Luz do sol

Que a folha traga e traduza
Em verde novo
Em folha em graça
Em vida em força em luz
Céu azul que vem até
Onde os pés tocam na terra
E a terra inspira e exala seus azuis
Reza, reza o rio Córrego para o rio, o rio pro mar
Reza correnteza roça a beira doura a areia
Marcha o homem sobre o chão

Luz do sol

Leva no coração uma ferida acesa
Dono do sim e do não
Diante da visão da infinita beleza
Finda por ferir com a mão essa delicadeza
A coisa mais querida
A glória da vida
Que a folha traga e traduz
Em verde novo
Em folha em graça
Em vida em força em luz


Pintura de George-Pierre Seurat (1859-1891)
Port-en-Bessin, 1888, óleo sobre tela
Museum of Modern Art - New York


Pintura de Milton Avery (1893-1965)
Sea grasses and Blue Sea, 1958, óleo sobre tela
Museum of Modern Art - New York

Não há muito sobre o que escrever. A não ser que estejamos dispostos a fazer figuras destas.

E do amor gritou-se o escândalo
Do medo criou-se o trágico
No rosto pintou-se o pálido
E não rolou uma lágrima, nem uma lástima p'ra socorrer
E na gente deu o hábito
De caminhar pelas trevas
De murmurar entre as pregas
De tirar leite das pedras
De ver o tempo correr
Mas, sob o sono dos séculos
Amanheceu o espetáculo
Como uma chuva de pétalas
Como se o céu vendo as penas
Morresse de pena e chovesse o perdão
E a prudência dos sábios
Não ousou conter nos lábios o sorriso e a paixão
Pois transbordando de flores
A calma dos lagos zangou-se
A rosa dos ventos danou-se
O leito dos rios fartou-se
Inundou de água doce a amargura do mar
Numa enchente amazónica
Numa explosão atlântica
E a multidão vendo em pânico
E a multidão vendo atônita
Ainda que tarde
O seu despertar

-Chico Buarque-


Pintura de Gustav Klimt (1862-1918) Hope, II (1907-08)
Óleo, ouro e platina sobre tela
The Museum of Modern Art - New York

Atendendo aos argumentos invocados pelo JCG, o Conselho de Redacção deliberou aceitar a licença solicitada pelo prazo indicado, garantindo aos leitores que o Pedra do Homem continuará a ser mantido pelos restantes colaboradores.

Aproveita ainda este conselho para saudar o JCG, a SB e o pequeno Diogo, desejando aos três as maiores felicidades.

Para os restantes leitores, os votos de festas felizes. Continuem a aparecer.

A colaboração deste escriba com o "pedra do homem" encontra-se interrompida até ao final do ano. O Diogo, que nasceu no passado dia 22, exige e merece todas as atenções.
Boas Festas para todos e um bom ano de 2006, com mais justiça social, maior solidariedade, maior desenvolvimento económico e social. Um ano que se caraterize pelo empenho de todos nós em prol do respeito pelo ambiente e pela saúde dos cidadãos em geral e do Litoral Alentejano em particular.

Vou ser um bocadinho saudosista, dirão alguns, mas outros recordar-se-ão do tempo em que não havia telemóveis nem e-mails e recebíamos os votos de Feliz Natal em postais chegados pelo correio. Tinha amigas e amigos de longe, com quem quase nem falava durante o ano, e no Natal lá vinha o postalinho. Não eram postais sofisticados, não tinham design, mas tinham autenticidade, no texto, escrito à mão, do remetente, no Deus Menino nas palhinhas, no boneco de neve, na paisagem de Inverno, muito simples e quentinha.
Agora já são raros os amigos que nos enviam um Postal de Natal com estrelas e dourados. Quase todos optam pelos sms, pelos e-mails, que tem a "vantagem" de chegar a um número imenso de pessoas em simultâneo e sem muito trabalho.
Por outro lado, eu sei que os Postais de Natal se continuam a vender. Quem são as pessoas que ainda resistem e os enviam enfrentando a incómoda fila dos Correios? Quem é que ainda compra aqueles postais 10 cm X 7 cm que eram os meus preferidos?


Pintura de Caravaggio (1571-1610)
Adoração dos Pastores, 1609 / Museu Nacional, Messina

Nesse País de lenda, que me encanta,
Ficaram meus brocados, que despi,
E as jóias que pelas aias reparti
Como outras rosas de Rainha Santa!

Tanta opala que eu tinha! Tanta, tanta!
Foi por lá que as semeei e que as perdi...
Mostrem-se esse País onde eu nasci!
Mostrem-me o Reino de que eu sou Infanta!

Ó meu País de sonho e de ansiedade,
Não sei se esta quimera que me assombra,
É feita de mentira ou de verdade!

Quero voltar! Não sei por onde vim...
Ah! Não ser mais que a sombra duma sombra
Por entre tanta sombra igual a mim!

-Florbela Espanca-


Pintura de Raffaello (1483-1520)
Sagrada Família com cordeiro, 1507
Museu do Prado - Madrid

A ler a opinião de Vasco Pulido Valente sobre a forma como decorreu o debate. Uma análise lúcida do que se passou e daquilo que tem estado em jogo na campanha. O candidato a primeiro-ministro Cavaco Silva - é isso que ele promete, alterar o rumo da economia, repor o crecimento económico devolver a confiança aos investidores, diminuir o fosso entre Portugal e a Europa entre outras benfeitorias só possíveis de concretizar na acção executiva - beneficia de uma conjuntura favorável ao aparecimento de um "Messias". Por muito que Soares mostre a vacuidade destas promessas como ontem fez com eficácia mas previsivelmente sem resultados.
Alguns blogues cavaquistas deixaram de ler e de citar Vasco Pulido Valente. Porque será?

Soares ganhou o debate com Cavaco Silva. O seu desempenho, muitas vezes no limite da agressividade admissível, traduz uma leitura política clara das opções possíveis para quem concorre contra um adversário que se situa a uma distância tão grande nas intenções de voto.
Soares questionou a interpretação que Cavaco faz dos poderes presidenciais, mais próximo de um primeiro-ministro, e passou grande parte do debate ao ataque. Não podia fazer outras coisa. No entanto esta estratégia tem um risco: é que Soares desvalorizou muitas vezes a importância dos poderes presidenciais para a resolução das questões concretas que afligem os portugueses, o desemprego e a recessão económica. Esta postura dá espaço para Cavaco assumir um discurso baseado na confiança e na esperança, que nesta altura concreta são apetecíveis para os portugueses.
Soares ganhou mas dificilmente inverteu a tendência dominante que as sondagens expressam. Mas pode ter dado uma pequena contribuição nesse sentido, o que já não é pouco nesta altura.


Pintura de Frei Angelico, História de São Nicolau, 1437
Tríptico de Peruggia, óleo sobre madeira

Hoje há Liga dos Campeões.

Não há sondagens que não confirmem a previsível vitória de Cavaco à primeira volta. O DN de hoje traz mais uma peça, de um conjunto alargado de sondagens, que confirma uma tendência aparentemente incontornável. Alegre recupera o segundo lugar por troca com Soares, enquanto Louçã recupera o terceiro lugar por troca com Jerónimo, invertendo a tendência que a sondagem do Expresso indicara. Pouco relevante face ao resultado de Cavaco. Vem aí a coabitação Sócrates-Cavaco. Vai ser bonito.

Até quando Portugal será o país ao qual não resta alternativa senão a de dizer sim a projectos que outros países da Europa dizem não?
Até quando Portugal será o país do mal menor?
Até quando as autarquias sucumbirão a negócios com grandes grupos financeiros para assim poderem saldar antigas dívidas, pagar salários, ganhar eleições? Até quando também a estas instituições não restará outra alternativa?
Até quando Portugal, embora sabendo que a sua solidez futura passa por outro caminho, continuirá a anuir, cabisbaixo, ao progresso enganador das superfícies comerciais que não trazem qualquer riqueza?
Até quando Portugal continuará a pensar a curto e a médio prazo, desprezando e troçando dos que se aventuram na tímida estratégia do futuro?
Até quando continuaremos a nossa guerrilha diária de velhas políticas ácidas e não unimos esforços pelas grandes causas das cidades e do país?
Até quando vamos ignorar de que o importante é o desenvolvimento sério, a cultura séria da nossa cidade, do nosso país e não as nossas crenças políticas e os nossos interesses pessoais?
Até quando os políticos deste país, e de resto os portugueses, vão continuar o seu comportamento de avestruz?

