"Finanças recuperaram mais de 1500 milhões de euros em cobranças coercivas"
Em memória e homenagem das vitímas indefesas, dos postos de trabalho suprimidos, das pequenas e médias empresas arruinadas.

"CDS pede explicações sobre decreto que permite ajuste directo até 5,15 milhões de euros"
E a esquerda nada tem a dizer sobre esta questão? Estão satisfeitos com a medida Socrática de acabar com os concursos públicos e permitir estas adjudicações por ajuste directo? Pretendem usufruir da norma já nas próximas autárquicas, nas confrarias onde exercem o poder?
Que pena que seja o CDS o único até agora a levantar a voz. Mas é um facto, indesmentível.
Afinal a justificação da aplicação desta lei qual é ? Muito simples e muito em voga nos últimos tempos. A excepcionalidade da situação, a famigerada crise, justifica medidas de excepção que ninguém no seu juízo perfeito proporia em tempos ditos normais. Há uma assumida anormalidade normalizada, passe o pleonasmo, pela crise instalada. Muito conveniente.
Mas afinal não era disto que falava Manuela Ferreira Leite quando admitia a suspensão temporária da democracia para permitir viabilzar certas reformas mais impopulares? Pensem lá bem ? Não era ipsis verbis a mesma coisa?
Parece que ninguém deu conta desta semelhança. É o que faz uma boa imprensa, dirão alguns. Recorrendo ao cinismo ímplicito podemos concluir que, pelos vistos, terá sido o que faltou a Kaulza de Arriaga - já sei da diferença fundamental relativa à natureza dos regimes - quando defendeu que a democracia era uma coisa para a qual os portugueses não estavam minimamente preparados.

.... recear um desemprego ingovernável devido à forma como se governa o País?
"Mário Soares receia um país ingovernável em 2009 devido ao desemprego"


Eis uma leitura adequada para estes tempos e para prevenir e ajudar a compreender os tempos que aí vêm, sobretudo com as eleições autárquicas pela frente.
Não apenas o trabalho de investigação mas também o prefácio da Drª Maria José Morgado sobre os mecanismos que o Estado criou para, supostamente, combater a corrupção. Em particular as críticas que tece ao recém criada CPC - Conselho de Prevenção da Corrupção - que para MJM "(...) surge assim, como uma super Inspecção Geral da Administração Pública, curiosamente num país em que proliferam inspecçoes sem resultados eficazes, sem coordenação com as autoridades, em suma sem efectividade fiscalizadora, salvo raras excepções. Continuaremos assim a ter problemas no terreno com as questões-chave da prevenção e combate da corrupção, da criminalidade económico-financeira e seus proventos;: a apreensão e confisco das vantagens dos crimes, a detecção da ligação entre a corrupção, o branqueamento de capitais e o crime organizado, a detecção em tempo real das condutas de corrupção no seio da Administração pública ou no âmbito da titularidade de cargos políticos.(...) No campo da gestão territorial e do urbanismo, apesar de proliferarem as más prácticas, não se avançou um milímetro para a previsão dos crimes específicos. No fundo estamos perante o anti-modelo em que a prevenção é desempenhada por um organismo estanque, separado da investigação criminal, sem coordenação e aproveitamento da experiência resultante dos organismos já especializados no combate à corrupção.(...) "
A corrupção e os corruptos e corruptores agradecem.



"Obras públicas até cinco milhões de euros podem ser feitas por ajuste directo"
Olha que bela ideia que eles tiveram. Tanta gente contente pelo país fora. Em ano de eleições autárquicas e legislativas vai ser um fartar vilanagem. Os amigos vão ficar contentes e agradecidos e vão pagar as respectivas comissõezitas de que se alimenta o sistema.
Há aqui uma linha de coerência se pensarmos nas posições do Governo quando das discussões sobre o combate à corrupção.




imagens de Sawa Hiraki
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"Cavaco Silva promulgou Estatuto dos Açores mas denuncia abertura de "precedente muito grave".
O Presidente da República tem, na minha modesta opinião, completa razão. O Estatuto dos Açores representa uma inaceitável intromissão nos poderes do Presidente da República, visando diminui-los.
Não penso que se se tratasse do Estatuto da Madeira o PS propusesse coisa idêntica. Não prevejo igual proposta caso o Presidente da República fosse de esquerda, por exemplo Sampaio ou Soares.
Nestas matérias a relação entre os orgãos de soberania deve reger-se por príncipios e não por oportunismos partidários pontuais. Não compreendi nenhuma das intervenções dos diferentes partidos de esquerda em defesa do Estatuto.
Estou certo que caso a situação económica fosse outra Cavaco Silva teria dissolvido o Parlamento. Aliás, do meu ponto de vista o Parlamento não merecia outra coisa. Mas, mestre na arte da vitimização, Sócrates não queria outra coisa e o Presidente, felizmente, não lhe fez a vontade.
Mas, será que alguém acredita nas palavras do primeiro-ministro que ainda recentemente saudava a excelente relação institucional com o Presidente? Talvez sejam ainda menos os portugueses que acreditam nisso do que aqueles que acreditam ter sido José Sócrates a baixar a taxa de juro de referência do BCE.

Os jornais e a RTP fizeram eco da notícia sobre a presença de hidrocarbonetos junto a uma das captações de água que serve o concelho. Pelo meio o Presidente da Câmara aproveitou para repetir a mesma lengalenga sobre os méritos da actuação da autarquia nesta matéria. Nenhum dos jornalistas entendeu ser necessário escutar o que tem para nos dizer a autoridade de saúde até para ficarmos a saber se está impedida de falar fora do âmbito dos comunicados conjuntos com a autarquia, promiscuidade que já aqui denunciei.
Nenhum dos jornalistas entendeu ser oportuno colocar algumas questões a que o Presidente da Câmara se recusa a dar resposta até agora e que são entre outras as seguintes:
1) Porque razão o Presidente da Câmara não interrompeu imediatamente o abastecimento, a partir da captação polémica, no dia 19-11-2008 só o tendo feito em 22 de Dezembero de 2009?
2) Que informações objectivas a autarquia obteve que estiveram na origem da decisão de interromper o abastecimento em 22-12-2009?
3) Que perigos para a saúde pública resultam do consumo de água contaminada com hidrocarbonetos?
4) Porque razão não está em funcionamento um sistema, o mais moderno e sofisticado possível, para monitorizar a qualidade da áua em Sines e em particular a situação dos hidrocarbonetos? Será que a Câmara não tem dinheiro para isso ou o seu Presidente considera - e considerou de facto ao longo de 12 anos de poder - essa questão irrelevante?
Será que o Presdiente da Câmara desconhece o grau de contaminação dos solos em vastas zonas da plataforma industrial e a consequente contaminação dos aquíferos com substâncias dificieis de detectar com os meios convencionais?

