Pelas sondagens que se vão conhecendo a vitória de Cavaco situa-se, cada vez mais, no plano das inevitabilidades. Extraordinária parece-me a conclusão que Alegra retira dessas mesmas sondagens. Diz o poeta que a última sondagem "Mostra que eu tinha razões para me candidatar e que a minha candidatura é essencial, pelo menos para obrigar a uma segunda volta ".
Do meu ponto de vista a sondagem divulgada pelo DN não legitima esta conclusão. De facto Cavaco aparece com 48,8 % muito perto da maioria absoluta, enquanto os diversos candidatos da esquerda não ultrapassam os 36%. Acresce que Alegre obtém um resultado que somado ao resultado de Soares equivale ao resultado deste nas sondagens realizadas antes da sua decisão. Diz Louçã que Cavaco ainda não começou a falar, mostrando optimismo com os efeitos nos eleitores da retórica cavaquista. Ora uma coisa que Cavaco ainda não parou de fazer foi falar e sobretudo falar sobre presidenciais, quase sempre começando por dizer que " se eu dissesse alguma coisa ia aumentar o ruído à volta dessa questão" etc, etc,etc.

"Não vão ter a cabeça de Peseiro." Imagino o desconforto que seria para os sócios receberem a cabeça do treinador das mãos deste notável dirigente. Equivalia a receber um CD-DVD com todo um manancial de "construção-descontrução de equipas, arte de fazer substituições em todo o campo e análise dinâmica do comportamento dos jogadores lentos". É mais provável que Meireles demita todos os sócios e todos os simpatizantes do SCP. Como fez com Pedro Barbosa e Rui Jorge. Não se pode "aboli-lo"?

Faro vai dar maioiria absoluta ao PS e a José Apolinário. José Vitorino perde, sem glória, uma câmara que conquistara em 2001, logo com maioria absoluta. Nos últimos dias insinuou ameaças de morte e "climas" sinistros e o povo "caridoso" deve ter decidido libertá-lo de tantos tormentos. O problema de Faro é que sucedem-se os candidatos e as mudanças PS-PSD e permanecem os problemas e a falta de soluções. Agora parece que o maior problema da autarquia é "gerir" -isto é pagar a obra e a sua manutenção - o Estádio do Algarve.
Para o PS esta é uma boa notícia. Vitorino, algumas semanas atrás aparecia com uma vantagem considerável. Foi-se.

Em Gondomar manda o "tio" Valentim. Maioria absoluta e mais de 10 pontos de vantagem sobre o somatório de resultados obtidos por PS e PSD juntos. Estamos todos a imaginar o homem naquele seu inglês fluente a exclamar contente da vida, " thank you, thank you" , ou então a confirmar para os mais incrédulos, "estão a ver, o Marques Mendes não muda nada, só se mudar os móveis lá em casa dele".

Carrilho está a 14 pontos de Carmona, segundo sondagem do Correio da Manhã. O independente escolhido pelo PSD ganha a câmara de Lisboa e provavelmente com maioria absoluta. Das restantes candidaturas é a CDU que aparece mais bem colocada com ligeiro avanço sobre o BE. De qualquer modo a soma de PS, CDU e BE fica abaixo do resultado de Carmona.
A confirmarem-se estes resultados no próximo dia 9, resta a Carrilho fazer um bom lugar de vereador, sob pena de um "precoce" desaparecimento político. A menos que nas próximas eleições autárquicas se candidate a Mafra.

Dias da Cunha quer mesmo transformar o ano do centenário num ano horribillis. A generalidade das pessoas já descobriu que o Sporting não joga nada e que cada vez que Peseiro mexe na equipa tudo piora. Os suecos, da quinta divisão europeia, ganharam em Alvalade. A pergunta legítima é a seguinte: que porcaria de equipa poderá perder com o Sporting ? Porque não jogou o Tonel? Porque jogou, mais uma vez, o Loureiro? Dia da Cunha é um homem poupado. Não sei se foi assim que fez fortuna. Poupa na substituição do treinador, poupa no preparador físico e os suecos acabaram fresquinhos e a malta com a língua de fora. Conclusão, poupa - ou elimina - nas alegrias dos adeptos. Como é que se pode substituir o Peseiro e o Dias do nosso descontentamento Cunha?
Bom é melhor passarmos para as coisas sérias. Passar às autárquicas. Estava a recordar Marques Mendes em Felgueiras e as palavras de ordem de apoio e veio-me à cabeça - isto dos suecos foi uma grande cabeçada - uma possível declaração de Dias da Cunha à imprensa hoje pela manhã: "Peseiro vai em frente tem aqui a sua gente"

Há uma "plataforma logística" no Litoral Alentejano. Não aquela que idealizaram os inventores do conceito "Porta Atlântica" associado ao Porto de Sines, enquanto grande porto de contentores. De capitais absolutamente privados.
Trata-se da plataforma de apoio ao tráfico de droga, em particular de cocaína. O Litoral Alentejano assume um papel líder na entrada em solo europeu de estupefacientes, sobretudo provenientes da América Latina. A direcção é sobretudo espanhola cabendo-nos a nós colaborar com pessoal não especializado. Os espanhóis detidos , sete hermanos, são proprietários de um valioso património imobiliário que as autoridades admitem(?) confiscar. Que relação existirá entre património imobiliário e droga? O "investimento estrangeiro" no Litoral Alentejano- aquisição de montes e de locais de armazenamento - parece estar, lamentavelmente, orientado para esta área do "negócio".

Segundo o Público online de hoje, uma empresa chinesa está a fabricar preservativos com os nomes Clinton e Lewinsky, para dois tipos de clientes: o produto Clinton destina-se aos consumidores com maior poder de compra e os preservativos Lewinsky destinam-se ao grande público. Que atributos terá o preservativo Clinton de que o pobre preservativo Lewinsky não se pode gabar?
Estes ex-comunistas são capazes de estender a "luta de classes" aos temas mais inesperados.

Na análise do Fórum ao capítulo "instituições públicas" Portugal ocupa o 1º (primeiro lugar, não é engano) lugar. Porquê? Porque "as instituições públicas têm pouca influência do crime organizado, um sistema alfandegário que funciona bem e tribunais independentes". Bom, quanto ao crime ele pode ser desorganizado, mas lá que existe, existe e muito. Ou a corrupção não é crime? Quanto aos tribunais são independentes de quem? Os outros países são piores? Valha-nos Deus, que isto está muito mal por esse mundo fora.

Para o Fórum Económico Mundial Portugal é um País muito competitivo. O Fórum classifica-nos num honroso 22º lugar entre 117 Países. Mais competitivos do que a Irlanda(26º) do que a Espanha(29º) ou incomparavelmente mais do que a França(30ª) . Esta classificação associada com os nossos níveis de desenvolvimento, a nossa qualidade de vida, seja lá isso o que for, associada com o facto de sermos o País mais desigual da Europa dos 15 e de termos o mais baixo preço hora, duas coisas muito concretas, deviam permitir-nos uma discussão mais séria sobre a famosa questão das razões do nosso atraso. E permitem uma conclusão: podemos ser pobres, sermos um país injusto na distribuição da riqueza, mas sermos "boé" de competitivos.

Começa a crescer uma critica contra as candidaturas independentes. A causa próxima dessa crítica são as candidaturas independentes dos chamados "candidatos arguidos". Ora, na realidade, essas candidaturas não são legitimas candidaturas de independentes, pois representam candidatos que se tornaram politicamente indesejáveis para os partidos mas que, por virtude do exercício do poder ao longo de muitos anos, dispõem de sólidos, e muitas vezes pouco claros, apoios sobretudo entre aqueles que beneficiam com certas prácticas autárquicas.
As verdadeiras candidaturas independentes, com as dificuldades que a lei lhes cria, dificilmente aparecem, enquanto os Isaltinos, Avelinos,Felgueiras e Valentins são "às resmas".

PSD, PP,PCP e Verdes votaram contra a proposta do PS de marcar um referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez antes do final do ano.
Esta "santa aliança" integra os comunistas, e o seu satélite esverdeado, que contrapõe ao referendo, um projecto de lei a ser aprovado pela maioria de esquerda existente no Parlamento. O PCP sabe que esta opção é susceptível de um aproveitamento político pela direita que argumentaria eternamente com a vontade do povo expressa em referendo. E sabe que uma futura maioria absoluta de direita revogaria essa legislação e avançaria com um novo referendo. Mas o que o PCP quer é pura e simplesmente criar dificuldades ao Governo e para isso não hesita, os exemplos são vários, em aliar-se à direita mesmo numa matéria em que existe uma clivagem tão grande entre a esquerda e a direita.
Repare-se na diferença da atitude do BE que apoia o projecto do PS embora salientando que caso não se encontre uma solução - por obstáculos vários - existe a solução parlamentar como último recurso. Aliás uma posição já defendida por dirigentes do PS como foi o caso de Jorge Coelho.
Diz-me com quem votas dir-te-ei quem és.

No último "Prós e Contra" , a que só assisti na repetição da RTPN, que tinha como objectivo discutir a política de preços dos medicamentos (?) travou-se uma acesa discussão entre o Ministro da Saúde e o presidente da Associação Nacional das Farmácias, João Cordeiro. Foram claras as acusações do ministro à ANF e ao seu enorme poder económico e consequente poder político. Ficou claro que o ministro pretende acabar com esse poder, que resulta em grande parte de um pagamento de 1,5 % do volume de vendas de todas as farmácias e que é consequência -habilmente aproveitada - da clássica sub-orçamentação do Ministério da Saúde. A ANF funciona assim como o banco de todas as farmácias com tanto dinheiro que investe milhões na compra de empresas de distribuição de medicamentos e pode, por exemplo, pagar às farmácias todos (!!!) os medicamentos fornecidos durante três anos na Madeira.
Foi agradável ver um ministro afrontar em directo um lobby poderoso e colocar-se numa perspectiva clara de defesa do interesse público. Faltam mais exemplos destes

Olá - Hallo
Adeus - Tot ziens
José Peseiro - Ronald Koeman

Isaltino, de acordo com sondagens hoje divulgadas, ganha as eleições com uma pequena vantagem sobre Teresa Zambujo. O PS passa para terceira força e o BE aparece com quase 6% dos votos. A CDU cai a pique.
Confirma-se que com a sua fraca candidatura o PS não aproveita a divisão no PSD. Pelo contrário perde eleitores que vão direitinhos engrossar as hostes de Isaltino. Nada de novo ou de inesperado. No entanto se como parece Isaltino não tiver maioria absoluta será interessante analisar que maiorias se formarão. Deve ser tudo em "prol de Oeiras" e do próspero sector do imobiliário, concerteza.

