Interessante a manchete do Público a dar conta de um trabalho coordenado pela equipa do economista Augusto Mateus. Talvez fosse esta uma oportunidade para discutir, já que se aproxima o último quadro comunitário de apoio, o papel das políticas públicas na promoção da coesão social e da competitividade das regiões mais atrasadas.
Em Portugal as políticas públicas têm sido reféns das agendas político-eleitorais. Tem-se privilegiado o betão, o asfalto, a obra em detrimento das condições imateriais do desenvolvimento que carecem igualmente de apoios públicos para poderem vingar. Nesta matéria PS e PSD têm sido solidários e dão mostra de existir uma cultura de Bloco Central.
A propósito não se devia falar disto nas presidenciais?
O Jornal de Negócios de ontem anunciava que o Governo vai avançar com um novo regime jurídico que permitirá a dissolução e liquidação de empresas na hora. Esta é uma medida extremamente importante e fundamental para a boa saúde da economia. A morosidade na dissolução das empresas e as consequências, sobretudo fiscais, para os empresários que deveriam estar disponíveis para novos desafios, dão uma medida de uma economia burocratizada e pouco eficiente. Até porque a alternativa actualmente é recorrer aos tribunais sendo a justiça uma falsa opção dada a sua morosidade e os elevados custos que acarreta.
Esta medida é mais importante do que a que permite a criação de empresas na hora.
"(...) No fundo do corredor, no outro extremo desse andar, há um quarto grande e comprido, orientado de este a oeste no sentido do comprimento, e todo atravessado pela luz que vem do mar. É um quarto simultaneamente luminoso, esverdeado e sombrio. Nas suas penumbras brilham pontos de oiro. E há reflexos vagabundos que vagueiam entre loiças, vidros, pratas, espelhos. No ar paira o perfume que sobe de um frasco de vidro doirado e preto que alguém deixou destapado.
Uma nuvem de fumo azul sobe muito lentamente. O quarto está cheio de livros empilhados nas mesas, na estante e mesmo nas cadeiras. Livros de capas amarelas e brancas e cinzentas. Alguns, dobrados ao meio, mostram a cor de trigo do papel e o desenho contínuo e cerrado das letras.
O quarto tem algo de glauco e de doirado como se nele morasse uma mulher de olhos verdes e cabelos loiros, leves e compridos, de um loiro brilhante e sombrio, e cujo perfume é o perfume do sândalo. A beleza da sua testa é grave como a beleza da arquitrave de um templo. Nos seus pulsos há um quebrar de caule. Nas suas mãos, através da finura da pele e do azul das veias, o pensamento emerge. Nesse quarto se vê a pausa em que o instante, de súbito, surpreende e fita e enfrenta a eternidade. E ali se vê o brilho vivo que navega no interior da sombra. Ali se ouve a linguagem que, como nenúfar, aflora à tona das águas paradas do silêncio. Porque o quarto sussurra como se fosse o interior de uma tília onde palpitam miríades de folhas verdes cujo reverso é branco e que batem como pálpebras, ora revelando ora escondendo o interminável brilho dos olhos magnéticos, verdes, cinzentos, azuis e desmesurados como mares.(...)"
Sophia de Mello Breyner Andresen. A Casa do Mar in Histórias da Terra e do Mar.
Etiquetas: Leituras
O campo do pró OTA - Mário Lino e Fernando Pinto - ganhou o debate de forma clara. Do lado do contra, Carmona Rodrigues ficou quase sózinho já que José Manuel Viegas optou por um low profile cauteloso. Defender a manutenção do aeroporto da Portela mesmo com um novo aeroporto na Ota foi uma originalidade de Carmona. Para quem criticou o Governo por falta de estudos, defender uma hipotese tão original que não se fundamenta em nenhum estudo alguma vez feito é no mínimo bizarro. Fica uma frase de Fernando Pinto. "O novo aeroporto tem que ser feito. Não tem mais como discutir."
Portela+1 não tem defesa possível a julgar pelo que disseram os intervenientes. Fernando Pinto afirmou que considerar essa opção corresponde a por em causa o trabalho dos últimos cinco anos. Outra conclusão que resultou da discussão é que não existe qualquer estudo sobre o cenário Portela+1. Ninguém conhece.
Mário Lino cita Carmona Rodrigues, então Ministro das Obras Públicas de Durão Barroso, a garantir a operacionalidade da OTA em 2015, face ao esgotamento inevitável da Portela, em plena Assembleia da República. Xeque Mate a Carmona, o participante pior preparado para discutir o tema.
(...) Existe uma corrupção latente no próprio processo de estetização. Isto deve-se não só ao facto de a estética nos permitir disfarçar um programa político enfadonho e transformá-lo num espectáculo embriagante, mas de a estetização produzir um deslocamento a nível social e político, substituindo as preocupações éticas por preocupações estéticas.(...)
in "A Anestética da arquitectura" . Neil Leach.
Haverá um mar próprio de cada porto? Haverá O Mar de Sines? O Mar de Sagres? O Mar da Finesterra?
Acredito que sim. Há uma luz e uma confluência Terra/Mar própria de cada Porto, de cada praia. Como há também o olhar dos que o observam. Muito mais díspar será o olhar de uma pessoa do interior ou da montanha sobre esse mar.
A pintora Graça Morais, uma mulher do interior Norte, pintou pela primeira vez o Mar. O Mar que viu e sentiu em Sines. Sentimos o seu mergulho, o seu olhar que planou sobre a cidade, o porto de pesca, os homens que o trazem como alimento e o sonham. É muito musical e profunda essa viagem que atravessou vários tempos no tempo e que se pode visitar até 3/4/06 no Centro das Artes de Sines.
Pode, no entanto, para já espreitar as obras no blog http://gracamorais.blogspot.com/ de onde eu retirei esta imagem
Paulo Portas regressou, pela mão da Associação Comercial do Porto, para manifestar apoio a Cavaco e tecer umas considerações, momentaneamente elevadas ao nível de conferência, sobre a Constituição como força de Bloqueio. Nada de grave a não ser a insistência num conjunto de lugares comuns, velhos e relhos, que culminam inevitavelmente na diabolização da "constituição socialista" - Portas teve sempre este lado cómico - como um inimigo do desenvolvimento do país. Uma frase é exemplar da profundidade - já foi ministro dos submarinos recorde-se - constitucional da doutrina política de Portas: "mesmo quando o povo português pretende votar à direita, tem uma Constituição à erquerda".
Imagina-se uma próxima cruzada do apóstolo Paulo, sob o lema, " cada Governo a sua Constituição"
Morreu um dos maiores futebolistas que vi jogar e um dos maiores de todos os tempos. Um jogador relativamente franzino que endoidecia os matulões ingleses com a sua capacidade de drible, as suas mudanças repentinas de direcção e uma técnica insuperável. Pelé disse dele que era, nessa altura, " o melhor jogador do mundo".
Tinha uma facilidade tão grande para evitar as entradas, mesmo as mais duras, dos defesas tornando-as muitas vezes desajeitadamente ridículas que podia parecer pairar acima dos simples mortais tornados trôpegos e desajeitados.
Jogou depressa, retirou-se do grande futebol aos 28 anos, e viveu depressa movido pelos seus excessos.
Fica a memória inesquecível do seu talento.
Um dos argumentos menos sérios contra a OTA tem a ver com a distância a Lisboa. Essa distância afectaria sobremaneira a valência turística do novo aeroporto. Pode ver aqui as distâncias dos grandes aeroportos internacionais às cidades capitais. A distância pode, como se sabe, ser alterada pelo tempo. Os 23 Km do Charles de Gaulle a Paris podem ser muito mais demorados do que os 45 da OTA a Lisboa se, neste caso, os passageiros utilizarem um transporte em sítio próprio. A tendência é de os aeroportos deixarem os centros urbanos e os últimos construídos, caso de Oslo, situam-se a distâncias superiores ou próximas da OTA. Quanto ao turismo é caso para dizer que se o aeroporto for muito bom para o turismo e não tiver outras valências é preferível não o construir. Portugal já tem um aeroporto vocacionado, quase exclusivamente, para o turismo em Faro.
Os argumentos, esgrimidos por aqueles que reconhecem esta obra como desejável, dividem-se entre os que recomendam Rio Frio e os que defendem a OTA. É interesante analisarmos os dois tipos de argumentos. Em ambos estão presentes perspectivas de desenvolvimento do território nacional. Este é o campo de análise que interessa visitar. Lá iremos.
Acentua-se a sensação de que desta vez as eleições resolver-se-ão à primeira. Nos diários de hoje os resultados são diferentes mas só aparentemente. No Público, Cavaco aparece a ganhar destacado à primeira, enquanto no DN o candidato da direita aparece distante da vitória à primeira volta mas, ainda assim, com mais votos do que Alegre e Soares juntos.
Mas mesmo neste cenário, realização de uma segunda volta, mais de 60% dos eleitores acham que Cavaco ganha independentemente do adversário.
Outro dado relevante é o facto de Soares aparecer em qualquer das sondagens atrás de Alegre e de acordo com a divulgada pelo DN essa distância estar a crescer.
Não estão a resultar os esforços consideráveis realizados por Soares nem as suas declarações de fé na vitória.
A esquerda reagiu mal à divisão, tal como defendi aqui desde o ínicio, e mostra desmotivação. O PS dividido e desmobilizado - são residuais as acções de Soares que envolvem dirigentes de topo - não se choca com a eleição de Cavaco. Toda a gente acha que pode dormir descansada com a vitória de Cavaco, com excepção de Soares e Jerónimo e certamente de Louçã.


Alguns deliciosos exemplos de posters publicitários das primeiras
décadas do século XX que se podem encontrar no site da Colecção
Berardo (uma das mais bem organizadas escritas em língua
portuguesa): www.berardomodern.com
Deu entrada na Assembleia da República uma petição para que seja revogado o decreto 73/73 para que só os arquitectos sejam autorizados a assinar projectos de arquitectura.
Compreendo a iniciativa pois o que se trata é de garantir para uma classe profissional o exclusivo do exercício de uma determinada profissão e consequentemente a apropriação pela totalidade do mercado dioponível. Estamos perante uma questão de natureza corporativa.
Não aceito, por serem obviamente falsos, os pressupostos de que uma tal medida irá melhorar as cidades, ou mais ridículo ainda, melhorar o território. A confusão deliberada entre arquitectura e urbanismo é um discurso fomentado pela OA para iludir tolos. Infelizmente, a generalidade dos arquitectos pouco tem feito para alterar o estado das nossas cidades ou do nosso território. Por incompetência e por falta de preparação. Até porque desde há décadas a generalidade dos projectos de arquitectura que dão entrada nas câmaras, de todo o país, são assinados por arquitectos. Como acontece em Lisboa, no Porto, e na generalidade das cidades há décadas. Em Lisboa desde Kruz Abecassis. Para não falar da grande encomenda pública ou dos grandes promotores imobiliários que em exclusivo recorrem a arquitectos. As cidades e o território é que não têm melhorado.