O Presidente da Câmara não tem resposta para nenhuma destas questões pela simples razão que a única resposta para a situação actual é uma só: incompetência, incúria e desleixo. As "Obras" de que o autarca tanto se vangloria não incluem, como todos sabemos, a defesa do ambiente e da saúde pública dos seus concidadãos.

"Augusto Santos Silva critica “política do quanto pior melhor” da oposição".
Augusto Santos Silva tem fama de ser de esquerda e de pertencer à ala esquerda do partido. Mas, como se sabe e a práctica de Santos Silva confirma, esses tempos já passaram. Agora a sua especialidade é defender o primeiro-ministro e apontar o dedo às oposições e àqueles que criticam o Governo sem "nada de concreto e alternativo" proporem, como ele gosta de dizer. Claro que qualquer proposta que façam nunca é suficientemente "concreta e alternativa" para ser considerada pelo sapiente Santos Silva pelo que as condições se manterão enternamente propíciais ao seu discurso a que alguns chamam de pura propaganda e até caceteiro.
Santos Silva disponibiliza-se para os papéis mais dificieis. Quando do encontro das esquerdas veio manifestar a sua estupefação com o facto desse encontro se fazer à revelia do PS e contra as suas políticas. Aproveitou para criticar a posição de Manuel Alegre que lhe parecia esquecido do carácter das forças em presença aproveitando para lembrar ao poeta que o PS foi sempre o partido da luta pela liberdade. Alegre respondeu-lhe na grande entrvista da RTP com mestria. Nos tempos em que o PS garantiu a liberdade Augusto Santos Silva andava por outros lados no outro lado da barricada.
O que a actuação, quando dispõem de algum poder, de pessoas como Santos Silva me faz pensar é no tipo de sociedade que eles pretenderam construir um dia quando defendiam ideias tão diferentes daquela que é hoje a sua práctica. Talvez, as ideias sejam apenas, para estas pessoas, instrumentais do acesso ao poder para aí poderem fazer aquilo de que mais gostam: ter o poder, serem ministros.

"Benefícios fiscais para mais desfavorecidos são exigência da esquerda do PS".
Esta exigência mínima parece uma confissão da incapacidade dos elementos da ala esquerda do PS - aqueles que não foram absorvidos pelo socratismo e que ainda não se libertaram de todo o lastro de ideias políticas que arrastavam - de influenciarem ainda que minimamente o sentido da governação do PS. Sabe-se que a apresentação de uma simples moção podia custar-lhes a cabeça, leia-se o lugar nas listas, "uma vez que receberam sinais de que tal atitude podia ser vista como um acto hostil a Sócrates", optaram então por uma proposta mínima. Irrelevante como é actualmente a sua actuação dentro do PS. Fingem que o partido se mantêm fiel às suas origens e ao socialismo democrático e recusam ver que Sócrates, com o auxílio, e a orientação, dos ex-comunistas, conduziu um processo de transformação do PS num partido popular, do centro direita, com a sua governação focada na promoção e defesa dos grandes grupos financeiros nacionais e na diminuição do peso do Estado com a consequente transferência para mãos privadas de partes cada vez maiores de sectores como a Educação, a Saúde e a Energia. Claro que esta política é mesclada por iniciativas pontuais de carácter assistencialista que não alteram antes confirmam o carácter promotor do agravamento das desigualdades sociais desta governação.
Por isso a esquerda do PS pode por a viola no saco e nalguns casos - Ana Gomes em especial - dadas as suas posições sérias ao longo da legislatura, irá desaparecer das listas socialistas. Aliás, porque raio iria Sócrates introduzir benefícios fiscais para os pobre se ele no seu imenso poder foi muito mais longe do que qualquer primeiro-ministro alguma vez conseguiu e baixou ele mesmo as taxas de juro de referência do BCE aproveitando o facto de o senhor Trichet estar momentaneamente .... de costas. Se não conseguiu ainda inverter a tendência de subida dos spreads foi porque os banqueiros portugueses, que o conhecem muito bem, nunca lhe darem o flanco mantendo-o sempre debaixo de olho.

"Câmara de Lisboa discute amanhã suspensão de Plano de Pormenor em Benfica".
A suspensão dos instrumentoas de planeamento parece ser a marca forte desta gestão municipal. A compatibilização do interesse público com os interesses privados faz-se, pelos vistos, idealmente em sede de suspensão dos instrumentos de planeamento existentes. Uma via original para o socialismo, certamente.

A autarquia está neste momento a fornecer informação suplementar sobre esta situação. Percebe-se que esta informação pouco ou nada adianta sobre os riscos para a saúde pública antes constitui uma oportunidade para destacar a actuação da câmara e a sua celeridade a tomar "de imediato, as medidas consideradas adequadas à situação".
Da leitura da informação disponibilizada não se entende onde estará a adequação das medidas e muito menos a celeridade na resposta, senão vejamos:

Em primeiro lugar o Presidente da Câmara foi informado em 19-11-2008 de que algo de anormal ocorria na zona de um dos aquíferos que alimentam o sistema de abastecimento de água a Sines.
Apenas no dia 22 de Dezembro o abastecimetno a partir da captação suspeita foi interrompido. Atendendo à sua importância o abastecimento teve que passar a ser efectuado a partir de Santo-André.
O que aconteceu nestes 33 dias? O que fez o Presidente da Câmara para defender a saúde dos seus municipes? Fez muitas coisas mas não fez o essencial face á provável gravidade da situação: não interrompeu imediatamente o abastecimento a partir dessa captação como lhe competia.

Oficiou as entidades, mandou fazer análises , reuniu com as Universidades- como é seu costume - voltou a oficiar as entidades competentes, mas permitiu que a água de abastecimento continuasse a ser captada nessas captações contaminadas. Não foi previdente, nem usou da elementar precaução que é necessária em situações desta natureza. Tinha muita coisa para fazer e achou que esta situação podia esperar. Manifestou incompetência profunda e incapacidade para defender a saúde pública.
A mesma incompetência que quase 12 anos depois de ter chegado ao poder ainda o impede de ter implementado um sistema de monitorização da qualidade da água sobretudo nas zonas mais sensíveis, aquelas que se situam perto das empresas poluidoras.

Numa coisa estou de acordo com aquilo que foi feito: a participação ao Ministério Público. No entanto estou certo que a queixa devia ser contra o Presidente da Câmara e a sua omissão.

A Câmara de Sines e a Autoridade de Saúde distribuiram um comunicado com um título bizarro. O título é o seguinte: "Alteração na Distribuição de Água".
Lido o comunicado o que é que se encontra? O seguinte: "A Câmara Municipal de Sines e a Autoridade de Saúde do Concelho de Sines informam que o abastecimento de água a Sines terá alterações desde hoje, passando a fazer-se a partir de água adquirida à empresa Águas de Santo André.
Esta alteração prende-se com a provável existência de valores inadequados de hidrocarbonetos nalgumas captações de água da Câmara Municipal de Sines, que estão a ser investigados e monitorizados, e irá manter-se até completo conhecimento e resolução do problema.
Em resultado do fornecimento a partir de Santo André, serão sentidas alterações no odor normal da água, que não correspondem a alterações da qualidade.