A Habitação foi o tema mais debatido pelos candidatos à Câmara de Santiago do Cacém. É importante voltar a esta questão que é crucial na generalidade dos municípios mas que é quase sempre ignorada, como se pode constatar nos debates televisivos.
Foi interessante assistir à defesa da necessidade de uma política de habitação que dê respostas a todas as procuras (BE) e articular essa política com as questões fundiárias, sobretudo em Santo-André (PS e BE). Ou associá-la à revisão do PDM, com a defesa da criação de uma reserva estratégica de solos municipais (BE) e defender o apoio às cooperativas de habitação (PSD e PS). Existem duas clivagens: Um primeiro grupo defende um reforço da intervenção da autarquia mas com o fundamental da produção de fogos a ficar a cargo do mercado (PSD e PS). Do outro lado, isolado, o BE defende uma intervenção da autarquia para lá do apoio aos insolventes. A outra clivagem é entre a CDU e os restantes. A CDU nesta matéria fica numa posição de algum isolamento já que tem contra si a sua actuação(omissão), nesta matéria, ao longo de 30 anos de poder quase absoluto no concelho. Nunca no concelho existiu uma política de habitação sequer uma política de habitação social. Trata-se da constatação de um facto e o candidato admitiu,aliás, ponderar no futuro o recurso à habitação a Custos Controlados. O que pode ser um erro - todos os diferentes candidatos admitiram este tipo de promoção - como se verificou em Sines, com a autarquia a onerar o preço das casas - com obrigatoriedade de aquisição de garagens - impondo uma natural segregação económica no acesso. "Descontrolando" os custos pode-se dizer.

O título deste post é algo provocatório. Mas é verdadeiro. Os trabalhadores da fábrica alemã de Wolfsburg da Volkswagen aceitaram reduzir os custos de produção do novo SUV da VW, em 850 Euros por unidade. Dessa forma a vantagem da Autoeuropa de Palmela, com custos salariais inferiores os custos por unidade baixavam mil euros, não justificava os custos políticos e sociais - despedimento de alguns milhares de trabalhadores - da opção. A única moral da história é a de que na globalização a escassez do emprego é usada, ad nauseum, para radicalizar a baixa dos salários. Nalgumas unidades da VW, em solo alemão, os trabalhadores recebem menos 20% do que a tabela salarial em vigor no resto do País.
Nestas coisas da tecnologia de ponta nós representamos para a Europa mais desenvolvida o papel dos chineses para o Vale do Ave. Bom agora estão aí os de Leste, com formação, poucos direitos sociais e salários baixissimos.

O Eurostat tem dúvidas e coloca questões sobre a forma como o défice de 3% foi alcançado nos governos PSD/PP. Em causa estão as contas de 2002,2003 e 2004 e a forma "excessivamente criativa" para os "cinzentões" de Bruxelas de conseguir receitas. Lembram-se do Citigroup e dos hospitais SA? Pois é.

A direita está impressionada com o "autismo" político do Governo, que não tira da contestação política de que é objecto a suprema lição, demitindo-se. Mas há uma solução de curto prazo que trás essa direita num alvoroço. "Pena é que este PR já não tenha nenhuma capacidade de decisão em relação ao Executivo. Mas outro chegará e avaliará a situação. Um Governo de maioria não pode agir contra a maioria(*), e fazer de conta que ela não existe. Se fosse apenas uma corporação, ou duas ou três, ainda vá. Mas são todas, sem distinções, e com o mesmo tipo de queixas. A continuar assim, o PS, a maioria e o Governo vão acabar mal."
(*) -esta frase é todo um compêndio de ciência política.

Excelente o debate na rádio Antena Miróbriga, a rádio de Santiago do Cacém, com a participação de todos os candidatos à autarquia. Excelente sobretudo pelos temas escolhidos que foram basicamente quatro: A habitação; a recuperação dos centros históricos; o desenvolvimento económico e o Plano de Pormenor da Costa de Santo André.
Os temas escolhidos são polémicos para a actual gestão sobretudo a habitação.
Os candidatos, quase todos, mostraram um nível de preparação elevado e conhecimento dos dossiers. O debate decorreu com urbanidade tendo cada um tempo para apresentar as suas propostas e acentuar as suas diferenças. Ganharam os cidadãos.
Um único senão: não se poderia ter evitado a perda de tempo das apresentações, manifestamente desnecessárias, já que toda a gente conhece os candidatos?
Se o debate fosse o exame final iria ocorrer uma significativa alteração no panorama político concelhio. Mas quem escolhe são os cidadãos. Naturalmente.

"Quem quiser continuar isolado, a viver de maneira marginalmente diferente, ninguém tem nada com isso, mas depois não venham pedir responsabiliddes". O aviso, feito assim com esta brutalidade, é de Alberto João, o ex-libris madeirense da política nacional, aos "estúpidos" que optarem por eleger candidatos da oposição. Dinheiro, obras e progresso, na sua versão, só para os nossos que os outros são umas bestas. Num país civilizado isto podia ter consequências pessoais e políticas para o Jardim.

Durante as últimas semanas tudo o que aconteceu à volta do "dossier" presidenciais motivou que Jerónimo de Sousa logo nos informasse que "tudo isto só reforça e evidencia aquilo que sempre dissemos: a especificidade da nossa candidatura."( a dele próprio). O que é que isto quer dizer?

por mais candidaturas que apareçam a direita sabe que é Soares o adversário. É sobre ele que concentram a sua artilharia. Veja-se a propósito o discurso de Luís Delgado sobre os candidatos, com a sua conclusão de que "O passado já foi, e Soares também". Por mero acaso não lhe ocorreu incluir nesse passado Cavaco Silva o "jovem" candidato da direita.

Infame

A comparação feita por João César das Neves, no DN, entre os defensores da legalização da interrupção voluntária da gravidez, os nazis e os esclavagistas. Escreve o senhor: "Os defensores da legalização, naturalmente, negam identidade humana ao embrião. Tal como os esclavagistas faziam com os negros ou os nazis com os judeus."

Luís Afonso no Bartoon, hoje no Público, sintetiza a sensação com que todos ficamos perante os discursos dos líderes partidários sobre as eleições autárquicas. De facto, por este caminho, só nas eleições presidenciais se discutirão as questões autárquicas.

Marques Mendes não resistiu e apareceu hoje a pedir ao Governo que revele as medidas difíceis do próximo orçamento para "o povo o poder julgar" nas próximas eleições autárquicas. Conseguiu-se assim "a unanimidade" de todos os partidos com representação parlamentar, com excepção do PS, claro.

É este o cenário que se apresenta aos portugueses nas próximas eleições presidenciais. As quatro candidaturas à esquerda não vão contribuir para maximizar os votos da esquerda e conquistar parte do centro. Vão introduzir desmobilização e divisão e nesse sentido irão facilitar a vitória de Cavaco à primeira volta. Seria interessante perguntar aos portugueses se acham que a eleição presidencial se deveria resolver à primeira ou à segunda volta. A resposta deverá ser no sentido de resolver tudo à primeira. Os portugueses estão fartos de eleições, em que se discute tudo menos aquilo que verdadeiramente interessa.
Cavaco com o seu perfil mais interventivo na vida política, que assusta muita gente mais à esquerda, colhe muitos apoios no centro-esquerda que desespera com a "inexistência política" de Jorge Sampaio. Se perguntarmos aos portugueses se entendem que o Presidente da República deve ter mais poderes a resposta deverá ser maioritariamente positiva. Face à falência do rotativismo PS-PSD e à degradação da situação do país, os cidadãos esperam que de Belém venha algo mais do que retórica.

Gostaria que existissem lugares
estáveis, imóveis, intangíveis, intocados
ou quase intocados, imutáveis,
enraizados, lugares que seriam referências,
pontos de partida, fontes.
(…)
Lugares assim não existem, e não existem
porque o espaço se converte em questão,
deixa de ser evidência, deixa de ser
incorporado, deixa de ser apropriado.
O espaço é uma dúvida: continuamente
necessito assinalá-lo, desenhá-lo; nunca me
pertence, nunca me é dado, devo conquistá-lo.
(...)

L’ espace (suite et fin).
George Perec (1936-1982). "Espéces d’ espaces."

A Rua



"(...) por quê medios la calle, sìn dejar de ser via pública urbana, sìn perjuício de los servicios que como tal debe prestar, puede y debe atender a otros que ella exigen, los vecinos por un lado y los transeúntes por otro, respondiendo a la vez a las exigencias de la locomoción y al organismo social y urbano (...) la calle sin perder su carácter de "carretera", está más principal e immediatamente destinada a prestar , y relmente presta una serie interminable de servicios a cual más importante al vecindario estante(...) En cuanto a la amplitud del conjunto de fajas y zonas destinadas al movimiento pedestre, después de meditar muy detenidamente sobre esta cuestión, resulta que por ningún concepto debe ser menor de la concedida al movimiento ecuestre y rodado... Esas superficies que en cada encrucijada quedan vacias y al parecer sin objecto, después de dejar plenamente atendidas las exigencias de circulación, ofrecen a los vendedores callejeros de comestibles y otros articulos de uso comùn y frecuente, puestos a propósito para atender su utilisima industria..."

Ildefons Cerdá.(1816-1876). "Teoria general de la urbanización. Reforma y ensanche de Barcelona"

Afinal Alegre avançou mesmo. Uma candidatura "exigida" por um sector da sociedade que não se encontra representada nas candidaturas já existentes, de acordo com palavras do candidato. Se conseguir formalizar a candidatura logo se verá a dimensão dos apoios. Do meu ponto de vista estamos perante mais uma contribuição para uma vitória de Cavaco à primeira volta.

Segundo as sondagens hoje reveladas, Fernando Seara deve manter a presidência da Câmara de Sintra. Os problemas de Soares são maiores do que os que resultam da mediatização futebolística de Seara, passam igualmente, e sobretudo, pela pesada herança de Edite Estrela. Como diz Miguel Portas "em Sintra, os socialistas não podem falar de urbanismo". É isso mesmo. A ironia desta situação de Soares é que os problemas que agora o perseguem em Sintra, foram criados, uma parte significativa pelo menos, quando ele era Presidente da Câmara de Lisboa.

Pedro Barjona é o Presidente da Câmara de Castanheira de Pêra. Confesso que nunca visitei este município e que até hoje nunca tinha ouvido falar do homem. A compra do DN deste sábado, e a leitura da GR, permitiu-me chegar ao conhecimento “do homem e da obra.”
A história da presidência de Pedro Barjona é a história da inversão do declínio a que o concelho estava, inexoravelmente, amarrado. Evolução demográfica negra, perda de jovens, envelhecimento da população, perda geral de população -16% entre 1990 e 2001 – ausência de investimento privado, escassas transferências de dinheiros públicos.
Pedro Barjona apostou no turismo e, com a já famosa “Praia das Rocas” – uma praia fluvial com ondas cujo modelo o autarca importou do Japão, gerida por uma empresa municipal, a cuja inauguração o autarca não conseguiu levar José Sócrates – conseguiu dinamizar toda a actividade económica do concelho. Com a Praia da Roca mas não só. Existe neste concelho uma prática política que é rara. Barjona não aposta no imobiliário como motor do desenvolvimento. Pelo contrário aposta na urbanização de iniciativa municipal com a colocação de lotes para construção a preços irrisórios. Para isso investiu 5 milhões de euros a comprar terrenos para que “a autarquia tenha o poder absoluto para decidir o rumo da vila, evitando a especulação e as opções urbanísticas desajustadas por imposição de privados.” Notável!!! Afinal é possível!!!
Para completar este quadro, de um enorme conforto para quem assiste à desgraça dos candidatos e das candidaturas autárquicas, na sua generalidade deprimentes, e à lenga-lenga vigara dos “projectos estruturantes” o homem não se recandidata. Apesar de ter a reeleição certa. É que impôs a si mesmo a regra que entende deveria vigorar: ninguém deve cumprir mais de três mandatos. O autarca do ano e da década. Apetece-me visitar Castanheira de Pêra e cumprimentar Pedro Barjona.