Os arquitectos, no seu próprio discurso, não são responsáveis pelo que se tem passado. Nem pela progressiva degradação da qualidade estrutural dos edifícios ou pela bandalheira da qualidade de construção. Isso é culpa dos engenheiros civis. Ora estas questões alteraram-se com o reposicionamento dos diversos actores no processo de edificação.
Julgo que o decreto 73/73 irá ser revogado. Se há coisa que a nossa classe política gosta é das grandes causas e do politicamente correcto.
Calatrava, Normam Foster, engenheiros civis de formação, Tadao Andoo, autodidacta - e Luís Barragan (engenheiro civil) ou Frank Loyd Wright( que frequentou um ou dois anos do curso de engenharia civil, e mais nada), se fossem vivos - não podem continuar a projectar em Portugal. Tal como aconteceria com Cassiano Branco,um dos mais notáveis arquitectos portugueses, que nunca concluiu a licenciatura. Edgar Cardoso, se fosse vivo, nunca mais poderia projectar uma ponte, coisa para arquitectos, o mesmo acontecendo com Segadães Tavares e outros tantos.
As cidades vão melhorar muito, do território nem se fala.
O discurso de Sócrates colocava o assento tónico na importância da OTA para o futuro do País. Para o desenvolvimento económico, para o combate ao desemprego etc.
Pareceu-me que nunca se escutou qualquer referência à necessidade de existir rigor no controlo dos custos da obra, uma das pechas que está associada às obras públicas como uma triste inevitabilidade.
Sócrates é o homem das decisões sobre as grandes obras públicas nos últimos anos. Foi ele que conseguiu trazer para Portugal o Euro 2004. Um dos maiores investimentos públicos das últimas décadas e certamente um dos mais inúteis. Nunca se escutou da parte de Sócrates qualquer sinal de arrependimento.
O que se sabe é que mesmo com o Euro 2004 Portugal mergulhou no défice e na estagnação económica. Ou terá sido também por causa desse investimento público faraónico?
João Cravinho, deputado do PS, propôs o reforço das verbas do Orçamento destinadas ao combate à corrupção. O deputado fez as duas seguintes propostas:
- A primeira visa permitir ao Governo reforçar em cinco milhões de euros, por transferência do orçamento do PIDDAC, os orçamentos de organismos dedicados ao combate ao crime económico e financeiro, corrupção, branqueamento de capitais e evasão e fraude fiscal;
- A segunda visava dotar a Procuradoria-Geral da República com mais 1,5 milhões de euros.
A primeira proposta, a mais importante, foi aceite pelo PS. Os deputados devem servir para tomarem iniciativas destas. João Cravinho faz muita diferença no contexto da generalidade dos deputados existentes. Tem sido ele que tem alertado para a falta de uma estratégia contra a corrupção.
Etiquetas: corrupção
Ao Causa Nossa que faz dois anos. Um dos blogues cuja leitura é indispensável muito por culpa do que lá escreve Vital Moreira.
Meu Amor, Meu Amor
Meu amor, meu amor
meu corpo em movimento
minha voz à procura
do seu próprio lamento.
Meu limão de amargura, meu punhal a escrever
nós parámos o tempo, não sabemos morrer
e nascemos, nascemos
do nosso entristecer.
Meu amor, meu amor
meu nó e sofrimento
minha mó de ternura
minha nau de tormento
este mar não tem cura, este céu não tem ar
nós parámos o vento, não sabemos nadar
e morremos, morremos
devagar, devagar.
Ary dos Santos, 1968
in As Palavras das Cantigas
Ainda mais bonito com a música de Alain Oulman e
a interpretação de Amália Rodrigues
Foi hoje o dia da realização da conferência "Lisboa 2017 um Aeroporto com Futuro", momento que o Governo aproveitou para apresentar os estudos que levaram à decisão para a construção do novo aeroporto de Lisboa na Ota.
Na blogosfera está tudo calmo acerca desta questão depois dum período de bastante agitação. Entretanto estão já disponíveis online alguns dos estudos realizados e que muito justamente foram reclamados na blogosfera. Desconheço se todos ou apenas uma parte.
Dificilmente terei a possibilidade de ler ou consultar todos os estudos, a menos que existam resumos não técnicos que possibilitem uma informação global sobre as diversas opções e sobre as razões que determinaram a opção OTA. Por razões geográficas e de desenvolvimento regional teria gostado que a solução fosse Rio Frio. Ao que parece essa solução seria tecnicamente a melhor mas o Governo te-la-á inviabilizado "pelos seus sérios, irreversíveis e não mitigáveis impactes naturais". Fico sempre de pé atrás com estas razões pelo que aguardo esclarecimentos mais detalhados.
Entendo que o Governo tem toda a legitimidade para decidir que faz falta um aeroporto Internacional que substitua o aeroporto de Lisboa, objectivo que foi sufragado nas eleições de 20 de Fevereiro já que esta promessa constava do programa eleitoral do PS.
Acho um choradinho sem nexo a lamúria centrada no despesismo de um país pobrezito que passa a vida a pedir sacrifícios aos seus cidadãos. Nunca sairemos do buraco onde caímos se perdermos a visão estratégica do nosso desenvolvimento e se não investirmos na correcção dos factores que aumentam o nosso carácter periférico no contexto europeu. Aproveitando para isso os fundos comunitários ainda disponíveis.
Mas parecem-me sérias as reservas levantadas com base nas características topográficas da zona, com os elevados custos associados à preparação dos terrenos e com as limitações à expansão futura do aeroporto. Tal como me parecem sérias as questões associadas à valorização da propriedade fundiária na área envolvente da OTA, que deveriam ser cabalmente esclarecidas. Isto nada tem a ver com as calúnias que alguém pôs a correr relativas a Mário Soares e que, tive a oportunidade de o perceber na passada semana, estão divulgadas de Norte a Sul do País. Tem a ver com aqueles que, normalmente, com este tipo e obras públicas de grande dimensão - lembram-se da Ponte Vasco da Gama - ganham em todos os tabuleiros. Financiam a obra, mas com o risco garantido pelo Estado, o que é notável, e ganham depois na segunda fase com as mais-valias associadas à mudança de uso dos terrenos rústicos para urbanizáveis.
Existem outras reservas mas sobre isso iremos falando.
Uma das características destes debates é que quase todos os protagonistas chegam ao fim sem terem conseguido expor com clareza as suas ideias e os seus argumentos. As interrupções de Fátima Campos Ferreira são muitas vezes fatais para a capacidade dos intervenientes se exprimirem e para a nossa capacidade de entendermos. É a discussão que temos, um bocado à imagem das discussões intermináveis que se arrastam no País.
No rescaldo do debate , exclusivamente centrado nas aulas de substituição, fico com a sensação de que falta diálogo por parte do Governo e uma tendência notória da ministra de utilizar um discurso populista - as crianças abandonadas na escola etc - facilmente gerador de aplausos.
"ao Governo cabe governar e à Assembleia da República cabe legislar. Mas na situação em que o País se encontra o Presidente pode dar uma ajuda significativa."
Cavaco Silva, em entrevista ao Público. As lapalissadas deste homem têm algures um mas que as torna relevantes. A entrevista é marcada pela explicitação do estilo que Cavaco pretende adoptar na relação com a Governo. Um estilo claramente inteventivo. Repare-se que perguntado se, caso fosse eleito, nunca criticaria publicamente o Governo respondeu que em primeiro lugar e em segundo lugar iria dialogar, depois talvez enviasse uma mensagem à AR e depois então admitia a intervenção pública, mas só em casos de interesse claramente nacional. Fica por esclarecer que outros casos , além dos de interesse claramente nacional, podem deteminar este tipo de tensão com o Governo.
"Não é só o Presidente que ajuda a criar confiança. A acção do Governo também é determinante."
Cavaco Silva, magnânimo, em entrevista ao Público.
constitui o facto de Henrique Neto chumbar o Plano Tecnológico do Governo. Citado pelo Público o presidente da Ibermoldes afirmou que "tal como está, o Plano Tecnológico está errado. É um documento teórico, vago, que não teve em conta a realidade económica do país." Trata-se de uma crítica demolidora vinda de quem vem. Outro aspecto referido pelo empresário tem a ver com o facto de a gestão do Plano ter sido entregue a académicos o que para o ex-deputado socialista é um erro que potencia o seu afastamento da realidade concreta das empresas.
No último mês a GALP baixou o preço dos combustíveis em 7,3 cêntimos. A pergunta que se coloca é a de quanto teria baixado se estivessemos perante um mercado de concorrência perfeita?
Foi uma semana para esquecer. Como de costume, nos últimos anos, a coisa corre mal para o País e não se adivinham melhoras. O crescimento da economia vai ser inexistente. O desemprego vai crescer. Os impostos vão subir. Os bancos não vão pagar mais impostos e as desigualdades sociais, no país mais injusto da União Europeia - uma sólida construção do Bloco Central - não vão parar de aumentar. Este cenário deixa as pessoas desmotivadas e deprimidas, justamente preocupadas com o seu futuro.
Foi a semana da greve dos professores e da divulgação, no dia da greve por simples acaso, de números, manipulados, sobre o seu absentismo. Foi igualmente a semana em que o ministro da saúde teve razão mesmo enganando-se, porque os ministros que mostram querer combater poderes corporativos em defesa dos interesses dos cidadãos têm sempre razão, mesmo quando se enganam. Foi a semana em que ocorreu mais uma cimeira que permitiu comparar as duas realidades ibéricas; um país pujante capaz de desempenhar um papel maior na UE e um país pequeno e periférico cada vez mais pobre e mais periférico.
E foi a semana do choque, para citar o Luís Afonso, provocado pela demissão de sete dos dez membros da equipa coordenadora do Plano Tecnológico que deve continuar como o País em estado de choque.
A próxima semana só pode ser muito melhor.
"Admiro a energia, o voluntarismo e a determinação do eng. José Sócrates e acho que Portugal precisa de um primeiro-ministro com um bocadinho de mau-feitio"
António Pires de Lima, previsível candidato a líder do CDS/PP em Janeiro de 2006, em declarações ao Expresso.
Ler a crónica de José Cutileiro, no Expresso deta semana. Cito: "Bush foi eleito dizendo que ia moralizar a Casa Branca; é preciso agora remontar a NIxon para encontrar nela tanta trafulhice."
As revelações do Expresso sobre escutas telefónicas e acordos PS/PP para a substituição do PGR, no âmbito da investigação do caso Portucale, ocorrem menos de uma semana após o líder do CDS se ter insurgido contra a situação do ex-ministro Nobre Guedes, aparentemente vítima do funcionamento da justiça. Ribeiro e Castro não pediu a declaração de inocência de Nobre Guedes, em papel timbrado da PGR talvez, porque não há qualquer acusação ou declaração de culpa, mas andou perto.
