca-nos ainda mais quando o protagonista desta história (verídica) é um homem com mais de 60 anos, cujo espírito não se deixou abater pela idade. Inspiradora a força e o espírito de aventura de Burt Munro um neozelandês que bateu os records da velocidade na sua Indiana Scout dos anos 20 em Utah nos Estados Unidos.
Esta história de vida que não desiste, numa fabulosa interpretação de Anthony Hopkins, é daqueles filmes para se ver na sala de aula. Vejam e saberão porquê.

A Presidente do Concelho de Administração da Administração do Porto de Sines reagiu à divulgação do relatório do Tribunal de Contas contraditando "vivamente o que está expresso no relatório do Tribunal de Contas relativamente à inexistência de um acompanhamento e de uma fiscalização das concessões. É matéria que consta do nosso plano de qualidade, certificado por lei, e que tem uma tramitação rigorosamente cumprida" segundo refere hoje o jornal Público.

"O Tribunal de Contas (TC) considera que a Administração do Porto de Sines (APS) tem revelado uma gestão pouco criteriosa dos custos, e até, em alguns casos, desperdício de dinheiros públicos e falta de racionalidade económica." - Diário Económico, Hoje "

António Braz.

A terceira parte confirmou a sensação de que a montanha pariu um rato. A coisa ainda aqueceu com o tema da corrupção, mas aqueceu pouco. A questão resvalou para o episódio da tentativa de suborno a Sá Fernandes mas o essencial da eventual corrupção associada às operações de densificação ou de mudanças de uso ficaram à porta do debate. Mesmo com o episódio recente de Marvila a coisa não foi por aí. Apesar de Carrilho ter brilhado - final da segunda parte - quando acusou a vereadora do urbanismo de ser a vereadora dos loteamentos, uma forma de desenvolvimento urbano mais susceptível - devido à ausência de Plano - ao tráfico de influências, além de geradora, ou potenciadora, de um conjunto alargado de disfuncionalidades, ou malformações urbanas, que não vou agora aqui referir.
Depois passou-se ao caso da Baixa-Chiado que não esclareceu um único português sobre qualquer coisa relacionada com este dito "projecto emblemático", mas permitiu evidenciar duas coisas: 1º) A vereadora MJNP tem aqui o seu ex-libris cuja importância salienta, a cada passo, com um abundante tempero de lugares comuns, do estilo "cidade moderna", "cidade do século XXI" "forma de fazer cidade do próximo século", mais ou menos arrasadores; 2º) O conhecimento que a restante vereação tem do Plano é, a julgar pelas intervenções, fracote. Se Carrilho pretendeu desvalorizar a coisa pelo não comprometimento do Governo - bizarra a discussão sobre o estatuto do representante(?) do Governo junto do comisssariado - assim ao modo de "eu sei que o Governo não vai apoiar", os restantes optaram por desvalorizar cada um à sua maneira: Sá Fernandes com a vulgaridade do copypaste e Ruben de Carvalho revelando que o Orçamento para 2007 ignora o Plano.
Extraordinariamente nenhum dos vereadores da oposição - menos MJNP por razões óbvias - mostrou querer discutir as questões de fundo: o modelo institucional e o modelo de financiamento. Ora é ai que a coisa pia mais fino. É aí que, por exemplo no modelo institucional, se pretende fazer um by pass aos órgãos eleitos - bem avisada parece estar Paula Teixeira Pinto, a presidente da AM - conferindo a uma empresa, tipo EXPO, a gestão da coisa. Quando se fala de bypassar os eleitos fala-se de ignorar pura e simplesmente os cidadãos. Esses já votaram, não foi?
E quanto ao modelo de financiamento, agarrado ao modelo institucional, parece desenhado para a captação pelos privados da totalidade das mais-valias geradas pelo Plano (e a Cidade a ficar contentinha por finalmente ter sido possível recuperar a Baixa-Chiado). Mas esta questão é muito pesada e não valia a pena estar a discutir estas coisas no prime-time. Seria muito aborrecido. Não há share que aguente.
A questão da política de habitação (não!!!) consagrada no Plano - deve estar nalgum sítio porque no Plano o que se escreve não é coisa nenhuma - e o tipo de população alvo a realojar e com que condições de espacialização foi outro assunto de que ninguém quis falar.
A intervenção de Manuel Salgado- ex-futuro próximo vice-Presidente de Carrilho e projectista com intensa actividade na Cidade - alma mater do Plano - do copy paste na grosseira franqueza de Sá Fernandes - não ajudou ao esclarecimento. Mas recordou-nos, outra vez, a expresão citada pelo dirigente do Fórum Cidadania deLisboa, Paulo Ferrero, "sempre que ouço falar em modelo de gestão da Expo fico arrepiado”.
A Cidade que se cuide.

