"Depois de meses e meses de chuva cerrada, a Primavera, com uma persistência vegetal, secreta, conseguira vencer o manto húmido que pesava sobre a cidade. Nas últimas semanas, o ar estava ligeiro, aliviado, e era a Primavera, finalmente a Primavera, tal como ela costumava chegar a Lisboa depois de muitas hesitações e de muito trabalho para vencer as nuvens da costa.
As pessoas mal dão por isso. Um belo dia sentem necessidade de olhar o céu, vêem azul, um azul fino, alegre, e dizem: "Já sei". Depois descobrem as pombas do Rossio e as colinas pousadas diante do rio, cobertas de uma luz macia, feminina; descobrem uma nova expressão no andar das mulheres e um novo perfume - nelas e na cidade. E todos regressam mais tarde aos autocarros e a casa. É isso a Primavera: um novo sentido no olhar, uma nova velocidade. "Já sei", dizem as pessoas."
José Cardoso Pires, in Lavagante, 2008
Etiquetas: livros
Raúl Castro autoriza cubanos a frequentar hotéis para estrangeiros . O mano Castro parece ser um ditador do tipo novo, sensível às evoluções tecnológicas. Depois daquilo que ficou conhecido como o momento "Valentim Loureiro" da revolução, com a liberalização do acesso das massas aos telemóveis, aos televisores, aos microondas - até aqui proibidos certamente porque o regime não tinha certezas sobre a natureza política das ditas ondas - aos leitores de DVD, são os hóteis que passam a permitir o acesso dos cubanos e das cubanas, naturalmente. Esta medida terá consequências importantes sobre o turismo ja que evitará aos turistas mais comodistas o incómodo de saírem dos hoteis. Haverá um aumento da produtividade no sector específico do turismo de alcova. Julgo ser, aliás, neste contexto que se pode falar, a este propósito, numa maior abertura ao exterior.
Etiquetas: Política.Liberdade.
No teu Poema; será que mereces um poema assim? Portugal, eterno país-verso " em branco à espera do futuro"
Posted by MJB at 3/31/2008 12:54:00 a.m.No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida.
No teu poema
Existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E aberta, uma varanda para o Mundo.
Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da Senhora da Agonia
E o cansaço do corpo que adormece em cama fria.
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva, a luta de quem cai ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonos inquietos de quem falha.
No teu poema
Existe um cantochão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano.
Existe a noite
O canto em vozes juntas, vozes certas
Canção de uma só letra e um só destino a embarcar
O cais da nova nau das descobertas.
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco, ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo mais que ainda me escapa
E um verso em branco à espera... do futuro.
Letra e música de JOSÉ LUÍS TINOCO, 1976
Percebo a indignação dos socialistas madeirenses mas julgo que as palavras de Jaime Gama não podem surpreender ninguém razoavelmente informado. Jaime Gama é o tipo de político capaz de achar que Alberto João Jardim é " um exemplo supremo na vida democrática e do que é um combate político combativo" e capaz de lhe prestar as mais sinceras homenagens.
Para Gama o que interessa são os resultados e a obra. E, para ele, Alberto João é "o rosto e o nome" dessa obra que tanto o entusiasma. Logo....
Querem que Gama se recorde dos rostos dos anónimos socialistas que ao longo de 30 anos lutaram para que a democracia na Madeira fosse algo mais próximo dos padrões considerados normais? Quem são esses, perguntará o dirigente socialista. Que obra fizeram?
Julgo que jaime Gama é sincero nos seus elogios. Julgo também que desde que não seja alguém que se destaque pelas suas ideias e políticas de esquerda qualquer um se pode candidatar aos elogios do dirigente socialista.
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O barómetro político da Marktest não deixa grandes margens para dúvidas. O PSD tende para os 30% de intenções de voto, enquanto o PS, a recuperar eleitores no último mês, ainda se mantêm longe dos 40%, ele que durante anos se situou à volta dos 45% de intenções de voto. Recorde-se que em 2005 o PS obteve 45,05% dos votos.
Nos restantes partidos, enquanto o PCP mantêm o terceiro lugar e um resultado acima dos 12% o BE ultrapassa os 10%. O CDS vitimado pela errática liderança de Portas e pelas revelações públicas dos escândalos que protagonizou encolhe militantemente dentro do táxi.
Menezes pode mudar de opinião todas as semanas, dizer e desdizer-se, que parece claro que os que acreditam neste PSD tendem a diminuir. À esquerda do PS o conjunto das intenções de voto situa-se acima dos 20% mas parece estar próximo o limite superior de crescimento. O PS, indexado ao Governo, não consegue voltar aos tempos da maioria absoluta ou quase. O tempo das maiorias absolutas estará a esgotar-se?
Adenda: Com a emagrecimento da direita e o afastamento do PS relativamente aos números da maioria absoluta pode perguntar-se onde perde o PS votos e a maioria absoluta?
Parece claro que o PS da maioria absoluta de 2005 é pposto em causa sobretudo pela sua esquerda. Os cerca de 7% que desistem de votar no PS equivalem no essencial aos cerca de 9% que PC e BE crescem em conjunto. Será que com as medidas de última hora do Governo, Sócrates consegue inverter esta tendência ou o PS terá que negociar depois de 2009 uma maioria de base parlamentar? Quem nos dera que assim fosse, digo eu, na expectativa de que ela só seja viável se negociada à esquerda. É que para pior já basta assim.
Etiquetas: Política.
José Mourinho está em Milão para negociar com o Inter
Se te pedirem para ires à SIC Notícias explicar aquele brilharete do défice com o engenheiro, não vás, pá. Olha que ele anda por aí.
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Sócrates apostou no controlo do défice e para isso esqueceu uma sua promessa eleitoral. Foi eleito prometendo que não repetia a receita de Durão/Manuela de dominuir o défice recorrendo a aumento de impostos e receitas extraordinárias. Recorreu ao aumento de impostos porque o défice era maior do que o previsto, justificou-se. Agora fala da excelência do desempenho - poucas ou nenhumas palavras para as vítimas, reais, concretas, da opção política tomada - das finanças públicas e critica asperamente todos os que lhe apontam a necessidade de tributar a banca e as grandes fortunas, que têm um fraco por offshores. Vinte e três mil milhões de euros em offshores, só a receita fiscal perdida daria um superavit de dois por cento, e o primeiro-ministro a assobiar para o lado ea fingir que não se passa nada. Porque será?
Etiquetas: Política.Défice
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"Não poderíamos continuar a encapotar projectos imobiliários sob a designação de empreendimentos turísticos" disse Bernardo Trindade, Secretário de Estado do Turismo, em entrevista ao Público Imobiliário de ontem, a propósito do Plano Estratégico Nacional do Turismo e da separação entre actividade turística e imobiliária.
Não podiam continuar mas levaram anos a encapotar com uma grande eficácia e a gerarem mais-valias urbanísticas colossais para proveito de alguns poucos. De tal forma que mais de 50% dos projectos PIN são originários do sector do Turismo. Ou não fosse Portugal um país de .. turistas. Se lhes tiram a papa do imobiliário a coisa vai esmorecer.
Etiquetas: Mais-Valias urbanísticas
Sócrates baixou a taxa do IVA de 21 para 20%. Baixou porque a redução do défice suplanta as melhores expectativas do Governo e cria uma folga orçamental que lhe permite diminuir a pressão fiscal e por essa via tentar relançar a actividade económica. Até aqui tudo bem. O que agora se faz não apaga o erro tremendo do que se fez em 2005 e as tremendas consequências para cenenas d emilhares de cidadãos. Mas, em boa verdade, não se pode criticar o aumento do IVA em 2005 e criticar a sua descida em 2008. Pelos vistos o PSD pode. Patinha Antão, quem poderia ser, é o autor da mais descarada crítica a esta medida do Governo. Porque - convicto que está que Durão Barroso e Santana Lopes nunca existiram, nem os Governos que lideraram - entende que o aumento do IVA pelo PS se traduziu em perdas dramáticas do poder de compra das famílias, dos pensionistas e dos idosos e que Sócrates devolve agora aquilo que antes tirara. Caso para concluir - será que Patinha Antão nos acompanha? - que já leva uma vantagem sobre o PSD: é que no caso dos sociais-democratas nem o IVA baixou nem o défice que, pelo contrário, subiu, subiu...