A ler, obrigatoriamente, a entrevista ao engenheiro Luís Valente de Oliveira publicada na última edição da revista "engenharia e vida", sob o título "descobrir o caminho terrestre para a internacionalização".
Algumas ideias fortes: "Portugal é um País desordenado mas gosta de o ser"; " ao contrário do que se disse, não tivemos Planos de Ordenamento por causa dos fundos comunitários, nós ameaçámos é que os fundos não seriam entregues para poder ter Planos". ; "(...) o mal não está nas obras (TGV e OTA) mas, sim,na falta de dinheiro e, por isso a prioridade é obter dinheiro. A urgência irá, não obstante, acontecer.(...)"; " Nunca existirão quatro ligações a Espanha. Porque ninguém se interessa pela ligação a Huelva, porque a ligação a Vigo não é feita por alta velocidade mas por velocidade elevada.(...)"
O melhor é mesmo ler a entrevista.

Esta questão levanta vários problemas. As expropriações feitas pelo Estado fascista tinham um pressuposto de utilidade pública que em muitos casos não se verificou. Num Estado de Direito aplicar-se-ia o princípio da reversão dos bens. Os expropriados, que foram centenas, foram vítimas da ditadura fascista como muito bem diziam os comunistas depois do 25 de Abril. Mais tarde foram vítimas da gestão municipal dos comunistas que sucessivamente inviabilizaram a devolução dos terrenos aos seus anteriores proprietários. Falo, é claro, dos terrenos que foram transferidos do GAS para as autarquias de Sines e Santiago do Cacém, mas sobretudo de Sines. Foram mais recentemente vítimas do défice público quando Manuela Ferreira Leite, do PSD, e agora recentemente Teixeira dos Santos, do PS, venderam terrenos que foram expropriados em 1970.
Sou favorável a que a totalidade dos terrenos que não tiveram utilidade pública sejam devolvidos aos seus anteriores proprietários e que no caso de a devolução ser impossível sejam pagas as competentes indemnizações. A ditadura fascista acabou no dia 25 de Abril de 1974.

A ler hoje no Público um trabalho do jornalista Carlos Dias sobre esta questão com o título "Proprietários recuperam terrenos expropriados em Sines há 30 anos."
Em causa está a devolução de 25 mil hectares de terrenos expropriados ao abrigo do Decreto-Lei de 1970 que criou a figura da expropriaçâo sistemática, utilizada pelo Gabinete da Área de Sines para expropriar cerca de 90% do concelho de Sines e uma parte significativa do concelho de Santiago do Cacém.
Saliência para a revelação de que só a Câmara Municipal de Sines vendeu nos últimos quatro anos cerca de dois milhões de contos(!!!) de terrenos e para o comentário do Presidente da Autarquia de que os terrenos vendidos serviram como "uma forma de compensação por outros prédios que o município perdeu no processo de expropriaçâo". O edil não esclarece quais pela simples razão de que a sua afirmação é falsa. Nessa altura estaria ele algures entre Miranda do Corvo e Lisboa, nada sabendo dos problemas que aqui se passavam.
Uma outra referência à chefe de gabinete do presidente da autarquia de Santiago do Cacém que referiu terem os terrenos sido utilizados para "a instalação de equipamentos públicos e parques habitacionais",o que nao terá sido o caso de Sines já que não consta que o Intermarché, O LIDL, o PLUS e todos os outros que virão a seguir, num verdadeiro recorde mundial de localização de pequenas e médias superfícies, sejam parques habitacionais ou equipamentos públicos.


Pintura de Joseph M. W. Turner, Tempestade de Neve - Aníbal
atravessando os Alpes, 1812/ Tate Gallery, London

No último número da revista Visão encontram-se duas perspectivas muito interessantes sobre o posicionamento do PS, e dos seus principais dirigentes, na campanha presidencial. De um lado Mega Ferreira discorre sobre a, para si, injustificada tese de que a vitória de Cavaco é melhor para Sócrates. O cronista argumenta com o distinto perfil social-democrata de cada um e utiliza a aparição de Sócrates em Viseu como o definitivo esclarecimento sobre a vontade do primeiro-ministro. A possível falta de entusiasmo de Sócrates na campanha, que alguns terão detectado até agora, a inexistência de qualquer referência expressa ao candidato da direita, que outros igualmente salientam, a constatação, feita por outros, de que Cavaco parece ser o único candidato presidencial que subscreve sem hesitação as mais duras medidas de Sócrates não comovem António Mega Ferreira.
Do outro lado aparece José Carlos de Vasconcelos que centra a sua crónica nos efeitos à esquerda não só das duas candidaturas originárias do mesmo espaço político mas também dos efeitos provocados pela actuação política dos dirigentes do PS. Para José Carlos Vasconcelos há um potencial desmobilizador provocado pela proliferação das candidaturas no mesmo espaço político. Defendo esta tese desde o primeiro minuto. Mas, para o jornalista, existe um outro perigo ainda maior que é o que resulta da insensata actuação de alguns dirigentes do PS. A hostilização de Alegre só serve Cavaco e só potencia a sua vitória à primeira volta. Mas cria igualmente dificuldades acrescidas, caso exista uma segunda volta, à reunião de todos os votos das diferentes esquerdas em torno de Soares, presumivelmente o mais votado nesta ronda. É nesse sentido que José Carlos Vasconcelos refere o desapoio que o PS tem dado a Soares, que todos percebemos não ser pequeno e que não será completamente inocente, fruto de uma inesperada falta da mais elementar habilidade política.

Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...

Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre -
-Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.

-Alberto Caeiro -


Pintura de Francisco de Goya, Tempestade de Neve, 1786-87
Museu do Prado, Madrid

"El agrio debate entre dos socialistas encona las presidenciales portuguesas"
Admirável síntese proporcionada pela língua de nuestros hermanos, publicada no El País e que descobri aqui.

A sondagem apresentada pelo Expresso, este fim de semana, mostra que a campanha de Alegre está claramente em perda. Nada de inesperado face às circunstâncias. Sem máquina partidária por trás Alegre está em muito pior posição do que qualquer um dos seus adversários. Cavaco também afirma que a sua candidatura não é partidária, mas a máquina do PSD e a trotinete do PP lá vão fazendo o trabalhinho da campanha. Além do apoio do grande capital que naturalmente não apoia o poeta.
Mas aquilo que mais tem prejudicado Alegre são algumas das teimosiais em que se tem deixado enredar. Por exemplo nunca foi capaz de afirmar claramente quem apoiava na segunda volta, caso exista, deixando a pairar a ideia de que caso Soares fosse o representante da esquerda não poderia contar com o seu apoio. Uma posição ditada por ressentimentos pessoais.
Quanto à não comparência na votação do Orçamento, apoveitada oportunísticamente pelo PS, cometeu um erro porque criou uma clivagem que lhe retirou apoios no interior do partido. Pretendeu descolar do Partido o que foi uma inutilidade já que nessa altura era o partido que de forma gratuíta fazia, desastrosamente, esse trabalho.
No entanto nunca foi capaz de separar a sua candidatura de futuras disputas no interior do PS e isso penaliza-o. A cidadania, dificil de colar a alguém que há trinta anos faz da política o seu modo de vida, inscrita na sua candidatura não pode depois ser arma de arremesso nas lutas internas do PS sob pena de as pessoas se sentirem ludibriadas.
Nos debates tem sido repetitivo e mostrado pouca preparação o que se estranha.Nalgumas dos debates repetiu frases inteiras e muitas vezes embatucou quando confrontado com questões concretas nomeadamente sobre votações em que participou em sentido diverso do que agora defende. Por fim esta guerra com as sondagens é pouco edificante e pouco séria. Aconteceu num dia mau com a passagem para o terceiro lugar no ranking. Mas quero crer que Alegre ainda descerá mais e que dificilmente escapará ao último lugar na eleição. Até porque para si ainda faltam muitos dias de campanha, infelizmente.

Os debates televisivos para Louçã já acabaram. Falta o debate entre Cavaco e Soares e salvo erro o debate de Alegre com Jerónimo. Louçã esteve muito bem em todos os debates que travou com excepção, talvez, do debate com Alegre que foi bastante irrelevante. Esteve muito bem contra Jerónimo, foi claramente superior, mostrando melhor preparação e assumiu diferenças de fundo relativamente ao seu opositor. Conseguiu uma muito boa prestação no debate com Soares, apesar do velho socialista ter estado ao seu melhor nível nesse dia. Contra Cavaco questionou o candidato da direita de uma forma que Alegre e Jerónimo não conseguiram.
O candidato apoiado pelo Bloco mostrou a boa preparação que lhe é reconhecida e deu uma imagem tranquila e não sectária da intervenção política. Relativamente a questões como a globalização e a Europa defendeu uma posição política que se aproxima daquela que muitas pessoas, e não só as que se situam nos sectores mais politizados e mais à esquerda, defendem. Não será por aí que Louçã deixará de ter um bom resultado eleitoral.
Aguarda-se com alguma curiosidade a influência que este desempenho de Louçã terá sobre o resultado das sondagens.

