Fotografia de Edward Steichen
Wheelbarrow with flower pots, France, 1920

Na última campanha da Yorn /Vodafone, claramente destinada a um público mais jovem, podemos ler " Não és nada se não mandares 1.500 sms por semana".
É um caso de uma campanha publicitária grosseira e irresponsável que não olha a meios para atingir os fins. Será que ignoram o peso deste tipo de apelos nas sociedades de hoje? Infelizmente, a publicidade funciona muitas vezes como motor de integração de grupos e classes, mas também como factor de exclusão. E é entre estes dois termos que esta mensagem publicitária joga: na integração e na exclusão. Estas são sem sombra de dúvida as campanhas mais violentas.
Em relação a esta frase diria precisamente o contrário:
Não és nada se levares a vida a enviar sms só para teres a ilusão que estás a comunicar. Não és nada se não partilhares a tua vida com os outros e, sobretudo, com os teus amigos. Não és nada se não souberes escutar e continuares a evitar falar de coisas límpidas, verdadeiras, com o coração e a cabeça.
Irás ser muito se te deixares levar por um sonho e tiveres a destreza, a inteligência e a bondade de um cavaleiro que outrora existiu, esse antigo cavaleiro que representa uma referência na matriz cultural de muitas sociedades.

Luís Delgado está possesso com o PSD e com o PP. O Luís teme que, por este andar, o seu-deles regresso ao poder possa ser adiado para as calendas. O nosso sectário preferido olha para Marques Mendes e para Ribeiro e Castro e só vê lideranças fracas e dolentes quase preguiçosas. Olha para Sócrates e a genialidade cega-o. Mas o melhor é citá-lo: "(...) Sócrates, muito parecido com Blair, ou com a nova vaga de socialistas que são tudo menos o que dizem ser, está a ocupar, devagar, mas com consistência, o lugar em aberto deixado pelo PSD e pelo PP. É extraordinário como dezenas de medidas governamentais, nos últimos tempos, são tipicamente de centro-direita e direita, e isso só lhe mostra o génio(...)."

Bush disse a Blair que atacaria o Iraque mesmo sem armas de destruição maciça, revela hoje o New York Times citado pelo Público. Mas o mais extraordinário foi a admissão por Bush e por Blair da intenção de provocarem a queda de um falso avião da ONU, sobre o Iraque, para provocarem a guerra. Esta gente não olha a meios para atingir os seus fins.
Quais seriam os seus fins é a pergunta legítima face a um tão grande rol de mentiras.
Trê anos depois da invasão persistem aqueles que entenderam que a intervenção americana era a garantia de democratização do Iraque a uma forma de conter o terorismo islâmico. Derrubado o ditador sanguinário, ex-aliado dos EUA noutras guerras, a situação é a que se sabe. Um país envolvido numa guerra generalizada no qual a vida humana não vale um cêntimo.
Por cá podem encontrar-se dois tipos de espécimes cada vez mais raros à escala global : os que apoiam, aconteça o que acontecer, a intervenção e aqueles que comemoram a "resistência" aos invasores, classificando dessa forma a actuação dos terroristas que dizimam as populações indefesas com uma eficácia que faz corar de vergonha os algozes de Saddam.

O DN de hoje revela que Manuel Monteiro será recandidato à liderança da força que lidera caso o Congresso, que decorrerá entre 30 de Setembro e 1 de Outubro, tenha poderes electivos. Esta questão da força é que me levanta as maiores perplexidades. Eu que julgava que a força se tinha naturalmente extinguido de tão evidente fraqueza e agora lá aparece o Manuel, que caiu do PP abaixo, a mostrar-se firmemente decidido a voltar a liderar a força. Com o objectivo estratégico de "propor uma plataforma política a PSD e CDS, tendo como ponto de partida a Constituição." Que raio de ideia.
Não seria melhor aproveitar a onda desburocratizadora do Governo e aproveitar para acabar com a força na hora. Talvez na mesma hora pudessem criar uma outra força... menos fraca.

As notícias destes últimos dias não deixam qualquer dúvida, Mega Ferreira tem carta branca do Governo para acabar o Centro Cultural de Belém. A condição deve ser a de não se gastar um tostão de dinheiro público. Sobre isso Mega Ferreira esclarece, tranquilizador, que "(...)Há a ideia de um projecto que se financia a si próprio(...)" Esta ideia é a recuperação da ideia da Expo-98 que deu no que deu: a destruição de um excelente projecto de recuperação urbanística, transformada por via do imperativo do custo zero, numa operação de especulação imobiliária que ainda não parou.
Talvez Mega Ferreira venha agora aplicar aos equipamentos culturais a doutrina que aplicou na Expo. "Cultura da mais alta qualidade para o maior número de pessoas" Na Expo o imobiliário, que financiou e continua a financiar toda a operação, também prometia ser da maior qualidade e para o maior número de pessoas. O resultado foi a construção de uma parte da cidade classista, com a oferta dirigida ao sector de maior poder aquisitivo, uma parte da cidade construída à revelia de qualquer orientação de política pública capaz de assegurar um espaço interclasista, democrático, com a qualidade do imobiliário a ser o determinante da segregação das populações de menores recursos.

Afinal a refinaria de Monteiro de Barros já não se destina unicamente à exportação para as Américas. Destina-se prioritariamente ao mercado ibérico e aos EUA. Esta situação nova preocupa a GALP. Aliás a nova refinaria já não vai produzir o que era suposto, à data do acordo com o Governo, mas bastante mais. O que significa poluir bastante mais. Mas certamente esta preocupação da poluição não faz parte do rol das preocupações da GALP. Interessa-lhes que não haja favorecimentos e que por exemplo a concorrência não disponha de direitos de emissão poluentes gratuitos. Gratuitos neste caso quer dizer pagos pelos contribuintes. É que, diz a GALP, os direitos de emissão podem significar uma centena de milhões de euros anuais do lado dos custos.
Será que existe aqui algum motivo para que nos preocupemos com esta situação?
Amanhã o autarca-amigo deve fazer mais uma daquelas declarações balofas a anunciar a criação de mais uma comissão de acompanhamento blá, blá, blá.

isto é mais 33 % do que em 2004 e dez vezes mais do que em 2000. Grandes gestores. Quanto gastaram a mais em prevenção ambiental e a suprir o seu défice de desempenho, acumulado ao longo de dezenas de anos de impunidade, não sabemos. Quanto terão gasto a tranquilizar a autarquia amiga de Sines também não sabemos.

Artigo de Rui Tavares no Público de que cito este pequeno e delicioso excerto. " (...) Os autores deste tipo de lacunas, omissões ou distorsões costumam designá-las através de uma expressão relativamente recente: é "politicamente incorrecto". Antes chamavam-se-lhe outras coiss,como propaganda e ideologia.Deixem-me ser conservador, uma vez sem exemplo, e admitir que estes eram termos mais exactos, francos e honestos.
Em consequência, quando alguém como Paulo Portas quer fazer propaganda e ideologia - o que no seu caso ocorre, por exemplo, quando usa as cordas vocais- não o assume. Diz antes que está a ser politicamente incorrecto. Com isso tenta passar a ideia de que está a tomar uma atitude particularmente corajosa e incómoda(...)"

Diz o inefável Nunes Correia, Ministro do Ambiente, que a regionalização política não é uma prioridade para o Governo, mas a regionalização técnica, feita no terreno, é fundamental para pôr ordem no caos da organização terriorial do Estado. Importa-se de repetir? Regionalização Técnica? Quem a protagoniza? Os Mesquitas Mchados, Os Narcisos Mirandas e os Isaltinos deste país? Por delegação de quem? Dos Nunes Correias dos sucessivos Governos?
O socialismo democrático na versão Nunes Correia tem destas coisas, ou melhor destas originalidades. O mesmo homem que clama pela especificidade e pela delicadeza do ambiente no Litoral Alentejano promove a maior mudança de uso do solo da história da democracia e não contente com o tratamento da especificidade junta-lhe uma refinaria. Claro que é a maior refinaria não é uma refinaria qualquer.Tal como os investimentos são só para os graúdos nada de pechisbeque. O pechibeque leva com a política de conservação da natureza. O mesmo homem que clama por uma nova forma de encarar o território quer afastar os cidadãos das decisões que respeitam a esse território. Acredita na tecnocracia iluminada e não confia certamente na democracia. Mas pertence a um Governo socialista e embora seja independente não é razoável que as suas ideias - respeitáveis mesmo que absurdas - sejam impostas ao Governo e através dele ao partido que o suporta e ao país. O que terá a dizer sobre isto o PS e o primeiro-ministro?

agora em Portimão. Uma faixa ribeirinha que os promotores tentavam urbanizar desde há cerca de uma década Com o PS tudo se resolve. Basta reunir as condições para obter o tal despacho do regime de excepção. entre essas condições uma é muito significativa : o investimento tem que ser superior a 50 milhões de euros, isto é o investimento tem que ser de um montante que permita ultrapassar as regras do urbanismo. Dito de outra forma passou a existir um urbanismo para toda a gente e outro para os poderosos. Ou melhor para os poderosos o urbanismo não existe.