Enric Miralles (1955-2000). Arquitecto catalão.
Imagem enviada por Inês Madeira.


"Tem colocado on-line a grande referência da arquitectura catalã ANTONI GAUDI.(…). Há quem diga que Gaudi "reencarnou" em tempos num arquitecto também catalão cujo nome é Enric Miralles. Nasceu em Barcelona 1955, onde morreu vítima de doença prolongada em 2000. Tem uma obra construída notável, era um grande admirador de Barcelona onde vivia e trabalhava. (…) É mais um exemplo da arquitectura contemporânea a não perder, para mim uma grande referência."

Inês Madeira.

O Presidente da Câmara de Deputados do Brasil, Severino Cavalcanti, demitiu-se acusado de corrupção. O senhor recebia cerca de 3400 euros por mês como pagamento de uma concessão de um espaço para restaurante num anexo do edifício da Câmara dos Deputados, segundo notícia do Público de hoje. A demissão evita o inquérito e a perda de direitos políticos, pelo que o senhor que já tem 74 anos, voltará a candidatar-se em 2006 ao lugar de deputado já com a "folha" limpa. Pobre país. Deve ser da herança que lá deixámos.

Sócrates negou ao longo do dia ter tido contactos com Fátima Felgueiras e reafirmou na entrevista à RTP que o partido apoia o seu candidato. O esclarecimento sendo bizarro, um partido apoia obviamente o seu candidato, foi forçado pelas suspeições lançadas nos últimos dias e que o repto lançado por Assis ampliou. Importantes, igualmente, as declarações de Assis de que os militantes socialistas que integram as listas de Fátima Felgueiras irão ser expulsos.

Joana Amaral Dias, membro da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda, será a mandatária nacional para a juventude da candidatura de Mário Soares. Para a bloquista "só existem dois candidatos, Soares e Cavaco"( citação do Público) razão pela qual aceitou o convite do "eternamente jovem" Soares.

Fátima Felgueiras diz que Sócrates sabe que ela está inocente. Eis um bom critério para avaliar da inocência de alguém: ter uma pessoa importante, que "saiba" dessa inocência. Vamos agora a ver se os dirigentes do PS, os da primeira linha, vão a Felgueiras apoiar o seu candidato, aceitando o repto de Francisco Assis.

Se Fátima Felgueiras ganhar as eleições - a vitória deverá ser esmagadora - adquire uma legitimidade política que deverá tornar impossível qualquer acção da justiça contra ela. Sobretudo de uma justiça como a nossa, na qual os cidadãos não confiam exactamente porque, como se torna óbvio, ela não é imune às pressões do poder político e não trata os cidadãos como iguais. A legitimidade política, como referia Paulo Morais acerca da corrupção no urbanismo, legaliza procedimentos e práticas indignas das sociedades democráticas.

O facto de termos assistido, na televisão, a um debate com a participação de Fátima Felgueiras, aumenta a sensação de incredibilidade de que tudo isto se reveste. A senhora, com um ar "remoçado", para citar Ana Gomes, falou e argumentou com "aquela voz forte" de que, diz, Felgueiras está necessitada.
Os argumentos, à volta da legitimidade da decisão da juíza, são demasiado elaborados, eventualmente inatacáveis do ponto de vista jurídico, mas não anulam a sensação que os comuns dos mortais retiram deste caso: a de que em Portugal há um peso e uma medida especiais para os que têm poder e sobretudo poder político e poder económico que é uma mistura que se encontra, como em nenhum outro lugar, nas autarquias.

post sério

«O país assistiu incrédulo ao regresso de alguém que é acusado de corrupção passiva, abuso de poderes e peculato, que fugiu à justiça, que desafiou de forma acintosa as regras do Estado de direito, para no final verificar que é possível fazer isto tudo e sair em liberdade. Mais: concorrer ainda a um lugar público, o mesmo onde terá cometido os crimes de que é acusada.»

José Manuel Fernandes, in Público, 22-09-2005

Heidi Klum

O parque Güell é um dos lugares de visita obrigatória na cidade de Barcelona e uma das obras emblemáticas do arquitecto catalão Antoni Gaudi. Este parque público, que a UNESCO classificou em 1984 como "monumento artístico de protecção internacional", resultou de um tremendo fiasco comercial de uma luxuosa urbanização que Eusébio Güell, empresário, político e grande mecenas de Gaudi, pretendeu construir na periferia de Barcelona, na então chamada Montãna Pelada. O projecto de Gaudi contemplava 60 vivendas de luxo de que só se venderam dois lotes. No entanto as chamadas “infraestruturas” foram realizadas na totalidade e de acordo com a vontade do arquitecto ( actualmente o espírito é outro e em regra vendem-se os lotes e as infraestruturas logo se vê). Gaudi recusou terraplanar o local e aproveitou cada desnível do terreno para implantar os caminhos serpenteantes que hoje integram o parque, ou a grande praça do teatro grego sustentada por oitenta e seis colunas dóricas( O espaço inferior tem uma acústica absolutamente notável). Realizou um magistral aproveitamento das águas pluviais para tornar uma zona árida num local com uma vegetação exuberante. A urbanização correu mal, mas é caso para dizer: ainda bem.

Ana Gomes, no Causa Nossa, a propósito do regresso de Fátima Felgueiras escreve um texto no qual são patentes várias confusões e mesmo alguns esquecimentos bastante pouco compreensíveis. Em primeiro lugar Ana Gomes confunde força com poder. Fátima Felgueiras teve, e tem, o poder de não aceitar decisões da justiça desde que não concorde com elas. Foi por entender que estava inocente, um direito que lhe assiste, que se recusou a acatar a decisão da prisão preventiva e resolveu fugir, uma atitude inaceitável. O cidadão comum nas mesmas condições vai parar aos calabouços, como Ana Gomes não ignora. Volta forte, desafiadora e remoçada, como diz a eurodeputada, porque como todos sabemos as condições de alojamento no Brasil ou em Tires são muito diferentes, sendo que as primeiras remoçam e as segundas envelhecem, e porque terá negociado as condições do seu regresso. Um inaceitável privilégio, a ser verdade. Daí a poder-se concluir que a força do "remoçamento" transmite uma ideia de que se sente injustiçada vai uma distância infinita.
Mas o maior equívoco é na questão das solidariedades. Confundir o que se passou com Ferro Rodrigues com a situação de Fátima Felgueiras é chocante. O PS, do meu ponto de vista, terá colaborado na "liquidação" política de Ferro Rodrigues, mas manifestou ad nauseum solidariedade com a autarca de Felgueiras. Recorda-se de Narciso Miranda, de Jorge Coelho, dos seus camaradas socialistas de outros concelhos e até de Francisco Assis, apesar do que lhe aconteceu posteriormente? Recorda-se do que aconteceu a Barros Moura, que pagou um preço elevado por ter sido o primeiro - ou o único? - a denunciar o comportamento da autarca, ele que era Presidente da Assembleia Municipal de Felgueiras e estava bem informado? Foi afastado das listas de deputados, não é verdade? E não teve a mínima solidariedade do PS. Ainda agora a ex-autarca não corta as ligações ao partido, assumindo ter telefonado a Sócrates para lhe dar conta da sua candidatura e do seu regresso. Pelo lugar que ocupa e por lhe "merecer consideração pessoal" afirmou. Essa história da solidariedade está mal contada.

Bom dia


Antoni Gaudi (1852-1926) . Arquitecto catalão.
Parque Güell. Barcelona . Abril 2005

.. a afirmação "volta Fátima estás perdoada." Este é o primeiro passo numa escalada que vai terminar com a conquista da autarquia de Felgueiras.

O BE exige um Polis para as zonas suburbanas da cidade de Coimbra. Não seria mais sensato pedir, ou exigir, uma verdadeira política de cidades que desse resposta global aos seus problemas ? É que o Polis não dá as respostas que a cidade exige. Não responde às questões da habitação, às questões das acessibilidades, às questões dos equipamentos, às questões do emprego, que são fundamentais para que as zonas suburbanas possam adquirir a sua própira centralidade. O Polis, na generalidade dos casos, fica-se por uma intervenção especializada no espaço público, coerente com o urbanismo de produtos que, desgraçadamente, domina.
Luís Fazenda não terá visto a explosão do imobiliário junto à intervenção efectuada na margem do Mondego, ao abrigo do Polis? Cujas esplanadas são muito agradáveis é bom que se diga.

No Público de hoje - disponível online só para assinantes - pode ler-se, no Local de Lisboa, duas notícias na mesma coluna. A primeira titula "Autarcas do Alentejo definem prioridades" enquanto a segunda dá conta de "Luz Verde para mega shopping em Évora".
Sejam quais forem as prioridades que os autarcas definam, a construção de 12 mil metros quadrados de área comercial, na cidade de Évora, não parece fazer qualquer sentido. A menos que a liquidação do comércio no centro histórico de Évora, e em consequência a liquidação do centro histórico, seja uma prioridade.

A questão suscitada pelo Diário Económico, e de que Vital Moreira fala, dá uma imagem apenas parcial da bandalheira que grassa no ensino superior público. Para além destas acumulações de que o Diário Económico fala e que recupera a questão dos "Turbo-Profesores", combatida e denunciada pelo movimento associativo académico no 25 de Abril, há uma outra questão que não é referida e que assume uma enorme importância: falo da prestação de serviços a diversas entidades, nomeadamente a autarquias, através de empresas criadas no âmbito das universidades. Essa situação, que levou Adriano Pimpão, então Presidente do Concelho de Reitores, a lembrar, em entrevista ao Expresso, que a missão principal dos professores era ensinar e investigar contribui para a degradação da qualidade do ensino prestado. Aliás "ensino" é coisa que vários "professores" há muito deixaram de fazer, absorvidos pelas consultadorias e pelas prestações de serviços, muitas das quais para poderem ser feitas com o mínimo de qualidade obrigariam à dedicação exclusiva. Com a agravante de que as verbas recebidas por esses trabalhos só numa percentagem muito reduzida chegam aos cofres universitários. Seria interessante que todas as universidades, ao abrigo da transparência a que estão obrigadas perante os contribuintes, divulgassem as prestações de serviços que contrataram com autarquias e as remunerações recebidas e que elas fossem confrontadas com as verbas pagas pelas autarquias no âmbito dos mesmos contratos. Neste processo há um enriquecimento ilícito à custa da universidade, da qualidade de formação dos alunos e da saúde das empresas que actuaqm nos mercados, que assistem ano após ano à retirada desse mercado de uma parte significativa dos concursos em nome de acordos celebrados directamente com universidades, leia-se com os "senhores turbo-professores". Acresce que muitos desses se despissem o traje de "professores" teriam dificuldades sérias em ganhar um concurso que fosse. É que o execesso de trabalho se degrada o corpo dos que fazem um trabalho físico não faz bem à cabeça dos trabalhadores intelectuais.