A CMS e a Autoridade de Saúde manterão a população informada a todo o tempo sobre o evoluir da situação."
Afinal o problema da "Distribuição" tem a ver com um problema de Qualidade e esse problema de qualidade tem a ver com a existência de hidrocarbonetos nalgumas captações de água da Câmara de Sines, hidrocarbonetos que são particularmente perigosos em termos de saúde pública por serem cancerígenos.
Porque será que a Autoridade de Saúde não prestou informação autónoma à população deixando para a Câmara as questões logísticas da rede de distribuição? Porque será que ambas as entidades resolveram valorizar os problemas da distribuição e deixar para segundo plano as questões da qualidade nada dizendo sobre as questões de saúde pública?
Sendo a Câmara a entidade responsável pela captação e distribuição de água e a Autoridade de Saude responsável pela verificação das condições sanitárias em que são prestados os serviços às populações porque não assumem elas separadamente as suas responsabilidades?
Quem nos protege desta promiscuidade?

Tenho sempre manifestado uma grande simpatia pelo secretário Pedreira. As suas declarações já me suscitaram os mais variados comentários ao longo das suas desastrosas, para dizer o mínimo, intervenções públicas sobre o modelo de avaliação ou sobre o estatuto da carreira docente. Mas o secretário Pedreira não pára de nos surpreender. Em declarações após a entrega do abaixo-assinado pela Plataforma Sindical de Professores o governante fiel ao seu estilo declarou que "Este abaixo-assinado vale o que vale. As circunstâncias em que foi recolhido permitiam que qualquer pessoa sem nenhuma identificação o preenchesse e enviasse aos sindicatos. Qualquer pessoa podia assinar na Internet. Só era pedido um nome e uma escola. Mas não quero menosprezar a contestação que os sindicatos têm feito" para logo rematar ao seu estilo pontapé e estalo "As negociações terminaram. Os instrumentos legislativos foram aprovados e agora trata-se de fazer a avaliação. Relativamente a este ano lectivo a discussão sobre a avaliação de desempenho, do ponto de vista do Ministério da Educação, terminou".


Mesmo quem não celebre a reliogiosidade do Natal, parece-me que precisa dele como um pretexto para ter um gesto de amor, de solidariedade, de sensibilidade. Ninguém é tão frio e indiferente que não "necessite" de um momento no Ano para quebrar o gelo. Mesmo assim, há quem não o aproveite e outros que procuram o sentido do Natal no consumismo.
O Natal serve para nos lembrar algumas das coisas mais importantes na nossa vida e tão apressados que andamos com os afazeres que muitas vezes nos passa ao lado ...

(John Lennon - Happy Christmas/War Is Over)

Escolha de vice de Avelino para a Câmara do Marco "ofende" o PS.
A ofensa é manifestada por Francisco Assis, mas para os actuais dirigentes a escolha acertada seria sem dúvida Avelino Ferreira Torres. Mas, não podendo ser um ganhador como o ex-autarca sempre se arranja alguém que lhe observou de perto os hábitos e que certamente muito aprendeu com ele.
É por estas e por outras que o PS é cada vez mais um partido popular e cada vez menos um partido do socialismo democrático.

Provocou algum alarido o facto de o protocolo entre a Câmara de Sines e o Ministério da Educação ter sido ratificado pela Assembleia Municipal de Sines com a maioria CDU a ser derrotada com os votos do PS e de um elemento do PSD a serem decisivos para que o presidente comunista derrotasse o seu partido. Consta que o facto de Manuel Coelho ter assinado o protocolo - foi um dos 90 autarcas que o assinaram - motivou mesmo um repreensão política por parte da CDU e a comunicação de que não será o candidato daquela força política nas próximas autárquicas. Mas, isso são apenas conjecturas porque depois, quando chegar a hora das decisões, o que contará são as probabilidades de cada um dos potenciais candidatos.
Para lá das trapalhadas que caracterizam a relação entre o autarca e a força política pela qual foi eleito, e que excitam bastante parte da inexistente e/ou submissa oposição, o que interessa saber é se este protocolo é bom para o concelho, como muito se apressaram a afirmar sem qualquer dúvida, concluindo en passant que o autarca é um pragmático que coloca os interesses da cidade acima dos interesses do partido.
Será que existem razões para Sines ficar feliz com esta cooperação entre o autarca e o Ministério da Educação e agradecido ao seu Presidente de Câmara por, contra vontade expressa do seu partido, ter assinado o referido protocolo?
Um dos argumentos que é trazido à discussão é o facto de, desta forma, o concelho ser favorecido com verbas que ajudarão a suportar custos que doutra forma já eram mais ou menos assumidos pelas autarquia.
Não será bem assim já que, por exemplo, o Presidente da Câmara de Lisboa recusou subscrever o acordo com base na deficiente situção financeira da autarquia e no esforço em curso para melhorar os estabelecimentos escolares na sua dependência. "Não seria responsável da nossa parte assumirmos novas responsabilidades em matéria educativa sem conseguirmos tratar bem as responsabilidades que já temos" afirmou António Costa. Afinal, não se entende esta declaração se pensarmos que estamos apenas e só perante uma transferência liquída de fundos que permitirão dar conta de todas as solicitações.
E porque será que a ANMP recusa o protocolo? E porque razão a maioria das câmaras o recusou? Talvez a simples leitura do decreto-Lei não responda a todas estas perguntas mas reduzir a discussão a uma questão de verbas é uma simplificação grosseira de uma realidade que é certamente mais complexa.
Mas ainda do ponto de vista do protocolo ajuda ler um excelente texto publicado na revista OP´s da autoria de Jorge Martins cujo título é "O municipalismo educativo:entre o estado e o mercado?" A dado passo o autor coloca a seguinte questão." As recentes medidas de política educativa, nomeadamente a legislação que transfere novas competências e meios financeiros para os municípios em matéria de educação (Decreto-Lei nº 144/2008, de 28 de Julho.), parecem demonstrar que o Estado quer resistir, embora correndo alguns riscos como o favorecimento de um novo “clientelismo” municipal (poderá manifestar-se na contratação de algum pessoal docente e não docente ou na imposição de amigos para a direcção das escolas).
E as autarquias? Estarão elas interessadas na municipalização da “escola mínima para a maioria” e na privatização da “escola máxima para a minoria”? Estarão interessadas em manter o velho “statu quo” a troco do “eleitoralismo” fácil que sempre é concedido aos autarcas quando estes, com ou sem razões, se desresponsabilizam face à educação e remetem o odioso do insucesso escolar e da fuga à escola para os governos (quaisquer que sejam)?
Ou, pelo contrário, estarão elas empenhadas em combater eficazmente a possível dualização dos seus subsistemas educativos locais, assumindo com lucidez o novo quadro descentralizador?(...)"
para depois alertar para o facto de ser possível " no entanto identificar alguns municípios cuja acção educacional aponta no sentido de um outro caminho:
é o caso daqueles que se manifestam co-responsáveis pelo bom funcionamento das suas escolas, que querem ser parte interveniente nos contratos de autonomia, que lutam pela concretização das cartas educativas, pela eficácia dos conselhos municipais de educação, pela participação activa e qualificada nos órgãos colegiais das escolas, que dão um apoio prioritário às medidas de combate ao insucesso e à fuga escolares, que promovem projectos partilhados com as escolas em domínios tão prioritários como o civismo e a segurança, que fazem das redes sociais e da mobilização de parceiros, sobretudo dos professores, a principal alavanca da mudança.
São sinais que radicam nas vantagens da democracia e que, mesmo sendo ténues e desiguais, permitem perspectivar um paradigma alternativo ao triunfalismo do mercado ou ao miserabilismo municipal que durante décadas foi alimentado pelo Estado.
Um tal paradigma, que assuma as necessidades locais como ideia motriz, que, em vez de alienar para terceiros as suas responsabilidades, aproveite o capital social acumulado nas lutas por melhores condições de vida e de trabalho, que seja capaz de elaborar e executar
orçamentos e projectos educativos municipais, participados e escrutinados pelos munícipes, poderá contribuir verdadeiramente para um novo sentido educador de espaços, de instituições e de relações ao nível local."