A China está a um passo de se tornar a quarta maior economia do mundo, revela hoje o Público.
O país que mais lucrou com a globalização que lhe permitiu oferecer aos investidores e às empresas ocidentais uma situação quase idílica: o maior jazigo mundial de mão-de-obra ultra-barata, sem direitos de qualquer espécie, verdadeiros escravos, uma sociedade ditatorial com o poder absoluto do partido comunista, muito mais eficaz a reprimir as mínimas liberdades do que qualquer exército ou polícia política ao serviço de uma qualquer ditadura ocidental. Um país no qual são executados por ano dez mi pessoas por crimes de delito comum. Um país no qual uma manifestação de populares numa aldeia acaba com o exército a abatê-los porque, certamente, serão contra-revolucionários. Este é o cenário por excelência da acumulação privada de capital o novo oásis de qualquer experiência capitalista como escreveu São José Almeida no Público do passado sábado.
É esta ditadura sinistra que Sócrates quer ajudar promovendo a remoção do embargo de venda de armas que a UE lhe impõe desde Tianamem. É este o país governado pelo mais sanguinário partido comunista à face da terra, com o qual o PCP tem relações embora Jerónimo esclareça que o PCP não quer impor ou importar modelos o que nos deixa mais descansados. Mas as intimidades existentes e desejadas com o monstro chinês não deixam de ser elucidativas.

O apelo-aberração de Jorge Coelho à desistência de Alegre, Louçã e Jerónimo foi feito em plena "Quadratura do Círculo" com base no conhecimento antecipado de uma sondagem que só foi divulgada sexta-feira à noite na SIC- Notícias e sábado na edição do Expresso.
Este facto, lamentável, motivou uma reacção-aberração da parte de Manuel Alegre que questionou a legitimidade da sondagem com base no facto de a empresa que a fez ser detida por Rui Oliveira e Costa, conhecido técnico dessa área e destacado militante socialista. A reacção de Alegre fez-nos recordar o que disse Santana Lopes das sondagens divulgadas pela mesma empresa, Eurosondagens, quando da última campanha para as legislativas de Fevereiro. Qual terá sido a posição de Manuel Alegre nessa altura? Provavelmente não se recordará.

O apelo de Jorge Coelho secundado por Vitalino Canas, a ordem pode ser a inversa tanto faz, situa-se no mais destacado nível de aberrações políticas desta campanha presidencial. Tratando-se, no caso de Jorge Coelho, de gente politicamente muito preparada, a leitura que se pode fazer das declarações só pode ser uma: o PS sabe que a vitória de Cavaco é quase inevitável e trata de arranjar a tempo e horas os necessários e convenientes bodes expiatórios. Neste caso eles seriam, Alegre, Louçã e Jerónimo.
Imagino noutra ocasião, com outros protagonistas, Jorge Coelho a declarar com sua reconhecida sabedoria: em primeiro lugar não é liquído que a desistência dos outros candidatos não provoque ainda maior desmobilização e abstenção nos respectivos apoiantes; em segundo lugar esse apelo representa uma tentativa de menorizar as diferentes candidaturas em função dos resultados de uma sondagem, quando todas as candidaturas são iguais sendo a diferença entre elas unicamente atribuída pelo voto expresso dos cidadãos nas urnas; em terceiro lugar não se pecebe porque razão não fizeram o mesmo apelo quando as sondagens davam resultados diferentes relativamente à posição relativa dos diferentes candidatos da esquerda; em quarto lugar faltando tanto tempo para as eleições o que importa é o trabalho duro no terreno, com o empenho sério e não desmobilizador e confusionista dos dirigentes do PS, em prol da mobilização dos eleitores da esquerda e em particular do centro esquerda que estão seduzidos pelo professor Cavaco Silva.
Soares tinha mesmo razão para ficar irritado com esta facadinha nas costas dos seus amigos socialistas.

Foi hoje divulgada uma sondagem nos Estados Unidos que mostra que noventa por cento dos americanos acham que Bush é o mais incompetente presidente americano dos últimos quarenta anos e o mais belicista de todos eles.
Certamente o Luís Delgado não votou o que retira parte significativa de credibilidade à sondagem. Mesmo na América as sondagens já não são o que eram...


Anunciação (1433-44)
Pintura sobre madeira de Frei Angelico (1400-1455), Museu de San Marco, Florença

Deus criou os brancos e os negros. Um dia, Deus adoeceu e pediu ao povo negro, o seu predilecto, que lhe trouxesse uma pele onde se pudesse deitar na hora da Sua morte. No entanto, os negros recusaram a Deus este pedido; pensavam: "Por que razão haveremos de fazer isto se Ele vai morrer de qualquer forma?"
Desiludido, Deus dirigiu-se aos brancos e disse-lhes: "Brancos feios! Dai-me uma pele na qual me possa deitar!" Os brancos obedeceram e satisfizeram o seu pedido. Desde então, os brancos foram abençoados com inúmeras riquezas e poder, ao passo que aos negros coube a pobreza eterna.

texto traduzido por Manuel João Magalhães.
retirado do livro Rosa do Mundo, 2001 Poemas para o Futuro

Pareceu-me claro que Louçã esteve melhor no debate. Louçã foi claro sobre a Europa que quer e na crítica ao liberalismo selvagem que domina e não esqueceu a contribuição do regime chinês com a sua desenfreada exploração dos trabalhadores.
Jerónimo tentou sempre salientar a importância do capital de experiência do PCP, que a sua candidatura representa, mas divergiu de Louçã em situações concretas como a posição face à Europa, face à interrupção voluntária da gravidez e, no momento mais atrapalhado para si, face ao regime totalitário chinês cujo partido comunista o PCP apoia.
Pareceu-me que em três momentos Louçã marcou pontos. Quando definiu uma esquerda moderna, recusando regimes de partido único, de unicidade sindical, de falta de liberdade democrática, de falta de liberdade em sentido lacto; quando assumiu o federalismo europeu mas de uma europa livre do pacto de estabilidade e convergência, para ele instrumento das políticas neo-liberais, e defendeu a adesão ao euro como inevitável embora tenha considerado que foi mal negociada; quando se defendeu dos ataques de Jerónimo em relação à posição do BE relativamente à IVG, recordando as variações de posição do PCP quanto aos aspectos formais já que na substância Louçã não duvida da posição do partido de Jerónimo .
Jerónimo é um líder muito combativo, além de simpático para o eleitorado, mas a tarefa era muito dificil. Saiu-se bem, com uma contenção clara das perdas. O discurso de Louçã é de uma grande eficácia juto dos sectores mais urbanos do eleitorado e a progressão junto da base eleitoral do PCP é muito mais lenta do que junto dos descontentes com o PS. Jerónimo tem sobretudo conseguido inverter o ciclo de perda de influência o que já não é pouco.
Na declaração final de Louçã um apelo ao eleitorado mais descontente do PCP com a homenagem aos comunistas através da evocação da memória dos renovadores Lino de Carvalho e João Amaral, este um dos renovadores que mais combateram as ideias que Jerónimo corporiza.

(...) De Sines é sempre referido o complexo industrial, mas JCG teima em reduzi-lo à refinaria da GALP. Porque será que as restantes empresas não o incomodam tanto? Só para referir duas, a APS que tem uma flare (aquele tubo com uma chama na ponta) mesmo no limite urbano da cidade e a Repsol (ex-Borealis, ex-Neste, ex-CNP) que nos brinda amiúde com lençóis de fumo negro e iluminação nocturna. Já agora mais uma, a ETAR da Águas de Santo André, estrategicamente localizada a norte de Sines, de onde aliás são os ventos predominantes.(...)"
(Doutor Zeca)

A afirmação de que eu teimo em reduzir a poluição emSines à refinaria da GALP é apenas, estou certo, um lapso resultado de uma completa desatenção às minhas posições. As minhas críticas são conhecidas, encontram-se neste blogue, em dezenas de posts, e em mais de quinze anos de intervenção pública, com textos publicados na imprensa local e nacional, sobre esta sensível questão. Infelizmente apesar das patéticas declarações do edil comunista as coisas não melhoraram nos últimos anos. Os últimos três dias aí estão para o demonstrar se necessário for. Mas pela sua dimensão e pela sua práctica a GALP tem especiais credenciais, a meu ver, nesta matéria. A práctica inclui a relação especial que estabelece com a autarquia. Falo do apoio financeiro que gera silêncios cúmplices. Defendo que estas relações entre autarquias e grandes poluidores devem ser regulamentadas. A contribuição das empresas é um dever. A esmola é um favor e gera dependência. Ora na política a dependência corrompe.
Quanto à grande unidade poluidora ETAR não comento porque essa linha de argumentação não merece.
Interessa-me a questão da poluição porque é o maior constrangimento ao desenvolvimento de Sines. É a poluição a principal causa da prevalência de um modelo de desenvolvimento que unicamente atrai empresas e investimentos dos sectores mais poluidores. Eu gosto de Sines e acredito que Sines tem futuro mas sei que isso passa por alterar a prácica dos grandes poluidores. Não é possível termos a mais importante plataforma industrial do país e uma terra a perder população, com sinais de decrepitude social.
Tenho as maiores dúvidas que os políticos nacionais e locais se preocupem minimamente com isso.