A oposição desvalorizou a medida lembrando que já a tinham proposto. Mas, quem governa é o governo e, para esta e outras questões concretas, não adianta muito o facto de o PCP ter proposto esta medida ... seis meses antes. Por isso julgo que aquilo que é mais sensato é discutir como é que esta decisão se vai reflectir nos preços. Sou dos que pensam que não se vai reflecir já que existe a cultura da captura destas diminuições não pelos consumidores mas pelos prestadores de serviços, vidé o caso recentes dos Ginásios. Aqui o Governo tem que dizer de forma clara aquilo que vai fazer para que o espírito da redução seja cumprido. Talvez a ASAE possa ser mobilizada para impedir veleidades, embora a forte ASAE pareça fraca com este tipo de delinquência.
A proposta mais sensata do lado da oposição veio de Francisco Louçã que defendeu a manutenção do IVA em 21% com o Governo a distribuir os 500 milhões de euros, resultantes do tal 1% de redução, pelos cerca de um milhão e oitocentos mil portugueses que dispõem de menos de 400 euros por mês. Além da justiça da medida com a poupança objectivamente canalizada para os mais carenciados e os que mais sofreram com as medidas de aumento dos impostos - contrariamente às declarações de Van Zeller não pagámos todos uma factura semelhante com o aumento dos impostos e a obsessão pelo combate ao défice - este acéscimo do rendimento disponível nestes casos é, por razões óbvias, inteiramente canalizado para o consumo, entrando dessa forma pela totalidade na actividade económica. Mas o Governo, disse-o Sócrates, no último debate parlamentar quando Louçã lhe fez esta proposta, não vai por aí. Mas devia.
Etiquetas: Política.Défice
As declarações do inenarrável Valter Lemos, esse expoente máximo do socialismo democrático na área da Educação, sobre a origem da violência no interior das escolas são de bradar aos céus. Para o eminente membro do governo o que interessa é a origem do problema e sobre isso ele não tem dúvidas: ela é exterior ao sistema que, com tanto amor e carinho, tem ajudado a (des)formatar nos últimos tristes anos. Assim sendo, dizendo isto, ele esclarece alto e bom som que nada vai fazer para permitir restituir à escola pública a dignidade perdida. Ou melhor , diz que vai apoiar na "contratação de monitores e mediadores para apoio aos docentes “para tentar obviar dentro aquilo que é a importação de fora". Não podia deixar de ser: Valter Lemos resolve. Como? "Apoiando" os professores. Será que ele está a pretender dizer que o problema está outra vez nos professores que levam porrada dos alunos porque não são capazes de "obviar dentro daquilo que é a importação de fora"?
Claro que nunca lhe passou pela cabeça que a atitude da aluna só podia conduzir a um único resultado decente: a determinação pelo Ministério da abertura de um processo disciplinar sumário tendente à sua expulsão da escola. Com a perda do ano lectivo e com a utilização do tempo disponível para ser tratada por quem a possa ajudar a recuperar o equilíbrio e a adquirir o mínimo de educação.
Um assunto desta gravidade merecia num país normal uma declaração do primeiro-ministro mas esse anda completamente absorvido pelos sucessivos anúncios dos seus próprios feitos passados e futuros para se poder preocupar com ninharias.
PS - de onde virá Valter Lemos?
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Correio dos leitores: "PONTE CHELAS-BARREIRO O FIM DO PORTO DE LISBOA"
Posted by JCG at 3/26/2008 01:52:00 p.m.
"A decisão do Governo de solicitar um estudo ao LNEC, sobre qual a opção a tomar numa nova travessia do Tejo, (julgo sem se ter determinado qual o tipo de transporte que a irá utilizar) parece ter congregado a satisfação de todos os sectores da sociedade cível que possam ser afectados por essa nova e grandiosa obra pública.
Mas as minhas preocupações continuam a avolumar-se pelo facto de estar a assistir a contínuos debates públicos sobre o tema, em que os seus interventores opinam sobre as mais diversas escolhas para um novo local, sem nelas haver a mais pequena referência às actividades marítimas e aéreas que se servem do espelho de água que o estuário de rio Tejo proporciona, e das quais resultou, o grande porto de Lisboa, uma das maiores riquezas deste País.
Não vejo marinheiros, responsáveis portuários, pilotos da barra e rio, a nossa Armada ( a Defesa Nacional), armadores, carregadores, agentes de navegação, etc. principais interessados e responsáveis pelo assunto ( uma nova ponte sobre o Tejo) discutir tão importante questão para o nosso futuro.
Portugal consolidou-se como País em 1147 com a tomada de Lisboa aos mouros por via do auxílio dado pela grande esquadra cruzada (cerca de 200 navios) a D. Afonso Henriques graças ao estuário do Tejo permitir a entrada, abrigo e posicionamento de tão grande frota naval, até então nunca vista.
Foi mais uma vez o estuário do Tejo que permitiu a expansão marítima dos portugueses por todo o mundo com nova constituição duma numerosa frota naval que deu inicio a essa saga com a tomada de Ceuta e 1415.
De novo o estuário do Tejo permitiu que a 29 de Novembro de 1807 uma grande frota naval recolhesse toda a corte e as elites politicas e intelectuais nacionais e evitasse a sua eliminação (como Napoleão o proclamara) deslocando-se para o Brasil, a permitir não só que Portugal continuasse como nação livre mas também se implementasse os géneses do nascimento daquela nobre e grande nação irmã.
E será sempre o estuário do Tejo, enquanto pilar e suporte marítimo o garante da soberania portuguesa a qual se extinguirá quando a importância marítima de Lisboa se apagar.
É que se tem discutido tudo sobre tabuleiros, rodo ou ferroviários, número de vias férreas, locais de penetração nas margens, número de viaturas a passar, povoações que se beneficiam ou não, etc. etc., e não tem havido a mínima preocupação, ou a mais pequena referência, sobe o que vai acontecer, ou como vai afectar, ao futuro do porto de Lisboa e suas actividades marítimas, quando se colocar sobre o Mar da Palha mais uma ponte.
Como tenho vindo a expor em todas as minhas intervenções sou contra mais qualquer ponte no estuário do Tejo a jusante da ponte Vasco da Gama, pelas razões que a minha experiência profissional ditam.
Minha opção em novas travessias é por via de Túnel. Opção que está a ser seguida na maior parte dos locais onde uma ponte afecte a navegação marítima; veja-se incluso o caso da travessia do Kattegat (Dinamarca-Suécia) em que a ponte aí construída, a meio do canal passa a túnel, para libertar a navegação.
Aliás não compreendo com é que se procura, com carácter de seriedade politica, definir um tão grande investimento, constituído não só pela nova travessia como pelo tremendo emaranhado de redes de transporte para a região de Lisboa sem haver previamente um PLANO DIRECTOR DE TRANSPORTES DA ÁREA METROPOLITANA DE LISBOA , no qual se foque os transportes terrestres, aéreos e marítimos que lhe vão servir.
Plano esse que deverá ter em conta:
(a)-Todas as infra-estruturas de transporte nacionais e trans-europeus que afectem o porto de Lisboa.
(b)-A política legal (legislação) dos transporte nacionais e da Comunidade Europeia.
(c)-O futuro do porto de Lisboa face à navegação de longo curso e de “short sea service” (auto-estradas marítimas europeias).