... a promulgação pelo Presidente da República dos decretos do Governo relativos aos militares, que estão na origem da contestação por eles protagonizada nas últimas semanas. Sobretudo por ser efectuada antes da manifestação cuja convocação constitui uma forma de questionar a autoridade do Estado. Devo esclarecer que concordo com a atitude tomada pelo Governo de autorizar a manifestação e de proibir a participação de militares no activo.
Não me parece sensato que os militares e as forças policiais possam fazer greves e manifestações para protestar contra medidas dos Governos. Além do facto de, ao que parece, isso ser inconstitucional.

A CNE deu razão a Moita Flores entendendo que o candidato do PS à câmara de Santarém, e actual presidente da autarquia, utilizou propaganda da câmara para fazer campanha. Não foi só ele.

Ambos querem que o povo mostre um cartão vermelho ao PS nas próximas eleições autárquicas. Não preferem que o povo vote em cada concelho nas propostas dos seus excelentes candidatos?

O ministro da Agricultura negou que a nomeação do socialista Troncho para a presidência da EDIA seja uma nomeação política. Não teria sido mais sensato assumir a verdade?

Que semelhança há entre a vitória de Guterres em 1985 e a vitória de Merkel em 2005? Pelos vistos há alguma semelhança, como Luís Delgado explica com aquela sua capacidade, única, para deturpar a realidade.
A leitura do seu "ensaio (a partir da cegueira)" permite-nos confirmar o que todos já sabemos: a única solução de Governo estável, que se adivinha na Alemanha, tem Schroeder como chanceler e os Verdes e o partido de Oscar Lafontaine como parceiros.

A nossa direita, cuja presença nos média é notável, não pára de carpir as mágoas do resultado eleitoral na Alemanha. Os títulos e os editoriais variam entre a definitiva afirmação de "foi a Alemanha que perdeu eleições..." de José Manuel Fernandes, no Público, ao fantasma das consequências para o pobre Portugal, como escreve Pedro Ribeiro no mesmo jornal. Para muitos só um resultado fazia sentido: a vitória, clara, da direita. O povo alemão, estúpido, não lhes fez a vontade. A vitória de Merkel, que era maioritariamente considerada como menos competente para exercer o cargo do que Schroeder pelos (estúpidos) alemães, permitiria por si só a retoma, asseguram. As explicações para isso são pobres e resumem-se a uma presunção de que a senhora iria fazer implodir o modelo social alemão. Será essa a via para diminuir o desemprego, retomar o crescimento económico, diminuir o défice público? Os analistas da direita não perdem tempo com estas questões. Afinal o que lhes interessa é pura e simplesmente redefinir a posição da Alemanha na Europa, substituindo o eixo Paris-Berlim pelo eixo Londres-Berlim, reforçando a influência da Administração Bush no velho Continente. E sobretudo acabar com o modelo social que impede a precarização do trabalho e tem essa coisa inaceitável de impor níveis consideráveis de redistribuição da riqueza produzida. Um passo para esse caminho era a introdução do imposto único "à la Kirchhof". Os alemães estúpidos tão próximos do paraíso não quiseram entrar. Suspeitaram que por detrás da porta estavam as labaredas do inferno.

A saída do Doualla é a "arma secreta" de Peseiro. O homem tem alergia ao primeiro lugar. A equipa estava a ganhar, apesar dos sonolentos Luís Loureiro e Rogério, e a jogar um pouco melhor, toca a tirar o Doualla, para baixar o nível. O Loureiro é que ele não tira, garante-lhe aquela calma que ele tanto aprecia. E os treinadores adversários também. Com este treinador nunca ganharemos nada.

O Público de hoje revela que a não revisão do PDM foi um dos principais desaires da gestão socialista de José Ernesto Oliveira, em Évora. Este fracasso pode custar-lhe alguns apoios pois "o chumbo das propostas de revisão irritou o sector imobiliário, que tinha apostado na aquisição de herdades confiante que o alargamento do perímetro, prometido pela Câmara, lhe permitiria urbanizá-las."
Aqui está o cerne da "gestão autárquica". Valorização da propriedade fundiária por decisões públicas com chorudos benefícios privados. Os beneficiários são sempre os mesmos, o que varia é a cor política de quem toma as decisões.

Dados divulgados, agora mesmo no Telejornal, indicam que os portugueses ganham, em média, o mais baixo preço hora da UE a quinze. Pouco mais de 7 Euros/hora, menos 30% do que os Gregos e incomparável com os 28 Euros/hora dos Dinamarqueses.
Como somos o País mais desigual, isto é aquele em que os poucos mais ricos se apropriam da maior parte do rendimento produzido, podemos verificar que há portugueses que auferem salários indignos da Europa desenvolvida.
Este é um dado que não pode deixar de ser considerado em qualquer discussão séria sobre a nossa produtividade

Newet Grinrich, o republicano ex-presidente da Câmara de Representantes, corre o risco de ser apelidado de anti-americano primário pelos nossos ideólogos da direita. Isto porque, a propósito do furacão Katrina, Grinrich afirmou que "durante as últimas semanas, o governo federal e os seus equivalentes regionais e locais estiveram sempre abaixo de tudo.(...) é um erro continuar a defender sistemas e procedimentos que manifestamente falharam (...) se os danos foram sem precedentes, a verdade é que perfeitamente previsíveis."
(Courrier International. Artigo de David Ignatius cronista do The Washington Post.)

O projecto do PS de reforço dos poderes das Assembleias Municipais é mau. Contraria a ideia de que visava o reforço do controlo do exercício do poder executivo, ao mesmo tempo que acabava com a promiscuidade entre órgãos executivos e parlamentares. Possibilita que se diga que o PS quer reforçar o presidencialismo nas autarquias. Porquê?
Na realidade não há um efectivo reforço do poder das Assembleias Municipais, nem são garantidas condições para que elas funcionem de forma eficaz. Para que isso fosse possível era necessário garantir um reforço político das suas competências e um reforço do seu Orçamento.
Quanto ao primeiro aspecto a proposta do PS tem o mérito de trazer para a Assembleia a designação do Presidente da Câmara que será, em princípio, o cabeça de lista da lista mais votada nas eleições para a Assembleia Municipal. Tem igualmente o mérito de passar a ser na Assembleia que se discutirá o programa de Governo e a composição do Governo que será proposto pelo Presidente designado e ratificado pela AM.
O problema está na capacidade de demissão do executivo camarário. O PS impõe a necessidade de existir uma maioria de 2/3 dos deputados. Não é possível ser-se Presidente e ter o apoio parlamentar de menos de um terço dos deputados. Suponho que isso nunca se verificou desde o 25 de Abril. Na prática esta medida anula a eficácia da moção de censura da AM à actividade da Câmara. Torna a AM politicamente impotente para contrariar seja lá o que for. Como actualmente. Outro aspecto negativo é a persistência na inclusão nas AM dos presidentes da Juntas de Freguesia, com capacidade de votarem excepto nas moções de censura. Trata-se de uma forma de continuar a defraudar o voto expresso de forma livre pelos cidadãos. Acontece muitas vezes que quem lidera uma Assembleia Municipal não é o partido mais votado pela população mas aquele que aos seus deputados junta um maior número de Presidentes de Junta de Freguesia. Outro aspecto negativo é a limitação da escolha dos vereadores aos membros da AM. Deviam poder ser vereadores todos os cidadãos eleitores do concelho com capacidade eleitoral efectiva. Importava ainda alterar o número e a periodicidade das reuniões e nada é proposto nessa matéria.
Quanto à questão do Orçamento ela prende-se com a dignificação do órgão. Hoje as AM "pedincham" às Câmaras desde funcionários a papel ou uma salita para reuniões, com mesas e cadeiras se possível. Para quem tem que estudar um Plano de Actividades ou um Orçamento, ou analisar um Plano Urbanístico que está para ser discutido e aprovado, as condições actuais são em regra miseráveis. Condições que vão da parte logística – staff´s de apoio aos deputados municipais e instalações próprias para reuniões dos grupos parlamentares e das Comissões Especializadas – às condições materiais –existência dum Orçamento para despesas correntes e para pagamento de serviços que as Assembleias julguem ser necessários para obterem esclarecimento sobre matérias importantes, organização de debates com especialistas sobre questões urbanísticas, sobre questões de saúde pública, sobre a evolução do endividamento municipal etc. Sem esquecer a dignificação das condições remuneratórias dos seus membros.
Sem estas alterações as AM não passarão do estado comatoso em que se encontram e o poder presidencialista reforçar-se-á.

O secretário-geral da CDU lançou, em Odemira, um repto ao Governo no sentido deste apresentar o próximo Orçamento antes das eleições autárquicas. A mesma ideia do líder do CDS/PP e pelas mesmas razões.
Em Odemira o candidato é Cláudio Percheiro, o último presidente comunista da autarquia que é liderada pelo socialista António Camilo desde 1997. Cláudio Percheiro desempenha, desde então, funções na Câmara de Sines, liderada pela CDU, partido que nesta coisa de lugares para os "boys-friends and others" tem um longo currículo. Claro que construído no poder local mas nem por isso menos criticável.

Louçã trata desta maneira Avelino Ferreira Torres, candidato à câmara de Amarante depois de um longo e polémico "reinado" no Marco de Canavezes.
Haja alguém que chame as coisas pelos seus nomes.

Marcelo Rebelo de Sousa disse duas coisas sobre as eleições alemãs. Em primeiro lugar Merkel foi uma líder incompetente. Teve um resultado pior do que o seu antecesor na liderança da CDU/CSU. Em segundo lugar o resultado mostra que o eleitorado recusa a abolição do Estado social alemão, que era o principal objectivo de Merkel.
Para lá destas observações do "professor" importa dizer que Schroeder, que deixou o desemprego subir e foi incapaz de controlar o défice público, vê a sua esquerda reforçar-se e terá, caso queira ser chanceler, de abdicar de reformas que punham em causa vários aspectos do Estado Social Alemão. O social-democrata, dissidente do SPD, Lafontaine coligado com os ex-comunistas elegeu mais de 50 deputados no novo Parlamento. Schroeder não poderá ignorá-lo na definição dos objectivos da nova governação.

A esquerda venceu as eleições na Alemanha. O SDP, com os Verdes e o novo partido de Oscar Lafontaine, ultrapassam os 50% de votos, segundo sondagens à bocas das urnas, noticiadas pelas televisões Italiana, Inglesa, francesa e pela CNN. Em Portugal, a SIC Notícias ainda fala de uma vitória da CDU de Merkel. Trata-se de uma manifestação de dificuldade na adaptação à realidade. Ao mesmo tempo que o correspondente da SIC mistura uma vitória da CDU com uma coligação CDU/SPD para governar, Schroeder anuncia nas diersas teelvisões que vai garantir um governo estável para os próximos quatro anos. Assume de forma clara que continuará a ser o próximo chanceler.
A CDU teve 34,9 % e o SPD obteve 34,1%. A direita não chega aos 43% de votos, muito longe dos 48,5 nevessários para garantir uma maioria absoluta.