PS - quando refiro anteriormente que ninguém quis discutir as questões de fundo falo nos termos deste debate com o Plano no estado em que se encontra. Saliento que discordo completamente do Plano - que não é Plano nenhum, desde logo - que me parece francamente mau, deste tipo de estruturas tipo "Comissariado" , cujas ligações ao mundo dos negócios envolvidos na área do Plano deviam ser conhecidas e publicamente divulgadas, bem como de uma forma de fazer cidade que pretende passar à margem dos poderes locais eleitos e de formas mais alargadas de participação cidadã. Aspectos mais técnicos não são para aqui chamados, neste momento.

A segunda parte fica marcada pela discussão suscitada pela intervenção de João Miranda. Tradicional a aversão dos comunistas. Tradicional igualmente a hipocrisia da argumentação sobre as vantagens de todos participarem nos executivos. Quando estão no poder tratam os restantes eleitos sem qualquer respeito pela vontade dos eleitores. Diabolizam as oposições e nunca reconhecem a sua importância política.
Mas a segunda parte foi fracota. A intervenção de Sá Fernandes fica claramente prejudicada pelo facto de a discussão se ter centrado em aspectos gerais. O vereador do Bloco bem tenta chamar a atenção para aspectos particulares da actuação da "sua equipa" - uma nova entidade auttárquica ? - mas a tarefa revela-se fruste. A sua intervenção é descolorida e releva de uma hipervalorização do pormenor. Os vereadores do BE e da CDU optaram por tentar chamar a atenção para a importância das suas propostas e das suas actuações. É uma atitude que visa tirar partido do debate para publicitar a sua intervenção na Cidade em defesa dos seus . Esta estratégia empobreceu o debate. Fica a sensação de que ela esconde uma falta de ideias claras sobre um modelo alternativo de cidade e de gestão dessa cidade.
Carrilho passou o tempo agarrado a coisas pontuais mas teve um momento de boa qualidade quando falou da submissão ao imobilário e a um paradigma que se traduz na brutal perda de população. O mal é que isso já vem do tempo das maiorias de esquerda. Ora Carrilho quer à viva força fazer passar a mensagem de que os problemas da cidade começaram exactamente com Carmona. Isso descridibiliza a sua intervenção tanto quanto "a fama que o precede" de verador absentista. O gentlemam Carmona utilizou pouco esse argumento. Como seria numa situação inversa?
Carmona contou com a preciosa ajuda de Fontão de Carvalho que gere as finanças municipais desde os tempos de João Soares. Um conhecedor.
Conclusão de segunda parte: ainda quase nada se discutiu sobre Lisboa. Parece que a vereação não é grande coisa. Pelos menos os cabeças de lista não mostram terem na cabeça uma ideia clara e estimlante da cidade.

Afinal Sá Fernandes participou e o programa passou a ser "todos contra Carmona". Fátima Campos Ferreira, reagindo a uma indirecta de Carmona que comparou a dificuldade de governar a Câmara à dificuldade de organizar o programa rematou certeira: "ó sr. doutor mas organizou-se e foi uma vitória da democracia." Pois foi.
Mas a primeira parte foi até este momento um fracasso. Uma fraquita discussão sobre as causas do fim da coligação e Carrilho a comandar as críticas ao Orçamento Municipal. Críticas pontuais. Pouco significativas. As intervenções do público foi o que de melhor se escutou. Uma intevenção um pouco aparvalhada de Teresa Ricou a intervenção de peso de João Mranda, apontar para um outro programa sobre a arquitecura do poder local. As ideias que defendeu, são defendidas pelo seu pai desde há vários anos, e no essencial são as mesmas que defendo já desde os idos de noventa. É que os problemas do poder local são em grande parte resultantes do carácter aberrante da sua arquitectura. Que se traduzem na completa degradação do papel das Assembleias Municipais e no reforço do papel e do poder dos Presidentes das Câmaras. Mas isso é outra conversa e merecia por si só outro Programa. Fátima Campos Ferreira pareceu ter ficado surpreendida com as propostas de João Miranda assim a modos de quem descobriu a pólvora.