Ameaça

Mesquita Machado ameaça - a expressão é da minha autoria - candidatar-se à Presidência da Região Norte. Mas o cacique de Braga esclarece, pedagógico, que "isso só será possível depois de a região ser criada". Agradecemos, todos, o esclarecimento sem o qual dificilmente entenderíamos a complexa realidade imaginada por Mesquita Machado.
Caso a ideia de avançar com a regionalização vá em frente e como ela será inevitavelmente decidida por referendo nada mais eficaz para ajudar os seus adversários do que agitar candidatos tipo Mesquita Machado. Com candidatos deste jaez os adversários da regionalização não necessitam de fazer campanha. Aliás julgo que a regionalização só fará sentido depois de se ter procedido a um saneamento do pessoal político. Tansferir para o nível regional todo o tipo de caciques, que fizeram o que fizeram no nível local, é um risco excessivo. Eu, que defendo a regionalização enquanto modelo potenciador do desenvolvimento regional, e do desenvolvimento do país, não estou minimamente disposto a correr risco tão excessivo.

estão em polvorosa com a inesperada oposição dos franceses às propostas do Contrato Primeiro Emprego de Villepin. Uns não compreendem os franceses, esses ingratos que querem preservar um mundo que já não existe. Um mundo em que o trabalho tenha direitos para lá do direito ao trabalho pecário... quando ele existir, e do direito a receber algum dinheiro. Pouco mas algum como salientam outros.
O que está em causa em França, e um pouco por todo o mundo ocidental, é a destruição de um modo de vida em que os objectivos da eliminação das desigualdades sociais, de promoção da justiça social e da justiça na distribuição da riqueza produzida, são colocados no rol das velharias sem préstimo em favor da apologia da diminuição do papel e da intervenção do Estado na economia. O objectivo que se persegue com a desregulamentação não é a excelência económica, que qualquer apóstolo do mercado sabe que não se alcança pelos simples mecanismos do mercado. O que se pretende é a precarização do emprego como forma de potenciar a avalanche de desempregados no único sentido que interessa ao patronato: o da diminuição dos salários como forma de potenciar a acumulação privada de capital. Trata-se de um retrocesso civilizacional que nos leva de volta aos tempos das primeiras lutas pelo direito ao trabalho na América dos primórdios do século XX. Uma coisa sinistra. Os apóstolos defendem a acumulação da riqueza num número cada vez menor de mãos e a recuperação de prácticas cada vez mais desumanas na relação com as massas trabalhadoras.
É isso que está em causa. O resto são cantigas.

Adenda: Na Alemanha o centrão já aprovou leis no exacto sentido que os franceses condenam. O desemprego cada vez maior potencia a aceitabilidaden social desta medida. A prazo assistir-se-á à erupção do vulcão e à demolição da actual maioria. Não serão necessários mais do que dois ou três anos.

Governo vai avançar com a regionalização no terreno e referendá-la depois
Mas, uma verdadeira regionalização -uma diferença entre Portugal e Espanha passa também por aí - só será efectuibva quando os autarcas regionais forem eleitos directamente pelas populações e o poder regional tiver legitimidade política e não se confundir com o poder local.

nestes vinte anos escreveram uma história bem diversa. Podia talvez justificar um livro sobre "o crescimento desigual num contexto de igualdade de oportunidades". Portugal e Espanha representam um dos maiores sucessos da adesão à UE e um fracasso tanto maior quanto foram auspiciosos os primeiros anos.
Zapatero tem razões para festejar. Sócrates festeja o quê?
Apesar desta incapacidade de nos elevarmos no contexto da UE devemos à Europa muitas das coisas boas que temos hoje. Isto para dizer que nem as maiores dificuldades, nem o cabotinismo e a incompetência congénita da nossa classe política justificam discursos revisionistas da nossa adesão. Essa foi a mais sensata e clarividente decisão política tomada desde o 25 de Abril e devemo-lo a Mário Soares.

diz Durão Barrroso, a propósito da comemoração dos vinte anos de adesão de Portugal e Espanha à União Europeia. Um momento de bom humor do Presidente da Comissão Europeia que não tem nada de mal. O problema não está no bom humor de Durão. O problema está na realidade da generalidade dos Josés. Certamnete muitos deles - demasiados entre eles - não estão a avançar. Alguns, face à situação que se vive, pensam mesmo fugir do país, como Durão, embora não os espere um emprego como o dele.

este Governo adoptou a sigla "na hora" para assinalar um conjunto de iniciativas que combatem a burocracia. Foi a tão badalada criação de empresas na hora. Poucas vozes ousaram criticar a medida e muito menos alguém se levantou para referir que o mais importante para a saúde da economia é possibilitar o fecho de empresa "na hora". Mas isso mexe com as receitas fiscais que vampirizam -não me ocorre melhor expressão - as empresas até à última gota.
Agora aparece o licenciamento na hora. Só para pequenas lojas e pequenos comércios esclarece António Costa. Vamos a ver como funciona. Uma das medidas mais nefastas tomadas por um Governo que pretendia desburocratizar o licenciamento foi no tempo de Cavaco Silva, com Ferreira do Amaral quando foi retirada a necessidade de serem aprovados os projectos de estabilidade. A partir daí foi um fartar vilanagem. A medida nunca mais foi questionada embora seja claro quem ganha com a sua aplicação e quem perde. A burocracia continua tão elevada quanto antes a forma de captura e distribuição da renda é que mudou.
Para desburocratizar é necessário tomar medidas que permitam uma administração aberta combatendo a corrupção nas autarquias e em particular nos serviços técnicos. Separar o trigo do joio e eliminar o joio.



Notícia desta manhã na rádio: astronautas estiveram impedidos de sair da estação espacial devido à grande quantidade de partículas de "lixo" no exterior. Este lixo é expelido do planeta terra para o espaço.
A ideia de que para além de poluírmos o planeta onde vivemos e contribuirmos para a extinção de inúmeras espécies, estamos a poluir do espaço é assustadora e dá muito que pensar.
Gostava de saber a opinião dos nossos leitores sobre este tema.
Lanço-vos o desafio de enviarem para um dos e-mails acima o que pensam sobre ele. Publicaremos, como habitualmente, os vossos textos.

Não foi um grande jogo. Foi um jogo muito disputado e no qual o Sporting controlou grande parte do tempo. Não existiu um grande Sporting nem um grande Porto. Julgo no entanto ser indiscutível afirmar que o Sporting merecia ganhar apesar da escassez de oprtunidades. O único super-dragão, que se viu no Porto, foi Olegário Benquerança, que não viu um penálti - mão de Pepe à frente de toda a gente - e que providenciou uma conveniente expulsão de Caneira just in time. Foi por ali que Quaresma, sempre mais ou menos manietado até então, centrou. Além de três ou quatro foras-de-jogo de bradar aos céus. Este árbitro não presta. Tem, noutras ocasiões, prejudicado outras equipas.
Já agora qual a razão que leva a RTP a escolher para os jogos que envolve o Porto um adepto em vez de um jornalista. E porque razão não paga a alguém que perceba de arbritagem para evitar as tolices do senhor que analisa os problemas da arbitragem segundo um ponto de vista azul carregado.

Há um novo blogue . "Fim de semana alucinante" de seu nome, animado pelo António País, um velho amigo e, o que não é de somenos, visita regular aqui do Peda do Homem. A não perder.