Sines. Setembro de 2005

"A GNR implicou comigo." Declarações de automobilista que, apanhado sete vezes sem carta, foi preso. (Expresso de hoje).

... José Maria Martins avança. Assim vai a "bolsa" de candidatos presidenciais, segundo o Expresso de hoje.

Barcelona. Março 2005.

Hoje em Grândola, encontro organizado pelo Bloco de Esquerda sobre os"Litorais Ameaçados do Distrito de Setúbal. Que alternativas?" para o qual tiveram a simpática ideia de me convidar. Irei falar sobre a situação de Sines e Porto-Côvo e não só.
Das 10horas - abertura com Francisco Louçã - às 18.15 minutos com encerramento por Fernando Rosas.

A obra

Isabel Damasceno, recandidata pelo PSD em Leiria, faz a pergunta de forma sincera: "seria admissível que Leiria não tivesse um estádio no Euro quando outras cidades de igual dimensão tinham o seu?" O estádio é, pelos vistos, a principal realização do mandato que agora termina. Custou quatro vezes mais do que inicialmente previsto e a sua manutenção custa à autarquia mais de um milhão de euros por ano. Bagatelas. As "obras" o Euro continuam a render. Depois dos milhões agora está na hora de darem votos.

Marques Mendes afastou 170 militantes do PSD de Oeiras, que apoiam Isaltino Morais. Volto a colcoar a pergunta que já fiz em tempos: sobrou algum militante, para além de Teresa Zambujo?

Quem contratou Vitorino? O ministério da Economia? A Galp? Ou a Iberdrola? Um destes dias vamos saber a resposta . O que já sabemos é que Vitorino faz parte de uma sociedade de advogados que foi adquirida, ou é sócia, de uma empresa espanhola. Empresa que foi contratada para assessorar a reestruturação da Galp. E que até aqui tem representado os interesses da Iberdrola na Galp. Iberdrola, empresa espanhola, que tem como presidente um ilustre deputado da nação, Pina Moura de seu nome. Ex-ministro socialista e ex-eminência parte do regime nos tempos em que era chamado o "Cardeal" de Guterres.
Não é possível colocar estas pessoas, felizmente para elas tão qualificadas, a tratarem apenas da sua vida e da empresas que lhes pagam, e deixarem a pólítica para quem queira fazer disso a sua principal actividade.

Na análise que se faz da relação entre a actividade imobiliária num dado concelho e as receitas desse município, há dois aspectos que são muitas vezes esquecidos. O primeiro é o que resulta da incompatibilidade entre uma intervenção urbanística reguladora do crescimento e do desenvolvimento urbano e a necesidade de obtenção de receitas. Esta contradição é resolvida nos diferentes municípios - nove em cada dez vezes - a favor das receitas.
O segundo aspecto tem a ver com o aumento da carga fiscal sobre os cidadãos proprietários de imóveis pela via da aplicação do IMI e com o agravamento que o IMTI representa relativamente à Sisa. A realidade contraria as boas intenções da reforma fiscal. As autarquias agradecem, os cidadãos pagam.

Se Manuel Maria Carrilho ganhar a Câmara de Lisboa ficarei muito surpreendido. Carrilho utilizou no debate desta noite com Carmona Rodrigues uma agressividade - lamentável a cena final com a recusa do cumprimento do seu adversário - que em condições normais lhe será fatal. O tranquilo e bem-educado Carmona exigia outro tipo de abordagem. Mais calma, mais afável e mais virada para propostas concretas e para o futuro. Voltar outra vez e sempre ao Túnel, ao Parque Mayer e a todas as coisas do passado, cansam qualquer um. À mesma hora no canal 2 passava um excelente documentário sobre projectos de Frank Loyd Wright e de Rem Koolhas. Irresistíveis.

Adenda: Este estilo de Carrilho esconde alguma impreparação. Que, passados alguns meses, vários debates e artigos publicados sobre a matéria, apareça a defender a redução do número de carros que entrarão em Lisboa, sem dizer uma palavra sobre o combate à perda de população é muito preocupante. Da mesma forma que não se entende a ausência de programa eleitoral. Imagino que algum "especialista" que com ele colabora deve estar a acabar a sua parte.

Uma nova sondagem, desta vez da Intercampus, dá uma vitória a Cavaco à primeira volta.
Ao contrário do que alguns dizem, penso que o professor atingirá maiores indices de popularidade quando desfizer o "tabu". As coisas não vão melhorar.

Na última Quadratura do Círculo, Pacheco Pereira e Lobo Xavier desenvolveram a mesma linha de argumentação relativamente à situação criada pelo furacão Katrina e às diferentes críticas de que a Administração Bush foi alvo.
Para eles, e para a direita em geral, quaisquer críticas que se façam ao desempenho da Administração só podem ser consequência de um "antiamericanismo primário".
Lobo Xavier não compreende que se fale em “gigante com pés de barro” ou ainda menos que se ponha em causa o modelo de sociedade americana, só porque o furacão pos a nu a sociedade dualista e injusta que é actual sociedade americana. Pacheco Pereira argumenta que toda agente já sabe que é assim, basta ter visto os filmes americanos que mostram à evidência essa sociedade de desigualdades.
O que ambos não percebem, e não aceitam, é que face a uma catástrofe anunciada com estas características, todos os cidadãos têm direito à protecção e à segurança, independentemente da sua situação sócio-económica. Para isso o Estado deve dispor de um conjunto de mecanismos de intervenção que permita aos de menores recursos obter a ajuda necessária para se poderem colocar a salvo. Para ambos, com particular ênfase para o democrata-cristão Lobo Xavier, a existência de pobres e de desfavorecidos é natural. Tão natural como o facto de perante catástrofes desta natureza serem eles as maiores ou as únicas vitimas.
O que fingem não perceber é que o Estado tem responsabilidades inalienáveis em matérias que são da sua exclusiva responsabilidade, como era o caso da manutenção dos diques que protegiam Nova Orleães. E que a sua demissão de gastar os recursos públicos com essas obras custou prejuízos incalculáveis ao país e um número de centenas ou milhares de vítimas. Esta é que é a questão decisiva: a existência de uma Administração que considera os menos favorecidos como dispensáveis e que não só não actua preventivamente no sentido de os proteger como face a uma catástrofe se revela incapaz de os socorrer atempadamente.
Quando falo do Estado falo dos diferentes níveis da Administração: local, estadual e central, embora Bush tenha, é um facto documentado ao longo das últimas semanas, indeferido a afectação de verbas para a reparação dos diques, pelo que as suas responsabilidades pessoais são maiores.

Na segunda parte do artigo Vital Moreira analisa as alterações a introduzir na forma de Governo, partindo da análise das propostas do PSD e do PS. Vital Moreira entende que nas propostas dos dois partidos “existe um evidente risco de criação de uma espécie de despotismo do presidente do executivo municipal, que só pode “legalizar” e agravar a situação presente.” Há vários anos que chamo a atenção para o facto de o poder local estar a percorrer os caminhos do presidencialismo-caciquismo recuperando uma tradição do Estado Novo. Esta evolução, como tenho explicado diversas vezes, faz-se a coberto do manto pseudo-protector do duplo parlamentarismo. Ambos os partidos acabam com as eleições para a Câmara Municipal passando o Presidente a ser o cabeça de lista da força política mais votada para a Assembleia Municipal. Acho uma excelente ideia.
Como se sabe o PSD defende a manutenção dos executivos multipartidários mas com o partido vencedor a obter automaticamente uma maioria absoluta. Esta posição é uma asneira política grosseira. O PSD justifica-a com a necessidade de garantir a governabilidade das autarquias. Ora o problema não é esse mas sim o de permitir o reforço do controlo democrático do exercício do poder executivo. Como o PSD nada diz sobre o reforço das competências da Assembleia Municipal e quer maiorias absolutas automáticas podemos concluir o seguinte: o PSD que reforçar o poder presidencial nas autarquias não se preocupando minimamente com o controlo democrático desse poder. Quer acrescentar mais poder presidencial ao que já existe.
Quanto ao PS defende os executivos homogéneos e o reforço dos poderes das Assembleias Municipais. Este projecto é coerente já que acaba com o duplo parlamentarismo – a tal falsa cláusula de salvaguarda” de que alguns falam – e coloca no órgão legislativo – a Assembleia Municipal – o controlo do exercício democrático do poder. Até aqui tudo bem. O problema está no facto de o projecto do PS, na sua recente clarificação, no que se refere ao reforço das competências das Assembleias Municipais contrariar esse objectivo. Na realidade não há um efectivo reforço do poder das Assembleias Municipais pelo que passa a ser defensável atribuir ao PS a vontade de reforçar os poderes executvos sem acautelar o reforço dos poderes de controlo da Assembleia Municipal. Acho este projecto mau pelas razões que explicarei de seguida. (continua).


Por uma questão de economia o Presidente da autarquia e o candidato da CDU combinaram encontrar-se para tirar a mesma fotografia. Como existiam dúvidas sobre quem devia "pagar o quê", acordaram que a fotografia seria oferecida pelo cidadão à Câmara e à CDU para "os fins que entendessem por convenientes".
Luísa Mesquita e Jerónimo de Sousa já declararam não terem nenhuma ideia sobre este camarada.

Luísa Mesquita, candidata da CDU à Câmara de Santarém, esclareceu a posição do seu partido relativamente aos gastos das autarquias com propaganda. Em causa estava a edição de uma publicação pela autarquia que fazia o balanço da "obra feita" nos últimos quatro anos pelo executivo do PS. Luísa Mesquita não concorda com este tipo de despesa até porque a autarquia está com graves dificuldades financeiras. Recorde-se que Jerónimo de Sousa indicara a diminuição dos gastos com publicidade pública como uma das formas de combater o défice.

A ideia de serem as mulheres dos militares a convocarem a manifestação não tem qualquer sentido. Trata-se de uma forma grosseira de ultrapassar uma decisão judicial e desrespeitar a legalidade democrática. A comparação com a participação dos militares no 25 de Abril é obscena.


Antoni Gaudi (1852-1926) . Arquitecto catalão.
Obras em curso na Sagrada Família oitenta anos após o falecimento de Gaudi.
Barcelona. Março 2005.

Mesquita Machado acusou Souto Moura de ser o único responsável pela derrapagem no custo do, tão badalado, Estádio do Braga. A obra, incluída no demencial plano do Euro 2004, custou mais 30 milhões de euros do que o previsto. Acresce o facto de o "previsto" já ter custado a escandalosa verba de 55 milhões de Euros. Para o "paleolítico" autarca de Braga a culpa é do arquitecto já que, assumiu, ter-lhe-á dado "carta branca".
Num país normal o que aconteceria a um autarca que desse carta branca a um prestador de serviços para gastar "à grande e à francesa"? Já me esquecia, Mesquita Machado referiu que o estádio é um "emblema de Portugal". Desta vez Mesquita Machado conquista a unanimidade entre as elites. Um emblema não pode ter preço. Viva Mesquita Machado.Viva Souto Moura. Viva o estádio do Braga. Viva Portugal.