Uma inexplicável incompreensão do funcionamento do sistema em que o tempo faz o papel de grande escultor da anunciada inocência de todos os potenciais culpados. Só é necessária paciência, uma exelente conselheira como se sabe.
O artigo de Saldanha Sanches sobre os efeitos perversos da Reserva Agrícola, hoje no Expresso de Economia, é um manifesto contra o politicamente correcto dos que defendem, de forma pateta, uma legislação que não tem feito mais do que estimular a construção em todo o território, muito para lá do pemitido pelos perímetros urbanos. E que tem fomentado uma corrupção sem quartel associada à mudanças de uso do solo e à obtenção de mais-valias pelos que têm capacidade financeira e política para influenciarem essas decisões. O que como se sabe não é o caso dos proprietários originais espoliados em nome de objectivos de conservação da natureza que depois acabam em intervenções turísticas viabilizadoras de megaurbanizações.
O projecto de Sidónio Pardal contribuía para acabar com a actual situação. Foi retirado pelo ministro Nobre Guedes, o do caso Portucale, -lembram-se? - antes de chegar à discussão pública. Foi atacado nos média pelos defensores do politicamente correcto em termos ambientais o que não tem nada a ver com a defesa do ambiente e muito menos do ordenamento do território.
A ligação Lisboa-Madrid emTGV só será concretizada em 2013 e não em 2010 como inicialmente previsto. Este atraso deve-se ao "contexto económico" português como salientou Zapatero e não a qualquer dificuldade colocada pelo lado espanhol.
Em Portugal entre as coisas de que está na moda dizer mal, projectos como o TGV é um candidato ao top ten.
A coberto do laxismo, da incompetência e da conivência com a corrupção que caracterizam a acção do Estado na gestão das grandes obras públicas, diaboliza-se a construção do TGV. Muitos dos que o fazem acreditam no objectivo da coesão social europeia, não entendendo quais os instrumentos potenciadores dessa coesão. Outros pura e simplesmente abominam qualquer ideia de coesão social, quer no Plano Europeu quer dentro das fronteiras nacionais.
Até novo atraso fica fixada a data de 2013 para a ligação por TGV a Madrid. A Europa ficará então com esta forma. Uma forma que dá uma imagem clara do nosso atraso e do acentuar das condições que potenciam a nossa situação periférica no contexto europeu. Aliás Madrid é cada vez mais a capital mais ocidental da Europa. Ocidental no sentido em que se situa a uma distância ainda aceitável dos grandes centros e dos grandes mercados. Talvez resida aqui uma das explicações para o dinamismo da Espanha e para o nosso, aparentemente ireversível, declínio.
A posição de Miguel Sousa Tavares sobre as questões relacionadas com "o direito à orientação sexual" suscitadas à volta do caso das duas alunas, alegadamente, lésbicas que foram repreendidas, para indignação quase geral, pelo concelho directivo da respectiva escola. Cito: " Esta teoria do primado absoluto do direito de orientação sexual está-se a tornar uma espécie de ditadura bem pensante, que funciona por um método terrorista de silenciamento dos discordantes."
Um artigo de John Reed, jornalista do Financial Times, na edição de hoje do Courrier Internacional, sobre a situação em Angola. A descrição da situação angolana cuja síntese é feita por André Muhongo, angolano cuja família de cinco pessoas vive numa tenda no Bairro Pobre de Luanda, Kilamba Kiachi. "Angola é rica, temos petróleo, diamantes. Mas vai tudo para aqueles que estão no Governo."
É esta situação que legitima a afirmação de Carlos Leitão, dirigente do partido da oposição Padepa, de que "aqueles que governam Angola são piores do que os colonizadores."
Há uma evidente crispação entre a candidatura de Alegre e a candiatura de Soares. Julgo que o movimento é no sentido Soares-Alegre. E quer-me parecer que quem está a desempenhar esse mau papel são alguns dos apoiantes, sobretudo socialistas.
As coisas não estão fáceis percebe-se, mas este tipo de radicalização não leva a lado nenhum. Alegre pela ordem natual das coisas tenderá a perder relevo nas sondagens à medida que se aproxima a data das eleições. A menos que a candidatura de Soares comece agora a dar um relevo inusitado ao candidato poeta. E não será por ele que Soares deixará de ser o candidato da esquerda para uma segunda volta. Pod acontecer, existem fortissímas possibilidades, que não exista segunda volta. Ora isso não depende de Alegre, depende da forma como o eleitorado esquerda e centro-esquerda entender as diversas candidaturas à esquerda e sobretudo depende da forma como parte desse eleitorado entender a candidatura de Cavaco.
Ano após ano volta a lamúria da justiça. Ministro após ministro o problema da justiça não se resolve. O sistema vive em circuito fechado, numa lógica profundamente corporativa, na qual os problemas dos cidadãos são infinitamente menores quando comparados com os sensíveis problemas dos advogados, juízes e funcionários judiciais. O protagonism odosctor da justiça dá bem uma dimensão do atraso que corroi o país. A justiça é, desde há décadas, fortemente responsável pela estagnação económica e pelo subdesenvolvimento do país.
Os cidadãos só são parte porque são arguidos ou réus e não são nessa sua função substituíveis.
Já ninguém suporta os sucessivos discursos sobre as reformas da justiça. Apetece ordenar: calem-se e façam qualquer coisa que se veja para melhorar as coisas.

Sempre tive admiração por aquelas pessoas que, por opção, mais tarde na vida, já reformados, continuam a trabalhar na profissão que sempre tiveram. Não sabem fazer outra coisa e querem, sobretudo, sentir-se integrados na sociedade. Querem sentir-se úteis, numa sociedade que não acolhe nem integra os idosos como poderia e deveria.
Vi e conheço jornalistas, fotógrafos, agricultores a quem a saúde, felizmente, lhes deu a possibilidade de continuar a trabalhar. Mesmo que não o façam, é certo, com a mesma destreza física e intelectual, querem continuar ligados à vida, ao que foi a sua vida. Não querem desistir. É claro que podem tirar umas férias, fazer uma pausa, porque felizmente, melhor ou pior recebem uma reforma.
Vi também homens cansados que trabalham não por opção, mas necessidade, na construção civil e noutros trabalhos pesados. Talvez também eles quisessem descansar, ter uma horta para se "entreterem" e tirar umas férias que foi coisa que raramente fizeram.
Há um desiquilíbrio em tudo isto. Mais tarde na vida só se deveria trabalhar por opção, nunca por necessidade. Devemos, creio eu, acreditar e lutar para que este segundo cenário mude rapidamente. Mas não é, concerteza, com o egoísmo e a falta de responsablidade cívica que alguns demonstram que o iremos mudar.
a iniciativa do deputado João Cravinho de refoçar os orçamentos das entidades com competência no combate à corrupção.
Será interessante acompanhar o suceso desta proposta do deputado socialista.
a inviabilização da audição parlamentar aos dirigentes da Polícia Judiciária e dos Magistrados acerca da fuga para o Brasil e do regresso triunfal de Fátima Felgueiras. Argumentar com a separação de poderes pode ser absolutamente válido, mas não pode haver dúvidas sobre as repercussões políticas dos acontecimentos.
O PS não se devia opor às audições parlamentares. Assim dá a ideia de que protege Fátima Felgueiras e que anseia pelo passar do tempo para "apagar" este processo da memória de todos. Talvez nas próximas eleições a camarada já possa regressr às hostes.
pergunta Luís Delgado - doravante neste post e em todos os outros para o futuro chamado LD - estupefacto com as manifestações de fé do actual ministro das finanças. Diz ele "(...) nisto tudo só espanta o silêncio da oposição onde está o PSD? Onde está o PP? Será que se esqueceram do que era a oposição do PS de cada vez que aparecia um dado menos agradável? E da barragem mediática? Numa coisa todos concordamos: o país activo perdeu a confiança neste Governo, e o resultado está à vista. "
E o resultado é ? Hipótese um, segundo a lógica de LD: O País activo perdeu a confiança no Governo e logicamente a oposição desapareceu. Hipótese dois ainda segundo a lógica de LD: A oposição é a drª Manuela Ferreira Leite, o dr. Miguel Beleza e o dr. Eduardo Catroga e numa coisa todos concordamos: o país activo perdeu a confiança na oposição.
João Cravinho referiu, na comissão parlamentar que não existe uma estratégia anticorrupção em Portugal. Numa declaração muito interessante existem vários aspectos que importa salientar. Uma das referências concretas de Cravinho foi à não aplicação da LADA - Lei de Acesso aos Documentos da Administração - cuja não aplicação nas palavras do socialista " não tem praticamente sanções" .
Esta lei criada após a revisão Constitucional de 1998 estabeleceu a necessidade de regular o direito do livre acesso aos documentos na posse da Administração Pública e em simultâneo transpôs para o direito interno a importante Directiva do Conselho da CEE, n.º 90/313, de 7 de Junho, cuja transposição deveria ter ocorrido até ao final de 1992.
Em 2000 foi feita uma avaliação da execução da LADA pela AdministraçãoPúblia e o resultado foi péssimo...para os cidadãos. O questionário submetido aos diversos níveis da Administração não mereceu qualquer resposta na generalidade dos casos. Nas autarquias, 65 % delas não responderam ao inquérito verificando-se que das que responderam apenas 20% cumpria, então, a LADA.
Se pensarmos que esta lei consagra o príncipio da Administração Aberta- tal como definido no
artigo 268, nº2 da Constituição da República- isto dá bem uma ideia da opacidade e do secretismo pelo qual se pauta a nossa Administração Pública e que como se sabe são o terreno de excelência para o crescimento da corrupção.
Ficam aqui os links para uma visita à CADA - uma Comissão que existe no âmbito da Assembleia da República - onde está disponível informação sobre tudo isto e sobre os pareceres emitidos com base em queixas de cidadãos ou instituições.
200 milhões de euros é quanto vai custar o complemento de reforma até aos 300 euros a partir de 2009. Este ano o Governo vai gastar 50 milhões de euros com os idosos cuja idade seja superior ou igual a 80 anos.
Esta medida quando aplicada pela sua totalidade irá abranger um milhão de pessoas cujos rendimentos globais são inferiores a 300 euros por mês. Pessoas que pela sua idade não podem esperar que a situação em que se encontram possa melhorar. Mesmo na situação mais extrema em que um cidadão possa ter sido um péssimo exemplo ao longo da sua vida, não ter acautelado a sua velhice, ter esbanjado oportunidades e bens, ter cometido erros atrás de erros, a verdade é que nenhum ser humano merece o castigo de ser sujeito a uma velhice miserável, com menos de duzentos euros por mês para se governar. Isto só é possível num país tão desigual como o nosso no qual alguns gastam em futilidades aquilo que dezenas de outros não tem para subsistir.
