Dois posts do Ladrões de Bicicleta da autoria de Ricardo País Mamede sobre a crise no sistema financeiro internacional e a solução Barroso, a partir da leitura de dois artigos do Nobel de Economia, Paul Krugman. No primeiro, cujo título é Ainda Krugman e o adiar da refoma do sistema financeiro o economista parte da preocupação do Nobel com a opção de se atacar a crise sem mudar os fundamentos do actual sistema que estiveram na sua origem e analisa O Plano Europeu para a Recuperação Económica da Comissão de Durão que não coloca o acento tónico na reforma do sistema, antes pelo contrário minimiza a sua importância.
No segundo RPM dedica aos conselheiros de Durão Barroso uma frase retirada do artigo de Krugman no NYRB.
Não resisto a citar parte do artigo de Krugman no NYT :
"(...) Some people say that the current crisis is unprecedented, but the truth is that there were plenty of precedents, some of them of very recent vintage. Yet these precedents were ignored.(...) About those precedents: Why did so many observers dismiss the obvious signs of a housing bubble, even though the 1990s dot-com bubble was fresh in our memories?
Why did so many people insist that our financial system was “resilient,” as Alan Greenspan put it, when in 1998 the collapse of a single hedge fund, Long-Term Capital Management, temporarily paralyzed credit markets around the world?
Why did almost everyone believe in the omnipotence of the Federal Reserve when its counterpart, the Bank of Japan, spent a decade trying and failing to jump-start a stalled economy?
One answer to these questions is that nobody likes a party pooper. While the housing bubble was still inflating, lenders were making lots of money issuing mortgages to anyone who walked in the door; investment banks were making even more money repackaging those mortgages into shiny new securities; and money managers who booked big paper profits by buying those securities with borrowed funds looked like geniuses, and were paid accordingly. Who wanted to hear from dismal economists warning that the whole thing was, in effect, a giant Ponzi scheme?(...) And because we’re all so worried about the current crisis, it’s hard to focus on the longer-term issues — on reining in our out-of-control financial system, so as to prevent or at least limit the next crisis. (...) For once the economy is on the road to recovery, the wheeler-dealers will be making easy money again — and will lobby hard against anyone who tries to limit their bottom lines. Moreover, the success of recovery efforts will come to seem preordained, even though it wasn’t, and the urgency of action will be lost.
So here’s my plea: even though the incoming administration’s agenda is already very full, it should not put off financial reform. The time to start preventing the next crisis is now."
Etiquetas: Economia.Crise
"Câmara de Silves aprova bloco de apartamentos em terreno público" é o título da notícia de hoje no Caderno Local da edição impressa do Público. Depois pode ler-se ainda mais o seguinte: "O construtor ocupou espaço do domínio público municipal, duplicou a área do lote e em vez dos seis pisos previstos ainda subiu mais dois".
Mas, desde quando é que isto é notícia? Desde quando construir sobre as falésias, demolir parte delas, desrespeitar grosseiramente os alvarás de loteamento em vigôr, mais do que triplicar a área de construção e acrecescentar alguns pisos aos legalmente autorizados, é motivo para qualquer tipo de notícia?
Não é verdade que em Portugal este tipo de crimes escapam sempre impunes e que quem os denuncia paga o preço da ousadia de ter pretendido que se respeitasse a lei? Não é verdade que a corrupção é a verdadeira natureza escondida do regime e que em defesa dos corruptos existe o hábito de perseguir as vitímas da corrupção?
Etiquetas: Poder Local.Corrupção
"PS reafirma apoio à ministra da Educação e à reforma da avaliação".
A reunião da comissão nacional do PS e depois a adenda da reunião com alguns professores socialistas serviu mais uma vez para Sócrates, e o seu camarada Vitalino, voltar a debitar as frases que, invariavelmente, todos os membros do Governo envolvidos nesta questão repetem had nauseum: "o Governo não está disposto a esperar mais 30 anos até que seja aplicado um modelo de avaliação dos professores", pretendendo ignorar que a contestação é a este modelo; "Os sindicatos são arrogantes e intransigentes", pretendendo ignorar que os professores manifestam uma unidade e uma posição de tal modo convicta de recusa deste modelo, que os sindicatos não têm qualquer margem emanobra para defender outra coisa que não seja a sua recusa. Provavelmente nunca como neste processo os sindicatos foram tão instrumentais do cumprimento da vontade dos seus associados.
Mas sobre este comportamento do Governo e em particular do Primeiro-Ministro e da sua Ministra da Educação - eu sempre tive uma grande simpatia pelo incomparável Pedreira, que agora se revela em todo o seu esplendor - vale a pena ler o que escreveu o filósofo José Gil na Visão de 2-10-2008 (pode ler aqui) de que cito esta passagem:
"(...) No processo de domesticação da sociedade, a teimosia do primeiro-ministro e da sua ministra da Educação representam muito mais do que simples traços psicológicos. São técnicas terríveis de dominação, de castração e de esmagamento, e de fabricação de subjectividades obedientes. Conviria chamar a este macanismo tão eficaz, "a desactivação da acção". É a não-inscrição elevada ao estatuto sofisticado de uma técnica política. à maneira de certo processos psicóticos."
Etiquetas: Política. Educação
"Não há candidato dentro do PS que possa bater José Sócrates", diz Almeida Santos"
A idade é suposto trazer uma sabedoria contida que nos faz falar apenas quando é necessário dizer aquilo que mais ninguém parece ver. Desse ponto de vista Almeida Santos é ainda bastante jovem.
Etiquetas: Política.Vulgaridades.
"Congresso: PCP é caso único de influência na Europa"
a propósito do congresso do PCP e da influência que o partido ainda mantem na sociedade portuguesa - que, aliás, está numa fase de alargamento como demonstram todas as sondagens - o Público escutou opiniões de Pacheco Pereira, André Freire e do comunista Ruben de Carvalho. Chamou-me a atenção a explicação do intelectual comunista para a manutenção da influência do partido comunista na sociedade portuguesa. Diz Ruben que "as pessoas sabem que o PCP faz o que diz tem um desempenho nos cargos públicos e nas autarquias que fala por si".
Não me parece uma explicação adequada e sequer próxima da realidade. Na autarquias o PCP mostra a mesma série de vulnerabilidades dos restantes partidos.
Se existe um problema nas autarquias portuguesas associado à promiscuidade entre os autarcas e os interesses do sector imobiliário - e ele existe na realidade - as autarquias do PCP não são excepção. Claro que as autarquias do interior, com gestão da CDU, são menos susceptíveis a essas influências, tal como as do PS ou do PSD, mas no Litoral quem escolhe a música que se toca é o "promotor do regime" e nas autarquias CDU isso não é, antes pelo contrário, menos evidente.
Se essa promiscuidade é determinada pela necessidade de financiamento partidário ou pelo enriquecimento ilícito de alguns dos agentes políticos, pode-se dizer, sem correr riscos de errar, que existem a duas situações tal como nos restantes partidos com expressão relevante na área autárquica.
Se existe um problema de incompetência populista na gestão municipal com enfâse no endividamento municipal e no incumprimento nos pagamentos aos fornecedores, e numa priorização dos investimentos de mérito duvidoso, as autarquias comunistas não são excepção. Nalguns casos paradoxalmente isso acontece inclusivé em autarquias em que o nível de receitas é muito elevado o que torna ainda mais inaceitável o endividamento brutal.
Se existe um problema de falta de transparência e de democracia nas autarquias portuguesas, com negação dos direitos das oposições e a promoção de um poder absoluto centrado na figura do Presidente da Câmara, com o esmagamento de qualquer vislumbre de assoiativismo minimamente independente - e esse problema existe - as autarquias comunistas não são excepção e nesta matéria têm mesmo "créditos firmados", digamos assim.
Ruben de Carvalho sabe de tudo isto mas como a ocasião é festiva resolveu simplificar.
Mas, voltando à questão central, apetece-me dizer: ainda bem que o PCP conserva a influência que tem na sociedade portuguesa.
Etiquetas: Política..
O post de Rui Bebiano, na Terceira Noite, sobre o choque que lhe provoca "a forma como pessoas que considero justas e inteligentes qualificam, em alguns dos blogues que frequento ou visito ocasionalmente, não só a actual luta da maioria dos professores mas, e principalmente, os próprios professores(...) Falo da perfeita falta de respeito com a qual um dos grupos sociais qualificados que mais duramente trabalha e que na comparação com as responsabilidades que detém pior qualidade de vida possui(...) " que descobri a partir da leitura do post de João Paulo Sousa, "Da demagogia ou da ignorância (à escolha) " no "Da Literatura".
Um texto de leitura obrigatória até porque esta é uma ideia que infelizmente não aparece normalmente com a clareza que é necessário. Os professores são uma das classes profissionais mais qualificadas e que proporcionalmente menos recebem. Os professores têm um nível de vida sofrível e são certamente a única classe profissional da Administração Pública que pode ser deslocada todos os anos - agora de 3 em 3 anos para um número signficativo - para longe do seu local de residência tendo que assegurar sem qualquer apoio do empregador todas as despesas com transporte, local de residência - muitas vezes a segunda renda com habitação - e com alimentação.
A ideia de que os professores não trabalham é uma ideia falsa e estúpida difundida por gente pouco rigorosa que, com base no conhecimento de um ou dois casos, tende à generalização. Do mesmo modo a ideia de que os professores não querem nenhuma avaliação é uma ideia mais capaz de ser defendida por mentecaptos do que por pessoas capazes de avaliarem com discernimento e rigor as situações.