(d)-O enquadramento do transporte marítimo no sistema de transporte rodoviário, ferroviário e aéreo tendo em conta, primeiro, o alargamento do canal de Panamá em 2014, aliás alargamento que foi debatido pela sociedade civil deste País e sujeito a referendo nacional. O que irá permitir a passagem da nova geração de gigantes navios porta-contentores do Pacifico sobre Europa (Portugal em face) e dos grandes paquetes de cruzeiro com maciço número de passageiros provenientes da costa ocidental das USA o maior potencial deste turismo para a Europa; segundo, a passagem das bitolas ibéricas, em Espanha, de 1668 mm para 1435 mm em 2020 e finalmente o túnel de ligação África-Europa, em Gibraltar, possivelmente na mesma data, com os porto de Marrocos já em grande avanço para enfrentarem esta nova revolução dos transportes ( a duplicação do movimento de contentores na próxima década.)
(e)-A mobilidade urbana e sua qualidade de vida.
Factos estes, a somar às pressões ambientais que irão determinar qual o transporte de longa distância que irá ser excluído, e dar aos portos portugueses, em especial Lisboa, um impacto tremendo que será nulo se o porto de Lisboa perder capacidade de se apetrechar e modernizar para tal.
Pessoalmente sou contra mais pontes no estuário do Tejo, em especial a sul da ponte Vasco da Gama. Dou preferência aos túneis
Então uma ponte CHELAS-BARREIRO será a maior catástrofe para o futuro do porto de Lisboa:
(a)-Acabará com a possibilidade do Mar da Palha ser um amplo fundeadouro, com capacidade para fundear ou manobrar uma esquadra ou um comboio de largas dezenas de navios mercantes. Quem nos garante que no futuro tal não será imperioso? Quem nos garante que a humanidade não irá sofrer um impacto, para não dizer um afrontamento, ocidente-oriente? Quem nos garante que tal situação não nos vai obrigar a ter um espelho de água para tais operações navais para nos abastecer e permitir sobreviver?
Além do que tantas dezenas de pilares para o suporte da ponte irão levar ao estuário do Tejo um tremendo assoreamento, similar ao que está a acontecer em volta do pilares da Vasco da Gama.
Nós próprios aquando nos anos 50 fomos responsáveis pelo terminal petrolífero do Cabo Ruivo e pela manutenção das dragagens do então construído canal de acesso a seus cais, ao longo de Xabregas, verificámos como as poitas ( blocos de cimento) suportes das próprias bóias sinalizadores desse canal, eram causadoras de grande assoreamento de lodos em sua volta, obrigando as dragas holandesas – então contratadas pela SOPONATA - a proceder a uma dragagem constante do canal.
Imagine-se que consequências terão para os fundos do rio os pilares duma ponte CHELAS-BARREIRO. O Instituto Hidrográfico foi ouvido sobre tal?
A própria Marinha de Guerra retirou nesses anos as bóias do então chamado “quadro de amarração” dos seus navios quando surtos ao largo do Tejo, por serem elementos perturbadores das manobras dos navios no estuário. E agora assenta-se nele uma ponte?
(b) Acabará com muitas das operações aeronáuticas na base do Montijo visto ficar a poucas centenas de metros das suas pistas, e muito especialmente com as operações de hidroaviões que tem no Mar da Palha o único espelho de águas calmas capacitado para amaragens; no momento actual não só a hidros de actividades nos combates a fogos ou de segurança, fiscalização e salvamento marítimo como a possível grandes naves de transporte de carga e passageiros (em estudo a sua reutilização com os americanos a rebuscar nos “baús” os planos dos grandes hidros de Howard Hughes) tendo em consideração que as grandes aeronaves e projectos e a entrar no mercado estão a necessitar de pistas de 4 e 5 mil metros, com terrenos livres e em condições para elas difíceis de encontrar.
Tal com o há anos aconteceu aos paquetes – deitaram-nos fora e hoje nunca houve tantos e tão grandes paquetes sulcando os mares.
Com a ponte CHELAS-BARREIRO acabam os hidro-aviões no TEJO, incluso os militares. Que diz o Ministério da Defesa sobre isto?
( c)- Originará uma redução das actividades da navegação marítima para o Barreiro, Montijo, Lavradio, Moita e Rosário, locais que não mais poderão ser desenvolvidos para movimentação de cargas marítimas por via de navios de médio e grande porte, em especial o Barreiro local de terminal de comboios que possibilitaria uma larga distribuição ferroviária de contentores.
(d)- Originará uma redução das actividades da navegação marítima nos cais de Xabregas, Beato e Stª Apolónia. Em especial neste aquando das operações com atracação de grandes navios às enchentes – que obrigará a um larga ida a norte com necessidade de segurança duma distância entre 700 e 1000 metros ( comprimento do navio mais comprimento da amarra, e garra até unhar erro, em caso de necessidade de fundear. Nós se comandássemos um navio nessas condições não o faríamos e duvidamos que alguma comandante o fizesse sem abdicar a segurança.
(e)- Originará uma redução das actividades desportivas ( moto-náutica, vela e embarcações tradicionais, etc. que tem no Mar da Palha o único espaço para tal.
(d)- E finalmente dará um golpe destruidor na maravilhosa paisagem que o maior espelho de água dá a uma capital europeia.
As belas vistas dadas por tão vasta superfície de águas calmas que os habitantes de Lisboa desfrutam do alto de St.ª Catarina, do alto do Carmo, de S. Pedro de Alcântara, do Castelo, de Stª Luzia, da Graça e de muitos outros, será um rude e irremediável corte na sua visibilidade ambiental, única na Europa. Só rivalizável com Istambul ( mas esta não é capital) e com algo de similar em Oslo e Estocolmo mas de beleza ambiental muito inferior.
Por todas estas questões que vos apresento, vos digo que a ponte CHELAS-BARREIRO será a morte do porto de Lisboa (face às grandes mudanças que o sector de transporte marítimo implícita e que obrigará a grandes desenvolvimentos portuários – lembro que ainda não há um verdadeiro terminal de contentores no porto mas somente cais adaptados a tal e com grave prejuízo doutras actividades - e não só a morte do porto de Lisboa mas talvez o futuro do País como nação independente.
Faço votos por estar errado."
Joaquim Ferreira da Silva
Capitão da Marinha Mercante/Membro da Secção de Transporte da Sociedade de Geografia/Membro da Academia de Marinha/Presidente da Fundation TECNOUB-Tarragona.
Etiquetas: Cidades e Portos
O Público reforçou a ligação com os blogues em particular com aqueles que comentam as notícias da sua edição online. Uma boa notícia e o reconhecimento por parte do jornal da impôrtância da blogosfera. Inicia-se assim uma relação que se espera que seja frutuosa para todos em particular para a formação de uma opinião pública mais informada e mais participativa.
O Público está de parabéns e mostra que continua, apesar das críticas a que nos tem obrigado noutras ocasiões, um passo à frente de tudo o que se faz na imprensa portuguesa.
PS - O não acesso aos artigos de opinião online é uma chatice. Quem quer fazer os links para os blogues tem que estar a escrever os textos e isso pode ser razão para não o fazer tantas vezes quanto o desejado. Depois há um aspecto que julgo que se ignora sistematicamente: quem compra um jornal todas as manhãs fá-lo mesmo que possa aceder à edição impressa online. As razões - e os prazeres - que o determinam são de uma natureza estranha à dimensão económica da coisa.
Etiquetas: Jornais.
Hoje no Público, Caderno Local, sobre a situação na ETAR de Sines. A Autoridade para as Condições de Trabalho, através do seu responsável Carlos Graça, reconhece que "existem situações ilícitas graves, em termos de higiene e segurança, que poderão colocar em risco a segurança dos trabalhadores da ETAR".
Quando será que este conflito tem fim?
Etiquetas: Saúde Pública.
O Público de hoje, no Caderno Local, traz a notícia, da autoria da jornalista Ana Henriques, de que a EPUL adiou por um ano a entrega do primeiro programa da EPUL Jovem em Entrecampos. Por essa via 300 jovens - segundo os critérios definidos pela empresa, saliente-se - adiam por mais um ano o acesso às casas. Casas já acabadas e que, caso a EPUL fosse uma empresa normal com prácticas normais, permitiriam à empresa receber, num curto espaço de tempo, uma verba superior a 20 milhões de euros (o equivalente aos 40% que cada adquirinte terá que pagar no acto da escritura). Acresce a isto o facto de a empresa ter assumido em contrato o pagamento dos juros suportados pelos adquirintes entre a data da entrega eo dia da escritura de compra.
