.. .sucedem-se. Ou melhor as manifestações públicas de desacordo com orientações e decisões do Governo e de alguns dos seus membros começam a adquirir características de alguma ... regularidade. No caso "Correia de Campos versu Celeste Cardoso" Soares não tem dúvidas: "(...) há certas coisas que não se devem fazer e em vez de disciplinar, indisciplinam(...)"
Soares não esconde a preocupação com a evolução do seu PS e do Governo.
Etiquetas: Disciplina.Autoritarismo
"Isto não vai acabar bem", de José Pacheco Pereira, no Público, sobre a decisão de referendar ou não o Tratado Europeu. Cito ( e subscrevo): "(..) hoje, dia trinta de junho de dois mil e sete, eu, abaixo assinado, faço a mais fácil das previsões -isto vai acabar mal, porque está a ser mal feito, está a ser feito com má fé, está a ser feito com dolo, está a ser feito para nos convencer que o gato é a lebre. Eu ainda sou da escola que acha que o gato não é uma lebre e não conto aderir à União Nacional."
Etiquetas: Europa Comum
Etiquetas: poesia
O PS vai rever o Código do Trabalho. Vai rever significa que ainda não concluiu o processo. Mas na realidade existem algumas propostas que já são conhecidas. Propostas que suscitam muitas dúvidas no sector do trabalho. E que causam perplexidades mesmo à direita. Veja-se o caso das declarações de Bagão Félix ao CM.
Bagão sente-se ultrapassado pela direita e fala mesmo em aliança entre o PS e a CIP e de dávidas ao patronato.
PS - alguém se lembra das declarações dos socialistas quando a direita avançou com o anterior Código Laboral?
Etiquetas: Código Laboral
Era desta realidade, inevitável a prazo face às opções políticas deste Governo, que Soares falava na entrevista ao Expresso e, depois, na Universidade de Verão do PS em Setúbal. As sondagens são lentas a traduzir a realidade mas não a ignoram. Mais tarde ou mais cedo.
O Governo, o PS e sobretudo Sócrates, assistem a um recuo daqueles que os apoiaram, certamente mais cedo do que esperariam e não no melhor momento político. Todos mantiveram um nível elevado de simpatias por força de uma recomposição da base social de apoio que levou os socialistas ao poder com maioria absoluta. No momento em que a direita começa a exigir cada vez mais do Governo - vidé as exigências recentes do Compromisso Portugal - fica à vista a debandada de parte da esquerda que apoiou o PS em Fevereiro de 2005.
PS - Estes resultados não são boas notícias para António Costa em Lisboa. As asneiras políticas de Sócrates de que a falta de grandeza que as pessoas associam à sua acção contra o autor do blogue Portugal Profundo, e a ausência de uma atitude firme de repúdio pela acção da directora da DREN no caso Charrua ajudam a agudizar os afeitos nefastos do aumento do desemprego e das dificuldades crescentes de cada vez mais portugueses.
Etiquetas: Polítca.Ciclos
"Melancholia" de Anselm KieferEste post do "Ladrões de Bicicletas" contra a lógica simplista do "Fato Único" e a pretensa modernidade do "economês" mais pobrezinho.
Etiquetas: Competitividade
Valentim estrebucha na televisão. Os gajos que fizeram o relatório são uns incompetentes. As contas estão mal feitas. Em Gondomar não há dívidas. "O quê? Tiraram os dados das Contas de Gerência? Aprovadas pela Assembleia Municipal? Onde é que isso fica? Quem são esses gajos?"
Valentim, geralmente bem sucedido nestes conflitos com a realidade, corre o risco de sair do primeiro lugar do pódio. Manuel Coelho, e a sua equipa económica, preprara-se para subir discretamente ao primeiro lugar. Uma honra para Sines. Depois de terem conquistado a medalha de prata sabia bem trocá-la por uma medalha de ouro. Bem vendida nos leilões virtuais podia ajudar a pagar aos fornecedores mais aflitos.
Etiquetas: Endividamento Municipal
Quem o disse foi Ana Gomes, eurodeputada do PS ( aqui citada.) Uma entre algumas vozes socialistas que acham mal a reviravolta do Governo que aproveita a mudança de designação do Tratado Constitucional para sonegar aos Portugueses a possibilidade de o referendarem. Mais uma machadada no programa do Governo que diz: "(...) é necessário reforçar a legitimação democrática do processo de construção europeia, pelo que se defende que a aprovação e ratificação do Tratado deve ser procedida de referendo popular.(...)"
PS - entre os que acham que a necessida de referendar o Tratado se extinguiu com a mudança da designação destaca-se Sérgio Sousa Pinto. Um ex-jovem fracturante confortavelmente asilado na Europa. Um dos mais clamorosos erros de análise de Mário Soares nos últimos anos. Um bluff em vez de uma promessa. Como diz Paulo Gorjão um jovem muito velho na política piortuguesa.
Etiquetas: Participação, Politica
No Insurgente, Patrícia Lanca faz auma análise técnica dos males do sexo anal homosexual, num comentário a um post de um colega seu do blogue. Uma comentário que não é para tímidos, como a própria adverte. Ou não será para aqueles que ainda usem o cérebro, como alguém comentou?
... para eu não gostar do major Valentim Loureiro. Então não é que a sua câmara roubou à câmara da minha terra - Sines - o titulo da que tem o pior índice de dívida a fornecedores, em função da receita total do ano anterior. Gondomar venceu a câmara liderada pelo comunista Manuel Coelho conseguindo um score de dívidas a fornecedores de 139% das receitas do ano anterior enquanto o autarca da CDU não conseguiu, apesar dos esforços, ultrapassar os 120%.
A Lei das Finanças Locais estabelece que um município cuja dívida ultrapasse em 50% as receitas totais do ano anterior está em situação de rotura financeira. Mas a Lei das Finanças Locais é uma coisa e o que o major, e os restantes majores do país, diz é outra.
Esta via - que não é comunista nem social-democrata - é a utilizada pelas autarquias que têm uma capacidade de endividamento à banca enorme e que por esse facto ultrapassaram o seu limite de endividamento. Recorrem aos fornecedores que funcionam aqui como as vitimas involuntárias da má gestão alheia. Claro que não é facil articular esta realidade com a defesa do tecido produtivo e do direito ao trabalho de muitos trabalhadores de muitas empresas asfixiadas por este tipo de gestão. Mas esse é um problema para Jerónimo de Sousa resolver.
PS - estes dados foram revelados pelo Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses de 2005 e dizem respeito a 2005.
Etiquetas: Endividamento Municipal
A ver pelo "culture for life" dentro de um coração, se calhar aceitam-se ideias de aquisições para a colecção Berardo. Apesar de ser uma leiga no assunto, não ser funcionária pública, nem ser sócia de nenhum clube de futebol, imaginem, até gosto de alguma pintura. E é só por isso que sugiro a aquisição de obras de Anselm Kiefer, de quem junto duas pinturas para sustentar a proposta.
António Mega Ferreira é o primeiro alvo do comendador Joe Berardo. Se a coisa continuar, e o Estado não fizer a vontade ao Joe, ainda o vamos escutar a invectivar o bom do António - assim promovido a uma espécie de Rui Costa do CCB - com o seu tradicional:"Fuck him".
Adenda: para uma análise séria das razões próximas e distantes do conflito ler aqui e aqui.
Etiquetas: Mecenato. Despotismo
Carrilho manifesta, hoje no DN, a sua discordância completa com o acordo celebrado entre o Estado e Joe Berardo para a instalação deste no CCB. De uma forma resumida Carrilho afirma que o Estado fez um mau negócio e que a colecção foi avaliada por quatro a cinco vezes o seu valor real. Carrilho pensa mesmo que o acordo já deve estar a ser renegociado. Carrilho defende a tese de que mais valia esperar do que avançar com o acordo, uma tese contrária ao que Sócrates ontem defendeu ao criticar o "Estado" por não ter feito o acordo mais cedo.
Etiquetas: Política.Cultura
Uma das questões centrais da construção europeia é o afastamento - melhor dizendo a separação - entre os cidadãos europeus e a nomenclatura política de Bruxelas e, por arrastamento, dos paises membros.
Esta realidade é desejada pelas diferentes forças políticas no poder que aspiram a ter uma opinião pública amorfa e conformada embora, nalgumas ocasiões festivas, os protagonistas façam redundantes discursos que expressam a profunda mágoa pela separação entre os cidadãos e a política e manifestam uma vontade inabalável de promover a participação cidadã e a aproximação entre os partidos e os eleitores. Palavras , apenas palavras. Na primeira ocasião lá estão eles a dar o dito por não dito e a tratar os cidadãos como atrasados mentais a quem se pode, com umas simples balelas, remeter ao seu estatuto idílico de amorfismo e de não participação nessa coisa tão sofisticada e tão complexa - só para eleitos e para eruditos - que é a construção europeia.