Esta medida é uma medida séria e que prestigia quem a tomou. O que me desagrada, insisto, é que não seja efectiva, para todos os destinatários, um ou dois anos mais cedo ou mesmo já neste momento. Esta é uma despesa social perfeitamente legítima. Este é um dinheiro bem empregue.
Mário Crespo dá notícia da agenda política de Soares. Lá aparecem as críticas a Cavaco e à sua falta de perfil para candidato presidencial. Terminada a peça Mário Crespo introduz uma outra que dá conta de declarações, aparentemente de sentido contrário feitas dois ou três anos atrás, em que Soares elogia Cavaco, reconhecendo-lhe capacidades para se candidatar.
Que jornalismo é este?
Adenda: Ao longo da noite a cena repete-se. Por cada notícia relacionada com a agenda de Soares, acabaram de transmitir parte de uma intervenção, que me pareceu interessante sobre questões europeias e mundiais, lá vem a rematar as declarações proferidas na fundaçao João Soares e elogiosas para Cavaco Silva.
tem feito aquilo que há muito se espera de um ministro da Saúde: que ataque as prácticas corporativas mais lesivas dos interesses dos cidadãos.
Tem sido assim com as farmácias e com o preço dos medicamentos e é agora com a concentação de médicos nos hospitais e nos grandes centros urbanos. Portugal tem três médicos nos Hospitais por cada médico nos centros de saúde. A média na Europa é de um médico nos hospitais por cada dois médicos nos centros de saúde. Quem o afirma é um médico, Carlos Arroz, presidente do Sindicato Independente dos Médicos. Nós percebemos a razão desta distrsão. O ministro deseja acabarcom esta imoralidade.
O ministro afirmou que "Há uma carapaça jurídica que impede a administração e o Governo de actuar directamente nesta matéria e que é alimentada pelos movimentos sindicais, pelos profissionais (do sector) e pelos interesses corporativos".
Mesmo que se engane uma vez ou outra e com isso provoque a indignação dos atingidos, a verdade é que o ministro tem vontade de fazer e de fazer no bom sentido. Os cidadãos agradecem.
Fotografia de Myria Mvillert
Uma vez um homem encontrou duas folhas e entrou em casa segurando-as com os braços esticados, dizendo aos pais que era uma árvore.
Ao que eles disseram então vai para o pátio e não cresças na sala pois as tuas raízes podem estragar a carpete.
Ele disse eu estava a brincar não sou uma árvore e deixou cair as folhas.
Mas os pais disseram olha é o outono.
-Russell Edson-
Das declarações de Soares sobre Cavaco. Soares não foi capaz de deixar de ser ele a enfiar a carapuça na cabeça do professor. Depois das declarações que produziu, julgo que na Câmara de Comércio Luso-Alemã, nas quais se adivinhavam indirectas a Cavaco, instado pelos jornalistas sobre quem era o complexado a que se referia respondeu que quem quisesse que enfiasse a carapuça. Passados trinta segundos estava a declarar que Cavaco na TVI tinha-se mostrado complexado.
Este caminho não me parece que leve longe. É desagradável ver Soares a percorrê-lo.
A Autoridade da Concorrência (AdC) vai propor ao Governo uma mudança profunda da lei que rege a propriedade das farmácias.
Espera-se a decisão do Governo e espera-se que seja no sentido de acatar a proosta da AdC. A situação actual não faz qualquer sentido. Imagine-se que se aplicava a mesma regulamentação a todas as actividades. Nem nos tempos da contingentação industrial.
O Governo aprova hoje a aplicação de uma das principais promessas eleitorais na área da assistência os idosos e combate à pobreza. D acordo com as notícias divulgadas a aplicação da proposta só abtangerá todos os idosos em 2009. No próximo ano só serão beneficiados os idosos com mais de 80 anos e menos de 300 euros de pensão. O gradualismo etário na aplicação da medida é o lado mais criticável desta boa iniciativa, com evidentes benefícios sociais. Sobretudo por o Governo ter iniciado a sua aplicação pelos que têm mais de oitenta anos que julgo não serão muitos. Gostaria, aliás, de saber quantos idosos se espera atingir com esta medida distribuídos pelos diferentes escalões etários defrinidos. Naturalmente serão cada vez mais os beneficiados à medida que nos aproximar-mos dos 65 anos.
No Super Mário encontra-se transcrita parte de uma entrevista que o Professor Doutor Joaquim Serrão deu ao Diabo. Este senhor integra a Comissão de Honra da candidatura de Cavaco, mas do que ele verdadeiramente tem saudades é da figura, e do exemplo, do ditador de Santa Comba. Para lá das considerações sobre Salazar registe-se esta pérola: "As pessoas que não sabem História ainda pensam que o Estado Novo foi uma ditadura".
Os dirigentes da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), incluindo os do PS, acusaram hoje a Administração Central de promover uma campanha organizada contra os autarcas, condicionando o seu trabalho e denegrindo a sua imagem na opinião pública. E eu que julgava que eram os autarcas que condicionavam a gestão do Governo, como na questão da limitação dos mandatos. Mas do que se queixam os autarcas? De não terem dinheiro? Gastaram-no todo para garantirem a sua reeleição. E o roubo aos cidadãos por via do aumento brutal das receitas de IMI?
A propósito já está esclarecida aquela questão da reformazita? Ainda conta a dobrar?
é o que aí vem. Pobreza para uma percentagem cada vez maior de cidadãos. Uma parte significativa daqueles que são bafejados pelo escândalo da distribuição da riqueza no país mais injusto da União Europeia, continuará tranquilamente a sua vida. São eles que decidem os destinos do país. São eles que mandam.
Um crescimento verdadeiramente miserável e a crescente perda de mercado das nossas exportações são manifestações de que piores dias virão.
Quais serão as condições que levam as nossas empresas a estarem tão mal? Porque será que enquanto a economia do País não consegue sair da crise alguns sectores de actividade prosperam, parecendo aliás que quanto mais crise melhor?
Parece que em certas "profissões" o não se ser profissional, não significa ser-se amador, antes pelo contrário!
Os que na política, constituídos candidatos, se designam como não profissionais, pretendem ter essa áurea de realeza, de poder antecipadamente recebido (de onde? de quem?) e já passeiam com o corpo desprendido e seguro da sua pré-coroação.
Continuo convencido que a melhor arma de Cavaco é a divisão da esquerda e a consequente atomização dos votos.
Continuo convencido que as candidaturas que não visam disputar a eleição não fazem nenhuma falta. Excluo por isso Louçã e Jerónimo.
Continuo convencido que, apesar das nabices do PS, a candidatura de Alegre não tem qualquer hipótese de vencer as eleições. Excluo por isso Alegre.
Começo a estar convencido que a simpatia por Cavaco tem a ver com a tendência, aparentemente incontrolável, Socrática de colocar gente do PS em tudo o que é lugar de influência política. O povo acha excessivo e normalmente o povo nestas coisas tem razão.
Tenho a esperança que Cavaco perca no próximo mês os cinco por cento que lhe garantem a vitória à primeira volta e que Soares, depois de eleito, volte a ser o Soares dos últimos anos, aquele a quem Belmiro de Azevedo se referiu como tendo o discurso trocado. É desse que eu gosto. É esse que faz falta.
Adenda: Vejo sempre mais Alegre como compagnhon de route de Soares do que como um seu adversário. Embora aprecie o seu lado de candidato da cidadania acho que pode ser mais útil no PS defendendo essa dimensão da política.
A direita mais cavaquista ficou desesperada com a entrevista de Cavaco à TVI. Daí a chegar a este nível verdadeiramente nojento ainda devia ir um grande passo.
Pintura de Paul Cézanne (1839-1906). Neve Derretida, 1879-80, óleo s/tela
Imagem retirada do site do Museu de Arte Moderna- New York
O Inverno
como lobos em período de seca
crescemos por toda a parte
amámos a chuva
amámos o outono
um dia até pensámos
em enviar uma carta de agradecimento ao céu
com uma folha de outono como selo de correio
acreditávamos que as montanhas desapareciam
os mares se dissipariam
apenas o amor seria eterno
de súbito separámo-nos
ela gostava de sofás compridos
e eu de longos navios
ela gostava de sussurrar e suspirar nos cafés
eu gostava de saltar e gritar nas ruas
e, apesar de tudo,
os meus braços vastos como o universo
estão à espera dela...
Muhammad al-Maghut
in a Rosa do Mundo
O candidato Mário Soares aparenta estar numa forma física invejável. E com a mesma inigualável capacidade de combate político. Mas desagrada-me a sua referência, quase constante, a Cavaco. Se a imagem do candidato esfinge foi excelente, porque colou como uma luva na figura, e na atitude, de Cavaco, se a crítica ao político não profissional foi oportuna e justa, há um conjunto de referências que pecam por excessivas. Todos aqueles que vão votar Soares sabem bem o que os separa e sabem bem quanto é importante e decisiva essa diferença.
Muitas vezes parece-me que Soares cai no papel do candidato que concorre contra um adversário mais forte e que por isso o ataca. Julgo que não é necessário insistir e que a insistência é contraproducente.
Mas destas coisas quem percebe é o candidato e os seus conselheiros.
PSD duro a reagir a afirmações de Manuela Ferreira Leite. De acordo com notícias divulgadas pelo DN "Eduardo Azevedo Soares, vice-presidente do partido e número dois de Marques Mendes, afirmou que a posição de um partido sobre um OE não é o saldo entre X medidas boas e X medidas más." Eduardo Catroga, Duarte Lima e outros entendem que o Orçamento é globalmente positivo. Concordam com Manuela Ferreira Leite. Se levarem a confusão para a Comissão de Honra da candidatura de Cavaco ainda obrigam o professor a tomar medidas. Marques Mendes estava distraído e não reparou que o professor não quer crises com o Governo. E o que o professor pensa mas não diz, diz por ele a drª Manuela Ferreira Leite. Se Marques Mendes não se emenda ainda volta a cantiga da má moeda. Mas o seu destino já deve ter sido traçado e não se prevê coisa grande.
Por isso tenho estado aqui no meu canto, calado e sossegado, a ver se reparam em mim para salvador da blogosfera.
(...) Ou seja, e metaforicamente, o "pugilista" Soares, que aspira ao título de pesados, salta sozinho no ringue, sem conseguir que o detentor do cinturão aceite uma luta desigual.Para lá chegar, Soares tem de fazer o circuito, e derrotar, por KO, Manuel Alegre, Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã.(...) A inconfundível, e incompreensível, originalidade de Luís Delgado. Um momento de bom humor não faz mal a ninguém.