As perguntas são óbvias: que impossibilidade técnica existe capaz de impedir a EPUL de entregar 300 casas, receber mais de 20 milhões de euros e cumprir aquilo a que se comprometeu perante 300 pessoas ( 600 porque a segunda parte do programa tem mais de um ano de atraso)? A remoção dessa dificuldade técnica tem ou não um custo? E qual é o seu montante?
Que esclarecimentos têm António Costa e Sá Fernandes a dar sobre esta trapalhada?
Etiquetas: Política.Habitação
Ainda o veto de Cavaco sobre a transferência das zonas Ribeirinhas
Posted by JCG at 3/25/2008 12:40:00 a.m.Por falta de tempo não escrevi sobre este assunto. Tive apenas oportunidade de deixar um comentário aqui.
Mas este assunto mereceu neste blogue um grande destaque (como poderá verificar clicando na etiqueta abaixo). Começo por esclarecer que o veto do Presidente me agrada mais do que me desagrada. De facto as dúvidas que me assaltaram à data do anúncio do primeiro-ministro não diminuiram. Acho inaceitável que uma questão desta natureza seja decidida sem que os cidadãos tenham uma informação detalhada sobre os propósitos e a consequências. Sou defensor de que as autoridades municipais governem a totalidade do território, e em particular as zonas ribeirinhas, e, como sou adepto da regionalização, defendo que empresas como os portos devem ser geridas numa lógica regional. O planeamento municipal deve abranger todo o território municipal e o planeamento regional deve completá-lo. Mas isso não existe. Como não existe a limitação de mandatos. Como não existe o controlo democrático do exercício do poder executivo - e continuará a não existir com a reforma PS/PSD . Como não existe renovação dos quadros políticos autárquicos ou um ambiente favorável à alternância democrática ao nível local. Como não existe contratualização, transparência e uma separação firme entre urbanismo e corrupção ao nível municipal e o combate a esta última (tão próspera e tão viçosa). Penso que as zonas ribeirinhas são uma oportunidade para uma nova política das cidades com o espaço público democrático a ser o centro do desenvolvimento urbano. Mas quero ver para crer. Não acredito em Sócrates-Júdice-Costa mais do que em qualquer outro trio, com Santana-Carmona e outro Júdice ou o mesmo, por exemplo. Mas esta não é uma questão de crença ou de simpatia partidária. Quero saber o que pensa quem quer decidir sem mostrar o jogo. Suspeito que pensa pouco e que pensa mal. Por isso agradeço ao Presidente por ter travado este processo pouco transparente.
Etiquetas: Cidades e Portos
Etiquetas: Política.direitos humanos
Daniel Sampaio, na Pública deste domingo, a propósito de uma actividade legislativa marcada pelo execesso e pela ausência de sentido, na sua opinião. Esta análise apoia-se em dois factos recentes: o primeiro foi a célebre decisão socialista de proibir as tatuagens e os piercings; o outro foi a decisão do ME de estender o conceito de "escola a tempo inteiro" aos 5º e 6º anos de escolaridade.
Sobre o primeiro tema escreve Daniel Sampaio: "(...) O problema é que a simples ideia de legislar sobre o assunto revela dois aspectos, típicos de quem nos governa: em primeiro lugar, mostra a vontade de um controlo excessivo sobre a dimensão individual dos cidadãos; em segunda perspectiva, ilustra a pressa e a falta de estudo sobre o tema.(...) Impressiona verificar como o legislador demite os pais adolescentes de qualquer atitude de proibição dos adornos corporais em causa (...) O bom senso aconselharia uma campanha de informação sobre o assunto, dstinada a pais e adolescentes, que procurasse eclarecer qual o sentido desta abundância de "decoração corporal" que caracteriza o nosso tempo.(...)"
Sobre a segunda questão escreve Sampaio: "(...) A ideia de juntar pela tarde fora mais duas horas de "enriquecimento curricular", com a inclusão de mal definidas aprendizagens como a Área de Projecto, a Formação Cívica e o Estudo Acompanhado, revela uma concepção da escola que privilegia a substituição da família. A grande decisão do ME seria a de forçar os outros departamentos governamentais a adoptarem medidas de conciliação da vida profissional com a vida familiar, de modo a que pelo menos um encarregado de educação dispusesse de um horário flexível durante a infância das crianças a seu cargo, de forma a poder retirá-la mais cedo da escola! O ME ainda não compreendeu que não é com mais aulas que se aprende mais, é através de um ensinar diferente; um ensino que permita ao professor ter uma autoridade baseada na relação que estabeleceu ; e uma aprendizagem estruturada a partir do conhecimento das crianças de hoje, que crescem estimuladas por contextos diferentes da escola tradicional (...)"
Esta segunda parte do texto encerra quase que a base de um programa moderno, socialista, para a escola pública. Algo de que este Governo foge a sete pés. Talvez por isso Daniel Sampaio não costume participar nas missas das Novas Fronteiras. Pensa de mais.
Etiquetas: política
A chantagem que o PSD veio fazer relativamente ao péssimo projecto de lei eleitoral autárquica que cozinhou com o PS, é uma boa oportunidade para colocar um ponto final na referida lei. Emboa não seja claro que a lei contasse com o apoio de Belém esta oportunidade aparece como a única possibilidade efectiva de a "qualidade" da democracia não sofrer mais este upgrade.
Recorde-se que a posição chantagista do PSD baseia-se na defesa do direito de voto dos Presidentes de Junta nas reuniões das Assembleias Municipais. Quem defende um projecto sério para a reforma do sistema de eleição e de governo das autarquias sabe como é iníqua a participação dos presidentes de junta nas Assembleias Municipais por um conjunto de razões que já referi muitas vezes. Mas o PSD nestas matérias é de um oportunismo extremo. Cheira a Menezes e ao "menino guerreiro" que desta forma ganham mais um milhares de votos arregimentando o descontentamento dos presidentes de juntas. Não acredito que o PS mantenha a sua posição ele que defende hoje um projecto que é uma grosseira caricatura do que defendeu em 1993 e no anos seguintes.
Etiquetas: Politica. Poder Local
Etiquetas: poesia
Esta guerra baseada numa mentira ignóbil fez, até agora, mais de 600 mil mortos entre os Iraquianos. Percebe-se bem como é ignóbil a argumentação que justifica a guerra pela libertação dos iraquianos de um tirano que não hesitava em matar o seu próprio povo. A libertação a troco de 600 mil vitímas foi o que os americanos ofereceram até agora aos iraquianos. Libertação dos incomparáveis recursos petrolíferos do Iraque para mãos americanas entenda-se. Em troca têm hoje direito a 12 horas de electricidade por dia e muitos milhões direito a menos de 1 euros por dia. Os americanos foram ao Iraque recordar duas coisas: 1) os recursos dos paises em desenvolvimento e dos países sub-desenvolvidos são património das empresas americanas; 2) os habitantes dos países ricos em recursos não são cidadãos ricos ou remediados havendo mesmo uma probabilidade elevada de serem pobres ou paupérrimos.
Outro aspecto terrível desta guerra é a valorização que se faz dos 4 mil mortos americanos - no essencial soldados profissionais - por comparação com a pouca ou nenhuma importância que se dedica às 600 mil vitímas iraquianas. Quantos iraquianos vale um americano para estes novos cruzados da democracia?
Etiquetas: Iraque.