É o que está a acontecer agora com a manifesta vontade de não levar a referendo o Tratado Reformador, brilhantemente sintetizada na declaração de José sócrates de que "colocar a questão da ratificação neste momento diminui as condições portuguesas para levar a cabo uma tão exigente missão que é fazer o tratado".
Pensar, discutir , participar, decidir são direitos dos cidadãos cuja concretização coloca sempre um qualquer inesperado problema à classe política no poder. Quando não lhes ocorre mais nenhum declaram tão somente que por uma questão de patriotismo não devemos ir por aí. Só um anti-patriota se coloca na posição de contribuir com a sua atitude para diminuir as condições de êxito do país. (udo o que se faz na política em Portugal é, aliás, para melhorar as condições de êxito do país e ainda ontem por duas vezes o primeiro-ministro o lembrou a toda a gente mais ou menos com as mesmas palavras a propósito da Nokia e do Museu Berardo .)
Nesta altura devo declarar que me sinto um perfeito anti-patriota. Quero que haja um referendo sobre aquilo que a nomenclatura europeia aprovou e quero participar na discussão e na decisão com o meu voto.
Etiquetas: Politica. NomenKlatura
... não se faz nada, meu querido. Terá sido isto, mais coisa menos coisa, que Joe Berardo afirmou a um atónito reporter da SIC ( Ricardo Serrano) ao lado de um Sócrates adepto - acabado de confessar - do surrealismo.
Etiquetas: Cultura. cacau
Maria José Nogueira Pinto acaba de esclarecer às televisões que entende o convite de António Costa como um convite profissional e não como um convite político. Ficamos esclarecidos.
Etiquetas: Lisboa. Política
a propósito do post do Eduardo Pitta o que eu acho mais extraordinário é a discriminação positiva dos "funcionários públicos portugueses, tal como os sócios de qualquer clube de futebol da primeira liga" que entrarão de borla. Imagino que durante as negociações Berardo terá sido intransigente na defesa dos superiores interesses culturais dos "sócios dos clubes da primeira liga" e que, confrontado com essa bizarria, o Governo exigiu a contrapartida dos funcionários públicos. E ainda há quem diga que o Governo elegeu os funcionários públicos como seus inimigos de estimação.
Etiquetas: A cultura é para todos
Este post de Eduardo Pitta no Da Literatura.
Demonstra bem como "o comendador" vai conseguindo o que queria: ter um Museu com o seu nome que lhe fosse lucrativo e estar na berra, ou mais formalmente, ter honras...
Etiquetas: Ler os outros
Vou marcar esta data: 07-07-2007 e este evento: Live Earth . Não direi que duvido das boas intenções, não falarei do lado político. Haja quem faça alguma coisa! O que está em causa é muito mais importante do que as próximas eleições legislativas nos Estados Unidos.
ara além dos palcos principais, muitas outras cidades e artistas se solidarizam com esta iniciativa. Lisboa seguiu esse exemplo: Xutos & Pontapés, Sérgio Godinho, Rui Veloso, Mariza, David Fonseca, Blind Zero, Tito Paris, Ala dos Namorados, Filarmónica Gil, Mundo Cão, Mercado Negro, Viviane e 4Taste são os músicos que já confirmaram a sua presença num espectáculo de entrada livre que se realizará no Pavilhão Atlântico.
... que a drª Maria José Nogueira Pinto vai ser nomeada a "toda-poderosa" comissária da Baixa-Chiado. Troca de posição com Manuel Salgado, mas quem continuará a dar o risco será a mesma pessoa.
Aliás Maria José Nogueira Pinto retribui agora um apoio que recebeu, de forma entusiasta, nas anteriores autárquicas. Como se sabe o arquitecto, depois da trapalhada com Carrilho, não foi para casa carpir as mágoas. Optou por escolher outro candidato a quem providenciou o seu apoio, tudo em prol de Lisboa. Bom, a ex-vereadora já lhe tinha retribuído em parte quando nomeou Salgado para comissário da Baixa-Chiado.
Existiu uma altura em que era aceitável, para alguma esquerda, dizer que reconhecia a Maria José Nogueira Pinto uma grande qualidade e dinamismo mas que não concordava com as suas ideias. Agora que as ideias são tão escassas todas as barreiras estão ultrapassadas. A frase mais polémica da ex-vereadora do PP, "isto não é uma fruteira onde se possam meter bananas, maçãs e laranjas e dizer que está tudo bem" podia, talvez, ser adoptada como lema da candidatura socialista.
Etiquetas: Política. Promiscuidade
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos).
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes.
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.
sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.
Etiquetas: moleskine
A decisão de Sócrates de processar o autor do blogue "Portugal Profundo" que levantou a questão das habilitações do actual primeiro-ministro foi objecto de um comentário de Marcelo Rebelo de Sousa bastante apropriado. Marcelo acusou Sócrates de se ter atrasado bastante na defesa do seu direito ao bom nome. De facto, tendo sido noticiado que Sócrates acusa o engenheiro de difamação, é caso para dizer que levou tempo de mais a perceber que estava a ser difamado já que António Balbino Caldeira sustenta a sua tese em posts publicados nos últimos dois/três anos.
Etiquetas: Dossier Sócrates
O Editorial do Público assinado por Paulo Pereira. Uma análise crítica do modelo de financiamento do TGV. Escreve Paulo Pereira que " o risco financeiro do TGV vai ser do Estado e não dos privados. Tradução: daqui a uns anos a obra vai custar milhares de milhões aos contribuintes".
O que é notável é que este editorial - que questiona o modelo de financiamento que tem sido utilizado em todas as concessões de obras púlicas, mais coisa menos coisa - espremido, espremido não leva a nenhum modelo alternativo. Tudo se resumirá a uma questão de "(...)rigor, honestidade e sobretudo toda a verdade(...)". Até porque tendo o editorialista descoberto que o risco é sempre do Estado não se conhece, nem ele refere, qualquer situação em que o concessionário tenha assumido qualquer parcela do risco. Os nossos empresários nem querem ouvir falar de casos desses. Como diria o Joe Berardo todos eles têm famílias.
Talvez Paulo Pereira não tenha lido o que o seu jornal publicou ontem - apenas na edição online - sobre a proposta do líder do BE. Que, por opção editorial, não chegou ao estatuto de notícia capaz de integrar a edição em papel do jornal. Mas que configura uma clara proposta alternativa de modelo de financiamento.
Etiquetas: Concessões seguras
"O Francisco Louçã é um inocente… a maior parte das concessões tem TIR entre 8 e 12% + Taxa de juro, neste momento cerca de 4,5% + taxa de risco (que não existe, porque o Estado paga pelo tráfego potencial) de 3 a 4%, isto é, pagamos uma taxa de juro de cerca de 16-18%, quando podíamos pagar apenas 4,5 a 5%. Em 30 anos, pagamos a obra aos pobres concessionários um pouco mais de 3 vezes… mas isto não é roubar o contribuinte… é apenas boa gestão… Bandidos e ladrões são os trabalhadores, até os da Administração Pública , quando defendem que o que é transferido para meia dúzia de accionistas de referência das concessionárias e bancos ficava melhor distribuído por umas centenas de milhar… Já não é (há alguns anos) uma questão de esquerda ou direita; é uma questão de irracionalidade económica ou de gestão danosa de bens públicos, manifestamente dolosa… "
Verdinho
Etiquetas: Roubos e Ladrões
... a caminho do mais preocupante retrocesso civilizacional aquele que é ditado pela conjugação assassina de doses elevadas de reaccionarismo militante e de estupidez crónica.
Etiquetas: Alarvidades.
Joe Berardo só faz bons negócios. Com o Estado, com o zé, com o joaquim e com o Benfica, naturalmente. Este talento do especulador madeirense não é atrapalhado pela manifesta dificuldade no manejo da língua pátria. Aliás Berardo quando quer ser claro sobre as suas intenções recorre ao inglês. Como aconteceu quando resolveu referir-se a Rui Costa. Depois para pedir desculpas ao "símbolo" do Benfica recorreu de novo ao português. Uma língua que ele manifestamente não domina.
Etiquetas: Linguagens alternativas
O líder do BE propôs hoje que o TGV seja financiado com recurso à dívida pública. Louçã explicou que fica mais barato ao Estado isto é aos portugueses. Mau negócio para as empresas é certamente. Isto se pensarmos na remuneração do capital investido que o Estado garante em situações como a da ponte Vasco da Gama. Segundo Louçã essa taxa é de 12%, quer chova quer faça do sol.