Os autarcas manifestaram uma forte oposição ao PROT do Algarve. Este Plano Regional de Ordenamento do Território tem sido elaborado no âmbito da Comissão de Desenvolvimento Regional do Algarve com base numa equipa externa de consultores, liderada pelo urbanista Paulo Correia - um dos grandes urbanistas portugueses - engenheiro civil, doutorado, professor do Instituto Superior Técnico, e por uma equipa muito apoiada nos quadros da Universidade do Algarve e da própria CCDR. Quem quiser obter vasta informação sobre este documento pode obtê-la aqui.
A natureza das críticas é que não deixa de causar perplexidade. Invocar a falta de uma visão estratégica quando ela apareceu enunciada ao longo de vários anos sem que se registasse qualquer crítica de fundo que significado tem? Que se quer construir mais em todo o lado? Acresce o esclarecimento de que a elaboração dos Planos Regionais de Ordenamento do Território é da responsabilidade das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional e tem como objectivos genéricos:
Desenvolver, no âmbito regional, as opções constantes do programa nacional da política de ordenamento do território e dos planos sectoriais; Traduzir, em termos espaciais, os grandes objectivos de desenvolvimento económico e social sustentável formulados no plano de desenvolvimento regional; Equacionar as medidas tendentes à atenuação das assimetrias de desenvolvimento económico e social sustentável formulados no plano de desenvolvimento regional; Equacionar as medidas tendentes à atenuação das assimetrias de desenvolvimento intra-regionais.
Será que o Plano potencia a possibilidade de alçançar estes objectivos ou pelo contrário compromete-os irremediavelemente? Seria interessante saber porquê, na perspectiva dos autarcas. Para alguns dos autarcas melhor seria que o PROT tivesse como objectivo único o seguinte: construir mais em todo o lado sem qualquer tipo de limitação!!!

O Fisco deixou caducar dívida de Carrapatoso, noticia o DN. O senhor, que é presidente da Vodafone e foi proeminente figura do Compromisso Portugal, diz que não deve nada. A Administração Fiscal reconhece que errou ao não cobrar 740 mil Euros(!!!) de impostos devidos.
Na dúvida sobre quem tem razão ficamos apenas com uma certeza a de que a verba de 750 mil euros não foi paga. Se fosse o senhor Manuel "da esquina" e a dívida fosse de 7500 euros isto não acontecia.

...trabalhos de Catarina Saldanha
http://catarinasaldanha.home.sapo.pt/
no restaurante Trinca Espinhas em S. Torpes, Sines,
entre 25 de Março e a 26 Abril.

Vital Moreira discorre sobre a limitação de mandatos dos titulares de cargos políticos agora em discussão na América. A dado passo referindo-se à situação portuguesa VM escreve que "Entre nós foi preciso esperar muitos anos para chegar à limitação dos mandatos dos órgãos autárquicos, aprovada já na presente legislatura". Pois é verdade mas com um pequeno pormenor é que essa limitação só se torna efectiva em 2013, isto é oito anos após a medida ter sido tomada. É o tipo de reforma que por atingir directamente as expectativas de quem a aprova é suficientemente diferida no tempo. Com a carreira dos políticos não se brinca.

Durão Barroso reconheceu que apoiou a invasão do Iraque com base em informações falsas. Reconheceu que as famigeradas armas de destruição maciça não existiam. Reconheceu que os objectivos de democratização do Iraque estão longe de serem alcançados e que os críticos da invasão se arriscam a ter razão.
Tardio este reconhecimento mas mais vale tarde do que nunca.

... Peniche, vão fazer uma Central que para alguns é nuclear, mas para muitos é mortal.Os peixes hão-de vir à mão, um doente, outro sem vida, não tem vida o pescador.Morre o sável e o salmão, "Isto é civilização", assim falou um senhor.. Tem cuidado, Rosalinda, se tu fores à praia, se tu fores ver o mar,cuidado não te descaia o teu pé de catraia em óleo sujo à beira-mar, cuidado não te descaia o teu pé de catraia em óleo sujo à beira-mar". Fausto cantava assim a sua Rosalinda - Madrugda dos Trapeiros, 1978 - que eternizava a luta contra o nuclear de 1976.
Participei nesse conjunto de manifestações contra a construção de uma central nuclear na freguesia de Ferrel. Passados trinta anos parte das pessoas de então e muita outra gente preocupada com o reaparecimento da opção nuclear juntaram-se de novo em Ferrel. Nessa altura a população de Ferrel uniu-se contra a ameaça que pairava sobre as suas cabeças. As perspectivas de desenvolvimento, de emprego para todos que então alguns esgrimiam não os demoveram. Um exemplo ainda hoje muito actual e infelizmente pouco seguido por alguns trapaceiros com responsabilidades políticas. Não estive lá desta vez mas continuo solidário com a opção "Nuclear não obrigado!" Hoje como ontem a opção pelo nuclear é uma aberração sem sentido. Uma aberração do ponto de vista económico mas igualmente e sobretudo do ponto de vista da segurança das gerações actuais e futuras. A palavra de ordem deveria, no actual estado do conhecimento científico, ser a um nível global: fim ao nuclear.
Curiosamente, ou talvez não, no fim de semana da efeméride o Expresso trazia como manchete a expressão "nuclear sim obrigado." É que como alertou o professor Delgado Domingos está em marcha "uma contra-ofensiva" dos defensores do nuclear.

Miguel Coelho ganhou pela quinta vez a concelhia de Lisboa do PS. No Porto ganhou um senhor de nome Orlando Gaspar, filho de um outro Orlando Gaspar que durante dezenas de anos pôs e dispôs do PS no Porto. E que, pelos vistos, continua influente agora por interposto herdeiro.
Se Miguel Coelho tiver algum filho poderá acontecer que em próximas eleições seja ele a defrontar Leonor Coutinho ou quem lhe suceder.
Em Amarante, autarquia cujo presidente é socialista, o líder da concelhia passa a ser o autarca, já que ganhou as eleições com 51 votos (!!!). Quantos militantes terão?
Das eleições socialistas alguém recorda uma única ideia que tenha sido trazida para a discussão política? Uma única proposta? Já não falo de um projecto político de intervenção ao nível local ou regional. Aliás, alguém falou, uma vez sem exemplo, de política? Será que as eleições para as concelhias de cidades como Lisboa, Porto,Setúbal e outras, deveriam provocar o mesmo tipo de efervescência intelecutal que as eleições para a concelhia de Barrancos, sem desprimor para os barranquenhos? Estará em jogo a mesma coisa? Do que terão falado? O que terão discutido?
Podemos insistir que os partidos estão em declinio e recusarmo-nos a entender que estes partidos são instrumentais dos projectos de vida destas pessoas que os habitam e que deles se servem.

Artigo de Saldanha Sanches, no Expresso, suscitado pelo caso da tentativa de corrupção do vereador da Câmara de Lisboa, José Sá Fernandes pelo administrador da empresa Bragaparques. Destaco algumas passagens: "(...) Revisto o orçamento dos subornos e a sua distribuição pelos vários partidos, tão gordos que começaram a pôr em causa a rentabilidade do projecto, acha-se que ainda se pode subir um pouco a oferta privada e pagar também aos que protestam. Tudo normal. Como em qualquer OPA é uma mera questão de contabilidade.
Estranha só a reacção. Tão estanha que deixou embaraçadíssimos os demais comparsas. As suas declarações públicas e a untuosa solidariedade com um colega alvo de uma injuriosa tentativa de suborno foram uma encantadora comédia(...)"; (...) Ainda assim a tendência do Ministério Público não é pegar em qualquer coisa que possa ser facilmente demonstrada e acusar por isso e apenas por isso. Não. A tendência é para investigar tudo, o que é uma forma de não investigar nada.
Não constitui o comportamento do sr. Domingos Névoa, a naturalidade com que agiu, um índicio seguro que os subornos de autarcas são um facto corrente na Câmara de Lisboa?(...)"

A peça que passou hoje no Telejornal da SIC às 13 horas sobre (?) a poluição em Sines é um péssimo trabalho jornalístico. Na realidade a jornalista pôs-se a jeito para que o Presidente da autarquia fizesse mais uma sessão de propaganda. Para não destoar das anteriores o enquadramento escolhido, como habitualmente, foi a baía de Sines. Uma piroseira inenarrável.
O trabalho da jornalista ignorou todas as questões pertinentes que se colocam, neste momento, face à possibilidade de ser construída em Sines uma nova refinaria. Questões a que as entidades governamentais, mas também as locais, devem dar respostas. Por que razão não existe, passados trinta anos da construção da primeira refinaria, qualquer tipo de monitorização da qualidade do ar? Os resultados do Instituto do Ambiente são credíveis? Por que razão não existe qualquer estudo sobre os impactos da poluição na saúde pública? Qual é o tipo de doença prevalente no concelho de Sines e quais as principais causas de morte? O que faz a autarquia ao dinheiro do Fundo Térmico da EDP e às receitas extraordinárias da Petrogal? Por que razão na situação actual o autarca defende, o homem nem disfarça, com tanto empenho a nova refinaria? Onde é que a jornalista foi desencantar a associação ecologista? Quando é que tomaram qualquer posição pública sobre esta questão? Quem terá dito à jornalista que os problemas da poluição melhoraram em 2003 e que pioraram ultimamente? Um jornalista deve distinguir a propaganda da realidade.