(fotografias de Remi Benali e Dennis Warren)
Será esta a estratégia defendida pelo vereador do urbanismo da câmara de Lisboa para "agilizar" a intervenção na Baixa-Chiado a julgar pelas notícias. Contrariamente à direita que defendia um modelo d egestão com capitais exclusivamente públicos Manuel Salgado e o PS querem os privados a comandarem. O Pano da Baixa-Chiado elaborado por Manuel Salgado às ordens de Maria José Nogueira Pinto e de Carmona Rodrigues era a vários títulos um plano péssimo e abria um precedente sobre um novo tipo de Planos, elaborado à revelia das regras de controlo democrático por um conjunto d eeminências pardas reunidas num "Comissariado" inatacável do alto do seu inalcansável estatuto.
Se a direita tivesse proposto a suspensão do PDM, nos tempos de Carmona ou noutros tempos, que diria a esquerda? Que diriam o PS o PCP e o BE?
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Para além da perplexidade maior de o GISA ser um Plano destinado a "implementar um sistema global de risco ambiental causado pelo impacto da poluição atmosférica na saúde pública, na região do Litoral Alentejano.(...)" que apenas estará em condições, supõe-se, de ser utilizado em 2011, e cujos promotores entenderam, por bem, desprezar a avaliação da situação actual, a famosa situação de partida, em termos da caracterização das alterações verificadas quer ao nível do tipo de doenças e da sua prevalência quer ao nível da mortalidade a elas associadas, o GISA reserva-nos outras perplexidades. Por exemplo a Tarefa 2 que trata da "Utilização de bioindicdores da poluição atmosférica para avaliar o seu impacto na saúde pública" tem como objectivo "demonstrar que os dados de biodiversidade dos bioindicadores podem ser usados para estimar o impacte da poluição atmosféricana saúde humana".
Mas estarão a brincar connosco? Então esse objectivo não era o do projecto SinesBioar que decorreu até 2004? Não ficou claro nesse estudo a situação de stress ambiental que os líquenes evidenciavam na zona de Sines e até o desaparecimento dos líquenes ele próprio um sinal e uma consequência da poluição industrial?
Podia-se esperar que neste projecto se concretizasse uma actuação de prevenção e de medição dos impactos baseada nos boindicadores mas ainda se está a pretender demonstrar a validade deste método. Estão a gozar connosco.
Etiquetas: Poluição.Saúde Pública.
Segundo proposta do vereador Manuel Salgado a Baixa Chiado terá 15000 habitantes em 2025. Trata-se de um acréscimo de 10000 relativamente aos actuais 5000. Fazendo as contas estamos perante um acréscimo de 588 habitantes por ano ao longo dos próximos 17 anos.
Esta miséria, justificada pelo vererador com a afirmação de que "a Baixa nunca será um bairro residencial", é mais do que a expressão de uma política a pública confissão da sua ausência.
Adenda: Por onde anda o acordo PS-BE relativamente ao famigerado número de fogos destinados à habitação a custos controlados? A Baixa Chiado é um território livre desse acordo? E quais são os destinatários desta oferta de habitação e quem a irá promover? Qual a parte da oferta privada e qual a da oferta pública?
A política pode-se fazer sem responder a estas questões e ainda ter a pretensão de ser diferente e melhor. Como se estabelecerá, então, a diferença entre as políticas e como se avaliará a sua qualidade?
Etiquetas: cidades
Será que já se pode responder a esta pergunta? Julgo que não e julgo também que caso a resposta fosse possível a resposta não poderia ser muito entusiástica. Julgo aliás que há um claro denominador comum no essencial da política urbanística do antes e do depois. Esse denominador comum é Manuel Salgado. Falo da política, que não mudou no essencial, e não da gestão que pode ser mais ou menos transparente mais ou menos sensível ou permeável à corrupção, mas sem por em causa os fundamentos políticos. São coisas diferentes como (não) se sabe.
As posições conhecidas sobre a Baixa e sobre os investimentos privados como motores do desenvolvimento urbano são paradigmáticos de uma filosofia política que é susceptível de ser defendida pela direita, mais à direita, mas que a esquerda, hoje maioritária na autarquia, não tem recusado em termos históricos. Daí as conhecidas simpatias e reconhecimentos de que o actual vereador do urbanismo gozava nos tempos em que os malandros da direita governavam a capital.
Vem isto a propósito de mais um Plano para Alcântara -Público de ontem - e das iniciativas do vereador do urbanismo no sentido de ser realizado um Plano de Urbanização custeado pela REFER. Depois do famigerado Alcântaras XXI que sevia para valorizar o património de alguns proprietários da zona, parece - Carmona se não tem razão anda lá perto - que desta vez é a valorização do património da REFER o que está em cima da mesa. Para isso faz-se um Plano de Urbanização e a REFER paga à equipa que fará o Plano. Falta saber se o pacote de ideias de Manuel Salgado inclui a ideia de quem a REFER deverá contratar para fazer o referido Plano.
O que não há dúvida é que este tipo de decisões, e este tipo de instrumentos urbanísticos, continuam a ser utilizados de forma mais ou menos casuística para resolver problemas pontuais mas sem estarem ao serviço de uma política da cidade coerente e com respostas eficazes para as necessidades dos seus cidadãos. Viva a continuidade.
Etiquetas: Urbanismo.
A empresa La Seda vai investir 400 milhões em Sines num projecto petroquímico que colocou o primeiro-ministro numa verdadeira excitação. Desde as referências à movida que La Seda ia trazer para Sines - embora os de Barcelona achem que isso da movida- uma coisa madrilena - não seja nada com eles - às referências à excelência do polo petroquímico que se está a construir em Sines, Sócrates não parou de filosofar.
No caso do La Seda anunciam-se 150 postos de trabalho directos e os apoios do Estado português - de todos nós, de você e eu também, como canta o tribalista Arnaldo Antunes - ascendem aos 96 milhões de euros. Cada posto de trabalho criado é financiado por nós a 640 000 euros a unidade.
Simultâneamente o Estado português comparticipa no GISA através da CCDR do Alentejo com 300 mil euros. Como se vê este modelo de desenvolvimento, que tanto entusiasma o nosso autarca, usa, apenas, dois pesos e duas medidas: do lado do desenvolvimento industrial, com uma paupérrima criação de emprego e uma igualmente paupérrima cascata empresarial e custos ambientais prpositadamente desvalorizados, milhões de euros de incentivos públicos; do lado da defesa da saúde das populações e da sua garantia, investimentos públicos de tostões.
Infelizmente com esta diferença de pesos a balança não se equilibra, com os direitos da industria a esmagarem os direitos das pessoas. Ora há quem diga que a democracia é o sistema em que os diferentes poderes e interesses se equilibram...
Etiquetas: Poluição.Saúde Pública.
Os anunciados investimentos da GALP em Sines - e em menor grau em Matosinhos - decorrem sob o signo dos 150. São 150 milhões de euros a comparticipação de todos nós, através do Estado, materializados em benefícios fiscais até ao montante de 15% do investimento. (Mais exactamente serão 159 milhões de euros de comparticipações). São 150 os postos de trabalho criados a fazer fé no comunicado do Concelho de Ministros. "(...)O investimento, que ascende a um montante total de cerca de 1059 milhões de euros, envolve a criação de 150 postos de trabalho(...)" Claro que depois vem o discurso da manutenção dos existentes e das dezenas de milhares de postos de trabalho indirectos criados. Mas a verdade é que todos nós vamos financiar com um milhão de euros cada um dos 150 postos de trabalho criados pela empresa. A comparticipação da empresa no GISA (Gestão Integrada da Saúde e do Ambiente no Litoral Alentejano) recorde-se, é de 150 mil euros, mil vezes menos do que aquilo que recebe de todos nós. Devemos todos fazer coro com o nosso autarca, tão agradecido com empresa tão magnânima?
Etiquetas: Poluição.Saúde Pública.
Etiquetas: Cultura
Hoje e amanhã, um moço de Armadouro, Pampilhosa da Serra, tem o Pavilhão Atlântico completamente esgotado à sua espera. Respect.
Sócrates assentou praça em Sines para anunciar investimentos de milhões. Empolgados pela propaganda um canal televisivo chegou a anunciar, na última terça-feira, que os novos investimentos da GALP iam permitir 35 000 postos de trabalho, depois corrigidos para 7500 directos e indirectos. Coisa à dimensão de um PIN+ , o primeiro PIN+ como referia orgulhoso o primeiro-ministro.