Bush admitiu hoje - "também tu Bush" gritarão alguns dos neocons lusos - que a decisão de invadir o Iaque se baseou em argumentos elaborados com base em informações falsas fornecidas pelos serviços de espionagem. No entanto o presidente americano defendeu como boa a decisão que tomou com base ... nessas informaões erradas. Bush é assim mesmo, vê coisas que o comum dos mortais não vê e descobre encadeamentos lógicos em situações nas quais o comum dos mortais só encontra ausência de sentido e contradições insanáveis. Talvez esteja aqui uma explicação para o seu demorado conflito pessoal com o sistema de ensino americano que nunca foi capaz de reconhecer o génio que habitava o espírito aparentemente menos dotado do mais velho dos filhos de George Bush.

cartaz


[1] No próximo sábado, dia 17 de Janeiro, pelas 18:00 horas, inaugura no Centro Cultural Emmerico Nunes, em Sines, a exposição de cerâmica de Paula Charrua e Francisco Almeida, o Mestre Chico de Melides. Informações mais detalhadas aqui.




[2] Também em Sines, Rui Tremoceiro expõe as fotografias das suas “Tranquilas Divagações Islâmicas”, patentes na Capela da Misericórdia até 31 de Dezembro. Eu gostei.


Anunciação (1608)
Pintura de Michelangelo Caravaggio (1571-1610)
Museu de Belas-Artes, Nancy

"O mapa referido no post é de facto espectacular, mostra de forma clara como a opção TGV distorce a escala do tempo em termos de proximidade das grandes cidades europeias. Lisboa (e as zonas próximas a sul e a norte) não foge a essa regra deslocando-se para o centro da Península Ibérica, enquanto Madrid se move para os Pirinéus, mantendo-se o Porto e as restantes regiões portuguesas no seu referencial actual.A ligação TGV à Europa nem sequer é uma opção, é uma obrigação para nos mantermos no mapa do futuro."

Doutor Zeca

Diz hoje o Público que o cumprimento entre os dois candidatos socialistas - que como se sabe não é a mesma coisa que candidatos apoiados pelo PS - foi cordial. Ainda bem pois isso terá atenuado a evidente crispação de que já aqui falei.
Há um aspecto do debate que não salientei no último post mas que importa referir. Soares acusou Alegre de ter falta de experiência executiva. Recordou-me Cavaco quando acusava Guterres por este nunca ter sido primeiro-ministro. A defesa de Alegre foi a óbvia: assim sendo entre os candidatos só Soares podia ser eleito. Na política como na vida há sempre uma primeira vez que, dizem alguns, nalguns casos é mesmo a melhor de todas. Soares com a sua incomparável experiência devia saber isso e não devia recorrer a este tipo de argumentos.

Foi Arnold Schwarzeneger, governador da Califórnia, quem considerou não existirem razões para comutar a pena de Stanley Williams. Lembram-se do exterminador? Que tagédia quando as pessoas na política não sabem mais do que representar os (maus) papéis que desempenhavam no cinema.

Mr. José Barroso numa veemente crítica ao espírito exuberantemente sovina do Mr. Blair. Apetece dizer "simply the best" Mr.Durão, algo que nunca imaginaria dizer em dias da minha vida.

Soares e Alegre nada acrescentaram ao que já se sabia. Parecia um debate entre dois candidatos que ocupavam o lugar que só devia ser ocupado por um. Soares mostrou desde o início a sua actual pouca - nenhuma melhor dizendo - simpatia por Alegre. A amizade entre ambos é a primeira vítima destas duas candidaturas.
Algumas das frases que se escutaram são repetições das utilizadas noutros debates o que gera algum incómodo em quem escuta. Poucas diferenças substanciais e o facto incontornável e doloroso de estarem a dividir os mesmos votos sendo que da divisão não nasce a força.
A Soares registo o facto de ter afirmado que caso um Presidente demita um Governo que depois é de novo sufragado pelo eleitorado deve assumir o erro e demitir-se. Posição diferente da que Sampaio assumira hoje, no lançamento do livro sobre o seu mandato, quando afirmou que isso era um disparate. Acho a posição de Sampaio razoável. Soares desvaloriza tanto a importância do Presidente que apetece perguntar por que razão afinal se resolveu candidatar depois do "basta".
A Alegre registo a repetição de frases inteiras que parecem decoradas e o disparate de nunca afirmar, de forma clara, em quem votará na segunda volta em caso de não passar a uma hipotética segunda volta. E a colagem, demagógica, aos grupos hostilizados pelas medidas, corajosas, de Sócrates. E o embarque na corrente contra a OTA e contra o TGV ele que apoiou o Governo cujo programa inclui estas medidas. Que não são medidas avulsas.
Saliento a coragem de assumir o seu direito a uma candidatura e a defesa de salvaguardar da intervenção dos privados de sectores como o das águas e a referência à situação dos pobres e dos deserdados da democracia.
Um debate chocho.

Já aqui escrevi a esclarecer a minha posição. Sou claramente a favor de uma solução minimalista que passa pela ligação Lisboa-Madrid. O resto é um erro claro que o País não suporta. Percebo, no entanto, que para Sócrates optar por esta solução- que inclui uma bizarra ligação ao Porto - é manifestação de uma grande coragem face aos desmandos populistas da solução Barroso-Aznar e à óbvia pressão dos barões socialistas do Norte, no mesmo sentido. Mas fazia falta mais coragem e capacidade para assumir que Lisboa-Madrid é o limite. Recordo o mapa da Europa distorcido pelo factor tempo que aqui mostrei.
No entanto estas obras não significam desenvolvimento para o país. Elas constituem uma oportunidade para não agudizar as condições de exclusão de Portugal no contexto Europeu. São condições necessárias mas não suficientes para o desenvolvimento. Falta toda a aposta nos factores imateriais do desenvolvimento - a qualificação, a inovação, a competitividade, o combate à corrupção, o combate ao clientelismo partidário, sobretudo na administração local. E essa aposta passa pela vontade política não se resolve com dinheiro. É muito mais dificil.

Impressionante a história pessoal de Stanley Wiliams, barbaramente executado pelo sistema de justiça americano, relatada no editorial doPúblico, assinado por NUNO PACHECO. Há dias em que um jornalista merece que o seu nome seja escrito a negrito e em maiúsculas. A ler sem falta.
Cito um pequeno trecho: " (..) O mais absurdo, ainda, é o facto de um homem passar 24 anos atrás das grades, ser modificado por elas, alterar por completo o seu comportamento e atitude perante o mundo e, no preciso momento em que é louvado e aplaudido, tirarem-lhe a vida por um crime supostamente praticado há quase tês décadas.(...)"
Stanley Wiliams foi preo por um crime cometido em 1981, quando liderava um gang, tornou-se um militante pacifista e foi várias vezes indicado para o prémio Nobel da Paz e uma vez para o prémio Nobel da Literatura( é autor do livro Life in Prison). Foi laureado pelo Presidente dos Estados Unidos pela sua acção cívica e agora executado de forma bárbara.

Posso dizer que fiquei indignada ao ler uma notícia sobre a existência de um curso para "retocar poemas" na Companhia do Eu. Este dito curso, "Oficina do Poema", será dirigido pelo "poeta e crítico literário Pedro Sena-Lino" e anuncia assim o seu programa: "Escrevi um poema mas não sinto que ainda esteja acabado... O que mudar? O que alterar? Como desenvolver as ideias importantes?... Traga o seu poema e venha trabalhá-lo".
Chamem-me retrógrada, com manias de exímia, mas para mim isto é demais. A poesia ainda representa para mim uma das artes mais nobres, juntamente com a música e a pintura. Que as pessoas leiam, procurem saber e aprender as correntes literárias e reflictam em conjunto para aprofundar reflexões sobre temáticas da sua escrita é uma coisa, mas que frequentem um curso para retocar os seus poemas é surpreendente.
O que é um poema para estas pessoas? Que banalidade é esta? Não se confunda poesia com outro produto qualquer! Que não se confunda a escrita de um poema com um serviço qualquer!
Quando o escritor escreve o poema vive uma experiência solitária. Está em ligação com a sua voz mais profunda. Um universo exterior cruza-se com um universo interior e o escritor é um instrumento que revela o mistério, a luz, a inteligência e as palavras resultantes desse encontro.
E é precisamente por isso que se chama poesia
. E é precisamente por isso que encaramos a poesia como uma arte. Fora disto é um serviço como outro qualquer, ou seja a sua morte.