Outra proposta de Louçã foi a de avançar apena com a ligação Lisboa-Madrid. A ligação Lisboa-Porto é um enorme disparate, apenas possível num país de nababos a nadarem em dinheiro. Apenas a pressão do lobby nortenho justifica que se admita esse enorme disparate.
Etiquetas: Política. TGV
Hoje o Correio da Manhã divulga uma sondagem que coloca António Costa à beira de uma maioria absoluta. Esta sondagem altera todos os resultados das sondagens recentes. Talvez por essa consciência da "particularidade" o título escolhido não diga com o resultado. O que suscita indignações, naturalmente. Aliás nesta coisa das reacções às sondagens existem comportamentos muito tipificados. Os blogues que adoptam uma postura do tipo "militante" só comentam as sondagens boas para o candidato de estimação. No caso das outras fazem como os candidatos que recorrem ao chavão do costume: não comentamos sondagens.
O bom senso recomenda que ouçamos os especialistas e o que eles têm para nos dizer sobre o significado da coisa. Mesmo que tenhamos que esperar.
Etiquetas: Lisboa. Sondagens
redes, longas tardes de praia, toldos de riscas, super-maxi, bolacha americana, cafés de nome Mar de Prata, livros, areia, gente, sorrisos novos, varandas, ferry-boats, o inter-rail, regressos, desejos, o lado brilhante da noite, postais, esplanadas, a cor turquesa do mar, aquele disco de vinil, o copo fresco de Bombay Sapphire com muito gelo ...
O artigo de João Soares, no Público de 19 de Junho, em defesa da manutenção da Portela. Uma análise séria e rigorosa do ex-presidente da Câmara de Lisboa. Cito: "(...) Há anos juravam-nos que a Portela estaria esgotada em 2000, depois asseguraram-nos que não passaria de 2007. Viu-se. (...) Em Lisboa, com o aeroporto na Portela, existe uma possibilidade/oportunidade, quase única na Europa do Sul, de organizar um interface entre aviões e navios como em poucas outras capitais do mundo existe.(...) O que ainda não se fez, e há muito já deveria ter sido feito, foi a ligação do Aeroporto da Portela com a rede de comboios. (...) Há anos foi prometida a ligação em mon-rail entre a Portela e a Gare do Oriente. Onde está ela ? Como aliás onde está o metropolitano que se ficou a escassas centenas de metros do aeroporto da Portela?(...)"
Adenda: O que transparece na intervenção pública de João Soares em assuntos relacionados com Lisboa é a sua enorme paixão pela cidade e a sua capacidade para defender as suas ideias mesmo em desacordo com as posições do seu partido. Exactamente aquilo que falta a António Costa afinal um residente no concelho de Loures, num condomínio privado.
Etiquetas: Lisboa. Portela.
A ler " O liberalismo inconsequente de Sócrates" de Elísio Estanque no "Le Monde Diplomatique", edição portuguesa.
Etiquetas: Política. Desigualdade.
A Ler: "Asfixiar o Hamas fortalece a Autoridade Palestiniana?"
Posted by JCG at 6/20/2007 07:33:00 p.m.A excelente análise de Jorge Almeida Fernandes sobr o conflito entre o Hamas e a Fatah", na edição de ontem do Público. "A nova política do Governo israelita e da Administração Bush consiste em "separar a Faixa de Gaza e a Cisjordânia" em "duas entidades", ou seja, asfixiar o Hamas e fortalecer a Autoridade Palestiniana (AP) de Mahmoud Abbas, para negociar com "os palestinianos moderados". Esta visão aproxima-se da reacção imediata da Fatah: isolar Gaza, impedir o contágio islamista na Cisjordânia e colocar o Hamas perante a tarefa de governar e manter a ordem num território sem recursos.
Esta visão levanta algumas questões. O primeiro ponto é a própria "separação". O segundo é o modo de tratar o fenómeno Hamas: não havendo nenhuma "boa política", qual a que menor risco implica?
Gaza e Cisjordânia são realidades históricas, sociais e culturais distintas. O golpe do Hamas e a imediata nomeação dum novo governo por Abbas acelera a ruptura. Os argumentos contra a "separação" são de duas ordens. Do ponto de vista económico, Gaza não tem viabilidade. A ruptura territorial condena-a à catástrofe, que nenhuma ajuda humanitária evitará, e criará um enclave islamista, candidato a "santuário terrorista".Será ainda possível anular a ruptura e restabelecer as relações entre o Hamas e a Fatah? O Hamas - que "agora tem algo a perder" - tenta amenizar as relações. (...) Mas ninguém vê o Hamas disposto a abrir mão da sua conquista.
Contra o isolamento, argumenta o MNE espanhol, Miguel Moratinos: "É preciso continuar a criar os fundamentos de um Estado palestiniano e, ao mesmo tempo, evitar que o Hamas possa consolidar a sua hegemonia em Gaza por métodos militares e violentos."
Nos próprios EUA muitos analistas falam no risco de a Administração Bush estar a fazer mais um "cálculo perigoso", tão perverso como a política de "asfixiar" o Hamas após a sua vitória nas eleições, no pressuposto de que fortaleceria Abbas. "Quase todas as decisões que os EUA tomaram para interferir na política palestiniana produziram um efeito de bumerangue", anota o antigo negociador Robert Malley, do International Crisis Group.
Os israelitas dividem-se. No Ha"aretz, o analista Akiva Eldar sublinha que a política de Sharon acaba de dar os últimos frutos, a ruptura entre Gaza e Cisjordânia, visando dividir esta última em muitos "bantustões". (...)".
Contestando a nova política israelita, Ronen Bergman, correspondente do Yediot Ahronot para os serviços secretos, adverte contra a ilusão de que "é bom para nós que os árabes se estejam a matar uns aos outros". O caos criará "regiões ingovernáveis" como o Afeganistão ou a Somália. Propõe a rápida intervenção de países árabes, como o Egipto e a Arábia Saudita, para forçar a negociação de um cessar-fogo entre o Hamas e a Fatah. Sugere uma troca de prisioneiros para obter a libertação do soldado Gilad Shalit, raptado em 2006. Pede uma imediata ajuda económica a Gaza. Porquê? A prioridade é a segurança, evitar que o Hamas se torne num "Hezbollah sunita", filial dos Guardas da Revolução iranianos, questão vital para a segurança de Israel.(...)."
Etiquetas: Política global
Um primeiro comentário muito breve: nível muito fraco da generalidade dos candidatos. A maior desilusão foi António Costa. Porta-se como peixe fora de água. Falta-lhe a paixão de quem tem ideias próprias e uma vontade inabalável de as concretizar. SDendo um político de reconhecidos e elevados méritos o que se pode concluir é que avançou para esta missão sem que isso tivesse sido determinado pela paixão que motiva os grandes líderes caoazes de marcar a vida das grandes cidades.
Negrão foi fraco e Carmona esteve irreconhecível. Sente-se que o engenheiro se coloca a jeito para ser ele a assumir a defesa dos erros do passado recente e que convive mal com a presença de Negrão na disputa.
Olhando apenas para os dois candidatos que podem conquistar a Câmara - embora não tenha dúvidas que o próximo Presidente será António Costa - a coisa não vai melhorar nos próximos dois anos. Lisboa merece mais e melhor.
Telmo Correia esteve péssimo mas acabou por ser dele a frase do debate. Acusou Costa de ter saído do Governo mas de o Governo ainda não ter saído dele. Uma frase assassina legitimada pelo sorriso de "apanhado" de Costa. Mas Telmo vai protagonizar o desparecimento do PP da autarquia lisboeta.
Roseta teve uma proposta mediatizável mas que não faz qualquer sentido. Falo da ideia de que os problemas do urbanismo sejam discutidos por todos ao que parece em pé de igualdade. Seria melhor e mais saudável que cada um apresentasse durante a campanha as suas propostas concretas nesta matéria por forma a que os cidadãos pudessem escolher com critério. Não se percebe porque razão irão os eleitores escolher Roseta para depois, caso ganhasse a Câmara, decidir as questões urbanísticas com aqueles que defendem príncipios e estratégias opostas às suas. Mas esta opção de Roseta é susceptível de lhe render votos.