Modernidade, futuro, competitividade, estratégia são palavras matraqueadas nos últimos dias.
Num sector de capital intensivo, fortemente poluente, em que o investimento por posto de trabalho é brutal, choca ver a facilidade com que se impõe a propaganda mais despudorada.
Sócrates, ele que é pouco dado a divagações, afirmou mesmo que uma fábrica vai trazer a movida para Sines. Uma fábrica petroquímica, imagine-se. Que ideia terá o primeiro-ministro da movida?
O mesmo Sócrates, numa omissão reveladora, não fez qualquer referência ao Plano existente para controlar e garantir o respeito pela saúde pública e pelo direito dos cidadãos a viverem um ambiente saudável. Talvez tenha pensado como o outro que achava que quem está mal muda-se ou pura e simplesmente saiba muito bem que o Plano pura e simplesmente não existe.
Etiquetas: Poluição.Saúde Pública.
Na edição de Março do Le Monde diplomatique, edição portuguesa, publicam-se num dossier sob este título três textos da autoria de Carlos Carvalhas, Francisco Louçã e de José Reis. Todos os textos me pareceram muito interessantes mas é o texto de José Reis - economista e professor catedrático da universidade de Coimbra, militante do PS que já desempenhou funções governativas e foi deputado - que me suscita esta análise.
O texto de José Reis tem o sugestivo título de "O tempo dos regressos ao futuro: por um desenvolvimento inclusivo”. A pergunta para a qual José Reis procura uma resposta é a de saber se existe ou não uma política económica de esquerda para fazer face á crise actual? Para encontrar uma resposta o autor começa por revisitar os "factos característicos" que marcaram a trajectória de crescimento da economia nos últimos 50 anos. Esses factos característicos foram a industrialização dos anos sessenta, a emigração da mesma altura e a internacionalização da economia. Existe uma relação entre todas elas já que o "crescimento que então se verificou não foi capaz de gerar emprego, sendo um crescimento que desconsiderava o trabalho, o “desutilizava” e, portanto o rejeitava, enviando massivamente mão-de-obra para as economias em que crescimento, industrialização e expansão do mercado de trabalho iam a par”. José Reis recorre a esta lição do nosso passado recente para explicar a crise actual, que se traduz na incapacidade verificada depois de 2003 de manter o comportamento cíclico regular da nossa economia, identificando o autor três ciclos de crescimento separados por períodos de decrescimento.
O período da instauração da democracia (1976- 1984), o período da adesão à CEE ou do cavaquismo (1985-1993) e o período da entrada na UEM ou do guterrismo (1994-2003). A explicação para essa crise radica na utilização que se faz do factor trabalho, um uso em quantidade, em detrimento da busca de qualificação, da procura de criação de valor e da diferenciação. Um caminho que conduz ao aumento do desemprego e à escassa criação de valor internacional. José Reis acha que “existe de facto uma política económica de esquerda – a do desenvolvimento inclusivo – e que é possível definir-lhe os pilares”, mas reconhece que nos tempos que correm, perante a crise existente à pergunta “se estamos perante reformas ou perante um processo de desconstrucção social?” a resposta parece-lhe clara: “os tempos que correm são indistintos, sendo muito difícil perceber onde assentam as forças da economia e a vitalidade de processos sociais dinâmicos integradores. Parece-me também claro que não estamos – longe disso – perante uma perspectiva de desenvolvimento inclusivo. Pelo contrário, os processos de desconstrução social e política – a que frequentemente se chama reformas – são fortíssimos. Mas, ao contrário das reformas, são muito visíveis as formas de desfazer, não sendo nada evidentes as formas de fazer. Quer dizer, a fase essencial das reformas são o que elas contêm de elaboração, construção e difusão de um modelo social alternativo, assente em pilares positivos e inclusivos. Ora, é este aspecto que aparece altamente deficitário na actual política económica.”
Por fim o autor enumera os pilares que sustentarão uma política económica de esquerda. Em primeiro lugar “a reconstituição do valor do trabalho na economia – valor material mas também valor no quadro das relações sociais dinâmicas e não agressivas – é, porventura, o pilar essencial de uma política económica de esquerda. Tendo sido perdida a noção de que o trabalho é parte das organizações, e não apenas um factor usado por elas de forma discricionária, urge regressar a esta relação, nos termos exigidos pela nova economia do conhecimento.” Depois a “organização: organização empresarial, valores políticos e económicos que, em vez de apenas pensarem no valor “accionista” e na governação exclusivamente mercantil da produção, pensem também na cultura da empresa, na lealdade para com o trabalho, na valorização das capacidades, na redução da incerteza laboral”. Por fim o último pilar de uma política económica de esquerda é o da “valorização das capacidades e da criação das competências. As pessoas em primeiro lugar, é claro. Através da escola e da formação, sem dúvida. (…) É altura de regressar igualmente ao Estado e à Administração. (…) O Estado e a Administração pública são uma das mais poderosas fontes de organização, capacitação e liderança. Sabe-o, melhor que ninguém, o capital e os grandes interesses que usam selectivamente o Estado e a Administração como mais ninguém. (…) Parece-me necessário falar sem inibições da boa despesa pública, do necessário papel do Estado perante a “sociedade privada”, bem mais influente e tacanha que o próprio Estado nas suas piores facetas”.
A ler sem falta.
Etiquetas: Política Económica
A rua, ou melhor a manifestação que no passado dia 8 de Março encheu com cerca de 100 mil manifestantes as ruas de Lisboa, continua a fazer estragos. Agora é o historiador Rui Ramos, Público de hoje, que alerta para o facto de a rua não "ser um sítio para ter razão. Na rua não valem os argumentos, valem os números, vale a presença física." Rui Ramos acrescenta depois que " a rua, hoje, é um espectáculo tão fabricado como qualquer outra cerimónia do Estado. Não é a realidade. A realidade é a vida de um país, que se não cabe numa assembleia, ainda menos cabe numa rua." Não se compreende porque razão sentiu Rui Ramos necessidade de quantificar o número de manifestantes numa perspectiva minimalista (70.000) aquém dos valores avançados pela polícia (80.000) ou pelos sindicatos (100.000). Talvez porque a rua lhe pareça tanto mais irreal quanto maior for o número daqueles que a ela recorrem como lugar por excelência para se manifestarem. Reconheça-se no entanto que Rui Ramos tenta recorrer, por momentos, ao discurso dos que defendem a importância da rua e do espaço público nas sociedades democráticas, para melhor questionar a sua utilização. Por exemplo quando afirma que :"A rua das manifestações é um espaço privatizado ocupado e delimitado pelos "organizadores", onde não se ouvem outras vozes - é a negação do espaço público democrático, que é por definição aberto e plural(...)"
Contrariamente ao que Rui Ramos escreve o espaço público democrático, a rua na feliz expressão de Pavese "atravessar a rua para saír de casa", é tanto mais aberto e plural quanto consiga ser o lugar no qual se evidenciam, e no qual se resolvem, todos os problemas de injustiça social, económica e política existentes na sociedade democrática. Que sentido faz pretender recusar ao espaço público essa sua dimensão de lugar de relação e de expressão comunitária, de lugar da intimidade e da participação política, de lugar da revolta e do autogoverno, da inovação e da troca?
Lisboa, como aqui escrevi, cumpriu no dia 8 de Março o seu papel de cidade democrática, oferecendo as suas ruas para a livre expressão das liberdades individuais e colectivas. Uma das cidades mais guetizadas da Europa, uma das cidades com mais centros comerciais da Europa, esqueceu por alguns dias o discurso político dominante que transforma os cidadãos em consumidores e a vida urbana num mero produto imobiliário e fez tabua rasa da ideia nefasta da perigosidade do espaço público. É essa ideia que Rui Ramos vem agora pretender recuperar com falinhas mansas.