"Nicolas SarKozy tocou no último reduto de dignidade que resta aos excluídos dos guetos.(...) A violência que alastrou pela França não foi cega.(...) Os alvos foram carros, prédios, coisas. Se não constituem símbolos claros da riqueza, representam indiscriminadamente o "outro universo" - o da sociedade que possui, exclui e abandona."
José GIl. Courrier Internacional.
"(...) Mas é lutando contra as discriminações de que são vitímas os jovens que vai ser possível restabelecer a ordem - a ordem da igualdade. Não é aumentando o número de efectivos de CRS -equivalente ao Corpo de Intervenção Portuguesa)."
Azouz Begag. Ministro da promoção da Igualdade de Oportunidades do Governo Francês. Liberation citado no Courrier Internacional.
" Sempre que o meu colega Sarkozy intervém nos subúrbios, mesmo quando se trata de igualdade de oportunidades, nunca sou contactado. Fico surpreendido porque sou um dos raros membros do Governo legitimado por 25 anos de experiência e trabalho nesses bairros. Quando se nomeia um chefe de esquadra muçulmano, quando se diz querer dar direitos de voto aos estrangeiros e depois se envia a polícia de choque contra os jovens dos subúrbios, há aí um desajustamento."
idem.
Segundo revela o Daily Telegraph, citado pelo Courrier Internacional, o patrão da Exxon Mobil, quase que se desculpou ao anunciar os lucros gigantescos que a maior petrolífera do mundo obteve no último trimestre. Mais 9,92 mil milhões de dólares relativamente a igual período do ano anterior. Não há memória de alguma vez uma companhia petrolífera ter apresentado resultados tão extraordinários.
Talvez por isso uma sondagem, citada pelo mesmo diário londrino, indique que " nove americanos em cada dez têm a impressão de estar a ser espoliados pelo "Big Oil" [ os gigantes da indústri petrolífera) e oito em cada dez são favoráveis à instauração deum imposto excepcional sobre os lucros, caso servisse para financiar a investigação em matéria de energias alternativas".
Qual será a opinião dos portugueses sobre esta questão. Este é o tipo de sondagens que não se fazem porque o mercado publicitário está muito dependente das grandes empresas.
Eu, concordando embora com o sentimento dos americanos, contentava-me com uma diminuição significativa dos preços dos combustíveis sem pôr em causa os legítimos lucros das empresas petrolíferas. Lucros normais entenda-se.

Sophie Scholl - Os últimos dias é um filme a não perder! Galardoado com o Urso de Prata no Festival Internacional de Cinema de Berlim, conta os últimos dias da heroína alemã que, conjuntamente com o irmão e outros jovens, lutou contra Hitler e suas ideias em plena Segunda Guerra Mundial. A esse movimento deu-se o nome de "Rosa Branca".
Quantas vezes nos indignámos contra essa espécie de silêncio cúmplice do povo alemão face ao horror dos ideais hitlerianos? No entanto, este movimento, conjuntamente com outras formas de resistência escondida de anónimos que certamente existiu, constituiu uma ilha de esperança para o rosto alemão no pós-guerra.
"A partir de 27 de Junho de 1942, nas caixas do correio de grandes cidades do sul da Alemanha e da Áustria, começaram a ser distribuídos panfletos contra o regime nazi pelo movimento de resistência "Weisse Rose".
O Rosa Branca (Weisse Rose), actuante em Munique e em Hamburgo, foi o movimento de resistência de jovens alemães mais conhecido durante o Terceiro Reich. O seu núcleo era formado por universitários de 21 a 25 anos de idade, entre estes os irmãos Hans e Sophie Scholl, Alexander Schmorell, Willi Graf e Christoph Probst.
Os panfletos, que começaram a ser distribuídos nas caixas de correio de intelectuais dos grandes centros na Baviera e na Áustria, condenavam a resistência passiva contra a guerra e a opressão intelectual pelos nazis. Os textos revelavam o alto nível cultural de seus redatores e apelavam a valores religiosos.
A coragem dos membros do Rosa Branca ficou conhecida em toda a Alemanha ainda no decorrer da Segunda Guerra. O escritor Thomas Mann reconheceu seus méritos publicamente, num pronunciamento transmitido pela BBC no dia 27 de Junho de 1943. Reproduções do último panfleto da resistência estudantil, feitas na Inglaterra, foram atiradas pelos aviões britânicos sobre território alemão.
Durante o segundo semestre de 1943, a Gestapo descobriu em Hamburgo um grupo de resistência que divulgava os panfletos do movimento de Munique. Os irmãos Hans e Sophie Scholl juntamente com Christoph Probst foram julgados e executados no mesmo dia, 22 Fevereiro de 1943. Dos 50 participantes, oito universitários foram condenados à morte: Hans Konrad Leipelt, Greta Rothe, Reinhold Meyer, Frederick Gaussenheimer, Käte Leipelt, Elisabeth Lange, Curt Ledien e Margarete Mrosek".
Foram uma maçada. A política portuguesa no seu pior. Um grupo de candidatos pouco interessantes, incapazes de definir com clareza a importância da função Presidencial na actual situação do País. Quatro, os que se situam à esquerda, supriram a deficiência de formas diferentes mas com um denominador comum: todos querem ganhar para evitar a direita revanchista no exercício da função presidencial. Uns fazem campanha, caso de Louçã e de Jerónimo, como uma oportunidade para lutar contra as "políticas de direita" do actual Governo. Soares e Alegre, sobretudo, para evitar que Cavaco possa ganhar. É pouco e é pobre.
Constança Cumha e Sá a entrevistadora foi, como nalguns jogos de futebol em que o árbitro se destaca da mediocridade da partida, a mais competente. Conduziu os candidatos da esquerda para o terreno da luta para evitar a vitória de Cavaco, desvalorizando as suas (?) propostas e confrontou Cavaco com a eficácia das suas (?) propostas de exercício da função.
Noto-lhe uma falha. Nunca confrontou Cavaco com as críticas que Soares, sobretudo, lhe tem feito. Apenas na abordagem da questão da política profissional a presença de Soares transpareceu, embora o discurso de Cavaco contivesse várias indirectas ao ex-presidente.
Fraco. Desinteressante. Monótono. Se o objectivo principal da sua candidatura é dar confiança aos portugueses e, a partir dessa confiança reconquistada, introduzir dinamismo na economia, pelo desempenho de ontem bem pode ficar em casa.
Bem tentou Constança Cunha e Sá arrancar algo mais do que meras declarações de um formalismo entendiante e vazio de qualquer sentido específico.
O candidato envolveu-se nas suas contradições e se por um lado desvalorizou as questões desagradáveis do passado -já passaram dez anos, o mundo mudou tanto, quem não o percebe não pode ajudar Portugal, repetiu ele várias vezes - por outro sentiu necessidade de voltar a esse passado para relembrar a sua experiência governativa e o seu conhecimento das grandes questões internacionais.
Donde virá a confiança que os Portugueses parecem depositar neste homem?
Uma entidade que detenha 33 % do capital de uma empresa, cujo capital é maioritariamente público, não pode mandar nessa empresa. Quem o diz é José Sócrates a propósito da GALP e da posição da ENI na empresa.
Esperemos pelos desenvolvimentos mas os Italianos devem estar de saída com os bolsos a abarrotar. Herança do camarada Pina Moura.
a posição de Angelo Correia sobre as razões profundas da crise em Paris. A falta de esperança e a falta de oportunidades para milhões de europeus mais pobres que não vão ter qualquer oportunidade de conseguirem o seu lugar ao sol. Consequência, para Angelo Correia, de uma opção errada tomada pelos líderes europeus de liberalizarem o comércio e de permitirem a entrada dos produtos chineses e indianos com a consequente destruição do tecido produtivo intermédio europeu deixou sem esperança milhões de trabalhadores e naturalmente afectou os mais desfavorecidos.
"(...)São muitas as reformas necessárias. Mas se tivesse de escolher uma só entre elas, proporia uma lei com um só artigo e dois números. No n.º 1, fixaria que nenhuma universidade pública poderia recrutar um seu recém-doutorado para o seu corpo docente. O primeiro recrutamento teria de ser feito por outra universidade, podendo regressar eventualmente à casa-mãe mas sempre em concorrência com candidatos de outras origens, incluindo doutorados nacionais ou estrangeiros por universidades estrangeiras. No n.º 2, estipularia que essa proibição entrava em vigor dentro de 60 dias.(...)"
Excerto do texto de opinião de João Cravinho no DN de hoje. Uma reflexão sobre as reformas necessárias nas Universidades Portuguesas.
" é um retrato de um grupo social que se tem vindo a constituir e que tem enriquecido em Angola". Quem o diz é Pepetela o famoso escritor angolano, que depois da independência se remeteu a um silêncio prolongado (e conivente?), numa excelente entrevista de Anabela Campos e Cristina Ferreira, hoje no Público. Perguntado se Angola poderá evoluir para uma situação idêntica à do Brasil, com uma economia dinâmica e a riqueza concentrada nalgumas, poucas, mãos, repondeu que existe esse perigo com " a acumulação de riqueza em poucas mãos com uma classe média fraca, e depois com uma classe empresarial mais ou menos dependente do exterior ". A ler.
A GALP vai lucrar este ano 500 milhões de euros. As empresas que dependem dos combustíveis e os particulares, que os consomem no dia a dia, continuaram a empobrecer. O desemprego cresceu, como cresceram as falências.
Haverá aqui um cartel que penaliza os consumidores de forma a permitir lucros excepcionais e excepcionais distribuições de dividendos? Os sucessivos Governos serão parte do cartel?
A ENI que pagou 964 milhões de euros por 33,34 % da GALP em 2000 já recebeu, só de dividendos, 100 milhões de euros. Este ano irá receber 40 milhões de euros. Entretanto a sua participação valorizou-se nestes 5 anos, cerca de 72 %. Pagamos todos para encher a pança à ENI e aos accionistas.
A GALP é a sexta maior petrolífera do mundo e a quarta europeia. Portugal é neste momento a pior economia da União Europeia a quinze e foi ultrapassado por alguns dos países aderentes. A nível mundial existem dezenas de páises muito mais desenvolvidos do que nós. Não podemos trocar a GALP pelo País?. Porque será que tantas empresas são tão boas e o País tão mau?
CDS-PP elogia proposta da CGTP sobre aumento do salário mínimo.
Todos sabemos que é histórica esta identidade de pontos de vista entre o CDS/PP e a CGTP. Foi assim desde sempre e em particular nos últimos Governos PSD/PP. A direcção do CDS esteve sempre de acordo com os aumentos defendidos pela CGTP. Mas foi só lá no fundo da sua conciência democrata-cristã pois na realidade votou contra todas as propostas da CGTP. Compreende-se esta posição já que esta ridicularia de 11 euros no salário mínimo constitui, pasme-se, o maior aumento alguma vez verificado. E é contra isso que o CDS verdadeiramente está.