Portugal, tão longe e tão perto deste cenário ...



Pintura de Mário Eloy (1900-1951), O Bailarico no Bairro (1936), Museu do Chiado

No debate Cavaco versus Jerónimo, Rodrigues Guedes de Carvalho, um dos entrevistadores da SIC, introduziu a questão do investimento privado numa mega refinaria em Sines. São dele as - legítimas e pertinentes - expressões/interrogações: "(...) numa zona já tão saturada em termos ambientais(...)"; "(...) as questões ambientais não devem ser ponderadas face aos problemas já existentes?(...)" ; "(...)acha que este investimento é positivo com os problemas ambientais que pode acarretar?(...)" : Interessante a introdução por Rodrigues Guedes de Carvalho deste tema no debate.
Cavaco respondeu com a valia económica do projecto. Viu-se que estava bem informado sobre o mesmo. Relembrou o estudo de impacto ambiental,ainda não realizado, que como se sabe nada garante (a conclusão é minha). Aliás relembrou a lei do estudo de impacte ambiental como obra sua. Obra imperfeita digo eu e muitas vezes legitimadora de opções previamente tomadas e tornadas irreversíveis.
Já Jerónimo foi mais ambiguo, mas deixou palavras de esperança para os investidores, que não são do tipo beduíno, os que ele critica porque mudam a localização da tenda após receberem os apetecíveis fundos. Uma mega refinaria é de todo em todo diferente de uma tenda. Mas também polui milhares de vezes mais. Por fim lá falou do estudo de impacto ambiental, necessário, segundo ele, face aos problemas já existentes no concelho. Importante este reconhecimento da existência de problemas. Jerónimo não está actualizado, questões de agenda não lhe permitem ler os últimos discursos do seu camarada Manuel Coelho que, desde há vários anos, assegura que dentro "de seis meses" estará tudo resolvido, em termos ambientais, no concelho de Sines. O que o autarca nunca esclareceu é quando começa a contar o tal milagroso período de seis meses.

São quase 24 horas e Sines está invadido por um pivete nauseabundo fruto de uma particular conjugação negativa de ventos, descargas despudoradas feitas pela calada da noite e uma incompreensível capacidade odorífera que os cidadãos ainda mantêm, apesar do treino.
Este é um pivete pré-tecnológico que se estranha e não se entranha. O futuro com o Plano Tecnológico de Sócrates, Monteiro e Pinho, aplaudido a mão ambas e contrapartidas múltiplas pelo edil comunista Manuel Refinarias Coelho reservar-nos-á um cheiro mais moderno, um cheiro que se estranha e logo se entranha.
A nova unidade vai receber 800 milhões de euros, pagos pelos contribuintes, para a viabilizar. Quanto seria necessário para permitir que a unidade da GALP fosse uma unidade exemplar do ponto de vista ambiental? E quanto será necessário gastar para que a população de Sines tenha as suas condições de saúde monitorizadas e para que o desempenho ambiental das unidades seja monitorizado por uma entidade independente dos ditames dos gestores da indústria?

Foi um debate morno. Uma conversa entre semelhantes mas que no final permitiu evidenciar algumas diferenças significativas. Alegre assumiu não ser um candidato de protesto face a uma postura claramente diferenciadora de Louçã que colocou o posicionamento em relação às políticas deste Governo como um factor distintivo das duas candidaturas.
Um debate que face às expectativas - o excelente desempenho de Louçã contra Cavaco - favoreceu sobretudo Alegre que emergiu, reforçadamente, como um candidato presidenciàvel com possibilidade de ser eleito à esquerda. A diferença entre os dois candidatos nas sondagens - Alegre é potencialmente vencedor à esquerda e Louçã não - não foi contrariada no debate por um desempenho muito desequilibrado para o lado de Louçã.

O nosso LD - julgo que sabem que falo de Luís Delgado - que decretou solenemente que os debates eram irrelevantes mudou de ideias. Diz agora o nosso LD com a mesma convicção e certeza que sempre o caracteriza. "(...)Em resumo, Cavaco está rigorosamente a cumprir a sua estratégia, mas cuidado, porque é necessário ser vencedor claro no debate com Soares. Não chega ser defensivo, ou assertivo, ou inofensivo. É preciso ser vigoroso e determinado, e essa imagem tem de passar, com clareza, na televisão."

As taxas de IMI para o próximo ano não baixam. As autarquias, cujas receitas desde a substituição da Contribuição Autárquica pelo IMI não pararam de aumentar, nalguns casos duplicando em dois anos, continuam a aplicar taxas máximas. É o caso do concelho de Sines que fixou, com os votos contra do PS, a taxa máxima passando de 0,7 para 0,8. Os cidadãos são as grandes vitímas deste aumento de impostos que resulta da aplicação preversa de uma lei, por parte dos autarcas, que tinha o objectivo de serem mais a pagar pagando todos um pouco menos.

O que aconteceu em Hertfordshire, a cerca de 40 quilómetros de Londres, num depósito de combustíveis. Uma sucessão de violentas explosões que, apesar da hora, provocaram dezenas de feridos e não só a destruição das instalações como também a necessidade de evacuar mais de duas mil pessoas da localidade de Hemel Hempstead.
Em Sines existe uma refinaria, a maior do país, e querem fazer agora a maior da Península Ibérica. As questões da segurança das populações, sabemos nós, estão sempre na primeira linha das preocupações dos decisores. Já para não falar da protecção civil que (não) está preparada para dar resposta a todas as eventualidades. Todos recordamos quando se telefona a perguntar tão somente "que cheiro é este?" e a melhor resposta que obtemos é do estilo "olhe aqui dentro não cheira a nada?"

A Ler

sobre a colecção Berardo no da Literatura. Berardo IP, a propósito de uma intenção manifestada ao Expresso pelo empresário madeirense de que o Estado além de lhe ceder um espaço para instalar a sua colecção lhe deve disponibilizar um orçamento anual para a gestão do novo espaço museuológico obviamente gerido pelos seus gestores.

Quem tem acompanhado a campanha e tem assistido a alguns dos debates que permitem ao povo manifestar a sua opinião, já escutou as coisas mais inenarráveis acerca de Soares. Falo dos diversos fóruns, tipo Antena Aberta da Antena Um ou Espaço Público da SIC Notícias, nos quais aparecem cidadãos anónimos que destilam um ódio intenso contra o agora candidato. Soares é para muitos portugueses o mau da fita, o único responsável por tudo o que de mau aconteceu ao país, ou melhor à vida de cada um desses cidadãos. Normalmente Soares corporiza o 25 de Abril, o pior dia da vida dessa gente, e a descolonização, a pior coisa a que assistiram.
Por isso incidentes como os de Barcelos são esperáveis tal como os insultos que os populares lhe tributam aqui e ali. Ou as mentiras, como a que correu o país e que o dava como um grande proprietário de terrenos na OTA.
Soares contaria certamente com este tipo de acontecimentos ele que nunca foi uma personagem consensual mesmo entre aqueles que são seus próximos ideologicamente. Este é um facto que não pode ser ignorado quando se trata de avaliar a decisão que o levou a candidatar-se submetendo-se outra vez ao confronto, à luta, à calúnia e até à agressão. Submetendo-se inclusive à derrota que, nesse caso, será a última.

PS - Este acontecimento não parece no entanto ter a dimensão, nem o efeito, do incidente na Marinha Grande. Soares fez muito bem em desvalorizá-lo.

As picardias entre Soares e Alegre são do pior que a campanha tem tido. São uma bênção para Cavaco e para as fortes possibilidades de poder ganhar as eleições à primeira volta. Reforçam igualmente a possibilidade de vencer à segunda, pois estas picardias geram animosidades entre os apoiantes de Alegre e de Soares e vão, forçosamente, determinar abstenções à esquerda numa eventual segunda volta.
Mais uma vez o fim de semana ficou tristemente marcado pelas picardias entre os ex-amigos. Soares tem maiores responsabilidades pois tomou a iniciativa de defender a demissão de Alegre do PS. Injustificável. Contrário a tudo aquilo que tem dito ao longo dos últimos anos. Estas atitudes devem significar que Soares tem informações preocupantes, para si, sobre a implantação da candidatura de Alegre e da sua aceitação junto do eleitorado socialista. Mas mesmo eventuais más notícias não justificam a opção de Soares. Parece que o velho dirigente perdeu qualidades.
A propósito de Alegre e de uma eventual passagem do poeta à segunda volta é interessante a análise feita por José Gil na última edição do Courrier Internacional. Escreve o filósofo: "Se Manuel Alegre chegar à segunda volta, as peças distribuídas pelo tabuleiro do xadrês político sofrerão uma tal reviravolta, que o real poderá surgir e entrar numa linha de fuga. Ninguém pode prever o que acontecerá então, nem o próprio candidato. Será um momento de "Kairós", momento único de oportunidade irrepetível. Que poderá ser agarrado ou não, desperdiçado ou não. Dependerá do nosso faro e da nossa força."