Será esta a situação existente no concelho de Sines e será este o projecto que se pretende implementar ou o que existe é apenas e só um projecto de poder pessoal que não dispensa nenhuma possibilidade de estender ainda mais a sua influência? Para os deputados que votaram favoravelmente o protocolo parece não existirem dúvidas.

Esclarecimento publicado este fim de semana no Jornal Notícias de Sines sobre a construção em curso na falésia, que entretanto a destruiu parcialmente.

"Primeiro-ministro desvaloriza críticas dos sindicatos a apoios de emergência".
O primeiro-ministro fez um esforço sério para nivelar por baixo o rendimento da maioria dos portugueses. Foi a fase da famigerada caça aos direitos adquiridos e aos poderes corporativos na linguagem do Governo e dos seus acólitos.
Concluída essa fase, com o empobrecimento da grande maioria e o enriquecimento sem causa de uma ínfima minoria que põe e dispõe no País, o primeiro-ministro pode agora dedicar-se à caridade, distribuindo esmolas àqueles que empobreceu.
Uma singular alma socialista a deste primeiro-ministro que confunde a solidariedade social com o assistencialismo caritativo da mesma maneira que confunde a natureza do seu partido que ele classifica de democrático e popular quando nós o julgávamos do socialismo democrático.
O primeiro-ministro sonha com um país de pedintes em que seja ele a distribuir as esmolas e a colher a gratidão e os votos dos beneficiários. Nada que seja diferente de muitos regedores de aldeia que por aí pululam.

No seu post "Causa Própria", Vital Moreira, sempre ao serviço das posições do Governo na polémica em volta da questão da avaliação dos professores, faz uma leitura errada da notícia do DN sobre a não progressão dos professores que se dedicam à actividade sindical. Contrariamente ao que VM escreve a actual situação, a fazer fé na notícia, não consagra a progressão automática dos professores sindicalistas, antes pelo contrário determina a sua permanência no mesmo escalão até que voltem ao ensino. Vital Moreira tirou a conclusão errada concluindo que "agora se percebe a luta aguerrida dos sindicatos contra a avaliação dos professores". Estamos perante uma manifesta crise de subjectivismo concluindo VM de acordo com os seus desejos, desprezando a realidade.
Mas, que legitimitidade terá VM para concluir que seriam os interesses desses 300 professores sindicalistas que determinavam o comportamento da totalidade da classe? Como é possível ter-se uma imagem tão degradante da actuação dos sindicatos?

"Taça UEFA: Exigia-se a vitória, sonhava-se com a goleada, acabou com uma derrota do Benfica"
Quem lia as declarações que antecederam o jogo não queria crer na megalomania que atacava a rapaziada do Benfica. Quando a sua actuação se caracteriza por umam mediocridade insuperável o que os fará esperar milagres apenas acessíveis aos melhores? Dizem-me que é a mania das grandezas que o clube das águias simboliza em todo o seu esplendor. Talvez seja por isso que tantos portugueses são benfiquistas.
Razão tinha LFV quando pretendia, na secretaria, eliminar o Porto da Liga dos Campeões e ocupar o seu lugar. Este Benfica até pode ganhar uma vez ou outra mas garantias garantias apenas as pode dar da sua mediocridade.

É o nome do post de João Paulo Sousa no "da literatura" dedicado ao livro de Carlos Pimenta com o nome "Globalização- produção, capital fictício e redistribuição".

No blogue de Paulo Guinote, "A Educação do meu Umbigo", a opinião de Mário Rodrigues sobre o grupo dos 13 professores que apoiam a sua ministra e a o seu modelo de avaliação estabelecendo uma feliz comparação com a brigada do reumático que no estertor do regime salazarista manifestava o seu apoio a Marcelo Caetano.

"Filha do Presidente de Angola compra quase 10 por cento do BPI"
Não virá longe o dia em que a família de José Eduardo dos Santos terá nas mãos quase todos os sectores vitais da economia portuguesa.
Trata-se de uma manifesta evolução no perfil do nosso sector empresarial mas não deixa, lá por isso, de corresponder a uma "consolidação" desse perfil se atendermos no que os escândalos do BCP, BPN e BPP evidenciaram sobre a verdadeira natureza da gestão do sistema financeiro português.

"Professores em condições de pedir a reforma até 2011 dispensados da avaliação"
Porque será que só agora a ministra se lembrou desta simpática medida? A resposta certa é: a medida não tem nada de simpática para a Ministra mas pode ser útil para retirar do coro dos protestos este conjunto de professores. A ministra sabe que a contestação está fortemente enraizada nos professores e que a propaganda governamental que diaboliza os sindicatos é falsa. Por isso qualquer iniciativa que vise dividi-los e quebrar essa unidade pode ser bem vinda.
A ministra não visa melhorar o sistema ou torná.lo mais justo, ela visa a unidade dos professores e a sua profunda repulsa por este modelo e por esta política.

"PSD confirma Santana Lopes como candidato à Câmara de Lisboa".
Não vejo como pode a esquerda desvalorizar a candidatura de Santana Lopes. Escrevi ainda ele não tinha anunciado a sua candidatura e insisti logo que ele anunciou, aparentemente antes do tempo, a sua candidatura, que era o melhor candidato que o PSD podia encontrar nas suas fileiras para concorrer com hipóteses de ganhar a autarquia de Lisboa.
Num clima que não conduzirá, em nenhuma circunstância, a uma unidade de esquerda em volta, por exemplo, da candidatura do PS, Santana Lopes pode, com um resultado à volta dos 30%, ser o candidato mais votado. Recorde-se que António Costa é presidente da autarquia e não obteve sequer 30% dos votos. A coisa complica-se para a esquerda se Santana Lopes integrar o táxi na sa candidatura, embora pelo andamento da "unidade e vitalidade internas " de que falava Paulo Portas, o melhor é começar a falar da bicicleta unipessoal do Paulo. A esquerda pensará que Santana Lopes é um político com a credibilidade completamente posta em causa. Mas a direita não pensa assim e quer sobretudo voltar a liderar a capital. Mais dificil do que derrotar António Costa nesta altura foi derrotar João Soares e todos sabemos o resultado.