Sócrates oferece 3% de aumento do salário salário mínimo. Que alegria para cerca de 400 mil portugueses que trabalham por menos de 400 euros.
O primeiro ministro afirmou que não podia dar mais, pois ia pôr em causa a competitividade da economia portuguesa. Este blogue aceita, humildemente, explicações sobre esta relação económica.
Sou
Sou o que sabe não ser menos vão
Que o vão observador que frente ao mudo
Vidro do espelho segue o mais agudo
Reflexo ou o corpo do irmão.
Sou, tácitos amigos, o que sabe
Que a única vingança ou o perdão
É o esquecimento. Um deus quis dar então
Ao ódio humano essa curiosa chave.
Sou o que, apesar de tão ilustres modos
De errar, não decifrou o labirinto
Singular e plural, árduo e distinto,
Do tempo, que é de um só e é de todos.
Sou o que é ninguém, o que não foi a espada
Na guerra. Um esquecimento, um eco, um nada.
- Jorge Luís Borges -
Cor para uma manhã de Outono / 5 - para dizer Bom Dia à beleza da luz
Posted by MJB at 11/14/2005 10:35:00 a.m.(...) O urbanismo difuso criador de áreas protegidas e especializadas e áreas excluídas e descontínuas, aparentemente garante a segurança de uns face à violência de outros. Mas na realidade este urbanismo é fonte de violência. O processo de metropolitanização difusa fragmenta a cidade em zonas in e zonas out, especializam-se ou degradam-se as áreas centrais acentua-se o zonamento funcional e a segregação social. A cidade dissolve-se perde a sua capacidade integradora. É uma tendência não a única. O peso da história, a acção social cidadã e as políticas urbanas podem desenvolver dinâmicas de sinal contrário. Mas a tendência dissolvente é, muitas vezes, a dominante.(...)
Jordi Borja ."O Espaço Público: Cidade e Cidadania." Barcelona. 2001.
Manuel Alegre não esteve presente na votação do Orçamento para 2006. Mas, em declarações aos telejornais, esclareceu que se fosse necessário teria contribuído com o seu voto para a aprovação. Não se entende a lógica política desta actuação. A reacção de Jerónimo de Sousa não se fez esperar. Nã chegam as palavras é necessário juntar os actos às palavras isto seria necessário que Alegre votasse contra este Orçamento. Alegre corre o risco de desagradar ainda mais ao PS e perder alguns apoios internos de que ainda dispõe e simultaneamente à esquerda de cujos votos necessita para ir à segunda-volta(caso exista).
Ma esta reacção do PCP deixa claro que a tese do apoio do PCP a Alegre para derrotar Soares já teve melhores dias. Até porque a candidatura do BE não deixa o PCP descansado. É necessário gnhar o "campeonato" PCP-BE.
Sarkozy quer expulsar do País os que participem nos distúrbios e sejam estrangeiros com autorização de residência. Dos 1800 detidos só 20 jovens se encontravam nessa situação. A Sarkozy pouco importa a realidade o que lhe interessa são os sinais que envia para o seu eleitorado mais extremista de direita, a pensar nas próximas presidenciais. Por isso Le Pen, cuja existência democratiza a de Sarkozy, veio a terreiro, ironizar sobre a homenagem que Sarkozy lhe presta ao adoptar as ideias e as propostas da Frente Nacional.
Podiamos estar perante uma homenagem do vício à virtude mas, infelizmente, não se encontra qualquer virtude nesta gente tão sinistra.
Cavaco (re)afirma-se independente das vontades partidárias. Muito bem. Teve o apoio do PSD e do PP, cujos líderes foram recebidos pelo candidato para humildemente lhe manifestarem o seu apoio. Talvez seja em nome da independência do candidato que o PSD se presta a este trabalho sujo. Voltando à independência ( perdida?) do candidato convém relembrar que ele fez os trabalhos prévios para que ambos os partidos não chegassem a esta altura em más mãos. Tratou de ajudar a correr com a má moeda, como se sabe.
Eu não o considero independente de coisa nenhuma. Acho que estamos perante o candidato de toda a direita que, face a essa unanimidade, pisca o olho ao centro esquerda. Piscadela sedutora, sobretudo para os que não tiverem memória dos tempos do seu governo e das suas políticas.
Soares quer debates e acentua uma das mais evidentes debilidades do seu adversário. O candidato que nada diz, que se ausenta, que desaparece, pode tornar-se incómodo e acentuar a incomodidade com que o próprio se sente no seu papel de político a tempo inteiro.
Debater é um caminho natural. O debate é essencial na democracia. Por outro lado esta afirmação rejuvenesce a imagem de Soares, que se mostra disponível para pôr tudo em causa, arriscando-se no campo eminentemente democrático da luta das ideias e dos projectos. O candidato que admite ter tudo a provar e a esclarecer, apesar do seu passado de figura primeira do regime democrático, aposta forte.
merece destaque hoje no Público na crónica de Miguel Sousa Tavares. Um Bairro de Lisboa que é "um exemplo de harmonia e de qualidade de vida urbana".
O meu primeiro emprego depois de concluída a licenciatura foi num Gabinete de Engenharia que ficava junto ao jardim da Parada. Nunca mais esqueço Campo de Ourique. Faz parte de um conjunto de bairros notáveis de Lisboa cuja maior qualidade é a vida urbana que proporcionam. Para isso como escreve MST "não precisa de nenhuma contrução de referência, nenhuma urbanização de encher o olho, nenhum centro comercial, nnhuma piscina municipal."
Viva Campo de Órique! ( com a pronuncia dos residentes).
Uma análise aos diferentes manifestos presidenciais feita aqui. Saliência para "a aparente ausência nestas eleições de conteúdos programáticos claramente associados a uma ideologia de direita, seja da direita "económica" seja da direita "dos valores"."
Badoca Parque vai vacinar aves contra infecção pelo H5N1
Só não sabia que já existia um Badoca Parque em Grândola. Ou será que o município de Carlos Beato anexou, entretanto, uma parcela do território do concelho de Vitor Proença?
No âmbito de um trabalho académico sobre o assunto que titula esta entrada, está a decorrer um inquérito que se encontra publicado aqui.
Os autores do inquérito - aqui está um deles - solicitam a participação de todos os leitores de blogues , quer através de resposta ao questionário, quer através da sua divulgação por correio electrónico ou noutros blogues e sítios na Internet.
O preenchimento é simples e não demora mais do que cinco minutos. Agradecido.
Em tempos, em conversa com um amigo francês sobre a questão do uso do véu pelas mulheres muçulmanas residentes em França, soube que o assunto havia sido inicialmente levantado pelas escolas. Para os professores e para os restantes alunos era complicado promover o debate de temáticas escolares nas aulas onde alguns dos alunos tinham o rosto tapado. De facto, para os que não partilham desta expressão cultural e religiosa, causará no mínimo estranheza trocar ideias, argumentar questões sem que possamos ver o rosto do outro. O debate de ideias, o enfrentamento do outro passa necessariamente pelo frente a frente da presença, do rosto.
Marques Mendes meteu-se numa alhada. Resolveu, mal assessorado, votar contra o Orçamento Geral de Estado para 2006. Um Orçamento que, de acordo com a generalidade dos comentadores mais à direita, procura cortar na despesa pública e reduzir o défice público, recorrendo para isso a opções que o PSD não desdenhou quando teve que fazer o mesmo. Por exemplo o aumento dos impostos, em particular sobre os reformados, concentrando o essencial do esforço no aumento da receita.
Empolgado com a crítica possível a partir das opções TGV e OTA - uma versão minimalista das opções espanholas do governo de Durão- Portas a que Marques Mendes pertencia - sujeitou-se a apanhar uma coça de Sócrates. Perdeu sem honra e sem glória.
Se toda a direita aplaude o orçamento, é histórico o reconhecimento da direita sempre que o PS governa com pragmatismo e rigôr, por que razão não se absteve Marques Mendes? Depois admira-se do engenheiro Belmiro querer Cavaco na Presidência e Sócrates no Governo.
(...) No entanto as políticas de segurança citadina, por um lado só muito parcialmente protegem o direito à justiça dos habitantes dos territórios mais marginalizados e por outro lado têm também efeitos muito perversos. Vamos destacar apenas três desses aspectos:
1 - O seu carácter classicista e racista. Criminalizam-se grupos e territórios como perigosos em termos absolutos. Como referiam os jovens entrevistados no programa Sagacités. Em certas cidades é suficiente ser jovem étnico e periférico para ser considerado pré-deliquente pelas forças da ordem.
2- A mitificação das políticas repressivas sobretudo “made in USA”. Apesar dos estudos recentes, inclusive comparando apenas cidades norte-americanas que praticam políticas distintas, demonstrarem que as políticas tipo “tolerância zero” criminalizam colectivos sociais e étnicos e nem sempre reduzem a insegurança urbana, ou pelo menos, não o fazem mais do que políticas sociais e culturais preventivas. A comparação entre Barcelona nos anos oitenta e a Londres conservadora, de então, demonstra a muito maior eficácia das políticas preventivas. Em Londres durante o governo Thatcher a delinquência urbana aumentou 50%, enquanto em Barcelona reduziu-se na mesma percentagem durante o mesmo período.
3- A incompreensão das dimensões especificamente urbanas da insegurança. Quando, por exemplo se combina um espaço periférico desestruturado, sem espaço público nem equipamentos de qualidade, no qual os jovens não trabalham nem estudam de dia, nem sabem onde ir à noite, se a isso se juntar a presença, entendida como provocadora, da polícia o que é que se pode esperar? (...)
Jordi Borja ."O Espaço Público: Cidade e Cidadania." Barcelona. 2001.
Uma modesta contribuição para a discussão sobre a importância da construção do TGV. Mapa do espaço europeu das cidades, deformado pelo tempo de acesso em TGV em 2015, no qual se pode observar um conjunto de cidades que se aproximam, constituído por Londres, Paris, Lille, Bruxelas, Lion, Marselha e Montepellier. Por outro lado verifica-se o afastamento das periferias nas quais se incluem Lisboa e o Porto.
Para quem quiser dar-se ao trabalho, recomendo a leitura do livro "Stratégies Spatiales. Comprendre et maîtriser l ' espace." de A.S,Bailly, B.Guesnier, J.H.P. Paelinck e A.Sallez. Uma edição da RECLUS. ISBN 2-96912-058-6.