Etiquetas: Política. Educação
"Orçamento do Estado para 2009 foi aprovado".
Um orçamento coerente com uma política. Um Orçamento que ficciona a realidade que caracteriza a situação económica nacional e internacional. Um Orçamento que acha que a descida das taxas de juro de referência e dos preços do petróleo permitem aliviar a situação das famílias portuguesas, como declarou o Ministo das Finanças. Um Orçamento que ajuda, e de que maneira, os Bancos canalizando milhares de milhões de euros para esse fim. Um Orçamento que recusa controlar as taxas de juro do crédito à habitação, permitindo aos bancos apropriarem-se dos ganhos associados à descida das taxas de referência. Um Orçamento que por essa via desiste de ajudar as famílias que estão mais endividadas. Um Orçamento que desiste de controlar o preço dos combustíveis permitindo às petrolíferas ganhos especulativos. Um Orçamento que dessa forma desiste de apoiar as famílias e as empresas que pagam hoje pelos combustíveis muito mais do que no último período em que o preço do petróleo estave ao mesmo nível. Um Orçamento que desiste de tributar as grandes fortunas - muitas delas aumentadas por decisões dos sucessivos Governos - mas obriga ao pagamento do IVA mesmo para as pequenas e médias empresas que o não tenham recebido.
Um Orçamento coerente que dá as respostas necessárias para manter a grande maioria num nível de pobreza insuportável, ou proximo do insuportável, enquanto permite que uma pequena maioria acumule cada vez maior riqueza. Um Orçamento que reflete uma aguda consciência de saber a favor de quem se governa. Um instrumento coerente ao serviço de uma política que agudiza as desigualdades sociais.
Etiquetas: Política. Desigualdade.
"Manuel Alegre junta pela segunda vez esquerda portuguesa"
Dia 14 de Dezembro as esquerdas reunem-se na Aula Magna para debater no "Forum Democracia e Serviços Públicos". Manuel alegre aparece como o dinamizador de uma iniciativa que reune oradores de diversas sensibilidades dentro da esquerda para debaterem as questões da Economia, da Educação, do Trabalho. das Cidades e da Saúde.
Uma iniciativa a não perder.
Etiquetas: Política canhota..
... as maravilhas do instável, a sua duração espantosa ...
Posted by MJB at 11/27/2008 11:22:00 p.m.(... ) Em espírito eu via o mercado, a bolsa, o bazar ocidental das trocas dos fantasmas. Estava ocupado com as maravilhas do instável, a sua duração espantosa, a força dos paradoxos, a resistência das coisas usadas. Tudo se figurava. As lutas abstractas tomavam a forma de diabruras. A moda e a eternidade engalfinhavam-se. O retrógrado e o avançado disputavam o ponto de onde se cai. Mesmo as novidades novas geravam consequências muito antigas. Aquilo que o silêncio elaborara vendia-se em leilão... Todos os acontecimentos espirituais possíveis produziam-se rapidamente, enfim perante a minha alma ainda meia adormecida. (...)
Paul Valery (1871-1945)
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Etiquetas: artes
"Liga dos Campeões: Olés para o Sporting, vitória para o Barcelona."
A mediocridade do jogo reduziu a pó a arrogância de quem pretendia disputar com o Barcelona o primeiro lugar do grupo. Arrogâncias inconsequentes já que Paulo Bento explicou muito bem que o mais importante era controlar o adversário. Nem com o apuramento já garantido o Sporting se dedicou ao espectáculo e ao prazer do jogo pelo jogo. Porque será que o Sporting entre sempre tão mal nos jogos?
Mas, o momento mais caricato do jogo foi quando os adeptos do Sporting deram em cantar olés sempre que a equipa conseguia trocar quatro ou cinco passes com o Barcelona a ver. Nessa altura estavam com cinco no papo e cantavam olés. Imagina-se que se em vez de cinco tivessem sido dez a cantoria durava até ao Natal. O visconde de Alvalade deve ter dado voltas na tumba.
Este jogo foi um jogo tipicamente "Paulo Bentiano", um jogo cheio de "ses". "Se" o Caneira fosse um bom central e não desse roscas que resultam em auto-golos; "se" o Rui Patrício conseguisse acertar na bola e não apenas acertar- abalroar - no catalão; "se" o Derlei conseguisse meter na baliza a bola que o Pereirinha lhe preparou com esmero e delicadeza; "se" o Sporting tivesse mais dois ou três Pereirinhas; "se" Paulo Bento fosse tão bom treinador quanto Guardiola; "se" o Sporting jogasse melhor à bola; "se" o Liedson tivesse mais algumas bolas a jeito em vez de passar o tempo a secar, etc.etc, naturalmente o Sporting teria ficado com o primeiro lugar garantido.
Esta cabazada poderia ter uma vantagem: Paulo Bemto perceber definitivamente que um dos melhores jogadores do plantel é o jovem Pererinha. Mas Pereirinha, que joga de forma veloz e simples e que cruza como ninguém no plantel, tal como no ano passado depois das exibições espectaculares na Taça Uefa, vai certamente para o banco para ... amadurecer.
Etiquetas: Paixões.
FRANCISCO JOSÉ VIEGAS vai estar na livraria A das Artes no dia 27 de Novembro às 18 horas para apresentar e autografar o seu novo livro "Liberal à moda antiga".
Etiquetas: Cultura
Etiquetas: Política. Protagonistas
"Bloco dá negativa a Sá Fernandes e pode retirar-lhe confiança política".
Esta relação entre o BE e o PS na câmara de Lisboa tinha várias potencialidades e acarretava muitos perigos. Uma das potencialidades era o acordo celebrado entre as duas forças políticas que abria caminho a uma mudança qualitativa na gestão da cidade, sobretudo em áreas como o urbanismo em que um acordo desta natureza podia funcionar como pressão sobre o Governo para alterar alguma da legislação que dificulta a intervenção das autarquias no controlo - a favor do interesse público - do desenvolvimento urbano. Falo, em particular, da célebre cláusula que obrigava a considerar 20% de habitação a custos controlados nos novos empreendimentos.
Passados estes dois anos não há qualquer sinal da aplicação do acordo nesta como noutras matérias.
O principal perigo do acordo residia na capacidade do BE para estabelecer uma estrutura de controlo da sua aplicação minimamente credível e, a prazo, a qualidade da articulação política com o vereador independente. Claro que as possibilidades de as coisas correrem mal eram elevadíssimas, sobretudo se pensarmos no que se passou durante a campanha eleitoral com a famosa síntese da candidatura espalhada pela cidade e que, se bem se lembram, era o substancial "O Zé faz falta". Na altura escrevi que a candidatura do BE se tinha tornado uma candidatura unipessoal falha de qualquer projecto político para a cidade minimamente entendível.
António Costa que, apesar de ser um peixe fora da água nestas coisas das autarquias, é um político muito hábil, descobriu, em dois tempos, a forma de neutralizar o Zé. O acordo não serviu a António Costa senão para isso: neutralizar o Zé e en passant matar o próprio acordo.
O Zé vale agora muito pouco ou nada e se o PS não lhe estender a mão não integrará a próxima vereação autárquica. A menos que António Costa prefira continuar a tê-lo ao seu serviço, como no último Prós e Contras em que defendeu afincadamente o negócio dos contentores entre o Governo e a Mota Engil contra os seus antigos apoiantes, em vez de o ter outra vez do lado oposto da barricada a chatear por todos os negócios tipo "Contentores em Alcântara".
Posto isto a nota negativa do BE a Sá Fernandes é uma nota negativa à sua própria estrutura. Faz, por isso, sentido que o BE perca tanto tempo a divulgar que não tenciona fazer qualquer acordo com o PS caso os eleitores entendam dar-lhe muitos votos e possibilitar dessa forma um acordo de governo estável e mais à esquerda. O BE parece ter consciência de que embora seja capaz de fazer um bom acordo para governar uma câmara, ou quem sabe o País, é incapaz de o fazer cumprir ou ao menos de controlar a sua execução.
Não adianta nada que o BE anuncie hoje ou amanhã que retira a confiança a Sá Fernandes. Não espanta ninguém que Sá Fernandes anuncie que nada do que o BE faça o espanta e que as críticas têm sido constantes. Há muito que Sá Fernandes se divorciou do BE, mesmo que o BE fingisse não saber, porque a isso o obrigava a união que celebrou com António Costa.
Etiquetas: Política.Coligações
José Sócrates, primeiro-ministro de Portugal, em declarações no encontro da Cotec, em Sintra, citado pelo Diário Económico afirmou que “os bancos que recorrem às garantias do Estado têm consciência que têm de pagar aos contribuintes portugueses por essas garantias”.
Ricardo Salgado, o banqueiro mais poderoso do País, no mesmo encontro em declarações ao mesmo jornal, referiu que “os bancos vão ter de pagar uma comissão importante ao Estado. Essa comissão adicional vai reflectir-se no custo do crédito aos clientes”. Os clientes vão passar a pagar a taxa Euribor mais um ‘spread’ total que engloba o ‘spread’ normal, mais o diferencial pago pelos bancos ao Estado."
Em quem é que você acredita? No engenheiro ou no banqueiro?