Hoje no Editorial do DN assinado por João Morgado Fernandes pode ler-se: "Veja-se Portugal, que tem rompido largamente os limites de aumento de poluição que lhe foram estipulados. E que agora, perante a necessidade de desenvolver a economia, deverá enveredar por novos investimentos poluentes.(...) Ao contrário dos EUA, Portugal assinou o Protocolo de Quioto. Mas será que o leva a sério?"

A ler o post com o mesmo título assinado por Ana Gomes aqui. Ironicamente as declarações de Sócrates foram proferidas no dia Mundial dos Direitos Humanos.

Terminou a conferência das Nações Unidas sobre as alterações climáticas. Saliência para a declaração de Bill Clinton - convidado pela cidade de Montreal que acolheu a conferência - que recusou a ideia de o Protocolo de Quioto ser um problema económico. "Não é verdade", disse, sublinhando que "as tecnologias e as energias limpas são a nova economia, que criará novas oportunidades de negócio e de emprego."
Saliência gualmente para a declaração de Francisco Ferreira, delegado da Quercus presente na conferência, que salientou "o contraste desta visão de futuro com o anúncio feito em Portugal de uma nova refinaria para Sines, que contribuirá para um maior peso nas emissões do País".

O presidente da Câmara de Sines já antecipou as conclusões do Estudo de Impacte Ambiental que ainda não foi feito. Afirmou com um ar displicente, com a imagem da baía de Sines a garantir um enquadramento ecologicamente aceitável, que o problema não são as emissões, o problema são os óxidos de azoto e os dióxidos de enxofre. Se vierem para cá dez refinarias continuará a dizer as mesmas banalidades. O problema, o verdadeiro problema que já o deve preocupar, é o de saber quanto é que a Câmara receberá da nova unidade para as actividades do costume. A magna questão da gestão das migalhas que compram o silêncio.

O anúncio feito pelo empresário Patrick de Barros e pelo senhor ministro da Economia - a ordem não é arbitrária - da construção em Sines da maior refinaria da Península Ibérica e uma das maiores da Europa é uma péssima notícia. Para quem conhece a forma de procedimento desta gente - o seu clássico desprezo pelos direitos das populações à saúde e a viverem num ambiente saudável - e para quem sabe o que tem acontecido ao longo dos últimos trinta anos, o futuro do concelho de Sines e de parte do Litoral Alentejano não se pode antever como risonho. Haverá bons negócios para alguns, algumas centenas de empregos que diminuirão com o tempo, dinheiro quanto baste para calar a Câmara - o que é verdadeiramente desnecessário face ao passado recente e às imediatas declarações do nosso Manuel "Refinarias" Coelho - e sobretudo, a única garantia efectiva, uma duplicação das emissões atmosféricas o que equivale a um aumento brutal dos níveis já elevados de poluição. O suficiente para afastar tudo aquilo que ainda há alguns anos nos prometiam para daqui a seis meses: um novo modelo de desenvolvimento com a fixação de industrias limpas e de empresas prestadoras de serviços avançados às empresas. Uma fraude.
A nossa parte do Plano Tecnológico, de Manuel Pinho e de Sócrates, é uma refinaria. Trinta anos depois um doloroso e pestilento regresso ao passado.

PS- Não existe nenhuma omissão na não referência ao Ministério do Ambiente. Não se deve falar de uma não existência.

No Público, as primeiras reacções ao noticiado pelo Diário Económico sobre o projecto da nova refinaria em Sines. Para começar, a reacção do Ministério do Ambiente, parecendo indiciar que o projecto não estará numa fase tão avançada como anunciado. Resta saber o que têm a dizer o Ministério da Economia e o próprio Patrick Monteiro de Barros. Para já, temos a desconfiança de um ministério face a matérias que deveriam ser confirmadas ou desmentidas por outro.

P.S.: A Quercus já reagiu ao anúncio inicial.

No Diário Económico e no Público, os destaques on-line de hoje sobre o noticiado acordo entre o Governo Português e um grupo liderado por Patrick Monteiro de Barros para a construção de uma nova refinaria em Sines.

Mais informações na edição impressa do Diário Económico de hoje e, provavelmente, na edição do Público de amanhã.

Hoje, às 21h00, o debate entre Franciso Louçã e Cavaco Silva na TVI.

Frente a frente, um professor doutor em economia e um político não profissional.

O poeta sábio

É sábio hábil arguto informado
Porém quando ele escreve
As Ménades não dançam


Sophia de Mello Breyner Andresen


Bom dia!


Gian Lorenzo Bernini, Apollo e Dafne

Estima-se que Gian Lorenzo Bernini tenha nascido neste mesmo dia, no longínquo ano de 1598.

A sua morte ocorreu em 1680, tendo-nos deixado como legado algumas das mais belas criações do barroco romano, obras-primas absolutas que ainda hoje ajudam a dar forma e a eternizar os encantos da capital italiana.

Apesar de mais ou menos desconhecido entre nós, Bernini foi muito mais brilhante do que a mão cheia de pretensos autores e artistas com os quais gostamos de usar a já gasta palavra «génio». Foi, provavelmente, o maior de todos.

- Vim só eu, a Dr.ª Quinn está de banco


Recuperando uma entrada recente do Eduardo Pitta no Da Literatura, relativa ao tratamento protocolar dado a entrevistados televisivos - títulos académicos, entenda-se - não posso deixar de recordar a cobertura feita pela RTP na noite das eleições legislativas de Fevereiro passado. Num painel de comentadores constituído por Marcelo Rebelo de Sousa, António Mega Ferreira e António Barreto, a entrevistadora, a mesma Judite de Sousa, alternava despudoradamente entre o reverencial «professor Marcelo», o institucional «doutor Mega Ferreira» e o muito-lá-de-casa «António» (António Barreto). Simplesmente, o «António».

A questão é, parece-me, de puro profissionalismo. Mas não é menos verdade que (...)


Para continuar a ler, seguir para aqui, por favor.

Urbanismo é a resposta certa. Não o urbanismo que visa permitir o acesso ao território às famílias e às empresas em condições optmizadas, de acordo com a vontade colectiva expressa nos Planos de Urbanização, mas o urbanismo que temos tido, doravante chamado UQTT.
O UQTT traduz a influência que alguns têm sobre aqueles nos quais os cidadãos, através de eleições, delegaram o poder de os representar e defender a vontade colectiva.
Há soluções para o problema que é naturalmente complexo como todos os problemas que envolvem a corrupção económica. Falta a vontade política para as implementar. Nesta matéria não há rapazes bons. Qando falo de rapazes falo de partidos naturalmente. A corrupção não reconhece barreiras ideológicas, tem um espírito muito aberto.

bom dia

Canção

Vem da canção de Verlaine
a chuva
e ninguém
nem mesmo o sol,
tem pés tão formosos.
Na boca
o verão, na colina
o navio.
O ar,
em cada rua o ar,
dança comigo.


Eugénio de Andrade

Para alguma desmistificação da coisa e prova de que podemos estar tranquilos por a ciência económica não ser obscuro domínio exclusivo de um ou dois eleitos, foi adicionado à direita o blogue Pura Economia, mantido por João Aldeia.

O camarada Barroso seguiu de forma empenhada e militante o camarada Mao na sua juventude. Mas não terá sido o líder da revolução cultural chinesa e os seus famosos livrinhos vermelhos a primeira fonte de inspiração do camarada Barroso. Robin dos Bosques ocupou o seu espaço nas afectividades do ex-jovem revolucionário e permitiu-lhe agora recordá-lo a propósito da tentativa de Blair de retirar aos pobres para continuar a distribuir pelos ricos. Infelizmente Blair, tal como ele próprio ao longo da sua carreira política de social-democrata pós-esquerdista, aproxima-se mais do xerife de Nottingham.

Depois de algumas dias de ausência, congratulo-me com a espontaneidade do encontro de ontem, gerador de um debate vivo entre os escribas de serviço e demais apreciadores de vitela.

Como não existem registos nem possibilidades de publicação dos depoimentos neste espaço para memória futura, ter-se-á de aguardar novos eventos promovidos pela fortuna e participados por quem quiser.

A reflexão aqui publicada sobre o desmantelamento do modelo social europeu apresentado como do domínio da pura inevitabilidade. Cito : "Nenhum outro grande tema económico e social foi tão grosseiramente manipulado como este. Para nos encarneirar no sentido de nos resignarmos ao desmantelamento do Estado Social, como simples inevitabilidade cósmica e nunca o resultado do diktat ideológico seja de quem for."