O artigo de Vital Moreira, hoje no Público, com o título "O poder local como problema" tem o mérito de tentar trazer para a discussão pública este tema. Nas vésperas de uma eleição autárquica seria natural que o assunto já estivesse em cima da mesa de discussão e que os diferentes partidos fossem obrigados a comprometer-se com as propostas que defendem para reformar o poder local. Mas não é assim, infelizmente.
Vital Moreira faz uma análise exaustiva dos problemas que afectam o poder local. Saliento alguns que me parecem os mais importantes: défice de renovação política; crescente presidencialismo do poder local; crescente dependência do sector imobiliário no que se refere às receitas e a ineficiência dos mecanismos de controlo do exercício do poder executivo por incapacidade das Assembleias Municipais e por impotência dos meios de tutela estadual.
Quanto às mudanças que preconiza concordo no essencial com as que advoga para as finanças locais. O actual Governo tem como Secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, Rui Baleiras, economista, professor da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa que realizou para a Presidência da República o que me parece ser um excelente trabalho sobre esta matéria. As soluções estão lá expostas de forma clara. Importa que sejam reforçados os poderes tributários das autarquias de forma que a realização da despesa municipal seja assumida politicamente, passando a existir uma relação directa entre a obra e o esforço feito pelos cidadãos - que não deverão pagar mais impostos do que na situação actual - pelo que o autarca terá que explicar muito bem os objectivos da iniciativa. Actualmente como se sabe os autarcas limitam-se a preocupar-se com a despesa, já que as questões relacionadas com os impostos municipais são quase exclusivamente decididas pelo poder Central. A redução da dependência das receitas associadas ao imobiliário está consagrada no programa do Governo. Não está é explicada a forma como ela será realizada. Nesta matéria tenho uma proposta concreta que é a de aplicar o sistema adoptado pelos Italianos em 1977, com a lei nº 10 de 28 de Janeiro, que determinava que as receitas municipais associadas à construção não eram integradas no Orçamento municipal mas sim afectas a uma conta específica cujo objectivo era permitir realizar obras de melhoramento no conjunto dos edifícios dos centros históricos, intervir na qualificação do património histórico e monumental, adquirir terrenos por expropriação para realização de planos plurianuais, construir equipamentos necessários, em processos de urbanização de iniciativa pública. No caso Português a lista de utilizações pode ser ampliada, incluindo uma afectação para programas de habitação pública para famílias carenciadas de que estamos tão necessitados.
Penso no entanto que na questão da relação das autarquias com o imobiliário o essencial a fazer é a mudança do nosso Sistema de Planeamento tal como defendi no texto publicado no Público -Local de Lisboa de 21 de Agosto passado.(continua)

[ou ditos com menos de meia-hora de intervalo]

Pepe

Ricardo Costa

Pedro Emanuel

César Peixoto

A nomeação de Oliveira Martins, independente com forte ligação ao PS, suscitou uma reacção dwe censura, quase unânime, por parte das diferentes forças políticas. Estará em causa a perda de independência deste órgão de controlo do exercício do poder na sua vertente financeira.
O TC sempre esteve dependente dos sucessivos Governos. O PS veio quebrar uma regra de nomear personalidades independentes. Ora o presidente proposto está fortemente ligado à actividade política em representação do PS. Foi ministro e é agora deputado. Não parece ter sido uma ideia muito sensata.
Esta discussão, agora suscitada, devia ser uma boa oportunidade para discutir a (in)utilidade desta instituição. Para a generalidade dos cidadãos as avaliações que o TC faz sobre o desempenho das instituições, e que são do conhecimento da opinião pública, não têm qualquer consequência prática. O caso da Madeira é um exemplo dessa situação.
Uma forma de ajudar a corrigir esta situação é tornar o TC independente do Governo. Só assim ele pode adquirir efectiva autonomia. O mesmo se aplica por exemplo ao IGAT, quase paralisado por força da pressão dos tão poderosos autarcas e dependente de um ministro e da sua agenda. Além da independência do Governo seria necessário que violações graves das regras da contabilidade pública tivessem efectivas consequências políticas, nomeadamente em termos de perdas de mandato e de impedimento de desempenho de cargos públicos.

“Se considerarmos a engenharia uma arte – como eu acredito que seja – e voltarmos a um tempo em que não havia diferença entre a arte da arquitectura e a arte da engenharia, então poderemos pensar que depende de nós, especialmente da nova geração, que haja um renascimento da arte. Não é apenas a nossa herança mas também a mãe da herança que devemos traduzir em acção através da nossa capacidade de fazer edificações sempre reinventadas.”

Santiago Calatrava. "Conversas com estudantes. Conferências no MIT". Editorial Gustavo Gili. Barcelona.

Foi como Maria José Morgado classificou a atitude de oposição sistemática, adoptada por Fernando Ruas, a qualquer crítica feita aos autarcas. Sobretudo quando envolve referências a possíveis prácticas corruptas. Fernando Ruas opta pela estratégia de transformar os cidadãos que denunciam uma situação, que é de todos conhecida, em polícias e juízes.

Bom dia


Barcelona. Mercado de St. Josep . Março 2005

Oportunamente o "Prós e Contra" abordou o problema da corrupção nas autarquias. Com alguns convidados de peso, em particular Paulo Morais e Maria José Morgado. O vereador do PSD na autarquia do Porto reafirmou o que já dissera. A corrupção toma os partidos e adquire legitimidade política. A escolha dos cidadãos é feita depois de uma primeira triagem que exclui todos os que não pactuam. Há excepções felizmente.
Fernando Ruas fez o papel habitual de exigir provas. Maria José Morgado, num momento pedagógico, explicou-lhe a diferença entre o plano da cidadania e os planos da investigação criminal e da acusação. Será que entendeu. Registo a afirmação de Nogueira Leite. Quem viajar de norte a sul, pelo litoral, fica com a sensação que temos andado a eleger atrasados mentais.
Pois é, atrasados mentais com uma elevada avidez pelo vil metal.

Os lampiões estão à beira de um ataque de nervos. Um ponto e um golo marcado. Não há memória de um início tão mau. O simpático Koemam - não é ironia, o homem é mesmo simpático - arrisca-se a ir "apanhar tulipas" mais cedo.
Mas contra a nossa equipa as coisas até não correram mal. O Luís "escorrega e marca" Loureiro até estava a abrandar o ritmo de jogo de uma forma muito afectuosa para a vizinhança. Os tipos da "Bola" escolheram-no para melhor em campo, mas ele não é nada parecido com o João Moutinho, pois não? Estão a dar moral ao Peseiro para continuar a apostar no rapaz. Por falar no mister mesmo com uma vitória tão saborosa não me convence. Aquela ideia de tirar o Doualla foi mesmo uma "ideia solidária" com a vizinhança. Uma solidariedade que vem de longe.

Esta afirmação foi proferida por João Cravinho no programa "Diga Lá Excelência". Cravinho defende que o actual Governo tem condições únicas para combater esse cancro que corrói o País e o amarra ao subdesenvolvimento. Mas não deixa de referir o facto de as suas propostas sobre esta matéria não terem sido incluídas no manifesto eleitoral do PS. Sobre a questão do financiamento dos partidos Cravinho refere a sua convicção de que o dinheiro pago aos partidos pela obtenção de favores nunca chega a entrar nos partidos ficando em parte ou na totalidade na posse dos "cobradores".
Uma entrevista lúcida e corajosa de quem não se refugia atrás de lugares comuns para negar a evidência.

Ribeiro e Castro desafia o Governo a divulgar as principais medidas do Orçamento Geral de Estado para 2006, antes das autárquicas. O líder do CDS-PP pensa que elas serão bastante impopulares e quer, desinteressadamente, que o Governo as divulgue para que os Portugueses o possam castigar logo nesse acto eleitoral. Ribeiro e Castro exige ao PS aquilo que nunca lhe passou pela cabeça exigir ao seu partido ou ao PSD quando estiveram no poder. Trata-se de uma originalidade. Ou será politiquice oportunista?

Santiago Calatrava - Engenheiro Civil, Arquitecto e Escultor.
Milwaukee Art Museum - MAM -Hall de entrada.

Campeonato da Segunda Circular

Resultados da primeira jornada: 10.09.2005

Sporting 2 - Benfica 1

Classificação

1.º Sporting: 1 jogo, 1 vitória, 0 empates, 0 derrotas, 3 pontos
2.º Benfica: 1 jogo, 0 vitórias, 0 empates, 1 derrota, 0 pontos

Próxima jornada (segunda e última): 29.01.2006

Benfica - Sporting

A entrevista a João Cravinho no programa "Diga Lá Excelência, de hoje, foi notável. A simples defesa pelo entrevistado da ideia de que o Governo de Sócrates tem condições únicas para lançar uma política nacional anti-corrupção já valia o programa. Uma política de natureza preventiva que crie condições para que a corrupção não possa continuar a crescer.
Uma entrevista a rever e que merece futuros comentários. Fica no entanto um (grande) amargo de boca em todos os que viram o programa. Os dois jornalistas do Público - Eduardo Dâmaso e Manuel Carvalho - foram incapazes de se libertarem do "curto prazo". Até as férias de Sócrates no Quénia vieram à baila. Daí que se perceba o desabafo final de Cravinho quanto à incapacidade que manifestamos para discutir as grandes questões estratégicas do nosso desenvolvimento. Cravinho é, do meu ponto de vista, o mais qualificado defensor da importância estratégica de projectos como o TGV e o novo aeroporto internacional(independentemente de questões como o traçado e a localização). Não encontro no Governo alguém com igual capacidade técnica e política e naqueles que se opõem publicamente aos projectos poucos "espreitam" além do seu quintal e do dia de amanhã. Não ter abordado essas questões com tão qualificado entrevistado foi um erro crasso.

Para ler, hoje no Público -Local de Lisboa, um trabalho de Carlos Dias motivado pelos recentes acontecimentos trágicos envolvendo gangs juvenis cuja actividade é crescente em Sines e Santiago do Cacém. Para desenjoar da "ficção" da propaganda eleitoral. E para pensar e agir.

Bom dia


Luis Barragan (1902-1988). Arquitecto Mexicano.


Acabo de retirar da caixa do correio esta "coisa". Trata-se de uma publicação profusamente ilustrada, impressa em papel de boa qualidade, e que visa permitir à Câmara de Sines fazer o balanço do último mandato. Desculpem, acabei de abrir e afinal quem faz o balanço é o actual Presidente da Câmara. Trata-se, pelos vistos, de uma iniciativa unipessoal. O homem utiliza um tom pessoal, intimista, num esforço significativo para fazer chegar o "esclarecimento" aos cidadãos. Dois exemplos: "considero e assumo o trabalho autárquico como uma missão: uma actividade nobre, ao serviço da comunidade, das pessoas - que são a razão de ser do nosso trabalho (pág.5) " e "O Presidente da Câmara e as principais empresas industriais utilizadoras dos oleodutos existentes no Concelho têm vindo a desenvolver e a executar projectos para a melhoria das condições de segurança do espaço canal reservado para essa infra-estrutura de transporte de matérias perigosas. (pág.57)"
O "nosso trabalho" é o trabalho de todos os eleitos que integraram a Câmara? É o trabalho de todos os eleitos do seu partido? Ou, como parece, é somente o seu trabalho?
Falta esclarecer que o "Presidente da Câmara" se recandidata pela CDU e que as únicas fotografias de autarcas que se podem encontrar, ao longo das 60 páginas da publicação, são... do próprio, pois claro. Tudo pago com o dinheiro da Câmara, isto é, com o nosso dinheiro. Terá sido por coisas destas que o PCP processou Edite Estrela e Amélia Antunes em 2001? É caso para dizer: "Bernardino anda cá, põe mão nisto, olha que eles estão a abusar na dose."
PS - A oposição sobre esta matéria nada diz. Neste jogo não há rapazes bons. Há três vitímas: o erário público; os cidadãos e a democracia.