No que se refere aos combustíveis, o Manuel Sebastião acha que os "preços dos combustíveis “seguem claramente os preços internacionais” mas já em relação aos padeiros não tem dúvida em acusar "associação de panificação de combinar preços do pão".
Nós, humildes cidadãos acharíamos que o pão não estava muito caro mas que os combustíveis representam um roubo diário perpetrado pelas gasolineiras. Talvez que o Manuel Sebastião não tenha encontrado refeência internaionais para o preço do pão, ou talvez o homem não seja um potencial padeiro já o mesmo não se podendo dizer de uma futura vocação para empresário na área dos combustíveis.

"Teixeira dos Santos: ”É preciso pressionar os bancos para que façam chegar o dinheiro às empresas”
Vejam bem como está a relação de forças entre esta Banca e este Governo. Vejam bem quem pode e quem manda. Para arranjar carradas de dinheiro dos contribuintes para "salvar" a banca o Governo pode. Claro que utiliza o alibi de que o dinheiro é para dinamizar a economia e para permitir apoiar as empresas e as famílias. Depois, confrontado com o facto de que nem umas nem outras vêem a cor do dinheiro, opta por apelar a que se pressione os bancos para que façam aquilo que é suposto. Primeiro o Ministro das Finanças depois o próprio primeiro-ministro ambos a merecerem integrar um virtuoso coro de jovens almas bem intencionadas capazes de passarem o Natal a espalharem a Boa Nova junto da Associação de Bancos Portugueses.

imperdível, para todos os que se interessam pela imagem, pela fotografia
(em DVD)

"A verdadeira beleza de um momento não se consegue fotografar ... há qualquer coisa de arte que anda no ar e que não se consegue fotografar".
Annie Leibovitz

... estabilizar o sistema financeiro.
"Banco de Portugal está a apurar eventual impacto interno da fraude de Bernard Madoff".
Já devem saber que a coisa se deve traduzir por algumas centenas de milhões de euros de prejuízos. Tanta gente, referenciada como da mais elevada craveira e confiança, que por esse mundo fora jogava o dinheiro dos seus depositantes e accionistas na Dona Branca do snr. Bernard Madoff. Claro que em resultado dessas jogatanas com o dinheiro dos outros via o seu dinheiro crescer.
Deve ser já a pensar neste próximo desenlace que Sócrates apela ao melhor de todos para "estabilizar o sistema financeiro". Vamos ter que dar o melhor de cada um até ao último tostão a continuar este caminho. No final talvez se salvem alguns banqueiros para homenagearem com o primeiro-ministro o sentido de sacríficio e de auto-punição do bom povo.

"Banco de Portugal acusa oito ex-gestores executivos do BCP de práticas de gestão ilícitas"
Pagam umas coimazitas e ficam descansados. Provavelmente ficam inibidos de gerir bancos durante uns anitos. Mas, quem no seu perfeito juízo entregava a gestão de uma instituição bancária a estes reformados de luxo, com uma vocação ímpar para se auto-remunerarem, se auto-premiarem e finalmente se auto-indemnizarem antes das ditas brilhantes instituições falirem?

"Grandes fortunas devem ser taxadas para apoio aos pobres"
A poítica do Governo é exactamente o contrário: aumentar ad nauseum a tributação dos mais pobres - aqueles perante quem o Governo não perde uma oportunidade para mostrar a sua força - e a sua exploração para ajudar os mais ricos, os pobres banqueiros que viram o banco que geria as suas fortunas falir.

"Sócrates: reconversão vai tornar refinaria de Sines em centro industrial de primeira linha"
Escandalosa a propaganda que rodeia a actividade do primeiro-ministro. Quantas vezes é que Sócrates já fez este anúncio ou quantas vezes veio ele à televisão anunciar esta obra?
Esta declaração parola de que este investimento vai afirmar "Sines como um centro industrial de primeiríssima linha" já foi feita quantas vezes?
Infelizmente o primeiro-ministro em nenhuma das circunstâncias foi capaz de dizer uma palavra sobre a controlo da qualidade ambiental e sobre os mecanismos de monitorização e promõção da saúde pública. Longe vão os tempos "das pessoas primeiro". Agora em primeiro lugar estão sempre os banqueiros e os amorins.

"Fisco multa 200 mil trabalhadores a recibo verde em 248 euros cada"
É desta forma que arranjam dinheiro para os benefícios fiscais que distribuem pelos mais necessitados como a GALP e a família Amorim e pela Banca carenciada coitadinha. Vão-nos sugar até ao último cêntimo tudo aquilo que andam despudoradamente a dar aos banqueiros como os do BPP.
Apetece-me ouvir os Vampiros do José Afonso.

"Caro Eng. Guinote,
Li com atenção como leio quase todas as suas opiniões que de livre vontade escreve no seu blog.
Relativamente a este "post", que nem sequer vou discordar de si quanto ao conteúdo, entendo como já o entendia antes que na eventualidade do Presidente enviar o CT para o TC, a apreciação que ele faria, seria sempre duma forma ténue e para que alguma base social de apoio não se sentisse frustada. Mas, o objectivo do Presidente não é outro senão aprovar o Código tal qual ele foi concebido pelo PS, tendo até este partido ultrapassado o PSD e CDS de Bagão Félix pela direita. Cavaco e Bagão só não enxertaram a Lei agora revista porque não tiveram condições políticas para o fazer. Mas estes em conluio com a UGT já sabiam que a Lei poderia ser mexida pelo presidente ou TC. É apenas um artigo que talvez não seja até o mais importante.
Permita-me com toda a correcção discordar então de si quanto ao título do post.
"Muito bem Snr Presidente" endeusa tal personagem que, pelo que atrás disse, e para quem lê apenas os títulos, pode ficar com uma opinião de si que não corresponde à sua realidade.
Governo, Presidente e alguns patrões (não me refiro a empresários), estão de facto na mesma senda da destruição dos alicerces do edifício social que muito custou a construir.
Acho firmemente que o futuro, talvez próximo, irá dar total razão aos Sindicatos da CGTP.
Aceite a minha saudação cordial.
"

Egidio Fernandes.
(dirigente da CGTP)


Comentário - São conhecidas as posições da CGTP sobre o Código do Trabalho do PS e como já aqui escrevi na fase da discussão pública rejeito o Código por um conjunto alargado de razões que se traduzem na brutal perda de direitos dos trabalhadores. O PS fez pior do que o PSD/CDS.
Quanto ao post o que está em causa é esta iniciaitiva concreta do Presidente da República que eu aplaudo. Aliás, admitindo que o Egidio Fernandes tem razão quando caracteriza o posicionamento do Presidente relativamente ao Código, haveria alguma razão que o impedisse de o promulgar?