... segundo o Tribunal de Contas. Segundo o Tribunal de Contas, além da contratação de um gabinete de advogados em regime de avença, quando existem rcursos humanos na empresa destaca-se o facto de "A Administração do Porto de Sines adoptou ainda práticas ilegais quando se recusou a publicar a lista das adjudicações de obras públicas". Podiam estender a análise aos projectos e às fiscalizações ao longo de anos. Pequenos e grandes projectos. Pequenas e grandes obras.
A democracia exige que se acabe definitivamente com as adjudicações, de seja que tipo for e de que dimensão financeira, por outra forma que não o concurso público. Tal como exige a divulgação pública das adjudicações, do seu valor e do valor final pago.
Para as Administrações Desconcentradas do Estado para a Administração Local e para toda a Administração Pública.

EX é o prefixo mais usado nos dias de hoje. A transitoriedade dos acontecimentos na nossa vida, a rapidez com que tudo se passa leva-nos a ser qualificados pelo que já não somos. Ou seja somos quase todos EX de qualquer coisa. Com esta mania do EX para se definir pessoas a definição é feita mais pelo passado do que pelo presente. Será que há uma parte de nós que não consegue acompanhar o processo de transitoriedade da vida de hoje?

Muito se tem escrito, lido e ouvido sobre o envenenamento do ex-agente do KGB Alexander Litvinenko. As ramificações que envolvem o crime e os passos que a polícia inglesa agora segue fazem parte de um bom thriller de lotação esgotada. Todas as pistas deste crime parecem apontar para o Kremlin. Fazemos essa leitura quase por instinto, por um lado pela velha escola de um cinema guerra-fria, mas também pelo comportamento pouco claro e comprometido do governo russo face a inúmeras questões, tais como a questão chechena e o recente assassinato da jornalista russa Anna Politkovskaya. Esse apontar do dedo, tanto ao governo russo como à FSB (a sucedânea da KGB) foi feito pela grande maioria da comunicação social ocidental, o que foi muito mal recebido por alguma da imprensa russa. Estas tomadas de posição mostram-nos que por realidade ou ficção ainda existe um terreno pantanoso da pós guerra-fria onde se movimentam ex-espiões e ex-agentes por meio dos novos poderes instalados e das novas e velhas oligarquias. É assim como uma central atómica ou uma perigosa arma que aparentemente foi desactivada, mas que nos pode supreender com uma explosão inesperada, com perigos eminentes.
Mas tal como num thriller audacioso, que troca as voltas ao expectador, este tipo de casos passam-se no domínio público exactamente como um boa história de cinema cujo fim fica em suspenso. Fica-se com a impressão que algo nos escapa, que os verdadeiros implicados são esquivos, demasiado poderosos para serem punidos. Seguiremos os desenvolvimentos e teremos duas hipóteses (que deconfiaremos): ou nos apresentam os possíveis culpados ou o tempo vai apagando o trilho deste caso que será substituido por outro na comunicação social.
Lembram-se de David Kelly, o cientista encontrado morto que pôs em causa o dossiê que justificava a participação do Reino Unido na guerra do Iraque? Que eu saiba nunca mais se ouviu falar desse caso. E mesmo por cá, os casos Casa-Pia? Não perdemos já todos o fio à meada nessa interminável telenovela? Às vezes tem-se a sensação que a grande maioria das notícias são instrumentos de manipulação e que os verdadeiros culpados escondem-se nas figuras abstratas do estado, nas polícias secretas, nas instituições. Os verdadeiros implicados não têm um rosto, diluem-se nos instrumentos do poder. O poder ofereceu-lhes, a eles, essa possibilidade. E isto não é Le Carré, é a realidade.