Afinal, as escolhas de Cavaco, quer para o Conselho de Estado quer para Belém, suscitam muitas reservas mesmo em sectores próximos do actual Presidente ou mesmo entre pessoas que apoiaram a sua candidatura. Já tinha referido a posição de Paulo Gorjão que escreveu que "(...) as mesmas transmitem sinais que são errados(...) "e que "(...)o que Cavaco Silva fez foi desocupar o centro onde, precisamente, ganhara as eleições."
Vasco Pulido Valente(*) identifica muitos dos colabordores escolhidos por Cacaco com "uma franja da direita irreformada e irreformável, que o dr. Cavaco instalou no centro da política." enquanto Rui Tavares(*), a propósito do plano de acção de Cavaco, escreve: "O que Cavaco faz como sempre fez, é o mais natural a qualquer político. Não se pretenda é que o faça sem que lhe seja notado. Ninguém deixa de ser republicano se disser: em Cavaco não me agrada a estética nem a ética. A ética do desaparecimento conveniente como forma de tratar da carreira "académica". A estética que leva de entoar a Grândola Vila Morena em campanha a colocar em Belém a mais desastrada tradução para português do neo-conservadorismo americano."
(*) - no Público de hoje.

VPV, na sua habitual crónica no Público, corrige José Manuel Fernandes a propósito das identificadas semelhanças entre as actuações de Cavaco e de Sampaio. Para VPV Sampaio "(...)queria que os partidos representadosna Assembleia da República estivessem também representados no Conselho de Estado (...)." Na mesma linha do que aqui escrevi ontem.

Depois da asneira de Sarkozy de chamar escumalha aos habitantes dos subúrbios que colocaram a França a ferro e fogo, Villepin, o invejoso, decidiu ele próprio hipotecar as suas possibilidades de ascender ao Eliseu. A ideia do CPE deu no que deu. Uma ideia que Villepin idealizara como criadora de emprego. É o velho embuste da direita, completamente por demonstrar, de que a desregulamentação liberta o mercado e permite que este funcione segundo a pureza original. O problema é que a pureza original não aconteceu até aos nossos dias. Não há memória. O que se sabe é que a precarização das relações laborais acentua as desigualdades torna mais dificil a vida dos mais desfavorecidos aumenta os ganhos dos priveligiados. Os franceses quando se trata de defender os seus direitos sociais não se poupam a esforços. Villepin já devia saber disso. Mas a necessidade de mostrar serviço foi mais forte e o homem avançou alegremente para o inferno.
Agora já admite retirar a regra dos dois anos -uma selvajaria sem paralelo na história recente - mas ninguém o respeita. Ou retira o documento pela totalidade ou, para gáudio de Sarkozy, passa a ser conhecido por Villepin "o candidato suicida".

sobre a decisão que o Tribunal tomará e se Fátima Felgueiras irá ou não a julgamento Com a justiça não se pode brincar, que se trata de uma coisa muito séria. Mas eu estou convencido que o caso vai ser arquivado e que a Drª Fátima Felgueiras não irá a julgamento. Mas, face às circunstâncias que envolveram a recolha dos depoimentos, talvez fosse preferível, para a autarca, a realização do julgamento...

É o título do Editorial de hoje de José Manuel Fernandes no Público. O mau perder que Fernandes detecta é "daquela parte do país" que entendia que o Palácio de Belém lhe pertencia, O editorialista fala da esquerda e tenta demonstrar que na questão das nomeações para o Conselho de Estado ela revela mau perder por protestar contra a exclusão do PCP. Para lá da questão do mau perder, que do meu ponto de vista não tem qualquer interesse, o que importa no editorial é que ele, admito que por falta de informação, comete um erro. Sampaio convidou o PP, na pessoa de Paulo Portas que recusou, indicando outra pessoa, o que não foi bem recebido por Sampaio. Isto é Sampaio não escolheu apenas personalidades que o tinham apoiado como refere, erradamente, José Manuel Fernandes.
Quanto ao mais o comunicado do PCP faz pouco sentido. A menos que seja para acentuar o carácter sectário das escolhas que como refere VPV no Público "foi(...)uma surpresa a espécie de gente que insistiu em levar para Belém. As nomeações para o Conselho de Estado, por exemplo,revelam uma estranha hostilidade ao Parlamento. Não em si mesmas, claro.Mas porque deixam o PC e o BE sem um único representante e o CDS representado por um homem sem uma verdadeira ligaçâo ao partido. (..)"

O CPE é o famigerado Contrato Primeiro Emprego contra o qual se manifestaram em toda a França mais de meio milhão de manifestantes. Esta criação da mente preversa dos ultra-liberais do governo de Villepin determina que as empresas podem despedir um trabalhador até aos 26 anos, durante os dois primeiros anos de trabalho, mesmo sem qualquer razão. Sem qualquer razão? Bom e então porque não prender ou condenar sem qualquer razão? A direita tem destas coisas: é sempre capaz de fazer pior do que o pior que dela alguém pode imaginar.
Aqueles que em Portugal clamam contra os malefícios do Estado Social ainda não se manifestaram contra a "barbárie" dos manifestantes. Mas o seu silêncio sobre o CPE é a prova provada de que subscrevem a barbárie do governo de Villepin.

Cavaco Silva não convidou qualquer elemento do PCP para o conselho de Estado. Está no seu pleno direito. Não seguiu Sampaio que convidou Carlos Carvalhas quando foi eleito em 1996. Cavaco não convidou igualmente o Governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, conselheiro até este momento, igualmente por escolha de Sampaio. Quanto ao PCP, e atendendo aos resultados obtidos no Alentejo, poder-se-á dizer que Cavaco mostra alguma ingratidão.
Tudo legal, tudo normal. Mas, Cavaco nas suas escolhas deixa bem claro quem é a sua gente.
Ler mais sobre as escolhas aqui e aqui.

Miguel Coelho, um ilustre desconhecido que lidera há anos e anos a concelhia de Lisboa do PS recandidata-se pela enésima vez ao cargo. Liderar é uma palavra excessiva porque na realidade estes actores menores ocupam os lugares em representação de outrem. Regra geral alguém que se situa muito acima delas na hierarquia partidária. No caso o ilustre desconhecido socialista terá tido a benção de Jorge Coelho. Mas não é destas matérias que se ocupa este post. O caso tem a ver com a recusa por parte do candidato da presença de jornalistas nos debates que realizou, ou vai realizar, com Leonor Coutinho a sua adversária na corrida interna. Percebe-se bem a recusa: Miguel Coelho tenta evitar o trauma que representaria, para a comunicação social e através dela para a generalidade da população, a descoberta de que ele afinal tinha uma ideia, uma simples que fosse, sobre Lisboa e os problemas que afectam a cidade e os seus cidadãos.
Exactamente o oposto daquilo que ele tem demonstrado à evidência ao longo da sua bem sucedida carreira política.

Adenda: A candidatura de Leonor Coutinho e a paleta de apoiantes de um lado e do outro mostram bem o buraco onde se encontram enfiados os socialistas de Lisboa. A renovação não vai passar por aqui.

Na Madeira o Parlamento tornou-se definitivamente um lugar perigoso. As diferenças de opinião são rigorosamente castigadas. Desta forma o PSD-Madeira tenta minorar os inconvenientes de o povo ainda não ter aprendido a eleger apenas deputados seus. Depois da fase psiquiátrica -durante a qual se recomendavam exames psiquiátricos aos deputados da oposição - passou-se agora para a fase da mocada. "O Secetário-Geral do PSD, Jaime Ramos, terá tentado agredir o deputado socialista Bernardo Martins, no intervalo do plenário da assembleia regional, tendo sido impedido pelos representantes partidários e pelo chefe de gabinete do presidente do parlamento regional, que participaram ontem na conferência de lideres" é o que noticiam, hoje, os diferentes jornais nacionais. Até ao presente momento Marques Mendes permanece calado. Fez o mesmo quando do incidente anterior. Estas omissões não o engrandecem.