Deixo aqui um pequeno excerto da capítulo dedicado à análise do papel das infrastruturas no desenvolvimento das periferias (p.110 a 115) " À lávenir , encore plus qu' aujourd'hui, l'acessibilité des villes sera une condition nécessaire à leur attractivité, car c' est plus le temps et la fiabilité des déplacements et des tansports qui joueront en leur faveur que les distances kilométriques. L' attractivité des villes pour les relations d´affaires, les échanges scientifiques, la politique internationale, le tourisme se mesure dejá à la qualité de leurs inteconnexions, autoroute-aéroport et aéroport-transport ferroviaire. Ainsi se dégage un réseau des villes d´excellence disposant des trois modes de transport à grand vitesse et bénéficiant d'ínterconnexions spécialisées et cadencées entre le centre-ville et les plates-formes aéroportuaires et ferroviaires."
O artigo de opinião de Vasco Graça Moura, no Dn, vale mais do que mil declarações dos candidatos da esquerda sobre os perigos de uma vitória de Cavaco. Não vai haver qualquer subversão do regime democrático, ou outro qualquer fantasma dos que a esquerda tem agitado. O pior que nos acontecerá é termos que asistir ao regresso da corte cavaquista de tão má memória. Termos que passar a conviver com a mais gratuita e grosseira manipulação da história, mesmo da mais recente, elevada ao estatuto de coisa séria e rigorosa. O texto atrás referido é disso um bom exemplo. No entanto, devo dizer que encontrei no texto um momento de fino humor. Nesta passagem: "em 1993, quis [referindo-se a Soares] bloquear o plano de erradicação das barracas em Lisboa e no Porto" .
Amado dá 20 mil à Fundação Soares. Notícias cuja publicação apenas se justifica enquadradas no período festivo que vivemos. Comentários aqui.
São as justificações dadas pelo engenheiro Ferreira de Oliveira, ex-presidente da Petrogal, para o elevado preço do petróleo. Não se poderá dizer o mesmo do preço dos combustíveis substituíndo falta de racionalidade por conivência do Governo?
Aguardam-se comentários dos que sacralizam o mercado.
Já terminou a Presidência temática. Os sinais que Sampaio foi enviando foram sempre contraditórios. Ontem criticou o chico-espertismo e o dinheiro fácil. A quem é que se referia concretamente? Aos que realizam enormes operações turísticas, em que o maior produto é a segunda habitação, obtendo enormes mais-valias associdas à mudança de uso do solo rústico para urbano? Certamente não seria aos cidadãos que foram compelidos a venderem os seus terrenos, por se situarem na REN ou na RAN ou na Natura 2000, e que depois de os venderem desvalorizados por força dessa classificação feita pela Administração, assistem ao licenciamento de empreendimentos turísticos que legitimam mega operações imobiliárias, com o alto aval da mesma Administração?
Não me parece que Sampaio tenha sido claro sobre estas matérias tão importantes.
A direita deve estar chocada com a solução adoptada pelo Governo francês ao recorrer ao recolher obrigatório. Uma medida extrema, apesar de tudo, mas não suficientemente musculada. Só adoptada, refira-se, na altura do conflito com a Argélia.
Durante a semana, que duraram os conflitos, pediu-se o exército senão as mílicias. Luís Delgado, um exemplo entre os exemplos, um primus inter pares, foi imoderadamente explícito quanto a isso. Vejamos: "O alastramento da revolta e violência a Paris e outras cidades de França, sem que a polícia consiga travar a onda de destruição que já dura há dez dias, pode levar a um levantamento de forças e grupos radicais, muito activos naquele país, para «combater», por meios próprios, essa agitação. (D.Digital) e "Chirac e o Governo, apenas com as forças policiais, ainda não conseguiram decidir o que parece inevitável recorrer às forças militares como meio de patrulha e contenção desta explosão social, que noite após noite se torna mais violenta, indiscriminada e incontrolável. O que espera Chirac e o Governo? Têm medo das imagens pouco simpáticas que percorrerão o mundo? É certo que não é muito agradável ver unidades militares a patrulhar as ruas do seu próprio país, mas se a polícia não consegue conter, nem tem os meios para isso, os motins e a destruição arrasadora que avança imparável, mais vale agir, em tempo útil, como aliás já pedem os franceses, antes que o controlo da situação passe para "milícias" extremistas ou grupos enfurecidos de cidadãos. (DN)" Cidadãos, não marginais ou terroristas.
Apesar de todos os problemas a realidade não confirmou, até agora, estas expectativas. Não se poderá mudar a realidade?
(…) Cidades tão distantes como Los Angeles ou Kigali são a prova das explosões de violência que geram as cidades guetizadas ou tribalizadas. No Rio ou em Bogotá, em Paris ou em Nova Yorque, a violência que se vive nos Bairros marginais não preocupa nem aos média, nem às instituições nem à chamada opinião pública. O que preocupa é a delinquência urbana, sejam roubos ou agressões a cidadãos, sejam confrontos com a polícia ou alterações da ordem pública.
A violência urbana nasce como reflexo de diversos problemas sociais e torna-se mais visível no contacto entre os cidadãos e os “outros”. É então uma expressão de conflito social. É sempre uma expressão de revolta.
A violência urbana pode ser lida como ambivalente. Um atentado ao direito à segurança e um indicador democrático ou melhor dizendo indica-nos que há um défice democrático. Não é necessário enfatizar algo tão comumente admitido: o diteito à segurança é um direito democrático fundamental. As instituições públicas, as administrações públicas, a justiça e a polícia devem garanti-lo, para isso prevenindo ou reprimindo as condutas que ameaçam esses direitos. Quem mais necessita de protecção pública do direito de segurança são os sectores mais débeis ou vulneráveis da sociedade. O direito à segurança é, sobretudo um direito à justiça que exigem os sectores populares. Até porque a justiça está cada vez mais ausente dos seus territórios e mais inacessível quando dela necessitam.(…)
Jordi Borja ."O Espaço Público: Cidade e Cidadania." Barcelona. 2001.
O candidato presidencial apoiado pelo BE coloca o acento tónico na economia. Numa altura em que os ataques ao candidato da direita passam muito pela desvalorização do seu perfil, excessivamente marcado pelas competências económicas, Louçã adopta outra estratégia. O manifesto tanto quanto foi possível entender, quase que adquire características de programa de governo, elegendo a democracia económica como a questão central dos próximos cinco anos. Vai ao pormenor de defender alterações no financiamento da segurança social, tributando o valor Acrescentado Bruto das empresas (uma ideia muito boa). Uma intervenção como a que Louçã defende no seu manifesto faria do Presidente da República quase um chefe do Governo. Não deixa de ser curioso quando o candidato tem criticado a deriva da direita no sentido do reforço dos poderes presidenciais. Afinal está ou não implícito no seu manifesto um reforço desses poderes?
"Vamos criar estruturas para atender os desempregados e ajudá-los a obter um emprego." Um dos grandes problemas dos Bairros segregados é que o facto de aí se viver potencia a a exclusão. Os jovens entrevistados pelas televisões revelavam que quando se candidatavam a um emprego tudo ruía logo que revelavam o seu local de residência. " O pior não é o nosso nome, ou a cor da nossa pele. Mesmo que tenham acabado de nos dizer que temos o perfil adequado para um determinado emprego, quando temos que dar a nossa direcção, se o bairro é considerado indesejável, o mais natural é que acabe a entrevista."
(Declarações de um jovem francês no programa Sagacités da televisão francesa sobre os Bairros problemáticos e os jovens de origem imigrante nas cidades europeias citado por Jordi Borja na obra "O espaço Público: Cidade e Cidadania.")
"Autorizei que a partir de Janeiro de 2006 o ministro do Interior disponha dos fundos necessários para colocar mais 2000 agentes policiais nas 750 (!!!) zonas urbanas sensíveis"
A inevitável deriva policial face aos problemas. Uma sociedade de guetos - de pobres e de ricos - instala a insegurança entre todos. A polícia nas ruas é um sinal dos problemas, mas não é uma solução.
"Vamos combater o tráfico de droga que corroi os Bairros."
Uma simplificação grosseira, associar os problemas sociais dos bairros à questão do tráfico de droga.
"Mecânica humana. Todo aquele que sofre procura tansmitir o seu sofrimento - seja maltratando, seja provocando piedade - a fim de o diminuir, e assim consegue, realmente, diminuí-lo. Quanto àquele que está mesmo em baixo, que ninguém lamenta, que não tem o poder de maltratar ninguém ( se não tiver filhos ou alguém que o ame), o seu sofrimento permanece e envenena-o.
Tal é imperioso como a gravidade. Como se escapa a isto? Como se escapa ao que é igual à gravidade? "
Simone Weil in A Gravidade e a Graça
Se relacionarmos estas palavras com a onda de violência que se verifica em França, podemos colocar uma questão:
Qual a raíz do sofrimento que corrói esses jovens que espalham a violência? É certamente um sofrimento que se transmite. Um sofrimento que veio dos pais e em relação ao qual não têm meios, nem espaço para o transformar, nem referências culturais para o dizer através de uma força positiva, geradora de contra-poder. Porque as sociedades se fecham, cada indivíduo se fecha, os grupos sociais fecham-se em si próprios, a comunicação entre eles estabelece-se de forma incipiente e ilusória. Todos nós já nos deparámos com essas portas fechadas.
Talvez o que impele estes jovens à reacção não seja unicamente o sofrimento, mas a presença de um vazio que se espalha nas sociedades actuais, muito particularmente nos subúrbios das grandes cidades. Um vazio que apaga do futuro a esperança de um dia melhor; um vazio onde a vida humana real se torna insuportável; um vazio que obriga a que a vida humana de hoje seja outra coisa, qualquer coisa que seja a negação do ser humano.
Ministério Público investiga vendas de imóveis do BCP. Em causa estarão operações que se traduziram num reembolso de IVA de 42 milhões de euros. Se fossem reembolsos de 5 ou 6 mil euros já lá tinham ido.
"Depois do terramoto que tinha destruído três quartas partes de Lisboa, os sábios do país não encontraram meio mais eficaz para prevenir uma ruína total, do que oferecer ao povo um belo auto-de-fé; pois a Universidade de Coimbra tinha decidido que o espectáculo de queimar a fogo lento algumas pessoas, com as cerimónias e formalidads do estilo, era um segredo infalível para impedir a terra de tremer."(*)
Passados estes duzentos e cinquenta anos substituí-se os autos-de-fé pela fé em que não ocorram terramotos. É o mesmo obscurantismo mas com novas roupagens.
(*) - Voltaire. "Cândido ou o optimismo"
Jorge Sampaio e os presidentes das Câmaras são os grandes protagonistas da presidência temática sobre o Turismo. Os empresários turísticos deixam aos autarcas a despesa da conversa, por assim dizer.
Mas será que estão todos a dizer a mesma coisa?
Sampaio falou desde logo na excessiva - parece-me uma expressão benigna mas pronto - vocação autárquica para as questões imobiliárias. Falou depois na magna questão dos direitos adquiridos. Nenhum autarca o seguiu. Preferiram falar nos projectos estruturantes: um hotel, um campo de golfe e quatrocentas ou quinhentas moradias mais um investidor que espera e desespera por aprovação. Turismo sim, nada de imobiliário. Nada de mudanças de uso do solo rústico para urbano, nada de mais-valias. Eco-resorts, natureza, qualidade. O melhor de Portugal.