Etiquetas: Economia.Saque

Etiquetas: Ordenamento do território
O Presidente da República inaugura hoje em Sines o Museu e a Casa Vasco da Gama. Lamentável apenas o facto de o senhor Presidente não aproveitar a passagem por Sines para presidir á sessão solene da Assembleia Municipal comemorativa de mais um aniversário do concelho. É que Sines faz hoje anos e não é todos os dias que uma sessão solene pode ser presidida pelo Presidente da República. Espero que isso não se deva a um conveniente esquecimento - face ao clima de guerra entre os dois eleitos pela CDU - da Presidência da Câmara na negociação da visita do senhor Presidente da República.
Etiquetas: Efemérides.
"Cavaco publica nota onde condena tentativas de associar o seu nome ao BPN"
É suposto que o Presidente da República saiba coisas que os comuns mortais ignoram. Por isso talvez seja certo que se ande para aí a dizer coisas indevidas sobre o senhor Presidente e as suas ligações com o BPN. Eu nunca ouvi a mais pequena referência a situações de carácter pessoal quer nos meios de comunicação social quer na blogosfera. Mas, tenho lido, e eu próprio penso assim, que a posição de Dias Loureuiro enquanto conselheiro de Estado é insustentável face ao que já se sabe das suas ligações aos lados negros do banco. Eu também penso que Dias Loureiro devia pura e simplesmente abdicar, mas o homem não é de ceder um mílimetro do poder que conquista e por isso terá que se demitido.
Era disso que eu pensava que o Presidente da República ia falar, mas não, enganei-me. Falou de tentativas e de ligações que não só não existem como inguém fala delas. Agora de Dias Loureiro, do Oliveira e Costa e de outros ex-barões do PSD, mais das trafulhices que fizeram no banco em claro benefício pessoal disso muita gente fala e cada vez mais com maior conhecimento de causa.
Ainda vamos escutar o senhor presidente mais uma vez sobre este affaire BPN e felizmente para falar de coisas que nada têm a ver com o cidadão Aníbal Cavaco Silva e a sua família
Etiquetas: Política. Clareza
"Exercício testa Plano de Emergência Sísmica na Área Metropolitana de Lisboa"
Todo este aparato, além de irrelevante face a uma verdadeira catástrofe,mostra bem como somos mestres a inverter as nossas prioridades. Elegemos a intervenção após o acidente sísmico como a nossa prioridade e nada fazemos para exigir que a única intervenção capaz de minimizar os custos em vidas e bens materiais se concretize. Falo da garantia de que a qualidade das construções novas e a intervenção nas antigas rspeite o conhecimento actualmente disponível em termos de segurança antí-sísmica. Trocamos a intervenção preventiva a que se concretiza na fase de projecto das estruturas que vamos construir pela intervenção depois da catástrofe.
Quanto à intervenção preventiva assobiamos para o ar, que isso é coisa de engenheiros, uns gajos dispensáveis no processo construtivo, e vamos todos concentrarmo-nos em contar os mortos, recolhê-los, tratar os que escaparam e evacuá-los, etc. Uma tragédia que antecipa outras que mais tarde ou mais cedo cairão em cima de nós com estrondo.
Etiquetas: Sismos.
Etiquetas: Política. Finanças
"Dias Loureiro: “Confiei que Oliveira e Costa estava a fazer bem”.
Dias Loureiro, o santo, revelou-se a todos nós por interposta Judite de Sousa. A televisão pública tem este efeito benfazejo: santifica os homens momentaneamente surpreendidos pelas sequelas da sua infinita bondade.
Eu que entendi pouco das explicações dadas pelo dr. Loureiro fiquei com umas pequenas dúvidas na cabeça. Não me lembrava aliás de duvidar da honestidade do senhor. Afinal o homem quase nada sabia dos negócios da SLN de que era um dos administradores e um dos accionistas. Saber quase nada parecia ser a regra daquela sociedade. Será que as sociedades dos nossos importantes gestores -os que negoceiam com bancos estrangeiros, contratam com países estrangeiros, almoçam com presidentes estrangeiros, exercem cargos políticos no nosso País - se caracterizam por eles nada saberem do que lá se faz? Será esta a variante nacional da boa gestão que depois conduz aos excelentes prémios distribuídos aos happy fews sempre com a justificação da tal meritocracia? Julgo, aliás, que a entrevista de Dias Loureiro fez muito mal ao conceito da meritocracia enquanto instrumento legitimador de uma cada vez maior desigualdade dos rendimentos. Afinal, eles não sabem nada não são responsáveis por nada, eles são pura e simplesmente irresponsáveis. Voltando ao "Dias Loureiro versus Judite de Sousa", tenho uma dúvida: afinal se o caso não era bom para o levar ao Parlamento, para não atrapalhar a investigações dizem eles, porque razão terá a RTP entendido que era bom para o levar ao prime-time? Já agora se o senhor não fosse o Dias Loureiro, conselheiro de estado, alguém no seu juízo perfeito pretenderia que o senhor fosse incomodado pelo Parlamento?
Isto não está fácil para conclusões mas eu arrisco uma: todos sabiam o que se estava a passar. Todos sabiam que o dinheiro voava por esses paraísos fiscais fora e que parte dele aterrava depois em confortáveis contas extra ou intra muros. Todos sabiam e muitos beneficiavam, os mesmo que na hora de pagar as contas trataram de se colocar confortavelmente ao fresco deixando o BP e o Governo com a factura na mão.
Etiquetas: Polícias e Ladrões.
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Ler os Outros: "A Escola a Tempo Inteiro Como Símbolo Maior do Fracasso do Estado Social"
Posted by JCG at 11/21/2008 12:21:00 p.m.Este excelente artigo de Paulo Guinote que desmonta o discurso governativo, e da sua aliada Confap, da "Escola a Tempo inteiro" mostrando porque razão esse conceito é instrumental de um modelo político que assume a destruição do Estado Social.
Excelente.
Etiquetas: Política.Educação.
"Queiroz quer que jogadores entendam significado de vestir camisola da selecção".
As derrotas sobretudo as mais copiosas acarretam sempre novas necessidades e novos angulos de análise. Agora foi o selecionador a criticar os jogadores referindo a necessidade de entenderem o significado da camisola nacional. Será razoável admitir que os rapazes, ofuscados pelo estrelato, já nem saibam que camisola estão a vestir e o seu significado? Se, porventura, o nível de alucinação aí chegasse o que estariam a fazer na seleção? A levarcabazadas com uma grande eficácia e pouco mais.
Queiroz tem muitas qualidades e alguma tendência para o azar mas muitas vezes o azar é uma construção laboriosa e determinada. Talvez o selecionador devesse pensar porque razão a selecção encaixa golos a um ritmo capaz de destronar as ilhas Faraoé ou outros galácticos da mesma dimensão? Numa explicação "à Bruno Pratas" deve ser ainda por culpa do Ricardo, já que "a titularidade de Quim amenizou - com um número considerável de frangos, digo eu - o problema da baliza" diz ele. Sem Ricardo Carvalho as opções feitas são de uma vulgaridade atroz, sobretudo para o centro da defesa com uma permeabilidade tipo regador, capaz de garantir um nível elevado de encaixe de golos. Daí para a frente se destacarmos apenas os jogadores de rendimento elevado na era Queiroz escapam dois ou três e um deles não será o enfatuado Ronaldo. Mas que sentido faz apostar em Maniche e em Tiago - uma santa nulidade em todoas as passagens pela selecção - depois de ter jogado 3 joguitos na Juventus e remeter para o banco João Moutinho ou mesmo Raul Meireles.
Queiroz tem também muitas culpas no cartório e depende dele e da estabilidade e bom senso que conferir às suas opções a melhoria da Seleção.
PS - Gosto de Carlos Queiroz um treinador muito importante na evolução do futebol português e que, apesar do aparente pé-frio fez um bom trabalho no meu Sporting, mas o meu treinador preferido para a Seleção era o Manuel José, muito provavelmente o melhor treinador português dos últimos 30 anos.
Etiquetas: Paixões
"Ministra não suspende mas simplifica avaliação dos professores".
A ministra e os sindicatos valorizam de uma forma extrema este modelo de avaliação de professores. Os professores rejeitam-no por um conjunto alargado de razões que a rapaziada de raciocínio binário simplifica atribuindo essa recusa a um desejo confesso de não serem avaliados. A ministra quer este modelo e não outro porque este modelo foi concebido para concretizar os seus objectivos, sendo uma peça fundamental no processo de "acondicionamento" dos professores. A avaliação é aqui apenas e só irrelevante.
Face á dimensão atingida pela luta dos professores, a ministra está disposta a ceder alguma coisa com o objectivo estratégico de salvar o modelo. Não se trata de salvar a avaliação dos professores, trata-se de salvar este modelo de avaliar os professores. A estratégia é clara: anunciar medidas pontuais de correção de erros detectados, incapazes de pôr em causa o modelo e dessa forma manifestar disponibilidade para o diálogo e flexibilidade, esperando uma intransigência dos sindicatos e a sua marginalização aos olhos da opinião pública.
O que corre mal nesta estratégia é o facto de grande parte da sociedade parecer já ter compreendido a luta dos professores e quase toda a gente ter já percebido que se os sindicatos traduzem na sua acção a vontade dos seus associados ser este o processo em que isso é mais evidente nas últimas décadas.
Posto isto, e não existindo nesta altura espaço para os sindicatos aceitarem as migalhas que a ministra entendeu atirar à populaça, resta à ministra atirar mais migalhas tantas vezes quantas as necessárias para que se perceba que o seu modelo já foi por essa via esfrangalhado e reduzido a pó. Para bem de todos nós e, como diria o inestimável presidente da CONFAP, Albino Almeida, em particular das nossas crianças.