"Presidente envia Código do Trabalho para o Tribunal Constitucional"
O Presidente suscitou a análise constitucional do tratado levantando dúvidas sobre a norma que alrga o período experimental para 6 meses. Agrada-me esta iniciativa do Presidente da república já que ela incide sobre uma das mais bárbaras e anti-socialistas medidas do Código do Trabalho.
Espero que o Tribunal Constitucional contribua para expurgar essa aberração reaccionária do Código.

PS - O Presidente da República marca uma posição critica relativamente ao Governo numa área sensível à esquerda e ao mundo do trabalho. Contribui desta forma para "corrigir" e "clarificar" a verdadeira natureza da base social de apoio deste Governo. Muito bem Snr. Presidente.

"Ministra diz que sindicatos não apresentaram "proposta verdadeiramente alternativa"
Percebe-se que a ministra entenda que uma proposta verdadeiramente alternativa é uma proposta verdadeiramente igual à do Ministério. Percebe-se igualmente que ela afirme que aceitar as propostas dos sindicatos corresponde a "um regresso ao passado". Desta forma se baliza o campo da negociação, isto depois de Sócrates ter feito saber, ceiteriosamente antes da reunião, que não só não havia nenhum recuo como não iria haver nem agora nem nunca.
O que representará melhor do que qualquer outra situação o clima de regresso ao passado? A actuação dos sindicatos ou a diabolização dos sindicatos pelo Governo?

A tua presença
Entra pelos sete buracos da minha cabeça
A tua presença
Pelos olhos, boca, narinas e orelhas
A tua presença
Paralisa meu momento em que tudo começa
A tua presença
Desintegra e atualiza a minha presença
A tua presença
Envolve meu tronco, meus braços e minhas pernas
A tua presença
É branca, verde, vermelha, azul e amarela
A tua presença
É negra, negra, negra
Negra, negra, negra
A tua presença
Transborda pelas portas e pelas janelas
A tua presença
Silencia os automóveis e as motocicletas
A tua presença
Se espalha no campo derrubando as cercas
A tua presença
É tudo que se come, tudo que se reza
A tua presença
Coagula o jorro da noite sangrenta
A tua presença é a coisa mais bonita em toda a natureza
A tua presença
Mantém sempre teso o arco da promessa
A tua presença
Morena, morena, morena
Morena, morena, morena
Morena

"Mário Soares destaca "coragem invulgar" da ministra da Educação"
O Dr. Soares umas vezes até distingue bem a pura teimosia e a falta de razão com a coragem. O Dr. Soares outras vezes acha mesmo que a agressão sistemática aos sindicatos e a sua diabolização são um caminho sem retorno e trazem perigos ao normal funcionamento da democracia. O Dr. Soares acha que os sindicatos esticaram a corda em determinada altura e nunca deu pelo facto de o Governo ter esticado a corda em várias alturas.
O Dr. Soares muitas vezes acha que o Governo tem que prestar atenção ao que dizem as pessoas e os diferentes grupos sociais. Mas, estamos muito perto das eleições e aí o dr. Soares acha sempre que o seu PS tem razão mesmo que para isso tenha que destacar a "coragem invulgar", diz ele, da teimosa e prepotente, digo eu, Ministra da Educação.
As contradições do Dr. Soares não são de agora e de certa forma ajudam a fazer o encanto da sua incomparável personalidade.

"José Sócrates: avaliação de professores é para manter ". Que o primeiro-ministro queira manter a avaliação parece-me bem. Não conheço nenhum professor que ache que não deve haver qualquer tipo de avaliação e conheço bastantes. Mas, lida a notícia percebemos que Sócrates descansou os seus deputados esclarecendo que "que não vai haver qualquer alteração no modelo de avaliação dos professores". Ficamos todos informados sobre o que pensa o primeiro-ministro acerca da negociação. Ficamos todos a saber que Sócrates usa a Ministra como muito bem lhe apetece mandando-a dizer hoje uma coisa à Assembleia da República que ele depois desmente em reuniões de esclarecimento com os seus deputados. Afinal a Ministra não goza da solidariedade política de Sócrates ela é usada solidariamente pelo primeiro-ministro para dizer em cada momento aquilo que lhe é conveniente e que depois no momento mais oportuno ele desmentirá.
Razão tem Mário Nogueira quando afirma que o "primeiro-ministro está sempre em desacordo". Em desacordo com os sindicatos sempre, mesmo quando manda a Ministra dizer que afinal para o ano já estará de acordo.

"Algarve: pinhal já está a ser abatido para construir duas mil camas junto à praia Verde"
Os projectos PIN servem para isto: permitir a transferência de bens públicos para mãos privadas. Numa zona ambientalmente sensível, numa área de pinhal um terreno de "alto risco", no qual não se podia construir, foi adquirido pelo actual Presidente do Benfica. Um ano após - bendita rapidez- um miraculoso PIN permitiu a construção nesse terreno de dezenas de milhares de metros quadrados e o abate de um pinhal quase completo.
O "alto risco" foi assim altamente premiado com uma valorização de cada metro quadrado da sua área em milhares de vezes. Assim se enriquece em Portugal ou se consolidam as grandes fortunas já existentes através da captação das mais-valias simples associadas a decisões de mudanças de uso tomadas pela Administração Pública. A isto chamou Paulo Morais trnasferência de bens públicos para mãos privadas.

PS- Este Ministério do Ambiente é aquele que tem prosseguido a política mais à direita de que me recordo, com o enfoque na mudança de uso de solos que permite a captura privada das brutais mais valias geradas por essa forma. O Secretário de Estado do Ambiente e o seu Ministro, em estreita consonância com o seu primeiro, se lhes derem tempo permitirão a urbanização de todo e qualquer espaço natural que ainda subsista no Litoral. Um escândalo. O País pode estar de tanga mas para alguns é um rico país muito bem governado.

Praia Porto de Cima, Morro de São Paulo, Bahia

"Vítor Constâncio admite, afinal, recessão técnica no final deste mês"
Portugal não está em recessão, Portugal está em depressão. Passados estes anos a apertar o cinto, com uma tremenda pressão fiscal sobre a generalidade dos cidadãos e sobre as pequenas e médias empresas, contido o défice à martelada eis senão quando a crise estala. Agora que o senhor Trichet resolveu aligeirar o saque às famílias, os bancos, pobrezinhos com os seus lucros em queda, aproveitaram para rapinar parte desse alívio, transferindo-o para os seus bolsos àvidos.
O País está em recessão mas como se sabe a recessão não é igual para todos. O Governo decide aqueles a quem beneficia nestes tempos e este Governo optou claramente. Entre controlar as taxas de juro dos empréstimos à habitação, medida capaz de estimular a procura interna por libertar recursos às famílias, ou apoiar com fundos públicos a gula dos bancos o Governo fez a sua escolha: escolheu os bancos.