Sá Fernandes que desce muito aos pormenores - uma qualidade para quem é acusado de só destruir - e que mostra conhecimento dos aspectos prácticos falou de uma das questões mais importantes da cidade: a necessidade de inverter a perda de população. A sua proposta de ganhar 50 mil habitante nos próximos 6 anos representaria uma alteração radical da actual situação. Lisboa entre 1981 e 2001 perdeu cerca de 13600 habitantes por ano. O problema é saber-se como se pode inverter uma situação como esta. Ora isso mexe com a questão urbanística, com a questão das políticas de habitação, com o conteudo dos planos urbanísticos, com a forma como a autarquia (não)gere o processo de desenvolvimento urbano, com o destino a dar ao património devoluto do Estado. Mexe com a política fundiária e a gestão das mais-valias urbanísticas questões relativamente às quais a nossa legislação é omissa. Culpa da classe política que temos tido que aliás está bem representada no painel de candidatos. Roseta não se pode colocar de fora nesta matéria. No actual quadro legal urbanístico não há uma solução para Lisboa. Pode haver maior competência ou maior incompetência dos candidatos mas não existem soluções neste quadro. O Simplis de Costa, tal como o Simplex do Governo, não resolve nenhum problema de fundo antes pelo contrário criará inevitavelmente novos e mais graves. A desregulamentação urbanística no quadro das omissões que caracterizam a nossa legislação e com o desenvolvimento urbano a ser dominado pelos privados, como acontece em Portugal, agudiza os problermas existentes. Basta analisar o que se passou na década de oitenta e noventa em paises como a França. Mas isso justificava, numa cidade como Lisboa, um debate apenas dedicado a esta matéria. Um longo e proveitoso debate se os protagonistas estivessem à altura da cidade e dos problemas dos seus habitantes.
Etiquetas: Lisboa. Política Nacioal
Os pianos na lua são tão compridos
que os pianistas têm de ter quinze fortes dedos em cada mão.
Os violinos são tão violentos
que os afundam em poços muito fundos e mesmo assim ainda se ouve alguma coisa.
Os fagotes na lua não sopram notas
mas lânguidos e tristes lamentos que se perdem num eco de ondeantes gargantas.
As harmónicas na lua, vejam só a piada,
tocam uma melodias que causam roséola, mas com manchas maiores ainda.
De uma trompete na lua nunca ninguém se cansa,
porque manda o músico pelos ares como um balão e ele evapora-se.
Os contrabaixos na lua são um risco de verdade,
mal soa a primeira nota aparecem uns enormes dedos negros e levam tudo o que há.
Na lua tocar ferrinhos é uma coisa arriscada,
basta um ping - e salta a cabeça ao tocador, fica tipo garrafa de uísque irlandês partida ao meio.
Outro cuidado a ter é com a flauta -
porque esteja onde estiver o vosso pai ver-se-á transformado numa velha e lamentável bota.
Vendo bem, o melhor são mesmo os tambores.
Se algum prejuízo causam é lá longe, muito longe e não nos chegam notícias.
Ted Hughes, in O Fazer da Poesia
Provavelmente sim. Julgo, aliás, que não faz qualquer sentido que as eleições em Lisboa sejam decididas pelos lisboetas. Porque razão poderá votar em Lisboa um cidadão que vive num condomínio fechado em Alcântara -que se auto-excluiu por opção pessoal do governo democrático da cidade - e não pode votar um cidadão que vive na periferia de Sintra ou Oeiras, onde comprou casa depois de constatar que em Lisboa não havia oferta para as suas posses, e que todos os dias vai para Lisboa trabalhar. Ainda mais quando, ao que parece, a única coisa que todos sabem discutir sempre que há eleições são a acessibilidades. Uma questão que interessa sobretudo aos segundos.
Porque será que os 300 mil cidadãos expulsos da cidade desde 1981 não podem votar e o dr. Rui Moreira mais a sua estimável Associação Comercial do Porto pode participar na decisão sobre que aeroporto construir em Lisboa? Aliás, qual foi a infraestrutura construída na área Metropolitana do Porto que foi objecto de estudo por parte de qualquer entidade de uma qualquer outra cidade do País?
Etiquetas: Política Nacional
"Por estes dias de aproximação ao "que de melhor" existe no nosso concelho, em termos de gastronomia e afins ( espero que este ano não exista pizzaria como gastronomia local), anda já muita gente que trabalha nesta terra, MUITO FELIZ por ter de fazer umas viagens de trabalho entre partes do porto (marina - porto de pesca , capitania - terminais e vice versa) através da cidade com "estas vias largas sem buracos, sem movimento e sem obras". Andam tão "contentes" com esta nova localização que deviam pedir indeminização a esta Câmara, não só pelo combustível como pelo tempo que gasta em deslocações. Será que quem usa esta Avenida para trabalhar tem de estar condicionado a umas semanas de Rally paper pela cidade só porque se ocupa as 4 faixas da mesma com um evento? e os Bombeiros do porto? que farão os Bombeiros ? passam por cima das barraquinhas? e os transportes de pesados ( mais de 5 T) vão dar uma pequena volta de 20 km? Tudo porque só duas faixas e um belo passeio não chegavam.... Sines em festa - que bom para quem trabalha."
Pedro Ventura
Etiquetas: Política Local
Sylvia, volto sempre a ti, à doce fragilidade, tão perto. Aqui, a cena recria como Sylvia Plath e Ted Hughes se conhecem
Posted by MJB at 6/19/2007 02:59:00 p.m.Gulliver
Sobre o teu corpo as nuvens passam
Lá no alto, altas e geladas
E espalmadas, como se
Flutuassem sobre um vidro que fosse invisível.
Ao contrário dos cisnes,
Nada reflectem;
Ao contrário de ti,
Sem fitas que as prendam
Tudo sereno, tudo azul. Ao contrário de ti -
(...)
- Sylvia Plath
Vai para aí um coro imparável sobre a claustrofobia reinante na sociedade portuguesa, agora a propósito do condicionamento que esse clima cria nas empresas e nos empresários. Esta situação foi alimentada pela ocultação/revelação dos "pagadores" do estudo da CIP, que relançou o debate sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa.
Um coro marcado pelo cinismo e pela hipocrisia. Os empresários, pelo menos aqueles que têm acesso aos orgãos de informação, caracterizam-se por uma atitude pública de servilismo relativamente ao Estado e aos políticos que estão pontualmente no poder. Atitude que é "compensada" em privado pela manifestação de um desprezo absoluto por essa gente. A razão para essa atitude é conhecida: os maiores negócios e as maiores fortunas fazem-se hoje em Portugal à custa do Estado. Sobretudo à custa das omissões do Estado ou do abuso, pela classe política dominante, do poder, que julgam deter, de distribuir os bens públicos pelas mãos privadas que muito bem entenderem.
De uma forma hipócrita, a roçar a falta de vergonha, tenta-se fazer crer que esta situação acontece apenas agora com este Governo e por força da sua acção claustrofóbica. Um suposto problema novo na democracia portuguesa.
Acontece desde sempre e já acontecia antes do 25 de Abril. Situação que tem trazido vantagens sobretudo para os empresários que fazem do bico calado uma das portas seguras de acesso ao círculo intimo do poder. Gente que, no essencial, vê os problemas do país a jusante dos seus próprios interesses. No país, como em qualquer autarquia, quem não cala não come. É assim já desde os tempos do António Oliveira.
Etiquetas: Política. Hipocrisia.
no Diário de Notícias, " Deus nos proteja dos zelosos " de Ferreira Fernandes.
(...) Para os zelotas, pessoas juntas só nos enterros, no resto do tempo gostam é de afastá-las. Os palestinianos queriam um estado. Com os zelotas já têm dois.
Etiquetas: Ler os outros
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pintura de Anselm Kiefer
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade
( afinal nada nem ninguém nos pode ferir de morte,
só nos podem ferir de vida, obrigada )
Etiquetas: moleskine
Os diferentes candidatos estão em fases diferentes no que respeita à apresentação dos seus programas. Todos eles têm sítios na internet mas programas disponíveis nem todos.
António Costa já apresentou o seu programa. Pode consultá-lo aqui. Fernando Negrão ainda não dá qualquer informação sobre o seu. Carmona Rodrigues anuncia para breve a apresentação do programa que resultará, segundo o próprio, de uma actualização do programa eleitoral com que venceu as anteriores autárquicas. Helena Roseta recolhe contributos on- line para o seu programa participativo que tem como ponto de partida o seu compromisso eleitoral. José Sà Fernandes já apresentou o seu. Ruben de Carvalho, idem aspas. Telmo Correia limita-se a uns tópicos que passam no monitor.
Etiquetas: Lisboa:Programas
Ler: "Rui Rio já não tira o sono aos grandes interesses instalados"
Posted by JCG at 6/17/2007 10:55:00 p.m.Uma interessante entrevista de Paulo Morais ao JN. Mais uma oportunidade de contactar com uma das vozes mais desassombradas deste pobre país.