A segunda visão começa a impor-se e Sampaio já clama por mais rapidez. Não pode ser. Tanto tempo.
A especulação imobiliária parece estar a ganhar terreno.
A expressão de Sarkozy, o tão contestado ministro do interior, que se referiu aos manifestantes como “escumalha” não foi um momento de infelicidade ou uma gaffe momentânea. Sarkozy mostrou ao longo dos últimos anos qual é a sua atitude relativamente aos franceses pobres e aos emigrantes. Enquanto maire de Neuilly , um dos municípios mais classicistas de Paris, destacou-se no boicote às medidas que visavam promover a integração social e espacial das populações de menores recursos. Em particular o então autarca impediu a aplicação, na sua câmara, das Leis LOV e SRU que impunham uma percentagem de 20% de fogos do parque social para os municípios com mais de 10.000 habitantes. Os objectivos da mixité urbaine nunca encontraram eco em Sarkozy que acreditou sempre que expulsando os pobres para as periferias resolvia os problemas. A realidade nunca confirma estas medidas mais insensatas. Mais tarde ou mais cedo os pobres e os excluídos regressam, radicalizados, violentos, dispostos a tudo. É o efeito boomerang que desta vez acertou em cheio na testa do senhor Sarkozy e do seu Governo. Prometem agora avançar com os planos de intervenção urbana que durante anos deitaram para o lixo, com a cumplicidade dos socialistas. É mais o medo do que a convicção. ( ver mais aqui)
Adenda: LOV - Loi d' orientation pour la Ville de 13 de Maio de 1991; SRU - Loi de solidarité et renouvellement urbains de 13 de Dezembro de 2000.
Um texto de José Manuel Fernandes, crítico de arquitectura do Expresso, publicado na Actual, sobre o atelier de Conceição Silva (1922-1982), importante arquitecto . O autor aproveita para revisitar a intervenção do arquitecto na Península de Tróia, agora parcialmente demolida. Um texto corajoso longe dos lugares comuns do politicamente correcto dominantes. Coragem para relembrar a intervenção de Conceição Silva que elaborou o Plano de Urbanização Turística da Península de Tróia e que projectou conjuntos arquitectónicos importantes de que José Manuel Fernandes salienta o Restaurante e Piscina do Bico das Lulas, as Piscinas da Galé, O Centro Comercial Tróiamar e os edifícios dos hotéis. O autor coloca a questão decisiva de não lhe “parecer claro o que se propõe agora para a Nova Tróia, no meio de um triunfalismo bacoco, (…) que não será por causa do apregoado e politicamente correcto conceito de um “urbanismo de baixas volumetrias e densidades mais baixas, atendendo à ecologia”, que melhorará a qualidade real e final de uma suposta nova intervenção, de que se ignoram os autores, as características técnicas e espaciais do plano e dos seus projectos arquitecturais – e cujo “casamento”, entre o plano do Atelier Conceição Silva implementado entre 1972 e a actualidade, parece feito à força, com demolições aparentemente terroristas e aleatórias de obras notáveis.”
Propõe mesmo que o IPPAR classifique o que resta do conjunto projectado pelo arquiecto.
que entre as leituras recomendadas nos blogues, que manifestam simpatia pela candidatura de Cavaco Silva, não foi referido o texto de Miuel Sousa Tavares no Público da passada sexta-feira. Será porque querem evitar as perguntas incómodas que o jornalista coloca ao candidato?
"(...) Agora que segundo as sondagens, Cavaco Silva se prepara para ser o meu Presidente da República nos próximos dez anos, eu acho que chegou a altura de lhe exigir o fim do silêncio conveniente. Gostaria de saber o que pensa ele de Portugal: da justiça, da educação, da desordem territorial, (...). E o que pensa ele do mundo: do Iraque, do combate ao terrorismo, das relações com os regimes corruptos de África, da imigração, (...) da futura guerra com o Irão. Numa palavra, gostaria de saber que ideias tem ele, o "não-político", sobre a política. Será que é pedir de mais a quem quer ser Presidente da República?"
Miguel Sousa Tavares, Público, 4/11/2005
"Não estão de forma alguma sob controlo os efeitos de contágio a outros subúrbios de Paris e, mais grave, a subúrbios de outras grandes metrópoles ou até a cidade pequenas.
Esse alastramento resulta, por enquanto, de um efeito de mimetismo ligado à cobertura mediática dos acontecimentos. Mas também um sintoma de um mal-estar mais profundo. O que me preocupa na situação actual é o contágio por imitação."
Frédéric Ocqueteau (sociólogo, membro do Observatório Nacional de Delinquência Francês)
Público, 5/11/2005
"(...) A vida, apesar da complexidade do mundo, não passava de um filamento ilusório que nos unia aos outros e nos levava a crer que, ao longo de uma existência que julgámos essencial, éramos simplesmente alguma coisa, em vez de nada".
"Todos nós caímos na fraqueza de acreditar que cada história de amor é única, excepcional."
Jean Paul Dubois, sobre o seu livro "Uma Vida Francesa", Público, 5/11/2005
A Ler a entrevista de Jorge Buescu, professor do Técnico, na Pública deste domingo, acerca do ensino da Matemática e do processo de Bolonha.
Duas citações: “ (sobre o processo de Bolonha) É um grande risco que corremos e daí o meu cepticismo em relação a esse processo. Existindo essa questão de base que é a compressão dos anos de ensino nas licenciaturas (para três), podíamos estar a reformular as coisas de forma a optimizar o que é ensinado. Em vez disso, pelo contrário, o que se está a fazer é o que já se fez nos últimos ciclos de ensino Básico e no secundário ou seja, tornar as coisas mais fáceis, facilitar mais, ensinar pela rama. E este é um grande risco que estamos a correr, porque assim a evolução científica e tecnológica não se fará” e “ a minha sensação pessoal é que, ao contrário do que se poderia crer, esta atitude de facilitismo acaba por promover as desigualdades. Baixamos a fasquia para toda a gente conseguir passar, mas isso tem um efeito perverso. Quando a formação de base é má quem é que se safa melhor? Os meninos que vêm de boas famílias, que o tio é engenheiro e até os ajuda, que os pais têm dinheiro para pagar a explicadores. A má preparação, baixar o nível não torna as coisas igualitárias. Pelo contrário aumenta as desigualdades.”
Na mesma altura em que Rui Rio instala uma nova linguagem na sua relação com os jornalistas – uma língua de papel - o seu ex-vereador, quando era necessário para a maioria absoluta com que governou a cidade nos últimos quatro anos, inicia uma fase em que descobre os problemas na cidade. Agora Rui Sá detectou que Rui Rio abandonou os centros históricos do Porto. Logo agora que ficou sem o seu pelourozinho. Fez-lhe bem à vista pelos vistos.
"Manuel Alegre, de voz forte, timbre inconfundível, prosa escorreita, mostrou-se uma mistura de Perón, Fidel e Newt Gingrich, o que é populismo bastante, e suficiente, para empolgar qualquer plateia." É Luis Delgado na mais surpreendente análise ao manifesto de Alegre.
Voltando às coisas sérias, saliência para a leitura feita por Vicente Jorge Silva do mesmo manifesto. "Alegre conjugou utopia e realismo, sopro poético e pedagogia cívica, defesa de valores e pragmatismo político. Falou de pátria e orgulho nacional sem que isso soasse a velharias imprestáveis ou ridículas e deu-lhes um sentido moderno e cosmopolita. Recusou uma condenação simplista e retrógrada da globalização. Evitou deixar-se enredar, com uma habilidade inesperada, na guerrilha entre Soares e Cavaco. E ousou ser mais concreto do que os seus concorrentes, ao sugerir um pacto económico e social que ajude o País a sair da actual crise." Concordo.
Reduzir tudo e todos a manipuladores motivados por desejos mais ou menos secretos é uma forma de cinismo que grassa entre os comentadores profissionais – para utilizar uma distinção muito na berra ultimamente – e os seus seguidores na blogosfera.
Os candidatos da esquerda desejarão, sobretudo, eliminar Sócrates. Tanto aqueles cujo programa presidencial é assumidamente “a luta contra a política deste Governo”, casos de Jerónimo de Sousa e de Francisco Loução com o seu “combate de todos os dias”, como os dois candidatos da área socialista. Soares e Alegre aspiram, da mesma forma, a, logo que possam, interromper a deriva neo-liberal de Sócrates.
Claro que esta visão maquiavélica, vá lá saber-se porquê, não inclui o candidato apoiado pelo PSD e pelo PP menos os seus jovens, irredutíveis pórtistas.
Não se poderá dosear cinismo com alguma lucidez?
"António Guterres e o estado-maior socialista resolveram abater a política de moralização das obras públicas que eu tinha lançado."
Declaração de João Cravinho instado por Maria Flor Pedroso sobre as razões que levaram Guterres a substitui-lo no Ministério das Obras Públicas e do Planeamento.
PS - A frase pode não estar trancrita ipsis verbis mas reproduz fielmente o que foi afirmado. Um bom jornalista não abandona uma questão importante e, seis anos depois, Maria Flor Pedroso obteve o esclarecimento que em 1999 Cravinho não podia dar.
da apresentação do manifesto de Manuel Alegre. Gostei do conteúdo. Pareceu-me claramente mais à esquerda do que o apresentado por Soares. Na linha do que defendeu e disse quando da candidatura a secretário-geral do PS. Julgo no entanto que não será o candidato da esquerda no caso da, improvável, realização de uma segunda volta.
O PSD vai solicitar uma comissão de inquérito na Assembleia da República sobre o caso Eurominas. Face ao que foi revelado pelo Público, não seria do interesse do próprio PS a inicitiva? Há muitas coisas para esclarecer como fica claro das declarações de João Cravinho e das novas revelações do jornal feitas na passada quarta-feira.
a situação existente no executivo municipal da cidade de Lisboa. Carmona não conseguiu negociar apoios para garantir a maioria absoluta. A gestão municipal vai ser obrigada a negociar a aprovação das suas políticas. Esta situação atenua o facto de o PSD ter conseguido uma maioria de mandatos na Assembleia Municipal apesar de não ter tido a maioria dos votos. Esta palhaçada - não me ocorre melhor classificação para a falta de respeito pelos votos expressos pelos cidadãos - dá uma imagem da completa falta de credibilidade das Assembleias Municipais.
Numa democracia local sensata e democrática seria na Assembleia Municipal que se faria a negociação e a contratualização política. Mas o nosso poder local é claramente caricatural quando entendido como um poder democrático e fomentador da participação.