Morreu Pinochet o sanguinário ditador fascista chileno. Responsável pelo assassinato de centenas de milhares de chilenos pelo único crime de serem democratas, socialistas ou comunistas. Pinochet traiu a democracia chilena que jurara servir e o chefe de Estado eleito democraticamente, Salvador Allende. Foi apoiado pelos Americanos campeões dos direitos humanos, como se sabe. Extraordinariamente a democracia prestou-lhe vassalagem e rodeou-o de mordomias, depois do fim da ditadura. Passou a ser normal utilizar a designação de ex-ditador nas referências ao carrasco chileno. Como se um pide pudesse deixar de ser pide ou um carrasco o pudesse deixar de ser.
Uma página pessoal negra na história da Humanidade. Um nojo de gente. Por momentos o mundo fica a cheirar um pouco melhor. Filho da puta.

Causou alguma sensação a declaração de Ségoléne Royal, no congresso do PSE, de que o senhor Trichet tinha que passar a ter a rédea mais curta em matérias que interessam à vida das pessoas. Como é do conhecimento geral as taxas de juro aumentaram cerca de 75% no último ano o que representa, sobretudo para as populações mais endividadas, um créscimo de custos quase incomportável para os seus orçamentos familiares. Sobretudo por via do acréscimo de encargos com as rendas do crédito à habitação.
Como é também do conhecimento geral a actuação do Banco Central Europeu e a sua autonomia resultam de um conjunto de opções políticas dos Estados Membros. Opções largamente determinadas pelos partidos socialistas europeus e em particular pelo partido pelo qual a madamme Royal irá tentar conquistar o coração dos franceses na sua viagem rumo ao Eliseu.
Soa, por isso, a hipocrisia esta conversa à volta da legitimidade do senhor Trichet. Sobretudo aquela parte do discurso da senhora Royal a recordar a falta de legitimidade política do governador do BCE já que não foi eleito pelos cidadãos. Este discurso, muitas vezes usado contra a autonomia dos juízes e do sistema de justiça, bebe no populismo mais reaccionário que se pode encontrar por essa Europa fora e de que em Portugal temos alguns exemplos bem sucedidos.
O que a senhora queria dizer é que neste momento em que as dificuldades das famílias europeias, resultado de opções de política económica de mérito duvidoso, aumentam está na hora de encontrar um bode expiatório. Neste caso Royal apontou o dedo a Trichet. Pudera, queriam que apontasse o dedo a si própria ou aos seus camaradas ali reunidos?

A opção de debater a situação actual da cidade de Lisboa num programa - o Prós e Contras - na televisão pública discriminando o único verador eleito pelo Bloco de Esquerda é de todo em todo inaceitável.
Foram convidados a participar todos os cabeças de lista candidatos que lograram ser eleitos. Bom, todos menos Sá Fernandes que tendo sido cabeça de lista pelo BE logrou ser eleito tal como Carmona Rodrigues, Ruben de Carvalho, Maria José Nogueira Pinto ou Manuel Maria Carrilho. Porque razão acontece então esta discriminação? Ou estaremos perante um acto de pura e simples censura?
Será que existiu uma preocupação de garantir que os participantes do lado de uma hipotética maioria -que se desfez por motu próprio no passado recente - estivessem em igualdade numérica com os participantes que representam a oposição municipal? Será admissível que para garantir esta regra, que não funcionou em tantas e tantas edições do programa, se optasse por censurar a voz de uma força política e daqueles qu optaram por nela votar? Que foram significaivamente mais do que, por exemplo, os que elegeram Maria José Nogueira Pinto.
A censura é inadmissível numa democracia. Ora parece que a RTP e o Prós e Contras decidiram censurar a voz de Sá Fernandes legítimo eleito e representante de muitos lisboetas que nele livremente votaram.