Etiquetas: Poder local. Interesses
Julgo que devia haver uma explicação oficial para o facto do autor do blogue que esteve na origem do caso da "licenciatura de José Sócrates" ter sido constituído arguido. Talvez exista uma explicação lógica para isto e nós, ignaros, não a estejamos a ver.
Etiquetas: separação de poderes
Quais os jornais que não fizeram qualquer referência às declarações de Soares? Já não falo de uma análise mais pormenorizada dos significados da intevenção do velho socialista. Refiro-me ao silêncio tout-court. Claro que a abundância de notícias própria da silly season e o facto de todos os dias surgirem críticas ao Governo oriundas do próprio PS, relativizam a importância das declarações de Soares...
Suponho que episódios como este não são responsabilidade de Sócrates e não se integram na famigerada teoria da claustrofobia crescente.
Etiquetas: Politica.Desinformação
"António Costa quer resolver os principais problemas urbanísticos em menos de um ano" noticia o semanário SOL. Lê-se e não se acredita. A primeira máxima é a seguinte:"Há vontade e capacidade do investimento privado para fazer bons projectos em Lisboa e há também boa arquitectura para que esses projectos se concretizem" Segue-se: "urgente resolver os impasses urbanísticos que têm minado a credibilidade da Câmara, a confiança dos investidores e que têm paralisado a cidade" A receita vem a seguir:"«adopção de uma 'via verde' para projectos que sejam considerados estratégicos para a cidade» Uma versão municipal dos PIN. Há ainda referências a uma análise de Costa do que é a questão fundiária na cidade de Lisboa. Bastante primária, diga-se.
As análises e as propostas de Costa são sancionadas pela "experiência" de Salgado. Experiência dos grandes projectos muitos dos quais "encalhados" às portas da cidade. Com ele no poder outro galo cantará. Carrilho foi apenas o infeliz lançamento de uma primeira pedra a destempo. Acontece, mas resolve-se.
Trata-se de um programa que reduz o urbanismo a um instrumento ao serviço do investimento privado e que reduz a qualidade urbana a uma consequência muito mais dos investimentos privados e das condições favoráveis ou não para a sua atracção do que de um conjunto alargado de políticas públicas. Uma visão que faz da cidade um produto e do cidadão um mero consumidor. Uma visão liberal pura e dura. O discurso mais à direita surgido até agora nesta campanha.
Os interesses imobiliários podem estar descansados. Costa e Salgado vão por tudo a correr sobre rodas.
Etiquetas: Urbanismo.Especulação
Mário Soares, no âmbito da "Universidade de Verão"organizada, hoje, pela Federação de Setúbal do PS, repetiu e ampliou os alertas a José Sócrates que já tinha, aliás, feito numa recente entrevista ao semanário Expresso. Soares, em síntese, diz que Sócrates fez o que tinha que ser feito para combater o défice mas que esse combate fez muitas vitímas colaterais sobretudo entre os mais desfavorecidos.
Soares diz aquilo que nenhum socialista dissera até hoje sobre as consequências da política socialista: o desemprego aumentou, as desigualdades sociais aumentaram, a emigração aumentou e a economia voltou a crescer mas pouco. Soares fez questão de referir que aqueles que reagem às consequências da política do Governo estão no seu direito.
Soares deve ser o único socialista que não se engana com as sondagens que dão o Governo sempre em alta. Ele sabe que a base social de apoio que permitiu a vitória de Sócrates com maioria absoluta mudou profundamente e, por esta altura, já não existe. Soares sabe que os resultados das sondagens são mascarados por muitos eleitores que não votaram PS em 2005 e não vão votar socialista em 2009. Soares em síntese não vê grande futuro nesta política além de, como se percebe, não morrer de amores por ela.
Adenda: Já me esquecia. Soares afirmou que não se pode exercer o poder com arrogância e autoritarismo. Não devia estar a falar de Sócrates que por essa hora fazia em Abrantes uma demonstração de fair-play descendo para junto do povo que o vaiava.
Etiquetas: Politica
A Quadricultura, Associação Cultural da cidade de Santo-André, promove a 3º edição do Jazz alémtejo nos próximos dias 5,6 e 7 de Julho. Jazz no Parque Central da cidade nova de Santo-André. Para saber mais vá aqui.
Etiquetas: Cultura
Revemos e revemos os desenlaces da nossa vida, como última ligação, como ciência ficcionada. Por vezes, até ao terrível mundo dos factos, onde tudo se perde e se apaga
Etiquetas: moleskine
É por isto que eu gosto de escrever num blogue colectivo. Podem os outros não nos ler, mas pelo menos os nossos colegas de blogue não deixam de comentar os nossos textos. E isto tornar-se-ia ainda mais animado se voltássemos aos comentários abertos aos leitores, não acham? Vamos pensar nisso!
As citações de José Saramago aqui reproduzidas pela Maria José - a partir da notícia do Público - levam-me a uma conclusão exactamente oposta à dela. Julgo que nalguns casos a idade recomendaria alguma contenção e mesmo um sábio silêncio. Saramago é um exemplo disso mesmo. A partir de uma reflexão marcada por um conjunto assinalável de banalidades e de lugares comuns, o escritor conclui que não conhece nada mais estupido do que a esquerda. Eis aqui uma tirada susceptível de recolher um alargado conjunto de aplausos.
De que esquerda falará Saramago? Aliás o que será para Saramago a esquerda? Falará ele da esquerda que conhece, e na qual milita desde sempre, a esquerda comunista? Ou falará das esquerdas que ele sempre recusou aceitar enquanto tais, os partidos socialistas e sociais-democratas com uma natureza semelhante à do PS? Falará da esquerda que participa na luta por uma nova ordem, que acredita na globalização mas que se opõe a esta globalização dominada pelos interesses de uma elite financeira global, uma esquerda que recusa e recusou as experiências do socialismo real "à la soviética" que tanto encantaram Saramago?
Julgo sinceramente que Saramago não sabe do que fala. Fala porque necessita de se ouvir. Uma coisa que acontece muito a pessoas de todas as idades. A sabedoria não se atinge por antiguidade.
Quanto às profecias sobre o regresso do fascismo e do fim da civilização confesso que neste capítulo prefiro as do Bandarra.
"É uma pena que nós levemos tão a sério as lições da vida somente quando já não nos servem para nada."
Oscar Wilde
Etiquetas: moleskine
Nos idos de 15 de Maio escrevi isto. Por essa altura Roseta e Carmona, juntos, aproximavam-se dos 30% dos votos, Sá Fernandes muito dificilmente seria eleito e Negrão obtinha o quarto resultado.
A Sondagem hoje divulgada coloca as coisas na sua "normalidade". Roseta, se não piorar, elege-se a si própria. Carmona ainda resiste - apesar de tudo os lisboetas reconhecem-no dos últimos seis anos - mas já foi suplantado por Fernando Negrão. Sá Fernandes aproxima-se dos dois vereadores e António Costa fica-se pela eleição de apenas um terço dos vereadores, muito longe da maioria absoluta. Se somarmos os votos de Negrão e Carmona podemos constatar que isso corresponde a um resultado superior ao do PS e confirma a tese de que o PS sozinho nunca conseguirá maioria absoluta em Lisboa. Julgo que Carmona tenderá a "esvaziar" e que Negrão melhorará o seu resultado por essa via. Telmo Correia sai de cena com o seu PP, acantonados num dos taxis da cidade.
Fica cada vez mais claro que o PSD perde muito com a candidatura de Carmona e que Roseta impedirá Sá Fernandes de obter um resultado histórico na capital.
Talvez por isso tenham razão os que criticaram a forma como Marques Mendes conduziu o processo na Câmara de Lisboa e talvez pela mesma razão o BE tenha tido razão quando tentou promover uma união de esforços entre Roseta e Sá Fernandes. Daqui a quinze dias tudo estará mais nítido.
Etiquetas: Lisboa. Política Nacioal
1. A data de ontem não passou despercebida na blogosfera. Numa rápida e não exaustiva busca, encontrei referências nos seguintes blogues: Da Literatura, A Origem das Espécies, Miniscente, Vitamina Dê, Meninas de Rua, Fico até tarde neste mundo, Lugar Onde, Vidro Azul, O Café dos Loucos, Cidade Queimada e A Tradução da Memória. Desconheço o que se passou na imprensa séria portuguesa.
2. Informa o Francisco José Viegas de que a Casa Fernando Pessoa tem patente, até ao próximo dia 19, uma pequena mostra bibliográfica de Al Berto. Mais informação pode ser encontrada aqui.