PS - quando falo da ministra é do Governo que falo.
Etiquetas: Política. Educação
A Petrogal está nesta altura a empestar a cidade de Sines. Talvez contente com o aniversário da cidade e com a visita próxima do Presidente da República a Petrogal bombardeia com um cheiro horrível a gás os cidadãos que aqui vivem. Esta é uma situação que se tornou outra vez comum desde que a empresa retomou a sua actividade.
Para acabar com este escândalo, que custa vidas e penaliza a saúde dos cidadãos, não há dinheiro. Mas há dinheiro a rodos para apoiar investimentos que nada dizem ao ambiente e à defesa da saúde pública.
Etiquetas: Poluição.Saúde Pública
"BE pede a demissão de Dias Loureiro de conselheiro de Estado ".
O título da notícia está errado ou é a notícia? Lá dentro escreve-se que Francisco Louçã afirmou que "A ser verdade tal facto [Dias Loureiro] devia demitir-se de conselheiro de Estado”. Devia demitir-se é ou não diferente de ser demitido, caso em que a iniciativa política devia partir do Presidente da República?
Pensando bem, atendendo às velhas ligações de amizade entre Cavaco Silva e Dias Loureiro, não será natural que, face aos desenlaces conhecidos do caso BPN, Dias Loureiro deva colocar o seu cargo à disposição do seu amigo Presidente da República, que decidirá em função da sua avaliação pessoal e política do caso?
Parece-me bem que sim, tanto mais que o PS, numa insistência que julgo eu penaliza sobretudo os "meninos de ouro", insiste na posição burra, não me ocorre melhor expressão, de inviabilizar a audição do ex-ministro. Será que estão a cumprir ordens ? De quem? Será que querem esconder algo? O quê?
Adenda: Caso Dias Loureiro tenha participado nestas operações e continue no Conselho de Estado importa esclarecer os portugueses se elas não serviram, como sempre acontece com a compra de empresa falidas, para o enriquecimento ilícito. Ora parece-me que a esse esclarecimento não pode escapar quem escolheu Dias Loureiro para esse alto cargo.
Etiquetas: Política.Transparência.
"Dias Loureiro participou pelo Grupo BPN na compra de empresas que foi ocultada das autoridades"
Pelos vistos, ou melhor pelo que agora se vê, o "menino de Ouro do PSD" e os seus camaradas do BPN tinham o hábito de comprar empresas falidas ou em estado de acelerada falência e - são umas almas caridosas estes homens de negócios - por preços muito acima dos seus valores de mercado. Algumas dessas empresas não se sabe mesmo que valor teriam já que estavam paradas e não voltaram a ter qualquer actividade. Depois segue-se o rasto das empresas tecnológicas - ena pá que fino - e chaga-se a um empresa brasileira para onde 0 BPN enviava largas dezenas de milhões de euros que entretanto devem ter dado à costa, já que se lhes perdeu o rasto. Devem ter dado à costa no mesmo local onde foram parar os milhões investidos em empresas ... tecnológicas.
Insistirá o PS em não escutar o Dr. Dias Loureiro?
Etiquetas: Política.Negócios.
"Ferreira Leite pergunta se "não seria bom haver seis meses sem democracia" para pôr "tudo na ordem"
Queriam que a senhora falasse então tomem lá e aguentem-se. O PSD está a construir passo a passo o pior resultado eleitoral da sua história.
Etiquetas: Política.
Paulo Gorjão, escreve sobre as pensões de miséria de grande parte dos portugueses para peguntar como é possível que "Governo após governo, se perpetue esta situação em Portugal?" PG conclui que "Não tratamos bem os nossos velhotes e o pior é que não temos absolutamente nenhuma vergonha na cara".
A reflexão foi suscitada por uma ida aos corrreios num período em que parte da população mais envelhecida e mais pobre aí se desloca para receber as pensões de reforma que se situam em grande parte abaixo dos 300 euros.
Esta discussão devia estar permanentemente na ordem do dia e só a nossa falta de vergonha colectiva permite que os sucessivos Governos remetam a questão para o canto esquecido da agenda política.
Ciclicamente a propósito de algum relatório internacional ou da publicação de um trabalho de investigação de algum académico ou grupo de académicos a imprensa traz o assunto à tona durante dois ou três dias. mas, depois, volta o silêncio.
Para piorar a situação esta matéria tão sensível que aconselharia ao pudor na forma como a ela se referem permite aos políticos populistas bons momentos de propaganda. Propaganda à custa da miséria dos outros em regra, logo esquecida quando chegam ao poder.
A questão não é a de saber se os idosos tem ou não direito em função das respectivas carreiras contributivas. A questão é de outra natureza. é a de saber se cada cidadão independentemente do que fez ou não fez tem ou não sempre o direito a um mínimo de dignidade humana e à solidariedade dos seus concidadãos. E se o Estado tem meios para concretizar essa solidariedade que levaria a que hoje ninguém pudesse receber menos do que o ordenado mínimo nacional, como aliás propõe o PG, por qualquer forma de pensão.
Eu estou certo que tem esses meios e estou igualmente certo que o Estado pode, sem aumentar a despesa global nem aumentar o endividamento externo do País, efectuar esse aumento. Como? De muitas maneiras mas insisto não aumentando as despesas do Estado, optando por redistribuí-las. E nas despesas integro mesmo as de investimento porque estou certo que nenhum Governo pode investir um euro melhor investido do que a melhorar a qualidade de vida dos seus idosos actuais e futuros. Até porque é a "falta de vergonha" dos sucessivos Governos que coloca o problema da redistribuição da riqueza - é disso que estamos a falar - no ponto calmitoso em que ele está hoje. É essa falta de vergonha que leva alguns a discutir como um crime de lesa pátria aumentar o salário mínimo nacional em 30 ou 40 euros e outros a gabarem-se de terem atribuído o rendimento solidário a alguma dezenas de milhares . Enquanto não houver respeito pelos idosos e solidariedade efectiva da sociedade no seu conjunto tiranetes e demagogos têm uma terra farta para lavrarem.
Etiquetas: Política.Justiça Social
"Sardinha fica sete vezes mais cara entre a lota e o mercado"
Como já sabemos há muitos anos uma das consequências da nossa entrada para a comunidade foi passarmos a ficar obrigados a cumprir um conjunto de regras de concorrência que, em tese, visam a defesa dos superiores interesses dos consumidores. Uma dessas regras impôs que a taxa de intermediação - julgo que é assim que se chamava - que era fixa e da ordem dos 10% fosse abolida. O preço do peixe vendido na lota e adquirido pelos intermediários era vendido aos consumidores finais com um preço que não podia ultrapasar em 10% esse valor de venda. A liberalização visou permitir em função das condições da oferta e da procura, se possível, diminuir aquela margem.
Como é obvio nada disso aconteceu. O sistema de concorrrência implantado na UE não protege, muitas vezes - a constatação de um facto - os consumidores. O peixe passou a chegar ao consumidor final cada vez mais caro. O pescador passou a vender o peixe cada vez mais barato.
A classe que enriqueceu à custa deste esquema foi a dos intermediários. Passou a ser possível comprar a cem e vender a mil. A perda de poder de compra dos pescadores neste período foi brutal, penalizando sobretudo os pequenos armadores da pesca local, arruinados em muitos casos, incapazes de manter as explorações face à crescente diminuição do preço do pescado em lota, à subida dos custos de produção e à incapacidade de competir com outras procuras de mão-de-obra.
Quem entendeu desde logo todo este mecanismo e o sabia explicar muito melhor do que eu alguma vez serei, era o João Carlos Almeida, o nosso amigo João "Fortúnio" - infelizmente morto em condições trágicas - um pescador, o mais importante dirigente do movimento associativo dos pescadores português, desde o 25 de Abril, e um dos homens mais inteligentes e conhecedores que tive o previlégio de conhecer. Como ele se riria se pudesse ler a notícia do Público de hoje a dar novas notícias velhas de anos e anos a penar.
Um destes dias ainda vou editar um notável conjunto de entrevistas que ele deu ao jornal Sudoeste. Ninguém sabia tanto de pescas, e de muitas outras coisas, neste país.
Etiquetas: Economia. Pescas.

imagens do misterioso mundo que nos habita
Etiquetas: Mundo
Etiquetas: Eleições Americanas
"BPN: PS deverá recusar pedido de audição parlamentar de Dias Loureiro".
O PS não quer ouvir Dias Loureiro contar que não tem nada para esconder. O PS está habituado a escutar Dis Loureiro noutras momentos mais marcados pela afectividade e pela emoção, como quando fez a apresentação pública da biografia de José Sócrates com o título notável de "o menino de ouro do PS" . O nome já era de ir às lágrimas não admira que o coração sensível do "menino de ouro do PSD" se tenha enternecido.
Mas o que está feito feito está e a "enorme generosidade», «sensatez», «prudência», «coragem» e «capacidade de liderança" que, segundo Dias Loureiro, caracterizam Sócrates foram por este inculcadas no PS que agora reaje assim perante esta vontade expressa do próprio, reprimindo-a mas... para seu bem.
Etiquetas: Política. Finanças
"Manuel Alegre “dificilmente” será candidato às próximas eleições legislativas".
As declarações de Manuel Alegre já se tornaram uma rotina e as críticas que o deputado socialista tem feito ao Governo já caíram mesmo numa certa rotina.