Vicente Jorge Silva interpela o ministro Augusto Santos Silva sobre a criação da ERC e não só. Recomenda-se a leitura integral do texto mas deixo aqui algumas citações:
"(...)Gostaria, sinceramente, de não me ter enganado a teu respeito, mas quando te oiço ou leio a dar laboriosas explicações sobre os excelentes e inocentíssimos propósitos da nova entidade reguladora dos media, a ERC, pergunto-me qual de nós se terá equivocado: se eu, por excesso de candura, se tu, por excesso de cinismo político(...) ; "(...)É certo que nunca conseguiste esconder a atracção que o exercício do poder exercia sobre ti, a ponto de levar-te a adoptar atitudes de conveniência e manobrismo político que não traduzem o fundo daquilo em que acreditas. Mas, precisamente, nunca te mostraste convincente, credível e eficaz nesse papel, em especial quando foste ministro da Cultura do último Governo de Guterres e, nessa qualidade, te sujeitaste a ser instrumento da vocação manipuladora do teu colega José Sócrates relativamente à RTP(...)"; "(...)Mas uma coisa é a actividade reguladora desempenhada por uma entidade acima de toda a suspeita e outra coisa bem diferente é criar uma ERC com competências dúbias e obscuras, formada num ambiente politicamente opaco e com base em critérios de escolha (não apenas do seu presidente como também dos restantes membros) que nos remetem para as piores práticas do arranjismo e clientelismo político-partidário, ainda por cima escudadas no álibi hipócrita da legitimidade parlamentar. Se juntarmos a isto as nebulosas prescrições do Código Penal sobre o "crime de perigo" ou as cláusulas ínvias sobre o "sigilo das fontes", é lícito perguntar se o poder político não está a utilizar a reconhecida necessidade de regulação dos media como um pretexto grosseiro para a sua domesticação(...)."

deviam ser discutidos longe do período eleitoral. Com calma e com tranquilidade. A RTP promoveu um debate com as várias sensibilidades que se apresentam à volta do problema da venda do património. Esta campanha eleitoral e a iniciativa de Soares Franco de vender os activos imobiliários do clube são uma poderosa operação de recuperação da imagem do dr. Dias da Cunha que saiu um pouco em desgraça, colado ao ineficaz Peseiro, e que volta para defender uma posição que espero impeça a concretização do projecto do dr. Soares Franco.
Ontem na RTP N ficou claro que os apoiantes de Soares Franco não têm resposta para as seguintes questões:
- Qual a diferença, do ponto de vista do serviço da dívida, entre vender com direito de recompra e a venda pura e dura?
- Qual o interesse em vender agora que o mercado imobiliário está em clara perda e já agora porque razão Bancos, ou outros compradores, estão tão interessados em comprar?
- É ou não verdade que o desenvolvimento da zona vai valorizar todo aquele património, pelo mecanismo das mais-valias indirectas?
- É ou não verdade que face a essa valorização inevitável a recompra com preço pré-fixado pode ser muito vantajosa já que ela pode corresponder a um valor abaixo do valor de mercado esperável.
Dias Ferreira colocou a questão central deste debate. Afinal o imobiliário do Sporting era ou não -nos termos do projecto Roquette- o garante de que o clube estava livre dos sobressaltos que provocam normalmente as bolas que batem na trave?
Mas com a passagem do tempo descobre-se muitas vezes que tudo não passa de propaganda. Veja-se agora a equipa de Soares Franco, como ontem o desajeitado senhor que o representava na RTP N, a explorar o "futebol" prometendo uma equipa ganhadora como contrapartida da venda do imobiliário.

que ninguém segura o Benfica na Liga dos Campeões. Só uma opção estratégica - agora usa-se e abusa-se do palavrão- deste nível justifica um tão grande desinteresse por provas como a Liga - embora não seja adquirido a morte da criatura - e a Taça de Portugal.

as nomeações feitas para o Concelho de Estado pelo novo Presidente são absolutamente esperáveis. O seu mandatário nacional e velhos companheiros das lides governamentais e do PSD. No entanto não se entende como elas se articulam com aquilo que Cavaco Silva disse no seu discurso de investidura ao defender as nomeações para lugares não electivos de personalidades segundo critérios que não tivessem a ver com a cor do cartão partidário. Como era de esperar nas nomeações feitas até agora por Cavaco o cartão laranja é esmagador, com uma ou outra presença do cartão azul do PP.

A FELICIDADE

Tristeza não tem fim

Felicidade sim

A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranqüila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor

A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leveMas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar

A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite, passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Pra que ela acorde alegre com o dia
Oferecendo beijos de amor

Vinicius de Moraes


Pintura de Pablo Picasso (1881-1973)
Rembrandtesque Figure and Cupide (1969)

O pedido de esclarecimento que fiz à Administração Regional de Saúde de Setúbal, no dia 20 de Fevereiro, continua sem resposta. Porque será?

Entrevista de Nuno Crato à revista "Pontos nos ii" distribuída hoje com o Público. Muitas perspectivas interessantes mas, sobretudo, a abordagem da formação e da forma de contratação dos professores e da relação com o MIT e o processo de Bolonha.

confesso que não me agrada a OP sobre o BPI. Gosto do BPI, que é o meu banco, e desagrada-me a ideia de o ver a ser engolido por esse gigante hostil que é o BCP.
Acho chocantes os lucros da Banca em Portugal e a míngua dos impostos que pagam o que, a meu ver, resulta de facilidades concedidas pelo poder político. Mas defendo a existência de mais Bancos e não a diminuição do seu número. Quero concorrência e não concentração e diminuição das escolhas. Não se entende porque razão não existem mais bancos. Provavelmente os serviços seriam mais baratos e os cidadãos e as empresas pagariam menos pelos serviços prestados.
O Governo rejubila com a OPA. Diz que é um sinal de dinamismo da economia. Será? É que a acumulação de capital por detrás desta OPA tem como contraparida, do lado da economia real, as falencias, o desemprego a recessão. Os bancos aumentam os seus lucros aos 30, 40 e 50% e o PIB não cresce 1% ao ano. Que dinamismo será este de que o Governo fala?

Os "Verdes" propõem suspensão da co-incineração durante seis meses. Eis a única medida sensata que estes senhores têm para propor ao País. Entretanto acumulam-se toneladas e toneladas de resíduos tóxicos e perigosos sem tratamento.
Afinal Sócrates não avança com a decisão pela sua propalada teimosia - manifestamente benigna neste caso - mas porque está ao serviço das cimenteiras, segundo o satélite ecológico (?) do PCP.
Haja trambelho.

para ajudar a doutora Fátima Felgueiras. Devemos ajudar os que precisam.

Passou um pouco despercebida esta realização. No entanto ela teve um conjunto de participantes bastante interessante. Desde Delors passando por Vitor Constâncio, António Mateus, Daniel Bessa até António Borges.
No entanto é da única mulher oradora, Manuela Siva, economista ao que julgo - a notícia não dá qualquer informação sobre a personalidade - que criticou o facto de os oradores pertencerem maioritariamente ao PS e ao PSD e que colocou diversas questões pertinentes e chamou a atenção para as grandes assimetrias do país, para a onda de privatizações que pode contrariar a coesão sociale e que contestou a concentração do rendimento referindo que há altos níveis de remuneração de alguns gestores públicos que contrastam fortemente com a contenção salarial.
Este espírito não fica mal numa conferência episcopal.

"2005 não vai ser um ano de boom" afirmou o actual ministro das Finanças, Teixeira dos Santos. Quem, no seu juízo perfeito, esperava por isso? Há muitos anos que os anos são todos tão maus quem pode esperar anos de boom. Só se forem anos de bum da definitiva implosão.

José Eduardo dos Santos é o candidato natural do MPLA às eleições presidenciais amgolanas. Quem o diz é o actual primeiro-ministro angolano de passagem por Lisboa para apresentar cumprimentos a Cavaco Silva. Naturalmente seria demitido se afirmasse coisa diferente. Naturalmente a afirmação é válida quando - um dia num futuro mais ou menos longínquo - se realizarem eleições presidenciais.

A intervenção de Vital Moreira no Fórum Novas Fronteiras - que fez o balanço do primeiro ano do Governo de Sócrates e tentou definir prioridades para o futuro - a julgar pelo que escrevem hoje os diferentes jornais, foi muito interessante. Vital Moreira colocou a tónica nas reformas necessárias para o próximo ano. Cito sem preocupações de ser exaustivo: reforma do sistema político incluindo a reformada lei eleitoral com a introdução dos círclos uninominais; revisão do sistema de incompatibilidades e imunidades dos deputados; redução das nomeações políticas; reforço da responsabilidade pessoal dos titulares de cargos políticos, aprofundando o regime da perda de mandatos; combate à corrupção e ao tráfico de influências etc.
Todo um programa de qualificação da democracia. Faltou saber qual a posição do Governo, e do primeiro-ministro em particular, sobre alguns destes pontos mais urgentes de que destaco o combate à corrupção, sobretudo a grande corrupção que usa o poder político. Recordem-se as entradas de leão e as saídas de sendeiro que este Governo já protagonizou, como aconteceu no caso da limitação de mandatos, com a responsabilidade partilhada com o PSD. Talvez Vital Moreira esteja a protagonizar uma conversa de surdos.