3. O site da Câmara Municipal de Sines noticia que a mostra gastronómica realizar-se-á na avenida da praia.
Às vezes é a partir dos oitenta que se começa a dizer umas coisas acertadas
Posted by MJB at 6/14/2007 10:56:00 a.m.Gosto de aprender com os jovens e com os mais velhos: os primeiros lembram-me e os últimos avisam-me (onde é que eu já li isto?). As outras faixas etárias, nas quais me incluo, são normalmente uma seca.
Assim é que gostei de ler algumas frases proferidas pelo escritor José Saramago (que vai a caminho dos 85 anos) nesta notícia de última hora no Público .
Imaginavam que estas palavras saíssem da sua boca?
"Antes gostávamos de dizer que a direita era estúpida, mas hoje em dia não conheço nada mais estúpido que a esquerda" .
Nunca é demais recordar:
"O mundo é dirigido por organismos que não são democráticos, como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio".
Esta é para as secas da minha geração que se continuam a rir de alto e a ficar cada vez mais secas:
"Estamos a chegar ao fim de uma civilização e aproximam-se tempos de obscuridade, o fascismo pode regressar; já não há muito tempo para mudar o mundo".
E foi aqui que me decidi a fazer este post:
O escritor português defendeu que não existem géneros, mas sim "espaços literários", que admitem de tudo ― ensaio, filosofia, ciência ou poesia ―, e expressou a sua admiração pelo checo Franz Kafka, "a grande figura literária do século XX".
Durante a extensa cobertura televisiva após o Holanda - Portugal de hoje, a televisão holandesa insistiu em mostrar repetidas vezes o glorioso momento do Veloso a falhar o penálti contra o PSV na final de 1988 da Taça dos Campeões.
"Tarde é sentir que as coisas mudam de forma a se desprenderem de nós."
Carlos Drummond de Andrade
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deixo-te um dos céus que encontrei em Paris...

Cielo di Rotterdam, Duarte Perú
Folgo em ter notícias destes velhos amigos, tantas vezes presentes em finais de tarde no clube náutico entre a conversa e um gin. No entanto, ainda ficas a dever-me dois: o Cielo di Parigi e o Stavanger Pride. À falta desses, deixo-te com o Cielo di Rotterdam, uma (agora) companhia habitual no Dutch Maritime Pub e no De Admiraliteit.

Sines, mijn woonplaats
Duarte Perú – presentatie voor het Nederlandse Taal Examen, 12 juni 2007
Hallo, goede middag!
Vandaag, in mijn presentatie, zal ik over mijn woonplaats in Portugal spreken : Sines.
Sines is een kleine stad aan zee in de Alentejo provincie, in het zuidwesten van Portugal. Hoewel Sines niet vlakbij een Portugese grote stad ligt, is haar locatie zeer goed, aangezien het ligt tussen Lissabon, de Portugese hoofdstad, en de Algarve, de zuidelijke Portugese toeristische provincie. Sines heeft 12.000 (twaalfduizend) bewoners en haar klimaat is mild in de winter en warm in de zomer. De beroemdste en bekendste bewoner van Sines was Vasco da Gama, de Portugese ontdekkingsreiziger die in 1498 (veertienhonderdachtennegentig) de zeeroute van Europa naar Índia ontdekte. Hij is geboren in Sines in 1469 (veertienhonderdnegenenzestig).
Tot de jaren ’70 (zeventig), was Sines een dorpje en de voornaamste activiteiten waren het toerisme en het vissen. Nochtans, in de jaren ’70 (zeventig) besloot de Portugese Regering een haven te bouwen om een groot industrieel complex vlakbij Sines te installeren. Tegenwoordig, is industrie de belangrijkste economische activiteit in de gemeente: de grootste olieraffinaderij en petrochemische installatie van Portugal bevinden zich in Sines, evenals andere, kleinere industrieën. Dit industriële complex wordt door de grootste Portugese haven gesteund.
Aangezien de industrie buiten de stad is, is Sines nog een populaire toeristische bestemming en in de zomer bezoeken veel mensen de gemeente, vooral een dorpje dat Porto Covo heet. De reden voor dit zijn de mooie stranden tussen Sines en Porto Covo, perfect om te zwemmen, te surfen, te windsurfen en te zonnebaden.
Naast de stranden, zijn andere redenen om Sines te bezoeken de Romeinse ruïnes van Miróbriga, het Badoca safari park, het gebouw van het cultureel centrum - kandidaat voor de Mies Architectuur Prijs dit jaar - de Onze-Lieve-Vrouwekapel en het Sines kasteel, de geboorteplaats van Vasco da Gama. In de laatste week van juli is het kasteel gastheer van het grootse wereldmuziek festival in Portugal.
De gastronomie van Sines is gebaseerd op vis en zeevruchten, een combinatie waar ik van houd.
En dit is alles voor vandaag! Heeft u vragen? Snel, alstublieft! Ik denk dat ik maar ga pakken, Sines klinkt zo goed...
Etiquetas: Sines
O Ministério da Educação é o mais autoritário de todo o Governo e um dos mais detestados. De forma justa, diga-se. O Secretário Pedreira, por si só, é capaz de gerar uma unanimidade de repúdios à sua volta. Um talento com provas dadas na matéria. Aconteceu, entretanto, o caso Charrua-DREN, se necessário fosse, que nos revelou a forma entusiástica como os dirigentes nomeados pela máquina partidária, e por ela reconduzidos, são zelosos a defender o bom nome do chefe. Agora foi a Associação de Professores de Matemática que se atreveu a contestar declarações da ministra. Coisa que não escapou a um tal Capucha que tratou de convidar os rapazes para sairem da Comissão que acompanha o Plano de Matemática. Com que lata é que estes senhores se atrevem a criticar a ministra, a nossa ministra, a minha ministra, terá pensado o tal Capucha. Que por esta hora já deve ter colocado à porta da dita comissão a nova placa que mandou fazer com a inscrição: "só para servos"
A Administração Pública necessita, certamente, de uma boa e vigorosa reforma. Mas nenhuma é tão inadiável como expurgá-la de todos os Capuchas do reino.
Etiquetas: Governo.Autismo.
Momento profissional: Para os temporariamente ausentes da Comunidade Portuária de Sines
Posted by MJB at 6/12/2007 07:29:00 p.m.
Porto de Sines, fotografia de Mário DiasEtiquetas: Portos
Há várias teses sobre o que determinou a reviravolta do Governo. Reviravolta pois, já que a explicação ensaiada de que Alcochete é uma localização nunca antes considerada é tão somente uma escapatória para minimizar os estragos para o Governo. Para mim é claro que o maior peso prá mudança vem do lado de Belém e das oposições. Com Belém na liderança a partir da decisiva mensagem do "duplo consenso". Mas a esta alteração não foi indiferente a posição da CIP. A privatização da ANA necessita de um novo aeroporto que a justifique e a CIP não podia assisitir indiferente à degradação das condições psicológicas mínimas para possibilitar a aceitação deste novo "esforço nacional". Como refere José Medeiros Ferreira talvez na altura da privatização da ANA o estudo da CIP ainda não esteja pago e então....
Falta saber se um novo aeroporto, sobretudo mais barato, necessita de ser financiado por esta via mas julgo que esse debate e essa análise nunca será feita.
PS - O embaraço que a questão da OTA coloca ao candidato António Costa é uma explicação acessória mas não dispicienda. No entanto, como a pobreza de ideias na pré-campanha em Lisboa é assustadora talvez possam todos voltar ao tema.
Etiquetas: politica. Negócios
Etiquetas: moleskine
Uma das coisas que maior excitação provocou na entrevista de Soares foram as referências elogiosas a Chavez, o truculento presidente da Venezuela. Soares acha, tanto quanto me parece sinceramente, que os episódios supostamente manifestadores de um impulso ditatorial por parte de Chavez são questões menores. Na sua entrevista não faz referência a qualquer um deles em particular a tão badalada não renovação da licença de um grupo de televisão. O que para Soares é importante é o facto de Chavez ostensivamente hostilizar o poderio americano e propor uma integração dos paises latino americanos, tradicionalmente explorados ad nauseum pelo Tio Sam, de forma a construirem uma potência política regional estruturada a partir do poder que emana dos seus recursos naturais, particularmente dos energéticos. Há quem faça o mesmo noutras partes do mundo, sem que o coro das virgens ofendidas se manifeste. Acresce o facto de Chavez - a constatação de um facto - ter canalizado os dividendos do petróleo para promover uma mais justa distribuição dos rendimentos nacionais. Isso é a base do seu inquestionável apoio popular e a razão pela qual as sucessivas tentativas de o derrubar não resultaram. Num mundo submetido à lógica do fato único do "consenso de Washington" o exemplo venezuelano não deixa de ser estimável. Para Soares, tanto mais, quanto todo o discurso político de CHavez se constrói a partir do confronto com o seu poderoso vizinho americano.