Mas, nesta declaração, o que Manuel Alegre anuncia é a próxima rotura com o seu PS. Quando afirma que dificilmente será candidato nas próximas eleições legislativas e que "o partido [PS] neste momento é uma máquina eleitoral, é uma máquina de poder. Deixou de ter uma vida própria e uma vida autónoma, a direcção do partido é o Governo" está apenas e só a traduzir por palavras aquilo que as pessoas sentem.
Ora num partido que funciona desta forma não há espaço para pessoas como Manuel Alegre e por isso previsivelmente nas próximas eleições legislativas ele não integraria as listas do PS substituído pelo senhor fulano de tal, fiel de Sócrates e do seu excelentíssimo Governo que tão bem nos tem governado e que tanto bem nos tem feito.
Depois do que se passou em anos anteriores com deputados como Henrique Neto, Helena Roseta, Alegre é um candidato à exclusão apesar do seu peso histórico. Mas não é so ele, Ana Gomes, a eurodepuatda, também deve ter os dias contados. A nova estação socialista faz-se de tons de cinzento carregado, com poucas movimentações de cabeça, as básicas para o sim obediente, e uma escassa mobilização de neurónios por questões de poupança de energia.
Etiquetas: Política.
"Câmara de Lisboa quer discussão pública sobre terceira travessia".
A autarquia de Lisboa quer baixar o tabuleiro da terceira travessia em 5 metros preocupada com o impacto ambiental que a obra terá na cidade. No Expresso apareceu - ou terá ressuscitado? - uma perspectiva da cidade com a ponte altíssima, que foi ridicularizada no período de discussão que se seguiu à decisão do Governo por ter erros crassos.
Mas a autarquia quer reduzir em cinco metros a altura do tabuleiro e lá terá boas razões para isso, que apresentará em tempo oportuno. O problema é que quem fala em nome da autarquia, neste caso Sá Fernandes e António Costa, não dizem nada que se entenda e que faça grande sentido. Será que falam do que sabem? Ou falam tentando dizer aquilo que pensa o vereador, curiosamente silencioso, Manuel Salgado? Se o fazem fazem-no desajeitadamente.
Sá Fernandes que falou muito sobre o túnel do Marquês relativiza agora a decisão e o negócio dos contentores sem concurso em Alcântara, descobrindo nessa decisão novas qualidades e novas virtualidades, que o levam a aceitar o negócio entre o Governo e a Mota Engil. Quem diria que este tempo vinha.
Por outro lado ele que colocou o LNEC nos píncaros quando do affaire "túnel do Marquês" detecta agora erros crassos na solução validada pelo .... LNEC.
A política mainstream dá cabo da cabeça de qualquer um.
Etiquetas: Lisboa.Politica das Cidades.
"Reconversão da refinaria de Matosinhos avança hoje com a presença do primeiro-ministro"
Este post sobre o PIN+ da GALP em Matosinhos "que implicou a suspensão parcial do Plano de Ordenamento da Orla Costeira entre Caminha e Espinho", e um conjunto avultado de benefícios fiscais corresponde a que tipo de investimento? Investimento na segurança, tão problemátca nesta zona com a malha urbana a envolver a refinaria? Investimento no controlo da poluição que durante anos a fio tem massacrado as populações? Para responder a estas questões não há nada como ler o post de Paulo Granjo no Antropocoiso. Está lá tudo de uma forma clara e baseado apenas na realidade e no profundo conhecimento que o autor tem dela.
A GALP é um poder enorme que compra e cala governantes e autarcas mas não compra nem cala toda a gente.
PS - Fica bem o capacete laranja da GALP ao primeiro-ministro.
Etiquetas: Economia.Especulação
"Sócrates: “Tenho andado a pensar em bancos tempo demais”.
Depois de ter dado aos bancos em geral e ao BPN em particular aquilo que se sabe - milhares de milhões de euros - Sócrates disse hoje em Matosinhos, com um Américo Amorim indisfarçavelmente satisfeito a escutar, que é tempo de pensar na "economia real". Interpretadas as suas palavras à letra será caso para dizer que Sócrates tem estado a gastar o seu tempo e o nosso dinheiro na economia de casino ?
Mas, independentemente da resposta, é um facto que Sócrates tem da intervenção do Estado na economia real, para usar a sua expressão, uma curiosa interpretação: o Estado apoia os investimentos de um grupo maioritariamente privado, com uma capacidade enorme para determinar os preços do produto que vende, com milionárias isenções fiscais. O mesmo Estado que permite que o preço dos combustíveis esteja hoje entre 15 e 20 cêntimos mais caros do que no período anterior em que o preço do petróleo se encontrava no mesmo nível, mantendo dessa forma altíssimos os lucros desse grupo.
Etiquetas: Política.
... onde Miguel Sousa Tavares escreveu, inadvertidamente, um dos maiores momentos de humor da imprensa portuguesa das últimas décadas.
Aquilo que pretendia ser um momento sério de análise política transforma-se numa peça apenas susceptível de ser lida de um ponto de vista cómico-ó-trágico.
O destaque feito pelo próprio Expresso, jornal no qual MST publica as suas análises, ilustra fielmente esse espírito: "A derrota final de Maria de Lurdes Rodrigues representará o último sopro de vida de um país eternamente adiado. Depois disso, é inútil tentar reformar o que quer que seja porque está dada a receita para o insucesso".
Não é facil disparatar a este nível tão alto.
Etiquetas: Política.Delírios.
A propósito de morte de João Martins Pereira, um dos mais importantes pensadores da esquerda portuguesa, "engenheiro, ensaísta de fundo, governante efémero, jornalista acidental, estudioso do capitalismo português, fundador do MES, amante da igualdade e da liberdade, independente contumaz, marxista heterodoxo, sartriano revolucionário e radical" na feliz síntese de José Vítor Malheiros, hoje no P2 do jornal Público. (ler aqui)
Chamo ainda a atenção para este texto de Rui Bebiano, no Blogue a Terceira Noite e para o texto de Francisco Louçã, que com ele e João Paulo Cotrim, editou em 1993 o livro "à esquerda do possível" e para o depoimento de Eduarda Dionísio, no P2 do Público de hoje. No esquerda.net pode ainda ler-se um artigo -de uma completa actualidade - de João Martins Pereira, publicado na Revista Combate em Março 1993, cujo título é "O que muda e o que não muda".
Engenheiro Quimíco pelo IST, foi secretário de Estado da Industria e Tecnologia, no IV Governo Provisório que nacionalizou as grandes empresas industriais, sendo ministro o seu colega e amigo João Cravinho.
PS - na página do Público online que noticiou a sua morte um anónimo escreveu "Nunca tinha ouvido falar deste homem! Nem entendo como se faz uma notícia sobre alguém totalmente desconhecido!"
Etiquetas: In Memoriam
"CGD injectou desde Setembro mais de 800 milhões de euros no BPN"
Provavelmente nunca saberemos quanto é que o Estado português vai perder neste negócio. O Estado é como quem diz todos nós os contribuintes.
Provavelmente nunca saberemos a forma como os accionistas de referência viram os seus capitais "nacionalizados/salvos" pelo Estado.
Etiquetas: Economia.Crise
Não queria estar a falar sem conhecimento de causa. Fui consultar o Estatuto do Aluno. É uma lei com dezassete páginas.
Dezassete páginas. É muito. Não li. Deve ser da idade. E deve ser por isso que pais e encarregados de educação não se manifestam. Mas ainda bem que os alunos de hoje têm hábitos de leitura e um sentido de responsabilidade muito mais apurados.
Caros Selvagens,
Resolvi dar-vos uma segunda oportunidade: assim que vir uma manifestação espontânea de pais e encarregados de educação a protestar contra essa coisa das faltas, prometo-vos que vou logo à rua comprar ovos, correntes e cadeados.
"UE aposta na diversificação de fontes para independência energética".
Julgo que terá sido no âmbito desta apresentação que o nosso Presidente da UE - eu por mim cedo a custo zero a parte que me toca - fez sensatas declarações sobre os "mecanismos de subida e de descida dos preços dos combustíveis em função de iguis movimentos do preço do petróleo nos países da UE e sem deixar de se referir expressamente a Portugal". Confesso que fiquei de boca aberta com as declarações. Não imaginava poder assistir ao Zé Manel a afirmar com clareza que os preços dos combustíveis são céleres a traduzir os aumentos dos preços do petróleo e lentos a traduzir a baixa desse preço e que os portugueses sabem bem como isso é verdade.
Bom, o homem depois do apoio do Zapatero, mais do "foi porreiro pá" Sócrates, mais da Merkel, mais do Sarkozy, vai ficar mais um mandato na União Europeia e não necessitará de uma reforma dourada na Petrogal. Mas, mesmo asim, estamos perante uma declaração desalinhada com um poder económico dominante no burgo algo que em boa verdade é tão raro como os preços dos commbustíveis trauzirem de forma célere a descida do preço do petróleo.
Etiquetas: Economia.Especulação
«You said that you're afraid of dying. You're 72 years old. What are you afraid of?
Oblivion. Of not being alive, quite simply, of not feeling life, not smelling it. But the difference between today and the fear of dying I had when I was 12, is that now I have a kind of resignation towards reality. It no longer feels like a great injustice that I have to die.»
Philip Roth, numa entrevista de 2005
"Com este segundo volume, tornaram-se ontem públicos mais uns metros de fita da célebre "cassete" de Cunhal" é desta forma que alguém que assina R.P.A. termina uma notícia, no DN, sobre o lançamento do Volume II das Obras Escolhidas de Alvaro Cunhal.