...uma Crítica da Pedagogia Romântica e Construtivista, da autoria de Nuno Crato, doutorado em Matemática e professor no ISEG. Edição da gradiva.
Um livro muito interessante que permite a Nuno Crato fazer uma crítica impiedosa das correntes dominantes da pedagogia e dos teóricos dessa mesma pedagogia. Lê-se sem parar porque sendo um livro escrito de forma rigorosa por um cientista, com citações, notas de rodapé, referências bilbiográficas etc, está muito bem escrito e prende o leitor do príncipio ao fim. Comprei-o ontem à tarde em Coimbra e acabei de o ler hoje durante a viagem de comboio de regresso a Lisboa.
O autor fornece uma explicação para problemas que o comum dos cidadãos sabe que existem mas cujas causas desconhece. O insucesso a Matemátia, a cada vez pior preparação geral dos alunos que acedem às universidades, a ausência da disciplina nas escolas etc. A tese de Nuno Crato é a de que o problema está na pedagogia dominante, influenciada pelo romantismo e pelo construtivismo de Jean-Jacques Rousseau. Uma pedagogia que desvaloriza o papel dos exames, que minimiza a importância dos currículos e dos conteúdos curriculares, que diaboliza o treino e os automatismos priveligiando a motivação e as aplicações, que defende um conceito de aquisição de competências para desvalorizar os conteúdos, uma pedagogia que condescende com a disciplina.
O livro contém muitas citações delirantes de autores que são responsáveis da política educativa e nalguns casos foram responsáveis políticos da área da educação. Cito estas duas: " (...) Se a sala de aula deve ser o viveiro das ideias matemáticas dos alunos, então deverá haver espaço para a argumentação, para a experimentação, para a tolerância perante a dissenção. Esta visão confronta a perspectiva platónica de um currículo da Matemática referente para o conhecimento dos alunos. A sala de aula deverá dar espaço para o surgimento de visões matemáticas alternativas e será da competição entre o seu poder de convencimento que os conceitos matemáticos se formarão."; "(...) a disciplina de Matemática deve ser urgentemente eliminada dos currículos do ensino básico, (...) em vez da disciplina de Matemática seja criada a disciplina ou área disciplinar de educação matemática (...) o essencial da disciplina não será a Matemática mas o seu uso. "

O que terão em comum a SAD do Sporting Clube de Portugal e Portugal? Muito. Em ambos os casos os seus ditrigentes apresentaram em tempos, não muito recuados, um projecto cujo resultado só poderia ser a grandeza, que se mede, num caso por títulos e património e noutro por melhoria geral do nível de vida dos seus cidadãos. Em ambos os casos, passados alguns anos de exercício do poder por aqueles que anunciaram o "projecto", os resultados não podiam ser mais diferentes dos previstos. Num caso escassez de títulos e um endividamento brutal que obriga, dizem os do "projecto", à alienação do património, no outro divergência com a Europa e agravamento das condições de vida da maioria da população, apesar da venda de tudo aquilo que o Estado ainda tem. Em ambos os casos os bancos ganharam com e apesar do infortúnio. Num dos casos tomaram o poder e hoje ditam o que deve ser feito ameaçando declarar inviável uma instituição centenária. No outro caso, apesar da crise ou por causa dela, obtêm lucros como nunca tinham conseguido. Em ambos os casos os que erraram de forma grosseira apresentam-se com uma proposta para o "futuro", o que em vez de assustar de morte as vítimias dos erros anteriores parece enchê-las de esperança. Em ambos os casos nunca os responsáveis aceitam falar das responsabilidades anteriores, explicar porque razão não se confirmaram os "amanhãs que cantam". Preferem falar do futuro. Tentam, dessa forma, assegurar o seu.

Foi esta coisa terrível que Jorge Sampaio quis evitar com a nomeação de Santana Lopes. Tentando perceber a lógica, rebuscada e complexa, do ex-presidente chega-se ao seguinte: se Sampaio convocasse eleições, no seguimento da fuga de Durão, a sua acção passaria a estar condicionada pelas iniciativas dos primeiros-ministros. Assim sendo optou por fazer... aquilo que Durão lhe pedira: nomear Santana Lopes. Bom, pelo meio pediu ao PSD que lhe indicasse nomes, mas o PSD fez, previsivelmente, aquilo que Durão queria. Foi ou não, segundo Sampaio, uma situação de claro "presidencialismo de primeiro -ministro"?
Mas do meu ponto de vista o pior da atitude de Sampaio foi que ele criou todas(!!!) as condições para a liquidação de Ferro Rodrigues por aqueles que, após a fuga de Guterres, deram um, cauteloso, passo atrás. Foi este tipo de atitude calculista que Sampaio remunerou, penalizando um líder corajoso, com uma opinião pública favorável, capaz de dar ao PS uma orientação política mais à esquerda, mais de acordo com as necessidades do País. Uma orientação mais sampaísta afinal.

este post no Causa Nossa. Sampaio chega ao fim do seu mandato incompatibilizado com grande parte da ala esquerda do PS -sejá lá isso o que for - e sobretudo com os sampaístas. Ironias e desventuras de quem sacrificou objectivos aos desejáveis consensos.

Ontem

foi o dia em que Cavaco Silva tomou posse como Presidente da República fazendo um discurso de primeiro-ministro. Ontem foi o dia em que o BE e o PCP não aplaudiram o discurso de tomada de posse que foi aplaudido pelo PSD e pelo PP. O PS não se manifestou mas o primeiro-ministro realçou a grande convergência com o Governo.
Ontem foi o dia em que Mário Soares não foi cumprimentar Cavaco Silva nem respondeu aos jornalistas. Ontem foi o dia em que as diferenças -disfarçadas durante alguns meses - entre Mário Soares e Sócrates ficaram de novo em evidência.

O sistema de justiça degradou-se nestes últimos dez anos. As pessoas, os cidadãos, não têm qualquer confiança no funcionamento do sistema. Dificuldades acrescidas no acesso dos cidadãos à justiça. Morosidade , burocracia e ineficácia no funcionamento dos tribunais. Melhor justiça para os que dispõem de poder. Impunidade quase absoluta dos poderosos. Falta de vontade no combate à corrupção, sobretudo quando praticada por agentes do sistema político.
Dir-se-á que o simpático e afável Sampaio pouco podia fazer de diferente. Não concordo. Os Governos govenam mas o Presidente deve exigir soluções e mudanças quando elas sejam necessárias. Sampaio defende e pratica o consenso. O consenso é o caminho mais longo ou mesmo o caminho impossível para romper com vícios e previlégios e para derrubar poderes ilegítimos instalados. Faltam roturas na sociedade poruguesa. Sampaio não as quis concretizar.

1:. Benfica

2:. Cavaco


Algo me diz que vamos ter um dia muuuuuuito longo.

comparações que, por tão manifestamente absurdas, não se deviam fazer.

Será que a localização proposta para a refinaria de Sines, e mesmo a sua construção, respeita o Plano Director Municipal do concelho?
Eu acho que não. Melhor dizendo estou absolutamente certo que não respeita o PDM. Assim sendo o que se faz? A pergunta tem todo o sentido face ao afã do autarca comunista - mas não só é bom que se diga- e dos governantes na conctretização deste projecto de Patrick Monteiro de Barros, um investidor que umas vezes se preocupa com as emissões poluentes e recomenda o nuclear e noutras se preocupa nuclearmente com os seus proveitos e recomenda as emissões, isto é a refinaria.
Mas voltando ao PDM. O que se vai fazer? Seria interessante escutar o que têm a dizer a CCDRA, o Ministério do Ambiente e o primeiro-ministro, ele próprio tão entusiasmado com tão excelentíssimo projecto.
Dou um palpite: Ignoram o PDM ou então cozinham uma alteração à medida feita em tempo recorde.

Jorge Sampaio dá hoje uma entrevista ao DN na qual aborda vários temas relacionados com a sua Presidência.
Nessa entrevista é abordada a questão da "sucessão" de Durão Barroso e o confronto com a liderança do PS. Diz Sampaio que "quando Durão Barroso diz que se quer candidatar a presidente da Comissão Europeia, é muito fácil dizer que eu tinha possibilidade de dizer que não. Ir para eleições depois da sua saída seria consagrar então o presidencialismo do primeiro-ministro. Então uma maioria que se diz sólida não pode apresentar outro candidato a primeiro-ministro?" para relativamente ao conflito com Ferro Rodrigues acrescentar que "Eu era contra a tese da dissolução, porque isso seria fazer batota, coisa que o Partido Socialista, na altura, não compreendeu. (...) Que é que eu hei-de fazer? Eu sou muito sentimental, mas nessas coisas, contrariamente ao que os portugueses pensam, sou muito inflexível. Fosse ele quem fosse, aquela era a minha decisão. Aliás, teve consequências que eu não esperaria que tivesse."
Como se vê Sampaio continua convencido que fez bem ao não convocar eleições após a fuga de Durão para Bruxelas. Eu que votei Sampaio duas vezes acho que terá sido o maior erro político do seu mandato e que as consequências para o país foram graves. Aliás é curioso perceber a forma como Sampaio minimiza as atitudes de Guterres e de Durão que, como se sabe, abandonaram as suas funções face às dificuldades que se adivinhavam. Não me parece bem.