Todos os Governos cá do burgo têm, inevitavelmente, o seu "amigo Americano". No actual Governo o verdadeiro, o maior, "Amigo Americano" não está no Governo mas sim na Presidência do Parlamento: Jaime Gama de seu nome. O homem não suporta nada que pretenda colocar em causa o modus operandi da Administração Americana. Para Gama a fidelidade ao tio Sam não fica diminuída quando os Republicanos substituem os Democratas. Antes pelo contrário. Quando os tipos do PE deram em tentar descobrir aquela coisa dos aviões ao serviço da CIA a transportar "terroristas" para Guantanamo, com escalas disfarçadas em aeroportos de países europeus, Gama terá desabafado: "estes esquerdistas são lixados. Comigo iam ver o que lhes acontecia".
Acontece que, por razões de todos conhecidas, Sócrates ganhou as eleições e escolheu para ajudar a domesticar o Parlamento o notável Gama. E não é que os tipos do PE quiseram vir a casa do tio Gama reunir com os deputados portugueses. Que desaforo. Portas da Sala do Senado trancadas e os gajos na rua ou se quiserem a reunir com os amigos do Marques Mendes lá na saleca deles.
"Tás a ver George, com esta firmeza não precisavas dessa porra do Baker, tinhas o Iraque no papo" terá dito o homem que assegura a tranquilidade do sono da maioria no Parlamento

... o clarão que a flair da Repsol emite, que acende e apaga numa cadência assustadora, iluminando o céu a norte da cidade de Sines. Assustador o ronco pavoroso que acompanha o festival "luminotécnico".

O concerto que ontem à noite reuniu Jorge Fernando, Custódio Castelo, Filipe Larsen, Ana Moura e Margarida Guerreiro em Vila Nova de Santo André no âmbito das Cextas de Cultura é um deles. Um certo quê de profissionalismo desprendido e muita improvisação criou um ambiente único de três horas de espectáculo que passaram num ápice. Apesar da qualidade de todos os interveninetes, foi, sobretudo, as composições de Jorge Fernando e a guitarra de Custódio Castelo que mais brilharam.




















Nasceu há mais de cem anos, no dia 8 de Dezembro de 1894, essa poetisa de quem já não leio os poemas, mas que foi lida e relida nos alvores da adolescência, nessa altura da vida em que se está insuportavelmente apaixonado e se está assim, como Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

- Florbela Espanca -

O Público online fornece o link para a deliberação da ERC.
Uma das questões levantadas pelo estatuto desta entidade é a do carácter irrecorrível das suas deliberações e o perigo de se transformar num tribunal de jornalistas. Neste caso do artigo de Eduardo Cintra Torres um dos membros da ERC, que votou contra a deliberação, salientou - a julgar pela notícia do Público - que a ERC valoriza a componente sancionatória da sua intervenção, censurando reiteradamente Cintra Torres e o próprio jornal, em detimento da componente reguladora.
A deliberação da ERC já permitiu a alguns dos apoiantes, mais incondicionais, do actual Governo exigir o publico desagravo, como acontece aqui.

o Editorial de José Manuel Fernandes, no Público de hoje, sobre a deliberação da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social - relativa a um artigo de opinião de Eduardo Cintra Torres em que acusava o Governo de ter tido ingerência na forma como a RTP fez a cobertura da época de incêndios.
Cito: "Está a acontecer pior do que se previa. Muito, muito pior. A ERC, tal como aqui se alertou que podia vir a acontecer, transformou-se na principal ameaça à liberdade de imprensa em Portugal. Não é ainda uma comissão de "exame prévio" como no tempo do Estado Novo - mas não só se comporta com arrogância, preconceito, atitude de superioridade e poderes irrecoríveis, como o actual Governo, que tem a obsessão pelo controlo da informação, propôs, através das leis de televisão e da relativa à concentração dos media, que venha a ter poderes absurdos que, no limite, lhe permitiriam exercer censura em directo, interrompendo programas ou limitar o acesso aos media de operadores com capacidade para criarem empresas rentáveis e, por isso, menos sujeitas às pressões dos diferentes poderes.(...) E foi ao ponto[ a ERC] de considerar que um texto de opinião não devia ter sido publicado, isto é, que o director, eu próprio, o devia ter censurado. Numa deliberação com passagens que roçam a infâmia e a desonestidade intelectual, a ERC concluí que eu devia ser censor.(...) Eu acredito na liberdade e no confronto de opiniões. A ERC não. Não pisou apenas o risco: utilizou os seus poderes contra a nossa liberdade."