Para jornalismo de referência está um bocadinho foleirão.
Etiquetas: Política.Cultura.
Em Lisboa são 20 imóveis que vão ser alienados por esta via. A Lei n.º 219/2008, hoje publicada em DR traz a listagem de todos os imóveis a alienar.
Quem procurar informação suplementar sobre a forma como essa alienação irá ser promovida não a obtêm no documento já que ele apenas pretende " definir o universo de imóveis que são disponibilizados para rentabilização, nos termos previstos na Lei de Programação das Infra-Estruturas Militares. O mencionado universo foi definido em articulação estreita com os órgãos próprios das Forças Armadas, tendo presente a necessária adequação do parque imobiliário e de infra-estruturas militares às transformações ditadas, entre outros, pela profissionalização e pela adopção de um novo modelo de organização da estrutura superior das Forças Armadas." Conclui-se depois que "o investimento em infra-estruturas militares no âmbito da Lei de Programação das Infra -Estruturas Militares será financiado através da rentabilização do património actualmente afecto à Defesa Nacional, bem como, garantido o cumprimento das obrigações assumidas pelo Estado relativas a fundos, nomeadamente a capitalização do fundo de pensões dos militares das Forças Armadas".
Já tive oportunidade de criticar a forma como o Estado aliena o seu património à revelia dos interesses das Cidades e dos Cidadãos, entendendo esse património como uma pura mercadoria e dando da sua rentabilização uma visão mesquinha bem patente neste Decreto. Fi-lo num artigo, no Público de 11-06-2006, cujo título era "Venda do Património do Estado: Uma oportunidade para a Cidade e para os Cidadãos?" que pode ler aqui. A pergunta que era feita tinha resposta negativa e continua a ter resposta negativa. O maior cinismo é que existindo uma maioria absoluta no Governo da República e uma maioria do mesmo partido na câmara da capital exista aparentemente sinergia de esforços e identidade de pontos de vista para tratar de questões como a "Frente Ribeirinha" e o "Terminal de Contentores de Alcântara" e não seja possível colocar o património do Estado ao serviço de uma verdadeira política das cidades, embora não sejam raras as tiradas sobre a necessidade de repovoar a capital que, como se sabe, perde população todos os anos.
O maior cinismo é que continue este festim de alienação sistemática do património do Estado à revelia de uma verdadeira política das cidades, transferindo para mãos privadas as brutais mais-valias que este processo gera, embora não sejam raros os discursos sobre a necessidade de repovoar Lisboa, bla-bla-bla, e sobre a dificuldade associada à penúria financeira da autarquia da capital e da generalidade das autarquias.
Não comento o facto de este ser o pior momento para vender os anéis porque isso mete-se pelos olhos dentro. Mas, do meu ponto de vista, não é essa a questão central: o Estado tem o dever de colocar o seu património ao serviço da Cidade e dos cidadãos e nesta situação específica na capital - mas também em muitas autarquias por esse país fora - deve utilizar esse património devoluto para promover o repovoamento da capital e melhorar as finanças públicas, promovendo a socialização das mais-valias urbanísticas.
Etiquetas: Política das Cidades
Este post não se destina a falar da tentativa de receber com ovos a ministra da educação facto que já permitiu ao primeiro-ministro colocar-se no papel de vitima e comentar que achava o acto lamentável, apenas lamentável.
O que quero chamar a atenção é de um texto de Aires Almeida,Professor titular de Filosofia da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, de Portimão, que o Público publica.
Escreve o professor de 48 anos de idade "(...)Creio poder dizer, sem qualquer exagero nem arrogância, que conheço melhor do que a senhora ministra o que se passa nas escolas, pois há 25 anos que passo a maior parte da minha vida nelas. Ora, nunca, mas mesmo nunca, houve tanta confusão e um ambiente tão pouco adequado ao ensino e à aprendizagem como o que se verifica actualmente.Perguntar-se-á: o que ando então a fazer o tempo todo para deixar de preparar as minhas aulas como deve ser? A resposta poderia ser dada até pelo meu filho, apesar de ainda ser criança: além das aulas, passo os dias em reuniões intermináveis para entender o sentido do terrorismo legislativo com que se tolhem e intimidam os professores. Na verdade são muito mais as horas que tenho gasto a reunir por causa da avaliação do que com aulas. E o pior ainda nem sequer chegou. Como avaliador de oito colegas, terei de inventar mais 36 horas para assistir a aulas suas, além das reuniões preparatórias que tenho de fazer com cada um deles e dos quilos de papelada para preencher. De resto, na minha escola os professores irão passar o ano a assistir às aulas uns dos outros, pois somos 165 professores, o que dá cerca de 500 aulas assistidas por ano. Além disso, terei de preparar tudo para o meu avaliador – um colega de Economia que não tem culpa de nada e que fará certamente o seu melhor – poder assistir às minhas aulas de Filosofia.Que o novo modelo de avaliação é inútil e ineficaz já o provou definitivamente, sem o querer, a senhora ministra. Diz ela repetidamente que esta avaliação é absolutamente necessária para a qualidade do ensino e para a melhoria dos resultados. Porém, anunciou com grande pompa ao país que os resultados melhoraram no último ano, o que acabou por ser reforçado com a divulgação dos resultados dos exames nacionais. Só que esta apregoada melhoria da qualidade e dos resultados verificou-se ainda antes de o modelo de avaliação produzir qualquer efeito. Logo, fica provado que a avaliação não é uma condição necessária para a melhoria da qualidade e dos resultados. O que leva então a ministra a dizer que a avaliação é absolutamente necessária? Os responsáveis pelo actual ministério da educação parecem, talvez inconscientemente, querer pôr em prática o cenário tenebroso descrito por George Orwell em "Mil Novecentos e Oitenta e Quatro", em que a catadupa de despachos, decretos regulamentares, documentos orientadores, ordens de serviço, instruções superiores, recomendações, etc., frequentemente incoerentes – vale a pena dizer que acumulo em casa mais de mil fotocópias sobre avaliação, que me foram entregues na escola –, são a tradução quase literal do "Big Brother is watching you" da 5 de Outubro. A obsessão do ministério por controlar tudo e todos até ao mais pequeno detalhe está bem patente no modelo de fichas de avaliação que impõe às escolas e aos professores (parece que a ideia é a de que, entre tanta coisa pedagogicamente inane, sempre há-de haver uns quantos aspectos em que o avaliado vai falhar, de modo a não atrapalhar as escassas cotas disponíveis para progressão na carreira).(...) Mas o pior de tudo é que o modelo de avaliação fabricado na 5 de Outubro não vai permitir distinguir os bons dos maus professores, ao contrário do que a senhora ministra alega. Talvez seja até pior do que a completa ausência de avaliação, premiando arbitrariamente alguns dos maus e castigando cegamente muitos dos bons. Se assim não fosse, que razões teriam os bons professores que desfilaram na manifestação de sábado para lá estarem? Ou será que os mais de cem mil são todos maus ou simplesmente estúpidos? (...) Assim, tudo indica que quando a senhora ministra afirma totalitariamente que ou se aplica o seu modelo ou não há outro, só pode estar a fazer chantagem, o termo que utiliza para descrever o comportamento dos sindicatos junto dos professores, como se os professores fossem idiotas. A verdade é que neste momento já não são os sindicatos a comandar os professores, mas os professores a empurrar os sindicatos, de tal modo que os próprios sindicatos já não estão em condições de cumprir o acordo assinado há meses com o ministério.(...) Por isso, não vale a pena recorrer a fantasias e negar uma realidade muito crua: a insistência do governo no actual modelo está a degradar como nunca o sistema educativo nacional e a pôr em causa o normal funcionamento das escolas. E esta ministra ficará seguramente na história como a maior desgraça que se abateu nos últimos tempos sobre a educação em Portugal.(...)". O professor termina com um apelo à desobediência à lei citando John Rawls que na sua obra "Uma teoria da Justiça" escreveu que " o facto de os cidadãos estarem em geral dispostos a recorrer à desobediência civil justificada é um elemento de estabilidade numa sociedade bem ordenada, ou seja, quase justa". Escreve Aires Almeida a terminar o seu texto: "(...)E é também por isso um imperativo de justiça desobedecer a esta lei arbitrária e injusta, sobre uma questão de tão grande importância. Chama-se a isto desobediência civil e foi isso que fizeram em diferentes circunstâncias Gandi, Luther King, Bertrand Russell e muitas das referências cívicas e culturais do nosso mundo. É ilegítimo não cumprir a lei, diz a senhora ministra sem se aperceber que está a ser redundante. Pois é, é ilegítimo não obedecer à senhora ministra, pois foi ela que fez a lei. Mas terá mesmo de ser."
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O número dois da revista de opinião socialista Ops! já está disponível.
O tema é a Educação e o destaque vai para o editorial de Manuel Alegre e para o artigo de Paulo Guinote com o título "Por uma avaliação séria e a sério do desempenho dos docentes".