É este o tema da próxima edição dos" Encontros com o le Monde Diplomatique" no qual irei participar na próxima quinta-feira dias 11 pelas 21h30m no Instituto Franco-Português em Lisboa. Pode ler mais aqui.
Entretanto o Le Monde Diplomatique na sua edição de Dezembro dedica um dossier à crise do Imobiliário com um conjunto de textos muito interessantes de que destaco os de Nuno Teles(a crise e o processo de financiarização em Portugal), de José Garcia Montalvo (Febre da construção em Espanha) e de Akram Belkaid (Pulmão e elo frágil da economia mundial).

"Alunos "maiores de 23" não estão nos cursos que garantem mais e melhores empregos "
O canudo na sua versão "esquerda socrática moderna" cumpre três funções: dá estatuto ao portador, atesta a saúde financeira do sistema de produção de canudos e valoriza as estatísticas do Governo.
A valorização profisisonal e cultural dos estudantes e a melhoria da competitividade doPaís há muito que deixaram de ser objectivo relevantes.
A notícia parte do pressuposto de que os licenciados em escolas mais exigentes são os que acedem aos melhores empregos. Isso pode ser verdade mas não inclui todas as famílias. Desde quando é que o acesso aos melhores lugares é apenas e só uma questão de mérito?
Quanto ao mais e falando na perspectiva dos maiores de 23 anos sem uma escolaridade muito desenvolvida todos sabemos que há alguma gente que nunca concluiu qualquer licenciatura e que, felizmente, teve acesso a uma carreira profissional relevante, aos mais elevadoslugares degestão, apenas e só porque tinha capacidades manifestas. Do mesmo modo todos conhecemos gente muito pouco qualificada, alguns com cursos de atacar pelos queixos, que chegou aos píncaros da fama e do proveito. O que devia preocupar o País é o facto de este estado de coisas - aquisição com pequeno esforço e pouca qualificação de um curso superior - poder contribuir para que gente muito qualificada com elevadas capacidades tenha cada vez mais dificuldades em contribuir para o progresso geral. Como diria o outro a má moeda afasta a boa moeda e disso já o País se pode e deve queixar bastante.
Mas, no domínio da estatistica e da propaganda que futuro resta para o trabalho e o estudo dedicados?

"Preço do petróleo próximo dos 40 dólares "
Onde andará aquele senhor da Autoridade da Concorrência? Procura-se vivo ou morto com ou sem procuração do Ministro. Dão-se alvíssaras a quem souber do seu paradeiro ou fizer prova da existência do sujeito.

"Dias Loureiro e Jorge Coelho accionistas de gestora de um fundo financiado por fraude ao IVA".
Qualquer "alto responsável" quando questionado sobre aspectos menos claros das suas actividades "empresariais" responde que se tratava de uma mera participação financeira e que desconhece tudo o que acontece na empresa. Desconhecer é por isso a regra de ouro desta gestão moderna.
Trata-se, aliás, de um clássico recurso a Séneca para invocando a ignorância pedir a irresponsabilidade. O Regime do Bloco Central, que nos controla, tem tido o velho filósofo romano na devida conta e tem, ano após ano, irresponsabilizado todos aqueles que não tendo o dom do estoicismo cederam ao pecado da gula e optaram pelos caminhos mais curtos para acumularem as fortunas a que julgavam ter direito.
Nos tempos pantanosos que correm que soluções existirão para pôr termo a esta promiscuidade entre política e negócios, entre aparelhos partidários e negócios, entre o Estado e a subita prosperidade de alguns herdeiros? Uma operação mãos-limpas como sugere o Paulo Granjo no seu Antropocoiso? O nosso problema começa a ser onde encontrar as mãos-limpas capazes de combater a corrupção que toma conta da polis e se eleva ao estatuto de cultura do Estado.

"Preço do petróleo próximo dos 40 dólares "
O negócio nunca deu tanto como agora. Com o petróleo a este preço e os combustíveis altíssimos as grandes empresas como a GALP, a BP, a Repsol e outras ganham como nunca. Os cidadãos são diariamente espoliados dos seus recursos para sustentar a especulação.

"Ministra admite substituir modelo de avaliação no próximo ano lectivo "
A admissão pela Ministra de que o modelo de avaliação deverá ser substituído constitui uma resposta inequívoca à mobilização sem precedentes que levou mais de 90% dos professores a fazerem greve. Desse ponto de vista, esta evolução da posição do Governo é o resultado da luta dos professores e constitui uma sua vitória.
Mas, a posição da Ministra, sendo mais do que necessária e inevitável nas condições actuais, é insuficiente para apaziguar as Escolas. A Ministra não tem condições para impor no corrente ano lectivo este modelo de avaliação que, afinal, ela própria já reconhece ser um modelo inexequível e a prazo. Não existem condições para avaliar agora segundo este modelo os docentes que o contestam, com sucesso, desde há meses.
Por outro lado, o agudizar da luta e a intransigência ministerial permitiram estabelecer uma relação estreita entre aspectos deste modelo, inaceitáveis para os professores, e o estatuto da carreira docente com a divisão entre professores titulares e os outros. Esta é a próxima fronteira para a qual Maria de Lurdes Rodrigues será obrigada a recuar, até que seja obrigada a revogar essse preverso estatuto.
Os professores construiram uma unidade tal e obtiveram um tal nível de mobilização que se tornaram na classe profissional mais indesejável de encontrar pela frente. O Governo e o Ministério da Educação não só levaram um tempo infinito a perceber isto como contribuíram decididamente para essa construção.


O DN, fiel à sua imagem de marca, destaca o número de adesões à greve que o Governo "divulgou". Opções.

Ministério fala em “adesão significativa”, sindicatos em greve “histórica”.
Valter Lemos reconheceu que a greve teve uma adesão significativa que ele admite ter sido da ordem dos 61% -o pormenor dos 1% é delicioso, a atestar do rigor da estimativa - depois de Jorge "Muhammed Saeed al-Sahaf" Pedreira ter passado a manhã a divulgar ao País que o ministério controlava a situação, as escolas estavam todas a funcionar mesmo que os cidadãos ignaros não se apercebessem desse facto.
Poucas pessoas em Portugal acharão que Valter Lemos fala com rigor.