As declarações prestadas pelo actual Presidente da Câmara ao Notícias de Sines sobre a eventual existência de divisões no seio da CDU são muito esclarecedoras.
Afirmou Manuel Coelho:
- "(...) eu não crio divisões. Estou a cumprir o programa proposto pela CDU e aprovado pela população. Estamos a trabalahar o melhor que sabemos e podemos, seriamente."
- "(...) o que a Câmara deve fazer é informar a população devidamente dos nossos projectos.Mas não funcionamos em plenário. Temos um programa que é aprovado quando nos propomos à eleição, e depois executamo-lo."

Claro que o facto de no Programa da CDU não ser feita qualquer referência à demolição do Mercado Municipal e à sua substituição por um equipamento privado não atrapalha minimamente o raciocínio do autarca.
A população é que está errada pois elegeu a CDU isto é aprovou a demolição do Mercado e agora não deixa o homem trabalhar.

.. afirmaram o seguinte:
- "Há oito anos estas medidias seriam politicamente impensáveis, por serem de duvidosa conformidade com o príncipio do Estado de direito e com os príncipios da protecção da confiança legítima e da proibição do excesso deles decorrentes(...) Hoje, pelos vistos, os valores já não são os mesmos. É a vida..." António Carlos Santos. Antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do Governo de António Guterres.

- "(...) As sucessivas alterações fiscais e estes novos factos que passam agora a interromper ou a suspender os prazos de caducidade do direito à liquidação dos impostos e de prescrição das obrigações tributárias (reduzidos artificialmente, como se comprova, em 1999) estão aí a demonstrar, todos os anos, a falta de ponderação que o legislador tem reservado a estas matérias, numa fuga, muito irreflectida, ou pelo menos pouco ponderada, para a frente.(...)" Rogério Fernandes Ferreira - Antigo Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do Governo de António Guterres.

(Declarações prestadas ao jornal Público do passado dia 30 de Novembro a propósito das medidas incluídas no OE que visam diminuir os direitos e as garantias dos contribuintes.)

... tirar efectivamente aos mais fracos.
A eficácia fiscal, que tantos elogios recebe, faz-se em parte, à custa dos mesmos. Parte do acréscimo de receitas - seria interessante conhecer a percentagem - é feito à custa de multas e de coimas e de moras pagas por queles que não têm meios para litigar com as Finanças. Agora o PS descobriu uma maneira de colocar um ponto final nessa mania de as pessoas reclamarem. Quem reclama com o PS leva!!! Reclamou? Sai uma inspeçãozita. Continua a reclamar? O prazo de prescição das dívidas mantêm-se indefenidamente.
Quer levantar os bens que deu como garantia um ano depois da reclamação no caso de a Administração Fiscal assobiar para o ar e deixar correr o marfim? Era o querias, Isto com o PS muda. Agora "a penhora não será levantada qualquer que seja o tempo por que se mantiver parada a execução, ainda que o motivo não seja imputável ao executado" é o que defende o PS. Será por isto que o PS é fixe? Ou isto é uma norma de um estado autoritário? De um estado que despreza os direitos humanos?
A Banca contiunua a pagar uma taxa efectiva de IRC inferior a 11%. E assim continuará. Duvido que chegue a reclamar. Por exemplo no caso dos arredondamentos a recuperação das verbas pagas em excesso só será possível em tribunal. O Governo podia ter feito de forma diferente. Claro que ninguém vai a tribunal reclamar esta verba já que irá pagar uma parte significativa daquilo que receberá. O facto é que as pequenas "contribuições" de milhares de cidadãos têm feito as delicias dos bancos. É feio tirar uma delícia da boca de uma criança. Mas não deixa de ser feio fazer o mesmo a um adulto. Ainda que esse adulto seja um banqueiro.

PS- O Orçamento tem um conjunto de propostas - da lavra do Partido que (se)Sustenta (d)o Governo que vários especialistas consideram inconstitucional. Mas o humanista Cavaco não deverá ter qualquer estado de alma e deverá aprová-lo ipsis verbis.