Destaco do editorial as seguintes passagens: "O lançamento do número 2 da revista ops!, dedicado à educação, ocorre depois de factos que não podem deixar de ser salientados: a eleição de Obama, que foi uma reafirmação da vitalidade da democracia americana, e que constitui em si mesma uma grande esperança para os Estados Unidos e o mundo; a manifestação que reuniu em Lisboa mais de cem mil professores em protesto contra o sistema de avaliação imposto pelo ministério; o alerta de 15 antigos reitores em carta enviado ao Presidente da República e ao Primeiro Ministro na qual alertam para o risco de ruptura financeira nas Universidades. E a resposta do ministro do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), de que nas universidades há maus gestores.(...) Confesso que me chocou profundamente a inflexibilidade da Ministra e o modo como se referiu à manifestação, por ela considerada como forma de intimidação ou chantagem, numa linguagem imprópria de um titular da pasta da educação e incompatível com uma cultura democrática. Confesso ainda que, tendo nascido em 1936 e tendo passado a vida lutar pela liberdade de expressão e contra o medo, estou farto de pulsões e tiques autoritários, assim como de aqueles que não têm dúvidas, nunca se enganam, e pensam que podem tudo contra todos.(...)Não se pode reformar a educação tapando os ouvidos aos protestos e às críticas. É preciso saber ouvir e dialogar. É preciso perceber que, mesmo que se tenha uma parte da razão, não é possível ter a razão toda contra tudo e contra todos. Tal não é possível em Democracia."
Etiquetas: Política. Educação
O post de André Freire no "Ladrões de Bicicletas".
Cito: "A governação do PS, sob Sócrates, tem vários problemas fundamentais, mas se eu tivesse que erigir o seu pecado original diria que é a falta de diálogo social, sobretudo na educação. Este pecado original não só vem à revelia da tradição que o PS sempre defendeu, como também diverge das modernas tendências da governação democrática nas sociedades europeias. (...) O pecado original resulta da ilusão de que é possível reformar alguma coisa, em algum domínio que seja, mas nomeadamente na educação, sem mobilizar os profissionais para as mudanças (por maioria de razão quando estes são altamente qualificados e gozam de significativa autonomia), não só tornando claras para esses profissionais as vantagens das mudanças, mas também oferecendo algumas contrapartidas para algumas perdas que porventura se perspectivam no seu estatuto e direitos (é sempre necessário algum trade off numa negociação– e nesta área as perdas têm sido muitas, mas o trade off tem sido reduzido ou nulo.(...) É flagrante que o Ministério da Educação (ME) nunca conseguiu cativar os profissionais para as mudanças que pretende imprimir. Prova disso é a ausência de um qualquer acordo, com um qualquer sindicato.(...)."
A ler na íntegra.
Etiquetas: Política. Educação
Vital Moreira sinaliza a próxima adesão do CDS "à fronda contra o processo de avaliação" antevendo uma próxima junção à "manada". Esta é a leitura que Vital Moreira faz dos professores que se manifestaram. Este intelectual orgânico do socratismo terá, hoje por hoje, esta leitura de todos os manifestantes. Onde qualquer pessoa vê cidadãos livres a exercerem o seu direito democrático à manifestação em defesa dos seus legítimos interesses Vital Moreira vê "manadas".
Depois há ainda uma pérola sobre os comportamentos políticos em períodos eleitorais. Nada que não se resolva com a definição prévia de quando começam e acabam os períodos eleitorais e com a fixação de um período em que fosse interdito às oposições "aproveitarem" protestos profissionais. De preferência um sistema de geometria variável, uma para os momentos em que o partido de VM estivesse no poder e outra para aqueles em que estivesse na oposição.
Etiquetas: Política. Educação
"José Sócrates lamenta “oportunismo político” da oposição na avaliação dos professores".
José Sócrates, manifestamente perturbado pela dimensão da manifestação dos professores, responde à canelada numa reunião interna do partido. E que diz ele? Fala da necessidade de respeitar o direito dos professores amanifestarem-se? Fala do direito dos professores a não concordarem com o modelo de avaliação proposto pelo seu Governo? Fala da necessidade de o seu Governo reavalair melhor o modelo proposto face à tão evidente oposição da classe?
Não!!! Sócrates acha que o Governo tem razão e que os professores não são mais do que umas dezenas de milhares de corporativos aos quais a oposição se cola de forma oportunista. Sócrates acha, como a ministra aliás, que os professores são manipulados pelos sindicatos e agem contra o interesse nacional, recusando a avaliação e em defesa das promoções automáticas.
Sócrates sabe que tudo aquilo que diz não corresponde à verdade. Sabe que os professores estão unidos contra um projecto estúpido, injusto, incompetente e inaplicável que lhes inferniza a vida sem qualquer melhoria, antes pelo contrário, da qualidade do ensino. Sabe que nem nos seus melhores e mais optimistas sonhos os sindicatos admitiriam conseguir este nível de mobilização. Sabe que os professores que se manifestaram muitos deles, largas dezenas de milhares, são militantes, simpatizantes e em muitos casos votantes do partido socialista que se manifestam por convicção. Sentem-se mal tratados, injustiçados, percebem que este modelo os penaliza e degrada a qualidade do ensino e a vida nas escolas.
Então porque continua Sócrates com este discurso e esta práctica que tantos estragos faz no bloco social que o elegeu em 2005?
A explicação são duas: Sócrates acha que entre o que perde por hostilizar toda uma classe e o que ganha com esta imagem de inflexibilidade, de resistência aos "interesses" -todos menos os do sector financeiro ou da energia - resulta um saldo positivo para o Governo; Sócrates desistiu há muito de pretender cativar muitos dos que nele votaram em 2005, apostando na maioria pela expansão à direita e é nesse sentido a sua aposta. O seu discurso ewm Coimbra não era dirigido aos figurantes que preenchiam a sala mas às orelhas atentas daqueles que em 2009 poderão ser os "neosocialistas" - usando a expressão de Paulo Rangel - e que em 2005 votaram PSD.
Etiquetas: Política. Educação
"FC Porto elimina o Sporting da Taça de Portugal no desempate por penáltis"
O Sporting jogou francamente melhor e fez a melhor exibição desta época. Perdeu nos penaltis e francamente não penso que o árbitro, muito mau, tenha asneirado só para um dos lados.
Paulo Bento hoje merece os parabéns.
PS - não podem arranjar uma pequena vespa para as "recuperações" do Rochemback?
Etiquetas: Paixões
"Fátima Felgueiras condenada a 3 anos e 3 meses de prisão com pena suspensa"
Apostei antes da leitura da senteça numa condenação com pena suspensa. Não falhei. Aposto agora que após o recurso Fátima Felgueiras será completamente ilibada e não perderá o mandato. Afinal são paenas 177 euros que separam a autarca da pura e absoluta legalidade.
Alguém já escreveu - julgo que Manuel Carvalho no editorial do Público de ontem - que para se condenar alguém por corrupção é no mínimo necessário que corruptor e corrupto a uma só voz exijam a condenação. Penso mesmo que terão que insistir muito para o conseguirem.
Uma das verdades incontestáveis do nosso sistema políticoé a de que a corrupção nunca existiu.
Se tudo correr com celeridade a dona Fátima pode voltar a canddiatar-se pelo PS em 2009.
Etiquetas: Poder e Impunidade
Ler os Outros:"O processo de avaliação docente avança como um tanque iraquiano"
Posted by JCG at 11/09/2008 02:34:00 p.m.O post de João Paulo Sousa no "da Literatura". Simplesmente brilhante.
Etiquetas: Política. Educação
A ministra da educação está a esta hota na SIC Notícias a justificar o injustificável. tem sido assim ao longo da noite confirmando a declaração do BE de que "ministra e Governo ficaram "aflitos" depois da manifestação". A ministra não tem parado saltando de uma televisão para a outra repetindo had nauseum a mesma cassete. Mas a ministra evolui, acabou agora mesmo de esclarecer o pivot da SIC Notícias que esta manifestação é uma forma de pressão sobre os professores que nas escolas aplicam o modelo de avaliação por si proposto. A ministra, provavelmente cansada com a empreitada que recebeu para esta noite, fala como se os professores que se manifestaram fossem apenas algumas dezenas de milhares de profesores e não mais de 85% da classe. A ministra, provavelmente cansada com esta luta e com esta força dos professores, coloca no mesmo saco os professores que - legitimamente - não se manifestaram e que por isso ela entende estarem a favor do modelo e os outros que se manifestar mobjectivamente contra o seu modelo. Podemos concluir que a Ministra, provavelmente desgastada com esta luta, perdeu o sentido das proporções.
Etiquetas: Política. Educação
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Cento e Vinte mil na rua e tu Maria a fingir que não era nada contigo..
Posted by JCG at 11/08/2008 09:45:00 p.m."Ministra não vai recuar no modelo de avaliação de professores". Esta ministra e esta política da educação são capazes de mobilizar os professores de uma forma nunca dantes vista. mais de cento e vinte mil professores em luta num total de pouco mais de 140 mil. Nunca uma classe profissional se uniu desta forma contra uma política e contra os seus agentes. E a ministra a fingir que não tinha visto e a pretender negar a importância da coisa. A ministra pode estar convencida da justeza das suas posições mas há duas coisas que ela não faz e devia fazer, porque integra um governo democraticamente eleito: 1) devia ter a humildade de respeitar esta manifestação tão forte de descontentamento e aceitar rever o conjunto de situações que a determinam, em particular o modelo de avaliação dos professores que quer impor; 2) devia respeitar o termpo democrático da manifestação e convocar as suas conferências de imprensa para antes ou para depois, não para o exacto momento em que elas se estavam a iniciar. Revela falta de respeito pelos manifestantes.
E por fim na sua declaração a ministra referiu a sua determinação em ultrapassar os obstáculos e os escolhos parecendo claro que se estava a referir a estes manifestantes e a esta manifestação. Será possível ser-se ministro da educação considerando que a quase totalidade do corpo docente é um obstáculo e um escolho? Parece que José Sócrates acha que sim?