Etiquetas: Politica.Cidade
Etiquetas: Desporto.Manias
Vital Moreira acha que as manifestações que ocorreram nos últimos meses à porta de reuniões ou encontros de militantes do PS, evidencia o recurso "à técnica caracterizadamente leninista de enviar pequenos "comandos" para "flagelar" sedes e reuniões do PS com manifestações pseudo-espontâneas(...)" por parte do PCP.
Bom, quando se trata de falar do PCP, dos seus hábitos e prácticas políticas temos todos que reconhecer que Vital Moreira leva uma grande vantagem sobre a esmagadora maioria dos portugueses.
Etiquetas: Política. Leituras Criativas.
João Paulo Sousa, no Da Literatura, dá a palavra a uma professora para dizer com clareza das coisas o mais que elas são. Contra os disparates, a insensatez e a falta de sentido das proporções. Contra a agorafobia dominante.
Etiquetas: Política.Educação.
... a intervenção de José Sócrates, no Centro Cultural de Belém à saída de uma iniciativa política, a comentar a situação política pós-manifestação dos professores caracterizou-se pela falta de clareza, pela repetição sucessiva dos mesmos chavões, por um indisfarçável desconforto com a situação social existente, por uma tentativa de mostrar uma convicção inabalável que já não parece possuir.
Foi impressão minha ou a intervenção do primeiro-ministro arrastou-se muito para lá do razoável, transmitindo uma sensação de cansaço, de desgaste, de falta de convicção e de perspectiva do futuro? Foi impressão minha ou a declaração de apoio à actividade da ministra colocou como única saída possível para o fim da actividade de Maria de Lurdes Rodrigues como ministra uma conveniente "abdicação por motivos pessoais" tipo "Correia de Campos"?
Foi impressão minha ou a intervenção de Sócrates mostrou cansaço e fraqueza e uma imagem, não esperada apesar de tudo, de fim de ciclo?
Poucas coisas correm bem a este Governo e a este Primeiro-Ministro apesar dos inenarráveis Portas e Menezes.
Etiquetas: Política Nacional
alterações aos regulamentos do PSD "abrem porta à lavagem de dinheiro"
O PSD não quer cair de novo em situações de financiamento ilegal. Pelo menos não quer que essas situações sejam facilmente detectadas. Vaí daí lembraram-se das notitas e resolveram reintroduzir o pagamento com aquilo que o povo chama "el contado". Bem pode Rui Rio clamar que Menezes tem o aparelho do partido no bolso. Põe e dispõe.
Os que acham que Rui Rio é a única hipótese de Sócrates perder a maioria absoluta em 2009 bem podem esperar sentados. Menezes veio para ficar.
Etiquetas: Política.Transparência.
Não sei como dizer-te que a minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e vasta.
Não sei como dizer-te, quando longamente teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e estremeces como um pensamento chegado. Quando,
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crecida os homens entoam a vindima
- eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.
Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
e o coração é uma semente inventada
em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a casa ardesse pousada na noite.
- E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio tempo
- não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.
Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço –
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me faltam
um girassol, uma pedra, uma ave – qualquer
coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe
o amor,
que te procuram.
Herberto Helder, in A Colher na Boca
Etiquetas: poesia
Cerca de 100 mil professores a manifestarem-se contra a política educativa do Governo. Este é um resultado que o Governo tem que creditar à sua política. O Governo optou por diabolizar os professores e apostou na sua divisão, com a separação entre titulares e os outros, mas o resultado está à vista: os professores uniram-se como nunca tinha acontecido e vieram a Lisboa dizer BASTA.
Quando cerca de 2/3 de uma classe profissional se juntam para manifestar o seu descontentamento com uma dada política podemos admitir que os que discordam dessa política são muitos mais.
Etiquetas: Política.Educação
Lisboa é hoje, de pleno direito, a capital da democracia. Lisboa é hoje a Cidade: lugar da diversidade, da pluralidade, lugar do outro, do confronto, da manifestação, da luta política. Lisboa é hoje a capital dos direitos políticos, a casa comum de todos os portugueses: os que trabalham no sistema de ensino, os que se sentem solidários com eles e até mesmo daqueles que não concordam com a manifestação dos professores.
Etiquetas: Política.Cidade
The Jewish Bride , 1666, Rembrandt van Rijn, Rijksmuseum, AmsterdamEste blogue apoia a manifestação dos professores. Cá da família só se manifestam os professores. Os "acompanhantes" ficaram em casa e apoiam à distância através, por exemplo, deste post.
Os professores manifestam-se e muito bem contra um Governo que, se não tem uma política para a Educação, tem pelo menos um ódio de estimação aos professores. E, acrescente-se, um discurso populista, demagógico, oportunista, capaz de envergonhar a esquerda que ainda existisse no partido socialista. Um discurso corporizado com maestria por Valter Lemos e Jorge Pedreira esses dois expoentes do socialismo democrático. Aliás Valter Lemos, para muitos o ideólogo desta política, foi claro quando acusou os Governos de Guterres de terem atirado a educação para as ruas da amargura. Como é que Paulo Portas deixou perder um rapaz com estas qualidades?
Etiquetas: Política.Educação
este triste hábito de as polícias visitarem os sindicatos e os locais - as escolas neste caso - nos quais se estejam a organizar trabalhadores para manifestarem o seu desacordo com as políticas do Governo, parece que se está a entranhar nos costumes deste Governo.
Uma vez pode ser levada á laia de equívoco. Mas, quando a coisa começa a adquirir uma certa rotina, podemos ou não recear estar na presença de uma deriva autoritária potencialmente limitadora das liberdades?
Uma desgraça o facto de isto acontecer num governo do partido socialista, por sinal o primeiro com maioria absoluta.
Etiquetas: Democracia e Liberdade
A greve dos trabalhadores na ETAR de Sines não parece aproximar-se do seu final. As exigências dos trabalhadores - salários de 800 euros contra os 500 actuais e condições de segurança pessoal no trabalho - parecem de uma justiça elementar. A empresa e os trabalhadores não conseguem dialogar. Sendo a empresa uma concessionária do Ministério do Ambiente não existe possibilidade legal de pôr cobro a esta situação? A paragem da ETAR acarreta ou não riscos para a saúde pública, em particular pela contaminação das águas do mar? A paragem da ETAR acarreta ou não custos acrescidos para o ambiente já tão castigado nesta zona?
Porque razão o Governo através do Ministério do Ambiente nada diz sobre esta situação?
Os incidentes com a GNR não são aceitáveis. Porque será que existe sempre a tentação de usar a força quando o que está em causa é o direito à greve? Como acham que os trabalhadores devem reagir para defender os seus direitos? Alguém acha digno que se trabalhe por 500 euros e que nesse trabalho se contacte com substâncias de elevada toxicidade e extremamente cancerígenas?
Etiquetas: Poluição.Saúde Pública.
vontade de partir, de terras a perder de vista, que se alcançam no cumprir do caminho, vontade de ter espaço, de ter o sol como guia e caminhar, caminhar
Em Souselas foi possível entre 2004 e 2005 realizar um "Estudo epidemiológico sobre o Estado de saúde da população de Souselas e da Região de saúde do Centro". Este estudo não foi pago nem pela Petrogal, nem pela EDP, nem pela Repsol. Mas foi feito. Permitiu concluir que a população de Souselas tinha problemas específicos, consequência dos níveis de poluição a que estava sujeita. Este Estudo resultou de um protocolo de inverstigação entre a Administração Regional de Saúde do Centro, o Centro Regional de Saúde Pública do Centro e a Universidade de Coimbra.
Quem impede a realização de um estudo desta natureza na zona de Sines?
Etiquetas: Poluição.Saúde Pública.
Quando percebo a importância e o que se diz e discute interminavelmente nos programas televisivos tipo Prós e Contras, a forma como nos pensamos a seguir à asneira, a maneira como nos desculpamos, fico a pensar que Portugal parece um país que nunca chegará à maturidade, que permanece numa espécie de pré-adolescência.