O problema com Chavez não é ter fechado a televisão que dizia mal do Governo. Antes de Chavez nunca existiu qualquer televisão que se atrevesse a criticar qualquer Governo. E se alguma televisão tivesse tido uma deriva anti-americana ou anti-imperialista teria acabado no mesmo dia. E não só na Venezuela. O problema com Chavez é que o homem destila populismo por todos os poros. E parece não olhar a meios para atingir os seus fins que, parece, passam pela criação de condições para a sua perpetuação no poder e pela redução das condições das oposições. Nada que não tenha sido sempre praticado com eficácia na Venezuela e sempre contra a esquerda mas que, lá por essa espécie de legitimidade histórica às avessas, me desagrada profundamente. A esquerda não pode copiar as metodologias mais abjectas da direita. Chavez ameaça estar tentado a fazê-lo. Lamentável.
PS - por estas e por outras é que Soares me agrada muito. Pela sua leveza, pela sua irreverência, pela suas manifestas "saudades do futuro". Perdou-lhe, passe o exagero, por isso, todas as contradições, omissões e etc. Aliás, gosto muito de contradições.
Etiquetas: política
Gostei muito desta carta a mim mesmo no dia dos meus anos que encontrei no aspirina b ... talvez por uma questão de idade
Etiquetas: poesia
Governo vai estudar Alcochete como alternativa para novo aeroporto de Lisboa
A coabitação estratégica começa a mostrar que é bidirecional. Ainda bem.
Etiquetas: Escolha.Fatalidade
Etiquetas: Cultura
Tarde mas foi! A American Film Institute atribuiu recentemente o seu prestigiado prémio ao actor Al Pacino. Simplesmente o melhor da sua geração e das que lhe seguiram. Parabéns Tony Montana, Michael Corleone, Will Dormer, Roy Cohn, John Milton, Frank Serpico...
Etiquetas: cinema
A Repsol comemorava, no day-after, desta forma modesta, o Pacto.
Etiquetas: Conversas da Treta
provocou inevitáveis polémicas a entevista de Mário Soares à Única. VPV, um confesso admirador do velho socialista, acusou-o de estar cada vez mais parecido com Cunhal.
Soares mantêm-se, afinal, fiel a si próprio. Capaz de ser, em simultâneo, um adepto confesso das correntes que mais contestam a evolução da globalização, a hegemonia americana, as posições israelitas no conflito do médio oriente e as lideranças europeias que constroem uma Europa a várias velocidades e apoiar, sem reservas, as políticas internas do governo socialista que concretizam essas políticas que fazem do combate ao défice a única ideologia. Soares raramente foi capaz de ser um bom crítico dos seus.
Bom, na entervista ao Expresso, Soares manifesta, pela primeira vez publicamente, as suas discordâncias relativamente a Sócrates. Há uma frase exemplar: " Em dois anos de Governo, Sócrates acumulou demasiadas más vontades. Na classe média , no povo, no seu eleitorado tradicional. É tempo, julgo, de corrigir o rumo, pensando mais à esquerda.(...)"
O velho leão está já a ver aquilo que as sondagens ainda não reflectem.
Etiquetas: política
... a chegada de novos membros à barra da esquerda(*) - diligentemente colocados e explicados pelo "serviço de manutenção" - nada como uma referência a mais um post do excelente "Ladrões de Biciletas". Este que aliás liga muito bem com o anterior sobre os lucrozitos da senhora.
(*) - afinal a barra situa-se à direita
Etiquetas: Privilégioss
Mais de 8 milhões de euros por dia lucram os cinco maiores bancos nacionais. Um acréscimo de 21% relativamente ao último ano feito à custa de comissões e de um crescimento brutal da margem financeira. Os tolos chamam-lhe "aumento da produtividade" e "competitividade". Acresce o facto de este dinheiro ser "sacado" à economia real. Vai em grande parte para engrossar as fortunas pessoais dos banqueiros e destina-se a financiar investimentos especulativos .
A banca engorda e os portugueses e as empresas emagrecem e empobrecem. Um sinal distintivo destes tempos.
Etiquetas: Especulação Financeira
Há coisas que eu não entendo em Portugal. Vejam a convicção e a fúria com que os portugueses, neste estádio, cantam e gritam o Hino Poruguês. Lembrem-se dos cortejos que se fizeram ao autocarro da Selecção, as lágrimas e a esperança toda direccionada para um único sentido quer no Europeu, quer no Mundial de Futebol. Um único propósito, vivido de uma forma derradeira, como se nada nos sobrasse se perdessemos, se a fatalidade nos alcançasse.
Há sempre a fatalidade. A fatalidade e o lamento. A fatalidade que nos desculpa e o lamento que nos ausenta. Enquanto nos lamentamos com o problema, não temos que fazer muito para o resolver, resolve-se com o tempo...
Mas, voltando ainda ao futebol, há um outro pormenor: que outro povo grita com tanto fervor o nome do seu país? “Portugal! Portugal!” Pergunto-me que convicção é esta? Deve ser a convicção de quem está sentado, claro. Que nacionalismo é este se cá fora das portas do estádio a malta continuar a querer “safar-se” e a atropelar o país com a soloia pretensão do ter e do poder. Continuamos, sem qualquer vergonha, sem civismo, sem respeito pelo País a nossa medianazinha vida de esperteza grosseira.
E em contraposição, que outro país faz tão rapidamente de alguns dos que se destacam (normalmente, primeiro lá fora) seres quase míticos, verdadeiros heróis na eternidade "que levam o nome do país mais longe"? Sim, porque nem sempre os admiramos pela obra, por aquilo que são, mas primeiro porque engrandecem o nome de Portugal.
A divisão de manutenção deste blogue anuncia que foram adicionados linques para as seguintes paragens:
.: Arrastão: o blogue de Daniel Oliveira (sim, "aquele" do Bloco; ah!, e não foi ideia minha, isso posso garantir-vos);
.: Ambio: ambiente e sociedade num só;
.: Ladrões de Bicicletas: economia, política & sociedade, também não fui que me lembrei;
.: Built Environment Blog: arquitectura e planeamento, maioritariamente mostrada e explorada em passeios ao redor de Nova Iorque (ou talvez não). A acompanhar.
.: Cinco Dias: um projecto colectivo em que cada blogger tem direito a um dia da semana;
.: Avatares de um Desejo: algo que estava em falta há já algum tempo.
O divisão de manutenção informa ainda de que, caso tenha tempo e lhe sobre um pouco de vontade, intervirá em breve sobre os mais recentes assuntos da nação (dessa, não desta).
Agradecida,
A dita divisão.
No âmbito das comemorações da Greve Verde, que ocorreu fez agora 25 anos, a autarquia de Sines promoveu uma conferência intitulada "Um Pacto sobre Saúde e Ambiente". Mais uma oportunidade para as empresas poluidoras se auto-elogiarem e os poderes locais mostrarem a sua impotência, directamente proporcional à sua falta de vontade. Claro que o Pacto, a celebrar-se, terá os efeitos que tem tido ao longo dos anos a relação institucional ente as empresas e a autarquia: a mais absoluta IMPUNIDADE por parte das empresas poluidoras; a mais DESCARADA colaboração por omissão(*) na patifaria, por parte da autarquia; consequências para o AMBIENTE e para a SAÚDE PÚBLICA nunca verdadeiramente avaliadas.
Talvez por este estado de coisas é que a autarquia teve a ideia de realizar a conferência para o tal PACTO na URNA que os irmãos Mateus projectaram no Centro Cultural de Sines e que DIZEM QUE É UMA ESPÉCIE DE AUDITÓRIO. Uma ideia tão lúgubre que constitui um péssimo presságio sobre o tal Pacto.
Falta apenas a missa do sétimo dia que terá lugar na próxima conferência. Talvez nessa altura já possam utilizar o parque de estacionamento - integrado no premiado edifício e nunca até hoje utilizado - que dizem que é UMA ESPÉCIE DE ESTACIONAMENTO PÚBLICO.
(*) - e por interesse, acrecente-se. Os dinheiritos que vão vindo não deitam cheiro e tal como o OMO lavam mais branco.
Etiquetas: os Patos e os Pactos.
Etiquetas: divulgação
Há alguém no New York Times que gosta muito de Gal: "O jornal nova-iorquino faz coro da voz de aclamação unânime: Gal Costa "faz flutuar as suas canções como se a gravidade deixasse de existir"."