.. é a ideia que resulta do "O "Estado da Arte", na SIC Notícias, nóvel programa que visa - que outro interesse terá? - permitir a Paulo Portas fazer o papel de um político já crescido, um "Homem de Estado", acima das questões partidárias, ocupando um lugar na galeria - vazia - das reservas morais da direita.
O que aterroriza qualquer um, e dá evidentes ganhos à RTP-N, é a possibilidade, dantesca no mínimo, de a SIC passar, ad nauseum, partes da coisa ao longo do dia ou da semana. Ontem, antes do homem ir para o ar já tinham injectado umas dezenas de excertos da entrevista. Não se aguenta.



O programa de rádio Cinco Minutos de Jazz nasceu há 40 anos na Rádio Renascença pela criatividade e sabedoria de José Duarte. Passou, mais tarde, para a Comercial, até 1993 e, desde então, tem-se mantido na Antena 1 às 18:50, 22:50 e 01:50. Estes cinco minutos criaram e definiram os caminhos do Jazz em Portugal.
Por serem apenas cinco minutos, sabemos que José Duarte nos oferecerá sempre e somente as "pérolas"; fica-se, por isso, com a vontade de repetir, de descobrir, de ouvir o que ele descobriu e encontrou para nós.
Parabéns ao jornalista José Duarte pela perseverança, pela sabedoria, pela capacidade constante de surpreender.




Todos os Presidentes da República ficam na História escrita. Mas há os que a ultrapassam, por via dos acontecimentos políticos que marcam o seu mandato ou por via dos desígnios do seu “projecto” político.
No caso do Presidente Jorge Sampaio, os factos políticos, nomeadamente no segundo mandato, sobrepuseram-se à sua figura e ele, apesar de ter conseguido, ainda assim, transmitir a serenidade que se exigia ao Presidente, não foi capaz de congregar em si próprio a força e o peso de uma decisão marcadamente sua.
Sampaio foi um Presidente pouco carismático do ponto de vista político, cujos mandatos não alcançaram o distintivo de um desígnio próprio. Essa falta de eloquência política fez de Sampaio um Presidente demasiado cuidadoso, quase resvalando no receio de actuar, o receio de ter inimigos; um Presidente que com o passar do tempo parecia ter-se demitido do sentido da política, transformando-se num cidadão exclusivo, um quase-rei que sossega as hostes sem um rasgo imprevisível; um Presidente de discursos um nada redondos, quase ambíguos; um Presidente irregular do ponto de vista anímico, acessível, mas reservado, jovial mas sensato.

Concordo completamente com as críticas feitas às posições de Marques Mendes sobre esta matéria. O PSD não tem condições para criticar a iniciativa dos socialistas já que defendeu a criação de taxas moderadoras diferenciadas segundo o rendimento. Foi no tempo de Luís Filipe Pereira e de Santana Lopes.
Mas do meu ponto de vista a situação é outra. Os socialistas argumentam com a função reguladora que as taxas moderadoras exercem no acesso às urgências. Essa função não se verifica na prática, nem existe qualquer estudo que associe aumento das taxas a uma diminuição dos acessos. Aliás caso a função moderadora continue, depois deste aumento, a não se verificar o que irá fazer Correia de Campos? Aumentar outra vez, mais 20%, as taxas? A verdade, como alguém dizia ontem na SIC, é que em função do fecho após as 20 horas da generalidade dos Centros de Saúde, face à falta de médicos na generalidade dos Centros de Saúde, quem quer recorrer aos serviços públicos de saúde tem que procurar o hospital mais próximo. Existirão outras razões para explicar este comportamento. Mas não se trata de uma manifestação masoquista dos utentes. Posto isto estamos perante uma forma envergonhada de financiar o SNS que nos termos da constituição é tendencialmente gratuito. Este financiamento cai, até estudos em contrário que o demonstrem, inteirinho sobre aqueles que mais necessitam. Os outros, felizmente, podem dispensar o SNS.
Última questão, que não é uma questão menor: o PS no seu programa eleitoral incluía o aumento, nesta legislatura, das taxas moderadoras? Julgo que não. Tenho a certeza, no entanto, que atacou forte e feio Santana Lopes quando da iniciativa do seu ministro da saúde.

Mais 23% de aumento das taxas moderadoras nos hospitais anunciou Correia de Campos. Uma medida verdadeiramente socialista. Primeiro criam-se as taxas moderadoras para regular o acesso indiscriminado às urgências. Depois face ao falhanço da medida aumentam-se as taxas moderadoras dez vezes acima da inflação prevista. Boa.

Vinte e Quatro horas chegaram para Sócrates ficar (ainda mais) impressionado com a qualidade do ensino e com a competência tecnológica da Finlândia. Pareceu-me tê-lo ouvido dizer que esta visita reforçava a sua convicção de que o desenvolvimento de Portugal passa sobretudo pela aposta na educação e na tecnologia.
Bom, 24 horas não é muito tempo e Sócrates não teve tempo para verificar como na sociedade finlandesa, por exemplo, o combate à corrupção é uma prioridade do Estado impedindo que se delapidem recursos que são de todos. Eis uma aposta que valia a pena ser seguida apesar da aposta na educação - não tem nada a ver com gastar dinheiro como se gastou nos primeiros quadros comunitários de apoio - ser importante.Ou a importância do sector empresarial do estado que inclusivé já investiu em Portugal - Neste, nos anos 90 em Sines, que deu lugar à Borealis posteriomente adquirida pela Repsol.
Curioso foi o facto de os Finlandeses terem uma escola primária completamente gratuita, incluindo a aquisição dos livros e outros apoios, suportada pelos municípios. Curioso foi igualmente o facto de se ter constatado que normalmente há mais do que um professor por aula o que permite o apoio just in time - para recorrer ao economês - aos alunos com dificuldades. Curioso foi o facto de se ter percebido que na Finlândia são os concelhos de escola que contratam os professores o que impede aqueles que tiveram um bom desempenho no ano anterior de irem parar a 300 km de distância pelos próximos...felizes três anos.
A Finlândia é um país muito curioso mas pouco se aprende em 24 horas. Talvez pudéssemos mandar para lá o Governo um mesito.

Acabo de escutar Samapaio na sua última visita a uma prisão defender a necessidade de se gerarem consensos entre os Ministérios da Saúde e da Justiça para permitir suprir uma lacuna que detectara: a falta de médicos nas prisões. Antes referira a forma cruel como é utilizado o cúmulo jurídico em Portugal. Consenso foi certamente a mais utilizada palavra por Jorge Sampaio. Mas o léxico do actual Presidente foi muitas vezes uma fonte de surpresas. Curtíssimo por exemplo foi utilizado para definir um tempo que não acaba a...tempo. Da mesma forma consenso quase sempre significou ausência de entendimento e ineficácia face aos problemas reais.

terminam no próximo dia 9 de Março com a tomada de posse de Cavaco Silva. A partida de Sampaio não me motiva grandes angústias nem qualquer tipo de tristeza do mesmo modo que a chegada de Cavaco não me inspira preocupações particulares.
Os dez anos de Sampaio foram decepcionantes. Quer o primeiro quer o segundo mandato corresponderam a uma Presidência que nos deixa um País bem pior do que aquele que encontrou à dez anos atrás.
Proponho aos leitores deste blogue que durante esta semana mandem a sua opinião, em jeito de balanço, sobre as Presidências de Sampaio. Podem fazê-lo para os e-mails disponíveis no blogue, como, aliás, o podem fazer sobre qualquer assunto.
Irei ao longo deste tempo fazer a minha própria avaliação incidindo a minha análise sobre temas que Sampaio convocou repetidas vezes para a agenda política e sobre os quais, muitas vezes, se dirigiu aos portugueses. Saliento de forma não exaustiva: a reforma do sistema político; a qualidade da democracia; a reforma da organização territorial; a reforma do sistema de justiça; a reforma do poder local; a importância da Europa; a criação e consolidação do espaço da Lusofonia;a coesão social ; o empreendedorismo etc. Irei igualmente analisar qual o grau de interferência de Sampaio no jogo político-partidário e o tipo de relação que estabeleceu com os diferentes Governos.