A forma como nós vivemos, sobretudo nas áreas metropolitanas, é insuportavelmente dispendiosa em tempo de transporte. O congestionamento provocado pelo entupimento dos acessos a Lisboa ou ao Porto consome milhares de horas por dia e contribui de forma decisiva para a dependência energética portuguesa e para a factura cada vez mais pesada com a importação de produtos petrolíferos. São um factor de empobrecimento geral.
Ao longo de anos a engenharia do sector dos transportes tentou, e receitou, diferentes soluções. Todas falharam. Agora alguns especialistas aparecem com mais um conjunto de ideias miraculosas centradas na penalização da utilização do automóvel. Uma mezinha santa. É claro que é mais fácil penalizar aqueles que necessitam de se deslocar para a cidade de Lisboa para aí trabalharem do que tomar outro tipo de medidas.
Por exemplo alterar as políticas urbanas em particular a forma como se processa o desenvolvimento urbano e impedir - está nas suas mãos - que ano após ano os interesses do sector da grande promoção imobiliária expulse para as periferias milhares e milhares de cidadãos, sobretudo jovens. Gente que - não há bela sem senão - todos os dias é necessária para trabalhar na cidade. E que se desloca de carro porque é assim que ... o Estado quer.
Porque o Estado necessita dos impostos que a GALP paga e necessita que a GALP venda cada vez mais combustíveis. Para ter mais lucros.
Porque o Estado ao longo de décadas pretendeu que os cidadãos se deslocassem em transportes públicos, imobilizados nas bichas como os outros, sem ter coragem política para afectar à sua circulação sítios próprios e sem disponibilizar uma oferta capaz para a procuar crescente. Um dos enormes sintomas de prosperidade que diferentes Governos gostavam de apresentar - PS e PSD - era ou não a venda de carros ligeiros e de telemóveis?
Sem alterar o modo de vida nas nossas cidades. Sem colocar um ponto final na lógica do zonamento - separação entre local de trabalho de residência e de lazer - com o seu número infernal de deslocações, agravado pelo zonamento sócio-económico ditado pelos poderes que realmente ditam as regras da urbe, nenhuma medida será eficaz.
Mas, penalizar o uso do automóvel neste contexto, é sobretudo penalizar as vítimas deste processo elevando-as à categoria de culpados. Uma banalidade, hoje em dia.

... e ir viver para um local onde os bandidos não tratem as pessoas sérias como seus iguais.
Tenho dito.
http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1278328&idCanal=22

Joaquim Gonçalves

... o jogo desta noite em Alvalade. O Sporting podia continuar a jogar pela noite fora que nunca conseguiria ganhar ou sequer marcar um golito. O resultado é justo. Uma equipa que defendeu segura, chutou pontapés para a frente à procura dos avançados e teve depois o auxílio precioso da defesa do Sporting. A delicadeza de Custódio e a saída à maluca de Ricardo, no golo de Simão, podiam figurar no manual do "vê lá se falhas mesmo assim com a baliza aberta".
No primeiro golo, o Polga - o melhor jogador do Sporting esta época - estava a tirar as medidas ao Ricardo Rocha e o Ricardo a tirar qualquer coisa do bolso, quando levantou o braço ....
Bom, a minha fé neste sistema do Paulo Bento, sem extremos, com o ataque a ser feito sempre pelo meio é igual a zero. O losango é uma treta. O futebol é uma coisa mais simples. Os campos são rectangulares para se poder aproveitar o espaço disponível. Se não podiam adquirir a forma de losangos. O espaço sobrante podia ser destinado à jardinagem. Ao embelezamento do estádio. Dá pena ver os jogadores a centrarem para a área da entrada do meio-campo. Existirá algum sinal de circulação proibida ao longo das linhas laterais? Julgo que o Sporting não ganhará nada esta época. Este sistema não presta.
Nestes jogos lembro-me sempre de um jogador como o Doualla. Ou de um defesa direito como o Rogério que, além do mais, sabia jogarà bola.
O Nani necessita de um roullement de longo prazo. Talvez na Primavera já esteja outra vez bom. Agora é jogar com um a menos. Mais o Romagnolli, mais o Bueno, com o Custódio encostado aos centrais e o Moutinho desterrado na alas é muito avanço. Ninguém aguenta.


 

Pedra do Homem, 2007



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