“(…) Nenhuma questão económica afecta tanto as pessoas do que o desempenho macroeconómico da economia. O aumento da taxa de desemprego coloca os trabalhadores em pior situação mas a inflação menor daí resultante torna felizes os que detêm títulos. O equilíbrio destes interesses é, em termos de quinta-essência, uma actividade política, mas tem havido a tentativa, por parte de quantos estão nos mercados financeiros, de despolitizar a decisão, de a entregar aos tecnocratas, com um mandato para prosseguirem as políticas que são no interesse dos mercados financeiros. O FMI tem vindo a encorajar, por vezes mesmo a obrigar (com condição para a assistência), os países a terem os seus bancos centrais concentrados apenas na inflação. A Europa sucumbiu a estas doutrinas. Hoje, por toda a Eurolândia, cresce a infelicidade, pois o Banco Central Europeu prossegue uma política monetária que, apesar de fazer maravilhas para os mercados de títulos ao manter a inflação baixa e os preços dos títulos altos, deixou de rastos o crescimento e o emprego na Europa.(...)"

Quem escreveu isto foi Joseph Stiglitz no seu livro "Tornar eficaz a Globalização" a que nos referimos aqui. O que é extraordinário é que podemos, hoje por hoje, encontrar quem cite Stiglitz com grande fervor o mesmo fervor que durante anos os obrigou a fazerem tudo aquilo que ele criticou. Bom, mas se há quem faça o mesmo com Keynes de que nos podemos admirar?

"PS confirma Estatuto dos Açores sem alterações, apesar dos alertas de Cavaco".
O PS cria um confronto inútil com o Presidente da República a propósito do Estatuto dos Açores. Lidas as diferentes posições acho que o Presidente da República tem toda a razão e que o PSD e o PCP revelaram neste processo sensatez que é o que tem faltado aos restantes partidos.

"Sindicatos esperam a maior greve de sempre de professores"
José Sócrates, Maria de Lurde Rodrigues, Valter Lemos, o famosíssimo Jorge Pedreira e as suas políticas, são os nomes e o conteudo do mais eficaz e duradouro cimento de que se faz, nos dias que passam, a união da esmagadora maioria dos professores. Não é de todos os professores porque alguns - uma pequena percentagem com o direiro à sua diferença - não fazem greve. Mas, ninguém corre qualquer risco se afirmar que esta será a mais expressiva greve jamais feita pela classe docente, desde que a democracia foi implantada.
Os professores fazem a maior greve de sempre em defesa da escola pública. Não estou seguro que obtenham desde já aquilo que querem mas reconheço que a sua determinação é enorme e que não parece nada fácil demovê-los da sua luta. Precisam de toda a união e convicção para derrotarem aqueles que querem justamente acabar com a escola pública.

Actualização: Já não parecem restar dúvidas de que a adesão a esta greve é verdadeiramente esmagadora. Algo que não faz o secretário Pedreira mudar uma vírgula ao seu requentado discurso: a lei é para cumprir, repetia ele solene aos microfones da Antena Um; os professores são para avaliar, ponto final. Pelo meio introduzia uma nuance: " as maiores vitímas deste processo são os próprios professores que deitam fora dois anos do seu trabalho".
O cinismo quando é tão excessivo pode provocar danos graves.

O Governo que, e muito bem, tinha dado a ideia de que não ia ajudar a resolver a crise do BPP afinal sempre vai dar uma valente ajuda.
O BPP é um banco que gere as grandes fortunas de alguns privilegiados - os happy few - e que faz disso a sua única actividade. O patrão do Banco é, segundo a sua douta opinião, um caso de sucesso na gestão de fortunas. Certamente todos os accionistas ganharam pipas de massa anos a fio mas como o negócio envolvia riscos esta crise veio provocar perdas significativas. Com os bolsos mais vazios, e com parte do dinheiro a escoar-se pelos buracos que se iam abrindo, do que se lembraram os senhores accionistas ? Do Estado, pois claro, essa entidade, para eles, quase obscena cujo peso na economia lhes provoca tantos dissabores e os impede de fazerem de Portugal o país mais próspero do mundo (para eles, naturalmente) apesar de simpaticamente não lhes tributar as fortunas.
Mas o Governo, este Governo, nunca esquece os seus amigos e depois de alguns telefonemas logo decidiu arranjar uma solução para viabilizar o BPP e impedir prejuízos aos Balsemões, Saviottis e outros, tudo famílias estimáveis que podem sempre contar com o seu Governo e com o dinheiro de todos nós. Para fazer passar esta disponibilidade do Governo, que a um pobre não é capaz de dar um cêntimo, o Expresso do Dr. Balsemão inventou esta capa extraordinária que levanta a pertinente questão da "imagem". Presume-se que o Dr. Balsemão voltou à direcção do jornal por um dia.
Para legitimar toda a actuação do Governo neste processo da banca basta agora seguir as recomendações aqui deixadas. Fica tudo perfeito e ninguém se poderá queixar do "nosso" Governo.

"Jerónimo afirma que PCP será poder “quando o povo português quiser
esta lapalissada não vale um título mas aquilo que me parece relevante foi o facto de o PCP recusar qualquer tipo de coligações que saiam fora do quadro da sua CDU. Quer para as autárquicas quer para as legislativas o PCP só concorre no âmbito da CDU.
Quanto às movimentações da "união das esquerdas", que conta com o empenho e o entusiasmo do BE e dos sectores alegristas do PS , o PCP foi claro ao recusar esse tipo de "uniões".
Dir-se-á que o fez de uma forma particularmente sectária e dura, sobretudo em relação ao BE, mas o PCP é assim mesmo: implacável para com aqueles que se situam à esquerda e que de uma forma ou outra podem disputar o seu espaço.
Esta situação determina uma clarificação da situação política num cenário pós- eleições. Ninguém - BE e PCP - quer "casar" com o PS de Sócrates, num cenário de maioria relativa deste. Assim sendo, face a este anúncio prévio da posições do BE e do PCP, afinal tão semelhantes e mutuamente influenciadas, muitas pessoas que gostavam de com o seu voto influenciar uma solução governativa mais à esquerda tenderão a, numa situação de potencial impasse governativo, dar o seu voto ao PS. Este é um forte contributo para a maioria absoluta do PS em 2009.
Outra questão que se coloca é dentro das esquerdas que sobram o entendimento que se tem desta questão. O BE - muito condicionado pelo PCP - já excluiu soluções de governo com o PS mas o que pensarão disto os sectores alegristas? Evitariam poder influenciar uma solução de governo mais à esquerda? O problema das alianças nunca se coloca para o PCP - que aliás ao nível local, em situações em que é maioritário, tem uma longa história de alianças com o PSD e uma não história de alianças com o PS - que espera, eternamente se preciso for, pela ocasião em que será o maior partido da esquerda. Mas para o BE não representará a confissão de uma incapacidade não considerar a hipótese de traduzir os votos dos que nele confiarem numa força capaz de determinar um Governo mais à esquerda? Um Governo assente num compromisso político susceptível de ser controlado em termos da sua concretização e desde logo pela feitura do programa de Governo. As duas forças à esquerda resolveram nesta fase final "do campeonato" facilitar muito a vida a José Sócrates poupando-lhe o trabalho de explicar aos sectores mais progressitas do seu partido a razão pela qual não consideraria um acordo de governação à esquerda depoisde 2009. Sócrates agradece.










 

Pedra do Homem, 2007



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