Etiquetas: Portugal, sociedade portuguesa
A Câmara de Sines tem feito grande alarido à volta do GISA. Mas feitas as contas vai pagar apenas 21.000,00 €uros pela sua participação num projecto cujo custo se cifra em 1.182.660,00€. A importância do município de Sines mede-se pela participação de 1,77% nos custos globais do projecto.
Claro que quem paga o grosso da fatia são a Petrogal, a Repsol e a EDP. Mas estamos a falar de 150.000€ cada, uma tuta e meia para as responsabilidades destas empresas. Cada uma delas paga mais de sete vezes o montante da autarquia de Sines. Sem olhar para estes dados não conseguimos entender a alergia que o estudo manifesta relativamente à caracaterização da situação actual do ambiente e da saúde pública em Sines. Digamos que o Estudo não necessita de diagnosticar a realidade actual para a partir daí projectar o futuro. Muitos de nós entendem perfeitamente as razões desta alergia. O problema está em saber quem nos pode ajudar a impor uma caracterização e um conhecimento da situação existente!!!
Etiquetas: Poluição.Saúde Pública.
Não me canso de fazer referência ao trabalho de Anselm Kiefer talvez porque o seu trabalho esteja repleto de referências, de redes infinitas de representações que tão assertivamente nos revelam.
Deixo-vos esta torre-castelo-chaminé, este fumo-cabelo-vento onde a humana presença-ausente se revela dominadora, num explendor de cinza-betão-aço-loucura.
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O GISA é um projecto dito de "Gestão Integrada da Saúde e do Ambiente no Litoral Alentejano" que tem como principal objectivo "desenhar e implementar um sistema que permita a gestão global do risco ambiental causado, pelo impacte da pokluição atmosférica na saúde pública, na região do Litoral Alentejano e fornecerá às entidades responsáveis, ao nível regional, pelas áreas do ambiente e da saúde pública, uma ferramenta que permita constituir um sistema de informação de suporte à gestão da qualidade do ar e monitorizar e avaliar acções em curso".
Vai durar 36 meses pelo que deverá estar concluído em Dezembro de 2010.
Primeira questão: o GISA podia demorar 72 meses que, para os concelhos de Alcácer, Grândola ou Odemira, não viria daí mal ao mundo. Mas, para Sines convenhamos que são mais 36 meses para "desenhar e implementar um sistema" que permita (...)". Trinta e seis meses em Sines custam mais vidas do que em Alcácer ou Grândola, se pensarmos nas consequências da poluição existente.
Segunda questão: O GISA nada diz relativamente à caracterização da situação actual em termos de saúde pública. A realidade actual não interessa. Estamos virados para o futuro. Extraordinário. Na Região Centro, a propósito da situação em Souselas, foi feito um estudo, SaúdeCentro2005, que permitiu uma caracterização da prevalência de doenças e confirmar a situação do concelho de Souselas e dos seus habitantes. Recordem-se algumas conclusões :
"(...) Com base na análise de 24157 inquéritos a adultos concluiu-se, que a prevalência padronizada de doenças respiratórias é de 12,9% na população de Souselas ou seja mais do dobro da média destas doenças na Região Centro (5,8%).(...) Quanto à prevalência padronizada de doenças tumorais, Souselas tem mais do dobro da registada na Região Centro (6,1% para 2,8%)(...)" Como estamos em Sines? Muito bem, como dizem os construtores de mitos ou muito menos bem do que devíamos se houvesse respeito pelo ambiente e pela saúde pública? Em Sines a palavra é adiar, adiar enquanto se pode. Enquanto as pessoas não passarem a exigir na rua o respeito pela sua saúde e pelo ambiente. Agora está tudo adiado para 2010.
Etiquetas: Poluição.Saúde Pública.
O vice-presidente da CCDR, a propósito da assinatura do protocolo de cooperação do Projecto GISA, mostrou-se “convicto de que o projecto vai permitir desfazer alguns mitos sobre a poluição em Sines e na região".
Alguém que ainda tenha uma réstea de esperança na intervenção pública em defesa do direito das populações à saúde e ao ambiente fica, no mínimo, perplexo com as convicções do referido senhor, Jorge Honório de seu nome.
Seria expectável que o GISA visasse permitir, a curto prazo, melhorar a qualidade do ambiente e em consequência a qualidade de vida dos que aqui vivem. Pelos vistos visará desfazer alguns mitos. O vice-presidente não esclareceu quais, nem de quem.
Recorro a Barthes e à questão que colocou a si próprio no final do seu celebrado "Mitologias": "O que é um mito hoje?". A resposta veio clara: "o mito é uma fala".
Assim sendo e dado que "tudo o que é passível de um discurso pode ser um mito" talvez Jorge Honório queira apenas referir-se ao seu próprio, construído sobre, e à margem, (d)esta realidade. Um mito que, enquanto sistema de comunicação, enquanto mensagem, nos pretende transmitir a ideia de que esta zona é uma zona na qual os problemas ambientais e de saúde pública são de menor monta do que aquilo que se diz. O recurso ao termo "desfazer" dá a ideia do seu grau de convicção no mito, no seu mito de que tudo está bem. Talvez estejamos apenas na presença de um pequeno construtor de mitos ao serviço da subjugação do direito das populações a manifestarem-se, a exprimirem os seus receios face às agressões ambientais de que são vitimas. Voltamos a Barthes para compreender "Honório-construtor de mitos" no sentido aqui revelado: "a construção de mitos é uma forma de subjugação, pois é “uma das nossas servidões maiores: o divórcio assustador entre a mitologia e o conhecimento. A ciência vai depressa e direita ao seu caminho; mas as representações colectivas não seguem, elas têm séculos de atraso, e são mantidas estagnadas nos erros pelo poder, a grande imprensa e os valores da ordem”
Aqui, no concelho de Sines, o que se tem passado, desde há décadas, é a tentativa de impor uma representação colectiva que parta do príncipio - não demonstrado por quem tem a responsabilidade e aobrigação de tornar essa demonstração inequívoca - de que tudo está bem do ponto de vista ambiental. Não porque o conhecimento disponível não permita saber sem reservas o que realmente se passa, mas tão somente porque esse é o interesse dos detentores do poder económico e dos seus servidores cada um deles, à sua escala, um pequeno construtor de mitos.
Etiquetas: Poluição.Saúde Pública.
... temos que tentar ver estas coisas por uma perspectiva positiva. O Sporting tem fartos motivos para festejar. Afinal este é o último dérby apitado por Paraty. O árbitro do lance "Luisão-carrega-Ricardo-mas-eu-não-vi-e-o-Benfica-foi-campeão-queriam-que-fosse-o-Sporting", mostrou mais uma vez a sua raça: Katsouranis agrediu Moutinho a pontapé, Cardoso agrediu Tonel à cotovelada, Léo atropelou Vucevic dentro da área? Nada disso aconteceu para Paraty que apenas viu Nelson merecer um vermelho directo por entrada faltosa sobre Celsinho. Neste caso, diria alguém mais atento, que nem um cartão amarelo seria merecido.
Etiquetas: Futebol.Dérby
Porquê?
Porque deixou de ser paradoxal que, em pleno século XXI, o slogan "resolver os problemas de saneamento básico da cidade" seja válido e, ao ser utilizado por um qualquer candidato autárquico, não deixe de garantir alguns (justificados) votos.
Porque em África espera-se que situações dessas aconteçam e, por isso, tomam-se medidas. É normal acontecer e está-se preparado para isso. Aqui não seria, mas acontece igualmente.
Porque voltou a não haver água. Porque não há ninguém que informe o porquê ou quando é reestabelecido o abastecimento. Porque ninguém se importa. Porque não há estatísticas sobre o número de horas por mês em que não há água. Porque não há água MUITAS horas por mês. Porque os inúmeros cortes não são reflectidos na factura. Porque ora é por que chove muito, ora por que está sol, ora por que é domingo, estamos a comer peixe grelhado e temos mais que fazer.