Este estilo de debate a dois é menos interessante porque a interacção entre os candidatos é quase nula. Fica a faltar o sal dos debates que é o confronto vivo entre os candidatos.
Para além desta questão ficou claro que os dois candidatos estão nesta altura sobretudo interessados em manter as suas acuais posições relativas. Nesse sentido o debate foi pouco interessante sobretudo pela parte de Cavaco que apareceu bastante hirto, como de costume, e a repisar os aspectos daquilo que poderia ser entendido como o seu programa para a governação económica de Portugal, mais do que a sua candidatura presidencial. Alegre foi pouco incisivo com Cavaco, preferirá travar essa batalha numa hipotética segunda volta, mas introduziu diferenças como a do conceito estratégico para ultrapassar as dificuldades e na caracterização da situação na justiça tendo sido evidente que em caso de ser eleito haverá mexidas na Procuradoria Geral da República.
Este debate não deve ter alterado grande coisa à situação já existente. A minha dúvida é a de saber o efeitoque as últimas aparições de Cavaco -este debate e a entrevista a Judite de Sousa na RTP1 - terão no eleitorado. Para saber temos que esperar pelas próximas sondagens.

será chantagem o que se passa na Auto-Europa? Chantagem sobre os trabalhadores que são obrigados a continuarem a perder poder de compra e a manterem-se tranquilos e satisfeitos. Será isto o resultado do célebre acordo social na empresa que viabilizava a continuação da exploração da mesma? Vamos aguardar os próximos dias mas o que aí vem não promete grande coisa.


Pintura de Rembrandt - Night Watch, 1642
Imagem retirada do site do Rijkmuseum - Amesterdam

quer reduzir significativamente o Orçamento da UE. Quer emagrecer o orçamento cortando sobretudo(*) nas ajudas ao desenvolvimento que integram os fundos da coesão. Blair é um socialista original. Capaz de fazer corar de inveja os espíritos mais liberais entre os liberais.
Se o deixarem transformará a UE, cada vez, mais num grande mercado deitando às urtigas as questões para ele irrelevantes da coesão e da solidariedade social.
(*) O cheque britânico esse manter-se-á nos próximos anos sempre disponível para engrossar os cofres de Sua Majestade.

Dias Baptista, o vereador socialista da Câmara de Lisboa que, com a sua abstenção, permitiu viabilizar o negócio entre a EPUL e um empreiteiro relativo a terrenos ainda não abrangidos por qualquer plano, não para. No DN de hoje revela a todos os cidadãos que ainda o não soubessem que perdeu a confiança no vereador Nuno Gaioso Ribeiro, porque este votou propostas sem lhe dar conta em primeiro lugar. Uma ofensa politicamente irreparável para a sensibilidade apurada de Dias Baptista. A mesma sensibilidade que lhe permitiu estar ao lado de Carmona Rodrigues e dos interesses imobiliários por detrás do negócio do Vale de Santo António. Tanto quanto parece Dias Baptista não achou que fosse necessário explicar aos outros vereadores qual a sua posição. Será que merecia a retirada da confiança política dos restantes vereadores e do próprio PS?

Já caiu o silêncio e o esquecimento sobre esta questão. É sempre assim com a voragem imposta pela urgência das novas notícias. Como aqui escrevi interessa visitar os argumentos dos que defendem a construção de um novo aeroporto mas apresentam diferentes soluções para a sua localização.
Uma das discussões mais interessantes sobre as duas localizações tem a ver com a análise das dinâmicas de crescimento que se podem detectar na Área Metropolitana de Lisboa (AML). Como é do conhecimento geral foi recentemente aprovado o Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa (PROTAML).
Para alguns o crescimento da AML está orientado para Sul o que aconselharia a localização em Rio Frio. Esta posição é corroborada pela necessidade de incentivar o crescimento económico da zona sul que poderia ser potenciado pela proximidade entre o novo aeroporto e os portos de Lisboa, Setúbal e Sines. Para outros o crescimento nos últimos anos tem sido sobretudo para oeste, na direcção dos concelhos de Mafra, Torres Vedras e Óbidos. Por outro lado a localização na OTA potencia o crescimento da zona centro que integra algumas das cidades mais dinâmicas na rede urbana nacional, Leiria, Coimbra e Aveiro, cujo potencial de crescimento poderá ser muito estimulado com a OTA.
Os defensores de Rio Frio argumentam com as fragilidades colocadas pela opção OTA quer pelos limites à expansão do aeroporto quer pelos custos acrescidos em termos de investimento inicial. Os defensores da solução OTA realçam a necessidade de construir uma nova ponte para ligar o aeroporto internacional à Área Metropolitana de Lisboa Norte como uma fragilidade da solução Rio Frio. Por outro lado a localização OTA ficará perto de principal eixo ferroviário nacional sendo facilmente integrável nesse eixo rentabilizando-o já que eventualmente ele perderá passageiros com o TGV.

Para Luis Delgado a coisa está consumada. Cavaco irá ser o seu e o nosso Presidente. Pobres daqueles candidatos "presidenciais que ainda têm a esperança, vã, de que os debates vão mudar a tendência das sondagens, a 22 de Janeiro." Tanto trabalho, tanta ilusão. Entreguem já a taça ao homem. Este é o mesmo LD que acreditou na vitória de Santana Lopes até mesmo depois de Santana já se rir de quem acreditava. Será que ainda existe alguma esperança para a esquerda?

PCP tentou candidato único da esquerda segundo declarações do seu candidato na entrevista à RTP. O PCP começa assim a preparar a atribuição de responsabilidades políticas pela mais do que provável vitória de Cavaco. Aliás ainda segundo Jerónimo, a coisa só não se concreizou "Tendo em conta a paralisação, indefinição e hesitações do PS".
Onde é que já ouvimos isto?

A ler o artigo de hoje(*) de Vasco Pulido Valente sobre o futuro inquilino de Belém. Há uma frase citada por VPV que é admirável. Disse Cavaco: "Duas pessoas sérias com a mesma informação têm inevitavelmente que concordar." E os que não concordarem o que são? A resposta é dada por VPV.

(*) No Público

Os ataques fratricidas entre as candidaturas de Soares e de Alegre subiram de tom neste fim-de-semana.
Alegre, alvo de um ataque disparatado do PS a propósito da sua ausência na votação do Orçamento - sobre as ausências de Vitorino e Lamego, que andavam a tratar da vidinha, ninguém falou - declarou que os partidos estão dominados por gente medíocre num ataque óbvio à direcção socialista. António Costa numa acção de campanha de Soares atacou violentamente Alegre. A declaração de Costa resume-se à defesa da tese de que a condição de militante de um partido impede que alguém se possa candidatar, por exemplo, a Presidente da República sem o apoio desse partido.
Neste contexto não se entende como é que Louçã pode estar tão seguro de que haverá segunda volta e de que o conjunto das candidaturas potencia o resultado da esquerda.

a homenagem do povo de Belfast a George Best. Mais de cem mil pessoas no funeral da antiga estrela a testemunharem a gratidão pelos inesquecíveis momentos proprcionados pela genialidade de Best.

"O sobreiro (Quercus suber) é uma árvore da família do carvalho, cultivada no sul da Europa e a partir da qual se extrai a cortiça. É devido à cortiça que o sobreiro tem sido cultivado desde tempos remotos. A extração da cortiça não é (em termos gerais) prejudicial à árvore, uma vez que esta volta a produzir nova camada de "casca" (súber) com idêntica espessura a cada 9 - 10 anos, periodo após o qual é submetida a novo descortiçamento."
Este estilo redacção carece de um lifting e de uma actualização do conteúdo. Proponho: "O sobreiro é um instrumento de ordenamento do território, integrando o conjunto de instrumentos repressivos da afectação de solos rústicos a usos urbanos. Substituiu com inegável vantagem leis como a RAN e a REN que se verificou serem pontas de lança dos interesses do imobiliário na paisagem agrícola e florestal. Esses documentos legislativos, em particular a RAN, foram nos últimos anos objecto de uma nova doença, o PIN(*). O sobreiro tem sido encontrado associado a um tipo de perturbações da lucidez, acompanhado ou não de alucinações e dificuldades cognitivas, que caracterizam o comportamento de alguns autarcas que esperam e desesperam pelo seu projecto estruturante.
Vários grupos de cidadãos estão a recolher um conjunto alargado de assinaturas a serem entregues na Assembleia da República para elevar os sobreiros ao estatuto de "árvore protectora do ordenamento do território e do ambiente", existindo mesmo um conjunto mais radical de "súber-seguidores" que lutam para que lhe seja atribuiído um lugar na Comissão Parlamentar dos Assuntos do Ordenamento do Território e do Ambiente. Já foram realizados contactos com alguns dos arquitectos do regime para que a sala respectiva seja equipada com um canteiro gigante, simbolicamente designado por canteiro-pátrio
"

(*)- Para esclarcimentos sobre os PIN -Projectos de Interesse Nacional - contactar o ministério da economia e o ministro Manuel Sobreiro, perdão, Manuel Pinho.