No debate sobre as propostas dos diferentes candidatos à câmara de Lisboa, para o relacionamento autarquia-porto, realizado ontem na Gare Marítima de Alcântara o PS, o PSD e a CDU entenderam que o assunto não justificava a presença do respectivo cabeça-de-lista. Extraordinário se atendermos à "importância" que cada um dos partidos diz atribuir à relação entre a Cidade e o Rio. Presentes estiveram Sá-Fernandes e Maria José Nogueira Pinto. Que divergiram numa questão essencial. Sá Fernandes criticou o plano estratégico da APL por não ter habitação junto ao rio, crítica que não foi apoiada pela candidata do PP, que defendeu uma ocupação urbana mínima dos espaços portuários.
Esta questão devia ser central no debate autárquico de Lisboa.

Carlos Tavares foi nomeado para presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. O ex-ministro da Economia de Durão Barroso deixa assim o lugar que ocupava no gabinete de apoio ao Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso. Desta forma o PS tenta acalmar as hostes social-democratas mostrando que "há lugares para todos".

A entrevista de Louçã ao Expresso significa que a candidatura do bloquista vai a votos. Do meu ponto de vista, já aqui dfendido várias vezes, esta situação potencia a possibilidade de Cavaco ganhar à primeira. Louçã defende que é impossível Soares ganhar à primeira volta mas não esclarece se é possível a vitória de Cavaco à primeira volta, num cenário de concentração dos votos da direita e com a, julgo que indiscutível, capacidade do professor de finanças de conquistar votos ao centro-esquerda. Defende que a campanha pode contribuir para derrotar Cavaco. Será?

As sondagens reveladas hoje apontam para a iminência da vitória de Cavaco à primeira volta. Essa tem sido a minha opinião, face à existência de um conjunto de candidaturas à esquerda com intenções de irem a votos. No entanto as coisas podem não ser assim tão lneares sobretudo se se verificar a junção de todos os votos à esquerda e se atendermos à pouca credibilidade do número de eleitores do BE e da CDU que dizem ir votar Cavaco.

Segundo sondagens do Eurostat, Portugal é o terceiro país da Europa com maior número de trabalhadores com contrato a prazo, atrás da Polónia e da Espanha. Afinal as "pseudo-rígidas" leis do trabalho escondem uma liberalização das relações, quase líder na Europa. Os nossos neoliberais vão ter que rever a matéria.

Lê-se no DN de hoje : "O Troiaresort pretende ser um espaço de lazer orientado para a família, com múltiplas actividades, como o golfe, a náutica de recreio ou o jogo."
Por outro lado ainda no mesmo jornal pode ler-se que este projecto significa "o definitivo abandono do modelo de turismo de massas "

Nenhum dos três canais de televisâo dedicou um minuto que fosse às declarações de Francisco Louçã sobre as relações entre Dias Loureiro e as empresas de combate aos fogos florestais. Será que elas existiram mesmo ou o que escutei na Antena Um durante toda a manhã foi pura ficção?




Modernizem-se! O fogo-de-artifício já era.

Agora, a técnica da IMPLOSÃO está disponível para todos. Com ela, poderão dar muito mais alegria às vossas festas, aproveitando para se livrarem das construções incómodas dos vossos concelhos e poderem emitir novas licenças de construção para os espaços outrora ocupados.

Garantam já a alegria do povo e a atenção da comunicação social para as vossas iniciativas. Contactem a Controlled Demolition Group através do telefone +44 (0) 1924 232600 e beneficiem de condições preferenciais até 9 de Outubro.

Este foi o debate dos dois candidatos que melhor conhecem os grandes projectos que fizeram a história recente da Cidade. Nalguns momentos tornava-se difícil entender exactamente aquilo de que falavam. Este excesso de "especialização" fez perder a perspectiva estratégica e as questões de carácter político muito importantes para o futuro da Cidade.
Na discussão sobre o Túnel, Sá Fernandes não usufruiu da vantagem esperada. Carmona conhece a questão em termos técnicos e politicamente fez uma pergunta assassina ao candidato apoiado pelo Boco : "Tem consciência do mal que provocou às pessoas? ". Sá Fernandes não pareceu contar com a pergunta.
Na questão das permutas de terrenos na Feira Popular, Sá Fernandes foi eficaz a salientar o carácter perverso do negócio - trocar baixa densidade por densidade elevada - mas Carmona defendeu-se com firmeza e enfatizou a transparência do processo.
Infelizmente ficaram diversas áreas por abordar e em particular a da habitação e do urbanismo. Lisbo muitas vezes, nestes debates , parece ser apenas um lugar maior do que os outros, e não é apenas isso. Parece que os candidatos acham alguns assuntos irrelevantes.
Um debate muito especializado que serviu o interesse dos dois candidatos. Carmona "safou-se" bem contra o adversário que lhe podia causar mais danos. Sá Fernandes mostrou, contra o recandidato e actual Presidente da Câmara, que conhece a Cidade e os seus problemas e os diferentes dossiers da autarquia.

Francisco Louçã revelou coragem ao denunciar o envolvimento de Dias Loureiro nos negócios do combate aos fogos. Dias Loureiro reagiu indignado e prometeu processar judicialmente o líder do BE. Louçã ripostou com a promessa de apresentação de provas esta tarde. Esperamos ansiosamente por novidades.
A posição que podemos tomar desde já é a segunte: em primeiro lugar Louçã revela coragem e faz em público acusações que se escutam em privado, sob a protecção cobarde do anonimato; em segundo lugar a nossa sociedade necessita urgentemente de uma operação mãos-limpas ao sistema político que inclua todos os níveis de poder e todos os partidos, ainda que só liderem uma pequena Junta de Freguesia. Aqueles que enriqueceram na sua pasagem pela política ou imediatamente a seguir deveriam ser rigorosamente escrutinados. Portugal necessita de políticos que possam andar de cara lavada e cuja vida seja transparente.


Linda Evangelista

Andei a procurar imagens do Simão Sabrosa e do Jorge Luís Borges, mas não encontrei nenhuma em que aparecessem juntos.

A Cidade genérica é a cidade libertada da escravatura do centro, da camisa-de-forças da identidade. Tem o sentido de hoje e surge das reflexões e das necessidades de hoje. É a Cidade sem história. A serenidade da cidade genérica cumpre-se através da eliminação da intervenção pública (…) Nas programações urbanas agora só encontramos lugar para os movimentos necessários, essencialmente aqueles dos automóveis. A rua morreu.”
Sem comentários.

Rem Koolhaas. " A Cidade Genérica". Domus 791. Milão. 1977.

Por um indesculpável lapso não foi aqui chamada a devida atenção para um artigo de opinião, publicado no Público da passada terça-feira, da autoria do arquitecto Nuno Lourenço, cujo título é "Música visual na rotunda da Boavista".
Nesse artigo Nuno Lourenço analisa a importância da Casa da Música enquanto "pólo de renovação urbana e lugar de vivências memoráveis". O arquitecto analisa, com brilhantismo, a monumentalidade do edifício, enquanto principal característica justificadora e legitimadora da sua existência, e que minimiza ou torna dispensável outro tipo de equações como o da adequação dos seus usos e funções às necessidades da Cidade, tal como torna dispensável a avaliação da relação do edifício com o espaço público envolvente. A organização espacial do edifício e o facto de Koolhas ter colocado ao nível da praça as funções que são secundárias para a organização do espaço público, "caso dos acessos às garagens e elevadores, os gabinetes administrativos, os acessos técnicos e de segurança (...)" torna a relação com o espaço público envolvente inexistente.
Para Nuno Lourenço "estamos perante um conjunto grave de erros de sintaxe resultante de uma hipervalorização infantil de figuração megalítica do edifício."
Uma análise que o próprio arquitecto holandês não rejeitaria, com a ressalva dos erros de síntaxe, o que não surpreende se tivermos um mínimo de conhecimento da sua obra e sobretudo se conhecermos o que ele escreveu sobre a organização urbana, na sua obra de referência editada em 1977 e cujo título é " A cidade Genérica". Koolhas subscreveria, com incomparável prazer, a frase " A Casa da Música é, antes de mais, um monumento e, como tal, os usos e funções que ali são instalados devem submeter-se ao facto consumado da sua monumentalidade" que sintetiza o carácter crítico do texto de Nuno Lourenço.

Santana Lopes saiu da Câmara sem realizar as inaugurações das "suas obras". Foi obrigado a regressar ao Parlamento sob pena de perder o mandato. Volta por cinquenta dias enquanto reorganiza a vida. O Parlamento nunca foi um lugar amado por Santana Lopes, mas dá jeito para reorganizar a vida. Este mandato de Santana Lopes enquanto Presidente da Câmara de Lisboa é a vários títulos paradigmático. Feito de saídas e de regressos e, finalmente, não concluído. Santana, hábil político, apareceu com um conjunto de promessas que lhe possibilitaram obter a vitória em 2001( claro que contou com a fatal sobranceria de João Soares). Recorde-se o combate aos prédios devolutos, a promessa de devolver 90 mil pessoas à cidade - que falta elas fazem, que bom que teria sido - o embargo de empreendimentos por excesso de área de construção, em violação do que os Planos determinavam, mas depois concluídos na mesma, a demolição de empreendimentos de habitação social objectivamente sinistros pela localização, guetos segregados da cidade. Tudo se esvaiu em quase nada. Passado pouco tempo embrenhou-se no projecto Gehry e no famigerado Túnel do Marquês e, no meio da tempestade gerada pela desistência de Durão Barroso, Sampaio promoveu-o a primeiro-ministro de Portugal. Terrível.

A manchete do Público de hoje suscita-me algumas dúvidas. De facto o jornal informa na primeira página que “Mais de Um Quinto da Área ardida é Propriedade do Estado”, para depois no interior – página 4 - esclarecer que 52 mil hectares de matos e florestas ardidas eram geridos pelo estado. Entre gestão e propriedade vai uma diferença enorme. Outra questão que me parece mal esclarecida é a contribuição de cada uma das partes para o combate. Quanto gastou o Estado no combate aos incêndios? E quanto gastaram os privados?

O chanceler, ao que parece, venceu o debate com a "candidata-favorita" da CDU, Ângela Merkel. A generalidade das sondagens apontam para a existência de 48 a 52 por cento dos espectadores que acham que Schroeder ganhou, enquanto só entre 28 e 32 por cento entendem que a vitória foi de Merkel. Até aqui tudo bem. O que é notável é o facto de a generalidade dos inquiridos ter ficado positivamente surpreendido com o desempenho da candidata da CDU. Afinal a candidata, anunciada como vencedora desde há vários meses, não tem parado de acumular gafes e de revelar incompetências várias em áreas fundamentais como no caso da economia. A sua solução de emagrecimento do Estado e de introduzir um imposto único com a mesma taxa para os ricos e para os pobres, são a clássica forma de pedir sacrifícios aos mais desfavorecidos para manter os privilégios dos mais poderosos.