Por cá, supreende-me, que apesar da variedade de espectáculos que se oferecem um pouco por todo o país, há um grupo de cantores brasileiros, com carreiras, muitos deles, de mais de 30 anos, que continuam a esgotar espectáculos, ano após ano. Gal Costa é um desses casos. Actua esta noite no Theatro Circo de Braga.
... o Augusto Mateus. O homem devia manter-se caladinho. A NAER paga-lhe para estudar o ordenamento do local onde ficará o aeroporto da OTA e o tipo toca a alimentar as dúvidas sobre a localização escolhida. Com os engenheiros o Governo pode bem e se necessitar de ajuda manda o Vital Moreira que é um especialista em "engenheiros". Agora o Augusto...
Etiquetas: OTA. Fatalidades
Um blogue ambientalista da margem sul que neste post escreve sobre a "situação" do centro de estágio do Benfica e dos negócios realizados entre a Câmara do Seixal e o clube das águias. Uma história de mais-valias urbanísticas à custa de parte da Reserva Agrícola Nacional e da Reserva Ecológica Nacional. Uma área em que existem no nosso país verdadeiros "especialistas".
Etiquetas: Mais-Valias urbanísticas
a matriz para uma ideia de paraíso, as fotografias de Yann Arthus-Bertrand ajudam a mostrá-la
Posted by MJB at 6/07/2007 10:29:00 a.m.
A revista Visão lançou mais um coleccionável: "Salvar a Terra", seis posters a partir de fotografias de Yann Arthus-Bertrand. "Salvar a Terra" tornar-se-á no título mais banal dos próximos anos. Banal, porque parece que nos sensibilizamos muito com este tema (incluíndo algumas organizações ambientalistas), mas, podem crer, não passa disso, do parecer. Para alguns, só mesmo quando os seus próprios pulmões já não conseguirem respirar é que pensam ter chegado o momento de fazer qualquer coisa.
Para os que gostam dessa coisa Natureza no planeta Terra ( que para os humanos parece ter sempre ficado no exterior e não ser parte integrante deles próprios), faça um tour pela objectiva de Yann Arthus-Bertrand e veja a Terra vista do céu aqui . Escolha o país e vá.
Alguns comentadores, e até candidatos à Câmara de Lisboa, defenderam a introdução de portagens para limitar o acesso de carros ao interior da cidade de Lisboa. Um dos exemplos que é normalmente apontado é o de Londres que adoptou uma solução idêntica para controlar o congestionamento no interior da cidade. Felizmente a generalidade dos candidatos já colocou de parte esta ideia. Trata-se de uma ideia que regressa sempre que se realizam eleições o que significa que há um problema que urge resolver. Nas anteriores eleições foi Manuel Maria Carrilho que prometeu reduzir a metade o número de carros que entravam em Lisboa. A propósito dessa declaração tive a oportunidade de publicar, no Público, um atigo em que analisava essa proposta. (Porque julgo que se mantêm actual fica aqui o link para esse artigo.)
Etiquetas: Lisboa. Portagens
É a criançada
Se alimentar de luz
Alucinados
Meninos ficando azuis
E desencarnando
Lá no Brejo da Cruz
Electrizados
Cruzam os céus do Brasil
Na rodoviária
Assumem formas mil
Uns vendem fumo
Tem uns que viram Jesus
Muito sanfoneiro
Cego tocando blues
Uns têm saudade
E dançam maracatus
Uns atiram pedra
Outros passeiam nus
Mas há milhões desses seres
Que se disfarçam tão bem
Que ninguém pergunta
De onde essa gente vem
São jardineiros
Guardas noturnos, casais
São passageiros
Bombeiros e babás
Já nem se lembram
Que existe um Brejo da Cruz
Que eram crianças
E que comiam luz
São faxineiros
Balançam nas construções
São bilheteiras
Baleiros e garçons
Já nem se lembram
Que existe um Brejo da Cruz
Que eram crianças
E que comiam luz
Chico Buarque, 1984
Etiquetas: poesia
Paulo Portas acusa Sócrates de durante os seus dois anos de Governo os portugueses empobrecerem como não acontecia em muitos anos. Augusto Santos Silva replica dizendo que a situação da perda de poder de compra dos portugueses era idêntica à do tempo em que Portas era membro do Governo. A diferença estaria no facto de os sacríficios dos portugueses não terem então servido para nada enquanto agora servem para resolver os problemas do país. Percebeu a diferença?
Etiquetas: Cara e coroa.
Mais pobreza e maior endividamento para uma maioria dos portugueses e para muitos milhões de europeus. O senhor Trichet fala e os portugueses empobrecem e endividam-se. A "fala" do senhor Trichet significa invariavelmente aumento da taxas de juro e aumento do endividamento das famílias. Não pára de diminuir a parte do rendimento disponível após o pagamento da prestação da habitação.
PS - O Governo no mesmo dia em que a má nova foi anunciada anunciou um pacote simplificador da compra de casa. Com uma diminuição dos encargos. Placebos para um doente terminal.
Etiquetas: Liberalismo
A notícia vem hoje no Público pela pena de José António Cerejo. Transcrevo: "PJ esteve ontem na Câmara da Moita.
Uma dezena de inspectores da Polícia Judiciária procedeu ontem à apreensão de material informático e de documentos nas instalações da Câmara Municipal da Moita. Munidos de um mandado judicial, os agentes da Direcção Central de Investigação da Corrupção e da Criminalidade Económica e Financeira cumpriram a diligência ao longo de várias horas, tendo estado, entre outros, nos gabinetes do presidente da câmara e dos arquitectos Carlos Matos e António Dores, responsáveis pelo urbanismo e pela fiscalização. De acordo com uma nota distribuída pela câmara à imprensa local, "os elementos da Polícia Judiciária procederam a buscas no âmbito de um mandado judicial relacionado com denúncias de alegadas irregularidades na revisão do Plano Director Municipal e na gestão urbanística". Contactado pelo PÚBLICO, o presidente da autarquia, João Lobo (CDU), disse que "foram disponibilizados à polícia, e continuarão a sê-lo, todos os elementos solicitados". A revisão do PDM, ainda em curso, tem sido alvo de fortes suspeitas de favorecimento de um pequeno grupo de promotores. "
Etiquetas: urbanismo.Corrupção
Hoje a Quercus, a propósito da entrega do prémio Quercus, promove um debate sobre os famigerados projectos PIN - Projectos de Interesse Nacional. Pode saber mais aqui.
Etiquetas: Ordenamento do território
Correio dos Leitores: "O Oceano no dia Mundial do Ambiente"
Posted by JCG at 6/05/2007 07:33:00 p.m.1 - Introdução de inovadores projectos de navios construidos com novos materiais menos agressivos ao ambiente e que aquando do seu desmantelamento possam mais facilmente ser reciclados;
2 - Construção de cascos (duplos ou de objectivo similar) nos navios tanques e nos cargueiros de grande capacidade de bancas;
3 - Novos motores propulsores que reduzam as emissões de SOx e NOx e que consumam 30% menos do que os actuais;
4 - Equipamentos para tratamento das águas de lastro;
5 - Cascos revestidos de tintas que não molestam a biótica marinha;
6 - Equipamentos para recolha e tratamento das matérias, que não mercadorias transportadas, impedindo a sua descarga nos Mares.Todos estas medidas são regulamentadas por via de Convenções e outros Tratados Internacionais, em especial os aprovados pela IMO, fazendo com que a Indústria dos Transportes Maritimos seja no momento presente uma das que mais se proocupa com o Ambiente à escala mundial.
Assim , no Dia de hoje teriamos ficado mais satisfeitos se as nossas autoridades fizessem um maior esforço complementar a tais medidas colocando mais em foco as acções preventivas complementares dos obectivos para que elas foram criadas."
Joaquim Silva
Etiquetas: Dia do Ambiente
A opnião de Rui Rodrigues, publicada no Público de 28 de Maio, sobre o facto de a aposta em Beja por parte do Governo legitimar a opção Portela + 1.
Etiquetas: OTA.Alternativas
os moradores da Várzea da Moita vão organizar uma "nova Discussão Pública sobre o processo de revisão do PDM da Moita".
Mais uma manifestação de cidadania e de inconformismo desta gente que dá mostras de não quebrar face ás prepotências e às injustiças. Talvez desta vez os meios de comunicação e o grupinho do "denuncia.com" não façam o boicote informativo que fizeram à iniciaitiva de debate público da "política de Solos e das Mais-Valias" que os mesmos moradores promoveram e que decorreu em 18 e 19 de Maio.
Etiquetas: Urbanismo e Cidadania