A Ler

"A dupla legitimação dos líderes partidários" de Mário Mesquita, hoje no Público e "o PS no seu labirinto" de Rui Namorado, hoje no DN.
Mário Mesquita reflete sobre o processo de eleição dos líderes partidários a partir da realização de eleições directas já adoptado pelo PS e pelo CDS e que agora Marques Mendes quer ver aprovado no PSD. Mesquita conclui que esta mudança aumenta a influência mediática, sobretudo da televisão, dentro dos partidos fazendo com que as campanhas internas percam influência para a eleição dos dirigentes e em particular do secretário geral. Trata-se de substituir um processo de eleição mediadas pelos representantes eleitos no partido por um outro em que a influência dos actores políticos e mediáticos externos será muito sensível.
Rui Namorado que apresenta um conjunto de propostas para retirar "o PS do seu labirinto" pretende dar relevância "ao Congresso Nacional como alavanca de renovação, libertando-se da hipoteca das pequenas quintas partidárias, dirigida a perpetuar no plano concelhio e distrital o domínio dos pequenos poderes que atrofiam o PS".
Ora como salienta Mário Murteira a eleição directa minimiza a importância dos Congressos, conferindo aos eleitos uma segunda legitimidade que é obtida fora das paredes partidárias. Contrariamente ao que Rui Namorado gostaria os militantes partidários, dos partidos que adoptam as directas, contam cada vez menos para a definição da vida ...partidária pelo que não se pode em rigôr esperar que contem alguma coisa para a definição da vida do país.

"(...) O que me apaixona não é o exercício do poder, é apenas a ambição de deixar um país melhor."
José Sócrates, primeiro-ministro. Expresso, 04-03-06

Por este projecto de arquitectura os irmãos Mateus ganharam o prémio AICA -Associação Intrernacional de Críticos de Arte do ano de 2005. A associação distingue artistas que tenham tido uma obra importante no ano anterior, embora o prémio seja pelo percurso. No caso dos irmãos Mateus a obra do ano anterior foi o Centro de Artes de Sines.
Relativamente aos arquitectos, Ana Tostões, conhecida crítica de arquitectura, afirmou, Público de 22.02.06, que o Centro de Artes é exemplo de "uma arquitectura que procura provocar alguma emoção." Na sinopse sobre a obra dos arquitectos a jornalista Vanessa Rato escreve que "o Centro de Artes é uma construção fechada sobre si mesma, com jogos de escala tão extremos como salas amplas de tectos rebaixados ao limite e pés-direitos altíssimos em naves estreitas ... propostas inesperadas para zonas expositivas, cuja concepção normalmente procura interferir o mínimo na leitura das obras a mostrar."
Se alguém não entendeu pode perguntar.

Sérgio Pelágio, músico que recentemente participou num espectáculo no Centro de Artes, dá a sua opinião sobre o Auditório e sobre aspectos relacionados com a sua concepção (hoje nas "Cartas ao Director" do jornal Público). Cito: "(...) O problema está na concepção do auditório, que revela um total desconhecimento do que é uma sala de espectáculos e uma enorme falta de respeito por quem tem de trabalhar naquele palco e também para com o público (...). "
Esclarecedor.

... pelo que não serão objecto de quebra do sígilo bancário. "Estes" são aqueles cujo "Montante das dívidas fiscais atinge o valor de 17 mil milhões de euros" Não pagam juros de mora, nem juros compensatórios nem coimas nem toda aquela panóplia de instrumentos que as Finanças utilizam para sacar cada vez mais dinheiro aos mesmos.
Esta verba associada aos impostos que a Banca não paga, às mais-valias dos grandes negócios da energia e do imobiliário que não são tributadas, àquilo que se vai entretanto sabendo, dá uma ideia clara de como podíamos ser um país mais próspero, mais justo e mais solidário.
Falta a vontade política.


"Narciso Miranda posiciona-se para a distrital do PS-Porto." Título de notícia do Público de hoje. Palavras para quê?

Artigo de opinião de Acácio Barradas, hoje no Público (indisponível online salvo com assinatura).
Contraponto ao Editorial de Paulo Ferreira do dia 21/02/2006, noqual eram feitas considerações sobre a independência do presidente do sindicato dos jornalistas, Alfredo Maia, por ele ter integrado listas de candidatos da CDU. Isso e não só.

Garcia Pereira criticou a política de pessoal da Sonae, acusando a empresa de apostar em trabalhadores jovens muito mal pagos. hiperexplorados e com uma elevada precaridade de emprego. Alertou para os perigos que correm os trabalhadores da PT. Estas declarações forma escutadas na RTP ontem à noite. Não estão transcritas tanto quando pude constatar nos jornais da manhã.
É raro aparecer alguém com coragem para criticar aSonae e o empresário nortenho.

é o tema do editorial de António José Teixeira hoje no DN. O jornalista reflecte sobre a coesão nacional a partir das recentes iniciativas de encerrar escolas e de encerrar centros de saúde, tomadas por este Governo. Confronta os dois lados do problema: os que defendem uma solução política como a regionalização capaz de, atribuindo poder político às regiões, equilibrar a distriuição de recursos e aqueles que funcionam exclusivamente numa lógica de racionalidade económica. Os argumentos favoráveis às iniciativas do Governo neste domínio - fecho de escolas no interior - fundam-se neste segundo nível de argumentação.
Mas António José Teixeira coloca a questão fundamental: "O Estado não pode virar as costas a metade do seu território. A racionalidade económica pode e deve compatibilizar-se com a coesão nacional. E a distribuição dos serviços públicos pelo território tem de ser discutida com mais transparência, o que o Governo não tem feito."
Essa é que é a questão nuclear.

Quem dá a notícia é o DN que explica as razões que estiveram na base da decisão do juíz. O jornal adianta que "o processo corre o risco de ser arquivado". Atendendo às circunstâncias o risco é neste caso garantido. Isaltino pode continuar tranquilamente a gerir a Câmara de Oeiras.

É o que oferece este concurso lançado pelo Chá Príncipe.

É óbvio que neste contexto, chamemos-lhe assim, estão criadas as condições para que o Estudo de Impacto Ambiental(EIA) seja uma mera formalidade. Aposto que terá um capítulo dedicado à qualidade do ar que rezará assim : "Do ponto de vista da poluição atmosférica e da qualidade do ar a análise dos dados das estações de medição existentes na zona (Monte Chãos, Sonega e Monte Velho) não revelaram a existência de valores de concentrações dos poluentes dióxido de enxofre (SO2) e óxidos de azoto (NOx) superiores aos parâmetros estabelecidos na legislação aplicável."
O EIA podia aliás ser substituído por uma declaração conjunta de Manuel Coelho e Nunes Correia a validarem a excelência ambiental no concelho.

Foi hoje apresentada na Câmara de Sines, pela empresa projectista, o projecto da refinaria de Patrick Monteiro de Barros. Esta reunião foi a primeira que contou com a participão de todo o executivo. As outras reuniões foram conversações particulares entre Patrick Monteiro de Barros e o autarca comunista, grande defensor deste projecto qualificador do ambiente e do desenvolvimento do concelho na sua lamentável opinião.
Curioso é que na reunião da Assembleia Municipal da passada sexta-feira, questionado por um deputado municipal, o Presidente da Câmara tenha dado a a entender que estava tudo em stand-by e que o senhor Patrick agora até estava mais virado para o nuclear. Curioso e triste um autarca mentir aos seus pares. Manobras de diversão do autarca comunista para permitir ao processo andar sem contestação.

Marques Mendes tem tido intervenções, enquanto lider do PSD, que merecem aplauso generalizado. Refiro-me às corajosas posições sobre alguns candidatos autárquicos. Trocou então, o que é raro, vitórias certas por derrotas mais do que seguras. O discurso grotesco de Valentim Loureiro na noite eleitoral dá bem a dimensão da corajosa atitude do líder do PSD.
Mas tem tido outras atitudes deploráveis. Contribuíu de forma significativa, embora o PS não se tenha imprtado muito, para arrastar a limitação de mandatos dos autarcas para 2013. Uma medida que é pior do que o somatório de todas a boas que possa tomar.
Vem agora declarar que a reforma do sistema político pode esperar. Faltou-lhe declarar que pode esperar eternamente, de acordo com a sua vontade. Marques Mendes com atitudes destas dá de si uma imagem de pequeno homem político e ajuda a degradar a democracia. É pena.


 

Pedra do Homem, 2007



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