Sá Fernandes introduz a necessidade de se "estabelecer uma quota de 20 por cento de habitação a custos controlados em cada novo loteamento" de acordo com notícia de hoje do Público. Esta medida suscitará aos nossos espíritos mais liberais uma incontrolável vontade de emigrar para um dos países... nos quais medidas deste tipo, e outras mais " radicais" são aplicadas há dezenas de anos. Isto caso o candidato apoiado pelo BE ganhasse a autarquia lisboeta.
É um contributo importante, mas ainda insuficiente, para colocar a questão das políticas de habitação no centro da agenda política. Aplauda-se.

PS - o termo radicais é aqui usado no sentido de realçar a modernidade, como diria o prof. Carrilho, deste tipo de propostas.

Foi a resposta que Sá Fernandes deu ao jornalista quando este lhe perguntou qual a sua preferência entre Carmona Rodrigues e Manuel Maria Carrilho. Mas parece ser esta frase a melhor síntese da sensação que os debates autárquicos sobre Lisboa vão transmitindo: Lisboa merece, de facto, mais. Sá Fernandes pareceu levar vantagem no debate. Em primeiro lugar contra- atacou com veemência o apelo de Carrilho ao voto útil da esquerda na sua candidatura. Acusou essa postura de anti-democrática. Mostrou estar mais bem informado sobre a realidade da cidade do que Carrilho, o que não admira dado o seu envolvimento com a discussão pública de tantas matérias que têm a cidade como pano de fundo. Apresentou-se com um programa já devidamente elaborado. Estranhamente nesta altura Carrilho ainda não dispõe do seu.
Sá Fernandes promete fechar as empresas municipais - tão criticadas por tanta gente - Carrilho quer mudar a gestão. Defendeu a municipalização da Carris e do Metro ao serviço de uma política de transportes que faça do transporte público o elemento central. Sobre os corredores bus mostrou conhecimento. Não serve para nada duplicar o número de coredores. O mais importante é torná-los funcionais.
Na questão do Túnel, Carrilho quis claramente atribuir a Sá Fernandes a responsabilidade pelos incómodos causados com a paragem das obras. Não pareceu bem. O argumento foi o de que a iniciativa do seu opositor fora meritória mas tinha sido feita fora do tempo. Ficou sem resposta para a contra-argumentação de Sá Fernandes: "porque é que não fez o senhor antes?"
Carrilho insistiu na resolução dos problemas da circulação automóvel com medidas de engenharia de trânsito. Ambos os candidatos esqueceram a questão dos milhares de cidadãos que são forçados a viverem na periferia. Deve haver alguma má consciência da esquerda que impede os seus candidatos de discutirem a questão da habitação em Lisboa.
Relativamente ao urbanismo a discussão foi paupérrima. O urbanismo em Lisboa são os negócios da Feira Popular - Carrilho não quis falar do passado enquanto Sá Fernandes denunciou o escândalo das permutas efectuadas por Santana e Carmona - e o Parque Mayer. Pouca coisa ou coisa nenhuma para falar com rigor.
Momento pior de Carrilho: quando acusou Sá Fernandes de querer extinguir tudo como Santana Lopes. Ninguém acredita na seriedade desta comparação, talvez nem Carrilho.
Momento pior de Sá Fernandes: a incapacidade de trazer para o debate a questão da habitação e a necessidade de travar a expulsão de milhares de lisboetas para as periferias.

Antoni Gaudi (1852-1926) . Arquitecto catalão.

Parque Güell. Barcelona. Março 205


A ler aqui mais algumas contribuições para a discussão. E aqui.

O debate foi fraco. Dominado pela dívida à GALP. A passagem pela habitação foi meteórica. Esta é uma questão central. Carmona Rodrigues argumentou, e não foi contrariado, que durante as presidências socialistas duzentas mil pessoas deixaram Lisboa para viver nos subúrbios agudizando o problema das acessibilidades. Recorde-se que os socialistas lideraram a Câmara de Lisboa entre 1989 a 2001. No período entre 1981 e 1989 foi o engenheiro Nuno Krus Abecasis que presidiu apoiado pela AD. Ora o êxodo de população de que Carmona fala, cerca de 300 mil habitantes em 20 anos, decorreu entre 1981 e 2001, de acordo com os Censos. Há claramente responsabilidades repartidas. As soluções para o futuro não ficaram claras sendo certo que os dois candidatos mostraram sensibilidade para o problema. As questões urbanísticas ainda não estão na ordem do dia. Nada foi discutido. Por exemplo os projectos para a zona ribeirinha. A questão da reabilitação urbana. Há uma falta de rigor nos conceitos que choca. Ficou por saber o que está efectivamente a ser feito. Ninguém questionou por que razão se constrói em Lisboa sem Planos de Pormenor. Maria José Nogueira Pinto domina melhor as artes da política. Falha depois quando as questões técnicas começam a aparecer. No caso do Túnel ou do Parque Mayer não passou do primeiro round enquanto o seu opositor foi, nesses processos, seguro e definitivo. Com Carmona sucede o contrário. Preparação técnica menor habilidade política. No entanto isso pode-lhe ser muito benéfico. O candidato do PSD aparentou uma calma olímpica e uma segurança que a realidade da cidade, aparentemente, não permitia sustentar.

O modelo utilizado pela primeira vez no debate entre Carmona Rodrigues e Maria José Nogueira Pinto é fraco. O jornalista preferiu gastar grande parte do tempo à volta do noticiário dos últimos dias, em particular da notícia da dívida à GALP de alguns milhões de euros, sem com isso conseguir esclarecer a real situação financeira da autarquia e se ela melhorou ou piorou no mandato de Santana Lopes/ Carmona Rodrigues.
O debate devia ser realizado à volta de grandes temas e com rigoroso controlo do tempo. Não faltam temas importantes: Habitação e Urbanismo; Finanças Municipais; Prioridades no serviços a prestar às populações; estratégia de desenvolvimento económico e social da cidade; estratégia de inserção da cidade nas grandes redes internacionais do conhecimento, da inovação e do investimento, entre outros possíveis. Podia-se igualmente discutir o modelo de gestão da autarquia-capital e a posição dos diferentes candidatos. Podíamos comparar todos os candidatos e as suas propostas.
Optou-se por uma discussão à volta da fogueira do curto prazo.

Antes de se dedicar ao ataque à candidatura de Mário Soares e à defesa da candidatura de Cavaco, para o que dispôs da segunda parte do programa, Marcelo Rebelo de Sousa analisou a situação provocada pela passagem do Katrina em Nova Orleães. Contrariamente à generalidade daqueles que à direita comentaram (?) o acontecimento, o professor foi claro a apontar responsabilidades à Administração Bush. Disse o professor que não é aceitável, sobretudo na maior potência económica e militar do mundo, uma tão grande incapacidade para prevenir os efeitos da catástrofe. referindo que Bush recusara aprovar os fundos necessários para reforçar os diques que protegiam a cidade. Que romperam como se sabe. Salientou o falhanço dos serviços públicos de apoio às vítimas e às populações atingidas. Colocou ainda esta questão elementar : se o Estado não é capaz de dar uma resposta eficaz nestas situações para que serve afinal o Estado? O professor arrisca-se a ser catalogado de "antiamericano primário" e de "aliado do terrorismo internacional" pelos próceres da direita que, dias após dia, têm escrito as maiores barbaridades sobre esta situação.

O Presidente da Câmara de Soure desde 1993, João Gouveia militante do PSD, vai ser o candidato do PS às próximas eleições autárquicas. O militante social-democrata sai do PSD porque o líder já não é Santana Lopes. A direcção do PS aproveita e esfrega as mãos com a possibilidade de ganhar uma câmara ao PSD nestes tempos tão difíceis. Completa falta de valores numa lógica de vale tudo quando o objectivo é o poder.

O Expresso, na sua edição da semana passada, noticiava o apoio de Belmiro Azevedo a Cavaco Silva na corrida presidencial. Na edição desta semana, numa breve com um destaque incomparavelmente menor, noticiava que afinal o empresário ainda não decidira nada quanto a esse eventual apoio. Será isto parte do jornalismo de referência de que o Expresso se reivindica?

Sou dos que acreditam que as eleições presidenciais se resolvem à primeira volta. Nesse sentido acho pouco razoável a candidatura de Francisco Louçã. Se não faz sentido uma candidatura do tipo de Jerónimo de Sousa - porque vai desistir - é preocupante o cenário da ida a votos de Louçã e o de uma eventual, e francamente possível, vitória de Cavaco à primeira volta.

O texto, habitualmente ilegível, de João Cândido da Silva no Público aproveita a catástrofe do katrina para atingir um novo patamar. Para o jornalista existe uma inaceitável ausência de solidariedade para com as vitimas que só pode ser explicada porque para a malandragem internacional " as desgraças que possam suceder aos Estados Unidos são vistas como inteiramente merecidas e como uma forma de os cidadãos americanos expiarem por obra de uma justiça poética ou divina, as culpas pelos actos do seu Governo." Pura Cegueira.

Teresa Zambujo, presidente da Câmara de Oeiras e candidata do PSD à reeleição, viu o seu vice-presidente demitir-se e manifestar o seu apoio a Isaltino Morais. José Lopes Neno alegou razões de ética. As mesmas razões pelas quais Neno permaneceu durante três anos como vice-presidente da autarquia a trabalhar como braço direito de Teresa Zambujo. E, ainda, as mesmas razões que o levam a considerar que Zambujo levou o concelho à estagnação, um mês antes das próximas eleições e , suprema surpresa, a apoiar Isaltino Morais.
Para acabar com esta novela não podiam publicar a lista dos militantes do PSD de Oeiras que não vão apoiar Isaltino Morais?

A nossa direita é quase sempre assim, com dois pesos e duas medidas. São chocantes as críticas que se fazem a qualquer referência à tragédia do Katrina com a acusação de que tudo não passa de uma campanha antiamericana. Uma campanha anti-Bush. A realidade não é suficientemente forte para os fazer parar e pensar. Porque será que milhares de pessoas pedem socorro em uníssono? Porque será que os serviços públicos não dão resposta à catástrofe, cujas trágicas consequências a Administração não foi capaz de minimizar? Porque será que por todo o lado só se vêem negros e velhos? Será que os que estão a morrer e a sofrer são os pobres, aqueles que não puderam fugir? Como dizia um idoso com o dinheiro que tinha no bolso não podia comprar gasolina para mais do que uns quilómetros! Porque será que, cinco dias depois, as pessoas não têem abrigo, nem água, nem roupas, nem medicamentos? Será isto o que acontece com a o liberalismo selvagem e a privatização das funções do Estado social?
Alguém disse um dia que tínhamos a direita mais estúpida do mundo. Pois pelo que se pode escutar e ler ela não perde uma oportunidade de o confirmar.


 

Pedra do Homem, 2007



View My Stats