Etiquetas: Política. Educação
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"Taça UEFA: Só Ronaldinho parou um Braga de alto nível "
Que contentes que estavam os italianos quando Ronaldinho descobriu um golo impossível. Que exibição do Braga no Giuseppe Meazza . Lembram-se de alguma equipa portuguesa que tenha jogado tão bem contra o Milan nos últimos anos? Têm que recuar ao super-Porto de Mário Jardel. Que regalo.
Jorge Jesus vai em frente com este Braga que colocou a jogar a um nível muito elevado. Esta equipa é candidata ao título nacional até porque ninguém joga melhor em Portugal. Deve-o em grande parte ao facto de ser ter ao seu serviço o melhor treinador português da actualidade. Será que alguém leva os vídeos ao Soares Franco antes do Pinto da Costa lhe botar mão?
Etiquetas: Paixões
"Santana Lopes assume candidatura à Câmara de Lisboa"
Escrevi um mês atrás que era a melhor escolha paa o PSD. Não vejo ninguém que melhor promova a união os eleitores mais à direita e é claro que para o CDS esta candidatura é quase fatal. Mas para António Costa, longe de conseguir sózinho qualquer coisa parecido com uma maioria absoluta, esta candidatura traz muitas preocupações. Não vai ser com Roseta e Sá Fernandes que consegue a coligação capaz de se aproximar desse objectivo. Vai te que dialogar com a CDU e com o BE. Talçvez o menino guerreiro obrigue à redefinição da política de alianças à sua esquerda. Há por aí muita fanfarronice à esquerda na avaliação do peso de PSL, mas na realidade quase toda a gente sabe que esta candidatura é forte, a amis forte que pode surgir à direita.
MFL não perde muito com o seu consentimento. Se PSL perder é sobretudo uma derrota pessoal e livra-se de um opositor interno e de um candidato ao seu lugar. Se ganhar fica por lá entretido 4 anos pelo menos e o PSD sob asua liderança reconquista a auatqruia da capital. Nada mau.
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"Vale e Azevedo enganou o BPN em dois milhões de euros"
Nesta história o que mais me comove é a parte das canalizações. O valor das rendas em atraso, uns míseros 416 mil euros alguns meses atrás, não me aquece nem me arrefece, mas as canalizações, meu Deus como é possível?
O senhorio não saberia que JVA era um entendido em canalizações? Ele que sempre mostrou capacidade para entender os sentidos de circulação dos bens e serviços que alimentam a nossa sociedade e que no cruzamento entre futebol, banca privada de negócios e imobiliário soube sempre colocar-se como um competente guarda-linha capaz de canalizar os capitais circulantes para os seus ávidos bolsos.
Nesta história do BPN, há qualquer coisa de romântico. JVA parece roubar aos ricos para dar, senão aos pobres, a si próprio. Que moral haverá nesta história que não seja a moral de que no sistema financeiro internacional só não rouba quem não pode. E já agora como se pode falar em roubo se na verdade a garantia passada foi aceite como boa e permitiu o encaixe de uns agradáveis dois milhões de euros ao impoluto e criativo JVA.
Voltamos à base: Um euro é um euro.
Etiquetas: Economia Criativa
"Manuel Monteiro abandona liderança do PND"
Manuel Monteiro é o único líder político que foi capaz de trocar um táxi por uma bicicleta com as rodas vazias. Farto de pedalar em vão, resolveu abandonar a liderança. Deve ter sido um processo fácil, resolvido entre si e si próprio. Agora vai tentar ser eleito deputado por Braga pelo ... PND cuja liderança abandona. Milhares de miltantes devem estar, por esta altura, perdidos, algures no País, esperando por orientações políticas claras. Será que alguém telefona ao deputado da Madeira?
Etiquetas: Humor negro

Nunca pensei que o tal de "efeito Obama" se manifestasse tão depressa.
Etiquetas: fcp
Na vitória histórica de Obama, lembremos Martin Luther King (1929-1968):
"Eu tenho um sonho de que um dia os meus quatro filhos vivam numa nação onde não sejam julgados pela cor da sua pele, mas pelo seu caráter."
"Se um homem não descobriu algo por que morrer, não está preparado para viver."
"O ser humano deve desenvolver, para todos os seus conflitos, um método que rejeite a vingança, a agressão e a retaliação. A base para esse tipo de método é o amor."
Etiquetas: Eleições Americanas
Este é o tempo de comemorar esta vitória de um candidato progressista sobre um outro cujo projecto no essencial mantinha a orientação da administração Bush.
Mas há uma leitura que é clara: nunca como nestas eleições a vontade de mudança foi tão manifestamente expressa por tantos americanos e nuca como agora - por razões diferentes como afirmao Rui Tavares - existiu uma tão grande coincidência entre a vontade dos americanos e o resto do mundo.
Quanto à afirmação de Rui Tavares de que "desde Roosevelt que a América não está à beira de eleger um Presidente tão vincadamente progressista da ala esquerda do Partrido Democrático, superando os bloqueios geopolíticos da política americana" tenho as minhas dúvidas. Quem nos dera que assim fosse. Mas será que existem razões objectivas para fazer esta afirmação? Talvez o Rui Tavares nos possa esclarecer.
Etiquetas: Eleições Americanas
Pode ver aqui a expressão Estado a Estado da vitória de Obama.
Etiquetas: Eleições Americanas
Não foi apenas a vitória de um democrata depois de longos e penosos anos de presidência republicana, foi a vitória conseguida com a maior participação popular em cem anos e com o resultado mais expressivo das últimas décadas. Uma cabazada infligida pelos americanos a um partido que durante dois mandatos lhes fez a vida negra quer no plano da política interna quer no plano da política externa. Uma vitória construída em estados nos quais tradicionalmente os republicanos ganham. Uma vitória clara logo desde o ínicio das projecções da CNN quando por volta das 2 da manhã Obama já tinha 112 votos eleitorais contra apenas 34 de McCain.
Obama candidatou-se com um discurso de mudança e recebeu dos seus cidadãos esse mandato. Alguns eleitores estiveram nas bichas eleitorais mais de 3 horas para poderem manifestar o seu desejo de mudança. Vamos agora esperar pela expressão práctica desse projecto e pelos seus resultados.
A América está de parabéns e nós também.
Etiquetas: Eleições Americanas
"Liga dos Campeões: Sporting vence Shakhtar (1-0) e chega pela primeira vez aos "oitavos".
O jogo foi em grande parte horrível. Custa ver jogar tão mal, com uma incapacidade de trocar a bola entre os jogadores e um cagaço geral instalado, contra uma equipa fracota. Mas ganhou-se o que do ponto de vista financeiro tem as consequências que se sabe.
Como diz um amigo meu, eu quero lá saber se eles jogam bem, eu quero é que ganhem.
O SCP ganhou mas apetece perguntar se haverá jogos assim tão maus na Liga dos Campeões.
A fraca assistência em Alvalade explica-se pelo facto de mesmo entre os adeptos do Sporting, conhecidos sofredores, a autopunição estar em declínio.
PS - como será possível uma equipa com alguns jogadores tão bons atacar tão pouco e tão mal?
Etiquetas: Paixões
"Mário Lino: ampliação do terminal de Alcântara cria "mínimo impacto visual"
Todos são capazes de reconhecer ao ministro das obras públicas uma apurada sensibilidade que o leva a ver e a dizer coisas que os simples mortais jamais diriam ou afirmariam ter visto. Foi assim no caso do deserto e do jamais e parece ser assim, agora, com esta providencial explicação ao povo ignaro - excluindo os estivadores arregimentados - sobre o inexistente impacto visual dos contentores. A explicação é de antologia e podemos mesmo afirmar que Jorge Coelho, seu antecessor socialista no cargo, nem nos seus melhores dias se aproximou deste nível de clarividência: "A ampliação do terminal de contentores de Alcântara] é um projecto que está pensado para criar o mínimo de impacto visual e para trazer grandes benefícios, porque o terminal de contentores não é apenas um terminal de contentores, é também à acessibilidade [ao terminal de contentores]"
Perceberam? Esta oração de sapiência de Mário Lino merece um título. Proponho "Um Terminal a as suas circunstâncias"
Etiquetas: Transparência
Hoje é um dia importante. Se Obama ganhar as eleições americanas as coisas podem melhorar em termos globais. Eu acredito que isso pode acontecer mas, apesar das sondagens, eu, que sou um azarado nestas coisas de eleições, ainda duvido que o homem consiga a vitória.
Espero, no entanto, que Obama triunfe. Apesar de saber que ele não é de um gajo de esquerda, tal como nós a entendemos, apesar de saber que em muitos aspectos o seu programa é mais à direita do que o da senadora Clinton, apesar de saber que o regime americano é na sua essência um regime de partido único, deposito esperanças na vitória de Obama. Quero que Obama ganhe. Quero que Mc Cain perca.
Espero que alguma coisa mude e que seja no bom caminho. Espero que a eleição de um negro para a Presidência americana seja sublinhada pelo carácter progressista dessa personagem e pela sua vontade de transformar a sociedade americana numa sociedade mais justa e a América, enquanto país, uma democracia capaz de trabalhar para a paz global e o desenvolvimento sustentado, acabando com o estado belicista, predador dos recursos naturais, instrumentalizado pelos fanáticos religiosos, que os republicanos tão criteriosamente estiveram a construir ao longo dos últimos anos.
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