São verdadeiramente tocantes as revelações que alguns dirigentes com responsabilidades políticas nas últimas décadas fazem sobre as prioridades da gestão dos próximos fundos comunitários. Alguns são a cara das políticas do betão e do asfalto que desperdiçaram milhões de euros de fundos ao longo de três quadros comunitários. Dirão os optimistas que mais vale tarde do que nunca, mas retorquirão os cépticos, ou os lúcidos, que é destes equívocos que se alimenta o nosso atraso ancestral.

No mesmo dia em que deixou claro que não estava particularmente interessado no apoio muito empenhado de Marques Mendes e Ribeiro e Castro, Cavaco Silva tratou com pinças o dossier "primeiro-ministro" e governo PS.
"Sabe eu não conheço o primeiro-ministrio, mas reconheço coragem em muitas das suas medidas. (...) Sabe eu espero que ele possa concluir a legislatura, eu sou a favor da estabilidade", etc,etc. Prioridades e um apurado sentido da importância relativa dos diferentes actores políticos. Nada mau para quem faz da política uma actividade não profissional.

Na entrevista de Louçã ao Público, esta semana, é pela primeira vez afirmado por um dos candidatos que Sócrates não verá com maus olhos a eventual vitória de Cavaco.
A actuação do PS, de hostilidade quase permanente para com Alegre, e de pouco envolvimento na candidatura de Soares permite essa leitura.
Várias vezes aqui fizemos eco das vantagens e desvantagens das diferentes candidaturas para a futura gestão de Sócrates. Neste momento podemos pelo menos ir tirando uma conclusão: Cavaco Silva não manifesta muita disponibilidade para criticar o Governo de Sócrates e Marques Mendes aparece como uma figura menor no conjunto dos seus apoiantes enquanto Sócrates ainda nada disse de negativo relativamente à candidatura de Cavaco. Estão todos a cuidar do day after.

A guerra entre Alegre e a direcção do PS - com os militantes e simpatizantes parece que Alegre está melhor relacionado - legitima a pergunta que Luís Afonso coloca no seu Bartoon: se Alegre for o representante da esquerda na segunda volta quem será apoiado pela direcção do PS?

A questão levantada pela MJB é muito pertinente. Sines tem uma taxa de área de superfície comercial - média ou grande - por habitante que é certamente a mais elevada do País. Isto resulta de um conjunto de circunstâncias entre as quais se destaca a opção política por parte da autarquia. Opção que representa a via mais fácil para obter receitas extraordinárias e que significa um desprezo profundo pelo comercio tradicional e pela sua importância para a qualificação urbana da cidade. É neste contexto que se tem que entender a política de condenação da Zona Histórica de Sines à desertificação e ao abandono.
Importa salientar que a concretização desta política só é possível com a venda dos terrenos expropriados pelo GAS, no tempo do fascismo, aos habitantes de Sines e que hoje são vendidos pela autarquia. Com estas vendas fecha-se um ciclo iniciado nos tempos de Caetano.

The scarlet sunset (1830-1840) aguarela e guache sobre papel.
Imagem retirada do site da Tate Gallery - London

Em Sines já não se sabe onde ir às compras. Numa cidade com cerca de dez mil habitantes (perdoem-me se estou em erro) todos os dias abre um supermercado novo, ou melhor um Hipermercado. Da mercearia passámos para o supermercado e do super para o hiper.
Um género de progresso na perspectiva do produto alimentar, da variedade, da ilusão da abundância, como aliás existe por todo o país.
Passe a publicidade, para além dos vários Grula e Lojas Gi, tinhamos os Supermercados Litoral, o Intermarché, mas até aqui tudo bem. Mas recentemente abriu os Lydl, Minipreço e Plus. E parece que ainda não se fica por aqui. Já se fala na vinda de mais uma grande superfície de produtos alimentares para Sines.
Mas o que se passa? Come-se muito em Sines? Não sei porquê mas o termo "grande superfície alimentar" dá-me antes fastio. Talvez porque sou uma saudosista das velhas mercearias onde cheirava a fruta verdadeira.
Em termos económicos, para quem compra, há uma série de vantagens. Mas também há desvanagens: vão fechando as mercearias pequenas onde nos conheciam e nos tratavam pelo nome, fecharam as frutarias, estão condenados os pequenos supermercados onde os que não conseguem esticar o salário até ao fim do mês, vão deixando um papelinho.
E tudo isto em nome do quê? De que progresso?

Quarenta mil portugueses têm os seus telefones sob escuta. Este número foi revelado no último "Quadratura do Círculo" por Jorge Coelho e Pacheco Pereira. Recorde-se que as escutas telefónicas eram uma imagem de marca da PIDE, como lembra , hoje no Público, Miguel Sousa Tavares. Uma imagem assustadora, correndo as mais disparatadas histórias sobre as capacidade técnicas da PIDE. Recordo uma que me contavam de que podiam chegar a uma casa e descobrir as conversas como se as paredes pudessem revelar o que lá se tinha dito.
Há qualquer coisa de assustador nesta situação de estarmos todos a ser escutados, devassados na nossa privacidade, na nossa intimidade. O combate ao crime justificará esta situação? Pelos resultados não parece.

a situação criada à família da criança que caiu num colector de esgotos no município do Seixal, vindo a falecer. O julgamento vai ser repetido porque parte das gravações degradaram-se ou desapareceram. A família vai ser sujeita à tortura de prestar as mesmas declarações de reviver momentos terríveis. Em nome da incompetência da máquina judicial. A autarquia, que expressou a sua solidariedade com a família da criança à data dos acontecimentos , condenada a pagar uma indemnização de 250 mil euros aproveita. Qual será o sentimento dos seixalenses em relação à atitude da sua autarquia. O que pensariam se o que aconteceu tivesse sido com um seu familiar ou com um filho seu?

do conflito entre a SONAE e uma empresa que reclamou e obteve judicialmente uma indemnização da empresa de Belmiro de Azevedo, recordei-me de uma notícia do Courrier internacional de 18 de Novembro sobre a importância da Wal-Mart na economia americana. Recorde-se que esta empresa é o número um mundial do sector da distribuição, que recentemente foi referida como estando interessada na aquisição dos activos da SONAE no Brasil. Ocorrem dois efeitos de sinal contrário. Em primeiro lugar, pela pressão colocada sobre os preços da concorrência, a Wal-Mart é responsável pela diminuição do índice de preços em 3,1 por cento. Cada casal americano adquire, por essa via, um poder de compra suplementar de 684 euros. A empresa é responsável pela criaçãode 210 mil postos de trabalho induzidos pelo aumento da produtividade que estimula.
Em segundo lugar nos locais nos quais a empresa abre uma unidade ocorre uma perda de poder de compra dos empregados do sector de distribuição, entre os 2,5 e os 4,8 por cento. Este facto deve-se à pressão colocada sobre os fornecedores no sentido de baixarem os preços o que tem consequências nos salários dos respectivos trabalhadores. A longo prazo de acordo com algns especialistas a Wal-Mart faz baixar o nível global de emprego na economia.
Curioso é o facto destas reflexões terem sido solicitadas pela própria empresa e apresentdas numa conferência aberta ao público. Outros hábitos.

na votação do Orçamento, motivou uma reacção despropositada por parte do PS. Julgo que são as sondagens que a motivam. Não se entende a necessidade desta campanha a não ser pela intenção de afatar os militantes e simpatizantes socialistas do apoio a Alegre. Trata-se, a meu ver, de uma campanha disparatada cujo resultado é exactamente o oposto do pretendido: aglutina ao redor de Alegre um conjunto cada vez maior de pessoas e torna cada vez mais provável que Alegre seja o vencedor das primárias da esquerda. Com o pequeno senão de cada vez mais tudo indicar que não irá haver segunda volta pelo que as primárias serão neste caso as únicas.

Afinal Carmona Rodrigues sempre tem maioria absoluta na autarquia da capital. Dois vereadores do PS - Rui Baptista e Natalina Moura - abstiveram-se permitindo ao PSD concretizar os negócios entre a EPUL e um promotor imobiliário para a venda de um conjunto de lotes no Vale de Santo António.
Este vereador, Rui Baptista, tinha retirado a sua "confiança política" ao independente, que era o número dois de Manuel Maria Carilho, Nuno Gaioso Ribeiro por este ter apoiado, sem prévia autorização do PS, as propostas do PCP para inviabilizar este negócio que foi agora aprovado com a sua justa abstenção. Um moralista este senhor.
Há sempre uma maioria absoluta surpresa que espera para viabilizar um bom negócio.
PS- ler a este propósito um trabalho de J.P.H. no suplemento local do Público de hoje.


 

Pedra do Homem, 2007



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